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PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR – PNAE: Um

estudo na Escola Estadual Luiz Frutuoso da Silva em Sapezal – MT

BRITO, Joiceane Alves de 1


SANTANA, Vagner 2

Resumo
Este artigo tem por objetivo analisar se a merenda escolar adquirida e ofertada pela escola
Escola Estadual Luis Frutuoso da Silva atende às exigências do Programa Nacional de
Alimentação Escolar. Para isso realizou-se um estudo de caso, onde se procurou identificar as
diretrizes, objetivos e princípios propostos pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar –
PNAE, constatar se o programa de oferta da merenda escolar pela escola vem atendendo aos
cinco princípios fundamentais do programa, tais como: a universalidade do atendimento, o
respeito aos hábitos alimentares, a equidade, a participação social e a descentralização das
ações. Também se procurou verificar se o programa de oferta da merenda escolar pela escola
vem atendendo às diretrizes do PNAE: o emprego da alimentação saudável e adequada,
aplicação da educação alimentar e nutricional no processo de ensino-aprendizagem, a
promoção de ações educativas e o apoio ao desenvolvimento sustentável com incentivos para
aquisição de gêneros alimentícios diversificados, preferencialmente produzidos e
comercializados em âmbito local. Os principais resultados obtidos na pesquisa mostram que o
processo licitatório da merenda segue de acordo com os cinco princípios fundamentais
propostos pelo PNAE. Quanto às diretrizes do programa, a instituição propicia aos alunos
uma merenda saudável, adequada à faixa etária dos mesmos, buscando ofertar medida que
possível, alimentos de gêneros diversificados, produzidos e comercializados em âmbito local.

Palavras-chave: PNAE, Princípios, Diretrizes, Alimentação.

1. Introdução
O Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, segundo Santana (2011), é
um Programa, que foi implantado em 1955 pelo Governo Federal, garantindo a alimentação
escolar por meio da transferência de recursos financeiros aos municípios, para alunos da
educação infantil (creches e pré-escola), do ensino fundamental e escolas indígenas,
matriculados em escolas públicas e filantrópicas. “A alimentação escolar no Brasil é marcada
por uma história existente à quase seis décadas, onde o PNAE foi o único programa que
implantou nas escolas até os dias atuais.” (MARTINS ET. AL, 2003, p. 39).

1
Acadêmica do Curso de Bacharelado em Administração Pública da UNEMAT. Contato:
joiceane.ab@hotmail.com
2
Professor do curso de Administração Pública da UNEMAT. Formação: Bacharel em Administração Contato:
santanaodg@gmail.com
Tem como objetivo contribuir para o crescimento, o desenvolvimento, a
aprendizagem, o rendimento escolar e a formação de hábitos saudáveis dos estudantes de toda
a rede de ensino no Brasil. Além disso, a merenda deve suprir parcialmente as necessidades
dos alunos e a escola deve oferecer pelo menos uma refeição no período em que o estudante
em aula. (BRASIL/FNDE/MEC, 2014)
Fatores como qualidade, hábitos alimentares da região e horário de distribuição
interferem diretamente na aceitabilidade dessa refeição por parte dos alunos. Muitas vezes,
observa-se grande parte da comida preparada sendo descartada por eles e a causa pode ser um
dos fatores citados anteriormente. (MARTINS ET. AL, 2003, p. 39)
São participantes do programa os alunos da educação infantil, do ensino
fundamental, médio e também os ligados ao programa Educação para Jovens e Adultos –
EJA, matriculados em escolas públicas (federais, estaduais e municipais), instituições
filantrópicas e entidades comunitárias (conveniadas com o poder público).
(BRASIL/FNDE/MEC, 2014).
O objetivo do PNAE é contribuir para o crescimento, o desenvolvimento, a
aprendizagem, o rendimento escolar dos estudantes e a formação de hábitos alimentares
saudáveis, por meio da oferta da alimentação escolar e de ações de educação alimentar e
nutricionais. (SANTANA, 2011)
A escola tem como papel social, o aprender a fazer. Com esta ação do governo, os
alunos têm acesso a uma alimentação escolar de qualidade, o que é fundamental para
o desenvolvimento físico e mental de crianças e adolescentes. A alimentação escolar
de qualidade é fundamental para que os hábitos alimentares sejam recuperados,
contudo o acesso à segurança alimentar desses educandos (MARTINS 2003, p. 40)

Mediante a tudo que foi contextualizado acima, essa pesquisa buscou compreender
como o processo que envolve a merenda ofertada pela Escola Estadual Luiz Frutuoso da
Silva, situada no município de Sapezal – MT, a fim de constatar se a merenda oferecida aos
alunos tem atendido às exigência do PNAE.

2. Procedimento Metodológico
Esta pesquisa pode ser definida numa abordagem qualitativa, caracterizando-se, em
princípio, pela não utilização de instrumental estatístico na análise dos dados.
A pesquisa qualitativa é o caminho do pensamento a ser seguido. Ocupa um lugar
central na teoria e trata-se basicamente do conjunto de técnicas a ser adotada para
construir uma realidade. A pesquisa é assim, a atividade básica da ciência na sua
construção da realidade. A pesquisa qualitativa, no entanto, trata-se de uma
atividade da ciência, que visa à construção da realidade, mas que se preocupa com as
ciências sociais em um nível de realidade que não pode ser quantificado, trabalhando
com o universo de crenças, valores, significados e outros fatos construtores
profundos das relações que não podem ser reduzidos à operacionalização de
variáveis (MINAYO 2003, p. 16-18).

Reportando a Godoy (1995, p.58) que explicita algumas características principais de


uma pesquisa qualitativa, as quais embasam também este trabalho:
Considera o ambiente como fonte direta dos dados e o pesquisador como
instrumento chave; possui caráter descritivo; o processo é o foco principal de
abordagem e não o resultado ou o produto; a análise dos dados foi realizada de
forma intuitiva e indutivamente pelo pesquisador; não requereu o uso de técnicas e
métodos estatísticos; e, por fim, teve como preocupação maior a interpretação de
fenômenos e a atribuição de resultados. A pesquisa qualitativa não procura enumerar
e/ou medir os eventos estudados, nem emprega instrumental estatístico na análise
dos dados, envolve a obtenção de dados descritivos sobre pessoas, lugares e
processos interativos pelo contato direto do pesquisador com a situação estudada,
procurando compreender os fenômenos segundo a perspectiva dos sujeitos, ou seja,
dos participantes da situação em estudo (GODOY, 1995, p.58).

A abordagem qualitativa é a mais adequada para a realização desse trabalho de


pesquisa, pois, de acordo com a literatura, a pesquisa qualitativa é multimetodológica e está
sempre se preocupando com a qualidade, ou seja, com os significados e valores.
A imprevisibilidade caracteriza o desenvolvimento da pesquisa qualitativa, já que seus
aspectos não podem ser quantificados. Neste tipo de pesquisa, as informações obtidas não são
comprovadas e os pesquisadores envolvidos apresentam conhecimentos parciais e limitados.
A pesquisa qualitativa é, então, criticada pelo empirismo, subjetividade e intuição do
pesquisador. É considerado um método indutivo de pesquisa. CAMPOMAR (1991).
Também, quanto aos procedimentos, a pesquisa classifica-se como estudo de caso
pelo motivo de que esse método tem sido muito utilizado nas pesquisas de cunho social, já
que possui uma forte orientação para a prática da Administração seja ela pública ou privada.
O Método do Estudo de Caso é um método das Ciências Sociais e, como outras
estratégias, tem as suas vantagens e desvantagens que devem ser analisadas à luz do
tipo de problema e questões a serem respondidas, do controle possível ao
investigador sobre o real evento comportamental e o foco na atualidade, em
contraste com o caráter do método histórico (CAMPOMAR p. 249, 1991)

A pesquisa foi realizada na Escola Estadual Luiz Frutuoso da Silva, localizada no


município de Sapezal – MT, instituição de ensino médio porte, onde só estudam alunos que
cursam o Ciclo de Educação Básica, desde o 5º ano até o 9º ano. Nos períodos matutino e
vespertino, nos quais os alunos recebem em determinado horário desses dois períodos,
alimentações oferecidas pela escola.
O instrumento utilizado na coleta de dados foi uma entrevista realizada com a
diretora da escola, com o fim de verificar como se dá o processo do repasse do PNAE para a
instituição e uma pesquisa realizada com os alunos atraves de questionarios em sala de aula
para saber como eles avaliam a merenda oferecida (ótima, boa, regular ou ruim) pela escola,
bem como qual o prato servido na merenda que é mais apreciada por eles. Também, foram
feitas observações in loco durante o período do intervalo com os alunos que merendam na
escola, com intuito de constatar o dia a dia desses alunos em relação à merenda servida pela
escola.

3. Estrutura: Fundamentação Teórica


3.1 Diretrizes, objetivos e princípios do PNAE.
Busca apresentar-se os princípios, as diretrizes e os objetivos propostos pelo
Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE. Seus princípios e diretrizes são
determinados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE/MEC, órgão
responsável pela assistência financeira do PNAE. Tais princípios e diretrizes garantem o
oferecimento de uma alimentação escolar saudável e adequada e estão estabelecidos, como
ressalta a Resolução do Conselho Deliberativo do FNDE, de nº 26 de 17/06/2013. (BRASIL,
2013).
De acordo com os artigos 2º e 3º da Resolução nº 32 do Conselho Deliberativo do
FNDE, de 10 de agosto de 2006, os princípios fundamentais do PNAE consistem no seguinte:
a) A universalidade do atendimento da alimentação escolar gratuita consiste na
atenção aos alunos da educação infantil e ensino fundamental da rede pública de
ensino.
b) O respeito aos hábitos alimentares, considerados como tais as práticas tradicionais
que fazem parte da cultura e da preferência alimentar local saudáveis.
c) A equidade, que compreende o direito constitucional à alimentação escolar, com
vistas à garantia do acesso ao alimento de forma igualitária, respeitando as
diferenças biológicas entre idades e condições de saúde dos alunos que necessitem
de atenção específica e aqueles que possam se encontrar em situação de insegurança
alimentar.
d) A participação social no controle e acompanhamento das ações realizadas pelos
estados, Distrito Federal e municípios, para garantir a oferta da alimentação escolar
saudável e adequada.
e) A descentralização das ações, pelo compartilhamento da responsabilidade pela
oferta da alimentação escolar entre os entes federados, conforme disposto no art. 208
da Constituição Federal (FNDE, 2006, p.01).

Segundo BRASIL (2008) os princípios significam:


Universalidade do atendimento – oferta a todos os alunos da educação
infantil e do ensino fundamental da rede pública, com a garantia de recursos financeiros para
a aquisição da alimentação escolar;
 Respeito aos hábitos alimentares – respeito aos costumes alimentares tradicionais
locais;
 Equidade no atendimento – acesso à alimentação escolar de forma igualitária;
 Descentralização da gestão do programa – redistribuição das responsabilidades da
execução, ou seja, os recursos vão para os estados, Distrito Federal e municípios, que
podem, inclusive, repassar para as escolas;
 Participação da sociedade no controle social – os cidadãos têm responsabilidades de
fazer o controle social e acompanhamento do programa.

As diretrizes do PNAE, segundo os artigos supracitados, são as seguintes:


a) O emprego da alimentação saudável e adequada;
b) A aplicação de a educação alimentar e nutricional no processo de ensino-
aprendizagem
c) A promoção de ações educativas que perpassam transversalmente o currículo
escolar, buscando garantir o emprego da alimentação saudável e adequada;
d) O apoio ao desenvolvimento sustentável, com incentivos para a aquisição de
gêneros alimentícios diversificados, preferencialmente produzidos e comercializados
em âmbito local. (Artigos 2º e 3º da Resolução nº 32 do Conselho Deliberativo do
FNDE, de 10 de agosto de 2006).

O emprego da alimentação saudável e adequada compreende o uso de alimentos


variados, seguros, que respeitem a cultura e as tradições alimentares, contribuindo para o
crescimento e desenvolvimento dos alunos em conformidade com a sua faixa etária, sexo e
atividade física e o seu estado de saúde, inclusive para os que necessitam de atenção
específica. (BARBOSA, 2013)
A aplicação da educação alimentar e nutricional no processo de ensino-aprendizagem
compreende a realização na escola de ações que promovam a saúde, na produção de
conhecimentos e de aprendizagem na escola que visem à melhoria da higiene e da
saúde. É também um espaço que pode contribuir para provocar o diálogo com as
comunidades escolar e local sobre os fatores que influenciam em suas práticas
alimentares diárias, possibilitando-lhes o questionamento e a mudança, ou seja, a
adoção de práticas alimentares saudáveis, a partir das discussões de temas como:
crenças e tabus sobre os hábitos alimentares da população, cuidados de higiene,
cuidado no preparo e conservação de alimentos e sugestões de cardápios que tenham
uma proposta saudável de alimentação. (OLIVEIRA, 2012)

Outro fator importante é que o PNAE evidencia a discussão sobre o cuidado com o
meio ambiente. Esse debate pode ser aprofundado nas práticas de organização das hortas
escolares, ocasiões em que o aluno poderá compreender seu papel como cidadão responsável
pela preservação da natureza. Também deverão ser usados espaços disponibilizados em
disciplinas como ciências, em que o estudante trabalha a constituição dos alimentos, seus
aspectos nutricionais e a composição de uma refeição balanceada. Todas essas informações e
orientações certamente tornarão estes alunos mais capazes de realizar escolhas adequadas, no
que diz respeito aos alimentos a serem consumidos e, ainda, contribuirão para a adoção de
uma alimentação mais saudável. (SANTOS, 2013)
O PNAE visa atender às necessidades nutricionais dos alunos durante sua
permanência em sala de aula, contribuindo para o crescimento, o desenvolvimento, a
aprendizagem e o rendimento escolar dos estudantes, bem como a formação de hábitos
alimentares saudáveis. (SANTANA, 2011, p. 60)
A escola proporcionando para os alunos uma alimentação escolar de qualidade é um
instrumento fundamental para a recuperação de hábitos alimentares saudáveis e,
sobretudo, para a promoção da segurança alimentar das crianças e jovens do Brasil.
Está mais que comprovado que crianças bem alimentadas têm mais disposição, mais
agilidade mental, mais saúde e melhor qualidade de vida, consequentemente terão
um aprendizado melhor e mais proveitoso (SANTOS E GOULART 2013, p. 47):

O PNAE tem caráter suplementar, como prevê o artigo 208, incisos IV e VII, da
Constituição Federal, quando coloca que o dever do Estado (das três esferas governamentais:
União, Estado e Município) com a educação é efetivada mediante a garantia de:
[...] atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade
(inciso IV)
[...] atendimento ao educando no ensino fundamental e médio, através de programas
suplementares de material didático escolar, transporte, alimentação e assistência à
saúde, inciso VII (MARTINS ET. AL, 2004, p. 39)

Portanto, é dever da Secretaria Municipal de Educação, do gestor escolar e do


Conselho de Alimentação (CAE), acompanhar, fiscalizar e aplicar devidamente os recursos
oriundos do PNAE. Para que os problemas sejam localizados, apontados e corrigidos, é
preciso acompanhar bem de perto toda a execução do Programa, tendo, inclusive, a ajuda de
toda a população. (SANTANA, 2011).
Esse Programa vem cumprindo o seu papel por mais de cinco décadas e, a partir da
política de Segurança Alimentar e Nutricional, ganhou maior importância, tendo em vista que
a sua cobertura é superior a qualquer outro programa social.
A Secretaria da Educação – SEDUC-MT adotou o modelo de gestão escolarizada,
seguindo diretrizes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, que vem
ocorrendo desde 1999 e atualmente tem embasamento na Portaria de Nº 0158/2010-
GAB/SEDUC.
A SEDUC, por meio da Coordenação do Programa Nacional de Alimentação Escolar
- PNAE/CE é responsável pelo atendimento das unidades escolares da rede pública estadual,
repassando os recursos às escolas, que realizam todo o processo de aquisição de alimentos,
por meio de processo licitatório, de acordo com a legislação pertinente ao Programa.
(SANTANA, 2011)
Conforme argumentam Santos e Goulart (2013) essa forma de gestão fortalece a
autonomia escolar, bem como democratiza a participação da comunidade, representada pelos
organismos colegiados, possibilitando o controle social dos recursos aplicados. O Recurso
total de cada município, estado ou do Distrito Federal é calculado com base no censo escolar
do ano anterior.

3.2 A execução do PNAE no Brasil e em Mato Grosso

Os recursos financeiros provêm do Tesouro Nacional e estão assegurados no


orçamento da União. O FNDE – Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação,
realiza transferência financeira às Entidades Executoras (EEx) em contas correntes específicas
abertas pelo próprio FNDE, sem necessidade de celebração de convênio, ajuste, acordo,
contrato ou qualquer outro instrumento. As Entidades Executoras (estados, Distrito Federal e
municípios) são responsáveis pela execução do Programa, inclusive pela utilização dos
recursos financeiros transferidos pelo FNDE, que são complementares. É de responsabilidade
das Entidades Executoras (EEx) garantir a oferta da alimentação escolar aos alunos
matriculados na educação básica da rede pública de seu sistema de ensino.
(BRASIL/FNDE/MEC, 2014)
Segundo Santana (2001) “a transferência é feita em dez parcelas mensais, a partir do
mês de fevereiro, para a cobertura de 200 dias letivos. Cada parcela corresponde a vinte dias
de aula.“ Assim, segundo a resolução GS/SEDUC/MT 003/2015, o valor a ser repassado para
as Entidades Executoras (EEx) calculado da seguinte forma: TR = Número de alunos x
Número de dias x Valor per capita, onde TR é o total de recursos a serem recebidos.
A escola beneficiária precisa estar cadastrada no Censo Escolar realizado pelo
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC). As
escolas filantrópicas, comunitárias e confessionais, sem fins lucrativos, que atendam aos
critérios estabelecidos na Resolução FNDE nº 26/2013 são consideradas como integrantes da
rede pública de ensino. (BARBOSA, 2013)
O cardápio escolar deve ser elaborado por nutricionista, respeitando os hábitos
alimentares locais e culturais, atendendo as necessidades nutricionais específicas,
conforme percentuais mínimos estabelecidos no artigo 14 da Resolução nº 26/2013.
Dos recursos financeiros repassados pelo FNDE às entidades executoras, no mínimo,
30% (trinta por cento) devem ser utilizados na aquisição de gêneros alimentícios
produzidos pelo agricultor familiar e pelo empreendedor familiar rural. O controle
social do Programa é exercido por meio do Conselho de Alimentação Escolar (CAE).
Sua constituição é condição para o recebimento dos recursos financeiros repassados
pelo FNDE. (SANTANA, 2011, p. 60)

O cálculo dos valores financeiros destinados anualmente a cada escola é feito com
base no número de alunos constantes no Censo Escolar do ano anterior ao do atendimento.
Atualmente, o valor repassado pela União a estados e municípios por dia letivo para cada
aluno é definido de acordo com a etapa e modalidade de ensino: Creches: R$ 1,00; Pré-escola:
R$ 0,50; Escolas indígenas e quilombolas: R$ 0,60; Ensino fundamental, médio e educação
de jovens e adultos: R$ 0,30; Ensino integral: R$ 1,00; Alunos do Programa Mais Educação:
R$ 0,90 e Alunos que frequentam o Atendimento Educacional Especializado no contra turno:
R$ 0,50. A Secretaria do Estado de Educação de Mato Grosso - SEDUC/MT complementa os
recursos oriundos do FNDE, de forma a proporcionar e garantir 03 refeições diárias
nutricionalmente completas. Do total dos recursos financeiros repassados pelo FNDE, no
âmbito do PNAE, no mínimo 30% deverá ser utilizado na aquisição de gêneros alimentícios
diretamente da agricultura familiar rural. (BARBOSA, 2013).
Em 2014, o orçamento do Programa foi de R$ 3,5 bilhões, para beneficiar 43 milhões
de estudantes da educação básica e de jovens e adultos. Com a Lei nº 11.947, de 16/6/2009,
30% desse valor – ou seja, R$ 1,05 bilhão – deve ser investido na compra direta de produtos
da agricultura familiar, medida que estimula o desenvolvimento econômico e sustentável das
comunidades. (BRASIL/FNDE/MEC, 2014).
Nesse contexto, a Lei nº 11.947, de 16 de junho 2009, que trata do atendimento à
alimentação escolar, trouxe muitas inovações. Uma delas é a exigência de que no mínimo
30% dos recursos repassados pelo FNDE para PNAE sejam investidos na aquisição de
produtos da agricultura familiar. Isso fortalece os arranjos produtivos locais, cria empregos e
incentiva a economia e as arrecadações dos municípios. Outra novidade é que a mesma lei
prevê a dispensa de licitação para a compra de pequenos produtores rurais. (OLIVEIRA E
VASSIMON, 2012)
O processo de aquisição dos gêneros alimentícios é feito mediante Processo
Licitatório, na modalidade Pregão, por meio do Sistema de Registro de Preços – SRP, nos
termos da 8.666/93. A Instrução Normativa 05 da Secretaria de Estado de Educação de Mato
Grosso publicada em fevereiro de 2010, fundamenta os critérios exigidos para contemplação
de fornecedores. Essa Normativa ainda permanece em vigência, possibilitando a compra de
alimentos pela direção das unidades até que aja o recebimento do primeiro repasse. Ainda, em
2010 foram investidos recursos federais da ordem de R$ 27.850.882,27 somente para o estado
de Mato Grosso. (SANTANA, 2011).

3.4.1 A Câmara de Negócios de Mato Grosso


A Câmara de Negócio é basicamente uma comissão permanente constituída por
pessoas de vários órgãos e de vários segmentos das escolas e funcionam em
municípios onde ha escolas da rede estadual de ensino. É composta por
representantes de vários órgãos e segmentos, pois é preciso uma equipe
multidisciplinar para garantir uma boa negociação junto aos agricultores e
comerciantes locais, são componentes da Câmara de Negócios. Seu principal
objetivo é poder garantir o uso adequado do recurso publico para a compra de
alimentos para o preparo da merenda escolar, visando a compra de produtos que
atenda as especificações técnicas da vigilância sanitária pelo menor preço possível
(BRASIL/FNDE/MEC 2014, p. 08)

Dentre as funções da Câmara de Negócios a Instrução Normativa 05/2010


SEDUC citada por Santana (2011), destaca que a mesma deve:
- Realizar pregão presencial para registro de preços de alimentos a serem fornecidos
às escolas, no período de 01/02 à no máximo 30/03;
- Realizar Chamada Pública para fornecedores de gêneros alimentícios produzidos
pela Agricultura Familiar e do Empreendedor Familiar Rural, no período de 01/02 à no
máximo 30/03;
- Habilitar fornecedores e registrar preços dos alimentos solicitados pelas unidades
escolares, assegurando a qualidade dos gêneros alimentícios adquiridos ao menor custo;
- Escolher um coordenador para encaminhar os trabalhos referentes à realização do
pregão de preços de alimentos.
Dentre as funções desse coordenador, estão:
- Estabelecer e divulgar o cronograma de trabalho e distribuir as tarefas entre os
membros da Câmara.;
- Escolher entre os membros da Câmara de Negócios o pregoeiro que conduzirá as
negociações com os fornecedores;
- Solicitar e receber a estimativa de quantitativo de alimentos previstos pelas escolas
e fazer a consolidação destes gêneros alimentícios a serem adquiridos;
- Cadastrar e habilitar fornecedores novos e atualizar cadastros dos existentes;
- Cadastrar fornecedores da agricultura familiar com finalidade de habilitá-los para
fornecimento de gêneros alimentícios às escolas;
- Elaborar e encaminhar modelo de Proposta de Preço/Convite, aos fornecedores
cadastrados, indicando quantitativo previsto de gêneros alimentícios que serão adquiridos,
horário e local da realização do Pregão Presencial;
- Pesquisar preços de todos os produtos solicitados pelas escolas, utilizando unidade
de medida convencional (Kg, litro, dúzia, lata e/ou garrafas) no mínimo em 3 (três)
estabelecimentos comerciais. O preço médio dos alimentos obtido pela pesquisa de preço
realizada servirá como referencial para o pregão de preço;
- Conduzir o processo de negociação com os fornecedores participantes que
apresentarão os gêneros alimentícios solicitados pelas escolas, considerando a qualidade dos
alimentos, preço e cronograma de entrega;
- Registrar em planilha própria o menor preço adjudicado no Pregão presencial e na
Chamada Pública e encaminhá-la as escolas e fornecedores.
Também, segundo Oliveira e Vassimon (2012) cabem à assessoria pedagógica, ao
diretor e ao conselho deliberativo da escola exercerem as seguintes atribuições:
A Assessoria Pedagógica da SEDUC - MT no Município é quem solicita a indicação
dos membros da Câmara de Negócios aos órgãos e instituições participantes para
formação da mesma, devendo convocá-los oficialmente para os trabalhos do Pregão
para Registro de Preços de Alimentos e Chamada Pública para fornecedores da
Agricultura Familiar e do Empreendedor Familiar Rural. Os Diretores das Escolas
Estaduais do Município, é que irão passar para a Câmara de Negócios a quantidade
de gêneros alimentícios a serem adquiridos no decorrer do ano letivo. O Conselho
Deliberativo da Comunidade Escolar, é que é o responsável direto pelo recebimento
dos recursos para aquisição de alimentos. (OLIVEIRA E VASSIMON, 2012, p. 54)

Segundo Santana (2011) cabem a Empresa Mato-grossense de Pesquisa Assistência e


Extensão Rural (EMPAER) e ao Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso
(INDEA-MT), as seguintes atribuições:

A EMPAER incentivar, orientar e cadastrar produtores da agricultura familiar a


fornecerem alimentos às escolas estaduais, elaborar Projeto de Venda para
agricultores familiares informais, bem como disponibilizar a produção de alimentos
da agricultura familiar no município. O INDEA-MT é quem deve verificar a
certificação sanitária dos produtos de origem animal. (SANTANA, 2011, p.45)

Aos órgãos da esfera pública municipal cabem:

A Vigilância Sanitária Municipal deve emitir laudo ou relatório das condições


higiênico-sanitárias dos estabelecimentos e dos alimentos adquiridos e verificar a
certificação sanitária dos produtos de origem animal. A Associação Comercial do
município deve incentivar, orientar e cadastrar os comerciantes a participarem do
pregão de gêneros alimentícios. A Secretaria Municipal de Agricultura fornecer o
levantamento de gêneros alimentícios produzidos pela agricultura familiar no
município. Incentivando e orientando aos agricultores e empreendedores familiares a
participarem da Chamada Pública. (BRAS/FNDE/MEC, 2014)

Outra atribuição da Assessoria Pedagógica é solicitar a indicação dos membros da


Câmara de Negócios aos órgãos e instituições participantes para formação da mesma,
devendo convocá-los oficialmente para os trabalhos do Pregão para Registro de Preços de
Alimentos e Chamada Pública para fornecedores da Agricultura Familiar e do Empreendedor
Familiar Rural. A composição da Câmara com seus respectivos membros e representações
deverá ser encaminhada à Coordenadora de Alimentação Escolar da Secretaria de Estado de
Educação. (OLIVEIRA e VASSIMON, 2012)

3.4.1.1 Chamada Pública para a aquisição de gêneros da Agricultura Familiar


Para se comprar gêneros alimentícios é necessário observar os critérios e
modalidades previstas na Lei 8.666 de 21 de junho de 1993 – que institui normas para
licitações e contratos da Administração Pública. Porem a lei n° 11.947, de 16 de junho de
2009: que dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e do Programa Dinheiro Direto
na Escola aos alunos da educação básica, dispensa a agricultura familiar do processo
licitatório, conforme citação:
Art. 14. Do total dos recursos financeiros repassados pelo FNDE, no âmbito do
PNAE, no mínimo 30% (trinta por cento) deverão ser utilizados na aquisição de
gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar e do empreendedor familiar
rural ou de suas organizações, priorizando-se os assentamentos da reforma agrária,
as comunidades tradicionais indígenas e comunidades quilombolas.
§ 1o A aquisição de que trata este artigo poderá ser realizada dispensa do
procedimento licitatório, desde que os preços sejam compatíveis com os vigentes no
mercado local.
37 da Constituição Federal, e os alimentos atendam às exigências do controle de
qualidade estabelecido pelas normas que regulamentam a matéria. (SANTANA,
2011, p. 64).

O total dos recursos financeiros repassados pela Secretaria de Estado de Educação


para aquisição de gêneros alimentícios para o PNAE, no mínimo 30% deverá ser utilizado na
aquisição de gêneros alimentícios diretamente da Agricultura Familiar, priorizando os
assentamentos da reforma agrária, as comunidades tradicionais indígenas e comunidades
quilombolas, conforme artigo 14, da Lei nº. 11.947/2009.
Logo após, a Câmara de Negócios começará a adquirir os gêneros alimentícios
primeiramente com a Chamada Pública para alimentos provenientes da Agricultura
Familiar.
[...] torna-se importante destacar as contribuições dessa prática na construção de
mercados para agricultores familiares locais e suas consequências: a escolha por
formas de plantio e produção diferenciados, como os alimentos orgânicos e
tradicionais, levando à promoção dessas estratégias; o incentivo à organização, à
cooperação e à formalização; e a garantia da venda dos gêneros produzidos, com o
aumento da renda e, provavelmente, o auxílio na diminuição do êxodo rural
(BARBOSA 2013, p. 65)

Para que seja realizada a Chamada Pública pela Câmara de Negócios com objetivo
de adquirir os alimentos da agricultura familiar a Câmara de Negócios deve regulamentar o
processo de fornecimento de alimentos pela Agricultura Familiar. Solicitando das escolas a
previsão de quantidade de gêneros alimentícios a serem adquiridos, e publicara a demanda de
aquisições pelas escolas estaduais do município de gêneros alimentícios da Agricultura
Familiar para alimentação escolar em jornal de circulação local ou mídia falada ou
televisionada, regional, quando houver, além de divulgar em seu sítio na internet ou na forma
de mural em local público de ampla circulação. (BRASIL/FNDE/MEC, 2014)
Segundo Barbosa (2013, p. 67) “a Agricultura Familiar deverá sempre priorizar o
fornecimento de alimentos orgânicos ou agroecológicos para o programa de alimentação
escolar.” Para a aquisição dos gêneros alimentícios da Agricultura Familiar, a Câmara
de Negócios deverá considerar os Preços de Referência, ou seja, será feito preço
médio com no mínimo 3 (três) pesquisas de preços dos agricultores familiar, priorizando a
feira do produtor rural. (SANTANA, 2011)

4. Análise dos Dados e Apresentação dos Resultados


4.1 Da descrição dos dados
Inicialmente, foi realizado o contato com o diretor da Escola Estadual Luiz
Frutuosdo da Silva, no município de Sapezal/MT, solicitando o espaço e a disponibilidade
para a realização dos estudos, através de um Oficio de Declaração.

4.1.1 Apresentação do perfil da entidade pesquisada


A Escola Estadual Luiz Frutuoso da Silva, está localizada na zona urbana da cidade
de Sapezal/MT, situada na Avenida Barbado, bairro Jardim Ypê, nº 1.780. Oferecendo ensino
de forma regular para alunos que cursam o Ciclo de Formação Básica em 02 (dois) períodos:
matutino, das 7 horas às 11 horas e vespertino, das 13 horas as 17 horas. O total de alunos
atendidos pela escola é de aproximadamente 1.000 (um mil) alunos. Tem um número de 59
(cinquenta e nove) funcionários efetivos e contratados, que atuam nas esferas: administrativa,
pedagógica, técnicas e de apoio. Possui uma cozinha bem equipada com fogões, panelas e
frízeres, onde as dependências (refeitório, salas e banheiros) da escola tem boa acessibilidade
para alunos portadores de deficiência física possuindo os requisitos de higiene, cuja
abrangência cobre medidas sanitárias, padrão microbiológico do alimento e os princípios
gerais de higiene a serem observados na obtenção, manipulação, armazenagem, transporte e
distribuição de alimentos. Às merendeiras que preparam a alimentação se veste conforme
recomendação com blusas de mangas, calça, sapato fechado, touca e luvas. A escola oferece
um cardápio variado de refeições semanalmente para os alunos, bem como um amplo
refeitório com cadeiras e mesas, onde proporciona a merenda escolar para os alunos nos 02
(dois) períodos.
4.2 Da análise dos dados
Na entrevista com o diretor da Escola Estadual Luiz Frutuoso da Silva em Sapezal –
MT ele relatou que a escola recebe a verba proveniente do FNDE por meio de
transferência/depósito em conta corrente bancária da escola. Desta forma, quem fica
responsável pelo planejamento e controle das compras, pela aquisição, pelo pagamento e pela
prestação de contas à Secretaria Estadual de Educação de Mato Grosso (SEDUC - MT) é o
diretor da escola juntamente com o Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar (CDCE)
da escola.
Durante a entrevista com o diretor questionou-se como se dá o repasse do PNAE
para a escola. Ele respondeu que as transferências dos recursos são automáticas que os
mesmos são creditados em contas correntes específicas abertas pelo próprio FNDE, em nome
de órgãos e instituições denominadas entidades executoras. Ela ainda relatou que o Estado de
Mato Grosso, a partir de 2008, os gestores de todas as 720 (setecentos e vinte) unidades de
ensino, recebem repasse da verba para a aquisição da merenda escolar do Ensino Fundamental
ao Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos.
Percebeu-se que o PNAE atende universalidade do atendimento da alimentação
escolar gratuita, que consiste na atenção aos alunos da educação infantil e ensino fundamental
da rede pública de ensino.
Perguntou-se ao diretor como e calculada a verba do repasse do PNAE. O diretor da
instituição respondeu que para que a escola saiba o valor financeiro que receberá anualmente,
para cada modalidade de atendimento, ele deverá multiplicar o número de alunos declarados
no censo escolar do ano anterior pelo valor per capita estabelecido e pelo número de dias
letivos. Utilizando a seguinte formula: VT = A x C x D que significa: VT = valor transferido
por nível/modalidade de atendimento, anualmente. A = número de alunos declarados no censo
escolar, no ano anterior, por nível/modalidade de atendimento. C = valor per capita diário por
aluno, devidamente definido por resolução do FNDE. D = número de dias de atendimento.
Ele acrescenta que é repassado R$ 0,30 (trinta centavos) por alunos matriculados no ensino
fundamental, ensino Médio e educação de jovens e adultos.
Em continuidade ao questionamento foram interrogados quantos repasses são feitos
para a escola durante o ano letivo. Ele respondeu que a verba é repassada pelo FNDE em 10
parcelas mensais, entre os meses de fevereiro e novembro, até o último dia útil de cada mês.
Quando questionado a respeito da elaboração do cardápio da merenda escola ele
respondeu que a Coordenadoria de Alimentação Escolar (CAE) da SEDUC - MT é
responsável pela elaboração dos cardápios, pelo controle dos convênios estabelecidos entre o
FNDE e a escola e também por receber a prestação de contas da escola e encaminhá-la à
Coordenadoria de Finanças da SEDUC - MT. Cabe ao diretor, a função de realizar o
planejamento dos cardápios com as cozinheiras e a compra dos alimentos.
O diretor acrescentou que a SEDUC - MT apresentou uma sugestão de cardápio que
é elaborado por uma nutricionista da Coordenadoria de Alimentação Escolar da SEDUC -
MT, no entanto, a escola pode e, geralmente, adequa seus cardápios aos recursos que dispõe e
também e aos hábitos alimentares e preferências de seus alunos. A escola elabora o cardápio
tentando garantir que as necessidades nutricionais e diárias previstas pela nutricionista sejam
atendidas e que também garantam merenda salgada durante 03 (três) dias da semana e
merenda doce durante 2 (dois) dias da semana, conforme norma da Coordenadoria da SEDUC
- MT.
Observa-se em concordância com a resposta do diretor que a escola possui
assistência nutricional, fazendo com que as diretrizes da educação alimentar e nutricional no
processo de ensino-aprendizagem sejam atendidos. Os servidores ocupantes dos cargos de
nutricionistas e merendeiras têm sob suas responsabilidades a obrigação de compreender todo
o processo de produção da merenda, entendendo que esse Programa de Alimentação faz parte
de uma política social inserida no contexto político e econômico.
O diretor foi questionado se o Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar
(CDCE) participa da compra de alimentos da merenda escolar, assim como qual a forma que
isso ocorre. O diretor respondeu que sim, para a aquisição da merenda escolar, existe uma
câmara de negócios responsável pela realização dos processos licitatórios, que fazem o
registro do menor preço para a alimentação escolar, onde essa câmera é composta por 1(um)
representante da Assessoria Pedagógica da SEDUC no Munícipios, 1 (um) representante do
Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar (CDCE), 1 (um) da Empresa Mato-grossense
de pesquisa e Assistência Rural (EMPAER), 1 (um) representante da Vigilância sanitária,
1(um) Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (INDEA), um (1) representante da
câmara Municipal, 1 (um) representante do Sindicato dos Produtores Rurais, 1 (um )
representante da Secretaria municipal de Agricultura, 1 ( um) representante do Conselho
Municipal de Alimentação Escolas, 1 ( um) representante do Sindicato do Trabalhadores do
Ensino Público (SINTEP) e 1 (um) representante da Diretoria da Escolas Estaduais do
Município.
Foi também questionado se o CDCE participa dos gastos da verba destinada a
merenda escolar ele acrescentou que depois de registrado o menor preço, as escolas estaduais
recebem a planilha dos fornecedores de cada município. A partir disso, a unidade, por meio
do conselho deliberativo da comunidade escolar (CDCE), efetua a compra da alimentação e
conselho estadual de alimentação escolar é um órgão de caráter fiscalizador, permanente,
deliberativo e de assessoramento - acompanhar e monitorar a utilização dos recursos
financeiros transferidos as unidades bem como zelar pela qualidade da alimentação escolar.
Ainda foi solicitado que o diretor explicasse como se dá o processo licitatório da
merenda escolar e quais são os critérios para a escolha dos fornecedores, também se
questionou se os pequenos produtores rurais participam desse processo e se a verba repassada
é suficiente para suprir os gastos da merenda escolar. O diretor da instituição escolar disse que
para se realizar a compra dos alimentos da merenda é necessário que cada escola do estado de
mato grosso faça uma tomada de preço em pelo menos 03 fornecedores diferentes que possam
emitir nota fiscal, pois a prestação de contas das escolas com a SEDUC=MT é realizada
mediante apresentação das notas fiscais das compras. Assim, percebeu-se que é esse o maior
empecilho para se comprar dos pequenos produtores, pois a grande maioria não dispõe de
nota fiscal. O diretor ainda relata que conforme o artigo 14, da Lei nº 11.947/2009 o total dos
recursos financeiros repassados para aquisição de gêneros alimentícios 30% deveria ser
adquiridos dos da Agricultura familiar e do Empreendedor Rural, porém a única que pode
fornecer os gêneros alimentícios é a Cooperativa de Terra Nova a Cooper Norte, pois foi a
única que participou do pregão e emite nota fiscal onde, essa nota fiscal deve ser impressa e
distribuída pela Secretaria de fazenda (SEFAZ).
Outro problema é quanto ao preço e a disponibilidade de produtos. Nem sempre o
pequeno ou médio comerciante oferece o menor preço e, muitas vezes, não tem capacidade de
atender a demanda da escola. Segundo o diretor, a SEDUC - MT disponibiliza para as escolas
uma listagem de preço mínimo por produto e a escola tem que seguir essa norma. Portanto,
algumas escolas acabam tendo que comprar em mais de um fornecedor porque tem que
adquirir sempre o item de preço mais baixo. Os produtos são comprados em empresas de
comércio de alimentos da cidade, sempre o que faz melhor oferta, ou seja, produtos de
qualidade com preço baixo é quem ganha à licitação.
Ele disse que essa verba quase sempre não é suficiente para a compra mensal de
alimentos, assim, a escola complementa o valor da merenda escolar, realizando algumas festas
e promoções na escola.
Ao perguntar para o diretor da escola quanto à atuação do Conselho Estadual de
Alimentação Escolar (CEAE), ele disse que o CEAE é o responsável pelo gerenciamento da
verba da merenda escolar, responsável pelo controle da aplicação dos recursos, atua de forma
muito esporádica. Ou seja, sua fiscalização é realizada apenas no final de cada ano por meio
do demonstrativo anual de execução físico-financeira e de relatórios enviados pela escola e,
também, “quando se tem oportunidade” de visitar as escolas. Se houver alguma
irregularidade, quem resolve é o diretor da escola e o presidente do CDCE junto a
Coordenadoria de Finanças (COFIN) da SEDUC – MT. O diretor também ressalta a grande
dificuldade de encontrar pessoas que queiram participar do CDCE, principalmente na função
de presidente, pois o mesmo responde judicialmente juntamente com a direção por qualquer
irregularidade na prestação de Contas da escola, sendo que o cargo não recebe remuneração
alguma para isso.
Fez-se observação in loco, durante uma semana, dos alunos no momento da entrega
da merenda pelas cozinheiras, e verificou-se que os alunos gostam muito da merenda
oferecida pela escola. Conversou-se com alguns durante o intervalo dos dois períodos de aulas
(matutino, vespertino) e perguntou-se que achavam da merenda oferecida e todos os alunos
participantes disseram ser de boa qualidade. Percebeu-se que os alimentos oferecidos são
apropriados, em quantidade e qualidade, para satisfazer as necessidades nutricionais do aluno
no período em que ele permanecer na escola, além de contribuir com hábitos alimentares
saudáveis.
Notou-se o emprego da alimentação saudável e adequada, que abrange o uso de
alimentos variados, seguros, que respeitem a cultura e as tradições alimentares, contribuindo
para o crescimento e desenvolvimento dos alunos em conformidade com a sua faixa etária,
sexo e atividade física e o seu estado de saúde, inclusive para os que necessitam de atenção
específica.
A amostra foi de 90 alunos (30 de cada turma), dos 930 (novecentos e trinta)
matriculados nos três períodos de estudo, logo o percentual da amostra foi de 3,22% dos
alunos.
Nas pesquisas realizadas em salas de aulas em períodos diferentes (matutino,
vespertino e noturno) foram feitas perguntas fechadas quanto à merenda oferecida pela escola,
considerando os seguintes critérios: se a mesma é ótima, boa, regular, ruim, ou se os mesmos
não merendavam na escola.
Não foi solicitada nenhuma identificação dos participantes, apenas que marcassem
sua opinião a respeito disso, ou seja, respondendo o que consideravam a respeito da merenda
oferecida pela escola, marcando a opção que melhor lhe conviesse a esse respeito.
Graficamente, o resultado foi o seguinte:
Durante a observação in loco durante o período do recreio, percebeu-se que os alunos
que merendavam expressavam satisfação quanto à merenda oferecida pela escola pesquisada.
O cardápio é diversificado, no qual é oferecido diariamente os seguintes pratos:
 Segunda-feira: carne moída com batata cozida, arroz branco, feijão e salada de
repolho;
 Terça-feira: pão com margarina e leite com achocolatado
 Quarta-feira: arroz com galinha (galinhada) com salada de alface, cenoura e
tomate;
 Quinta-feira: polenta com carne moída e arroz;
 Sexta-feira: arroz, feijão e carne com mandioca (vaca atolada) mais uma fruta.
Perguntou-se aos alunos que não merendavam na escola, qual seria o motivo dos
mesmos não se alimentarem da merenda, e os mesmos disseram que gostavam de lanchar na
cantina, por isso não merendavam na escola.
Diante destes questionamentos e das observações, percebeu-se que os cardápios da
alimentação da escola foram elaborados pela nutricionista responsável com adaptações das
merendeiras com utilização de gêneros alimentícios básicos, não deixando de respeitar as
referências nutricionais, os hábitos alimentares, a cultura alimentar da localidade. Ajustando-
se a diversificação agrícola da região na busca para atender o emprego da alimentação
saudável e adequada e a aplicação da educação alimentar e nutricional no processo de ensino-
aprendizagem.
Também durante as observações percebeu-se que alguns alunos, que não se
alimentavam do cardápio oferecido pela escola, consumiam bolachas, chicletes, refrigerantes
e sucos artificiais que traziam de suas casas para lancharem no período do intervalo. Mediante
a isso, percebe-se uma grande dificuldade de promover uma alimentação saudável no
ambiente escolar. Pois, uma vez que não há a presença contínua de um profissional capacitado
em nutrição atuando conjuntamente com a comunidade escolar, a mudança dos hábitos
alimentares desses alunos fica difícil de acontecer.

5. Considerações finais

Neste artigo buscou-se avaliar as contribuições e as potencialidades e de que forma é


gerenciado o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) na Escola Estadual Luiz
Frutuoso da Silva, situada no município de Sapezal.
O levantamento de dados se deu por meio de pesquisas bibliográficas, observações in
loco e entrevista realizada com os alunos e o diretor da instituição e pôde-se perceber a
importância deste programa que visa à melhoria da alimentação escolar contribuindo assim
que tenham melhor qualidade de ensino.
A partir dessa análise verificou-se que o PNAE propiciou uma melhora significativa
na qualidade dos alimentos oferecidos na instituição escolar participante da pesquisa, pois os
princípios norteados desse programa é a universalização do atendimento; o tratamento igual a
todos os alunos, respeitando as diferenças biológicas entre idades e as condições de saúde dos
alunos, o respeito aos hábitos alimentares, considerando as práticas tradicionais que fazem
parte da cultura e da preferência alimentar local a continuidade da ação, sendo que a
alimentação oferecida é de boa qualidade, pois se observou que os alunos gostam da merendar
oferecida pela escola, devido à qualidade da alimentação.
Os cardápios são sugeridos no site da SEDUC – MT, sob orientação de uma
nutricionista, mas a escolha deste é feita pela direção escolar e a merendeira, o que ocasiona
um melhor atendimento à necessidade e ao gosto dos alunos, primando por uma alimentação
saudável e adequada para a prevenção de doenças desencadeadas por maus hábitos
alimentares ou mesmo por escassez de alimentos, pois, muitos dos alunos, principalmente os
que moram nas fazendas adjacentes, fazem a principal, ou senão a única refeição do dia na
escola.
Apesar de todos os benefícios ofertados, observa-se ainda que exista um uso
considerável de produtos industrializados, produtos refinados como macarrão e bolachas na
alimentação dos alunos. Há preocupação em evitar alimentos gordurosos, frituras, doces,
sucos artificiais e refrigerantes, dentro do ambiente escolar, no entanto, não há um trabalho
efetivo, sistematizado de um profissional especializado em nutrição juntamente com a
coordenação pedagógica para que haja a mudança de hábitos alimentares desses alunos
também fora da escola. Nota-se também uma grande dificuldade enfrentada pela escola em
adquirir produtos dos Pequenos produtores por não ter como emitir a nota fiscal exigida na
prestação de contas da merenda escolar.
Por todo o exposto, pode-se constatar que o objetivo do estudo, que foi analisar se a
merenda escolar adquirida e ofertada pela Escola Estadual Luis Frutuoso da Siulva em
Sapezal/MT, tem atendido às exigências do Programa de Alimentação Escolar. Pois, se pode
verificar nos resultados obtidos que a gestão escolar tem se esforçado muito para atingir as
metas propostas pelo programa.
No entanto, são necessários novos estudos que investiguem com maior profundidade
as indagações sobre o PNAE um programa que já se propaga por 6 (seis) décadas.
Considerado, de fato, um dos maiores programas na área de alimentação escolar no mundo,
por ser o único com atendimento universalizado, ou seja, atende a todos os alunos
matriculados nas escolas públicas, da creche ao ensino fundamental, indiferentemente de
classe, cor ou religião.
Finalizando, o PNAE é visto pelo Ministério da Educação como sendo uma
oportunidade não só de oferecer alimentos que preencham a falta das necessidades
nutricionais dos alunos, no período em que estão na escola, mas também de contribuir para a
melhoria do processo de ensino e de aprendizagem e a formação de hábitos alimentares
saudáveis na comunidade local e escolar. Em outras palavras, o programa pertence a uma
política social do governo que busca desenvolver ações promotoras de saúde e de formação de
hábitos alimentares saudáveis na comunidade local e escolar.

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