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A abelha

Um dia, Sofia e o primo Paulo brincavam no quarto. Entretinham-se a


apanhar moscas nos vidros da janela. À medida que as apanhavam metiam-
nas numa caixa de papel que lhes tinha feito o pai de Sofia.
Quando já tinham apanhado muitas, Paulo quis ver o que elas faziam.
- Dá-me a caixa – disse ele a Sofia - ; vamos ver o que elas estão a
fazer.
Sofia deu-lha; e ele abriu uma gretinha, por onde espreitou, exclamando:
- Ah! Que engraçado! Como elas mexem! Andam à bulha; olha aquela
arrancou a pata à outra… Como elas estão furiosas!... Olha todas à bulha! Lá
caíram aquelas! Levantavam-se outra vez!…
- Deixa-me ver, também, Paulo – disse Sofia.
Paulo não respondeu. Continuou a espreitar e a contar o que via. Sofia
impacientava-se; puxou, devagarinho, um canto da caixa; Paulo, por sua vez,
fez o mesmo. Sofia, zangada, puxou com mais força; Paulo puxou com mais
ainda. Sofia deu-lhe um safanão – a caixa rasgou-se. As moscas fugiram e
foram pousar nos olhos, no nariz e nas faces de Paulo e Sofia, que as
enxotavam com grandes palmadas em si mesmos.
- Tu é que tiveste a culpa – dizia Sofia a Paulo. – Se fosses mais
condescendente, tinhas-me dado a caixa e não a teríamos rasgado.
- Não, tu é que foste a culpada – respondia Paulo -; se não fosses tao
impaciente terias esperado. Ainda agora teríamos a caixa.
- És um egoísta; só pensas em ti. – dizia Sofia.
- E tu por qualquer coisa pões-te furiosa como os perus da quinta. – dizia
Paulo.
- Eu não estou furiosa; tu é que és muito mau. – dizia Sofia.
- Eu não sou mau, menina; estou-te a dizer a verdade. Por isso a menina
está vermelha como as cristas dos perus. – dizia Paulo.
- Não quero brincar mais com um rapaz como tu. – dizia Sofia.
- Nem eu, tão pouco, com uma menina tão má como tu. – dizia Paulo.
E, amuados, cada um foi para o seu canto. Sofia depressa se aborreceu,
mas quis convencer Paulo de que estava muito divertida. Pôs-se a cantar e
apanhar moscas; mas havia muito poucas e as que havia não se deixavam
agarrar. De repente, viu, cheia de alegria, uma abelha pousada a um canto da
janela. Sofia sabia que as abelhas picam; por isso não tentou agarrá-la com os
dedos, tirou o lenço do bolso do bibe, pousou-a devagar sobre a abelha e
agarrou-a antes que o pobre inseto tivesse tempo de fugir. Paulo que por sua
vez, também se aborrecia, viu Sofia a apanhar a abelha.
- Que vais tu fazer desse bichinho? – perguntou-lhe ele.
- Não tens nada com isso, seu mau. Deixa-me em paz. – disse sofia
com maus modos.

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- Perdão, menina fúria; peço-lhe perdão de lhe ter falado; esquecia-me
de que é malcriada e impertinente. – Respondia Paulo com uma certa ironia.
- Direi à mamã que o senhor me acha mal educada; como foi ela que me
educou, deve ficar muito contente. – Respondia Sofia.
- Não, Sofia, não digas nada, ela ralha-me. – disse Paulo.
- Digo, sim; e, se te ralhar, melhor. Fico toda contente. – disse Sofia.
- Má! Nunca mais te digo nada. – disse Paulo.
E Paulo virou a cadeira, para não ver Sofia, que estava encantada por
lhe ter metido medo. Sofia virou-se para a sua abelha. Levantou, devagarinho,
uma ponta do lenço, e apertou-a, para a impedir de voar.
Tirou do bolso a sua faquinha e disse:
- Vou cortar-lhe a cabeça para castigo de todas as picadas que me tem
dado.
Com efeito, pousando a abelha no chão, sempre segura no lenço,
decepou-lhe a cabeça de um golpe. Depois porque lhe pareceu divertido,
continuou a cortar-lhe em bocadinhos.
Tão entretida que estava, que nem ouviu entrar a mamã, a qua, vendo-a
de joelhos e quase imóvel, se aproximou, devagarinho, para ver o que ela
estava a fazer. Ainda a viu a cortar a última para da abelha.
Indignada com a crueldade da sua filha, a senhora Rean puxou-lhe uma
orelha coim força!
Sofia deu um grito, e levantou-se, de um salto, toda trémula, diante da
mãe.
- A menina é muito má! – disse a senhora Rean – apesar do que eu lhe
disse quando salgou e fez em postas os meus pobres peixinhos, voltou à
mesma. Pobre abelha!
- Tinha-me esquecido, acredite, mamã. – disse Sofia.
- Pois, para lhe recordar, dê cá a sua faquinha. Só a tornará a ver daqui
a um ano. Vai passar a trazer ao pescoço, enfiados num cordão, todos os
pedaços da abelha. – disse a senhora Rean.
Sofia chorou e suplicou muito à mamã que a não fizesse usar o colar da
abelhar; mas esta chamou a criada, a quem pediu o cordão preto. Enfiou nele
os bocados da abelha e atou-lhe as pontas ao pescoço de Sofia; Paulo, muito
triste, não ousava falar. Quando Sofia ficou só, chorando, envergonhada, com
o colar ao pescoço, Paulo procurou consola-la por todas as formas; beijou-a,
pediu-lhe perdão por lhe ter dito coisas desagradáveis, e quis convencê-la de
que as cores amarela, alaranjada, azul e preta da abelha faziam um efeito
lindo. Parecia um colar de azeviche e pedras preciosas. Sofia agradeceu-lhe a
sua bondade. Sentiu-se aparada pela amizade do primo, mas sempre
desgostosa com o colar. Os pedaços da abelha conservaram-se intactos uma
semana. Um dia, Paulo, que brincava com ela, deixou o colar reduzido ao fio;
os bocados da abelha tinham –se desfeito. Correu a prevenir a tia, que deu
ordem para a Sofia o tirar. E desde então nunca mais ela foi má para os

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animais.
“Os desastres de Sofia” – Condenssa de Ségur

Lê o texto e responde as questões.

1. O que Paulo e Sofia estavam a brincar?

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2. O que Paulo e Sofia acabaram por estragar?

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3. Depois deste acontecimento os primos zangaram-se?

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3.1. Justifica com uma frase do texto.

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4. De que maneira Sofia ameaçou Paulo?

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5. Depois desta zanga os primos continuaram a divertir-se?

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6. Que travessura fez Sofia?

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7. O que fez a senhora Rean?

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7.1. Justifica com uma frase do texto.

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8. Paulo e Sofia reconciliaram-se?

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8.1. Justifica com uma frase do texto.

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Gramática.

Classifica gramaticamente as palavras das frases.

1. O João é bondoso.
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2. A Maria é a mais alta da turma.
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3. O Tiago tem um vozeirão.
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4. Quanto tempo falta?
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Classifica as palavras quando à sua composição.

Guarda-chuva______________________________________________
aguardente________________________________________________
Reler_____________________________________________________
Marinheiro________________________________________________
Reescrever________________________________________________
Marinheiro_________________________________________________
Couve-flor_________________________________________________
Cozinheiro_________________________________________________
Cadeirão__________________________________________________
Revisor___________________________________________________

Classifica os graus dos adjetivos presente nas seguintes frases.

1. A Ana é a mais bela da turma.


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2. O Bento é tao alto como a Mariana.
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3. O Dénis é paupérrimo.
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4. O André é mais tímido que o Gustavo.
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5. O Pedro é menos falador que o Tiago.
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Classifica o grau dos nomes presente nas seguintes frases.


1. Qua grande muralha.
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2. Tens uma grande voz!
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5
3. Que casinha mais bonita!
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4. A Ana tem um grande vozeirão.
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Composição: Inventa uma história em que uma menina estava a


brincar com o seu primo e de repente zangaram-se por algum
motivo. (mínimo 75 palavras)
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