Você está na página 1de 4

PLANO DE AULA – NICOLAU – O SISTEMA ELEITORAL NO BRASIL

O que é sistema eleitoral?

“É o conjunto de regras que define como, em uma determinada


eleição, os eleitores podem fazer as suas escolhas e como os votos
são somados para serem transformados em mandatos.”

Como são eleitos os governantes brasileiros?

Sistema proporcional + variantes da representação majoritária.

Como se dá a eleição de representantes aqui no Brasil? E a retrospectiva histórica?

A partir de 1824: Desde então, elegem-se representantes para a Câmara dos Deputados.
PORÉM...
Até 1880: sistema de votação em dois níveis, sendo que, em primeiro nível, os votantes
elegiam os eleitores, e esses eleitores, em segundo nível escolhiam os representantes
para a Câmara dos deputados.

Depois de 1881: Eleições diretas, em períodos, como o da Primeira República, em que


três sistemas diferentes foram utilizados, todos eles com variações do modelo
majoritário. Foi uma época em que a fraude rolava solta ~vdd~ e que a participação
eleitoral era muito reduzida.

A partir de 1932: Adota-se um novo código eleitoral modernizador do processo de


votação. Foi um dos primeiros passos para a democracia eleitoral, já que as mulheres
passaram a ter o direito ao voto, a Justiça Eleitoral foi criada e o sigilo do voto foi
instituído. Lembrando que a justiça Eleitoral que apurava os votos e organizava as
eleições, o que trouxe mais transparência e ajudou a solucionar os problemas de fraude.
A introdução do sistema misto, feito na época, em que parte dos representantes foi eleita
pelo sistema proporcional, foi interrompida pelo golpe de Estado.

1937-1945: Com o golpe de Estado, liderado por Getúlio, as eleições ficaram suspensas,
e o Congresso e partidos fechados, até 1945, com o processo de democratização do país.
Nesse ano, o sistema proporcional foi integralmente adotado nas eleições para a Câmara
dos Deputados.

Atualmente: Poucas alterações são assistidas desde então. A representação proporcional


é o modelo de escolha para eleições da Câmara dos Deputados, Assembleias
Legislativas e Câmaras dos Vereadores.

Afinal, o que é representação proporcional?


Sendo um sistema de lista aberta, como no Brasil, as vagas são distribuídas
proporcionalmente aos votos totais obtidos por cada partido. Pode-se votar tanto no
candidato como na legenda, e nesse total são incluídos os votos de cada partido + os
votos de cada legenda + os votos dos candidatos dessa legenda. Os candidatos
preencherão as vagas conquistadas com seus candidatos com maior votação.

Não entendi! Vamos para a distribuição de cadeiras para as ideias clarearem?

1. Quociente eleitoral: dividimos o total de votos válidos pelo número de cadeiras em


disputa. Lembrando que votos válidos são aqueles em que desconsideramos os brancos
e nulos.

2. Os votos de cada partido são divididos pelo quociente eleitoral. O número obtido é
correspondente ao número de cadeiras que o partido obterá. Os partidos que não
alcançam o quociente eleitoral são excluídos da distribuição de cadeiras. Por isso fala-se
que o quociente eleitoral funciona como uma cláusula de barreira.

3. Nem todas as cadeiras são ocupadas após a primeira distribuição. As cadeiras


faltantes são preenchidas pelo método de maiores médias: o total de votos de cada
partido é dividido pelo número de cadeiras obtidas anteriormente pelo quociente
eleitoral, mais um. O que tiver a maior média leva a cadeira. Obviamente, quando
repetirmos o processo, a cadeira que o partido da vez ganhou, entra no cálculo, e a
maior média ganha a outra cadeira. Esse processo é repetido até que todas as cadeiras
sejam distribuídas.

Entrada no que seria a lista aberta, em si

Já vimos o cálculo utilizado no nosso sistema eleitoral para a atribuição de


cadeiras. Entramos, agora, no que de fato incorpora uma lista aberta. Após a
distribuição de cadeiras entre os partidos ou coligações, é a vez de determinar quem
ocupará as cadeiras. No caso do Brasil, os nomes mais votados de cada lista ocupam as
cadeiras. Se determinado partido conquista x número de cadeiras, os x candidatos mais
votados desse partido assumem a cadeira, não interessando o voto total dos candidatos
de partidos concorrentes.

Só existe o modelo de lista aberta?

1. Lista fechada: A lista de candidatos é ordenada antes da eleição, e os eleitores


votam somente na legenda. Caso de Portugal, Espanha, Argentina e África do Sul

2. Em outros países, os partidos ordenam a lista de candidato, mas se os eleitores


discordarem do ordenamento, ainda podem votar num nome específico da lista. Caso da
Bélgica, Holanda, Dinamarca, Suécia

Críticas à lista aberta: dois problemas principais

Enfraquecimento de partidos: Incentivo à competição entre candidatos de uma mesma


legenda.
Transferência de votos: um candidato muito votado traz consigo colegas de seu partido
ou coligação, como foram no caso do Tiririca e do Enéias.

Coligações

Distribuição de cadeiras: Os votos dos partidos coligados são somados e as cadeiras são
conquistadas pela coligação como se ela fosse um único partido. O importante, aqui, é
fazer com que os candidatos de seu partido ocupem os primeiros nomes da lista da
coligação.

Pequenos partidos, que recebem um número reduzido de votos, elegendo um candidato

Distorções: um partido que sozinho não conseguiria alcançar o quociente eleitoral,


acaba elegendo candidatos, como representativo do caso acima. Ademais, um partido
que é o mais votado em um número excessivo de estados, acaba ficando
sobrerrepresentado no âmbito nacional. O sistema acaba por favorecer partidos com
votações concentradas nos pequenos estados, como o do Norte, do que partidos de
estados com votação concentrada, como no caso de São Paulo.

E os variantes de representação majoritária?

Os chefes do Executivo são eleitos por intermédio de duas regras diferentes:

1. O presidente, os governadores e os prefeitos de municípios com mais de


200mil eleitores são escolhidos por dois turnos, ou seja, metade mais um para vencer no
primeiro turno. Se tal situação não for assistida, parte-se para um segundo turno, em que
aquele que obtém mais de 50% dos votos, vence.

2. Prefeitos dos municípios com menos de 200 mil habitantes são eleitos pelo
sistema de maioria simples: o mais votado elege-se automaticamente, sem segundo
turno e sem novas disputas.

Retrospectiva histórica – again

1891-1930: A primeira constituição da República garantia pleitos independentes para


presidente e para vice. Em casos de a maioria absoluta dos votos não recair sobre um
candidato, o Congresso escolheria entre os dois mais votados nas urnas, o que nunca
aconteceu, dada a larga vantagem de um dos candidatos nas urnas. Os mandatos
duravam quatro anos, sem a possibilidade de reeleição.

19451964: O sistema adotado para a eleição de presidentes foi o de maioria simples,


com as eleições para vice ainda sendo realizadas separadamente, o que trazia a
possibilidade de presidente e vice com orientações ideológicas diferentes. Em várias das
eleições, a votação foi inferior aos 50%, como no caso de Getúlio Vargas (47%), JK
(34%) e Quadros (45%).

1988: A Constituição optou pela regra dos dois turnos na disputa presidencial, proibindo
a reeleição e definindo um mandato de cinco anos.
Década de 1990: Houve duas emendas à Constituição. Umas delas previa a redução do
mandato presidencial para quatro anos, de forma a sanar a fraca vinculação dos
presidentes aos partidos, tornando simultâneas as eleições para o Congresso Nacional,
governos estaduais e Assembleias Legislativas. A segunda, permitiu a reeleição, como
podemos nos lembrar pelo caso do presidente FHC.

E os senadores?

Estes têm mandato de oito anos, sendo eleitos alternativamente: em uma eleição
elege-se um senador, na seguinte, elegem-se dois. É seguida a lógica de maioria
simples.

Reforma eleitoral entra em pauta?

Na verdade, desde o começo da década de 1990. As propostas são de adoção de


um novo sistema eleitoral como o majoritário ou o misto, de introdução de cláusulas de
barreira adicional, para barrar partidos que não alcançam o quociente eleitoral, adoção
de uma nova fórmula para a distribuição de cadeiras, proibição de coligações, correção
das distorções de representação, e até mesmo introdução de sistema de lista fechada.