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Estratégias utilizadas para a seleção de plantas com potencial bioativo com


ênfase nos métodos da etnobotânica e etnofarmacologia

Chapter · January 1990

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Capítulo 2

Estratégias utilizadas para a seleção de plantas


com potencial bioativo com ênfase nos métodos
da etnobotânica e etnofarmacologia

Eliana Rodrigues e Rafaela D. Otsuka

Introdução
Na busca de novos medicamentos, a academia e indústria farmacêutica têm seguido cinco
abordagens principais para a seleção de espécies vegetais, otimizando a probabilidade de
acerto. Segundo alguns autores (Balick, 1990; Cox & Balick, 1994; Verpoorte, 1998; Kate &
Laird, 1999; Khafagi & Dewedar, 2000; Krief et al., 2005; Carlini et al., 2007; Queiroz et al.,
2009), estes são:

Coletas randômicas
Baseiam-se na obtenção de amostras de todas as plantas encontradas em uma determinada
área de estudo estabelecida, priorizando aquelas em frutificação e floração. Deste modo, a
escolha da planta é realizada sem um critério específico, dando-se preferência, no entanto,
a lugares com alto grau de biodiversidade1 e endemismo2.
Os sete países considerados megadiversos: Brasil, Colômbia, México, Zaire (atual
República Democrática do Congo), Madagascar, Indonésia e Austrália; concentram 50%
das espécies vegetais do mundo (Joffe & Thomas, 1989). Comparando-se o número de
espécies endêmicas por país/região (tabela 1) é possível perceber melhor essas diferenças e
entender porque os trópicos são o foco de perspectiva da descoberta de novas drogas.

1. Riqueza e variedade do mundo natural (flora, fauna e microrganismo). World Wildlife Fund, 2009.
2. Refere-se às espécies cujas ocorrências naturais são exclusivas de uma determinada região geográfica.

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Apesar dessa riqueza, aproximadamente 6% da biodiversidade do mundo tiveram
a sua atividade biológica testada, enquanto cerca de 15% possuem estudos fitoquímicos
(Verpoorte, 1998). Um exemplo de sucesso de coleta randômica pode ser dado com a
descoberta do taxol em 1970, um diterpeno com ação anticancerígena derivado da casca
da árvore Taxus brevifolia, durante uma pesquisa conduzida pelo Instituto Nacional do
Câncer dos Estados Unidos.

Tabela 1. Número de espécies vegetais endêmicas em alguns países ou regiões


País/Região N° de espécies vegetais endêmicas

Suíça 1

Alemanha 16

Reino Unido 73

México 3 376

Região Amazônica 25 000 a 30 000

(Fonte: Cunningham, 1996).

Quimiotaxonomia
Essa abordagem pode apontar um maior índice de acerto em relação à primeira, pois indica
quais plantas ou suas partes apresentam maior probabilidade em conter os metabólitos secun-
dários a serem estudados, que muitas vezes estão restritos a uma família taxonômica ou até
mesmo a gêneros (Verpoorte, 1998). Ainda segundo o autor, a quimiotaxonomia pode ser-
vir também como indicador negativo. Assim, no caso de um composto tóxico e sem valor
terapêutico ser encontrado em várias espécies relacionadas do ponto de vista taxonômico,
torna-se prudente a interrupção da pesquisa com a espécie potencialmente tóxica.
Os limonoides, substâncias triterpênicas de grande variação estrutural e muitas ati-
vidades farmacológicas (Champagne et al., 1992), são quase exclusivos da ordem Rutales,
especialmente das famílias Rutaceae e Meliaceae. O conhecimento de que essas substâncias
têm distribuição restrita à ordem Rutales, aliado ao conhecimento de sua importância far-
macológica, tem sido importante estímulo para o desenvolvimento de pesquisas químicas e
farmacológicas entre suas espécies.
Um exemplo de sucesso utilizando esta abordagem pode ser dado pelo estudo farma-
cológico conduzido com três espécies do gênero Hypericum (Daudt et al., 2000), baseado no
fato de que a Hypericum perforatum L. (erva-de-são-joão) apresenta comprovada atividade

40 Protocolos em Psicofarmacologia Comportamental


antidepressiva. No estudo citado foi observada uma redução no tempo de imobilidade no
teste do nado forçado para uma das três espécies investigadas – nos extratos da Hypericum
caprifoliatum Cham. & Schltdl., especialmente em frações ricas em floroglucinóis – indi-
cando assim efeito sugestivo de uma atividade antidepressiva.
Ainda baseado em dados quimiotaxonômicos, o gênero Acacia é citado como reco-
nhecida fonte de compostos fenólicos, os quais apresentam uma grande variedade de ações
biológicas, dentre elas a antioxidante. Assim, Andrade et al. (2007) destacaram atividade
antioxidante importante da Acacia podalyriifolia devido ao alto teor de substâncias fenóli-
cas presentes na referida espécie.

Ecologia química
Esta abordagem baseia-se na observação das inter-relações (animais-plantas; animais-
animais; plantas-microrganismos e animais-microrganismos) resultantes da produção de
metabólitos secundários como estratégias de defesa química (qualitativas e quantitativas)
que os organismos adquirem ao longo da evolução. Sendo assim, tais observações podem
levar à identificação de potenciais bioativos. Por exemplo, a borboleta monarca (Danaus
plexippus) que na fase larval se alimenta da planta Asclepias curassavica L. (rica em glico-
sídeos cardioativos, sendo o principal a calotropina – agente emético) acumula este agente
nas suas asas. Os pássaros atraídos pela sua coloração avermelhada, ao entrarem em contato
com suas asas repletas desse agente têm uma sensação desagradável e, portanto, passam a
evitar esta e outras borboletas com o mesmo padrão de coloração.
Um exemplo da relação plantas-insetos é a presença de um limonóide – com anel
C-seco, azadiractina, com grande potencial inseticida – exclusivamente em dois gêneros
relacionados: Azadirachta e Melia. Extratos preparados com este limonóide obtido das
plantas Azadirachta indica A. Juss. e Melia azedarach L. (Meliaceae), afetaram mais de 200
espécies de insetos e ácaros (Huang et al., 1996; Kumar et al., 1996). Champagne et al.
(1992) especulam sobre o papel dos limonoides nessa possível relação coevolutiva, ou seja,
na resposta química dessas plantas à herbivoria por insetos.

Zoofarmacognosia
A observação de animais que procuram plantas e outros animais para solução de seus pro-
blemas de saúde constitui uma especialidade denominada zoofarmacognosia. Dröscher
(1979) cita vários exemplos que refletem essas interações (animais-plantas, animais-ani-
mais) com finalidade terapêutica. Entre eles, cita a observação de que corços e veados
quando feridos deitam-se no chão coberto de musgo; enquanto as focas procuram campos

Estratégias utilizadas para a seleção de plantas com potencial bioativo... 41


de sargaços, mastigam e envolvem-se em seus talos. Sabe-se que essas plantas contêm subs-
tâncias antibióticas, assim como fungicidas e anti-hemorrágicas.
Curiosamente, diversos autores verificaram que quando chimpanzés apresentam cer
tos sintomas (verminoses, disfunções intestinais e ferimentos), adotam uma alimentação
particular de folhas, cascas e caules devido às suas atividades organolépticas ou mesmo bio-
lógicas. Segundo o estudo de Krief et al. (2005), realizado na África, várias partes de plantas
ingeridas pelos chimpanzés de um parque nacional em Uganda, são também utilizadas na
medicina tradicional africana, levando a crer que alguns critérios utilizados na seleção de
plantas pelos chimpanzés e humanos são semelhantes, tais como: gosto, cheiro e textura.
Portanto, essa abordagem permite selecionar vegetais potencialmente ativos também aos
seres humanos, mediante a observação dessas interações: animais-plantas.

Resgate do conhecimento tradicional e popular


Esta abordagem é realizada pela etnobotânica (EB) e etnofarmacologia (EF), ciências que
procuram entender o universo das plantas e/ou outros recursos naturais, respectivamente
– utilizados como drogas sob a ótica de grupos humanos (Schultes, 1962).
Vale mencionar a distinção entre medicina tradicional e popular. Enquanto a pri-
meira está associada e estabelecida dentro de grupos étnicos definidos, tais como as: medi-
cina chinesa, medicina ayurveda, medicina tibetana e grande parte das medicinas indíge-
nas no Brasil; a medicina popular é resultado da mistura de influências culturais diversas.
No Brasil, as medicinas praticadas por caboclos, caiçaras e afrodescendentes são exemplos
de medicina popular.
Segundo Oliveira et al., estudos revelam que o conhecimento tradicional e o popular
resgatados por meio da etnofarmacologia são os mais adequados na busca de potenciais
bioativos quando comparados à abordagem de coletas randômicas (tabela 2).

A diversidade botânica e cultural do Brasil


O território brasileiro possui a flora mais rica do mundo, com cerca de cinco a dez espécies
de gimnospermas, 55 000 a 60 000 angiospermas, 3 100 briófitas, 1 200 a 1 300 pteridófitas e
cerca de 525 algas marinhas (Giulietti et al., 2005). Embora as angiospermas sejam as mais
estudadas visando o desenvolvimento de novas drogas, vários estudos recentes mostram o
potencial terapêutico das demais.
Essas espécies estão distribuídas em cinco principais biomas: o Cerrado, a Mata
Atlântica, a Floresta Amazônica, a Caatinga e os Pantanais Mato-grossenses (macro-
bioma). Além da alta biodiversidade presente nestes biomas, observam-se altos índices de

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Tabela 2. Comparação entre a porcentagem de acertos na procura de
plantas com diferentes atividades biológicas pelas abordagens
das coletas randômicas e da etnofarmacologia
Atividades biológicas Coletas randômicas Etnofarmacologia Referências

antineoplásica 6% 25% Elisabetsky & Shanley, 1994

anti-hipertensiva 31% 44% Adsersen & Adsersen, 1997

anti-helmíntica 9,8% 29,3% Bourdy et al., 2008

ictiotóxica 9,6% 38,6% Bourdy et al., 2008

tóxicos/venenos 10,5% 52,2% Bourdy et al., 2008

anti-HIV 8,5% 71,4% Slish et al., 1999

antimicrobiana 22% 37% Boily & van Puyvelde, 1986

antiplasmódica 0,7% 18% Carvalho & Krettli, 1991

inibição da acetil-
8% 42,3% Oliveira et al., 2011
colinesterase

Fonte: Oliveira et al., no prelo.

endemismo. Para a Mata Atlântica, por exemplo, estima-se que oito mil das cerca de vinte
mil espécies de plantas sejam endêmicas; enquanto a flora do Cerrado é estimada em no
mínimo dez mil espécies, e só recentemente começou a ser conhecida. A relevância desses
dois biomas é de tal ordem que são considerados hotspots3.
O Brasil não é apenas rico sob o ponto de vista da biodiversidade, mas também da
diversidade cultural e, justamente, esse dueto (recurso biológico + cultura) compõe as múlti-
plas possibilidades de informações resultantes da interação de determinado grupo humano
em uma área geográfica. Além disso, a extensão do território brasileiro, 8 547 403,5 km2, e
as dificuldades de acesso resultantes dela acabam impedindo que todos os grupos humanos
que ocupam esse território sejam contemplados pelo atendimento promovido pela rede
pública/privada de saúde. Muitas vezes, esse isolamento geográfico acaba contribuindo
para o fortalecimento da medicina tradicional/popular local, assim como para a seleção de
um recurso natural, podendo resultar na descoberta de um novo medicamento.

3. Regiões com grande biodiversidade e endemismo, porém altamente ameaçadas de extinção (Conserva-
ção Internacional, 2009).

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Os diversos biomas brasileiros são ocupados por diferentes populações que detêm
informações sobre os recursos naturais disponíveis com fins terapêuticos, sendo elas:
a. etnias indígenas que são representadas por 232 povos somando cerca de seiscentos
mil indivíduos (Instituto Socioambiental, 2009);
b. afro-brasileiros, entre os quais se destacam os quilombolas, representados por
1 342 comunidades denominadas Quilombos (Fundação Cultural Palmares, 2009); e
c. populações conhecidas como caboclos/ribeirinhos, caiçaras, jangadeiros, entre
outras, cuja ascendência envolveu a miscigenação entre: índios, afro-brasileiros e europeus.
Cada qual possui peculiaridades quanto às práticas de cura e quanto ao tipo de
conhecimento sobre as plantas medicinais. É comum observar-se uma predominância de
remédios para determinadas indicações terapêuticas, de acordo com as necessidades de
cada grupo humano.
O conhecimento a respeito das plantas medicinais pode ser encontrado também no
ambiente urbano, tendo sofrido influência de imigrantes europeus, africanos e asiáticos ao
longo do processo civilizatório do Brasil.

Etnobotânica e Etnofarmacologia
A EB é uma disciplina que possui objetivos e metodologias em comum com a EF. Segundo
Harshberger (1896 apud Soejarto et al., 2005), a EB é o estudo da relação utilitária entre
seres humanos e o ambiente primitivo vegetal na sua totalidade. Já a EF é definida como
uma subárea da EB, referindo-se ao uso médico ou pseudomédico de plantas e animais pelas
sociedades pré-letradas (Schultes, 1988). Estudos atuais de EF incluem, além de plantas e
animais, outros recursos naturais, tais como as algas, os fungos, os minerais entre outros.
Embora a EB tenha uma abrangência maior do que o mero resgate das plantas medicinais,
por ser muito comum encontrarmos estudos de EB voltados para esse foco, optou-se por
incluí-la aqui junto à EF.

Enfoques dos estudos de Etnobotânica e Etnofarmacologia


Os estudos de EB e EF podem ter, pelo menos, dois enfoques. O primeiro baseia-se na rea-
lização de trabalhos de campo, nos quais o pesquisador convive com determinado grupo
humano, a fim de compreender e resgatar seus conhecimentos. O segundo parte do conhe-
cimento sobre plantas medicinais publicado em literatura antiga ou contemporânea; seja
aquele específico de um determinado grupo humano (do passado ou do presente), ou aquele
amplamente difuso entre populações de diferentes regiões. O motivo da difusão desse conhe-
cimento deve-se ao fato de que alguns usos são muito antigos e, portanto, acabaram sendo

44 Protocolos em Psicofarmacologia Comportamental


repassados entre as pessoas ao longo da história, em seus deslocamentos por várias regiões.
Existe um crescente reconhecimento neste tipo de pesquisa, onde potenciais compostos bio-
ativos são investigados a partir do registro de textos históricos e atuais; exemplos do mundo
todo podem ser citados, inclusive no Brasil, tais como: Rodrigues et al. (2006); Giorgetti et al.
(2007); Mendes & Carlini (2007); Brandão et al. (2008) e Otsuka et al. (2010).
A extração do alcaloide pilocarpina a partir de várias espécies de jaborandi (Pilocar-
pus sp.), nativas do Brasil, foi possível a partir de relatos de seus usos em literatura antiga.
Em 1648, Piso e Macgrave relataram na obra Historia Naturalis Brasiliae o uso desta planta
pelos índios Guarani para provocar sudorese. Séculos mais tarde, depois de estudada na
França, da planta foi isolada a pilocarpina, substância de grande utilização mundial e que
atualmente está citada em aproximadamente vinte pedidos de patentes (Espacenet, 2009;
Inpi, 2009).
Esta fonte de seleção é muito útil para guiar estudos farmacológicos que visam ao
desenvolvimento de novos fármacos, sendo utilizada por 80% dos laboratórios farmacêu-
ticos (Kate & Laird, 1999). Este fato deve-se, em parte, pelas dificuldades inerentes a um
trabalho de campo; já que obter os dados da literatura quase sempre requer menos recursos
financeiros, além de ser mais rápido e, sobretudo, não envolver autorizações para acessar
conhecimentos tradicionais/populares, e tampouco estabelecer repartições de benefícios
com a comunidade que teria fornecido seus conhecimentos durante um trabalho de campo.

Métodos de EB e EF envolvendo trabalho de campo


Nos estudos de EB e EF alguns requisitos são necessários para que se obtenham resultados
dignos de investigações farmacológicas e fitoquímicas posteriores. Literaturas específicas
(Foote-Whyte, 1980; Bernard, 1988; Malinowski, 1990; Minayo, 1992; Alexiades, 1996) deta-
lham os métodos e técnicas da antropologia cultural que proporcionam uma interação favorá-
vel pesquisador-entrevistado. Tal relacionamento baseia-se, sobretudo na confiança recíproca,
e, para tanto, cuidados especiais são necessários durante a realização desses estudos. Abaixo,
considerando-se uma abordagem qualitativa, esses métodos e técnicas serão descritos.

Aspectos éticos e autorizações


Primeiramente, o pesquisador deve estar atento para questões que transcendam o sim-
ples trabalho de campo; deve levar em conta o fato de que os dados coletados durante
levantamentos de EB/EF pertencem antes à cultura que o cedeu, e que a exemplo de
outros tipos de pesquisa estes dados têm um cunho científico muito importante, mas que
associado a este existe um valor comercial inegável. Nesta perspectiva, o grupo humano

Estratégias utilizadas para a seleção de plantas com potencial bioativo... 45


que participar do estudo deve ser informado pelo pesquisador a respeito de todos os
passos em que estará envolvido no estudo; bem como os seus possíveis desdobramen-
tos. A apresentação do projeto, e as dúvidas levantadas pelos membros de determinada
comunidade com quem se deseja realizar um estudo, devem ser sanadas pelo pesquisador
durante reuniões coletivas. Os líderes da comunidade devem autorizar, por meio de um
Termo de Anuência Prévia (TAP), tanto a entrada do pesquisador na sua comunidade,
quanto o acesso ao seu conhecimento tradicional/popular e a coleta de plantas indicadas
por eles durante o trabalho. Além disso, devem autorizar, quando for desejável, a publi-
cação de seus conhecimentos tradicionais/populares, disponibilizados durante o estudo,
por parte dos pesquisadores.
Para tanto, em 2001, o Ministério do Meio Ambiente criou o Conselho de Gestão
do Patrimônio Genético (CGEN-MMA), órgão de caráter deliberativo e normativo criado
pela Medida Provisória n. 2 186-16, cujo objetivo é zelar pelo patrimônio genético brasi-
leiro (fauna, flora e microorganismos). Por esta medida ficou decretado que todas as coletas
dos recursos genéticos e o acesso ao conhecimento tradicional/popular associado a estes;
para fins de pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico ou bioprospecção em âmbito
nacional; devem passar por autorizações prévias junto a este órgão.
Além disso, quando se tratar de estudo em terras indígenas, faz-se necessária também
a autorização por parte da Fundação Nacional do Índio (Funai), da Comissão Nacional de
Ética em Pesquisa (Conep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tec-
nológico (CNPq). No caso de a comunidade estar localizada em unidade de conservação
Federal de diferentes usos (Área de Proteção Ambiental, Reservas Extrativistas, Reservas
Biológicas, Estações Ecológicas, Parques e Florestas) é necessário solicitar autorização ao
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), através do Sistema de
Autorização e Informação em Biodiversidade (Sisbio) que concede autorizações de coleta e
transporte de material biológico com qualquer finalidade (pesquisa científica, bioprospec-
ção e desenvolvimento tecnológico). Ainda, em se tratando de unidades de conservação
estaduais ou municipais, os órgãos responsáveis pela administração destas unidades devem
ser comunicados, seguindo os procedimentos requeridos. Finalmente, como todo estudo
científico, deve-se obter autorização do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da instituição
onde o estudo será realizado.
A obtenção de todas as autorizações necessárias para a realização de estudos EB/EF,
pode demorar mais de um ano, conforme detalhado acima. Portanto, para a realização de
estudos dessa ordem durante cursos de mestrado e doutorado, que se fazem necessários
dentro de um prazo determinado, tais autorizações devem ser obtidas antes do início do

46 Protocolos em Psicofarmacologia Comportamental


respectivo curso. Caso contrário, o aluno não terá tempo para obter as autorizações e reali-
zar todo o trabalho de campo, que deve durar, pelo menos um ano.
Outro aspecto importante a ser ressaltado é que, por mais que o pesquisador alerte
os entrevistados sobre os possíveis desdobramentos do respectivo estudo, nem sempre é
possível prevê-los na totalidade. Nesse sentido, caso o imponderável ocorra, o pesquisador
deverá discuti-lo junto à comunidade.
Finalmente, por mais difícil que possa ser, é importante que o pesquisador envide
esforços no sentido de oferecer algum retorno à comunidade envolvida no estudo. Para
tanto, é importante buscar entre os membros da comunidade as suas necessidades locais.
Para ler mais sobre os aspectos éticos envolvidos nesses retornos, consulte Laird (2002).

Trabalho de campo
O pesquisador que deseja realizar trabalhos de campo em EB e EF deve ter disponibilidade
em passar longos períodos no local de estudo, possibilitando seu convívio com o grupo que
participa do levantamento e promovendo a mencionada interação e confiança recíproca
com a comunidade. Não existe um período ideal, pois depende do grau de envolvimento
entre pesquisador-entrevistados, porém não deve ser inferior a um ano. Esse tempo tam-
bém favorece a coleta das plantas nos seus estágios de floração e/ou frutificação, que variam
ao longo dos meses, sendo imprescindível para sua identificação até espécie.

Seleção dos grupos humanos


O objetivo de cada estudo deve determinar a escolha por certos grupos humanos, bem
como o grau de isolamento geográfico a que estão submetidos (habitantes de áreas rurais ou
urbanas). Entretanto, na maior parte das vezes, o ideal é que na seleção dos grupos huma-
nos se priorizem aqueles que ocupam locais isolados do ponto de vista geográfico, bem
como de atendimentos médicos convencionais, resultando numa terapêutica local própria.
Outra exigência concerne à existência de nativos que sejam especialistas em algum
tipo de prática de cura (xamãs, raizeiros, curandeiros, benzedeiras, rezadores, parteiras,
médiuns, pai de santo, mãe de santo, entre outros).
No que tange às plantas que agem sobre o Sistema Nervoso Central – de modo par-
ticular as psicodislépticas (plantas que perturbam a atividade da mente) – praticamente
não se observam esses usos entre as populações de caboclos, caiçaras, jangadeiros, entre
outras, provavelmente, pela forte influência repressora que a religião católica exerceu sobre
esses grupos. Já entre os afro-brasileiros e/ou quilombolas e as etnias indígenas esses usos
são recorrentes pela forte resistência cultural que apresentaram, apesar de todo o massacre

Estratégias utilizadas para a seleção de plantas com potencial bioativo... 47


pelo qual vêm passando desde o descobrimento do Brasil. Isto porque, durante seus ri­tuais
mágico-religiosos – xamanismo, umbanda, candomblé entre outros – necessitam utili-
zá-las a fim de promover o contato do curador com o mundo sobrenatural, viabilizando o
tratamento terapêutico.
O conhecimento a respeito das plantas medicinais no ambiente urbano, além de ter
sofrido influências de imigrantes ao longo do processo civilizatório do Brasil; ainda hoje
é resultado dos fluxos migratórios entre diversas regiões do País promovendo o contato
com a rica diversidade de biomas e culturas. O fluxo migratório de moradores do nordeste
para o sudeste do Brasil, para a cidade de São Paulo, por exemplo, possibilita que estes
interajam com a população paulistana, contribuindo com a transformação da terapêutica
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. Porém, esse tipo de conhecimento, pelo fato de ser difuso, já não representa novi-
dade do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico, quando comparado aos conhe-
cimentos genuínos, presentes entre culturas que possuem uma terapêutica própria, com
pouca interferência da medicina oficial. Além disso, as plantas que compõem o repertório
terapêutico no ambiente urbano são, em grande parte, exóticas (espécies introduzidas de
outras regiões, cultivadas ou não); ao contrário do observado entre grupos humanos que
habitam áreas rurais ou com grande isolamento geográfico, onde geralmente predominam
as nativas.

Seleção dos entrevistados


Uma vez selecionado o grupo humano, e tendo este aceito participar da realização do pro-
jeto, o pesquisador deverá selecionar aqueles indivíduos que serão entrevistados durante o
estudo. A seleção dos entrevistados depende dos objetivos, tempo e recursos disponíveis
para a realização do estudo. No entanto, quando se pretende entrevistar poucos nativos e
em profundidade, numa abordagem qualitativa, é comum utilizar a seleção por julgamento
ou proposital, onde o pesquisador escolhe os entrevistados que julga preencherem os crité-
rios de inclusão do estudo.
Nos estudos de EB e EF, a maior parte do conhecimento em relação ao uso de plan-
tas nos processos de cura está concentrada em poucas pessoas, sendo elas procuradas
em casos de doenças pelos moradores locais. Desta maneira, para a seleção dos entre-
vistados consideram-se as indicações dos próprios moradores em relação a essas pessoas
que exercem funções específicas dentro do grupo, tais como os: xamãs, pajés, curadores,
mães de santo, entre outros. Cada uma das pessoas indicadas deve ser visitada várias
vezes pelo pesquisador, a fim de se estabelecer uma relação que permita a realização de
entrevistas e observações, viabilizando assim o registro de grande parte de seus conheci-

48 Protocolos em Psicofarmacologia Comportamental


mentos. Durante essas entrevistas, o pesquisador busca indicações de outros potenciais
entrevistados, até que novas indicações se esgotem numa comunidade, atingindo o uni-
verso de entrevistados.
No caso das terras indígenas, por exemplo, onde extensas áreas são ocupadas por
várias aldeias, corre-se o risco de encontrar um número de pessoas envolvidas com prá-
ticas de cura superior ao esperado, diante do tempo e recursos disponíveis para a realiza-
ção do trabalho de campo. Nesses casos em que não é possível obter entrevistas de todos
os potenciais casos, o pesquisador deve realizar a seleção de parte do universo amostral,
por julgamento. Para tanto deve considerar o fato de que na abordagem qualitativa deve-se
priorizar o aprofundamento, a riqueza de informação e a abrangência da compreensão do
grupo social. Sendo assim, deve utilizar uma amostragem qualitativa que privilegia os sujei-
tos sociais que detêm os atributos que o investigador pretende conhecer; considera-os em
número suficiente para permitir certa reincidência das informações, porém não despreza
informações ímpares cujo potencial explicativo tem de ser levado em conta. O pesquisador
deve ainda considerar o limite das generalizações dos fatos observados nesses casos.

Entrevistas e observações
A Etnografia é uma abordagem de campo da Antropologia que permite a imersão do pes-
quisador na cultura estudada. Um instrumento muito utilizado dentro da etnografia é a
observação participante. Nesta, o pesquisador acompanha o entrevistado e participa de
suas atividades cotidianas, como por exemplo, festas, caças, pescas, participação em rituais,
entre outras. Desta forma, ele interage com os hábitos da população, compreendendo sua
linguagem, história e práticas medicinais.
Para a obtenção das informações sobre os dados pessoais dos entrevistados, bem
como dos usos de plantas medicinais podem ser utilizadas:
• entrevistas informais: muito utilizadas ao longo do trabalho de campo, consistem
em conversas informais, caracterizadas pela total falta de estrutura e controle. O pesqui-
sador lembra-se de tópicos de interesse, abordados ao longo dos dias e tenta investigá-los
mais profundamente;
• entrevistas não estruturadas ou etnográficas: realizadas periodicamente com os
entrevistados, que sabem o objetivo do encontro. O pesquisador tem fixo para si suas per-
guntas, mas não controla as respostas do entrevistado. O ideal é que esse tipo de entrevista
seja utilizada quando o pesquisador dispõe de muito tempo para a pesquisa de campo;
• entrevistas semiestruturadas: quando o pesquisador não terá mais de uma chance de
entrevistar determinado entrevistado, o melhor é utilizar esse tipo de entrevista. Baseia-se

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num guia de perguntas e tópicos que devem ser abordados numa determinada ordem. No
entanto, o pesquisador não deve controlar as respostas do entrevistado;
• check list: nesta atividade os entrevistados são reentrevistados, para que as infor-
mações por eles fornecidas em momentos anteriores sejam revisadas individualmente, de
maneira informal ou direta, a fim de garantir a veracidade desses dados.
Os acontecimentos, observações e percepções do pesquisador, bem como os dados
oriundos de entrevistas informais, devem ser registrados em diários de campo no final
de cada dia, evitando que informações importantes caiam no esquecimento. Tais dados
deverão ser transformados em relatórios quanto antes for possível. Enquanto as demais
informações obtidas durante entrevistas não-estruturadas, semiestruturadas e check list,
devem ser registradas em fichas de dados, tais como: Ficha de Dados dos Entrevistados
(quadro 1) e Ficha de Dados Etnofarmacológicos (quadro 2). Esta última deve enfati-
zar o uso medicinal e possíveis efeitos tóxicos das diversas partes das plantas indicadas
pelos entrevistados. Conforme observado no quadro 2, outros recursos naturais podem
estar envolvidos na receita além das plantas e portanto devem ser coletados mediante
Fichas de coleta específicas: Ficha de Dados Botânicos (quadro 3), Ficha de Dados Ani-
mais (quadro 4) e Ficha de Dados Minerais (quadro 5). Neste capítulo, apenas a coleta
das plantas será detalhada. O conteúdo dessas fichas pode ser alterado dependendo dos
objetivos específicos de cada estudo; em estudos de EB, por exemplo, a Ficha de Dados
Etnofarmacológicos é substituída pela Ficha de Dados Etnobotânicos, descrevendo todos
os tipos de usos das plantas (alimentar, artefatos, medicinais, corantes etc.). Todas as
informações contidas em relatórios e fichas de dados devem ser utilizadas para a análise
e discussão dos dados obtidos.
Vale ressaltar que, embora não tenha sido abordado neste texto, nos estudos de EB e
EF podem-se utilizar ainda entrevistas estruturadas, na qual todos entrevistados são sub-
metidos ao mesmo tipo de estímulo. Este pode ser uma série de perguntas, uma lista de
nomes ou fotos de plantas ou mesmo um jardim cheio de plantas. Pode-se, por exemplo,
levar para campo várias fotos ou nomes de plantas medicinais e numa mesma reunião com
vários entrevistados pedir para cada um elencar aquelas que mais utilizam. Ou mesmo
individualmente, pedir que cada entrevistado fale aleatoriamente o maior número possí-
vel de nomes de plantas medicinais que conhece; assim, as primeiras a serem citadas na
lista podem ser estimadas como sendo as mais utilizadas/de maior importância para certo
entrevistado. Entrevistas estruturadas são comumente utilizadas em abordagens quantitati-
vas, não descritas no presente texto.

50 Protocolos em Psicofarmacologia Comportamental


Quadro 1. Ficha de dados pessoais

Código:
Nome:
Sexo:
Idade:
Local de nascimento:
Ascendências:
Estudou em escola? Até que série ou por quanto tempo?
Há quanto tempo mora neste lugar?
Ocupação atual:
Com quem aprendeu/aprende sobre o uso dos remédios do mato? (parentes, vizinhos, amigos, espírito?)
Costuma repassar seus conhecimentos sobre remédios do mato para alguém da sua comunidade? E de fora dela?
Posição que ocupa na sua comunidade (mãe de santo, pajé, rezador, parteira, outros):
Data:
Obs.:

Quadro 2. Ficha de dados etnofarmacológicos

Código da receita:
Código do entrevistado:
Nome(s) popular(es) da(s) planta(s), animal(is) e mineral(is) utilizados na receita e respectivos códigos de coleta:
Uso:
Partes (considerando plantas: folhas, cascas, flores, sementes, frutos, raízes, tubérculos, pecíolo, galhos, planta
toda – considerando animais: penas, pele, dentes, escamas, pênis, entre outros) ou produtos (biles, látex,
resinas, óleos) de cada recurso utilizado:
Quantidade de cada parte/produto utilizado na receita:
Modo de preparo: (descrever a técnica utilizada pelo entrevistado, que geralmente são reconhecidas por:
infusão, decocção, macerado, cigarro, emplastro, in natura, sumo, defumação, garrafada, entre outros)
Via de administração: (ingestão, dérmica, inalação, retal, entre outras)
Dose, dosagem e duração de uso: (é diferenciada para idosos, adultos e crianças?)
Já experimentou outras doses dessa receita? O que verificou?
Contraindicações:
Se consumida/utilizada acidentalmente quando contraindicada, existe alguma planta/animal que reverte/
neutraliza o efeito nocivo?
No caso da(s) planta(s) que compõe(m) essa receita: Sabe se alguma parte específica dela pode ser venenosa?
Essa receita pode ser utilizada junto com outros remédios (outras plantas e/ou medicamentos de farmácia)? Em
caso negativo, conte-me mais sobre isso.
Existe alguma restrição alimentar, sexual ou de outro tipo relacionada ao uso dessa receita?

Estratégias utilizadas para a seleção de plantas com potencial bioativo... 51


Quadro 3. Ficha de dados botânicos
Código da planta:
Nome(s) popular(es):
Família:
Nome científico:
Origem Habitat
 Nativa  Exótica  Restinga
 Regiões tropicais  Capoeira
 Regiões temperadas  Campo
 Cosmopolita  Floresta
 Américas  Cerrado
 África  Brejo
 Ásia  Mata Ciliar
 Europa  Outros
Ocorrência Partes Vegetativas
 Espontânea Aroma:
 Cultivada Sabor:
Obs.:
Hábito Substâncias exsudadas Floração
 Árvore  Óleo Época:
 Arbusto  Goma Tipo:
 Herbácea  Látex Coloração:
 Epífita  Mucilagem Frutificação
 Aquática  Resina
 Trepadeira  Seiva Época:
 Outros  Tinta Tipo:
 Outros Coloração:

Local de coleta: Fotógrafo(a):


Coletor(a): N° da foto:
Data da coleta:
Lat/Long: Sistemata (det.):
Obs.: N° de registro no herbário:
Código do entrevistado:
Código da receita:
Adaptado de: Agarez et al., 1994; Born, 1997; e Lipp, 1989.

Quadro 4. Ficha de dados animais


Código do animal
Nome(s) popular(es):
Classe:
Nome científico:
Porte (em cm):
Descrição da coloração:
Local de coleta: Fotógrafo(a):
Coletor(a): N° da foto:
Data da coleta: Sistemata (det.):
Obs.: N° de registro no museu:
Código do entrevistado:
Código da receita:

52 Protocolos em Psicofarmacologia Comportamental


Quadro 5. Ficha de dados minerais
Código do mineral:
Nome(s) popular(es):
Nome do mineral:
Fórmula química:
Dimensões (em cm):

descrição das amostras

 Nativa  Exótica

para as naturais

Descrição:
Cor:
Dureza:
Traço:
Clonagem:
Local de coleta:
Tipo de afloramento:
 rocha  colúvio  elúvio  alúvio  solo
Coordenadas UTM:
Unidade geológica/formação:

Para as artificiais

Tipo de material:
Local:
Fotógrafo(a):
N° da foto:
Coletor(a):
N° de registro no laboratório:
Data da coleta:

Código do entrevistado:
Código da receita:

Coleta, identificação e depósito do material vegetal em herbário


O trabalho de campo deve garantir que a maior parte das plantas indicadas pelos entrevis-
tados ao longo das visitas seja coletada em seu estado de floração e/ou frutificação. As cole-
tas devem ser acompanhadas do entrevistado, realizadas durante saídas pelas matas, quando
indica aleatoriamente as plantas que conhece pelo nome popular, seus usos terapêuticos, for-
mas de preparo, via de administração, doses, contraindicações e potenciais efeitos tóxicos.
Conforme explicado anteriormente, estas informações são registradas em Fichas de Dados
Etnofarmacológicos e as características morfológicas (hábito, tamanho, forma de folhas, tipos
de flores e frutos) e organolépticas (cores, odor e textura) das plantas são anotadas em uma
Ficha de Dados Botânicos. As localizações das plantas devem ser georreferenciadas mediante

Estratégias utilizadas para a seleção de plantas com potencial bioativo... 53


utilização de um GPS (Sistema de Posicionamento Global). Depois de anotadas essas infor-
mações, a planta deve ser documentada por meio de foto e, em seguida, coletada.
Devem ser coletadas entre duas a três amostras de cada planta, seja pelo método seco
ou molhado. Esses métodos consistem em armazenar cada amostra da planta, com cerca
de 40 cm de comprimento, entre folhas de jornais dobradas, empilhadas, prensadas em
treliças de madeira e acondicionadas em campo. Ao chegarem ao herbário sofrem processo
de desidratação, durante três dias em uma estufa a 60ºC. A diferença entre eles é que, no
molhado, as amostras são saturadas em álcool diluído a 70% e mantidas dentro de um saco
plástico fechado até chegarem ao herbário. Essa técnica otimiza a tolerância do tempo de
armazenagem do material vegetal em campo, sem que haja comprometimento deste (por
ataque de fungos, por exemplo), permitindo retornos esporádicos (até mensais) ao herbá-
rio para secagem do material. A sua desvantagem é que o álcool torna as amostras escuras.
A vantagem do método seco é que a coloração das amostras se mantém, porém a desidra-
tação deve ser rápida.
Uma vez desidratadas, as amostras são identificadas pelos respectivos taxonomistas
do gênero ou família a que pertencem. Após a identificação taxonômica devem ser confec-
cionadas exsicatas (figura 1), segundo padrões internacionais para medidas e material4.
Cada exsicata contendo o material botânico herborizado recebe um número de registro
cedido pelo herbário e deverá estar acompanhada de um rótulo de identificação do material
vegetal e as demais informações constantes na Ficha de Dados Botânicos. As exsicatas são
entregues à curadoria do herbário para depósito no seu acervo, devendo este ser reconhe-
cido como fiel depositário pelo CGEN-MMA.

Compilação e análise dos dados


A obtenção e forma de análise dos dados em estudos de EB e EF podem ter cunho qualita-
tivo e/ou quantitativo. Para este último tipo de abordagem, vários índices foram desenvolvi-
dos, permitindo análises baseadas em cálculos que demonstram, por exemplo, a importân-
cia de determinada planta numa comunidade ou mesmo a diversidade do conhecimento.
Para mais informações consultar referências específicas: Begossi (1996), Phillips (1996) e
Alexiades (1996).
Nas análises qualitativas, as observações e entrevistas são fundamentais, uma vez que
permitem compreender e registrar os conceitos dos entrevistados em relação à saúde, doença,

4. As medidas internacionais das exsicatas são 28 x 42 cm e o material padrão é cartolina 80 kg, sendo as
capas confeccionadas com papel pardo ou kraft 45 kg (Mori et al., 1985) .

54 Protocolos em Psicofarmacologia Comportamental


Família: Mimosoideae – Leguminosae
Espécie: Plathymenia reticulata Benth.

Det.: L. Rossi, X, 2000.


Local: Brasil, Tocantins, município de Goiatins, área
indígena dos Krahô, Aldeia Nova.
Col.: E. Rodrigues, 733 Data: 17/3/2000
Nomes populares: acààre, candeia
Obs.: Árvore de médio porte, 5 m, fruto do tipo
vagem, verde. Cerrado.

Projeto: ”Usos tradicionais de plantas psicoativas por


dois grupos humanos no Brasil. Uma reflexão sobre
eficácia simbólica e princípios ativos” (Universidade
Federal de São Paulo), Eliana Rodrigues, sob
orientação do Prof. Dr. Elisaldo A. Carlini.

Figura 1. Exemplo de uma exsicata e rótulo de identificação do material vegetal.

Estratégias utilizadas para a seleção de plantas com potencial bioativo... 55


remédio, veneno, cura, prevenção e proteção. Além disso, permitem registrar todos os sin-
tomas descritos para determinada enfermidade, segundo os entrevistados, a fim de procu-
rar identificar sua equivalência na medicina oficial, já que muitos termos médicos obtidos
durante os estudos de EB e EF são de difícil interpretação. O termo “vermes na cabeça” exem-
plifica a dificuldade que o pesquisador dessas áreas encontra, ao tentar estabelecer uma corre-
lação entre um termo da medicina local – denominado termo êmico –, e aquele da medicina
oficial – termo ético. Algumas vezes, tal correlação fica totalmente prejudicada pela dificul-
dade de tradução podendo ser comparada a um “quebra-cabeça etnofarmacológico”. Este é,
sem dúvidas, um dos maiores desafios do pesquisador que realiza levantamentos de EB e
EF, sobretudo pela ausência de profissionais da área médica acompanhando os trabalhos de
campo, que muito poderiam contribuir para estabelecer tais correlações.
As anotações em diários de campo acima mencionadas devem ser submetidas à
análise de conteúdo, sendo condensadas e codificadas, de modo a facilitar o encontro de
categorias temáticas nos dados obtidos. Existem duas diferentes circunstâncias em que
as anotações são manuseadas. A primeira ocorre de forma indutiva, onde se procura, por
meio das anotações, discernir temas e padrões de interesse. A segunda, dedutiva, onde o
pesquisador tenta testar suas ideias sobre padrões a partir dos dados presentes nas suas
anotações. Ambas oferecem uma visão geral dos dados, possibilitando uma reflexão sobre
os resultados (Huberman & Miles, 1994).
Já a análise dos dados obtidos durante as entrevistas, mediante o preenchimento das
Fichas de Dados (Quadros 1, 2, 3, 4 e 5) pode ser realizada por simples frequência, utili-
zando-se como ferramenta um Banco de Dados composto por planilhas que permitam o
cruzamento dos diversos dados presentes nessas fichas, gerando análises quanto ao:
• no de espécies vegetais indicadas para um determinado uso terapêutico;
• no de usos terapêuticos indicados para uma determinada espécie;
• frequência de citação de uma determinada espécie para um mesmo uso terapêutico;
• famílias taxonômicas mais frequentemente indicadas para um determinado uso
terapêutico, entre outras.
Tais análises quantitativas, somadas às qualitativas, devem ser utilizadas para a aná-
lise global dos dados, permitindo inferências e interpretações.

Estudos de EB e EF realizados no Brasil


Até pouco tempo, os estudos de EB e EF focando o uso de plantas medicinais priorizavam
a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica; porém, diante da crescente especulação acerca do
promissor potencial farmacológico presente nos demais biomas brasileiros, esta situação

56 Protocolos em Psicofarmacologia Comportamental


está sendo revertida. Estudos na Caatinga, no Cerrado e nos Pantanais Mato-grossenses têm
sido realizados nas últimas décadas. Grande parte desses estudos encontra-se cadastrado no
Banco de Publicações Etnofarmacológicas do Brasil pelo site www.cee.unifesp.br, e estão dis-
poníveis para consulta no acervo do Centro de Estudos Etnobotânicos e Etnofarmacológicos
– Unifesp.
Apesar desses estudos, o conhecimento acumulado por essas áreas ainda se encon-
tra em um estágio embrionário, diante do potencial biológico e cultural existentes no
território brasileiro.

Critérios utilizados pelos nativos para a seleção de potenciais bioativos


As abordagens utilizadas pela academia e indústria farmacêutica na seleção de plantas
como potenciais bioativos já foram descritas neste capítulo. Critérios similares são utili-
zados por aqueles que vivem nas e das matas, ou seja, os entrevistados durante os estudos
de EB e EF:
a. de modo similar às coletas randômicas, utilizam a tentativa e erro como uma das
estratégias de busca de novas drogas; mais adiante será visto que esta estratégia não é abso-
lutamente ao caso, pois parece seguir algumas “pistas sensoriais”.
b. também a exemplo da abordagem da zoofarmacognosia, procuram observar o
comportamento de certos animais após o consumo de uma determinada planta; servindo
como pistas a serem seguidas quando decidem experimentá-la. Uma observação curiosa foi
feita pelos índios Krahô antes de se lançarem na experimentação de uma planta, basean-
do-se no fato de que quando os veados a consumiam sua captura era facilitada, uma vez que
ficavam mais lentos. Ao experimentarem a planta, na forma de cigarro, batizaram-na de
caprankohiréhô. Na língua timbira capran significa tartaruga; kohiré (vértebra) e hô (folha),
portanto trata-se de uma planta que “te deixa tão lento quanto a vértebra da tartaruga”, ou
seja, possivelmente deve tratar-se de uma planta com efeito ansiolítico ou sedativo. Neste
caso, o próprio nome dado à planta já remete ao seu efeito farmacológico.
Os outros dois critérios, elencados abaixo, diferem daqueles utilizados pela acade-
mia e podem ser compreendidos dentro da Teoria da Personalidade, preconizada por Carl
Gustav Jung, que identifica quatro funções psicológicas fundamentais: pensamento, senti-
mento, sensação e intuição. As duas primeiras são maneiras alternativas de tomar decisões,
enquanto as duas últimas relacionam-se ao aprendizado de informações e têm funções per-
ceptivas. A sensação refere-se às informações que recebemos através de nossos órgãos dos
sentidos (visão, paladar etc.), enquanto a intuição é a percepção através do inconsciente,
sem o recurso das sensações. Trata-se da apreensão do ambiente por meio de pressentimen-

Estratégias utilizadas para a seleção de plantas com potencial bioativo... 57


tos, palpites ou inspirações; é a busca dos significados, das relações e possibilidades futuras
da informação recebida, por exemplo, por meio dos sonhos;
c. do ponto de vista das sensações – os estímulos sensoriais (obtidos pelos nativos
ainda na infância, enquanto brincam na mata com flores, frutos e folhas – dissecando-os,
cheirando-os, e amassando-os, na pretensão de entenderem como funcionam), somados
à curiosidade nata desses povos, iniciam a elaboração de correlações entre particularida-
des (morfológicas e organolépticas) de uma planta e seus usos potenciais. Quando neces-
sitam de um novo remédio, é como se consultassem seu “banco de memórias sensoriais”
para correlacionarem uma determinada necessidade à particularidade de uma planta. As
curiosidades e observações natas, somadas à disponibilidade de uma rica fonte de plantas
acabam possibilitando a geração de novas receitas a serem testadas no momento em que se
mostrarem necessárias; portanto ao testarem uma planta, não o fazem completamente ao
acaso, mas sim utilizam estas informações sensoriais. Este raciocínio é universal e segue o
princípio da Doutrina das Assinaturas preconizada por Paracelso (1493-1541), na qual se
admite que seja possível reconhecer, pela aparência externa, as peculiaridades e virtudes de
cada erva por sua “assinatura” (figura, forma, cor). Assim, por exemplo, uma dada semente
em forma de rim, poderia ser testada no tratamento de uma doença urinária. Partes aver-
melhadas de plantas poderiam reverter um quadro de anemia, “fornecendo sangue”, e assim
por diante. De fato, alguns levantamentos de EB e EF observaram que várias comunidades
selecionam as plantas através de propriedades organolépticas – paladar, odor, forma, tex-
tura (Heinrich et al., 1998; Leonti et al., 2003; Morales & Ladio, 2009); e finalmente,
d. do ponto de vista da intuição – esta é utilizada na escolha de uma dada planta a ser
utilizada com fins terapêuticos, já que os nativos armazenam grande quantidade de conhe-
cimento acerca das possíveis interações entre os elementos da natureza onde habitam, pelas
inúmeras experiências vivenciadas. Conforme explica Jung, as implicações da experiência
(o que poderia acontecer, o que é possível) são mais importantes para os intuitivos do que a
experiência real por si mesma.
Em última análise, os nativos que praticam as terapêuticas locais e, portanto estu-
dam as plantas (xamãs, curadores etc.) demonstram ter tipos de personalidades sensitivas
e intuitivas.
Conforme pode-se observar pelos critérios acima, todo esse processo de aquisição do
conhecimento é complexo. Assim, o conhecimento tradicional e o popular não são estan-
ques, tão pouco constituídos apenas pela herança dos antepassados, ao contrário, são dinâ-
micos e estão em contínua transformação.

58 Protocolos em Psicofarmacologia Comportamental


Considerações finais
Apesar do presente capítulo descrever apenas os aspectos metodológicos da EB e EF, vários
critérios podem ser considerados simultaneamente na seleção de plantas a serem investiga-
das pela farmacologia e fitoquímica.
Dessa forma, pode-se associar a quimiotaxonomia às informações obtidas nos estu-
dos de EB/EF. Ou seja, a indicação de certa planta pela EB ou EF pode ser um ponto de par-
tida, que somada a informações acerca dos compostos químicos prevalentes no seu gênero/
família, relacionados a uma dada atividade biológica, resulta no aumento das chances de
sucesso nestas investigações.
Além disso, dentre as plantas indicadas durante os estudos EB e EF, devem-se
priorizar as:
• plantas angiospermas, sobretudo as eudicotiledôneas, uma vez que possuem maior
variedade de metabólitos secundários, responsáveis pelas atividades biológicas, quando
comparadas às monocotiledôneas e demais plantas;
• plantas nativas devem merecer maior atenção, já que existem em grande diversidade e
muitas vezes são exclusivas do território brasileiro, o que as torna novidade do ponto de vista
do desenvolvimento tecnológico, quando comparadas às exóticas, já amplamente estudadas;
• plantas que foram indicadas pelos entrevistados como sendo as “mais fortes” para
determinado uso terapêutico, entre todas do repertório terapêutico local, ou seja, as prefe-
ridas pelos entrevistados em virtude de sua eficácia;
• receitas envolvendo uma única planta na sua composição, já que a mistura de plan-
tas dificulta a avaliação sobre a contribuição de cada qual no efeito terapêutico final, que
pode ser resultado da interação (sinergismos e antagonismos) de duas ou mais plantas;
• plantas cujas indicações de uso terapêutico citadas durante levantamentos de EB/EF
contemporâneos remontam séculos, constando em literatura antiga. Visto que sua manu-
tenção de uso ao longo dos séculos evidencia a sua importância farmacológica;
• plantas que tenham sido indicadas por vários grupos humanos/membros de uma
comunidade para a mesma finalidade terapêutica indicam grande concordância de uso, e
por consequência, apontam grande chance de apresentar determinada atividade biológica.
Muito embora, plantas que tenham sido indicadas por um único entrevistado, muitas vezes
não deixam de ter a mesma relevância, visto que alguns curadores possuem conhecimentos
particulares e exclusivos, que não dividem com os demais membros da sua comunidade,
como aqueles utilizados no combate a feitiçarias, por exemplo, e finalmente;
• plantas cuja via de administração indicada seja outra que não a oral, visto que esta
já tem sido amplamente investigada pela farmacologia. Assim, indicações envolvendo as

Estratégias utilizadas para a seleção de plantas com potencial bioativo... 59


vias: inalatória (plantas indicadas na forma de defumadores) e dérmica (banhos e emplas-
tos), podem ser mais promissoras do ponto de vista de inovação tecnológica do que aquelas,
embora nem sempre seja possível replicar a observação feita durante o trabalho de campo
em laboratórios de farmacologia pré-clínica, em virtude do próprio limite metodológico
desta disciplina. Assim: como testar em ratas de laboratório as entrecascas de certas árvores
que são amarradas na barriga de índias Krahô – e de outras etnias – que desejam determi-
nar o sexo do filho a ser gerado? Embora saibamos dos limites deste desafio, torna-se neces-
sário, cada vez mais, avançarmos na tentativa de unir os dados da EB e EF aos protocolos
farmacológicos, considerando, sobretudo, as particularidades das suas vias de administra-
ção durante a sua replicação em animais de laboratório.
Especificamente, quando se considera o desenvolvimento de um extrato vegetal e
não a síntese de seu princípio ativo como produto, outros critérios ainda devem ser consi-
derados na escolha da planta a ser estudada:
• devem-se priorizar as plantas cujas indicações terapêuticas remetam à folha ou
casca, já que certas partes, tais como raízes, sementes e flores, dificultam ou até mesmo
podem inviabilizar a produção do extrato em larga escala, requerida pela indústria;
• a disponibilidade da planta indicada nos estudos de EB/EF na natureza também
deve ser considerada nesse caso, já que, em se tratando de plantas de ocorrência restrita, a
sua produção em escala econômica estaria comprometida;
• plantas que oferecem grande volume de biomassa devem ser selecionadas para
estudo, devendo-se evitar plantas cujas partes a serem utilizadas sejam muito diminutas
e/ou delicadas ou ainda no caso da planta ser de pequeno porte, já que não garantem o
rendimento de matéria prima necessária para produção comercial;
• finalmente, ainda nesta mesma linha de raciocínio, plantas de fácil cultivo devem
ser priorizadas.
É importante ressaltar que estudos de EB e EF, que resgatam e registram potenciais
bioativos (indicações de partes das plantas, formas de preparo, vias de administração, con-
traindicações entre outras), fornecem pistas importantes para a elaboração de protocolos
a serem desenvolvidos pela farmacologia pré-clínica e clínica; bem como o tipo de extrato
a ser preparado pela fitoquímica, podendo indicar a polaridade mais adequada em cada
caso. Portanto, a união dessas áreas é indispensável para o desenvolvimento científico e
tecnológico de novos medicamentos. Considerações a respeito da preparação dos extratos e
a forma de avaliá-los em testes fitoquímicos e farmacológicos serão tratadas nos próximos
capítulos deste livro.

60 Protocolos em Psicofarmacologia Comportamental


Agradecimentos
Gostaríamos de agradecer aos colegas Prof. Dr. Antonio Salatino, Prof. Dr. João H. G. Lago
e à Dra. Zila van der Meer Sanchez pela leitura e crítica do texto. Agradecemos ainda as
colegas Nayara Begalli Scalco Vieira e Juliana de Faria Lima Santos.

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64 Protocolos em Psicofarmacologia Comportamental

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