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Curso Teológico por Módulos

Disciplina: Crescimento Familiar


Professor: Antônio Manoel de Araújo
Alunos: Antonio Feitosa da Costa Neto, Antônio Rita Lopes de Sousa e Diana
Augusta Pereira Melo.

PERDÃO NA FAMÍLIA

Origem
A etimologia da palavra perdão vem do latim: “perdonet”, do verbo
“perdonare”: ‘per’ = total, completo e ‘donare’ = dar, entregar, doar.

Significado
De acordo com o Dicionário Michaelis On-line, a palavra perdão significa
remissão de uma culpa, dívida ou pena; desobrigação do cumprimento de um dever;
disposição para perdoar. É a expressão de pedido de desculpas.

Conceito
Há inúmeros conceitos a respeito do tema perdão. Estes são alguns:
“Perdão é a ação humana de se livrar de uma culpa, uma ofensa, uma
dívida... O perdão é um processo mental que visa a eliminação de qualquer
ressentimento, raiva, rancor ou outro sentimento negativo sobre determinada pessoa
ou por si próprio.”
“Perdoar é a decisão moral de remover o ódio abrigado em nosso próprio
coração.”
“O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova
partida, para um reinício.” Martin Luther King
“Quando você perdoa, dois escravos são libertos: você e o outro.” Pr.
Aquiles Borges
“O primeiro a pedir desculpas é o mais corajoso. O primeiro a perdoar é o
mais forte. E o primeiro a esquecer é o mais feliz.”
Perdoar não é esquecer, mas é se lembrar sem sentir dor.
Na Bíblia
As Escrituras falam sobre perdão em toda sua extensão. O perdão é um
dos maravilhosos atributos de Deus (Daniel 9:9 “Mas o Senhor, nosso Deus, é
misericordioso e perdoador, embora tenhamos nos rebelado contra ele.”); (Miquéias
7:18 “Que outro Deus há semelhante a ti, que perdoas a culpa do remanescente e
esqueces os pecados dos que te pertencem? Não permanecerás irado com teu povo
para sempre, pois tens prazer em mostrar teu amor”). É também um importante
elemento para a reconciliação do homem com Ele (2Coríntios 5:19 “Pois, em Cristo,
Deus estava reconciliando consigo o mundo, não levando mais em conta consigo os
pecados das pessoas.”). Através do perdão divino o ser humano pôde receber os
privilégios da obra redentora e apenas pela justificação realizada por Cristo os
pecadores puderam ser perdoados (Romanos 3:26 “Pois planejava revelar sua justiça
no tempo presente. Com isso, Deus se mostrou justo, condenando o pecado, e
justificador, declarando justo o pecador que crê em Jesus”).
Além disso, o perdão foi vivido e ensinado por Jesus também com o intuito
pedagógico, de deixar aos seus seguidores e filhos as instruções a serem seguidas e
praticadas uns com os outros, sempre que fosse necessário. Os homens, mesmo
sendo indignos e não merecedores do perdão de Deus, receberam de graça a
redenção que Jesus pagou, portanto, por senso de gratidão, consciência e
responsabilidade, deve-se praticá-lo, afim de obedecer a esse princípio por vezes
explicito na Palavra de Deus. Rich Warren disse: “Jamais lhe será pedido que perdoe
alguém mais do que Deus já lhe perdoou.”
No livro “VIVENDO ACIMA DA MÉDIA” Débora Otoni diz: “Quem
experimenta o imenso amor de Deus, amor este que é capaz de nos perdoar e de
morrer numa cruz em nosso lugar, não consegue deixar de amar. Você foi e é
plenamente perdoado e amado, mas será que você aceita essa verdade e a deixa
virar carne e sangue com você a ponto de ela mudar suas ações, pensamentos e
influências sobre os outros?” (OTONI, 2018, p. 50)
Em Mateus 6:9-15, quando Jesus ensinava seus discípulos a orar, deixou
muito claro a importância do perdão mútuo entre os irmãos:

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus,
santificado seja o teu nome;
Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra
como no céu;
O pão nosso de cada dia nos dá hoje;
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos
aos nossos devedores;
E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque
teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também
vosso Pai celestial vos perdoará a vós;
Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas,
também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.

A vontade de Deus é que seus filhos exercitem o perdão, não só porque


faz parte de Seus atributos ou por obediência a Seus princípios, mas também porque
é correto oferecer aquilo que já se recebeu, afim de validar a primeira ação e desfrutar
dos benefícios que ela oferece. Ou seja, se Deus perdoou o homem e o perdoa toda
vez que é necessário, o homem deve fazer o mesmo a seu próximo, porque sua dívida
impagável já foi perdoada, então é justo que faça o mesmo por seus devedores.
Em outro momento nos evangelhos, Jesus falando sobre fé instrui os
discípulos a perdoarem antes de orar, como um requisito fundamental para a eficácia
da oração:

“E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa


contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos
perdoe as vossas ofensas.
Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos
céus, vos não perdoará as vossas ofensas.” (Marcos 11:25,26)

Outro texto que reforça a importância desse ensinamento de Jesus a


respeito do perdão é a parábola do credor incompassivo, em Mateus 18:23-35.

“Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que
quis fazer contas com os seus servos;
E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe
devia dez mil talentos;
E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele,
e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto
tinha,
para que a dívida se lhe pagasse.
Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo:
Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.
Então o Senhor daquele servo, movido de íntima compaixão,
soltou-o e perdoou-lhe a dívida.
Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus
conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele,
sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves.
Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-
lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.
Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que
pagasse a dívida.
Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-
se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se
passara.
Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe:
Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me
suplicaste.
Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro,
como eu também tive misericórdia de ti?
E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até
que pagasse tudo o que lhe devia.
Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não
perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas.”

O comentário da bíblia Shedd traz uma reflexão interessante quanto a essa


parábola: “Deus perdoou-nos tanto ao nos conceder o dom gratuito da Salvação em
Cristo, que qualquer ofensa que outro ser humano possa praticar contra nós, é
irrisória, em comparação a isso. Perdoar seria o mínimo que poderíamos fazer,
refletindo, assim, algo da bondade divina que tem sido derramada em nossas vidas.”
Perdoar é preciso porque já houve perdão da parte da Deus e nenhuma
ofensa humana pode ser comparada à quantidade de vezes que Deus já perdoou
seus filhos pelos incontáveis erros, ofensas e pecados.
Max Lucado falou: “Pode alguém receber o perdão de uma dívida de
milhões e não ser capaz de perdoar algumas dívidas de poucas centenas? Pode
alguém ser posto em liberdade e prender outra pessoa? [...] Qual de nós não pediu a
misericórdia de Deus no domingo e exigiu justiça para outros na segunda-feira?”

Perdão na família
A prática de perdoar sempre foi vista como algo muito nobre, evoluído, para
poucos, e extremamente difícil. No entanto, numa época em que há incontáveis tipos
de patologias psicológicas e emocionais, o perdão nunca se fez tão necessário à
humanidade.
Como primeira e mais importante instituição da sociedade a família enfrenta
os maiores testes de sobrevivência. O exercício de alguns atributos primordiais para
a manutenção dos relacionamentos familiares é necessário, dentre os quais o perdão
é um dos principais. O amor, a amizade, a fidelidade, a empatia, o companheirismo,
a união e o respeito são fundamentais, mas nenhum deles permanece sem a prática
do perdão.
“Não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando
e você precisa perdoá-la por isso.” William Shakespeare
Infelizmente é cada vez mais comum encontrar pessoas literalmente
destruídas pela falta do perdão, por não conseguirem liberá-lo e também recebê-lo.
Mas a igreja não pode deixar de lutar contra essa crise emocional que até as
“melhores famílias” têm vivido. Enfrentar o assunto nos púlpitos, investir em cursos
para os membros, visitar as famílias, conversar individualmente, e muitos outros
métodos de instrução e acompanhamento podem e devem ser utilizados pela igreja
para alcançar os lares que têm sido desfeitos por falta de condições de compreender
os benefícios de perdoar.
Casamentos desgastados e rompidos, filhos rebeldes e traumatizados, pais
radicais e insensíveis são alguns reflexos da incapacidade de vivenciar o perdão no
âmbito familiar. Mas a Bíblia oferece exemplos de famílias que foram totalmente
curadas e restauradas pelos benefícios do perdão, a saber: o relacionamento dos
irmãos Esaú e Jacó (Gênesis 27-33), a reconciliação do casamento de Oséias (Oséias
3), o vínculo entre o pai e seu filho pródigo (Lucas 15), e a história de vida de José do
Egito (Gênesis 37-50), mundialmente conhecida, a qual pode-se extrair muito sobre o
poder maravilhoso que há no ato de perdoar.
José tinha todos os motivos para odiar seus irmãos, desejar a morte da
cada um deles e se vingar quando seus sonhos proféticos se tornaram realidade, já
que estava em posição superior à de seus familiares. Mas seu coração pertencia ao
Senhor e nada disso foi necessário. Ao perdoar todo o mal que sofreu quando estava
refém da maldade, da inveja, dos ciúmes e da raiva que seus irmãos sentiam por ele
ser um dos filhos amados de seu pai, José pôde amá-los novamente e da melhor
forma possível: suprindo a fome e as necessidades de toda sua família e os levando
para viverem juntos. José fez isso não porque ele era bom o suficiente, ou porque
sentia o desejo de perdoar, mas porque era verdadeiramente convertido, servo fiel de
Deus e sabia que em tudo que passou o Senhor continuava soberano e desejava
cumprir Seus planos em sua vida. José foi temente, obediente e grato a Deus, perdoou
seus inimigos, amou-os, e os abençoou, mesmo não sendo merecedores. Ele cultivou
um bem maior que seu ego, sua vaidade e sua dignidade: a sua família unida e feliz!
“O amor de José é demonstrado de uma forma prática pelo perdão, que
não se limitou a uma frase padrão como “ok, eu perdoo vocês”. Seu perdão gerou
atitudes lindas. José é capaz de ter contato físico com quem tanto o feriu: ele os
abraçou, beijou e chorou com todos os irmãos (Gênesis 45.14-15). [...] O perdão de
José criou convivência, família. Ele foi capaz de colocar perto de si os seus algozes.
Não porque ele tinha esquecido de tudo, mas porque ele decidiu mudar o foco e ver
aquelas pessoas com outras lentes.” (OTONI, 2018, p. 53)
“Você quer ser feliz por um instante? Vingue-se. Você quer ser feliz para
sempre? Perdoe.” Tertuliano
Em Colossenses 3:13 Paulo apresenta a compreensão e o perdão como
algumas das virtudes que devem ser cultivadas entre o povo de Deus, afim de
glorifica-lo em tudo que fizerem: “Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas
que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou.”
Em família é onde mais se pode e deve colocar o perdão em prática, porque
com os pais, irmãos, cônjuges e filhos é quando o indivíduo consegue ser ele mesmo,
sem máscaras, sem reservas, mostrando a melhor e a pior face, vivendo os melhores
e piores momento, passando pelas maiores provas de fogo existentes em
relacionamentos humanos, mas com certeza tendo as moires oportunidades de
desenvolver a compreensão e a empatia por seu semelhante. Quem ama perdoa
quantas vezes for necessário e em qualquer situação, assim como Deus fez e faz aos
seres humanos.
“Às vezes você perdoa uma pessoa porque a falta que ela faz em sua vida
é maior do que o erro que ela cometeu.”
Mateus 18:22 relata: “Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor,
até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus
lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.” Conforme o
comentário bíblico VIDA NOVA, de Carson, France, Motyer e Wenham, a oferta
máxima de Pedro para o perdão parece generosa, uma vez que, para as tradições
rabínicas apenas 3 vezes seria bem razoável. No entanto, Jesus se mostra insatisfeito
com esses cálculos mesquinhos e determina que a disposição de perdoar deve ser
ilimitada, utilizando esse exemplo de 70x7, que totaliza 490 vezes.
“Pessoas cometem erros e, mesmo quando o fazem intencionalmente, nós
somos convidados a perdoá-las.” Débora Otoni
Sem amor não há perdão e se não há perdão é porque não há amor. As
pessoas mais amadas devem ser as mais perdoadas, porque não faz o menor sentido
amar alguém a quem não consegue perdoar. O perdão é primordial no núcleo familiar
porque é dentro de casa que as pessoas busca saciar seus maiores anseios, onde
Deus separou para ser não apenas um abrigo, mas um lar cheio de afeto, harmonia,
alegria e paz. Onde houver família haverá diferenças de personalidade, divergências
de pensamento, e vontades opostas, e é exatamente nesse contexto que a
compreensão, o perdão e o amor são necessários e bem vindos.
“O perdão nos ajuda a enxergar a história dos outros também, a considerar
a jornada e o lado de cada indivíduo. A gente se torna capaz de ter empatia pelo que
o outro passou e pelo que tornou aquela pessoa, daquele jeito, com aquelas atitudes.”
Débora Otoni

Consequências da falta de perdão


Por vezes a falta de perdão não prejudica apenas a alma e o espírito do
indivíduo. Com toda a resistência em não aceitar ou oferecer perdão e com a
repressão de todo o mal que isso causa, o corpo somatiza todas as dores psicológicas
e expele em doenças físicas.
Na maioria das famílias cristãs o perdão é um processo ensinado em casa,
reforçado na igreja e praticado em toda a sociedade, mas quando não utilizado causa
sequelas em todas as áreas da vida do indivíduo, de toda uma família e até
comunidade. Às vezes as tentativas familiares e as intervenções religiosas não são
suficientes e é preciso recorrer a profissionais da saúde emocional, psicológica e física
para reparar danos causados pelos males que a falta de liberar e receber perdão
provoca. Assim como o ser humano necessita de alimento para o corpo e para o
espírito, as vezes precisa também de tratamento médico para cuidar do físico e da
alma. Apesar de ser um movimento silencioso e interno, a falta de perdão deixa muitas
sequelas visíveis que não devem ser negligenciadas, mas trabalhadas.
“Veja o que Deus faz quando economizamos nossa compaixão. Ele nos
entrega à tortura. Torturados pela ira. Sufocados pela amargura. Consumidos pela
vingança. Essa é a punição daquele que experimenta a graça de Deus, mas se recusa
a compartilhá-la” Max Lucado
Não perdoar adoece o ser humano em todos os aspectos. Pode ferir,
entristecer, deprimir, amargurar, revoltar, enlouquecer e até matar.

Benefícios do perdão
O perdão não é um sentimento ou um desejo, é uma decisão que deve ser
tomada com coragem, força e alegria, porque as recompensas chegam.
“A expulsão daquele rancor e ódio enterrados nas profundezas de meu ser
representou a destruição do último baluarte do Diabo em minha vida. Podia ver com
clareza que aquele rancor profundamente reprimido havia me levado a um tipo de
desequilíbrio mental. [...] Há uma ligação direta entre o perdão e a saúde da pessoa
como um todo.” (OMARTIAN, 2007, p. 204/205)
Quando se tem coragem de assumir que ficou magoado com a palavra,
atitude ou omissão de alguém, quando se toma consciência de que precisa resolver
tal situação, quando se decide agir em favor de si e do outro considerando a
importância do seu bem-estar e do bom relacionamento existente entre as partes,
então é hora de decidir perdoar.
“Depois que perdoei papai, descobri quanto ele me amava. Ele nunca havia
expressado esse amor abertamente, pois não se sentia à vontade com
demonstrações de afeto, mas, ainda assim, me amava.” (OMARTIAN, 2007, p. 207)
Perdoar é libertador, é restaurador. É escolher se desfazer de um peso
interno que sufoca, é abrir as portas do coração para que saia a escuridão guardada
há anos. Perdoar é poder lembrar sem sentir a dor, falar com a pessoa sem receios,
é conviver com qualidade com alguém que tem tantos defeitos quanto você, que já foi
ou será ferido também e mais cedo ou mais tarde precisará te perdoar. Todo
relacionamento entre seres imperfeitos está sujeito a conflitos, os quais devem ser
resolvidos o quanto antes por meio do perdão.

Eu sei porque você não consegue perdoar


Em uma pregação do Pastor Douglas Gonçalves publicada em 29 de
novembro de 2018 no canal do Youtube chamado JesusCopy, foi trabalhado o fato de
o perdão ser algo impossível para a maioria das pessoas, principalmente quando se
trata de uma ofensa ou erro muito grave. Como já vimos ao longo dessa análise sobre
o tema, perdoar não depende da gravidade ou tamanho do mal realizado contra si,
mas da capacidade de entender que Deus já perdoou a humanidade e por isso todos
que receberam este perdão devem replica-lo aos outros no dia a dia independente de
ser merecido ou não.
O vídeo citado resume-se em explicar porque as pessoas não conseguem
perdoar. Utilizando o texto de Mateus 18:23-35, a parábola do credor incompassivo já
explanada anterior, o pregador afirma existirem 3 razões para a impossibilidade do
perdão. Resumindo em 3 palavras-chave ele diz que as pessoas não conseguem
perdoar pela incapacidade de viver o “Re Re Re”: Reconhecer, Receber e Repetir.
Reconhecer que não merece o perdão de Deus, receber o perdão de Deus mediante
Sua graça e repetir essa ação perdoadora com os outros. Ou seja, quem aceitou o
Senhor Jesus como único e suficiente Salvador, convertendo sua vida ao cristianismo
puro e verdadeiro, sendo salvo pelo grande amor, misericórdia e graça de Deus,
reconhece o tamanho de sua dívida e a incapacidade de pagá-la. Por isso recebeu o
perdão de seus pecados e foi perdoado por toda sua dívida como um presente de
Deus, comprado não por dinheiro ou boas ações, mas pelo sangue de Cristo na Cruz
do Calvário, um preço impossível de ser pago por qualquer ser humano. Dessa forma
deve-se repetir essa atitude com todos ao seu redor, uma vez que, assim como não
foi merecido o perdão divino, o perdão humano deve ser oferecido por amor,
misericórdia e graça.
A pessoa que não passa por esses três “Re’s” realmente não tem
condições de viver o perdão, não consegue perdoar e nem pedir perdão. Por isso,
para os cristãos, o perdão é algo não só necessário, mas obrigatório, uma vez que
demonstra a verdadeira vida cristã na prática. O perdão em família é primordial para
manter saudável todo o vínculo entre os membros, bem como para restaurar e renovar
os laços por vezes quebrados com os conflitos inevitáveis da convivência.
Nesse sentido, em nome da verdadeira conversão, da obediência aos
princípios bíblicos, da gratidão a Deus e do amor à família, deve-se liberar e receber
perdão, não só no âmbito familiar, mas em todos os relacionamentos humanos,
sempre que necessário.