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Tema 2 – A Relação Saúde, Condições de Trabalho e o

Acidente de Trabalho
Projeto Pós-graduação
Curso Enfermagem do Trabalho
Disciplina Doenças Ocupacionais
A Relação Saúde, Condições de Trabalho e o
Tema
Acidente de Trabalho
Professor Anísio Calasans

Introdução
A doença ocupacional é uma modalidade do acidente de trabalho, ainda
que tenha origem gradual e causas diferentes, muitas vezes presumidas. Para
seu entendimento, precisamos conhecer os critérios para que a suspeita seja
investigada, confirmada ou descartada.
Para identificá-la, é fundamental conhecermos sua origem; para isso,
entender os fatores relacionados à saúde e adoecimento, bem como ao
trabalho, é fundamental para a atuação precisa do enfermeiro (a) do trabalho.
Assista ao vídeo para ficar por dentro do que será visto neste tema.

Disposto no material on-line.

Problematização
Após dois anos de trabalho, o Sr. José vai ao ambulatório de saúde
ocupacional em que você é o (a) responsável técnico (a), trazendo um atestado
de seu médico particular (foi pelo plano de saúde da empresa), afastando-o por
15 dias por motivo de doença. No documento, registra o CID 10 M54.5, dor
lombar baixa. O empregado tem 52 anos de idade, trabalhou como agricultor

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até os 18, então atuou como mecânico em oficinas na cidade, algumas com
vínculo empregatício, outras não. Atualmente, ocupa a função de oficial de
manutenção II e trabalha na equipe de manutenção de máquinas, onde
costuma desmontar motores elétricos e substituí-los; eles pesam entre 10 e 30
kg, mas existem ferramentas adequadas para auxiliá-lo nesse processo. Ele
informa que talvez precise fazer uma cirurgia em sua coluna e pergunta o que a
empresa pode fazer por ele. Qual sua resposta?

(Vídeo disponível no material on-line)

No final deste tema voltaremos a falar sobre este problema. Bons


estudos!

Trabalho - uma Construção Social

Para o entendimento do processo de adoecimento no ambiente


de trabalho, é fundamental conhecermos todos os elementos envolvidos e seu
inter-relacionamento. Nesse sentido, a percepção de que o trabalho é também
uma construção social, é fundamental. Precisamos buscar informações
sobre quem é o trabalhador, tanto de forma individualizada, mas também -
e principalmente, de forma coletiva e epidemiológica.
Veja mais sobre a influência do trabalho na construção da identidade do
trabalhador, acessando o link a seguir:

http://blog.newtonpaiva.br/direito/wp-content/uploads/2012/08/PDF-D2-
11.pdf

Nesse sentido, todo ambiente laboral pode ser considerado como uma

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forma de sociedade constituída por todas as pessoas que lá trabalham, direta
ou indiretamente, independentemente da subordinação, regime contratual ou
mesmo percepção dos seus papéis individuais.

Sociedade: do latim societas, que significa “associação amistosa


com outros”; é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos,
preocupações e costumes, e que integram entre si constituindo uma
comunidade. (Wikipedia)

Quem é o Trabalhador

Se a atenção das ações da equipe de saúde ocupacional é a


saúde do trabalhador, os primeiros dados a serem estudados são os
relacionados a este importante agente do processo produtivo.
Para tanto, iniciamos propondo um questionamento como
exemplo: em que região do país está inserida a empresa (indústria,
comércio, serviço ou qualquer modalidade que empregue pessoas)?
Creio que todos podem perceber que há diferenças culturais entre
brasileiros do sul, sudeste, centro-oeste, norte e nordeste; e mesmo em
cada região notamos peculiaridades em cada estado e distrito federal, ou
até mesmo em diferentes pontos do mesmo estado. Quem nunca se
deparou com certa rivalidade entre os habitantes de uma capital e do
assim chamado “interior”?

Outro ponto a ser pensado, ainda em um aspecto “macro” de


nossa análise, é a colonização e descendência cultural dessa população: de
que movimentos migratórios vêm e há quanto tempo? É famoso o traço de
personalidade mais contundente e direto dos alemães; ou a expansividade
italiana ao comunicar-se; é claro que estou sendo um pouco caricato, mas o

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entendimento dessas diferenças pode influenciar profundamente a forma como
tratamos os fatores laborais, direcionando nossos programas e campanhas de
saúde.

Equidade: aplicamos o conceito de igualdade proporcional, em que se


distribuem partes diferentes a pessoas diferentes, na proporção desta diferença.
(Robert Oppenheimer, 1991)

Embora a maturidade do profissional de saúde, em especial os


enfermeiros que buscam sua especialização, nos dê segurança para tratarmos
de assuntos mais delicados ou polêmicos, convém ressaltar que precisamos
sempre considerar as diferenças humanas, mas com o devido cuidado para
que não haja nenhum preconceito ou generalização injusta e, via de regra,
equivocada.
Se buscamos conhecer a população atendida é para melhor atendê-
la. Todos nós somos responsáveis pelo uso deste conhecimento dentro
de critérios éticos e legais.

Conheça um pouco mais sobre o perfil do trabalhador formal no Brasil,


acessando uma pesquisa do SESI, no link a seguir.
http://arquivos.portaldaindustria.com.br/app/conteudo_24/2012/07/06/9/2
0120706152717880174a.pdf

Processo Produtivo
Conhecendo quem atenderemos, precisamos saber o que faremos.
Nesse sentido, não podemos nos restringir aos ambulatórios e consultórios; tão
pouco aos nomes de cargos, funções e profissões ou a listas de riscos
ocupacionais e tabelas de exames necessários; o enfermeiro do trabalho
deverá entender o processo produtivo, seu fluxo de trabalho, insumos,
exigências, variações sazonais e finalmente, quais os produtos finais.

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Figura: Aqui vemos a transformação da matéria através de diversos recursos,
inclusive a força do trabalhador. (Processo Produtivo. Revista BSP julho/2010. Figura
1 - Diagrama de blocos ilustrativo de um processo produtivo genérico.)

Esta descrição muito nos lembra o sistema fabril industrial, mas se


analisarmos qualquer “trabalho” veremos que podemos definir um fluxo
produtivo. Mesmo a produção intelectual utiliza fontes de conhecimento,
informações, entrevistas, pesquisas e dados para processá-los em textos,
artigos e reportagens, por exemplo.

Nessa etapa, cabe um alerta: conhecer todo o processo não


representa interferência na atuação de outros profissionais, como engenheiros
de produção e segurança e, salientamos, não deve substituir suas
responsabilidades. A convivência interdisciplinar deve ser constantemente
exercitada, mas ponderada com limites profissionais e respeito.

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Engenheiro de Segurança do Trabalho: engenheiro ou arquiteto portador de
certificado de conclusão de curso de especialização em Engenharia de Segurança do
Trabalho, em nível de pós-graduação. (NR4)

Assista ao vídeo para conferir o que o professor Anísio tem para falar
sobre o processo produtivo e a interdisciplinaridade, que está no material on-
line.

Fatores Laborais

Olhando para nossa empresa, convém identificarmos os diversos


fatores envolvidos no citado processo produtivo. Por tratar-se de objeto de
estudo de outras áreas, apenas citamos alguns exemplos:

Ambiente de trabalho:

 Físico – seus espaços, arquitetura, ocupação e disposição, o que vemos


“sem” as pessoas;

 Psicológico – o clima organizacional, como é sentido pelas pessoas ou o


produto de sua interação.

Instrumentos de trabalho:

 Máquinas – nos seus mais variados tamanhos e portes, manuais ou


automáticas, limpas ou não, com seus riscos;

 Ferramentas – como chaves, soldas, facas, canetas;


Fontes de informações – manuais, orientações, especificações.

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Organização do trabalho:

 Tarefas – o que realiza, sua repetitividade, complexidade;

 Hierarquia – a subordinação e inserção no processo, a percepção de


seu papel;

 Ritmo – velocidade de trabalho, sazonalidade e fatores que possam


interferir;

 Liberdade – autonomia de produção e sua responsabilidade;

 Produtividade – capacidade individual, remuneração variável.

 Riscos – todos os riscos ambientais, equipamentos de proteção,


acidentes.

Riscos Ambientais

A vida humana tem como característica, sua fragilidade. Seus


diversos aspectos envolvidos têm profunda relação com o ambiente em que
estamos inseridos. Diversas situações nos expõem aos inúmeros perigos, e
estes podem gerar inúmeros efeitos sobre nossa fisiologia.

Citando diretamente a legislação trabalhista, temos na Norma


Regulamentadora nº 9 a definição de riscos ambientais: agentes físicos,
químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em
função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de
exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador.

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Assim, já temos alguns elementos sobre os quais raciocinar:
a classificação inicial desses agentes por tipos específicos; a presença e
efetiva exposição destes aos trabalhadores; e o efeito final causado, aqui
tido como a doença ocupacional em si ou seus estados pré-clínicos.

Veja na íntegra o que diz a NR – 9, clicando no ícone a seguir:

http://www.if.ufrgs.br/~mittmann/NR-9_BLOG.pdf

Dentre os milhares de produtos existentes, substâncias,


combinações e apresentações, sempre podemos organizá-los conforme seus
efeitos, uma de suas características principais. Este entendimento nos traz
ainda formas de comparação. E, novamente, o fator primordial é a análise da
relação dessas diversas substâncias com as pessoas, que forma e tempo de
contato elas tiveram ou terão, associando assim, a possíveis efeitos que
buscaremos.
No entanto, adicionalmente a essas três classes de agentes
elencados na NR9 – físicos, químicos e biológicos – temos outros fatores que
precisamos estudar. Um dos mais amplos quanto a seu entendimento e
aplicação é o risco ergonômico, cujo embasamento encontra-se na NR17. É
comum vermos seu desmembramento no risco psicossocial, pela sua
especificidade.
Acesse também, a NR17, na íntegra, clicando no link a seguir:
http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BE914E6012BEFBAD7064803/nr_17.pdf

Finalmente, embora não tenha uma norma regulamentadora específica


ou mesmo consenso em sua classificação, é inegável a existência de riscos

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específicos de acidentes, ou riscos mecânicos. Pensando neles, podemos
prever as doenças ocupacionais por eles causadas.
Os riscos ocupacionais são: físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e
mecânicos.

Assista ao vídeo para conhecer mais sobre os riscos ambientais, que


está disponível no material on-line.

RICOS OCUPACIONAIS
Físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos.

Acidente de Trabalho

Creio que o enfermeiro já esteja acostumado a transitar com


facilidade entre dois mundos semânticos: o dos termos leigos e coloquiais, com
que nos comunicamos com a população em geral, de qualquer nível
socioeconômico-cultural, entendendo suas demandas e queixas e explicando
da melhor forma os cuidados necessários com sua saúde; e o técnico, com
termos julgados por muitos, mais complexos, registrando em prontuários e
demais documentação legal e sendo entendidos do ponto de vista
epidemiológico, por todos os profissionais correlatos.
Nesse sentido, fora de nosso ambiente, vemos claramente as
diferenças entre o acidente, pontual, agudo e fortuito com uma doença,
desenvolvida, com seus fatores desencadeantes e agravantes; ainda que
doenças surjam de ações pontuais, acidentárias, seriam apenas
consequências.

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Acidente: evento inesperado e quase sempre indesejável que causa
danos pessoais, materiais (danos ao patrimônio), danos financeiros e que
ocorre de modo não intencional.

No entanto, dentro da saúde ocupacional e da legislação trabalhista,


doença ocupacional é um acidente de trabalho. Inicialmente, precisamos definir
o acidente de trabalho.
Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 – que dispõe sobre os Planos de
Benefícios da Previdência Social e dá outras providências:

Art. 19. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo


exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo
exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso
VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou
perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou
redução, permanente ou temporária, da capacidade para
o trabalho.
§ 1º A empresa é responsável pela adoção e uso
das medidas coletivas e individuais de proteção e
segurança da saúde do trabalhador.
§ 2º Constitui contravenção penal, punível com
multa, deixar a empresa de cumprir as normas de
segurança e higiene do trabalho.
§ 3º É dever da empresa prestar informações
pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e
do produto a manipular.
Assim, utilizamos a definição comum de acidente como ato
fortuito, não planejado ou intencional (ao menos, não pelo trabalhador).
Adicionamos como consequência uma lesão corporal e, na sequência, a
incapacidade laboral.

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Muitas vezes temos dificuldade para identificar a lesão exata,
anatômica e fisiológica, em determinado órgão ou estrutura, seja pela falta de
métodos diagnósticos precisos, seja pela evolução natural da doença.
Nesse sentido, amplia-se o conceito com os termos “perturbação
funcional”, no que observamos as consequências da lesão, através da perda
de movimento, de um sentido (visão ou audição), dentre os mais variados
exemplos.
E, finalmente, a perda da capacidade para o trabalho, que
interpretamos como a restrição para sua função específica com afastamento.
Embora haja previsão legal, lembramos que haveria obrigação de registro de
acidente ou doença mesmo sem incapacidade, como o caso da perda auditiva
conforme NR7.
Aproveitamos para registrar a obrigação de cumprirmos as boas
práticas de saúde e segurança do trabalho, incluindo a correta informação dos
riscos ao trabalhador e à comunidade.
Já a equiparação da doença com o acidente explica-se na
extensão pelo estado da proteção da saúde da população – no caso, o
empregado, sempre que um ato de trabalho prejudique e machuque. Como a
doença ocupacional também é desencadeada em função do trabalho se
assemelha muito ao acidente. O texto da Lei 8.213/91 explicita:

Art. 20. Consideram-se acidente do trabalho, nos termos do artigo


anterior, as seguintes entidades mórbidas:
I - doença profissional, assim entendida a
produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho
peculiar a determinada atividade e constante da
respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho
e da Previdência Social;
II - doença do trabalho, assim entendida a
adquirida ou desencadeada em função de condições

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especiais em que o trabalho é realizado e com ele se
relacione diretamente, constante da relação mencionada
no inciso I.
§ 1º Não são consideradas como doença do
trabalho:
a) a doença degenerativa;
b) a inerente a grupo etário;
c) a que não produza incapacidade laborativa;
d) a doença endêmica adquirida por segurado
habitante de região em que ela se desenvolva, salvo
comprovação de que é resultante de exposição ou contato
direto determinado pela natureza do trabalho.
§ 2º Em caso excepcional, constatando-se que a
doença não incluída na relação prevista nos incisos I e II
deste artigo resultou das condições especiais em que o
trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente,
a Previdência Social deve considerá-la acidente do
trabalho.
Temos então a primeira classificação de doença
ocupacional em dois grupos:
a. A inerente a uma profissão, no que entendemos aos riscos
laborais exclusivos, como exemplo da Pneumoconiose por carvão
mineral (impregnação pulmonar) dos trabalhadores das minas;

b. Quando a forma de trabalhar gera o risco que, considerando


diversos fatores, causa uma doença, como exemplo, podemos
citar a Síndrome do Túnel do Carpo em punho de trabalhador que
digita de forma muito intensa, sem pausas compensatórias e sem
cuidados ergonômicos gerais.

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Também vemos os casos em que não se atribui ao trabalho o motivo da
doença: as degenerativas e por desgaste inerente à pessoa e sua idade e as
não limitantes (com a ressalva que fizemos no caso da perda auditiva, o que
abriria margem a outros casos).

Veja mais sobre as doenças relacionadas ao trabalho, clicando no link a


seguir:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_relacionadas_trabal
ho1.pdf
Finalmente, teríamos uma terceira classe de acidentes (além do
típico e da doença ocupacional), os de trajeto; inclui-se também a concausa,
quando a responsabilidade do trabalho não é exclusiva, mas efetivamente gera
um agravamento:

Art. 21. Equiparam-se também ao acidente do trabalho, para efeitos


desta Lei:
I - o acidente ligado ao trabalho que, embora não
tenha sido a causa única, haja contribuído diretamente
para a morte do segurado, para redução ou perda da sua
capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija
atenção médica para a sua recuperação;
II - o acidente sofrido pelo segurado no local e no
horário do trabalho, em consequência de:
c) ato de imprudência, de negligência ou de
imperícia de terceiro ou de companheiro de trabalho;
III - a doença proveniente de contaminação
acidental do empregado no exercício de sua atividade;
IV - o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora
do local e horário de trabalho:
d) no percurso da residência para o local de

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trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio
de locomoção, inclusive veículo de propriedade do
segurado.
§ 1º Nos períodos destinados a refeição ou
descanso, ou por ocasião da satisfação de outras
necessidades fisiológicas, no local do trabalho ou durante
este, o empregado é considerado no exercício do
trabalho.
§ 2º Não é considerada agravação ou complicação
de acidente do trabalho a lesão que, resultante de
acidente de outra origem, se associe ou se superponha às
consequências do anterior.

Por último, vemos que um novo acidente ou doença externa não


obriga a reabertura da documentação de acidente de trabalho, mesmo que
atinja local já previamente afetado; daí a importância na correta documentação
e investigação oportuna de todos os eventos e afastamentos, pois é comum
vermos a omissão de dados para ganho secundário.

Entenda mais sobre o que é acidente de trabalho, vendo a explicação do


professor Anísio. Vídeo está disponível no material on-line.

Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT

A comunicação de acidente de trabalho, como nos descreve


o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS foi prevista inicialmente na
Lei nº 5.316/67, com todas as alterações ocorridas posteriormente até a
Lei nº 9.032/95, regulamentada pelo Decreto nº 2.172/97.

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A Lei nº 8.213/91 determina no seu artigo 22 que todo acidente do
trabalho ou doença profissional deverá ser comunicado pela empresa ao INSS,
sob pena de multa em caso de omissão.

Cabe ressaltar a importância da comunicação,


principalmente o completo e exato preenchimento do formulário, tendo
em vista as informações nele contidas, não apenas do ponto de vista
previdenciário, estatístico e epidemiológico, mas também trabalhista e
social.
O formulário “Comunicação de Acidente do Trabalho – CAT”
poderá ser substituído por impresso da própria empresa, desde que esta
possua sistema de informação de pessoal mediante processamento eletrônico,
cabendo observar que o formulário substituído deverá ser emitido por
computador e conter todas as informações exigidas pelo INSS. Atualmente,
ainda é necessário o cadastro “online” no site do INSS.

Saiba mais sobre o CAT, clicando no ícone a seguir:


http://segurancadotrabalhonwn.com/o-que-e-cat-comunicado-de-acidente-de-trabalho/

É obrigatória a emissão da CAT relativa ao acidente ou doença


profissional ou do trabalho ocorrido com o aposentado por tempo de serviço ou
idade, que permaneça ou retorne à atividade após a aposentadoria, embora
não tenha direito a benefícios pelo INSS em razão do acidente, salvo a
reabilitação profissional.
Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-
la o próprio acidentado, seus dependentes, o sindicato da categoria, o médico
que o assistiu ou qualquer autoridade pública. A comunicação a que se refere
este item não exime a empresa da responsabilidade pela falta de emissão da
CAT.

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No caso de doença profissional ou do trabalho, a CAT deverá ser
emitida após a conclusão do diagnóstico. O documento poderá ser
apresentado na Agência da Previdência Social - APS mais conveniente ao
segurado.
Além da diferença quanto à emissão, podendo ser emitida
por outros além da empresa, também podem variar quanto ao tipo:
 Inicial - refere-se à primeira comunicação do acidente ou
doença do trabalho;
 Reabertura - quando houver reinício de tratamento ou
afastamento por agravamento da lesão (acidente ou
doença comunicado anteriormente ao INSS);
 Comunicação de óbito.

Na CAT de reabertura deverão constar as mesmas informações


da época do acidente, exceto quanto ao afastamento, último dia trabalhado,
atestado médico e data da emissão, que serão relativos à data da reabertura.

Também quanto a seu preenchimento, é fundamental termos


atenção à seguinte orientação, prestando atenção à recomendação da própria
previdência:

 Campo 40 – Parte(s) do corpo atingida(s) – para acidente de trabalho


deverá ser informada a parte do corpo diretamente atingida pelo agente
causador, seja externa ou internamente; para doenças ocupacional
informar o órgão ou sistema lesionado. Sempre especificando o lado
atingido (direito ou esquerdo).

 Campo 42 – Descrição da situação geradora do acidente ou doença –


descrever a situação ou a atividade de trabalho desenvolvida pelo
acidentado e por outros diretamente relacionados ao acidente – no caso
de doença, descrever a atividade de trabalho, o ambiente ou as

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condições em que o trabalho era realizado, evitando uso, neste campo,
do diagnóstico da doença ou lesão.

 Campo 53 – Unidade de atendimento médico – informar o nome do local


onde foi prestado o atendimento médico.

 Campo 54 – Data – informar a data do atendimento.

 Campo 59 – Descrição e natureza da lesão – fazer relato claro e sucinto,


informando a natureza, tipo da lesão e/ou quadro clínico da doença,
citando a parte do corpo atingida, sistemas ou aparelhos. Ex.: a) edema,
equimose e limitação dos movimentos na articulação tíbio társica direita;
b) sinais flogísticos, edema no antebraço esquerdo e dor à
movimentação da flexão do punho esquerdo.

 Campo 60 – Diagnóstico provável – informar, objetivamente, o


diagnóstico. Ex.: a) entorse tornozelo direito; b) tendinite dos flexores do
carpo.

 Campo 61 – CID 10 – Ex.: a) S93.4 – entorse e distensão do tornozelo;


b) M65.9 – sinovite ou tendinite não especificada.

 Campo 62 – Observações – citar qualquer tipo de informação médica


adicional, como condições patológicas preexistentes, concausas, se há
compatibilidade entre o estágio evolutivo das lesões e a data do
acidente declarada, se há recomendação especial para permanência no
trabalho, etc.

Auxílio-Doença Previdenciário

O trabalho formal e registrado em carteira de trabalho –


CTPS, seguindo os critérios previstos na CLT, traz alguns benefícios e

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obrigações, sendo um deles a adesão à previdência oficial, o INSS.
Este atua como um seguro obrigatório, garantindo aos segurados um
benefício em caso de incapacidade laboral e uma aposentadoria no caso de
incapacidade definitiva ou tempo de serviço, respeitando-se critérios próprios.

Veja mais sobre o auxílio-doença, clicando no link a seguir:


http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2013/11/advogado-tira-duvidas-sobre-como-
receber-auxilio-doenca.html

Todos os benefícios e critérios estão subordinados ao decreto nº


3.048, de 6 de maio de 1999, que aprovou o Regulamento da Previdência
Social – RPS. Tendo em mente tratar-se de um seguro, é aplicável regras
como período de carência (latência entre o início das contribuições e a
liberação de alguns serviços) e perícias comprobatórias.
Tratando-se de afastamento do trabalho, sinônimo é o atestado médico
e odontológico (apenas estes dois profissionais estão habilitados para emitir
documentos para esta finalidade, cabendo aos demais, quando desejarem,
complementarem as informações ou registrarem atendimentos que realizaram).
Esses atestados validam a falta ao trabalho sem o desconto do dia não
trabalhado, sendo, portanto, um abono. Porém, este encargo da empresa
limita-se a 15 dias, devendo encaminhar o segurado à Previdência Social na
sequência. Para conhecer o texto, clique no botão em destaque.

Art. 75. Durante os primeiros quinze dias consecutivos de afastamento


da atividade por motivo de doença, incumbe à empresa pagar ao segurado
empregado o seu salário.
§ 1º Cabe à empresa que dispuser de serviço
médico próprio ou em convênio o exame médico e o
abono das faltas correspondentes aos primeiros quinze
dias de afastamento.
§ 2º Quando a incapacidade ultrapassar quinze

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dias consecutivos, o segurado será encaminhado à
perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social.
§ 3º Se concedido novo benefício decorrente da
mesma doença dentro de sessenta dias contados da
cessação do benefício anterior, a empresa fica
desobrigada do pagamento relativo aos quinze primeiros
dias de afastamento, prorrogando-se o benefício anterior
e descontando-se os dias trabalhados, se for o caso.
§ 4° Se o segurado empregado, por motivo de
doença, afastar-se do trabalho durante quinze dias,
retornando à atividade no décimo sexto dia, e se dela
voltar a se afastar dentro de sessenta dias desse retorno,
em decorrência da mesma doença, fará jus ao auxílio
doença a partir da data do novo afastamento.

TIPOS DE BENEFÍCIOS:
B31: auxílio doença previdenciário
B32: aposentadoria por invalidez previdenciária
B91: auxílio doença acidentário
B92: aposentadoria por invalidez acidentária
B93: pensão por morte acidentária
B94: auxílio acidente

Por ser habitual este questionamento, vejamos os casos em que o


segurado é dispensado do período de carência. Note que a menção a acidente
é de qualquer natureza, não apenas acidentes de trabalho, portanto, não sendo
coerente sua notificação graciosa, para beneficiar empregados, se desprovido
de veracidade. Clique no botão em destaque para entender o que diz o Art. 30.

Art. 30. Independe de carência a concessão das


seguintes prestações:
I - pensão por morte, auxílio-reclusão, salário-

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família e auxílio-acidente de qualquer natureza;
II - salário-maternidade, para as seguradas
empregada, empregada doméstica e trabalhadora avulsa;
(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999)
III - auxílio-doença e aposentadoria por invalidez
nos casos de acidente de qualquer natureza ou causa,
bem como nos casos de segurado que, após filiar-se ao
Regime Geral de Previdência Social, for acometido de
alguma das doenças ou afecções especificadas em lista
elaborada pelos Ministérios da Saúde e da Previdência e
Assistência Social a cada três anos, de acordo com os
critérios de estigma, deformação, mutilação, deficiência
ou outro fator que lhe confira especificidade e gravidade
que mereçam tratamento particularizado;
V - reabilitação profissional.
Parágrafo único. Entende-se como acidente de
qualquer natureza ou causa aquele de origem traumática
e por exposição a agentes exógenos (físicos, químicos e
biológicos), que acarrete lesão corporal ou perturbação
funcional que cause a morte, a perda, ou a redução
permanente ou temporária da capacidade laborativa.

Quando o afastamento prolongado for devido por qualquer modalidade


de acidente de trabalho, incluindo o trajeto e a doença ocupacional, o tipo de
benefício é o “auxílio doença acidentário – B91”. Esta modalidade traz duas
diferenças principais: obrigatoriedade de a empresa manter recolhimento do
FGTS; e estabilidade relativa, evitando a demissão sem justa causa deste
acidentado por 12 meses, a partir de seu retorno ao trabalhado (fim do
benefício).

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Compreenda melhor os procedimentos e o cuidado no afastamento,
assistindo ao vídeo que está disponível no material on-line.

Não há diferenciação entre o salário recebido como benefício se


falarmos de acidente de trabalho ou de doença comum, ou indicação de
aposentadoria por critérios diferentes em um ou outro caso. Inclusive, ainda
que fuja de nossa atuação, convém saberem como o INSS calcula este
“salário”:
Art. 32. O salário-de-benefício consiste:
II - para as aposentadorias por invalidez e especial,
auxílio-doença e auxílio-acidente na média aritmética
simples dos maiores salários-de-contribuição
correspondentes a oitenta por cento de todo o período
contributivo;
Art. 39. A renda mensal do benefício de prestação
continuada será calculada aplicando-se sobre o salário-
de-benefício os seguintes percentuais:
I - auxílio-doença - noventa e um por cento do
salário-de-benefício.

Portanto, um empregado afastado passa a receber 91% da média


dos seus salários anteriores (portanto, menores que o salário atual, caso ele
tenha recebido algum aumento ou correção nos últimos anos).
Finalmente, a atenção que os médicos e enfermeiros do trabalho devem
ter ao atender empregado em retorno ao trabalho após este afastamento
prolongado, é com relação à verificação do documento emitido pela perícia
médica do INSS, chamado “Comunicação de Decisão”, observando a data do
documento, do fim do benefício (“alta”), da espécie (31 auxílio-doença comum
e 91 acidentário), do tipo (pedido de auxílio; pedido de prorrogação; ou pedido

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de reconsideração).
Especial atenção à aplicação de nexo técnico, com benefício acidentário
mesmo sem o recebimento da CAT!

Veja mais sobre o que foi dito até aqui, acessando o vídeo que está no
material on-line.

Lembrando que o pedido de benefício deve ocorrer entre o 16º e


o 30º dia de afastamento. Que, na perícia, será determinado do dia do fim do
benefício, no que entendemos como alta programada; caso o empregado não
esteja em condições de retornar, terá os 15 dias retroativos a esta alta para
solicitar perícia de prorrogação – PP. E sempre que discordar da decisão,
poderá pedir perícia de reconsideração, ou revisão, em até 30 dias após o fim
do benefício. Outros dados que podem ser fornecidos pelo RH ou diretamente
na agência:
 DIB – Data Início do Benefício: dia mês e ano a partir do qual se inicia o
direito ao recebimento do benefício, em regra a partir de 15 dias da data
do infortúnio ou diagnóstico médico.
 DCB – Data Cessação do Benefício: dia mês e ano a partir do qual se
encerra o direito ao recebimento do benefício, em regra a data da alta
médica.

Classificação das Doenças Ocupacionais


Resgatando tanto a legislação quando a história da saúde
ocupacional, vemos o esforço e importância de identificarmos as doenças que
possuem relação, de alguma forma, com o trabalho. Nesse sentido, muitas
classificações foram propostas e utilizadas.

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Uma das primeiras surgiu com o pai da medicina do trabalho,
Ramazzini (1700), onde ele subdividiu em duas categorias, conforme
exposição do Prof. Renê Mendes:
 Doenças diretamente causadas pela “nocividade da matéria
manipulada”, de natureza relativamente específica;
 Doenças produzidas pelas condições de trabalho: “posições
forçadas e inadequadas”, “operários que passam os dias em pé,
sentados, inclinados, encurvados, etc.”

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Note a semelhança com as definições legais (Lei 8.213/91) que
vimos e que devemos nos embasar primordialmente. Assim se comportam
diversos outros textos, que identificam doenças inerentes a um risco,
classicamente chamadas de “tecnopatias”; e as relacionadas à forma de
trabalhar, sua condição especial, chamada de “mesopatias”.
Alguns sistemas nasceram de um contexto em que a
industrialização já mostrava que, se não fossem respeitados alguns cuidados e
regras, poderia expor as pessoas a condições além de seus limites e
adaptações. Assim, a título de conhecimento geral, convém conhecermos.

Veja mais sobre doenças ocupacionais, clicando no link a seguir:


http://unesp.br/costsa/mostra_arq_multi.php?arquivo=8026

Seria o caso da classificação proposta por Ivair Oddone que, em sua


obra “Ambiente de Trabalho: A luta dos trabalhadores pela saúde” retrata a
experiência que nasceu nas grandes indústrias de Turim, através das lutas dos
trabalhadores em seus postos de trabalho, contra as condições perigosas e
nocivas de trabalho, a chefia autoritária, a repressão, bem como a organização
do trabalho, culminando com o “Estatuto dos Direitos dos Trabalhadores” e a
“Reforma Sanitária".
Sua classificação cita quatro grupos, mas também dois tipos de
doenças:

 Por doença específica ou profissional: entende-se uma doença definida,


cuja causa é diretamente identificável num dos fatores do ambiente de
trabalho. Tomamos como exemplos a silicose e o saturnismo.
 Por doença inespecífica: entendemos um conjunto de doenças físicas e
psíquicas não diretamente associável a uma causa determinada, mas
atribuíveis, ao menos em parte, a um ou mais fatores do ambiente de

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trabalho. Estas compreendem um grupo heterogêneo que vai do
cansaço e da insônia persistente, aos distúrbios digestivos, à úlcera
gastroduodenal, às colites, às neuroses, às artroses e à asma
brônquica, para talvez chegar até à hipertensão e a outras doenças,
sempre mais frequentes nas sociedades industriais, das quais não se
conhece a origem.

Devemos ter muito cuidado com esta relação causal ampliada, em que
doenças gerais teriam influência negativa pelas condições de trabalho. Sim, é
fato, porém devemos considerar que a própria exposição na maior parte do
tempo (mais de 8 horas, quando não 12, 14...) ao ambiente laboral já nos traz
este elemento como influenciador da maior parte dos aspectos de nossa vida.
E entendermos que os sintomas gástricos gerados pela ansiedade de um
trabalhador não pode ser atribuído apenas às demandas ocupacionais, se
comparadas com as angústias da vida diária.

Assista ao vídeo a seguir com mais explicação doenças ocupacionais,


que está no material on-line.

Nesse sentido, também temos a classificação de Schilling, (1984), muito


usada em processos judiciais, na qual analisa de forma ampliada três
categorias, sendo o trabalho como:
I - Causa necessária
II - Fator contributivo
III - Provocador de distúrbio latente ou
agravador

Em todos os casos, devemos focar no estudo da relação: causas


externas x doença x causas ocupacionais; estas devem ser pesadas da melhor
forma possível para que, sempre que tivermos uma suspeita forte (uma vez

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que certezas são raras quando falamos da saúde humana) de que o trabalho
causou uma doença, possamos assim classificá-la e tomar as medidas devidas
para proteger o trabalhador, todos os demais expostos e também a empresa
(pois os passivos envolvidos são importantes).

Revendo a Problematização

Vamos relembrar, agora, a problematização apresentada pelo professor


no início o curso. Como você acha que deve ser solucionado o problema
apresentado?
Se julgar necessário, reveja o vídeo do professor.

a. Você registra este afastamento, solicitando que traga os exames


complementares que realizou e, preferencialmente, uma declaração
mais detalhada de seu médico assistente sobre o acompanhamento
realizado, com data, diagnóstico, indicação terapêutica, prognóstico,
etc., e agenda uma avaliação com o médico do trabalho para
identificar o nexo causal e também eventual restrição para sua
função ou afastamentos maiores.

b. Você preenche uma CAT por doença do trabalho e o encaminha


para perícia no INSS, agendada pelo telefone 135, e informa ao seu
gerente que as atividades em que ele trabalhava são lesivas para os
trabalhadores, precisando ser modificadas.

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c. Você retém seu atestado, informando que não é necessário que se
afaste, pois pode executar outras atividades na empresa, como em
um escritório e auxiliando colegas. Diz para não se preocupar, pois
seu plano de saúde cobre a cirurgia, mas que deve procurar uma
segunda opinião para não correr riscos desnecessários.

FEEDBACK

a. Considerando a orientação para que o programa de controle médico de


saúde ocupacional tenha foco epidemiológico, um importante indicador é
o absenteísmo médico – ausência por atestados, então é fundamental
seu registro. Também é importante, sempre que temos o diagnóstico de
uma doença que possa ter relação com um risco ocupacional, estudá-lo;
para tanto, a avaliação com o médico do trabalho é importante,
verificando se o diagnóstico está preciso e considerando sua origem.
Também pode, em conjunto com o médico assistente, definir as
restrições pelo tratamento e se estas são compatíveis com o trabalho,
totalmente ou parcialmente. É a atitude mais adequada à situação.

b. A documentação do acidente de trabalho depende de sua correta


avaliação. Quando falamos de doença ocupacional, precisamos
confirmar o diagnóstico e investigar as causas, confrontando os exames
de imagem, o período das queixas, as atividades extralaborais e os

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riscos ocupacionais. Dessa forma, a solicitação da CAT só deve ser feita
com esses elementos firmados. E sempre que um risco lesivo é
identificado, deve-se trabalhar juntamente com a engenharia de
segurança para controlá-lo. O encaminhamento para perícia do INSS
será feito entre o 16º e 30º dia de afastamento (quando este se
confirma) e, em muitas empresas, pode ser feito pelo próprio RH.

c. Embora o médico do trabalho possa sobrepor seu parecer sobre o


afastamento, reduzindo o atestado do médico assistente, esta atitude
exige o exame do empregado e bons conhecimentos técnicos, e
assumem-se os riscos do tratamento proposto. As questões éticas
envolvidas com encaminhamentos especializados e reavaliações devem
ser consideradas, pois frequentemente nos deparamos com pacientes
angustiados e condutas diferentes, umas mais agressivas, outras
menos. Devemos sempre ter muito tato e, claro, documentar as
avaliações.

Síntese
Neste tema, iniciamos entendendo o papel social do trabalho,
conhecendo os fatores que estão envolvidos desde o processo produtivo,
ferramental e riscos ambientais até outros fatores laborais; todos
potencialmente geradores de doenças ocupacionais.
Passamos para a legislação trabalhista que nos auxilia na definição das
doenças que estudamos e suas consequências e obrigações. Pudemos
parametrizar algumas situações ao classificar estas doenças, estabelecendo
uma base para que o raciocínio científico possa se estabelecer no
entendimento do risco ao qual o trabalhador se submete.

Assista ao vídeo com a síntese do professor que está disponível no

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material on-line.

REFERÊNCIAS

MENDES, R. Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro: Atheneu, 1995.


COUTO, H. de A. Ergonomia Aplicada ao Trabalho: o manual técnico
da máquina humana. Belo Horizonte: Ergo, 1996. vol I e II.
AGÊNCIA Nacional de Vigilância Sanitária. Disponível em:
(www.anvisa.gov.br).
MINISTÉRIO da Previdência Social. Disponível em: (www.mpas.gov.br).
MINISTÉRIO do Trabalho e Emprego. Disponível em: (www.mtb.gov.br).
PORTAL Fundacentro. Disponível em: (www.fundacentro.gov.br).
ASSOCIAÇÃO Nacional de Medicina do Trabalho. Disponível em:
(www.anamt.org.br).
PORTAL da Saúde. Ministério da Saúde. Disponível em:
(www.saude.gov.br).
REVISTA Proteção. Disponível em: (www.protecao.com.br).

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