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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ


CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS
CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

DANUSA B.M.B. DE ARAÚJO.

O CIDADÃO DEFICIENTE VISUAL NOS MERCADOS DE TRABALHO


E DE CONSUMO

CURITIBA
2007
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DANUSA B.M.B. DE ARAÚJO.

O CIDADÃO DEFICIENTE VISUAL NOS MERCADOS DE TRABALHO


E DE CONSUMO

Monografia apresentada à disciplina de


Pesquisa em Comunicação - Produção de
Monografia como requisito parcial à
conclusão do curso de Comunicação
Social – Habilitação em Publicidade e
Propaganda, setor de Ciências Jurídicas
e Sociais da Pontifícia Universidade
Católica do Paraná.
Orientador: Luis Afonso
Co-orientadora: Queila Regina Souza

CURITIBA
2007
3

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus pela oportunidade desta minha


existência. Aos meus pais, por todo apoio em todos os momentos de minha vida, ao
amor de minha vida, Henrique Bertol e seus pais também que sempre me
incentivaram e se preocuparam com esta etapa tão importante de minha vida. Não
posso deixar de agradecer também aos entrevistados, por responderem com tão
boa vontade às perguntas e por terem sido tão solidários, preocupando-se em me
ajudar na busca de mais entrevistados e de mais informações. E é claro, agradeço
aos orientadores Luis Afonso e Queila, foram de fundamental importância, pois sem
eles, eu não teria escrito nem a primeira página.
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“Nenhum país é tão rico que possa dispensar a mão de obra dos deficientes.”
John F. Kennedy
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RESUMO

Este trabalho pretende analisar o mercado de trabalho voltado aos deficientes


visuais, o mercado de consumo e a relação entre a sociedade e os deficientes
visuais. Esta análise conta com diversos autores, tais como Amarilan e Cutsforth,
além de pesquisas atuais referentes ao tema e entrevista em profundidade com
alguns deficientes visuais de Curitiba a fim de verificar experiências e opiniões sobre
a convivência com a sociedade, além de verificar também os perfis dos
entrevistados como consumidores, trabalhadores e/ou estudantes. Conclui-se que
em geral, os deficientes visuais sentem-se excluídos do mercado de consumo
devido à falta de linguagem apropriada nas embalagens da maior parte dos produtos
e serviços. Percebe-se então uma oportunidade de diferenciação para as empresas
socialmente responsáveis: embalagens, contas de telefone, luz e água em Braille,
assim como caixas eletrônicos em Braille, entre outros produtos e serviços. Verifica-
se que as formas de lazer dos deficientes visuais não distinguem tanto das
praticadas por pessoas que enxergam normalmente, o que difere é a forma com a
qual as pessoas lidam com os deficientes, seja com preconceito ou super proteção,
são atitudes que inibem os deficientes a muitas vezes saírem de casa. A falta de
conhecimento entre as pessoas que enxergam sobre as capacidades dos deficientes
visuais é o que mais causa desconforto para estes. Atualmente já existem diversas
atividades profissionais que podem ser exercidas por deficientes visuais. Porém,
ainda falta a prática da Lei das Cotas para deficientes na maioria das empresas,
falta reconhecimento, oportunidade e inclusão do deficiente visual como cidadão na
sociedade brasileira.

Palavras-chave: deficiência visual, mercado de trabalho, mercado de


consumo e sociedade.
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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO........................................................................................................07
1 A SOCIEDADE E O EXERCÍCIO DA CIDADANIA DO DEFICIENTE VISUAL. 09
1.1 A Sociedade e o exercício de cidadania.......................................................09
1.2 A deficiência visual.........................................................................................12
1.3 A relação entre o deficiente visual e a sociedade.......................................15
1.4 O deficiente visual e o exercício da cidadania............................................18
2 O DEFICIENTE VISUAL NO MERCADO DE TRABALHO E DE CONSUMO. .21
2.1 Mercado de trabalho no Brasil......................................................................21
2.2 Mercado de consumo e cidadania................................................................23
2.3 Deficiente visual no mercado de trabalho brasileiro..................................26
2.4 Deficiente visual no mercado de consumo..................................................33
3 PESQUISA...........................................................................................................37
3.1 Delineamento da pesquisa............................................................................37
3.2 Apresentação e análise de dados.................................................................39
3.2.1 Os entrevistados..........................................................................................39
3.2.2 O consumo e o lazer dos entrevistados....................................................41
3.2.3 Os entrevistados e a mídia.........................................................................44
3.2.4 Os entrevistados e a sociedade.................................................................46
3.2.5 Os entrevistados e o mercado de trabalho para os deficientes visuais.49
3.3 Considerações finais......................................................................................50
CONCLUSÃO.........................................................................................................53
REFERÊNCIAS......................................................................................................55
APÊNDICES...........................................................................................................60
ANEXOS.................................................................................................................115
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INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como foco abordar a questão dos deficientes visuais
como cidadãos que possuem direitos e merecem respeito e oportunidade tanto no
convívio social quanto no mercado de trabalho. Socialmente, percebe-se ainda muita
marginalização e ignorância para com os deficientes. Ao mesmo tempo, a tecnologia
permite que os cegos exerçam diversas profissões.
Parte-se da hipótese de que a dependência financeira dos deficientes visuais,
na maior parte das vezes, seja devida à precariedade da educação, falta de preparo
dos professores e de materiais didáticos inapropriados. Outro fator importante que
afeta diretamente a parte sócio-econômica desta parcela da sociedade é a falta de
oportunidades de trabalho formal. Muitas empresas não têm a consciência da
importância da inclusão social do deficiente no mercado de trabalho e das vantagens
que a empresa pode vir a ter.
A intenção desse trabalho, portanto é contribuir para despertar o interesse da
sociedade curitibana e das empresas, afim de que tenham consciência de que a sua
participação na vida dos deficientes visuais é útil e importante.
O trabalho também pode ser útil para os próprios deficientes visuais, uma
vez que trará uma análise do atual mercado de trabalho para indivíduos com
deficiência.
O tema será abordado através de pesquisas bibliográficas relacionadas ao
assunto como base para as análises, artigos atuais sobre a deficiência e o mercado
de trabalho e entrevistas realizadas com deficientes visuais da região de Curitiba.
A linha de pesquisa deste trabalho é a de Comunicação, Educação e Cultura,
pois se refere aos aspectos sociais do deficiente visual.
A questão central que define o foco desta pesquisa diz respeito à
necessidade de verificar como se dá a participação dos deficientes visuais nos
mercados de trabalho e de consumo. Busca-se analisar, a partir de pesquisa de
campo e de dados secundários, como o deficiente visual é tratado no mercado de
trabalho, quais são as oportunidades, como é sua situação sócio econômica em
geral, de que maneira o deficiente visual faz suas compras, quais são as motivações
na escolha do produto. Além disso, busca-se comprovar a hipótese de que são raras
as oportunidades de trabalho e de consumo geradas para o deficiente visual.
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O presente tema foi escolhido devido à importância limitada que se dá aos


deficientes visuais tanto na sociedade quanto no mercado de trabalho. Muitos cegos
têm um potencial a ser desenvolvido e por falta de oportunidade, motivação e
incentivo mantêm-se dependentes da família ou de voluntários, sem conseguir viver
de maneira independente. O mercado consumidor para os deficientes visuais
aumentou, mas ainda é relativamente desconhecido e limitado. Além disso, os cegos
podem ter poder de escolha e por meio desta pesquisa, serão verificadas suas
preferências, objetivos, vantagens e opções no mercado de trabalho.
Para atingir o objetivo desta pesquisa a metodologia utilizada será constituída
pelo método de levantamento bibliográfico e entrevista em profundidade. Quanto ao
tipo, a pesquisa é descritiva, qualitativa e exploratória. A análise de dados será feita
qualitativamente. A amostra de dados será constituída por entrevista com deficientes
visuais, empresários de Curitiba, obras que tratem de deficiente visual,
comportamento do consumidor, direitos do cidadão e artigos de revistas, jornais e
websites que sejam relacionados aos cegos e às oportunidades de inserção social e
no mercado de trabalho.
Espera-se que este trabalho de pesquisa contribua para aumentar a
credibilidade dos cegos junto ao mercado de trabalho e na sociedade. Além disso,
espera-se que os próprios cegos passem a confiar na própria capacidade e
visualizem as portas que a tecnologia e o 3º Setor estão abrindo.
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1 A SOCIEDADE E O EXERCÍCIO DA CIDADANIA DO DEFICIENTE VISUAL

1.1 A sociedade e o exercício da cidadania

A origem da palavra sociedade surgiu do latim societas, que significa


associação amistosa com todos. Horkheimer (1978, p.25) conceitua de maneira
geral, sociedade como “um conjunto de homens, com grupos de diversas dimensões
e significados, que compõem a humanidade.” Outro conceito que fundamenta bem o
significado de sociedade, de maneira clara e destacando fatores que influenciam na
característica de uma sociedade, é citado por Parsons (1927-1934, p.225 e 231
apud FORACCHI, 1977, p.271):

A sociedade nada mais é do que uma parte da totalidade da vida do


homem, sobre a qual os fatores de hereditariedade e inatos influem tanto
quanto os elementos culturais – conhecimentos e técnicas científicas,
religiões, sistemas éticos e metafísicos, e as formas de expressão artística –
proporcionadas pelo meio. Sem estas coisas, não existe sociedade; elas
atuam em todas as manifestações concretas da sociedade sem que, por
esse fato, elas próprias sejam a sociedade. Esta abrange apenas o
complexo de relações sociais como tais.

As relações entre as pessoas dentro de uma sociedade implicam na estrutura


social, conforme afirmam alguns antropólogos. Outros enfatizam as relações
esperadas entre pessoas. A estrutura de uma sociedade deve ser vista não só na
situação momentânea, mas também devem ser analisados os fatores de
continuidade.
A estrutura social é influenciada conforme o conceito de função social e
organização social. A função social é a relação entre uma ação social e o sistema da
qual a ação faz parte. Nenhuma ação social pode ser definida isoladamente:
Cardoso e Ianni (1976) afirmam que a função de uma ação ou relação social
consiste na conexão que esta apresenta com todos os outros elementos do sistema
social no qual se manifesta. E organização social implica na união de elementos
diversos com uma relação em comum.
Outros aspectos da estrutura social surgem das relações de outros tipos de
grupo, como: castas, clãs, grupos com um objetivo específico em comum, categorias
de idade, crença, valores políticos, grau de parentesco, status.
10

As sociedades representam visões de mundo alternativas e às vezes até


competidoras e conflitantes. Os indivíduos relacionam-se com os outros de acordo
com a situação natural, social e cultural do momento. Isto é favorável e necessário à
sobrevivência humana e para produção e reprodução das condições necessárias à
vida, donde os padrões determinam a ligação dos homens entre si e com as coisas.
A cultura, por sua vez, padroniza os comportamentos e valores de uma
sociedade. Segundo Shiffman e Kanuk (2000), cultura é a soma total das crenças,
valores e costumes aprendidos que servem para diferenciar o comportamento de
consumo dos membros de determinada sociedade. A cultura satisfaz as
necessidades dentro de uma sociedade. Oferece ordem, direção e orientação. A
cultura é aprendida como parte de experiência social.
Viver de forma democrática em uma sociedade é ter garantia das melhores
condições, ter direito à educação, saúde, lazer, cultura, opção sexual, política,
filosófica e religiosa, é o que define de uma forma geral a cidadania. A cidadania
entra no contexto da sociedade. Em suma, é poder alcançar a realização pessoal e
coletiva. Já para os gregos, para um indivíduo ser considerado como cidadão,
bastava ser habitante da cidade.
Na Roma Antiga, bastava estar integrado na vida política da cidade para ser
cidadão: “Naquela época, e durante muito tempo, a noção de cidadania esteve
ligada à idéia de privilégio, pois os direitos de cidadania eram explicitamente restritos
a determinadas classes e grupos.” (MOTA, 2004, p.126).
A cidadania cria características próprias conforme o contexto social, assim
como o tempo, lugar e condições sócio-econômicas existentes.
A respeito da prática da cidadania, Mota (2004) explica:

Os cidadãos necessitam, para exercer uma cidadania ativa, de um sistema


de mídia diversificado, de informações políticas diversas, em níveis
distintos, desde as mais técnicas, com explicações provenientes do sistema
de especialistas, até as abordagens mais simples. “Uma vez que as
pessoas estão associadas à política através de diferentes backgrounds,
interesses e habilidades cognitivas, não há como prescrever um modelo
único de informação politicamente relevante, nem um mesmo padrão de
excelência.” (MAIA, 2003, p.129 apud MOTA, 2004).

Portanto, o que leva os indivíduos de uma sociedade sentirem vontade de


modificar algo, lutar por algum ideal, sentir-se como cidadão, pessoas com deveres
e direitos é justamente a diversidade de idéias, geradas principalmente através da
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mídia e é através das informações geradas por ela, que cada indivíduo processa
e aborda de uma maneira distinta.
O cidadão tem como exercício abranger um conjunto de deveres e direitos.
Respeitar o meio ambiente, assim como os outros indivíduos, são deveres de um
cidadão. De acordo com Rozicki (2001), o cidadão tem também o direito e o dever
político de votar e ser votado, de iniciativa popular, igualdade de sufrágio, direito de
petição, participação política e direito de ser consultado para as tomadas de decisão
condizentes à sociedade em que vive.
De acordo com García (1997, p.22), a cidadania e os direitos não falam
unicamente da estrutura formal de uma sociedade; além disso, indicam o estado da
luta pelo reconhecimento dos outros como sujeitos de “interesses válidos, valores
pertinentes e demandas legítimas.” A palavra cidadania:

(...) sob o prisma jurídico, qualifica os participantes da vida do Estado, é


atributo das pessoas integradas na sociedade estatal, atributo político do
direito de participar no governo e direito de ser ouvido pela representação
política. O cidadão, segundo a literatura jurídica, é o indivíduo que é titular
dos direitos políticos de votar e ser votado e suas conseqüências. (FILHO e
CUNHA, 2007).

Segundo Dallari (1998, p.14) a cidadania é a expressão de um conjunto de


direitos que dá ao indivíduo a possibilidade de participar ativamente na vida do
governo e do seu povo e aquele que não tiver cidadania está marginalizado.
Tomando por base Castoriadis (apud SOARES, 1993), pode-se afirmar a
cidadania plena só acontecerá totalmente quando:

(...) se modificarem as estruturas sociais, as atitudes, a mentalidade, as


significações, os valores e a organização psíquica (...), e para isto, um
processo educacional que comporte necessariamente a aceitação do fato
de que as instituições não são tal como existem, nem necessárias, nem
contingentes, ou seja, a aceitação do fato de que não há nem sentido
recebido como dádiva nem garantia do sentido, de que não há sentido a
não ser o que é criado na e pela história". (CASTORIADIS apud SOARES,
1993, Cidadania como conceito de totalidade)

O Estado deve propiciar aos cidadãos dignidade social e econômica e


igualdade de condições de existência, segundo Junior e Pinho (2007). A Constituição
Federal prevê os direitos e deveres do cidadão brasileiro:
O cidadão tem o direito de:
Ir e vir em todo território nacional em tempo de paz;
Direito de igualdade perante a lei;
Direito de fazer ou deixar de fazer alguma coisa;
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Direito de não ser torturado e de não receber tratamento desumano


ou degradante;
Direito à sua intimidade, sua vida particular, sua honra, sua imagem, à
inviolabilidade de seu domicílio, de sua correspondência, de suas
comunicações telegráficas, de dados e telefônicas;
Direito de liberdade de expressão de atividade artística, intelectual,
científica, literária e de comunicação;
Direito de reunião e às liberdades políticas e religiosas;
Direito à informação;
Direito de propriedade;
Direito de petição.
O cidadão tem o dever de:
Votar para escolher nossos governantes e nossos representantes nos
poderes executivo e legislativo;
Cumprir as leis;
Respeitar os direitos sociais de outras pessoas;
Prover seu sustento com o seu trabalho;
Alimentar parentes próximos que sejam incapazes de prover seus próprios
sustentos;
Educar e proteger nossos semelhantes;
Proteger a natureza;
Proteger o patrimônio comunitário;
Proteger o patrimônio público e social do País;
Colaborar com as autoridades.
Todo cidadão deve possuir os seguintes documentos:
Carteira de identidade;
Carteira profissional;
Certidão do serviço militar (para homens);
Título de eleitor;
Carteira de saúde;
Cadastro de Pessoa Física (CPF).
(OUVIDORIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA, 2007).

Ou seja, os cidadãos brasileiros possuem diversos direitos que propiciam


justiça, proteção e espaço público, porém, infelizmente, a maior parte dos cidadãos
não tem conhecimento destes direitos e na prática estes são aplicados para uma
minoria.

1.2 A Deficiência Visual

Pode-se definir a deficiência como sendo alguma restrição ou perda,


psicológica, fisiológica ou anatômica resultante do impedimento para desenvolver
habilidades consideradas normais para o ser humano, segundo Organização
Mundial da Saúde (apud Senac, 2003). E deficiência permanente, “é aquela que
ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir
recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos”
(Organização Mundial da Saúde, s/d apud SENAC, 2003). Quanto ao conceito de
deficiência visual aprovado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1972,
13

Amiralian (1997, p.30) afirma que foi aceito há muito tempo por Lowenfeld
(1950), o qual diz que cegos são aqueles que apresentam acuidade visual de 0/200
(enxergam 20 pés de distância daquilo que o sujeito de visão normal enxerga a 200
pés), no melhor olho, após correção máxima, ou que tenham um ângulo visual
restrito a 20º de amplitude. A restrição do campo visual é considerada cegueira,
independente da acuidade visual. “São considerados indivíduos com visão residual
aqueles que apresentam acuidade visual de 20/200 pés e 20/70 pés no melhor olho,
após correção máxima”.
No Brasil, segundo os dados do Censo (2000 apud Projeto Habilitar, 2002) o
total de deficientes no Brasil é de 14,5%, de deficiência visual 9,8%, os que são
incapazes de enxergar representam 0,1%, 1,4% tem grande dificuldade permanente
de enxergar e 8,3% tem alguma dificuldade de enxergar. Segundo dados do IBGE –
Censo 200 (apud Febraban, 2006, p.11), “a deficiência visual – não necessariamente
cegueira total – é a mais presente nos brasileiros, representando quase a metade
(48,1%) da população com deficiência.” No Paraná, encontram-se 792.143 cegos,
de acordo com IBGE (2002, apud Godoy, 2003).
Segundo Rodrigues (1987), os primeiros relatos sobre deficiência visual,
encontram-se na Bíblia, como por exemplo, no relato do cego que Cristo curou. Os
cegos eram, em sua maioria, mendigos. Na Antigüidade, os cegos eram
marginalizados, considerados inválidos. Os judeus consideravam a cegueira como
uma maldição divina fruto do pecado. As idéias religiosas sempre tiveram influência
em determinadas culturas. Com o desenvolvimento da ciência, as causas da
cegueira passaram a ter explicações racionais.
De acordo com os aspectos clínicos da deficiência visual, citados por
Rodrigues (1987), a perda completa da visão é chamada de cegueira total ou
amaurose. Quando o indivíduo já nasce com a deficiência, ela é congênita. Não há
sequer percepção luminosa. Há casos de atrofia do nervo ótico ou até falta do nervo
ótico, desde o nascimento. Segundo dados do IBGE e Agência de Marketing (apud
Febraban, 2006), 44,4% dos deficientes visuais têm deficiência congênita, ou seja, já
nasceram sem a possibilidade de enxergar e 54,9% adquiriram a deficiência.
Quando a visão tem uma perda significativa, mas irreparável, a visão é subnormal. O
portador de visão subnormal pode ter comprometimentos relacionados à diminuição
da distinção de detalhes do campo visual, à adaptação à luz e ao escuro e
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percepção de cores. Hoje, existe o recurso da magnificação da imagem para os


portadores de visão subnormal.
Doenças como glaucoma, catarata, distrofias periféricas e centrais, sarampo,
meningite, sífilis, diabetes ou síndromes neurológicas são outros fatores que podem
causar a cegueira. Boa parte das vezes, progressivamente. Existe também cegueira
adquirida subitamente por acidentes traumáticos e cegueira periódica, que ocorre
devido a problemas de ordem psicológica. Segundo a Agência de Marketing (apud
Febraban, 2006), 68,2% das causas de deficiência são por doença e 12,7% são
adquiridas devido a acidentes.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2007 apud Castilho, 2007),
dentre as causas das deficiências, destacam-se os transtornos congênitos e
peritanais (16,6%), que podem ser conseqüência da falta de assistência às mulheres
na gravidez; as enfermidades transmissíveis (16,8%), as enfermidades crônico-
degenerativas (21,0%); as alterações psicológicas (6,6%); o alcoolismo e abuso de
drogas (10,0%), as causas externas (18%) e desnutrição e outras (11%). Quanto a
esta última, estima-se que “250 mil crianças por ano tornam-se cegas por causa de
deficiência crônica de vitaminas” (CESÁRIO, 2001 apud FUNDAÇÃO GETÚLIO
VARGAS, 2007).
De acordo com Gil e Almeida (1989), calcula-se que entre 50 e 70% dos
casos de cegueira poderiam ser evitados se melhores condições de vida fossem
estendidas às populações de zona rural e vítimas de condições sócio-econômicas
precárias.
Blank (1957, apud Amarilan, 1997, p.54), considera a cegueira adquirida,
inevitavelmente traumática, pela ruptura nos padrões já estabelecidos de
comunicação, mobilidade, trabalho, recreação, e sentimentos acerca de si próprio. A
reação da pessoa sadia que adquire a cegueira costuma passar por dois estágios,
segundo Blank (1957, apud Amarilan, 1997, p.54): O choque imediato
(despersonalização e depressão) e a recuperação subseqüente (estágio definitivo).
A época da perda da visão e a aquisição súbita ou progressiva da deficiência
são importantes fatores que interferem no desenvolvimento dos indivíduos. O cego
congênito, por exemplo, organiza sua estrutura cognitiva através do tato, audição,
cinestesia, olfato e gustação, diferentemente daquele que obteve a deficiência após
este desenvolvimento, pois retém uma estrutura de referência visual útil.
15

Para Kirk (1972), a carência crucial do cego, por não poder imitar a
articulação do som, através de canais visuais, pode ser amplamente compensada
pelo maior papel da comunicação oral e auditiva na sua vida.
O cego faz uso de todos os seus sentidos a fim de fugir dos obstáculos e ter
segurança em seus movimentos. Ouve todas as espécies de sons, incluindo ecos,
interpreta odores e suas origens, sente mudanças de temperatura, correntes de ar e
que eles indicam. Enquanto que para um vidente a imagem visual determina alguma
direção, para o cego este fator determinante é o tempo. Mas, para ampliar seu
mundo, o cego depende da assistência humana, mesmo que bengalas e cães-guia
lhe orientem.
Conforme o Senac, o art. 3º da Declaração dos Direitos das Pessoas
Portadoras de Deficiência diz que:

Às pessoas portadoras de deficiência assiste o direito inerente a todo e


qualquer ser humano de ser respeitado, sejam quais forem seus
antecedentes, natureza e severidade de sua deficiência. Elas têm os
mesmos direitos que os outros indivíduos da mesma idade, fato que implica
desfrutar de vida decente, tão normal quanto possível. (DECLARAÇÃO
DOS DIREITOS DAS PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA, s/d
apud SENAC, 2003).

Amiralian (1997) explica que, para se compreender os sujeitos cegos, é


preciso entender a sua limitação; são pessoas com uma deficiência sensorial (a
ausência da visão) que consequentemente, interfere no desenvolvimento e
ajustamento de algumas situações comuns da vida.

1.3 A relação entre o deficiente visual e a sociedade

A cegueira pode ser vista apenas como uma falha orgânica; mas, por outro
lado, percebe-se o cego como um ser humano em geral excluído da comunidade,
segundo Cutsforth (1969).
De acordo com Rodrigues (1987), as idéias religiosas influenciam na vida
individual e no processo de socialização, impedindo a libertação pessoal e social de
diversos deficientes. As pessoas que vão se relacionar com os deficientes, conforme
a maneira de lidar com a situação, “ou vão encorajá-los; ou vão penalizar-se, ou vão
tratá-los com naturalidade, ou vão induzi-los a pertencer a essa ou àquela religião,
ou vão, simplesmente, rejeitá-los e desprezá-los.” (RODRIGUES, 1987, p. 23).
16

Existem ainda aqueles que acham que todos os cegos padecem de


carência econômica; aqueles que são convictos de que a deficiência visual é uma
doença contagiosa; alguns têm medo de ofendê-los ou então medo de serem
ofendidos, enquanto o cego como parte de uma minoria teme ser desprezado pela
sociedade. Ou seja, o preconceito está ainda presente em muitos lugares e em
ambas as partes.
Mesmo havendo a Lei dos Direitos Humanos da ONU que proíbe qualquer
discriminação, os deficientes muitas vezes sofrem preconceito por parte de
empresários, diretores de escolas, associações e instituições.
De acordo com Cutsforth (1969), as dificuldades emocionais dos cegos
causam confusão e incompreensão e acentuam os desentendimentos entre estes e
os videntes. Tudo que é relacionado com a atividade emocional vale tanto para os
cegos como para os videntes. Segundo o autor, a sociedade deve lidar com a
cegueira de maneira prática e objetiva, fugindo da pieguice ou paternalismo. Os
cegos precisam de compreensão e ajuda no que precisar diretamente do uso da
visão, e não de superproteção. Cutsforth alega também que a maneira com a qual
os videntes agem, induzem os cegos a manterem atitudes positivas de amor-próprio,
resistindo assim, às sugestões de inferioridade ou aceitarem a avaliação social e
pessoal dos videntes, sacrificando assim, o seu amor próprio. Custforth conclui que
os cegos tornam-se o que a sociedade julga serem os cegos, a fim de adquirirem
aprovação social.
A inclusão do cego na sociedade vai muito mais dos indivíduos que nela
estão do que programas e leis de ordem pública que nos acompanham há décadas.
A inclusão social, segundo Febraban (2006, p.5), diz respeito “a todos os cidadãos, a
todas as empresas estatais e privadas, às entidades públicas e órgãos
governamentais de forma geral”. Portanto, é necessário um empenho de todos os
segmentos para tornar possível uma inclusão efetiva dos deficientes. Este processo
vem sendo motivado pela abrangente legislação, as leis têm evoluído de certa
forma: “Documentos garantem inclusão das pessoas com deficiências A inclusão
social depende da mudança de atitudes da própria sociedade, mas uma mudança
cultural também começa com a adoção de mecanismos legais que garantam isso.“
(DUTRA, 2007, Com Texto).
Portanto, não basta somente a legislação e a conscientização da sociedade
para manter o equilíbrio na igualdade de oportunidades nos diferentes segmentos da
17

população, em especial no de pessoas deficientes. Segundo Febraban (2006,


p.6):

Para incluirmos, de fato, com qualidade e consistência, existe a


necessidade constante de aprimorar as políticas públicas, aproximando-as,
cada vez mais, da realidade vivenciada pelas pessoas com deficiência.
Para isso, é preciso um maior entendimento desta população, seu perfil,
necessidades específicas, expectativas e percepção da sua realidade
concreta.

É difícil para a sociedade compreender o desenvolvimento intelectual dos


cegos. Outros crêem que os deficientes visuais têm poderes especiais, segundo
Amiralian (1997). De acordo com Cutsforth (1969), é raro principalmente para
aqueles mais próximos dos cegos, compreenderem que os que não enxergam estão
sofrendo de privação. São cidadãos inteligentes e capazes, mas recuam ao
perceber a não compreensão da comunidade. Falta, muitas vezes, estímulo para
aqueles que perderam a visão recentemente.
Estudos sistemáticos demonstram que não existe desejo específico de ver,
pelo simples fato de ver. As perturbações emocionais ocorrem devido a outras
condições. Os deficientes visuais geralmente reclamam da atitude tomada contra
eles pelos dotados de visão. As reclamações variam desde uma espécie de
tolerância humorística para com estes até o protesto emocional violento que alguns
têm em sua vida imaginária, segundo o autor Cutsforth (1969). No anexo C existem
algumas informações de como se relacionar com um deficiente visual.
Um cego que não estiver adaptado vai apresentar deficiências mais
acentuadas, especificamente nas áreas onde canais de comunicação deveriam
participar no processo de adaptação ou de equilibração. Para o seu desempenho, as
variáveis importantes são: a locomoção e orientação, a coordenação motora, a
linguagem em seus conteúdos semânticos, a percepção sensorial e problemas de
personalidade e ajustamento.
Estudos indicam que o sujeito que perde sua visão antes dos 5 anos não
retém qualquer imagem visual, enquanto os que perdem depois dessa idade podem
reter uma estrutura de referência visual útil, o que os torna capazes de visualização.
De acordo com Cutsforth (1951) e Scott (1969, apud Amiralian, 1997, p.57),
existem pessoas cegas que são feitas, não nascidas, no sentido de que são
socializadas pelo "sistema da cegueira", ou seja, os grupos sociais: família, escola,
Igreja, grupos de trabalho e mesmo as instituições que existem para servi-lhos, lhes
18

impõe padrões e papéis sociais que resultam em características identificáveis à


cegueira.
De acordo com Rodrigues (1987) o deficiente como minoria deve inserir-se na
comunidade e nos grupos sem esperar que a maioria venha até ele, assim como
deve aceitar e assumir o desafio social e provar suas capacidades, sem esconder os
limites, pois depois faz com que perca o crédito. D

1.4 O deficiente visual e o exercício de cidadania

Segundo Rodrigues (1987), a preocupação da sociedade para com os


deficientes visuais, teve início no século XIX na França, que na época mantinha um
poder intelectual se comparado aos outros países. A fim de reunir os cegos para
compartilharem suas dificuldades e anseios e fazer com que eles se sentissem
melhor, filantropos começaram a criar obras de proteção aos cegos. E, logo,
passaram a alfabetizar os cegos por meio de placas ou chapas. As primeiras
instituições para cegos funcionavam como internato.
Um cego francês, Louis Braille, foi quem criou um método mais eficiente com
pontos em alto-relevo para leitura. Em 1873 foi reconhecido oficialmente. O método
que já passou por diversas adaptações é conhecido até hoje como “Braille”.
Segundo o AMUSP (apud Unimed, 2007): “O Braille pode ser escrito à mão, com
reglete e o punção, mas o processo é complicado, lento e trabalhoso.” A máquina
tornou a escrita em Braille dez vezes mais rápida e acessível. De acordo com
AMUSP (apud Unimed, 2007), a produção e comercialização da máquina Braille
começou em 1946 nos Estados Unidos e no ano de 1999 no Brasil.
No Brasil, a primeira preocupação oficial com a educação, segundo o MEC
(1970), foi em 1865 com o Projeto de Lei apresentado pelo Deputado Cornélio
Ferreira França à Assembléia, objetivando o ensino de cegos e surdos-mudos
através da criação do Professor de Primeiras Letras na Capital do Império e nas
capitais das Províncias.
O Imperador D. Pedro II baixou o Decreto Imperial n.º. 1.428, de 2 de
setembro de 1854, criando o Imperial Instituto dos Meninos Cegos. Foi o marco da
educação de deficientes visuais no Brasil e na América do Sul. Com o advento da
República, o Instituto passou a denominar-se Instituto Benjamin Constant. A partir de
19

1950 os alunos deficientes visuais passaram a ter a oportunidade de estudar em


escolas comuns de nível primário.
A educação de deficientes visuais tem sido encarada como dever do encargo
público em diversos países e inclusive adotada pelo Governo brasileiro desde 1854.
Teve início em instituições especializadas e em alguns países ainda existem escolas
residenciais.
Não há orientação profissional específica com relação ao ingresso de
deficientes visuais nas universidades. A aceitação depende das direções de ensino
superior.
A escolaridade média dos deficientes é de um ano menor comparando-se
com aqueles sem deficiência. Segundo dados do Censo 1991, no Brasil, cerca de
60% dos deficientes não haviam sido alfabetizados. As taxas daqueles que nunca
freqüentaram a escola eram de 16,3% para a população brasileira em geral, e
27,34% de pessoas com deficiência, segundo uma pesquisa feita pela Fundação
Getúlio Vargas (FGV). Apesar de a população brasileira ter cerca de 14,5% de
pessoas com algum tipo de deficiência física, visual ou auditiva, segundo o Censo
2000, a porcentagem de inscritos que pediram condições especiais nos grandes
vestibulares é muito mais baixa. No último exame da Fuvest, apenas 105 dos mais
de 160 mil inscritos fizeram as provas em condições especiais porque possuíam
alguma deficiência, ou seja, são menos de 1% dos inscritos nos grandes
vestibulares do Brasil.
A baixa escolaridade das pessoas com deficiência representa um entrave
para a efetivação da Lei de Cotas. Recentemente, um estudo fornecido pela AGMKT
Estratégia Empresarial, concluiu que só 31% dos deficientes, hoje empregados, têm
entre 8 a 12 anos de escolaridade.
Segundo Borges (2007), o que diferencia o cego brasileiro de um cego de
primeiro mundo é principalmente o acesso à educação e à cultura. Isto se explica
devido ao custo adicional para a educação de um cego. Produzir um livro em Braille,
por exemplo, é muito mais caro e difícil do que produzir um livro comum. A aquisição
de uma impressora em Braille, custa em torno de R$ 25 mil.
Entretanto, por maiores que sejam as limitações e obstáculos de um indivíduo
cego, este pode ser produtivo na sociedade. Muitas destas limitações já podem ser
consideravelmente amenizadas com a tecnologia que vêm sendo desenvolvida
20

desde a década de 70 e adaptações na educação conforme a realidade e


condições do cego.
O computador, por exemplo, criou uma extensa área de oportunidades de
trabalho, educação e comunicação para os cegos. No Brasil, existem dezenas de
deficientes visuais que atuam como analistas de sistema e programadores,
auxiliados por equipamentos acoplados aos computadores. Com a tecnologia, os
gastos com educação e cultura para os cegos têm sido reduzidos: um exemplo é o
gravador portátil, que permite o registro e reprodução de textos, como por exemplo,
o “livro falado” a baixo custo. O sistema DOSVOX, criado na Universidade Federal
do Rio de Janeiro, executa tarefas como edição de textos (com impressão em
Braille), leitura/adição de textos anteriormente transcritos, utilização de ferramentas
de produtividade faladas (calculadora, agenda, etc.) e diversos jogos. Este sistema
“fala” através de um sintetizador de som de baixo custo.
Segundo Borges (2007), para o deficiente visual o acesso às informações via
rede viabilizaria a recepção de jornais, informações gerais, troca de mensagens,
acesso às centrais de vídeo texto, informações bancárias, entre outros. O Jornal O
Estado de São Paulo e o Jornal do Brasil, por exemplo, disponibilizam na rede
Internet para os Deficientes Visuais, de forma gratuita, os seus resumos diário e
semanal.

CAPÍTULO 2: O DEFICIENTE VISUAL NO MERCADO DE TRABALHO E DE


CONSUMO

2.1 Mercado de trabalho no Brasil

De acordo com Vieira (2000), o mundo está presenciando diversas


transformações no mercado de trabalho devidas a diferentes fatores, entre estes as
mudanças na economia mundial, a reorganização da produção, a revolução
tecnológica e o desemprego.
21

Depois da Revolução Industrial, foram adotadas uma série de medidas


protetivas ao trabalhador, como a adoção de leis para jornada de trabalho, proteção
ao menor, proteção à mulher trabalhadora, ou seja, houve a regulamentação do
Direito do Trabalho em vários países.
A internacionalização da economia também provocou transformações na
organização do trabalho, tanto no setor produtivo como na distribuição e na
prestação de serviços, segundo Vieira (2000). A abertura comercial abre fronteiras e
faz com que grandes empresas busquem condições mais favoráveis para a
produção e competição no mercado, a fim de reduzir custos operacionais. De acordo
com Soares, Servo e Arbache (2001), a abertura comercial proporcionou duas fontes
de perdas de emprego, uma não muito ampla e reversível em função da
concorrência direta, e outra maior e não-reversível, em função dos aumentos da
produtividade.
Portanto, as condições de trabalho no Brasil e no mundo evoluíram
consideravelmente devido a mudanças ocorridas decorrentes da evolução
tecnológica, redução da quantidade de trabalho que praticamente excedia o limite da
capacidade humana, entre outros fatores. A redução das horas de trabalho foi
conseqüência das reivindicações e do desenvolvimento e aplicação de leis
trabalhistas. Contudo, o crescimento da população inativa tende a crescer. “O
diploma de um curso superior já foi garantia de emprego em meados da década de
70” (BATTISTI, 2002). Hoje, com o fácil acesso às universidades, com a diversidade
e quantidade de cursos disponíveis, ter um diploma, não é mais um diferencial.
Segundo Gárcia (1997, p.19), a tendência neoliberal de conduzir a
globalização consiste em reduzir empregos para reduzir custos, aumentando a
competição entre empresas transnacionais: “A conseqüência de tudo isso é que
mais de 40% da população latino-americana se encontra privada de trabalho estável
e de condições mínimas de segurança”.
Cardoso Jr. e Fernandes (2000, apud Soares, Servo e Arbache) mostram que
houve inversão de tendência, verificada desde os anos 70, da lenta formalização do
mercado de trabalho. A partir de 1990, o número de empregados sem carteira e
empregados por conta própria começou a aumentar mais rapidamente que o número
de empregados com carteira. Porém, no Paraná, segundo os dados da Pesquisa
Nacional por Amostras de Domicílios (apud BEM PARANA, 2007), o índice
registrado em 1992, de 47,4% de trabalhadores informais, caiu para 40,8% em
22

2005.E de acordo com o Bem Paraná (2007), outra pesquisa realizada pelo
IBGE, intitulada “Economia Informal Urbana 2003”, mostrou que neste ano havia no
Brasil 12 milhões de trabalhadores nesta mesma situação. Quanto às perspectivas
do negócio, 41% dos trabalhadores por conta própria tinham planos de aumentar e
26,3% pretendiam continuar no mesmo nível. ”A maior parte dos empregadores
informais disse que entraram no negócio através das relações pessoais como
indicação de conhecidos, amigos e parentes”.
Segundo Scaliotti (2007), os empregos formais vêm sendo criados, mas com
salários defasados e com um alto nível de exigência. A informalidade está em
permanente expansão e as leis que deveriam regular o mercado são
frequentemente descumpridas.
Conforme a Associação dos Magistrados da 3ª Região – AMATRA (1997, p.
19), as pessoas costumam atribuir a culpa da falta de emprego ao governo, aos
patrões, ao excesso de impostos, taxa de juros, dívida externa, política salarial, mas
estas não são as únicas fontes de desemprego: Segundo a AMATRA, o desemprego
veio juntamente com o aperfeiçoamento tecnológico. A Mercedes Benz, por
exemplo, fabrica hoje mais que o dobro com menos da metade de empregados
comparando-se há 30 anos atrás. Tudo é automatizado.
Com relação ao desemprego, a AMATRA (1997, p. 18) afirma:

O desemprego, hoje, é o mal do século. Estudiosos vêm de há muito


sinalizando para a devastação que ele vai provocar no mundo. E a
sociedade, aqui e lá, nada fez. E aí está: não há família sem desempregado
entre seus membros. Há famílias de desempregados. Há cidades
desempregadas.

A fim de minimizar a falta de empregos, nos dias de hoje, muitas empresas


apelam para a terceirização. No Japão, 60% da mão-de-obra é terceirizada.
Segundo a AMATRA (1997), o aumento da terceirização é um processo irreversível.
Com relação ao que se espera de um indivíduo que deseja entrar no mercado
de trabalho, Lima (2005) relata que as grandes organizações que hoje ditam as
regras do mercado de trabalho, remunerando condizentemente seus colaboradores,
estão cada vez mais à procura de profissionais competentes, que tenham cultura
geral e uma base sólida de conhecimentos adquiridos em instituições de ensino de
excelência e qualidade.
23

2.2 Mercado de consumo e cidadania

Segundo Goldman (1970), o mercado é constituído pelos movimentos de


oferta e procura de uma mercadoria ou valor – objeto econômico – dos quais
participam muitas pessoas. Mercados podem incluir produtos, idéias, áreas
geográficas, política de preços, sistemas econômicos, organizações e,
principalmente, consumidores. Existem mercados de capitais, de construções, de
produtos alimentícios, eletrodomésticos, moda, vestuário, automóveis, mercados de
política, música, poesia, entre outros.
De acordo com o autor, o mercado não é um movimento simplesmente livre e
espontâneo com o objetivo de suprir os desejos físicos e psíquicos das massas
consumidoras. Atualmente, o mercado é controlado pela grande organização, a qual
vai determinar o comportamento das pessoas. O dinheiro tornou-se símbolo do
poder e movimenta o mercado: “O rumo da humanidade passou a ser ditado pelas
solicitações do mercado. Em função do mercado, estabeleceu-se a moral das
épocas, o “status” e o prestígio social.” (GOLDMAN, 1970, p.22)
Ainda de acordo com Goldman (1970), a liberdade que a massa tem é a de
optar entre os produtos e apetites artificiais através de um poderoso e controlado
mercado de idéias e bens de consumo.
A sociedade de consumo tem como meta produzir mercadorias, vendê-las,
produzir outras, ou seja, um círculo vicioso que envolve os homens numa rede de
relações sociais, em que o produzir e adquirir mercadorias se tornam o eixo
condutor das ações humanas. Segundo Sbrissia (1991, p.3): “A sociedade de
consumo é uma sociedade onde a produção de bens é realizada para atender a
demanda de mercado.”
No capitalismo, “sistema onde a produção de riquezas são regidas pelo
mercado” (PROJETO RENASCE BRASIL, 2007), os homens são livres para
consumir e comprar na sociedade que construíram. Aparentemente todos têm direito
a todos os produtos disponíveis no mercado, mas os produtos consumidos pela
minoria são produtos diferentes dos que a maioria consome. Os locais de compra,
as marcas, embalagens, fazem com haja uma disparidade de valores. Sbrissia
(1991) cita como exemplo uma calça jeans. Tanto a patroa quanto a empregada
usam, mas qualidade, marca e desenho distinguem o que aparentemente é o
mesmo produto.
24

O mercado, junto à publicidade e propaganda, cria novos valores,


supérfluos, na maioria das vezes, que se manifestam nas necessidades vivenciadas
pelo homem na busca de status, identificação e felicidade.
A maneira de consumir altera as possibilidades e as formas de exercer a
cidadania. Segundo Gárcia (1997), estas (possibilidades e as formas de exercer a
cidadania) sempre estiveram associadas à capacidade de apropriação de bens de
consumo e à maneira de usá-los, mas supunha-se que essas diferenças eram
compensadas pela igualdade de direitos concretizada ao votar e sentir-se
representado por um partido político. Entretanto, com a degradação da política e
descrença da sociedade, outras formas de participação se fortaleceram.
A respeito da relação entre consumo e cidadania, Gárcia (1997, p.21) diz:

Para vincular o consumo com a cidadania, e vice-versa, é preciso


desconstruir as concepções que julgam os comportamentos dos
consumidores predominantemente irracionais e as que somente vêem os
cidadãos atuando em função da racionalidade dos princípios ideológicos.

Ou seja, o consumidor é visto como um indivíduo que não tem capacidade de


pensar ou então, como cidadão que vive em função de ideologias. São visões
vinculadas que precisam ser revistas.
Nesse contexto, o crescimento das tecnologias audiovisuais de comunicação
se tornou parte do exercício da cidadania. Estas tecnologias deslocaram o exercício
da cidadania em direção às práticas de consumo. Muitas vezes a sociedade
desiludida com as burocracias recorria e recorre aos meios de comunicação de
massa para conseguir o que as instituições cidadãs não proporcionam: serviços,
justiças, reparações ou simples atenção, conforme diz Gárcia (1997).
No século atual, a flexibilidade e o constante avanço tecnológico estão
presentes em todos os setores e em toda a sociedade. Tudo antigamente era mais
barato quando o produto era nacional. Bens de consumo importados eram artigo de
luxo. E o fácil acesso a produtos estrangeiros não foi a única mudança provocada
pela globalização e avanço tecnológico. Gárcia (1997, 9.15) afirma que:

As transformações constantes nas tecnologias de produção, no desenho de


objetos, na comunicação (...) entre sociedades (...) tornam instáveis as
identidades fixadas em repertórios de bens exclusivos de uma comunidade
étnica ou nacional. Essa versão política de estar contente com o que se tem
que foi o nacionalismo dos anos sessenta e setenta, é vista hoje como o
último esforço das elites desenvolvimentistas, das classes médias e de
alguns movimentos populares para conter dentro das vacilantes fronteiras
25

nacionais a explosão globalizada das identidades e dos bens de


consumo que as diferenciam.

Ou seja, onde havia identidade, personalidade, hoje se perde ou torna-se


instável, em face das misturas de idéias, de objetos, culturas e tradições,
conseqüência da globalização e do fácil acesso as informações e produtos Além
disso, quase tudo hoje é fragmentado no sistema produtivo. As empresas buscam
cada parte dos recursos no país aonde a mão de obra for mais barata: “A cultura é
um processo de montagem multinacional, uma articulação flexível de partes, uma
colagem de traços que qualquer cidadão de qualquer país, religião e ideologia
podem ler e utilizar.” (GÁRCIA, 1997, p.17).
Segundo Sbrissia (1991, p.5): “Insatisfação, compulsão, criação de novas
necessidades, desejo de obtenção de lucro são os pilares para a construção e
desenvolvimento da sociedade de consumo.” A propaganda está por toda a parte,
esbanjando símbolos e novas necessidades, os ídolos e heróis tornaram-se
industrializados, o consumo é dirigido para a massa, as mensagens são
industrializadas, o consumo é mecânico e artificial, a cultura é massificada, há
padronização, há alienação. As pessoas se tornaram meros espectadores, de
acordo com Leffa (2007).

2.3 Deficiente visual no mercado de trabalho brasileiro

De acordo com Dutra (2007), em 20 de junho de 1983, a Reabilitação


Profissional e Emprego de Pessoas Deficientes, da OIT, aprovada em Genebra,
recomendou ações para desenvolver oportunidades de reabilitação profissional e
emprego de pessoas com deficiência, estimular a participação comunitária,
implementar reabilitação profissional em áreas rurais, prover treinamento de equipes
de profissionais e estimular a participação de empregadores, organizações de
trabalhadores, pessoas com deficiência e suas entidades.
A dificuldade de encontrar uma profissão é atualmente enfrentada por uma
grande parcela de brasileiros e, quando se trata de um deficiente visual, a situação é
ainda mais grave.
Os portadores de deficiência(s) correspondem a 14,5% da população, ou seja
24,5 milhões segundo os dados do Censo 2000 (apud Neri, Carvalho e Costilla,
26

2003). Num universo de 26.228.629 trabalhadores formais ativos, 537.430 são


pessoas portadoras de deficiência, representando apenas cerca de 2,05% do total
de trabalhadores formais no Brasil, segundo esses autores. E de acordo com o
Centro de Pesquisas Especiais (CPE) do Instituto Brasileiro de Economia/Fundação
Getúlio Vargas (2007), 52% dos desempregados no Brasil são portadoras de
deficiência, enquanto entre as pessoas sem deficiência esta taxa é de 32%.
Segundo Neri, Carvalho e Costilha (2003), os setores mais representativos no
mercado de trabalho formal para os deficientes são o setor de serviços e a indústria.
E a chance de encontrar um portador de deficiência no setor público é 76,8% maior
do que no setor de serviços. Outro resultado importante mencionado por estes
pesquisadores foi que os trabalhadores formais em geral se encontram
principalmente nas capitais (45%).
Quanto ao trabalho formal, apenas 10,4% dos deficientes possuem carteira
assinada. Segundo Berti (2007 apud GUERREIRO, 2007), boa parte das vagas não
são preenchidas em virtude da baixa qualificação aliada ao alto nível de exigência
do mercado: "Por causa disso, temos de abrir mão, em alguns momentos, das
competências técnicas, valorizando o comportamento que esse profissional tem para
nos oferecer." Berti (2000, apud GUERREIRO, 2007). Cintra (2007) lamenta que,
devido à competitividade, dificuldade de acesso à educação venha sendo
determinante na contratação dos deficientes. Atualmente, nas universidades,
existem poucos deficientes visuais cursando cursos de graduação e pós-graduação.
A causa desse pequeno número pode ser explicada por problemas sócio-
econômicos do país, que atingem à população de baixa renda, dificultando o
ingresso nas universidades, e dos poucos recursos encontrados para a formação
dessas pessoas. A dificuldade é ainda maior na medida em que o grau de
especialização aumenta. Faltam literatura especializada, equipamentos e monitoria
especial.
Com relação a colocação de deficientes que se encontram no mercado
formal, segundo uma pesquisa realizada pela Agência de Marketing (apud Febraban,
2006), 61,4% são deficientes auditivos, 46,1% (físicas) e 42,1% (visuais) trabalham,
sendo que destas, apenas 72,9%, 38,3% e 39,6%, respectivamente, possuem um
emprego formal.Portanto, o deficiente visual encontra-se em desvantagem na
inclusão trabalhista.
27

Comparando o salário dos portadores de deficiência e pessoas sem


deficiência, a renda média dos não portadores de deficiência é de R$ 643,00,
enquanto entre os deficientes a renda média é de R$ 529,00. No Paraná, é de R$
569,34. Das rendas dos portadores de deficiência, 30% decorrem de programas
sociais mediados pelo Estado, conforme o Centro de Políticas Sociais (CPS) do
IBRE/FGV (2007).
Segundo o Projeto Habilitar (2002), um projeto lançando por um núcleo de
Computação Eletrônica da UFRJ visando à inserção dos deficientes motores e
visuais no mercado de trabalho através da de cursos sobre rede de computadores, a
enorme desigualdade social existente confere à responsabilidade social empresarial
uma relevância ainda maior. A sociedade, de uma forma geral, espera que as
empresas cumpram um novo papel no processo de desenvolvimento: que sejam
agentes de uma nova cultura e que sejam promotores de uma mudança social, com
vistas a construir uma sociedade melhor. Segundo Andrade (1989), a cooperação da
sociedade e seu potencial criativo constituem premissa essencial para a integração
do deficiente visual no mundo do trabalho, afastando assim, os preconceitos e
estigmas geradores de problemas sociais.
De acordo com Nabais et al (2007), os empregadores em geral crêem que a
deficiência afeta todas as funções do indivíduo. Além disso, desconhecendo as
diversas atividades possíveis de serem realizadas pelo deficiente, receiam
dificuldades de integração com o grupo de trabalho, temem a ocorrência de
acidentes e preocupam-se com o custo de adaptações e aquisição de equipamentos
especiais. Por outro lado, o auxílio ao deficiente pode ser encarado como um
investimento a médio prazo, que acarretará em retorno de novas tecnologias para a
própria sociedade, produzidas, agora, pelos próprios deficientes.
Com relação àqueles que já se estabeleceram profissionalmente e perdem a
visão por causas variadas, desde doenças até acidentes, estes geralmente são
retirados do mercado de trabalho. Casos assim, ocorrem com centenas de pessoas
por ano. São médicos, juízes, advogados, engenheiros, que se vêem privados de
meios para produzirem. Uma pessoa que tenha ficado cega, e que já tenha uma
profissão, tem totalmente tolhido seu desenvolvimento profissional. Mas segundo
Borges (2000), é possível viabilizar a readaptação das pessoas que ficam cegas,
ensinando-lhes, durante o período de reabilitação, a utilização da tecnologia
adequada a cada caso.
28

É preciso compreender que o portador de deficiência é uma pessoa como


as demais, com preferências, habilidades, aptidões, dificuldades, interesses e
capacidade produtiva. Necessita apenas de oportunidade para desenvolver suas
potencialidades. De acordo com Amiralian (1997), a pessoa cega pode lançar mão
de meios avançados no processo de desenvolvimento mental, tais como a intuição,
a empatia e a introvisão física. Inclusive, entre os sujeitos cegos de nascimento,
podem ser encontrados aqueles que se desenvolvem tão satisfatoriamente que são
capazes de cursar uma universidade e atingir altos níveis de desenvolvimento
pessoal.
Cutsforth (1969) cita alguns exemplos das poucas profissões existentes para
os cegos em meados do século passado. O autor cita a encadernação, por ser uma
atividade mais mecânica e restrita em termos de movimento, e na confecção de
cestas e tapetes, por serem de realização rápida e de forma mecânica. Segundo o
autor, o valor nas instituições deve focado na educação e não atividades de
repetições monótonas.
Na realidade atual, por meio do uso da tecnologia, muitas oportunidades de
profissionalização estão surgindo, junto ao preparo de nível médio, com uso do
computador. No campo da atividade profissional no Brasil, seja na área comercial,
industrial ou rural, existem profissões compatíveis com o desempenho do deficiente
visual, nos diversos níveis de formação. Tais profissões podem ser exercidas pelo
deficiente na qualidade de empregado, profissional autônomo ou como empresário.
No Anexo A encontram-se diversas profissões com seus respectivos pré-requisitos e
no Anexo B áreas nas quais os deficientes visuais podem atuar autonomamente.
Alguns desses exemplos são as atividades de “telemarketing”, atendimento de
reclamações por telefone, recepcionista, entre outras similares. Essas atividades
naturalmente exigem algum tipo de treinamento, por razões óbvias. Borges (2007)
exemplifica a Embratel, que está promovendo a reciclagem profissional de seus
telefonistas cegos, para poder colocá-los em novos pontos dentro da empresa, em
que farão, essencialmente, o atendimento ao público. Segundo o autor, essa
profissionalização poderia ser feita tanto nas instituições destinadas a ensino de
cegos, quanto nas próprias empresas, da mesma forma que é feita para funcionários
comuns. De acordo com a pesquisa da Agência de Marketing (Febraban, 2006, p.25)
verifica-se uma maior concentração em funções administrativas. Segundo o autor,
“isto pode estar ligado ao fato destas vagas se localizarem em escritórios, ambientes
29

internos e fechados, que favorecem a locomoção e a utilização de


computadores, facilitando a empregabilidade desta parcela da população”.
Segue um gráfico da Agência de Marketing (apud Febraban, 2006) no qual
aponta as principais ocupações dos deficientes no mercado de trabalho formal:

Percebe-se a concentração de pessoas nas áreas em que exige pouca


qualificação.
Em 2006 HP Brasil deu início a um projeto de inclusão chamado HP Able. A
subsidiária brasileira pretende chegar a 70 deficientes contratados nos próximos
meses de 2007. Pianucci (2007), coordenador do projeto, afirma que: “É sempre
bom lembrar que não se trata de um programa de benemerência. Estas pessoas
fazem parte de nosso quadro produtivo, predominantemente na área de sistemas, e
são cobradas por isso, mas os resultados têm sido surpreendentes”. As vagas
criadas no quadro da HP Brasil são ocupadas, em sua maioria, por cadeirantes,
deficientes visuais e deficientes auditivos. De acordo com Pianucci, essa mescla é
importante e tem demonstrado que, quando eliminadas as barreiras – físicas e
conceituais – as deficiências deixam de existir e encontram-se profissionais
eficientes.
30

De acordo com Cutsforth (1969), no trabalho os deficientes visuais são


mais honestos, com relação à sua real habilidade, do que um grande número de
profissionais não deficientes. Analistas de caráter alegam através de princípios
científicos, que os indivíduos com deficiência visual, podem passar por “adivinhos”
nas empresas, pois interpretam seus clientes pelas suas vozes e compreendem
melhor a natureza humana; além disso, são capazes de formular previsões.
Segundo o Projeto Habilitar (2007), trabalhadores portadores de deficiência
geralmente atingem altos níveis de desempenho no trabalho e possuem maiores
índices de freqüência e devoção. Empregar pessoas com portadores de deficiência
também beneficia a imagem da empresa, além de promover um processo de
humanização que se reflete diretamente nos outros empregados e clientes.
A respeito do processo de colocação profissional da pessoa com deficiência,
Cristiane (2007, apud GUERREIRO, 2007), observa três etapas: A primeira consiste
em diagnosticar a necessidade da vaga e as habilidades esperadas do contratado. A
segunda refere-se à identificação e adaptação das condições físicas do local de
trabalho. E a terceira está relacionada à preparação dos interessados.
Segundo Neri, Carvalho e Costilla (2003), de acordo com as normas de
contratação da pessoa portadora de deficiência dispostos no art. 35 do Decreto
3298/99, a inserção da pessoa portadora de deficiência no mercado de trabalho se
dará mediante três diferentes modalidades: sob a forma de colocação competitiva
(inciso I), seletiva (inciso II) e por conta própria (inciso III).
Existem diversas leis em defesa do deficiente. Entretanto, estas nem sempre
são colocadas em prática por uma minoria, devido à falta de fiscalização, baixo nível
de escolaridade por parte dos deficientes, falta de incentivo, entre outros fatores.
Fonseca (2003) cita a Lei de Cotas como exemplo de obrigação das empresas na
inserção do deficiente no mercado de trabalho. Segundo ele, o art. 37, inciso VIII,
(...) da Constituição Federal, determina que "A lei reservará percentual dos cargos e
empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios
de sua admissão". A Lei nº. 8.213/91 fixa os seguintes percentuais:

A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher


de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos com
beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas,
na seguinte proporção:
-até 200 empregados: 2%
-de 201 a 500 empregados: 3%
31

-de 501 a 1.000: 4%


-de 1001 em diante: 5%
(FONSECA, 2003, p.01)

Ainda segundo o autor, A Lei nº 8.112, neste diapasão, impõe que a União
reserve, em seus concursos, até 20% das vagas a portadores de deficiências,
havendo iniciativas semelhantes nos Estatutos Estaduais e Municipais, para o
regime dos servidores públicos. A Lei de Cotas tem 16 anos de existência, mas só
foi regulamentada em 1999 por meio do Decreto 3.298.
Desde então, segundo dados da Delegacia Regional do Trabalho (apud
Febraban, 2006, p.16), o número de contratações de deficientes vem crescendo
cada vez mais: “em 2001 havia somente 601 pessoas com deficiência contratadas
formalmente no estado. Os últimos números – em 2005 – indicam que mais de
36.000 já fazem parte do mundo corporativo. Desde então, houve um crescimento
no número de contratações de mais de 5.000%”. Portanto, segundo dados da
Febraban (2006), a situação ainda é crítica, 40,1% dos deficientes brasileiros
recebem no máximo um (1) salário mínimo, sendo que destes, 10,6% não possuem
rendimentos e 64,4% recebem até dois (2) salários mínimos.
De acordo com Neri, Carvalho e Costilla (2003), a adequação da lei de cotas
para deficientes abriria 518.012 novos postos, praticamente o dobro do que existe
hoje. As grandes empresas contratam apenas a metade do que realmente deveriam
contratar (5%). Estes resultados revelam um alto grau de descumprimento da lei
pelas empresas, a existência de um amplo espaço para o aumento da efetividade da
lei, e a necessidade de diminuir a perda de eficiência econômica, além de aumentar
a eficácia de políticas voltadas à inclusão social das pessoas portadoras de
deficiência.
Segundo Febraban (2006, p. 16 e 17), são quatro os fatores que contribuem
para este desequilíbrio: o baixo nível de qualificação dos deficientes, o elevado
número de inativos e aposentados, a falta de transportes, edificações,
acessibilidade, estrutura em geral impedindo assim um ciclo produtivo e por fim, o
aspecto cultural que vem melhorando, mas ainda impede uma inclusão mais eficaz.
Ou seja, os aspectos que dificultam a inserção do deficiente visual no
mercado de trabalho estão intrinsecamente ligados à educação e cultura da
sociedade além de investimentos do governo e prefeituras tanto na estrutura
apropriada da cidade e de edificações quanto na massificação de informações
32

voltadas a conscientização da sociedade. Só ao longo de muitos anos será


possível transformar a mentalidade e cultura atual da sociedade a ponto de haver
igualdade entre as pessoas, independente de qualquer característica dos indivíduos.

2.4 Deficiente visual no mercado de consumo

Morati (2003, apud Lazzarini, 2003) alerta que os consumidores com


deficiência visual são pessoas que trabalham, têm renda própria e que adquirem
produtos e serviços como qualquer outro consumidor em sua opinião, o mercado de
consumo não pode ficar alheio a esse fato.
Entretanto, de acordo com Borges (2000), é extremamente difícil para um
deficiente visual ter acesso a informações absolutamente triviais, tais como preço de
mercadorias, número de telefone, cardápios, orientações do espaço público, caixa
automática bancária, entre outros. Existem muitos produtos e serviços que impõem
barreiras aos deficientes. Morati (2003, apud Lazzarini, 2003) cita como exemplo os
caixas eletrônicos os quais não têm linguagem Braille: é necessário que os
deficientes visuais decorem a posição das teclas ou peçam ajuda a terceiros, e o
sistema touch screen, de toque na tela, também é outra dificuldade imposta aos
portadores de deficiência. E não é só em grandes estabelecimentos que o
consumidor deficiente encontra dificuldades. Morati (2003, apud Lazzarini, 2003)
afirma que o consumo de remédios para o cego que mora sozinho é muito
complicado. Além disso, não existe revista ou jornal em Braille no Brasil.
Por outro lado, a tecnologia informática cada vez mais amplia o acesso do
usuário à informação. Mas as dificuldades de adaptar a tecnologia como solução
ainda existe e se relaciona. Têm a ver especialmente com conscientização dos
produtores de que a tecnologia existe e é viável de ser usada, e dos compradores da
tecnologia que devem solicitar que tais facilidades sejam inseridas. Segundo dados
da Febraban (2006), Na população com deficiência visual foi detectado que 37,7%
do total possui computador e 56,9% tem acesso a computador.
A necessidade de medidas inclusivas para a acessibilidade aos dados e
informações sem ajuda de terceiros é imprescindível na inclusão do cego no
mercado de consumo. Hoje, por exemplo, existe um Projeto de Lei de n.º74, de
2007, que assegura aos portadores de deficiência visual de São Paulo o direito de
receber boletos de pagamento do consumo mensal dos serviços públicos de
33

telefone, energia elétrica, gás e água, confeccionados em Sistema Braille,


segundo o Diário Oficial do Estado de São Paulo (2007). No Rio Grande do Sul os
deficientes visuais já recebem a contas de luz em Braille. Nada mais correto, afinal
de contas, como Diário Oficial do Estado de São Paulo (2007) cita:

O Código de Defesa dos Direitos do Consumidor garante ao usuário o


direito à informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e
serviços, com especificação correta de quantidade, características,
composição, qualidade e preço, além da adequada e eficaz prestação dos
serviços públicos em geral. (DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO DE SÃO
PAULO, 2007).

Além disso, os consumidores deficientes visuais, quando adquirem um


eletrodoméstico, em determinadas empresas já podem solicitar via SAC (Serviço de
Atendimento ao Consumidor) um manual acessível em Braille, meio digital ou kits,
tais como a Brastemp está disponibilizando. Este kit contém um CD explicativo com
orientações e adesivos em alto relevo e em Braille: “A empresa Whirlpoll, detentora
da marca Brastemp, criou um kit que tem como objetivo dar mais segurança e
autonomia para os portadores de deficiências no manuseio de eletrodomésticos.”
(ADEVA, 2006).
Outro exemplo é a Rede Saci, organização que difunde informações sobre
deficiência em âmbito nacional via Internet e divulga em seu website para compra
através da própria Internet, equipamentos de tecnologia assistiva: aparelhos,
instrumentos ou procedimentos que aumentam, restauram ou melhoram as
habilidades da pessoa com limitações funcionais. Produtos que variam de bengalas
e cadeiras de rodas até sintetizadores de voz e elevadores adaptados. Incluem-se
também brinquedos e roupas adaptadas, computadores, dispositivos para sentar e
posicionar, carros e adaptações para mobilidade manual e elétrica, aparelhos de
escuta assistida, auxílios visuais, materiais protéticos, entre outros.
Portanto, cada vez mais existem leis que favorecem os deficientes em se
tratando de facilitar o seu consumo. Desde 1997 existe uma Lei (de n.º12.363)
criada no município de São Paulo que dispõe sobre a obrigatoriedade da utilização
de cardápios impressos em Braille em bares, restaures, lanchonetes, hotéis e
similares.
Em território nacional, na data de 18 de maio de 1995 o presidente da
república da época, Fernando Henrique Cardoso, autorizou o:
34

(...) Ministério da Educação e do Desporto e o Ministério da Cultura a


disciplinarem a obrigatoriedade de reprodução, pelas editoras de todo o
País, em regime de proporcionalidade, de obras em caracteres "Braille", e a
permitir a reprodução, sem finalidade lucrativa, de obras já divulgadas, para
uso exclusivo de cegos. (ADEVA, 1995).

Mesmo existindo este Decreto, muitos deficientes visuais reclamam por não
terem acesso a livros em Braille e pela falta de bibliotecas com livros na linguagem:
“O livro acessível ainda é uma realidade distante para o estudante cego (...). Muitas
vezes, o professor pede os livros mais atuais sobre determinado assunto e encontrar
esses em Braille é praticamente impossível” (ROSA, 2006 apud SANTANA, 2006). A
novidade do ano 2007 favorável aos deficientes visuais é que foi o lançamento do
Código de Defesa do Consumidor em Braille.
No Decreto n.º 3.298, de 20 de dezembro de 1999 determinou no Capítulo I,
Art.º2:
Cabe aos órgãos e às entidades do Poder Público assegurar à pessoa
portadora de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive
dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao desporto, ao turismo, ao
lazer, à previdência social, à assistência ao social, ao transporte, à
edificação pública, à habitação, à cultura, ao amparo à infância e à
maternidade, outros que, decorrentes da Constituição e das leis, propiciem
seu bem-estar pessoal, social e econômico. (ADEVA, 1999).

Lembrando que “sem trabalho não há renda e sem renda reduzem-se as


possibilidades de acesso e usufruto de práticas de lazer não alienadas e alienantes.”
(OLIVEIRA, 2004, p.27). É aqui que ganha importância a mídia televisiva de caráter
comercial como espaço privilegiado de lazer.
A indústria do entretenimento e da comunicação em massa gerou um lazer
artificial, de acordo com Oliveira (2004). Já Godoy (2003) defende a mídia na
formação de um individuo, em especial, do deficiente visual e cita:

Thompson acredita que além da participação dos pais, dos amigos e da


família, a indústria da mídia também tem o seu papel na autoformação do
ser humano e o sentido de uma mensagem não deve ser visto como algo
estático, mas renovável, conforme a interpretação pessoal dos indivíduos,
que para assimilá-lo o levam a discussão em grupos maiores, onde seus
pensamentos são submetidos a comentários e críticas. (GODOY, 2003, p.
2).

A rádio, por exemplo, exerce uma grande influência e ocupa uma posição de
prestígio, principalmente para os deficientes visuais. É através deste meio que os
cegos interagem, de certa forma, com a realidade e as novidades do mundo atual.
35

Para os cegos, em geral, é uma das maiores fontes de informação,


entretenimento, alívio, humor, educação, além de oferecer ao receptor uma
variedade de imagens auditivas exercitando, assim, a criatividade e evitando os
estereótipos: “Não se pode esquecer que somente as palavras podem processar o
pensamento crítico, e este é um atributo que o rádio precisa usar e divulgar: a
imagem não é tudo”. (GOYA, 2003 apud BARBEIRO e LIMA, 2001, p.29).
A rádio possibilita uma interação íntima entre o locutor e o receptor.

Quem escuta é psicologicamente só, ele é único. O rádio permite manter


uma relação interior com as pessoas. Possui a capacidade de ser um
amigo. É muito importante identificar o ouvinte, não tratá-lo como um
número. [...] É necessário que ele sinta a sua importância e [...] capaz de
responder à mensagem recebida. (HARTMANN e MUELLER, 1998, p.83
apud GOYA, 2003, p.03).

Os deficientes visuais são beneficiados pela linguagem eletrônica e a


tecnologia em geral. Isto faz com que eles não dependam tanto de terceiros para
estarem atentos à realidade, às informações, à educação e às atividades básicas de
um ser humano.

3. PESQUISA
36

3.1 Delineamento da pesquisa de campo

A pesquisa de campo tem como objetivo geral verificar as características dos


deficientes visuais como profissionais e consumidores de Curitiba, e entre os
objetivos específicos: pesquisar em quais áreas eles mais atuam, quais são as
principais barreiras e analisar o perfil de consumo dos deficientes visuais, além de
verificar o mercado de consumo voltado ao deficiente visual e as impressões deles
diante da sociedade.

Parte-se do pressuposto de que a minoria das empresas tem algum interesse


em contratar deficientes. E entre os motivos, encontram-se: o baixo nível de
escolaridade, o preconceito e a ignorância, por realmente não saber do que o
deficiente é capaz. E provavelmente, entre as barreiras que os deficientes
enfrentam, incluem-se: baixa escolaridade falta de estrutura própria para deficientes
visuais e profissionais bem preparados, preconceito da sociedade em geral, além de
desconhecimento de suas capacidades.
Já no mercado de consumo, com a evolução da tecnologia, cada vez mais
existem produtos na linguagem específica para o deficiente visual.
A pesquisa tem as seguintes características: quanto à forma, a pesquisa será
de natureza aplicada para averiguar e comparar as informações e opiniões de
pessoas ligadas ao assunto na atualidade e pertencentes à região de Curitiba – PR
com conhecimentos que gerem uma solução prática aos problemas específicos de
interesses locais. No que diz respeito ao ponto de vista dos objetivos, a pesquisa é
exploratória, pois tem como finalidade aprimorar os estudos já realizados,
envolvendo levantamento bibliográfico, entrevistas e análise.
E por fim, o recurso metodológico será entrevista em profundidade. A
entrevista em profundidade visa saber a opinião e as características dos
entrevistados e não de uma maneira geral, de forma estatística.
De acordo com Duarte (2005) as perguntas relacionadas às motivações,
crenças específicas, atitudes, caracterizam a entrevista em profundidade, além de
ser uma entrevista dinâmica e flexível, sendo útil para apreender a realidade tanto
nas questões ligadas ao íntimo do entrevistado quanto para descrição de um
processo complexo no qual está envolvido.
“O uso de entrevistas permite identificar as diferentes maneiras de perceber e
descrever os fenômenos” (DUARTE, 2005, p. 63).
37

A amostra conta com 10 deficientes visuais, entrevistados individualmente,


classificados como informantes-chaves, pois são essenciais para a entrevista e
estão envolvidas com as questões, conforme Duarte (2006) define.
A técnica das entrevistas será qualitativa, procurando intensidade nas
respostas e não qualifica-las quantitativamente, a fim de explorar “um assunto a
partir da busca de informações, percepções e experiências de informantes para
analisá-las e apresenta-las de forma estruturada” (DUARTE, 2005, p.62).
O tipo da amostragem não será probabilística, pois não apresenta
fundamentação matemática (VERGARA, 2004). A intenção é extrair o máximo de
diversidade entre os entrevistados e averiguar as semelhanças também.
O método de coleta dos dados será por intermédio de entrevista semi-
estruturada com perguntas abertas, semi-abertas, fechadas, encadeadas e
dicotômicas - quando tem como resposta sim ou não (VERGARA, 2004), através de
um formulário estruturado, porém o modelo da entrevista é semi-aberta, tem a
matriz, mas pode haver perguntas extras que forem convenientes com a entrevista.
As perguntas fechadas podem trazer a possibilidade de uniformidade e de fazer
comparação entre as respostas, buscando traçar um perfil dos respondentes,
segundo Duarte (2005). O questionário será aplicado via e-mail, telefone, através do
MSN e pessoalmente, conforme a disponibilidade e preferência dos entrevistados.
A seleção da amostra será por acessibilidade, ou seja, pesquisa com os
deficientes visuais a que sem tem acesso e estratificada, pois é um subgrupo da
população que será dividido em experiências profissionais e/ou de consumo, não
necessariamente na mesma proporção, pois a pesquisa visa verificar a inclusão no
mercado de consumo e de trabalho, questões que giram em torno do fator sócio-
econômico.

3.2 Apresentação e análise de dados

No período de 12 a 30 de maio de 2007, foi realizada uma pesquisa


qualitativa exploratória, em forma de entrevista em profundidade com dez deficientes
visuais, tendo em vista analisar o grau de envolvimento com o mercado de consumo,
38

as experiências no campo profissional e opinião destes indivíduos sobre a


interação do cego com a sociedade. Para tanto foi aplicado o questionário 01,
conforme apêndice A.
A seguir estão apresentadas as análises das entrevistas comparadas com os
dados secundários encontrados nos capítulos 1 e 2 divididas em itens conforme os
assuntos abordados nas entrevistas.

3.2.1 Os entrevistados

A idade dos entrevistados varia de 15 anos a 51 anos. São opiniões de


estudantes, universitários e trabalhadores; alguns trabalham como voluntários e
outros já tiveram experiências profissionais, mas no momento encontram-se
desempregados.
Os entrevistados 1, 3, 5 e 8 perderam a visão quando crianças (antes dos 13
anos de idade), o entrevistado 6 é cego congênito, ou seja, nasceu com a deficiência
e os entrevistados 2,4,7,9 e 10 perderam a visão depois de jovens (acima de 15
anos de idade). Em todos os casos, a cegueira foi causada por problemas de saúde.
As opiniões dos entrevistados refletem os dados citados no capítulo 1:
pesquisa do IBGE e Agência de Marketing (apud Febraban, 2006) a qual afirma que
mais da metade das pessoas com deficiência visual, tiverem a deficiência adquirida
e 68,2% são causadas por doença segundo a Agência de Marketing (apud
Febraban, 2006).
A renda mensal destes varia de R$ 380,00 a R$ 7.000,00, sendo que alguns
são independentes da família outros não.
Quase todos chegaram a concluir até o Ensino Médio, com exceção do
entrevistado nº.1, que tem 15 anos, portanto está concluindo. O entrevistado nº.2
não concluiu devido a problemas de saúde e o entrevistado nº.8 que tem 19 anos e
ainda está concluindo. Dentre os 10 entrevistados, 3 concluíram o ensino
fundamental e cursaram ou estão cursando uma faculdade, são estes os
entrevistados: 7,9 e 10. Estes dados conferem com a afirmação citada no capítulo 1
(p.19): “A escolaridade média dos deficientes é de um ano menor comparando-se
com aqueles sem deficiência” e outro dado fornecido pela Fundação Getúlio Vargas
cita que os deficientes inscritos nos vestibulares representam menos de 1%.
39

Ou seja, geralmente o deficiente fica um pouco atrás dos videntes da


mesma idade e raras são as vezes que um deficiente chega a entrar numa
universidade. Pressupõe-se que isto ocorra devido à falta de preparação de
estrutura das escolas e universidades e principalmente, professores não preparados.
Com relação à vida conjugal, 3 (entrevistados nº. 4, 5 e 9) são casados e
dentre estes, apenas o 9 tem filho, pouco foi perguntado com relação a este tema
pois não convém com o objetivo da pesquisa.

CARACTERÍSTICAS DOS ENTREVISTADOS


ENTREVISTA IDADE PROFISSÃO INÍCIO DA CAUSA DA
DO - SEXO DEFICIÊNCIA DEFICIÊNCIA
1 - Masculino 15 anos. Estudante Ensino Médio Desde os 4 anos. Atrofia no nervo
ótico.
2 - Masculino 25 anos. Fez trabalhos Aos 19 anos. Glaucoma.
voluntários.
3 - Feminino 42 anos. Trabalhou como Aos 9 anos. Atrofia no nervo
telefonista e ótico.
massagista.
4 - Masculino 51 anos. Trabalha como Com 20 anos. Glaucoma.
massagista.
5 - Masculino 25 anos. Trabalha informalmente Aos 12 anos. Bloqueio no nervo
como massagista. ótico.
6 - Masculino 21 anos. Estudante. Concluiu Cego congênito. Degeneração da
Ensino Médio. retina.
7 - Feminino 27 anos. Estudante. Mestrado em Aos 16 anos. Glaucoma.
Ciências Sociais.
8 - Masculino 19 anos. Concluindo Ensino Desde os 4 anos. Atrofia do nervo
Médio e monitora aulas óptico causada por
de História. um crânio
faringioma.
9 - Masculino 39 anos. Professor e Advogado. Aos 19 anos. Descolamento da
retina. Só vê
claridade.
10 - Feminino 21 anos. Assistente Parcialmente aos Ceratocone (perda
administrativo da 17 anos e parcial) e glaucoma
COPEL. parcialmente aos (perda total).
20 anos.
Fonte: Pesquisa realizada pela autora em maio de 2007.

3.2.2 O consumo e o lazer dos entrevistados

A maioria dos entrevistados não dá tanta importância para o consumo, apesar


de visarem à qualidade e saírem para comprar algo pelo menos uma vez por
semana.
40

Costumam fazer compras com alguém de confiança ou pedem auxílio


para um funcionário que trabalhe no local de compra. Segundo os entrevistados 3 e
4, em lojas menores, mais simples, são mais bem atendidos.
Os entrevistados mais jovens preferem ir ao shopping ou a alguma loja com
amigos, principalmente quando o motivo é lazer, já os que têm acima de 25 anos,
preferem ir com parentes, porém, muitas vezes, quando a compra é pequena, vão
sozinhos.
A maior parte dos entrevistados se queixou da falta de acesso a informações
básicas. Os entrevistados 3 e 4 moram sós em casa, os dois são casados e
deficientes visuais, e é complicado para eles pegarem algum produto da cozinha
caso queiram fazer cozinhar algo, por exemplo. São poucos os produtos que contêm
informações em Braille e muitos são difíceis de entender, segundo a entrevistada 3.
Assim como no momento da compra, quase sempre é preciso de alguém que
enxergue para lhes orientar. Outro fato importante são as contas de luz e água que
não vêm em Braille. Muitas vezes eles recebem contas de outras pessoas e ficam
por muito tempo sem saber disso ou sem saber de quem estas contas pertencem.
Esta característica da falta de linguagem apropriada para os cegos é reflexo
do que foi citado por Borges (2000) no capítulo 2: é difícil ter acesso a informações
triviais, como preço de mercadorias, número de telefone, cardápio, entre outros. Na
opinião deles, portanto, alguns produtos e serviços impõem barreiras aos
deficientes.
Com relação à pergunta que pedia para eles darem uma sugestão de produto
para os cegos, o entrevistado nº.1 disse que não falta nada, o problema são os
preços. O entrevistado nº. 2 também não citou um produto, disse que não tem como
sugerir um produto, se falta o essencial, a união da sociedade como um todo e a
igualdade entre todos os indivíduos. A entrevistada nº.3 e o entrevistado nº.4 citaram
que faltam produtos alimentícios e contas que venham na linguagem acessível, em
Braille, como foi citado acima. O entrevistado nº. 5 sugere propagandas onde
mostrassem a acessibilidade em de maneira funcional, instruções sobre o produto,
informação objetiva. O entrevistado nº.6 sugere um Mp3 da marca merlin, pois tem
um bom áudio e segundo ele, é a marca que dura mais. A entrevistada 7 deu como
sugestão de produto para cegos um celular com sintetizador de voz. O entrevistado
8 não respondeu. O entrevistado nº.9 sugere mais livros adaptados e a 10ª
entrevistada sugere shows.
41

Na pergunta “com o que você mais gasta?” os entrevistados 5, 6 gastam


principalmente com informática, os entrevistados 3 e 4, como são recém casados,
gastam mais com utensílios para casa, a entrevistada 10, por ter perdido a visão
mais recentemente gasta mais com médicos e remédios e no restante (entrevistados
1,2,7,8 e 9), todos gastam com lazer, educação e cultura: livros, cursos, cinema.
Percebe-se aí uma preocupação entre os entrevistados em estarem sempre
atualizados e culturalmente inseridos, não se conformando apenas com os
noticiários das rádios ou da televisão.
Praticamente todos os entrevistados reclamaram da falta de livros em Braille.
O acesso é difícil e é um investimento que sai caro. Muitos lêem no computador com
um software especial. O entrevistado 9 citou 3: Dosvox , Virtual Vision e Jaws.
Segundo ele, o Dosvox é gratuito e foi o pioneiro, porém é mais limitado, o Jaws é o
melhor, porém caro.
As marcas citadas por eles, não diferem muito das que provavelmente os
videntes citariam. Tais como: Mc Donald´s, Adidas, Coca-Cola, Nestlé, Philips,
Bombril são marcas de alto renome. Com exceção do entrevistado 2 que tem
obsessão por tudo que é japonês e 9 que citou a Meymalhas. Os entrevistados 5,6
e 8 não responderam a esta pergunta.
O sonho de consumo dos entrevistados varia de objetos simples, não tão
difíceis de adquirir a objetos maiores e mais caros, como por exemplo, uma casa
(entrevistado 9). O entrevistado 1 deseja ter uma espada, o entrevistado 2 uma
passagem para o Japão, a entrevistada 3 gostaria de um relógio social em Braille e
um celular que fala e lê mensagem, o entrevistado 4, seu marido, respondeu que
gostaria de adquirir o relógio em Braille e o celular que fala para dar à esposa. Os
entrevistados 5 e 8 não responderam. O entrevistado 6 também gostaria de um
celular sitentizador de voz, a entrevistada 7 disse que não tem sonho de consumo, e
a entrevistada 10 gostaria de um notebook 12 da HP.
Percebe-se aí a importância para os cegos de produtos adaptados e como os
preços elevados destes produtos os tornam menos acessíveis. L.R. Citou como
exemplo, o celular: o programa para o celular falar e por volta de R$ 500, 00, e mais
o celular acessível que é o mais barato custa R$ 800,00.
Quanto à forma de lazer dos entrevistados, as respostas foram bastante
diferenciadas. O entrevistado 1 por exemplo, gosta de ir a shows e visitar os amigos,
segundo ele, não faltam oportunidades de lazer para os cegos: é só achar aquilo
42

que se gosta e sempre vai ter coisas, ele acha que “coisas” especiais deixariam
o cego mais distante das pessoas, e indo em lugares igual aos outras pessoas
existe uma melhor adaptação.
O entrevistado 2 diz que não tem como lazer e sim como hobbies: baixar
músicas Japonesas Coreanas, e Chinesas, vídeos, ler bastante, pesquisar sobre
softwares, e adquirir conhecimento, gosta também de mexer com artesanato e
colecionar. E para ele, não tem sentido a sociedade querer lazer, seja a pessoa
deficiente ou não, pois existem outras coisas mais prioritárias que deveriam vir
primeiro e a própria sociedade não toma consciência disso. Segundo ele, o lazer
cultural é uma auto contradição de expressão, pois quem aprecia a cultura não a vê
como lazer.
A entrevistada 3 gosta de passear em parques, assim como o entrevistado 5
que gosta de fazer passeios por bosques e parques naturais. Segundo a
entrevistada 3, faltam opções de lazer para os cegos, na medida em que tudo é
muito visual. Ela cita como exemplo, os filmes, é necessário alguém dizer o que está
havendo, pois existem muitas cenas em que fica tudo em silencia. Para o
entrevistado 5 falta apenas mais acessibilidade.
Já o entrevistado 4 diz que não gosta de sair de casa pois não tem graça
quando não se pode ver nada; fez aulas de dança por exercício e gosta de escutar
jogo na rádio. E acha que não falta lazer para os cegos, cada um dá um jeito de se
divertir.
O entrevistado 6 gosta de se encontrar com os amigos em algum bar, a 7ª
entrevistada gosta de ficar lendo em casa mesmo. O 8º entrevistado tem como
forma de lazer: conversar com os amigos, ler livros, ir ao cinema e ao shopping com
amigos e assim como o 4º entrevistado, acha que não muda em nada o lazer para
videntes e para os cegos.
O entrevistado nº.9 gosta de nadar e cozinhar em seu tempo livre e acha que
falta opção de lazer para cegos, pois para as minorias tudo falta: não tem lazer sem
dinheiro, e se for fazer algo como passear, falta adaptação e as pessoas tratam os
cegos como coitados e isso nos inibem a sair de casa. A 10ª entrevistada gosta de ir
ao shopping e shows e também acha que falta oportunidade de lazer para os cegos.
Através da pergunta sobre o que eles gostariam de fazer em seu tempo livre
(nas férias, por exemplo), mas não fazem por falta de dinheiro ou oportunidade,
constou-se que a maioria gostaria de viajar.
43

O entrevistado nº.1 gostaria de viajar pelo Brasil mesmo, para o Rio de


Janeiro e São Paulo, onde se encontram alguns amigos dele, além de ir a eventos
de anime, informática, cultura japonesa, RPG. A entrevistada nº.3 gostaria de fazer
uma viagem para Natal. O entrevistado nº. 4 gostaria de ir para o Mato Grosso. O
entrevistado nº.6 gostaria de viajar para um sítio para relaxar. O 8º entrevistado
também gostaria de viajar, mas não citou o lugar. O entrevistado nº. 9 foi o único
que citou outros países, ele gostaria de viajar para países como a Itália (ele é
descendente de italiano), países africanos e Irã.
O entrevistado nº.2 já respondeu algo diferente dos outros entrevistados,
disse que gostaria de ter dinheiro para fazer cursos e de forma que não interviesse
no andamento da turma. Percebe-se aí a inibição que é causada aos deficientes
visuais devido ao despreparo dos cursos, professores e instituições.
A entrevista nº.7 também respondeu algo diferente, assim como a 10ª
entrevistada. A 7ª disse que gostaria de ir a um show de música clássica se tivesse
oportunidade e a 10ª gostaria de saltar de bunge jump, escalar e pular de pára-
quedas. O entrevistado nº.5 não respondeu.

3.2.3 Os entrevistados e a mídia

Obviamente todos os entrevistados usufruem de alguma forma da mídia. Os


mais jovens preferem a Internet e a usam com mais freqüência. Para o entrevistado
1 a Internet teve muita importância, fez com que ele conseguisse se sociabilizasse
com as pessoas. O que o entrevistado 1 gosta na mídia são as inovações, que o
deixam impressionados e até mesmo faz com que ele pare para refletir. Para ele a
mídia facilita o seu dia a dia, pois é uma forma de estar sabendo dos novos
produtos, por mais que no momento ele não possa adquiri-los.
O Skype, um programa que possibilita a comunicação via Internet, também foi
citado (pelo entrevistado 2) como meio de comunicação muito utilizado.
Para o entrevistado 2 a mídia, no caso a Internet principalmente é útil para
pesquisas e para encontrar produtos mais específicos. E o que ele mais gosta na
mídia é o acesso à cultura de outros países. Assim como o entrevistado 5 que
considera a Internet como um meio de comunicação extremamente útil.
44

Ou seja, a Internet além de ser utilizada por eles como forma de


comunicação, entretenimento, obtenção de informação também é bastante usada
para comprar ou procurar produtos desejados.
O entrevistado 4 acha que a mídia não facilita muito o seu dia a dia, pois não
tem nada voltado especialmente aos cegos, serve mais como um entretenimento. O
entrevistado 6 e a entrevistada 7 também não encontram utilidade da mídia em seu
dia a dia, o entrevistado 6 alega que sabe sobre os produtos através dos amigos e
não da mídia, portanto para ele a mídia não facilita tanto o seu dia a dia, ele prefere
os programas esportivos. E a entrevistada 7 disse que a mídia trata apenas do
convencional, ela gosta somente dos debates da rede cultura, fora os jornais e
documentários.
O entrevistado 8 considera a mídia importante e acha que ela facilita o seu
dia a dia informando, por exemplo, os filmes que estão em cartaz. Seus programas
de preferência são seriados policiais, investigativos, musicais e documentários.
O entrevistado nº.9 opta por telefone também mesmo tendo computador em
casa e no trabalho. Para ele a mídia ajuda a informar e despertar o senso crítico. A
entrevistada 10 utiliza mais o telefone e a internet e também considera a mídia
importante pois a mantém atualizada.
Todos eles escutam rádio todos os dias, ou no computador através da Internet
ou no rádio mesmo. Escutam a rádio para se entreter e principalmente se informar.
Os entrevistados 3 e 4 deixam a rádio ligada até mesmo na hora de dormir. O
entrevistado 9 ressaltou a rádio CBN, segundo ele, a imprensa em Curitiba em geral
é muito ruim, e a rádio CBN deu uma revolucionada, antes disso o entrevistado não
tinha como se informar direito.
Os entrevistados escutam TV pelo menos uma vez ao dia e em geral
preferem programas jornalísticos, documentários e alguns programas esportivos
(tanto na TV quanto na rádio). Esta é a forma encontrada por eles para se manterem
atualizados com o que se passa no mundo. A entrevistada nº.10 considera mais
como uma necessidade.
Com relação às propagandas mais lembradas por eles, talvez tenha sido a
pergunta mais difícil de ser respondida para a maioria dos entrevistados. A maioria
pensava muito antes de responder, alguns não quiseram responder (5, 6 e 8), mas
outros responderam com bastante facilidade. Para o entrevistado 1 foi a da tartaruga
45

do chocolate Arcor e dos siris em um comercial de cerveja. O 2 recorda a


propaganda dos bonecos dos Cavaleiros do Zodíaco.
O comercial mais lembrado pela entrevista 3 é o veiculado no dia das mães
das Casas Bahia deste ano (2007). Para o entrevistado 4 refere-se a um da Skol,
“que tem cachorrinho”. A propaganda que mais marcou a 7ª entrevistada foram as do
Bombril, assim como para o entrevistado 9, além das propagandas do Bombril ele
considera marcante a chamada “Repórter Esso” na rádio CBN. A 10ª entrevistada
cita diversas propagandas, como por exemplo: McDonalds: "Dois hamburguers,
alface, queijo, molho especial..."; Habib's/"Tantas esfihas, kibe e suco de laranja por
tanto!"; Nescau Cereal"... Nescau Cereal: o cereal radical...!"; Havaianas/Tem aquela
da imitação, da sandália de ponta cabeça, do cara que começa a falar das
Havaianas da mulher dentro do cinema, entre outras.
Os comerciais lembrados pelos entrevistados, são em sua maioria de marcas
conhecidas que tiveram um feed back eficaz entre os telespectadores brasileiros.

3.2.4 Os entrevistados e a sociedade

De maneira geral, os entrevistados coincidiram nas respostas quando as


perguntas se referiam à sociedade.
Quanto ao entrevistado 1, ele fala que o pior mesmo é o tanto que a
sociedade subestima a capacidade dos cegos. Este é um exemplo que comprova o
que foi citado no capítulo 1 por Amiralian (1997), que é difícil para a sociedade
compreender o desenvolvimento intelectual dos cegos.
O entrevistado 1 acha que isto acontece por falta de informação. Outro fato
que ocorro com freqüência, é que as pessoas conversam com quem acompanha o
cego com perguntas referentes ao cego, como se ele não pudesse responder. O
entrevistado citou também como exemplo de falta de informação por parte da
sociedade, algumas perguntas do tipo se ele estuda em escola normal, como usa o
computador e se assiste TV. O que ele estranha também é a visão que as pessoas
têm de que os cegos não podem sair com amigos, pois, muitos perguntam se o meu
amigo que está acompanhando ele é irmão ou parente.
E o que a sociedade e organizações poderiam fazer para facilitar o dia a dia
dos cegos, para ele seria melhorar a estrutura. Pois há diversas barreiras, tais como
orelhões, calçadas irregulares, guias de sinalização.
46

O 2º entrevistado alega que na sociedade existe hipocrisia, política de


marketing, incompreensão o que acaba gerando discriminação, imagens errôneas e
que as pessoas opinam sem conhecer, além de serem acomodadas, pois não
procuram se informar sobre a realidade social. Para ele, a sociedade e as
organizações deveriam dispor de mais educação junto com informação, a integração
social deveria ser abordada educacionalmente, as pessoas devem ter mais
consciência e devem aprender a respeitar as diferenças de cada indivíduo.
A entrevistada 3 citou o mesmo fato que ocorre com o entrevistado 1: as
pessoas falam perto dos deficientes visuais, sobre eles mesmos, como se eles não
estivessem ouvindo e isso os deixa ainda mais para baixo. A entrevistada disse que
as pessoas são desinformadas, frias, indiferentes e que falta cultura. Ela diz ainda
que a sociedade e as organizações poderiam informar mais como se aproximar dos
cegos e as pessoas estariam colaborando mais se oferecessem ajuda e que os
meios de comunicação e o governo deveriam falar mais sobre a deficiência.
O entrevistado 4 disse que também que as pessoas não ligam para os cegos
e que o Centro é cercado de barreiras, inclusive os carrinheiros atrapalham bastante
e os mendigos ficam bravos com ele quando ele tropeça sem querer. Para o
entrevistado, a mudança dos lugares das placas, orelhão, por exemplo, já
colaborariam bastante com a rotina dos cegos.
O 5º entrevistado disse que a sociedade é cheia de preconceito. Para ele, as
pessoas e as organizações poderiam colaborar mais com os cegos se informando
sobre a realidade deles e disse que a mídia poderia mostrar mais o tanto que os
cegos são capazes, ele citou a novela América como exemplo, havia dois deficientes
visuais e depois disso houve uma grande mudança positiva para eles.
O entrevistado 6 alegou que a sociedade os trata com muita pena e acha que
eles não são capazes de ascenderem social, cultural, política e economicamente. E
poderiam colaborar mais com os cegos lutando por melhorias nas escolas e
universidades públicas.
A 7ª entrevistada falou que o tratamento da sociedade para com os cegos
varia muito de local para local, segundo ela, a escola é mais acessível que uma
empresa privada quando são procuradas para fornecerem um emprego. A sociedade
e as organizações poderiam colaborar mais com os cegos tornando seus espaços e
recursos ligados à instrução mais acessíveis, segundo a entrevistada.
47

Para o entrevistado 8, a maior parte da sociedade não está realmente


interessada em conhecer o mundo dos deficientes visuais e por isso, acabam não
sabendo lidar com eles. Para isto, o entrevistado sugere que as pessoas conheçam
melhor a realidade dos cegos e informe-se sobre as adaptações e formas de como
lidar melhor com eles.
Segundo o entrevistado de nº.9, a questão é cultural, as pessoas fazem uma
imagem ruim e negativa dos cegos. E a forma com a qual as organizações e a
sociedade poderiam ajudar mais os cegos seria trabalhar informando a sociedade,
melhorar a estrutura física e ter professores preparados para ensinar os cegos, pois
segundo ele, as pessoas têm como imagem do cego um coitadinho ou então
revoltado. O entrevistado sugere também que o Governo se dedique mais, a TV
Educativa, por exemplo, poderia prestar informações corretas.
E a 10ª entrevistada respondeu que a sociedade simplesmente não lida com
os cegos, e sim, se esconde. Para ela, não existe sociedade perfeita, mas ela frisa
que é necessário uma boa educação e também dar oportunidade aos deficientes
para que eles ao menos tentem mostrar suas capacidades. Segundo a entrevistada,
todo cidadão tem direito a educação, a provar suas habilidades intelectuais e físicas,
a amar, a errar, a se expor ao risco e a paixão, a cultura, a tentar ser um ser humano
como outro qualquer, podendo ou não, mesmo que eles sejam uma minoria.
Praticamente todas as respostas giram em torno de: preconceito, falta de
informação e falta de estrutura apropriada.

3.2.5 Os entrevistados e o mercado de trabalho para os deficientes visuais

O entrevistado 1 ainda é estudante, mas pretende ser advogado. Na opinião


dele, o deficiente visual que estiver bem preparado e com boas condições de entrar
no mercado de trabalho terá as mesmas chances que qualquer indivíduo dotado de
visão.
O entrevistado 2 diz que no caso dele, é impossível ter uma profissão tendo
em vista que ele precisa de cuidados e medicamos com freqüência o que
atrapalharia sua carga horária. Trabalho como voluntário em um centro de
informática para deficientes visuais no SESC e auxiliou nas aulas de origame na
biblioteca. Ele considerou a experiência gratificante, porém desgastante. Contanto, o
48

entrevistado acha que faltam oportunidades em geral para os deficientes,


melhorou, mas ainda faltam oportunidades e reconhecimento.
A 3ª entrevistada atualmente está desempregada, mas já atuou como
massagista numa clínica de estética em Colombo e trabalho de telefonista na
Associação Paranaense de Reabilitação (empresa privada, mas presta serviços ao
Estado). E disse que gostaria de atuar novamente como massagista. Na opinião
dela faltam opções para os cegos no mercado de trabalho, tudo é muito visual,
segundo a entrevistada.
O 4º entrevistado antes de ficar cego, trabalhava de servente em uma fábrica
de palitos, hoje ele atua como massagista na Associação Caixa Econômica Federal.
Na opinião dele não existe muita oportunidade de trabalho para os cegos. Ele
gostaria de trabalhar neste mesmo cargo, mas registrado.
O 5º entrevistado trabalha por conta própria com massoterapia há 4 anos. Se
pudesse escolher uma profissão, ele seria psicopedagogo. Quanto a oportunidades
no mercado de trabalho, na opinião do entrevistado, falta tornar o que já existe mais
acessível, tanto a nível material como também a nível psicológico.
O 6º entrevistado é estudante e pretende trabalhar como repórter esportivo ou
professor de língua portuguesa, segundo ele, o cego é capaz de realizar bons
trabalhos, faltam maiores oportunidades nos campos onde a remuneração é melhor,
só dão oportunidades, na maioria das vezes, de realizar trabalhos simples e de má
remuneração.
A 7ª entrevistada está concluindo o seu mestrado em Ciências Sociais e
depois tentará concursos públicos em órgãos federais para trabalhar como
socióloga. Quanto à oportunidade de emprego para cegos, a entrevistada disse que
basta ver as estatísticas: o cego é o terceiro, em tipos de deficiência, a ocupar vagas
no mercado de trabalho, perde apenas para o deficiente mental.
O 8º entrevistado é estudante e monitor nas aulas de história. Não gostaria no
momento de estar atuando em outra área. Na opinião dele faltam oportunidades
para os cegos, mas ele crê que isto está mudando.
O entrevistado 9 é formado em Direito e História e magistério superior.
Trabalha como professor concursado no Instituto Paranaense de Cegos e como
advogado. E também não gostaria de estar trabalhando em outra função. Na
opinião dele no sistema capitalista não tem emprego nem para quem enxerga.
49

A 10ª entrevistada trabalha como assistente administrativa na COPEL. E


também não gostaria de estar ocupando outro cargo. Para ela faltam oportunidades
para os cegos no mercado de trabalho.
As profissões dos entrevistados são bastante variadas e em suma, a maioria
respondeu que não há mercado de trabalho suficiente para os cegos, fato que ficou
bastante claro com a pesquisa, apesar de que ser um dado que vem mudando de
uns anos para cá, principalmente devido ao avanço da tecnologia e crescimento do
3º Setor.

3.3 Considerações Finais

Com esta pesquisa, foi possível perceber que a maior parte das informações
citadas nos capítulos 1 e 2 de fato ocorrem com os deficientes visuais entrevistados
da cidade de Curitiba.
Verifica-se que a sociedade em geral ainda não tomou consciência da
importância das próprias atitudes para o bem estar dos outros cidadãos, neste caso,
em especial, perante as minorias. Não basta a existência das leis no papel. As leis
existem, mas realmente não são cumpridas da forma correta. A maior parte das
pessoas não sabe lidar com os deficientes porque não há uma cultura que instigue a
um comportamento solidário para com os outros indivíduos que os circundam.
É raro uma pessoa dotada de visão entrar em contato com um deficiente
visual e são poucos os que oferecem ajuda. Quando existe alguma curiosidade, a
pessoa prefere perguntar para quem o está acompanhando e não para o próprio
deficiente. Muitas vezes estas atitudes não são tomadas com más intenções, e sim
por falta de hábito, por não saber como se aproximar dos deficientes. Porém, o
deficiente sente-se inferiorizado devido ao comportamento inadequado e muitas
vezes preconceituoso de algumas pessoas.
A mídia tem como importante papel, informar e mostrar a realidade. Se
houvesse uma grande divulgação sobre as habilidades dos deficientes visuais, o
fornecimento de informações adequadas a respeito da realidade dos cegos,
teoricamente as pessoas olhariam os deficientes visuais com outros olhos e não
como pessoas que carecem de pena.
Os cegos costumam demorar um pouco mais para aprender, mas é
necessário um acompanhamento de profissionais especializados, para melhor
50

atendê-los, além de uma estrutura apropriada. A estrutura apropriada deve existir


não só nas instituições e escolas e sim, nas ruas de toda a cidade.
Outro fato interessante é que praticamente todo deficiente visual é um
consumidor em potencial. Quase todos vão às lojas, shoppings e supermercados.
Visto que são poucos os produtos que possuem as escritas em Braille, seria um
grande diferencial para as empresas que fabricam produtos alimentícios e que são
vendidos em supermercado passarem a incluir a linguagem em suas embalagens.
Além de ser uma oportunidade para os restaurantes também adquirirem a linguagem
em seus cardápios. A demonstração de preocupação de uma empresa para com as
minorias pode conduzir os outros consumidores a pensarem na empresa como uma
organização preocupada com a sociedade aumentando assim a credibilidade e a
boa imagem da empresa.
Quanto às dificuldades encontradas na pesquisa, primeiramente foi encontrar
pessoas para serem entrevistadas que não fossem moradores do Instituto
Paranaense de Cegos, pois lá encontram-se pessoas com perfis parecidos. Em
segundo lugar, foi difícil formular um questionário que não fosse tendencioso e
preconceituoso, para tanto, o 2º deficiente visual entrevistado colaborou na melhor
elaboração das questões. E por último, são poucos os livros que abordam sobre o
assunto: mercado de consumo e de trabalho para o deficiente visual, por isto as
referências bibliográficas são em sua maioria pesquisadas na Internet.
Como sugestão de novos temas para pesquisa, seria interessante abordar o
trabalho dos deficientes visuais dentro das empresas que os contratam. Se existem
diferenças se comparados com os portadores de visão, quais as vantagens,
desvantagens. Outro tema importante, porém complexo, é um pesquisa que
verifique a viabilidade do planejamento e adaptações a serem realizadas em uma
cidade do porte de Curitiba, para que os deficientes visuais não encontrem barreiras.
E um terceiro tema a ser sugerido, é como se daria a especialização de profissionais
de uma escola para que se tornem adaptados para atender os deficientes da melhor
forma possível.
51

CONCLUSÃO

Para que haja inclusão social do deficiente no mercado de trabalho, é


necessária a participação tanto da sociedade, quanto das organizações, e dos
próprios deficientes visuais.
Com o avanço e com a expansão da tecnologia, as oportunidades de
emprego para os cegos também cresceram. Através de softwares que reproduzem
em áudio as informações visuais do computador, muitas oportunidades de trabalho
surgiram. No entanto, ainda existe muito preconceito por parte da sociedade, o que
torna as chances no mercado de trabalho muito limitadas.
De uns anos para cá várias leis surgiram a favor dos deficientes. Neste
sentido destaca-se a Lei de Cotas, que obriga as empresas a contratarem um
determinado percentual de deficientes de acordo com o número de funcionários,
com certeza, um importante passo na inserção de deficientes no mercado de
trabalho. Infelizmente há como ponto falho a falta de órgãos que fiscalizem as
empresas de maneira eficiente, pois é uma minoria que cumpre esta lei. Em
52

contrapartida as empresas alegam que não há cargo para os deficientes ou


então que eles não são suficientemente qualificados para exercer algum cargo.
A baixa qualificação de grande parte dos deficientes visuais ocorre devido à
falta de apoio nas escolas e de profissionais especializados na área da educação.
Com isto, eles já iniciam a carreira estudantil e profissional de forma defasada. Há
pouco investimento por parte do Governo e das instituições na adequação das
estruturas, de material didático e na difusão de conscientização da sociedade, que
ser cidadão também é respeitar as diferenças e ser solidário com a comunidade à
sua volta.
Quanto ao material didático adequado, são poucos os livros transcritos para
Braille. Este ainda é um processo relativamente caro. A arquitetura urbana também
precisam ser revistas. Na grande maioria das cidades não existe um planejamento
estrutural ou alguma preocupação nas conseqüências que esta falta de
planejamento pode acarretar no cotidiano dos deficientes visuais. Orelhões, placas,
materiais publicitários, e até mesmo pessoas, costumam ser obstáculos ao livre
transito de deficientes visuais.
Através das entrevistas, conclui-se que os deficientes visuais acreditam que
grande parte da sociedade ignora os seus direitos, ou imaginam deficientes visuais
como pessoas incapazes e extremamente dependentes. Também ficou claro que os
deficientes visuais crêem que este tipo de atitude por parte da sociedade é
proveniente de uma atitude arcaica e que, portanto, deve ser repensada.
A maioria dos entrevistados citou alguma experiência em que alguém dotado
de visão foi negligente ou preconceituoso. Isto afeta diretamente a auto-estima dos
cidadãos deficientes, sendo que muitas vezes a pessoa que constrangeu o
deficiente não teve a intenção. Por outro lado há casos de deficientes que agem de
forma intolerante quando constrangidos por videntes, que na maioria dos casos o
fazem por não saberem lidar com deficientes.
O ideal seria um maior contato entre os dotados de visão com os deficientes
visuais. Para que um compreendesse melhor o universo do outro, troquem
experiências e descubram diversas similaridades. A sociedade em geral deve dar
uma maior abertura para estas minorias. Basta dar um espaço, uma oportunidade
para que eles provem suas capacidades e possam assim se desenvolver de maneira
justa.
53

Os deficientes visuais têm o direito de ter um emprego, de ter a chance de


crescer profissionalmente e pessoalmente. Têm o direito de ter acesso às
informações. O mercado de consumo deve se atentar aos produtos para que estes
sejam voltados para os cegos também. É raro encontrar embalagens, cardápios ou
qualquer tipo de serviço ou produto apropriado para os cegos compreenderem.
Ou seja, com a pesquisa conclui-se que muita já evoluiu para os deficientes
visuais, mas que se não houver uma ação em conjunto, educação, e
conscientização da sociedade como um todo, continuará este quadro em que
direitos são garantidos, mas acessos são negados.
54

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APÊNDICE

APÊNDICE A

Questionário
59

Olá, tudo bem? Meu nome é Danusa, sou estudante de Publicidade e


Propaganda na PUC-PR. Estou realizando minha monografia cujo tema é: A
inserção do cidadão deficiente visual no mercado de consumo e de trabalho. Com
esta pesquisa pretendo diagnosticar as barreiras que os deficientes visuais
enfrentam, assim como verificar as opiniões pessoais, e oportunidades, tanto de
trabalho como de consumo e lazer, assim como a opinião e visão das empresas com
relação ao deficiente no mercado de trabalho formal.
As suas respostas são extremamente importantes para a conclusão desta pesquisa.
Por favor, assinale com um “*” na alternativa que corresponde a sua resposta, e
descreva a sua resposta quando houver o R:
Estou à disposição caso haja qualquer dúvida.
Obrigada,
Danusa Araújo
danusa.araujo@gmail.com

01) Nome completo?


R:

02) Idade/data de nascimento?


R:

03) Sexo?
() Feminino
() Masculino

04) Estado Civil?


() Solteiro (A)
() Casado (A)
() Divorciado (A)
() Viúvo (A)

05) Filhos?
() Não
() Sim, moram comigo.
() Sim, não moram comigo.

06) Há quanto tempo não enxerga?


R:

07) Causa da deficiência?


R:

08) Nível escolar?


() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) completo
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) completo
() Ensino médio (Primeiro ano) cursando
() Ensino médio (Segundo ano) cursando
() Ensino médio (Terceiro ano) cursando
60

() Ensino médio (Concluído)


() Ensino superior (Concluído)
() Ensino superior (Cursando)
() Ensino superior (Incompleto)

09) Qual é sua Profissão?


() Estudante
() Estagiário(A), (em que?)
R:
() Empregado(A), (Em que?)
R:
() Funcionário publico (A), (Em que área?)
R:
() Trabalha por conta própria (Informal), (Com o que?)
R:
() Alguma outra atividade a nível profissional? Qual?
R:

10) Profissão dos pais ou responsáveis?


R:

11) Renda aproximada sua ou da sua família (caso não trabalhe)?


R:

12) Há quanto tempo está nessa função?


R:

13) Gostaria de estar trabalhando em outra profissão? E se sim, qual?


R:

14) Se não trabalha, no que gostaria de trabalhar?


R:

15) Com o que mais gasta?


R:

16) Com qual freqüência vai ao supermercado?


( ) Sempre que pode evita ir, (Por alguma relação com o fato da deficiência?)
R:
( ) Sempre que pode evita ir, (Alguma razão de acessibilidade não direta
a deficiência?)
R:

() Vai acompanhado de alguém para auxiliar, (Em que é o auxílio?)


R:
() Vai normalmente sozinho, (Consegue se virar pelo mercado, mesmo, sem
problemas maiores. (Como faz isto?)
R:
61

() Vai com freqüência comprando o que pode se virar sozinho(a), deixando para
ir numa freqüência mais espaçada de tempo, com alguém de sua confiança a lhe
acompanhar para orientar em suas dificuldades?)
R:
() Não vai terminantemente ao mercado, tem como pedir a alguém para fazer as
compras para você, e acerta de pois com a pessoa. (Quem? Parente, Amigo,
Conhecido, Vizinho?)
R:

17) E ao shopping ou lojas?


() Frequentemente
() Ocasionalmente
() Raramente
() Sempre que pode ir, vai
() Só vai por necessidade
*Em qualquer das alternativas, vai sozinho, ou acompanhado, por lazer ou
dificuldade de acessibilidade pela deficiência?
R:

18) Quem o acompanha ou ajuda?


() Em geral amigos
() Em geral parentes
() Em geral vizinhos de confiança e convivência
() Outro, (Quem?)
R:

19) Onde mais gosta de comprar? Por quê?


() Shopping
() Mercado
() Lojas especializadas, (Que tipo de loja?)
() Estabelecimentos não convencionais como Livrarias, Bancas de revistas, Lojas de
artigos especializados em alguma cultura ou esporte, etc?)
() O que realmente gosta de comprar só acha em ocasiões especiais e não comuns
do dia a dia
() Compras de lazer comum do dia a dia, como lanchonetes e etc,( se tem algo em
especifico, o que?)
R:

() Alguma alternativa não listada, (Qual?)


R:

20) Quais marcas de produtos você lembra?


R:

21) Sonho de consumo?


R:

22) Principal forma de lazer?


R:
62

23) O que gostaria de fazer nos fins de semana, mas não faz por falta de
dinheiro ou de oportunidade?
R:

24) Alguma sugestão de produto ou serviço voltado para o público cego?


R:

25) Qual meio de comunicação você mais utiliza?


R:

26) Com que freqüência escuta radio, TV, internet?


R:

27) Quais programas de sua preferência (de TV, rádio, qualquer forma de
mídia)?
R:

28) A mídia o ajuda a encontrar ou informar sobre produtos ou serviços de seu


interesse, ou necessidade? Quais?
R:

29) A mídia facilita o seu dia a dia? Como ou de que forma?


R:

30) O que mais gosta da mídia?


R:

31) Alguma propaganda lembrada? (Que tenha marcado ou apenas lhe venha a
mente por algo em especial?)
R:

32) Sua opinião perante a forma com a qual a sociedade lida com a deficiência
visual?
R:

33) Como a sociedade e/ou organizações poderiam colaborar mais com os


cegos?
R:

34) Em sua opinião faltam opções de lazer e oportunidade de trabalho para o


cego?
R:

APÊNDICE B

Entrevistas respondidas:

Entrevistado nº.1

01) Nome completo?


63

R: L. R.

02) Idade/data de nascimento?


R: 15 anos.

03) Sexo?
() Feminino
(*) Masculino

04) Estado Civil?


(*) Solteiro (A)
() Casado (A)
() Divorciado (A)
() Viúvo (A)

05) Filhos?
(*) Não
() Sim, moram comigo.
() Sim, não moram comigo.

06) Há quanto tempo não enxerga?


R: Desde os 4 anos de idade.

07) Causa da deficiência?


R: atrofia no nervo ótico

08) Nível escolar?


() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) completo
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) completo
() Ensino médio (Primeiro ano) cursando
(*) Ensino médio (Segundo ano) cursando
() Ensino médio (Terceiro ano) cursando
() Ensino médio (Concluído)
() Ensino superior (Concluído)
() Ensino superior (Cursando)
() Ensino superior (Incompleto)

09) Qual é sua Profissão?


(*) Estudante
() Estagiário (A), (em que?)
R:
() Empregado (A), (Em que?)
R:
() Funcionário público (A), (Em que área?)
R:
() Trabalha por conta própria (Informal), (Com o que?)
R:
64

() Alguma outra atividade a nível profissional? Qual?


R:

10) Profissão dos pais ou responsáveis?


R: Pai é policial federal e a mãe técnica da Receita Federal.

11) Renda aproximada sua ou da sua família (caso não trabalhe)?


R: R$ 7.000,00

12) Há quanto tempo está nessa função?


R: -

13) Gostaria de estar trabalhando em outra profissão? E se sim, qual?


R:-

14) Se não trabalha, no que gostaria de trabalhar?


R: Advocacia

15) Com o que mais gasta?


R: Ingresso pra shows, camiseta de banda.

16) Com qual freqüência vai ao supermercado?


(*) Sempre que pode evita ir, (Por alguma relação com o fato da deficiência?)
R: Não preciso ir. Meus pais vão uma vez ao mês para compra grande e uma vez a
cada 2 semanas para compras menores.
() Sempre que pode evita ir, (Alguma razão de acessibilidade não direta a
deficiência?)
R:
() Vai acompanhado de alguém para auxiliar, (Em que é o auxílio?)
R:
() Vai normalmente sozinho, (Consegue se virar pelo mercado, mesmo, sem
problemas maiores). (Como faz isto?)
R:
() Vai com freqüência comprando o que pode se virar sozinho(a), deixando para ir
numa freqüência mais espaçada de tempo, com alguém de sua confiança a lhe
acompanhar para orientar em suas dificuldades?)
R:
() Não vai terminantemente ao mercado, tem como pedir a alguém para fazer as
compras para você, e acerta depois com a pessoa. (Quem? Parente, Amigo,
Conhecido, Vizinho?)
R:

17) E ao shopping ou lojas?


() Frequentemente
() Ocasionalmente
() Raramente
(*) Sempre que pode ir, vai.
() Só vai por necessidade
*Em qualquer das alternativas, vai sozinho, ou acompanhado, por lazer ou
dificuldade de acessibilidade pela deficiência?
65

R: Acompanhado.

18) Quem o acompanha ou ajuda?


(*) Em geral amigos
() Em geral parentes
() Em geral vizinhos de confiança e convivência
() Outro, (Quem?)
R:

19) Onde mais gosta de comprar? Por quê?


() Shopping
() Mercado
() Lojas especializadas, (Que tipo de loja?)
(*) Estabelecimentos não convencionais como Livrarias, Bancas de revistas, Lojas
de artigos especializados em alguma cultura ou esporte, etc?)
() O que realmente gosta de comprar só acha em ocasiões especiais e não comuns
do dia a dia
() Compras de lazer comum do dia a dia, como lanchonetes e etc,( se tem algo em
especifico, o que?)
R: Lanchonete e loja de CD para comprar ingresso para shows.
() Alguma alternativa não listada, (Qual?)
R:

20) Quais marcas de produtos você lembra?


R: Não ligo muito pra marca. Não sabe as marcas que usa de roupa. Tênis gosto do
Adidas porque é confortável e bom. E coca-cola, uma marca marcante pra mim.

21) Sonho de consumo?


R: Uma espada.

22) Principal forma de lazer?


R: Casa de amigos ou receber visita de amigos e shows.

23) O que gostaria de fazer nos fins de semana, mas não faz por falta de
dinheiro ou de oportunidade?
R: Viajar por aí, visitar os amigos de outras cidades (Rio de Janeiro, São Paulo,
Curitiba), rola muito show fora também que eu queria ir, eventos de anime,
informática, cultura japonesa, RPG, coisas que eu gosto que gostaria de ir

24) Alguma sugestão de produto ou serviço voltado para o público cego?


R: Produto não é o problema, o problema é o preço deles. Deveria baixar
drasticamente. Por exemplo, o programa para o celular falar e por volta de 500 reais,
e mais o celular acessível que o mais barato é 800.

25) Qual meio de comunicação você mais utiliza?


R: Internet. Eu acho que a internet foi uma coisa muito importante pra mim, fez que
eu conseguisse me socializar melhor com as pessoas. Comecei a usar na 7ª série.

26) Com que freqüência escuta radio, TV, internet?


66

R: Uso internet todos os dias um pouco, umas 4horas por dia. Rádio nunca e TV
bem raramente.

27) Quais programas de sua preferência (de TV, rádio, qualquer forma de
mídia)?
R: Na TV escuto documentários do Discovery Channel e globo repórter.

28) A mídia o ajuda a encontrar ou informar sobre produtos ou serviços de seu


interesse, ou necessidade? Quais?
R: Sim, bastante, principalmente pela Internet. Coisas exóticas, como miniaturas,
modelos de armas em miniaturas. Mesmo eu não comprando, mas é muito fácil
achar esse tipo de coisa que você não vê todo dia por aí na internet.

29) A mídia facilita o seu dia a dia? Como ou de que forma?


R: Sim, às vezes eu recebo propagandas e fico sabendo de novos produtos, que
não posso comprar no momento, mas posso pensar em futuramente obtê-los.

30) O que mais gosta da mídia?


R: Das inovações que eu vejo todo dia que eles fazem pra impressionar. Acho muito
interessante e até mesmo paro pra refletir às vezes.

31) Alguma propaganda lembrada? (Que tenha marcado ou apenas lhe venha a
mente por algo em especial?)
R: Deve ser porque eu era muito pequeno, mas lembro muito daquelas da tartaruga
e da cerveja, dos siris, mesmo eu não bebendo cerveja nem naquela época nem
hoje, eu achava legal.

32) Sua opinião perante a forma com a qual a sociedade lida com a deficiência
visual?
R: Subestimam. No geral, pela falta de informação ou por outro motivo que eu
desconheça, a maioria das pessoas me subestimam e não só eu a maioria dos
cegos.. Se existe um amigo junto com você as pessoas se dirigem a ele e não é
você. Já foi perguntado se eu estudava em escola normal, como eu usava o
computador, se eu assistia TV. Eu acho que isso é pura falta de informação. Por
exemplo, ontem estávamos indo em uma loja, militar esportes ver um coturno, e no
ônibus uma mulher pediu para o meu amigo se eu era irmão dele, é estranha a visão
que as pessoas tem, que os cegos não podem sair com amigos, e porque não pediu
pra mim, eu sou cego não mudo, mas fazer o quê.

33) Como a sociedade e/ou organizações poderiam colaborar mais com os


cegos?
R: Acho que apenas na estrutura. Como, calçadas diferenciadas em volta dos
orelhões para evitá-los com mais facilidade, calçadas regulares, guias de sinalização
em lugares de muito movimento (como uma pequena mureta em linha reta para ser
seguida.. acho que é mais a estrutura mesmo.

34) Em sua opinião faltam opções de lazer e oportunidade de trabalho para o


cego?
R: Não. Lazer, é só achar aquilo que se gosta e sempre vai ter coisas, acho que
coisas especiais deixariam o cego mais distante das pessoas, e indo em lugares
67

igual aos outras pessoas existe uma melhor adaptação e trabalho, não. Acredito
que apenas ter uma boa preparação e você tem as mesmas chances

Entrevistado nº2.

01) Nome completo?


R: C. E. S. B.

02) Idade/data de nascimento?


R: 25 anos

03) Sexo?
() Feminino
(*) Masculino

04) Estado Civil?


(*) Solteiro (A)
() Casado (A)
() Divorciado (A)
() Viúvo (A)

05) Filhos?
(*) Não
() Sim, moram comigo.
() Sim, não moram comigo.

06) Há quanto tempo não enxerga?


R: Nunca enxerguei com o olho esquerdo. o direito fui perdendo a visão aos
poucos,perdi a noção com 16 mas total mesmo com 19 anos.

07) Causa da deficiência?


R: Por causa do glaucoma.

08) Nível escolar?


() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) completo
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) completo
() Ensino médio (Primeiro ano) cursando
() Ensino médio (Segundo ano) cursando
() Ensino médio (Terceiro ano) cursando
() Ensino médio (Concluído)
() Ensino superior (Concluído)
() Ensino superior (Cursando)
() Ensino superior (Incompleto)
R: Ensino Médio incompleto

09) Qual é sua Profissão?


() Estudante
() Estagiário (a), (em que?)
68

R:
() Empregado (a), (Em que?)
R:
() Funcionário público (a), (Em que área?)
R:
() Trabalha por conta própria (Informal), (Com o que?)
R:
() Alguma outra atividade a nível profissional? Qual?
R:

(*) Outra resposta: impossível de ter alguma profissão já que tenho alguns
imprevistos aqui e ali, por exemplo, no ultimo ano tive oportunidade de dois
empregos, mas não pude aceitar, pois não teria como ter rendimento já que
precisaria do cuidado de medicamentos com uma freqüência que atrapalhariam a
carga horária, nunca trabalhei só como voluntário às vezes aqui e ali e quando tenho
condições de saúde pra isso. Mas eu me considero estudante, pois conhecimento
demais nunca é suficiente e adoro ler pesquisar e tem muita coisa pra se estudar
quando se tem vontade e interesse.

09.01) Onde foi a experiência?


R: Bom, como voluntário com maior dedicação foi no centro de informática para
deficientes visuais professor Reman Gorgen, fica no SESC na entrada da Pedro Ivo.
Foi no ano 2000, ajudei na biblioteca e auxílio nas aulas de Origame, etc., mas nada
oficializado formalizado, mas realmente algo voluntário "bem trabalhoso".

09.02) e como surgiu a oportunidade de você fazer trabalho voluntário lá?


R: Eu era aluno lá desde 98, mas aos pouquinhos no que ia fazendo curso e ficando
por lá entre um horário e outro pra não ter que ir e vir eu fui aproveitando as brechas
e literalmente fui me "abancando" por ali auxiliando e tal. Totalmente ocasional não
proposital apenas oportunidade que fluiu normal.

09.03) O que você achou?


R: Sinceramente, pessoalmente gratificante por que gosto de ajudar, mas ao mesmo
tempo muito desgastante, pois não é nada fácil interagir com a maioria dos
deficientes no geral, lá não tinha só deficientes visuais, embora no nom da
instituição frisa deficiência visual. Muito bacana como experiencia de vida, mas
realmente estressante em ter uma rotina daquela por muito tempo.

10) Profissão dos pais ou responsáveis?


R: Trabalham com uma empresa de telecomunicações, vendas de centrais
telefônicas instalação, manutenção. A empresa é deles (Solução telecomunicações).

11) Renda aproximada sua ou da sua família (caso não trabalhe)?


R: como eles são os donos da empresa, não tem exatamente uma renda fixa. Dá pra
cobrir o gasto com a empresa, funcionários por mês aproximadamente, então, tu
teria uma noção de uns 3000 a 4000 na média.

12) Há quanto tempo está nessa função?


R: -
69

13) Gostaria de estar trabalhando em outra profissão? E se sim, qual?


R: -

14) Se não trabalha, no que gostaria de trabalhar?


R: Bom, eu nem preso lá terminar os estudos no padrão ocidental, e aqui não tem lá
as linhas profissionais as quais eu pude desenvolver e fluir como eu gostaria e no
que gostaria, tenho a intensão de ir para o Japão, morar lá casar lá, ter família
lá,morrer lá, e trabalhar no caso, com o conhecimento adquirido em quatro
faculdades que só existem lá. Seriam projetos variados. Pretendo desenvolver
meios de desenvolver meu potencial criatividade e inteligência junto de meu vinculo
com o Japão, em coisas que pudessem ajudar e contribuir tanto para deficientes no
geral em varias partes do mundo, como ajudar a revolucionar alguns conceitos
tecnológico de gerenciamento para melhor desenvolvimentos social no mundo.

14.01) Tipo free lancer?


R: É por aí.

15) Com o que mais gasta?


R: bom, eu aplico em qualidade e conhecimento, se tiver algum livro que me
proporcione conhecimento, ou materiais replicas em escala coisas que ajudem a
trabalhar desenvolver criatividade conhecimento e noções pratica em qualquer área.
É onde invisto e principalmente, cursos e adaptações para cursá-los. Não meço
esforços e gastos para adaptar algum meio para aplicar em algum curso que eu
elabore um meio de torná-lo acessível.

16) Com qual freqüência vai ao supermercado?


(* ) Sempre que pode evita ir, (Por alguma relação com o fato da deficiência?)
R: Meus pais vão. Já odeio sair de casa no geral, ainda mais pra ficar no mercado
cheio de gente produtos que dependem no geral de alguém ler descrever comentar
e ainda tem aquela fila na hora de pagar.
( ) Sempre que pode evita ir, (Alguma razão de acessibilidade não direta
a deficiência?)
R:
() Vai acompanhado de alguém para auxiliar, (Em que é o auxílio?)
R:
() Vai normalmente sozinho, (Consegue se virar pelo mercado, mesmo, sem
problemas maiores. (Como faz isto?)
R:
() Vai com freqüência comprando o que pode se virar sozinho(a), deixando para ir
numa freqüência mais espaçada de tempo, com alguém de sua confiança a lhe
acompanhar para orientar em suas dificuldades?)
R:
() Não vai terminantemente ao mercado, tem como pedir a alguém para fazer as
compras para você, e acerta de pois com a pessoa. (Quem? Parente, Amigo,
Conhecido, Vizinho?)
R:

17) E ao shopping ou lojas?


() Frequentemente
() Ocasionalmente
70

(*) Raramente
() Sempre que pode ir, vai
() Só vai por necessidade
*Em qualquer das alternativas, vai sozinho, ou acompanhado, por lazer ou
dificuldade de acessibilidade pela deficiência?
R: Parentes.

18) Quem o acompanha ou ajuda?


() Em geral amigos
(*) Em geral parentes
() Em geral visinhos de confiança e convivência
() Outro, (Quem?)
R:

19) Onde mais gosta de comprar? Por quê?


() Shopping
() Mercado
() Lojas especializadas, (Que tipo de loja?)
() Estabelecimentos não convencionais como Livrarias, Bancas de revistas, Lojas de
artigos especializados em alguma cultura ou esporte, etc?)
(*) O que realmente gosta de comprar só acha em ocasiões especiais e não comuns
do dia a dia
() Compras de lazer comum do dia a dia, como lanchonetes e etc,( se tem
algo em especifico, o que?)
R:
() Alguma alternativa não listada, (Qual?)
R:

Observação: não tenho lugar preferido para comprar nada. Bom, mas eu tenho
como responder essa pergunta com um lugar que não é um lugar, é um tipo de
evento que consequentemente tem coisas de meu interesse para comprar.. mas
nunca fui pois é em São Paulo no Bairro da Liberdade ta cheio de livrarias e lojas
shopping com coisas da Ásia no geral, em especial Japão, e há eventos todos
meses e alguns específicos em algumas épocas do ano, estes são eventos culturais
que me atraem e que tem todo tipo de coisa que eu vejo interesse de comprador.
Desde armas para coleção em miniatura, até armas reais para treino ou coleção
profissional, livros de história, miniaturas de varias coleções e seriados Japoneses,
revistas, pôsteres, CDS, mais livros, cursos, e tantas outras coisas..E nessas
proporções em Curitiba não existe.

20) Quais marcas de produtos você lembra?


R: bom, tem coisas que não são produtos diretamente ligados a compra exemplos
de marcas que me vêem a mente e não são necessariamente produtos: "alamo"
como esquecer da melhor empresa de dublagem do país, os melhores seriados em
especial os Japoneses eram e ainda são dublados pela Alamo, como esquecer da
TV "Manchete" a única frente ao monopólio globo, e com padrão europeu e com
potencial, e mais o prezar da cultura asiática com os seriados. São as duas marcas
que mais me marcaram até hoje e são coisas que não tão vinculadas a um produto
de compra direta. e sim venda de um conteúdo e coisas para agradar um publico.
nas entrelinhas há muitas outras marcas subseqüentes dessa linha de raciocino e
71

lembrança, mas no geral uma coisa que mexe muito com marcas para eu que
sou fascinado por motos e motociclismo, e tecnologia, são todas marcas de
motos Japonesas. Haya-Kusa, Honda, Suzuki, Yamaha, Kawasaki, etc se eu for
pensar em tecnologia, eu lembro de Semp Toshiba, Creative, Apple.

21) Sonho de consumo?


R: No caso sonho de realização é adquirir todo conhecimento possível. E a nível de
realmente comprar algo um dos dias mais felizes de minha vida será quando pagar
nota sobre nota e receber a passagem só de ida para o Japão.

22) Principal forma de lazer?


R: baixar músicas Japonesas Coreanas, e Chinesas, vídeos, ler mais e mais,
pesquisar sobre softwares, e adquirir conhecimento. Estes são meus hobbies. Mexer
com artesanato ta meio em segundo foco atualmente, colecionar, etc. Ta tudo meio
parado em nível de hobbie.

23) O que gostaria de fazer nos fins de semana, mas não faz por falta de
dinheiro ou de oportunidade?
R: tem uns bons, mas são caros, têm outros que não são comuns, e em geral dificil
de conseguir conciliar ele a ser adaptável a mim, e sem atrasar o restante da turma.

24) Alguma sugestão de produto ou serviço voltado para o público cego?


R: Bom, sinceramente, os dvs no geral são idiotas, a maioria é desunido e não
adianta nada quererem algo em especial da sociedade sendo que a inclusão não é
feita no conviver e entender da realidade nem dentre os dvs quanto mais da
sociedade para os dvs ou outros deficientes. Muita coisa existe para auxiliar varias
deficiências, mas o mundo idiota encara qualquer deficiente como mercado de
consumo e não como "pessoas portadoras de necessidades especiais" não é um
dever em nível de obrigação, mas sim um compromisso de dar dignidade e
igualdade para todos não é no papel ou em eventos hipócritas políticos. Acho que
antes de um produto é necessário construir uma mente dos deficientes. Enquanto se
discutir em ferramentas, mas que na pratica não eram feitas com qualidade ou por
incapazes que só falam ou que são boas mas apenas a elite pode obter, de que
adianta toda essa sociedade hipócrita se esconder atrás do que chamam de
trabalhos sociais sendo que são vampiros famintos que desgastam toda estrutura e
desestimulam os que realmente querem fazer algo descente. Tenho nojo deste país
e em especial no ocidente geral, aqui as coisas nunca andam, não há como sugerir
um produto ou ferramenta enquanto o essencial não for feito de modo efetivo a
incorporar cada individuo como uma célula para o bem-estar em comum da
sociedade como um todo.

25) Qual meio de comunicação você mais utiliza?


R: Skype não gosto lá das qualidades do Messenger, mas é bom para falar por texto
e manter contatos rápidos, o Skype gratuito qualidade de voz, e falo com gente no
mundo todo. e há como ligar diretamente para telefones por credito. Como disse mal
tenho amigos em Curitiba, e para que vou gastar com interurbano.

26) Com que freqüência escuta radio, TV, internet?


R: TV quando houver algo útil na tv Brasileira me avisa que eu ligo. Rádio, a muito,
muito,muito tempo não sei o que é rádio ocidental também... e internet, no geral as
72

coisas que tem a nível de radio e TV e tal para acessar tem um tanto de
inacessibilidade. Mas tem algumas coisas boas na internet, por exemplo, a única
rádio que ouço já a mais de um ano direto, só toca música Japonesa, Coreana, e
Chinesa.. Locução em Português e outras coisas pesquisando aqui e ali, e logo
pretendo conseguir o sinal pra tv a cabo gratuitamente para poder ter alguns canais
do Japão aqui.

27) Quais programas de sua preferência (de TV, rádio, qualquer forma de
mídia)?
R: Documentários bons a muito tempo deixou de ter algo legal. Tem um programinha
nas tardes de domingo na Band que se chama. "visão oriental" que é bem bacana.,
mas é algo aqui e aliás ó que presta dentre toda a maravilhosa variedade de coisas
culturais deste país.

28) A mídia o ajuda a encontrar ou informar sobre produtos ou serviços de seu


interesse, ou necessidade? Quais?
R: com certeza que a mídia ajuda, mas vai de cada um naquilo que lhe faz sentido,
no meu caso é realmente raro ter algo em nível de indicação na mídia para meu
estilo de consumo, em geral seria mais pela internet mesmo, relacionada a
softwares específicos, atualizações, e materiais variados que da pra pesquisar ver
onde tem qual material quanto custam, coisas de outros paises para ter idéia. Coisas
na internet que tem lá e não tem aqui, coisas que pesquisa direto em outros paises
ou cidades e não se acha divulgação simples na mídia. A mídia se preocupa com os
requisitos do povão. Marketing selecionado de acordo com o que interessa a ela
divulgar ou vender ou que faça parte da moda ou tendência. Digo parte da moda o
que é realmente útil para a maioria das pessoas que se especializassem não são
comuns, tu jamais vai achar na mídia direta referenciais que as agradem.

29) A mídia facilita o seu dia a dia? Como ou de que forma?


R: Sim, para pesquisas.

30) O que mais gosta da mídia?


R: O acesso à cultura de outros países. (pela Internet, no caso)

31) Alguma propaganda lembrada? (Que tenha marcado ou apenas lhe venha a
mente por algo em especial?)
R: Olha não lembro exatamente como era a propaganda. Mas na época da
manchete, quando passava qualquer relance sobre o horário do Ninja Jiraiya,, eu
adorava aquilo, e todas as coisas similares, aquilo realmente marcou dos tempos
mais atuais as ultimas propagandas similares ainda na época da manchete como
Cavaleiros do Zodíaco, as propagandas de quando chegaram os bonequinhos para
colecionar.

30.01) Depois de ter perdido completamente a visão..tem alguma que te


lembra?
R: Eu lembro das imagens ainda enxergava bem, eram legais os closes que davam
nos bonequinhos com armadura e tal. Há, tem algo que eu paro para prestar
atenção quando vejo na TV de relance hoje em dia. Qualquer anuncio de modelo de
moto nova, claro das marcas japonesas também me atrai atenção e fico grudado é
73

quando tem propaganda de alguma coleção nova que será lançada e tal, vejo se
é do meu agrado essas coisas.

32) Sua opinião perante a forma com a qual a sociedade lida com a deficiência
visual?
R: eu resumo nas seguintes palavras: hipocrisia, política de marketing,
incompreensão, que gera descaso, e discriminação, falsas imagens sobre uma
realidade a qual é mais cômodo opinar sem conhecer, já que as pessoas têm
preguiça de procurar se informar sobre a realidade social das coisas envolvidas não
só nessa realidade.

33) Como a sociedade e/ou organizações poderiam colaborar mais com os


cegos?
R: Bom, primeiro para chegar à deficiência visual é necessário entender o contexto
de deficiências e o que é a definição "pessoas portadoras de necessidades
especiais". Bom, para chegar nisso, vamos precisar de outra coisa. Primeiro a
educação junto da informação não resolve se o povo não tomar vergonha na cara e
as coisas forem ordenadas por importância real e fundamental para bem em comum
de todos na sociedade enquanto tudo permanecer bagunçado e tentarem resolver
fracionando ou focando só isso ou aquilo as classes e gêneros ainda serão
excluídos da realidade comum justamente por que não ouve a organização coerente
de como respeitar as diferenças humanas individuais independente de suas
condições físicas psíquicas mentais, etc. isso é um fato.
Uma cadeia que não há como ser rompida apenas enfocando isso ou aquilo ou
tentando inutilmente desgastar jogando na cara da sociedade hoje amanhã e de,
pois sendo que não há consciência real de que importância há numa sociedade
equilibrada e que respeite seus indivíduos. Bom, como disse certa vez a um grupo
de pessoas hipócritas e idiotas.
Não adianta falar de inclusão e socialização ou acessibilidade e o raio a quatro
enquanto não for obrigado a abordar educacionalmente a integração social do que é
"pessoas portadoras de necessidades especiais" na cabeça da sociedade em volta.
Não adianta nós deficientes organizarmos ou os grupos isolados falarem, falarem
não adianta lhufas alguma enquanto a sociedade não tiver consciência. E se nada
for trabalhado para introduzir esse contexto de educação nas mentes do povão, de
que adianta o desgaste da gente pela nossa inclusão numa sociedade onde ela
mesma já é sem auto inclusão?
Mas é fato, e o povo não pensa nisso, nada deve ser tentado resolver isoladamente,
pois não cabe a uma realidade de um núcleo independente de causas envolvidas
nessa realidade. é preciso focar o centro e é bem antes disso dos deficientes. Não
sei se ficou lá muito claro, mas não sei se teria como resumir ainda mais o que
quero dizer... Acho que a resposta ficou um tantinho grande.

34) Em sua opinião faltam opções de lazer e oportunidade de trabalho para o


cego?
R: Essa pergunta não deveria ser feita lá para a minha pessoa. Eu já olho torto só
de ouvir a palavra "lazer". Mas vamos lá: trabalhos oportunidades em vários campos
setores faltam no geral, em especial oportunidades culturais e informações
acessíveis uma cadeia de ordem de modo a auxiliar todo e qualquer indivíduo em
todas as fases da vida e orientando seus passos aqui e ali, *fechando os olhos e
suspirando. Como é no Japão. Ultimamente tem deficientes de vários tipos
74

conseguindo oportunidades até bem fácil comparado com o que era há algum
tempo atrás, mas ainda falta oportunidades e reconhecimento. Quanto a lazer.
Bom, acho que é uma idiotice o povo querer lazer deficiente ou não, sendo que há
outras coisas mais prioritárias que deveriam vir primeiro e o próprio povo não toma
consciência disso. Na verdade o lazer cultural é uma auto contradição de expressão,
pois quem aprecia a cultura não a vê como lazer jamais.

Entrevistado nº3.

01) Nome completo?


R: E. C. S.B

02) Idade/data de nascimento?


R: 42 anos. 22/02/65

03) Sexo?
(*) Feminino
() Masculino

04) Estado Civil?


() Solteiro (A)
(*) Casado (A)
() Divorciado (A)
() Viúvo (A)

05) Filhos?
(*) Não
() Sim, moram comigo.
() Sim, não moram comigo.

06) Há quanto tempo não enxerga?


R: Desde os 9 anos.

07) Causa da deficiência?


R: Atrofia no nervo ótico

08) Nível escolar?


() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) completo
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) completo
() Ensino médio (Primeiro ano) cursando
() Ensino médio (Segundo ano) cursando
() Ensino médio (Terceiro ano) cursando
(*) Ensino médio (Concluído)
() Ensino superior (Concluído)
() Ensino superior (Cursando)
() Ensino superior (Incompleto)

09) Qual é sua Profissão?


75

() Estudante
() Estagiário (A), (em que?)
R:
() Empregado (A), (Em que?)
R:
() Funcionário público (A), (Em que área?)
R:
() Trabalha por conta própria (Informal), (Com o que?)
R:

(*) Alguma outra atividade a nível profissional? Qual?


R: Já trabalhei. Fui massagista numa clínica de estética em Colombo e trabalho de
telefonista na Associação Paranaense de Reabilitação (empresa privada, mas presta
serviços ao Estado).

10) Profissão dos pais ou responsáveis?


R: -

11) Renda aproximada sua ou da sua família (caso não trabalhe)?


R: cerca de R$ 500,00

12) Há quanto tempo está nessa função?


R:Trabalhou 2 anos.

13) Gostaria de estar trabalhando em outra profissão? E se sim, qual?


R: -

14) Se não trabalha, no que gostaria de trabalhar?


R: Massagista.

15) Com o que mais gasta?


R: Coisas pra casa, como casei recentemente.

16) Com qual freqüência vai ao supermercado?


() Sempre que pode evita ir, (Por alguma relação com o fato da deficiência?)
R:
( ) Sempre que pode evita ir, (Alguma razão de acessibilidade não direta
a deficiência?)
R:
() Vai acompanhado de alguém para auxiliar, (Em que é o auxílio?)
R:
() Vai normalmente sozinho, (Consegue se virar pelo mercado, mesmo, sem
problemas maiores. (Como faz isto?)
R:
(*) Vai com freqüência comprando o que pode se virar sozinho(a), deixando para ir
numa freqüência mais espaçada de tempo, com alguém de sua confiança a lhe
acompanhar para orientar em suas dificuldades?)
R: Vou com o marido 1 vez por semana, e uma vez por mês para compra grande
com algum parente.
76

() Não vai terminantemente ao mercado, tem como pedir a alguém para fazer as
compras para você, e acerta de pois com a pessoa. (Quem?Parente, Amigo,
Conhecido, Vizinho?)
R:

17) E ao shopping ou lojas?


() Frequentemente
() Ocasionalmente
() Raramente
() Sempre que pode ir, vai
(*) Só vai por necessidade
*Em qualquer das alternativas, vai sozinho, ou acompanhado, por lazer ou
dificuldade de acessibilidade pela deficiência?
R: vou com algum parente, para passear ou comprar algo.

18) Quem o acompanha ou ajuda?


() Em geral amigos
(*) Em geral parentes
() Em geral vizinhos de confiança e convivência
() Outro, (Quem?)
R:

19) Onde mais gosta de comprar? Por quê?


() Shopping
() Mercado
(*) Lojas especializadas, (Que tipo de loja?)
() Estabelecimentos não convencionais como Livrarias, Bancas de revistas, Lojas de
artigos especializados em alguma cultura ou esporte, etc?)
() O que realmente gosta de comprar só acha em ocasiões especiais e não comuns
do dia a dia
() Compras de lazer comum do dia a dia, como lanchonetes e etc,(se tem algo em
especifico, o que?)
R: Depende, quando é roupa vou a loja.
() Alguma alternativa não listada, (Qual?)
R:

20) Quais marcas de produtos você lembra?


R: Nestlé.

21) Sonho de consumo?


R: Celular LG F3, fala, lê mensagem. E um relógio em Braille social.

22) Principal forma de lazer?


R: Passear em parques.

23) O que gostaria de fazer nos fins de semana, mas não faz por falta de
dinheiro ou de oportunidade?
R: Viagem para Natal

24) Alguma sugestão de produto ou serviço voltado para o público cego?


77

R: empresas de alimentação e serviços, tipo SANEPAR, TELECOM, COPEL


deveriam ter contas em Braille pois eles dependem de alguém sempre pra saber
o que é.

25) Qual meio de comunicação você mais utiliza?


R: Muito rádio, TV também todo dia. Internet não.

26) Com que freqüência escuta radio, TV, internet?


R: Rádio todo dia, em todos os turnos. TV todo dia um pouco, para ver jornal e
novela.

27) Quais programas de sua preferência (de TV, rádio, qualquer forma de
mídia)?
R: Na TV novela e jornal. E na radio, jornalismo e programas evangélicos.

28) A mídia o ajuda a encontrar ou informar sobre produtos ou serviços de seu


interesse, ou necessidade? Quais?
R: Saber das noticias.

29) A mídia facilita o seu dia a dia? Como ou de que forma?


R: Sim, informação.

30) O que mais gosta da mídia?


R: Noticia passar tempo, aprender.

31) Alguma propaganda lembrada? (Que tenha marcado ou apenas lhe venha a
mente por algo em especial?)
R: Casas Bahia do dias mães, que tinha um neném falando.

32) Sua opinião perante a forma com a qual a sociedade lida com a deficiência
visual?
R: Meios de comunicação e o governo deveriam falar mais. As pessoas falam perto
dos deficientes visuais, sobre eles, comentam coisas que nos deixam ainda mais pra
baixo. São desinformados, falta cultura, são muito frias, indiferentes.

33) Como a sociedade e/ou organizações poderiam colaborar mais com os


cegos?
R: Falta informação para como se aproximar, oferecer mais ajuda.

34) Em sua opinião faltam opções de lazer e oportunidade de trabalho para o


cego?
R: Falta. Limitado principalmente para o deficiente visual, pouca opção. Tudo é muito
visual. Lazer também. Deveria ter mais (opções), a maioria dos filmes tem muitos
momentos em silencio, e ficamos perdidos.

Entrevistado nº4.

01) Nome completo?


R: I. S. B.
78

02) Idade/data de nascimento?


R: 51 anos. 26/08/1956

03) Sexo?
() Feminino
(*) Masculino

04) Estado Civil?


() Solteiro (A)
(*) Casado (A)
() Divorciado (A)
() Viúvo (A)

05) Filhos?
(*) Não
() Sim, moram comigo.
() Sim, não moram comigo.

06) Há quanto tempo não enxerga?


R: Desde 1976. Desde os 20 anos.

07) Causa da deficiência?


R: Glaucoma.

08) Nível escolar?


() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) completo
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) completo
() Ensino médio (Primeiro ano) cursando
() Ensino médio (Segundo ano) cursando
() Ensino médio (Terceiro ano) cursando
(*) Ensino médio (Concluído)
() Ensino superior (Concluído)
() Ensino superior (Cursando)
() Ensino superior (Incompleto)

09) Qual é sua Profissão?


() Estudante
() Estagiário (A), (em que?)
R:
() Empregado (A), (Em que?)
R:
(*) Funcionário público (A), (Em que área?)
R: Massagista na Associação da Caixa Econômica Federal.
() Trabalha por conta própria (Informal), (Com o que?)
R:

() Alguma outra atividade a nível profissional? Qual?


79

R: Servente de uma fábrica de palito, quando enxergava, aonde foi aposentado


por invalidez.

10) Profissão dos pais ou responsáveis?


R: -

11) Renda aproximada sua ou da sua família (caso não trabalhe)?


R: Aproximadamente R$ 600,00 (salário como massagista e aposentadoria)

12) Há quanto tempo está nessa função?


R: 2 anos.

13) Gostaria de estar trabalhando em outra profissão? E se sim, qual?


R: Massagista, mas formal, pois na Associação não é contratado.

14) Se não trabalha, no que gostaria de trabalhar?


R: -

15) Com o que mais gasta?


R: Coisas para casa, móveis.

16) Com qual freqüência vai ao supermercado?


( ) Sempre que pode evita ir, (Por alguma relação com o fato da deficiência?)
R:
( ) Sempre que pode evita ir, (Alguma razão de acessibilidade não direta
a deficiência?)
R:
() Vai acompanhado de alguém para auxiliar, (Em que é o auxílio?)
R:
() Vai normalmente sozinho, (Consegue se virar pelo mercado, mesmo, sem
problemas maiores). (Como faz isto?)
R:
(*) Vai com freqüência comprando o que pode se virar sozinho (a), deixando para ir
numa freqüência mais espaçada de tempo, com alguém de sua confiança a lhe
acompanhar para orientar em suas dificuldades?)
R: Quando é para comprar pouca coisa vai sozinho no mercado perto de casa e lá
ele recebe ajuda dos funcionários. Quando é compra grande vai com a esposa, que
também é deficiente visual, sogro ou cunhada.
() Não vai terminantemente ao mercado, tem como pedir a alguém para fazer as
compras para você, e acerta de, pois com a pessoa. (Quem? Parente, Amigo,
Conhecido, Vizinho?)
R:

17) E ao shopping ou lojas?


() Frequentemente
() Ocasionalmente
() Raramente
() Sempre que pode ir, vai
(*) Só vai por necessidade
80

*Em qualquer das alternativas, vai sozinho, ou acompanhado, por lazer ou


dificuldade de acessibilidade pela deficiência?
R: Sozinho ou acompanhado do sogro ou da cunhada. Quando precisa comprar
algo, por exemplo, roupa.

18) Quem o acompanha ou ajuda?


() Em geral amigos
(*) Em geral parentes
() Em geral vizinhos de confiança e convivência
() Outro, (Quem?)
R:

19) Onde mais gosta de comprar? Por quê?


() Shopping
() Mercado
(*) Lojas especializadas, (Que tipo de loja?)
() Estabelecimentos não convencionais como Livrarias, Bancas de revistas, Lojas de
artigos especializados em alguma cultura ou esporte, etc?)
() O que realmente gosta de comprar só acha em ocasiões especiais e não
comuns do dia a dia
() Compras de lazer comum do dia a dia, como lanchonetes e etc,( se tem
algo em especifico, o que?)
R: Lojas menores, pois é mais fácil e mais barato.
() Alguma alternativa não listada, (Qual?)
R:

20) Quais marcas de produtos você lembra?


R: Phillips.

21) Sonho de consumo?


R: Celular e relógio para a esposa.

22) Principal forma de lazer?


R: Não saio muito de casa, não tem graça passear sem ver alguma coisa. Fiz aulas
de dança por exercício e gosta de escutar jogo na rádio.

23) O que gostaria de fazer nos fins de semana, mas não faz por falta de
dinheiro ou de oportunidade?
R: Conhecer Mato Grosso.

24) Alguma sugestão de produto ou serviço voltado para o público cego?


R: Produtos em Braille no mercado e contas na linguagem.

25) Qual meio de comunicação você mais utiliza?


R: Rádio.

26) Com que freqüência escuta radio, TV, internet?


R: A rádio fica o dia inteiro ligada, até quando dorme. TV um pouco todo dia e
internet nunca. Não tenho computador.
81

27) Quais programas de sua preferência (de TV, rádio, qualquer forma de
mídia)?
R: Na rádio CBN, na TV jornal nacional, alguma novela e programa do Gilberto
Barros na Bandeirantes.

28) A mídia o ajuda a encontrar ou informar sobre produtos ou serviços de seu


interesse, ou necessidade? Quais?
R: Não muito. Não tem nada especialmente para nós.

29) A mídia facilita o seu dia a dia? Como ou de que forma?


R: Mais para entretenimento.

30) O que mais gosta da mídia?


R: Passar o tempo, e ouvir o noticiário.

31) Alguma propaganda lembrada? (Que tenha marcado ou apenas lhe venha a
mente por algo em especial?)
R: Uma da SKOL recente, que tem cachorrinho.

32) Sua opinião perante a forma com a qual a sociedade lida com a deficiência
visual?
R: É um problema sério, não ligam para gente, andar no centro é difícil por causa
das barreiras, como orelhão, placas, pessoas deitadas nas ruas, que ficam bravos
porque nos esbarramos neles. Tentei fazer baixo assinado para melhorar as
barreiras que se encontram nas ruas, mas poucos quiseram assinar.

33) Como a sociedade e/ou organizações poderiam colaborar mais com os


cegos?
R: Mudança dos lugares das placas, orelhão, os carrinheiros também atrapalham
bastante.

34) Em sua opinião faltam opções de lazer e oportunidade de trabalho para o


cego?
R: Lazer não tanto, pois cada um dá um jeito de ter lazer. Mas trabalho falta muito.
Não tem muito trabalho especializado para cego.

Entrevistado nº5.

01) Nome completo?


R: E. L. B. S.

02) Idade/data de nascimento?


R: 25 anos. 17/02/82

03) Sexo?
() Feminino
(*) Masculino

04) Estado Civil?


(*) Solteiro (A)
82

() Casado (A)
() Divorciado (A)
() Viúvo (A)

05) Filhos?
(*) Não
() Sim, moram comigo.
() Sim, não moram comigo.

06) Há quanto tempo não enxerga?


R: 12 anos

07) Causa da deficiência?


R: bloqueio no nervo ótico.

08) Nível escolar?


() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) completo
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) completo
() Ensino médio (Primeiro ano) cursando
() Ensino médio (Segundo ano) cursando
() Ensino médio (Terceiro ano) cursando
(*) Ensino médio (Concluído)
() Ensino superior (Concluído)
() Ensino superior (Cursando)
() Ensino superior (Incompleto)

09) Qual é sua Profissão?


() Estudante
() Estagiário (A), (em que?)
R:
() Empregado(A), (Em que?)
R:
() Funcionário público (A), (Em que área?)
R:
(*) Trabalha por conta própria (Informal), (Com o que?)
R: Massoterapia.
() Alguma outra atividade a nível profissional? Qual?
R:

10) Profissão dos pais ou responsáveis?


R: Eu sou responsável por mim.

11) Renda aproximada sua ou da sua família (caso não trabalhe)?


R: 380 reais.

12) Há quanto tempo está nessa função?


R: 4 anos.
83

13) Gostaria de estar trabalhando em outra profissão? E se sim, qual?


R: Psicopedagogia

14) Se não trabalha, no que gostaria de trabalhar?


R: -

15) Com o que mais gasta?


R: Informática

16) Com qual freqüência vai ao supermercado?


( ) Sempre que pode evita ir, (Por alguma relação com o fato da deficiência?)
R:
( ) Sempre que pode evita ir, (Alguma razão de acessibilidade não direta
a deficiência?)
R:
() Vai acompanhado de alguém para auxiliar, (Em que é o auxílio?)
R:
(*) Vai normalmente sozinho. Consegue se virar pelo mercado, mesmo, sem
problemas maiores. (Como faz isto?)
R: Vou a um mercado onde me atendam bem, aí peço ajuda sobre o que quero e já
está.
() Vai com freqüência comprando o que pode se virar sozinho(a), deixando para ir
numa freqüência mais espaçada de tempo, com alguém de sua confiança a lhe
acompanhar para orientar em suas dificuldades?)
R:
() Não vai terminantemente ao mercado, tem como pedir a alguém para fazer as
compras para você, e acerta de, pois com a pessoa. (Quem? Parente, Amigo,
Conhecido, Vizinho?)
R:

17) E ao shopping ou lojas?


() Frequentemente
(*) Ocasionalmente
() Raramente
() Sempre que pode ir, vai
() Só vai por necessidade
*Em qualquer das alternativas, vai sozinho, ou acompanhado, por lazer ou
dificuldade de acessibilidade pela deficiência?
R: Tanto faz, vai depender de meu objetivo, se eu for por lazer vou acompanhado,
mesmo porque não tem graça para mim se divertir sozinho. Agora se vou para outra
finalidade que não seja lazer então normalmente vou só.

18) Quem o acompanha ou ajuda?


() Em geral amigos
() Em geral parentes
() Em geral vizinhos de confiança e convivência
(*) Outro, (Quem?)
R: Deus

19) Onde mais gosta de comprar? Por quê?


84

() Shopping
() Mercado
() Lojas especializadas, (Que tipo de loja?)
(*) Estabelecimentos não convencionais como Livrarias, Bancas de revistas, Lojas
de artigos especializados em alguma cultura ou esporte, etc?)
() O que realmente gosta de comprar só acha em ocasiões especiais e não comuns
do dia a dia
() Compras de lazer comum do dia a dia, como lanchonetes e etc,( se tem algo em
especifico, o que?)
R: Gosto de comprar artigos de informática
() Alguma alternativa não listada, (Qual?)
R:

20) Quais marcas de produtos você lembra?


R: -

21) Sonho de consumo?


R: -

22) Principal forma de lazer?


R: Passeios por bosques e parques naturais.

23) O que gostaria de fazer nos fins de semana, mas não faz por falta de
dinheiro ou de oportunidade?
R: -

24) Alguma sugestão de produto ou serviço voltado para o público cego?


R: Propaganda onde mostram a acessibilidade em sua parte funcional, instruções
sobre esta, informação.

25) Qual meio de comunicação você mais utiliza?


R: Internet.

26) Com que freqüência escuta radio, TV, internet?


R: Máxima.

27) Quais programas de sua preferência (de TV, rádio, qualquer forma de
mídia)?
R: Noticiários.

28) A mídia o ajuda a encontrar ou informar sobre produtos ou serviços de seu


interesse, ou necessidade? Quais?
R: Todos

29) A mídia facilita o seu dia a dia? Como ou de que forma?


R: -

30) O que mais gosta da mídia?


R: -
85

31) Alguma propaganda lembrada? (Que tenha marcado ou apenas lhe


venha à mente por algo em especial?)
R:-

32) Sua opinião perante a forma com a qual a sociedade lida com a deficiência
visual?
R: Cheia de preconceito.

33) Como a sociedade e/ou organizações poderiam colaborar mais com os


cegos?
R: Se informando sobre nossa realidade. Teve também uma novela, a América na
qual havia dois deficientes visuais, o Jatobá e uma menininha cega. Por incrível que
pareça, depois dessa novela, muitas portas começaram a abrir para nós deficientes
visuais, pois o Brasileiro é muito influenciável pela mídia e depois dessa novela,
apesar de que dentro de nossa realidade verdadeira, a novela deixou muito a
desejar, o povo começou a ver nossa capacidade como ser humano. Sei lá, Danusa,
der repente, se fosse desenvolvidos propagandas utilizando deficientes visuais,
onde mostra a capacidade destes, e como funciona a vida deles, que não somos
criaturas de outro mundo, como
muitos fazem parecer.

34) Em sua opinião faltam opções de lazer e oportunidade de trabalho para o


cego?
R: Acessibilidade é o que falta, tornar o que já existe mais acessível, não só a nível
material como também a nível psicológico, a sociedade torna as coisas inacessíveis
para nós com seus preconceitos e falta de informações.

Entrevistado nº6.

01) Nome completo?


R: A. S. B.

02) Idade/data de nascimento?


R: 21 anos/11/11/85

03) Sexo?
() Feminino
(*) Masculino

04) Estado Civil?


(*) Solteiro (A)
() Casado (A)
() Divorciado (A)
() Viúvo (A)

05) Filhos?
(*) Não
() Sim, moram comigo.
() Sim, não moram comigo.
86

06) Há quanto tempo não enxerga?


R: Desde quando nasci.

07) Causa da deficiência?


R: Degeneração da retina.

08) Nível escolar?


() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) completo
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) completo
() Ensino médio (Primeiro ano) cursando
() Ensino médio (Segundo ano) cursando
() Ensino médio (Terceiro ano) cursando
(*) Ensino médio (Concluído)
() Ensino superior (Concluído)
() Ensino superior (Cursando)
() Ensino superior (Incompleto)

09) Qual é sua Profissão?


(*) Estudante
() Estagiário(A), (em que?)
R:
() Empregado(A), (Em que?)
R:
() Funcionário publico (A), (Em que área?)
R:
() Trabalha por conta própria (Informal), (Com o que?)
R:
() Alguma outra atividade a nível profissional? Qual?
R:

10) Profissão dos pais ou responsáveis?


R: Minha mãe é empregada doméstica, meu pai está desempregado

11) Renda aproximada sua ou da sua família (caso não trabalhe)?


R: Um salário mínimo

12) Há quanto tempo está nessa função?


R: -

13) Gostaria de estar trabalhando em outra profissão? E se sim, qual?


R: -

14) Se não trabalha, no que gostaria de trabalhar?


R: Como repórter esportivo ou professor de língua portuguesa.

15) Com o que mais gasta?


R: Equipamentos de informática.
87

16) Com qual freqüência vai ao supermercado?


( ) Sempre que pode evita ir, (Por alguma relação com o fato da deficiência?)
R:
( ) Sempre que pode evita ir, (Alguma razão de acessibilidade não direta
a deficiência?)
R:
(*) Vai acompanhado de alguém para auxiliar, (Em que é o auxílio?)
R: Na escolha de bons produtos
() Vai normalmente sozinho, (Consegue se virar pelo mercado, mesmo, sem
problemas maiores. (Como faz isto?)
R:
() Vai com freqüência comprando o que pode se virar sozinho(a), deixando
para ir numa freqüência mais espaçada de tempo, com alguém de sua
confiança a lhe acompanhar para orientar em suas dificuldades?)
R:
() Não vai terminantemente ao mercado, tem como pedir a alguém para
fazer as compras para você, e acerta de pois com a pessoa. (Quem?
Parente, Amigo, Conhecido, Vizinho?)
R:

17) E ao shopping ou lojas?


() Frequentemente
(*) Ocasionalmente
() Raramente
()Sempre que pode ir, vai
() Só vai por necessidade
*Em qualquer das alternativas, vai sozinho, ou acompanhado, por lazer ou
dificuldade de acessibilidade pela deficiência?
R: Lazer.

18) Quem o acompanha ou ajuda?


(*) Em geral amigos
() Em geral parentes
() Em geral visinhos de confiança e convivência
() Outro, (Quem?)
R:

19) Onde mais gosta de comprar? Por quê?


(*) Shopping, porque é um local que utilizo para diversão e compras de
equipamentos de informática
() Mercado
(*) Lojas especializadas, (Que tipo de loja?) Informática, porque
utilizo muito essas ferramentas em meu cotidiano
() Estabelecimentos não convencionais como Livrarias, Bancas de
revistas, Lojas de artigos especializados em alguma cultura ou esporte, etc?)
() O que realmente gosta de comprar só acha em ocasiões especiais e não
comuns do dia a dia
(*) Compras de lazer comum do dia a dia, como lanchonetes e etc,( se tem
algo em especifico, o que?)
R: Sorvete
88

() Alguma alternativa não listada, (Qual?)


R:

20) Quais marcas de produtos você lembra?


R: Lembro de marcas de produtos de informática.

21) Sonho de consumo?


R: Um celular com sintetizador de voz.

22) Principal forma de lazer?


R: Encontro no bar com os amigos.

23) O que gostaria de fazer nos fins de semana, mas não faz por falta de
dinheiro ou de oportunidade?
R: Viajar para um sítio, esfriar a cabeça, tirar a tensão da semana.

24) Alguma sugestão de produto ou serviço voltado para o público cego?


R: Mp3 da marca merlin, além de ter um bom áudio, é a marca que dura
mais.

25) Qual meio de comunicação você mais utiliza?


R: Internet.

26) Com que freqüência escuta radio, TV, internet?


R: Frequentemente.

27) Quais programas de sua preferência (de TV, rádio, qualquer forma de
mídia)?
R: Os programas esportivos.

28) A mídia o ajuda a encontrar ou informar sobre produtos ou serviços


de seu interesse, ou necessidade? Quais?
R: Sempre que sei de produtos de meu interesse, sei por meio de amigos.

29) A mídia facilita o seu dia a dia? Como ou de que forma?


R: Nem tanto.

30) O que mais gosta da mídia?


R: Os programas esportivos.

31) Alguma propaganda lembrada? (Que tenha marcado ou apenas lhe venha a
mente por algo em especial?)
R: No momento nenhuma

32) Sua opinião perante a forma com a qual a sociedade lida com a deficiência
visual?
R: A sociedade nos trata com muita pena, acham que não somos capazes de
ascender social, cultural, política e economicamente.
89

33) Como a sociedade e/ou organizações poderiam colaborar mais com os


cegos?
R: Lutando por melhorias nas escolas e universidades públicas.

34) Em sua opinião faltam opções de lazer e oportunidade de trabalho para o


cego?
R: O cego é capaz de realizar bons trabalhos, faltam maiores oportunidades nos
campos onde a remuneração é melhor, só nos dão oportunidades, na maioria das
vezes, de realizar trabalhos simples e de má remuneração.

Entrevistado nº. 7

01) Nome completo?


R: L. V. M.

02) Idade/data de nascimento?


R: 27 anos, 23/07/1979

03) Sexo?
(*) Feminino
() Masculino

04) Estado Civil?


(*) Solteiro (A)
() Casado (A)
() Divorciado (A)
() Viúvo (A)

05) Filhos?
(*) Não
() Sim, moram comigo.
() Sim, não moram comigo.

06) Há quanto tempo não enxerga?


R: Desde os 16 anos

07) Causa da deficiência?


R: Glaucoma.

08) Nível escolar?


() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) completo
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) completo
() Ensino médio (Primeiro ano) cursando
() Ensino médio (Segundo ano) cursando
() Ensino médio (Terceiro ano) cursando
() Ensino médio (Concluído)
(*) Ensino superior (Concluído)
() Ensino superior (Cursando)
90

() Ensino superior (Incompleto)

09) Qual é sua Profissão?


(*) Estudante
() Estagiário (A), (em que?)
R: Curso mestrado em Ciências Sociais e minha pesquisa, também, é sobre a
pessoa com deficiência no mercado de trabalho formal.
() Empregado (A), (Em que?)
R: Não trabalho
() Funcionário público (A), (Em que área?)
R:
() Trabalha por conta própria (Informal), (Com o que?)
R:
() Alguma outra atividade a nível profissional? Qual?
R:

10) Profissão dos pais ou responsáveis?


R: Minha mãe é vendedora de loja de tecido

11) Renda aproximada sua ou da sua família (caso não trabalhe)?


R: 2 salários mínimos

12) Há quanto tempo está nessa função?


R: Estou no mestrado há um ano e meio

13) Gostaria de estar trabalhando em outra profissão? E se sim, qual?


R:-

14) Se não trabalha, no que gostaria de trabalhar?


R: Quando concluir o mestrado, tentarei concursos públicos em órgãos federais para
socióloga.

15) Com o que mais gasta?


R: Com xérox no mestrado.

16) Com qual freqüência vai ao supermercado?


() Sempre que pode evita ir, (Por alguma relação com o fato da deficiência?)
R: Adoro mercado
( ) Sempre que pode evita ir, (Alguma razão de acessibilidade não direta
a deficiência?)
R:
() Vai acompanhado de alguém para auxiliar, (Em que é o auxílio?)
R:
(*) Vai normalmente sozinho, (Consegue se virar pelo mercado, mesmo, sem
problemas maiores. (Como faz isto?)
R: Solicitando ajuda de algum vendedor
() Vai com freqüência comprando o que pode se virar sozinho(a), deixando para ir
numa freqüência mais espaçada de tempo, com alguém de sua confiança a lhe
acompanhar para orientar em suas dificuldades?)
R:
91

() Não vai terminantemente ao mercado, tem como pedir a alguém para fazer as
compras para você, e acerta de pois com a pessoa. (Quem? Parente, Amigo,
Conhecido, Vizinho?)
R:

17) E ao shopping ou lojas?


() Frequentemente
(*) Ocasionalmente
() Raramente
() Sempre que pode ir, vai
() Só vai por necessidade
*Em qualquer das alternativas, vai sozinho, ou acompanhado, por lazer ou
dificuldade de acessibilidade pela deficiência?
R: Só vou com companhia se esta for por motivos alheios às compras

18) Quem o acompanha ou ajuda?


() Em geral amigos
() Em geral parentes
() Em geral vizinhos de confiança e convivência
() Outro, (Quem?)
R:

19) Onde mais gosta de comprar? Por quê?


() Shopping
(*) Mercado
() Lojas especializadas, (Que tipo de loja?)
() Estabelecimentos não convencionais como Livrarias, Bancas de
revistas, Lojas de artigos especializados em alguma cultura ou esporte, etc?)
() O que realmente gosta de comprar só acha em ocasiões especiais e não
comuns do dia a dia
() Compras de lazer comum do dia a dia, como lanchonetes e etc,( se tem
algo em especifico, o que?)
R:
() Alguma alternativa não listada, (Qual?)
R:

20) Quais marcas de produtos você lembra?


R: Omo e Bombril.

21) Sonho de consumo?


R: Não.

22) Principal forma de lazer?


R: Ler em casa.

23) O que gostaria de fazer nos fins de semana, mas não faz por falta de
dinheiro ou de oportunidade?
R: Ir a show de música clássica.

24) Alguma sugestão de produto ou serviço voltado para o público cego?


92

R: Celular com sintetizador de voz.

25) Qual meio de comunicação você mais utiliza?


R: O computador e o celular.

26) Com que freqüência escuta radio, TV, internet?


R: Mais a internet.

27) Quais programas de sua preferência (de TV, rádio, qualquer forma de
mídia)?
R: Jornal e documentários.

28) A mídia o ajuda a encontrar ou informar sobre produtos ou serviços de seu


interesse, ou necessidade? Quais?
R: A mídia pouco ajuda, pois só trata o convencional.

29) A mídia facilita o seu dia a dia? Como ou de que forma?


R: Pouco.

30) O que mais gosta da mídia?


R: Somente os debates da rede cultura, fora os jornais e documentários.

31) Alguma propaganda lembrada? (Que tenha marcado ou apenas lhe venha à
mente por algo em especial?)
R: A do Bombril.

32) Sua opinião perante a forma com a qual a sociedade lida com a deficiência
visual?
R: Depende do que você chama de sociedade. Cada espaço social tem sua forma
peculiar de tratamento. A escola, por exemplo, é mais acessível do que empresas
privadas, quando procuradas para "dar" emprego.

33) Como a sociedade e/ou organizações poderiam colaborar mais com os


cegos?
R: Tornando seus espaços e recursos ligados à instrução mais acessíveis.

34) Em sua opinião faltam opções de lazer e oportunidade de trabalho para o


cego?
R: Vejam as estatísticas. O cego é o terceiro, em tipos de deficiências, a ocupar
vagas no mercado de trabalho. Ele só tem mais oportunidade do que os chamados
deficientes mentais.

Entrevistado nº. 8

01) Nome completo?


R: L. T. O. S.

02) Idade/data de nascimento?


R: 19. 02/11/1987
93

03) Sexo?
() Feminino
(*) Masculino

04) Estado Civil?


(*) Solteiro (A)
() Casado (A)
() Divorciado (A)
() Viúvo (A)

05) Filhos?
(*) Não
() Sim, moram comigo.
() Sim, não moram comigo.

06) Há quanto tempo não enxerga?


R: Não enxergo há 15 anos.

07) Causa da deficiência?


R: Atrofia do nervo óptico causada por um crânio faringioma.

08) Nível escolar?


() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) completo
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) completo
() Ensino médio (Primeiro ano) cursando
() Ensino médio (Segundo ano) cursando
() Ensino médio (Terceiro ano) cursando
(*) Ensino médio (Concluído)
() Ensino superior (Concluído)
() Ensino superior (Cursando)
() Ensino superior (Incompleto)

09) Qual é sua Profissão?


(*) Estudante
() Estagiário (A), (em que?)
R:
() Empregado (A), (Em que?)
R:
() Funcionário público (A), (Em que área?)
R:
() Trabalha por conta própria (Informal), (Com o que?)
R:
() Alguma outra atividade a nível profissional? Qual?
R: Monitor de aulas de história.

10) Profissão dos pais ou responsáveis?


R: Mãe professora de matemática, fora da ativa. Pai bancário.
94

11) Renda aproximada sua ou da sua família (caso não trabalhe)?


R: 1000 reais.

12) Há quanto tempo está nessa função?


R: 6 meses.

13) Gostaria de estar trabalhando em outra profissão? E se sim, qual?


R: Não.

14) Se não trabalha, no que gostaria de trabalhar?


R: -

15) Com o que mais gasta?


R: Livros, cinema, locação de filmes.

16) Com qual freqüência vai ao supermercado?


( ) Sempre que pode evita ir, (Por alguma relação com o fato da deficiência?)
R:
( ) Sempre que pode evita ir, (Alguma razão de acessibilidade não direta
a deficiência?)
R:
() Vai acompanhado de alguém para auxiliar, (Em que é o auxílio?)
R:
() Vai normalmente sozinho, (Consegue se virar pelo mercado, mesmo, sem
problemas maiores. (Como faz isto?)
R:
() Vai com freqüência comprando o que pode se virar sozinho(a), deixando para ir
numa freqüência mais espaçada de tempo, com alguém de sua confiança a lhe
acompanhar para orientar em suas dificuldades?)
R:
() Não vai terminantemente ao mercado, tem como pedir a alguém para fazer as
compras para você, e acerta de, pois com a pessoa. (Quem? Parente, Amigo,
Conhecido, Vizinho?)
R:

17) E ao shopping ou lojas?


() Frequentemente
() Ocasionalmente
() Raramente
(*) Sempre que pode ir, vai.
() Só vai por necessidade
*Em qualquer das alternativas, vai sozinho, ou acompanhado, por lazer ou
dificuldade de acessibilidade pela deficiência?
R: Vou acompanhado, tanto pelo lazer como pela ajuda.

18) Quem o acompanha ou ajuda?


(*) Em geral amigos
() Em geral parentes
() Em geral vizinhos de confiança e convivência
() Outro, (Quem?)
95

R:

19) Onde mais gosta de comprar? Por quê?


(*) Shopping
() Mercado
() Lojas especializadas, (Que tipo de loja?)
(*) Estabelecimentos não convencionais como Livrarias, Bancas de revistas, Lojas
de artigos especializados em alguma cultura ou esporte, etc.?)
() O que realmente gosta de comprar só acha em ocasiões especiais e não comuns
do dia a dia
() Compras de lazer comum do dia a dia, como lanchonetes e etc.,( se tem algo em
especifico, o que?)
R:
() Alguma alternativa não listada, (Qual?)
R:

20) Quais marcas de produtos você lembra?


R: -

21) Sonho de consumo?


R: -

22) Principal forma de lazer?


R: Tenho algumas formas de lazer, e não consigo listar apenas uma. Conversar com
os amigos, ler livros, ir ao cinema e ao shopping com amigos, não necessariamente
nesta ordem.

23) O que gostaria de fazer nos fins de semana, mas não faz por falta de
dinheiro ou de oportunidade?
R: Viajar com maior freqüência, mas sem dinheiro não dá.

24) Alguma sugestão de produto ou serviço voltado para o público cego?


R: -

25) Qual meio de comunicação você mais utiliza?


R: Utilizo bastante à internet e alguns telejornais e rádio.

26) Com que freqüência escuta radio, TV, internet?


R: Internet e rádio são as que eu utilizo com maior freqüência.

27) Quais programas de sua preferência (de TV, rádio, qualquer forma de
mídia)?
R: Seriados policiais, investigativos, musicais e documentários.

28) A mídia o ajuda a encontrar ou informar sobre produtos ou serviços de seu


interesse, ou necessidade? Quais?
R: Ajuda para informar sobre filmes em cartaz.

29) A mídia facilita o seu dia a dia? Como ou de que forma?


R: Sim. Deixando-me mais informado com os jornais de rádio e TV.
96

30) O que mais gosta da mídia?


R: Boas informações.

31) Alguma propaganda lembrada? (Que tenha marcado ou apenas lhe venha à
mente por algo em especial?)
R: -

32) Sua opinião perante a forma com a qual a sociedade lida com a deficiência
visual?
R: Por a grande maioria da sociedade não conhecer o mundo dos deficientes visuais
e cegos, ela acaba não sabendo como lidar com nós.

33) Como a sociedade e/ou organizações poderiam colaborar mais com os


cegos?
R: Conhecendo mais a realidade dos cegos. Se informando de adaptações e formas
de como lidar melhor conosco.

34) Em sua opinião faltam opções de lazer e oportunidade de trabalho para o


cego?
R: Oportunidades de trabalho faltam com toda certeza. Mas esse ponto aos poucos
está mudando. Agora, lazer praticamente nada muda.

Entrevistado nº.9

01) Nome completo?


R: L. C. T.

02) Idade/data de nascimento?


R: 39 anos. 12/06/1968

03) Sexo?
() Feminino
(*) Masculino

04) Estado Civil?


() Solteiro (A)
(*) Casado (A)
() Divorciado (A)
() Viúvo (A)

05) Filhos?
() Não
(*) Sim, moram comigo.
() Sim, não moram comigo.

06) Há quanto tempo não enxerga?


R: Há 20 anos.

07) Causa da deficiência?


97

R: Descolamento da retina. Só vê claridade.

08) Nível escolar?


() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a quarta séries) completo
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava séries) completo
() Ensino médio (Primeiro ano) cursando
() Ensino médio (Segundo ano) cursando
() Ensino médio (Terceiro ano) cursando
() Ensino médio (Concluído)
(*) Ensino superior (Concluído)
() Ensino superior (Cursando)
() Ensino superior (Incompleto)

R: Formado em Direito e História e magistério superior.

09) Qual é sua Profissão?


() Estudante
() Estagiário (a), (em que?)
R:
() Empregado (a), (Em que?)
R:
(*) Funcionário público (a), (Em que área?)
R: Professor concursado.

() Trabalha por conta própria (Informal), (Com o que?)


R:
(*) Alguma outra atividade a nível profissional? Qual?
R: Advogado no Instituto Paranaense dos Cegos.

10) Profissão dos pais ou responsáveis?


R:-

11) Renda aproximada sua ou da sua família (caso não trabalhe)?


R: R$ 1.800,00.

12) Há quanto tempo está nessa função?


R: 9 anos.

13) Gostaria de estar trabalhando em outra profissão? E se sim, qual?


R: Não.

14) Se não trabalha, no que gostaria de trabalhar?


R: -

15) Com o que mais gasta?


R: Com educação: livros, cursos, faculdade.

16) Com qual freqüência vai ao supermercado?


98

(*) Sempre que pode evita ir, (Por alguma relação com o fato da deficiência?)
R: Não gosto de ir, mas vou toda a semana.
( ) Sempre que pode evita ir, (Alguma razão de acessibilidade não direta
a deficiência?)
R:
() Vai acompanhado de alguém para auxiliar, (Em que é o auxílio?)
R:
() Vai normalmente sozinho, (Consegue se virar pelo mercado, mesmo, sem
problemas maiores. (Como faz isto?)
R:
() Vai com freqüência comprando o que pode se virar sozinho(a), deixando para ir
numa freqüência mais espaçada de tempo, com alguém de sua confiança a lhe
acompanhar para orientar em suas dificuldades?)
R:
() Não vai terminantemente ao mercado, tem como pedir a alguém para fazer as
compras para você, e acerta de, pois com a pessoa. (Quem? Parente, Amigo,
Conhecido, Vizinho?)
R:

17) E ao shopping ou lojas?


() Frequentemente
(*) Ocasionalmente
() Raramente
() Sempre que pode ir, vai
() Só vai por necessidade
*Em qualquer das alternativas, vai sozinho, ou acompanhado, por lazer ou
dificuldade de acessibilidade pela deficiência?
R: Acompanhado da esposa.

18) Quem o acompanha ou ajuda?


() Em geral amigos
() Em geral parentes
() Em geral vizinhos de confiança e convivência
(*) Outro, (Quem?)
R: Esposa (não dv)

19) Onde mais gosta de comprar? Por quê?


() Shopping
() Mercado
(*) Lojas especializadas, (Que tipo de loja?)
() Estabelecimentos não convencionais como Livrarias, Bancas de revistas, Lojas de
artigos especializados em alguma cultura ou esporte, etc?)
() O que realmente gosta de comprar só acha em ocasiões especiais e não comuns
do dia a dia
() Compras de lazer comum do dia a dia, como lanchonetes e etc,( se tem algo em
especifico, o que?)
R: Lojas especializadas, pois já sei o que quero e sei que lá poderei encontrar.
() Alguma alternativa não listada, (Qual?)
R:
99

20) Quais marcas de produtos você lembra?


R: Meymalhas.

21) Sonho de consumo?


R: Uma casa nova.

22) Principal forma de lazer?


R: Nadar e cozinhar.

23) O que gostaria de fazer nos fins de semana, mas não faz por falta de
dinheiro ou de oportunidade?
R: Viajar para vários lugares: Itália, países africanos, Irã.

24) Alguma sugestão de produto ou serviço voltado para o público cego?


R: Mais livros adaptados.

25) Qual meio de comunicação você mais utiliza?


R: Telefone.

26) Com que freqüência escuta radio, TV, internet?


R: Todo dia utilizo um pouco. Tanto rádio, quanto TV e internet.

27) Quais programas de sua preferência (de TV, rádio, qualquer forma de
mídia)?
R: CBN, Rádio Globo, Rádio Paraná e programas de auditório na TV.

28) A mídia o ajuda a encontrar ou informar sobre produtos ou serviços de seu


interesse, ou necessidade? Quais?
R: A rádio CBN revolucionou, antes não tinha como se informar no Paraná,
informações e programas de qualidade. A imprensa de Curitiba em geral é muito
ruim.

29) A mídia facilita o seu dia a dia? Como ou de que forma?


R: Sim. Informar e despertar o senso crítico.

30) O que mais gosta da mídia?


R: Entrevistas e debates, quando têm.

31) Alguma propaganda lembrada? (Que tenha marcado ou apenas lhe venha a
mente por algo em especial?)
R: Tinha uma chamada na CBN de meia em meia hora, o “Repórter Esso”, passa em
várias rádios também, começou no Canal 12 anos 60, 70. Na TV uma de margarina
que tinha uns meninos pelados não lembro a marca e os comerciais da Bombril
também.

32) Sua opinião perante a forma com a qual a sociedade lida com a deficiência
visual?
R: A questão é cultural, as pessoas fazem uma imagem ruim e negativa dos cegos.
100

33) Como a sociedade e/ou organizações poderiam colaborar mais com os


cegos?
R: Trabalhar informando a sociedade. Melhorar a estrutura física, ter professores
preparados para receber e ensinar os cegos, as pessoas têm imagem errada do
cego, de coitadinho de revoltado. O Governo poderia se dedicar mais, a TV
Educativa poderia prestar informações corretas.

34) Em sua opinião faltam opções de lazer e oportunidade de trabalho para o


cego?
R: Falta, para as minorias falta tudo. Não tem lazer sem dinheiro, e se for fazer algo
como passear, falta adaptação e as pessoas tratam os cegos como coitados e isso
nos inibem a sair de casa. O sistema econômico é capitalista, não tem emprego nem
para quem enxerga.

Entrevistado nº. 10

01) Nome completo?


R: G.M.S

02) Idade/data de nascimento?


R: 21 anos-10/09/1985

03) Sexo?
(*) Feminino
() Masculino

04) Estado Civil?


(*) Solteiro (A)
() Casado (A)
() Divorciado (A)
() Viúvo (A)

05) Filhos?
(*) Não
() Sim, moram comigo.
() Sim, não moram comigo.

06) Há quanto tempo não enxerga?


R: Deficiência parcial: 4 anos, total: 1 ano.

07) Causa da deficiência?


R: Parcial: ceratocone, total: glaucoma.

08) Nível escolar?


() Ensino fundamental (Primeira a quarta série) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a quarta série) completo
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava série) incompleto
() Ensino fundamental (Primeira a Oitava série) completo
() Ensino médio (Primeiro ano) cursando
() Ensino médio (Segundo ano) cursando
101

() Ensino médio (Terceiro ano) cursando


() Ensino médio (Concluído)
() Ensino superior (Concluído)
(*) Ensino superior (Cursando)
() Ensino superior (Incompleto)

09) Qual é sua Profissão?


() Estudante
() Estagiário (A), (em que?)
R:
(*) Empregado(A), (Em que?)
R: Assistente administrativo (Copel/CLT)
() Funcionário público (A), (Em que área?)
R:
() Trabalha por conta própria (Informal), (Com o que?)
R:

() Alguma outra atividade a nível profissional? Qual?


R: -

10) Profissão dos pais ou responsáveis?


R: Comerciantes/autônomos.

11) Renda aproximada sua ou da sua família (caso não trabalhe)?


R: R$800,00

12) Há quanto tempo está nessa função?


R: 1 ano e 4 meses.

13) Gostaria de estar trabalhando em outra profissão? E se sim, qual?


R: Não.

14) Se não trabalha, no que gostaria de trabalhar?


R: -

15) Com o que mais gasta?


R: Médicos e remédios.

16) Com qual freqüência vai ao supermercado?


( ) Sempre que pode evita ir, (Por alguma relação com o fato da
deficiência?)
R:
( ) Sempre que pode evita ir, (Alguma razão de acessibilidade não direta a
deficiência?)
R:
(*) Vai acompanhado de alguém para auxiliar, (Em que é o auxílio?)
R: Quem vai comigo procura o que compramos.
() Vai normalmente sozinho, (Consegue se virar pelo mercado, mesmo, sem
problemas maiores. (Como faz isto?)
R:
() Vai com freqüência comprando o que pode se virar sozinho(a), deixando
102

para ir numa freqüência mais espaçada de tempo, com alguém de sua confiança
a lhe acompanhar para orientar em suas dificuldades?)
R:
() Não vai terminantemente ao mercado, tem como pedir a alguém para fazer
as compras para você, e acerta de pois com a pessoa. (Quem? Parente, Amigo,
Conhecido, Vizinho?)
R:

17) E ao shopping ou lojas?


() Frequentemente
() Ocasionalmente
() Raramente
(*) Sempre que pode ir, vai
() Só vai por necessidade
*Em qualquer das alternativas, vai sozinho, ou acompanhado, por lazer ou
dificuldade de acessibilidade pela deficiência?
R: Sozinha ou acompanhada, com ou sem dificuldade.

18) Quem o acompanha ou ajuda?


(*) Em geral amigos
(*) Em geral parentes
() Em geral vizinhos de confiança e convivência
(*) Outro, (Quem?)
R: Funcionários do local de compra.

19) Onde mais gosta de comprar? Por quê?


(*) Shopping
(*) Mercado
() Lojas especializadas, (Que tipo de loja?)
() Estabelecimentos não convencionais como Livrarias, Bancas de revistas,
Lojas de artigos especializados em alguma cultura ou esporte, etc?)
() O que realmente gosta de comprar só acha em ocasiões especiais e não
comuns do dia a dia
(*) Compras de lazer comum do dia a dia, como lanchonetes e etc.,( se tem
algo em especifico, o que?)
R:
(*) Alguma alternativa não listada, (Qual?)
R: Parques temáticos e aquáticos, clubes, praças, parques naturais (também
tem coisa pra comprar lá), baladas, shows.

20) Quais marcas de produtos você lembra?

R: Aiwa, Ipod, Semp Toshiba, HPm Aple, Intel, Panasonic, AMD, Asus, Acer, Positivo,
Siemens. Carros: Wolksvagem, Audi, Reno, Bosh, Fiat. Comida: Sadia, Perdigão,
Lamiete, Nescafé, Damasco, Nestle, Catupiri, Manteiga Viação, Moça, Nescau,
Missin, Bauduco, Batavo, Danete, Ninho, Parmalat. Delivery: McDonalds, Habib's,
Subway, The Sub's, China in Box. Restaurantes: os deliverys, Bob's, Girafas, Gril
Brasil, Come Come, Karina's. Supermercado: Jacomar, Mercadorama, Wal Mart, Big,
Condor. roupa, acessórios e calçados: Havaianas.

21) Sonho de consumo?


103

R: Notebook 12" da hp, core 2 duo 1,6.

22) Principal forma de lazer?


R: Shopping e shows.

23) O que gostaria de fazer nos fins de semana, mas não faz por falta de
dinheiro ou de oportunidade?
R: Escaladas, salto de bunge jump e pára-quedas.

24) Alguma sugestão de produto ou serviço voltado para o público cego?


R: Shows, pra nós a maioria é de graça.

25) Qual meio de comunicação você mais utiliza?


R: Telefone, e-mail, MSN, Orkut.

26) Com que freqüência escuta radio, TV, internet?


R: O tempo todo.

27) Quais programas de sua preferência (de TV, rádio, qualquer forma de
mídia)?
R: Jornais por necessidade, comédia por preferência.

28) A mídia o ajuda a encontrar ou informar sobre produtos ou serviços de seu


interesse, ou necessidade? Quais?
R: sim, qualquer tipo de jornal, a internet principalmente.

29) A mídia facilita o seu dia a dia? Como ou de que forma?


R: Sim, com informações novas a respeito de descobertas.

30) O que mais gosta da mídia?


R: As novidades.

31) Alguma propaganda lembrada? (Que tenha marcado ou apenas lhe venha à
mente por algo em especial?)

R: Propagandas: McDonalds/"Dois hamburgers, alface, queijo, molho especial...";


Habib's/"Tantas esfihas, kibe e suco de laranja por tanto!!"; Nescau Cereal/"...
Nescau Cereal: o cereal radical...!"; Havaianas/Tem aquela da imitação, da sandália
de ponta cabeça, do cara que começa a falar das Havaianas da mulher dentro do
cinema, Clube Social//O cara fala a respeito da embalagem menor e a mulher acha
que é o biquíni de uma menina, tem outra que ele fala do novo sabor pizza e ela
acha que é do espartilho; Tênis/Na época das olimpíadas ou da copa houve
propagandas só com bolas, tem uma com jogadores de basquete, som de garagem
de tênis e uma batida meio trance no fundo, tem a de vários jogadores de futebol
nos mesmos moldes, e também uma outra muito legal só com o Ronaldinho Gaúcho
e um sambão nervoso no fundo; Outros calçados femininos.

32) Sua opinião perante a forma com a qual a sociedade lida com a deficiência
visual?

R: Não lida, esconde.


104

33) Como a sociedade e/ou organizações poderiam colaborar mais com os


cegos?

R: Encarando a acessibilidade mais como inclusão e menos como especificação.


Ninguém, tanto cegos como cadeirantes, negros, mulçumanos, estrangeiros e outras
minorias (estou me referindo ao Brasil), espera em sã consciência que a sociedade
de repente abra os braços como uma mãe solidária e nos acolha. Uma sociedade
sem preconceitos só existe em sonhos. Mas, alguns itens são verificáveis com ou
sem boa vontade ou uma boa educação; infelizmente, devo salientar. Todo e
qualquer cidadão tem direito a educação, a provar suas habilidades intelectuais e
físicas, a amar, a errar, a se expor ao risco e a paixão, a cultura, a tentar ser um ser
humano como outro qualquer, podendo ou não. Uma vez estava assistindo a uma
entrevista da Lara Mara e ela comentou o seguinte "quando saio para ir até algum
lugar, não sei se vou chegar lá, não sei se vou me perder, mas quero ter o direito de
tentar chegar até lá, se não chegar vou saber que não cheguei porque não fui capaz
e não porque alguém me impediu", ela configurou perfeitamente a maior dificuldade
dos deficientes, nós não podemos tentar, os ditos normais não nos deixam.
Numa escola, se todos os alunos tem que aprender matemática, coloca o
cego que está lá no meio pra fazer informática e aprender a utilizar softwers de
sintetização de voz e usar o Windows, o Linux ou o Dos-Vox (sistema operacional
totalmente em áudio), se tem que fazer gráfico faz aquele cego aprender a usar o
multiplano (invenção extraordinariamente simples do professor Rubens de
Cascavel), se tem que ler pilhas e mais pilhas de livros, bota o folgado pra aprender
braile e ler até gastar o dedo. Se tem um cego que tem que viajar que vá aprender
orientação e mobilidade, e se você quer que a chegada dele seja rápida como a de
um vidente, coloque orientações em braile nas paredes, orientações no chão, tire os
obstáculos aéreos que a bengala não pega, quem já não bateu com a cara numa
placa? Dói pra caramba! Imagina só um presentinho desses todo maravilhoso e
lindo todo santo dia?! Quer ensinar a fazer manutenção de motores, montar
circuitos, montar mesas, quebra-cabeças, escalar (sim, tem cego subindo morro por
aí!), , fazer bonecos, manutenção de hardwers, pintar, moldar, furar, costurar, talhar?
Ensine-o tocando-o, pegando e deixando-o pegar também. Os cegos são capazes
de fazer qualquer coisa aprendível por explicação, que contenha em literatura, ele só
precisa ler: poder ler!
Se a escola em que ele estuda ou a empresa em que ele trabalha não tem
suporte filosófico e sistemático para comportar um deficiente por si só, o melhor a
fazer é colocar a criança ou o novo cego para ter jornada dupla e aprender a ser
cego e também ensinar a instituição a comportar um cego; procure ajuda, existem
vários grupos e profissionais que auxiliam essa situação.
Compreenda a diferença que eu estou tentando salientar para você: graças a
Deus, a deficiência não é uma coisa normal, segundo estatísticas meio por cento da
população da sociedade é cega, mas essa parcela existe e precisa ser considerada,
nós ainda somos pessoas com objetivos, objetivos de seres humanos, não de
cegos, queremos ensino e trabalho de seres humanos, não de cegos; encare a
cegueira como mais uma barreira, não como uma punição ou sentença final, é só
mais um problema, coisa que todo mundo tem, cada um na sua escala, um cego não
pode ver uma foto, mas pode compreender muito de uma imagem, a percepção
visual da imagem é tudo o que nos limita, antes de se convencer que aquele cego
em questão, aquele que trabalha com você, aquele seu colega de classe ou o seu
vizinho é um incapaz, tente conhecê-lo, se tem vontade; pode ser que ele seja um
105

nada mesmo, que tenha perdido toda a vontade de viver ou uma boa parte, mas
pode ser também que ele tenha muita coisa a oferecer. Como todo mundo, não é
mesmo? Dê a ele, a mim, o benefício da dúvida.

34) Em sua opinião faltam opções de lazer e oportunidade de trabalho para o


cego?
R: Sim.

APÊNDICE C

Transcrição das Entrevistas

Entrevista nº.1

O primeiro entrevistado foi um deficiente visual que respondeu às perguntas


através do MSN no dia 12 de maio. L.R tem 15 anos e está no 2º ano do Ensino
Médio, pretende fazer advocacia na UFPR. É deficiente visual desde os 4 anos de
idade devido ao nervo ótico atrofiado. L.R mora com os pais e um irmão. O pai é
policial federal e a mãe trabalha na Receita Federal, juntos têm como renda
aproximada R$ 7.000,00 ao mês. L.R evita ir ao supermercado, já que seus pais
fazem as compras. Já ao shopping, costuma ir sempre que pode, e geralmente vai
acompanhado de amigo. Ele gasta sua mesada quando sai com os amigos e indo a
shows. Costuma comprar em lojas de CD, quando precisa de ingresso para algum
show e Coca-Cola em lanchonete quando sai com os amigos.
Quando lhe foi perguntado sobre a primeira marca que vinha a mente, ele
respondeu: Adidas porque é confortável e bom e Coca-Cola que é bastante
marcante para ele, mas afirmou não ligar para marcas. Seu sonho de consumo é
uma espada. Como forma de lazer, ele costuma visitar os amigos, assim como
receber visitas em sua casa e também ir a shows. Se pudesse escolher algo para
fazer nas férias, L.R viajaria por aí visitando seus amigos de outros estados, tais
como: Rio de Janeiro e São Paulo, além de ir a eventos de anime, informática,
cultura japonesa, RPG. Como sugestão de produtos voltados para o deficiente
visual, L.R frisou como problema, os preços elevadíssimos, e não a falta deles em si.
Citou como exemplo, o celular: o programa para o celular falar e por volta de R$
500, 00, e mais o celular acessível que é o mais barato custa R$ 800,00.
Nas questões sobre a mídia, L.R constou a Internet como a mais utilizada por
ele, a Internet fez com que ele conseguisse se socializar com as pessoas, e utiliza
em torno de 4 horas diárias. A Internet também o ajuda bastante quando está
procurando algo para comprar, principalmente na busca por objetos exóticos,
miniaturas, modelos de arma em miniaturas. Já a rádio e a televisão ele diz não usar
muito. Na TV escuta mais os documentários do Discovery Channel e Globo
Repórter. Através da mídia ele fica sabendo de produtos novos divulgados nos
comerciais, os quais muitas vezes não compra de imediato, mas pode pensar em
futuramente obtê-los. O que mais L.R gosta na mídia são as inovações, que o
deixam impressionados e até mesmo faz com que ele pare para refletir. A
propaganda que mais o marcou foi a da tartaruga do chocolate Arcor e a da cerveja
que tem os siris. Por mais que ele não beba, considera estas propagandas bem
legais.
106

Com relação à atitude da sociedade diante dos deficientes visuais, L.R


respondeu que o principal problema, é que a grande maioria subestima a
capacidade deles. No geral, pela falta de informação ou por outro motivo que ele diz
desconhecer. Se existe um amigo junto com ele, as pessoas se dirigem ao amigo e
não a ele. Já perguntaram para ele, se estudava em escola normal, como usa o
computador, se assiste tv. L.R considera essas atitudes como pura falta de
informação. Citou também uma situação muito comum, que sempre ocorre com ele
quando sai de com um amigo. Geralmente no ônibus, perguntam para o amigo se
este era irmão do L.R, como se L.R não pudesse falar e como se os cegos não
possam ter amigos. E ao perguntar como a sociedade e/ou organizações poderiam
colaborar mais com os cegos, L.R declarou que apenas melhorando a estrutura.
Como, calçadas diferenciadas em volta dos orelhões para evitá-los com mais
facilidade, calçadas regulares, guias de sinalização em lugares de muito movimento
(como uma pequena mureta em linha reta para ser seguida). E na última pergunta,
sobre as opções de lazer e de trabalho para os deficientes visuais, L.R disse que
quanto ao lazer, não existe tanto problema, pois é só achar o que gosta e pode
conseguir facilmente e sempre vão existir opções, diz ainda que as “coisas”
especiais deixariam o cego mais distante das pessoas e indo aos mesmos lugares
que os videntes freqüentam, a adaptação e integração são melhores. Já quanto ao
trabalho ele crê que existem poucas oportunidades e só tendo uma boa preparação
para ter chances iguais.

Entrevista nº. 2

O segundo entrevistado, também via MSN, no dia 19 de maio, chama-se


C.E.S.B, tem 25 anos, e devido ao glaucoma perdeu totalmente a visão aos 19 anos.
Devido a complicações de saúde, não chegou a terminar o Ensino Médio, mas fez
vários cursos e teve duas experiências profissionais como voluntário: uma no centro
de informática do SESC e outra, em uma biblioteca auxiliando nas aulas de Origami.
Considerou a experiência gratificante, porém, muito desgastante. Os pais têm uma
empresa de telecomunicações, e o lucro mensal aproximado é em média R$
4.000,00. C.E.S.B gostaria de trabalhar no Japão, em projetos variados que
pudessem ajudar os deficientes visuais de várias partes do mundo, como por
exemplo, ajudar a revolucionar alguns conceitos tecnológicos de gerenciamento
para melhor desenvolvimento social no mundo.
O que ele mais consome são livros e materiais que o ajudem no
desenvolvimento da criatividade e da prática em qualquer área. E não costuma ir ao
supermercado e nem a lojas ou shoppings. Mas quando sai, geralmente é com
algum parente.
Ao perguntar sobre marcas, ele primeiramente citou uma empresa de
dublagem, a “Álamo”, pois dublava muitos seriados japoneses, depois citou a TV
Manchete pelo potencial que teve. E quanto à marcas em si, falou de marcas de
motos japonesas: Haya-Kusa, Honda, Suzuki, Yamaha, Kawasaki, e em termos de
tecnologia, Semp Toshiba, Creative, Apple. E seu sonho de consumo é uma
passagem de ida para o Japão.
Se ele pudesse escolher algo para fazer em seu tempo livre, gostaria de ter
dinheiro para fazer cursos e de forma que não interviesse no andamento da turma.
Quanto à sugestão de um produto para deficientes visuais, ele enfatizou a
mudança de mentalidade dos próprios deficientes. Segundo C.E.S.B, não tem como
107

sugerir um produto, se falta o essencial, a união da sociedade como um todo e a


igualdade entre todos os indivíduos.
Em se tratando de mídia, a mais utilizada por ele, é o Skype. A TV usa
pouco e rádio quase nunca. Usa a Internet mais como rádio, para ouvir músicas
orientais. Na televisão gosta de documentários, e do programa “visão oriental” que
passa na Band. Considera a mídia importante como fonte de informação de
produtos, mas que não faz muito o gosto dele. Uma propaganda que ele recorda é
dos bonecos dos Cavaleiros do Zodíaco.
E na opinião dele, o que a sociedade pode fazer para colaborar mais
com os deficientes visuais, é primeiramente melhor a educação junto à informação.
Além de respeitar as diferenças de cada ser humano. E para C.E.S.B, a integração
social deveria ser introduzida na educação das pessoas. E para ele, as opções de
emprego para os deficientes visuais já evoluiu bastante, mas ainda faltam
oportunidades e reconhecimento.

Entrevista nº. 3

A terceira entrevista foi por telefone com a E.B.S. Ela não tem acesso a
Internet por isso preferiu a que a entrevista fosse realizada por telefone. E. tem 42
anos, e não enxerga desde os 9 anos de idade devido ao atrofiamento do nervo
ótico. E. terminou o ensino médio e no momento não trabalha, mas já trabalhou
como telefonista na Associação Paraense de Reabilitação (APR), uma empresa
privada, mas que presta serviços para o Estado e massagista em uma clínica de
estética em Colombo, onde trabalhou durante 2 anos. A sua renda mensal
aproximada é de R$ 500,00.
Seus maiores gastos atualmente são com objetos para casa, pois se casou
recentemente. Costuma ir ao supermercado 1 vez por semena, com seu marido e
uma vez ao mês para compras grandes com algum parente. Já aos shoppings e
lojas, só quando é realmente necessário.
A marca mais lembrada por ela é a Nestlé. Seu sonho de consumo é um
celular LG F3, que fala e lê mensagem e um relógio em Braille social. Nos
momentos de lazer. E. gosta de passear em parque e o que gostaria de fazer, mas
não faz por falta de dinheiro, é uma viagem para Natal. Como sugestão de produtos
para deficientes visuais, E. sugere que as empresas alimentícias e as que fornecem
serviços como Sanepar, Copel e Telecom, deveriam fornecer as informações em
Braille.
Com relação aos meios de comunicação, a entrevistada ouve rádio
diariamente, prefere programas jornalísticos e evangélicos. Televisão apenas para
ouve jornal e novela e Internet não usa. A mídia a ajuda a obter informações sobre a
atualidade. E o que ela mais gosta da mídia é o fato de estar recebendo notícias,
aprendendo e como tem como passa tempo. O comercial mais lembrado por ela, é o
veiculado no dia das mães deste ano (2007), o qual uma neném fazia a narração.
A opinião de E. sobre a forma com a qual a sociedade lida com os deficientes
é que os meios de comunicação e o governo deveriam falar mais sobre a
deficiência, muitas pessoas costumam fazer comentários sobre a deficiência perto
dela, como se ela não estivesse escutando, fazendo com que ela se sinta inferior.
Para E., as pessoas poderiam colaborar mais se informando como se aproximar dos
deficientes e oferecerem mais ajuda.
108

E. afirma que faltam oportunidades de trabalho, pois tudo em muito


“visual”, e falta oportunidade de lazer, citou como exemplo os filmes, os quais
muitas cenas mantêm-se em silêncio, assim quem não enxerga, fica perdido.

Entrevista nº.4

O quarto entrevistado tem 51 anos, chama-se I.S.B (*), devido ao glaucoma


não enxerga desde os 20 anos de idade. Tem o ensino médio concluído e antes de
ter perdido a visão, trabalhava como servente em uma fábrica de palitos foi
aposentado por invalidez e hoje atua como massagista na Associação da Caixa
Econômica Federal. Gostaria de atuar como massagista formal, pois nesta
Associação, onde atua há 2 anos, ele não é contratado. Sua renda mensal é de
aproximadamente R$ 600,00. Seu maior gasto atualmente é com móveis para casa,
casou-se recentemente com Ana (a entrevistada anterior). Quando vai fazer
compras, costuma ir ao supermercado perto de casa, onde os funcionários o ajudam
bastante. Quando a compra é grande costuma ir com a esposa e o sogro ou
cunhado. E para outros tipos de compra, prefere lojas menores e que tenham preços
mais acessíveis.
A marca mais marcante para ele é a Philips. Seu sonho de consumo é poder
comprar um celular e um relógio social em Braille para a esposa. Se tivesse
oportunidade, I.S.B gostaria de ir ao Mato Grosso. Quanto a sugestão de algum
produto para cegos, o entrevistado sugeriu o mesmo que a esposa: produtos no
mercado com a linguagem em Braille assim como as contas, pois nunca sabem para
quem realmente é, e referente a que.
O meio de comunicação mais utilizado por I.S.B é a rádio, que fica ligado
durante o dia inteiro, até mesmo na hora de dormir. A TV ele escuta pouca e não tem
computador em casa para acessar a Internet. Na rádio, I.S.B gosta de ouvir jogos na
CBN, e na televisão, alguma novela e o programa de Gilberto Barros na
Bandeirante. Em compensação, ele acha que a mídia não colabora muito na
divulgação de algo que ele necessite. Para ele, a mídia serve mais como um
entretenimento, para passar o tempo e saber das notícias. O comercial lembrado por
ele refere-se a um da Skol, “que tem cachorrinho”.
O problema da sociedade diante da deficiência para I.S.B são as barreiras
que se encontram nas ruas, e ele frisa o comportamento das pessoas que ficam
deitadas nas calçadas (mendigos), os quais ficam irritados quando ele sem querer
tropeça.

Entrevista nº.5

O 5º entrevistado enviou suas respostas via e-mail no dia 22 de maio. Muitas


das perguntas, ele optou por não responder. E.L.B.S tem 25 anos, perdeu a visão
aos 12 anos por um bloqueio no nervo ótico. Terminou o ensino médio, e trabalha
por conta própria, atuando como massagista há 4 anos, mas se tivesse como
escolher, trabalharia como psicopedagogo. E. recebe mensalmente
aproximadamente R$ 380,00 por mês.
Os maiores gastos de E. são com informática. Ele normalmente vai sozinho
ao mercado e quando precisa, pede ajuda para alguém. Prefere comprar em lojas
não convencionais, como por exemplo, em livrarias. Quando sai por lazer, costuma ir
com alguém. Em seus tempos livres, gosta de passear em bosques e parques
naturais.
109

E. sugere propagandas mais voltadas ao público deficiente visual, que


mostrem a acessibilidade em sua parte funcional, instruções sobre esta e mais
informação. O meio de comunicação mais utilizado por ele, é a Internet e está
sempre ouvindo rádio, ou TV, e utilizando a Internet, principalmente em busca de
notícias. E acredita que o meio de comunicação o ajuda a encontrar e se informar
sobre os produtos e serviços.
E. considera a sociedade preconceituosa com relação aos deficientes visuais
e crê que se a sociedade e as organizações se informassem mais sobre a realidade
deles, estariam assim colaborando com os deficientes. A opinião de E. a respeito do
lazer e oportunidade de trabalho para os cegos consta que falta acessibilidade, tanto
a nível material quanto a nível psicológico e que a sociedade torna as coisas mais
inacessíveis para eles devido ao preconceito e a falta de informação.

Entrevista nº.6

O 6º entrevistado, respondeu via e-mail, chama-se A.S.B, tem 21 anos e não


enxerga desde que nasceu devido a degeneração na retina. É estudante, terminou o
ensino médio, sua mãe é empregada doméstica e o pai está desempregado no
momento. A renda mensal da família é de um salário mínimo. A. gostaria de
trabalhar como repórter esportivo ou professor de língua portuguesa.
A. gasta principalmente com equipamentos de informática, e costuma ir ao
supermercado acompanhado de alguém para auxiliá-lo na escolha de bons
produtos. O sonho de consumo de A. é um celular sintetizador de voz. Costuma
comprar em shoppings, lojas especializadas e lanchonetes para tomar um sorvete.
Vai ao shopping ocasionalmente e mais por lazer, geralmente com amigos. Mas sua
principal forma de lazer é ir a um bar com amigos. Se pudesse escolher algo para
fazer em seu tempo livre, seria viajar para um sítio para relaxar.
Na sugestão de produtos para cegos, A. sugere um Mp3 da marca merlin,
pois tem um bom áudio e segundo ele, é a marca que dura mais. O meio de
comunicação mais utilizado por este entrevistado, é a Internet. E usa os meios de
comunicação frequentemente. Seus programas de preferência são os esportivos. A
mídia não o ajuda tanto a encontrar o que ele deseja, a sua fonte de informação
costuma ser os amigos mesmo.
A. afirma que a sociedade trata os deficientes visuais com muita pena e a
maioria acha que eles são incapazes de ascender social, cultural, política e
economicamente e crê que a sociedade e as organizações poderiam colaborar mais
com os deficientes lutando por melhorias nas escolas e universidades públicas. E
afirma também que “o cego é capaz de realizar bons trabalhos, faltam maiores
oportunidades nos campos onde a remuneração é melhor, só nos dão
oportunidades, na maioria das vezes, de realizar trabalhos simples e de má
remuneração”.

Entrevista nº.7

A 7ª entrevistada, L.V.M respondeu o questionário via e-mail. L. tem 27 anos,


não enxerga desde os 16 anos devido ao glaucoma. Está fazendo mestrado em
Ciências Sociais e coincidentemente está realizando uma pesquisa sobre a pessoa
com deficiência no mercado de trabalho formal. Quando concluir o mestrado,
pretende prestar concursos públicos em órgãos federais para socióloga. A renda de
110

sua família é de dois (2) salários mínimos, sua mãe é vendedora numa loja de
tecidos.
L. ultimamente tem gastado mais com xérox devido ao mestrado. Ela
normalmente vai ao mercado sozinha e solicita a ajuda de algum vendedor, diz que
adora mercado, é onde ela mais gosta de comprar. E vai ocasionalmente a shopping
e lojas, quando não for para fazer compras, costuma ir acompanhada de alguém.
As marcas mais lembradas por L. são Omo e Bombril. A propaganda mais
lembrada por ela é a do Bombril. Sua principal forma de lazer é ficar lendo em casa.
E gostaria de ir a um show de música clássica se tivesse oportunidade. Como
sugestão de produto para cegos ela respondeu: celular com sintetizador de voz.
Com relação aos meios de comunicação, L. costuma utilizar mais a Internet.
E acha que a mídia não ajuda muito na obtenção de informação de produtos e
serviços, pois trata apenas do convencional. O que ela mais gosta na mídia são os
debates na rede cultura, jornais e documentários.
Quanto à relação entre a sociedade e os cegos, L. respondeu que depende
da sociedade, pois cada espaço social tem sua forma peculiar de tratamento. Ela
cita como exemplo a escola, que é mais acessível do que empresas privadas,
quando procuradas para "dar" emprego.
A sociedade poderia colaborar mais com os deficientes, tornando seus
espaços e recursos ligados à instrução mais acessíveis, segundo L. Com relação à
oportunidade de emprego para os deficientes visuais, L. disse que basta olhar para
as estatísticas, o cego fica em terceiro entre as deficiências a ocupar vagas no
mercado de trabalho, só tem mais oportunidades que os chamados deficientes
mentais, segundo a entrevistada.

Entrevista nº. 8

O 8º entrevistado é o L.T.O.S, respondia via e-mail. Ele tem 19 anos, não


enxerga há 15 anos, teve atrofia do nervo óptico causada por um crânio faringioma.
Está concluindo o Ensino Médio e faz monitoria nas aulas de história. A mãe é
professora de matemática, mas fora da ativa e o pai bancário. A renda aproximada
da família é de R$ 1.000,00 por mês.
Os maiores gastos do entrevistado são com livros, cinema e locação de
filmes. Sempre que pode vai ao shopping e a lojas, geralmente acompanhado de
amigos, tanto por motivo de lazer quanto para ter a ajuda de alguém de confiança.
Nos momentos de lazer, gosta de ir ao shopping, ler livros e ir ao cinema. E o
que faria se houvesse oportunidade ele respondeu: viajar, mas sem dinheiro não dá.
O meio de comunicação mais utilizado por ele é a Internet além de alguns
telejornais e a rádio também. Os programas de preferência de L. são seriados
policiais, investigativos, musicais e documentários. A mídia o ajuda informando sobre
filmes em cartaz e o deixa informado com os jornais de rádio e de TV.
Quanto à forma com a qual a sociedade lida com os deficientes visuais, o
entrevistado respondeu que por causa da falta de conhecimento da grande maioria
sobre o mundo dos deficientes, as pessoas não sabem lidar com eles. E tanto a
sociedade como as organizações poderiam colaborar mais com os deficientes
conhecendo a realidade deles e mudando a maneira de lidar com os deficientes.
L. acha que as oportunidades de trabalho para deficientes visuais estão em
falta, mas têm melhorado. Já no lazer, segundo ele, não muda em muita coisa se
comparado com os que enxergam.
111

Entrevista nº.9

L.C.T. foi entrevistado no dia 29 de maio, no Instituto Paranaense de Cegos,


pois ele trabalha lá como advogado e professor (concursado) há nove (9) anos e
está satisfeito com as profissões. Sua renda mensal é aproximadamente R$
1.800,00. Tem 39 anos, é casado e tem uma (1) filha. L. não enxerga a vinte (20)
anos devido ao descolamento da retina, desde então ele só vê claridade.
Os maiores gastos de L. são com educação, ou seja, livros, cursos e
faculdade, está concluindo o magistério. Costuma ir toda semana ao mercado com
sua esposa, embora não goste de ir. Quando deseja comprar algo vai direto às lojas
especializadas, pois já sabe que irá encontrar. A marca mais lembrada por ele é a
Meymalhas. O sonho de consumo do entrevistado é uma casa nova.
Nos tempos livres, L. gosta de nadar e cozinhar e se tivesse oportunidade
gostaria de viajar para vários países como a Itália, países africanos e Irã.
O meio de comunicação mais utilizado por ele é o telefone, porém todos os
dias utiliza um pouco a Internet, TV e rádio. Os programas preferidos dele são: CBN,
Rádio Globo, Rádio Paraná e programas de auditório na TV. L. considera a imprensa
curitibana em geral muito ruim, apesar de que a rádio CBN deu uma revolucionada,
pois há tempos atrás, não havia meio de qualidade para se informar, segundo ele.
A mídia para ele é importante como fonte de informação e para despertar o
senso crítico e o que ele mais gosta na mídia são as entrevistas e os debates. A
propaganda mais lembrada por ele é a chamada do “Repórter Esso” que atualmente
passa em diversas rádios e na televisão, ele citou as do Bombril.
A opinião de L. a respeito da sociedade é que a maioria faz uma imagem
negativa dos deficientes visuais, mas isto se trata de uma questão cultural. Segundo
o entrevistado, a sociedade e as organizações poderiam colaborar mais com os
cegos melhorando a estrutura física, preparando professores para receber e ensinar
os cegos, pois a maioria considera o deficiente visual como coitadinho ou como
revoltado, além de que o Governo poderia se dedicar mais, a TV Educativa, por
exemplo, pode informar corretamente a realidade dos deficientes.
E quanto à visão de L. sobre o emprego e lazer para os cegos, ele respondeu
que para as minorias falta tudo: “não tem lazer sem dinheiro, e se for fazer algo
como passear, falta adaptação e as pessoas tratam os cegos como coitados e isso
nos inibem a sair de casa. O sistema econômico é capitalista, não tem emprego nem
para quem enxerga”.

Entrevista nº.10

A décima entrevistada, G.M.S, respondeu ao questionário por e-mail, tem 21


anos, e não enxerga parcialmente há 4 anos devido a ceratocone (afinamento
progressivo da porção central da córnea) e totalmente há 1 ano devido ao glaucoma.
A entrevistada está cursando o ensino superior e trabalha como assistente
administrativa na Copel/CLT há 1 ano e 4 meses. Trabalhava na Copel antes de
perder a visão. Seus pais são comerciantes autônomos e a média da renda mensal
é de R$ 800,00.
Os maiores gastos de G. são com médicos e remédios. Quando vai ao
supermercado, ela costuma ir acompanhada de alguém para auxiliá-la na procura
pelos produtos.
112

Já aos shoppings e lojas costuma ir sempre que pode, ás vezes sozinha e


ás vezes com alguém, geralmente amigos ou parentes ou então os funcionários
das lojas a ajudam quando ela precisa.
G. gosta de comprar nos próprios shoppings, em mercado e costuma comprar
também coisas de lazer do dia a dia, lanchonete, por exemplo. A entrevistada citou
também parques temáticos e aquáticos, clubes, praças, parques naturais, baladas,
shows, pois também existem coisas que ela costuma comprar nestes lugares.
Algumas das marcas mais lembradas por ela são: Aiwa, Ipod, Semp Toshiba,
Wolkswagen, Audi, Bosh, Sadia, Perdigão, Nescafé, Nestlé, Mc Donald´s,
Mercadorama entre outras. E as propagandas que marcaram mais para G. são: do
Mc Donald´s, Nescau Cereal, Habbib´s, Havaianas, Club Social, entre outras. Na
entrevista ela cita qual é o comercial de cada.
O sonho de consumo de G. é um Notebook 12 da HP, core 2 duo 1,6. E se ela
pudesse escolher algo para fazer se houvesse oportunidade seria saltar de bunge
jump, escalar e pular de pára-quedas.
Os meios de comunicação mais utilizados pela entrevistada é o telefone, além
de e-mail e Orkut, porém escuta rádio, televisão e usa a Internet todos os dias.
O que mais ouve na televisão são os jornais por necessidade e tem
preferência por programas de comédia. G. considera a Internet importante para se
manter informada. O que ela mais gosta na mídia, são as novidades.
Com relação à sociedade, G. diz que as pessoas não lidam com os
deficientes, simplesmente se escondem. E que como forma de colaborar com os
deficientes, a sociedade deveria deixar os deficientes tentarem ao menos chegar até
o objetivo deles, pois todos devem ter a chance de errar ou acertar, mostrando suas
habilidades. É necessário também que as instituições estejam preparadas pra
receber e atender de forma correta um cego, segundo G. Ela diz ainda que as
pessoas não deveriam encarar a cegueira como um castigo, uma sentença final, e
sim como uma barreira, algo que todos tem em diferenças escalas.

ANEXOS

ANEXO A

Ocupações compatíveis com o desempenho de deficientes visuais


PROFISSÃO, PRÉ-REQUISITOS, COND. VISUAL, SÍNTESE DAS ATIVIDADES.
Advogado
Curso superior completo; cursos específicos de acordo com a área de atuação;
usuário de microcomputador; domínio de um sistema sonoro de comunicação com o
microcomputador. Cego e visão subnormal. Emite pareceres sobre aspectos
jurídicos; Exerce advocacia preventiva e corretiva; Realiza estudos especializados
sobre temas e problemas jurídicos relevantes.
Afinador de piano
Primeiro grau incompleto; curso de afinação de piano; habilidade manual,
musicalidade, percepção auditiva e persistência, cego e visão subnormal: afina o
piano numa seqüência padrão; realiza pequenos consertos e regulagens; cuida da
limpeza, lubrificação e troca de cordas e peças.
Ajudante de bombeiro hidráulico
113

Primeiro grau incompleto; curso de bombeiro hidráulico, visão subnormal, auxilia


na instalação e reparo de rede de água, esgoto e gás; conserta e instala
torneiras, ralos, bombas, fogões, aquecedores, etc.
Ajudante de caminhão
Primeiro grau incompleto.Visão subnormal: carrega, transporta e descarrega
materiais diversificados.
Ajudante de carpintaria
Primeiro grau incompleto; curso de carpinteiro; habilidade manual, visão subnormal,
auxilia na construção, montagem e reparo de portas, janelas, venezianas, batentes,
bancos, portões e outras peças de madeira.
Ajudante de cozinha
Primeiro grau incompleto; curso de auxiliar de cozinha, cego
e visão subnormal, auxilia os cozinheiros no preparo das refeições, executa serviços
gerais de limpeza;pode auxiliar no descarregamento dos gêneros alimentícios.
Ajudante de eletricista de baixa tensão
Primeiro grau incompleto; curso de eletricidade básica, visão subnormal, auxilia na
conservação e reparo das instalações de luz e ligações de equipamentos elétricos de
pequeno porte; Instala tomadas, interruptores, pontos de pequeno porte e faz
ligações de equipamentos diversos; pesquisa defeitos, substituindo fios e cabos
danificados.
Ajudante de eletricista de manutenção industrial
Primeiro grau incompleto; curso de eletricista industrial, visão subnormal, auxilia na
conservação e reparo das instalações elétricas; substitui fios e cabos ou instalações
defeituosas; limpa e lubrifica equipamentos elétricos.
Ajudante de eletricista de veículos
Primeiro grau incompleto; curso de eletricista de veículos, visão subnormal, auxilia na
execução de serviços de montagem, reparos e ajuste no sistema elétrico dos
veículos.
Ajudante de garçom
Primeiro grau incompleto; curso de auxiliar de garçom, visão subnormal, auxilia na
arrumação de mesas, na limpeza e arrumação de refeitórios e nos trabalhos de copa
e cozinha.
Ajudante de jardineiro
Primeiro grau incompleto; curso de jardineiro, cego e visão subnormal, auxilia no
preparo do terreno para plantio; capina os canteiros cultivados e poda árvores;
conserva as áreas ajardinadas.
Ajudante de marceneiro
Primeiro grau incompleto; curso de marceneiro, visão subnormal, auxilia na
construção e reparo de móveis e outras peças de madeira; raspa, dá polimento,
enverniza e coloca ferragens em móveis e outras peças de madeira.
Ajudante de mecânico de refrigeração (industrial ou doméstica)
Primeiro grau incompleto; curso de mecânico de refrigeração, visão subnormal,
auxilia na conservação e no reparo em instalações de aparelhos e sistemas de
refrigeração.
Ajudante de padeiro
Primeiro grau incompleto; curso de padeiro, visão subnormal, auxilia na fabricação
de pães, bolos, tortas, etc.;cuida da manutenção e limpeza de fornos, tabuleiros, etc.
Ajudante de pedreiro
114

Primeiro grau incompleto; curso básico de pedreiro, visão subnormal, prepara


concreto para construção, de lajes, vigas, pisos e fundações; assenta tijolos e
auxilia na instalação de aparelhos sanitários; executa demolições de obras de
alvenaria.
Ajudante de pedreiro de refratários
Primeiro grau incompleto; curso básico de pedreiro, visão subnormal, auxilia na
colocação de ladrilhos ou blocos refratários; corta tijolos, prepara massa e coloca
ferragens nos fornos.
Almoxarife
Primeiro grau completo; curso de almoxarife; capacidade de organização;noções
básicas no uso de microcomputador, visão subnormal, recebe, confere e despacha
requisições de materiais; supervisiona diretamente os auxiliares de almoxarifado.
Analista de cargos e salários júnior
Curso superior incompleto; curso na área de custos; usuário de microcomputador,
cego e visão subnormal, analisa o desempenho do funcionário e sua respectiva
retribuição salarial.
Analista de custos
Curso superior completo; curso na área de custos; facilidade para cálculos; usuário
de microcomputador, visão subnormal, calcula o custo final do produto através do
gasto de matéria prima, da mão-de-obra e do tempo utilizado.
Analista de sistemas
Curso superior completo na área de ciências exatas; treinamento em linguagem de
computação; experiência em operação de computadores; domínio de um programa
de sintetizador de voz. Cego e visão subnormal, define, programa e analisa a
performance dos sistemas; avalia o ambiente do usuário; soluciona os problemas
apresentados; supervisiona o trabalho dos programadores.
Analista financeiro
Curso superior completo; cursos específicos de acordo com a área de atuação;
usuário de microcomputador, visão subnormal, planeja, coordena, acompanha,
analisa e efetua estudos e previsões de natureza financeira; desenvolve programas
de assessoria financeira para a administração.
Apontador de cartão de ponto
Primeiro grau incompleto; capacidade de organização, visão subnormal, efetua
controle das horas de trabalho (atrasos, faltas, horas extras, férias e percentagem
noturna a pagar).
Arquivista
Primeiro grau incompleto; capacidade de organização, visão subnormal, arquiva e
controla documentação e correspondência em pastas próprias de acordo com a
sistemática adotada pela empresa.
Ascensorista
Primeiro grau incompleto; curso de ascensorista; habilidade para lidar com o público.
Cego e visão subnormal, opera o elevador no transporte de pessoas e cargas; indica,
quando consultado, a localização de pessoas e setores da empresa.
Assistente social
Curso superior completo; cursos específicos de acordo com a área de atuação;
usuário de microcomputador; domínio de um sistema sonoro de comunicação com o
microcomputador. Cego e visão subnormal, realiza estudos, analisa e intervém em
problemas grupais e/ou individuais em seus aspectos sociais; administra recursos de
natureza social; planeja e desenvolve problemas de assessoramento à
administração.
115

Atendente de consultório
Segundo grau completo; habilidade para lidar com o público; noções básicas no
uso de microcomputador, visão subnormal, recepciona as pessoas que se dirigem ao
consultório; organiza fichários, exames recebidos e guias de convênio; marca
consultas.
Auxiliar de almoxarifado
Primeiro grau incompleto; curso de auxiliar de almoxarife; capacidade de
organização; noções básicas no uso de microcomputador, visão subnormal, executa
tarefas auxiliares de recebimento, armazenamento, controle e expedição de
materiais diversos.
Auxiliar de creche
Primeiro grau incompleto;habilidade para lidar com bebês e crianças, visão
subnormal cuida da higiene, alimentação dos bebês e crianças sob sua
responsabilidade, promove e participa de atividades recreativas.
Auxiliar de encadernação
Primeiro grau incompleto, curso de encadernador, habilidade manual, cego e visão
subnormal auxilia na execução de serviços de encadernação e restauração de livros
e publicações em geral.
Auxiliar de estofador
Primeiro grau incompleto, curso de estofador, habilidade manual, visão subnormal,
auxilia na execução das tarefas de guarnição, revestimento e acolchoamento de
móveis (novos e usados).
Auxiliar de pessoal
Primeiro grau incompleto, curso de auxiliar de departamento pessoal, capacidade de
organização, noções básicas no uso de microcomputador, visão subnormal, auxilia
na atualização de arquivos, no levantamento e controle de freqüência e de férias dos
funcionários.
Auxiliar de serviços gerais
Primeiro grau incompleto, cego e visão subnormal, auxilia na execução de tarefas
diversificadas de apoio nos diferentes segmentos da empresa.
Balconista
Primeiro grau incompleto; curso de técnicas de vendas; aptidão para vendas e
habilidade para lidar com o público, visão subnormal, realiza vendas passivas e
efetua o controle das vendas;
pode controlar o estoque e arrumar prateleiras e vitrines.
Bibliotecário
Curso superior completo, cursos específicos de acordo com a área de atuação,
capacidade de organização, usuário de microcomputador, visão subnormal, planeja,
programa e/ou organiza
trabalhos de biblioteconomia, (registro, classificação e catalogação), seleciona livros
e publicações.
Borracheiro
Primeiro grau incompleto, curso de borracheiro, habilidade manual, visão subnormal,
monta e desmonta roda de veículos, executa reparos em câmaras de ar, substitui
válvulas, coloca manchões e faz triagem de pneumáticos.
Boy
Primeiro grau incompleto, iniciativa e dinamismo, visão subnormal, efetua mandados
internos e externos, colabora nas atividades de protocolo, expedição, reprodução e
transporte de expediente (para ocupar este cargo não é necessário ter atingido a
maioridade).
116

Camareira
Primeiro grau incompleto, visão subnormal, realiza tarefas de limpeza e
arrumação de quartos de hotéis.
Caseiro
Primeiro grau incompleto, iniciativa e dinamismo, visão subnormal, zela pela
conservação, manutenção e segurança da casa de campo ou praia.
Colheiteiro
Primeiro grau incompleto, conhecimentos pertinentes às atividades desenvolvidas.
visão subnormal, prepara o terreno para sementeira ou plantação em época própria;
Irriga as plantas e acompanha o seu desenvolvimento até a época
da colheita.
Comprador júnior
Segundo grau completo, desembaraço para o contato social e capacidade de
argumentação, noções básicas no uso de microcomputador, visão subnormal,
mantém contato com fornecedores; Auxilia na apuração de propostas, no controle de
material e no cadastramento dos fornecedores.
Contínuo
Primeiro grau incompleto, iniciativa e dinamismo, visão subnormal, efetua mandados
internos e externos, colabora nas atividades de protocolo, expedição, reprodução
gráfica e transporte de expediente, exerce vigilância no sentido de evitar o acesso de
pessoas estranhas ou inconvenientes.
Copeiro
Primeiro grau incompleto, curso de copeiro, visão subnormal, prepara e serve café,
chá, refrescos e lanches, lava e esteriliza utensílios de copa, limpa e arruma mesas
de refeitório.
Corretor de imóveis
Segundo grau completo, curso de transações imobiliárias, boa fluência verbal, força
de argumentação e habilidade para lidar com o público, visão subnormal, recebe
pessoas interessadas na compra e/ou venda de imóveis, acompanha os
interessados nas visitas ao local do imóvel, pode tratar da documentação referente à
transação imobiliária.
Cozinheiro
Primeiro grau incompleto, curso de cozinheiro, visão subnormal, prepara refeições,
lanches e sobremesas, dispõe alimentos em pratos, travessas e bandejas, coordena
os trabalhos de limpeza da cozinha.
Doméstica
Primeiro grau incompleto, visão subnormal, executa tarefas domésticas
diversificadas; pode residir no local de trabalho.
Economista
Curso superior completo, cursos específicos de acordo com a área de atuação;
capacidade de organização, usuário de microcomputador, visão subnormal, planeja,
coordena, acompanha, analisa e efetua estudos econômico-financeiros, desenvolve
programas de assessoria econômica para a administração.
Embalador
Primeiro grau incompleto, habilidade manual, cego e visão subnormal, acondiciona
produtos diversos a fim de assegurar uma embalagem adequada para seu
transporte, confecciona embalagens de papelão e/ou outros tipos de materiais.
Empacotador
117

Primeiro grau incompleto, habilidade manual, visão subnormal, faz embrulhos


simples e sofisticados, arma caixas, acondiciona, embala e ensaca objetos e
materiais diversos.
Empalhador
Primeiro grau incompleto, habilidade manual e coordenação motora fina, cego e
visão subnormal adorna móveis e tece forro para assento de cadeiras e sofás,
utilizando fibra natural ou sintética (novos e reformas).
Encadernador
Primeiro grau incompleto, curso de encadernação, habilidade manual, visão
subnormal. Efetua serviços de encadernação e restauração de livros e publicações,
opera guilhotina elétrica ou manual.
Entregador de ferramentas (controlador ou guardador)
Primeiro grau incompleto, capacidade de organização, visão subnormal, entrega,
recebe, arruma e controla o uso de ferramentas de acordo com a rotina interna da
empresa.
Escriturário
Segundo grau completo, curso de iniciação de serviços de escritório e outros
específicos de acordo com a área de atuação, noções básicas no uso de
microcomputador, visão subnormal. Executa tarefas diversificadas de escritório. O
desempenho da função pode ser em área administrativa ou de apoio operacional.
Estofador
Primeiro grau incompleto, curso de estofador, habilidade manual, visão subnormal,
executa tarefas de guarnição, revestimento e acolchoamento de móveis (novos e em
recuperação).
Estoquista
Segundo grau incompleto, curso de técnicas de estoque, capacidade de
organização. Visão subnormal, controla entrada e saída de materiais estocados,
pode efetuar compras.
Faxineiro
Primeiro grau incompleto, conhecimentos pertinentes às atividades desenvolvidas,
visão subnormal, executa serviços de limpeza em geral, pode executar serviços
braçais no transporte de materiais no âmbito da empresa.
Fisioterapeuta
Curso superior completo, cursos específicos de acordo com a área de atuação, cego
e visão subnormal, executa métodos e técnicas fisioterápicas com a finalidade de
restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física do paciente.
Fitotecário
Primeiro grau incompleto, capacidade de organização e conhecimentos pertinentes
às atividades desenvolvidas, visão subnormal, arquiva, mantém, atualiza, controla e
distribui estoque de discos e fitas magnéticas.
Garçom
Primeiro grau incompleto, curso de cozinheiro, habilidade para lidar com o público,
visão subnormal, ornamenta mesas, serve refeições, limpa e arruma refeitórios,
auxilia nos trabalhos de copa e cozinha. Inspetor de alunos. Primeiro grau
incompleto, habilidade para lidar com crianças e adolescentes, visão subnormal zela
pelo cumprimento das normas disciplinares vigentes na escola e anota ocorrências
diárias, controla a saída e o regresso dos alunos, orienta a movimentação e
acompanha a freqüência dos alunos nas atividades escolares, zela pela higiene
pessoal do aluno, orientando-o sempre que necessário.
Intérprete
118

Segundo grau completo, curso de língua estrangeira, desembaraço para o


contato social. Cego e visão subnormal, serve de intérprete a visitantes
estrangeiros (gerentes, técnicos, professores, etc.) em convenções ou entrevistas.
Lavador de carros
Primeiro grau incompleto, visão subnormal, lava e abastece veículos, troca, calibra e
conserta pneus.
Lustrador
Primeiro grau incompleto, curso de lustrador, habilidade manual, visão subnormal,
lustra e enverniza móveis e utensílios de madeira.
Massagista
Primeiro grau completo, curso de massagem, cursos específicos de acordo com a
área de atuação, cego e visão subnormal, aplica técnica específica de massagem
estética, terapêutica e desportiva, observando orientação médica.
Mensageiro (hotel)
Primeiro grau incompleto, iniciativa e habilidade para lidar com o público, visão
subnormal, carrega as malas dos hóspedes, acompanhando-os até o quarto a ser
ocupado e informa quanto ao uso dos aparelhos, atende às solicitações dos
hóspedes (compra de jornais, revistas, remédios, etc.), recolhe as malas até a
portaria.
Merendeira
Primeiro grau incompleto, conhecimentos pertinentes às atividades desenvolvidas,
visão subnormal, prepara refeições e lanches, dispõe alimentos em pratos e
bandejas, distribui lanches e merendas.
Montador de móveis e esquadrias
Primeiro grau incompleto, curso de montadores de móveis e esquadrias, habilidade
manual. Cego e visão subnormal, monta, encaixa, aparafusa e cola peças pré-
moldadas.
Músico/ instrumentista (pianista, violonista e percussionista)
Primeiro grau incompleto, embasamento teórico e domínio do instrumento que
pretende executar; cursos livres de acordo com a área de atuação, boa acuidade
auditiva, cego e visão subnormal
PIANISTA E VIOLONISTA - desenvolve harmonia funcional do trecho musical;
PERCUSSIONISTA - executa com precisão os tempos do compasso.
Músico/regente e arranjador
Curso superior completo, cursos específicos de acordo com a área de atuação, boa
acuidade auditiva e domínio de algum instrumento de harmonia, cego e visão
subnormal, cria arranjos musicais, rege pequenos conjuntos (de pessoas cegas e
videntes), rege corais constituídos por pessoas deficientes visuais.
Musicoterapeuta
Curso superior completo, cursos específicos de acordo com a área de atuação,
usuário de microcomputador, domínio de um sistema sonoro de comunicação com o
microcomputador, cego e visão subnormal, planeja, coordena, acompanha, analisa e
efetua estudos pertinentes ao campo da musicoterapia, realiza avaliação diagnóstica
do indivíduo, realiza sessões terapêuticas.
Nutricionista
Curso superior completo, cursos específicos de acordo com a área de atuação,
usuário de microcomputador, visão subnormal, planeja, organiza, programa e elabora
cardápios, controla estoque de gêneros alimentícios e fiscaliza a qualidade das
refeições.
Operador de máquinas copiadoras
119

Primeiro grau incompleto, curso de operador de equipamentos Xérox, visão


subnormal, opera máquinas copiadoras e duplicadoras, eventualmente
plastificadora, grampeadora e furadora de papel.
Operador de telemarketing
Segundo grau completo, objetividade, iniciativa, boa fluência verbal e força de
argumentação; noções básicas no uso de microcomputador, domínio de um sistema
sonoro de comunicação com o microcomputador, cego e visão subnormal, promove
vendas (televendas), presta apoio na venda de um produto ou serviço, e incrementa
a produtividade da venda, pesquisa mercado, opinião pública e testa novos produtos,
promoções, mensagens, idéias, etc.; mantém o arquivo do cliente ou do mercado
atualizado, atende e orienta clientes em suas necessidades e reclamações.
Orientador educacional
Curso superior completo, cursos específicos de acordo com a área de atuação,
usuário de microcomputador, domínio de um sistema sonoro de comunicação com o
microcomputador. cego e visão subnormal, planeja, implementa e avalia o
desenvolvimento da orientação vocacional no contexto escolar, detecta problemas de
ordem bio-psico-pedagógica, estabelecendo alternativas educacionais para o
aperfeiçoamento da ação educativa, presta orientação educacional individual e em
grupo.
Padeiro
Primeiro grau incompleto, curso de padeiro, visão subnormal, seleciona material para
a fabricação, prepara massas, enforma e desenforma.
Panfletista
Primeiro grau incompleto, visão subnormal, distribui folhetos, prospectos, etc. em
prédios residenciais, comerciais e pontos estratégicos pré-determinados.
Pedagogo
Curso superior completo, cursos específicos de acordo com a área de atuação,
usuário de microcomputador, domínio de um sistema sonoro de comunicação com o
microcomputador. Cego e visão subnormal, estuda, pesquisa, interpreta, controla,
analisa e coordena atividades pedagógicas.
Pizzaiolo
Primeiro grau incompleto, conhecimentos pertinentes às atividades desenvolvidas,
cego e visão subnormal, prepara massas, recheios, arma e leva ao forno tipos
diversificados de pizzas.
Porteiro
Primeiro grau incompleto, curso de porteiro, cortesia e iniciativa, visão subnormal
Atende e encaminha todas as pessoas estranhas ao quadro da empresa ou do
edifício, anota e transmite recados, recebe e distribui correspondências.
Professor
Curso superior completo (atuação a partir da 5a série), curso normal (atuação até a
4a série), cursos específicos de acordo com a área de atuação, usuário de
microcomputador, domínio de um sistema sonoro de comunicação com o
microcomputador, cego e visão subnormal, planeja, coordena, executa e avalia
atividades relacionadas ao processo ensino-aprendizagem, visando à formação
integral do educando.
Programador
Segundo grau completo, treinamento em uma linguagem de programação,
experiência em operação de computadores através de sintetizador de voz, cego e
visão subnormal, cria programas de computador, realiza manutenção de sistemas de
computação, presta apoio ao usuário, elabora manuais.
120

Psicólogo
Curso superior completo, cursos específicos de acordo com a área de atuação,
usuário de microcomputador, domínio de um sistema sonoro de comunicação com o
microcomputador.
cego e visão subnormal, planeja, coordena, acompanha e efetua estudos referentes
ao campo da psicologia, elabora e adapta testes, provas objetivas, inventários e
outros instrumentos de medidas psicológicas, realiza avaliação objetivando o
diagnóstico, prognóstico e o tratamento do indivíduo.
Recepcionista
Primeiro grau incompleto, curso de recepcionista, facilidade para lidar com o público
e boa apresentação, visão subnormal, recepciona pessoas que se dirigem à empresa
indicando a quem elas devem se dirigir, atende a solicitações internas diversas.
Recreadora
Curso normal e adicional, desembaraço para o contato social, visão subnormal,
promove atividades lúdicas para adultos e crianças em escolas, hospitais, clínicas e
festas.
Recuperador de crédito
Primeiro grau completo, curso de técnica de cobrança, boa fluência verbal, iniciativa
e força de argumentação, cego e visão subnormal, realiza investigação cadastral de
clientes devedores, executa cobranças pelo telefone ou através de visitas locais.
Servente de laboratório
Primeiro grau incompleto, capacidade de concentração e habilidade manual.
visão subnormal, efetua serviços de limpeza e conservação de materiais, aparelhos,
utensílios e instalações de laboratório, prepara recipientes para coleta de amostras,
desinfetando-os, abastece recipientes de análises.
Sociólogo
Curso superior completo, cursos específicos de acordo com a área de atuação,
usuário de microcomputador, domínio de um sistema sonoro de comunicação com o
microcomputador. Cego e visão subnormal, planeja, coordena, acompanha, analisa e
efetua estudos referentes ao campo da sociologia, desenvolve programas de
pesquisa e assessoramento na área social.
Tecelão
Primeiro grau incompleto, curso de tecelão, habilidade manual, visão subnormal,
realiza tarefas de tecer pano em máquinas ou teares.
Técnico de administração
Curso superior completo, cursos específicos de acordo com área de atuação, usuário
de microcomputador, visão subnormal, planeja, coordena, acompanha, analisa e
efetua estudos referentes ao campo da administração, elabora manuais de
procedimentos e rotinas de trabalho; realiza auditoria em assuntos ligados à sua
especialização.
Técnico de câmara escura
Primeiro grau completo, curso de câmara escura, cego e visão subnormal, prepara
filmes a serem utilizados pelos técnicos de radiologia, revela filmes através de
químicas apropriadas ou de processadora.
Técnico de comunicação social
Curso superior completo, cursos específicos de acordo com a área de atuação,
usuário de microcomputador, domínio de um sistema sonoro de comunicação com o
microcomputador, cego e visão subnormal planeja, coordena e acompanha
programas de relações públicas; redige, adapta, comenta, interpreta matéria a ser
divulgada, e realiza sondagem de opinião pública.
121

Telefonista
Primeiro grau incompleto, curso de operação de mesa telefônica, boa fluência
verbal e memória auditiva, cego e visão subnormal, opera mesa telefônica, recebe e
providencia ligações urbanas, interurbanas e internacionais, atende chamadas
telefônicas transferindo-as para diversos setores da empresa.
Telefonista/recepcionista
Primeiro grau incompleto, curso de operação de mesa telefônica, boa fluência verbal,
memória auditiva e habilidade para lidar com o público, visão subnormal, atende ao
público, recebe e providencia ligações urbanas, interurbanas e internacionais, atende
chamadas telefônicas transferindo-as para diversos setores da empresa.
Terapeuta ocupacional
Curso superior completo, cursos específicos de acordo com a área de atuação, visão
subnormal. Orienta atividades criativas, lúdicas, educacionais, pré-vocacionais e
industriais, objetivando a restauração de uma função física, pode integrar equipes
médicas de reabilitação profissional, pedagógica e outras.
Tradutor
Segundo grau completo, curso de língua estrangeira, capacidade de concentração,
usuário de microcomputador, visão subnormal, traduz e efetua revisão de traduções,
publicações ou correspondências de língua estrangeira.
Vendedores
Segundo grau incompleto, curso de técnica de vendas, boa fluência verbal, força de
argumentação, objetividade e facilidade para lidar com o público, cego e visão
subnormal, realiza vendas passivas e ativas, estabelece contatos pessoais ou por
telefone com clientes e fornecedores.

ANEXO B:

Algumas profissões autônomas compatíveis com o desempenho de deficientes


visuais (pessoas cegas e de visão subnormal). Área e atividades:

RURAL
Apicultor, caprinocultor, floricultor, granjeiro, horticultor, hortigranjeiro, minhocultor,
ovinocultor, ranicultor, suinocultor, truticultor, vinicultor.
ARTESANAL
Produção e confecção de: perfumes, produtos de higiene e limpeza, botões
forrados, ilhóes, plantas e flores desidratadas, papel, macramê, tricô, tapetes, sachê,
bonecas e bichos de lã, ráfia e tecido, bijuterias e caixas decorativas.
PRODUTOS CASEIROS
Produção de: bombons, doces, balas, compotas, geléias, salgadinhos, sanduíches,
tortas, biscoitos, massas, pães, refeições, sorvetes, queijos e licores.
INDUSTRIAL
Produção de: sacolas, chinelos personalizados, fraldas e absorventes descartáveis,
quentinhas, velas e tijolos.
COMERCIAL
Representante de vendas, vendedor ambulante, chaveiro, sapateiro.

Algumas instituições que oferecem cursos de habilitação e qualificação


profissional (por área de atuação)

ÁREAS INSTITUIÇÕES
122

Abertura e Administração de SEBRAE, Fundação Getúlio Vargas


Pequenas Empresas
Administração e Gerência SEBRAE, SENAC, Fundação Getúlio Vargas
Alimentos SENAI
Armazenamento, Embalagem e SENAC
Expedição
Artes Gráficas SENAI
Artesanal e de Produtos Caseiros SENAC
Comércio SEBRAE, SENAC
Comunicação SENAC, PABX
Construção Civil e Mobiliário SENAI
Contabilidade SEBRAE, SENAC, Fundação Getúlio Vargas
Eletricidade SENAI
Escritório SEBRAE, SENAC
Hospitalidade SENAC
Informática SENAI, SENAC, Instituto Benjamin Constant
Manutenção, Conservação e SENAC
Serventia
Mecânica de Automóveis SENAI
Operacional SENAI
Rural SEBRAE, Sociedade Nacional de Agricultura
Saúde SENAC, Instituto Benjamin Constant
Vendas SEBRAE, SENAC

Fonte: NABAIS, Márcia Lopes de Morais, MARTINS, Carmem Lucia Alves,


MONTEIRO, Margarida Aguiar e GALHEIRA, Waldemar Gonçalves. Estudo
profissiográfico: o encaminhamento do deficiente visual ao mercado de
trabalho. Disponível em:
<http://209.85.165.104/search?q=cache:j4dJ784CXLcJ:200.156.28.7/Nucleus/media/
common/Nossos_Meios_RBC_RevAbr2000_ARTIGO2.RTF+Algumas+profiss%C3%
B5es+aut%C3%B4nomas+compat%C3%ADveis+com+o+desempenho+de+deficient
es+visuais&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=1&gl=br&client=firefox-a> Acesso em 20 de março.
2007

ANEXO C:

Orientações no Relacionamento com Pessoas Cegas

As pessoas que estabelecem contato com portadores de deficiência visual,


seja de forma ocasional ou regular, revelam-se de um modo geral inseguras sobre
como agir diante das diferentes situações que possam ocorrer.
É importante, antes de tudo considerar que a convivência em qualquer nível
ou dimensão, constitui tarefa complexa. Implicam em negociações, concessões,
acordos e ajustes. Não por outro motivo, todas as sociedades humanas, em qualquer
tempo histórico, trataram de elaborar e implementar códigos de etiqueta,
encarregados de dirigir harmoniosamente as relações, amenizando o confronto das
diferenças, desafio constante na invenção do cotidiano.
Nos casos onde a diferenciação social se dá através de marcas inscritas no
corpo, tais estigmas podem tornar-se emblemáticas, enviesando todo processo de
123

interação. Em tais circunstâncias, desinformação, falta de esclarecimentos,


estereótipos e as fantasias que daí derivam, dificultam ainda mais o convívio com
portadores de deficiência.
A lista que reproduzimos a seguir, sobre o título "Cuidados no relacionamento
com pessoas cegas", é uma espécie de código de etiqueta no qual a relação com as
pessoas portadoras de deficiência visual, recebe uma orientação básica, desenhada
pelo negativo. Dizendo o que não se deve fazer no contato com o deficiente visual,
define-se, em linhas gerais, um modo de tratamento adequado às interações das
quais ele participa. As possibilidades de interação humana são muito amplas e as
soluções encontradas pelos grupos para o convívio social harmônico sem dúvida
ultrapassam em muito as situações contempladas na listagem de Robert Atkinson,
diretor do Braille Institute of America - California. Esta porém, sem dúvida
proporciona orientações essenciais para um primeiro e, eventualmente, duradouro
contato, virtude suficiente para, após adaptá-la à realidade cultural brasileira,
republicá-las neste espaço.
01 - Não trate as pessoas cegas como seres diferentes somente porque não podem
ver. Saiba que elas estão sempre interessadas no que você gosta de ver, de ler, de
ouvir e falar.
02 - Não generalize aspectos positivos ou negativos de uma pessoa cega que você
conheça, estendendo-os a outros cegos. Não se esqueça de que a natureza dotou a
todos os seres de diferenças individuais mais ou menos acentuadas e de que os
preconceitos se originam na generalização de qualidades, positivas ou negativas,
consideradas particularmente.
03 - Procure não limitar a pessoa cega mais do que a própria cegueira o faz,
impedindo-a de realizar o que sabe, pode e deve fazer sozinha.
04 - Não se dirija a uma pessoa cega chamando-a de "cego" ou "ceguinho"; é falta
elementar de educação, podendo mesmo constituir ofensa, chamar alguém pela
palavra designativa de sua deficiência sensorial, física, moral ou intelectual.
05 - Não fale com a pessoa cega como se fosse surda; o fato de não ver não
significa que não ouça bem.
06 - Não se refira à cegueira como desgraça. Ela pode ser assim encarada logo após
a perda da visão, mas, a orientação adequada consegue reduzi-la a deficiência
superável, como acontece em muitos casos.
07 - Não diga que tem pena de pessoa cega, nem lhe mostre exagerada
solidariedade. O que ela quer é ser tratado com igualdade.
08 - Não exclame "maravilhoso"... "extraordinário"... ao ver a pessoa cega consultar
o relógio, discar o telefone ou assinar o nome.
09 - Não fale de "sexto sentido" nem de "compensação da natureza" - isso perpetua
conceitos errôneos. O que há na pessoa cega é simples desenvolvimento de
recursos mentais latentes em todas as criaturas.
10 - Não modifique a linguagem para evitar a palavra ver e substituí-la por ouvir.
Conversando sobre a cegueira com quem não vê, use a palavra cego sem rodeios.
11 - Não deixe de oferecer auxílio à pessoa cega que esteja querendo atravessar a
rua ou tomar condução. Ainda que seu oferecimento seja recusado ou mesmo mal
recebido por algumas delas, esteja certo de que a maioria lhe agradecerá o gesto.
12 - Não suponha que a pessoa cega possa localizar a porta onde deseja entrar ou o
lugar aonde queira ir, contando os passos.
13 - Não tenha constrangimento em receber ajuda admitir colaboração ou aceitar
gentilezas por parte de alguma pessoa cega. Tenha sempre em mente que a
124

solidariedade humana deve ser praticada por todos e que ninguém é tão incapaz
que não tenha algo para dar.
14 - Não se dirija à pessoa cega através de seu guia ou companheiro, admitindo
assim que ela não tenha condição de compreendê-lo e de expressar-se.
15 - Não guie a pessoa cega empurrando-a ou puxando-a pelo braço. Basta deixá-la
segurar seu braço, que o movimento de seu corpo lhe dará a orientação de que
precisa. Nas passagens estreitas, tome a frente e deixe-a segui-lo, mesmo com a
mão em seu ombro.
16 - Quando passear com a pessoa cega que já estiver acompanhada, não a pegue
pelo outro braço, nem lhe fique dando avisos. Deixe-a ser orientada só por quem a
estiver guiando.
17 - Não carregue a pessoa cega ao ajudá-la a atravessar a rua, tomar condução,
subir ou descer escadas. Basta guiá-la, pôr-lhe a mão no corrimão.
18 - Não pegue a pessoa cega pelos braços rodando com ela para pô-la na posição
de sentar-se, empurrando-a depois para a cadeira. Basta pôr-lhe a mão no espaldar
ou no braço da cadeira, que isso lhe indicará sua posição.
19 - Não guie a pessoa cega em diagonal ao atravessar em cruzamento. Isso pode
fazê-la perder a orientação.
20 - Não diga apenas "à direita", "à esquerda", ao procurar orientar uma pessoa cega
à distância. Muitos se enganam ao tomarem como referência a própria posição e não
a da pessoa cega que caminha em sentido contrário ao seu.
21 - Não deixe portas e janelas entreabertas onde haja alguma pessoa cega.
Conserve-as sempre fechadas ou bem encostadas à parede, quando abertas. A
portas e janelas meio abertas costituem obstáculos muito perigosos para ela.
22 - Não deixe objetos no caminho por onde uma pessoa cega costuma passar.
23 - Não bata a porta do automóvel onde haja uma pessoa cega sem ter a certeza de
que não lhe vai prender os dedos.
24 - Não deixe de se anunciar ao entrar no recinto onde haja pessoas cegas, isso
auxilia a sua identificação.
25 - Não saia de repente quando estiver conversando com uma pessoa cega,
principalmente se houver algo que a impeça de perceber seu afastamento. Ela pode
dirigir-lhe a palavra e ver-se na situação desagradável de falar sozinha.
26 - Não deixe de apertar a mão de uma pessoa cega ao encontrá-la ou ao despedir-
se dela. O aperto de mão substitui para ela o sorriso amável.
27 - Não perca seu tempo nem o da pessoa cega perguntando-lhe: "Sabe quem sou
eu?"... "Veja se adivinha quem sou?". Identifique-se ao chegar.
28 - Não deixe de apresentar o seu visitante cego a todas as pessoas presentes,
assim procedendo, você facilitará a integração dele ao grupo.
29 - Ao conduzir uma pessoa cega a um ambiente que lhe é desconhecido, oriente-a
de modo que possa locomover-se sozinha.
30 - Não se constranja em alertar a pessoa cega quanto a qualquer incorreção no
seu vestuário.
31 - Informe a pessoa cega com relação à posição dos alimentos colocados em seu
prato.
32 - Não encha a xícara ou o copo da pessoa cega até a beirada. Neste caso ela terá
dificuldades em mantê-los equilibrados.
33 - O pedestre cego é muito mais observador que os outros. Ele desenvolve meio e
modos de saber onde está e para onde vai, sem precisar estar contando os passos.
Antes de sair de casa, ele faz o que toda gente deveria fazer: procura informar-se
bem sobre o caminho a seguir para chegar ao seu destino. Na primeira caminhada
125

poderá errar um pouco, mas depois raramente se enganará. Saliências,


depressões, ruídos e odores característicos, ele observa para sua maior
orientação.

Fonte: ATKINSON, Robert. Orientação no relacionamento com pessoas cegas.


Disponível em: <
http://209.85.165.104/search?q=cache:kRaWo6x9ShIJ:200.156.28.7/Nucleus/media/
common/Nossos_Meios_RBC_RevSet1995_Artigo4.doc+Robert+Atkinson+(Diretor+
do+Braille+Institute+of+America,+California)++Adapta%C3%A7%C3%A3o+feita+pel
a+equipe+t%C3%A9cnica+da+Divis%C3%A3o+de+Documenta%C3%A7%C3%A3o
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dimento+M%C3%A9dico,+Nutricional+e+de+Reabilita%C3%A7%C3%A3o+do+Instit
uto+Benjamin+Constant,+contanto+com+a+participa%C3%A7%C3%A3o+da+Associ
a%C3%A7%C3%A3o+Brasileira+de+Educadores+de+Deficientes+Visuais.&hl=pt-
BR&ct=clnk&cd=1&gl=br&client=firefox-a> Acesso em 30 de março. 2007