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HISTÓRIA DA PSICOLOGIA NO BRASIL

A profissão do psicólogo no Brasil teve inicio com a criação das


faculdades de medicina do Rio de Janeiro e na Bahia em 1833 e até o final do
século XIX, não havia nenhuma sistematização ou institucionalização do
conhecimento psicológico.

A psicologia não era incipiente. As associações profissionais e de


pesquisa não foram identificados o que existia eram pessoas interessadas,
curiosos dos temas e questões psicológicas, portanto, não havia a profissão de
psicologia no Brasil durante o século XIX. Sendo este período denominado pré-
profissional.

A psicologia foi iniciada como ciência há cerca de 100 anos, sendo a sua
regulamentação, como profissão no Brasil, somente em 27 de agosto de 1962
perante a LEI: 4.119: dispõe sobre os cursos de formação em psicologia e
regulamenta a profissão de psicólogo.

Com a vinda do golpe militar de 1964 e com a instalação de seu regime


repressivo, a perspectiva da psicologia e as suas conquistas foram reprimidas.
O currículo do curso sofreu várias mudanças pelo Ministro da Educação.

Segundo Carpigiani (2000, p.97), “Ocorreram mudanças enormes nos


últimos anos no Brasil e no mundo, no que se refere aos aspectos: cultural,
social, político, ideológico, dentre outros, hoje requerem a intervenção da
psicologia com tais mudanças nova paradigmas surgiram”.

O período da profissionalização é compreendido entre 1890/1906 e


1975.abordando desde a gênese da institucionalização da prática psicológica
até a regulamentação da profissão e a criação dos seus dispositivos formais
que teve várias discussões sobre essa nova profissão e a partir daí, um novo
rumo começou a ser delineado.

Após a inauguração dos laboratórios de psicologia experimental na


educação (1906), e a criação do código de ética (1975) a psicologia passa a ter
um conhecimento próprio tornando-se detentora de um determinado mercado
de trabalho, ainda que compreendido entre a medicina e a educação.

Na Bahia, Nina Rodrigues (1939) aplicou o paradigma ao contexto social


no final do século XIX produzindo conhecimentos sobre aspectos do ambiente
cultural, de tipos humanos, do comportamento de grupos e de pessoas.

Rodrigues delegou o retrocesso econômico da Bahia á predominância


da raça negra e aos mestiços, que, com suas doenças, costumes e religião,
influenciavam a população. E concluiu que tanto a decadência do estado
quanto o caráter epidêmico da doença conformavam uma enfermidade
decorrente de uma e patológicas.

A descrição antropológica que daria sustentação á sua análise de


movimentos sociais.
Nina se inspirava na produção científica de europeus que tornava
patológicos os conflitos da vida cotidiana, situou os seus estudos sobre
movimentos de massa como constitutivo da psicologia social.

Em 1975 a profissão psicóloga passou a estar organizada e


estabelecida. Sofrendo alterações socioeconômicas. Com formação referente a
três grandes áreas como: Clínica, Escolar, Organizacional. Porém existe um
leque de possibilidades de atuação profissional como: Psicologia hospitalar, a
criminal, a jurídica, a forense, a institucional, a social e saúde pública entre
outras. Pré-disposição vesânica ou neuropática, transmitida pelo contágio por
imitação, o qual operava em um meio caracterizado por circunstâncias
múltiplas: meteorológicas, étnicas, político-sociais.

HISTÓRIA DA PSICOLOGIA NO CEARÁ

A professora doutora Maria Gercileni Campos de Araújo, mais conhecida


como Gercileni Campos, ou simplesmente Gercy para os amigos, foi uma das
pioneiras no desenvolvimento da Psicologia no Ceará, mais especificamente
sendo a primeira psicóloga concursada e contratada para ensinar no curso de
Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC). Gercileni Campos partira
de Fortaleza em 1969, a fim de estudar Psicologia em Recife, considerando a
inexistência do curso na cidade, e viria a obter o primeiro lugar no vestibular
para o referido curso na Faculdade de Filosofia do Recife (FAFIRE), à época
pertencente à Universidade Federal de Pernambuco. Graduada em Psicologia
no ano de 1973, Gercileni foi laureda como a melhor aluna de todos os cursos
da FAFIRE naquele ano, recebendo o "Prêmio universitário Banorte". Em 1974,
Gercileni, que a essas alturas já ensinava na FAFIRE foi convidada pela Profª.
Maria Isolda Bezerra de Menezes para vir prestar concurso público para uma
vaga de professora no curso de Psicologia da UFC, fundado naquele ano e
carente de psicólogos em seus quadros docentes - a fundação da própria
Universidade ocorreu vinte anos antes, em 1954. Convite aceito e aprovação
no concurso, Gercileni passa a ensinar a primeira turma de Psicologia da UFC,
já em 1975, responsabilizando-se pelas disciplinas de "Introdução à Psicologia"
e "Psicologia da Personalidade".

No ano de 1977, participa de um Workshop em Recife, no qual


participou Carl Rogers, um dos fundadores da Psicologia Humanista e criador
da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP). Em 1979, facilita, juntamente com
Theresse Amelie Tellegen, docente da USP, um workshop em Gestalt-Terapia
para a primeira e segunda turma do curso de Psicologia da UFC. Foi o primeiro
grupo de Gestalt-Terapia realizado em Fortaleza. Logo depois, em 1981, realiza
o primeiro Workshop em Gestalt-Terapia e ACP de Fortaleza, juntamente com
Afonso Henrique da Fonseca, psicólogo de Maceió, tornando-se referência em
Psicologia Humanista e influenciando pelo menos duas gerações inteiras de
psicólogos no Ceará.

Decorrentes mais de três décadas, a professora Gercileni, hoje


psicoterapeuta e psicanalista, com Doutorado em Psicologia Clínica pela
Universidade de São Paulo e especialista em Psicanálise pela Universidade de
Campinas, é a escolhida para ser homenageada pela Cátedra RELUS 20062,
por sua efetiva contribuição no desenvolvimento da Psicologia Clínica em
Fortaleza, particularmente no que concerne o enfoque fenomenológico-
existencial da Abordagem Centrada na Pessoa e da Gestalt-Terapia, ao tempo
em que estas abordagens engatinhavam no Brasil.

Decerto, a experiência da Profª Gercileni Campos é testemunha


inolvidável de um importante recorte histórico e epistemológico, muito embora
francamente desconhecido, na Psicologia do Ceará. Trata-se de temperaturas,
sentimentos, percepções; os bastidores internos de uma construção
psicológica que nos remete à segunda metade do século XX no Brasil e que,
ousamos acreditar, não podem fazer parte de um livro perdido. É, também, a
maneira com a qual propugnamos o título de Professora Emérita para quem, de
fato, representa o coração incansavelmente pulsante do cuidado pelo ser
humano. Que seu exemplo e o poder de sua simplicidade possa nos inspirar.

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ E O CURSO DE


PSICOLOGIA

No Ceará, há cinco universidades: quatro públicas (UFC, UECE, URCA


e UVA) e uma particular (UNIFOR); das públicas, a única que oferece a
graduação em Psicologia é a UFC, visto que a mesma se torna alvo de uma
acirrada concorrência de vestibulandos. Lamentavelmente, a UECE não
contava com essa graduação no seu elenco de ofertas, porém já possuía um
bom número de docentes atuando nas áreas de Psicologia e Psiquiatria.

Há cerca de cinco anos, a UECE resolveu investir na criação do curso


de graduação em Psicologia. O projeto foi cuidadosamente elaborado por uma
equipe do mais alto nível, comprometida com a vida acadêmica, e só não
vingou à conta da burocracia oficial. Faltou o beneplácito do governo,
certamente por lhe parece mais importante manter a UECE sob regime de
contenção financeira. No que diz respeito ao erário estadual; faltou, sobretudo,
visão de futuro, posto que a implantação do novo curso injetaria perspectivas
de crescimento institucional.

Uma avaliação superficial do caso, apontava para o fato de que a


transferência do recursos adicionais, para manutenção do curso de Psicologia,
seria pequeno, justamente em função da presente disponibilidade de recursos
humanos da UECE. Sem qualquer dúvida, a quantidade de professores, já
inserida na UECE, lastreada na qualidade inconteste e na experiência técnica
acumulada, conduz à promessa de que nem seria preciso admitir novos
docentes, nos dois primeiros anos de funcionamento do curso. A exceção
correria por conta da necessidade de reposição das perdas, no período,
abrindo-se, então, concursos públicos, para preenchimento dos cargos
existentes, tudo como manda a legislação.

Somente no segundo semestre de 2007, a UECE, então sob o comando


do Reitor Jader Onofre de Morais, em um gesto de ousadia, decidiu criar e
implantar o bacharelado em Psicologia, incluindo-o na lista de oferta do
vestibular de 2008.1. A exorbitante competição, da ordem de 55 candidatos por
vaga, apenas superada pela disputa de vestibulandos para o curso de
Medicina, pode ser indicativa da qualidade dos ingressantes, e, em especial, a
Confirmação de que a sociedade estava a clamar por mais um curso de
Psicologia, promovido por instituição pública.

O curso em tela propiciará o acesso de quarenta alunos, por semestre,


com um aporte gradual de uma dúzia de professores, em regime parcial de
trabalho, e, portanto, a um custo insignificante, se considerado o benefício
social decorrente. Face ao direcionamento do projeto pedagógico do curso,
privilegiando a ação comunitária do psicólogo, com certeza não haverá
qualquer dificuldade para conseguir locais de estágios, envolvendo atividades
práticas, até porque a ampla rede de Serviços públicos estaduais servirá de
ancoradouro natural, para receber o aluno e, sobretudo, para tornar viável a
operação de políticas públicas, centradas na educação, e com fulcro
eminentemente social.

A UECE ainda carece, pois, do apoio governamental, para implantar o


seu curso de Psicologia, não apenas pela maior visibilidade que a iniciativa
trará para essa universidade cearense, no contexto nacional da formação de
psicologia, mas porque chega a ser inadmissível que uma instituição, do porte
da UECE, seja privada de formar profissionais da Psicologia, com padrão de
qualidade, justo quando existem, ao seu dispor, para tanto, estrutura física
adequada, recursos humanos categorizados e campos de estágios, tal como
prevê a grade curricular.

Deve ficar bem claro que o acolhimento dessa proposta, casa com a
intenção do Ministério da Educação de expandir o número de vagas nas
universidades públicas, além do que um empreendimento dessa natureza viria
ao encontro dos anseios da sociedade cearense, pela oportunidade do acesso
a um curso de larga envergadura, como é o de Psicologia.

Ressalta-se, que o Ceará tem sido bastante afetado com a participação


minoritária da instituição pública, no que tange à formação de psicólogos, por
razão do crescimento de vagas, em cursos de Psicologia, no setor privado.

Com certeza, o Governo do Ceará só tem a lucrar ao assumir a decisão


de apoiar essa investida educacional da UECE, vitoriosa, o curso já nasceu
com o intuito expressivo dos dividendos sociais e políticos, tanto para o Estado
quanto para a comunidade cearense.

Segue em anexo a grade do curso de Psicologia da UECE e a planilha


do Corpo Docente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Pereira, Fernanda Martins, Psicologia em estudo,Maringá, n° 2,pg.19-23,2003;

Brasil, lei n°4.119 de 27 de agosto de 1962;


Decreto, lei n°. 53.464 de 21 de janeiro de 1964;

Conselho federal de psicologia, (1988),Quem é o psicólogo brasileiro? São


Paulo.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-
73722007000200025

http://aprendendoapsicologia.blogspot.com.br/2009/06/historia-da-psicologia-
no-brasil-e-no.html