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LOLA BENVENUTTI

2014

MosArte

EDITORA

Copyright © 2014 Gabriela Natalia da Silva - Lola Benvenutti


Projeto gráfico e diagramação Editora MosArte

Preparação e revisão Evaneide Araújo

Capa: Kelly Santos

Imagens da capa © dreamstime

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) B456p

Benvenutti, Lola.

O prazer é todo nosso / Lola Benvenutti. 1. ed. Araraquara: Editora MosArte, 2014.

192p.; 23 cm.

ISBN: 978-85-66989-03-8

1. Lola Benvenutti. 2. Liberdade Sexual. 3. Erotismo. I. Título

CDD-920.930141

2014

Todos os direitos desta edição reservados à EDITORA BACK LTDA.

Caixa Postal n°49 CEP 14801-970 Araraquara - SP Fone: (16) 3214-9520

www.editoramosarte.com.br contato@edi toramosarte.com.br

A todos que têm prazer em gozar a Vida livres de tabus e preconceitos.

A minha mãe, meu pai e meu irmão, Aos familiares e amigos de grandes e pequenas batalhas, A
Gabriela Leite, uma puta mulher forte.

Apresentação

Sou Lola Benvenutti e faço porque gosto!

Como defendo a liberdade sexual, recebo constantemente mensagens de pessoas pedindo dicas ou
conselhos sobre sexo, querendo tirar dúvidas ou conhecer um pouco mais o universo do prazer.
Perceber a dificuldade de muitos frente a um tema que deveria ser tratado de maneira natural, sem os
tabus habituais, motivou-me a escrever este livro.

Como o universo da sexualidade está cercado por mitos, as pessoas têm dificuldades em assumir o
que são e o que gostam. No entanto, náo há nada de errado em desejar e querer satisfazer seus
desejos. Na verdade, deixá-los resguardados em área artificialmente proibida de nossos sentimentos
é que é problemático. A sexualidade faz parte de nossa vida e não deve ser ignorada ou escondida,
pois ao fazer isso rejeitamos uma parte muito importante de nós mesmos.

No universo das práticas sexuais pagas estão em jogo relações entre pessoas e a profissional do sexo
depara-se constantemente com diversas situações. Aqueles que procuram uma prostituta, o fazem por
variados motivos, seja para saciar seus desejos mais secretos, seja para ter um contato humano com
alguém que não os julgue. Digo isso, pois, diante da impossibilidade de vivenciar abertamente sua
sexualidade, confusas em relação a seus desejos e anseios, pessoas se voltam para ela, sabendo que
ali, com uma desconhecida, poderão ser quem são, sem julgamentos, e que terão sua individualidade
respeitada.

A prostituta, quando contratada, tem por função deixar seu cliente satisfeito, proporcionando-lhe
momentos de prazer e descoberta. Tudo isso deveria ser relativamente fácil de conseguir em relações
humanas que não envolvam dinheiro. Mas, se liá um mercado para este trabalho, isso ocorre
|>oi<11ic as pessoas têm dificuldade de se relacionar sexualmente entre si com sinceridade e
cumplicidade.

Assumir quem somos e o que gostamos no âmbito do universo sexual <liui.nula coragem. Eu faço o
que faço porque gosto, porque sou mulher, porque sou humana e tenho direito de traçar meu próprio
caminho. A liberdade está em se fazer as próprias escolhas, de forma autônoma. É preciso, pois,
pulverizar diariamente preconceitos e mitos que incorporamos cotidianamente.

Para que isso aconteça, contudo, é importante que nos permitamos conhecer a nós mesmos e
estejamos predispostos a conhecer o outro, no jogo das relações afetivas e sexuais. A sinceridade e a
liberdade, nesse sentido, caminham juntas, pois nos sentiremos livres quando pudermos assumir
quem somos e o que desejamos. Esse é um passo importante, inclusive, para o estabelecimento de
uma relação de cumplicidade e prazer com nosso parceiro ou parceira. Digo isso, pois, para o
sucesso em uma relação sexual, é preciso que você se sinta bem consigo e confie em seu
companheiro (a), compartilhando seus desejos sexuais.

É preciso dizer, aliás, que o sexo não precisa ser algo monótono, ele pode ser a realização de
fantasias e a satisfação de desejos. Ele precisa ser visto antes de qualquer coisa como uma atividade
lúdica, uma encenação saudável na busca pelo prazer. Assim sendo, tudo é válido nas relações
afetivas e sexuais se ambos estiverem de acordo e não há certo ou errado entre quatro paredes
quando se trata de sexo consensual.

As melhores transas são, aliás, aquelas em que os parceiros, embalados pelo desejo e excitação,
usam a criatividade, a imaginação e a experimentação de maneira lúdica. As possibilidades de
prazer nas práticas sexuais são muitas e distintas, afinal há um corpo inteiro para ser explorado e
sexo bom é aquele que atiça todos os nossos sentidos de maneira inesperada, por isso há muito poder
em todo o tipo de sugestão: uma música especial, um cheiro diferente, roupas com texturas
inusitadas, sabores e, claro, o

poilci do olhar direcionado ao outro ou da venda, que limita a visão e dá vasáo à imaginação.

Busco desconstruir incessantemente meus preconceitos e limitações c vivo, enquanto mulher, na


descoberta constante de todo o meu prazer. Espero que estas linhas despertem em você a percepção
de que o mundo das práticas sexuais e das experiências entre corpos é um leque imenso que cresce e
varia à medida que qualquer pessoa expõe seus desejos, para isso basta estar aberto às
possibilidades. Afinal, todo aprendizado só é possível se estivermos abertos para o novo.

Por isso, busco apresentar na primeira parte deste livro algumas das infinitas possibilidades de se
obter prazer nas relações afetivas e sexuais, baseando-me nas andanças, experiências e danças que
dancei em diversas ocasiões: a dança dos desejos, da sedução e do sexo. Tento, aqui, desmisti-ficar
alguns mitos sexuais dos mais simples aos mais diferentes, por assim dizer.

Na segunda parte, falo um pouco sobre minha trajetória pessoal, desvelando as situações que vivi e
os caminhos que tomei quando, mesmo formada em uma das universidades mais reconhecidas do
país, escolhi a profissão mais antiga do mundo: a prostituição.

Este livro é dedicado a todos que desejam gozar a Vida longe de tabus e preconceitos e serem livres
para descobrir seu corpo e suas inúmeras possibilidades de prazer. E destinado a todos que aspiram
a liberdade para o deleite no encontro de corpos que se desejam. Enfim, é oferecido àqueles que têm
curiosidades sexuais e querem viver intensamente o prazer a que todos têm direito e que é, portanto,
todo nosso.

Aprecie a leitura.

Com carinho e desejo.

Lola Benvenutti.

PARTE I

Entre toques e suspiros

Bê-á-bá do prazer

Um dia recebi uma ligação de uma mulher casada que foi bem direta comigo: — Lola, nunca tive um
orgasmo. Pode me ajudar nisso?
Esta é uma situação que acontece com frequência, pois muitas mulheres me procuram buscando
resolver tal dificuldade. Antes de tudo, preciso dizer que cada corpo é único. Cada mulher sente a
relação sexual de uma maneira particular, a partir de sua história pessoal, de sua relação com seu
parceiro, do ambiente ao redor, etc. Nesse sentido, a excitação feminina depende de vários fatores
ligados ao ato sexual e o fator emocional é muito importante. A expectativa criada para se ter um
orgasmo, por exemplo, pode gerar ansiedade, impedindo que a relação aconteça de maneira natural,
espontânea.

Sobre o orgasmo, o que posso dizer é que ele, independentemente se é sentido por homens ou
mulheres, é indecifrável e isso não é clichê. Ele é visto como o ápice da excitação sexual, o
resultado de uma série de reações corporais. Mas para que aconteça, é preciso haver uma entrega
total da pessoa, sem nenhum tipo de resistência. Digo isso, pois o bloqueio sexual, e mesmo a
rejeição da sexualidade, pode estar relacionado a algum fator de ordem moral também. Por isso,
quando se trata de sexo, é muito importante não haver julgamento, crítica ou repreensão. Ao
contrário, o momento da relação sexual precisa ser encarado com naturalidade, como um jogo onde
todas as fantasias são permitidas a fim de construir um ambiente favorável para a relação sexual. Daí
a importância de se conhecer o próprio corpo e da habilidade do parceiro de perceber as reações do
corpo feminino e saber estimulá-lo. Além disso, uma boa preliminar é sempre estimulante.

Voltando à cliente que me ligou, a Ju, procurei conhecê-la melhor cm nossos primeiros encontros e
entender sua relação com a própria sexualidade. Ela me disse que era casada há sete anos, que já
tinha tido namorados antes do marido, mas que nunca se sentiu à vontade na hora do sexo ( 0111
nenhum deles. Para ela, segundo seu relato, era quase uma obrigação transar.

Mas como você faz com seu marido? Finge? Perguntei certa vez.

No começo, sim. A decepção dele, vendo que eu não tinha gozado, mc chateava tanto que eu preferi
fingir. Assim, acabava a tortura logo.

Fiquei embasbacada. Fingir assim por tantos anos devia ser muito difícil.

Embora fosse gostosíssima, ela não se sentia bem com o próprio corpo c vivia uma busca incessante
pela perfeição. O que mais me surpreendeu, n.i verdade, foi sua coragem em me procurar. Ela nunca
havia saído com mulheres, embora confessasse a atração.

Quando perguntei se costumava se masturbar, ela me disse que nunca havia tentado. Quase tive um
ataque, pois sempre digo às pessoas que é lundamental conhecer o próprio corpo e ter prazer consigo
mesmo antes de procurar um parceiro que nos satisfaça. Então, com um espelhinho fui pedindo a ela
que se tocasse e levei alguns brinquedinhos para testarmos.

Nossos encontros foram marcados por novidades divertidíssimas. Nós nos víamos toda semana e eu
me empenhava em criar um clima agradável, atrativo, para que ela ficasse à vontade. Seu primeiro
orgasmo foi com um vibrador de cinco intensidades e duas pontas. Já viram? Uma ponta estimula o
clitóris e a outra a vagina, internamente. Eu a vi se contorcendo in-teira e soltando um grito que
parecia estar ali, trancafiado a muito tempo. Naquele exato momento ela se libertou emocionalmente,
permitindo-se sentir prazer.
Depois desse primeiro orgasmo os outros vieram fáceis com sexo oral. Ela descobriu que o que
gostava mesmo era de estímulos no clitóris e não necessariamente da penetração, e era exatamente
nisso que seus parceiros

pecavam. Propus a ela que, quando estivesse com o marido, os dois se roçassem simultaneamente e,
a partir daí, vissem o que rolava. Uns dias depois ela apareceu felicíssima dizendo que tinha tido seu
primeiro orgasmo com o marido. Posso dizer que, além de aprender a gozar, a Ju, nesse processo de
autoconhecimento e autoprazer, também aprendeu a gostar do próprio corpo.

Outro exemplo ligado ao orgasmo é o caso da Beatriz. Ela me ligou um dia revoltada dizendo que
nunca havia gozado e queria que eu a ensinasse a gozar. Eu tentei amenizar a situação:

— Bia, se você não tá curtindo transar com alguém, por que continua?

— Eu sinto tesão, Lola, só que eu não gozo nunca!

— Impossível, Bia. Sozinha você se toca, certo? E quando faz isso…

— Nada, Lola.

Cheguei a pensar que ela estivesse me procurando para saciar uma fantasia, ou sei lá o quê, mas
percebi que ela estava realmente desolada. Combinamos de nos encontrar numa tarde de sol em um
motel bonitinho. Quando ela chegou lá, parecia tímida. Conversamos durante um tempo sobre sexo e
eu me divertia com as perguntas que ela fazia cada vez que descobria um acessório diferente na
minha bolsa:

— Mas essa pontinha aqui serve para quê, Lola?

— Hum… Para estimular o clitóris…

— E isso aqui? Parece uma língua…

— E é, mais ou menos, tá vendo essa base com textura? Aperta o botão que ela vibra e massageia o
clitóris enquanto penetra para alcançar o ponto G…

E de supetão ela resolveu ficar nua. Fiquei surpresa com a desenvoltura com que tirou a roupa e foi
até a cama. Não pensei duas vezes e logo fui lá fazer uma massagem para ela relaxar.

— O que você quer aprender, afinal?

— O toque feminino. Estou achando que sou lésbica.

Bia, ninguém “acha” uma coisa dessas. A gente aprende a desejar um l ipo ou outro de corpo e aí, às
vezes, os desejos que são “proibidos” vêm à tona e…

1,1a aproximou seu rosto do meu, olhou em meus olhos e me beijou com intensidade. Deslizamos
pelos lençóis entre beijos e abraços ardentes. Nos intervalos dos beijos nós conversávamos e ela
dizia o quanto a pele, o cheiro e o toque de uma mulher eram diferentes em comparação ao corpo c
loque de um homem. Ao longo da conversa, entremeada por toques e carícias, tentei mostrar a ela
que tudo é relativo e que há homens delicados assim como há mulheres que são tão viris quanto um
“macho”.

Com os corpos ardendo, vendei os olhos dela. Como ela começava a dizer: “Me prende, me amarra!”
eu me empolguei e, usando minhas técnicas de Bondage, amarrei suas mãos para trás e imobilizei
suas pernas também para trás, unindo toda a amarração na altura de suas costas. Quietinha, c ia
arfava.

— Bia, agora vou te ensinar a gozar.

Lubrifiquei muito bem as suas partes enquanto a massageava e ela, gemendo, começava a se
contorcer. Quando chegou ao motel e olhava, curiosa, os brinquedos, ela foi apelidando cada um e
eu, nesse momento, com muita disciplina, fui lhe dizendo:

— Este aqui é o Tommy, você se lembra dele?

E ela delirava mais e mais cada vez que um brinquedo lhe causava uma sensação diferente. Em
pouco tempo todo o seu corpo tremia, mas eu não parei, até porque o que ela fazia era só pedir mais.

Ela gritava loucamente, gemia, suspirava, falava palavrões que eu nunca tinha escutado e parecia que
isso lhe dava ainda mais prazer. Seu corpo licou assim, sem controle, por mais de 20 minutos, até
que vi que estava cansada e parei. Ela tinha o corpo exausto quando soltei suas amarras e tirei a
venda de seus olhos. Peguei suas mãos e levei-as até a parte que até então só eu tocava.

— Viu, Bia, você goza e goza muito e gostoso!

O orgasmo, vou chama-lo de “indefinível”, sáo essas sensações que nos la/.cm perder o controle.
Quando homens e mulheres têm movimentos involuntários pelo corpo, quando um suspiro se
prolonga, quando o ar parece Ialtar ou quando sentimos vontade de gritar e extravasar, tudo isso são,
para mim, manifestações do orgasmo.

No sexo vale o minimalismo, ou seja, observar os pequenos atos, charmes e beijos para proporcionar
prazer ao nosso parceiro. Se a ocasião e os ânimos permitirem, aí sim tudo pode se prolongar.

O que sei é que, cientificamente falando, o orgasmo feminino é muito mais duradouro do que o
masculino, pois as mulheres podem sentir a mesma sensação durante minutos, enquanto os homens,
após gozarem, ao menos em geral, precisam de um intervalo para se recuperar. Intervalo que não
significa, no entanto, que brincadeirinhas não possam incentivar a noite a se prolongar.

Daí vai dos parceiros terem a intimidade suficiente para compreenderem seus corpos nesses
momentos. O homem e a mulher podem adiar um pouco o orgasmo para tentar chegar ao ápice juntos,
o importante é, no final, tudo ter sido bom para ela, para ele, para você e, se estivermos juntos um
dia, para mim.
Por fim, o prazer está intimamente ligado ao autoconhecimento, pois é importante descobrir o que nos
agrada e o que não nos agrada. Mas só se descobre isso se estivermos abertos à experimentação.
Conhecer seu corpo e suas possibilidades de prazer fez com que a Ju, por exemplo, passasse a se
valorizar mais. Gostar de si e do próprio corpo é fundamental, pois nos deixa mais à vontade para
experimentar novas possibilidades de prazer.

Meu corpo e eu

Quando corpos se tocam na busca pelo prazer, é como se toc assem um instrumento musical. Cada
toque deve ser preciso, a fim de produ/ii o efeito desejado. Acariciar a pele, em movimentos suaves,
e semii siu maciez ou aspereza, detendo-se em cada parte, provoca frisson pelo coi po. O prazer,
como um redemoinho, vai crescendo aos poucos, conloime o clima vai esquentando, até chegar a
picos intensos e devastadores. ( <>m a exploração lenta e gradual, pode-se perceber a resposta do
corpo .1 t .id.i toque, observando as sensações de prazer que se acumulam. Quando .1 melodia se
encaixa na harmonia, a atmosfera do ambiente se transforma, a sensualidade inebria os sentidos. A
respiração acelera e os sons não con seguem mais se conter, expressando a liberação do corpo
quando alinhe o ápice do prazer.

Mas para alcançar o máximo de prazer que o corpo pode propon io nar é preciso estar disposto a
explorar as possibilidades e, antes de tudo, é fundamental conhecer seu próprio corpo e estar bem
consigo mesmo.

É difícil haver alguém que está plenamente satisfeito consigo mesmo e com seu corpo, pois sempre
achamos que há algo para melhorar. Isso r normal. O problema é quando nos fechamos ao mundo, por
vergonlia de quem somos ou por receio da opinião alheia e das reações ao nosso redoi Somos
frágeis diante do olhar do Outro, embora dependamos dele para construir nossa identidade.

Para nós, mulheres, a ideia do corpo sexualizado aparece ao nosso re dor em todos os momentos,
despertando olhares e desejos. Que mullici nunca sonhou em ter seus cabelos esvoaçantes, usar um
vestido sexy agai rado às curvas, ser sustentada por um salto alto, endeusada, enfeitiçando os homens
ao redor enquanto caminha? Essas são imagens que vemos cotidianamente no mundo e que tentamos
reproduzir em nossos corpos. K ali, nos sonhos, sempre temos um corpo bem formado e voluptuoso
em contraste com o sutiã com enchimento de meias que algumas adolescentes usam para parecer
“mocinha”. Também os homens já passaram pela fase de forçar o peitoral para frente ou andam com
os braços rijos e artificialmente separados do corpo para exibir uma suposta virilidade.

Ninguém está imune aos estereótipos da “gostosona” e do “homem forte e viril” projetados em nossa
sociedade, mas acredito que devemos combater aquelas ideias e ideais que nos oprimem. Todas as
pessoas, mulheres e homens, devem procurar sentir-se bem consigo mesmos, usando as roupas que se
sentirem confortáveis, por exemplo, assumindo quem são com altivez e orgulho. Falo das roupas,
porque elas são as primeiras máscaras que aprendemos a usar para que os outros nos olhem da
maneira como queremos ser vistos.

Podemos admirar mulheres com seios e bumbum avantajados, naturais ou artificiais, ou admirarmos
um abdômen “tanquinho”, de glúteos e coxas perfeitos de qualquer Johnny Depp. Mas, antes de tudo,
devemos aceitar a nós mesmos e nosso corpo, pois é ele que pode nos proporcionar grandes
prazeres, a partir das percepções sensoriais. Para valorizar-se é preciso o autoconhecimento; e um
exercício simples para tomar consciência de seu corpo é, após um banho agradável, parar em frente a
um espelho e admirar-se em sua nudez.

O prazer sexual está relacionado com a aceitação de nossos corpos, e valorizar-se é saber ser quem
se é com todas as limitações particulares a cada um. Pode parecer bobagem o conselho de que
“primeiro devemos aprender a gostar de nós mesmos para só então gostarmos de alguém”, mas a
importância dele está no fato de que, enquanto você não estiver satisfeita (o) com seu jeito de ser,
qualquer reprovação ou crítica será suficiente para te desarmar. De outro lado, quando nos sentimos
bem com o nosso modo de ser e estar no mundo, nos sentimos seguras (os) e

prontas (os) para conquistar nos jogos de sedução, seja por uma insinuação, uui olhar… a fim de
despertar os desejos alheios.

A insinuação e o despertar dos desejos

Diariamente jogamos muito com nossas aparências. Nós nos vestimos c nos comportamos de
maneiras específicas em cada tipo de ambiente, pois nascemos para nos adaptar a uma variedade de
situações. Da mesma maneira que o olhar do outro nos afeta, o nosso olhar também pode exaltar ou
ofender alguém, mas o olhar, justamente ele, talvez seja a principal porta de entrada para os desejos
dos corpos da maioria das pessoas.

Não é à toa que, ainda na adolescência, os meninos ficam constrangidos quando têm uma ereção
involuntária, em situações nem sempre favoráveis, quando veem alguém que lhe desperta o desejo;
assim como ocorre c om as meninas que têm os seus seios eriçados diante do toque alheio em
qualquer parte de seu corpo, como os braços, e que lhe provoca algum hem-estar. O olhar e a nossa
imaginação nos excitam.

Por isso, uma roupa, um sorriso, uma parte do corpo à mostra desper-ia desejos, o modo de andar
enfeitiça e mesmo aquela alcinha do sutiã, que escapa ao ombro e se mostra, liberta a imaginação,
aumentando o pulsar do coração, proporcionando aquela sensação de calor, boca seca e mesmo
tremores ou fluidos.

Normalmente as pessoas não reparam nessas pequenas coisas que podem ser artifícios de conquista
ou simplesmente reflexos do seu modo de ser e lidar com seu corpo. Tão poderoso é o olhar que
pode nos proporcionar experiências sexuais prazerosas e libertadoras. Como você se vê ao se olhar
no espelho? Como enxerga os outros no dia-a-dia? Você se sente nua diante de alguns olhares ou
costuma desnudar os corpos dos outros com o seu olhar e a sua imaginação?

Quem nunca sonhou em ver ou fazer um strip-tease? Esse é um desejo comum à maioria dos meus
clientes e, muitas vezes, é um desejo meu. Ninguém precisa ser profissional nas artes da dança ou
usar um figurino elaboradíssimo para fazer isso. As roupas podem ajudar na composição do estilo e
no despertar dos desejos. Pode ser qualquer roupa: aquela calça jeans que você gosta que ele use ou
aquele vestido que sempre lhe rende alguns elogios. Em geral, pensamos apenas em mulheres fazendo
essa performance, mas os homens sabem ser igualmente sexys e provocadores desempenhando esse
papel.

Já me vesti de professora, colegial, enfermeira… Um dia me ligaram de uma república de estudantes


universitários, contratando um strip para um grupo de rapazes, o que é bastante comum. Naquela
época, eu não sabia muito bem o que fazer, já que nem dançar eu dançava direito, pois isso não fazia
parte do meu estilo rock’n’roll. Como combinado, entrei por uma porta lateral e fui recebida por um
dos rapazes, que me levou até um banheiro para que eu me arrumasse: coloquei o espartilho mais
lindo, a lingerie impecável, meias 7/8, saltos poderosos e quando entrei na sala onde os rapazes
estavam, qual foi minha surpresa ao perceber que todos estavam vestidos com camisas xadrez e
chapéus de cowboy!

Superada a surpresa, percebi que eles queriam que eu fizesse um strip ao som de música sertaneja!
Quem for encenar o strip precisa escolher uma música com a qual se identifique independentemente
do gênero. Claro que uma mulher vestida de cowgirl dançando é bastante sensual e faz parte dos
sonhos de muitos, mas aquela nunca seria música de strip-tease para mim, ao menos não naquele
momento, e, para entrar no clima, coloquei meu CD da Sarah Vaughan.

Enfim, depois de termos organizado o ambiente, a maioria das luzes foram apagadas, ficando apenas
algumas que deixavam entrever as curvas de meu corpo, em um claro escuro sugestivo. Finalmente, o
som inebriante de Whatever Lola wants começou a preencher o ambiente, envolvendo a todos em
uma atmosfera puramente sensual. Era uma apresentação, por isso incorporei o meu papel e, de
costas para eles, comecei a dançar e movimentar meu corpo ao ritmo da música; meus cabelos
longos, soltos até minha cintura delgada, eram, por vezes, levantados até o topo de minha cabeça,
enquanto mexia meus quadris. Enquanto isso, alguns deles se colocaram perto de mim para não
perderem nenhum detalhe da minha exibição.

Quando me virei, dei a eles um sorriso sexy. Não se ouvia nenhum ruído, apenas a música ecoava
pela sala criando uma atmosfera sensual para minha exibição. Todos os olhares gulosos estavam no
meu corpo, querendo o que viam e desejando ainda mais aquilo que ainda não estava visível. No
strip a expectativa é fundamental, pois dá asas à imaginação, construindo, 110 expectador, um desejo
que gradativamente vai aumentando conforme o desenrolar da performance. A sedução está nos
movimentos suaves, na revelação gradual e lenta do que está escondido, no jogo do mostrar e
esconder. Enfim, passei a desabotoar parte de meu espartilho: primeiro as luvas, depois mais um
pouco do espartilho e então parte da calcinha. No strip o detalhe de cada movimento é mágico e
precisa ser misterioso.

Às vezes eu me perguntava se eles realmente estavam gostando, pois eu nunca fui uma “mulher fruta”
da vida, sou esguia, mais para uma ninfeta, mas estava me divertindo com aquilo. Quando notei a
expressão de prazer em suas expressões faciais e, obviamente, nas evidentes ereções, me empolguei
e fiquei apenas com a cinta-liga, as meias e os sapatos. O resultado no final da apresentação foi uma
disputa pelos restritos atendimentos depois daquela exibição.

O mais importante neste momento é estarmos à vontade, nos sentindo bem conosco mesmo,
desejáveis e dispostos a despertar e saciar desejos. Se quiser insinuar essa vontade, pequenos atos
podem ajudar como deixar um CD de música na gaveta de peças íntimas de seu parceiro, caso você
queira se despir, ou então deixar uma fantasia de policial, bombeiro, enfermeira, caso queira que ele
ou ela se prepare para se exibir para você, com um bilhetinho dizendo: “Use no momento certo” ou
outra frase provocativa, isso também pode ajudar a despertar esse lado de vocês.

Quando o strip termina em uma relação íntima fica ainda melhor, pois enquanto nos despimos em
qualquer cômodo da casa podemos, de acordo com a intimidade que temos com nosso parceiro,
deixar brinquedinhos espalhados pelo quarto ou cremes e óleos para chamarmos o outro para nossa
dança.

De dar água na boca

O strip-tease envolvendo homens se despindo pode ser tão excitante quanto o oposto. Isso explica,
por exemplo, a existência de casas de shows Irequentadas por mulheres. Embora seja comum
ouvirmos que os homens excitam-se visualmente, também a mulher sente prazer ao ver um homem
tirar a roupa.

Quando vi Cowboy pela primeira vez, foi como se anjos tocassem uma música suave ao meu redor e
eu estivesse mesmo no paraíso, flutuando entre as nuvens. Eu já o havia visto em alguns lugares que
frequentávamos, mas, assim como eu, todas as pessoas ao redor pareciam sentir a mesma sensação
quando ele passava e nosso contato nunca foi além dos meus olhares indiscretos, correspondidos
pelo seu olhar sempre misterioso.

Com cara de rapaz malvado, estilo bad boy, ele estava sempre de botas e chapéu, algo como um
cowboy americano dos filmes de faroeste, mas montado sobre uma moto poderosa. Realmente ele
tinha facilidade em se tornar o centro das atenções com aquela pele morena de sol e os pelos
dourados, que eram o complemento perfeito para os ombros largos, os braços fortes e a bunda mais
linda que já vi.

Nessa época eu era ainda bastante nova e, como quase todo mundo, idealizava muito os corpos e
fazia de tudo para que meu corpo juvenil parecesse com o de uma mulher fatal. Era natural então que
eu enxergasse no Cowboy um príncipe encantado e admirasse aquele cabelo na altura dos ombros, a
barba cheia e bem aparada e os olhos… Ah! bastaria um olhar mais direto para que ele conseguisse o
que quisesse de mim, mas ele nunca tomou a iniciativa e eu, à época, achava que o primeiro passo
deveria partir sempre dos homens.

Eli só o conhecia de vista, sabia muito pouco sobre ele, mesmo assim, nas raras vezes em que nos
vimos, aquele frio na barriga tomava conta do meu corpo e me atordoava por dias. Mesmo não tendo
ainda a coragem suficiente para abordá-lo eu sabia que algo mágico poderia acontecer.

Alguns anos depois, quando eu já exercia essa profissão de que tanto gosto, abri a porta do quarto no
motel em que havia marcado com um (liente e fiquei pasma por vê-lo lá, em carne, osso e com toda
aquela beleza que na adolescência me fazia suspirar e suar. Ele não havia mudado quase nada e,
embora eu já não fosse aquela garotinha apaixonada, tê-lo ali todi-nlio para mim fez com que eu
sentisse as tais “borboletas no estômago” e voltasse a ser aquela adolescente inexperiente.

Minha ansiedade era tanta que fiquei sem reação e o mundo pareceu parar para que nós dois
tivéssemos a eternidade ao nosso lado, para que eu pudesse observá-lo por horas a fio. Cada cliente
tem o seu encanto, mas essas surpresas da carreira, quando um paquera aparece sem aviso prévio…
Ah! Esses encontros são realmente inesquecíveis.

Assim que abri a porta, ele, com aquele sotaque carioca que muito me excitou, disse: — Finalmente!
Esperei muito até que você fosse maior de idade. — Naquele momento, se ele falasse duas frases em
meu ouvido, com certeza eu chegaria ao ponto próximo a um orgasmo, tamanho era o desejo que me
consumia.

— Mas como você sabia minha idade? - perguntei meio constrangida.

— Bom, além da sua carinha de menina, que continua a mesma, digamos que andei me informando
por aí.

Por dentro eu ostentava um sorrisinho e orgulho ao perceber que ele também se interessava por mim
há algum tempo.

Ficamos nos olhando por um tempo até que ele finalmente quebrou o silêncio e disse: — Quero te
pedir uma coisa, Lola. Vou te pagar agora por todo o tempo que quero ficar com você, mas não quero
ser tratado apenas como um cliente. Nosso caso é antigo e merecemos viver isso com todo o ardor,
com todo o desejo e tesão que seguramos até agora, não acha?

Concordei imediatamente, afinal, eu já estava excitada apenas com esse encontro surpresa, e
fiquei até um pouco constrangida em receber o pagamento, já que eu teria saído com ele
facilmente sem cobrar por isso, tendo em vista que se tratava da realização de um desejo
antigo.

Aproximando-se de mim e tocando lentamente meus cabelos compridos, ele disse: — Preparei uma
surpresa para você e garanto que vai se divertir muito.

Eu mal podia esperar! Em geral, nos relacionamentos, as surpresas se limitam a jantares, sessões de
cinema e passeios românticos, quer dizer, nosso parceiro ou parceira contrata esses serviços prontos.
Não que isso seja ruim, mas é diferente quando alguém tenta se superar para nos agradar, como
quando se arrisca na cozinha, dá uma de decorador e muda o cenário da casa, traça um roteiro
inusitado de passeio e em cada parada nos agracia com pequenos mimos e palavras sinceras. Eu
gosto de algum luxo, mas me agrada muito mais saber que a pessoa está fazendo coisas com as quais
não está acostumada. Isso demonstra que ela está realmente se dedicando e se desdobrando para nos
fazer sentir bem.

Enquanto ele estava no banheiro se arrumando eu observava o quarto em que estávamos e não
poderia ser melhor. Aquele dormitório em nada lembrava um quarto de motel tradicional e luxurioso,
pois tudo era branco, em linhas clássicas, havia um belo sofá de couro também branco, uma piscina
com fundo escuro, um deck elegante, duchas convidativas e uma cama imensa, mas tudo discreto e de
muito bom gosto. Os lençóis de fios egípcios tão macios e cheirosos me faziam ter certeza de que eu
não perdia por esperar. Na verdade, o lugar era tão agradável que eu já queria passar horas ali,
enroscada ao corpo dele.
Sempre tive certeza da importância da trilha sonora durante o sexo, pois a música colabora com os
movimentos, induz nossas expressões e nos deixa mais seguros e confortáveis para executar
movimentos vários na hora H. Quando estou embalada por uma trilha sonora com muito Blues e Rock
clássico sempre me sinto extremamente sexy durante uma transa e isso se rellclc em minhas
performances, que deixam homens e mulheres pirados. IVnsando nisso, procurei pelo quarto o
controle do som e escolhi uma seleção de Blues, mas mal começaram as batidas fortes, os
contrabaixos marcantes, Cowboy saiu do banheiro dizendo:

— Hoje a música é por minha conta, menina.

Quando me virei, notei que ele usava um smoking impecável e sapatos de couro. Eu mal podia
acreditar que aquele cowboy havia se transformado cm um ser hollywoodiano. Meu coração batia
forte, estava prestes a sair pela boca e precisei me conter e esperar pacientemente com um sorriso de
malícia no rosto.

— Só mais um minuto…

Ele dizia enquanto se dirigia ao celular para colocar uma música da Etta James. Quase desmaiei! Etta
é uma das minhas cantoras preferidas, especialmente quando o assunto é sexo. As batidas e aquela
voz envolvente já tomavam todo o quarto, quando ele retirou do frigobar um balde de gelo com uma
garrafa de Veuve Clicquot.

— Fique à vontade, senhorita, hoje eu serei seu sommelier.

Eu já estava me divertindo muito com isso, fantasiando todas as possibilidades da noite, quando ele
apareceu com um pote cheio de morangos e o colocou sobre a mesa do quarto. Em seguida, ele abriu
o champanhe, pegou uma das taças de cristal e me serviu com uma sobriedade invejável. Olhando
diretamente em seus olhos, tomei um pouco daquele delicioso líquido, que deslizou suavemente por
minha garganta, refrescando e saciando minha sede, enquanto meu corpo inteiro fervia em
expectativa.

Tentei tocá-lo, ansiosa por beijar aqueles lábios e roçar naquele corpo tão elegantemente vestido,
mas à menor menção dessas minhas intenções ele segurava minhas mãos e me gentilmente me
afastava, dizendo que faria um “showzinho” para mim. De fato, toda aquela produção merecia um
show. Seu perfume amadeirado me deixava maluca e eu queria acomodar meus braços em torno de
seu pescoço, para sentir de perto o cheiro de sua pele… No entanto, antes que eu pudesse me
aproximar novamente, ele começou a dançar ao som de Ijust wanna make love to you.

Ele balançava suavemente os quadris enquanto passava as mãos pelos cabelos e me olhava ora de
soslaio, ora de maneira tão direta que parecia me desnudar com os olhos. Tinha tudo para ser uma
cena ridícula de filme de comédia e, quando pensei nisso, quase ri, mas a verdade é que aquela cena
excitante estava muito longe de me arrancar gargalhadas. Eu estava surpresa, encantada com toda a
produção e suspirava, querendo sorver cada movimento de seu corpo, o seu cheiro intenso, a pele
morena, o gosto de champanhe em sua boca…

Lentamente, ele ia tirando uma a uma as peças de roupa. Cuidadosamente, sem perder o ritmo da
música, tirou a gravata e, enquanto me olhava fixamente, desabotoou a camisa. Seus movimentos
eram inebriantes, uma dança sensual e discreta que em nada lembrava os Go Go Boys dos clubes das
mulheres, aqueles homens sarados que, em tom sedutor e de brincadeira, tiram as peças e levam a
mulherada ao delírio com performances às vezes acrobáticas.

Tudo em que eu conseguia pensar era no desejo de arrancar toda a sua roupa e devorá-lo.
Misteriosamente, os sapatos e meias também foram tirados com a maior sutileza do mundo. Nunca vi
nem stripper realizar o feito de maneira tão sensual: ele não se desequilibrou, nem titubeou. Foi
convicto e extremamente sensual, enquanto ostentava aquele sorrisinho de malandro no canto da
boca.

As vezes algumas peças vinham parar no meu colo e cada uma delas que ele lançava me arrepiavam
o corpo. Eu já estava com água na boca, sentia um calor incendiário correndo por meu corpo e me
contorcia levemente, suspirando de prazer, ao sentir arrepios entre minhas pernas. Era como se uma
língua quente e úmida percorresse todo o meu corpo e fizesse cada pedaço dele se arrepiar.

Tudo o que eu queria era que ele me segurasse forte entre seus braços, me beijasse e me penetrasse
deliciosamente. O champanhe parecia potencializar todas essas sensações e, na medida em que sentia
a garganta seca de

tanto desejo, aquele néctar delicioso amenizava meu sofrimento.

Quando finalmente desabotoou a calça, o que eu vi fez com que nós dois caíssemos na gargalhada:
sua cueca imitava um pequeno smoking e eu me surpreendi vendo-o usar uma peça tão divertida. O
riso, porém, durou pouco, pois eu não conseguia desviar meu olhar lascivo de seu corpo moreno,
com pelos dourados pelo corpo todo e o músculo marcado por aquelas entradinhas que descem do
quadril e podem nos conduzir ao paraíso.

Enquanto o observava, sentia um líquido quente e espesso encharcar minhas coxas, um arrepio
gostoso percorria meu corpo e eu não aguentei: tive que tocar aquela pele macia. Novamente ele
retirou minhas mãos, vi-rou-se para a mesa onde estavam os morangos e, pegando outro recipiente,
inclinou-o sobre si. Pude ver, nesse momento, que o que ele derramava sobre aquele torso liso e
macio era leite condensado. Nunca fui muito fã de doces, mas tudo era tão sensual que minha boca
mais uma vez se encheu d’água. Cada morango que ele mordia e que lambuzava sua boca tornava meu
olhar uma súplica para que ele me tomasse.

Ele, atento, percebia e esboçava um sorriso depravado e irônico vendo os obstáculos que impunha
aos meus desejos. Quando ele lambuzou o terceiro morango e estava prestes a comê-lo, não aguentei
e parti para cima, sugerindo uma degustação daquele peito todo lambuzado, mas ele me repreendeu,
rindo debochado.

Vendo-me tão aflita, derramou mais um pouco de leite condensado em seu corpo e mergulhou
lentamente um morango suculento ali, con-duzindo-o até meus lábios. Mordi com todo o desejo que
estava em mim e, para me deixar ainda mais aflita, ele lambeu cada canto dos meus lábios ainda
cheios de doce, segurando minha cabeça entre suas mãos de maneira que eu estivesse ali, toda
disponível para ele. Um arrepio percorreu meu corpo da cabeça aos pés e eu me contorci inteira.
Piedoso, abaixou com delicadeza as alças do meu vestido e tirou-o lentamente, constatando em
seguida que eu estava sem calcinha e sutiã, com as coxas molhadas. Gosto de fazer surpresas a
clientes que me tratam bem desde o início de nossos contatos, ainda por telefone ou e-mail, e
qualquer pessoa ao perceber isso tende a agir involuntariamente.

Cowboy estava agora com o seu membro ereto, quase sem controle, mas respirou fundo, pegou outra
vez o leite condensado e me conduziu para o lugar onde ele me queria, na posição que ele desejava.
Derramou o líquido espesso e doce sobre meus seios, ventre e coxas. Eu me sentia tão devassa, tão
sexy… Eu já estava entregue à sua fantasia, que agora também era minha, a tal ponto que tudo em
minhas partes baixas pulsava. Eu estava me amando, estava amando estar ali para ser tocada por
aquele homem.

Vendo-me assim, entregue e nua, ele finalmente veio se juntar a mim. Seu corpo era espetacular!
Percebendo que eu o contemplava, desviou meu rosto e me beijou. Um beijo envolvente, aveludado,
molhado como só um beijo repleto de tesão pode ser. Cada vez que sentia sua língua em minha boca,
seus lábios juntos aos meus, aqueles dentes dando leves mordidas; cada toque aumentava os pulsos
do meu corpo e a umidade com que o corpo feminino geralmente expressa seus desejos. Eu estava
molhadinha como gosto de estar.

Sua boca percorria meu corpo, lambia e degustava cada curva adocicada e cada centímetro com uma
delicadeza ímpar. Segurando minha cabeça com firmeza, pressionou sua boca contra meu pescoço e
escorregou até alcançar meus seios, os bicos já eriçados e duros de tanto tesão foram mordiscados
com desejo e eu gemi sofregamente sentindo seu corpo inteiro roçando em meu corpo.

Sustentava-me pelo quadril com mãos firmes e lambia minha barriga, descia pelas curvas que levam
você sabe bem onde, mas dedicava-se às minhas coxas e eu me contorcia ao sentir aquele hálito
quente tão próximo de minhas partes já entregues ao seu desejo, as pernas cada vez mais abertas e o
quadril discretamente alçado para que ele me saboreasse.

Olhávamo-nos diretamente nos olhos e ele mantinha uma expressão de diversão e desejo enquanto eu
era só sofrimento, um sofrer bom de desejo contido, implorando para que ele me possuísse. Eu gemia
descontroladamente, quase chorava de angústia por me saciar, um pedido de clemência ao qual ele
finalmente acatou.

Lambeu-me o sexo quente e molhado de cima a baixo sem hesitar e eu explodi de tesão. Meu clitóris
era acariciado por sua língua e sugado freneticamente com a pressão perfeita. Os lábios quentes e
molhados eram uma dádiva naquele momento em que eu era só calor e gemidos.

Gozei facilmente uma, duas, três vezes, até que implorei para que me deixasse retribuir todas as
carícias. Eu queria sentir o seu gosto, o seu calor, queria ouvi-lo gemer, tremer, senti-lo suar. Deitei-
me sobre ele e lambi aquela pele macia embebida em leite condensado. Todo depilado, o que
facilitava meu trabalho, é bem verdade que me demorei mais do que precisava nesse meu empenho,
esmerando-me em fazer um trabalho bem feito.

Agora o algoz era eu: ele suspirava, gemia alto e se contorcia. Entre arfadas ele gemia
descontroladamente e eu o ignorava, lambendo e acariciando seus ombros, sua barriga e, para seu
desespero, aquele baixo ventre, ao mesmo tempo em que minhas unhas lhe deixavam marcas pela
pele sem tocar onde nós dois mais desejávamos.

— Ah! Lola… Desce mais, desce…

E eu me dirigia à sua virilha, fingindo que enfim mataria sua vontade, mas me desviava rapidamente
e ria alto do desespero em que ele se encontrava. Após longas carícias decidi lamber o objeto do
meu tesão. Incrivelmente molhado e tão cheiroso, o abocanhei inteiro, fazendo com que ele gemesse
alto.

Ri de seu desespero e o lambi delicadamente de cima abaixo, sugando e sorvendo com deleite aquele
brinquedo. Extasiado, ele me pedia para parar, queria segurar o seu gozo para um granfinale. Só
parei porque a esta altura meu desejo incontrolável era ser penetrada e nós dois estávamos no grau
máximo de excitação, meu sexo pedindo o dele dentro de mim.

Com agilidade, pegou um preservativo, deitou-me na cama e, segurando meus cabelos, penetrou-me
com vagar. Eu estava tão molhada que ele não encontrou dificuldade alguma em me preencher e eu
gemia levando as máos aos cabelos e me contorcendo.

Você é tão sexy, Lola, e me deixa louco!

Lie sussurrava isso em meus ouvidos e, em meio aos gemidos, o seu sotaque carioca arrastado
potencializava meu tesão. Antes mesmo que eu pudesse mudar de posição, senti meu corpo todo
tremer e ser tomado por arrepios, minha buceta estava quente e molhada, muito molhada a ponto de
ele não se aguentar.

— Ai, Lola, que delícia. Você é tão quente! Vai me deixar louco, ai… Ah! Vou gozar!

Segurou-me com força pela cintura como se nossos corpos fossem se lundir e gozou num suspiro
longo e alto. Aquela imagem nunca mais saiu da minha cabeça: os olhos fechados, o torso suado, os
cabelos caídos na testa. O mundo havia parado. Éramos apenas nós dois ali e não havia nada além da
sensação de plenitude que só o gozo conjunto possibilita.

Ainda nos vimos algumas vezes depois disso e, em geral, nossos encontros eram intensos e
surpreendentes, mas com meu trabalho o carinho e, porque não, o amor que sentíamos um pelo outro
não suportou todo o furacão que as mudanças traziam e ele decidiu se afastar.

Poucas vezes me senti totalmente entregue a um homem como me sentia em relação ao Cowboy.
Talvez porque a entrega total não seja muito condizente com o fetiche de dominadora, o qual julgo
ser o mais adequado à minha personalidade. Embora sinta falta de nossas transas épicas, guardo com
muito carinho os momentos que tivemos e, às vezes, ainda uso as imagens que guardo na memória
para obter prazer quando estou em casa sozinha.

Dominando o pedaço

Ainda que as pessoas se amem de verdade, pode acontecer de uma relação estar realmente
desgastada. Com isso, os corpos se encostam timidamente um no outro na cama e, no minuto seguinte,
cada um já virou para um lado e dormiu. Acho que são, justamente, nesses momentos que temos (|ue
nos dedicar a fazer algo diferente, trazer algo novo para a intimidade <lc um casal.

Digo isso porque parte considerável de meus clientes é de homens casados. Muitos deles, aliás, nem
me contam isso, mas sou perspicaz para essas coisas depois de ter aguentado muito chilique de
esposas que querem descontar suas frustrações na pessoa errada. Ok, estou falando de homens
casados, mas é claro que também tenho clientes casadas, que buscam em mim algo que acreditam não
obter em seus relacionamentos.

Enfim, a única verdade certeira nisso tudo é que todos esses homens e essas mulheres chegam até
mim com as mesmas queixas de sempre: “Minha mulher é fria, não interage comigo” versus “Meu
marido acha que sou uma caçapa de sinuca e não tem sensibilidade”, “Eu tenho que fazer tudo
sozinho e às vezes não estou com vontade” versus “Quando tentei conduzir a situação ele disse que
eu estava ridícula”, e por aí vai…

Jairo era um desses casos. Antes mesmo de eu ficar conhecida na mídia ele já me ligava e passava
horas comigo ao telefone. Dizia que havia encontrado meu blog fuçando por aí (bem sei o que ele
estava “fuçando”) e que queria me conhecer, mas como era um empresário em Belo Horizonte,
avisou-me que teria que planejar com calma nosso encontro e que, até lá, me ligaria sempre que
pudesse.

Como sinal de gratidão pelas longas conversas que tínhamos, ele depositava sempre uma quantia em
minha conta bancária e, mesmo quando eu dizia que era desnecessário, ele insistia: “Adoro ser gentil
com quem merece”. Numa dessas conversas ele chegou aonde queria:

— Sabe, Lola, tenho muitas responsabilidades aqui. Às vezes gostaria apenas de me deixar levar e
não ter que dominar a situação.

Essa era uma queixa constante, mas à época isso ainda era novo para mim. O bom é que Jairo
apareceu em minha vida no momento certo, quando eu já me preparava para, lá na frente, me tornar
uma Domme impiedosa.

— Ter uma mulher que tome a frente da situação quando estiver comigo, é isso que eu queria, Lola.
Alguém com personalidade! Mas, veja bem, não sou sadomasoquista nem nada do gênero, não tenho
tino para esses fetiches, só que me canso de mulheres que se deitam, abrem as pernas e esperam que
eu faça o trabalho sozinho. Isso já chegou até a me deixar brochado.

Se nós, mulheres, já nos sentimos pressionadas com tantas imposições relacionadas à estética,
família, bem-estar e comportamento sexual, o que dizer dos homens que só são considerados homens
quando agem como cavalos garanhões, insaciáveis sexualmente e sempre ativos?

Estava claro para mim que Jairo era mais um cara sufocado por essas exigências, mas que tampouco
queria ser tratado como um escravo submisso. Ele queria mesmo era alguém que tomasse as rédeas
da situação sem anulá-lo, sem fazer com que ele se sentisse humilhado.
Seguimos conversando por um ou dois meses até que ele finalmente conseguiu tirar uns dias de folga
do trabalho e combinou um encontro comigo em São Paulo. Hospedou-se em um dos melhores hotéis
e eu planejei uma noite que, no mínimo, o manteria entretido e seria bem interessante.

Quando nos encontramos, parecia que nos conhecíamos há muito tempo. Afinal, além de papos
apimentados, falávamos também sobre outras coisas, sobre amenidades e até mesmo sobre nossas
rotinas. Ele era um quarentão charmoso, um pouco acima do peso, mas nada que afetasse meu tesao.
()s cabelos cuidadosamente penteados, a barba feita e as iniciais bor-dadas na camisa evidenciavam
o cuidado com a aparência e o gosto pelo que é exclusivo.

Conversamos um pouco e logo coloquei Down in Mexico para tocar, aquela música do filme
Boulevard de la mort (Death Proof), do Quentin larantino:

— Hoje eu farei um shoiv só para você. — Dizendo isso, fiz com que ele se sentasse em uma
poltrona enquanto começava a me mover lentamente.

Lembrava-me muito bem da coreografia da garota do filme e execu-lei-a com muito empenho.
Também, depois de ensaiá-la algumas vezes em casa, os movimentos ficaram naturais e passavam
bastante segurança.

Eu estava com um vestido justo e elegante, sem calcinha, como normalmente saio para me sentir mais
sexy e desejada, ainda que ninguém saiba o que está - ou não está - sob minha roupa. Ali, dançando
de frente para ele, olhava-o nos olhos e aproximava meus seios do seu rosto numa atitude
extremamente provocante. No menor sinal de que ele me tocaria, eu segurava suas mãos e disparava:

— Essa noite terá que me obedecer, bad boy. Só fará o que EU deixar.

Ele sorriu com um ar de deboche que me provocou: — Acho melhor eu garantir que você não me
tocará.

Dizendo isso, fui até minha bolsa e trouxe, sorrindo, minhas algemas.

Cuidadosamente, coloquei suas mãos para trás da poltrona e o algemei. Ele entendeu que aquilo era
parte da brincadeira e não um mecanismo de restrição sadomasoquista e, enquanto eu roçava meu
corpo levemente no seu, sentia sua calça pulsar e seu músculo ficar ereto.

Em poucos minutos ele se contorcia, desconfortável com a sensação de estar com os movimentos
restritos. Sentei em seu colo e segurei seus cabelos, puxando-os em direção ao meu rosto e lambendo
os cantos de sua boca sem que nossos olhares se desviassem.

Quando notei que ele já não aguentava mais, segurei sua cabeça para trás, deliciei-me com aquele
pescoço cheiroso e, enquanto o mordiscava e lambia, desabotoava toda a sua camisa. Soltei parte do
seu cinto e fiz uma cara de safada que o fez se arrepiar quando toquei de leve seu abdômen.

Sem parar de me movimentar sensualmente dei a volta por trás da poltrona e soltei as algemas. Antes
que ele pudesse se mover, puxei-o pelo cinto em direção à cama. Após um olhar fatal, tirei sua calça
e a cueca enquanto me mantive vestida. Em pé diante dele disparei:
— Quero que você me chupe, mas vai ser do jeito que EU quero.

Ele acenou afirmativamente e então eu levantei meu vestido até a altura do quadril. Assim que ele viu
que eu estava sem calcinha, sorriu cheio de tesão. Então o empurrei para que se deitasse e
imediatamente sentei-me sobre o seu rosto:

— Quero a melhor chupada da minha vida. E quero agora.

Ele gemia enquanto me chupava e o seu tesão era evidente. Segurava-me pelo quadril e passava a
língua de maneira delicada por toda a extensão, minhas coxas, virilha, grandes lábios, até lamber
meu clitóris, fazendo uma leve pressão. Ele me levantava um pouco para lamber de uma só vez tudo
o que podia alcançar.

Eu adoro sexo oral e embarquei em seu ritmo, cavalgando levemente para que aquela língua me
explorasse inteirinha. Quando avisei que iria gozar, ele me pressionou contra sua boca, me lambeu e
me mordiscou toda com muita delicadeza e muita vontade. De olhos fechados, ele estava em êxtase.
Ambos suspirávamos cheios de tesão e, depois de perder o ar com tamanho gozo, fiquei ali, parada,
tentando me recuperar, até que tive coragem de me levantar e tirar o vestido.

— Você é linda e tem atitude. O que mais eu poderia querer?

— Hmm… Gostou? Pois agora vou te fazer sentir sensações extremas, mas para isso será privado
temporariamente de um de seus sentidos.

Totalmente nua, levantei-me e retirei da bolsa uma venda que o fez silenciar, com cara de
interrogação. Lambendo seu pescoço eu o vendei e certifiquei-me de que ele não conseguiria ver
nada, e só então comecei a brincadeira.

Enquanto aguardava a hidro encher, comecei a acariciá-lo levemente. O fato de não poder observar
onde minhas mãos pousariam deixavam-no ainda mais tenso e ele respirava fundo a cada toque.
Beijei seu pescoço, sussurrei palavras em seu ouvido, beijei seu torso e passei lentamente minhas
mãos em sua virilha.

Quando finalmente a banheira encheu, levei-o pela mão e fiz com que entrasse na água. Ensaboei seu
corpo lentamente e beijava-o na boca, acariciando-o com desejo. Seu pau estava prestes a explodir e
ele implorava para que eu o tocasse, mas eu decidi fazer pior.

Sentei-me em seu colo de modo que minhas coxas pressionavam seu membro duro e decidi me
ensaboar também. Ficamos ali nos esfregando por longos minutos, até que ele implorou para que eu
pegasse uma camisinha, pois queria muito sentir “o calor” dentro de mim, ele dizia.

Então, o ajudei a sair da banheira e falei que passaríamos por uma experiência diferente: eu também
usaria uma venda e transaríamos assim. Ele achou aquela simples brincadeira o máximo. Novamente
no quarto, coloquei a venda e sem fazer barulho tateei até alcançar a cama com receio de tropeçar em
algo.
Em seguida, tateei todo o colchão em busca de Jairo e, assim que toquei seu corpo, fui puxada de
uma só vez para seus braços enquanto ele ria deliciosamente. Recomeçamos as carícias e, com
cuidado, arriscamos um 69. Depois de alguma dificuldade para encontrarmos a melhor posição,
começamos a brincadeira, que não poderia durar muito, pois ele estava prestes a gozar.

Corri para pegar a camisinha que estava na mesinha de cabeceira, de-senrolei-a em seu pau e sentei-
me rápido em seu colo, rebolando de maneira intensa. Quando sentia que eu ou ele estávamos prestes
a gozar, eu alternava com pausas estratégicas, a fim de prolongar o momento.

Em um deleite sem fim, nossos corpos se tocavam como se não quisessem deixar nenhum centímetro
do corpo sem carícias. O êxtase foi inevitável, talvez um dos mais intensos que senti na vida. Jairo
gemia alto e eu, dominadora da noite, por vezes puxava seus cabelos em direção à nuca, enquanto
beijava o seu pescoço com muito tesão, fazendo-o quase gritar.

Encontramo-nos várias vezes depois desse dia e, na maioria das vezes, eu trazia uma surpresa
diferente. Cheio de uma ostentação elegante, que lhe caía muito bem, por sinal, ele sempre
entremeava nossos encontros com tardes de compras animadíssimas na Oscar Freire e me fazia sentir
exclusiva em sua vida sexual, não que eu fosse a única mulher com quem ele se deitava, mas sem
dúvida eu era a única mulher que com ele realmente não só se deitava, mas transava. Foram
sensações e momentos ótimos, tanto na cama quanto fora dela, o que nos rendeu excelentes histórias.

Para que o prazer seja explorado plenamente é preciso que o casal esteja disposto a explorar novas
formas de saciar os desejos. Tudo o que o casal fizer pertence apenas a eles. Por isso, permitam-se
experimentar mais. Nas relações sexuais, em geral, é o homem que comanda e orienta as posições na
cama, controlando os movimentos da mulher, mas a mulher também pode ter o controle e o “poder”, e
isso pode excitar a ambos.

Em busca das chaves do corpo

A mulher, em geral, sente muito mais prazer nos momentos que chamamos de “preliminares” do que
com o coito, o ato sexual com penetração. Movimentos circulares e repetitivos na região do clitóris
dão à maioria das mulheres muito prazer, ainda mais quando são acompanhados por leves e
constantes pressões. Sim, uma mulher que se masturba o faz principalmente dessa maneira e muitas
vezes o sexo oral é citado por muitas delas como mais gostoso do que a penetração vaginal.

Com os homens, o prazer está atrelado, na maioria das vezes, à ereção, penetração e ejaculação.
Talvez por isso a masturbação para a grande maioria deles se limite à “punheta”, inibindo sensações
que podem ser sentidas a partir de estímulos em zonas erógenas como nuca, orelhas, pescoço,
mamilos, costas, coxas, região anal e por aí vai. Mas tanto mulheres quanto homens talvez precisem
se tocar mais, se arrepiarem mais, se entregando mais às sensações que seus corpos podem
proporcionar, e ocasiões para isso não faltam. Quando penso em masturbação, aliás, não consigo
conceber essa prática como limitada apenas aos toques em nosso órgão genital, pois todo o nosso
corpo é muito sensível.

Tocar-se ainda é um tabu para a maioria das mulheres, e para parte dos homens também, o que é,
para mim, um desperdício de uma porção enorme de sensações e prazeres acessíveis a todos. Eu
sempre estou em busca de novas experiências, assim descobri a massagem tântrica.

Essa prática abriu meus olhos e meu coração para uma consciência corporal e sensações de prazer
que eu jamais havia experimentado. Sem saber muito bem o que essas sessões de massagens me
proporcionariam, compreendi com o tempo que meu corpo é muito mais do que peitos, vagina,
nádegas e ânus, pois meu corpo tem uma energia própria que eu posso controlar. Pode soar
engraçado, até mesmo surreal, mas muito do que idealizamos sentir durante as práticas sexuais se
relaciona às nossas fantasias e à maneira como canalizamos essas sensações.

A massagem tântrica nos faz perceber o sexo de outra perspectiva. Somos levados a relaxar corpo e
mente, a fim de nos concentrarmos apenas no toque do parceiro ou da parceira, percorrendo cada
parte de nosso corpo. A estimulação suave e quente das mãos do nosso parceiro (a) acariciando e
explorando a textura de nossa pele, da ponta dos dedos dos pés ao pescoço, nos leva a um estado de
excitação tranquila, um prazer intenso e constante ao mesmo tempo em que suave e relaxado. Essa
prática nos leva a um conhecimento íntimo de nosso ser e aumenta também a cumplicidade sexual do
casal. Prática sexual que não envolve penetração e orgasmo, essa massagem provoca um estado de
prazer sensorial prolongado e amplia nossa percepção.

A massagem tântrica é uma das chaves para a descoberta do nosso corpo e está acessível a qualquer
pessoa, assim como o aprendizado das técnicas de pompoarismo, uma ginástica íntima voltada para
mulheres que pode ser um bom caminho para nos conhecermos melhor. Praticar os exercícios
voltados para o fortalecimento e autocontrole da musculatura vaginal contribui para percebermos
melhor as sensações vaginais e descobrir mais formas de sentir prazer. O domínio sobre nossos
músculos e partes anatômicas da região do prazer permite proporcionar momentos incríveis de
prazer ao casal e potencializar o nosso orgasmo.

Com algum treino, que pode ser feito tanto com as bolinhas tailan-desas como com vibradores,
adquirimos um controle que desconhecíamos sobre nosso órgão sexual. Podemos nos divertir com
nossos parceiros sexuais através de brincadeiras nas quais, com os movimentos vaginais, podemos
sugar o pênis, expeli-lo, massageá-lo… Uma brincadeira que vai deixar os dois muito excitados.

Os homens também podem fortalecer sua musculatura sexual com exercícios. As benesses serão a
maior capacidade de controlar a ejaculação e, assim, potencializar o orgasmo.

Para termos realmente prazer e autonomia sobre a nossa sexualidade, acredito que seja preciso uma
reeducação, para que conheçamos o nosso corpo de maneira mais íntima e estejamos abertos para
vivenciar novas experiências com nossos (as) parceiros (as).

Claro que ninguém é perfeito, eu sou feita de falhas e muitos erros também, ainda bem! Mas sou a
mulher que sou, segura de mim e de minha sexualidade, porque encontrei na descoberta de meu
próprio corpo uma porta para compreender melhor a mim mesma e, principalmente, aos outros. Para
isso, experimentei, e ainda experimento, diversos caminhos em buscas das chaves para cada
sensação prazerosa que meu corpo pode me proporcionar enquanto satisfaz outros corpos.
Oral com moral

Sempre achei que fazer um oral bem feito, tanto em homens quanto cm mulheres, depende de uma
somatória de coisas. De alguma forma eu compreendo o que meus clientes querem e isso não é algo
ensaiado ou que se aprende nas revistas, é instintivo e depende da prática. Nessa ocasião, todos os
sentidos devem ser explorados.

O olhar é fundamental. Olhar de baixo para cima, com um leve sorriso nos lábios e um jeito de quem
está explodindo de tesão formam a mistura perfeita. Essa atitude tem muito a ver com o estado de
espírito de quem realmente se sente sexy, de maneira escancarada ou mais discreta. Nesse momento,
você tem que se sentir a pessoa mais gostosa do mundo. Para que isso aconteça, você precisa se
olhar no espelho e gostar do que vê independentemente do corpo que tenha: se é gordo ou magro, tem
celulite ou gordurinhas… Isso são detalhes e sentir-se sexy tem a ver com se amar e conhecer as
fontes de prazer do seu próprio corpo.

Colocar uma lingerie incrível, uma roupa que te faz sentir bonita e fazer as pessoas suspirarem por
onde você passar não significa que você está sendo vulgar ou prepotente, pois você está sendo
apenas uma pessoa bem resolvida e segura. No meu caso, descobrir do que eu gostava sexualmente
me tornou uma mulher mais confiante e as pessoas logo percebiam a diferença em meu
comportamento, expressando isso com elogios.

Quando eu desejo uma pessoa, devoro-a com os olhos e sei que ela será minha porque esse é o meu
desejo. Nesse contexto de conquista, uma expressão sexy e decidida pode fazer toda a diferença.
Parece convencimento, mas não é: flertar, conquistar e insinuar são processos de um eterno
aprendizado.

O beijo também tem um forte apelo. Se bem dado, aquele beijo quente, molhado e voluptuoso arranca
suspiros. Quando o beijo é gostoso, podemos suspirar, rir, mordiscar, gemer… O corpo inteiro sente
esta carícia e reage a ela, deixando nosso parceiro, ou parceira, enlouquecido. Tive um cliente, um
advogado muito conhecido, que nunca me deixou tocá-lo nas suas partes. Beijávamo-nos
voluptuosamente, enquanto nossos corpos roçavam um no outro. Todo aquele desejo me envolvia e
me deixava maluca! Discretamente, eu começava a me tocar e a me contorcer em êxtase profundo,
quando ele me perguntava baixinho: “Posso gozar?” Logo chegava ao ápice sem que eu o tocasse e
ficávamos lá, abraçados, exaustos e felizes, conversando sobre artes, viagens e fetiches.

A relação sexual não precisa visar apenas a penetração. O prazer pode acontecer de formas variadas.
Isso vai depender do parceiro com quem estamos.

Além dos clientes que curtiam gozar enquanto viam-me masturbar, havia os que queriam que eu os
observasse enquanto se masturbavam, mas não era simplesmente ficar ali lixando as unhas ou
teclando no celular. O principal componente para instigar o tesão era o meu olhar: quanto mais eu me
deliciasse observando a cena mais excitados eles ficavam.

Para a minha sorte, sempre achei extremamente excitante observar alguém se masturbando e minhas
caras e bocas deixavam isso muito evidente. Saber que se está observando o que é quase sempre
praticado em um espaço privado, longe de observadores, e que eu era uma dessas pessoas
privilegiadas para contemplar toda a performance para além da fresta da fechadura… Bom, muitas
vezes não era necessário nem mesmo que eu me masturbasse, embora o tesão em contemplar outro
corpo se satisfazendo me encha de desejos.

Caso parecido a este é o dos podólatras, que se deliciam em lamber solinhas dos pés, dedinhos e
calçados. Para eles e elas, tudo o que permeia o universo dos pés é instigante e excitante. Diversas
vezes, utilizando meus pezinhos, masturbei-os levando-os facilmente ao orgasmo, mas estou certa de
que o prazer explícito em meu rosto deixava-os ainda mais excitados.

Eu cuido dos meus pés e faço milagres com eles, porque gosto dos saltos exuberantes, gosto de
atender aos meus clientes podólatras, mas não conseguiria menosprezar qualquer mulher ou homem
apenas por um detalhe estético.

E se os beijos, os olhares e os toques são assim tão deliciosos, o que dizer do paladar? Uhn…uma
pessoa que sabe nos levar às alturas com a sua língua e seus lábios merece toda a nossa
cumplicidade.

Uma mulher, por exemplo, que quer assumir o papel de verdadeira deusa entre os homens terá que
saber, com quase toda a certeza, fazer um oral de arrepiar cada pelinho do seu parceiro. Para ter
sucesso nessa área são necessárias todas as outras habilidades de que falei, principalmente a de nos
sentirmos bem conosco, acreditarmos em nós e gostarmos do que estamos fazendo.

Em um encontro casual que tive com um homem que conheci na internet por meio de um aplicativo,
deixei-o enlouquecido por mim só fazendo um oral nele. Anonymous era seu codinome no aplicativo.
E como o próprio nome sugere, eu não sabia quase nada sobre ele, apenas que era um empresário que
constantemente se alternava entre Goiânia e São Paulo para cuidar dos negócios. Nem o seu telefone
eu tinha, o que normalmente exijo de meus clientes para o caso de imprevistos acontecerem.

Entre encontros e desencontros, finalmente combinamos uma manhã em um dos melhores motéis da
capital paulista. Eu cheguei primeiro. Quando ele apareceu, pareceu muito jovem, não parecia ter 30
anos — minha preferência, em geral, é por homens acima dos 40 anos, pois sempre pensei que os
homens são como o vinho: ficam melhores com o tempo.

Quando marcamos o encontro, combinamos apenas de almoçar juntos, não haveria relação sexual, ao
menos não com penetração. Isso porque eu estava menstruada e, embora haja mulheres que sentem
muito mais tesão quando estão nessa fase (eu mesma o faço às vezes sem constrangimento), naquele
dia eu não estava para isso.

O almoço, é claro, acabou ficando esquecido e ele começou a me beijar vorazmente. Lindo, muito
bem vestido e cheiroso, tudo isso deixava aquele homem irresistível. Fiquei excitada e as carícias
foram se adiantando até os meus seios, principalmente quando ele notou a ausência do sutiã. Meus
mamilos intumesceram na hora e eu sentia meu corpo arrepiar, embora suas mãos percorressem
agilmente meu corpo enquanto eu tentava dar conta do tesão que eu sentia, pois estava decidida: não
transaria.

A cada vez que ele sussurrava coisas como “Você é muito safada!” eu sentia que vivia uma das
maiores provações pelas quais passei. Beijávamo-nos com desejo, enquanto suas mãos percorriam
meu corpo tentando tirar minha roupa. Eu sentia seu membro explodir através da calça cada vez que
o seu quadril roçava no meu e, ao menor sinal de desatenção, minha blusi-nha já estava tirada e sua
boca beijava ardentemente meus mamilos.

Meu corpo reage naturalmente a esses estímulos, principalmente quando estou com um tesão
reprimido, e eu já me contorcia inteira, sentido tremores e contrações entre minhas coxas. Não havia
como impedi-lo e, na verdade, eu não queria fazê-lo. Continuamos assim até meu limite, quando eu
me senti a ponto de explodir de maneira bruta. Então, parei, saí de perto dele e me recompus:

— Vamos almoçar? Esse foi o combinado, não? — eu dizia, tentando me desvencilhar de seus
braços e beijos.

— Você acha que eu quero almoçar? Olha o estado em que você me deixou! - ele dizia indignado,
levando minha mão até suas calças.

Desconcertada, acabei deixando que ele tirasse minha blusinha e lambesse meu corpo todo. Já não
conseguia me conter e o acariciei em suas partes através da roupa, enquanto ele gemia e tentava
desabotoar o short-saia que eu usava.

— Nããão! - Eu relutava em uma brincadeira que o deixava entre excitado e furioso, ao passo que
eu me divertia também, no desespero para transar.

Vendo que a angústia tomava conta dos dois, decidi colocar em prática .1 .11U’ milenar da chupeta,
o sexo oral, que ao menos o acalmaria por algum (empo, fazendo com que ele me desejasse ainda
mais em um segundo encontro.

— Vou fazer você se acalmar… — eu dizia puxando-o para mim e desabotoando sua calça.

Foi quando vi um brinquedo tão delicioso que me impressionou e me deixou tentada a tirar toda
minha roupa e correr para o chuveiro, onde poderíamos ir até o fim sem maiores constrangimentos.
Seu pau era uma graça, desses que a gente sente vontade de apertar e ficar segurando entre os dedos:
não era enorme, nem mini; tinha o tamanho certo, a cabeça rosadi-nha, cheirosíssimo e era um
convite e tanto à degustação.

Falar assim de um pênis pode soar engraçado para algumas pessoas e até nojento para outras, mas eu
realmente acho essencial observar o que nos dá tesão. Eu poderia descrever exaustivamente a
aparência das dezenas de vaginas, pênis e ânus sem qualquer problema, mas isso tudo é muito
pessoal. É sério, não ria.

Enfim, nesse momento eu queria impressioná-lo e estava disposta a proporcionar a melhor chupada
que ele já havia recebido. Comecei olhando -o com a expressão mais safada do mundo, ele em pé e
eu sentada no sofá.

Lentamente eu abria os lábios e aproximei-os de seu membro, acaricia-va-o levemente com a língua
como se fosse já devorá-lo, mas subitamente eu desistia, rindo do desespero em que deixava o
Anonymous. Então lambi sua virilha, ignorando aquele músculo lindo enquanto ele dizia: “Não me
provoca assim, menina!”.

Depois de uns 10 minutos de tortura, decidi ceder. Primeiro lambi aquela cabeça rosada, a glande do
pênis, área muito sensível nos corpos masculinos. Com a língua bem molhada, lambi-a com gosto
enquanto observava seu rosto. Esta atitude, de olhar para o rosto de nosso parceiro ou parceira
enquanto se pratica sexo oral, potencializa qualquer reação. Eles ficam malucos.

Anonymous se contorcia inteiro e estava quase gozando. Então, decidi parar para que ele se
recompusesse e pedi que tirasse a calça, que estava presa em suas pernas, juntamente com a cueca, e
se deitasse. Aproveitei a gravata que ele usava para atar suas mãos:

— Fique quietinho senão eu paro o que estou fazendo, ok? - e ele acenou afirmativamente com a
cabeça.

Voltei a lamber seu membro, umedeci meus lábios e passei-os levemente ao redor de toda a glande,
sentindo sua pele delicada, enquanto nos olhávamos nos olhos. Ele fez menção de colocar as mãos
em minha cabeça, para que o engolisse inteiro, e minha reação foi imediata, dei-lhe uma leve
mordida e disse:

— Já falei que você precisa me obedecer, senão eu paro.

— Tá bom, tá bom… Parei.

Lambi-o de cima abaixo deixando tudo bem molhado. Para minha sorte, ele estava todo depilado e eu
pude lamber tudo, até suas bolas, região supersensível para a qual dou a devida atenção quando o
amigo se preocupou em tornar meu deleite agradável (Convenhamos que lamber um cara cuja zona
erógena mais parece um matagal não é nada atraente).

Enquanto eu o lambia naquela região, percebi que ele se contorcia, visivelmente arrebatado. Abri
bem a boca e suguei as bolas com delicadeza, fazendo um pouco de pressão. Ele já estava
enlouquecido. Quando notei que tudo já estava bem úmido e o pau latejava sem parar, decidi
abocanhá-lo.

Usava minha mão na base do pênis para masturbá-lo, enquanto o chupava, e se há um truque que
geralmente não falha nessa hora é usar o poder de sucção da boca, aliado ao que chamam por aí de
“técnica da dentadura”: Com os lábios encobrindo nossos dentes, já que não queremos causar
nenhum dano ao garotão, basta umedecê-los bem para que deslizem pau abaixo, pau acima com muita
facilidade.

Assim eu o chupava, alternando movimentos lentos e rápidos, com maior e menor pressão. E fácil
percebermos o tipo de movimento que nosso parceiro mais gosta, basta prestar atenção aos suspiros
e, conforme ele se contorce ou contrai o corpo, sabemos se devemos continuar, aumentar ou diminuir
a velocidade e a força. Outro truque é ficarmos atentos à muscu-I.ii ura da barriga, percebendo
quando se contrai ou não. Além disso, podermos causar arrepios no corpo de nosso parceiro com
carícias nessa região.
— Não para! Continua assim! - Dizia ele.

Mas é claro que parei e ri debochadamente de seu desespero. Ele começava a ficar irritado, mas
virei meu corpo de modo a facilitar a entrada de seu pau inteiro em minha boca. Anatomicamente, a
melhor posição para a tão comentada “garganta profunda”, quando conseguimos colocar todo aquele
membro em nossa boca, é o 69, a posição para quando queremos fazer e receber simultaneamente um
sexo oral. Como estava “naqueles dias” isso não seria possível, então coloquei meu corpo ao lado
do seu, o rosto voltado para a região das delícias e desamarrei-o.

— Acaricie meus seios enquanto te chupo. Vai valer a pena, garanto.

Lambi-o de baixo a cima, deixando seu pau bem molhado. Abri bem a

boca e o engoli inteiro. Sentia-o todo em minha garganta e ainda consegui esticar a língua para
lamber seu saco. Ele urrava de prazer. Meus olhos lacrimejavam e eu salivava descontroladamente.
E preciso calma e técnica para executar essa manobra.

E claro que conseguimos ter prazer sem tanta elaboração, mas para quem quer começar a praticar
manobras mais arriscadas, o segredo é abrir bem a boca, ficar em uma posição confortável e não se
desesperar achando que vai “chamar o Hugo”, quer dizer, sentir ânsia e se engasgar.

Além disso, é sempre bom praticar com pessoas bacanas, que nos respeitam e sabem de nossas
limitações. Ninguém merece ter um cara, ou uma mulher com uma cinta peniana, empurrando
loucamente sua cabeça como nos filmes pornôs. Não somos profissionais entre quatro paredes e
mesmo eu, que trabalho com sexo, não sou obrigada a me submeter a tratamentos desrespeitosos
assim.

Quando sentir que não aguenta mais é só dar uma paradinha e descansar. A importância de não roçar
os dentes é ainda maior, principalmente se o garotão for muito grosso, por isso é bom ir testando até
onde aguenta,

por etapas, sem se precipitar. Eu levei muito tempo para desenvolver um método que não me cansa,
não machuca o parceiro e dá prazer a ambos.

Enquanto eu variava a intensidade e a velocidade dessas chupadas, Anonymous ficou maluco e logo
avisou que gozaria. Novamente parei, mudei de posição e rapidamente voltei a chupar apenas sua
glande, com rapidez e pressão, enquanto massageava seu períneo.

Em minutos ele explodia em gozo e eu só tive tempo de tirar a boca rapidamente e sentir meus olhos
arderem. Não fui rápida o suficiente e ganhei um colírio inesperado:

— Que mira boa, hein? Valeu!

Ele não conseguia nem se mexer de tão extasiado que estava, dizendo que aquela havia sido a melhor
chupada da sua vida. Já esses imprevistos acontecem, temos que levar na esportiva, não tem jeito.

Depois, enquanto almoçávamos, contei-lhe minha história e disse que eu era a Lola Benvenutti. Em
certo momento ele falou:

— Sabe quando eu tive certeza de que você era puta? Quando me chupou. Mulher nenhuma faz um
oral assim a não ser que tenha tanta experiência como uma.

De fato, ele ficou maluco depois disso, querendo me ver toda semana e pedindo para que eu o
degustasse nos lugares mais inusitados. Agora, dizer que as mulheres que dão as melhores chupadas
são as putas, bom, há mulheres e mulheres, e eu posso dizer que já vi lolitas e cinquentonas
arrasarem na performance e enlouquecerem seus parceiros. Mas essas coisas que Anonymous dizia
de maneira grosseira e machista eu já havia aprendido a relevar na profissão, embora o repreendesse
quando conversávamos como amigos. Coisas do ofício.

No divã vermelho

Alguns de meus clientes são realmente lindos e maravilhosos fisicamente, mulheres gostosas, homens
sarados e másculos, mas, como eu disse anteriormente, eles têm corpos e perfis variados. Em minha
profissão, uma das exigências é a de não nutrir preconceitos ou fazer qualquer juízo de valor com
relação à aparência física dos clientes. Claro que tenho minhas preferências pessoais quanto aos
corpos femininos e masculinos, mas são preferências e não as coloco como “condições” ou “regras”
para atender .ilguém.

Sobre a personalidade de meus clientes, há os que são extrovertidos, os mal-humorados, os que só


sabem falar de si, os que são tímidos e quase não pronunciam palavras, assim como aqueles e
aquelas que só querem se satisfazer sexualmente. Há outros que falam sobre problemas no trabalho, f
rustrações relacionadas à sexualidade… Enfim, há uma infinidade de per-lis. Para lidar com essa
diversidade de indivíduos que têm sentimentos e vontades próprias eu aprendo a ser solidária e cada
vez mais atenciosa. Não se trata de uma máscara, pois realmente me envolvo com cada uma das
pessoas que conheço.

O que eu mais valorizo em qualquer pessoa, cliente ou não, é a segurança que ela nos passa ao se
aceitar como é e tirar disso o melhor proveito para sua vida. Simples assim. Como é simples
aprendermos a ouvir, de maneira sempre respeitosa, o que as pessoas têm a nos falar. Habilidade
mínima exigida de qualquer pessoa, e principalmente de uma garota de programa.

Certa vez recebi a ligação de um rapaz com aproximadamente 30 anos. Ele sempre me ligava para
conversarmos sobre como os homens e as mulheres se relacionavam, mas nunca quis marcar um
encontro comigo, pois dizia ter medo de ficar nervoso e “falhar na hora H”. Ainda não acredito que
tantos homens pensem assim! De qualquer forma, são nessas ocasiões que tenho a oportunidade de
me tornar amiga de meus clientes que são, como eu já disse, pessoas normais, com qualidades e
defeitos, como eu ou você.

Da mesma maneira que um homem sente medo de “falhar” diante de uma mulher que ele considera
toda poderosa, as mulheres silenciam a angústia que sentem na “obrigação” que lhes é imposta de
“servirem” aos prazeres de seu parceiro. Essa situação favorece a ocorrência de conflitos entre
casais em que um descarrega no outro sua frustração: os homens que não gozam culpam suas
parceiras dizendo que não foram “excitantes” o suficiente e as mulheres, por sua vez, culpam os
homens por não as compreenderem e por quererem apenas o sexo com a penetração, ou seja, por não
serem criativos na relação sexual. Aliás, sempre reitero aos meus clientes que os desejos não se
saciam apenas com uma penetração que vai -e-vem. Já falei sobre o poder de sugestão, sobre o valor
do olhar, sobre a importância da palavra e da entrega durante um jogo sexual entre duas ou mais
pessoas.

Enfim, um dia, aquele cliente tão amedrontado por ter que ser o homem que lhe ensinaram que
deveria ser finalmente marcou um encontro comigo. Decidimos ir ao cinema ver um filme qualquer,
conversamos um pouco antes da sessão e o silêncio perdurou durante toda a exibição até que eu
resolvi descontrair um pouco e puxar um assunto banal. O filme que vimos contava a história de um
casal melodramático que fora separado quando cada um precisou trabalhar em um canto do mundo.
Eles mantiveram contato por algum tempo através de cartas e foram se reencontrar apenas 20 anos
depois, quando ambos estavam com famílias constituídas e frustrados com seus relacionamentos.
Drama total.

Comecei, então, a perguntar para esse meu cliente coisas do tipo: Por que é tão difícil adiar uma
expectativa de crescimento profissional por razões de sentimento? Por que será que as pessoas se
forçam a constituir lamílias? E por que quando se dão conta de que um relacionamento não iem mais
futuro essas pessoas omitem esse fato e encenam um casamento perfeito que só lhes traz culpa e
tristeza?

Sua resposta foi bem franca: “Homens e mulheres ‘fortes’ não se deixam levar pelos sentimentos. Ter
uma família é um status social e torna as pessoas ‘mais sérias’ diante dos patrões e colegas de
trabalho. Assim, os relacionamentos frouxos se mantêm porque os envolvidos dependem, em certa
medida, dessa imagem de ‘harmonia’ e da de que gozam de alguma estabilidade emocional. Desse
modo, se resignam diante da rotina familiar.”

Conforme a conversa evoluía, pude perceber que esses eram, em parte, os problemas do meu cliente.
Ele não era virgem, mas o seu modo de agir fazia com que as pessoas pensassem que era
inexperiente. Ele pensava que se assumisse que realmente não gostava do sexo como todo homem
deveria gostar, ou seja, de maneira voraz e vulgar, sua credibilidade e a sua vida social estariam
destruídas. Os comentários variariam: “Como pode um homem de 30 anos nunca ter protagonizado
um relacionamento?”, “Como um cara tão bem sucedido pode nunca ter dominado uma mulher?” E a
estas questões obviamente a resposta preconceituosa seria: “Com certeza ele é viado”.

Mas não era nada disso. Aquele homem possuía uma grande sensibilidade. Quer dizer, lhe
agradavam mais as carícias, os carinhos, as conversas, o envolvimento nas coisas do cotidiano do
que o sexo em si, motivo pelo qual ele passou a se frustrar depois que investiu em mulheres que não
compreendiam sua relutância em “se entregar” e o julgavam, como seus colegas de trabalho, um
“maricas”. O machismo e as pressões sociais recaem tanto sobre as mulheres, quanto sobre os
homens.

Depois do filme, ao invés de irmos a um motel, nós resolvemos ficar no apartamento dele apenas
para conversar em um ambiente mais íntimo. Antes, porém, passamos no mercado para comprar
ingredientes para o jantar e finalmente fomos para sua casa cozinhar.
Nos olhos dele eu via o brilho do prazer que sentia em ter em seu espaço uma mulher que,
precariamente, cortava cebolas e condimentos. Não sou boa na cozinha, definitivamente. Sofri
horrores quando morei sozinha para cursar minha faculdade e levou algum tempo até que eu
abandonasse minha dieta precária baseada em macarrão instantâneo. Enfim, ele vinha atrás de mim,
me ensinava a cortar tudo da maneira certa, me advertia sobre o uso de temperos prontos, falava
sobre como a carne cozinharia na pressão e os legumes no vapor. Por fim, viu que eu não levava jeito
mesmo e me tirou da cozinha.

Resolvi então tomar um banho e ele me deu uma toalha. Como estava de saltos e com roupas
apertadas ele gentilmente me deu uma camisa dele muito confortável para que eu ficasse mais à
vontade. Ele inclusive não queria que eu ficasse com maquiagem, alegando que me levaria direto
para casa e, por isso, não precisaria me preocupar se alguém me veria. Por incrível que pareça esse
foi um desafio para mim. Acostumada que estou a ser sempre altiva, pronta para me defender de
opiniões que ferem minha liberdade, eu me habituei a portar sempre uma armadura para me proteger
do mundo. Dividir uma intimidade tão caseira e afetiva era muito mais difícil do que saciar desejos
obscenos na cama.

Depois do banho, mais à vontade e andando descalça pelo apartamento, fui até o quarto onde ele já
estava com o jantar cuidadosamente arrumado para comermos na cama. Enquanto isso, ouvíamos
música e conversávamos. Depois de um bom tempo, peguei no sono e só acordei com os sussurros
dele: — Lola, se você quiser pode passar a noite aqui. Vou para o outro quarto se preferir.

— Mas você está me pagando, deita aqui comigo e…

Ele colocou os dedos para me calar e ficou me fazendo cafunés a noite toda. Dormi feito um anjo,
pensando em como é difícil encontrar pessoas assim, homens e mulheres que sejam afetuosos e
singelos em seus desejos.

Claro que quando acordei o café da manhã já estava pronto.

Serio mesmo que você ainda acha que não vai encontrar a pessoa ideal?

- Não é isso. Todas as pessoas têm algo de ideal, mas eu sinto vergonha de ter que despir uma mulher
em minha cama na primeira noite, de ter que ficar dando amassos em clubes quando saímos… - Não
resisti e o beijei sem preâmbulos, impedindo que terminasse a frase.

Em seguida, nos enroscamos na cama e novamente conversamos por algumas horas, até que me dei
conta de que já estava atrasada para outro compromisso. Coloquei minhas roupas e vi que em cima
delas havia um envelope com uma carta e algumas notas. Ele havia tomado o cuidado de tentar não
me ofender, provavelmente por acreditar que talvez eu estivesse inconformada por ter sido
contratada para prestar serviços que não são os que normalmente executo. Ele estava radiante e feliz.
Dizia que não tinha pressa para encontrar a pessoa de sua vida e agradeceu muito por ter tido com
quem conversar. Ele, sempre romântico, afetuoso, e eu, sempre altiva e cheia de razões. Percebi que
todos nós somos solitários de alguma maneira e carregamos armaduras para não aparentarmos essa
solidão.
Aprendo muito com meus clientes, em todas as dimensões de minha vida, e acho muito bacana
quando minha relação com eles ou elas ultrapassa o universo dos jogos sexuais e embarca nas
relações realmente humanas de respeito e compreensão.
História do “Olho”

O sexo anal é um assunto que gera bastante curiosidade e, em geral, a maioria dos homens demanda
de suas parceiras, embora haja, por parte das mulheres, muitos receios e dúvidas sobre a questão.
Sexo anal é talvez a maior fantasia dos homens brasileiros. Durante minha carreira, percebi o
interesse de grande parte dos homens pela região nada proibida. Contudo, para realizar o sexo anal,
há alguns cuidados prévios que precisam ser considerados; além disso, essa prática requer
delicadeza ao ser executada. Por esses motivos, faço sexo anal apenas quando já tive um contato
prévio com o cliente e quando há um grau de confiança no meu parceiro para que eu me sinta à
vontade.

Minhas melhores transas foram aquelas em que meus parceiros usaram o desejo e a excitação a nosso
favor. Beijo grego é muito bem-vindo e dedinhos também. Além disso, usar um gel lubrificante faz
toda a diferença. Deve-se tomar cuidado apenas para não ir com muita sede ao pote. Estimular o
clitóris ou o pênis (no caso de inversão de papéis ou casais homossexuais) também é excelente. A
junção desses dois pontos erógenos são intensos, que pode começar, por exemplo, com lambidas lá
atrás e estímulos na frente (podem ir desde um vibrador ou dedinhos, em mulheres, como
masturbação e capas penianas com saliências, em homens), fará com que a parceira ou parceiro
implorem pela penetração e delirem durante esse momento mágico.

Encontrei-me com Henrique algumas vezes e nossos encontros sexuais foram incríveis. Havia uma
sintonia entre nossos corpos, além de ele ser sempre muito gentil e educado. Ele parecia saber
exatamente o que eu queria. Quando me chupava, era delicado quando deveria ser e intenso quando
eu já estava bem excitada.

Certa vez ele me ligou e disse que queria uma noite diferente e me contratou para termos uma noite
completa. Combinamos para a noite do dia seguinte para que eu pudesse me preparar adequadamente.

Quando sabemos ou pressentimos que teremos uma noite quente onde arrebitaremos e relaxaremos
nosso bumbum, o mais indicado é mantermos uma dieta equilibrada durante o dia, consumindo
bastante líquido e alimentos leves que facilitem a evacuação.

Poucas horas antes do encontro iniciei os procedimentos para fazer a famosa chuca, ou seja, fazer a
limpeza interna do ânus inserindo água morna no reto para forçar a evacuação. Muitas pessoas usam
a mangueira do chuveirinho, durante o banho, para realizar esse procedimento, mas, convenhamos,
esse não é o material mais adequado para isso, pois pode causar pequenas lesões no seu ânus e, além
disso, não é nada higiênico.

Eu me preparo usando ou um supositório de glicerina para provocar a evacuação, ou ainda um


material especial para fazer um enema, que pode ser encontrado em qualquer farmácia. Nesse caso,
após ter tentado evacuar tudo o que estava parado no nosso intestino, inserimos água morna em nosso
ânus com esse “kit chuca”. Bombeamos a água morna da bolsa do enema para nosso reto por meio de
uma haste até sentirmos que o canal está cheio, então é só retirar a haste e aguardar para evacuar.
Esse procedimento pode ser repetido até o líquido sair limpo na evacuação.

Enfim, após tantos preparativos, eu estava ansiosa para ter uma noite incrível com Henrique. Quando
nos encontramos, rolou a mesma sintonia habitual. A maneira educada, gentil e descontraída dele
fazia com que eu me sentisse à vontade e relaxada. Com ele eu me sentia segura, sabia que ele iria
me tratar com a delicadeza necessária para essa prática.

Começamos a nos beijar intensamente e não demorou muito até que estivéssemos completamente nus
deitados na cama. Ele lambia todo o meu corpo com avidez, até que, sedento, começou a lamber
minha bucetinha, dando lambidas gananciosas que se iniciavam em minha porta dos fundos, passando
por toda a extensão da minha bucetinha até chegar no clitóris. Eu sentia que ia subir pelas paredes
tamanho o tesão.

Enquanto chupava meu clitóris, Henrique foi preparando a região do seu desejo naquela noite,
lambuzava-o bem com lubrificante. Percebendo que eu estava relaxada, ele enfiou devagar um
dedinho, esperando para sentir minha reação. Entre risos, brinquei de apertar e soltar o dedo dele.
Com movimentos bem suaves, ele foi aprofundando o dedinho na minha entrada e ficou ali, brincando
com movimentos lentos, enquanto mantinha lambidas vorazes em minha buceta, denotando seu tesão
em me ter naquela situação.

Em seguida, começou a introduzir outro dedo. Eu estava bastante excitada e logo pedi a ele para me
penetrar por trás.

— Vem… quero te sentir dentro de mim…

Puxei-o para mim e beijei sua boca. Nós nos ajeitamos numa posição em que eu teria maior controle
para iniciar a penetração. Fiquei por cima dele, montada em posição de cavalgada. Seu membro rijo
ficou parado, direcionado para o olho de minha região anal e eu fui aos poucos me deixando
penetrar. Quando entrou a cabecinha, ele começou a me beijar com intensidade. A química com ele
no sexo anal rolava de maneira diferente… Beijava-me com intensidade, deslizava a mão com
volúpia por todo o meu corpo… Eu, muito excitada e já relaxada, continuei a introduzir o pênis até
que ele ficasse totalmente dentro de mim.

Muito excitados, variamos a posição. Henrique queria me ter ainda mais no controle da situação.
Pediu que eu sentasse no seu pênis deixando as pernas para frente. Queria continuar me penetrando
ao mesmo tempo em que lambia os dedos de meus pés.

Eu me sentia no controle da situação, sentia que dominava, mas, simultaneamente, me sentia


completamente entregue e dominada por ele, ao ser penetrada naquela posição.

A intensidade dos movimentos… a entrega… os beijos e os toques intensos por todo o meu corpo…
Enfim, a dança dos pensamentos embalados pelo desejo me provocaram sensações únicas de
prazer… Arrepios percorriam a extensão das minhas costas rapidamente, da base da minha coluna
até a nuca, causando-se uma sensação de êxtase.

O sexo anal pode proporcionar muito prazer, mas é preciso se sentir segura e viver essa experiência
com uma pessoa com quem tenha intimidade e confiança. E, claro, fazer só quando se sentir
preparada. Não dá para abrir mão de si mesma apenas para agradar o outro. O homem, por sua vez,
precisa controlar o seu tesão e ir devagar, ao menos no começo. Com carinho e cuidados, a prática
pode ser muito prazerosa e estimulante para ambos.

Barreiras ao prazer masculino

A região anal é uma zona erógena tanto para mulheres quanto para homens. No entanto, os homens
são ensinados a ter prazer apenas com o movimento rápido de fricção de seu pênis com outra
superfície, o que é uma pena porque as mulheres bem dispostas poderiam investir sobre suas orelhas,
descendo para o pescoço, mordiscando seus mamilos, até chegar à sua barriga, à linha do prazer, do
umbigo à virilha, à parte interna das coxas, ao bumbum, ao pênis em si e à região do períneo, onde
está o prazer que tantos querem ocultar.

A região entre o saco escrotal e o ânus permite estimular a glândula da próstata, aquela que
estimulamos diretamente com os dedos (ou com brin-quedinhos) via ânus. Acredite, o que não faltam
são homens me ligando para receber uma massagem dessas.

Como o orgasmo masculino dura menos do que o feminino, dependendo do tipo do homem e dos
prazeres que quer ter, é preciso haver intervalos de tempo para que ele relaxe e retome suas
atividades. Ter uma parceira (o) disposta (o) a fazer carícias como essas pode ser um relaxamento e
tanto!

Quando atendi o Victor pela primeira vez ele me disse que também queria saber sobre o tal “Ponto
P” que possuía e que nem sabia onde ficava. Depois de momentos quentes, cheios de diversão e
prazer, ele me disse:

— Lola, faz “aquilo” para mim?

— Com todo o prazer!

Pedi que ele se deitasse de costas e comecei uma massagem com óleo por todo o seu corpo,
investindo bastante na região interna das coxas e no seu bumbum. Ele se arrepiou todinho quando
ouviu um barulho de

borracha:

— O que é isso, Lola?

— Uma luva cirúrgica — eu disse entre risinhos.

— Precisa disso tudo? — Ele perguntou.

Por uma questão de higiene e segurança precisa, afinal essa não é a parte mais higienizada do corpo
de qualquer pessoa, ainda mais quando essas massagens e carícias não estão no script, de modo que
não nos preparamos com antecedência.

Com uma boa quantidade de lubrificante comecei a acariciar a entra-dinha da sua porta dos fundos e
ele, só ali, já tinha tremores por todo o corpo, produzindo gemidinhos deliciosos.
Empurrei seu corpo para que ele ficasse de ladinho para mim:

— Vi, como você é lindo! Faz assim, dobre e segure essa perna próxima ao seu peito.

E lá estava ele todinho para mim. Enquanto isso, eu me deitava ao seu lado, beijava-o e mordiscava
suas orelhas e pescoço sem esquecer o que minhas mãos e dedos faziam. Ele tinha um dos dedos de
sua mão entre os dentes e, a cada arrepio de prazer, gemia e se mordia devagar.

Percebi que já estava completamente relaxado e, com um pouco mais de lubrificante, fui penetrando-
o, lentamente, com apenas um dedo, em movimentos de vai-e-vem e pequenos círculos com pressão
suficiente para que ele gemesse e suspirasse cada vez mais. O segundo dedinho ali, massa-geando-o,
o levou quase ao ápice.

Com a ponta de um dos dedos eu sentia a sua próstata e a pressionava devagar e de maneira ritmada,
enquanto isso, dizia sacanagens em seu ouvido, mordia e lambia sua pele.

— Ai, Lola, que delícia!

— Quer mais?

— Sim, faz mais Lola… mais…

Sempre prevenida com os acessórios em minha bolsa, peguei um massageador prostático. Na boa,
todo homem deveria ter um desses, assim como toda mulher precisa de um vibrador sempre à mão
para estimular seu clitóris.

Há uma variedade de modelos no mercado, diferentes em tamanho, lorma e textura! O que eu tinha na
ocasião era como um plug anal, mas com um formato mais longo, cheio de ondulações que
massageiam a área do “Ponto P”, além de “possuir” duas “alças” na parte inferior que servem como
segurança para que o brinquedo não se perca ao mesmo tempo em que massageia a região do períneo.

Pois não é que Victor estava mesmo aberto a novas experiências? Lubrifiquei bem o massageador e
penetrei apenas a cabecinha dele no corpo suado do Vi e, em questão de minutos, ele chegou a um
intenso orgasmo prostático. Com o massageador inteiro lá, fiz movimentos leves que levaram o rapaz
ao delírio e, depois, pedi que ficasse de quatro para ter mais conforto com o brinquedo.

Victor gemia, suspirava, urrava… Depois mudamos de posição e passei a estimulá-lo pela frente
enquanto ele se estimulava com o brinquedinho por trás.

Talvez seja até redundante dizer que ele se satisfez, viu estrelinhas e disse que nunca gozou tão
gostoso na vida. No final da noite, antes de ir embora, ainda me fez várias perguntas sobre os
modelos de massageadores de próstata e não se cansou de ver e apalpar cada um dos que eu tinha na
bolsa. Acabei vendendo o daquela noite para ele.

Homens bem resolvidos com sua sexualidade se permitem experimentar no sexo, a fim de conhecer
os prazeres que seus corpos podem lhes proporcionar. Por isso, é errôneo pensar, por exemplo, que
há relação entre a busca de novas experiências, como a de um orgasmo intenso ao estimular
diretamente a próstata, com a homossexualidade.

O homem homossexual sente atração sexual apenas por outros homens. Por outro lado, os homens
seguros com sua heterossexualidade podem buscar essas experiências com suas namoradas ou
esposas. Isso fortalecerá ainda mais a cumplicidade entre o casal. Mas se houver receio em receber
carinhos assim, procure uma profissional que o faça. Eu, por exemplo, sinto um prazer extremo em
ensinar qualquer pessoa a experimentar novos prazeres, ou ainda, ajudar a subverter as suas lógicas
através de seu próprio corpo.

Proibido é mais gostoso?

No campo dos prazeres sexuais, o proibido é aquilo que foge à “norma”. Trocar beijos e carícias, ou
mesmo ir um pouco mais além, em locais pouco convencionais, é uma atitude muito comum, embora
seja socialmente passível de censura. E talvez por isso mesmo seja excitante. A expectativa de fazer
algo “repreensível” em espaços onde há muitas pessoas ao redor libera adrenalina, deixando
excitada a pessoa que gosta de correr certos riscos. Seja no cinema, no elevador, numa praia
paradisíaca…

O proibido tem muito de sugestivo também. Algumas insinuações têm muito poder, pois, como não
são tão explícitas, projetam ambiguidades que despertam o imaginário. Logo, uma “rapidinha” pode
nem mesmo envolver penetração e ser apenas um “amasso” quente que deixa o gostinho de quero
mais para outro momento mais oportuno.

É preciso, no entanto, tomar cuidado com essas saidinhas e rapidinhas para saciar nossas vontades,
pois muitas vezes não estamos munidos de preservativos ou lubrificantes, por exemplo, o que pode
tornar a experiência um grande risco à saúde ou uma causa de desconforto depois da aventura. Sem
contar que qualquer atividade que proporcione adrenalina demais tende a nos fazer perder um pouco
o bom senso, o que pode colocar em risco a nossa vida e a de outras pessoas. Sexo é bom, mas com
consciência!

Falando em lugares inusitados, normalmente, quando tenho um atendimento agendado, começo a me


preparar com antecedência, pois preciso sempre higienizar adequadamente meus acessórios, cuidar
de minha higiene pessoal, separar as roupas e/ou as fantasias que foram contratadas e, estando em
São Paulo, tenho sempre que sair com uma hora de antecedência para evitar engarrafamentos e
atrasos.

Certa tarde, no caminho para atender a um cliente em um motel, depois de dirigir por cerca de 20
quilômetros, o trânsito simplesmente parou e o engarrafamento ocorreu em uma das principais
marginais da metrópole.

Tudo bem, acontece… Talvez eu perdesse nesse congestionamento apenas uns 15 minutos. Doce
ilusão. Impaciente, eu notava que já estava há 30 minutos dentro do carro parado! Sem poder sair
daquele congestionamento para pegar qualquer atalho ou retorno para seguir, mandei uma mensagem
via celular para o cliente e avisei que me atrasaria um pouco.

Continuei parada em meio a uma centena de veículos e caminhões, com aquelas motos zunindo pelos
corredores. Era uma tarde escaldante, muito quente mesmo. O ar-condicionado ligado no máximo não
parecia dar conta. Os carros ao meu redor abaixavam seus vidros insufilmados com aquelas
películas fumês e rostos apareciam, a maioria exausta e indiferente aos outros a seu redor. Protegida
e fechada dentro de meu carro, eu observava tudo que se passava.

Como estava indo me encontrar com um cliente, eu trazia em minha bolsa toda a sorte de sextoys,
dildos em madeira, plugs anais, cordas, palmatórias, chicotes, entre outros brinquedos. Olhando os
motoristas à minha volta eu ia imaginando o que cada pessoa secretamente desejava quando estava
entre quatro paredes e sempre concluía que poucas delas se aventuravam a fazer algo além do papai-
e-mamãe. Uma pena! Uma opção também.

Quarenta minutos e nada do engarrafamento acabar. A cada 5 minutos eu andava poucos metros com
o carro. Claro que eu tinha que aproveitar melhor o meu tempo. Então lembrei que na minha bolsa
sempre tem algum estimulador clitoriano; aliás, toda mulher deveria ter um desses sempre à mão para
esses momentos de tédio.

O que me diverte são os formatos desses brinquedinhos: golfinhos, borboletas, gafanhotos… Haja
criatividade! O que estava agora em minhas mãos era uma borboletinha vibratória com um mini plug,
dessas que a gente consegue prender confortavelmente em nossas roupas íntimas e ainda aciona e
regula velocidade e intensidade com um controle remoto.

Acho que nem preciso dizer que consegui me aquecer para o atendimento que se realizaria. Durante
todo o percurso, deliciei-me com aquele brinquedo incrível. Aumentei o volume da música e estava
com um sorriso estampado na cara, diferente de todas as pessoas paradas à minha volta. Quase uma
hora parada em um trecho da metrópole paulista, mas com tantos suspiros frenéticos (e discretos) eu
nem me dei mais conta do tempo passando.

Voyerismo e o prazer em observar

O voyeurismo, por definição, é a observação prazerosa e secreta de um ato íntimo do outro, certa
invasão da privacidade que atiça nosso imaginário. Um voyeur excita-se ao observar um ato íntimo e
pode recorrer à masturbação simultaneamente ou após ter apreendido e observado minuciosamente
toda a cena secreta.

Certa vez, recebi a ligação de um homem me convidando para uma viagem a um retiro fora da
cidade. Sempre fico seduzida com a possibilidade de viver experiências diferentes em lugares novos
e aceitei encontrá-lo. Era um homem elegante e de muito bom gosto. Sua fantasia era a de que eu o
chamasse de “tio” durante toda a viagem.

Até chegarmos ao nosso destino havia uma longa estrada. O som estava alto e eu estava no banco da
frente, quando Luís pediu que eu fosse para

o banco de trás e me despisse com sensualidade. Dirigindo a quase 30 km por hora, ele me olhava
pelo retrovisor e pedia para que eu tirasse uma peça ou outra, esticasse os braços assim,
movimentasse o corpo… Entrando no jogo dele, comecei a acariciar meu pescoço, meus braços e a
tirar uma peça ou outra lentamente. Fui fazendo movimentos com a cabeça, ora levando os cabelos a
um coque com as mãos, ora ostentando meus longos cabelos soltos.

Ele me via como uma menininha e se excitava com isso. Pediu que eu esticasse as pernas e o tocasse,
e pirou quando viu meus pés pequenos e delicados.

— Meu bem, venha sussurrar sacanagens no meu ouvido.

Aproximei-me.

— Tio, ai, tio! Você é mesmo um sem-vergonha! Eu aqui toda molhadinha, meus peitinhos pedindo
sua boca e suas mãos e você aí sem largar o volante, malvado…

Pois é, alguns podem achar esse vocabulário comportado, mas era isso que eu dizia enquanto
passava as mãos por seus cabelos e lambia deliciosamente as proximidades de uma de suas orelhas.
Ele pirava.

—- Tio, para esse carro. Vem me fazer nana, tô tããão sozinha aqui atrás…

— Não sabe se divertir sozinha?

— Sei, mas prefiro me divertir com você!

— Então vem cá, solta meu cinto aqui.

Com as mãos, senti a protuberância em suas calças. Delicadamente soltei seu cinto, seus botões e
abri aquele zíper. Ele fazia malabarismos para poder abaixar um pouco a roupa.

— Nossa, tio… Tudo isso aí e eu aqui sozinha, só na vontade?

— Se continuar me chamando de tio desse jeitinho vai me fazer gozar ao volante.

Eu ri. Do banco de trás o masturbava, quase escondida dentro do carro e já completamente nua.

— Menina, menina…

— Não gosta, tio? Então vou brincar sozinha. Você me ajuda?

Apoiada sobre os joelhos, exatamente no meio do banco de trás, lambi

meus dedos enquanto o olhava fixamente pelo retrovisor.

— O que eu faço agora, tio?

— Lambe mais! Molhe seus peitinhos. Vira a cabeça para trás.

— Ai, tio, isso é bom. Quero mais!


— Desce, Lola, desce mais.

Continuei minha exploração confiante, me satisfazendo com minhas próprias mãos, passando-as por
todo o meu corpo. Pressionei os bicos dos meus seios, desci mais minhas mãos, sempre consciente
dos olhares pelo retrovisor que estavam fissurados no movimento e nos caminhos que minhas mãos
úmidas percorriam. Eu me masturbei ali e suspirava e gemia “tios” sem fim entre cada “ai”. Os
movimentos ficavam cada vez mais frenéticos. Um dedo, dois, três. Meu corpo indo para frente e
para trás, suado.

Até que percebi um caminhão gigantesco atrás de nós na estrada, buzinando sem parar:
FOOOOOOOOOOOOOM!!!

— Para, tio! Para esse carro, tio! Para, para, para!

No ápice de uma ereção, Luís se masturbava com uma das mãos.

— Não paro, neném. Paro não…

O caminhão nos ultrapassou em meio a buzinas altíssimas.

— Estão nos vendo, tio Luís!

— Não pare, Lola… Para não…

O caminhoneiro passou por nós e ao chegar perto da janela de Luís gritou:

— Ê, tiozão, hein! Devagar e sempre!

Luís finalmente gozou e caímos na risada.

Corpos em pixels

Nesse mundo de estímulos visuais em que vivemos, a internet é para muitos um refúgio, o lugar mais
apropriado para extravasar suas fantasias com outras pessoas. Isso porque, sob a proteção de
apelidos ou nicknames, pode-se conversar sobre tudo com todos. A internet, de certa forma, abre
portas para relacionamentos casuais e sem compromisso. Não foi à toa que me inseri no universo da
prostituição através das salas de bate-papo, pois há um público sedento por isso em qualquer site
fácil de localizar em uma busca no Google.

As mulheres são minoria nesse ambiente, ao menos as que não trabalham com o sexo pago e seriam
clientes em potencial. Em geral, quando querem me conhecer, minhas clientes me ligam e me
contratam para passar horas teclando com elas, quando passo meu e-mail particular para trocarmos
mensagens instantâneas e falarmos sacanagens no telefone uma para a outra. Adoro ouvir a voz das
pessoas sem ter visto ainda os seus corpos.

Também são mais comuns conversas via Skype ou outras ferramentas de vídeo com minhas clientes,
mas tudo se volta sempre para a sugestão e o charme. Para a provocação com aquela alça do vestido
que escorregou pelo ombro até desnudar parte de um dos seios ou as coxas que aparecem cruzadas
“sem querer”, enquanto ela está sentada à vontade na poltrona em frente ao seu computador.

É nesse universo que o voyeurismo toma formas cada vez mais inovadoras. É comum, atualmente, um
indivíduo ou casal, por exemplo, sentir-se excitado em filmar ou fotografar seus corpos em poses
sensuais ou em transas com a finalidade de expor suas práticas, curvas e desejos em sites, clubes e
fóruns de pessoas desconhecidas que têm esse mesmo interesse.

Ou ainda, simplesmente assistir esses vídeos com o parceiro para obter um novo estímulo visual para
o sexo.

Foi em uma dessas sessões on-line que conheci uma mulher linda, com jeitinho de garota rebelde e
que tinha uma voz sedosa, risadas e gemidos deliciosos ao telefone. Fiz de tudo para trazê-la para a
vida real, para compartilhar com ela uma cama. Mas ela fazia jogo duro, cheia de charme, e parecia
sentir prazer em me ver quase implorando para encontrá-la.

Um dia, nessas coincidências do destino, me deparei com ela em uma rua no centro da cidade onde
morava. Como sou facilmente reconhecível permaneci do outro lado da rua, em frente ao
estabelecimento onde ela estava e fiquei encarando-a já com o corpo inteiro quente.

Ela me viu e de imediato sorriu um sorriso escancarado. Quis atravessar a rua para cumprimentá-la,
mas ela fez sinal com as mãos para eu parar onde estava, sempre com aquele sorriso debochado na
cara.

Observou-me por longos 10 minutos enquanto eu ficava estática. Então atravessou a rua em meio aos
carros e veio em minha direção. Deixou sua bolsa cair no chão, me empurrou para a parede, prendeu
uma das mãos em minha cintura e a outra em meu pescoço e me beijou deliciosa e vorazmente.

O batom que eu usava marcou nossas bocas. Ela limpou as manchas vermelhas de seu rosto com os
dedos e, olhando em meus olhos, passou lenta e sensualmente os dedos pelos seus lábios. Eu ainda
estava estática com os olhos presos aos dela. Então ela disse: “Oi, Lola”, deu uma piscadi-nha e saiu
como se nada tivesse acontecido.

Só voltei a mim quando todos os homens das lojas ao redor estavam nas portas aplaudindo e gritando
“uhul!”, enquanto as poucas mulheres que ficaram no local levavam a mão à boca em sinal de susto e
expressavam olhares de reprovação.

Não a vi mais durante um bom tempo, até que resolvi procurá-la no Facebook. Via mensagem, a
convidei para irmos a uma baladinha e ela aceitou prontamente. Combinamos, então, de nos
encontrarmos dentro

Ao entrar, avistei-a dançando fogosa, sem pudores. Os cabelos longos e loiros, a boca vermelha
carnuda e o vestido preto colado reforçavam ainda mais aquela imagem de femme fatale.

Aproximei-me e começamos a dançar juntas. Conversávamos com o rosto colado, pois o som estava
muito alto. A excitação era clara e depois de uns drinks começamos a ficar mais e mais envolvidas.
Ela dançava de um jeito que me enlouquecia. Roçava minha perna e olhava dentro dos meus olhos me
convidando a olhá-la também. Cada meneio de cabeça era um suspiro meu, cada rebolada que ela
dava era um arrepio e cada vez que me olhava mordendo os lábios… Pelos deuses, era uma
provocação!

Diante da urgência de nos tocarmos, fomos para o banheiro feminino e nos fechamos em uma das
cabines estreitas e começamos a nos beijar. Ela abaixou as alças do vestido para mim e quando fui
sentir mais do seu sabor ela sacou o celular:

— Vamos estrelar um filme, Lolinha!

Ela tirou de dentro do sutiã duas máscaras de tecido. Bandida! Deve ter passado todo esse tempo
imaginando o que fazer para me surpreender.

Amarrou meus cabelos com um dos laços de plumas vermelhas que ela trazia no pulso e colocou a
máscara em mim, me virou de costas com força e saboreou meu pescoço e colo, me enlouquecendo,
enquanto eu segurava o celular virado para nós.

Ao virar, deparei-me com aqueles seus seios lindos, rosados, eriçados, excitados… Coloquei a outra
máscara nela, virei-a de frente para a câmera e ordenei que ficasse com o celular.

Segurando-a pelos cabelos enquanto ela ofegava e escutei o seu delicioso gemido alto em meio ao
“putz-putz-putz” da boate. Não me contive e a empurrei contra a parede com toda a força, mantendo
uma de minhas pernas entre as suas, enquanto abria o zíper do vestido lentamente e beijava seus
ombros. Seus pelos arrepiaram e eu a via delirar, quase implorando por mais. Nesse jogo, perdemos
as roupas e bastou ela morder meu pescoço para eu entrar em êxtase.

Tudo sendo filmado. Os toques, as mãos e as línguas por todo o corpo. Ela continuava a gemer alto e
quando apertou minha língua entre seus dentes, ainda com o sabor e o cheiro dela entranhados, me
deu um tapa na cara com aquele olhar de safada. Estávamos enroscadas exatamente do jeito que
nossos corpos queriam e só isso importava.

De repente, bateram à porta repetidas vezes. Nós ríamos. Empolguei-me ainda mais a ponto de
estampar meus dedos naquela bunda linda. Continuavam a bater na porta e não deu para ignorar.
Batiam cada vez com mais força e estávamos adorando aquilo tudo em meio ao malabarismo de
nossos corpos.

Como estávamos lá a bastante tempo, sabíamos que precisávamos sair dali antes que derrubassem a
porta. Desligamos a câmera e, enquanto ela se vestia, eu me recompus. Depois de tirar a máscara,
destranquei a porta e saí, como se nada tivesse acontecido. Ela saiu um pouco depois, tranquila,
devagar.

Voltamos à pista de dança e várias pessoas nos olhavam, comendo-nos com os olhos. Não tenho
certeza se consegui disfarçar a emoção de ter vivido aquela experiência, enquanto todas aquelas
pessoas estavam ali, apenas dançando, ignorando completamente tudo o que tinha acabado de
acontecer no banheiro.
Várias cenas da gravação de nosso vídeo foram replicadas em fotos por toda a rede. É a rotatividade
de informações da internet em torno da exposição dos prazeres entre corpos. No entanto, é importante
ter alguns cuidados caso tenha essas vontades. Antes de tudo, é preciso haver consenso para esse tipo
de exposição. Se não estiver a fim de exibir-se em fotos ou vídeos não há porque fazê-lo. Caso a
pessoa que está com você não compreenda isso é porque não tem o menor respeito por suas opiniões
e por seu corpo, então, caia fora dessa!

Mas se quiser fazer isso, imponha e defina condições para o registro, pois mostrar o rosto, partes do
corpo com tatuagens, piercings ou carac-tcrísticas de nascença, cenários que remetam à sua casa ou
que facilitem a identificação do local onde foi gravado o vídeo é muito perigoso. Evite também falar
durante a cena. Uma sugestão, quando for gravar algo assim, é deixar o som ligado em uma altura em
que vocês, caso precisem falar, possam sussurrar um para o outro, sem correr o risco de ter a voz
identificada. Voz alta mesmo apenas nos gemidos e com o cuidado de não citar nomes!

Ao salvar o arquivo, procure não colocar nomes suspeitos como: “EU-EAPATROA”,


“FULANOEEU”, “DELÍCIA”, “VÍDEOGOSTOSO”, que denunciam o conteúdo e instigam qualquer
um que venha a mexer, por exemplo, no seu computador ou celular. Aliás, para guardar esse tipo de
registro, o ideal mesmo é gravar tudo em mídias como CD e DVD, ou mesmo um pendrive ou cartão
de memória, sem identificá-los com etiquetas espalhafatosas também né, por favor. Guarde esses
materiais em local restrito, na caixa em cima do armário, na gaveta que só você mexe, no meio dos
livros que você tem no quarto. Mesmo com todos esses cuidados, porém, você pode ser vítima de um
vigarista, acredite. Nunca confie em fazer esse tipo de coisa com pessoas que você não conhece.
Falo sobre isso, pois é comum receber relatos de pessoas desesperadas, que não sabem o que fazer
diante do risco iminente de gravações e imagens roubadas serem usadas com más intensões,
causando sofrimento e angústia.

Nossa essência não tem “cura”

Em função de minha profissão, dia a dia sou colocada diante de questões que me fazem pensar cada
vez mais sobre as barreiras fortíssimas de nossa sociedade em relação à sexualidade e, sobretudo,
em relação à liberdade sexual dos indivíduos.

Embora eu não seja formada em psicologia, o fato é que muitas pessoas me procuram crendo que eu
posso mesmo ajudá-las.

Um desses casos aconteceu com Juno. Ele me ligou tímido, a voz triste quase não saía e eu mal podia
escutar o que ele me dizia. Explicou-me que era gay, como se isso devesse ser justificado de alguma
maneira, e logo demonstrou que não se conformava com isso. Em linhas gerais, ele queria sair
comigo para ver se gostava de mulheres, queria sair com uma puta para tentar provar que era
“macho”.

Nas conversas ao telefone ele tecia mil e uma reflexões, atribuía esse sentimento ao grande amor que
sentia pela mãe, dizendo que não sentia atração por outras mulheres porque isso parecia, na cabeça
dele, uma prática de incesto, como se toda mulher da qual ele se aproximasse se convertesse
automaticamente na imagem de sua mãe.
Claro que achei tudo isso muito louco e me desesperei, sem saber o que fazer, afinal, não sou
psicóloga, psicanalista ou sei-lá-o-quê. Sua súplica fez com que eu me compadecesse e cedi ao seu
pedido. Foi um dos atendimentos em que fiquei mais tensa, pois eu queria realmente ajudá-lo, mas
não acredito que se possa exorcizar o lado gay de uma pessoa, justamente porque esse dado não é
uma doença, embora “psicólogos” sem ética vendam “curas” por aí, principalmente nas portas das
igrejas. Esses “profissionais” precisam ter mesmo seus registros cassados, pois retrocedem e tratam
a homossexualidade como um “transtorno” e como urna “opção”, não como um traço da identidade
dos sujeitos. O que eu queria era que Juno percebesse que viveria em conflito até que conseguisse
enfrentar seus medos, seus anseios e seus desejos. Então bolei uma estratégia.

Para que ele não ficasse tão surtado em relação ao tempo, fiz um pacote de horas e passamos a tarde
juntos. Conversamos muito e percebi que se ele não entendesse e aceitasse sua orientação sexual, em
um esforço de se enganar, ele seria muito infeliz.

Como não podia deixar de ser, embora haja exceções, Juno vinha de uma família ultraconservadora:
o pai era um médico tradicional e a mãe uma dona de casa voltada exclusivamente às vontades do
marido. O pai exaltou seu primeiro filho homem e determinou que o criariam para que fosse um
macho capaz de “comer” uma menina por dia. Para isso não faltavam rituais: o doutor o levava a
puteiros constantemente e, quando Juno finalmente ia para o quarto com uma garota, ficava tão
inquieto e sem jeito que as garotas, entendendo sua situação, simplesmente se deixavam ficar no
quarto, apenas esperando a hora combinada terminar.

O jeito como ele falava sobre as garotas evidenciava certa aversão em relação ao ambiente e ao
próprio corpo feminino. Era um bloqueio e eu percebi isso quando tentei me insinuar algumas vezes.
Juno fingia não me ver diante dele. Seu olhar fugia de mim, direcionando-se para o teto, os móveis, o
quadro na parede…

Além disso, para o seu desespero, os “amigos” o pressionavam para que ele fosse o “pegador”. E de
fato, falando em estereótipos, Juno era lindo: l,90m de altura, olhos verdes, loiro, a barba bonita…
Facilmente seria confundido com um modelo desses que arrancam suspiros. Cada vez que ele se dava
conta de que estava “fugindo” de mim, seus olhos começavam a lacrimejar e eu rapidamente
contornava a situação, tentando mostrar que há algo de positivo nisso tudo.

Afinal, por que raios a maioria dos homens pensa que fazer sexo anal, por exemplo, é sinônimo de
homossexualidade gente?! Por que um cara casado não pode ter vontade de chupar um pau, de
receber um beijo grego, de ser penetrado por trás? Por que um cara que não se definiu sexualmente
ainda precisa ter vergonha de provar de tudo um pouco para ver do que mais gosta? Tudo isso eu
falava no esforço de relativizar as angústias de Juno.

Foi quando notei que seus olhos começaram a brilhar, talvez por perceber que eu o compreendia ou
pelo menos me esforçava para isso. Então, fiz-lhe uma proposta:

— Juno, a questão é que, se você acha que não gosta de mulheres, ficar forçando essas relações,
mesmo me contratar para isso, só vai piorar as coisas para você. Você é lindo, atraente,
interessante… Eu poderia passar a noite te chupando, te masturbando, poderia até te fazer gozar, mas
você estaria a vontade com isso? E se saíssemos juntos para algumas baladas GLS e eu fosse, tipo
assim, sua consultora para assuntos de sedução?

De imediato, ele deixou escapar um sorrisinho no canto dos lábios, mas então me confessou que tinha
tanto medo de assumir seus desejos homossexuais que nunca havia transado, mesmo estando com 25
anos. Afirmou ainda que, embora sentisse muita atração por homens, o máximo que conseguia era se
masturbar pensando neles e, depois, se arrepender amargamente do ato, chorando a noite toda.

— Não estou querendo te forçar a nada, querido. Mas podemos sair por aí, beber um pouco,
conhecer gente nova e vai que você se interessa por alguém, homem ou mulher, aí eu estarei junto
para te dar apoio.

Ele ficou em dúvida e disse que pensaria a respeito.

— Se você me acompanhar nisso, Lola, vai ter que ficar ao meu lado sempre, em qualquer
aventura.

— E, se você não se aventurar, eu te arrasto para uma das minhas artes!

Passamos a tarde toda conversando, rindo e nos abraçando. Era um

carinho fraternal, claramente não havia interesse sexual da parte dele. Despedimo-nos e eu fiquei
ensimesmada pensando nas dores e dúvidas que o afligiam, pensando que talvez ele não me ligasse
para realizarmos o que eu havia proposto e carregasse esse peso para o resto da sua vida por medo
de se afirmar como a pessoa que é.

Depois de dois dias ele me ligou:

— Okay, Lola. Topo sua proposta. Vamos ver no que vai dar.

— Posso escolher uma balada para hoje?

— Hoje?!

— É, agora. A não ser que você já tenha um lugar em mente.

Elegi as melhores baladas de São Paulo e lá fomos nós. Ele estava visivelmente excitado e tenso.
Ficou maravilhado com os homens lindos que estavam presentes ali e eu, por tabela, fiquei
impressionada com a quantidade de homens interessantes, mas que, infelizmente, não eram para o
meu bico.

Diante das cantadas dos caras, Juno exibia um misto de vergonha e excitação. Não sabia muito bem
como agir e mal podia acreditar que fazia tanto sucesso ali. Ficava todo corado, suava e não
conseguia escolher um alvo. Não demorou muito e ele foi escolhido.

Um moreno bonito, com a barba tão bem feita quanto a dele, chegou junto, alçando-o pela cintura. Vi
até quando Juno, entre um misto de surpresa e medo, ficou nas pontas dos pés com esse toque
inesperado. Eu, claro, saí de perto e deixei que os dois conversassem. Entre algumas passadelas de
mão, Juno retornou dizendo que não havia gostado muito da abordagem do cara, mas que era
interessante ser tão paquerado como estava sendo.

Pronto. A partir daí ele ficou bem mais à vontade com a situação e interagiu com vários boys, até que
finalmente pareceu ter encontrado alguém que o agradava. Ricardo era um japonês alto e bonito, no
mínimo exótico. Eu nunca havia visto um japa tão bonito como ele e os dois formavam um par
interessante. Não demorou muito e se beijaram enquanto eu dava pulinhos de alegria no meio da
balada, cercada por homens que apenas me sorriam gentilmente e, ora ou outra, elogiavam minhas
roupas.

Juno então me apresentou seu par e conversamos um pouco. Fiz sinal para que ele fosse embora com
seu parceiro e vivesse aquele desejo pelo resto da noite. Eles formavam um casal muito bonito e, por
fim, acabaram se tornando namorados.

Não há cura para o que não é doença e, infelizmente, para acabar com o preconceito é necessário
mais do que milagres. Mas Juno teve a coragem de experimentar o que seus desejos lhe insinuavam.

Depois de algum tempo até saímos juntos e tivemos uma noite muito legal, muito quente, e ele jurou
que foi a única vez que se deitou com uma mulher só para “tirar a teima”. Claro que eu ri e disse que
sempre que ele estivesse com a pulga atrás da orelha poderia me procurar, mas ele aprendeu a
caminhar e a enfrentar o mundo muito bem sozinho.

Penso que a sociedade atual, com seus valores conservadores, precisa mudar sua forma de ver o
indivíduo e suas idiossincrasias. Embora tudo seja muito tênue e incerto, o esforço para desconstruir
essas concepções tão arraigadas em nossa sociedade, responsáveis por atos de intolerância com
relação à diversidade de manifestações da sexualidade, é sempre válido. Não devemos permitir que
a violência contra mulheres, homossexuais, travestis e prostitutas se torne “natural”. Afinal, todos
nós somos humanos e o respeito deve acontecer em qualquer circunstância, independentemente das
escolhas sexuais individuais.

Pintando o 7

Como tentei mostrar anteriormente, as pressões familiares exercem grande influência na construção
da identidade de um indivíduo. No caso da sexualidade, quando há inclinação para algo que não está
dentro das “normas” estabelecidas, como é o caso da homossexualidade, a tendência das pessoas que
vivem esse conflito, em geral, é se sentir estranho, como se fosse um “anormal”. Essa pressão faz
com que sintamos vergonha de pensar em interações com corpos semelhantes aos nossos. No meu
caso, posso dizer que gosto do corpo masculino, mas também amo corpos femininos. A delicadeza
das curvas, a pele macia, o cheiro, os arrepios ao toque…

A Letícia, por exemplo, era muito bem resolvida com sua sexualidade. Já tinha namorado meninas e
saía, esporadicamente, com meninos.
— Não gosto muito de pinto, sabe? — Achava engraçadíssimo ela dizer isso.

Eu gostava tanto do jeito dela. Era jovem como eu, tinha estudado Artes fora do Brasil e tinha uma
maneira intelectual e despojada de se comportar que me intrigava.

O mais divertido dos nossos encontros é que sempre íamos a bares e nos pegávamos lá. Letícia dizia
que isso era arte. A arte de chocar as pessoas. Eu ficava um pouco constrangida com a situação, que
exigia bastante entrega e desinibição de minha parte. Recebi uma boa proposta para realizar as
fantasias da minha querida e acabei topando. Começávamos a nos beijar em público, ela me
apertando, quase arrancando a minha roupa, até que um segurança vinha em nossa direção e
delicadamente nos advertia.

Era exatamente o que ela queria: gerar uma situação em que pudesse soltar seu discurso sobre
liberdade sexual. Os seguranças sempre ficavam

muito sem jeito e, quando ela dizia quem era seu pai, eles logo mudavam de postura e fingiam não
ver o que estava acontecendo. Chegamos ao cúmulo de beijos triplos, triplamente safados e
constrangedores em ambientes públicos.

Nossos encontros mais interessantes, entretanto, aconteceram em ambientes mais íntimos. Ela sempre
inventava algo mirabolante: pintar meu corpo, criar cenários, alguma encenação… Tudo fazia parte
do jogo.

Seu rosto me lembrava da Angelina Jolie. Seu corpo, mignon, mas definido, e a pele macia eram um
convite ao delírio. O que eu mais gostava era o fato de ela ser totalmente depilada. Adoro mulheres
assim. Eu adorava sentir o cheiro dela e lambê-la devagar. Ela adorava um dedinho lá atrás enquanto
eu a chupava. Ficava totalmente entregue. Nem parecia aquela garota tão dona de si. Tão imponente.

Entretanto, sua faceta “má” sempre ficava para depois. Quando usava a cinta e me penetrava,
segurando-me pelo quadril e enfiando com força… Eu quase acreditava que ela realmente tinha um
pau. Ela também acreditava, pois se sentia muito excitada nesse papel, me pegando com força por
trás.

Apesar dos meus encontros com Letícia serem sempre intensos, há algumas características sempre
presentes nas minhas relações com mulheres, quando vivo amores sáficos.

Amores Sáficos

Atualmente, as mulheres têm se sentido mais à vontade para falar sobre seus desejos; digo isso, pois
sou contratada por muitas que querem satisfazer suas curiosidades e fantasias. Dentre as infinitas
situações possíveis, a mais comum é a vontade de estar com outra mulher, tocando ou sendo tocada.
O relacionamento com uma mulher é diferente, pois há uma delicadeza em seus gestos e corpo e na
maciez da pele que seduzem e encantam.

Conheci Miranda em um bar. Uma empresária de prestígio. Eu não estava a trabalho nesse dia, mas
não pude deixar de notar sua presença. Ela estava incrível: usava uma saia lápis preta, uma blusa
branca de cetim e saltos vertiginosos. Era quase impossível não olhar. Depois de alguns drinks, vi
que ela retribuía meus olhares e fui ficando extremamente animada com essa situação. Logo, com um
simples aceno, percebi que ela sugeria que fossemos ao banheiro e lá fui eu. Seu perfume inebriava o
ambiente. Conversamos por alguns minutos, bem de perto, quase roçando os lábios.

Eu disse que adoraria se ela me ligasse um dia desses. Dizendo isto, entreguei-lhe um dos meus
cartões e saí, com um sorriso malicioso nos lábios. Não demorou nem uma semana para que ela me
ligasse. Comentou que nunca havia feito algo como isso e que a ideia de sair com uma acompanhante
a assustava um pouco. Tranquilizei-a dizendo que aquela seria, sem dúvida, uma experiência única e
deliciosa. Afinal, ela já havia percebido o quanto eu a desejei lá no bar.

Como ela estava relutante, sugeri que passássemos o dia juntas. Assim, ela se sentiria mais
confortável para fazer o que quisesse. Foi verdadeiramente incrível. Miranda veio me buscar logo
pela manhã e me avisou que ficaríamos na fazenda, localizada no interior de São Paulo. Chegamos
por volta do meio dia e tivemos um dia incrível. À beira da piscina, conversávamos sobre literatura
e artes, mas tudo em que eu conseguia pensar era no seu cheiro e em todo desejo que aquela mulher
me inspirava. No auge de seus 40 anos, ela era tão segura e dona de si que chego a dizer que era isso
que me hipnotizava.

Um champanhe embalou nossa conversa, até que silenciamos. Nós nos olhávamos fixamente, bem de
perto. “Vamos lá para dentro” - disse ela, decidida. Quando chegamos ao quarto, não foi necessário
dizer uma palavra. Beijei-a com todo o desejo que eu vinha nutrindo desde o dia em que a vi no bar.
Um beijo ardente, embora doce. Abaixei seu biquíni e lambi aqueles seios lindos, grandes e
saborosos. Sempre muito atenta a cada reação dela, observei que ela estava muito excitada.

Coloquei minha mão nela e senti que estava molhadíssima. Tirei a parte debaixo do biquíni e chupei
com toda a minha dedicação. Primeiro, com ela em pé e, depois, com aquele corpo deliciosamente
deitado. Ela gemia mais e mais. Eu a lambia toda, saboreando cada pedaço daquele corpo tão
gostoso.

Tive um dos orgasmos mais deliciosos da minha vida desse jeito. Vê-la ali tão entregue, se
contorcendo, me deixou com a sensibilidade à flor da pele e o simples toque dos meus dedos em meu
próprio corpo condu-ziu-me ao êxtase. Ficamos deitadas um tempo, conversando, enquanto ela
acariciava meus cabelos. Em um ímpeto ela disse: “Agora é a minha vez”.

Acho que nunca serei capaz de descrever com exata fidelidade a cena que se seguiu. O jeito que ela
lambia meu corpo, a nuca, os ombros, o quadril… os pés, ah! os pés… Ela explorou meu corpo como
ninguém havia feito antes. Passamos horas ali sem que eu me desse conta. Quantas vezes nós
descansamos, nos enroscamos e gozamos é desnecessário dizer, mas depois de tudo ainda tinha um
delicioso jantar à luz de velas me esperando. Afinal, romantismo nunca matou ninguém, certo? Vi
Miranda muitas outras vezes, sempre intensa, sempre incrível, até que ela se mudou para Paris.

A mulher que cuida bem de seu corpo, depilando-se, por exemplo, excita muito mais. E claro que
pode haver gosto pela presença dos pelos pu-bianos, e isso vai de cada um. Para mim, a atração
física por uma mulher, a ponto de desejar dormir com ela, está ligada ao seu toque, seu cheiro…
Com os homens eu sinto tudo isso em escalas diferentes. Deitar-me com outra mulher é outra entrega.
Rola sacanagem e pode rolar muito palavrão, mas os olhares parecem que nunca se perdem, as mãos
exploram mais cada parte do corpo e há uma cumplicidade e uma intimidade muito peculiares
expressadas em risinhos deliciosos.

Prazeres de todos os gêneros

Essa nossa sociedade é engraçada, para não dizer tragicômica. Vivemos em um mundo “liberal”,
onde tudo é cool, tudo é hipster e as pessoas não têm preconceito algum com qualquer coisa… Opa!
Acho que não é bem assim. O grande enigma de nossa sociedade é que mesmo com tantos “avanços”,
com tantas “inovações”, com tanta “diversidade” e com tanta “informação”, temos retrocedido muito
também.

Ao mesmo tempo em que as mulheres ascendem a patamares antes restritos aos homens, o machismo
parece insistir em se naturalizar por todos os lados, dentro de nossas casas, nas ruas, nas escolas, na
maioria das religiões, nos hospitais, nas maternidades, nas delegacias…

Não bastasse isso, mesmo com tantos direitos adquiridos, os homossexuais continuam sendo
assassinados, as putas continuam sendo perseguidas, as travestis, os transgêneros e toda uma sorte de
identidades continuam a ter o direito a um nome social negado. Criaram-se tantas caixas para tantos
gêneros que se esquece do fundamental, que todos somos seres humanos e somos cidadãos.

Como já disse, trabalho com sexo porque esse universo me encanta e possibilita experiências
ímpares com pessoas únicas em suas identidades. Se eu fosse me deixar reger apenas pelo dinheiro,
estaria muito bem financeiramente, mas provavelmente não teria os melhores clientes do mundo, já
que tudo seria uma troca meramente financeira, como quando você vai numa loja, escolhe uma roupa,
paga por ela e sai feliz, esquecendo-a dias depois num canto do armário.

Sim, meu corpo é minha mercadoria, mas é antes de tudo o meu corpo, regido pelas minhas regras e
vontades. Por isso é que tenho um leque variado de clientes de todos os gêneros; alguns difíceis
mesmo de se definir e encantadores justamente por se identificarem com um não lugar: nem mulher,
nem homem, nem gay, nem travesti. Por vezes sou pega de surpresa por situações que pensava nunca
viver na vida e nelas eu mergulho sem dó nem piedade, em nome das novas experiências e do
respeito aos desejos dos meus clientes.

Um dos atendimentos mais interessantes que fiz em meio a essa pluralidade de identidades foi a
primeira vez que um casal gay me contratou. Os dois eram muito bem resolvidos e me contaram que
às vezes saíam com garotas, o que náo era tão fácil, pois elas ficavam um pouco receosas quando
eles confessavam que formavam um casal. Na maioria das vezes precisavam procurar meninas que
gostassem de fazer coisas novas, mulheres que estavam sem companhia e dispostas a tudo para
aproveitar a noite, até porque as profissionais do sexo não despertavam seus interesses naquele
momento. Quando ouviram falar da Lola Benvenutti, de mim e minha história, porém, acharam que
valia a pena arriscar: para eles eu parecia muito diferente de todas as garotas de programa.

Em verdade, tenho um perfil de prostituta difícil de ser encontrado, a não ser que você tenha muito
dinheiro e contatos quentes nesse universo, contatos que, em geral, prestam serviços sexuais
eventualmente, apenas para complementar a renda. Não que eu seja única, longe disso! Mas encontrar
uma garota de programa que seja bem resolvida consigo, que não tenha medo de arriscar, que zela
pelas relações humanas e não apenas pelo dinheiro e, principalmente, que gosta de verdade do que
faz, bom, profissionais assim eu ainda conheço poucas e as que conheço se tornaram minhas amigas e
não concorrentes, como é comum ocorrer nesse mercado.

Quando eles me ligaram pela primeira vez foram diretos:

— Somos dois homens gostosos que adoram sexo. Quanto você cobraria para nos satisfazer por
toda uma noite?

Eu retribuí a sinceridade:

— Depende. O que agrada vocês? São amigos ou companheiros?

E então a ligação ficou muda por alguns segundos, como se eu os tivesse surpreendido de alguma
maneira. Outra voz começou a falar comigo e eu entendi logo o que eles queriam:

— Você atende casais gays?

— Não só atendo como os filmes que mais me excitam são esses em que dois ou mais caras estão
juntos, entregues uns aos outros.

Novamente o silêncio e, com um som abafado, tudo o que eu ouvia eram cochichos:

— Tá vendo! E ela, tem que ser ela!

— Shhhh… E se ela estiver de caô?

— Para com isso! Dá aqui que eu falo agora… Lola?

— Sim?

— Quantas horas você tem livre na noite de amanhã para nos encontrarmos?

Quem os visse não imaginaria nunca que se tratava de um casal gay. Falo isso porque nosso
preconceito tende a estereotipar esses casais, de modo que tentamos sempre identificar aquelas
babaquices sobre quem é o “ativo” ou o “passivo”, tentando encaixá-los sempre na artificialidade
que é a ideia geral que temos de Homem e Mulher.

Ou seja, quando ouvimos falar de casais gays, em geral, pensamos em homens “afetados” com
plumas e paetês e em mulheres “machonas” ostentando uma pochete nas calças. Pelo amor dos
deuses! Vamos parar com isso por aqui.

Esses homens tinham por volta de 30 anos e ambos estavam impecavelmente vestidos. Alan era
médico e Regis advogado. O primeiro era alto e esguio, com olhos tão expressivos que davam a
impressão de que nos tragariam a qualquer momento, como uma maré contra a qual não conseguimos
remar, nos puxando até aquela boca delineada, porta de entrada para o corpo sarado e cheio de
gominhos.

Já o segundo seguia uma linha mais, vamos dizer, rústica. Alto, forte e com pelos por todo o corpo. O
contraste com o seu parceiro era nítido e logo de cara me diverti vendo aquele jogo de opostos. Até
seus perfumes marcavam essa diferença extrema de personalidade.

Começamos a conversar e, enquanto me contavam um pouco sobiv suas vidas, minha cabeça estava
nas nuvens. Afinal, a confissão sobre os filmes pornôs gays é verdadeira e mesmo que metade do
mundo diga que acha mais excitante ver duas mulheres juntas, eu me excito vendo corpos nus
masculinos tanto quanto me excito vendo mulheres trocando carícias.

Se isso é “proibido” ou “incomum”, não sei, pois não penso com essa lógica. Agora, ver dois
homens juntos me parece tão poético quanto “colocar as aranhas para brigar”, quer dizer, é tão lindo
quanto ver dois corpos femininos entrelaçados. A transgressão me excita, mesmo com as acrobacias
e limitações dos filmes pornôs.

Começamos a tomar champanhe que haviam trazido para o motel e a conversa foi fluindo, fluindo…
E conforme nos sentíamos mais à vontade as brincadeiras ocorriam naturalmente. Durante os
deliciosos beijos triplos acariciávamos uns aos outros e eram tantas mãos que eu mal conseguia me
conter de excitação. Quando nossos olhares se cruzavam o tesão era latente.

Com a mesma naturalidade com que nos beijamos nos despimos, não havia nenhum script a ser
seguido e em segundos estávamos todos nus e visivelmente excitados.

Eu estava intrigada para ver como eles, companheiros de longa data, se envolviam na cama, mas
Alan logo me disse: “De você cuido eu, por enquanto” e rapidamente suas mãos percorriam
habilmente meu labirinto do prazer e eu me contorcia com as pernas levemente abertas, o corpo de
ladinho e de frente para ele. Aquele homem lindo me beijava o pescoço e os seios e tirava de mim
suspiros a cada movimento circular no clitóris que me fazia ficar toda molhadinha.

Enquanto isso, seu parceiro, atrás dele, o acariciava. E todos aqueles corpos deitados na cama eram
uma imagem muito agradável que eu via pelo espelho. Não havia nada de estranho ou repulsivo: era
beleza, amor e eu entendia isso com toda a naturalidade.

Para apimentar mais as coisas, depois que eu já estava toda molhada pelas mãos daquele médico que
iam e vinham de baixo para cima sobre meu corpo, Alan e eu decidimos apostar quem faria o melhor
boquete. Entre risadas, definimos critérios e aqueles minutos de confabulação eram muito divertidos.

Dedicados, disputávamos e ríamos de nós mesmos, afinal, sexo deveria ser na maioria das vezes um
jogo lúdico, uma série de brincadeiras levadas muito a sério… Na relação sexual, o uso da
criatividade é sempre bem-vindo, pois tira os envolvidos daquela sensação de “mais do mesmo”,
propiciada pela rotina.

Ao final, não aguentando mais gemer e arfando de tesão, Regis disse que Alan e eu havíamos
empatado. Claro que seu companheiro ficou com uma pontinha de ciúmes, mas rapidamente
desconversei para não criar problemas e retomamos os longos beijos e carícias.
Até que Regis veio cheio de vontade lamber todo o meu corpo e me degustar lá embaixo. Por trás de
mim, Alan acariciava meus seios e beijava longamente minha nuca e pescoço, enquanto seu parceiro
detinha-se em me dar prazer, explorando minha bucetinha com aquela língua devassa. Eu ficava mais
e mais molhada, até que pedi que ele me penetrasse.

— É para já! Vou me preparar. - Ele me disse, indo colocar o preservativo e pegar um lubrificante
íntimo.

— Agora eu é que vou cuidar de você — eu disse ao Alan, fazendo de tudo para que ele não se
sentisse abandonado.

Ajoelhada e com o corpo retesado, fiquei na posição de “cachorrinho”, de quatro e bem equilibrada,
e logo Alan parou bem na minha frente, cheio de más intenções:

— Ah… Então agora vou descobrir se você é mesmo boa nisso.

Ele dizia isso com aquela voz séria e nós ríamos juntos. Vendo aquele membro tão bem cuidado e
cheiroso, posso dizer que degustei tudo o que pude enquanto ouvia-o dizer:

— Ah, sua safada! Que boquinha de veludo, que delícia… Ahhh… Vem cá, vem.

Dediquei-me mais à pressão que fazia com a boca até perceber que Regis investia em mim por trás.
Senti o lubrificante gelado me arrepiar, ouvi o barulho do látex da camisinha e ele, com maestria e
um membro rijo de dar inveja, lentamente mostrou do que era capaz e me fez gemer alto, quase me
desconcentrando da atividade que estava a mil por hora com Alan.

Os três excitadíssimos, o espelho revelando um casal masculino lindo, um em pé com o pau inteiro
em minha boca e o outro atrás de mim, segurando firme meu quadril todo empinadinho e investindo
com força e tesão, me penetrando inteira.

Quando eu os via assim, refletidos entre gemidos e olhares arrebatadores, meu corpo tremia ainda
mais. Eles diziam safadezas um para o outro durante a transa e eu, que estava com a boca
devidamente ocupada, só ouvia e me contorcia.

A sintonia entre eles era tanta que precisei ser rápida para deixar Alan respirar e, nesse instante, os
dois gozaram juntos, tudo tão fantástico e excitante que logo em seguida fui eu quem ficou em êxtase.

Depois do show ainda ficamos ali, deitados, conversando sobre a vida e sobre nossos prazeres,
todos com expressões de plenitude, que é como costumo chamar essas expressões após a sensação
que o orgasmo dá.

A conversa durou pouco, é verdade. Logo, eles começaram a se animar novamente, mas eu sabia que
aquele momento era íntimo e dizia respeito apenas aos dois, então, discretamente me levantei,
coloquei as roupas, peguei o envelope que deixaram em cima do balcão e disse que iria tomar um
bom banho. Despedi-me com abraços verdadeiros e constatei novamente que estávamos todos
felizes, tamanho era o brilho nos olhos dos meninos.
Ainda pude espiar o que rolava entre eles enquanto fechava a porta. Vi os corpos se enroscarem com
ímpeto e força. Vi as curvas dos múscu-los c dos glúteos, os pés, as mãos e os corpos grandes e
delicados. Os dois eram uma entrega e cumplicidade única. Aquilo tudo ainda me serviu de
inspiração por muitos dias. Quem me dera todas as pessoas que eu atendesse fossem bem resolvidas
assim.

A reinvenção dos prazeres

O número de homens de meia idade, e casados, que vêm até mim com a queixa de que suas mulheres
não os desejam mais, ou que ele não a deseja mais e por isso brocha, é realmente elevado. E nem
todos estão dispostos a ouvir o que tenho a dizer: que devem conversar com suas parceiras, que um
casamento pode ser renovado apesar do tempo e que contratar uma prostituta para “amenizar” uma
frustração - embora me renda lucros — não vai resolver o problema conjugal que eles têm. Assim
como os corpos mudam com o tempo, também os desejos seguem esse movimento de transformação e
precisam ser redescobertos a todo o momento.

Nossos desejos são subjetivos e dizem respeito a cada um. Cabe a nós buscarmos conhecer a nós
mesmos e nossos desejos e, principalmente, aceitarmos quem somos e nos permitirmos experimentar
nossas vontades. Em uma relação conjugal, se o casal for realmente sincero entre si, os parceiros
conhecerão as necessidades e os desejos sexuais um do outro na medida em que se relacionam
sexualmente. Tenho prazer em descobrir nos corpos com que me deito o que lhes dá prazer e o que
neles me dá tesão. Sexo é, portanto, sempre um ato de constante aprendizado já que os corpos se
transformam diariamente, natural ou artificialmente, havendo sempre algo por se desvendar e
experimentar.

Numa manhã de sexta-feira, recebi a ligação de Lúcia.

— Você é a Lola que é… - Tentava perguntar com uma insegurança que lhe fazia tremer a voz.

— Garota de Programa? Puta? Sou eu sim.

— Posso ajudar?

— É que… Acho que meu marido não sente mais tesão por mim. E cu até entendo, porque já não
tenho mais 20 anos, não tenho mais um corpo lindo e jovem como o seu. Mas estamos casados há um
bom tempo e… Desculpa por te falar essas coisas!

— O que é isso, querida. Fale mais, vai que posso ajudar vocês.

— Eu já tentei de tudo, Lola. Até o que eu não gosto, que é aquilo por trás, já deixei meu marido
fazer, mas acho que ele quer se separar porque não tem mais desejo por mim. Mas a gente se ama,
sabe? Ou se acostumou a se amar assim.

— O que acha de combinarmos um dia para conversarmos pessoalmente. Se você está me ligando é
porque acho que deseja fazer alguma surpresa para ele…
— Você pode almoçar comigo hoje?

E lá fui eu, Lola, almoçar com essa mulher misteriosa. Conversamos muito e a estranheza que ela
sentia diante de algumas coisas que eu falava era nítida, afinal, sexshops, sextoys, ménage à trois,
etc. não eram expressões comuns para ela. O legal é que a curiosidade persistia e ela concordou em
experimentar coisas novas com seu parceiro. No início, ela queria me “dar de presente” para seu
marido, mas depois de horas de conversas resolveu que eu seria a encarregada de presentear os dois
com uma noite inesquecível e renovadora.

Alguns clientes confiam muito em mim e isso é maravilhoso. Essa cliente deixou um cartão de débito
em minhas mãos (pois é!) para que eu preparasse tudo nos mínimos detalhes. Então eu reservei o
melhor quarto em um motel bacana, com direito a pétalas de rosas, comprei brinquedi-nhos para o
casal, óleos de massagem, preservativos, lubrificantes, vinhos, petiscos, tudo para uma noite perfeita.
Como eu queria lhes dar algo de presente, preparei uma cesta de café da manhã.

Na noite esperada o casal chegou ao quarto do motel. Ele mostrava-se sisudo e muito desconfiado de
tudo e a Lúcia estava em nervos. Chamei-os para perto da cama, servi-lhes vinho, petisco com
queijos e torradinhas temperadas e me dediquei a conhecê-los melhor.

Alguns casais que atendo são verdadeiramente safados, não há descri

ção melhor. Alguns acabam comigo em poucas horas e se divertem horrores, já outros ficam assim,
tímidos, receosos com a forma como seu parceiro reagirá caso toque o meu corpo.

Depois de pouco mais de um litro de vinho comecei a puxar assunto

sobre sexo e aí a coisa foi ficando interessante. A mulher mantinha-se calada:

— Então, vocês estão juntos a muito tempo?

— Ahan, grunhia o senhor.

— Deve haver muita confiança entre vocês, muita sinceridade.

— Ahan…

— E sua mulher é linda, de verdade, me desculpe a sinceridade.

— É, ela é linda sim.

— Sabe, sempre quis me deitar com uma mulher assim, de verdade, uma mulher mais madura,
experiente…

E enquanto eu direcionava meu olhar de desejo para ela, ele permanecia com os olhos imóveis em
mim e ela, surpresa, arregalava os olhos e me encarava com um sorriso jocoso nos lábios. Levantei-
me devagar e fui em direção a ela lentamente.
— Assim, já que estamos aqui, você não se importaria se eu matasse minha curiosidade, né?

Com o silêncio dele como resposta fui até ela e lhe dei um beijo. Como estávamos sentadas na
beirada da cama, amparei sua cabeça em meus braços e deitei-a de frente para mim, escorando meu
corpo sobre o dela.

— Hmmm, ela é mesmo uma gostosa. Olha só! É safada também, tá toda molhadinha aqui, ó…

E eu ia explorando seu corpo enquanto ele permanecia imóvel, só olhando tudo à distância e
concordando com o que eu dizia.

— Calor aqui, né? Estou com roupa demais.

Levantei-me e rapidamente tirei a parte de cima, deixando minhas costas, seios e barriga nus. Em
seguida, sem perguntar, tirei as roupas dela. Percebi que ela tentava se esconder, resistia e não
queria ficar nua comigo.

— Você é linda, mulher, para de fazer charme!

E ela se entregava a mim lentamente. Eu beijava cada curva de seu corpo e ela suspirava. Então
deitei meu corpo inteiro sobre o dela, visivelmente maior em proporções do que o meu corpo
mignon, encaixei-me entre suas pernas. Lentamente tirei minhas calças e, só de calcinha, dei-lhe um
controle na mão:

— Quando achar que deve, é só apertar.

Eu beijava-a, passava minhas mãos por todas as partes de seu corpo, que era, aliás, realmente lindo,
macio, cheiroso… Quando minhas unhas roçavam a parte interna de sua coxa ela se arrepiava e ria
de cócegas, mas também de tesão. Meus dedos percebiam que ela estava no ponto, toda úmida. Então
ela resolveu apertar o botão do controle e imediatamente dei um pulo. Eu estava com um daqueles
vibradores que prendemos na calcinha e que, geralmente, têm o formato de uma borboletinha.

Meu corpo respondeu rapidamente aos estímulos em meu clitóris e eu pressionei-me contra o corpo
dela. Com as mãos, massageava sua ami-guinha e a abria para compartilhar aquelas vibrações
comigo. Ela gemia, gemia… Lentamente eu fazia movimentos de vai e vem em cima dela,
pressionando aquele insetozinho mágico contra ela que, entre tremores, descobriu que podia
aumentar e diminuir o ritmo das vibrações através dos botões do controle que, aliás, ela não soltava
de jeito nenhum.

Então soltei as presilhas do vibrador da minha calcinha e puxei uma das mãos dela para segurá-lo
contra si. Saí de cima de seu corpo e, sentada ao lado, segurei sua mão, forçando-a a fazer
movimento circulares. Quando notei que sozinha ela se satisfazia, retirei minha mão e,. lambendo e
mordiscando sua orelha, eu lhe sussurrava: — Olhe só. Que delícia te ver assim, toda molhadinha,
sua safada! Olha a cara do teu marido, parece que ele nem acredita que você sozinha está assim. Não
para… Não para… Mexe

mais a mão, mais rápido, rápido!


Caminhando até o seu companheiro, ainda imóvel na beirada da cama, sussurrei em seus ouvidos: —
Viu só? Olha como o corpo dela sua… Ai, ai que delícia…

Enquanto ele olhava o que sua esposa estava fazendo, eu desabotoava sua camisa e suas calças.
Segurei-o em minhas mãos e o masturbei, mas nada do seu amigo levantar. Aliás, ele parecia
incomodado com essa cena, mas antes que dissesse qualquer coisa, entreguei-lhe um vibrador na mão
e lhe disse: — Vem cá, vou te ensinar.

A mulher dele parecia que estava em outro mundo. Gemia cada vez mais alto e seu corpo suava muito
entre os movimentos frenéticos de sua mão. Puxei-o até ela, beijei-a e em seguida o beijei, ela nos
olhava de soslaio e entre gemidos.

— Me dá sua mão - eu disse a ele, enquanto despejava uma boa quantidade de lubrificante no
vibrador em forma de pênis que eu havia lhe dado. E então vi que agora sim, finalmente, ele parecia
animado.

— Olha, querida, não para que agora vai ficar melhor!

Ela gemia, sem soltar o controle remoto, e ele vibrava à sua maneira, sério, olhando de perto aquela
abertura úmida e entre espasmos.

Aproximei-me dela, comecei a beija-la e dizer algumas sacanagens: — Toda molhadinha assim, o
que é que você quer?

Ela apenas gemia.

— Fala! O que é que você quer? - Eu dizia enquanto apertava seus mamilos entre meus dentes: —
Fala, sua safada! O que você quer?

Gemendo cada vez mais forte, com seu esposo massageando-a externamente com aquele
brinquedinho, ela gritou, em um ímpeto: — Quero um pau! Um pau bem grande e gostoso em mim!

Pronto. Antes que eu olhasse, o marido já estava com o brinquedo, aquele cacete postiço, inteirinho
dentro dela. Entre gemidos e urros seu corpo vibrava mais. Tirei, finalmente, a borboletinha e o
controle de suas mãos.

— Agora você é nossa!

Amarrei, com delicadeza, suas mãos ao encosto da cama. O marido se divertia com aquele brinquedo
e dizia-lhe sacanagens inimagináveis. O lubrificante que coloquei no brinquedo era do tipo
refrescante, fazia com que ela tremesse de arrepios ao sentir aquela coisa toda gelada em seu
interior. Ao mesmo tempo em que brincava com a esposa com uma das mãos, ele se tocava com a
outra, na qual coloquei uma quantidade do lubrificante inverso, um que aumenta a sensação de calor
que sentimos.

Observando aquela cena eu me satisfazia e via que ele se enchia de tesão. No ápice da noite ele a
penetrava e ela gritava de prazer, surpresa em sentir o membro de seu esposo, até então gelado,
agora quentinho em seu interior. Eles se amavam, diziam sacanagens um para o outro e choraram,
literalmente, de prazer enquanto faziam juras de amor.

Missão cumprida! Eles se divertiram e se deram prazer a noite inteira.

Dias depois ela me ligou agradecendo e dizendo que havia indicado o meu “kit salva-casamento” a
outras amigas. Exageros à parte, porque esses brinquedos e esses tipos de estímulos não surtem os
mesmos resultados em todas as pessoas, ela estava feliz porque havia constatado o óbvio: o amor,
quando se prolonga por anos, precisa, ainda assim, de novos estímulos para renovar-se junto aos
corpos que mudam a cada dia.

Seu esposo também me ligou dias depois para agradecer. Não parecia mais tão sério e confessou que
“antes de mim” evitava transar com a esposa por medo de ela não aceitar a dificuldade que ele tinha
para ficar ereto. No caso dele não era falta de tesão, muito pelo contrário, era um nervosismo e uma
pressão boba por ter que “dar conta do recado” com o mesmo vigor da juventude.

Aliviado, ele me disse algo de que sempre lembro e que falo para muitos dos meus clientes: — Sou
homem, sim, mas o prazer da minha esposa não depende exclusivamente de mim, daí porque já nem
preciso mais me sentir pressionado a ficar de pau duro quando ela se insinua, e a gozar toda vez que
nos deitamos juntos.

Simples, né? Pena que a maioria dos casais não é sincera o suficiente entre si para conversar sobre
seus próprios desejos, anulando-se uns aos outros por medo de terem que encarar frustrações.

Dois é bom, três é demais!

Falando ainda sobre desejos, é muito provável que, mesmo em um relacionamento estável, onde os
parceiros são cúmplices e vivenciam sua sexualidade de forma saudável, buscando satisfazer seus
desejos mutuamente, ainda assim é inevitável que, cedo ou tarde, um deles tenha uma coceirinha ou
curiosidade de estar com outra pessoa que não seja seu parceiro. Por isso, ao invés da traição, é
preferível deixar as portas abertas para que essas vontades sejam realizadas pelo casal, de comum
acordo. Afinal, confiança é fundamental e é sempre mais interessante experimentar novas coisas
sabendo que ninguém sairá magoado.

Certa vez, fui contratada por Mário, um japonês elegante e experiente, casado com Helena, mulher
madura, bem cuidada e bem gostosa: loira, “peitão” e “bundão” para ninguém botar defeito.

Mário me explicou que ele e Helena desejavam coisas diferentes e inusitadas para apimentar a
relação, mas que até então eles fizeram jogos sexuais apenas entre eles. Disse, por fim, que percebeu
a curiosidade e o desejo da mulher de estar com outro homem. De acordo com ele, isso acontecia
porque ela tinha se casado virgem e tido relações sexuais apenas com ele. Por isso, às vezes,
ciumenta das relações que ele teve antes dela, Helena deixava escapar alguns comentários em que
imaginava como teria sido estar com outra pessoa.

Pensando nisso, Mário decidiu propor a Helena um ménage. Disse que queria vê-la com outro e que
isso o deixaria com muito tesão. Eles se amavam, por isso estavam juntos, mas a possibilidade de
vivenciar formas diferentes de prazer dentro do universo dos desejos fez com que pensassem com
mais seriedade nessa ideia. Como eles tinham uma relação de cumplicidade e honestidade, eles
conversaram muito sobre isso e, embora a ideia de fazer um ménage os excitasse, Mário e Helena
perceberam que teriam ciúmes vendo o parceiro transando com outra pessoa.

Por fim, para resolver o problema do ciúme, decidiram fazer dois ménages: o primeiro com um
homem, segundo os desejos da esposa, e o segundo com uma mulher, para que também ele pudesse se
divertir. No primeiro, ele ficaria vendado para náo ver o cara e, no segundo, ela ficaria vendada para
náo ver a mulher.

Para não correr o risco de se envolverem afetivamente com a outra pessoa, os dois decidiram
contratar profissionais do sexo para essa atividade. Animado com a situação, Mário entrou em
contato comigo e o ajudei a planejar tudo cuidadosamente e a encontrar um cara interessante, que
pudesse agradar Helena.

O casal e Alan — esse era o nome do deus encarregado de entreter Helena — combinaram de se
encontrar em um motel. Na hora marcada, Mário colocou a venda, como planejado, mas é claro que
ele deu um jei-tinho de espiar.

As coisas foram esquentando e, enquanto lambia a buceta de Helena, Mário via, por uma pequena
fresta, o outro homem enfiando seu membro enorme na garganta dela. Ele sentia o corpo dela
excitado e percebeu que cada estocada fazia Helena ficar cada vez mais molhadinha. Só isso foi
suficiente para deixar Mário quase explodindo de tanto tesão.

Alan, então, saiu da boca de Helena, beliscou ligeiramente seu seio e se posicionou entre suas pernas
para penetrá-la. Inicialmente, Helena pareceu assustada, com receio de que ele não coubesse nela,
mas Alan foi entrando lentamente, para que o corpo dela se acostumasse ao seu tamanho. Enquanto
isso, Mário, que olhava tudo pela pequena fresta da venda, estimulava sua esposa, passando a mão
por seu corpo, detendo-se em seus seios e barriga. O pau daquele cara era realmente grande e tinha
dificuldades de entrar naquela buceta tão apertadinha, mas, passada a dificuldade inicial, tendo todo
seu cumprimento introduzido em Helena, ela gemia excitadíssima e pedia mais. Alan, ouvindo esse
pedido, não teve dúvida, e entrava cada vez mais forte ao que ela gritava de prazer. Ela parecia estar
em êxtase, não vendo nada mais a seu redor.

Mário estava tão excitado que decidiu bater uma punheta, enquanto ela sentava no colo de Alan.
Como encerramento, Mário gozou na sua boquinha, enquanto Alan mergulhava em Helena com força,
fazendo-a gozar também. Com a boca inundada daquele liquido quente, Helena engoliu cada gota com
prazer, sentindo-se realizada com aquela experiência que acabara de vivenciar.

Passado um tempo, foi a vez de Mário se divertir. Mas ele não queria apenas estar com outra mulher,
ele queria ver Helena sendo acariciada por outra mulher. Disse isso a ela e, embora ela tenha ficado,
inicialmente, relutante diante desta possibilidade, ela disse que a ideia a deixava excitada e que
sentia um tesão ao pensar em satisfazer a fantasia do marido.

Eu senti muito tesão por ela logo que a vi, mas estava ciente de que só haveria interação entre nós se
Helena demonstrasse vontade para isso. A brincadeira começou com Helena chupando-o enquanto
ele me chupava. Em dado momento, ficamos brincando com seu pau e, inclusive, nos revezávamos na
hora de chupá-lo. Surpreendentemente, Helena começou a se mostrar interessada por mim e mostrou-
se curiosa em saber como seria ser chupada por uma mulher. Mário se sentiu em êxtase, vendo
Helena gemer e se contorcer com as lambidas e sugadas que eu lhe dava.

Depois de um tempo, Helena, já muito excitada, disse que não colocaria as vendas. Ao contrário, ela
disse: “Quero ver você enfiando o pau na Lola”. Mário, sem demora, colocou a camisinha e colocou
seu membro rijo em minha buceta já molhadinha. Helena, curiosa quanto ao corpo de outra mulher,
começou a acariciar meus seios, enquanto se masturbava com uma mão. Não demorou nada para que
Mário e eu gozássemos. Depois de um breve descanso, Helena e Mário começaram a interagir entre
si. Fiquei ao lado de Helena e deslizava minhas mãos delicadas por seu corpo, esti-mulando-a. Com
audácia, Helena passou os dedinhos pela minha buceta e, sendo incentivada por mim, passou a fazer
cada vez mais pressão naquela região, me deixando molhadinha. Finalmente, nós três gozamos… e a
noite estava apenas começando…

Em outra ocasião que estive com o casal, Mário e Helena me disseram que sempre relembravam os
ménages que tiveram e ele confessou que sempre se masturbava relembrando a nossa experiência
conjunta.

Ao compartilhar seus desejos e fantasias, Mário e Helena libertaram-se das amarras e convenções
sociais e permitiram-se experimentar coisas novas, as quais têm a ver apenas com eles e com a
satisfação de seus desejos.
Mergulhando em prazeres...

Teresa me pagou para uma “noite das mulheres”. Explicou-me ao telefone que ela e as amigas
costumavam se divertir quando os maridos viajavam a trabalho. Disse-me que eram todas descoladas
e de ótimo nível social, mas que ela queria proporcionar-lhes algo totalmente novo.

Ela reuniu quatro amigas e me chamou para dar uma “aula prática” sobre o prazer do orgasmo à
mulherada. Nem preciso dizer que me diverti muito, né?

Nessa noite comprovei que os corpos são únicos. Quando cheguei, todas as mulheres estavam com
seus roupões chiquérrimos, sentadas no sofá como verdadeiras ninfas. Conversamos um pouco sobre
suas vidas, sobre sexo e eu mostrei alguns brinquedinhos que havia levado. Notava-se que eram
todas muito ricas, as bolsas eram Chanel, Prada e Hermés e a casa de Teresa era muito grande e
luxuosa.

A cena era divertida. Teresa havia espalhado essências aromatizantes pela casa e organizado um
banquete com garrafas e mais garrafas de champanhe para antes e depois da festa.

Logo que cheguei, a empregada serviu canapés e champanhe e nos deixou a sós, parecendo estar
acostumada com aquele tipo de reunião. As amigas disseram que Teresa sempre havia sido a mais
atrevida e surpreendente de todas elas, e que, ainda hoje, elas tinham medo do que Teresa poderia
aprontar.

Ouvindo isso, a anfitriã se animou e desafiou as amigas a “sentirem prazeres extremos”. Antes que
pudessem falar qualquer coisa, Teresa saiu vendando todas elas e acomodando cada uma em uma
cadeira.

Eram mulheres de todos os tipos e belezas, nenhuma com menos de 35 anos. Teresa começou a
oferecer a cada uma das amigas, que estavam vendadas, pedaços de frutas e depois sussurrava no
ouvido de cada uma para que pegassem algo atrás do encosto da cadeira, se divertindo em algemá-
las com as mãos para trás.

Todas estavam no clima do jogo que eu desconhecia, o qual ia muito além do que eu havia imaginado
que seria uma sessão “test-drive” dos brinquedos que eu levava na bolsa.

A dona da casa continuou a excitar as mulheres, buscando despertar os sentidos de cada uma delas
com frutas, caldas de chocolate, plumas que lhes causavam cócegas. Um filme perfeito! Daí, então,
ela me chamou fazendo um sinal com as mãos e indicou com a cabeça que eu deveria pegar minha
bolsa. Indo atrás da cadeira onde cada uma de suas amigas que estavam sentadas, vendadas e
algemadas, Teresa se aproximava e as beijava sutilmente nas orelhas e na nuca. Ela então abria seus
roupões sem qualquer pudor e ria dos gritinhos que soltavam. As amigas pareciam gostar da situação
e Teresa ria, como uma criança fazendo arte.

Fez isso com todas as quatro com muita dedicação.

— O que está acontecendo, Tati? — perguntava uma delas ouvindo os gritinhos.


— É a Teresa, Dani! Ai… Ela não para de… ai! Hmm…

Tendo deixado todas nuas, começou nova rodada prosseguindo com seu plano de proporcionar às
amigas prazeres extremos e inusitados. Com delicadeza, puxava os pés de suas amigas até que
alcançassem a perna traseira da cadeira onde estavam sentadas e, num movimento rápido, as prendia
pelo tornozelo com faixas de velcro! Quanta imaginação e quanto empenho!

Teresa não parava de me surpreender e mostrou que tudo estava mili-metricamente calculado, pois as
pernas de suas amigas se abriam delicadamente nas cadeiras e eu via todas elas corando de
vergonha. Segura do que estava fazendo ela disse: — Lola, traz seus brinquedinhos aqui.

Eu me aproximei, tirei da bolsa todos os objetos que estavam lá dentro

c os despejei em uma mesinha perto das cadeiras.

Curiosa, uma das amigas perguntou: — O que é isso, Teresa?

— Os “brinquedos” que a Lola nos mostrou, Re…

— Vai fazer o quê?

— Ah, não, Teresa…

Enquanto a amiga argumentava, Teresa pegou um dos vibradores e ligou, passou lubrificante nele e
entregou na minha mão enquanto apontava para a Re e dizia sem fazer som: — Vai lá. Ela primeiro.

A Re no começo tentou resistir, contraiu todos os músculos que podia, mas então, por trás da cadeira
onde estava, beijei suas orelhas. Ela era linda, tinha aquela pele negra e macia, cabelos amarrados
em um lenço que era um luxo. Recordo-me que estava com um hobby branco que contrastava
maravilhosamente com o seu corpo. Avancei lambendo sua nuca e ela, mais relaxada, disse:

-—Ai, Teresa… Se seu marido souber que você apronta essas coisas…

E Teresa respondia atrás de mim: — Ele vai fazer o quê, Re? Ficar com inveja?

E ria, ria enquanto eu massageava com uma das mãos os seios redondos daquela mulher linda.
Mesmo quando usamos um vibrador, as carícias eróticas por todo o corpo são indispensáveis. Mas
minha cliente queria ser direta, apontou para o relógio e imediatamente pegou minha mão com o
brinquedo ligado e a colocou, sem rodeios, sobre as partes de sua amiga.

Em seguida, Teresa deu um brinquedo diferente lubrificado para eu “torturar” outra de suas amigas.
Nessa experiência pude comprovar definitivamente como cada mulher é única na sua forma de sentir
e vivenciar o sexo até chegar ao orgasmo. Foi um desafio instigante para mim, perceber como cada
uma delas gostava de ser tocada. Eu observava atentamente as suas expressões e cada sinal que seus
corpos davam a partir do estímulo das minhas carícias e dos meus brinquedos eróticos. Cada uma
delas chegou
ao clímax conduzidas de diferentes formas.

ATati, por exemplo, gozava com uma facilidade assustadora. Eu roçava, assoprava o seu clitóris
enquanto ela retesava os músculos e, pronto; em seguida, eu passava a máo nela e tudo estava
molhadinho. A Re também era assim, gozava fácil, mas eu precisava ser mais vigorosa, fazer
movimentos bruscos e pressionar tudo o que meus dedos pudessem alcançar. Entáo, ela esticava todo
o corpo, tremia, soltava um gemido e se deixava molhar.

A Dani era a mais durona. Nessa noite estava muito nervosa e dava gritinhos dizendo que tudo doía.
Lógico que era tensão. Com um lubrificante daqueles refrescantes e uma massagem por toda a sua
amiguinha logo ela relaxou. Demorou um pouquinho mais para chegar lá, mas gemia tanto e tão
gostoso que eu não tinha vontade de parar.

A Paula é que era a mais safada. Não é à toa que ela era a preferida de Teresa. Por isso mesmo,
Teresa havia deixado Paula com as mãos e pernas livres quando tinha algemado todas as outras em
suas cadeiras. Enquanto as outras estavam sendo chupadas, ela, à espera que chegasse a sua vez, ia
se aquecendo, se masturbando ao som dos gemidos de suas amigas.

Quando cheguei para chupá-la ela pediu que eu usasse um pequeno vibrador também lá atrás. Se
deitou no macio tapete vermelho e abriu bem as pernas para mim, sem vergonha nenhuma, pedindo
que eu usasse de todo o meu empenho e criatividade para levá-la às alturas. Com o plug anal, mais a
penetração de um vibrador estimulando o seu ponto G, e minha língua em seu clitóris, ela chegou a
um orgasmo intenso, o qual veio acompanhado de um grito na mesma intensidade.

No momento em que minha cliente me pediu para ajudá-la a soltar as amigas, nenhuma das quatro
pensou duas vezes antes de ir para cima de Teresa, segurá-la firme, imobilizá-la e fazer com ela tudo
o que tinham sofrido em suas mãos.

Perdi um pouco dos sentidos quando vi todas elas se tocando, se lambendo, se mordendo, gemendo,
roçando… Cara, como sinto tesão vendo o tesão alheio! Tiveram orgasmos em pouquíssimo tempo.
Enquanto via aquela cena das mulheres, me masturbei gostoso no sofá e lembro quando gritavam em
uníssono: “Vai, Lolinha… Que delícia, goza, goza, goza!”.

Entrei na dança, dancei no ritmo e, olha, tudo isso deixou muita saudade. Infelizmente, bacanais
apenas com mulheres tão bem resolvidas quanto elas são bem difíceis de repetir e se eu não tivesse
vivido isso da maneira tão encantadora como foi, poderia jurar que não passou de um sonho.

Sodoma e Gomorra

Quem nunca ouviu falar sobre alguns grupos fechados que realizavam encontros entre casais, os
famosos Clubes de Swing? Pois é, certa vez, um cliente meu havia me contado que um grupo de
médicos e suas esposas promoviam esses encontros e, curiosa, fiz-lhe várias perguntas. Ele me disse
que se tratava de um grupo de casais muito seleto e restrito e que era uma exigência que todos
fizessem exames regularmente, para excluir qualquer possibilidade de contrair DST’s, visto que o
grupo dispensava o uso do preservativo. Fiquei inconformada com aquilo, afinal, sempre há a
possibilidade de se contrair doenças transmissíveis nas relações sexuais e elas podem não ser
detectadas por exames nos primeiros dias, fato que qualquer médico deveria saber.

Alguns meses se passaram até que, coincidentemente, um desses médicos que participavam do
famoso e secreto clube me ligou. Ele se apresentou como Fernando e falou em detalhes sobre o
grupo. Enquanto isso, pensando onde é que eu me encaixaria naquela história, morrendo de medo de
ter que sair com eles, fiquei impactada com a naturalidade com que ele me dizia tudo isso, como se
tudo fosse mesmo um negócio.

Por fim, ele diz: — Bem, Lola, como eu disse, o grupo é composto apenas por casais, mas alguns de
nós ouvimos muito falar sobre você, que é muito bonita, que sabe conversar e é muito bem
informada, além de ter domínio como poucas sobre as artes do sexo.

Eu ia só ouvindo e dando corda para ver onde tudo iria parar e já me lembrava com certo assombro
do filme De olhos bem fechados, do diretor Stanley Kubrick. Estava meio assustada em ouvir
aquelas descrições na vida real e Fernando foi dando mais detalhes:

— A princípio, algumas esposas não gostaram da ideia de trazermos uma prostituta, mas depois de
lerem o seu blog ficaram animadas, incen tivadas por sua discrição, seu prazer sexual, sua simpatia,
beleza e desen voltura. Recentemente, realizamos uma reunião e decidimos contratar os seus
serviços.

— Legal, Fernando. Obrigada pelos elogios. Nunca fui a um encontro assim e confesso ter certa
insegurança quanto a não usar preservativo, pois zelo muito por minha saúde e você, como médico,
sabe que…

— Eu te entendo e agradeço pelo respeito e cuidado também. Mas, veja bem, você será nossa presa
e, por ser estranha no grupo, todos que eventualmente transarem com você usarão camisinha. Mas é
bom que você as leve e em grande quantidade, já que provavelmente os outros participantes se
esquecerão disso.

— Grande quantidade como?

— Bom, uns trinta preservativos devem bastar.

— E devo me preparar, ir a caráter ou algo assim?

Então o próprio Fernando me disse que o filme de Kubrick os havia inspirado e que a festa da qual
eu participaria tinha tudo a ver com aquela proposta: para preservar a identidade dos participantes
todos estariam mascarados, exceto eu, a presa, que deveria ir sem qualquer adorno.

Mentalmente comecei a fazer as contas: trinta preservativos, pelo menos dois por homem se eu
tivesse disposição, o que dava pelo menos… quinze casais!

— Lola, quero que você pense em um valor e me proponha. Dinheiro não é problema. Eu te ligo em
dois dias para saber sua resposta.

Antes que eu respondesse ele desligou o telefone e aquela frase “Dinheiro não é problema…” ecoou
por um longo tempo em minha cabeça. O que eu sabia desses clubes, graças ao Kubrick, é que eu
deveria estar disposta a interagir com aqueles que quisessem, poderiam ser todos ou não e eu só
saberia na hora.

( Juro que logo minhus funtusius forum longe: trinta homens e mulheres ali, alguns querendo me
provar e eu adorando tudo aquilo, todo aquele mistério e sendo muito bem paga para isso.
Decididamente era a proposta mais tentadora que eu havia recebido e parei de pensar nisso quando
comecei a ver cifrões demais nessa experiência.

Por outro lado, se todos os homens quisessem transar comigo seriam pelo menos 15 penetrações,
além de cãibra na língua por lamber tantas mulheres. A idade média dos casais era de 35 anos,
segundo informações do Fernando, o que contribuía para que tivessem um fôlego acima da média.
Certamente eu voltaria exausta para casa. E assim passei os dois dias seguintes pensando,
pensando… Até que me decidi quanto ao valor, que eu tinha certeza que não topariam, pois era um
valor muito alto.

Finalmente recebo a ligação do Fernando: — E então Lola, pensou?

— Pensei. Bem, você sabe que no caso de transar com todos os casais, o que seguramente pode
acontecer, terei que me dedicar bastante e isso é um tanto quanto desgastante, terei que investir em
cuidados com minha saúde, em seguida… — Por fim, falei a ele o valor e ele simplesmente
respondeu: — Você é ousada, mas eu já havia imaginado algo assim, talvez até mais. Se você for
uma boa garota, bastante dedicada, será recompensada.

Depois desta conversa, um pouco mais relaxada, comecei a me preparar para a festa, marcada para
dali uma semana. Conforme a data foi se aproximando eu ficava mais e mais nervosa, afinal todo
aquele mistério era novo para mim. Um dia antes do evento, Fernando me ligou dizendo que uma
pessoa iria me buscar e me levaria até o local onde aconteceria a festa.

Nesse dia tive muito medo. E se esse cara fosse um maluco me contratando para me esquartejar? E se
o motorista me deixasse no meio de um ca-navial e dissesse “ Perdeu, playboyl”? E se fosse um
bando de estupradores?

Por precaução, tomei todas as medidas que estavam ao meu alcance: Muni-me do spray de pimenta,
ativei o localizador via GPS do celular e dei instruções a um cara de confiança, que sempre atuava
como segurança pessoal quando eu precisava, para o caso de eu desaparecer. Mesmo com todas
essas inquietações decidi arriscar e não me arrependi. Em ocasiões futuras, para ficar mais segura,
impus condições que os clientes seguiam à risca.

Bom, no dia marcado, o motorista apareceu na hora exata. Eu estava com um vestido preto de paetês,
sandálias de tiras e salto altíssimo, além de um par de brincos dourados com franjas. Meu cabelo e
maquiagem estavam impecáveis e eu decidi ir sem sutiã e sem calcinha, pois isso me excitava de
alguma forma a ponto de me deixar naturalmente molhada, pronta para que alguém levantasse meu
vestido e me possuísse com força. O motorista me olhou paralisado; seus olhos pegavam fogo e eu
percebi que havia obtido êxito no meu intuito: estava deslumbrante.
A viagem levou pouco mais de uma hora, mas para mim o tempo demorou a passar, pois estava
nervosa, e o fato de o motorista apenas me observar pelo espelho sem conversar comigo aumentava
ainda mais o nervosismo. Minhas pernas tremiam sem parar, então resolvi puxar conversa como
motorista: — É muito longe?

— Não muito, mas o endereço é um pouco afastado da cidade, fique calma que logo chegaremos.

Começamos a pegar uma estrada de terra e eu quase surtei, tamanha era a insegurança que sentia.
Mas claro que minha curiosidade e meu desejo não me deixariam perder uma experiência como essa.
Com frequência meu segurança mandava mensagens via SMS, um truque para nos comunicarmos
discretamente. Ele me enviava um sinal, eu respondia com uma palavra chave e ele sabia se estava
tudo bem, mais ou menos ou péssimo, o que o levaria a me buscar.

Passados mais alguns minutos, Fernando me ligou:

— Você já deve estar chegando. Não se preocupe com o local. Decidimos nos encontrar na fazenda
de um dos médicos por uma questão de privacidade. O motorista te deixará em um ponto da estrada,
onde estou de carro para te acompanhar até o local final do encontro.

Eu mal podia me conter, estava muito nervosa. Finalmente chegamos. Desci do carro e vi o motorista
se afastar lentamente em meio à escuridão da estrada. Sentia um frio insuportável na barriga, meu
baixo ventre pulsava de adrenalina e tesão, mas, ao mesmo tempo, eu ficava mais e mais molhada.

Entrei no carro de Fernando e ele já estava de máscara. Tentei agir com alguma naturalidade, mas
não conseguia deixar de observá-lo, pois ele devia ser bonito, era extremamente cheiroso e estava
muito bem vestido. Cumprimentou-me com um beijo no rosto e disse: — Você é bonita mesmo, hein?
- Apesar de estar nervosa com a situação, eu retribuí o comentário com um sorriso.

A fazenda era enorme! Enquanto estávamos no carro, Fernando me mostrava o estábulo, o campo de
golfe, as quadras de esportes e a piscina. Eu mal conseguia prestar atenção, estava explodindo de
ansiedade e tesão, sentimentos que ele deve ter percebido, pois logo disparou: — Fique calma, vai
ser legal! Com certeza todos gostarão de você.

Quando a entrada da casa se aproximava, avisei-o que preferia receber antecipadamente o valor.

— Claro, claro. Chegando lá já te entrego o pacote, mas vou pedir que guarde todas as suas coisas no
armário reservado a você, inclusive seu celular. Sabe como é… todo cuidado é pouco e não
queremos imprevistos.

Ele cumpriu o combinado e antes de guardar minhas coisas mandei uma mensagem tranquilizando
meu segurança.

Dirigimo-nos a um cômodo da casa que parecia uma sala de estar bastante ampla. Quando cheguei,
todos já estavam lá e os rostos se voltaram para mim quase instantaneamente. Todos eles estavam
mascarados e nus e pude contemplar todo tipo de corpos femininos e masculinos.

Como eu ainda estava vestida, senti-me inicialmente deslocada, e mesmo intimidada, pois o ambiente
amplo era imponente, aristocrático, com tapetes espalhados por todo o salão. Aliás, todos os homens
estavam descalços, enquanto as mulheres preservavam os saltos. Havia várias poltronas, sofás e
chaises longs dispostos por todo o ambiente.

Alguns dos participantes estavam sentados em frente a pequenas mesi-nhas e outros, ainda, estavam
em pé, conversando entre si. Embora estives sem nus, parecia tudo muito natural. Todos bebiam: as
mulheres tomavam champanhe e os homens whisky, salvo algumas exceções que seguravam taças de
vinho tinto e algo que parecia ser vodka.

Outros participantes petiscavam algo. Estava tudo disposto em grandes mesas e as bebidas estavam
em baldes de gelo. Naturalmente não havia garçons no ambiente, o que requeria certo esforço dos
presentes para manter a ordem, mesmo assim era inevitável que derramassem bebida, quebrassem
copos, etc.

Sempre tive um ouvido muito atento às musicas dos locais onde estou e ali a música que ecoava pelo
ambiente era o blues de Muddy Waters. Eu mal podia acreditar. Rapidamente Fernando serviu-me
uma taça de champanhe e o ambiente todo estava tão convidativo e excitante que não me contive.

Nando, como pediu que eu o chamasse, propôs um brinde, ao que todos sorriram e me olharam
avidamente. Duas mulheres então se aproximaram de mim com vozes que me enlouqueciam:

— Querida, você está muito vestida, não acha?

Mal tive tempo de responder e elas foram desatando o laço que prendia meu vestido.

— Ah, safadinha! Veio sem nada por baixo, é?

Era tudo tão opulento que eu mal conseguia falar. Além disso, ficava tensa pelo fato de todos estarem
mascarados e eu ali, exposta. As mulheres eram todas muito bonitas: altas ou baixas, magras ou
cheinhas, todos os corpos eram esculturais, alguns talvez moldados por cirurgias plásticas. Esses
detalhes eu observava enquanto tiravam meu vestido.

Todas elas estavam ricamente adornadas com lindas joias e sapatos que deveriam custar muito caro:
— Do jeitinho que nós gostamos. - Disse-me uma delas, retirando por fim minha roupa e dando um
tapinha no meu bumbum.

Os maridos também eram diferentes entre si: alguns estavam em forma, outros nem tanto, mas notava-
se que eram pessoas muito ricas, fazendo questão de ostentar os relógios caríssimos. Diga-me, quem
é que transa de relógio?

Eu ia de grupo em grupo interagindo com o pessoal e soube que os encontros ocorriam cada vez em
um local diferente, para não despertar a curiosidade das pessoas ou até mesmo fofocas sobre os
participantes.

Conforme todos bebiam, o nível de ousadia das pessoas aumentava. Alguns casais começaram a
interagir, o que acabou instigando os outros e tornando tudo aquilo uma Sodoma e Gomorra.
As poltronas e sofás cuidadosamente espalhados estavam sendo muito úteis agora. Quando dei por
mim, três casais me disputavam, passando a mão por meu corpo, beijando-me na boca e esfregando
seus paus e peitos em minha pele.

Poder tocar mulheres tão bonitas era extremamente excitante para mim. Os maridos logo percebiam
que eu realmente não fingia isso e tampouco suas mulheres, como outras que o fazem apenas para
satisfazê-los. Todos ali realmente degustavam um corpo feminino.

Aquelas mulheres me beijavam com tesão, com entrega, enquanto esfregávamos nossos corpos em
uma variedade de posições. Os maridos não deixavam por menos e esfregavam os paus duros ora no
corpo das esposas, ora nos corpos das outras mulheres e os outros casais, embora interagissem entre
si, nos observavam.

Aquilo tudo me deixava extremamente excitada, sentia minha buceta tão quente e molhada que estava
a ponto de implorar para que alguém me possuísse. Foi quando me convidaram para subir a um dos
quartos.

Havia um corredor com diversas portas e, ao final dele, havia uma porta diferente, toda trabalhada
em madeira e que parecia esconder algo maior.

Entramos, por fim, em um quarto totalmente clean, diferente da sala de estar tão opulenta. A enorme
cama no meio do cômodo e os móveis e objetos de decoração, muito sofisticados, davam uma
sensação de tran-quilidade ao ambiente. A paz, porém, durou bem pouco. Eu e mais três mulheres
tiramos nossas sandálias e nos atiramos na cama. Nós nos entrelaçamos, explorando os corpos umas
das outras em um malabarismo inacreditável. Elas eram tão cheirosas, donas de peles tão macias que
só isso era suficiente para que um líquido quente escorresse pelas minhas pernas.

Os maridos observavam em pé, enquanto se masturbavam. Finalmente, abri minhas pernas


amplamente, convidando-os a se aproximar. Eles ficaram malucos e vieram em minha direção, como
um caçador diante de sua presa, mirando o pau na minha entradinha. Rapidamente lembrei-me que
estavam sem camisinha e mencionei que precisava buscar alguns preservativos em meu armário.
Insistiram para que eu deixasse a “frescura” de lado, pois me pagariam a mais para ser boazinha. Fui
categórica: não transaria com ninguém sem camisinha.

Eles não gostaram e sugeriram que eu retornasse à sala de estar. Daí eu me senti uma puta e fiquei
realmente puta da vida! Mas mantive a calma e me esforcei para continuar sorrindo enquanto me
retirava. Ao fechar a porta pude ver que eles penetravam não suas próprias parceiras, mas
revezavam as mulheres entre si, provocando uns aos outros com xingamentos em alto e bom tom:
“Corno! Vou te fazer um corno chifrudo! Olha como eu como a tua mulher…”, mas tudo não passava
de uma brincadeira e logo todos riam.

Fiquei ali por alguns minutos observando a cena sem que pudessem notar minha presença e comecei
a me tocar, enlouquecida de prazer. Em alguns minutos, dois casais, que subiam para um dos quartos,
aproxima-ram-se de mim excitadíssimos por terem me pegado no pulo. Antes que acontecesse algo
parecido com o ocorrido no quarto, pedi um segundo e corri para o meu armário, resgatando as
preciosas camisinhas. Quando voltei eles haviam entrado em algum quarto que eu não sabia qual era.
Decidi, então, abrir lentamente uma das portas a fim de procurá-los. Quando girei a maçaneta e
entreabri a porta vi outros dois casais. Um dos caras metia gostoso por trás de uma mulher enquanto
ela chupava outra, e havia um segundo homem se masturbando e olhando bem de perto aquela
penetração.

Prestes a me tocar novamente, senti alguém me puxando pelo braço. Era uma das mulheres que eu
havia encontrado no corredor:

— Ei! Agora você é nossa.

Puxou-me pela mão até o quarto em que estavam. Mais um casal havia se juntado aos outros dois
casais. Esses eram mais sádicos. Obrigaram-me a ajoelhar e a chupar os três paus. Eu me esforçava
para dar conta dos três e enquanto lambia um masturbava os outros dois. As mulheres ficavam por
trás acariciando-os e falando sacanagem em seus ouvidos.

— Faça-os gozar, Lola, todos eles. Queremos ver se você dá conta, menina.

Nada me dá mais estímulo do que me desafiar nesses momentos e, ao dizerem isso, imediatamente
aumentei a intensidade e chupei com todo o meu tesão tudo o que me apareceu pela frente.

Eles gemiam alto e se contorciam. Um a um os fiz gozar e vi que as mulheres ficaram impressionadas
e cheias de ciúmes. Aproveitei a deixa, e limpei explicitamente minha boca como quem diz: “Tá
olhando o quê?! Nunca chupou assim?” E fui logo tomar um banho delicioso e demorado.

Quando desliguei o chuveiro escutei um barulho, parecia que alguém batia à porta. Ao me virar, vi
que era um dos homens batendo o pau no boxe do banheiro e me mandando sair logo que ele queria
me comer. Não sei de onde ele tinha surgido, mas sua parceira não estava com ele. Talvez seja
estranho isso, mas fiquei feliz com aquele pau só para mim atrás do vidro esfumaçado, pois
finalmente alguém iria me comer!

Rapidamente peguei um preservativo e, antes que ele pudesse reclamar, beijei-o e coloquei a
camisinha. Ainda no box espaçoso empinei bem o bumbum e ordenei:

— Quero agora! Bem forte e sem dó!

Bastou que eu o olhasse para que ele me comesse gostoso. Penetrou-me forte e intenso e, juntos,
gozamos muito rápido. Mais rápido ainda loi a velocidade com que ele jogou a camisinha fora, antes
que sua mulher chegasse e nos visse ali:

— O que vocês estão fazendo? Nossos amigos estão esperando.

Fingindo que nada havia acontecido, fomos para um novo quarto

onde havia mais um casal. Eu me sentia a Alice experimentando as diferentes portas do País das
Maravilhas e podia jurar que as benditas portas às vezes me davam a impressão de terem se
multiplicado.
— Vem, Lola, adoramos uma buceta!

E logo eu estava em uma cama com duas mulheres me chupando, me apertando, me arranhando.
Realmente elas sabiam como fazer, eu estava explodindo de tesão e me contorcia nervosamente,
proferindo sacanagens. Os maridos, confortavelmente sentados nas poltronas, fumavam um charuto e
observavam, enquanto o whisky descia quente por suas gargantas. Enquanto ainda estávamos ali,
outros dois casais entraram à minha procura.

— Também queremos a Lola. Mande-a para nós depois que ela gozar bem gostoso.

Fiquei ali mais meia hora até finalmente conseguir escapar. Estava exausta e precisava de água e um
descanso. Antes que alguém pudesse me ver, refugiei-me na sala de estar, que estava vazia nesse
momento, e bebi e comi tranquilamente. Mesmo lá embaixo eu podia ouvir os gemidos que vinham
dos quartos. Era um ambiente onírico, inacreditável.

Sentei-me confortavelmente em um dos sofás e fiquei alguns minutos relaxando, até que Nando
apareceu:

— O que está fazendo aí? Estamos te esperando lá em cima. Vamos!

Embora estivesse um pouco cansada, o tesão falou mais alto e fui.

Eram quatro casais em um único quarto! Eu estava tensa com receio de não dar conta de todos
aqueles corpos sedentos de prazer. Alguns eu já conseguia reconhecer, mas não por seus nomes ou
rostos, já que estavam cobertos. Eu os reconhecia pelo cheiro, pela textura da pele, pelo tom da voz,
pela bucetinha e pelo pau. Era uma salada de corpos desconhecidos e excitantes e em certo momento
já nem me importei mais em saber quem eram. Só o prazer importava ali.

— Bom Lola, você me disse que com você não há limites, então quero comer esse rabo bem gostoso
enquanto meu amigo mete na sua bucetinha, disse o Fernando.

Nessa época, eu ainda fazia esse tipo de loucura, o que depois aprendi que deveria ser
ultravalorizado e feito com todo o cuidado, pois o número de meninas que encara esse tipo de
atendimento é mínimo.

Claro que eu estava com um desejo imenso de experienciar e, graças aos deuses, eles tinham levado
bastante gel lubrificante e se divertiam esfregando-o delicadamente em mim antes de me penetrar por
trás. Em movimentos rápidos encapei cada um daqueles pênis. Sinto tesão, mas não perco a razão.

Primeiro um deles me penetrou pela frente, deitou-se sobre mim e eu relaxei até que em segundos ele
girou comigo na cama, me deixando deitadi-nha em cima dele. Intuitivamente empinei minha
bundinha na tentativa de me encaixar ainda mais naquele pau e Nando aproveitou a ocasião para
começar a me tocar lá atrás, um toque gostoso, aveludado, delicado e ritmado. Em poucos minutos
ele já estava com aquele pau dentro de mim, tudo com a minha supervisão para me certificar de que
estavam usando as camisinhas.

Foi uma dor explosiva e simultânea à sensação de ser a mulher mais safada do mundo. Eu urrava de
tesão e meus olhos lacrimejavam. Já havia feito dupla penetração algumas vezes e lembrava-me bem
da dor que eu sentira nos dias seguintes, mas eu só queria mesmo era aproveitar o momento.

Antes mesmo que eu pudesse reclamar de dor, um terceiro pau me completou quando encheu minha
boca e me deixou totalmente indefesa. As mulheres se divertiam tomando champanhe, enquanto
observavam aquela cena, e se deliciavam deixando suas mãos escorregarem pelos corpos umas das
outras.

Quando o cara que estava em minha boca gozou, implorei aos outros dois que fossem mais devagar.
Eu estava ficando machucadinha. Nando foi gentil e não demorou a gozar e o outro cara, que
preenchia minha buceta, ficou mais um tempo, até arrancar a camisinha e gozar nos meus peitos. Fui
tomar outro banho e já apresentava alguns sinais visíveis de cansaço. Longas horas se passaram e eu
achava que já tinha transado com todos os presentes. Tudo o que eu queria era um banho de banheira
e um cochilo, mas algumas mulheres apareceram e, com sorrisos lascivos, falaram:

— Sei que deve estar cansadinha, Lola, mas agora é a hora do gran finale. Vamos tomar um banho e
levamos você até a suíte presidencial.

A naturalidade com que disseram essas coisas me fazia sentir calafrios na espinha e imaginei que
algo muito maior me esperava. Aguardei ansiosa até que tomassem um banho. Embora estivesse com
sono — o dia começava a clarear — não conseguia relaxar. Queria saber o que me aguardava.

Finalmente, fomos até a tal suíte, cuja porta toda trabalhada em madeira, destoava completamente das
demais. A cena era inacreditável: uma cama gigante, enorme mesmo, estava disposta ali, com lençóis
impecavelmente brancos, e mais outras duas camas também muito grandes, embora não tanto quanto
essa central. Que ambiente paradisíaco! Alguns móveis, quadros e estatuetas completavam o cenário
mais convidativo ao prazer que já vi em minha vida. Toda a decoração estava relacionada à
sexualidade, eram dildos de todos os materiais e formatos dispostos em grandes vasos de vidro,
caixas de couro com roupas de látex, gavetas abertas deixando brinquedos eróticos à mostra e até o
lustre do lugar parecia ter centenas de pequenos cristais no formato de pequenos triângulos com um
sulco no meio, na minha imaginação eram pequenas vaginas!

Sabe, será que todo ricaço “liberal” tem desses quartos em suas fazendas? Porque aquilo não era
coisa desse mundo não… Só o que estava naquele quarto valia alguns milhões, o que dizer daquela
propriedade inteira?

Todos os casais estavam ali, a maioria na cama principal, e interagiam entre si de todas as formas.
Parecia a representação fiel do que eu imaginava ser Sodoma e Gomorra, eu juro: alguns se
chupavam, outros se tocavam e os mais ousados revezavam a penetração entre mulheres diferentes,
tudo sem camisinha.

Aquilo me dava um misto de tesão e horror, surpresa com o poder que o sexo tinha sobre as pessoas,
mas mal tive tempo de concluir meus pensamentos e fui puxada para o meio da bagunça. Coloquei os
preservativos em um lugar de fácil acesso, pois sabia que o clima ali pegaria fogo. Por sorte levei
muito mais do que trinta camisinhas e já estava expert em abrir aqueles pacotinhos no canto da boca,
em uma puxada só.
O que se seguiu ali eu mal consigo descrever. Uma confusão de corpos se tocando, lambendo,
penetrando. Meu corpo todo fervia, ao menor toque eu tremia inteira e sentia o líquido quente
escorrendo em minhas coxas. Eu já não tinha noção de muita coisa, eram dezenas de mãos e pernas e
coxas e bundas…

Minha maior dificuldade foi manter o controle e correr para pegar um preservativo toda vez que
alguém chegava furioso, tentando me penetrar. Isso era bem chato, ter que lidar com a insistência
para que transássemos sem camisinha, sempre com a desculpa de me pagarem mais. Eu já estava até
com um espaço cativo na cama onde passei a deixar as camisinhas debaixo do colchão, para eu
apenas esticar os braços e encapar os meninos.

Sinceramente, não sei com quantos caras transei, nem quantas mulheres chupei. Lembro-me de estar
exausta, quase pedindo para ir para casa, até que alguém se aproximava, me tocava e eu mudava de
ideia! Uma delícia!

Finalmente, e naturalmente, todos foram ficando exaustos e dormiram por ali mesmo. Sabe ninhada
de gatos quando se aconchegam e enroscam as pernas em três ou quatro felinos diferentes? Era essa
cena que eu via: de alguns homens eu só enxergava os rostos, pois corpos se largavam acima deles.
Das mulheres o que eu mais vi eram as pernas e onde havia uma buceta lá estava a mão ou a cara de
alguém que pegou no sono próximo ao ninho do amor.

Peguei minhas coisas e fui para um dos quartos descansar, assim não corria o risco de ter alguém
querendo entrar entre minhas pernas. Por volta das dez da manhã Nando foi me acordar, avisando que
o café da manhã estava servido. Ele mesmo empurrou um carrinho cheio de guloseimas até onde eu
estava.

— Gostaria de poder convidá-la a se juntar a nós no terraço, mas, por motivos óbvios, terá que
ficar aqui. Volto em breve para buscá-la. O motorista a levará de volta. Pode se arrumar com calma.

Só naquele momento pude perceber como estava faminta; devorei o café da manhã e me arrumei com
calma. Sentia um sono violento e não via a hora de ir para casa. Não demorou para que Nando
retornasse, ainda mascarado.

— Está pronta? Vamos pegar suas coisas e te levo até a entrada da fazenda, o carro já está à sua
espera.

Quando pegou as minhas coisas não perdeu a oportunidade de me apertar em um canto, me lamber
docemente o pescoço e me beijar como ninguém naquela noite havia me beijado, com certa
exclusividade. Sua mão subiu por meu vestido, foi até minha amiguinha e ele a levou direto à sua
boca. Colocando mais um pacote na minha bolsa, disse:

— Todos gostaram muito de você, apesar dessa sua insistência em usar camisinha. Como sinal de
agradecimento, estamos acrescentando mais um presente. Fique atenta! Outras pessoas vão ligar para
você em breve.

Agradeci e decidi não discutir a questão do preservativo. Dessa vez, mal prestei atenção no
motorista; ainda estava assustada com tudo o que havia acontecido. Mandei sinais de vida ao meu
segurança que já havia enchido minha caixa de entrada de broncas. No trajeto de volta encon-trei-o
no meio do caminho e deixei o carro onde estava para partir com ele no restante da viagem.

Dormi todo o caminho de volta pra casa, dormi o dia todo e não trabalhei naquela semana, pois
precisava me recuperar do ato heroico. Dias depois recebi outras ligações para eventos fechados,
como Fernando havia me advertido. Excita-me muito aventurar-me por universos desconhecidos e
misteriosos, especialmente se as aventuras forem sexuais.

O universo do BDSM e dos fetiches

Fetiche. Todo mundo já ouviu falar sobre isso, principalmente relacionado ao sexo, mas ele faz parte
da sociedade contemporânea, imersa em um universo do fetichismo de mercadorias. Algumas
pessoas, por exemplo, querem tanto algo a ponto de acreditar que a posse desse objeto mudaria suas
vidas. Ou ainda, desejam tanto um objeto a ponto de se impor abs-tinências para alcançá-lo. O uso de
um determinado objeto parece transformar a vida de pessoas, seja um sapato ou o vestido incrível
daquela grife famosa, seja um carro zero. Tudo isso é fetiche para muita gente. Depois de tudo isso,
qual a estranheza em haver fetiches sexuais?

Em práticas sexuais, o objeto do fetiche representa a penetração, mas também a dominação ou


submissão. O fetiche é apenas o “disparador” de todo um universo que são as relações no meio
BDSM. Mais do que desejo ou culto por algo, as práticas desse universo compõem um modo de vida
que permite várias maneiras de explorar e vivenciar os desejos. Existem tantos fetiches que torna a
tarefa de enumerá-los em sua totalidade praticamente impossível.

BDSM é a sigla comumente utilizada para fazer referência às práticas e jogos sexuais que envolvem,
respectivamente, Bondage, Disciplina e Dominação, Submissão e Sadismo, e Masoquismo.

Todas essas categorias estão circunscritas em uma identidade cultural regida pela consciência em
ingressar em uma espécie de jogos sexuais de maneira sempre segura e consensual.

A Submissão e a Dominação são fetiches que podem ser vividos de várias formas: em cenas com
poucas ou muitas horas de duração ou na forma do “24/7 way oflifé”, em que essas relações são
mantidas em tempo integral. No BDSM, há duas funções principais: os papéis de dominador c
submisso que podem ser incorporados por pessoas de qualquer gênero, que passam a se intitular
Dono ou Dona e Escravo ou Escrava, com variações para marcar seus lugares nas cenas.

Essa prática significa que o (a) Slave (Sub), pessoa com pendores de submissão e que assume o
papel de escravo nas cenas de práticas sexuais underground, dedica a vida a servir sua/seu Dona (o)
(Domme) porque a (o) idolatra e sente que essa é sua missão de vida na terra. O Mestre, ou a
Dominadora, se mantém nessa prática consensual sempre altivo e atento ao seu Slave, e é isso o que
dá satisfação a quem domina e a quem se permite dominar. Ambos incorporam a situação como algo
vital. “Sub” não porque sejam inferiores, mas simplesmente porque não compõem o “padrão” nor-
matizado em nossa sociedade.

Esse modo de vida integral é, no entanto, difícil de alcançar e a maioria dos adeptos de BDSM
vivenciam suas práticas por meio de sessões (cenas) que seguem a vontade do Mestre e só acaba
quando ele ou ela está satisfeito ou quando o seu Escravo recorre à palavra de segurança, o único
mecanismo que pode interromper uma cena.

Não existe uma receita para o desenrolar dos jogos sexuais no universo do BDSM, mas há três
princípios fundamentais que devem ser sempre observados. A prática deve se desenvolver sempre de
maneira Sã, Segura e Consensual (SSC).

Assim como os grupos de swing têm se tornado mais populares, os clubes de fetichismo também têm
se tornado mais comuns.

Certa vez, fui a uma festa fetichista, cujos convidados eram escolhidos a dedo pela anfitriã e seu
marido, um famoso empresário do ramo imobiliário. Nessas festas, algumas pessoas aproveitam para
saciar desejos e realizar fantasias com pessoas que muitas vezes não conhecem. São slaves
implorando para serem amarrados, para que o torturem com a cera quente derramada de velas
flamejantes, mordaças, suspensão… Há os casais e os grupos que se exibem e se deixam observar,
há os que são mais discretos e abordam educadamente seus alvos, conduzindo-os para um canto ou
um quarto mais privativo, e há ainda os que investem na sedução, mas continuam sozinhos,
satisfazendo-se apenas com o olhar.

Nesses ambientes, tudo costuma ser temático. As cores da decoração são insinuantes, as bebidas são
quentes, os convidados são personagens que ali deixam de atuar com suas máscaras de todos os dias
para expor abertamente sua persona mais íntima.

Há, nesses ambientes, corpos totalmente cobertos por capas, vinis e máscaras ou pessoas que por ali
desfilam com os seios e/ou as nádegas a mostra, mas todos procuram a mesma coisa: a saciedade de
seus sentidos e de seus desejos.

Entretanto, nem todas as festas tem esse requinte. A maioria das festas às quais tive acesso em São
Paulo ocorreu em ambientes bem mais modestos. Tive acesso a pouquíssimas festas no nível de
requinte que observei na casa da Domme N. e a única em que a soberania era exclusivamente
feminina.

Havia apenas dominadoras e slaves no local; alguns com as respectivas donas e outros, sozinhos, em
busca de companhia e diversão. Notei que os membros não faziam parte apenas da elite nacional,
mas havia, também, alguns estrangeiros.

Sempre ouvi de todos os meus clientes que se interessavam por esse universo que o maior medo é ser
reconhecido; nesse sentido, o tema da festa não poderia ser mais perfeito: um baile de máscaras.
Embora alguns se conhecessem, o anonimato era preferido pela maioria e, além do uso das máscaras,
os nicknames ajudavam no intuito.

Em meio à decoração impecável, bem ao estilo vitoriano, eram servidos petiscos e boa bebida e
quem servia eram Os próprios slaves: coisa de filme. Os convidados exibiam roupas impecáveis:
látex, couro, lingerie, joias de corpo e adornos mil completavam as escolhas dos frequentadores.
Tudo muito original e refinado.
— Lola, achei desnecessária qualquer artimanha para que você não descobrisse o local da festa ou
quem somos. Vi em algumas entrevistas suas que, embora você já tenha saído com pessoas famosas,
nunca divulgou isso para aparecer. Portanto, julguei que sua presença aqui não nos deixaria expostos.
Estou certa? — disse Domme N.

Acenei afirmativamente, enquanto me recordava de sua história, que havia me contado brevemente
pelo telefone. Ela e o marido eram casados há 10 anos e desde o início mantiveram uma relação
sadomaso. É claro que, socialmente, mantinham o papel social esperado do marido e da mulher, mas
entre 4 paredes a coisa tomava outro aspecto. Eles apreciavam Bondage (técnica de imobilização
com cordas), spanking (surra) leve e, eventualmente, inversão de papéis.

Domme N. - era assim mesmo que se apresentava - disse que me convidou para abrilhantar a festa,
mas eu acho que, na verdade, ela me chamou para testar meu gosto por esse universo.

Eu e mais algumas mulheres conversávamos animadas sobre slaves, sapatos e técnicas, e eu via
como sabia pouco desse infindável universo. Enquanto isso, éramos servidas por slaves que se
revezavam para atender às mulheres exigentes que estavam ali. Eu usava um belo corset preto em
cetim, uma saia de couro e meu scarpin mais lindo: um louboutin que havia recebido de um slave,
pouco tempo antes. O cabelo e a maquiagem de diva do cinema em nada perdiam para as outras
mulheres presentes. Todas muito bem vestidas.

Em certo momento, Domme N. nos pediu licença e encaminhou-se com seu slave - que até aquele
momento havia permanecido calado, de joelhos, do seu lado - para uma espécie de cavalete de dois
metros, onde uma longa corda estava pendurada, e iniciou uma sessão de bondage.

Eu nunca havia visto uma mulher dominando esta arte, ainda mais tendo em conta seu tamanho e de
seu marido. Ele devia ter 1,85 contra 1,65 dela. Ela era uma morena poderosa em seus saltos agulha,
vestido preto de látex colado ao corpo e os cabelos na altura da cintura. Os olhos bem delineados e a
boca carnuda contribuíam para a aura de dominadora.

Conforme ela fazia as amarrações com maestria, o público ia se animando e, enquanto observavam a
cena, eu via slaves sendo pisados nos bastidores, ajoelhados aos pés de suas donas, lustrando a
roupa de látex de sua senhora enquanto estas se deliciavam com a cena protagonizada pela anfitriã e
seu marido.

De repente, notei que um dos slaves se aproximou de mim. A máscara de látex e a roupa do mesmo
material chamaram minha atenção, tive a sensação que eu o conhecia de algum lugar.

Olhando atentamente para meus pés, perguntou se poderia se aproximar. Sua roupa de látex cobria
seu corpo todo, uma espécie de macacão lustroso. Apenas quando o observei mais de perto,
reconheci seus olhos, que eram a única coisa que eu podia ver em função da máscara que usava. Era
John. Ele havia me presenteado, há algumas semanas em uma sessão, com um par de louboutins
(aqueles sapatos de salto alto caríssimos da grife francesa, conhecidos por terem sola vermelha por
inteiro), justamente os que eu estava usando: um scarpin lindíssimo, altíssimo, cujo salto agulha fazia
brilhar os olhos dos podólatras que povoavam a festa.
Eu havia conhecido John em uma rede social de fetiches e nos encontramos algumas vezes. Ele nunca
havia mencionado sobre essas festas e me pediu desculpas, alegando que era confidencial.

Ele me pediu para que o pisoteasse com aqueles sapatos que haviam sido meu merecido tributo. Sem
pensar duas vezes, pedi ajuda a um outro slave que nos observava, segurei em suas mãos e desfilei
sobre meu slave, que permanecia deitado, arfando em êxtase total. Quando me cansei e decidi me
sentar, ele se ajoelhou e me pediu permissão para beijar meus pés. Consenti e me senti uma deusa
por ter esse homem aos meus pés, literalmente. A excitação por dominar um homem é inexplicável.
Tê-lo ali, subjugado, entregue, todo meu… só vivendo isso para entender.

Oportunamente, eu havia levado uma coleira de metal, comprada há pouco para minhas brincadeiras
com meus slaves. Prendendo-a em seu pescoço, fechei o cadeado e retirei a chave. Levei-o comigo a
festa toda, puxando-o pela coleira. Nós nos divertimos muito enquanto observávamos cenas de
bondage, spanking e afins.

Alguns dias depois, recebi um pacote em minha casa: um novo sapato, cravejado de cristais,
acompanhado de um bilhete que dizia “Para a minha Domme Princesa. Obrigado pela honra de poder
acompanhá-la na festa”.

Sapatos são, sem dúvida, um dos meus maiores fetiches. Sorte a minha que meus slaves se
aproveitam disso e me enchem de pares, um mais lindo que o outro. O que mais eu poderia querer?

O poder em um salto alto

Meu despertar para o universo do BDSM como Domme ocorreu num.i época em que eu me
aventurava nos labirintos da internet em busca de experiências marcantes e excitantes. Foi assim que
conheci Matheus, uni rapaz de 29 anos, militar na aeronáutica, inteligente, com sólida formação e
respeitado na hierarquia institucional.

Nós nos conhecemos através das salas de bate-papo à época. Eu mc identificava como Gótica e ele
como Escravo para Gótica. Sempre que con versávamos, falávamos de sapatos e roupas de látex por
horas a fio e, embora eu desconfiasse o que o seu nick queria dizer, nunca parei de fato para pensar
no universo ao qual ele se vinculava. Certa vez ele me disse:

— Um dia, quando você estiver de salto alto, me terá aos seus pés. Achei que isso fosse uma
brincadeira e levou tempo até eu compreen der do que ele gostava. À época, as práticas BDSM ainda
eram algo muito misterioso para mim. Em outra ocasião, ele me confessou que tinha fetiche por pés.
Desejava e excitava-se por pés com ou sem acessórios. Ele sentia atração por sapatos na vitrine,
mulheres e homens calçados, calçando ou descalçando esses objetos. Para ele, mais do que observar,
era necessário tocar, beijar e lamber as solas do calçado, chegando a calçá-los quando assim
desejava. Para ele não importava o sapato em si, tanto fazia se eram Ali Stars, botas ou coturnos.

O mais importante para ele era justamente a sola dos sapatos. Se houvesse ranhuras, melhor ainda.
Assim seria extremamente difícil limpá-las com a língua. Contava-me seus desejos mais secretos,
bem como lembran ças que tinha com sapatos quando era criança, como, por exemplo, que dormia
abraçado às peças que eram de sua mãe.
Quando compreendi que não me competia julgar o fetiche de outra pessoa, mas sim compreender o
porquê desse desejo e buscar em mim as respostas para as suas vontades, comecei a obter sucesso
também no despertar de meus desejos insólitos.

O fetiche de Matheus me despertou, então, para a relação existente entre sapatos e pessoas. Eu
mesma tenho fetiche louco por saltos e sinto-me poderosa, elegante e dona do mundo quando estou
sobre eles. Comecei a pensar em como seria, então, ter um homem sob meus pés e aquilo começou a
me dar tesão.

Marcamos de nos encontrar em um motel e me surpreendi quando entrei no quarto e vi ao lado da


cama uma pilha de umas 10 caixas de sapato numeradas sequencialmente. De repente alguém bateu na
porta e, quando a abri, vi meu Escravo de joelhos:

— O, Deusa, sua beleza é tanta que me cegaria se teus olhos eu encarasse… mas estou aqui para
servi-la sem qualquer queixa.

Em silêncio, deixei-o entrar e me sentei na cama. Sabendo agora o que ele queria, não tive dúvidas
de que estávamos em uma cena. Do alto de minha exuberância sentei-me na beirada da cama, ele
ajoelhado aos meus pés, e lhe disse:

— Lamba.

Ele me encarou em silêncio.

— Lamba, não ouviu? Limpe tudo e com afinco, estou mandando. Não quero ver nada sujando meus
sapatos.

Seus olhos eram de submissão total. Ele arfava de desejo e vergonha, refletidos em um olhar úmido e
complacente. Eu estava altiva e séria, tomada por uma excitação quase incontrolável. Calado, ele
observou a fila que eu meticulosamente fazia com sapatos que ia tirando das caixas para ele limpar.

— Não lhe dei permissão para me olhar.

Tornei a tarefa ainda mais difícil e deixei-o nu, com tornozelos e mãos

() pra/ri c’ todo nosso

atados. Ele parecia vulnerável, enquanto eu me sentia poderosa em um salto de 17 centímetros.

Ele lambeu, pacientemente, cada um dos pares, sapato por sapato. Refém de minhas vontades, seu
corpo inteiro tremia. Quando chegou a vez de desempenhar sua tarefa com os saltos mais agudos, fiz
questão de submetê-lo ainda mais às minhas vontades e aos meus desejos. A cada sapato que eu
colocava, o mandava deitar no chão e dava voltas em torno dele com passos firmes que visivelmente
o excitavam. Em seguida me sentava. E cada novo salto era lambido com um tesão fervoroso.
— Quem é a sua Rainha?

— Você, Goddess Lola.

— Quem tem domínio sobre o seu corpo?

— Você, Senhora.

— Olhe para mim!

A expressão de satisfação mais surpreendente que já vi estava estampada naqueles olhos ávidos por
clemência.

— Levante-se.

Fui em sua direção. Aproximei-me de seu rosto, segurei sua face firme pelo queixo e a virei
bruscamente, lambendo uma de suas orelhas e sua boca. De olhos fechados, ele parecia estar em
outra dimensão e seu arrebatamento era evidente.

Continuei dominando-o por três horas, Por fim, deitei-me e dormi, satisfeita e exausta por minha
primeira sessão de dominação ter sido bem sucedida, despertando o meu potencial em ser uma
Domme capaz de ter e proporcionar prazeres diferentes de tudo o que eu havia vivido até então.

Na manhã seguinte, quando acordei, ele já havia pedido o café e enchido a banheira, alegando que eu
precisava de um banho relaxante com bastante espuma antes de desfrutar do maravilhoso café da
manhã.

Pacientemente, ele me despiu, ajudou-me a entrar na banheira, permaneceu de joelhos, sem olhar
para mim. Tendo terminado meu banho, ele me ajudou a colocar o roupão e me serviu o café da
manhã. Embora estivesse em silêncio, eu via o brilho em seu olhar por poder servir a adorada
Rainha.

A sensação de soberania que eu tive depois disso é indescritível. Foi a minha primeira conquista
efetiva nas salas de bate-papo e tive certeza que eu era, sim, uma mulher de fibra, dona das minhas
escolhas, senhora das minhas vontades. Depois disso, mesmo no “sexo baunilha” (visão do BDSM
sobre as práticas sexuais “padrão”) eu me sentia soberana. Meu olhar havia mudado, assim como a
expressão sagaz de quem sabe que sempre estará no controle, mesmo que qualquer parceiro pense o
contrário.

Tudo junto e misturado

É uma responsabilidade imensa ser um dominador ou uma dominadora, pois para isso é preciso
exercer um papel ativo na condução da cena, despertar uma mente criativa e encarnar o personagem.
Em contrapartida, toda relação de submissão exige que o slave trate sua dona de maneira respeitosa.

Uma das situações que desafiaram a minha criatividade foi quando uma garota com desejos muito
peculiares me contratou para exercer o papel de Domme. Conversamos um pouco para que eu
pudesse conhecer seus instintos de submissão e combinarmos a palavra de segurança. Eu precisava
ter uma ideia geral da situação para improvisar livremente quando a cena estivesse em andamento.

Ela me contou que gostava muito da ideia de ser amarrada, pois a sensação de estar indefesa,
subjugada, à mercê de alguém a excitava muito, principalmente se esse alguém fosse um
desconhecido. Somava-se a isso sua fantasia de ser invadida por dois falos ao mesmo tempo.
Justamente por ter esses desejos, ela sentia a necessidade de ser punida, castigada, como forma de
penitência. Foi, a partir dessa conversa, que criei a cena para ela.

Angélica era o seu nome e sua aparência física fazia jus a ele. Tinha um rosto lindo, cabelos
castanhos longos e olhos verdes. Seu corpo era muito feminino, estilo ninfeta, e seus seios eram
perfeitos.

Quando finalmente marcamos nosso encontro, convidei um amigo meu para me ajudar a brincar com
ela. Caio era switcher no BDSM, uma pessoa que sente tesão tanto na posição de dominado quanto
de dominador. Nosso encontro aconteceu em um motel preparado para as práticas sadomasoquistas,
cheio de apetrechos de dominação. Quando nós chega-mos ao local, ela estava do jeito que mandei:
nua, de joelhos e de costas para a porta.

Comecei pelas mais básicas formas para subjugar alguém: algemei suas mãos e atei seus tornozelos.
Ela permaneceu ajoelhada e imóvel, com evidente expectativa diante do que aconteceria a seguir.
Para manter o ar de mistério, mandei Caio usar uma máscara, a qual cobria apenas seus olhos, mas
lhe dava um ar de carrasco e predador. Imagem perfeita para a cena.

Um dom ou domme precisam estar atentos às reações de seus subs para saber como proceder a
seguir. Percebi que Angélica mostrou-se um pouco nervosa assim que sentiu a presença de Caio, mas
essa emoção foi substituída rapidamente por um desejo lascivo por aquele desconhecido mascarado.
O corpo de Caio também estava reagindo, seu pau estava ficando duro ao ver Angélica nua e
algemada.

Mandei Angélica abaixar a cabeça, para que ela não visse o que estávamos fazendo. Exigi que Caio
pegasse minha mala da tortura, de onde tirei algumas cordas. Aproximei-me de Angélica, passando a
corda por seu corpo e disse: — Você já sabe o que vou fazer, não sabe?

— Sim senhora. Ela respondeu.

Então a amarrei e Caio me auxiliou a suspendê-la, visto que no quarto havia alguns ganchos para
isso. Pendurada e indefesa, com o rabo bem empinado, alisei as bochechas de sua bunda. Quando ela
começou a implorar para que eu a tirasse dali, fiquei com raiva: — Como você foi uma menina muito
má, reclamando, você receberá uma punição. Você entende o porquê?

— Sim, senhora… fui uma menina má.

Em seguida, peguei a palmatória e comecei a aplicar o castigo por seu desrespeito. Embora gritasse
de dor, eu via a satisfação em seus olhos, pois estava sendo controlada e castigada.
Depois disso, peguei minha cinta e encaixei nela um dos consolos que eu tinha, bem grosso e grande.
Lubrifiquei sua entrada e enfiei o pau. Ela soltava urros e gemia de prazer. Estava dando a ela, ao
mesmo tempo, o

prazer e o castigo que ela merecia.

Caio perguntou-me se poderia ser útil e eu falei que ele deveria sair de seu papel de submisso e
enfiar seu pau na boquinha da Angel. Excitado com sua tarefa, Caio enfiou até as bolas na boca dela.
Toda amarrada e com a boca cheia, ela não tinha como se defender. Avisei a Caio que ele não
poderia gozar e eu via que ele se esforçava muito para não me desobedecer. Assim, Angélica era
fodida em duas entradas de seu corpo simultaneamente e ela parecia em êxtase.

Depois de um tempo, decidi dar uma pausa para desamarrar nossa boneca e colocá-la algemada de
quatro em um cavalete. Dei dois plugs anais a Caio e mandei que enfiasse um no rabinho dela e outro
em seu próprio. Enquanto ele cumpria minhas ordens, fui trocar o consolo por outro, que tinha um
mecanismo que era possível simular uma ejaculação. Depois disso enfiei o cacete na boca de
Angélica e ordenei ao Caio que se masturbasse para que, quando eu dissesse, ejaculasse gostoso na
cara dela. Enquanto ela chupava meu cacete postiço, eu sentia como se eu realmente estivesse sendo
chupada e quando eu já estava muito excitada, acionei o mecanismo para que esporrasse na cara
dela. Nesse mesmo instante, ordenei ao Caio que fizesse o mesmo, o que ele acatou instantaneamente.
Ela ficou coberta de porra. Eu a queria suja, pois sabia que ela gostaria disso. Terminada a sessão,
conversamos e ela me contou que eu a surpreendi. Dei a ela uma experiência a partir de seus desejos
mais íntimos, dando-lhe o prazer e dor que ela tanto queria.

Invertendo os papéis: a experiência de uma domme subjugada

Sempre fui dominadora, desde que comecei no universo BDSM. Um dia, porém, me vi em uma
situação bem diferente. Conheci um homem interessante o suficiente para me fazer desejar viver a
experiência de ser dominada. Apesar de ter certas reservas a me colocar nessa posição, me permiti
viver essa nova experiência, afinal é sempre válido estar aberto ao novo.

Conheci Bruno em um aplicativo para celulares e começamos a conversar. Era bem bonito: os
cabelos e a barba bem pretos e um olhar marcante. O papo interessante também me atraiu. Não
parecia um garoto imaturo ou inexperiente. Conversamos um pouco sobre estudos e comentei que
estudava fetiche. Ele ficou interessado imediatamente e o tom da conversa mudou.

Decidimos ir para o whats app e lá ele descobriu que eu era a Lola. Surpreendentemente, disse que
não se importava com a história toda e que queria me conhecer, independentemente disso.
Começamos a conversar sobre a questão do fetiche, que realmente me interessa em termos
acadêmicos e em relação ao meio BDSM, tanto que até tatuei o símbolo na nuca. Ele falou que para
ele dominação era algo orgânico, intrínseco. Adorava menosprezar mulheres, tratando-as como
cadelas, fazendo com que se ajoelhassem a seus pés, totalmente subjugadas. Quanto a mim, disse a
ele que sempre atuei como dominadora, mas que não descartava totalmente a possibilidade de ser
dominada. Minha fala deixou-o animado, pois ele percebeu que havia uma chance de me dominar.
Depois disso, ele fez tudo o que pôde para me convencer.
Começou me mandando fotos do seu delicioso pau e gravou algumas mensagens de voz, me
mandando ajoelhar em frente ao espelho e imaginar seu pau socado em minha boca, minha buceta
ficando molhada e gozando só porque essa era a vontade dele. No começo eu ri e não fiz nada
daquilo, mas depois o desejo falou mais alto e eu experimentei ajoelhar em frente ao espelho e me
sentir. Concentrei-me em minha buceta ficando molhada e no auge do meu pensamento, consegui
gozar sem me tocar. Achei aquilo incrível. O poder de uma ordem e da mente que acata ao desejo do
dono.

Passei o fim de semana querendo que os dias corressem logo para que eu pudesse vê-lo no domingo,
que foi quando combinamos de nos ver. Ficamos em dúvida se eu iria até seu hotel ou se ele viria até
minha casa. Ao invés de trazer um estranho para casa, achei melhor escolher uma terceira opção:
motel. Lá, eu me sentiria muito mais à vontade.

Eu me arrumei com uma roupa bem provocante, sem calcinha, como ele havia ordenado, e fui para o
motel. Mal entrei no quarto e fui recebida com beijos de desejo, daquele homem cheiroso. Tive
vontade de ser sua cadelinha; um mero objeto em suas mãos. Apertei seu pau por fora da calça e
notei que ele estava duro feito pedra. Ajoelhei e tirei a peça de roupa que me atrapalhava. Um pau
enorme, que mal cabia em minha boquinha, pulou para fora da cueca e ele enfiava aquele cacete na
minha boca e exigia que eu mamasse, enquanto puxava meu cabelo sem dó.

Não demorou muito e fomos para a cama. Ele fez com que eu tirasse toda a roupa e mordia meus
seios com força, mas de um jeito delicioso. E, enquanto me estapeava, perguntava quem era meu
dono. Eu ria. Estava me deliciando com aquilo tudo.

Embora fosse muito difícil me sentir subjugada por alguém, eu estava gostando da brincadeira e a
cada vez que eu o desafiava, ele me punia. Eu estava com muito tesão aquele dia. Enquanto ele
enfiava o dedo na minha buceta e dizia “quero que você fique molhada e goze agora, só porque eu
estou mandando”, sentia que eu ia explodir. Estava realmente muito molhada e gozei muito fácil.

Ele colocou a camisinha e fez com que eu me sentasse naquele pau gostoso. Metia com força,
enquanto me enforcava com as mãos. O tesão era tanto que eu simplesmente me esqueci de uma das
regras que ele me impôs: não tirar os scarpins de salto altíssimo em nenhum momento. Embriagada
de tesão eu os atirei para longe. Ele me segurou pelo pescoço, me olhou nos olhos e disse: “vai
buscar”. Eu, que sempre fui domme, ri e achei aquela situação absurda, mas acatei e voltei a posição
em que estava.

Implorei para ele me comer de quatro e socar sem dó, já que eu era uma cadelinha, e, depois de
muito insistir, ele topou. O pau era muito grande e ele enfiava com força e bem fundo. Eu gritava de
dor e prazer. Ele me dava tapas e me perguntava “quem é seu dono? Você quer mais? Então pede!”

Não demorou para que nós dois gozássemos. Depois disso, ficamos conversamos um longo tempo e
notei como ele era interessante, além de lindo. Nosso entrosamento foi incrível e não demorou para
que seu pau ficasse duro novamente e começássemos a nos agarrar. Ele dizia: “Onde você quer que
eu goze, cadela?” e eu, cheia de tesão, respondia: “Na minha boquinha”. Dizendo isso, ele fez com
que eu ficasse de joelhos e gozou. Por azar, boa parte da porra esguichou nos meus olhos e eu
brinquei que punição maior que aquela não poderia haver. Aquela noite foi inesquecível.
Busco viver intensamente e experimentar os prazeres que a vida tem a oferecer, especialmente os
prazeres sexuais. Não me arrependo das experiências que vivi. Acho que me arrependeria se não as
tivesse vivido. Acredito que todas são válidas, sejam elas boas ou ruins.

Quando nos colocamos em um papel, ao qual não estamos acostumados, por meio de uma atividade
lúdica, que é a sexual, isso pode gerar, inclusive, uma forma de reafirmação de quem somos. A partir
da experiência, saberemos se gostamos de algo ou não. No meu caso, embora tenha achado a
experiência excitante e diferente, confesso que não aceitei outros atendimentos como submissa.
Definitivamente, o prazer que sinto dominando alguém supera totalmente o de ser subjugada e a
sensação de fêmea alfa é insubstituível. Ver um homem, outrora poderoso e dono de si, sub jugado
perante meus pés é inexplicável.

A confiança que eu sinto quando domino alguém acabou contribuindo para que eu fosse confiante no
dia-a-dia, enfrentando situações que a maioria das mulheres treme na base só de pensar.

Por isso, acredito que vale a pena sair da posição passiva e se surpreender, agindo ativamente no
sexo. Isso não quer dizer que é preciso comprar um chicote e sair batendo em homens por aí. A
dominação está no olhar e na maneira como você se impõe.

Trilhas do prazer

Em uma época em que se reivindica a Liberdade Sexual, em que pes soas se encontram para uma
relação casual e sem compromisso; nesses tempos em que as mulheres podem dominar e os homens,
historicamen te dominadores, tornam-se submissos; em que o velho, experiente, busca inovações para
satisfazer seus já percorridos prazeres, onde dois corpos são insuficientes ao prazer e os brinquedos
eróticos permitem que um só corpo satisfaça a si mesmo, nesses tempos modernos há prazeres de
todos os gê neros… As combinações entre a variedade de corpos e de prazeres é quase infinita,
sujeita apenas à criatividade e imaginação de cada um embalada pela força dos desejos.

Entendo que, no que diz respeito à sexualidade humana, o jogo, a brincadeira e os exercícios lúdicos
marcam nossa sexualidade. A dança do.s corpos em contato íntimo, no cavalgar ou no respirar
incessantes, a dança dos pensamentos quando, entre quatro paredes, corpos desejam unir-se em um
gozo único… Esse é o prazer compartilhado, que é, ao mesmo tempo, secreto e intimamente pessoal.
Mas também há o prazer que podemos oh ter sozinhos, tocando em regiões sensíveis de nosso corpo,
em uma busca constante para conhecer o que gostamos e o que nos satisfaz.

Se for homem, talvez você tenha algum receio em ser estimulado na região anal e o sexo anal se
mostra como o tipo de sexo mais “errado” para você. Se for mulher, se não o anal, talvez o sexo oral
no seu parceiro, a ocasião na qual você o chuparia inteiro poderia parecer errado. Se você se deita e
delicia-se com pessoas que têm corpos semelhantes ao seu, imaginai um corpo de sexo diferente no
meio dessa relação pode lhe causar estra nhamentos. Ou talvez você sinta um tesão imenso em se
deixar penetrar ou penetrar alguém independente de sua identificação com qualquer gênero…

E se, ao invés de pensar no sexo apenas como qualquer ato de penetra ção, você gozar vendo outras
pessoas em situações diversas? E se você sentir necessidade de se excitar ou excitar alguém a partir
das sensações de dor provocadas por toda a sorte de acessórios? Gozar deliciosamente quando
alguém te amarra por inteiro e te suspende do chão lhe parece impossível?

E se para você a importância não está na ereção e/ou na ejaculação masculina ou nos tremores e
gozos dos corpos femininos, preferindo receber e distribuir carícias que lhes satisfazem totalmente a
partir de outras sensações como, por exemplo, as que dizem respeito apenas à visão e observação de
cenas sensuais?

Todas essas perguntas ilustram o leque dos tipos e gêneros de prazer que existem, nutridos ou não
por sentimentos de amor, mas que todos podem vivenciar. Você não terá respostas para todas essas
perguntas enquanto não se permitir conhecer de maneira sincera, independentemente de experimentar
ou não diferentes práticas sexuais.

Trilho deliberadamente o caminho da satisfação pessoal. Gosto muito de conhecer gente nova e isso
não se restringe apenas ao trabalho. A vida que tenho permite que as paixões surjam aos montes. A
diferença de um cliente e de um affair é a velocidade com que as coisas ocorrem. Com o primeiro,
tenho um período restrito para consumar o desejo. Ainda que ele ou ela me levem para jantar e
passem o dia ou a noite comigo, sei que no fim daquele período, teremos contato sexual, salvo raras
exceções. Afinal, sou paga para isso. Já no segundo caso, permito-me viver romances. Não é porque
sou puta que tenho que dar para todo cara ou mulher na primeira noite, isso é meio óbvio, não?

O mais legal de tudo isso é que cada pessoa me apresenta um modo único de ver a vida, me conduz
por experiências inéditas e me apresenta um mundo novo. Eu amo estar entre as pessoas e desejo
viver com elas experiências prazerosas, intensas e marcantes. Essa é a minha natureza.

PARTE II

O reflexo no espelho

Arquite[n]tando um Eu

A busca por experiências novas, excitantes e prazerosas faz parte da natureza de muitas pessoas e o
desejo de fugir da rotina, do padrão e da convenção revela, na verdade, o desejo por liberdade!
Geralmente é na juventude que este sentimento se apresenta com mais intensidade, mas esse desejo
caracteriza o ser humano, independentemente da idade. Todavia, apesar de tal anseio, muitas pessoas
deixam de fazer o que realmente querem e acumulam frustrações por receio de lidar com o
julgamento e as reações que despertariam ao seu redor. Também já fui assim, mas fui me libertando
progressivamente das amarras culturais, embora elas sejam constantes em nossas vidas.

A Lola surgiu de um desejo de liberdade muito superior a uma sempre desejada liberdade sexual:
tratava-se de uma busca por uma identidade, um desejo de liberdade para me tornar quem eu
realmente era.

Conforme eu crescia, senti a importância de me olhar no espelho e valorizar o que via, mas para isso
precisava aprender a gostar de mim. As pessoas acham uma bobagem quando ouvem por aí que
primeiro devemos aprender a gostar de nós mesmos para só então gostarmos de alguém. Hoje eu vejo
a importância desse conselho, pois enquanto eu não estava satisfeita com meu jeito de ser no mundo,
ficava triste com qualquer reprovação ou crítica. Eu me sentia quase sempre inferior às outras
meninas. Era uma situação lastimável que só superei quando deixei o olhar dos outros em segundo
plano e, em um processo de autoconhecimento, conheci todos os segredos do meu corpo.

Todos têm seu próprio processo e seus próprios artifícios nesse movimento rumo à identidade e as
intervenções no corpo como tatuagens e piercings, por exemplo, fazem parte do meu e são agora
parte de mini. Todos nós possuímos um estilo de vida, que implica um modo de se vestir e de se
comportar, e também ele permite compreender quem somos. Na adolescência, me sentia um patinho
feio, pois me sentia insegura e não me achava nem bonita nem atraente. Mas a partir do momento que
comecei a fazer minhas escolhas, viver livremente minhas decisões, enfim, a partir do momento em
que comecei a me amar, a buscar minha própria maneira de viver e sentir o mundo, meu ser foi se
transformando de patinho feio em cisne negro.

Sobre bonecas e cócegas

Você sabe táo bem quanto eu que cada pessoa tem uma relação muito particular com sua própria
sexualidade. Isso porque cada um de nós, a par tir de sua individualidade, está mergulhado em
realidades muito diferem r s que podem ser mais tradicionais ou liberais. Vivemos em uma
sociedade conservadora, onde o machismo está enraizado em nossa cultura e, embor.i nem sempre
tenhamos consciência, nossas ações são pautadas nesses valores e, por vezes, acabam moldando
nosso comportamento. Por isso, o papel atribuído ao homem e à mulher na sociedade e o tema da
sexualidade sáo questões que precisam ser repensadas e, mesmo, desconstruídas para que o
indivíduo possa encontrar-se e se aceitar melhor.

Em um cenário caracterizado pela opressão, intolerância e falta de respeito para com as escolhas
individuais, algumas pessoas que não se en caixam na ordem estabelecida simplesmente se calam,
sofrem sozinhas, se culpam por não serem “normais”; isolam-se, por vezes, ou tentam st’ “reformar”
e adequar seus comportamentos às normas sociais. Outras pes soas, no entanto, apertam o famoso
botão “foda-se” para as opiniões que lhe aprisionam e julgam.

Mas o que é ser normal, afinal? Seguir as regras e convenções sociais, com suas farsas e hipocrisias?
Neste caminho, o indivíduo aprende apenas a esconder dos olhos alheios o que realmente é, em uma
tentativa frustra da de tolher seus desejos e necessidades. As consequências dessa decisão são por
demais negativas tanto para o indivíduo quanto para a socieda de. Muitas vezes, com meus clientes,
vejo-me diante de situações em que preciso ajudá-los a superar preconceitos e ultrapassar barreiras
impostas socialmente à sua sexualidade. Torno-me, assim, mais do que a prostituta com quem eles
mantêm relações sexuais casuais; converto-me no ouvido amigo, no ombro que precisam para chorar
e se abrir, reconhecendo os motivos de sua infelicidade.

Antes mesmo de ter optado por esta profissão, tornando-me quem sou, foi preciso pensar sobre quem
eu realmente queria ser e, nesse processo, era inevitável fazer escolhas. Uma das possibilidades a
mim apresentadas era ser uma menina da família tradicional que casaria virgem, seguindo as
convenções e tradições. A outra alternativa que se apresentava era ser a menina atrevida, que quer se
aventurar no universo da sexualidade, na busca pelo autoconhecimento, experimentando prazeres
inimagináveis, embora essa situação implicasse, por vezes, desvalorização social e o título de
“vadia” ou “puta”.

Observando as mulheres ao meu redor, percebi que a maioria delas era casada, trabalhava
principalmente em casa e se encarregava da educação de seus filhos. Elas se vestiam discretamente,
falavam sempre muito baixo e condenavam a exposição do corpo feminino em festas como o
Carnaval. Nesse ambiente, falar sobre sexo era proibido e viver as experiências que desejava era
impensável.

Atualmente, muitas famílias não se deixam reger por valores conservadores e conversam abertamente
com seus filhos sobre o corpo humano e a sexualidade. Esta situação sacia a curiosidade das
crianças sobre as transformações que operam no corpo, fazendo com que ajam com mais naturalidade
em relação a ele. Minha educação não me permitiu esse tipo de relação natural com o corpo. Pelo
contrário, todos, e tudo ao meu redor, pareciam se esforçar para moldar a mulher que queriam que eu
fosse. Em casa, nas reuniões da igreja, nas rodinhas de conversa da escola, nas revistas juvenis e
femininas, na televisão, nas propagandas… E eu só via duas opções de mulher para o meu futuro: a
dona de casa que zela pelo lar ou a mulher fatal e gostosona que traz os homens aos seus pés. Mas, e
no meio disso o que é que haveria? Porque estas imagens não podiam caminhar juntas? Porque a
mulher era ou “correta” ou “fácil”?

O que eu realmente queria era ser independente, estudar, trabalhar, me divertir, fazer o que me dá
prazer e um dia, se assim eu decidisse, poderia manter uma relação monogãmica ou, por que não,
uma relação po-liamorosa. E, talvez, constituir família. Porque, no final das contas, trata-se sempre
da busca pela felicidade, embora cada um tenha o seu caminho para alcançá-la.

Eu desejava ir além das opções oferecidas, queria ultrapassar fronteiras, fazer o que ninguém tinha
feito e a descoberta do corpo foi a principal maneira encontrada por mim rumo à liberdade, embora
naquela época eu não tivesse essa percepção.

Hoje, relembrando um pouco minha juventude, enxergo minhas experiências iniciais no âmbito da
sexualidade — e não falo aqui das relações sexuais em si, porque não são elas as únicas que forjam
nossa sexualidade

- como o caminho que me permitiu certo autoconhecimento. Olhar-me francamente no espelho e


assumir-me como realmente sou me ajudou a ter certa autonomia sobre meu próprio corpo.

Lembro-me, por exemplo, de um episódio que se repetia frequentemente em minha infância. Eu


brincava de bonecas, como todas as meninas, e adorava constituir laços sociais e familiares entre
meus brinquedos. Com o passar do tempo, e com os comentários entre amigas, me dei conta de que
não bastava um beijo para que a Barbie e o Ken tivessem um filho… Recordo dessa descoberta
porque minha família dizia que um filho nascia de uma relação de amor entre duas pessoas, mas
nunca me explicaram o que significava essa relação.

Dei-me conta de que meus bonecos tinham corpos de adultos formados, o que me fez idealizar meu
próprio corpo e, ao mesmo tempo, sofrer com isso: eu não era loira, nem bronzeada e tampouco tinha
olhos azuis ou verdes. Não era alta, não possuía peitos e bumbum volumosos como as bonecas e
como algumas de minhas amigas. Meus pais decidiam as roupas e o corte de cabelo que eu usava, os
locais que poderia frequentar e as amizades que seriam boas para mim. Essas imposições e cuidados,
por vezes exagerados, que os pais têm com os filhos e, principalmente, com as filhas, geraram em
mim um sentimento de frustração e inconformismo, um desejo por mudança e anseio por uma
realidade diferente daquela vivenciada.

Eu conhecia meu corpo aos poucos: a primeira nudez que vi foi a feminina, primeiro a de minhas
amigas para depois dar-me conta de minha própria nudez e de meu próprio corpo. Comparava-o com
o corpo delas em situações ainda corriqueiras, como as tardes em que nos juntávamos para fazer a
lição de casa ou quando íamos ao banheiro da escola. Indagações sobre o novo sutiã de uma, o
tamanho dos seios e do bumbum da outra, os namoradinhos de uma terceira e as tentativas de beijos
às escondidas nos impeliam a mostrar nossos corpos secretamente, tocando-nos com a inocência dos
jovens que ainda não sabem bem o que são.

Comecei a “ensaiar” a descoberta do meu corpo com minhas bonecas. Após o casamento da Barbie e
do Ken, eu me dedicava à noite de núpcias colocando-os deitados um sobre o outro, simulando
declarações de amor, gritinhos d e. frenesi e “ais” sem fim até que o filho deles nascia. Mas faltava
algo, meu corpo possuía um órgão entre as pernas que a Barbie escondia e todas as vezes em que me
tocava naquele lugar sentia cócegas.

As minhas amigas passavam pelas mesmas descobertas e cada uma delas lidou à sua maneira com a
situação. Divertíamo-nos jogando “Verdade ou Desafio” nas tardes em que nos encontrávamos e
confessávamos vermelhas as sensações que havíamos descoberto. Como são valiosas as amizades da
juventude! Trocávamos informações sobre o beijo perfeito, o perfume mais sedutor, as palavras
certas para dizer nas horas propícias, as brincadeiras com água durante o banho, com o gelo às
escondidas e as danças com travesseiros.

Nunca me esquecerei disso porque em um desses encontros uma amiga me falou sobre a tal “dança da
minhoca”. Fiquei fascinada ao constatar que, se eu colocasse um travesseiro entre as pernas e
imitasse os movimentos do animalzinho, tudo culminaria em uma espécie de comichão delicioso que
me causava tremores. Fiz isso algumas vezes, enquanto Barbie e

Ken estavam nus e escondidos debaixo de minha cama curtindo sua noite de núpcias.

Essa situação é comum na vida de muitos jovens; escrito assim, tudo soa muito natural, afinal esta
fase de descobertas faz parte da juventude, mas eu não conseguia entender bem o que ocorria e, por
isso, me sentia muito mal depois, como se soubesse que estava fazendo algo “impuro”, “sujo”,
“errado”. E, tão rápido quanto eu começava essas experiências, eu as encerrava e ia fazer outras
coisas para esquecer esses sentimentos.

O ritual dos meninos era diferente. No intervalo ou depois das aulas corriam para a quadra e se
tocavam explicitamente, masturbavam-se sem pudor diante de nossos olhos, embora fossem
suficientemente discretos para não serem vistos pelos adultos, que, aliás, nunca viam as “revistas
proibidas” que traziam para a escola ou, quando as viam, se limitavam a sorrir e dizer: “Muito bem
rapazes, estão crescendo!”.

Ainda hoje a masturbação masculina, a famosa punheta, é entendida, por vezes, como uma válvula de
escape para os meninos e os homens e não faltam pesquisas que legitimem esse comportamento ao
afirmarem que o homem pensa muito mais em sexo do que as mulheres, como se a siririca fosse o
artifício de uma minoria de meninas que, no senso comum, seriam as mais propensas ao lesbianismo.
Essas ideias só servem para cegar e interditar as descobertas de muitas pessoas sobre si mesmas.

O fato é que, durante boa parte da minha adolescência, eu convivi com o conflito gerado a partir do
desejo de me tocar versus o receio de ser descoberta, o desejo de provocar as sensações de deleite
em meu corpo e de conhecer o que me dá prazer versus as repreensões morais que estavam in-
trojetadas em minha cabeça, fazendo-me sentir como se estivesse realizando algo proibido. Os
meninos, em contrapartida, eram estimulados a todo o momento a valorizar seu órgão sexual, a se
tocar, a comparar o tamanho de seus membros e a forçar muitas vezes as investidas sobre as
mulheres sob o risco de serem considerados “maricas”, caso não o fizessem.

Aos poucos, minha curiosidade e minha ousadia venceram os medos e, com o passar do tempo, fui
me desvendando. Os banhos tornaram sc momentos de intimidade a portas fechadas e os momentos
de reclusão no quarto eram frequentes. Afinal, eu precisava me dedicar ao aprendizado de várias
coisas: o conhecimento das chaves dos prazeres do meu corpo c aquele outro, adquirido através dos
livros, quero dizer, o conhecimento cultural que abre a mente e nos liberta das amarras culturais.
Estudos aos quais sempre me dediquei com afinco a fim de me tornar uma mulher segura e decidida
ao invés de uma mulher que fala baixo e olha para o chão. Esses conhecimentos contribuíram para
tecer o meu novo mundo ainda na adolescência: do rock’n’roll, da cultura gótica, das roupas pretas,
dos segredos e dos atos libidinosos.

Enquanto tudo isso se passava, eu aprendia a me dar prazer e, até os dias de hoje, talvez por
conhecer muito bem a maior parte dos caminhos de meu corpo, entendo a masturbação como uma
forma de autoconheci-mento e prazer.
Descobrindo caminhos

Quem nunca ouviu o som de motos acelerando na pista, em uma inquietação que revela a urgência por
sair do ponto em que se está para correr para outras paragens, menos estáticas e mais vibrantes e
emocionantes? Essa imagem pode ilustrar aquele desejo humano sobre o qual falávamos e a ousadia
de viver intensamente, independentemente das possíveis repreensões e críticas. Minha vida pode
parecer uma loucura, mas me divirto e aprendo tanto com cada pessoa que cruza o meu caminho que,
quando me dou conta, já vivi experiências que nunca imaginei serem possíveis! É tudo uma questão
de nos conhecermos, nos tocarmos, sabermos o que nos dá prazer e nos entregarmos a outros corpos,
para que nos saciemos mutuamente, em uma entrega consentida e, por isso, respeitosa.

Embora as relações entre corpos que querem provar de seus praze-res me estimulem muito, nem
sempre fui assim, “saidinha”. De “patinho feio” da escola à Lola Benvenutti o caminho foi longo e a
travessia ainda continua, em meio a muitos redemoinhos e reveses. Minha primeira vez, por exemplo,
foi no mínimo caótica pelos motivos que todas as pessoas conhecem: insegurança, pressão social,
pressa em “crescer” e “fazer parte do mundo adulto”.

Sobre a “minha” virgindade? Bom, nada de mais. Eu sempre quis, mais do que tudo, ser dona de mim
mesma desde a adolescência e essa vontade se manifestava nas roupas e no estilo rock’n’roll.
Decidir os caminhos que meu corpo percorreria e a quem seria entregue simbolizava, então, muito
mais do que ter o hímen — esse pedacinho de pele - rompido.

A vulnerabilidade estava, para mim, muito mais em continuar virgem, acreditando em príncipes
encantados e podendo ser convencida por qualquer um, a qualquer momento, de que seria feliz para
sempre ao seu lado. Como podem as mulheres se renderem táo facilmente a essas falsas paixões?
Conforme eu via as adolescentes engravidarem do primeiro na morado e sendo obrigadas pelos pais
a se casar, tendo suas vidas mudadas e seus sonhos desfeitos, não encontrando, portanto, o seu “final
feliz”; diante de situações como esta, eu pensava que queria um caminho diferente para mim. Um em
que eu pudesse escolher com quem me deitar, na cama que eu escolhesse, para fazer o que quisesse e
consentisse. Eu queria mesmo era ir-me embora para Pasárgada! Um grito do meu Eu para Mim
quando aprendi a ouvi-lo.

Deixar-me penetrar simbolizava para mim um rompimento com tudo que me tornava submissa e
fraca. Conheço e tenho muito respeito por todas as meninas-mulheres que optam por se “preservar”,
lidando com suas experiências sexuais no tempo que lhes convém. Isso é o que mais importa, mas
meu tempo foi precoce se comparado com o tempo das minhas amigas, que foram ter suas primeiras
experiências lá pelos 15 ou 16 anos. Como eu disse anteriormente, cada pessoa lida com sua
sexualidade de uma maneira e eu lidei com o assunto assim.

Loba na pele de cordeiro

Ainda na adolescência, iniciei minhas aventuras de conquista nas salas de bate-papo na internet.
Sempre que eu começava um papo com homens desconhecidos nos chats o assunto predominante era
sexo, claro. Aliás, acho que esse era o assunto predominante da maioria das pessoas que procuravam
esses ambientes de interação.
Quando eu trocava mensagens com alguém, buscava instigar a sua imaginação e, com isso, eu criava
muitas expectativas sexuais nos homens. Eu me divertia ao deixá-los excitados, descrevendo o que eu
gostava de fazer na cama. Na época, eu ainda não tinha muita experiência nas artes do sexo, mas
ainda assim sentia-me orgulhosa de mim mesma ao despertar o desejo de tantos homens.

No entanto, os encontros presenciais eram escolhidos a dedo. Só saía com pessoas que eu achava que
valeria muito a pena conhecer. Então, depois de muito tempo conversando pela internet, marcávamos
um encontro pessoal.

A primeira vez que marquei de sair com um cara da minha cidade natal, tive que articular um sistema
de fuga complexo. Afinal, por um lado, nenhum dos meus familiares poderia ficar sabendo, e por
outro, eu precisava me prevenir para que nada de mal acontecesse comigo no encontro com um
“desconhecido”. Era uma peripécia que me enchia de ânimos!

Algumas amigas me pegaram em casa de carro e me levaram até o local onde combinei de me
encontrar com o rapaz. Durante nosso encontro, tive calafrios por todo o corpo, senti um abismo no
estômago, queria fugir, correr… Pensei até em mudar de ideia e desistir, mas encarei a situação. Eu
já estava em cena e sabia que se não quisesse mesmo, eu poderia desistir.

Mas eu queria. Minha adrenalina estava a mil, um furacão preenchia meu corpo, embora eu
aparentasse tranquilidade e naturalidade.

Sentindo pulsar o corpo e aumentar a respiração, percebi que era essa a sensação que mais me
excitava: a sensação de me lançar no desconhecido. Eu encarava aquilo como uma aventura e isso me
fazia sentir corajosa e destemida. A sensação de vivenciar essas aventuras com desconhecidos pode
ser comparada àquela provocada pelos esportes radicais, na medida em que a situação de risco,
ainda que controlado, produz adrenalina. Há o desafio de superar o medo ao mesmo tempo em que
nossas habilidades são colocadas à prova.

Com o tempo, passei a me sentir mais segura de mim mesma. Aliás, essa autoconfiança e autoestima
encantavam muitos homens a meu redor, deixando-os fascinados. Por mais difícil que fosse lidar
comigo, as pessoas simplesmente ficavam maravilhadas, queriam namorar e mesmo construir uma
vida comigo, isso me assustava.

O que eu procurava mesmo nas salas de bate-papo eram caras para transar em encontros casuais. Eu
era uma caçadora e, como tal, usava de artifícios para atrair e seduzir a caça. Eu via certa graça em
fazer de tudo para que os homens me achassem incrível e desejassem um contato. Aquilo tudo era
como um jogo. Apresentando-me sempre como mulher agradável, divertida, conhecedora de tudo o
que lhes agrada, incrível na cama, eu os conquistava, mas a graça logo se perdia quando o meu
propósito era concluído. Significava game over, embora alguns deles insistissem em me pedir em
namoro.

Também tive namorados durante essa fase de experimentação. Mas eu me sentia insatisfeita por ter
que me relacionar com apenas uma pessoa, afinal o mundo é tão grande, cheio de pessoas
interessantes e há tanto a se aprender e viver, que eu não conseguia me vincular a uma única pessoa
exclusivamente. O que me excitava era viver o proibido.
Sempre tive carinho pelas pessoas com as quais me relacionei, mas o prazer em ser uma caçadora, o
desejo pelo escondido, pelo secreto e pelo sexo me impelia para outras paragens: a possibilidade de
novas conquistas e novas tramas; a teia mágica da viúva negra, tudo isso me excitava. O jogo da
sedução me diverte e me desafia.

Talvez algumas pessoas estranhem esse meu comportamento, mas se estivéssemos falando sobre um
menino, provavelmente haveria uma aceitação maior, e mesmo uma valorização. No meu caso,
encontrei na prostituição o caminho para que eu pudesse viver intensamente minha vida e minha
sexualidade. Mas tudo tem seu preço. Não é fácil desconstruir valores e ser estigmatizada por viver a
vida que se quer viver.

Lola Benvenutti. uma pessoalidade inteira

Omiti durante um tempo que eu era garota de programa, pois não tinha paciência para explicar às
pessoas que eu me sentia confortável em fazer isso. A maioria dos homens está sempre disposto a
pagar por sexo e eu, em contrapartida, sempre ansiei viver intensamente os meus desejos sexuais.
Quando eu tentava explicar a alguém minhas escolhas, ou quando de algum modo descobriam, as
pessoas ficavam frustradas, irritadas e inconformadas e os sermões eram sempre inevitáveis.

Então, percebi que eu estava equivocada ao esconder esse lado da minha vida. Percebi que só teria
uma vida plena se eu pudesse assumir quem eu realmente era. Aqueles que gostassem de mim teriam
que aprender a aceitar minhas escolhas.

Para mim, tornar-me puta significava superar barreiras a mim impostas. Embora a vida de prostituta
tenha seus dissabores, o universo da prostituição representava, em meu ideário, luxúria, glamour,
poder e transgressão. Além disso, são muitas as formas de potencializar o prazer no âmbito sexual e
eu gosto de conhecer coisas novas e estimulantes.

Todos nós nos constituímos como sujeitos fragmentados. Cada situação, cada vivência, cada contexto
exige que lancemos mão de diferentes “eus”: somos de um jeito no ambiente profissional, agimos de
outra forma no ambiente familiar e mudamos novamente quando o assunto é relacionamento. Em se
tratando do aspecto sexual, nem sempre somos honestos para assumir o que uma parte de nós
realmente quer e deseja.

Muitas vezes deixamos que nossa identidade seja formada, passivamente, pela superficialidade com
que a sociedade nos julga e passamos a agir de acordo com o que esperam de nós, mas há também a
possibilidade deliciosa e arriscada de autodeterminar-se, de ter autonomia sobre nosso próprio ser.
Não que seja uma tarefa fácil ir contra ou simplesmente não “ir a favor” das expectativas dos outros
em relação a nós, mas cada um sabe a dor e a delícia de ser o que se é e quanto vale a pena lutar para
se afirmar no mundo recheado de hipocrisia. Assumir essa profissão representava, para mim, na
prática, assumir esses desejos que são meus, fazem parte de mim.

Meu nome é Gabriela. Lola Benvenutti foi o apelido que escolhi para me aventurar no universo que
paga pelo desfrute das práticas sexuais. Lola se tornou uma extensão de mim, ela evoca o fetiche de
Lolita, embora eu, Gabriela, me veja tão mulher e sedutora quanto aquela cravo e canela de Jorge
Amado que vivia em meio a uma sociedade patriarcal, arcaica e autoritária em vias de se transformar
cultural, econômica e politicamente, e encantava homens de todos as espécies, dos tipos populares
aos poderosos coronéis.

Meus clientes ignoram quem eu sou realmente, desejam o que a Lola pode oferecer-lhes, encaram-me
como a realização de suas fantasias e deliciam-se com os jogos sexuais. No jogo dos prazeres
obscenos, fora da cena do cotidiano, muitas das pessoas que atendo não têm o nome com o qual se
apresentaram para mim. Encaro tudo isso com naturalidade, pois, ao menos no espaço dos prazeres
interditos, e sempre consensuais, um nome é sempre simbólico e para apimentar as horas juntos, ao
alçar nossas fantasias a limites inimagináveis, qualquer nome serve. Não é à toa que no momento
ápice de uma relação sexual, muitos homens e mulheres gostam de chamar seus parceiros de “minha
puta”, “vagabunda”, “vagabundo”, etc.

Aliás, não é preciso se tornar prostituta para satisfazer os desejos, essa foi uma escolha minha. Os
cartazes nas manifestações da “Marcha das Vadias” explicitam bem essa ideia: “NEM SANTA,
NEM PUTA: MULHER”. Essas manifestações questionam o imaginário do fim do século XIX, mas
ainda comum em nossos dias, no qual as mulheres não têm direito a viver seus próprios desejos
sexuais sem serem consideradas vadias ou putas.

Na verdade, o desejo de assumir o controle sobre o universo secreto da sexualidade existe tanto em
homens quanto em mulheres, mas este é um universo que não somos incentivados a explorar ou
almejar. Ter autonomia para definir o que pode ou quer na hora H, atuar, interpretar um papel, enfim,
desejar e querer ser desejado, visando o prazer, faz parte do ser humano.

Em mim, há o ímpeto de buscar o novo, os prazeres que ainda não senti ou fiz sentir, e não tenho
preconceito nenhum em relação às oportunidades que me aparecem, assim como não receio o erro ou
o arrependimento ao fim dessa travessia. Importam-me mais as experiências e as impressões durante
essa navegação, quando me encontro suspensa em uma terceira margem que está além do senso
comum. Nas veredas do Grande sertão, que é nossa existência, “viver é muito perigoso”. Viver,
assumindo algumas obscenidades, dá ao perigo novas cores, novas sensações, novos tesões e novos
gozos.

Rompendo algumas amarras…

Enquanto eu cursava a faculdade tive pouco tempo para me aventunii no universo da prostituição. O
curso de letras na Universidade Federal de São Carlos exigia muito do meu tempo. Afinal, tratava-se
de uma universi dade púbica, reconhecida como uma das melhores do estado de São Paulo; e eu
realmente queria me dedicar aos estudos. Desde sempre os estudos contribuíram para minha
formação como pessoa, permitiram ampliar m i nha capacidade crítica e a capacidade de me
autoafirmar.

Ao longo de três anos conheci várias pessoas da internet, mas a minha preocupação com os estudos e
com o trabalho de professora me ocupavam muito. Então, aguardei até o último ano da faculdade,
quando já havia cumprido todas as disciplinas mais exigentes de minha grade curricular, para
retomar com força total as minhas aventuras sexuais. Passei então .1 divulgar meu trabalho como
acompanhante, assinando como Lola Ben venutti.

Criei um blog, com a ajuda de uma amiga, e passei a escrever sobre minhas experiências com os
clientes no blog. Chegou um ponto em que eu cansei de me esconder e, embora já tivesse
escancarado minha verdade nos sites, meus pais ainda não sabiam da escolha que eu havia feito.
Esse foi meu maior conflito. Eu queria contar, mas não sabia como, e morria de medo da reação
deles.

Algumas amigas chegaram a sugerir que eu não contasse a eles, que deixasse que eles descobrissem,
mas eu não aguentei. No dia em que de cidi compartilhar a minha escolha com eles, meu irmão foi o
primeiro a saber. Contei quando estávamos passeando de carro e não disse com todas as letras.
Disse que eu saía com pessoas que me proporcionavam algo em troca. Lembro-me perfeitamente de
sua expressão de decepção. Ele ainda me pediu que não contasse a minha mãe, mas eu disse que não
tinha jeito. Era melhor eu contar antes que alguém o fizesse.

Antes de começar a falar, o choro me tomou e comecei a soluçar. Minha mãe ficou preocupada
querendo saber o que havia acontecido. Contei a história como pude e as lágrimas escorreram do seu
rosto. Ela não estava surpresa, mas muito decepcionada, triste e dilacerada. Aquilo me doeu, mas eu
sabia que era melhor assim. Depois de dizer tudo a ela, minha mãe me perguntou se eu contaria ao
meu pai e eu disse que sim, mas que precisaria me preparar antes.

No entanto, antes que eu pudesse ter me preparado para contar, ela se adiantou e disse tudo ao meu
pai. Eu me senti traída, pois entendia que minha mãe não tinha o direito de antecipar uma notícia que
só eu podia dar, só eu podia explicar.

Não tive coragem de ligar pra ele e o silêncio que se seguiu nesses meses, entre mim e meu pai, foi
mortificante. Um tempo depois conversamos pessoalmente. Segurei a emoção o quanto pude e falei
com convicção sobre o caminho que eu havia escolhido. Eu via a tristeza nos olhos do meu pai,
inconformado por ouvir sua filhinha dizendo que gostava de transar com outras pessoas cobrando
tributos e que achava isso uma coisa muito natural. Falar abertamente me fez sentir bem. Houve um
momento em que ele chorou, acho que foi quando se deu conta de que tudo aquilo que havia sonhado
para a filha havia se perdido. Poucas vezes eu vi meu pai chorar. Eu sabia o tamanho de sua
decepção e aquilo doeu muito em mim, mas eu já não podia mudar o que havia escolhido. Estava
feito. Não tinha mais volta.

Com muito pesar, ele me disse que nunca pactuaria com aquilo e que preferia que eu nunca tocasse
no assunto com ele. Para mim, essa foi a atitude mais nobre do meu pai. Embora as pessoas ao seu
redor dissessem para ele me bater, me obrigar a andar na linha e me deixar de castigo, meu pai sabia
que eu já era um pássaro livre e que nada disso adiantaria. O meu destino só a mim dizia respeito.

Ele nunca me renegou. Saía comigo para os bares, festas e casamentos, andava de mão dada pelas
ruas e fazia questão de dizer que eu era sua filha. Acho que no fundo ele sabia sobre o meu
sofrimento de tê-lo feito sofrer. Assim, acho que com essas ações ele tentava amenizar a nossa dor
mútua.

Enquanto isso, minha mãe se distanciava cada vez mais de mim. I1, quando eu me oferecia para pagar
alguma coisa ou ajudar nas despesas da casa, ela insinuava que meu dinheiro era sujo e que não
queria ajuda. Isso me magoava muito. De qualquer modo, eu achava que ela precisaria de tempo para
compreender minhas decisões e eu esperaria o tempo que fosse necessário. Eu achava que em breve
as coisas iriam se acertar. Mal sabia eu do furacão que estava por vir e que mudaria definitivamente
a minha vida.

Booom! Lola Benvenutti

Eu estava em uma festa de recepção de calouros do curso de Letras na universidade quando encontrei
com um amigo que estava trabalhando em um jornal online da cidade. Ele me convidou a dar uma
entrevista para o jornal e eu pensei “Bom, todo mundo já sabe mesmo. Não vejo problema”. Essa
primeira entrevista gerou falatório na cidade e não demorou muito até que um jornalista do portal de
notícias de uma das maiores emissoras brasileiras, Gl, entrasse em contato comigo. Ainda assim, não
achei que a notícia teria repercussão. Imaginei que ela sairia no rodapé da página do Gl de São
Carlos e que as pessoas nem dariam importância. Assim, apenas mencionei ao meu pai o fato,
dizendo a ele que não teria repercussão.

Para meu espanto, dois dias depois, o meu celular não parava de tocar, recebendo ligações de todo o
Brasil e do exterior me parabenizando por minha postura e minha coragem em assumir convictamente
meus desejos, ou ainda, querendo saber um pouco mais sobre mim e minha história.

Quando ocorreu essa explosão sobre Lola Benvenutti, minha família, após a minha exposição na
mídia, se afastou completamente de mim. Meu pai porque dizia que eu havia mentido para ele e que
eu sabia que tudo isso iria acontecer. E minha mãe porque não suportava o desgosto e a vergonlia de
ter todos os dedos da cidade apontados para si, no momento em que ainda tentava se recuperar do
choque que teve quando contei a ela pela primeira vez.

Percebi que era um momento de mudanças. Fiz uma mala e fui para a megalópole São Paulo, sem
conhecer nada nem ninguém. Fui em busca de meus antigos sonhos: morar na capital, que oferece
inúmeras possibili dades de conhecer pessoas e lugares interessantes, e também continuar es
tudando, mas para isso eu precisa alugar um apartamento e me estabelecei . Encontrei um
apartamento adequado, mas o proprietário exigia um fiador. Eu não tinha a quem recorrer senão ao
meu pai. Ele aceitou, contanto que fosse a última coisa que eu lhe pedisse.

Quando nos encontramos para que ele assinasse os papéis, o modo seco como nos cumprimentamos
— sem beijo, sem abraço e sem sorriso, logo meu pai, que todas as noites me dava beijo de boa noite
e me cobria antes de dormir - evidenciou que, se eu havia ganhado a minha liberdade, havia perdido
um bem muito precioso: a família.

Apesar de todos os percalços iniciais, logo as coisas começaram a funcionar. Após um longo
período de silêncio, meu pai me mandou uma mensagem, pedindo que ligasse para contar como
estavam as coisas. Tardei a criar coragem e quando finalmente consegui ligar, um choro convulsivo
tomou conta de mim e eu mal conseguia falar. Toda a falta que eu sentia do meu pai explodiu ali e
isso o comoveu.

Nós nos encontramos e o abraço, demorado e apertado, foi de um pai triste e saudoso da filha —
agora só uma garotinha indefesa buscando a aprovação do pai. Sei o quanto foi difícil para ele,
militar, vindo de família tradicional e conservadora, aceitar que aquela era eu, sua filha, sangue do
seu sangue, e que, a despeito das atitudes “erradas”, nosso amor estava acima de tudo.

O único momento triste do nosso encontro foi quando falamos de minha mãe. Ele sempre me pediu
que tivesse calma com ela e que desse tempo para que as feridas cicatrizassem. Esperei o tempo que
pude, tentei ligar, mandei mensagens… Minha mãe manteve o silêncio.

Depois de um tempo, no dia do meu aniversário, decidi tentar mais uma vez. Reuni toda a coragem
que havia dentro de mim e a chamei para comer um pedaço de bolo.

— Não tenho o que comemorar… não tenho o que falar…

Novamente o choro tomou conta de mim e eu fiquei ali, parada atrás da porta, sem saber o que fazer.
Meus soluços eram uma súplica. Ela então abriu a porta. Nunca vou me esquecer da conversa que
tivemos aquc-le di.i Choramos tanto e colocamos tudo para fora. O abraço de reconciliarão (oi o
melhor abraço que eu já recebi dela e talvez minha maior felicidade na vida.

Embora tudo isso tenha sido muito difícil, eu aprendi a valorizar .1 mulher forte que minha mãe
sempre foi. Hoje, mais do que nunca, en tendo a dificuldade de se manter uma casa, de ser
independente e ter fibra para enfrentar as batalhas do dia-a-dia.

Ao tentar rememorar o passado, dou-me conta de que o mais impor tante é que mesmo o menor dos
acontecimentos contribuiu para formar <) meu caráter. Hoje sou independente, posso conhecer
pessoas novas todos os dias, ter colegas, me divertir… Embora eu more sozinha, nunca me sinto só e
tenho em mim todos os sonhos do mundo.

O prazer é todo nosso

Faiar sobre o corpo é, em essência, falar sobre ele no mundo, o qual é alimentado por antigos e
novos mitos a todo o momento. Para mim, o mais prazeroso de tudo é o aprendizado contínuo e as
percepções sobre nós mesmos e sobre nosso corpo, que é sempre peculiar e único.

Tentei mostrar neste livro que são muitas as possibilidades de se obter prazer, mas isso depende do
reconhecimento de nossos desejos. O que é preciso no final das contas é que sejamos honestos com
nós mesmos e tenhamos coragem de assumir o que somos e gostamos de fazer, vivendo nossas vidas
livres de amarras e preconceitos.

Todavia, independentemente das escolhas individuais, ligadas principalmente à sexualidade, é


preciso haver a consciência de que se trata sempre e tão somente de seres humanos, pessoas com
desejos e sentimentos. As pessoas não devem ser enquadradas em estereótipos, pois fazer isso é
deixar de conhecer as outras qualidades (e mesmo defeitos) de alguém. Cada um faz suas escolhas,
mas o mais importante é que as mesmas sejam respeitadas.

Espero que, a partir da leitura deste livro, você se permita explorar o labirinto que é o seu próprio
corpo, arcabouço de sedentos desejos e fetiches. Permita-se acelerar o percurso nas curvas do
desejo em companhia de outros corpos, pois experiências novas, não necessariamente tão radicais
quanto as minhas, têm o poder de mudar não apenas nossa vida sexual, mas também a maneira como
nos vemos e nos colocamos no mundo.

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