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1.

PRINCÍPIOS PROCESSUAIS PENAIS

CONTINUAÇÃO - PRINCIPIO DA IDENTIDADE FISICA DO JUIZ

Neste caso, a defesa dele alegou que:


- A sentença deveria ter sido proferida pelo Moro, pois foi ele que presidiu a instrução;
- Deveria ser feito novo interrogatório, com base no artigo 196, CPP.

O tribunal entendeu a regra do 399, §2º, CPP, não é absoluta, ou seja, pode ser aplicada a exceção do artigo

132, CPC/73 (revogado) - que fala da substituição, licença, etc...

E o mais interessante foi que o tribunal também entendeu que não deveria ser feito novo interrogatório porque foi

feito registro audiovisual e a nova juíza poderia assisti-lo, sem ter que interrogar o réu novamente.

Art. 196. A todo tempo o juiz poderá proceder a novo interrogatório de ofício ou a pedido fundamentado de

qualquer das partes.

Não se pode admitir que um juiz que deixou de ter competência para o julgamento do
processo em virtude de afastamento legal, logo, incompetente, seja compelido a julgar o feito
pelo simples fato de ter presidido a instrução probatória.

PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA (Art. 5º, LV, da CF/88)

O Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa previstos no artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, assegura a
defesa do acusado com os meios e recursos a elas inerentes.
O direito de defesa decorre da bilateralidade do Elementos essenciais: a necessidade informação e a possibilidade
de reação.
A ampla defesa abrange a possibilidade de se defender (através da autodefesa, realizada pelo acusado em seu
interrogatório e da defesa técnica feita por advogado) e a de recorrer.

A ampla defesa abrange a autodefesa, realizada pelo acusado em seu interrogatório, e a defesa técnica, que

exige a representação do réu por um defensor, que pode ser constituído, público, dativo ou ad hoc.

O Princípio da Ampla Defesa contém duas regras básicas: a possibilidade de se defender e a de

recorrer. Ele traduz a liberdade inerente ao indivíduo de, em defesa de seus interesses, alegar fatos e
propor provas.
PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO
O princípio do duplo grau de jurisdição visa assegurar ao litigante vencido, total ou parcialmente, o direito de
submeter a matéria decidida a uma nova apreciação jurisdicional, no mesmo processo, desde que atendidos
determinados pressupostos específicos, previstos em lei.

PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
Este princípio determina que o processo deve ser público a fim de garantir a transparência da justiça, a
imparcialidade e a responsabilidade do juiz.
Representa a possibilidade de qualquer indivíduo verificar os autos de um processo e de estar presente em
audiência, funcionando como instrumento de fiscalização dos trabalhos dos operadores do Direito.
Exceção: quando o interesse social ou a intimidade o exigirem que o sigilo do processo.
Vide artigos: Arts. 5º, LX , art 93, IX, ambos da CF. Art 792, CPP.

Arts. 5º, LX c/c o art 93, IX, CF/88; 20 e 792, CPP

LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o

interesse social o exigirem; Ex. Família


Interesse social - quando a divulgação dos dados e dos atos processuais possa causar
prejuízo aos interessados. Ex. Sigilo Bancário - IR

IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob
pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados,
ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não
prejudique o interesse público à informação;.

Art. 792. As audiências, sessões e os atos processuais serão, em regra, públicos e se realizarão nas sedes dos juízos e
tribunais, com assistência dos escrivães, do secretário, do oficial de justiça que servir de porteiro, em dia e hora
certos, ou previamente designados.
§ 1o Se da publicidade da audiência, da sessão ou do ato processual, puder resultar escândalo, inconveniente

grave ou perigo de perturbação da ordem, o juiz, ou o tribunal, câmara, ou turma, poderá, de ofício ou a
requerimento da parte ou do Ministério Público, determinar que o ato seja realizado a portas fechadas, limitando o

número de pessoas que possam estar presentes. Ex. Lula

§ 2o As audiências, as sessões e os atos processuais, em caso de necessidade, poderão realizar-se na residência do


juiz, ou em outra casa por ele especialmente designada.
Sendo assim, a regra geral é da publicidade, e o segredo de justiça a exceção.

Desse modo, a interpretação do preceito constitucional deve ocorrer de maneira restritiva, de modo a só se

admitir o segredo de justiça nas hipóteses previstas pela norma.


A publicidade minimiza o arbítrio e submete à regularidade processual e a justiça da decisão do povo.

CONTRADITORIO, AMPLA DEFESA E PUBLICIDADE NO INQUERITO POLICIAL

A Constituição Federal garante o contraditório e a ampla defesa aos litigantes em processo judicial ou
administrativo e aos acusados em geral. Entretanto na fase de inquérito, o autor do crime não é chamado de
“acusado”, mas sim de “investigado ou indiciado”. Além disso, entende-se que, por ser um procedimento
investigatório, ainda não existe litígio no inquérito.
Entretanto, uma minoria da doutrina entende que mesmo não havendo litígio e acusação formal, há na fase
investigativa policial questões a serem contraditadas e por isso seria cabível o contraditório.
Por outro lado, o entendimento majoritário e já pacífico, é no sentido de que na fase do inquérito policial não
existe a atuação do contraditório, pois não existe acusação na fase investigatória, não cabendo nem mesmo a
ampla defesa, pelo fato do inquérito policial ter natureza meramente inquisitiva, não comportando a atuação da
defesa.
Neste sentido, Fernando Capez entende que:
“O inquérito policial é secreto e escrito, e não se aplicam os princípios do contraditório e da ampla defesa, pois,
se não há acusação, não se fala em defesa”

O caráter inquisitivo do inquérito faz com que seja impossível dar ao investigado o direito de defesa,

pois ele não esta sendo acusado de nada, mas sim, sendo objeto de uma pesquisa feita pela autoridade
policial.

PUBLICIDADE DO INQUÉRITO POLICIAL


No inquérito policial, é necessário que mantenha-se sigilo quanto aos fatos apurados, evitando prejudicar a
investigação. Art. 20, CPP.
Quando ao acesso do advogado a Súmula Vinculante 14 STF determinou:
É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já
documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam
respeito ao exercício do direito de defesa.

Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da
sociedade.