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ISEIB – INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO IBITURUNA

ROSANE MARIA CAMPOS RESENDE

GESTÃO EDUCACIONAL E INSPEÇÃO ESCOLAR:


EM BUSCA DE UMA ADMINISTRAÇÃO DEMOCRÁTICA

AGUANIL-MG
2018
ISEIB – INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO IBITURUNA
ROSANE MARIA CAMPOS RESENDE

GESTÃO EDUCACIONAL E INSPEÇÃO ESCOLAR:


EM BUSCA DE UMA ADMINISTRAÇÃO DEMOCRÁTICA

Artigo Científico apresentado ao Instituto Superior de


Educação Ibituruna - ISEIB, como requisito parcial para
a obtenção do título de Especialista em Gestão
Educacional e Inspeção Escolar.

AGUANIL-MG
2018
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GESTÃO EDUCACIONAL E INSPEÇÃO ESCOLAR: EM BUSCA DE UMA


ADMINISTRAÇÃO DEMOCRÁTICA

Rosane Maria Campos Resende1

RESUMO

O presente trabalho teve como finalidade principal o de fazer um breve apanhado sobre a gestão educacional e a
inspeção escolar e o trabalho do gestor em si, voltada à educação de qualidade, mas acima de tudo humanizada.
Para isso foi levado em conta às práticas cotidianas de gestores que atuam em escolas com o objetivo de fazer
uma análise das teorias que embasam o atual perfil deste profissional a fim de entender melhor qual a sua
finalidade e função. Para isso foi preciso utilizar-se de algumas referências bibliográficas sobre o tema para
confirmar algumas ideias apresentadas ao longo das discussões. A metodologia utilizada, então foi à
bibliográfica já que para o embasamento teórico contamos com a leitura e pesquisa de livros e artigos
relacionados ao tema. Com isso, podemos chegar a algumas conclusões sobre o tema relacionado à importância
do papel do profissional gestor e inspetor e suas reais funções, sendo esses instrumentos essenciais ao bom
funcionamento do ambiente escolar.

Palavra-chave: Gestão educacional. Educação de qualidade. Inspeção escolar.

Introdução

É na Educação, seja ela qual fase em que se encontre que está à possibilidade da
formação de alicerces essenciais para a construção do conhecimento e da aprendizagem.
Desta forma, torna-se indispensável assegurar que o indivíduo desfrute das experiências
proporcionadas em ambiente adequadamente preparado em variados aspectos para recebê-las.
O principal motivo pela qual se fez necessário trabalhar o tema em questão se deu pela
necessidade de demonstrar que tanto o gestor escolar quando o inspetor (supervisor) possui
um papel importante referente a várias questões relacionadas à escola. Assim, para que haja
uma educação coerente é preciso que os mesmos reconheçam suas funções e aja de acordo
com a lei em prol da comunidade escolar, esta que não só é formada pelos alunos, mas sim
pelo corpo docente e pelos pais dos jovens matriculados.
As funções da gestão vão muito além da organização administrativa, dado que se trata
de um projeto político-pedagógico sujeito à sua construção diária e contínua. A fim de que
possam ser alcançadas as expectativas de aprendizagem e seja garantida a qualidade no

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Graduada em Pedagogia pelo Centro Educacional Internacional – UNINTER (2008) e pós-graduanda em Gestão
Educacional e Inspeção Escolar pelo Instituto Superior de Educação Ibituruna – ISEIB. Concluiu ainda, em 2015,
curso de formação de formação continuada como professora alfabetizadora do Pacto Nacional pela
Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), da Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP. Atua desde 2009 como
Professora dos anos iniciais do Ensino Fundamental na rede municipal de ensino em Aguanil/MG e desde 2010
como Professora de Educação Básica – Regente de Turma na rede estadual de ensino, na mesma cidade.
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atendimento do público alvo, é necessário estabelecer uma estrutura ambiental que possibilite
a educação e os cuidados atribuídos ao estímulo na produção de significados quanto a si
próprio e ao meio que interagem os alunos.
Assim, o objetivo geral da pesquisa é o de apresentar o gestor pedagógico como
aquele que não só será responsável pela gestão e administração da escola, mas também como
aquele que agirá de acordo com o ano escolar de cada aluno, mostrando como dever ser o
perfil desse profissional em conjunto e colaboração do inspetor. Os objetivos específicos são:
contextualização do tema; a gestão escolar e o gestor; funções do inspetor.
O trabalho acerca desta questão será baseado em uma pesquisa bibliográfica que
traçará as atribuições do gestor educacional frente às necessidades dos alunos e professores,
assim como, o que cada faixa etária compreendida neste período deve alcançar.

A pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado,


constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora em quase
todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho dessa natureza, há
pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas.
Boa parte dos estudos exploratórios pode ser definida como pesquisas
bibliográficas. As pesquisas sobre ideologias, bem como aquelas que se
propõem à análise das diversas posições acerca de um problema, também
costumam ser desenvolvidas quase exclusivamente mediante fontes
bibliográficas. (GIL, p.44. 2002).

Então, pode-se começar a traçar, a partir deste ponto um caminho que é longo e árduo
para o gestor e inspetor e suas características a serem desenvolvidas e aplicadas no decorrer
do percurso que exige tanto esforço e dedicação.

Desenvolvimento

Muitas vezes nos deparamos com uma escola cheia de problemas e nos perguntamos
por que isso acontece. Um dos fatores é que o gestor e inspetor não têm conhecimentos de
suas funções e obrigações, outras vezes a ele não é te dado o direito de agir de acordo com o
que manda sua função e nos piores dos casos o próprio gestor se exime de suas
responsabilidades ou abusa do poder para administrar do jeito que lhe convém.
No Brasil, a democratização da Gestão Escolar ocorreu no ano de 1980, para facilitar a
burocracia e as ideias centralizadoras da administração escolar. Além, disso seu objetivo era
também, dar mais autonomia e participação da comunidade nas decisões escolar. Esse novo
modelo foi necessário uma vez que foi preciso:
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Desafia-se na administração escolar a capacidade de superar uma ação


meramente técnica (administração de normas, pessoal e material),
efetivando-se uma função política há muito desgastada pela atuação
meramente executora das decisões de gabinete dos tecnoburocratas. A
novidade da proposta reside em exigir do administrador-educador que ele
compreenda a dimensão política de sua ação administrativa, que se respalda
na ação colegiada, rompendo com a rotina alienada do mundo impessoal e
racionalizada da burocracia, que permeia, ou melhor, cimenta a dominação
das organizações modernas. Em síntese, propõe-se recuperar com vigência o
papel do diretor-educador na liderança do processo educativo (PRAIS, 1994,
p. 60).

Para que essa gestão ocorra de forma a trazer benefícios aos que buscam pelo serviço,
é preciso que haja mudanças neste setor. A Gestão deve ocorrer de forma democrática, ou
seja, com a participação do corpo docente e todos os envolvidos na educação. Assim o projeto
político pedagógico da escola será elaborado de acordo com o perfil dos alunos presente, isso
porque cada escola possui um perfil de alunado diferente, como nos casos em que a escola
conta com um número grande de alunos especiais.
A gestão democrática com o fim da ditadura e voltada hoje a atender a um projeto
político pedagógico, ou seja, encontra-se mais de acordo com as necessidades do aluno do que
com a questão de gestão em si, levando em conta o que é realmente bom para a educação
seguindo as opiniões da comunidade escolar formada pelo corpo docente, pelos alunos e pelos
pais destes alunos.
No entanto, como já mencionado, muitas mudanças ainda devem ser feitas, se
levarmos em conta que o perfil de alguns gestores ainda se aproxima daquele autoritário e não
democrático, sem a participação dos principais interessados.
Para que haja mudanças no modelo de gestão, a iniciativa parte do próprio gestor pque
dará início a uma gestão ativa e participativa. Além disso, a gestão deve ocorre de forma
descentralizada. O foco principal é administração de forma a facilitar a vida do aluno na
escola, para que o mesmo tenha um bom começo, desde a educação infantil e possa segui nos
próximos anos de estudo preparado.
Em resumo teremos uma gestão de cunho participativo, com o envolvimento da
comunidade para fins representativos. A educação possui um caráter mediador, que segundo
Cury (1987, p.66): “[...] como mediação tanto funciona, embora em graus diferentes, para
afloração da consciência, como para impedi-la, tanto para difundir, como para desarticular”.
Assim o gestor irá mediar de forma a impor os limites de participação de cada um, dentro do
papel que lhes é conferido, mas sem ser um ditador de regras próprias.
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Em primeiro lugar, cabe ao gestor a função de buscar meios para atingir os objetivos
da organização, nesse caso, a escola. Depois a direção irá pôr em ação as decisões tomadas
coletivamente com todos os envolvidos, que será desenvolvida da melhor forma possível.
Libâneo nos apresenta algumas funções a serem desenvolvidas pelo gesto escolar:

1. Supervisionar e responder por todas as atividades administrativas e


pedagógicas da escola bem como as atividades com os pais e a comunidade e
com outras instâncias da sociedade civil.
2. Assegurar as condições e meios de manutenção de um ambiente de
trabalho favorável e de condições materiais necessárias à consecução dos
objetivos da escola, incluindo a responsabilidade pelo patrimônio e sua
adequada utilização.
3. Promover a integração e a articulação entre a escola e a comunidade
próxima, com o apoio e iniciativa do Conselho de Escola, mediante
atividades de cunho pedagógico, científico, social, esportivo, cultural.
4. Organizar e coordenar as atividades de planejamento e do projeto
pedagógico-curricular, juntamente com a coordenação pedagógica, bem
como fazer o acompanhamento, avaliação e controle de sua execução.
5. Conhecer a legislação educacional e do ensino, as normas emitidas pelos
órgãos competentes e o Regimento Escolar, assegurando o seu cumprimento.
6. Garantir a aplicação das diretrizes de funcionamento da instituição e das
normas disciplinares, apurando ou fazendo apurar irregularidade de qualquer
natureza, de forma transparente e explícita, mantendo a comunidade escolar
sistematicamente informada das medidas.
7. Conferir e assinar documentos escolares, encaminhar processos ou
correspondências e expedientes da escola, de comum acordo com a
secretaria escolar.
8. Supervisionar a avaliação da produtividade da escola em seu conjunto,
incluindo a avaliação do projeto pedagógico, da organização escolar, do
currículo e dos professores.
9. Buscar todos os meios e condições que favoreçam a atividade profissional
dos pedagogos especialistas, dos professores, dos funcionários, visando à
boa qualidade do ensino.
10. Supervisionar e responsabilizar-se pela organização financeira e controle
das despesas da escola, em comum acordo com o Conselho de Escola,
pedagogos especialistas e professores (LIBÂNEO, 2004, p. 217).

Quando lemos essas atribuições, no damos conta que a função do gesto não é simples,
por isso que há a necessidade de um trabalho mutuo feito com a ajuda da comunidade. O
gestor que tomar decisões individuais, não apresentará soluções democráticas e ao mesmo
tempo tais decisões poderão não ir de encontro com o que precisa a escola e os alunos.
O inspetor ou supervisor escolar por sua vez tem a função de orientar grupos de
professores, organizar o trabalho pedagógico em reunião e sob as condições decididas de
forma democrática por todos. Dentre outras funções temos aqui uma lista de sua colaboração
em relação ao ambiente escolar:
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I – investigar, diagnosticar, planejar, implementar e avaliar o currículo em


integração com outros profissionais da Educação e integrantes da
Comunidade;
II – supervisionar o cumprimento dos dias letivos e horas/aula estabelecidos
legalmente;
III – velar pelo cumprimento do plano de trabalho dos docentes nos
estabelecimentos de ensino;
IV – assegurar processo de avaliação da aprendizagem escolar e a
recuperação dos alunos com menor rendimento, em colaboração com todos
os segmentos da Comunidade Escolar, objetivando a definição de
prioridades e a melhoria da qualidade de ensino;
V – promover atividades de estudo e pesquisa na área educacional,
estimulando o espírito de investigação e a criatividade dos profissionais da
educação;
VI – emitir parecer concernente à Supervisão Educacional;
VII – planejar e coordenar atividades de atualização no campo educacional.
VIII – propiciar condições para a formação permanente dos educadores em
serviço;
IX – promover ações que objetivem a articulação dos educadores com as
famílias e a comunidade, criando processos de integração com a escola;
X – assessorar os sistemas educacionais e instituições públicas e privadas
nos aspectos concernentes à ação pedagógica. (BRASIL, 2003).

São funções quase parecidas com a do gestor, mas sob uma perspectiva diferente.

Conclusão

Levando-se em consideração o que foi abordado é fato que o gestor educacional tem
um papel importante na escola desde que, esteja preparado para lidar com o público a que está
destinado. No caso do inspetor, este deve está de acordo com as necessidades das crianças em
seus primeiros anos escolares para que esses alunos evoluam com o passar dos anos, passando
de ano em ano sem dificuldade de aprender.
Foi visto também, que é importante que o gestor tome suas decisões em conjunto, isso
significa que não dever apenas ser levado em conta sua opinião, ele deve está aberto a novas
ideias, estas vindas da comunidade escolar, formada pelos inspetor, professores, pais e alunos.
Assim, pode-se entender que a escola será um todo se houver a participação de todos.
Por isso é que podemos entender a gestão voltada para a educação como um ato de
amor e dedicação por parte do responsável por esse setor. Assim, podemos pensar no
ambiente escolar como todo formado por profissionais responsáveis por educar, limpar e
organizar a escola. O gestor em sua função de administrador faz parte deste núcleo e tem um
papel importante, mas que não será possível se não for executado de maneira democrática.
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REFERÊNCIAS

BRASIL. Projeto de Lei nº 290/2003. Disponível em:


http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=105932.
Acessado em: 04 de outubro de 2018.

CURY, Carlos. Educação e Contradição. 3ª ed., São Paulo: Cortez Autores Associados,
1987.

LIBÂNEO, José Carlos. Organização e Gestão da Escola: teoria e prática. 5. ed. Revisada
e ampliada. Goiânia: Alternativa, 2004.

PRAIS, Maria de Lourdes Melo. Administração Colegiada na Escola Pública. 3ª ed.


Campinas – SP: Papires, 1994.