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PROJETO ARQUITETÔNICO IV

DESENHO UNIVERSAL

Fabio Rodrigo Malikoski de Souza


Arquiteto e Urbanista
Especialista em Gestão Ambiental em Municípios (UTFPR)
Mestrando em Integração Contemporânea da America Latina (UNILA )

24/01/2018
EMENTA:

• Organização, conceituação e proposta de uma escala de


múltiplas funções. Definindo anteprojeto, com ênfase no
impacto ambiental e urbano, aplicando conceitos e
aprendizados já amadurecidos nas disciplinas de Planejamento
Urbano; definição de garagens, circulação vertical, estrutura,
instalações hidrossanitárias, elétricas, desenho universal e
conforto ambiental atendendo as legislações pertinentes.
Objetivos da Aula

 Discorrer sobre o Desenho Universal e suas implicações no


projeto arquitetônico;

 Problematizar as relações entre Desenho Universal, Projeto


Arquitetônico e Planejamento Urbano.
Conteúdo programático
 Unidade de ensino: Desenho Universal.
 Conteúdo específico: Desenho Universal aplicado ao Projeto
Arquitetônico.

Proposta de organização da Aula


1. Conceituação de Desenho Universal;

2. Aplicações de Desenho Universal; breve análise de exemplos em


Arquitetura e Urbanismo.
CONCEITO DE DESENHO UNIVERSAL

“Criado pelo Arquiteto Ron Mace Desenvolvido na Universidade da


Carolina do Norte – EUA, o conceito influenciou uma mudança nos
paradigmas dos projetos de Arquitetura e Design. Segundo Mace, o
Desenho Universal é utilizado para descrever o conceito de projetar e
construir produtos ou ambientes para serem utilizáveis, na maior
medida possível, por todos”

Carletto, Ana Claudia, Cambiaghi, Silvana. Desenho Universal: um conceito para


todos.São Paulo: Instituto Mara Gabrilli, 2008, 38p
CONCEITO DE DESENHO UNIVERSAL

O desenho universal caracteriza os elementos ou soluções que


compõem a acessibilidade. A concepção e especificação de espaços
e serviços públicos deve prever a sua utilização por qualquer indivíduo
com autonomia e segurança.

O desenho universal vai além do pensamento de eliminação de


barreiras. Trata da produção de ambientes e elementos que possam
atender a todos. (...) É importante não confundir desenho acessível com
desenho universal.

Fonte: Brasil Acessível, Programa Brasileiro de Acessibilidade Urbana.


Brasil, 2006.
CONCEITO DE DESENHO UNIVERSAL – LEGISLAÇÃO E NORMAS

O Decreto 5296/04 define, em seu artigo 8º e inciso IX, o “Desenho Universal”


como:

“concepção de espaços, artefatos e produtos que visam atender simultaneamente


todas as pessoas, com diferentes características antropométricas e sensoriais, de
forma autônoma, segura e confortável, constituindo-se nos elementos ou soluções
que compõem a acessibilidade”.

Decreto nº 5.296 de 02 de Dezembro de 2004. Diário Oficial da União, Brasília:


Senado Federal, 03 dez. 2004.
CONCEITO DE DESENHO UNIVERSAL – LEGISLAÇÃO E NORMAS

LEI COMPLEMENTAR Nº 66/2016

Dispõe sobre o Código de Obras do Município de Guarapuava, e dá outras


providências.

Art. 5º Todas as edificações, exceto aquelas destinadas à habitação de caráter


unifamiliar e áreas privativas das edificações coletivas, deverão ser projetadas de
modo a permitir o acesso, circulação e utilização por pessoas com necessidades
especiais, devendo seguir as orientações previstas em regulamento à Norma
Brasileira - NBR 9050, da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, suas
alterações ou outra que venha a substituí-la.

Art. 50 Para todos os edifícios de uso coletivo com mais de um pavimento é


obrigatória, em projeto, a previsão de espaço para o poço do elevador para
atendimento da acessibilidade.
OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DO DESENHO UNIVERSAL SÃO:

1. Uso equiparável – cada elemento deve ser útil e comercializável às pessoas com
habilidades diferenciadas.
OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DO DESENHO UNIVERSAL SÃO:

2. Flexibilidade no uso – cada elemento atende a uma ampla gama de indivíduos,


preferências e habilidades.
OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DO DESENHO UNIVERSAL SÃO:

3. Uso simples e intuitivo – o uso deve ser de fácil compreensão,


independentemente de experiência, nível de formação, conhecimento do idioma ou
da capacidade de concentração do usuário.
OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DO DESENHO UNIVERSAL SÃO:

4. Informação perceptível – a comunicação ao usuário deve ser eficaz e as


informações necessárias devem estar disponíveis, independentemente de sua
capacidade sensorial ou de condições ambientais.
OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DO DESENHO UNIVERSAL SÃO:

5. Tolerância ao erro – deve-se minimizar o risco e as consequências adversas de


ações involuntárias ou imprevistas.

6. Baixo esforço físico – cada elemento pode ser utilizado com um mínimo de
esforço, de forma eficiente e confortável.

7. Tamanho e espaço para aproximação e uso – cada elemento deve oferecer


espaços e dimensões apropriados para interação, alcance, manipulação e uso,
independentemente de tamanho, postura ou mobilidade do usuário.
O PÚBLICO ALVO DO DESENHO UNIVERSAL:

Ao longo de nossa vida mudamos nossas características e atividades. Quando somos


crianças, nossas próprias dimensões nos impedem de alcançar ou manipular uma série de
objetos, às vezes, por segurança, às vezes, porque a criança não foi pensada como usuário.

Quando adultos, nos encontramos em inúmeras situações que dificultam, temporariamente,


o nosso relacionamento com o ambiente - como gestação, fraturas, torcicolos, quando
carregamos pacotes muito grandes ou pesados, entre outros.

Ao alcançarmos mais idade, nossa força e resistência decrescem, os sentidos ficam menos
aguçados e a memória decai. Também é possível, mesmo que não frequentemente, ao logo
da vida, adquirir alguma deficiência, seja ela física, psíquica ou sensorial.
NÃO HÁ PÚBLICO ALVO SE TODOS PODEM USAR OS ESPAÇOS
OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DO DESENHO UNIVERSAL :

O ser humano “normal” é precisamente o ser humano “diverso”, e é isso que nos enriquece
enquanto espécie. Portanto, a normalidade é que os usuários sejam muito diferentes e que
deem usos distintos aos previstos em projetos.

Perguntas:
1. O desenho Universal é um recurso infinito de
respostas para os problemas arquitetônicos?

2. Oferece todas as soluções e resolve todas as


necessidades humanas nos ambientes e produtos
projetados?
Os limites do Design Universal
• Acessibilidade – se preocupa com a qualidade do acesso para
qualquer pessoa (premissa básica para o próximo item);

• Usabilidade – uma vez garantido o acesso, estuda-se o perfil


do usuário, a fim de propor a melhor qualidade de uso;

• Design Universal – se preocupa em fazer com que o produto


seja acessado e usado por qualquer um, qualquer um mesmo,
respeitando os 7 princípios acima.
Exemplos e aplicações:
• Situações extremas e inadequadas;

• Problemas frequentes encontrados pelos usuários;

• Erros de projeto ou negligências;

• Soluções de desenho universal.


Situações extremas e
inadequadas

* Radical só se for
esportes, a rampa
deveria oferecer
conforto e não ser um
desafio ao usuário.
Pessoas com carências de adequações para inclusão – Condicionante de
projeto
Pessoas com carências de adequações para inclusão – Condicionante de
projeto
Pessoas com carências de adequações para inclusão – Condicionante de
projeto
Pessoas com carências de adequações para inclusão – Condicionante de
projeto
Pessoas com carências de
adequações para inclusão
– Condicionante de projeto
Problemas frequentes encontrados pelos usuários;

Soluções de desenho universal.


Pessoas com carências de adequações para inclusão – Condicionante de
projeto
Pessoas com carências de adequações para inclusão – Condicionante de
projeto
Pessoas com carências de adequações para inclusão – Condicionante
de projeto

Usuários
também
devem ser o
foco do
estudo
preliminar, e
conduz o
projetista às
escolhas de
projeto.
Incluir todos é o objetivo do Desenho Universal

+ + + +
PROBLEMAS DE PROJETO

Especificação de execução Treinamento

Compatibilização de projetos Projeto fora de norma


Erros de projeto ou negligências?
Situações naturais e/ou produzidas pelas ações do homem
que comprometem as atividades de um grande grupo de
pessoas.

Condicionantes de projeto do loteamento, orientação das


vias e quadras considerando topografia .
Falta de manutenção ou problema de especificação em projeto

Solução: Detalhamento, e estudo


do local a ser implantado
Erros nos Detalhes do Projeto

Solução: Maior detalhamento, e


estudo do problema.
Fatores culturais, de educação, urbanidade e fiscalização.

Solução: ampliar o debate, a sensibilização e a educação para


cidadania.
Exemplo de
inadequação, erro em
projeto, especificações
de materiais
Materiais que não
garantem o piso regular
provocam trepidação e
possíveis acidentes com
idosos, bengalas,
muletas, etc.
Solução: especificar
materiais com maior
regularidade possível.
Exemplo de inadequação, erro
em projeto, especificações de
materiais:
Solução?

Antiderrapante: alguns materiais não devem


ser utilizados em áreas urbanas, pois
poderão provocar acidentes se estiverem
molhados.
Exemplo de
inadequação, erro em
projeto, especificações
de materiais:
Manutenção: alguns
materiais com o passar do
tempo acabam se
transformando em armadilhas
pela falta de manutenção e
equívocos na execução.

Solução?
Exemplo de
inadequação, erro em
projeto, especificações
de materiais:
Continuidade: os pisos
devem garantir a mobilidade
contínua, mesmo que seu
material mude. Também deve
facilitar a composição com
pisos táteis.

Solução?
Exemplo de
inadequação, erro em
projeto, especificações
de materiais:

Durabilidade: Obras
públicas possuem
características diferentes das
privadas em relação à
manutenção. Nem sempre
acontecem quando são
necessárias.

Solução?
Conclusões e considerações finais

Promover a inclusão de todas as pessoas de forma mais


equânime, autonomia e confortável possível, nas atividades
sociais individuais e comunitárias, utilizando-se de projetos que
superem as condições discriminatória, no uso dos espaços
urbanos, edificações e outros locais de interesse, de serviços
públicos, dos meios de transportes e de comunicação, dentre
outros deve fazer parte das reflexões da Arquitetura e do
Urbanismo.
Assim cabendo aos arquitetos e arquitetas incorporar a
acessibilidade de forma ampla e consistente aos novos projetos
arquitetônicos que desenvolvemos integrando ao planejamento
urbano igualmente acessível a todos.
Atividade de fixação de conteúdo
•Fazer medição com auxílio de trenas, e produzir um croqui
de sala de aula, ou outro espaço dentro da faculdade para
comparar com as disposições previstas na norma da ABNT
9050 e de outras recomendações normativas;
•Realizar um relatório fotográfico dos espaços públicos, e
áreas comuns no entorno imediato da faculdade para fins de
verificação de adequação aos pressupostos normativos
referentes aos conceitos estudados nesta aula.
•Debater com os colegas na próxima aula os resultados
obtidos.
PROJETO ARQUITETÔNICO IV

Agradeço a atenção!

Fabio Rodrigo Malikoski de Souza


Arquiteto e Urbanista
Especialista em Gestão Ambiental em Municípios (UTFPR)
Mestrando em Integração Contemporânea da America Latina (UNILA)
E-mail: fabiomalikoski@hotmail.com
24/01/2018
Referências
BRASIL. Decreto nº 5.296, de 2 dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nº. 10.048,
de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que
especifica, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e
critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de
deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.

CAMBIAGHI, Silvana Serafino. Desenho Universal: métodos e técnicas de ensino na


graduação de arquitetos e urbanistas. Tese de Mestrado – Faculdade de Arquitetura e
Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.

CARLETTO, Ana Claudia, CAMBIAGHI, Silvana. Desenho Universal: um conceito


para todos. São Paulo: Instituto Mara Gabrilli, 2008, 38p

PMG, 2018. Disponível


em:<http://www.pmg.pr.gov.br/legislacao/arquivos/2016/leicomplementar066.pdf>.
Acessado em 22 de Janeiro de 2018.