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APOSENTADORIA POR IDADE

RURAL E HÍBRIDA

JANE LUCIA WILHELM BERWANGER


ESQUEMA DA AULA
• EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA PREVIDÊNCIA RURAL
• TRABALHADORES RURAIS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
• CARACTERIZAÇAO DOS TRABALHADORES RURAIS
• EMPREGADO RURAL
• TRABALHADOR AVULSO
• SEGURADO ESPECIAL
• CONTRIBUINTE INDIVIDUAL – TRABALHADOR RURAL
• CONTRIBUINTE INDIVIDUAL NÃO TRABALHADOR RURAL
• COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL
• CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL
• APOSENTADORIA RURAL
• APOSENTADORIA POR IDADE HÍBRIDA
• APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO COM
UTILIZAÇÃO DO PERÍODO RURAL
• OUTROS BENEFÍCIOS RURAIS

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EVOLUÇÃO HISTÓRICA
• Marco inicial da Previdência Social no Brasil: Lei
Eloy Chaves, 1923, com a criação das Caixas de
Aposentadorias e Pensões
• CLT exclui os trabalhadores rurais
• 1963 – Lei 4.214 – Estatuto do Trabalhador Rural
estabeleceu normas protetivas do empregado
rural
• Previu a criação do Fundo de Assistência e
Previdência do Trabalhador Rural, com a
destinação de 1% do valor dos produtos
agropecuários – arrecadação pelo IAPI

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EVOLUÇÃO HISTÓRICA

• A Lei 4.214/63 enquadrou como beneficiários os empregados


(chamados de empregados rurais) e os colonos, parceiros,
pequenos proprietários rurais, empreiteiros e tarefeiros
• Dependentes: da mesma forma que a Lei 3.807/60
• Benefícios: auxílio-doença, aposentadoria por invalidez,
aposentadoria por velhice, abono de maternidade (12 semanas),
pensão, assistência médica, assistência à maternidade, auxílio-
funeral.
• Estatuto da Terra – Lei 4.504/64 dando garantias aos
arrendatários, meeiros e parceiros outorgados, diante do
proprietário rural

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EVOLUÇÃO HISTÓRICA
• Decreto-Lei 276, de 1967, retirou todos os benefícios
previdenciários
• Manteve a contribuição sobre a produção mas
alterando o responsável pelo recolhimento
• Criou o Funrural: Fundo de Assistência do Trabalhador
Rural
• Nenhum benefício foi pago nesse período
• Os recursos foram destinados apenas à saúde e
assistência médica
• Decreto-Lei 564/69 – Plano Básico de Previdência
Social para os empregados do setor agrário das
empresas agroindustriais (incluídas pelo Decreto
65.106/69: empresas produtoras e fornecedoras de
cana-de-açúcar)
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EVOLUÇÃO HISTÓRICA
• Lei Complementar nº 11/71 instituiu o Programa
de Assistência do Trabalhador Rural
• Beneficiários: empregados rurais (pessoa física
que presta serviço de natureza rural a
empregador, mediante remuneração de qualquer
espécie) produtor, que trabalhe sem empregados,
que trabalha individualmente ou em regime de
economia familiar
• O Decreto 71.498/72 incluiu os pescadores sem
vinculo empregatício, que façam da pesca sua
profissão habitual ou meio principal de vida:

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EVOLUÇÃO HISTÓRICA
• Os benefícios eram concedidos apenas ao chefe de
família (geralmente, o homem)
• Mulher e filhos tinham direito apenas à pensão por
morte
• Benefícios:
• Aposentadoria por velhice
• Aposentadoria por invalidez
• Auxílio-funeral
• Pensão por morte
• O valor do benefício era de meio salário mínimo, com
exceção do auxílio-funeral de um salário

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EVOLUÇÃO
HISTÓRICA
• Custeio do PRORURAL :
• 2% (dois por cento) da
comercialização da
produção rural,
• 2,4% (dois vírgula quatro
por cento) sobre a folha
de pagamento das
empresas urbanas.
• Não foi cobrada, durante a
vigência da Lei Complementar
11/71, contribuição dos
assalariados rurais.

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EVOLUÇÃO HISTÓRICA

• Lei 6.260/75 – Previdência para os empregadores rurais


• Considera-se empregador rural, para os efeitos desta Lei,
• a pessoa física, proprietário ou não, que,
• em estabelecimento rural ou prédio rústico,
• explore, com o concurso de empregados, em caráter
permanente,
• diretamente ou através de prepostos,
• atividade agroeconômica,
• assim entendidas as atividades agrícolas, pastoris,
hortigranjeiras
• ou a indústria rural,
• bem como a extração de produtos primários, vegetais
ou animais.
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EVOLUÇÃO HISTÓRICA
• Benefícios pecuniários fixados em função da contribuição:
• I - aposentadoria por velhice ou invalidez - valor mensal
correspondente a 90% (noventa por cento) de 1/12 (um doze
avos) da média dos três últimos valores sobre os quais tenha
incidido a contribuição anual de que trata o artigo 5º,
arredondando-se o resultado para a unidade de cruzeiro
imediatamente superior;
• II - pensão - valor correspondente a 70% (setenta por cento)
da aposentadoria calculada conforme o item I, arredondando-
se o resultado para a unidade de cruzeiro imediatamente
superior;
• III - auxílio-funeral - concedido e pago nas mesmas bases e
condições vigorantes no instituto Nacional de Previdência
Social (INPS).

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EVOLUÇÃO HISTÓRICA
• Custeio : contribuição anual obrigatória, a cargo do empregador
rural, pagável até 31 de março de cada ano, e correspondente a
12%:
• I - de um décimo do valor da produção rural do ano anterior,
já vendida ou avaliada segundo as cotações do mercado; e
• II - de um vigésimo do valor da parte da propriedade rural
porventura mantida sem cultivo, segundo a última avaliação
efetuada pelo INCRA.
• O valor total que servirá de base de cálculo para a
contribuição anual devida pelo empregador rural não será
inferior a 12 (doze) nem superior a 120 (cento e vinte)
salários mínimos de maior valor vigente no País,
arredondando-se as frações para o milhar de cruzeiros
imediatamente superior.

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EVOLUÇÃO
HISTÓRICA

• ATÉ A CONSTITUIÇÃO
FEDERAL DE 1988 A
PROTEÇÃO SOCIAL
ERA BASTANTE
PRECÁRIA E RESTRITA

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CONSTITUIÇÃO FEDERAL

• A CF de 1988 trouxe uma nova


realidade para o meio rural
• Inseriu entre os princípios “a
uniformidade e equivalência dos
benefícios e serviços às populações
urbanas e rurais”
• Uniformidade = mesmos benefícios
• Equivalência = mesmos valores

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CONSTITUIÇÃO FEDERAL

• A CF constitucionalizou a inclusão e a
forma de contribuição dos produtores
que trabalham em regime de economia
familiar
• Manteve a forma anterior de
contribuição – sobre a produção
• Incluiu os pescadores artesanais

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CONSTITUIÇÃO FEDERAL

• Inseriu cônjuges (intenção de incluir as mulheres)


• Garantiu a igualdade de direitos para homens e
mulheres (art. 5º inc. I)
• Todos os benefícios passaram a ser de salário
mínimo: art. 201 § 2º Nenhum benefício que
substitua o salário de contribuição ou o rendimento
do trabalho do segurado terá valor mensal inferior
ao salário mínimo.
• Previu expressamente aposentadoria por idade
com idade reduzida para os trabalhadores rurais

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CONSTITUIÇÃO FEDERAL

• Da promulgação da Constituição até a efetiva


implantação de benefícios passaram-se mais de três
anos.
• A legislação ordinária (Leis 8.212, de custeio e 8.213,
de benefícios) somente foi publicada em 24 de julho
de 1991 e os decretos regulamentadores, em
dezembro do mesmo ano.
• O primeiro benefício pago a uma trabalhadora rural
somente ocorreu após 12 de fevereiro de 1992
• Em 1994 foi estendido o salário maternidade às
trabalhadoras rurais

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TRABALHADORES RURAIS

• Quem são os trabalhadores


rurais:
• Previsão legal: art. 48, § 1º
da Lei 8.213/91
• Espécies: empregado,
avulso, contribuinte
individual e segurado
especial

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EMPREGADO RURAL
• Art. 11, inc. I da Lei 8.213/91
• Requisitos do vínculo empregatício: art.
3º CLT: pessoalidade, subordinação,
habitualidade e remuneração
• Alto índice de informalidade
• Estatuto do Trabalhador Rural:
empregado rural quem presta serviço à
empregador rural
• Critério da lei previdenciária: natureza
da atividade: rural x urbana

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EMPREGADO RURAL
• Art. 11, inc. I da Lei 8.213/91
• Art. 7º IN 77/15 – enquadra tratorista,
capataz, motosserrista
• Parecer 2.522/01 CJ MPS
• TRF4 - 2005.71.00.044110-9 – STJ 1148040
• Tema 115 TNU: Não é ramo de exploração
de atividade econômica do empregador
que define a natureza do trabalho
desempenhado pelo empregado, se rural
ou urbano, para fins de concessão do
benefício previdenciário de
aposentadoria.

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EMPREGADO RURAL
• Contribuição do empregado rural:
• Art. 28 da Lei 8.212/91:
• Sobre a remuneração
• Alíquotas:
Salário de Contribuição (R$) Alíquota

Até R$ 1.693,72 8%

De R$ 1.693,73 a R$ 2.822,90 9%

De R$ 2.822,91 até R$ 5.645,80 11%

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TRABALHADOR AVULSO

• Art. 11, inc. VI da Lei 8.213/91: quem presta, a diversas


empresas, sem vínculo empregatício, serviço de natureza
urbana ou rural definidos no Regulamento;
• Decreto 3.048/99:
• aquele que, sindicalizado ou não,
• presta serviço de natureza urbana ou rural, a diversas
empresas,
• sem vínculo empregatício,
• com a intermediação obrigatória do órgão gestor de mão-
de-obra, nos termos da Lei nº 8.630, de 25 de fevereiro de
1993, (substituída pela Lei 12.815/13)
• ou do sindicato da categoria (regulamentado pela Lei
12.023/09)
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SEGURADO ESPECIAL
▫ CF Art. 195, § 8º: O produtor, o parceiro, o meeiro
e o arrendatário rurais e o pescador artesanal,
bem como os respectivos cônjuges, que exerçam
suas atividades em regime de economia familiar,
sem empregados permanentes, contribuirão para
a seguridade social mediante a aplicação de uma
alíquota sobre o resultado da comercialização da
produção e farão jus aos benefícios nos termos da
lei.

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SEGURADO ESPECIAL

• Art. 11, inc. VII da Lei 8.213/91:


• Residência no imóvel rural ou aglomerado
urbano ou rural próximo (art. 9º, § 20 D.
3.048/99)
• Que explore a atividade:
• Individualmente
• Em regime de economia familiar

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SEGURADO
ESPECIAL
• Agropecuária em área de
até 4 (quatro) módulos
fiscais;
• Art. 50 da Lei 4.504/64
• Comprovação área
explorada através do CAR,
ITR ou laudo técnico
• Consulta de
Jurisprudência:
tamanho/área/extensão
da propriedade

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SEGURADO ESPECIAL

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SEGURADO ESPECIAL

• Município de Alagoinhas
• Módulo fiscal: 30
hectares
• Quatro módulos fiscais:
120 hectares

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SEGURADO ESPECIAL
• na condição de:
▫ produtor,
 proprietário,
 usufrutuário,
 possuidor,
 assentado,
 parceiro ou meeiro outorgados,
 comodatário
 arrendatário rurais
• IN 77/15:
• Condômino
• Acampado
• Quilombola
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SEGURADO ESPECIAL
• Seringueiro ou extrativista vegetal
• exerça suas atividades nos termos da Lei
9.985/00
• Exploração sustentável dos recursos naturais
renováveis
• Garimpeiro: somente até 1998 (EC 20/98)

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SEGURADO ESPECIAL

• Pescador artesanal ou a este


assemelhado que faça da pesca
profissão habitual ou principal meio
de vida
• Art. 9º § 14 do Decreto 3.048/99:
• Desembarcado
• Embarcação de pequeno porte
(arqueação bruta até 20 – conforme
certificado de embarcação)
• 14-A – quem beneficia produtos,
fabricação e conserto de petrechos e
conserto de embarcações
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SEGURADO ESPECIAL

• Pescador deve ter registro no MAPA, sendo


dispensados os de subsistência
• São considerados pescadores artesanais,
também, os mariscadores, caranguejeiros,
catadores de algas, observadores de cardumes

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SEGURADO ESPECIAL
• cônjuge ou companheiro,
• Enunciado 22 CRPS
• filho maior de 16 (dezesseis) anos de idade ou a
este equiparado,
• CF – art. 7º: XXXIII
• Indígenas: RESP 1709883 (ACP)
• TRF - AC 5017267-34.2013.4.04.7100 (menores de
12 anos)
• https://www.youtube.com/watch?v=Z2o2qRAKnb
E
• que, comprovadamente, trabalhem com o grupo
familiar respectivo

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SEGURADO ESPECIAL
• In 77/15: § 4º Enquadra-se como segurado especial o
indígena:
• reconhecido pela Fundação Nacional do Índio - FUNAI,
• inclusive o artesão que utilize matéria-prima proveniente de
extrativismo vegetal,
• independentemente do local onde resida ou exerça suas
atividades,
• sendo irrelevante a definição de indígena aldeado, não-
aldeado, em vias de integração, isolado ou integrado,
• desde que exerça a atividade rural individualmente ou em
regime de economia familiar e
• faça dessas atividades o principal meio de vida e de
sustento.
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SEGURADO ESPECIAL
• REGIME DE ECONOMIA FAMILIAR:
• atividade em que o trabalho dos membros da
família é indispensável à própria subsistência e
• ao desenvolvimento socioeconômico do
núcleo familiar e
• é exercido em condições de mútua
dependência e colaboração,
• sem a utilização de empregados permanentes.
• Art. 39 da IN 77/15

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SEGURADO ESPECIAL
• REGIME DE ECONOMIA FAMILIAR -
QUESTIONAMENTOS:
• Há espaço para tanta subjetividade?
• Processo produtivo rural: http://g1.globo.com/rs/rio-
grande-do-sul/campo-e-lavoura/videos/v/produtores-
rurais-relatam-dificuldades-da-vida-no-
campo/2063467/
• VER MAIS EM: http://janeberwanger.adv.br/artigos/

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SEGURADO ESPECIAL

• NÃO DESCARACTERIZA:
• Contratação de empregados/trabalhadores
temporários (120 dias no ano civil)
• Cedência de até 50% da terra em parceria,
meação ou comodato
• Atividade turística – inclusive hospedagem –
por até 120 dias no ano civil
• Previdência Complementar de entidade
classista
• Ser beneficiário ou fazer parte de grupo
familiar de programa assistencial oficial do
governo

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SEGURADO ESPECIAL

• NÃO DESCARACTERIZA:
• Utilização de processo de beneficiamento
industrial ou artesanal
• Associação em cooperativa agropecuária
• Incidência de IPI no produto agrícola
• Participação em sociedade empresária ou titular
de empresa indivual de responsabilidade limitada
de âmbito agrícola, agroturístico ou agroindustrial
– nos limites da microempresa – desde que
continuem exercendo a atividade rural, a empresa
seja só de segurados especiais e esteja sediada no
mesmo município ou vizinho.
• LOAS só descaracteriza o que recebe (IN77/15 –
art. 42 §4º)

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SEGURADO ESPECIAL

• NÃO É SEGURADO ESPECIAL QUEM TEM OUTRA


FONTE DE RENDIMENTO, SALVO:
• Benefício previdenciário de até um salário-
mínimo
• Benefício de previdência complementar
• Atividade remunerada de até 120 dias
• Atividade de dirigente sindical
• Mandato de vereador ou cooperativa rural
• Parceria ou meação
• Atividade artesanal rural ou não (neste
caso até um salário minimo)
• Atividade artística (até um salário minimo)

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SEGURADO ESPECIAL
• DESCARACTERIZA:
• Deixar de exercer a atividade,
ressalvada a manutenção da
qualidade de segurado (art. 43, inc. I,
“a” e art. 137 § 10º )
• Enquadrar-se em outra categoria de
segurado obrigatório ou servidor
público
• Ultrapassar os limites de: contratação
de mão-de-obra, dia em atividade
remunerada, valores...
• Arrendamento rural
38
SEGURADO ESPECIAL

x • JURISPRUDÊNCIA:
• SÚMULA 41 TNU
• Temas 532 e 533 -
REsp 1304479

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CONTRIBUINTE INDIVIDUAL – TRABALHADOR RURAL

• Art. 11, inc. V, alínea “g”: Quem presta serviço de


natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a
uma ou mais empresas, sem relação de emprego;
• Art. 35 da IN 77/15 – contribuinte individual pode
apenas comprovar atividade rural até 31 de
dezembro de 2010
• Possibilidade de enquadramento como segurado de
baixa renda (códigos próprios:
http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributa
ria/pagamentos-e-parcelamentos/codigos-de-
receita/codigos-de-receita-de-contribuicao-
previdenciaria )
• Jurisprudência – STJ: REsp 1321493 – Tema 554

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CONTRIBUINTE INDIVIDUAL – NÃO TRABALHADOR RURAL
• Art. 11, inc. V, alínea “a EMPRESÁRIO/EMPREGADOR
RURAL
• a pessoa física, proprietária ou não,
• que explora atividade agropecuária, a qualquer título,
• em caráter permanente ou temporário,
• em área superior a 4 (quatro) módulos fiscais; ou,
• quando em área igual ou inferior a 4 (quatro) módulos
fiscais ou atividade pesqueira,
• com auxílio de empregados ou
• por intermédio de prepostos;
• Extensivo a outros membros da família
• Art. 20 da IN 77/15 – vigência da Lei 11718 (módulos)

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CONTRIBUIÇÃO SOBRE A PRODUÇÃO RURAL

• CF – art. 195:
• Inc I – sobre a folha de salários, faturamento e
lucro
• § 8º - sobre a produção
• Lei 8.212/91 – art. 25 – Contribuição de 3% sobre a
produção: segurado especial
• Alteração Lei 8.540/92 – 2% + 0,1 para SAT :
segurados especiais e empregadores rurais (estes
em substituição à contribuição sobre a folha de
salários)

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CONTRIBUIÇÃO SOBRE
A PRODUÇÃO RURAL

• EC 20/98: Empregador contribuirá


sobre folha de salários, receita,
faturamento e lucro.
• RE 363852 – ausência de previsão
constitucional e opção pela lei
ordinária (contrário ao disposto no §
4º do art. 195, que exige LC):
extensão da contribuição sobre a
produção para empregadores foi
julgada inconstitucional

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CONTRIBUIÇÃO SOBRE A
PRODUÇÃO RURAL

• EC 20/98: Empregador contribuirá


sobre folha de salários, receita,
faturamento e lucro.
• Lei 10.256/01 – nova redação art.
25 da lei 8.212/91 – mantendo
contribuição sobre a produção
• 2010 - RE 363852 – ausência de
previsão constitucional e opção
pela lei ordinária (contrário ao
disposto no § 4º do art. 195, que
exige LC): extensão da contribuição
sobre a produção para
empregadores foi julgada
inconstitucional

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CONTRIBUIÇÃO SOBRE A PRODUÇÃO RURAL
• 2017 - RE 718874 – julgou constitucional a Lei
10.259/01
• Lei 13.606/18 – deu nova redação à Lei 8.212/91:
• Reduzindo a alíquota de 2,1 para 1,3%
• Permitindo a opção entre pagar sobre a produção
ou sobre a folha
• Retirando da base de cálculo: produção rural
destinada ao plantio ou reflorestamento, nem o
produto animal destinado à reprodução ou
criação pecuária ou granjeira e à utilização como
cobaia para fins de pesquisas científicas, quando
vendido pelo próprio produtor e por quem a
utilize diretamente com essas finalidades e, no
caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade
registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento que se dedique ao comércio de
sementes e mudas no País

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CONTRIBUIÇÃO DO
SEGURADO ESPECIAL
• Além da contribuição sobre a produção
(compulsória) o segurado especial pode
contribuir facultativamente - Lei
8.212/91. Art. 25 § 1º
• A CONTRIBUIÇÃO É FACULTATIVA, NÃO O
SEGURADO!!
• Valor declarado
• Códigos de recolhimento: 1503 e 1554
(mensal e trimestral)

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COMPROVAÇÃO DA
ATIVIDADE RURAL

• Art. 55, § 3º da Lei


8.213/91 –
exigência de início
de prova material
• contemporânea
• Súmula 149 STJ
• REsp 1321493
(Tema 554)
• Súmula 577 STJ
47
COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL
• ALTERADO PELA MP 871/19
• CADASTRAMENTO DOS SEGURADOS ESPECIAIS
• Lei 8.213/91: Art. 38-A. O Ministério da Previdência Social
desenvolverá programa de cadastramento dos segurados
especiais
• podendo para tanto firmar convênio com órgãos federais,
estaduais ou do Distrito Federal e dos Municípios, bem
como com entidades de classe, em especial as respectivas
confederações ou federações
• Sem ônus para o segurado
• Atualização anual dos dados
48
COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL

• CADASTRAMENTO DOS SEGURADOS ESPECIAIS


• Lei 8.213/91: O Ministério da Economia manterá sistema de
cadastro dos segurados especiais no Cadastro Nacional de
Informações Sociais - CNIS,
• Poderá firmar acordo de cooperação com o Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento e com outros órgãos
da administração pública federal, estadual, distrital e
municipal para a manutenção e a gestão do sistema de
cadastro.
• Preverá a manutenção e a atualização anual do cadastro e
conterá as informações necessárias à caracterização da
condição de segurado especial, nos termos do disposto no
Regulamento.
• Não poderá haver nenhum ônus para os segurados, sejam
eles filiados ou não às entidades conveniadas.
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COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL

• CADASTRAMENTO DOS SEGURADOS ESPECIAIS


• O INSS, no ato de habilitação ou de concessão de benefício,
deverá verificar a condição de segurado especial e, se for o
caso, o pagamento da contribuição previdenciária, nos termos
da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, considerando, dentre
outros, o que consta do Cadastro Nacional de Informações
Sociais (CNIS) de que trata o art. 29-A desta Lei.
• A atualização anual será feita até 30 de junho do ano
subsequente.
• Decorrido esse prazo o segurado especial só poderá computar
o período de trabalho rural se efetuado em época própria o
recolhimento na forma prevista no art. 25 da Lei nº 8.212, de
1991.
• É vedada a atualização anual após o prazo de cinco anos,
contado de 30 de junho do ano seguinte. 50
COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL

• Art. 106 da Lei 8.213/91 - Documentos em espécie para o


segurado especial:
• Contrato de arrendamento, parceira, meação ou
comodato rural
• Certidão do INCRA
• Notas fiscais de produtor
• Notas de compra de produtos
• Comprovante de pagamento de contribuição
previdenciária
• Cópia da declaração de imposto de renda
• Licença de ocupação ou permissão outorgada pelo
INCRA (para assentados)

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COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL

• Tema 18 TNU:
• A certidão do INCRA ou outro documento que
comprove propriedade de imóvel em nome de
integrantes do grupo familiar do segurado é razoável
início de prova material da condição de segurado
especial para fins de aposentadoria rural por idade,
inclusive dos períodos trabalhados a partir dos 12
anos de idade, antes da publicação da Lei n. 8.213/91.
Desnecessidade de comprovação de todo o período
de carência.
• Ver Dec.-Lei 1166/71

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COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL

• Art. 106 da Lei 8.213/91 - Declaração do


Sindicato:
• Deve conter as principais informações
sobre o segurado, o grupo familiar e o
trabalho rural
• Não é prova plena
• Seu valor é relativo tanto no âmbito
administrativo como judicial
• Pode substituir a Justificação
Administrativa
• O Sindicato pode cobrar?
• Ver parecer 3.136/03 CJ/MPS
• MODELO: MODELO DECLARAÇÃO.doc

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COMPROVAÇÃO DA
ATIVIDADE RURAL
• Ainda sobre a Declaração do Sindicato:
• Só pode conter período anterior à fundação se
baseado em início de prova material
• Sindicado deve manter segunda via
• Deve ser em ordem crescente
• Sindicato deve depositar estatuto e ata de
posse
• Se trabalhou em mais de um município deve ter
mais de uma declaração
• Deve-se verificar a base territorial – pode ser
maior que um município
• Onde não houver sindicato pode ser emitida
por outras autoridades
• Declaração da FUNAI só precisa ser
homologada quanto à forma 54
COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL
Art. 106 – A comprovação do exercício de
atividade rural será feita,
complementarmente à declaração de que
trata o art. 38-B, por meio de:
IV – Certidão INCRA (revogado)
IV - Declaração de Aptidão ao Programa
Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar, de que trata o inciso II do caput do
art. 2º da Lei nº 12.188, de 11 de janeiro de
2010, ou por documento que a substitua,
emitidas apenas por instituições ou
organizações públicas;|
CADASTRO NO CNIS

• Art. 38-B. O INSS utilizará as informações


constantes do cadastro de que trata o art. 38-A
para fins de comprovação do exercício da atividade
e da condição do segurado especial e do respectivo
grupo familiar.
• A partir de 1º de janeiro de 2020, a comprovação
da condição e do exercício da atividade rural do
segurado especial ocorrerá exclusivamente pelas
informações constantes do cadastro a que se refere
o art. 38-A.

56
CADASTRO NO CNIS
• Para o período anterior a 1º de janeiro de 2020, o
segurado especial comprovará o tempo de exercício
da atividade rural por meio de autodeclaração
ratificada por entidades públicas credenciadas,
• nos termos do disposto no art. 13 da Lei nº 12.188, de
11 de janeiro de 2010, e por outros órgãos públicos,
na forma prevista no Regulamento.
• Credenciadas pelos Conselhos Estaduais de
Desenvolvimento Sustentável e da Agricultura
Familiar

5
7
CADASTRO NO CNIS
• Lei 12.188/10. Art. 15. São requisitos para obter o
credenciamento como Entidade Executora do Pronater:
• I - contemplar em seu objeto social a execução de serviços de
assistência técnica e extensão rural;
• II - estar legalmente constituída há mais de 5 (cinco) anos;
• III - possuir base geográfica de atuação no Estado em que
solicitar o credenciamento;
• IV - contar com corpo técnico multidisciplinar, abrangendo as
áreas de especialidade exigidas para a atividade;
• V - dispor de profissionais registrados em suas respectivas
entidades profissionais competentes, quando for o caso;
• VI - atender a outras exigências estipuladas em regulamento.
• Parágrafo único. O prazo previsto no inciso II não se aplica às
entidades públicas.

58
AUTODECLARAÇÃO

• Na hipótese de haver divergência de


informações, para fins de reconhecimento de
direito com vistas à concessão de benefício, o
INSS poderá exigir a apresentação dos
documentos referidos no art. 106.

59
AUTODECLARAÇÃO

• Art. 32. A ratificação prevista no § 2º do art. 38-B


da Lei nº 8.213, de 1991, será exigida pelo INSS
após o prazo de sessenta dias, contado da data de
sua publicação.
• Parágrafo único. No decorrer do prazo de que trata
o caput, será aceita pelo INSS a autodeclaração do
segurado independentemente da ratificação
prevista no § 2º do art. 38-B da Lei nº 8.213, de
1991, e sem prejuízo do disposto no § 3º do
referido artigo.

60
COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL

• Art. 54 da IN 77/15 - Documentos em espécie para o


segurado especial:
• Documentos que informam profissão: religiosos, de
saúde, de órgãos públicos, ...
• Documentos que indicam endereço: conta de água, luz,
etc.
• Documentos que indicam trabalho rural: assistência
técnica, Pronaf, ficha do sindicato, compra de
implementos, associação de produtores rurais.
• Nenhuma lista é exaustiva

61
COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL

• OUTROS ASPECTOS RELATIVOS À PROVA:


• Os documentos do art. 106 da Lei e do art. 54
da IN 77 devem ser considerados para todos
os membros do grupo familiar.
• Devem ser considerados os documentos
ainda que anteriores ao período a ser
comprovado: Parecer CJ/MPS nº 3.136/03.
• TNU - Tema 3: No caso de aposentadoria por
idade rural, é dispensável a existência de
prova documental contemporânea, podendo
ser estendida a outros períodos através de
robusta prova testemunhal.

62
• Art. 39 da IN 77/15: Não
integram o grupo familiar do
segurado especial os filhos
casados, separados,
divorciados, viúvos e ainda
aqueles que estão ou
estiveram em união estável,
inclusive os homoafetivos, os
irmãos, os genros e as noras,
os sogros, os tios, os
sobrinhos, os primos, os
netos e os afins;
COMPROVAÇÃO DA
ATIVIDADE RURAL
63
COMPROVAÇÃO DA
ATIVIDADE RURAL
• OUTROS ASPECTOS RELATIVOS À
PROVA:
• Os documentos do art. 106 podem ser
aceitos ainda que estejam em nome
de quem não é segurado especial (art.
47, § 4º IN)
• o enquadramento do herdeiro na
condição de segurado especial
independe da realização da partilha
dos bens (art. 51 da IN)

64
COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL

• O ROL DE DOCUMENTOS
DE ATIVIDADE RURAL
NÃO É TAXATIVO.

65
COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL
• OUTROS ASPECTOS RELATIVOS À PROVA:
• Os pais podem integrar o grupo familiar dos filhos solteiros
que não estão ou estiveram em união estável
• IN 77/15 Art. 47.
• Os documentos do art 106 da Lei 8.213, ainda que estejam
em nome do cônjuge, do companheiro ou companheira,
inclusive os homoafetivos, que não detenham a condição
de segurado especial, poderão ser aceitos para os demais
membros do grupo familiar,
• desde que corroborados com a declaração do Sindicato.
• Tema 32 TNU: Certidão de óbito configura início de prova
material para caracterização da atividade rural, para fins de
pensão por morte.
66
COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL

• OUTROS ASPECTOS RELATIVOS À PROVA:


• Procedimentos antigos: entrevista, oitiva de
testemunhas, pesquisa in loco
• Procedimentos atuais: Declaração de
trabalhador rural NOVO MODELO ENTREVISTA
RURAL.pdf, cruzamento de dados, Justificação
Administrativa.

67
COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL

• COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE
RURAL DO EMPREGADO:
• Carteira de Trabalho
• Contrato de trabalho
• Perfil Profissiográfico
• Declaração do empregador (?)
• Prova testemunhal (JA)

68
COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL

69
APOSENTADORIA RURAL
•Base legal: art. 143 x art
39 da Lei 8.213/91
•Parecer 39/06 da CJ/MPS

70
APOSENTADORIA RURAL

• Imediatamente anterior ao requerimento (ou ao preenchimento


dos requisitos):
• Não aplicação do art. 3º da Lei 10.666/03 (desconsideração da
perda da qualidade de segurado) - PETIÇÃO 7.476/PR - STJ
• Tema 145 TNU - Para a obtenção de aposentadoria por idade
rural, é indispensável o exercício e a demonstração da atividade
campesina correspondente à carência no período imediatamente
anterior ao atingimento da idade mínima ou ao requerimento
administrativo.
• O que é imediatamente anterior? REsp 1354908/SP
• Art. 137, 159 e 231 da IN 77/15 – preveem a manutenção da
qualidade de segurado

71
APOSENTADORIA RURAL

• Descontinuidade da atividade rural:


• Posição TNU: período máximo de afastamento 36 meses
(fundamento: art. 15 da Lei 8.213/91) – Tema 37 fala em
breves períodos de afastamento
• Posição TRF4 – período mínimo de retorno 5 anos
(fundamento: art. 24, parágrafo único da Lei 8.213/91 – já
revogado)
• Posição STJ: não há uniformização – mas aplicam
descontinuidade sem limites com base na normatização do
INSS (Ex.: AREsp nº 1099611)

72
APOSENTADORIA RURAL
• Descontinuidade da atividade rural:
• IN 77/15 – art. 158, parágrafo único:
• Entendem-se como forma descontínua os períodos
intercalados de exercício de atividades rurais, ou
urbana e rural, com ou sem a ocorrência da perda
da qualidade de segurado,
• Desde que tenha um início de prova material para
cada período.
• IN 77/15. Art. 39. § 5º Na hipótese de períodos
intercalados de exercício de atividade rural e
urbana, o requerente deverá apresentar um
documento, em nome próprio, de prova material
do exercício de atividade rural após cada período
de atividade urbana.
• Essa questão é objeto de IRDR no TRF4 73
APOSENTADORIA RURAL

• SOBRE A SOMA DE
PERÍODOS
INTERCALADOS A IN É
MELHOR QUE A
JURISPRUDÊNCIA

74
APOSENTADORIA RURAL

• Regra de transição do empregado rural:


• Até 1991 não recolhia contribuições
• Após 1991 contribui diretamente, mas é
necessário apenas prova atividade
• Após 2011 começa a ter que comprovar
condição de empregado, porém, com contagem
diferenciada de carência:
• De janeiro de 2011 a dezembro de 2015 cada
mês de emprego é multiplicado por 3
• De janeiro de 2016 a dezembro de 2020 cada
mês de emprego é multiplicado por 2
75
APOSENTADORIA HÍBRIDA

• Introduzida pela Lei 11.718/08 – inclusão


do § 3º no art. 48 da Lei 8.213
• Art. 48 – caput – aposentadoria urbana
• § 1º e § 2º - aposentadoria rural
• § 3º - aposentadoria híbrida ou mista
• § 4º - cálculo da aposentadoria híbrida

76
APOSENTADORIA HÍBRIDA

• Posição do INSS
• A aposentadoria híbrida só é
possível se a última atividade for
rural
• Alternativamente, não é possível
computar período rural antes de
1991 – com base no art. 55 § 2º
da Lei 8.213/91

77
APOSENTADORIA HÍBRIDA
• TRF4 - AC Nº 0014935-23.2010.404.9999/RS – última atividade pode ser
urbana
• No mesmo sentido: REsp 1367479/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/09/2014, DJe 10/09/2014 e
REsp 1407613/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA,
julgado em 14/10/2014, DJe 28/11/2014
• Mudança de posição da TNU: PEDILEF 50009573320124047214
• Tema 131 –
• é irrelevante a natureza rural ou urbana da atividade exercida pelo segurado no período
imediatamente anterior
• Não há vedação para que o tempo rural anterior à Lei 8.213/91 seja considerado.

78
APOSENTADORIA HÍBRIDA

• TNU – Tema 168 - Saber se é possível o cômputo de período rural,


remoto e descontínuo, laborado em regime de economia familiar,
para fins de concessão de benefício de aposentadoria por idade
híbrida.
• Tese firmada: "Para a concessão do benefício de aposentadoria
por idade híbrida, não é possível somar ao período de carência,
urbano ou rural, o tempo de serviço prestado remotamente na
qualidade de trabalhador rural sem contribuição. Para fins dessa
tese, entende-se por tempo remoto aquele que não se enquadra
na descontinuidade admitida pela legislação, para fins de
aposentadoria rural por idade, a ser avaliada no caso concreto.“

79
APOSENTADORIA HÍBRIDA

• Memorando-Circular Conjunto nº 1
/DIRBEN/PFE/INSS
• Decisão judicial com deferimento de execução
provisória na Ação Civil Pública - ACP nº
5038261-15.2015.4.04.7100/RS para fins de
assegurar o direito à aposentadoria por idade
na modalidade híbrida, independentemente
de qual tenha sido a última atividade
profissional desenvolvida – rural ou urbana.
• ACP está no STJ: 2018/0080381-9 - REsp nº
1734204

80
APOSENTADORIA HÍBRIDA

• HOJE A VIA ADMINISTRATIVA É


O MELHOR CAMINHO PARA A
CONCESSÃO DA
APOSENTADORIA HÍBRIDA

81
APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO
• Art. 55. - O que conta para tempo de serviço
• § 2º Possibilidade de computar período rural:
• anterior à data de início de vigência desta Lei
• independentemente do recolhimento das contribuições
• exceto para efeito de carência
• Período de empregado rural conta para carência – RESP 1352791
• No mesmo sentido Tema 153 TNU
• Período posterior a 1991: indenização – art. 189 IN e art. 45-A da
Lei 8.212/91 – restituição de multa e juros do período anterior a
1996
• Possibilidade de revisão do benefício para inclusão período rural:
• Interesse de agir
• Valor da causa
• Ajuizamento

82
CERTIDÃO DE TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO
• Art. 96. - Indenização a qualquer tempo
• Mesmos critérios art. 45-A
• Limitação ao teto do RGPS
• Tema 609 STJ
• ADI 1664 STF

83
BENEFÍCIOS POR
INCAPACIDADE
• Auxílio-doença: é fundamental trabalhar a
profissiografia
• Os empregados precisam provar carência,
salvo exceções
• Os segurados especiais precisam provar
atividade rural
• O que fazer com os que estiveram
afastados e retornaram após a revisão de
benefícios?
• Auxílio-acidente: REsp 1361410

84
BENEFÍCIOS À FAMÍLIA
• Pensão por morte:
• Comprovação da qualidade de dependente
• Dificuldade de documentação quando
companheiros
• Condição de segurada especial antes 1991 e
pós CF? RE 352744
• Direito à pensão antes da CF 1988? RE 880521

85
BENEFÍCIOS À FAMÍLIA
• Auxílio-reclusão: Nas mesmas condições da
pensão por morte
• Salário-maternidade: benefício instituído em 1994
• Salário-família: devido sem restrições aos
empregados e aos segurados especiais, estes
quando aposentados com 55 anos mulher e 60
anos homem (art. 359 IN 77/15)

86
BENEFÍCIOS AOS TRABALHADORES RURAIS

• OS TRABALHADORES RURAIS NÃO


TÊM DIREITO APENAS À
APOSENTADORIA RURAL.
• TÊM DIREITO A VÁRIOS OUTROS
BENEFICIOS.

87
VALOR DO BENEFÍCIO
• Geralmente salário-mínimo
• Exceções:
• Segurado especial que
contribui facultativamente
• Contribuinte individual que
recolheu contribuições
• Empregado rural
• Aposentadoria híbrida

88
PRÁTICA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO
• INSS DIGITAL
• Fazer um bom requerimento
• Descrever a história de vida do segurado
• Informar se já houve benefício concedido ou
indeferido anteriormente
• Relacionar as provas juntadas
• Solicitar sejam anexadas provas já existentes em
outros processos

89
PRÁTICA DO RECURSO ADMINISTRATIVO

• VANTAGENS:
• Real possibilidade de reconhecimento do direito
• Possibilidade de produção de provas
• Determinação de realização de JA ou pesquisa
• Sustentação oral
• DESVANTAGENS:
• Eventual demora
• Dificuldade de acompanhamento pelo segurado
• Pagamento/destaque de honorários

90
PETIÇÃO INICIAL
• Quais foram os problemas do processo
administrativo? Porque o benefício foi negado?
• Qual a tese de direito? Por que, de acordo com a Lei,
o INSS está errado?
• Vinculação com as provas dos autos
• Fundamentação: usar a IN
• Pesquisa específica (problema do processo) de
Jurisprudência
• Produção de provas: testemunhal, JA, inspeção,
documentos
• Pedido de averbação, se for o caso.
• Pedido de reafirmação da DER
• Pedido alternativo de reabilitação profissional em
benefícios por incapacidade
• Problema do efeito surpresa nos benefícios rurais
91
ALGUMAS TESES DE
DIREITO
• A residência na cidade não impede a condição de
segurado especial
• Outra fonte de renda não exclui todo grupo
familiar. , quando a atividade é desenvolvida
individualmente
• O tamanho da propriedade não descaracteriza o
segurado especial
• A atividade rural pode ser para o
desenvolvimento, não apenas para subsistência
• A quantidade de produção ou a utilização de
maquinário não são critérios legais para a
caracterização do segurado especial
• Possibilidade de utilização de documentos em
nome de outro membro do grupo familiar
• A contratação eventual de mão-de-obra não
descaracteriza a condição de segurado especial
92
ALGUMAS TESES DE
DIREITO
• É possível somar períodos intercalados de atividade
rural
• Para a aposentadoria híbrida é possível somar
períodos rurais e urbanos ainda que a última
atividade seja rural
• Para a aposentadoria híbrida é possível somar
períodos rurais e urbanos ainda que a atividade
rural seja anterior a 1991 (portanto, remota e
descontínua)
• É devida a concessão de pensão por óbito ocorrido
antes de 1991 e antes de 1988
• É devido o auxílio-acidente ao segurado especial
ainda que não tenha havido recolhimento de
contribuições facultativas
• O segurado tem direito à reabilitação profissional
se estiver incapaz para a atividade habitual e não
incapaz para toda e qualquer atividade
• MP 871 – Cadastro não é uma exigência
constitucional

93
SEGUNDA INSTÂNCIA
• Lembre-se: TR/TRF/TJ constituem a última
instância em matéria de fato
• Todavia, a tese de direito é fundamental
• Juntada de novas provas em segundo grau: fato
superveniente. Não se deve incluir novos
períodos/fatos não discutidos
• Deve-se “responder” o efeito surpresa e o
pronunciamento de ofício
• Importância da sustentação oral e da
apresentação de memoriais
• Cuidado com o acórdão – verificar se não é
necessário embargar

94
UNIFORMIZAÇÃO DE
JURISPRUDÊNCIA

• No Juizado
• Turma Regional de Uniformização
• Turma Nacional de Uniformização
• Superior Tribunal de Justiça
• No rito ordinário:
• Superior Tribunal de Justiça
• Necessário demonstrar a divergência jurisprudencial –
cotejo analítico
• Há muitos casos em que o incidente não é conhecimento
por ausência de similitude fático-jurídica
• IRDR
95
UNIFORMIZAÇÃO DE
JURISPRUDÊNCIA
• Ofensa à Constituição por via direta
ou reflexa?
• Dignidade da pessoa humana (?)
• Ex1: Benefício de salário mínimo
• Ex2: Uniformidade e equivalência
dos benefícios e serviços às
populações urbanas e rurais

96
ALGUMAS OBRAS

97
REDES SOCIAIS
• Email: jane@janeberwanger.adv.br
• Site: www.janeberwanger.adv.br
• Facebook: Jane Lucia Berwanger
• Facebook: https://www.facebook.com/janeberwanger.adv.br/
• https://www.facebook.com/janelucia.berwanger
• Instagram: @janeberwangeradvogados
• Instagram: @janeluciaberwanger
PARA FINALIZAR
• Faça o melhor desde o começo
(requerimento administrativo)
• Elabore bem a estratégia do
processo
• Comunique-se bem com o
cliente, especialmente o rural
• Trabalhe bem o processo.
• BOA SORTE!!

99
MUITO OBRIGADA

JANE LUCIA WILHELM BERWANGER