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3. Os demônios na cultura pagã.

Definição da expressão “Demônio”.

• Daemon (em grego δαίμων, transliteração daímôn, tradução


"divindade", "espírito"), no plural daemones (em grego δαίμονες) é um tipo de
ser que em muito se assemelha aos gênios da mitologia árabe.
• A palavra daímôn se originou com os gregos na Antiguidade; no
entanto, ao longo da História, surgiram diversas descrições para esses seres.
O nome em latim é daemon, que veio a dar o vocábulo em português demônio
• A palavra Daemon teve sua origem na antiguidade, com os
gregos, entretanto, com o passar dos anos a história fez com que surgissem
diferentes descrições para esses seres.
• O termo "daímôn" o gênio pessoal, foi usado por Sócrates quando
ao contrário de seus colegas sofistas não abriu escola assim como não
cobrou dinheiro por seus ensinamentos. Ele dizia que apenas falava em nome
do seu "daímôn", do seu gênio pessoal.
• A palavra "daímôn", da qual se originou o termo demônio, não
era, na Antiguidade, tomada à parte má, como nos tempos modernos. Não
designava exclusivamente seres malfazejos, mas todos os Espíritos, em geral,
dentre os quais se destacavam os Espíritos Superiores, chamados de Deuses,
e os menos elevados, ou Demônios propriamente ditos, que se comunicavam
diretamente com os homens.
• As suas funções eram, nada mais do que fazer a intermediação
entre os Theoi e os seres humanos.
• Os Theoi nada mais são do que uma das categorias de deuses do
Panteão grego que representam três diferentes gerações de deuses
governantes do Universo. Além dessas três existem ainda mais seis Theoi que
representam emoções, ideias abstratas entre outras coisas.
• Seu temperamento liga-se ao elemento natural ou vontade divina
que o origina. Não se fala em "bem" ou "mal". Um mesmo daemon pode
apresentar-se "bom" ou "mau" conforme as circunstâncias do relacionamento
que estabelece com aquele ou aquilo que está sujeito à sua influência.
• No plano teleológico, os gregos falavam
de eudaemon (εὐδαίμων, eu significando "bom", "favorável")
e cacodaemon (κακοδαίμων, kakos significando "mau"): por isso, a palavra
grega que designa o fenômeno da felicidade é Eudaimonia (εὐδαιμονία). Ser
feliz para os gregos é viver sob a influência de um bom daemon.. Assim é a
forma como Sócrates se refere a seu daemon [4].
• Aos elementos da natureza, surgidos em seguida aos deuses
primordiais. Assim, há daimones do fogo, da água, do mar, do céu, da terra,
das florestas, etc.
• Há espíritos que regem ou protegem um lugar, como uma cidade,
fonte, estrada, etc.
• Às afetações humanas, de corpo e de espírito, tendo sido estes
daimones criados depois. Entre eles
estão: Sono, Amor, Alegria, Discórdia, Medo, Morte, Força, Velhice, Ciúmes etc
.

Lista de daemones
Agon (Ἀγών) era a personificação dos concursos, desafios e disputas
solenes, presente nos Jogos Olímpicos, nas peças teatrais e também
nos debates e discussões filosóficas.
Aleteia (Ἀλήθεια) era a personificação da verdade, da honestidade e da
sinceridade. Seus opostos eram Dolos, a trapaça, Apate, o engano, e
Pseudos, a mentira. Criada por Prometeu.
Comos (Κώμος) era um Daemon ou Sátiro que personificava os
festejos e as orgias, companheiro de Gelos, o riso. Filho de Dioniso.
Cratos (Κράτος) era a personificação da força e da violência, filha de
Palas e Estige, irmã de Zelos, disputa, Bia, violência, e Nice, vitória,
faziam parte do cortejo de Zeus.
Diceosine (Δικαιοσύνη) era a personificação da conduta justa e correta
dos homens em sua vida diária, diferente de Dice, a justiça legal,
baseada em leis propostas por uma sociedade. Filha de Nomos, a lei, e
Eusebia, a piedade, ou possivelmente uma filha de Zeus.
Hipnos (Ὕπνος) era personificação do sono. Sua mãe era Nix, e era
irmão gêmeo de Tânato, a morte. Vivia em um palácio na Trácia ou junto
de sua mãe e irmão em um palácio no reino do mortos. Era pai dos
Oniros, sonhos, com a Cárite Pasiteia.

I – ORIGEM DOS DEMÔNIOS


1. Os anjos caídos e os demônios.

Os Oráculos Sibilinos
Sibilas: entre os antigos, mulher a quem se atribuíam o dom da profecia
e o conhecimento do futuro. Uma profetisa, bruxa, feiticeira.
As sibilas – já há quatro mil anos anunciavam aquilo que aconteceria com o
mundo.
Estas sibilas antigas, em geral eram consideradas mulheres loucas,
viviam isoladas, e se prestavam a oráculos muitas vezes pagos e sacados a
dinheiro, e por isso não se dava muito crédito ao que diziam, uma vez que toda
profecia é dom gratuito de Deus.
E assim, porque tais pessoas falavam de uma forma cifrada para aquele
tempo, muito do que elas disseram se perdeu no correr das eras por ser
considerado inútil.

As Sibilas

Como o Messias foi anunciado por profetas judaicos, era de se esperar


que escritores bíblicos do Cristianismo tentassem provar por meio de
pesquisas a existência de indicações sobre o aparecimento do Cristo,
nos Oráculos dos tempos bárbaros. O escritor bíblico Dactantius, que
morreu no ano 330, foi quem mais pesquisou sobre o aparecimento do
Cristo nessas escritas Sibilinas. (...)

A primeira Sibila, a Sibila pérsica, também chamada Caldea, de nome


Sambethe, predisse a história de Alexandre "O Grande".
Conforme o Oráculo Sibilino, Sambethe tinha trinta anos quando
profetizou que o Senhor nasceria no círculo da Terra e do corpo de uma
virgem. A Sibila pérsica profetizou também viagens interplanetárias a
catástrofe do Juízo Final e uma Nova era de paz para o Mundo.

Uma raça Titânica em Busca do Espaço Sideral

A Sibila Sambeth é a única que fez profecias a respeito da conquista do


espaço por seres humanos, superiores. Mencionou uma raça superior e
mais forte, de seres semelhantes a nós. Estes seres, de natureza
arrogante, tentariam conquista o máximo de poder e assim apressariam
a sua destruição, lutando com força bruta contra o céu, estrelado.
Depois viria contra eles um dilúvio gigantesco de força incalculável.

Sibila Líbia

A Sibila líbia, ergue em sua mão a tocha que ilumina o mundo. Na idade
de vinte e quatro anos, muitos séculos antes de nossa Era, ela
profetizou sobre o Cristo, ao dizer que eles (os homens) poderiam ver o
rei dos vivos.

"E ele governaria e doutrinaria com misericórdia. O corpo de sua mão


seria a balança de toda a humanidade." (...)

Nas profecias da Sibila líbia amontoam-se as descrições de imagens


sobre os acontecimentos mundiais do Apocalipse. Como sinal dos
acontecimentos trágicos ela anunciava o seguinte:

"Quando em todo mundo este sinal se mostrar, e crianças, desde o


nascimento grisalhas (...) a guerra entre os homens, uma tormenta
será... Tempos mudando, receios, dor, incontáveis lágrimas.´ (...)
Seus miseráveis, covardes camaradas, ...Homens de última ralé, vozes
inúteis, horríveis homens, ... Tolos sem compreensão, no tempo em que
veio o verão... Para o homem mortal, quando as mulheres não geram
mais,... Perto está a destruição, quando alguns, ...Enganadores e
mentirosos em vez de profetas, .... Falando da terra se acercam.

E Thesbite descerá do céu à terra em seu carro do mar,...E


depois de sua chegada na terra, haverá ..O tríplice sinal em todo mundo
da vida que se extingue......Também daqueles, que estão a navegar nas
ondas do mar....Ai de todos aqueles que este dia viverão...Trevas,
intransponíveis no espaço se acumulam....No oeste e leste, também na
parte sul e norte.
Uma poderosa torrente de fogo brilhante descerá do céu tudo
destruindo, a terra e o mar azul, a imensidão dos oceanos,...Lagos,
nascentes dos rios, o inexorável Hades,... A abóbada celestial, as
estrelas no céu se chocarão, se encobrirão na escuridão,...E todas as
estrelas cairão no mar, ...Todos os seres vivos os dentes
trincarão,...Queimando na torrente cheia de fosfato, do assalto de fogo...
Na campina florescente, tudo coberto de cinzas.
Os elementos do mundo, quando Deus, que habita o Éter,...Turbilhona o
céu, e o céu recolhe-se com um pergaminho quando se enrola,...E
desaba a múltipla escorada abóbada celestial,...E cairá sobre a terra e o
mar e um rio fundido de fogo poderoso....Correrá sem se cansar,
queimando a terra, queimando a abóbada celestial e todos os seres em
um só,
Não haverá mais astros brilhando no céu,...Não haverá mais dia nem
amanhã, tampouco dia de preocupação....Nem primavera, inverno, ou
verão tampouco alegre outono.... Quando estes sinais se confirmam no
tempo do mundo, ...Aparecerá o Juízo Final de Deus.
E Deus mostrará um grande símbolo. Uma estrela brilhará, como uma
grande cruz brilhante ... Como um símbolo reluzente, brilhará dos céus
deslumbrantes... Durante muitos dias, Ele mostrará a coroa da vitória
aos homens que por ela lutaram.
Sibila Itálica (Cimeriana)
Primeiro a Sibila cimeriana
profetizou acontecimentos no Egito e no Oriente Próximo.
"E noite será em pleno dia, desaparecerão a lua e as estrelas, ...A terra
estremecerá na fúria dos tremores, ...Que destrói cidades e obras do
homem, ...Muitas ilhas surgem das profundezas dos mares ...De sangue
transborda o poderoso Eufrates(1)....E lutam em guerra horrenda as
hordas Medas e Persas...E coisas ruins acontecem, das quais os seres
se maldizem,...Flagelo da guerra, derramamento de sangue,
desentendimento e fuga das massas, desmoronamento de torres
poderosas e destruição de cidades."

(1 - Vejam o conflito do Oriente Médio como se configura no Iraque,


exatamente a terra do Rio Eufrates. No Apocalipse de São João é
mencionado quatro anjos que estão “acorrentados” a beira deste rio, e
que quando forem soltos a guerra tomará conta do mundo. Acaso
alguém ainda duvida disso?)

• "...sobre uma cadeira larga estará ela sentada alimentando a


criança com leite, a qual um certo povo chamará de Jesus." (Se fazem
previsões assim é óbvio que falam pela boca de Deus)

Sibila Eritréia
As profecias da Sibila Eritréia foram confirmadas pelo Apolodoro da
Eritréia. Atribui-se a ela também a predição da guerra troiana. Em
representação simbólica ela tem em uma das mãos, um anel de noivado, e na
outra uma rosa branca. Diz-se que esta Sibila nasceu na Babilônia e ela
anunciou:

"O filho de uma virgem judia nos últimos dias, no berço terrestre, nascerá."
Sibila de Cumas

A gigantesca coluna enigmática no Éter... Ilhas flutuando no mar.. Nova


intenção da humanidade."

Na idade de dezoito anos profetizou ela:

"Agora vem o cantado novo tempo. Começará agora uma nova organização do
mundo.
Virá de novo a virgem, também virá o reino de saturno (8). Uma nova raça
descerá do céu
Você seja amável com a criança que nascerá. Através da qual o tempo férreo
terminará
E uma nova era dourada em todo mundo se iniciará."
Sibila Frígia

A Sibila Frígia é muito mais velha do que a helespontina. Diz-se que já


era idosa quando profetizou:

"Cristo nascerá em Belém e será anunciado em Nazaré, quando rege o pacífico


touro. A mãe bendita, ao seio o amamentará. Na madeira o pendurarão e o
matarão, mas de nada lhes adiantará porque no terceiro dia ele ressuscitará. E
aos jovens Ele se mostrará, na presença dos mesmos aos céus subirá, e sua
Regência nunca fim terá."(10)
2. A expulsão do querubim ungido.

Estudo sobre Isaías 14 e Ezequiel 28...

-Isaías 14.4.

O texto se refere a soberba das nações em especial ao grande rei da Babilônia,


esse estava coberto de soberba, muito mais do que os outros reis que tinham
sido projetados ao Sheol.
-Mas quando o tirano morreu, a música parou e os gusanos da morte
tomaram conta de tudo. Antes ele tinha um repouso excelente, porem agora
sua cama é em meio aos vermes, as larvas serão a sua coberta!

A menção aqui ao sepulcro literal, mas o novo leito de gusanos do tirano


desce até o Sheol, acompanhando o monarca babilônico.

Isaías 14.12

“Como caíste do céu, ó estrela da manhã”. Agora o rei caído é comparado a


uma estrela que antes brilhava no céu, a saber, a "estrela da manhã" ou
doador da luz, traduzido por "Lúcifer" na Vulgata Latina.

- Dentro da mitologia Cananéia (ugarítica) havia uma divindade que era o deus
do alvorecer, ou seja, a estrela da manhã, de nome Shanar.

- Mas o mais provável é que o profeta não estava buscando nenhum tipo de
identificação astronômica. Ele falava de uma luz brilhante no céu, tão poderosa
que era capaz de anunciar o alvorecer. Entretanto os babilônios deleitavam-se
na astrologia, e talvez haja aqui uma alusão a Vênus.

- O autor sacro misturou as metáforas, pois diz que a estrela foi cortada ao
invés de derrubada. Seja como for, a estrela estava tão baixa que
primeiramente se apagou e, em seguida, caiu no Sheol.

- A referência a Lúcifer, na vulgata, não deveria fazer-nos enganosamente


pensar que esta passagem trata de Satanás, o que foi um desenvolvimento
posterior e dificilmente está em pauta aqui. Pelo contrário, está em vista um
homem diabólico.

- Isaías 14.13-15.

“Tu dizias em teu coração: Eu subirei até o céu”. O tirano se jactava


doentiamente de que subiria ao céu, rivalizando com os deuses, postando-se
mais alto que as estrelas de Elohym.

- Lá em cima ele colocaria o seu trono. A expressão no "monte da


congregação" é uma referência pagã aos deuses que habitariam as regiões
celestes no Norte, em torno das quais girariam as constelações.

- No cume desse monte, estava o trono do Deus Altissímo (vs 14). "A
passagem diante de nós preserva a forma Cananéia do mito da natureza, que
fala na tentativa de a estrela da manhã escalar as alturas celestes,
ultrapassando em altura todas as outras estrelas, somente para ser lançada de
volta à terra pelo Sol vitorioso" (R. B. Y. Scott, in loc).

- Essa história ilustra, pois, como as divindades secundárias tentam melhorar


sua posição, chegando a atingir o céu dos mais elevados deuses (vs 14). Em
algum ponto lá em cima, havia o mais elevado deus habitando em esplendor
singular, presumivelmente desfrutando de sua companhia.

- Mas o tirano não foi capaz de concretizar suas aspirações. Algo tão simples
como a morte física fê-lo tombar às partes mais inferiores do abismo (sheol).
Era isso o que ele merecia em sua arrogância.

- Essa história assemelha-se à história de Lúcifer nas lendas judaicas, as


quais, como é claro, baseavam-se neste texto. Mas conforme se pode ver,
originalmente não havia uma referência ao principal anjo caído, a quem
chamamos Satanás ou diabo.

- A história judaica posterior passou para a interpretação cristã, como se aqui


tivéssemos uma descrição da queda de Satanás. O quadro de Satanás preso
no Sheol é diferente do que sabemos acerca dele. Ele "está" lá fora, causando
todo dano que puder....

- Naturalmente, podemos ver uma referência primária a Satanás, de quem o


tirano da Babilônia era imitador. Mas isso não concordaria com o contexto;
antes é uma explicação interpretativa da história.

- A verdade é que este texto nada diz acerca de Satanás, nem a respeito de
sua queda, nem sobre a ocasião de sua queda, conforme muitos interpretes
deduzem com tanta confiança" (Adam Clake. in loc)

Lamentação sobre o Rei de Tiro

- Ezequiel 28.11-19...

- Temos aqui uma alegoria (parábola) que celebra a queda do príncipe de Tiro.

- "Esta lamentação se baseia em uma variante da história do Éden. O homem,


criado como um ser perfeito, morava no paraíso do Éden, coberto com pedras
preciosas.
Ver também a descrição da Jerusalém celestial, em Ap 4.1-6; 21.15-21.
Foi o orgulho que provocou o banimento do rei de seu paraíso, pelo querubim"
(Oxford Annotated Bible, introdução ao vs 11).

- A versão mesopotâmica da história. O jardim do Éden era habitação de um


deus e de sua esposa-deusa. Esta versão é compatível com o deus-homem. o
príncipe de Tiro.

- Os detalhes essenciais se duplicam em Gênesis, menos os fatores de


homem-mulher versus deus-deusa.

- Alguns cristãos, seguindo a interpretação do judaísmo posterior, encontram


Satanás no jardim, no símbolo da serpente. Outros vêem Satanás atrás do
deus-homem de Tiro, inspirando-o, mas esta interpretação é anacrônica,
pertence ao judaísmo que existiu muito tempo depois da época de Ezequiel.

- É totalmente desnecessário supor que houvesse um deus (demônio, espírito


mal, Satanás etc.) inspirando o falso deus de Tiro.

- O texto de Ezequiel reflete um paganismo puro: a reivindicação de um homem


ser deus. A passagem é mais do que poética de um homem poderoso que era
como um deus.

- O deus de Éden foi lançado fora e humilhado e, finalmente, sofreu morte


miserável. Daí reduziu-se a cinzas (vs 18). Não podemos dizer tais coisas
sobre Satanás, o demônio etc.

- Está em vista a destruição do príncipe de Tiro e da própria cidade de Tiro, não


um acontecimento cósmico como o julgamento de Satanás. De qualquer modo,
a cidade está sob consideração, mas não sem o seu rei. Afinal, os dois eram
um só...

Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura.

- Estas palavras parecem descrever Satanás, o Príncipe da Trevas, mas o


texto não tem nada que ver com ele, como se fosse o poder por trás do trono
de Tiro. As perfeições do diabo, antes da queda, não se expressam nesse
texto.
- Uma de minhas fontes insiste na teoria de que se trata de Satanás, mas a
interpretação apresentada baseia-se num judaísmo posterior, não na teologia
da época de Ezequiel.

- Precisamos evitar anacronismos, ao tentar explicar o texto. O que algum


judeu teria entendido deste oráculo, no tempo de Ezequiel, aplicando-se à
teologia da época?

- Não encontraríamos o Príncipe das Trevas naquela época, mas sim, o


príncipe de Tiro, o deus-homem, isto é, o homem que dizia ser um deus.

- O texto fala poeticamente sobre o deus-rei de Tiro, que logo seria reduzido a
cinzas (vs 18) pelo ataque da Babilônia.

- estavas no Éden, jardim de Deus; todas as pedras preciosas te cobrias.

- O deus-rei era como um deus, ou ser angelical habitando no Éden, vestido


em esplendor, com muitas joias e vestimentas finas. Cf. na lista do presente
texto com aquela que trata do peitoral de sumo sacerdote, em Êx 28.17-20 e
39.10-13.

- Nessas descrições temos doze pedras, enquanto o texto hebraico, aqui, lista
somente nove. A Septuaginta, influenciada pelos textos de Êxodo, dá todas as
doze. As pedras preciosas representam a beleza, a perfeição e a glorificação
de Tiro e de seu deus-rei.

- Há certa fascinação pelas pedras preciosas, que as valoriza para a mente


humana. Tiro, a joia do mar, encantou o mundo antigo.

- Engastes. Podemos entender, da palavra hebraica por trás desta tradução,


instrumentos musicais de sopro, que, quando tocados, dariam uma atmosfera
agradável ao Éden do deus-rei. A presença de instrumentos musicais talvez
aluda ao dia da Ascenção do deus-rei ao trono, ocasião celebrada com música,
dança e vinho.
- Tu eras querubim da guarda ungido.

- O falso deus-rei tinha a aparência de um deus glorioso ou de um ser angélico


esplendoroso. Foi ungido para seu alto ofício, e seu trono era como uma
montanha alta, exaltada, o monte dos deuses, ou de Deus: Tiro exaltada no
seu trono.

- O deus-rei andava no meio do brilho das pedras celestiais fogosas e era


glorioso no seu aspecto. As pedras preciosas são suas próprias fonte de luz ou
refletem a glória do deus-rei.

- Alguns interpretes encontram Satanás aqui, na sua glória antes da queda,


mas devemos rejeitar esta interpretação com supérflua e anacrônica. Está em
vista o glorioso Etbaal e suas reivindicações absurdas concernentes à alegada
divindade.

- Querubim da guarda.

- A alusão é ao querubim "que cobriu" o propiciatório, a tampa da arca da


aliança, situado no Santo dos Santos.

- O rei era como aquele anjo especial e seleto, imitando o poder de Deus no
santuário. A ironia continua.

- O autor não fala seriamente, mas zomba da glória pretensiosa do deus-rei.

- Aqui ele é comparado ao anjo que protegia o Poder do santuário. Era como o
querubim que guardava os portões do paraíso, protegendo a árvore da vida.

- Se a passagem é irônica, então não está descrevendo Satanás, que tinha


uma glória real antes da sua queda. Cf. Êx 24.10-17.
II – A BATALHA NO CÉU
1. O Arcanjo Miguel e o dragão
(v.7).
O dragão é identificado com o próprio Diabo e Satanás, a antiga
serpente (v.9), em uma referência à serpente
do Éden (Gn 3.1-4,13-15).
2. A expulsão de Satanás (v.8).
Senhor: “Eu via Satanás, como raio, cair do céu” (Lc 10.18). A expressão
“eu via” diz respeito a uma ação contínua, e isso mostra que Jesus
contemplava, em visão, a queda de Satanás, enquanto os setenta pregavam o
evangelho.

Essa ação contínua não tem a mesma conotação que temos em


Português. A ação contínua aqui se expressa na língua grega por um caso
gramatical chamado de “Aoristo”. Se refere a uma ação completa representada
por três pontos. O texto nada expressa que Jesus no momento comtemplava
em visão a problemática. Tradução: “E disse a eles: Tenho
contemplado/observado a Satanás como um relâmpago/ raio/luz e brilho, caído
do céu.
Ler Lc 11.36. 2Co 11.14.

3. A vitória final sobre Satanás.

Mais adiante, o Diabo é amarrado por mil anos, para, finalmente, ser
lançado no lago de fogo (Ap 20.3,10).

Possivelmente os mil anos aqui não seja literal. O número mil no


contexto bíblico possui a ideia da imortalidade. É um número redondo, na
época indicava aquilo que não poderia ser somado, aquilo que é imensurável.
Os mil anos não deve ser tido como um tempo cronológico e sim como o
sentido da história diante de Deus. 2Pe 3.8.
III – O MAIORAL DOS DEMÔNIOS

A Serpente. O termo “dragão”


Muitas vezes esses dois termos se confundem do texto bíblico.
O (‫)ל ְוי ָָתן‬
ִ Livyatan é uma espécie de serpente marinha, Ele é muitas
vezes identificado com a baleia, e algumas versões refletem esta noção,
embora dragão seja mais comum. Às vezes é mais para uma figura mitológica
do que real. Ler: Is 27.1
O (‫)תנין‬- Crocodilo, Tannin.

Ler Sl 89.10. Às vezes Tannin é comparado com (‫)רהַ ב‬-


ַ Rahab, outro
monstro marinho que identificado com rio Nilo. Não confundir com a Meretriz
Raabe.
Se Raabe fez a vontade de Deus então porque Deus a feriu de
morte?
Isso se dá pelo fato de que o termo aqui não se refere a meretriz
Raabe, mulher de Deus, e sim a um monstro marinho.
Já a septuaginta traduziu como: A LXX traz κῆτος Jn 1.17. Em hebraico
a expressão é: (‫)דג ג ָ֔דֹול‬
ָּ֣ ָ

Ler Sl 89.10- Js 2.3- Jó 9.13, 26.12- Is 30.7.


Esse tipo de linguagem chamamos de:
Os Homônimos e os Parônimos são termos que fazem parte do estudo
da semântica (significado das palavras).
Assim, os homônimos são palavras que possuem a mesma pronúncia
(às vezes, a mesma escrita) e significados distintos.
Já as palavras parônimas são muito parecidas na pronúncia e na
escrita, entretanto, possuem significados diferentes.

Ex:
 Os alpinistas estão escalando o morro. (monte)
 Eu morro de medo de altura! (verbo morrer)
 Vamos tomar banho de rio? (substantivo – curso de água fluvial)
 Eu rio de suas piadas porque você é hilariante! (verbo rir)

Como vemos, Raabe é um ser do mal, e é difícil negar a sua ligação


simbólica com a própria figura de Satanás.

Alguns acadêmicos associam Tannin com Tiamat, assim como Rahab.

2. Satanás. Não é possível descrever todos os nomes do inimigo de Deus e do


seu povo.

Todo pentecostal tem a tentação de nomear demônios.

3. O Diabo. O termo grego diabolôs “caluniador”


Ler: 2Tm 3.3-Tt 2.3

IV – O PODER DE JESUS SOBRE OS DEMÔNIOS

1. O contexto bíblico.
Eles são malévolos, podem entrar nas pessoas (Lc 11.24-26) e causam
todo o tipo de doença (Lc 9.39-42), embora nem todas enfermidades sejam de
origem demoníaca (Lc 13.32).

2. O triunfo de Cristo.

Diabo já está derrotado preliminarmente (Jo 12.31).


Mesmo assim, ele continua se opondo à obra de Deus. Satanás causou
diversos infortúnios ao apóstolo Paulo, com o espinho na carne (2 Co
12.7) e o
impedimento nas jornadas missionárias (1Ts 2.18).

o que seria da tua vida sem Satanás e seus demônios?