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. JACQUES GUILLAUMAUD

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CIBERN'.EJTlCA
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, .· !F}'t : .;ww1.~~~J~f~a~~ ; das: 'ciências, .que, à imagem da própria ciência,
j) :
' 'nãd ~e: ,µiji U~sjstetna~· fechado e imutável, mas uma construção em
. . ͵i;~~~nt~, rião pode mais ser representada pelo esquema em forma
· · d~ áryote.
,,,... , ;.i\ .•ó 'esquema que atualmente pode satisfazer não é mais dicotô-
'mi,Ço, :mas emaranhado. Os múltiplos pontos comuns entre as ciên-
cilii; dão-lhes, não mais um aspecto de árvore, mas de rêde muito
: cqrnplexa. CAPITULO IV
., .Certas ciências, e principalmente as nascidas recentemente,
.podem se comparar a fios desta rêde que ligariam com uma certa
cQ.erência o maior número de nós, por mais distanciados que fôssem · A TEORIA DA INFORMAÇÃO
ui;is qos outros •
. Segundo numerosos pesquisadores, o futuro científico estaria ! SUAS RELAÇÕES COM A TERMODINÂMICA
!
tornado possível a estas ciências-encruzilhadas pela pesquisa em equi- i
•pe, e exigindo-a tôda de uma vez, no sentido roais extenso, uma vez -1 A teoria da informação constitui um capítulo particularmente
qu.e a equipe pode compreender, além de pesquisadores de diferentes fecundo da .ciência cibernética. Aí, uma nova perspectiva àproxima,
1
disciplinas, técnicos, filósofos e, às vêzes, artistas. O'faoo de tais ciên- 1 de maneira inaudita, cibernética e termodinâmica. Pode-se mesmo
.ci~ aproximarem domínios antes reservados à filóso'fia 'é particular- ver nela com L. de Broglie "a mais bela e a mais importante das
' mente significativo . idéias sugeridas pela cibernética" .
. Nesta perspectiva, a cibernética aparece, entretanto, como um;; Apesar desta aproximação levantar ainda vivas controvérsias a
diseipilna original. Um dos seus objetos não é precisamente o estudo propósito de certos aspectos seus, é admitida por todos etn suas
. de sistemas de estrutura complexa, dos quais acabamos de propor linhas gerais e não deiimu ainda de suscitar pesquisas frutíferas.
íf:própria imagem como esquema atual da classificação das ciências? ' .,
A lembrança de algumas noções de base vai permitir-nos expor
· · ; Eis o que, entre numerosos outros fatos, mostra a coerência
i seus elementos e entrever seu alcance. · ·
• ' iil~erna e .l\ unidade da cibernética.
1

a) O que é a informação?
1
l!
O dicionário de Webster, citado por Léon Brillouin . ( [~6},
.~ . VII), dá a seguinte definição de informação: ·

"Comunicação ou recepção de informes. Fatos destinados a .


serem comunicados e que se deve distinguir dos que relevam do
I pensamenfo ou dos incorporados em uma teoria ou no corpo de
uma doutrina. Dados, fatos novos, informes, conhecimentos que
resultam do estudo de uma observação."

O sentido, assim definido, da palavra "informação" está próxi-


mo do sentido vulgar (boletim de informações, ministério de infor-
mações. etc.) .
Entretanto, já que "a ciência começa onde o significado das pa-
lavras é rigorosamente precisado", é preciso, então, partir de uma
definição precisa da palavra "informação".

77
...E?;ncai:emos um problema que comporta um certo número de Sabe-se que uma variável y é função de uma variável x se a
~esoóstas possíveis, uma vez que não se possui informações parti- cada valor de x pode-se associar um .(ou vários valôres determi-
sôbre a situação presente . Se se consegue obter algumà
mação sôbre o problema, o . número de respostas possíveis nados de y.
'contra diminuído e uma informação total pode mesmo con- Não consideremos aqui as funções explícitas, iso é, aquelas
a uma só resposta possível. ,A informação é uma função da onde a correspondência entr~ y e x ·é. dada por . uma expressão que
das respostas possíveis, após e antes que se a tenha rece-
( [2'6], VIII) . - dá diretamente y sendo conhecido x, e que ·se simboliza pela ex-
pressão
; Tomemos um exemplo:
dado arremessado pode " dar" com a mesma pr1obabilidade, y= f (x)
4; 5 ou 6, com a condição, todavia, de não estar "chumbado"
em uma das faces) . Existem também funções implícitas como, p~r exemplo:
Suponhamos que êle o seja e ·que nós- n~o o saibamos: o núme-
de respostas possíveis é seis. Se, ao contrário, sabemos que êle x sen y + y sen x = 1
'"chumbado" e "dá" de preferência o 3, por exemplo, o número
respostas possíveis fica, com isso, modificado . Se, no caso limite, As funções explícitas podem ser algébricas, onde ·a ceirrespon-
da:do só pode "dar" 3, o número de respostas possíveis é um. A dência entre y e x é determinada por uma expressão algébticíl, (mo-
informação é total. Ela permite chegar à certeza. nômio, polinômio, fração racional), exemplo
..· . Se soubéssemos que o truque do dado te~ por efeito fazê-lo
'''.dar" 2 · ou 3, o número de respostas possíveis será dlois.
A informação será então parcial ... y=
x6 + 4x 4
- 2x 3 +x +1
x+2
Vê-se que a informação é uma função da relação dos números
respostas possíveis, após e antes que se a tenha recebido. Uma expressão algébrica pode-se calcular pelo emprê~ó d{ um
Ela aumenta à medida que esta relação diminui ou, o que vem número finito de vêzes das quatro operações elementares c:l'i àtit-
a. dar no mesmo, quando seu inverso aumenta. mética. · ·.:,,. ,
~ isto que se exprime dizendo que a informação I é uma função Quando a expressão não é algébrica, é dita, poi; deJ~i:iiç~o, .
, crescente da relação P 0 /P, sendo Po - número de casos possíveis "transcendente", exemplo y = sen x sendo -1 ~ .· · x; ;,::::; · 1
: . antes que se tenha recebido a informação; P - número de casos Neste último caso, pode-se dizer: a todo número x Ja~Jcor·
) :.possíveis depois de se ter recebido a informação (crescente uma vez responder um número y que é igual ao seno do ângulo, ,x: ç~pt<i~$9
' ·;gµe ela cresce qtt(mdo a relação Po/P cresce) . em ~adianos. Mas não se pode calculai y por meio de , 11m':P.»mefQ:,
Chegados a êste ponto do raciocínio podemos, para definir finito de operações aritméticas. . > L

. . qit4ntitativamente a informação~ arbitràriamente escolher, para repre- A função logaritmica também . é uma função transàfid,~pte .
. sentá-la tôda funrão crescente da relação P 0 /P . Antes de defini-Ia, recordemos as seguintes definições :
Por exemplo, poderíamos medir a informação por essa relação Pr.ogressão aritmética - É uma sucessão de núm'eros ("têrmós")
ou por seu quadrado 1 , ou ainda por sua raiz cúbica, que são funções ordenados l?, 2Q, 3C', .. . , nCJ tais que, qualquer dêstes têrmos, se
crescentes da relação Po/P. deduz do têrmo de ordem precedente pela adição de um número
Entre tôldas as funções que poderíamos escolher, há uma que dado k chamado raião; 'se An designa o têrmo de ordem n, A;n
maú cômoda que as outras e que, por isso, deveremos adotar. designa o têrmo de ordem precedente:
' Vamos ver que esta função é a função logarítmica, mas antes
a definição e as propriedades desta função . A,.= A,.- 1 + k
A função logarítmica y = klg x Progressão geométrica - É uma sucessão de números ("têrmos")
relação é sempre positiva, portanto seu quadrado é uma ordenados l 9, 2Q, 39 ... , n9 tais que, qualquer dêstes têrinos, se
crescente. deduz do têrmo de ordem precedente pela multiplicação por um

79
IRJllUA ~~ *: :• ::auw·~-~~tt~,~~1~·~~·;~.~-'.~~~.'-~.~.~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

:;Mri'fun.ero q chamado razão; se An designa o têrmo de ordem n, A,. 1


..>": ·designa o têrri10 de ordem precedente : ReclpJX>camente, a todo número x positivo ou nulo, sabe-se
fazer corresponder um número y tal que x = q•.
A,. = An-1 . q Entretanto, não se pode exprimir ·explicitamente y em função
Exemplos: progresso aritmética de primeiro têrmo O e razão 2 : de x, isto . é, colocar a igualdade x = q• sob uma forma do tipo
:0.2.4.6.8 ... é a sucessão dos números pares; progressão geomé- y = f (x) com os símbolos matemáticos conhecidos até aqui. Assim,
füca de primeiro têrmo 1erazão3 : :: 1 :3:9:27: .. . escrevemos por definição y = logarítmo de x, ·ou. de forma abrevia-
da, y = log x. · Y:
Agora suponhamos que escrevamos, uma em baixo da outra, A cada valor de q corresponde, então, um sistema diferente de
.· duas progressões, uma aritmética e outra geométrica com os têrmos logarítmos: q é chamado "base" do sistema escqJhid9.
•'de ordem aparecendo um em baixo do. . outro : Prática.mente empregam-se sobretudo dois sistemas.
ordem .1 , 2, 3 , 4, . . . n - 1, n, a) Os logarítmos decimais ou "vulgares" ·' hos· quais a base
é dez:
progressão aritmética : O . 2 . 4. 6 ... . 2(n - 2) . 2(n - 1)
~r9gressão geométrica : : 1 : 3 : g : 27 : ... 3n-2 : 3n-1 . . .
progressão aritmética (y) : o. 1. 2. 3 . ';°'
progressão geométrica (x) : : 1 : 10 : 102 = ·' 100': 10ª .~:o:. ' 1 000
Em particular, podemos escolher como progressão aritmética a
sucessão dos números naturais 1, 2, 3, 4, ... . A notação dêstes logaritmos é a seguiunte: y = log10 x o\i mais
·,:' Também podemos escolher, como no ex@mplo precedente, para simplesmente y = log x. ,: ·'
, ''" I : . ...'
..,,. i' ":'." !:j!:.<: .. 1

. primeiro têrmo da progressão geométrica o número 1 . b) Os logaritmos neperianos nos quais a base é' ti6:f 1folmero ·
Resta escolher a razão da progressão geométrica, ou seja q. chamado e que é aproximadamente 2, 7. füte númerô s~ iifi't\:ódüz
O quadro de correspondência será o seguinte: pelo desenvolvimento teórico gerado pelo quadro do 'qtlé "f&i' 0ek-
post-O. Escreve~se y = log. x . ou Lx. '. /~ / i ;
;;. ,. ;,oi:dÇ.!l.1 .1 , 2 , 3 , 4 , . .. , n -1 , n .. . De qualquer modo, passa-se de um sistema de fog~l'i~(ii:Qs a
/~:JL progressão aritmética :O. 1 . 2. 3 . . .. . n - 2. n-1 . . . um outro, multiplicando os logaritmos do primeiro sistema; parii' 's~
,··! 1 ·'''
ter os do segundo, por uma constante dada. . ;e .: .;:.' ·~:. :; .· ·
: .·· rrpgtesSâO geométrica ; :1 ; q :q 2;q3 ; . . . . ; q'H ; qn-1 . .. Na prática, existem "tábuas de logaritmos" que d~#:i 'fl~l'tJ~qil
;( '/; )=:::Este quadro é como uma espécie de dicionário que permite número, o logaritmo vulgar correspondente. São diciotiádo$ .;q11ll per•
·j;;:,j!,'pMsâr de um têrmo de uma progressão ao têrmo que ocupa a mes- mitem "traduzir" os números em logaritmos e vice-v;~t~aji~:/H ', .·

,';;:~i~~{:"'
):i):: jrfa ·:ordem na outra .
. . !.'!<: ,·· .Chamemos
y um têrmo qualquer da progressão aritmética e x núm0<0•
o Jog.,iUno'
- ro

:M;;:;.;J .o:tfono de mesma ordem na progressão geométrica. li claro que a o


.>''.' ' · ,~dó valor inteiro e positivo de y correspbnde um e um só valor ;;.'. ;- e; . . . i i

··•··?t '?. : _:de x· tal que x = q~ •


números 1 logaritmos
Demonstra-se que aquilo que é verdadeiro para todo valor in- 2 0,30103
e positivo de y, é verdadeiro para qualquer valor de y. Por- 3 0,47712
que seja y, sabe-se fazer-lhe corresponder um valor 4 0,60206 lembremos: os números negativos
4 0,60206 não têm logaritmos.
y~ - 00 x~o
4 0,60206
4 0,60206
y=O X= 1 (por convenção qº = 1) 10 . 1,00000
10 1,00000
00 X --7 + oo J 10 1,00000
qualquer que seja y. 10 1,00000
100 2,00000

81
... ' '. " :_-_; ~:. i'.: ·,:·i- 11

/ E xemplo de utilização de logaritmos


extração da raiz 237.ª do número 10 724.
linguagem ''número'' linguagem ''logaritmo"

(núm.) : : 1 : 10 :WO : 1000 encontrar 2ªv7 / 10 724 dividir log 10 .724 por 237
2u1-·-
(log) : o. 1 2 .3 encontra,r log v · lO 724 .
(núm.) : : 1 : 2 . 4 :8 traduzir em logaritmo 10 724 - t log 10124 = 4;o3oá6'· '
log ~ 10 7247" 4,Q3.039
2

aritmética: (log) : o' 0;30103 0,60206 . 0,90309 . =


= 0,01700 ' 237
· .. Vê-se, assim, que a uma mu1ti~1icação no domínio dos "núme-
t ,.
0,01700 = log 1,0399 ~-- - traduzir 0,01700rno núll.le-
ros", na coluna da esquerda, com~~ponde uma adição no domínio
portanto: 2~ 10 724 = 1,0399 ro correspondent~; \:·i·:: .
dós logaritmos, na coluna da direita . ,! ... -; ·
Demonstra-se as seguintes fórmulas de base: O problema da adição rt.o domínio da infot'maç~o .
Sejam a e b dois números positivos ou nulos. ' ... ·.;-:·i_:: .:·... .
Consideremos dois problemas independentes um do pufrói o .
primeiro possuindo P 0 soluções igualmente prováveis e . o{ ~e!ffip.êfo ·
log ab = log a + log b Q0 soluções, também igualmente prováveis. Cada so1Uçro6 di{pfitnei·
a ro problema pode ser acoplada com" tôda solução do segtindo . .•
log - = log a - log b O número total de pares, portanto, de estados inici~ls ',é, :;
b
R 0 = P 0 X Qº ..· ';-, ;»~(f!\t.::·': ' .
- o logaritmo do produto de dois números é a soma dos Ioga· Exemplo: os dois problemas independentes são: :.:<;}'.;(i):i';;yi:;·
dêstes dois números. 1. - Que número vai dar um dado que se jog,i};:..
2. - Sôbre que °face vai cair rima moeda qµe ; sp ·jo
_:_ o logaritmo do quociente de dois números é a diferença dos
O estado inicial para o dado é: seis soluções· possíj~is;
i l/-;o~rihnncdêstes dois números.
O estado inicial para a peça é: duás solução poss{vei~,·) "'""' ''"'.
. Na prática, entre outras aplicações, ios logaritmos servem pàta - ~ Para o conjunfu dos dois objetos, o .estado inici~~.;~:,·.J.3;jj!;l*',;~\:X
' s4bstituir a multiplicação e a divisão por operações mais simples : x 2 = 12 soluções possíveis. · · · '.. ,:.,,t;';/('•'.
a~ição e subtração .
Estas doze soluções são: 1 e cara e coroa
Assim, ê!es reduzem elevação a uma certa potência e extração 2 " 2
raízes a operações mais simples de multiplicação e divisão. As 3 " 3
.. t~bl1as de logaritmos permitem "traduzir" os números . em . logarit- 4 " 4
., môs, e ·depois efetuar na linguagem mais simples do~ logaritmos as 5 " 5
operações desejadas. 6 " 6
Assim, êles tornam possíveis operações impossíveis pela sirpples Para o primeiro_ problema considerado isoladamente, a infor-
aritmética : extração de uma raiz 17ª, por exemplo (reduzida,
simples divisão por 1 7) . - se1a
maçao, . I , correspon de a re l aça,q
-. (p
Po ) d os casos poss1ve1s
' ·
simples é a régua de cálculo, que utiliza antes da informação, sôbre os casos possíveis após a recepção da
informação.

83
• • ~)~, ;· ·'' 1•
·! V!.'

considerado isoladamente, a infor- mas, de acôrdo com as pro.priedades dos logaritmos tem-se:

( ~) dos casos possíveis


log
Po Q 0

p + logQ = logPQ = · loglf.


Po Qo Ro

L:~Íi :informação, sôbre os casos possíveis após a recepção da


~.n)áção. . Ro
:!p~:fa' o problema global, que resulta da combinação dos dois
1
Donde: H = K log R
'.iôuti:0s( a -informação B corresponderá à relação do número de casos Assim., verificamos que a informação, tal qua[a definímos, 'tem
antes da informação, isto é, Po X Qó, sôbre o número de a propriedàde da adição que desejaríamos vê-la, possu,\r , ;
sej~j i~t~ é, ~ ⺠. defi1iidó aci~n,i1,,
0

possíveis após, ou X Q, ; relação Exemplo: no caso do dado e da moeda,


. Ora, parece-nos natural que a informação necessária para a re- 6
solução do problema global, seja a soma das informações necessárias I = K log - = K log 6 .i:
1
para a resolução de cada um dos problemas individuais. Para isto, é
·. ·necessário H = I + J (adição), uma vez que entre as relações 2
correspondentes tem-se (pela aplicação da regra do produto de J =K log - =K log 2
1
frações)
1
H =K log : = K log 12 = K log 6 + K log 2;
Po Qo _ Po X Qº = Ro (multiplicação)
p(f - p Q R Verifica-se neste caso particular, que H = I + . ·.. ; -;

Quantidade de informação - Estas considerações pe.ifut~J~)d~­


A uma soma de informações deve corresponder um pr.od11to finir com precisão a quantidade de informação ou, como seji4i~.1P,a#-: ·
de relações . simplificar, "a . informação" . ··y·'.'\:·J·i,i',:·:Li
Para isso, é preciso (e pode-se demonstrar que esta condição é Seja 1 esta quantidade. · ~J( )>:.'
suficiente) que a informação seja definida como proporcional . ao P0 o número de ~stados possíveis \lp6s recepção ,d~ 11 •"• "
Sendo K uma constante que s6 depende da b~e ,e~g
·
1ogarttmo d a . re l aça:o
- -Po d o .numero
' d e casos P.oss1ve1s
' . antes d a
. p os logaritmos empregados e da unidade em que se v~j,)~r;

~K ~ ~~;i;~i"'.:' O
recepção da informação sôbre o número de casos possíveis depôis.
(Ver acima as propriedades dos logaritmos.) lormoção. J ]ogX \G ·_
Po sendo K uma constante a,rbitrária só depen- . ./
I = K log p pq
<lendo das unidades escolhidas
Em particular, tgna,_~~~ qu_! apQUt.l~.cepção <!~..}~Ç~ó
resta um caso possível, a informação é "total" e se exprime: por: :r;-
Tem-se também ..-.---........._.._....... ~ -,~·--•"' .

I = K log ~-

J = K log ~ (a mesma constante)


pois P 0 = i. Mas é importante lembrar-se que, mesrri'o, neste caso,
Q
P não é uma simples probabilidade, mas uma relação de probabi-
p
Po
donde·. H = K log - p + K log -QoQ = ( Po
K log - p + Qo)
log - Q
tidades, e que P é uma maneira simplificada de escrever
1

85
84
'! 'f ' 1;"" ·· ·ft~n·;y:· •- :L"·,·.;:i::w·.·:···: · "" ·· =;:·.. ··;- r·

11/tli/l;fiiJF'.(:i t~PlliJ~{#,dÇa~ : ; · .Acabamos de definir informação Se a resposta é Não: é um .


. ,. , .·:~Y.~n,tf,t#.i,Y~!;ien,Je(. lLui:na grandeza mensurá~el , uma_ vez que po- Foram necessárias três questões, ou dito de outra forma, três
;: ' .. ';';dêfuõ~ . 'defjni.ç :a igualdade e a soma de duas mformaçoes. escolhas binárias pata determinar à resposta.
)i.t;k!i.;;;:;;! ;,<\:~~~~; :"<§':preciso dar~lhe · uma uniqade. Pode acontecer que neste exellip~o, duas sejam suficientes.
· "· ., !b>: Ócfmo ~quilo é verdadeiro para outras grandezas, diversas uni- Por exemplo: O número é par? · Sim .
"' #~~.; difer~ntes pode.tp ser escolhidas, na prática, para medir a O número é superior a três? Não. ; .
.,. 11.1fcfdnaçã0. \ .
}''.Wi/:. ;::.'1'6memos uma por enquanto; encontraremos outra mais tarde. A resposta: d~is é determinada duas es'cÇ>µ1_as ~inárfas. Pre- poi
cisaremos êste ponto, logo mais. _1' •''
a;,; ;: ~:),:<_t' ( Ós calc,uladotes eletrônicos ou eletromecânicos funcionam por
rw ... x•· 'i'. izj~io ' de relés (ou sistemas equivalentes),_ que podem ter somente .
Exemplo : II. Escolha de uma carta entre um'·b~,i;atho .de trinta
'i::,dstias ;posições: "abreta "ou "fechada".
e duas cartas. '"·:·· <'º" ':· ·'
~ )'._, ;',' · Para empregar êstes calculadores, utiliza-se, não a numeraçãa A carta é vermelha? (primeira questãio.) ; -,
;fd~,cimál (que utiliza nove algarismos e zero), mas a numeração Sim.
::J~iqâtia .· (que utiliza somente um e zero) . É do naipe de copas? (segunda questão) : ' · ·
jj!;<:X . -P~r . exemplo: Não. .
Ela é 7, 8, 9 ou 1O? (terceira questão)

~t~'~ereve-se ~umern<ão binári~: +


em
·"
o Sim.
Ela é 7 ou 9? (quarta questão) .
ou seJa 101 Não.
1 Ela é 8 ? (quinta questão) .
" 11
" 22 Se sim, ela é o 8 de ouros .
" 100
" 22 + 1 " 101 Se não, ela é o 10 de ouros.
" 22 + 22 " 110 · O problema pode ser esquematizado assim: •-~ ·e sk .
" ' 22 + +1
21 " 111 rêde de caminhtos, e um itinerário deve me coriduzit; afe
" 23 " 1 000 etc. Esta rêde apresenta um certo número de én~rqilf
posso escolher somente entre duas rotas - (o que: :s~; ~*
Ççmsideremos então um problema que comporte n estados pos- zendo que a rêde é dicotômica) . ·-. _ , .il'i;_-,'W
....Is,. .'independentes.
... ,..
•' '
Cada um dêstes estados· corresponde à escolha
O número de encruzilhadas que se apresenta ~ôpt~A·
(#Já:: z~ro ou um, ou ainda, o que vem a dar no mesmo, à es- nho é o número de escolhas binárias que corresp9pq~. ;\\,g1,
j~ _Siín ou Não ("Sim" e "Não" correspondendo,. respectiva-
jte; a um e zero).
_, _. ' Pito de outro forma, pode-se substituir a escolha de um estado
A"im, pm pdmdro):::2 o o do dado' <J!t~~,\jl,~~ ·
, /(~ri,tre ·ti estados possíveis, por um certo número de questões às quais :,J •• • ·! ,, ··
L· : s6 se pode responder por Sim ou Nã:o. to;~\
\Ol.J.11/
fna-o)
\.&..a. -;·,.

1
Exemplo: I. Que número de pontos vai dar um dado?
''';S):i ii>1;1de ;ser substituída por:
/
> 3? > 3?""
' ., . ·O; número de pontos é ímpar? (primeira questão) .
, ,L_ S1,1ponhamos que a resposta seja Sim.
~ ->( / (não)
(sim) "" / (não)
(sim) ""
t1 ,';) ) ,·h.úmero é superior a três? (segunda questã'o) . 1) 1
1
1
1? 4?
1 1
1

>iliSi.\.po,nhamos que a resposta seja Não. i 1 /"" /"" 1


1 (sim) (não) (sim) (não) 1
'\'.'ri\'.n(iip.ero . é três? (terceira questão) .
1 1 1 1 1 1
1 ;i/:': ~'J~~p~~ta é Sim: é três . 5 1 3 4 6 2

87
'
~~~~~~~Wfí~·1,~Mii'.Mf!,!AfJWIP.JLlfü.QllVl!i .. ;;,,r; ,.. ::;p::.c ..;e:,., 1;: .q:: .,,;1fJB\ . ttJfr . i,H-..4..:S,i.:•; ''!i'' ,.;::.io,. .1

~ íl""• •

Com esta unidade, bit ou hartley, a constante K é portanto


Jik ftainbém estabelecer o esquema correspondente ao igual a: C···, ~ ,. . 1(
. }N~~;, , : l
~\." f ;.,\, e\.·~·~ :·r,_)
_ dafo .dó dado, o número de escolhas é ora duas, ora três ' \. 1
3,65 '
4~;:ii~s~~ . último caso b, mais freqüente) . log 2
G. - Th. Guilbaud nota, a propósito; :qq~ tM~{igição do har-
N9 !càso .do• jôgo de cartas, pode-se ver que êste número é sem-
+'Ci'rlCb; tley presta-se à comparaçãQ, com a do décibelem ·)~4stica,
'f:hi~i: ~pten+os . q~1e para a escolha entre dois estados é necessária Cedo t~remos ocasião de encontrar outras:'V~tãW4ê~ . possíveis
'\ifo~ ;ekolha binária: ·
"·· ,·_.: para a medida da informação, próximas à:s da. te~m95H#,~.k~f quan-
.'·>!"::~· -~ ..... ~ :." . ' ·-· . . . do de uma comparação entre esta ciência e a teofiii}'q~· i.fifqynação,
,'.~\ ' pii:ra quatro estados são nece~sárias duas - - 22 = 4 .:: . ;:.:·~·:\/r~·:·:

Jir;para -0ito estados são necessárias três 23 = 8 b) Recordação das noções de base da termodinatiii(ir .·;:. <;; :· •
:i i )l;~râ trinta e dois estados são necessárias cinco 25 ~ 32
- '. ~ :):~·tiJ'?Ff;-:<~)~f;~
j~~i1F1:;::.;:' . ;··: .
O primeiro princípio da termodinâmica, ditp/ 11 ]#!~ ..... ,' .·;
::iJ«·,·; · , Demonstra-se que para a escolha entre n estados é necessário cípio de Carnot" ou "princípio de Mayer" ou "prihçf,pf
..-\ , :y. ;· 1 ' . . --~
;·,;,·,.:\9m.•· núme;o ~ de ~scolhas ?inárias tal que),2pq'#. para seis' esta- valência", envolve, precisamente, a equivalência en:ttê,''':
. . :.ê2e p, ~a, ~_E~, .9!~-!::~ ~2f ~ vi..j balho mecâni~, e se generaliza em um princípip 'Atl
!'' T · Por uma convenção que sai dó quadro do dposto presente- da energia que se exprime assím: "a energia totàl,<l#+.
}ffiente, escreve-se :·t · .l
~-olado é ~~ns fante".
1 ' : ;?·i}t·
';:! : '• Para ser rigoroso, é preciso acrescentar a seg\7iiite
p = 2,57 ·:- 22,67 = 6· o sistema · não é sede de nenhum fenômeno que fàç~
formações de matéria em energia ou redprocamerifo;''~
:;. Notemos que 2,57 está compreendido entre 2 e 3, e mais pr6- que depois dos trabalhos de Einstein, o primeir<> ptidf
.lmo de 3. que de 2. / generalizar em um princípio de conservação dó coni41
-energia, sendo, a transformação de· uma em outra, ré'
·) : . Convém medir, por êsse número p, a quantidade necessária de
irifotn:iàção para a resolução do problema proposto. lebre fórmula:
·-· ' '
'A informação exprime-se, pois, em "bits".
massa = ene~gia sendo e, a velocidade da; 1Üe.
Se p= l 1 = 1 b!t. e, . • i;<:"'W:'.\,;f~::(:i1:;:\?'.'.fj.r
i/e; é a abreviação de binal'y digit que, em português, significa O seg_undo princípio, dito "segundo . princípio .: deW\§$~1:1P~t.'.!:i'.)i~ ·.
< ·SJiiàl binário". Às vêzes, dá-se-lhe também o nome de seu inven- menos fácil de conceber. Antes, recordemos uma noçã:g/·;ess.ét'iéi'ªl
: '.tÓt (como o recomenda G. - Th. Gui!baud entre outros) e diz-se, para abordá-lo: a da 'reversibilidade de uma trartsforfü~çkp :: i. ;'.'
C.in lugar de "l bit'', "l Hartley", O que chamamos transf~rrnações reversíveis? São :ttl\~~fqrma­
ções• tais que .possam efetuar-se sem auxílio energétic~ '.· ~~t~r.Hir,
. 1 p tanto num sentido quanto no outro. Exemplo: compressa.o ,de ,upi.a
.Tein-se: 1 bit ou hartley = - og 2 log po , ·
1 mola, sem atrito etc. ·A energia dispendida para comprimir: a :mola
,-' ;
retorna, igual, na sua distensão, e pode ser suficiente para uma ,nova
compressão também importante etc.
W\i:; i\, ;.I'ode-se calcular p para n = 6 da segtúnte maneira: sabe-se .que A transformação é reversível se ·o sistema sôbre o qual ela se
;"= ;ti}:tbmemos o logaritmo dos dois membros dessa igualdade: p log 2 = exerce pode retornar, sem auxílio exterior, a seu estado primitivo.
.,. ~ ,f, _ log 6 0,77815 p é
.,,1/'i..ora n = 6, então: p = - . = 0 30 03 = 2,57 , o 1oga- De fato, a experiência mostra que, no mundo, não existe~
', " 1og 2. , 1
do número n de estados igualmente prováveis.
89
:r· 1- ,;.; ., :oj 'l1!
r :,r~·;
·+·:· _;,_':·' . . . ···! ' 1'
'!~~ações abs~!~t~mente reversíveis. Pode-se apenas aproxi-
1
1
calor dispend.ido são expressos com. as mesmas uni<Ja,des, é determi-
} a ~ste ideal\ Em -pai:ticülar, todos os fenômenos térmicos' re- nado pela fórmula: ·
. )Ít~m"ti:'ansformações irreversíveis: o calor só pode escoar do
·pxpo 'inais quente para o corpo mais frio e sàmente nesse sentido.1 ·:~
R max = l1
2
t
+li -273,15·
><
sendo, as temperaturas, eic.pres.sas em graus
,
,.. ... ' '
: . ,r-: . Os choques . e os atritos são irreversíveis por uma razão aná- centígrados. .·
·'i:l(?ga. Lord Kelvin evoca em 187 4 o que seria a natureza se ela Este rendimento limite, sempre inferior à tini,4a,dc;i;,; €Çiri:esponde
'.li.'ptjHesse inverter seu curso: ao caso de um motor térmico funcionando nas torl~fiÇÇ~~ ~a'. :~eyersi­
Jif:t'. ; .
bilidade. Ora, vimos que a reversibilidade é impõ~s,~~e(,;·TI~r~r:á~iéa.
"A bôlha de espuma que estoura no fim de uma cascata, re-
formar-se-ia ·e desceria de nôvo na água; os movimentos térmicos O rendimento máximo é apenas um ideal jam~is ' ;àHh~i~!f!if '/'
reconcentrariam suas energias e -ajirariam a massa para o alto da A irreversibilidade reveste diversas formas: .'.i.; ·iÇY,'''
- os fenômenos de irreversibilidade mecânica · Çatf.Í~O.l'in'eCâ~
cascata, e as gôtas formariam uma coluna contínua de água ascen-
dente. O calor provocado pelo .atrito-- de objetos sólidos e dissi-.
pado pela condução e radiação, com absorção, retornaria ao ponto nicos, choques) transformam uma parte dá energiâ: fqr~éc.i'ãi''pelo
de contato e relançaria o objeto móvel no sentido inverso da m~tor em, calor'. do qual, ao menos uma parte, e qu:Jsés~~fü'lté,i Kto~
Lôrça de atrito, que o havia arremessado precedentemente. Os .ro- talidade, e perdida; ....:·,··:
chedos ret~ariam da lama os materiais necessários para reen-
contrar suas formas denteadas originais, e se reuniriam nos cumes - os fenômenos da irreversibilidade térmica são' tfulJ~): ' ·.
qüência do axioma da tra.nsmissão do calor: as troca~'\1~.tt~,,
das montanhas, das quais foram destacados. E da mesma maneira,
se a hipótese materialista sõbre a vida fôsse verdadeira, as criatu-
r·a s vivas cresceriam ao contrário, possuindo um conhecimento tura entre n motor e as duas fontes se fazem com quedas .:·~~,. ·
consciente do futuro mas sem memória do passado, e assim torna- ratura (em uma máquina a vapor, por exemplo, estas.; ·
nariam a nascer" (citado por L. Brillouin [28], 39) . recem entre temperatura da fornalha e temperatura da ·
/
deira (ou do vapor na caldeira)' de uma parte, e e~--.
Os filmes projetados em sentido inverso ilustraram abundante- tura do vapor de escape e temperatura da ág11a do corid~!
mente êste ponto de vista . Seus efeitos cômicos ou fantásticos põem outra) . Sem essas diferenças de te~peratura, não se p.t()d
em evidência nosso · profundo hábito de um mundo irreversível. trocas . Mas elas são tais que, mesmo para um motor ~~é
· O segundo princípio de Carnot foi antes enunciado a propó- bilidade mecânica (portanto ideal), o rendimento : r~~l:
sito dos motores térmicos . lile traduz o fato de que não se pode ao rendimento . teórico de Carnot. De fato, não se e~p
. fa.zer funcionar um
motor térmico a partir de uma só fonte. Para totalidade da diferença de temperaturas T 1 - T 2 erifrei>íü~UitP,c--.,·
uma certa quantidade de calor em trabalho, é necessário esta diferença é diminuída pelas duas quedas de temper#\,!~~i!.~~Ç~~J:
esta quantidade de c~~or de uma "fonte quente" a uma tem- sárias às trocas. O trabalho recolhido é insuficiente para ~{f~ft!~9P<· -,· ·
t1, e cedê-la a utha "fonte fria" a uma temperatura t 2 infe- ção, à fonte quente, do calor que se retirou dêle. . ;.«.,,1-1 Ai(\Ü\~ 1\:}.')'; ;
a t 1 • O rendimento da transformação se exprime pela relação:
Daí, a irreversibilidade. ·.. >· ~;;.

trabalho recolhido
~ os outros fenôm~nos de irt•eversibilidade . (niÚ~ijf~!fi:d'~'~;gá's;
reações químicas' .. ) . ' .' r,>:'.,';;:;;' , : _'
Em última análise, todos êstes fenômenos disper~~ni:.'; \i@.~:;!1"Jêfü
calor passado da fonte quente para a fonte fria

difo de outra forma, de um ponto de vista mais pi:ático, pela relação


quantidade de calor ao passar de uma certa temperatura a·Urtfa fom.
·receitas peratura inferior, sem que esta queda seja _ll_ti!i~~Y.<:!. Na realidade,
êstes fenômenos sempre acontecem em tôdas as transformações de
. . . O teorema de Carnot mostra que esta relação não pode
· despesas energia caforífica em energia mecânica', . ·
ült~apassar .um certo valor limite, que, se o trabalho recolhido e o Durante estas transformações, a energia não se perde (prin·
d pio de equivalência) . Mas a palavra "equivalência" está mal esco·
lhida. Se bem que a energia mecânica pode sempre ser transformada
o axioma da transmissão de calor, de onde Clausius pôde . integralmente em calor, o inverso nunca é verdadeiro. Duas quanti-
o segundo princípio.· (Ver, a respeito, as lições de termodi-
_de Henri Poincaré) . dades de energia iguais, uma sob forma mecânica e outra sob forma

'91
1

.k. I,
·:' ~1~~~ié&l~'W!lPittl~m:~~r·iu~
.. • .. . . . ·· "'··.
1 •· • ·• -"'l!!!'lll!l••••ll!lllll!lll!llll•
lill):*\Jllf*;11f#füi1r;V.[i"+!.!§ll!, .ii lliii 1 ..111.••••!lllJ!l!ll!lll!lll!!l•l!ll••••l!ll•••••••!lllll!l!l!lllll!!l!l!!!!ll!l!l'l!llll!ll!!ll!!lml
"""iY»·-"•· · - ..,.;,.·O . , IJI ·' ;. ,.[ .., 1i
;,! ' . .

·~~'\'t~Dportarito o mesmo valor. Por isso, diz-se que o


A entropia de um sistema é a soma algébrica das entropias de
;:.;>ifi'iif,'.: i\1 •.'/.'i,f'.':;U·'i~'t~';J.,: e .·l!H~~ : J~úna, degradada' de energia, e tanto mais degradada suas diferentes partes.
1>! .•>.: t 1 6',,;ç. ::•.:.;.:,,,·.quanto .mais baiirn e sua temperatura.
n!:_.:~; :~i.:::: ..."-i r·-.;·;_-:- .v·:.'_:·' ~:!·~~...~ ··:..,r:S . - _.,;: :· :.. -· .. · :
Exemplo: em um recipiente adiabático (sistema isolado), há
!t:~:·:.·'h (~,\: ;'°Y' ·.\ ;\\1 ; ?'''.; A energia química ocupa uma p osição intermediária entre ener-
1 litro de água fervente a 100º. C e 1 litro de água gelada (a 0° C).
~l,~~\l jti ~t~"f.:,(; .•;',.fr· '. :·'.•:·';i.'.~·:.~jfl~~~:c~d:~e~;a.c:!º~!~:~e:a t~;~~;~s~eo ~:~:;~ã;r~~:~~~:te~ É o estado inicial do sistema.
Mistura-se-os e se ·obtém 2 litros de água a 509 C. ~ o estado
J~1c·: , ::''.' }··:· :· : ,,. o ,teorema de Carnot foram generalizados para .todas as transfor-
1\~>1.X::H. )~:;:;·/ · · ·mações que fazem intervir .a energia calorífica na escala macro_s~ final.
,;;··~ ·\ lj;;"';;,, q5pica', as dos objetos que nos envolvem. Não é certo que êles pcis~ Pergunta-se o que é feito da energia calorífica do sistema entre
w' ··+ '' sain atingir':;oo nível das partículas ditas elementares, nem o do os dois estados. Mesma questão para a entropia; .· · · ' ··
·l universo. .. · -.:. ·~- í · A. Energia,
O segundo princípio de Carnot, às vêzes chamado " princípio Estado inicial:
da degradação da energia", não tem uma importância menos consi-
derável. 1 litro de água a 273,15°K : 273,15 calorias
Então, podemos pensar em exprimir esta degradação sob forma 1 litro de água a 373,15°K: 373,15 calorfolr' · ,
de ' rp1antidade (sendo, ela, nula no caso particular de transformações ~;'
Total 646,30 calorias' :
q:ve~sfveis) . f grandeza que desempenha êste papel é a entropi~'.
Estado final:

Entropia - Consideremos um sistema com uma temperatura t .2 litros de água a 323,15º X:


graus centígrados. Sua temperatura absoluta é, por definição, dada
por:
2 X 323,15 = 646,30 calorias
T (graus Kelvin) = t + 273,15
1 grau Xelvin = 1 . grau centígrado, porém as duas escalas são
deslocadas de 273,15 unidades, uma em relação a outra
Veri~ica-se neste caso muito simples o princípio da: tq#:Wf ~~?
da energia · ·
f
"'''.""I"'
B. ~ntropia:
1 litro de água a 273,15º K recebêÜ· ~·~'.· ~,~Í~-
0° C 273,15º K rias vindas da água fervente Lq 1 = + 50, ' :: '!: '" ·

100° - e 373,15° K
50
0° K corresponde ao zer-0 absoluto, a temperatura mais baixa
Ti = 273,15 donde LlSi = + 273,15
possível (e impossível de atingir fisicamente) . . . . ,:./.'.i;~:(:::".,;< ..; .
(por convenção !::,. q é positvo se o sistema [ou a parte dç · ~ist~maJ .
O emprêgo de temperaturas absolutas simplifica os cálculos . . - .< ·::Y.·'
considerado recebe calor) .
Em particular, o rendimento máximo de Carnot se escreve: .1 lirto de água a 373,15º K cedeu 50 calotias à água g~lada

R max = Ti - T 2 50
Ti AS 2 =- 373,15
E a variação total de entropia do sistema global isolado é:
. , Se o sistema recebe uma certa quantidade de calor Lq ( > O)
· ' o acréscimo de sua entropia é, por definição: 6, S = Lq/T.
· . (Lq é positivo se o calor é recebido, negativo se êle é cedido 50 50
,.. pelo , sistema considerado.) - AS = D.Si + l1S2 = 273 1 15 - 373,15

,,, ·'. ';:,:·.:.:.; :;·:;.;'.:,' '.~j,;' ,:p~~onstracse .qu$...Jl~~~Pi'.; ..~.~-~~~is~en;~..J.?_<?l~~.~ ..~


1 e.ode_
:'/· ~·:\:?y:: :•{ c;i:es1cer .2!LE2anter-se constante, nao poae nunca decrescer. tis = 50 ( 1 373,1 15 ) = o' 5 calfgráu
····- _(· ~:.:_, _ ...:.·.· !· ~---=~~ . .... . ·-·"'•..... ,. . ., ., _. . ____, . . .__ .,....,~.....,.~, 273 , 15 - ·
.'92'
93
---..c:.. 4j'.i~i'õ;::tlillll!lil~~t,ii i•'·''ii''~'.3'''cl4J Nilli# JlUJ i ....'~~~Wf~f"'1!· ·"·.;r· ·<"·:-•t·

1/f' (sendo a variação de entropia o quociente de uma quantidade de Aliás, pode-se mostrar que é pràticamenle impossível seguir
calor por uma temperatura, exprime-se naturalmente em quantidade individualmente as evoluções dêste ou daquele átomo. · A termodinâ-
i 1 ; __; .: ·
de calor por grau de temperatura) '. mica trabalha sôbre os valóres médios; dados . por medidas macros-
( '- A e~tropia int~rvérn nos cálculos apenas por su_as_ yarjaç§_~~, cópicas, e tendo um valor estatístiCo. · · · ··
~.P 1:
I '. _ist'()__ _é, ~iferenças entre d()is valôres de entropia. Contudo, pode,se Existem diferentes teorias fisi~ás agfiipad11-s .·s9b (). título de
'\"\ . fazer S = O para um dado ponto da escaG!.a dos. T (T = O, por "termodinâmica estatística", qué sé Je~fotÇ'aíi,i. ·: Pºf ltg~f, :àtra,yé.~ ' de
exemplo).· · considerações es,ta~Ísticas, ?S fenômenos .da escalâ:' ~()~e~#;:,a~s, :fenÔ·
/ Verifica-se que: a energia total do sistema isolado não variou, ··.. menos macroscop1cos e interpretar . a.S grandézas ;~ Hsjt~i . {te'.mpera­
mas sua entropia aumentou. O calor que vai da água fervente para tura, calor, pressão etc.) desvendando suas ·signific~~§e~H~!Il-''.fscala
a água gelada não_ é perdido, mas deg_~adado. molecular. · . ' . · '·: i;'.-;ic.'-'.)';,,;;•(i;)j·) •
Ne-guentropia - Utiliza-se às vêzes a noção de "neguentropia". A noção de "estatística" está lntimanieilté Hi~~~':t ã.$fr~t~J?a­
A neguentropia ·é simplesmente a entropia com o sinal trocado, o bilidade .. ' que podemos assim ver surgir aqui, sem sqfpfês~l" ~1 '"'' .
_oposto de entropia: N ::::: - S . Segundo a teoria dos quanta, um átomo apie~JJihi?l .. !.. 1
! Esta noção talvez sej~ mais expressiva: a neguentropia de um finito de estados estáveis, ou meta-estáveis, possíyeis. 'P~ · 'l c.0.
' ''
!i'
sistema isolado só pode detrescer ou manter-se constante. No nosso pode ser comparado a um dado jogado que ' tambéin"l{>'ôí

! ~.: mundo, temos o costume dl!! ver tôdas as coisas decrescerem com o número finito de estados estáveis, simbolizados pelo::· ri1
!· tempo (precisamente o que exprime o segundo princípio), e parece pontos: de um a seis. ' t :.I.'·11
e; .·. ':·\:º: ·:•·
mais naturàl que a degradação se exprima pela diminuição de um "Consideremos agora um sistema físico: un{ •el~!#c
li' número. · lino ou um gás em um reservatório, nas condições dadái{'. .
~~' 1: Diz"se que as máquinas e os sêres vivos "consomem" energia. de pressão, de energia total, de temperatura e de consJjt!
t De fato, a energia fornecida à vaca sob forma de forragem, encon- mica. As variáveis macroscópicas são as grandezas:' ~ri,~
tra-se integralmente no leite, no trabalho do animal, no calor que medir no laboratório; elas não são. suficientes para d~ffüi
'!.: . êle dissipa etc. A energia fornecida ao automóvel sob forma de tamente o estado do sistema. Há um número considerá.têr
gasolina (energia química potencial, como a da fo.rragem), encon- veis microscópicas" que somos incapazes de medir indivi
tra-se integralmente sob forma de calor, de energia mecânica) : etc., posição e velocidade de cada átomo, estados quânticos dê:
mas a neguentropia do sistema baixou cada vez mais. ou das ~struturas moleculares. . . etc . . . O conjunto ;q
Pode-se--dizer então, mais justamente, que o ser vivo ou a má- zas desconhecidas permite ao sistema tomar' uma grqq;\ i
\
U· :·~
.

quina consomem neguentropia, mais.. do que enêrgi~: ·- ... ...... de estruturá. quantificadas, ditas "compleições de Pfa.p
116) . "! 1(. ~.
O mar contém uma reserva enorme de calor, uma vez que só
um lirto de água a 15 º contém 288, 15 calorias. Entretanto, é impos- Assim, vê-se que um sistema macroscópico . forrti~.. .. ...,. -··""' .
.sível fritar um ôvo com todo êste calor, apesar de que o pouco de número muito grande, mas finito, de átomos, podendo;t; ê~te,~i:';~lti;·
energia calorífica que se pode tirar de uma acha em fogo ser sufi· mos, tomar um número finito de- "compleições", é, rià ' q~yi~~·,{M~
ciente. · porção, comparável a um conjunto de dados jogados; podéf!q(f~pti;~ ·
Interpretação da entropia - Precisamos que o segundo princi- sentar um número finito de estados e ao qual a teoria da infqrrt.la-
pio da termodinâmica só se aplica a sistem,as "macroscópicos", isto ção, exposta mpito sumàriamente acima, pode se aplicar, . . .
: ·.· ... . l-- ·
é, a nossa escala. Ora, pôde-se mostrar que a entropia de um sistémá po~iajer '·
Pôde-se mostrar que no nível das moléculas e dos átomos êste ligada ao número de suas "compleições" pela célebre Jó.t:mula de
princípio não mais se aplica individualmente (o movimento brow- Boltzmann - Planck: . "\ ,_\ '- ' _J .,.... ,~ .i.....J · .1 ,

rtiano das moléculas não obedece a êle) mas estatlsticamente. Isto


. quer dizer que, se bem que a evolução de cada molécula, tomada S = K log P
· is0ladamente, não obédeça ao segundo princíipo, êle se verifica para
um .conjunto de moléculas, tomadas em grande número (o queU nos na qual S é a entropia do sistema estudado, F o número de suas
reconduz, . aliás, à escala macroscópica) . "compleições" e K uma constante dita de Boltzmann.

li :
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94: 95.
'Jt

~'
-~~~?~~·-n~~~·w~~~r~í!'f· . MAR!l1U.!MftfifüMN%hh:· HI _. sçp,}A.ljã\!.++'*·lt A+JIJ. ~.-.,.) i ".,..p_,; :, .:. -!l .:· . ;;.g !!.l •+- ... n. _c,y.1.1,L; . -•· rA. ..:

são os logarii:mos "'naturais" ou - Para estabelecer a relação entre a informação e a entropia, va-
erg/ grau centígrado. ) mos considerar os casos igualmente prováveis como "compleições"
n-O sentido de Planck. Nestas condições, tem-se: •
informação-neguentropia
Informação ligada Númer? de Entropi~ : {[2,~]; 147).
. <'.i ·:'. li formula de Boltzmann-Planck e . a informação - Menciona-
1
,, compleições

~: :~lf~!~;~~,s:;,i
,; tnÓS a propósito da Cibernética considerada com~ metodologia a
ferundidade .do raciocínio por analogia. Na partida l o = O Po
Bem an~es das notas, já citadas, de L. Couffignal, matemá-·-. No final fp>!E O Pi <Po
ticos e lógicos haviam notado todo o proveitq que se podia tirar -
da aproxima~ão de fenômenos ou cieJ~is, físicas, por exemplo, que De fato, após a recepção da informação 1, c~r~as ; ~ori:Jp~~iÇões
tivessem a mesma "estrutura" ou mesma "forma", e em particular· que se sabe. impossíveis podem ser eliminadas, .e ci ·. n,~ip:~ri:.ifl:~ú;&ln~
iuesina forma matemática. pleições diminui . Por isso, a entropia, definida c9tJ;i,Ü .pJ9p,o'.t~\q.tj.'aj .
. . Estas considerações, levadas ao seu ponto mais abstrato, deram ao logaritmo d'o número de compleições, diminui igualjifégfaY,;i•::({ ' ·

P'""~: ~::,:,:::.0~pen" con,;dmçõe• m•tem!tka; :"f~b)i


.1\ , ~~~mática, teoria geral das formas e estrtuturas, independente-
mente do ssµ conteúdo.
Ora, encontramo-nos aqui, no caso de duas expressões de
forma: Também é preciso ilustrá-las por um exemplo·: ·· ~ > · ... ·
· a · fórmula de Boltztmann-Planck: O demônio de Maxwell - Consideremos um
tendo um gás, e separado em duas partes por um tabiq~~l:i
S = K Iog P (I)
por um orifício O. Este origício está munido de um posJ,t
a fórmula de definição de informação, dada abaixo. qi.etade esquerda do recipiente é chamada A e a direita B:(l
.·t == K' log P (caso de informação to~al) . (II)
1 Imaginemos, como Maxwell fêz em 1871 em :~~~:tfr
..,,;

calor", "um ser cujas faruldades sejam tão sutis, que .êle' ~(>'
Na fórmula (I), P designa o número de "compleições" possí- tôda moléculá em seu curso". Sabe-se que as moléct1liS .' d
1veis para o conunto de átomos considerado aquêle em que se pro- estão, sem cessar, em mnvimento. : '?::i;.
. ·. ·'cura a entropia.
. Por outro lado, a temperatura de um gás é tant~' ·>\;:;:
, ....··. Na .fórmula (II), lembremos, P representa o nÍimero de casos ~
quanto mais rápidas são suas molérulas. Do mesmo mod,
-p'bssíveis antes da informação, sendo o número de casos possíveis, ":>
após . a informação, suposto igual a 1 . K/ é um,a. constante a prio1'i, Suponhamos o "demônio;, de Maxwell colocado:; .·
rdi.ferente .da constante K da fórmula ( I). Se I é expresso em bits, :: bra.ndo o postigo V. Uma vez que êle vê a~ molécú ,,
Is/ =;b 3,9.5\ . ; ·, ·:·1j1"!t' / mente, êle pode deixar passar de A para B somente asmô, ,, ...,.,.,,,,, ...
. ' Se após a recepção da informação o número de casos pnssíveis rápidas, e interditar a passagem delas dé B para A. Oé .f#P:q'~ fl~9'f1'-1:
foi levado de P 0 a P 1 • trário, êle deixa passar de B para A apenas as moléculits ma.i~ ·~fértt'ii;s>'
Ele . cria, as-sim, uma dÍferença -de temperatura é d~ '.i~f~j~~ô' ,
. po entre B e A, diferença que se pode utilizar para produzir ·_ttàb,~1-~.9·
. l= K'log - ·.
..... ._ .,e · ·Pi
' . Se encont1'amos ttm dispositivo ffsico cap~z de ,de~empe~h~/,'o .,,
'Consideremos: papel do demônio, o movimento perpétuo é possível. Pái:a distih-
"uma, .situação na qual se apresentassem P 0 diferentes casos ou
· ev~ntos possíveis, de igual probabllidade a príqri. Uma infor-
(1) A ·informação da qual falaremos sempre, daqui para diante, \\ .\ i
I é . necéssária para levar a P1 o número de casos pos- é a. que Brillouin chama "informação ligada", isto é, _aquela "que se ·
: e o logaritmo da relação P 0 /P1 é a medida da informação encontra quando · os casos possíveis possam ser -interpretados' como os ''
" ([>~6], 147). . diversos aspectos de um sistema físico".

97
'"~~'#\;fi~l,Mi~!!i~<#•v•'''' --- ~: 1''?r"ê :f ' '

(pétjio puramente mecânico, do qual o prin- o balanço final apresente uma perda, é capaz de transformar a infor-
, , ~~~ção/4~ energia e tôda experiência que o confirma mação em neg11entropia.
. .. . . . ; Hnpdssibilidade, chama-se-o "movimento perpétuo de se- Construindo êste dispositivo, ligamos a manobra do postigo à
S:Uii.àá''espéde" . velocidade das moléculas. O lugar das · moléculas, no recipiente de
• • . . ,· 1: ·:··-·:":·::-.:<:: Maxwell, dependerá das suas velocidades, serido .' que sen:L o dispo-
sitivo do tipo "demôrtio", as moléculas seriam çlisp.0~táS' ilo : acàso,
r isto é, segundo a esquema mais provável (ou sc:gtiin~9.. :YIJY ~~qrie­
ma muito próximo), isto é, o do equilíbrio estatístic~h~U~~~;· i\s ': ~uas
partes do recipiente. · ·.. , ·:. ·~''::< ·
-1 Vemos que o número de "compleições" dimi~ui d~ · âQ)hos . os
o lados do postigo (uma vez que termina por não hav~t mais mo-
·,, t v léculas muito lentas em B nem moléculas muito rápidÇ\~;; e,ro ·4) ., ,
A V B Matemàticamente, a entropia diminui com- êste f~tõ'~l'tf#~s .
111
ela
diminui flsicamente também, pois o disposititvo "i.lttri;ôti'i$.'. ' , 'torna
o sis.tema cap:z de produzir trabalh'o, o que era impos~ÍY~.l.r\~~f~ii,'<Ia
sua mtervençao . ·"" ;J (; :-: :~ ' . :. : . ·
Ora, L. Brillouin, segundo outros pesquisadore~; ,;.i;i ',, "
a ação necessária para o início da informação · conve~~ ,
para .uma despesa de neguentfopia correspon4c:r,it~ à Jr
segundo princípi'o de Carnot é então; nesse caso;--g1i .
-r-
soma ( neguentropia + informação) só pode decrescer ·.~tl
cer constante 1 • ''",' ..

A demonstração desta generalização do segundo 'pÜf


pôde ser estabelecida para todos os casos possíveis.. · ·· ;\\ .
Por exemplo, r.ião se sabe avaliar a quantidad!'! . '\"
?~ · ·
Fig. 17 isto é, o ganho de neguentropia, correspondente . a .u
eiéntífica. Mas, trata-se, sobretudo, da dificuldade de
'-'.d:ú'-"::.: os fatôres que entram em jôgo (é evidente que a
}:'l:', .·( O princípio de Carnot generalizado - Pôde-se imaginar pispo- dida para se obter as descobertas de Einstein, não se . ...
;L':.:: sifrvos capazes de substituir o demônio de Maxwell; por exemplo, que seu cérebro consumiu, mas deve-se fazer irttervit "..;:·~ cr·· '·'?':.\" '. '
fo::' '.'i(~ dispositivo automático: célula foto-elétrica provida de um torn~ram possívei~: ~esquisas ant~rior~s etc., e até >itqill\§:'l" ~FY?i;:r-:
;n_:: ; ''ô.lho mágico" que aciona a porta em intervalos de tempo conve- nasetmento ao propno homem Emstem) . · . \'::'.'.i('{'.!l/1>
' ,· : füentes" (L. Brillouin) . Mas todos êles utilizam energia e canso- :e por isso, comparando a importância da descobenA;·:·~qfu 'ª
. inem . neguent.ropia. Pôde-se mostrar (as análises de L Brillouin insignificância das trocas energética devidas à atitvidad~ in:t~lectµâl, :
principalmente e depois Szilard e Gabor) que a neguentropia assim que alguns falaram em "energia psíquica"; esta energia ·n;iistel:lô~á . ~

.· consumida ultrapassava, em quantidade, a que a máquina permitia capaz de escapar ao segundo princípio, de desviar o cursd descen-
dente da neguentropia, escaparia tamqém ao primeiro priridpio, .por- . . 'i
; ;~~hliar: ' 1.,\
que seria criada ex nihilo pelo psiqttismo. Aí, ainda vemos .11.ma. con-
"O funcionamento indefinido de um sistema qualquer é im· seqüência da confusão entre recepção da informação pelo psiquismo
possível e a impossibilidade "de um movimento perpétuo" de
segunda espécie é absolutamente certa: um sistema pode estar em
movimento mas sõmente de maneira irregular e não de maneira ( 1) f: preciso ainda exprimir a infor1m1ção e a neguentrop!a com a
sistemática. u • • , { [26], 157) • mesma unidade. Se na fórmula I = ](' log P dá-se a K' o -valor de K ,,-·
(constante de Boetzmann), a informação se encontra expressa em unida-
Mas o que é interessante, é que o dispositivo do tipo "demônio des de neguentropia (erg/ grau, por exemplo). Eis então uma · nova uni·
:tv.fa.Xwell e que é, repitamos, ·realizável pràticamente mesmo que dade (e mesmo um conjunto de novas unidades) para a informação;

~Jra!i:
99

1 1
·:-..,.,,,i ';!r~·:~-~7··~,1 r• .+ :t ·,:: . . L".'1
! ·: t+:?.!M·.d\fül!Mf
fi~tJAfhfüM!Mbb~.~r;fh! rP.?T·1S·'.·. '~~~ ... ,.. '111'1!~~~1~1o/'; ~":. ~ ' N !! .

J,)â 'a )~formação ~por uma ação sem a qual a informação sà- Esta idéia já havia sido (antes das confirmações ' e
;i'~penas "uma tempestade sob um crânio". da possibilidade de transformação de matéria em energli) · '1i~s~h- •·
· colocar sôbre o mesmo plano "entropia". ~olvida. por ~ngels n~ .sua Dialé!ica da Natureza, que cótiH~r;~:X~~lf
princípio: crescimento ou constância da entro- 1 \ . necessidade da' matena de rernar, alhures, o que ela, destf:Uíi(ll.éjúi,
(
( entender: complexidade e aperfeiçoamentos inces- mclus1ve o pensamento humano ( [31], 19). Mas e preciso:teco-
sêres vivos na evolução) . nhecer que Engels se mostra, então, mais poeta que filósofo>':'' ··
propósito desta oposição, Entropia-V:ida, cita-se freqüente- Realmente, não há nenhuma confirmação experimental nem de ·
R. P. Teilhard de Chardin, que escrevia em 1928: uma nem de outra hipótese. Entretanto, é de se notar que muitas
das objeções contra a teoria da morte do universo por perda de ,,
"A vida, aprendida globalmente, se manifesta como uma cor- neguentropia ( expressào mais geral que "morte térmica") estão ma-
rente oposta à entropia. . . Para esta morte da Matéria, tudo à
nossa volta parece descer, tudo, . exce!o a Vida. culadas de dogmatismo.
... O Protosoário, o Metazoário, o ser social, o Homem, a Tem-se, antes de mais nada, que mostrar a eternidade do mo-
Humanidade, outros tantos desafios trazidos aos comportamentos vimento para fugir aos problemas da criação; quem diz fim, diz, de
habituais .da Energética e do Acaso" ·( [29]. 209) . fato, comêço .
:1 ·:Ele ainda escrevia no mesmo texto: Ora, vimos que "a morte do universo" só seria atingida quando
«Sem dúvida, até agora, é possível, à física, manter a Vida tôda a neguentropia estivesse dissipada, quando o universo inteiro
nas leis gerais da Termodinâmica. A Vida, pode-se continuar a estivesse, uniformemente, no zero absoluto.
1dizer, é uma corrente oposta local, um remoinho na Entropia
( [29], 209). Sabemos que êste zero absoluto é, na verdade, um infinito negá-
ttvo, uma vez que não se pode, no laboratório, por exemplo, se não
e ele desejava que a ciência do futuro encontrasse "uma represen- aproximar-se dêle cada vez mais sem nunca atingi-lo, e pode-se mos-
tação inteiramente geral das coisas" que sintetizasse "as duas fases, trar que é impossível chegar até êle.
aparentemente opostas, da Enrtopia e da Vida" ( [29], 210).
. O fiin ·da vida do universo aparece, assim, como uma espécie
Mas em 1952, êle mesmo propunha um "esquema energético
de infinito matemático atingido por limite. Nesse sentido, o mundo
da evolução'', onde o estado do universo em um certo momento era
é ao mesmo tempo pràticamente eterno (porque caminhando, mesmo
representado por um ponto em um plano, definido por dois eixos
que imperceptivelmente, em direção ao infinito) e condenado (por-
perpendiculares : um "eixo. de maior probabilidade (entropia) e um
eixo (aparentemente de menor probabilidade) "ortogênese" bioló- que tendendo para um equilíbrio final equivalente ao nada) .
gico de complexidade crescente" ( [30], 490). Assim, as duas opiniões coptraditórias: morte térmica e eterni-
O eixo de crescimento da entropia e o eixo do progresso evolu- dade do mundo, são apenas dois aspectos em que a contradição é
tivo ( oàogênese) são pnrtanto perpendiculares: isto significa que mais aparente que real. · ·-.:'
os dois fenômenos não mais se opõem. O mundo vivo evolui se- ,~- Em lugar de considerar a morte térmica do universo; pode-S~·
guindo a degradação da energia. permanecer somente na possibilidade de vida; mas será que podemQs. ·
:9 verdade que o segundo princípio de Carnot faz parte de definir, com a precisão necessária, o domínio útil da vida?· EXpe-
uma física macroscópica e deve se limitar aí, pelo menos, po.r en- riências feitas nas vizinhanças do zero absoluto, mostram que certas
e J . J - , . • t.. -· •
quanto. :t'.Jo nível dos áton1os, êle não rege inãis os fenô1T1enos, n1as iorm~s ue Víua sao compative~s con1 ten1peraturas multo vá1Xas . .
não é falso na medida que se o aplica estatisticamente. A questão, enfim, pode-se colocar em têrmos humanistas: o
O que êle se torna no nível cósmico? fim do mundo significaria, então, o fim do homem? A prudência
:.,Jl i
A teoria da "morte térmica do universo" (diminuição, até zero, ainda. se impõe; atualmente, não pode, o homem, viver em condi-
da neguentropia total do universo, considerado como um sistema ções em que outrora não teria podido subexistir? E mais, apesar ·de
isolado) é ainda discutida. Alguns encontraram-lhe uma confirma- contribuir para acelerar a degradação cósmica da energia, o homem
ção; apoiados na teoria da relatividade, na "fuga" das galáxias, sinal descobriu e pode ainda descobrir novas fontes de neguentropia, da
de uma "expansão" real do. universo. Outros negaram-na, basean- qual a · energia termonuclear é um exemplo. Sua própria atividade,
do-se no fato da radiação dissipada no espaço poder refazer par- apesar de acelerar a queda universal, p·ode atrasar longamente a
tkulas de matéria, no sentidto habitual desta palavra. hora de sua extinção como espécie.

100 101

V
~ ::
, ._ . · . .t ,_.~~'._:~:s:1 \ ~v:-- · - - ~- :' 'i -f'?r; 1:.'. L~~
• • • 1 ~, 1;; :·:·

}jij~,'1 '.~~f.{ti8j:~6 :' iJ$~~db .final do universo devia-se representar tidade de informação I me dá informes suficientes sôbre as mo-
~ftn~' q,t;:·; Úm~ equidistribuição da matéria, esfriada até o zero léculas para que eu saiba quais são as que vê!ll do litro de água
::ihifo }At\:ialm~nte, · sabemos que pode-se ir mais longe no nivela- a 100º, e quais as que vêm do litro a o0 , Esquematizando em uma
i$~~fó' :. fi~t: :;theio . de reações termonucleares, e imagina-se mal qual palavra, I permite-me reconstituir um litro de água a 100º; um litro
· ~brfa ·o ~stadô último de nivelamento. a Oº e, assim, reelevar a neguentropia do sistemà: devo dizer então
;::: ,) · :: ' A,Úl!l. disso, seria p~eciso determinar se o mesmo estado final que, desde que tenho posse de 1, desde que tece.bi a informação, a
'hi\ i 1, s~rá atip.gido qualquer que seja o caminho percorrido pelo universo neguentropia do sistema cresce? .. , . , .. . .
;~\:',', ;;R~t(J :aW'igicJO • Será que virei um mágico, para que apen~' ' b rpe~ conheci-
:J:;i·· t '; Ji:(( .Por· que reações produtoras de neguentl'~pia seriam necessària- mento de um sistema faça variar êste mesmo. si~t~~.4r· ~~)U.~s , ca~
, · ·· ·· · m,~nte desencadeadas? Por que o estado final do universo seria o racterísticas físicas? · . · '. ':"''>;·>:> ' ' :'
.ánais baixo possível? I , .: ..: :::::.> '::,', ,:·;, ,1..+ ".'.
Falar assim, seria dar prova de uma conçepǪó? ~qbjt~i:va da
• · Os catalisadores necessários para ·:qee o universo atinja êsse informação que nada poderia defender. ' . · .,,:. ,;. :, ,
·est.ado final, podem ou não estar presentes no momento oportuno.
:A ordetp de sucessão das reações, suas relações recíprocas podem Em particular, tratar-se-ia de uma confusão entre ,:}d·sentido ·
iriJt;:rvir largamente não somente na velocidade de evolução do uni- vulgar da palavra '_'infor~ação", ~e um lado, às :vêzes fCO,.~tid6 em
·,ve:iso em direção ao estado final, mas sôbre êste pt;óprio estado final. certos casos de teoria da mformaçao mesmo, e de ·outr9: :l11,ilpf,!:gsen-
tido preciso que lhe demos ao defini-la pela fórmuhi; ':,:·ihr};;[1i: ;-::i;:>. ':;
·'· . . Assim, êste estado final p'ode depender grandemente 'daquilo
;:·; , ;q1,te: será a história universal, no seu mais amplo sentido. '.;_ ;::: ~·,::·!:f. :i.· ( ). · .
J!f~i;;.y.:;:.::,; Estamos aí sôbr:_ um plano onde a ciência não pode se ~ven~-
1:;::. •. .·%t; ,· e onde as questoes podem receber apenas respostas muito m-
'.:i!:J( f~ifap .
I ~ K' ~log .. 'ti~g~l~~;~~ •.
Procurar-se-ia em .vão, nesta fórmula ou na definisít8 :::il#~ :gri11.~ <·: 1.-. I,
1

· ·· . . A importância da história imprevisível do universo sôbre seu dezas que aí ,figuram, o que quer que seja de subj~t~vq; ;;iÚi·,,r;.;;.,,. ~.
!p~óp,fio. futuro apenas aumenta esta incerteza.
P 0 é o número de "compleições" possíveis antes d~.iJ~IXij\i,â~~o:J, :!,
. . <Esperemos, para prosseguir, que 'a ciência ou a filosofia, êste
P é o número de "compleições" possíveis após a' inf!f~ ~~~\i<t< : '' ··
·:o .ou.tro conhecimento, nos dê novos elementos. Todavia, notemos em ·'.I!
•:?.. ; ::~<)do o precedente, e até na determinação do estado final do uni- Retornemos ao sentido dado, aqui, à expressão
:.: ,;. :,',y~~~'Q por sua própria história, o papel capital do tempo. Cada vez mação". Pode querer dizer: cz.·. :.,'[:'':·:,: . .,,, _;
''\'. ;::)'.\i'a~s.. o conhecimento deverá levar em conta o tempo, exprimir-se ou : "depois de eu ter tomado .
;; ;,;;,~W.' têrmos temporais. A cibernética já é urna ciência onde o tempo
·y:J~~ seu lugar. Talvez seja preciso ver aí uma adequaçãO ao seu
!',;. :; ,:RPJ~~p; que é o estudo da natureza na sua própria dinâmica, e uma
~:~s:~:~~ois de eu ter ~ornado ;on~ecimento
tirado, dela todo o partido poss1vel.'
desta
. .··· · . ;lJV•j(\:,•''1~ ,•;:
i~f~t~~~!~;!~'.·:f~f
+:q~~ ' (J.iigens de seus êxitos.
·No caso dos dois litros de água a 50º (tomad9 c9@'..(Wl~~~WP~o' .
acima), "após a informação" pode significar: · . : ;r:,'.·:s,', ·. ·
ou: "depois de eu ter apreendido as características d~s foóíé&ib~~: que
me permitem faze·r uma triagem nelas'', ·
ou: "depois de eu ter feito uma triagem por um meio qualquer; gra-
ças à infoi:mação recebida." · ·
E evi~ente q11e d entropia do sistema nd,o mudará_ pêlo simples
fato de q11e eu seja informado, mas pela minha ação sôbre êle, tornada
possível pela . foformação. · ·
i . l .J.
0

I ·
W,Qfu~mos . doi~ditros de água a 50º provindos da mistura de Poder-se-ia dizer que a informação é a negnentropia potencia! e
. , .J
'\·~ ..
e ~?'1 litro a Oº. Supohhamos que uma certa quan- que ela só se transforma em neguentropia pela ação que ela guia.
,
<i.;, 103
: 1
. ,~;··. : 1
1,p(

<
t. "
flliftfü,,!MJ::Wlr..!IM,,t .,;.!~~~~Wt~~-- .-~ !1 1Y : ··~,...,,-;;-c

.:;::: - .; ~'.
b~~Á~fo em' jôgo processos materiais, conduzirá, na Seja um sistema que apresente no estado ihÍdal:P0 .~stacl9~, igqal- i ",, _
.. . . .:Vd 'hesciÍ'nento de entropia. mente prováveis. No .estado final, uma\ 1n'formaÇã6'' tõtafjsÔpre: o sis- . ,-
,,,, --ii'ii':~óde~se falar de um certo rendimento da informação que -·;> tema permite ! selecionar um só estado1 cfo.. sistéiriã; :E d~finç~s:é-~ esfa
:f,~~l i ~ .•. ' Eit6-~~ação total ·11ecessária p-a-rã ·passar · dó estado de, iqs~.r!tza .(ini-

, :~;:.,i:, 6 ,;u\ •· r =
neguentropia recolhida
informaÇão que serve para recolhê-la -~· \\\ ," \. l';v . . / ··
cial) ao estado de certeza (final) :

1 = K' log P3
· · · · ··
''."·f, • "ii :
l
'< 1
~!i/if.;:;);~::' ''.:_':·,.':·. · ''. t·L~,:...
Se, no estado final, a informação só permite ~eleciotfat . ~{( c<p~
1
i
.•
1 6'~:'(~9 poderia chegar a 1 em condições limites ideais. (' " , . \
P1 < P0 ) estados igualmente provávei~, esta informação pardal; que 1
=~·(:' , JO'; ·, Dito de outra maneira: não parece somente que uma informação_
1

permite reduzir o púmero de estados do sistema de P0 a pi · igual- .1


:'.·];i') :iWtá .thàis neguentropia do que pode reslífuir (princípio de Carnot - mente prováveis, é:
i:f,:'Mneralizado), mas ainda, na prática, e!a___!1~9 pode restituir na tota- 1

:fi l-f}!~~~~.~, neguen!ropia que ela r;p~esentã, porq~e esta resti~ição, ~()!9· Po
"•

/( ca,::(lj_TI, Jogo fenomenos 1rrevers1ve1s, consumaçao de neguentrop1~:


• : . · • ·d:: · ···: :-~·
I = K' log P 0
- K' log P 1 ou I = K' log p; '\"-...-·.·
_

~!;''''.};':.:Já notamos, a propósito do segundo princípio, um conjunto de · ·._l: .

·fatos análo,gos: f'\·


('
(segundo a probabilidade dos logaritmos, e sendo K a constante de 'f
•: ' ·. O princípio de Carnot (entenda-se o segundo) diz que todo tra- Boltzmann) . ~.·
. :&alho produzido a partir da energia calorífica, mesmo nas condições Se P1 :::;; 1, volta-se ao caso precedente: o da informação totàl..:.t. <;.\'~'Q't
;: ~<le~is de reversibilidade, gasta maior calor do qúe pode restitu.i r.
\ '
De um ponto de vista físico, os estados possíveis do siste~a . . ;.
, 'Mas na prática, a transformação do trabalho em calor coloca em jôgo podem ser .considerados como "compleições" no sentido de Planck.
', , p:toc~sos materiais que ocasionam perdas de calor, e são tais que o
Suponhamos dois instantes diferentes da evolução do sistema.
'>.rendimento da transformação de trabalho em calor só é igual a 1 em
y'éopdições ·ideais. No instante t, o sistema está em um certo estado, mas êste !;!S•. :<. ·_,
tado faz parte de um conjunto de estados igualmenre prováveis'.. ::())>:::":
.,., _,, :.. (Mesmo a transformação de energia elétrica fornecida por uma 1
número dêstes estados igualmente prováveis é P. · '" : , / / \
•ifr;( ~Me, em calor, em uma resistência· elétrica, por exemplo, ocasiona
.- ,:,perdas nas linhas etc ... ) No instante seguinte, o sistema poderá estar em um out~o· dést~si"'V:'' .;.'i
estados ' (ou col?plei~ões) igualmente prováveis. Mas número 'M$~~~;',:"'::: ''
, :>.;~ . Eis o que permite precisar, de algum modo, o que é "generali- estacj:os possíveis permanecendo cons~ante, sua entropia,) ,d~q~!)P.~!~!;.') :
j;r,;·*~~~o", ainda muito distutida, d~ yrincípio de Carnot.
fórmula de Boltzmann-Planck não mudará; ela permarieC~f~ii~~ltW// .
~ ;.; ,Xc, A validade do segundo prln(','.ípio de Carn:ot é muito controver~ =
S K log P (K =
constante de Boltzmann-Planck) . :.;:•:•:<!'""'''' 11,.....,. ' ·•.
\ tipa 'quando se trata de aplicá-lo fora- do nível macroscópico. Em par- Se, pelo contrário, o sistema sofre uma transform~çlif
)~f,~lar, a física dos plasmas apresentaria resultados incompatíveis com
nâmica que faça pas~ar de P a P' o número das compi~iÇ9
2ê,st~ princípio. Aí estamos em domínios abordados pela ciência em
tema, supondo P1 > P, o sistema sofrerá uma variaçãb;'d~
''.''2 uma data relativamente recente, e neste caso é preciso, cuidar-se de
igual a:
· dóis obstáculos: um conservadorismo injustificá;el e um zêlo exces-
.sivo em rejeitar o que somente deve ser generalizado, se fôr o caso,
ih: integrado em uma teoria mais vasta. b..S = K' log E{ - K' log P = K' log Pt,
" J>:
i'.h . ; Tempo, desordem, probabilidade - A analogia entre infor- l
. '' :: riJ~çªó . e neguentropia repousa sôbre o fato. destas duas ,grandezas Se P1 > P, esta variação é positiv:a. Em outros têrmos, pode-
! '),~[,~~primem em função _de uma mesma probabilidade.
,l.
/ mos dizer que um aumento do número de estados possíveis corres-
·~o caso de se considerar a neguentropia absoluta e a informação
)',.
,: : ff.'J ponde para· o sistema a um aumento de entropia, e vice~vetsá. - · · ·
t~I, :esta probabilidade é expressa de maneira particularmente sim- ' \· " !' ~" Consideremos agora, por exemplo, um sistema form~d~de dois
':i•-f'' e,s.:' ~ste é também ó único caso que consideramos até o presente. l ,lj
recipientes contíguos A e B, cada um dêles contendo uma massa de
.;JH/
, .. ,_:,;:u·
'Não é inútil voltar a êle para precisar certos pontos : gás, A pressão do gás em A é superior à pressão do gás em B. .Supo-
\ i ~:.1 .' :, ...

105
"=<
HJM.~fuds, para simplificar, que a temperatura é a mesma em um reci- nas mesmas condições, a permanência, e a fortiori' o· retôt6d' pt~~ À .·
< p~erite e outro, e em todo o sistema em geraL e B das moléculas que lá se encontravam inicialmente, é ptàfita-
· Por outro lado, o sistema não recebe nenhuma intervenção ener- mente uma impossibilidade. _ : : .
. ·gética do exterior. nle é dito "isolado" . _ Este resultado pode ser generalizado : .todo sistema is.oiad. ~. . ~;ÓÍ~lj.
1
Enquanto não se coloca A em comunicação com B, o número \' de um estado a um outro estado igualmente provável ou mai~ erová-
~e estados ou compleições possíveis do sistema permanece igual a , _~.!:i ·Se o nôvo estado é tão prc:_vável quanto o precedente, o siSTem'ii
· um certo número P. O sistema passa, em cada instante, de uma . de não sofre nenhuma transformaçao ou sofre uma transformação rever-
su.as compleições, de um de seus estados, a outro; mas cada um dês- sível; se o nôvo estado é mais provável que o precedente, o sistema
tes estados igualmente prováveis, faz parte do conjunto dos estados torna-o sem possibilidade prática de retôrno ao estado primitivo . . Jj
possíveis, que são em número de P, constante. A probabilidade do isto que se exprime dizendo que a transformação correspondente é
estado do sistema, em um instante dado; .ser um certo estado, deter- irreversível.
minado anteriormente, é 1/P. Quando o sistema passa do estado primitivo para o nôvo estado, ·
Agora, se se coloca A em comun.icação com B, a pressão do gás sua entropia fica acrescida, já o vimos, de
se iguala nos dois recipientes contíguos. Qual será o número de com-
pleições, de eslados possíveis? P'
!JS= K'log p
Entre todos os estados possíveis agora, se encontram todos aquê-
les que eram possíveis antes da introdução de uma comunicação entre
A e B. De fato, pode ser que em um certo momento tôdas as mo- Se por uma intervenção energética exterior, queremos reconduzir
léculas que se encontravam primitivamente em A, encontrem-se em o sistema a seu estado primitivo, precisaríamos "filtrar" as moléculas
A .mesmo, e tôdas as moléculas gue se encontravam em B, se encon- que antes estavam em A, daquelas que antes estavam em B.
trem em B. De fato, êstes dois conjuntos de moléculas foram misturados e
O nôvo conjunto de compleições compreende tôdas as complei-
não se separarão jamais, pràticamente, como êles estavam separados
ções primitivâs. O nôvo número de compleições é superior a P. anteriormente. É isto que se exprime dizendo que um s_i_stema isolado_
evolui em direção a estados cada vez mais desordenados. A entropia
Pode-se mostrar· pdo cálculo que o número P dos estados primi- ·e·de fato, co;no já o mencionamos anteriormente, uma medida da
tivos é muito pequeno em relação a P', número dos estados possíveis desordem de um sistema.
agora. Ora, a probabilidade para que tun estado que faça parte dos P
estad()s primitivos seja realizado pelo sistema que comporta P' estados Suponhamos que quiséssemos reconduzir o sistema de seu estado .
,ppssíveis é P/P'. Esta probabilidade é extremamente fraca na prática, final, desordenado, ao seu estado inicial mais ordenado. Seria pre-
e é por isso que se pode dizer que o r_etôrno do sistema a um dos ciso que dispuséssetbos de uma certa .informação. Esta informação
estados primitivos é extremamente improvável. pode ser medida pela diferença das informações totais croresponden-
tes aos dois estados. Ela se escreve:
Inversamente, se se aumenta a liberdade do sistema permitindo-
lhe tomar um maior número de estados, a probabilidade para que o
sistema tome um nôvo estado, não compreendido entre os estados P'
primitivos, será igüal, por definição, a:
I = K'log 71 > .l.

número de estados novos


,
. P' - P (Se K' = -
1
I em bits; se K' = K constante de Boltz~
numero de estados totais
. ou seJa:-p,.-. 1og 2'
mann, I em erg/º).
Esta probabilidade é bastante próxima de 1, uma vez que P é muito Eis aí a informação necessária para "filtrar" as moléculas, isto
pequeno em relação a P' . · / é, reestabelecer seu grau de ordem primitivo e reconstituir, com isto,
A passagem de um estado primitivo a um estado nôvo é portanto o estado inicial.
ptàtkamente uma certeza.
Aliás, . sabe-se que esta informação é apenas uma condição pata
Sem intervenção energética exterior, a mistura das atmosferas a reconstituição dêste estado, e que será necessário dispensar, para se
de A e B, se as pomos em comunicação, é pràticamente uma certeza; realizar, uma quantidade de neguentropia suplementar.
106
107
- '
};
·'

. ;: . É qµ~se . p~radoxal que seja necessário possuir uma certa infor- A probabilidade para que o estado inicial se
. inação- pàra se chegar a um estado mais ordenado.
De fato, a presença de uma certa ordem, de uma certa regula- 1
ridade, simplifica a tarefa do observador, dispensa-o, assim, de uma (n + 1) 2

certa quantidade de informação. Se, pelo contrário, esta ordem é


destmída, é necessário conseguir, para reconstituí-la, a quantidade de Ao contrário, a probabilidade para que o sistema, quando da
informação que ela implicava. colocação em comunicação de A com B, adquira um estado diferen~e
Um outro exemplo ilustrará mais claramente certos pontos: do estado inicial é .
Consideremos um sistema formado de dois recipientes contíguos
A e B, cada um cheio com nm gás diferente, por exemplo, oxigênio
(n + 1) 2 - 1 que
-'-------"---- é extremamente próximo de 1 .
em .A e gás carbônico em B . SupQ.nhamos, para simplificar, que a (n + 1) 2
pressão e a temperatura são as mesmas em todo o sistema, de um
A informação necessária para o retôrno ao estado inicial, deve
lado .e de outro de um postigo separador de A e B.
permitir reconhecer em cada molécula, se é uma molécula de oxigê-
Há n moléculas de oxigênio em A e n moléculas de gás carbô- nio ou de gás carbônico, e filtrar, isto é, recolocar na ordem primi-
nico em B. tiva as moléculas misturadas.
Enquanto não se coloca A em comunicação com B, só há um Quanto à entropia (rio sentido termodinâmico) do sistema, ela
esta_do possível: todo o oxigênio em A e todo o gás carbônico em B . aumentou quando as moléculas se misturaram em seguida à equali-
Se não (ios importamos com a repartição das moléculas dás dois zação das pressões parciais dos dois gases, de um lado e de outro do
diferentes gases entre os dois recipientes, podemos dizer que nossa postigo.
informação é total, uma vez que sabemos que tôdas as moléculas de Para bem nos inteirarmos da perda de neguentropia devida a
oxigênio então..,,.êm"A e tôdas as de gás carbônico estão em B . esta equalização, suponhamos que, antes da mistura, tivéssemos colo-
!'.
. -'.W contrário, c?loquemos em. comunicaçã<;> e _B,.: haverá di- cado en.tre as duas partes, A e B, uma membrana de matéria plástica
na qual a permeabilidade ao gás carbônico fôsse superior à que ela
fusão e um certo numero de moleculas de ox1ge1110 1rao para B e
um certo número de moléculas de gás carbônico, para A . apresenta ao oxigênio (existem tais membranas, em polietileno, óu
em etil-celulose) . Por causa desta permeabilidade diferencial, a pres-
Inicialmente só havia um estado possível. Agora, há um número são aumenta no compartimento contendo inicialmente oxigênio, e
_muito grande.
pode-se utilizar a diferença de pressão assim criada para produzir um .
De fato, pode haver em A (_sendo que o resto estaria em B) : certo trabalho. '·:
n moléculas de oxigênio, O moléculas de gás carbônico (estado Se colocamos, simplesmente, A em comunicação direta com B;
inicial), êste trabalho se _degrada em calor e a neguentropia do conjuqt<Cdo
n moléculas de oxigênio, 1 molécula de gás carbônico; sistema diminui, ' ··
l!stes diversos exemplos apenas ilustram resultados muito -~~rait
n moléculas de oxigênio, 2 moléculas de gás carbônico etc.; , ,,
Todo sistema físico macroscópico isolad:o. só. pode evoluir, Jiràti- -
ou n moléculas de oxigênio, O moléculas de gás carbônico; camente, para um estado tão provável ou ;mais provável: que aquê~e
n - 1 molécula de oxigênio, 1 molécula de gás carbônico etc.; -~!11 que estava no instante anterior. Como o nota F. Bonsacl,c (em
ou n - 2 moléculas de oxigênio, O molécula de gás carbô- um livro que contém finas análises do conceito de entropia, sôbre
nico, etc. os quais não podemos nos estender aqui): "Que um sisteina _ev6lua
\":·
para estados cada vez mais prováveis, é quase um trµísmo" ( [32),
Demonstra-se que o número de estados possíveis diferentes é / 74). Mas entrevimos através de nossos exemplos o que era um estado
igual a (n + 1)2.
mais provável: aquêle que comporta uma maior diver,sidad~A(! esti.~
O que dá uma idéia do tamanho dêste número, porque n, dos possíveis _ou, segundo 0- dizer de F. Bonsack, uma maior "varia-
número inicial das moléculas de cada gás, já é muito grande. bilidade". . '

108 .. , 109
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do sistema para uma maior probabilidade se mede De fato, o sentido ao inverso do qual um sistema não po'd~; ~S·
':l'fi6J: uma probabilidade matemática: relação do número de estados pontâneamente, evoluir, pode por si só definir o sentido da pass'ágem
primitiv-0s pelo nôvo número total de estados possíveis para o siste- do tempo, ao menos do tempo próprio do sistema considerado,_para
dnà. Esta' probabilidade se liga (pela fórmula de Boltzmann-Planck) falar na linguagem da relatividade. Os sistemas físicos que nos .en~
~ entrôp1a, que mede o grau de desordem e de degradação do sistema. volvem na terra, na escala macroscópica, que é a da termod!nâmita,
têm -0s mesmos tempos próprios. Um só dêstes objetos basta, portanto,
"•• - · ':A mesma probabilidade se liga (pela fórmula de Hartley q~~ para definir objetivamente o sentido de passàgem do tempo. Por
sér\re para definir informação no caso simples de compleições equi-
exemplo, tomar-se-á para sentido de passagem do tempo, aquêle que
prováveis) à informação, que mede o conjunto dos elementos neces-
corresponde a uma equalização, sempre mais avançada, das tempera-
' s~riios a quem queira reconstituir o estado inicial do sistema, a partir
de seu estado final. turas entre dois corpos vizinho5 etc.
Entretanto, de onde se conclui que êste sentido, definido obje-
Com efeito, a evolução do sistema é irreversível desde que seu
tivamente, corresponde ao sentido que nos parece, a priori, dever dar
número total de estados possíveis tenha aumentado, desde que o con-
ao tempo?
junto dos seus estados iniciais possíveis tenha-se transformado em um
subconjunto de um conjunto mais vasto de estados possíveis. Sem poder desenvolver aqui uma questão tão rica em prolonga-
mentos, tentemos responder com duas notas:
A evolução do sistema entregue a si ·mesmo, "isolado", é por-
tanto orientada em um certo sentido. - para o homem, o sentido do tempo é, naturalmente, definido
pelo sentido de evolução espontânea dos sistemas que o envolvem
Pode-se objetar que não existe um sistema isolado na natureza, após seu aparecimento sôbre a terra;
na qual cada elemeQ.to está em ação recíproca c-0m o resto do mundo.
Entretanto, é preciso ,notar que, na prática, é possível raciocinar por - sendo o próprio homem um dêstes sistemas, experimenta em
meio de sistemas isolado~. cada um de seus órgãos, através de cada uma das transformações ter-
modinâmicas irreversíveis que o modificam em sua carne, o sentido
De fato, no caso em que o sistema não está isolado, pode-se con-
do tempo.
siderar como sistema isolado, um sistema mais vasto que engloba o
siiffefüa primitivo, juntamente com aquêles com os quais êle está. em A .consciência da passagem orientada do. tempo pa@ce portanto
lnfêração energética notável, e excluindo somente aquêles com os quais como o reflexo, na consciência, destas transformações que fazem evo· ·
mantém trocas negligenciáveis. Assim, poder-se-á considerar um re- luir irreversivelmente o homem e o mundo que o envolve.
cipiente suficientemente isolado termicamente, recebendo do exterior Mas esta consciência da passagem orientada do tempo não é a
e cedendo ao exterior apenas quantidades de calor negligenciáveis, do próprio tempo? O que seria realmente o tempo sem a irreversi-
çomo um sistema isolado, apesar de com todo o rigor, êle não poder bilidade?
existir nunca. O tempo não . é mais portanto, ~esta perspectiva, um . tempo
A experimentação em laboratório, e mesmo a técnica mais cor- kantiano, "representação necessária que se estende na base de. tôdas
rente, em nossa escala, acumularam uma massa considerável de re· as intuições"' e só existindo no pensamento.
sultados que vêm copfirmar, sem nenhuma exceção conhecida, o se- Ao nos permitir definir objetivamente o sentido de evolução
gundo princípio; a evolução espontânea de um sistema "isolado", ou espontânea de um sistema, e de marcar suas diferentes etapas, !l.J:~:f~
·na prática, quase isolado, se faz sem possibilidade de retôrno enquanto n1odinâinica nos dá urna representação objetiva do tempo, indep~n .
\

? sistema permanece isolado, e, conseqüentemente ocorre em um sen- _dente do homem e válida em particular para as três primeiras eras
tido único determinado. geol<>,~ic~s, qu.ando o homem ainda não existia, e até mesmo para o
... ·-li verdade, que empregamos no que precede as palavras "proba- período anterior ao surgimento da vida. .
bilidade", "estado inicial ou final", "irreversibilidade", que impli-
cam já um sentido único de passagem de tempo. E, também impllcí- Todo sistema material muda. Toma diferentes estados nos quais
tamente, supusemos admitida a priori esta irreversibilidade do tempo
:/ a ordem está claramente determinada, uma· vez que um dá nasci-
e a escolha de um sentido de passagem de tempo que é o do tempo mento ao outro sem retôrno. A dimensão segundo a qual êstes esta-
>d-Os se alinham é o tempo. '·
do homem. Mas a termodinâmica pode-nos permitir definir atual-
mente, objetivamente, a irreversibilidade e o sentido da passagem do Evidentemeqte, é muito difícil proscrever do vocabulário de uma
tempo de uma só vez. definição do tempo, todo têrmo suscetível de reintroduzir implkiea- ,,,
110 111
"

mente esta noção de tempo. Isto interessa pelo fato de estarmos, nós
próprios, mudando, vivermos rião no tempo mas o tempo.
O tempo é certamente uma forma de nosso pensamento, uma
repre'sentação necessária, mas tem sua origem na matéria em evolu-
ção· que ' constitui nosso corpo vivo. Em n~s, a matéria toma cons-
ciência do te~p~; assim, se faz em nós uma reflexão do tempo.
·· · Mas o temp~ existe para cada sistema material que: se bem que
sem consciência, vive o tempo . CAPi'I'ULO V
A mudança em função do tempo é o movimento, o que explica
a célebre frase de Engels: "O movimento é o modo de existência da
matéria." Mas, sem o tempo, a matéria é concebível_? De fato, CIBERNltTICA E
a matéria pode ser considerada - voltaremús a isto - como o que; MATERIAl .ISMO DIALtTICO
através das mudanças incessantes e múltiplas, permanece contudo no·
tempo.
Uma das noções fundamentais da cibernética é, como vimos, a
Mais difíeil ainda seria conceber um tempo sem matéria, e nã?
de retroação . Ela é mesmo, sem dúvida, atualmente a mais impor-
é por acaso que Deus, imaterial, não conheça o tempo . tante, a mais central, a mais essencial para se referir às propriedades
A obra de 'Eínstein, principalmente, mostrou que sem matéria dos sistemas auto-reguladores. Assim, ela toca a própria definição de
não há mais espaço . Como o espaço, o tempo desaparece com a ma- cibernética e convém abordá-la de maneira mais precisa. Podemos
téria: só há o nada. entãlo esperar abordar com maiores frutos os problemas que a exis-
tência da vida coloca, e que suscitam a originalidade do ser vivo em
relação ao mineral.
O ·estado atual da ciência nos permite tonceber, aliás retomando
temas bastante antigos, uma grande evolução do mundo, desde o mi·
neral até o apogeu da evolução biológica. O "como?", se não o "por
que?" desta evolução, deve ser pesquisado, por um materialista, na
matéria .
Mas se êste materialista exclui o ecletismo, deve começar por ex-
. cluir, de sua concepção da matéria, todo preconceito idealista ou meça-
nicista. A noção de estrutura, no sentido que a .teoria dos .gf4pos
dá a esta palavra, o ajudará.
Graças· aos progressos realizados no conhecimento da eSt@,tura
da matéria, o velho sonho de Prometeu de recriar o ser vivo pode
/ ser retomado com uma esperança iongínqua de realização. A . ciber·
nética, que foma o ser vivo por modêlo e que pode, um dia, expandir
:!
:~ o domínio da vida, como a física moderna que juntou novos elemen-
!! tos ao da natureza, desempenhará seu papel na conquista do. ser vivo.
r
1\-,cibe~nética é, ~fato, l1n:!.ª.4~s ciênéias mais ap~ para tratar
w PtQ.c~os j!~.m,icos, d'~u~_a Yi~!mpl9~,,gmips
Referindo-se ao caráter dialético dos fenômenos naturais, e vitais em
' particular; ela é uma das últimas ilustrações de uma evolução, às vêzes
1 revo~ucionária, da história das ciências, sobretudo no último século:
a\mtroduçao ãó~~~E.~~1.:..~~l ,
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