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PROGRAMA DO CURSO PSICANÁLISE CLÍNICA

CENTRO CRISTÃO DE CULTURA PSICANALÍTICA

ÓRGÃO DA FASTE
FACULDADE TRANS-AMERICANA DE TEOLOGIA
CNPJ (MF) Nº 01.959.272/0001-86 Tel (0xx21) 26884554
C. Postal 74007 – Itaguaí – RJ – Cep 23815-970

HIPNOSE CLÍNICA

A HIPNOSE CLÍNICA E O MITO

Neste módulo de Hipnose Clínica do curso de Psicanálise queremos que o


aluno aprenda imediatamente a fazer separação entre o método clínico, usado
cientificamente no tratamento médico terapêutico relacionado à doenças
psíquicas e a exibição circense, anti-científica, sem nenhum valor para o
Psicanalista. É fato que hoje muitos shows exibem o espetáculo público onde
pessoas são colocadas em um tipo de transe na frente de um auditório,
quando então dormem ou comem coisas pensando que são outras. Não é este
tipo coisa que interessa ao psicanalista que lida apenas com o fator científico
de utilidade terapêutica. A hipnose, na realidade, no decorrer da história,
envolveu um misto de médicos, pesquisadores sérios, e charlatões que
utilizaram a hipnose de uma maneira inescrupulosa, nada acrescentando como
auxílio para o tratamento de problemas psicológicos. Assim, aconteceu no
desenvolvimento da história da psicanálise, mentiras e verdades, tal como
também acontecera na prática da medicina através da história, com seus
curandeiros cheios de crenças místicas e médicos interessados
exclusivamente na palavra da ciência, dando contribuição para a humanidade.
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Antes da descoberta da anestesia cirúrgica, a indução hipnótica foi de


grande valia para pacientes que precisavam de recursos psicológicos para
superar a dor. Na obra Ajuda-te Pela Auto-Hipnose, publicado pela editora
Papelivros, dos autores Frank S. Caprio e Joseph R. Berger, encontramos a
seguinte afirmação: “Muita coisa foi realizada no passado através da hipnose
e hoje a ciência procura desfazer a idéia obscurantista de que tal trabalho é
obra do demônio ou mera pantomina. Ela não é mais considerada como magia
negra. A hipnose é hoje em dia uma ciência respeitada. Ela ganhou interesse
universal e mantém posição bem definida na profissão médica. Embora a
prática da hipnose remonte à era dos primitivos curandeiros, o
desenvolvimento e aplicação da auto-hipnose são fenômenos relativamente
novos”. Oldemar Nunes, em seu livro sobre hipnose clínica, intitulado
Hipnose-Hipnoterapia, publicado pela editora Hemus, escreveu o seguinte
sobre a importância do tratamento com a hipnose hoje: “Ainda hoje, quando
se fala em hipnose, muita gente imagina um espetáculo circense onde o
mágico hipnotista dá ordens e uma pessoa o obedece cegamente. Nos
grandes centros a hipnose está trocando os palcos de apresentação por
consultórios a serviço da ciência. Na realidade,a hipnose é um importante
recurso terapêutico no tratamento de distúrbios psicológicos. Entre tantas
vantagens, ela é responsável pelo aprofundamento, rapidez e segurança da
relação terapeuta/paciente. Seu uso em tratamento psíquico é de enorme
valia.”

O SIGNIFICADO

O termo hipnose vem do termo grego hypnos, com o significado de “sono” ou


“deus do sono”. Daí, sempre que se pensa em alguém sob um estado hipnótico,
se imagina alguém de olhos fechados, como sob um tipo de transe, dormindo
sob o efeito de sugestão. Na realidade, todo estado hipnótico é sempre
consciente ou, no máximo, em um estado de semi-consciência, não havendo
nada de anormal que possa ser atribuído a um estado do indivíduo fora de sua
razão.
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O COMPORTAMENTO ALTERADO

Todo comportamento alterado pode ser considerado como um tipo de


comportamento sob influência de alguma coisa, e isto poderá, em termos, ser
considerado um exemplo de hipnose. Um exemplo claro de hipnose pode
observado no exemplo da ilustração onde uma mãe flagra o seu filho fazendo
algo que ela já proibira anteriormente, lhe dirigindo as palavras asperamente
nestes termos: “Vá já para o seu quarto ou vou te bater agora!” A criança,
mediante a ameaça da mãe, corre com medo para o seu quarto e se joga na
cama, ficando ali um pouco assustada durante algum tempo, com medo de
levar uma surra. Se analisarmos o estado antes e depois da criança ser
ameaçada pela mãe, podemos concluir que, antes estava fazendo
tranqüilamente a sua “arte”, e, ao ser “apanhada” pela mãe, sofreu um
impacto que somente aumentou mediante as palavras enérgicas de sua
genitora. A criança correu sobressaltada para o quarto. Neste momento o
seu coração está batendo muito mais rápido, sua respiração é ofegante e suas
palavras saem vacilantes, havendo um certo temor em seu olhar, sendo seus
gestos movidos pelo seu estado de nervos que modificou completamente seu
comportamento. Assim, antes, seu estado psíquico era um, e após as palavras
da mãe, transformou-se em outro. Este é um típico exemplo em que uma
criança fica sob um tipo de hipnose cuja determinante era a atitude da mãe.
Qualquer comportamento alterado sob influência de palavras é um estado
considerado clinicamente hipnótico. Quando um indivíduo assiste a um evento
político, e após o discurso de um determinado candidato, ele passa a ficar
radiante, rindo a toa, movido por um tipo de alegria que não expressava
antes, e passa a se dirigir entusiasmadamente às pessoas ao seu lado, este é
um quadro hipnótico obtido pelas palavras do político que influenciaram
profundamente aquela pessoa, levando-a a um comportamento diferente do
normal naquele exato instante. Logo após alguns momentos, com certeza,
toda aquela alteração irá dar lugar novamente ao comportamento normal de
antes. Um exemplo típico e eficiente da ação hipnótica pode ser constatado
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no êxtase observado no comportamento alterado das pessoas nos cultos


realizados nos meios evangélico e católico carismático. Nestes cultos há um
tipo de programação chamado “louvorzão”, onde todos cantam e gesticulam
movidos pelas palavras do dirigente. Normalmente as pessoas chegam ao
evento exibindo um comportamento normal, passando logo em seguida para
um tipo de comportamento completamente influenciado pelas palavras do
dirigente: as pessoas passam a levantar a mãos, a fechar os olhos (muitas
vezes até choram, comprimindo as mãos e os pés), gesticulam com os braços
para os céus, abraçam fervorosamente a pessoa que está ao lado, mesmo lhe
sendo uma pessoa estranha (cumprimento que seria totalmente diferente se
fosse antes do início do “louvorzão”). Tecnicamente este estado de êxtase é
um quadro típico de hipnose clínica ou hipnose de massas, onde apenas um
indivíduo consegue mover toda uma multidão de pessoas, alterando seu
comportamento mediante a influência de palavras cheia de fé. Para a ciência
psicanalítica este quadro alterado das pessoas é uma demonstração do poder
da hipnose; para os participantes, usando a linguagem da fé religiosa, é unção
divina. Interpretando o poder da hipnose neste sentido, então se chega a
conclusão que toda pessoa é hipnotizável – com mais ou menos intensidade –
mas é.

A HISTÓRIA DA HIPNOSE (Mesmerismo)

Com relação ao interesse humano pelo fenômeno do uso da força hipnótica, a


hipnose remonta ao começo da história humana ainda em suas crendices
primitivas em seus mitos e fábulas, atribuindo o poder da sugestão à algum
tipo de influência dos deuses, bruxaria, ou algum poder mágico exercido por
determinadas pessoas com poderes paranormais, sendo logo assunto de
interesse para filósofos e cientistas. Em seu aspecto científico, a hipnose
teve seus primeiros ensaios com F.A. Mesmer (1733-1815), médico psiquiatra,
que admitia que todo ser humano era dotado de um tipo de magnetismo
animal sendo capaz de exercer influência sobre a doença de outra pessoa,
lhe possibilitando a cura, sendo as doenças psíquicas os casos de maior
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comprovação de cura. Mesmer reunia várias pessoas num único ambiente e


com a sugestão através de palavras, as tocava levemente com se estivesse
passando este “poder magnético” para seus corpos, repreendendo toda a
força da doença. Esta prática ficou conhecida como “Mesmerismo”,
interessando este tipo de conhecimento a muitos outros médicos e também a
não-médicos. Esta prática tem muito a ver hoje com a forma de muitas
pessoas impor as mãos sobre as outras quando oram – prática muito realizada
no meio cristão. O poder psíquico da mente passou a interessar a muitos
profissionais da área da medicina como um recurso poderoso para a cura das
doenças psíquicas, além de ser instrumento de investigação de importantes
organizações de reconhecimento mundial. O Marquês de Puysegur, discípulo
de Mesmer, em 1807, publicou o livro Do Magnetismo Animal, onde narrou
muitos exemplos facilmente comprováveis de pessoas que obtiveram
melhoras expressivas em seu estado de saúde mental através da sugestão
hipnótica. Mesmer também acreditava poder
conseguir imantar alguns objetos que poderiam ser usados pelas pessoas
doentes como meio de obtenção da cura através do magnetismo implantado
objeto; sendo este aspecto completamente rejeitado nos relatos de muitas
comissões de Instituições Médicas que se interessaram apenas pela
hipnoterapia, validando apenas o poder de sugestão da hipnose. Os termos
Hipnose e Hipnotismo foram criados pelo médico Dr. James Braid e William
Gregory, professor de química na Universidade de Edinburgo. O Dr. James
Esdaile foi o pioneiro do uso da hipnose em cirurgias antes do descobrimento
ou advento dos anestésicos, obtendo ótimas respostas em seus pacientes.
Importantes instituições médicas por toda Europa e Estados Unidos criaram
comissões de investigação sobre a hipnose, cujos relatos foram altamente
satisfatórios, incentivando seu uso terapêutico dentro da técnica puramente
científica.

OS MÉRITOS DA HIPNOSE
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É importante que fique bem transparente para nossos alunos que na ciência
psicanalítica, a hipnose é apenas um dos muitos recursos utilizados no
tratamento psicoterapêutico, e que, o hipnotizador é também simplesmente
uma pessoa comum que aprendeu a arte lidar ou provocar sugestão afetiva,
direcionando o paciente como fazer para atingir o estado hipnótico, sendo
portanto, todo mérito conferido a pessoa hipnotizada por aceitar sua
sugestionabilidade, determinando a si próprio que é capaz de sentir os
efeitos e os benefícios oriundos da indução hipnótica. Segundo consta no
livro Ajuda-te Pela Auto-Hipnose dos autores Frank S. Caprio e Joseph R.
Berger, publicado pela editora Papelivros, “o hipnotizador – para citar Powers
- é meramente o instrumento através do qual você é capaz de atingir um
estado de hipnose. Ele orienta o paciente para o estado hipnótico mas, na
realidade, é o próprio paciente por seus esforços que consegue atingir o
estado hipnótico. Se o paciente não quiser ser hipnotizado é impossível ao
hipnotizador colocá-lo em estado hipnótico. Assim vemos que o paciente está
em permanente controle durante o estado hipnótico e controla por sua vez as
reações mais profundas.” Por outro lado, o mérito conferido ao hipnotizador
está em sua arte de lidar com as palavras, conduzindo as idéias de sugestão,
ajudando o paciente a ser absorvido com imposições através de expressões-
chavões (palavras repetidas várias vezes) para elevar sua auto-estima que
gerarão confiança e capacidade para vencer o problema que o aflige.

O ESTADO HIPNÓTICO

Como observado no início deste módulo, o estado hipnótico foi definido como
todo estado alterado de comportamento, sendo que, quando praticado por um
profissional num ambiente apropriado para o tratamento terapêutico, este
estado hipnótico pode ser constado como um estado de sonolência que se
aproxima do sono devido o estado de relaxamento provocado ou induzido pela
sugestão. É um estado em que o paciente tenta manter o mínimo contado com
o mundo exterior, absorvendo os benefícios da sugestão daquele momento
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para a sua própria cura. Com efeito, a pessoa mesmo semi-inconsciente


percebe tudo o que está acontecendo ao seu redor, não se “desligando” do
mundo exterior completamente. A pessoa sob hipnose obedecerá toda
palavra de indução, porém, jamais fará aquilo que não queira ou que não
estiver de acordo. A pessoa jamais sai de si como alguns imaginam. A pessoa
nunca permitirá a realização de algo que lhe seja constrangedor ou imoral,
saindo imediatamente do estado hipnótico se lhe for exigido algo que seja
contrário a sua integridade. Durante a hipnose, mesmo estando semi-
inconsciente, a pessoa poderá sair quando quiser do estado hipnótico, mesmo
sem a ajuda do terapeuta.

O AMBIENTE PARA A HIPNOSE

Geralmente o tratamento hipnótico ocorre no consultório onde o psicanalista


comumente recebe e trata seus pacientes diariamente. O mesmo divã
utilizado em outros recursos terapêuticos servirá para o tratamento
hipnótico. O ambiente deverá ser o mais simples possível, livre de ruídos
externos, não devendo ter artefatos mobiliários que venham atrair a atenção
do paciente, o que poderia desviar a sua atenção da concentração exigida pelo
próprio tratamento. A pintura das paredes deverá ser de cor amena, já que
uma cor berrante pode, em muito, ativar o sistema de nervos, não
contribuindo para alcançar o estado de calma no paciente. Se houver
também algum tipo de arte esculpida ou em quadros, que seja algo que venha
contribuir para a paz e a tranqüilidade do ambiente. Uma música clássica
ambiental, bem leve e suave, também será de grande ajuda durante o
tratamento. As recomendações para o ambiente do tratamento hipnótico são
as mesmas encontradas para na construção do consultório do analista que o
aluno poderá consultar no módulo sobre Ética e Técnicas Psicanalíticas.

A HIPNOSE E A PNL
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A hipnose se aproxima da Programação Neuro-Lingüística porque esta


também atua usando o recurso da sugestão para motivar o inconsciente do
indivíduo a se desprender e superar os padrões aprendidos e organizados de
forma “distorcida” pela mente. Alguns profissionais da psicoterapia
preferem os recursos da PNL ao invés da prática hipnótica para cura dos
traumas psíquicos (Ver matéria exclusiva sobre PNL no módulo de Psicologia
Comportamental). A hipnose, tal como a PNL, cria no indivíduo grandes
mudanças profundas e duradouras, não se importando diretamente muito com
as origens do problema psíquico, mas sim, em ajudar o paciente, no estado de
relaxamento induzido, a encontrar uma solução dentro do seu inconsciente. A
PNL parece ser um tanto mais fácil de se lidar, no entanto, a hipnose tem a
sua importância, haja visto o relatório do sucesso obtido por inúmeros
terapeutas que a utilizam com seus pacientes.

A TÉCNICA HIPNÓTICA DE RELAXAMENTO

Para que seja aplicada a sugestão hipnótica no paciente é necessário que o


indivíduo esteja completamente calmo, completamente relaxado, para que a
hipnose possa ser bem sucedida. Para alcançar o estado ideal no paciente
para que ele esteja em condições de ser sugestionado pela hipnose, o analista
deve pedir para que se deite no divã (um tipo de sofá reclinável servirá
também) e, através de palavras de indução, deve levá-lo a um estado de
relaxamento. O terapeuta deve sempre ter em mente que o paciente precisa
ter o seu corpo completamente relaxado; assim, deve ajudá-lo neste processo
através da sugestão. Muitos pacientes que procuram ajuda terapêutica
geralmente são cheios de temores e ansiedades; o relaxamento induzido
através da hipnose irá ajudar em muito o controle das emoções. Há dois
métodos práticos ideais de relaxação utilizados pela maioria dos terapeutas.
Os dois métodos de relaxação para a prática da hipnose clínica são aplicados
mais ou menos dentro do padrão dos termos na forma a seguir:

a) Relaxação Sem Contração da Musculatura


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Este método consiste em pedir que o paciente deite relaxadamente, bem a


vontade no divã, (ou sofá reclinável) e deixe a mente livre de qualquer
pensamento somente ouvindo as palavras do analista. Este método tem um
padrão mais ou menos como segue:

O analista deve se dirigir ao paciente nestes termos:

“Você deve deixar a sua mente livre de qualquer pensamento


agora...livre...sem pensar em nada. Tire todos os pensamentos da mente.
Nada deverá atrapalhá-lo agora...apenas relaxe...relaxe bem. Sinta que seus
braços estão bem relaxados...sinta seu braço direito agora como está
leve...leve...bem leve. Sinta seu braço esquerdo agora...completamente
leve...muito leve...há uma agradável sensação de bem-estar...uma sensação
agradável pelo corpo todo...uma grande paz...uma paz que envolve todo o
corpo...uma grande tranqüilidade agora...Suas pernas também estão bem
relaxadas...sinta sua perna direita bem leve...bem leve...bem relaxada...seu
corpo está completamente relaxado...mais relaxado ainda...existe grande
paz...Sinta sua perna esquerda agora como está leve...bem
leve...completamente leve...mais leve ainda agora...há uma grande paz...uma
grande calma...tudo está bem...há uma tranqüilidade profunda...seu corpo está
completamente relaxado...”

Este padrão de técnica de relaxamento deve ser repetido algumas vezes


durante a sessão de hipnose até que se perceba que o paciente está
completamente relaxado (em muitos casos, sonolento ou até mesmo
dormindo), pronto para receber a indução hipnótica que irá dar-lhe forças
para superar seu problema psicológico. Uma vez percebendo que o paciente
se encontra completamente relaxado, o terapeuta passa então ao
sugestionamento. A indução através de palavras será também mais ou menos
dentro do mesmo padrão mostrado acima variando apenas as frases ou
palavras de sugestão de acordo com o problema do paciente.
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b) Relaxação Com Contração de Musculatura

Este método se aproxima muito do método acima, somente, com a seguinte


variante: o analista durante a sugestão hipnótica pede ao paciente, logo no
início, que contraia o punho direito alternando em seguida cerrando o punho
esquerdo para logo em seguida induzir ao relaxamento comparando a mudança
de um estado para o outro. No livro de autoria de H.H. Beech, intitulado
Como Alterar o Comportamento Humano , publicado pela editora Ibrasa, o
relaxamento com a contração de musculatura acontece praticamente da
maneira como segue:

“O aposento deve ser quieto e livre de interrupções que possam perturbar ou


embaraçar o paciente, dedicando-se ainda especial atenção ao tipo de cadeira
em que ele se senta. Esta deve ser confortavelmente estofada, não muito
alta e permitir que o paciente se recline em posição repousante. Um suporte
para a cabeça ou uma cadeira com encosto suficientemente alto é muito
vantajoso. Geralmente o terapeuta começa com tentativas de relaxar os
braços do paciente. Embora não haja ordem fixada e necessária a seguir, e o
terapeuta possa, se desejar, começar pela cabeça ou pelas pernas, parece que
os pacientes são mais capazes de obter controle dos braços e, assim, essa é a
maneira apropriada para iniciar. O terapeuta diz ao paciente para relaxar-se
ao máximo e acomodar-se da maneira mais confortável possível em sua
cadeira. Depois lhe dá instrução para que cerre bem o punho direito e se
concentre sobre as sensações que esta atividade produz, apertando ainda
mais a mão se puder e tentando identificar onde ocorrem as sensações de
tensão. Depois de alguns segundos, diz-lhe para relaxar-se, deixando a mão
aberta e os braços, dedos e pulso soltos e bambos, observando ao mesmo
tempo a diferença entre o estado tenso e o relaxado. Este exercício é
repetido uma ou duas vezes, até o terapeuta achar que o paciente aprendeu
a idéia geral e está começando a controlar esta parte de sua musculatura.
Neste ponto a mão e o antebraço esquerdo são tratados exatamente da
mesma maneira. Em seguida pode-se pedir ao paciente que execute o mesmo
exercício usando as duas mãos, cerrando os punhos, estudando as tensões em
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suas mãos, dedos e antebraços, enquanto o resto do corpo permanece o mais


relaxado possível...O terapeuta pede-lhe que aumente a tensão se puder e a
mantenha por alguns segundos. Depois lhe diz para soltar e relaxar-se,
permitindo que os braços caiam de lado e fiquem tão bambos e desprovidos
de tensão quanto possível, ao mesmo tempo que anota cuidadosamente as
sensações de tensão e relaxação, e a diferença entre esses dois estados.
Este exercício é também repetido várias vezes: primeiro com um braço,
depois com outro e finalmente com os dois.”

A TÉCNICA DA CONTAGEM PARA O ESTADO HIPNÓTICO

Um aspecto comum na indução hipnótica que muitos profissionais da


psicoterapia preferem usar é a contagem até cinco para que o paciente entre
em estado de repouso, e assim, possa receber a sugestão sobre o seu
problema particular. O terapeuta estabelece junto ao paciente (deitado ou
reclinado confortavelmente de olhos fechados) que irá contar até cinco, e,
quando chegar neste número, o paciente estará completamente sob o efeito
da hipnose. Esta é uma forma psicológica de determinar um dado momento
para que o paciente se entregue totalmente a sugestão hipnótica. Na obra já
citada neste módulo, de Oldemar Nunes, Hipnose-Hipnoterapia, ele ensina
esta técnica hipnótica de relaxamento com contagem até cinco da seguinte
forma:

“Este estado é destinado a proporcionar descanso ao paciente, sendo um


estado intermediário entre o sono e a hipnose. O paciente poderá ser
induzido a permanecer por determinado tempo em descanso e informado que
você voltará a conversar com ele depois, ou faça o passo inicial das sugestões
usadas na hipnoterapia. Poderá, se desejar, sugerir que após tantos minutos
ele acordará normalmente, sem nada sofrer. Neste caso, formule as palavras
que utilizará para induzir a sugestão. - eu vou contar de um até cinco e a
medida que o número cinco for se aproximando, você irá sentindo-se
totalmente repousado...calmo...UM...este estado é de repouso...de
tranqüilidade...de paz...DOIS...nada o incomoda...nada o atrapalha...tudo é
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tranqüilo...tudo é harmonia...TRÊS...a sua respiração é normal...a sua pressão


sangüínea é normal...a sua pulsação é normal...tudo é calmo...tudo é
tranqüilo...nada o atrapalha...nada o incomoda...QUATRO...você está indo
muito bem...você está totalmente calmo...tranqüilo...nada o incomoda...você
está em um repouso absoluto...em descanso profundo...tudo é paz...tudo é
harmonia...tudo funciona bem em você...nada o
atrapalha...CINCO...descanso...repouso...tudo é paz...tudo é tranqüilo...você irá
descansar agora por cinco minutos sem que ninguém o atrapalhe e sem
despertar...depois deste tempo, estarei aqui para conversar...descanse...nada
o atrapalha...descanse...calmo...calmo...”

OBS: Nesta técnica a idéia é levar o paciente a sair de um estado de nervos


intenso para um tipo de relaxamento objetivando calma e repouso que lhe
proporcionarão o estado tranqüilo que precisa. Não é preciso fazer uma
contagem regressiva para que o paciente saia do estado hipnótico, pois o
objetivo é que ele ao sair do consultório, continue tranqüilo mentalmente.
Dependendo do problema, seria prático fazer uma contagem regressiva para
que o paciente saia do estado hipnótico. Apesar de que, de qualquer maneira,
o paciente sairia por si mesmo do quadro hipnótico, no entanto, a contagem
regressiva o ajudará a entender que naquele momento apropriado ele poderá
abrir os olhos e voltar ao seu estado normal.

A HIPNOSE PARA INSENSIBILIDADE DE UM ÓRGÃO

Conforme já foi observado neste módulo, antes do advento da anestesia a


hipnose foi um recurso muito utilizado por médicos que submetiam seus
pacientes a uma sessão de indução hipnótica para alívio do órgão dolorido
antes da operação. Por exemplo, com relação a dor de dente, a hipnose era
praticada mais ou menos como podemos observar na técnica demonstrada nas
palavras de Oldemar Nunes (autor citado anteriormente):

“Este estado é utilizado para proporcionar o alívio de uma dor em órgão


qualquer. Neste estado não se utiliza a contagem regressiva. O exemplo a
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seguir é para o paciente com dor de dente. – Eu vou contar de um a cinco e ao


ouvir o número cinco você estará totalmente insensível a dor que está
sentindo...UM...este é um estado de insensibilidade...você não sentirá mais
dor no dente...DOIS...o dente começa a ficar insensível a
dor...insensível...você passa a não mais sentir o dente...não sentindo o dente,
não sentirá dor...o dente fica mais insensível a dor...TRÊS...mais...o dente fica
ainda mais insensível a dor...você já não sente a dor...a dor não incomoda
mais...o dente está insensível...QUATRO...totalmente insensível...você não
sente mais dor...o dente está insensível...a alegria e o prazer invadem você...a
dor foi embora...o dente está completamente
insensível...insensível...CINCO...não sente mais dor..o dente está
completamente insensível...insensível...agora vou acordá-lo e depois de
acordar, você não sentirá mais nada...ao acordar você não sentirá mais
nada...a dor foi embora...foi embora...você não sente e não sentirá mais
nada...mesmo acordado o seu dente está insensível a dor...a dor foi
embora...ao acordar você não sentirá mais nada...nada...(use a técnica que
desejar para acordar o paciente).

TIRANDO O PACIENTE DO ESTADO HIPNÓTICO

Normalmente, segundo as maiores autoridades no assunto, se estabelece uma


contagem (de preferência de um a cinco) para colocar o paciente sob o efeito
do estado hipnótico, e, para retirá-lo deste estado faz-se a mesma contagem
em ordem inversa (cinco, quatro, três, dois, um). Alguns pontos básicos de
grande importância devem ser considerados na saída do paciente do estado
hipnótico. Ao acordar o paciente, o terapeuta deve ter em mente o seguinte:

a) As palavras tanto para colocar o paciente sob hipnose quanto para


acordá-lo devem ser ditas calmamente.
b) Apresentar sempre um sorriso, demonstrando com isso satisfação pelo
bom desempenho do paciente.
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c) Não se deve acordar o paciente em local ou posição diferente daquela


em que ele se encontrava no início da sessão.
d) Em caso do terapeuta ter induzido o paciente a lembrar-se de uma
determinada época da sua vida acontecida na infância, deve lembrá-lo
que está de volta a presente na data atual.
e) Uma vez desperto, sempre sugira que espreguice um pouco,
recuperando assim todo o domínio mental e bem estar do corpo.
f) Se o paciente sentir sede (algum tipo de secura na boca) ofereça-lhe
um copo de água.
g) Se o paciente ao acordar sentir que alguma parte do corpo está
dormente (geralmente poderá ser um braço ou uma perna, etc), peça-
lhe que ande um pouco, o que o ajudará imediatamente, pois, com
certeza, este fator se ocorrer, será devido a posição em que se
encontrava.
h) Nunca esqueça de elogiar o paciente pelo seu bom desempenho.
i) Muitos pacientes ficarão surpresos com a sensação de bem-estar
obtida ao acordar. Em alguns casos alguns pacientes nem mesmo
lembrarão do que aconteceu.

A AUTO-HIPNOSE

Da mesma maneira que o terapeuta realiza suas sessões de hipnose clínica em


seu consultório, poderá também ajudar a seus pacientes a praticarem a auto-
hipnose. O paciente durante a auto-hipnose deverá sempre se encontrar num
ambiente onde não seja incomodado, e, da mesma maneira que o terapeuta
utilizou as palavras de indução, o paciente se auto-induzirá utilizando sempre
o termo EU. Exemplo: Vou contar de um até cinco e quando chegar ao
número cinco estarei em profunda calma – UM...meu corpo está
relaxado...estou ficando em profunda paz...uma grande calma me invade
agora...tudo está em completa tranqüilidade...DOIS...etc
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Após o relaxamento o paciente deverá se auto induzir com palavras de


sugestão de acordo com o seu problema psicológico com vistas a superá-lo. A
saída do estado hipnótico deverá ser também com o estabelecimento da
contagem regressiva. - Agora vou contar regressivamente de cinco até um e
quando chegar no número um acordarei...acordarei sentindo um grande bem-
estar...CINCO...estou muito bem...tranquilo...sinto grande paz...QUATRO...etc

Muitos pacientes dependem de adquirir auto-estima e forças psíquicas


dentro de si mesmos para superar o seu tipo de drama psicológico, e, com a
ajuda da auto-hipnose, muitos têm encontrado grandes êxitos na solução de
seus problemas.

ALGUMAS DOENÇAS TRATADAS PELA HIPNOSE CLÍNICA

Muitas doenças tais como alcoolismo, insônia, obesidade, fobias, compulsões e


muitas outras enfermidades de caráter psicológico têm sido tratadas com
ótimos resultados através da hipnose clínica, praticada com seriedade por
profissionais da área terapêutica, que a utilizam seriamente como meio de
obtenção da cura. A indução aplicada visando elevar a auto-estima do
paciente, o relaxamento e demais efeitos psíquicos obtidos pela sugestão
hipnótica têm colocado a hipnose clínica como um poderoso recurso auxiliar
no tratamento de muitas enfermidades psíquicas.

A HIPNOSE E A DEMÊNCIA MENTAL

Deve-se fazer grande diferença entre um indivíduo que adquiriu um problema


mental e um indivíduo com problemas de demência mental. Uma pessoa com
um problema de caráter psicológico, tendo ainda capacidade de percepção, é
capaz de perceber e avaliar as palavras do terapeuta, reagindo positivamente
à sugestão hipnótica. Cada palavra do terapeuta é compreendida e aceita.
Diferentemente, o demente mental não poderá ser hipnotizado porque não
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consegue organizar seu pensamento, pois, muitas vezes, o paciente não


consegue ter referência da sua própria personalidade, não compreendendo o
mundo à sua volta. A deficiência mental (o indivíduo considerado doido) não
permite o indivíduo ser tratado numa sessão de hipnose, por não entender
nem mesmo o que significa tratamento. Geralmente o demente mental é
alguém dependente de outra pessoa para praticamente tudo em sua vida. O
ideal é sempre cuidar dessas pessoas em instituições apropriadas, destinada
exclusivamente ao tratamento à esses tipos de pacientes.

A HIPNODIETA

A hipnodieta é o tratamento hipnótico para pessoas com problemas de


obesidade que não conseguem se livrar da compulsão de se alimentar de
forma exagerada. A sugestão hipnótica, tal como apresentada nas técnicas
demonstradas neste módulo, poderá ser aplicada nos casos de obesidade, no
entanto, o terapeuta deve ter em mente que, primeiramente, o paciente
deverá procurar um médico que o orientará numa dieta de acordo com o seu
organismo. Sendo procurado por alguém que deseja emagrecer, o terapeuta
deve, antes de tudo, recomendar que procure um médico. Poderá ser um
médico de sua confiança, conhecido seu, que o ajuda nestes casos. O médico
saberá as condições orgânicas do indivíduo, receitando um tratamento que
não implicará no prejuízo de sua saúde. Não é prudente hipnotizar uma
pessoa para que simplesmente desista de comer, isto poderá ser perigoso.
Neste caso, o ideal é que ela já tenha procurado um médico, e, a partir de
então, a hipnose objetivará o cumprimento da decisão médica.

OS PERIGOS DA HIPNOSE

Os perigos ocorridos na hipnose acontecem quando a transformam em


brincadeiras irresponsáveis. Muitos praticam a chamada “tábua humana” ou
enrijecimento dos membros do corpo através da sugestão. Alguns
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“exibicionistas de palco” que afirmam controlar a mente, e, após colocar a


pessoa em estado hipnótico, sugestionam o enrijecimento de todo o corpo,
posicionando o hipnotizado sobre duas cadeiras afastadas, apoiando seus pés
sobre o encosto de uma e a cabeça no encosto de outra. Isto é altamente
perigoso, pois, se ocorrer algum sobressalto, a pessoa hipnotizada poderá
cair violentamente no chão, batendo com a nuca, sendo possível também
ocorrer uma lesão na coluna ou algum outro acidente. Outro tipo de perigo
consiste em fazer brincadeiras com o hipnotizado diante de outras pessoas,
levando-o a comer coisas que jamais deveria ou a praticar cenas cômicas,
levando o auditório a dar gargalhadas. Ao despertar derrepente diante do
público em meio a risadas, poderia ocasionar no hipnotizado algum tipo de
distúrbio psicológico. Estas coisas em nada ajudam ou contribuem com a
prática terapêutica séria. Portanto, a prática da hipnose clínica como
recurso da psicanálise deve algo a ser aplicado seriamente somente por
analistas que tem como função auxiliar seus pacientes a sair de um quadro
psicológico negativo.

A REGRESSÃO CLÍNICA (REGRESSÃO HIPNÓTICA)

A própria expressão “regressão”, praticada na hipnose, tem sido usada, de


certa forma, muito mais envolvendo o lado místico do que propriamente seu
aspecto clínico-científico. A Psicanálise lida sempre com o lado clínico e
científico de um quadro, nunca com o lado místico. Por isso, em vez de
usarmos somente a expressão “regressão”, preferimos a expressão
“Regressão Clínica”. Em seu aspecto místico a regressão (envolvendo aqui o
lado da fé espírita e similares), enfatiza o retorno à vidas passadas, isto é,
crê que o paciente em estado de transe hipnótico poderá trazer para o
momento atual alguns fatos de “encarnações” em outras vidas passadas. O
Psicanalista que usa este tipo de explicação para alguns casos em seu
consultório, está mais externando seu ponto de vista religioso (ou fé no
misticismo), que propriamente sendo científico. A “Regressão Clínica”
verdadeiramente procura apenas levar o paciente, em estado de relaxamento
18

hipnótico (estado consciente ou semi-inconsciente da mente), a lembrar de


seu passado (vida atual, nunca uma outra vida). Em estado de relaxamento um
indivíduo poderá trazer à mente muitas coisas de sua infância, que o ajudarão
a entender melhor o porque de seu comportamento no presente. Os
problemas sofridos na personalidade de alguém poderão ser frutos de algo
em sua infância, jamais de algo vivido em uma outra vida. A psicanálise não
acredita que ninguém poderá lembrar de algo nos primeiro meses da vida
intra-uterina, visto que a mente ali ainda não estava formada. Os danos que
poderão ser sofridos na vida intra-uterina são rejeição ou problemas de
saúde, que muita vez, são constatados na personalidade de uma pessoa. Há
indivíduos que, com uma memória espetacular, conseguem lembrar claramente
de fatos acontecidos em seus primeiros anos de vida. O Psicanalista, quando
acha necessário investigar a infância de um paciente, o coloca
confortavelmente no divã e, após o relaxamento induzido, faz perguntas
como: “O que houve em sua adolescência com 10 anos de idade? Você
lembra?” “Você é capaz de lembrar de sua infância aos cinco anos”, etc. E,
neste estado de relaxamento vai investigando outras fases da infância do
indivíduo. Com isso, a Psicanálise deixa claro seu aspecto puramente
científico.

QUESTIONÁRIO

RESPONDA AS SEGUINTES QUESTÕES E NOS ENVIE AS RESPECTIVAS


RESPOSTAS:
19

01) Explique o Aspecto Científico e o Misticismo na Prática da Hipnose:

02) Qual a Definição do Termo “Hipnose”?

03) Explique o Comportamento Alterado na Hipnose:

04) O Que é Mesmerismo?

05) Na Hipnose a Quem se Deve Atribuir os Méritos?

06) Comente Sobre o Estado Hipnótico: :

07) Como Deve Ser o Ambiente Para as Sessões de Hipnose?

08) Compare a Hipnose e a PNL:

09) O Que é Relaxação Sem Contração de Musculatura?

10) O Que é Relaxação Com Contração de Musculatura?

11) Como Se Dá a Aplicação da Contagem Para se Alcançar o Estado


Hipnótico?

12) Explique Sobre o uso da Hipnose Para a Insensibilidade de Um Órgão:

13) Qual é a Técnica Para se Tirar Um Paciente do Estado Hipnótico?

14) Comente Sobre os Benefícios da Auto-Hipnose:

15) Comente Sobre as Doenças Tratadas Pela Hipnose:

16) Explique a Hipnose e a Demência Mental:


20

17) Quais Os Cuidados Que Devem Ser Observados na Hipnodieta?

18) Quais Os Perigos da Hipnose?

19) O Que é Regressão Clínica?

FASTE
Caixa Postal 74007
Itaguaí – RJ Cep 23815-970