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Centro Universitário de Belo Horizonte – UniBH

Aluno: Cláudio Fernandes S. Anjos Filho


Resenha “Uma breve revisão do atendimento médico pré-hospitalar”

O atendimento pré-hospitalar é o atendimento prestado por equipes de saúde


especializadas em situações de urgência e emergência, em eventos extra-hospitalares, visando a
estabilização clínica ou a minimização de sequelas nas vítimas.

A primeira organização moderna de auxílio médico de urgência foi colocada em prática


por Dominique Larrey em 1792, que praticava os cuidados iniciais aos pacientes vitimados nas
guerras do período napoleônico. As guerras mais recentes também confirmaram os benefícios do
atendimento precoce, sendo frequentes os atendimentos pré-hospitalares. Na prática civil os
atendimentos demoraram a acontecer, mesmo diante do aumento progressivo das perdas de vidas
humanas por traumas advindos de causas externas. Inicialmente a responsabilidade do serviço de
resgate ficou com os militares do Corpo de Bombeiros.

Na França, foram criadas as primeiras equipes móveis de reanimação para assistência


médica aos pacientes vítimas de acidentes de trânsito e aos submetidos à transferências inter-
hospitalares. Logo depois , nos anos 60, criaram oficialmente os Serviços Móveis de Urgência e
Reanimação (SMUR), dispondo das Unidades Móveis Hospitalares (UHM) e o SAMU, com o
objetivo de aumentar as chances de sobrevivência dos pacientes, iniciando pelos cuidados
básicos e avançados essenciais, centrados na reestruturação da ventilação, respiração e circulação
adequadas. As equipes das UHM passaram também a intervir nos domicílios dos pacientes.

No Brasil o surgimento dos serviços de emergência pré-hospitalar foi influenciado pelos


modelos americano e francês. A França destaca-se no cenário mundial por construir um modelo
bastante eficiente, com órgãos permanentes e temporários, obedecendo a uma orientação
centralizada, amparada por legislação, bem como recursos humanos e materiais de acordo com
as necessidades levantadas. Todas as chamadas são avaliadas por um médico, que define a
resposta mais eficiente, maximizando os recursos disponíveis. Já nos moldes americanos, as
atividades de resgate são exercidas primariamente por profissionais paramédicos.
A necessidade de melhoria e expansão do sistema de atendimento pré-hospitalar vem
sendo cada vez maior nas últimas décadas. Várias cidades do Brasil já contam com o SAMU ou
estão em fase de implantação sendo que cada localidade possui um sistema próprio, o que deixa
claro que não há sistemas perfeitos.

Em Ribeirão Preto, o SAMU foi criado em 1996, a partir de iniciativa de profissionais da


Secretaria da Saúde, tendo como princípios o atendimento às urgências no campo pré-hospitalar.
Foi constituído a partir do sistema francês, com uma equipe composta de médico, enfermeira e
motorista. No final do ano de 1998, , foi definitivamente implantada a Central de Regulação
Médica do SAMU, um convênio firmado entre a Prefeitura Municipal e o Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. A parceria permitiu a implantação da Central nas
dependências da Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas, sendo, então, estruturada uma
Central de Regulação Médica com o Sistema 192, o serviço de ambulâncias do Município,
responsável por atender e registrar todas as chamadas telefônicas dos solicitantes, sejam estas
para simples informações, sejam para envio de unidades móveis de atendimento. No ano
seguinte, o SAMU foi mais uma vez expandido com a inclusão das unidades de suporte básico
(USB) no Serviço. Para tanto, os motoristas e auxiliares de enfermagem das viaturas de suporte
básico foram capacitados para o atendimento pré-hospitalar.

Atualmente, o SAMU é dotado de três viaturas de suporte avançado, estando uma em


atuação e as outras em esquema de sobreaviso; e de sete unidades de suporte básico, distribuídas
nas unidades básica distrital de saúde. Quanto à Central de Regulação Médica, o SAMU dispõe
de profissionais em período integral e em período reduzido de atividade, totalizando, cento e
trinta e seis indivíduos das diferentes categorias profissionais. Mantém seus dois serviços, a
Central de Regulação Médica e o Serviço de Atendimento Pré-hospitalar, coesos e interligados.

Na equipe de suporte avançado, cada unidades de suporte avançado é constituída por uma
tripulação formada por um médico, enfermeiro e motorista, no qual serão enviadas mediante a
autorização do médico regulador ou do coordenador direto do SAMU. Portanto, o médico
regulador avalia a existência de risco imediato à vida (comprometimento da via aérea, dinâmica
respiratória, dinâmica circulatória, função neurológica e comprometimento funcional de
extremidades).
Na equipe de suporte basico, cada unidade é constituída por um auxiliar de enfermagem e
um motorista. As unidades de suporte básico só são liberadas para atendimento mediante
autorização do médico regulador ou do coordenador direto do SAMU. Portanto, o médico
regulador avalia a inexistência de risco imediato à vida (atendimentos a pacientes traumatizados,
uma vez que seja estabelecido pelo médico regulador que não há risco imediato à vida; e
atendimentos a pacientes portadores de patologias clínicas, quaisquer que sejam as etiologias,
uma vez que seja estabelecido pelo médico regulador que não há risco imediato à vida).

A equipe de regulação médica, constituída pelo médico regulador assume a função de


julgar e decidir sobre a gravidade do caso comunicado, disponibilizando os recursos a serem
enviados, orientando o atendimento a ser realizado; e administrar os meios disponíveis para a
prestação do atendimento. A Central de Regulação Médica do SAMU dispõe de duas linhas
privativas e de quatro linhas externas, pertencentes ao sistema 192, além de linhas externas de
apoio e de linhas internas do próprio hospital. Toda a solicitação é atendida pelas técnicas
auxiliares e, uma vez anotada e triada, é repassada ao médico regulador para decisão de conduta,
sendo a maior parte dos atendimentos destinados a portadores de patologias traumáticas, como
acidentes envolvendo veículos automotores.

Atualmente, contamos com a Rede Brasileira de Cooperação em Emergências, que se


destina ao estudo das urgências/emergências no país, e a Rede de Cooperação em Urgências do
Mercosul, visando o desenvolvimento da assistência às urgências, determinando um processo de
ajuda mútua, impulsionando a criação de serviços de atendimento pré-hospitalar de urgências.

O atendimento pré-hospitalar desempenha um importante papel na saúde pública, uma


vez que situações emergenciais são observados cada vez mais na população em geral. Conhecer
a história da implantação destes serviços tornou evidente que a estruturação de um serviço
eficiente traz à população garantia da qualidade na assistência. A falta de legislação pertinente
faz com que várias estruturas sejam encontradas pelo país, resguardando, entretanto, os
princípios fundamentais de atendimento rápido, preciso e eficaz, o que vem colaborando para a
redução dos danos secundários às maiores causas de trauma, visando maior qualidade de vida
para a população.