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ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DO PORTO

UNIDADE CURRICULAR: RESPOSTAS CORPORAIS À DOENÇA II

Intervenção de Enfermagem:
Alimentar a pessoa através de sonda nasogástrica
Definição: Intervenção de enfermagem que consiste na administração de dietas entéricas, através da sonda
nasogástrica com o objectivo de nutrir uma dada pessoa.

Material necessário:
• Seringas de alimentação • Cuvete riniforme (facultativo)
• Estetoscópio • Água
• Luvas • Dieta líquida ou suplemento alimentar
• Compressas • Saco de sujos
• Resguardo

Procedimento
Actividades Justificação
Ensinar a Pessoa A explicação do acto é fundamental para que esta
técnica decorra com êxito e com o menor desconforto
possível.

Posicionar a Pessoa A adopção desta posição previne a aspiração do


 Fowler elevado vómito. No entanto esta decisão deve ter em conta a
 Fowler condição do doente a qual determinará a opção final,
 Semi-fowler relativa à posição.

Colocar o resguardo sobre o tórax

Lavar as mãos Esta técnica é uma norma limpa, já que o tubo digestivo
está naturalmente colonizado.
Justifica-se numa vertente higiénica e como medida de
controlo de infecção hospitalar.

Calçar luvas (não estéreis) O uso de luvas é fundamental, pelo risco de contacto
com líquidos de secreção interna.

Confirmar o posicionamento da SNG


Pode ocorrer deslocamento da sonda entre os
• Clampar a SNG (dobrando a própria sonda na intervalos das refeições, esta actividade previne a
extremidade proximal) ainda com a tampa introdução de alimentos que não no estômago, e
colocada. possibilita a avaliação da permeabilidade da sonda.
• Remover a tampa. Previne a introdução de ar no estômago.
• Conectar a seringa de alimentação.
• Aspirar o conteúdo gástrico [pelas Por vezes a sonda está com os orifícios, da extremidade
características, o pH, ou introduzindo uma distal, encostados à parede gástrica impossibilitando a
pequena quantidade de ar e auscultar, caso aspiração de conteúdo.
não se verifique refluxo de conteúdo quando
exercida a força de aspiração]

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RESPOSTAS CORPORAIS À DOENÇA II
Alimentar a pessoa através de sonda nasogástrica

Verificar resíduo gástrico


 Quantidade de líquido aspirado – se > ½ da Em função desta avaliação o enfermeiro decidirá
quantidade da última toma ponderar a proceder à alimentação, conforme o planeado, alterar o
possibilidade de reformulação do planeado, interromper a alimentação, e/ou referir a
planeamento da dieta e/ou eventualmente situação ao médico.
a sua reintrodução ou rejeição tendo em
conta para a decisão, um outro critério –
características do aspirado
 Referir o aspecto do conteúdo gástrico
(aquoso, alimentos ainda em fase de
digestão, hemático, biliar...)
Alimentar a Pessoa

• Clampar novamente a SNG


• Retirar a seringa de alimentação e adaptar
outra já com a dieta
• Controlar a temperatura da dieta a administrar Evita a queimadura da mucosa gástrica.
• Introduzir lentamente a dieta:
 Lactentes - 5ml/5-10 min Previne alterações digestivas e de absorção dos
 Adultos - recomenda-se que a dieta (300- nutrientes.
400ml) deve ser administrada em
aproximadamente 20 min.
Lavar a SNG Mantém a sonda permeável e/ou sem restos da dieta
 Instilar 20 ml a 30 ml de água que possam secar dentro do lumén da sonda e a
obstruam.

A hidratação do Doente deve ser programada para os


períodos fora das refeições.

Quando cessamos a administração da dieta devemos,


remover a seringa e adaptar a tampa.
Clampar a SNG (dobrando a própria sonda na
extremidade proximal); Previne a introdução de ar no estômago.

Remover a seringa;

Colocar a tampa.

Após a administração da dieta entérica devemos:


• Manter a Pessoa em Semi-fowler durante mais 30 minutos. Salvo nas situações em
que o doente deve permanecer noutra posição.
• Registar o volume administrado.
• Observar possíveis complicações, nomeadamente se há diarreia (pode estar
associada a administração muito rápida).
• Verificar se a digestão se processa normalmente.
• Lavar a Boca (devem ser feitas lavagens orais com frequência afim de manter
uma higiene adequada).

Formas de administração de alimentação entérica:


1. A administração da alimentação pode ser em bólus. Esta forma consiste na administração da
alimentação entérica 4 a 6 vezes por dia, sendo que o volume a administrar deve ser cerca de

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Alimentar a pessoa através de sonda nasogástrica

200 a 400 ml. As dietas vão desde os alimentos utilizados no dia-a-dia, bem triturados com a
varinha mágica, às dietas preparadas industrialmente.
2. A administração pode ainda ser feita em perfusão contínua durante 12 a 14 horas,
preservando o período da noite para pausa alimentar. Ou ainda perfusão contínua sem pausa
alimentar. Esta última permite administrar débitos menores o que leva a maior tolerância.
Alimentação entérica preparada laboratorialmente
Se a administração da dieta é com recurso a alimentação entérica preparada laboratorialmente mantemos os
passos da técnica por bólus ou gavagem integrando os seguintes aspectos:

Verificar a validade da dieta Antes de conectar a dieta ao sistema devemos verificar a sua
validade, certificando-nos de que se encontra dentro do prazo.
Uma vez colocada a perfusão a dieta deve permanecer apenas por 24
horas. Salvo dietas cujas indicações do fabricante contrariem este
princípio.

Infundir a alimentação entérica Preparar o sistema conectando-o à embalagem da alimentação


entérica.
Remover o ar do sistema e adaptá-lo à bomba infusora ou ao
regulador de fluxo.
Ajustar o ritmo da perfusão e vigiar se a dieta é administrada
correctamente.

Ajustar o débito da perfusão O início da perfusão deve ser lento (25 a 30 ml/h). Se ao fim de 12 a
24 horas não houver complicações (diarreia, resíduo gástrico superior
a metade do volume administrado, náuseas) ajusta-se o débito
necessário.

Mudar o sistema de infusão O sistema de infusão deve ser mudado cada 24 horas ou em SOS.

Observar a Pessoa Vigiar sinais de intolerância (diarreia, resíduo gástrico se > ½ da


quantidade da última toma, náuseas).

Lavar a Boca Devem ser feitas lavagens orais com frequência afim de manter uma
higiene adequada.

Alimentação entérica por gastrostomia ou jejunostomia


Se em vez de uma sonda nasogástrica tivermos uma ostomia de alimentação (gastrostomia, jejunostomia) os
procedimentos são similares, apenas temos que salvaguardar a vigilância do estado da pele circundante ao
cateter, de modo a prevenir irritações causadas pelos sucos digestivos.

Qualquer que seja a forma de alimentação entérica, devemos no final proceder aos registos relativos não só à
dieta administrada (composição e volume), como também às intercorrências que estiveram presentes no
decurso da mesma.

Estes procedimentos estão fundamentados, entre outras, nas referências bibliográficas que se apresentam:

DOCHTERMAN, Joanne McCloskey ; BULECHEK, Gloria M., co-aut - Classificação das intervenções de
enfermagem (NIC). 4ª ed. Porto Alegre : Artmed, 2008.
ELKIN, Martha Keene - Intervenções de enfermagem e procedimentos clínicos / Martha Keene Elkin, Anne
Griffin Perry, Patricia A. Potter. - 2ª ed. - Loures: Lusociência, 2005.
NETTINA, Sandra M - Prática de enfermagem - 8ª ed. - Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2007.

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