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Atividade - AVA – História da Língua Portuguesa Gramática e Texto

(Valor : 3.0)

Leia o poema “Língua Portuguesa”, de Olavo Bilac e um trecho da


canção “Língua”, de Caetano Veloso:

Texto I

LÍNGUA PORTUGUESA
(OLAVO BILAC)
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Texto II

LÍNGUA
( CAETANO VELOSO)

Gosto de sentir a minha língua roçar


A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixa os portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
Fala, Mangueira!
Flor do Lácio, Sambódromo
Lusamérica, latim em pó.
O que quer
O que pode
Esta língua?
(...)

1 - Assinale a alternativa em que há uma correta associação entre o


texto I e o texto II:

A) Por meio de metáforas como “tuba de alto canglor” e “flor do


Lácio Sambódromo”, ambas os poetas demonstram apreço pelo
português coloquial em detrimento da língua culta.

B) Em ambos os poemas, faz-se uma reverência a Camões como


mestre da língua clássica e como modelo estético a ser adotado.

C) Há nos versos “Amo o teu viço agreste e o teu aroma / de


virgens selvas e de oceano largo” e “Minha pátria é minha língua”,
uma valorização das características peculiares
do português do Brasil em oposição ao português clássico de
origem lusitana.

D) Em “Flor do Lácio Sambódromo”, Caetano deixa clara a paródia


que faz do texto de Bilac e reitera o desejo de preservar os valores
clássicos da língua portuguesa, ameaçada, em sua pureza, pela
influência do samba popular.

E) Em ambos os textos, há a presença da função metalinguística,


que consiste em fazer o código falar do próprio código; ao mesmo
tempo, nota-se neles a ausência
da função conativa, que consiste em usar o código para se referir
ao receptor da mensagem.

2 - A ideia central do texto Língua, de Caetano Veloso, seria :


A) a língua portuguesa está repleta de dificuldades, principalmente
prosódias e paródias, para os falantes brasileiros.

B) autores de língua portuguesa, como Fernando Pessoa,


Guimarães Rosa e Camões, têm estilos diferentes.

C) a pátria dos falantes é a língua, superando as fronteiras


geopolíticas.

D) na língua portuguesa, é fundamental a associação de palavras


para criar efeitos sonoros.

E) a escola de samba Mangueira é uma legítima representante dos


falantes da língua portuguesa.

3 - Caetano Veloso dialoga com diversas possibilidades de usos e


aplicações da língua portuguesa: modalidades culta (“E
quem há de negar que esta lhe é superior”) e coloquial (“Fala,
Mangueira”), neologismos (“Lusamérica”, “portugais”), referências
diretas a “Luís de Camões”, “Rosa” e “Pessoa” e relações
intertextuais (“Minha pátria é minha língua”, verso de
Fernando Pessoa, e “Flor do Lácio”, trecho de verso de Bilac), etc.
Essa diversidade apaga diferenças de caráter geopolítico e
nos mostra que a língua é uma entidade supranacional.
Caetano Veloso, em determinado ponto do texto, refere-se à Língua
Portuguesa de modo geral, sem considerar as peculiaridades
relativas ao uso do idioma no Brasil e em Portugal. Para fazer tal
referência, utiliza-se da seguinte expressão:

A) Língua de Luís de Camões.

B) Lusamérica.

C) Minha língua.

D) Flor do Lácio.

E) Latim em pó.

4 - Caetano Veloso forja o neologismo “Lusamérica” para abarcar,


numa única expressão, tanto a manifestação lusa quanto o uso
brasileiro da Língua Portuguesa. Com isso, supera as
particularidades, não fazendo esquecer as diferenças, mas
aglutinando-as numa síntese que estabelece a unidade linguística
que a canção tematiza.
A expressão “Flor do Lácio” também faz parte de um famoso poema
da Literatura Brasileira, intitulado “Língua Portuguesa”, produzido na
segunda metade do século XIX.

Assinale a alternativa que apresenta características pertencentes ao


estilo da época em que foi produzido esse poema.

A) Subjetivismo, culto da forma, arte pela arte.

B) Culto da forma, misticismo, retorno aos motivos clássicos.

C) Arte pela arte, culto da forma, retorno aos motivos clássicos.

D) Culto da forma, subjetivismo, misticismo.

E) Subjetivismo, misticismo, arte pela arte.

5 - Ao empregar a expressão “Flor do Lácio”, Caetano Veloso alude


ao verso “Última flor do Lácio, inculta e bela”, que inicia famoso
poema de Olavo Bilac. Ambos os autores lembram que o Português
foi a última língua a formar-se do Latim, falado pelos habitantes do
Lácio e pelos antigos romanos.
O poema “Língua Portuguesa”, de Bilac, é emblemático do
Parnasianismo, estilo que apresenta como principais traços o
esteticismo (“arte pela arte”), a ourivesaria verbal (“culto da forma”)
e a retomada de sugestões da cultura greco-latina. No texto,
Caetano Veloso fala de “paródias”. Em qual das alternativas abaixo
o segundo texto NÃO parodia o primeiro?

A) Penso, logo existo. / Penso, logo desisto.

B) Quem vê cara não vê coração. / Quem vê cara não vê Aids.

C) Nunca deixe para amanhã o que pode fazer hoje. / Nunca deixe
para amanhã o que pode fazer depois de amanhã.
D) Em terra de cego, quem tem um olho é rei. / Em terra de cego,
quem tem um olho não abre cinema.

E) Antes só do que mal acompanhado. / Antes mal acompanhado


do que só.

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.

A flor do Lácio *

João Ubaldo Ribeiro, o imortal, me confessou certa feita que havia


repetido uma palavra duas vezes ao longo de sua volumosa obra, e
isso o incomodara imensamente. A confissão aconteceu por causa
de uma apresentação de em que a memória me falhou e eu mandei
um segundo “ensandecida” em vez de alternar com “enlouquecida”.
Foi uma pequena aula de português das tantas que tive por osmose
com o Ubaldo, graças à nossa aproximação através do teatro. Não
se deve repetir palavras impunemente.
O começo de nossa amizade foi muito difícil para mim. Somos
comparsas de e-mail, e cada vez que eu tinha de escrever para o
venerado João minhas pernas bambeavam de insegurança
gramática. Um singelo: “Caro Ubaldo, vamos jantar?” me exigia
algumas horas de concentração para pôr a vírgula no lugar
adequado. Aprendi imensamente com a impagável correspondência
com o mestre e devo, e muito, a Ubaldo esta posição de colunista
aqui em VEJA RIO. Um ano e pouco atrás, trocamos uma série de
mensagens mais pessoais e, pela primeira vez, escrevi para o
poeta de maneira solta. Ele, que é atento aos detalhes, percebeu a
melhora e mefezumdos elogios mais valorosos que já recebi na
vida.
Mas a evolução de um português medíocre como o meu não é
garantia de coisa nenhuma. Relendo a crônica “Gula”, da edição de
14 de outubro, dei de cara com a repetição maciça da palavra
“doce” e de outras que agora não lembro. É verdade que as últimas
semanas têm sido tumultuadas aqui em casa, mas isso não justifica
a cegueira.
Sem falar na confusão enervante de “quês”... Minha mãe me alertou
para outro vício: o uso exagerado do gerúndio. Esse eu ainda
controlo. Minha imunidade ao gerúndio é mais alta do que a
vulnerabilidade para a infestação de “quês”. É o mal dos tempos.
Fiz uma palestra outro dia na PUC sobre escolhas profissionais e a
conversa recaiu sobre a questão da exigência do diploma de
jornalista para exercer a profissão. É claro que eu gostaria que o
cirurgião prestes ame abrir um talho na barriga fosse formado em
medicina e
especializado em fígado, intestino ou algo que o valha. Mas
um economista pode ser de grande utilidade para um jornal,
assim como um biólogo exerce respeito na seção de ciências.
Uma professora do curso de comunicação se pronunciou no
debate dizendo que a maior dificuldade, comum a todos os
alunos, era o pífio desempenho na língua portuguesa. Por ela,
as faculdades deveriam incluir cursos obrigatórios de letras
para toda e qualquer profissão, já que o nível do ensino da
língua de Camões no 2º grau era baixíssimo. Baseada na
minha experiência, estou com ela e não abro.
João Ubaldo sonhou em fazer filosofia, mas o pai severo o
encaminhou para o direito. Ubaldo é formado em ciência política.
Poderia estar na ONU, não sei, ou em qualquer grande escritório de
advocacia, mas preferiu cuidar da flor do Lácio. Seu último livro, ,
acaba de chegar às livrarias. Se você aguentou estes pobres
parágrafos confessionais de uma atriz carioca até aqui, deixo
um brinde na saída: a abertura d' , para você perceber o que é
realmente escrever.Oresto é silêncio.
“Sentado na quina da rampa do Largo da Quitanda, as mãos
espalmadas nos joelhos, as abas do chapéu lhe rebuçando o rosto
pregueado, Tertuliano Jaburu ouviu o primeiro canto de galo e mirou
o céu sem alterar a expressão.
Ignora-se o que, nessa calmaria antes do nascer do sol,pensam os
grandes velhos como ele e ninguém lhe perguntaria nada, porque,
mesmo que ele se dispusesse a responder, não entenderiam
plenamente as respostas e dúvidas mais fundas sobreviriam de
imediato, pois é sempre assim, quando se tenta conhecer o que o
tempo ainda não autoriza.”
* A expressão “Última flor do Lácio, inculta e bela” é o
primeiro verso de um famoso poema de Olavo Bilac, poeta
brasileiro que viveu de 1865 a 1918. Essa flor é a língua
portuguesa, considerada a última das filhas do latim.
(Fernanda Torres, in Veja Rio, 28 de out. de 2009)

6 - Na introdução do 2º parágrafo, a autora representa muitos


brasileiros que, do mesmo modo que ela:

A) não sentem dificuldade em se comunicar em português


visto que este é o idioma oficial do país.

B) rejeitam a língua portuguesa, por ser um idioma de difícil


domínio.

C) admiram João Ubaldo Ribeiro por ele ser, além de escritor e


jornalista, eminente advogado.

D) não tiveram a oportunidade de terminar o ensino médio.

E) sentem-se intimidados ao se comunicar com alguém que,


sabidamente, domina o idioma de Camões.