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ESCE-IPS SAÚDE E

SEGURANÇA___________________________________________________________________
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Segundo Heinrich, a proporção de custos directos/custos indirectos é de ¼, ou seja, oscustos


totais de um acidente correspondem a cerca de 5x o valor tradicionalmenteconsiderado pelo
empresário.Este valor foi objecto de ampla divulgação, tendo sido estimado com base em
valoresfornecidos pela média indústria norte americana. Como de depreende, a sua
utilizaçãoneste contexto destina-se a ilustrar o peso dos custos indirectos no total dos
custosdecorrentes de um acidente de trabalho. Apesar disso, é importante referir que a
análisedesta evidência deve ser contextualizada no espaço e no tempo, ou seja, não é
seguroque o rácio apurado traduza, com fidelidade, a situação vivida na indústria europeia,
porexemplo, nos dias quem correm.O mesmo autor compreendeu que os acidentes deveriam
ser estudados de acordo com asua gravidade. Nesse âmbito, alargou o conceito de acidente de
trabalho a acidentes semlesão (eventualmente, com danos provocados nos equipamentos,
instalações, mas não sóao nível do trabalhador). O seu trabalho de investigação revelou uma
relaçãointeressante entre a frequência e a gravidade dos acidentes de trabalho objecto
deanálise.A figura 2, evidencia que, proporcionalmente, para cada lesão incapacitante
ocorrida, seregistavam 29 lesões não incapacitantes e 300 acidentes sem lesão.Figura 2

: Pirâmide de acidentes segundo a sua gravidade

( Heinrich, 1931)

1 Lesões com incapacidade

______

29 Lesões sem incapacidade

__________

300 Acidentes sem lesãoEm 1966, Frank Bird Jr. desenvolveu uma

Teoria de Controlo de Perdas

a partir daanálise de um conjunto de 90.000 acidentes de trabalho ocorridos numa siderurgia


norteamericana durante 7 anos. A pirâmide de acidentes a que se chegou é a seguinte(cf.
figura 3).
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Figura 3

: Pirâmide de acidentes segundo a sua gravidade

(Bird, 1966)

1 Lesões com incapacidade

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100 Lesões sem incapacidade

__________

500 Danos materiais sem lesãoUma análise mais abrangente permite alargar
consideravelmente a gravidade dos custosdecorrentes da ocorrência de acontecimentos que
alteram o funcionamento normal deuma organização, quer se trate da ocorrência de acidentes
de trabalho ou da afirmaçãode doenças profissionais do foro da segurança e saúde do
trabalho, quer se trate deausências ao trabalho, cujo âmbito, mesmo podendo estar
relacionado com as condiçõesde trabalho, ultrapassa a esfera do local de trabalho, inserindo-
se na complexa rede dasrelações sociais.

Doenças Profissionais

No caso da afirmação de doenças profissionais existem necessariamente custos directosa


considerar, designadamente aqueles que competem ao único organismo responsávelem
Portugal pela reparação dos danos emergentes da afirmação de doençasprofissionais: o Centro
Nacional de Protecção de Riscos Profissionais.Os custos indirectos envolvem,
obrigatoriamente, algumas das rubricas contempladasnos custos indirectos dos acidentes de
trabalho, designadamente: os custos associadosao tempo perdido na assistência médica
prestada ao doente, os custos afectos aoprocesso de averiguação das causas que estiveram na
origem da manifestação dadoença, os custos de selecção e formação de um colaborador que
possa substituir otrabalhador “acidentado”, os custos devidos à falta de prática desse novo
elemento, oscustos associados ao impacto psicológico causado sobre os restantes
colaboradores, asimplicações nos níveis de produção e os seus efeitos ao nível do mercado,
entre muitasoutras consequências indirectas, que no seu conjunto, configuram um peso
elevado emtermos sociais.

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Absentismo

Os custos das ausências ao trabalho são, por natureza, indirectos, uma vez que asimplicações
económicas desses acontecimentos se traduzem tipicamente nas seguintessituações que são
dificilmente quantificáveis:a) Redução dos níveis e ritmo da produção, não só porque o
trabalhador seencontra ausente, mas também porque em determinadas situações podeperder
a aptidão para o desempenho da função com a mesma taxa desucesso;b) Eventual
necessidade de substituir (recrutamento e selecção, formação donovo recurso humano) a
pessoa ausente, devido a ausência prolongada ousistemática, por forma a assegurar o
desempenho da função, entre outrassituações.Os custos directos são, como se compreende,
aqueles que resultam do saldo entre aquiloque a organização economiza por ser averbada
falta ao trabalhador e os custosdirectamente afectáveis à não realização do trabalho em
causa.Em síntese, a falta de assiduidade constitui um importante factor de agravamento
doscustos de uma organização, o que face à gravidade da situação, deve merecer
dosresponsáveis pela organização a adopção de medidas adequadas.

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- CAPÍTULO 2 -(II Parte)

DESCRIÇÃO DO SISTEMA DE TRABALHO

A TAREFA; ENTRADAS; SAÍDAS; HOMEM; MEIOS DETRABALHO; PROCESSO DE TRABALHO E AS


INFLUÊNCIASDO MEIO AMBIENTE

CATEGORIAS DE RISCOS E SUA IDENTIFICAÇÃO

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE RISCOS PROFISSIONAIS

IMPLEMENTAÇÃO DE ACÇÕES DE PREVENÇÃO


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Português

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RESPOSTA ÁS QUESTÕES DE AUTO-AVALIAÇÃO

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QUESTÃO 1Exemplo:

Risco: Incêndio no armazém de combustíveisMedidas de Prevenção: Proibição de fumar no


interior do armazémControlo dos acessosMedidas de Protecção: Paredes incombustíveis e
portas corta-fogo CF60Dotação de bocas (Rede de incêndio) e extintores

AS MEDIDAS PREVENTIVAS DESTINAM-SE A MINIMIZAR APROBABILIDADE DE OCORRÊNCIA DO


FENÓMENO.

AS MEDIDAS DE PROTECÇÃO VISAM REDUZIR A SEVERIDADE DOSDANOS PROVOCADOS PELO


FENÓMENO.

QUESTÃO 2

Esta situação, objectivamente, não pode deixar de ser considerada uma análise restrita epouco
rigorosa, uma vez que na sua essência se restringe a uma abordagem de umconjunto de
indicadores que traduzem a ocorrência de sinistros sob diferentesperspectivas: frequência,
gravidade e incidência na população laboral.

QUESTÃO 3

É evidente que a solução encontrada não tem eficácia suficiente, pois um trabalhador,pelo
menos, não ouviu o aviso sonoro.Haverá, logicamente que melhorar a medida posta em
prática, de forma a garantir quetodos os trabalhadores da obra possam ouvir, claramente, o
aviso sonoro demovimentação da grua.Caberá ao Técnico de Higiene e Segurança,
eventualmente alertado pelo representantedos trabalhadores para a SHST, encontrar a
solução correcta.
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Encontrada a solução (p.e.: instalação de 2 altifalantes suplementares em pontosextremos da


obra), esta é inscrita no Plano de Prevenção e será ela que, de futuro, seráavaliada quanto à
sua eficácia e já não a solução anterior.

QUESTÃO 4

Identificação do Coordenador para a Emergência;

Responsabilidade e autoridade de todo o pessoal com funções específicas naemergência,


nomeadamente a responsabilidade de activação do PEI;

Identificação de todas as emergências potenciais;

Procedimentos de evacuação;

Identificação e localização de substâncias perigosas.

QUESTÃO 5

1. Documentar os procedimentos de emergência e coligir toda a informaçãonecessária à


acção;2. Formar e treinar todos os trabalhadores sobre os procedimentos a tomar em casode
emergência;3. Criar mecanismos de actuação e de teste ao PEI, através da elaboração
deexercícios ou simulacros de acidentes.

QUESTÃO 6

Pode frequentar a licenciatura de HST ou, visto que possui mais de 5 anos deexperiência, pedir
a certificação por equiparação através de avaliação curricular.
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Bibliografia base

Cabral, Fernando A. e Roxo, Manuel M. (2005)

Segurança e Saúde NoTrabalho:Legislação Anotada

, 3ª Edição, Coimbra, Almedina.Lima, Paulo (2003), “Causas e Problemas dos Acidentes de


Trabalho: A gestão dasCondições de Trabalho como possível Solução”

in Revista Segurança

, Lisboa, nº151, pp. 45-51.Lima, Paulo (2006),

Manual de Gestão da Prevenção

, Pós-Graduação emSegurança e Higiene do Trabalho, Setúbal, ESCE.Miguel, A. Sérgio (2005)

Manual de Higiene e Segurança do Trabalho

, 8ª edição,Porto, Porto Editora.Veiga, Rui (coord.) (2005)

Manual de Higiene, Segurança, Saúde e Prevenção deAcidentes de Trabalho

, Lisboa, Verlag Dashofer.

Bibliografia Complementar

Armstrong, M. (1999). “Health, Safety and Welfare” in

A Handbook of HumanResource Management Practice

, London, Kogan Page, 7ª Edição.Arroteia, Carlos Alberto R. (1997) “A capacidade fiscalizadora


e a eficácia dainspecção de trabalho” in MQE

, Forum Emprego, Formação e Trabalho,

Lisboa,MQE.Cabral, Fernando António et al. (1997) “Serviços de segurança, higiene e saúde


notrabalho: ponto de convergência da prevenção” in MQE

, Forum Emprego, Formaçãoe Trabalho

, Lisboa

MQE.Cabral, Fernando et al. (1999)


Segurança e Saúde no Trabalho

, Coimbra, Almedina.Cazamian, Pierre. (1993) “L`ergonomie” in Weiss Dimitri,

La fonction Ressourceshumaines

, Paris, Les Éditions D`Organisation.CES (2001)

Acordo sobre condições de trabalho, higiene e segurança notrabalho e combate à


sinistralidade

Lisboa, CES.IDICT (1995)

O Stress no Trabalho: causas, efeitos e prevenção

, Lisboa, IDICT.Leandro, Eduardo et al. (1998)

Serviços de Prevenção das Empresas – LivroVerde

, Lisboa, IDICT.Lima, Paulo (2002),

A Negociação Colectiva das Condições de Trabalho: umestudo

centrado nas políticas de higiene e segurança no trabalho

, tese deMestrado em Sistemas Sócio-Organizacionais da Actividade Económica, Lisboa,


ISEG(policopiado).Lima, Paulo e Fernandes, Paulo (2002) “Análise dos conteúdos das
convençõescolectivas de trabalho (1997-2000): um estudo centrado nas políticas de
saúde,higiene e segurança no trabalho” in XII Jornadas Luso-Espanholas de GestãoCientífica,

Actas - Volume VI

Organização de Empresas II

, Covilhã, UBI.

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MAPFRE (1997)

Sistema de Gestión de Riesgos Laborales e Industriales


, Madrid,Fundación Mapfre.OIT (1997)

Higher Productivity and a Better Place to Work

, Genebre, OIT.Oliveira, C. e Macedo, C. (1996)

Segurança Integrada

, Lisboa, Compª de SegurosBonança.Pereira, Aurélio Paulino (1997) “Prevenção de riscos


profissionais: que papel para ainformação?” in MQE

, Forum Emprego, Formação e Trabalho,

Lisboa

MQE.Peretti, J-M (1997) “ Investir na segurança e na melhoria das condições de trabalho” in

Recursos Humanos

, Lisboa, Edições Sílabo.Rolo, João Carvalho (1999)

Sociologia da saúde e da segurança no trabalho

,Lisboa, SLE.

Sites

consultados

www.ishst.gov.pt

– Site do Instituto da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho.

www.dgert.mtss.gov.pt

– Informações relacionadas com temas ligados às condiçõesde trabalho.

www.ilo.org/public/english

– International Labour Organization (inglês, francês eespanhol).

www.gshst.pt

– Guia com informações várias na área da SHST (eventos, glossário,notícias, publicações, etc).

www.europe.osha.eu.int

– European agency for safety and health at work (em inglês,embora contenha informações em
português).

www.min-saude.pt
– Ministério da Saúde.

www.dgsaude.pt

– Direcção Geral da Saúde .

www.europe.osha.eu.int

– European agency for safety and health at work (em inglês,embora contenha informações em
português).

Manual HST

Curso de Gestão de Recursos Humanos, SEBENTA DE APOIO À DISCIPLINA DE SEGURANÇA E


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Seções

 1.1. UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO

 3.1. VIGILÂNCIA DA SAÚDE:

 4. ORGANISMOS NACIONAIS E EUROPEUS COM RESPONSABILIDADES NA SHST

 1.1. DEFINIÇÕES

 QUESTÃO 1

 2. GLOSSÁRIO DE TERMOS EQUIVALENTES EM INGLÊS E FRANCÊS

 3. INDICADORES DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO

 Figura 1: Sistema de Gestão da Organização

 QUESTÃO 2

 Figura 3: Pirâmide de acidentes segundo a sua gravidade (Bird, 1966)

 1.1. CONCEITO DE TRABALHO

 1.2. SISTEMA DE TRABALHO

 2. CATEGORIAS DE RISCOS E SUA IDENTIFICAÇÃO

 2.1. CATEGORIAS DE RISCOS DE TRABALHO

 3. AVALIAÇÃO DE RISCOS DE TRABALHO

 3.1. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE RISCOS DE TRABALHO

 4. IMPLEMENTAÇÃO DE ACÇÕES DE PREVENÇÃO

 4.1. ELIMINAÇÃO DOS RISCOS DE TRABALHO

 4.2. LIMITAÇÃO DOS RISCOS DE TRABALHO

 4.3. LIMITAÇÃO DAS CONSEQUÊNCIAS DOS RISCOS DE TRABALHO


 5. TIPOS DE ACÇÕES OU MEDIDAS DE PREVENÇÃO

 6. CRITÉRIOS PARA DEFINIÇÃO DAS ACÇÕES DE PREVENÇÃO

 7. IMPLEMENTAÇÃO E AVALIAÇÃO DAS ACÇÕES DE PREVENÇÃO

 8. AVALIAÇÃO DAS ACÇÕES DE PREVENÇÃO

 QUESTÃO 3

 1. ERGONOMIA: CONCEITOS E DEFINIÇÕES

 2. CORRENTES DA ERGONOMIA

 3. ÁREAS DE CONTRIBUTO ERGONÓMICO

 4. ANÁLISE DO TRABALHO. ABORDAGEM ERGONÓMICA

 Figura 5: Abordagem ergonómica (clássica) de postos de trabalho

 1. ORGANIZAÇÃO PARA A EMERGÊNCIA

 2. QUALIFICAÇÃO PARA O EXERCÍCIO DE FUNÇÕES DE SHST

 QUESTÃO 6

 1. IMPLEMENTAÇÃO DE SISTEMAS DE GESTÃO DE SHST (OSHAS 18001)

 2. INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS (ISO 9000 / ISO 14001 / OHSAS 18001)

 3. AUDITORIAS

 RESPOSTA ÁS QUESTÕES DE AUTO-AVALIAÇÃO

Informação e Avaliação

Categoria: Guias de orientação/manuais

Classificação: (2 Ratings)

Data de envio: 08/04/2009

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higiene

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