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AULÃO DE PORTUGUÊS – PROF.

CLÁUDIO LIRA

Sketchs*

– Valeu, mermão? Tu traz o berro que nóis vamo rendê o caixa bonitinho. Engrossou, enche o
cara de chumbo. Pra arejá.
– Podes crê. Servicinho manero. É só entrá e pegá.
– Tá com o berro aí?
– Tá na mão.
Aparece um guarda.
– Ih, sujou. Disfarça, disfarça...
O guarda passa por eles.
– Discordo terminantemente. O imperativo categórico de Hegel chega a Marx diluído pela
fenomenologia de Feurbach.
– Pelo amor de Deus! Isso é o mesmo que dizer que Kierkegaard não passa de um Kant com
algumas sílabas a mais. Ou que os iluministas do século 18...
O guarda se afasta.
– O berro, tá recheado?
– Tá.
– Então vamlá!

Veríssimo, Luís Fernando. As aventuras da família Brasil. O Estado de São Paulo, 08/03/1998.
*Flagrantes

01. A crônica satiriza os diferentes valores sociais atribuídos a variantes linguísticas específicas.
Na situação relatada, os assaltantes buscam afastar a suspeita sobre seus atos por meio

A) da mudança de um vocabulário típico de uma região periférica do país para uma fala
específica dos centros urbanos.
B) da transformação de uma conversa informal entre amigos em um diálogo que demostra uma
relação distante.
C) da troca de vocábulos arcaicos e em desuso pelo emprego de estruturas e termos
contemporâneos.
D) da substituição de uma conversa baseada na língua padrão por uma marcada por gírias e
neologismos.
E) do abandono de termos que denotam uma classe social mais baixa e da utilização de um
vocabulário atribuído a uma classe mais alta e instruída.
02. A campanha do Ministério da Saúde, por meio da interação entre recursos verbais e não
verbais, argumenta contra a ideia de que, para ser doador de sangue, é

A) indicado escolher um paciente.


B) necessário conhecer o paciente.
C) obrigatório saber a doença do paciente.
D) importante ser do mesmo grupo sanguíneo do paciente.
E) preciso autorização da família do paciente.

Em todas as construções chamadas de gerundismo, o traço fundamental, ou seja, o principal


fato linguístico, é a presença do verbo estar depois de outro auxiliar. (...) O leitor não suspeitaria
jamais que a frase abaixo consta do texto que consagra a Nomenclatura Gramatical Brasileira
(Portaria 36, de 28 de janeiro de 1959). 1959! Bem antes do telemarketing, portanto! Sublinho os
três auxiliares, que resultam num típico caso do que (...) chamam de gerundismo:

“Podem alguns verbos estar modificando toda a oração”.

Se a oração fosse enunciada na “ordem direta”, isto é, se o sujeito não fosse posposto ao
primeiro auxiliar (“Alguns verbos podem estar modificando”), o tal do gerundismo seria ainda
mais típico. Mas isso não muda o fato de que esse texto legal absolutamente padrão e redigido
por gramáticos contém o que alguns consideram um vício horrível...

POSSENTI, Sírio. Disponível em http://www.letras.ufscar.br

03. O texto aborda um fenômeno linguístico chamado gerundismo (uso inadequado do verbo no
gerúndio). A respeito disso, o autor argumenta que o fenômeno, em relação à norma-padrão da
língua,

A) é um vício de linguagem, exceto quando na presença do verbo “estar” depois de outro verbo
auxiliar.
B) não é um vício de linguagem, pois pode ser encontrado em textos da norma culta padrão.
C) é um vício de linguagem, utilizado em situações informais, como a linguagem de
telemarketing.
D) não é um vício de linguagem, uma vez que é recomendado pela Nomenclatura Gramatical
Brasileira.
E) é um vício de linguagem, condenado pela Nomenclatura Gramatical Brasileira, desde 1959.

TEXTO I

Sem o trema, como distinguir a pronúncia de ‘equidade’ e ‘equiparar’?

“Caro Sérgio, [...] gostaria de dividir com você uma singela angústia – a supressão do trema
após a entrada em vigor do Acordo Ortográfico. Permito-me a opinião de que a extinção do
famigerado diacrítico foi um grande desserviço. Gerações lusófonas posteriores, deparadas com
vocábulos como ‘equidade’ e ‘equiparar’, poderiam se perguntar: ‘Onde reside a diferença
fonética entre esses termos, se ambos possuem o mesmo radical?’ [...] Talvez seja intransigência
de minha parte, mas escrever ‘linguiça’ sem o trema ainda me causa um certo fastio.” (Luís
Carlos Durans)

Disponível em http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras

TEXTO II

Depois, tem gente que reclama do fim do trema porque, supostamente, um dia não se vai
mais saber como pronunciar “linguiça” (a falta do trema levaria a não dizer mais o ‘u’). Ora, ora!
É por isso que se precisa dos acadêmicos! Eles sabem que não se lê uma língua. Escreve-se
uma língua!! A verdade é que ‘lingüiça’ (esta grafia antiga) se escrevia assim porque o ‘u’ é
pronunciado, não o contrário. Se fosse assim, quem não sabe ler não falaria. Ora, ora, ora!!!

04. Os textos I e II apresentam opiniões sobre o fim do uso do trema e, com relação ao acordo
ortográfico implementado em 2009,

A) concordam entre si, pois ambos acreditam que a pronúncia das palavras será prejudicada.
B) discordam entre si, pois o segundo autor acredita que a pronúncia das palavras será
modificada, diferentemente do primeiro autor.
C) concordam entre si, pois ambos acreditam que a palavra está relacionada à escrita.
D) discordam entre si, pois o segundo autor acredita que a pronúncia das palavras será mantida,
diferentemente do primeiro autor.
E) concordam entre si, pois ambos acreditam que não será possível diferenciar as palavras.

[...]
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
[...]

Carlos Drummond de Andrade.

05. No fragmento do poema Procura da Poesia, as palavras são colocadas em destaque. Isso
revela que, além da função poética, também está presente a que busca

A) despertar no leitor sentimentos de amor pela poesia.


B) transmitir uma mensagem de caráter objetivo.
C) estabelecer uma comunicação com o leitor.
D) informar o leitor sobre a origem das palavras.
E) conceituar metaforicamente as palavras.

A um poeta

Longe do estéril turbilhão da rua,


Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, no silêncio e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego


Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica, mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplício


Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade,


Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.

BILAC, Olavo. Antologia Poética - Porto Alegre, RS: L&PM, 2012. p. 68

06. O soneto de Bilac, como evidencia o seu título, pode ser entendido como uma profissão de
fé, ou antes, uma espécie de programa poético em que se expõem certos atributos necessários
a alguém que deseja se tornar poeta. A escrita poética exigida por esse programa tem como
característica fundamental a

A) impaciência.
B) contestação.
C) intransigência.
D) espiritualidade.
E) perfeição.

Recentemente uma solução tem chamado a atenção de muita gente que sofre de daltonismo:
algumas dessas pessoas puderam sentir a emoção de ver as cores pela primeira vez, ao usarem
um par de óculos especial criado pela empresa EnChroma.
Após diversas pesquisas sobre genética e anomalias relacionadas a fotopigmentação, foram
criados finalmente modelos de óculos de alta tecnologia para venda. O efeito sobre a forma como
as pessoas com daltonismo percebem as cores pôde ser finalmente modificado.
O óculos funciona da seguinte maneira: a lente ‘filtra’ as cores específicas e segmenta os
fotopigmentos.
Essa filtragem separa os cones vermelhos e verdes sobrepostos, ajudando a melhorar a visão
de quem tem dificuldade de enxergá-las.

Disponível em http://followthecolours.com.br. Adaptado

07. O texto relata o uso de um aparato tecnológico como meio de desenvolvimento da sociedade,
visto que ele permite

A) o diagnóstico do problema de visão.


B) o avanço de pesquisas em visão humana.
C) a correção momentânea de uma deficiência visual.
D) a percepção de cores incomuns ao olho humano.
E) a identificação de uma anomalia genética nos olhos.
08. A tira apresenta uma situação em que a língua é colocada em evidência, discutindo o
problema
A) do descaso com a norma-padrão, pois a outra personagem não compreende a fala da
primeira.
B) da incompreensão de uma variação regional, pois uma personagem não compreende a fala
característica da prima que mora em outra região.
C) do preconceito linguístico, pois há um julgamento depreciativo de uma variedade linguística.
D) da evolução da língua, pois os termos utilizados pela personagem do último quadrinho caíram
em desuso.
E) do descaso com a norma-padrão, pois uma das personagens construiu um enunciado
incorreto.

O mundo não é feito para pessoas gordas. É importante lembrar também que nesse mundo,
o tempo todo, é dito que no caminho para felicidade ser magra está em um dos requisitos básicos.
Quando uma menina gorda se aceita, se ama e é feliz com seu tamanho, ela está “furando a
fila da felicidade”, não está seguindo o manual e para muitas outras pessoas isso é um problema,
uma injustiça. Afinal, a pessoa está ali tentando se encaixar nos padrões impossíveis de beleza,
se esforçando e se abalando diariamente com isso e vem uma fulana, obviamente fora dos
padrões, e é feliz. Além de ela ainda querer reivindicar um mundo que aceite ela assim. Ah não!
Vamos reclamar, vamos lembrar a ela que isso é um problema e isso não pode. Ela não pode
existir desse tamanho, logo, os problemas dela, por ser gorda, também não existem. Vamos
silenciá-la pra ela voltar a querer ser magra como todas nós.

Disponível em http://www.revistacapitolina.com.br

09. A coesão é um recurso muito importante para a produção textual. No texto, o termo destacado

A) “nós” se estende às mulheres magras brasileiras.


B) “seu” se refere ao tamanho do caminho para a felicidade.
C) “ela” recupera a pessoa que tenta se encaixar nos padrões.
D) “isso” remete à reivindicação de um mundo mais tolerante.
E) “Vamos” retoma pessoas que são satisfeitas com seus corpos.

TEXTO I

Divino, maravilhoso

Atenção ao dobrar uma esquina


Uma alegria, atenção, menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão

Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Atenção para a estrofe e pro refrão


Pro palavrão, para a palavra de ordem
Atenção para o samba exaltação
[...]
Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão
[...]

TEXTO II

Apenas um rapaz latino-americano

Eu sou apenas um rapaz


Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior

Mas trago de cabeça


Uma canção do rádio
Em que um antigo
Compositor baiano
Me dizia
Tudo é divino
Tudo é maravilhoso
[...]
Tenho ouvido muitos discos
Conversado com pessoas
Caminhado meu caminho
Papo, som, dentro da noite
E não tenho um amigo sequer
Que ainda acredite nisso não
Tudo muda!
E com toda razão
[...]

Mas sei
Que tudo é proibido
Aliás, eu queria dizer
Que tudo é permitido
Até beijar você
No escuro do cinema
Quando ninguém nos vê

Não me peça que eu lhe faça


Uma canção como se deve
Correta, branca, suave
Muito limpa, muito leve
Sons, palavras, são navalhas
E eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém

Mas não se preocupe meu amigo


Com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção
A vida realmente é diferente
Quer dizer
A vida é muito pior

[...]

Mas sei que nada é divino


Nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é secreto
Nada, nada é misterioso, não

10. O texto I foi produzido em 1968, e o II, em 1976. O primeiro é de Caetano Veloso, e o
segundo, de Belchior. Ao relacionarmos os dois textos, percebe-se que o texto II faz referência
ao texto I, a partir do recurso estilístico da intertextualidade. Quanto a essa estratégia
argumentativa, pode-se afirmar que o texto do compositor cearense

A) corrobora a mensagem do texto I.


B) complementa informações não explícitas no texto I.
C) cria uma nova interpretação a certos trechos do texto I, requalificando-os.
D) reitera as ideias e as imagens do texto I.
E) sugere interpretação diferente do texto I quanto a “temer a morte”.

Disponível em: kmartinsp.blogspot.com.br.html. Acesso em :25 jan. 2015.

11. Cada grupo social constrói historicamente um senso estético que se reflete em todas as
esferas da vida. Esse senso estético pode ser verificado nas manifestações políticas, na moda,
nas artes e, inclusive, no padrão de beleza corporal. Considerando isso, a charge do cartunista
Jean visa
A) promover o materialismo da sociedade atual.
B) ironizar o padrão de beleza contemporâneo.
C) mostrar a realidade da indústria da moda.
D) indicar que o padrão de beleza atual valoriza a falta de cérebro.
E) denunciar a falta de critério nos concursos de beleza.

TEXTO I

A TV conta com uma série de aspectos que a diferenciam do cinema [...]. A linguagem se
apresenta de forma diferenciada: uma tela muito menor que a do cinema necessita do uso
constante de close-ups*, planos detalhe etc. Não seria possível atentar-se para elementos
menores – literalmente, em termos de tamanho – da narrativa, sem a aproximação da câmera.
Isso faz com que seja necessário cortar sempre, e observamos um grande número de planos e
contraplanos nas novelas. Além disso, a expressão dos atores está sempre muito evidenciada:
a lágrima, o sorriso, a falsidade, tudo deve ficar exposto de forma muito mais teatral que no
cinema. [...] Há um grande número de diálogos: tudo deve ser claro. *Close-up: enquadramento
de algo ou alguém, obtido por aproximação da câmera.

Disponível em: http://www.midiaeduca.uff.br. Acesso em: 21 jan. 2016.

TEXTO II

Renato: — Alguém viu o Caio?


Guilherme: — (Indicando Caio) Logo ali...
Corta para Caio sendo entrevistado, fora de áudio, cercado de mulheres. Renato vai a ele.
Corta para Darlene bebericando seu champanhe. Caio vem até ela.
Caio: — Como é que vai, linda? Bom te ver aqui...
Darlene: — (Caindo de charme) Caio Mendes! Duas piscinas azuis no olhar... Eu já tinha te visto,
mas você estava tão cercado...

BRAGA, G. Celebridade (roteiro), Rede Globo, 2003, capítulo 110. Disponível em:
http://www.roteirodecinema.com.br. Acesso em: 21 jan. 2016 (adaptado).

12. As linguagens de diferentes mídias possuem suas peculiaridades. O Texto II exemplifica a


linguagem comentada no Texto I por meio

A) das rubricas presentes no roteiro.


B) da utilização de cortes de cenas.
C) da gravação em um único plano.
D) da grande expressividade dos atores.
E) do número reduzido de diálogos.

— Não é loucura não, Chico. É apenas o petróleo. Quem deu 230 mil cruzeiros pelo seu sítio vai
tirar dele alguns milhões. Você não pensou nisso.
— A senhora está se referindo ao tal criosene? Ah, então a senhora, que é uma velha de juízo,
também aquerdita nisso? Criosene nada. O que deu nessa gente foi loucura, isso ninguém me
tira da cabeça. Eu vou fugindo daqui com os cobres antes que eles se arrependam e me assaltem
a casa pra pegar outra vez os pacotes.
— Então guarda consigo o dinheiro, Chico? Não sabe que é perigosíssimo?
— Onde eu haverá de guardar então?
— No banco, homem de Deus! Para isso é que há bancos.
Chico Pirambóia deu uma grande risada, muito parecia com a do Coronel Teodorico.
— Banco! Banco! ... Tinha graça eu guardar 230 mil cruzeiros, dinheirinho novo, num banco pros
outros tomar conta dele. Ah, ah, ah!...
Um mês mais tarde Dona Benta teve notícia dos dois matutos — do compadre Teodorico e do
Chico Piramboia. Este fora vítima dum assalto à mão armada em pleno dia, e como levasse todo
o seu dinheiro num lenço vermelho, ficou sem o dinheiro e sem o lenço. Moeram-no a pancadas.
Não fosse a sua natureza extraordinariamente rija de caboclo criado na miséria do sapezeiro e
já estaria no outro mundo.

LOBATO, M. O Poço do Visconde. Companhia Editora Nacional: São Paulo, 1937. 1ª edição, p
137-138.

13. No trecho acima, Dona Benta e Chico Piramboia, moradores da zona rural do interior de São
Paulo e personagens da obra Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato, trazem, em seu
registro linguístico, expressões representativas de

A) diferentes variantes: enquanto ela utiliza palavras como o advérbio “extraordinariamente”, ele
faz uso de “pros”, uma modificação de “para os”, marca da variante histórica.
B) diferentes variantes: enquanto ela utiliza palavras como o substantivo “loucura”, marca do
registro formal, ele faz uso de “dinheirinho”, marca de variante regional.
C) diferentes variantes: enquanto ela utiliza palavras como o superlativo “perigosíssimo”, formal,
ele faz uso de “aquerdita”, uma modificação de “acredita”, marca de variante regional.
D) mesma variante: ela utiliza palavras como “cruzeiros” e ele faz uso de “cobres”, palavras
sinônimas na variante histórica.
E) mesma variante: ela utiliza expressões verbais como “Moeram-no”, e ele faz uso de
“Criosene”, uma modificação de “querosene”, ambos marcas de variante regional.

Há um debate sendo travado, neste momento, em redações por todo o mundo, sobre a
permanência da caixa de comentários em blogs, artigos ou reportagens. Pois, se, por um lado,
ela é um instrumento para a troca de ideias e a construção coletiva do conhecimento, por outro,
também se tornou um ambiente para a desinformação, onde trolls* e comentaristas profissionais
atuam de forma sistemática para atacar – não raro de forma violenta – em nome de suas
posições, tornando-a, assim, uma trincheira sangrenta no rodapé dos textos. [...]
Tenho uma experiência pessoal sobre o assunto. No dia 17 de março de 2015, fechei meu
blog para comentários por tempo indeterminado. [...]Cheguei à conclusão de que não poderia e
não deveria manter um espaço em que as pessoas se encontrassem não com o objetivo de
dialogar e defender suas posições, mas para destilar ódio, difamar e ameaçar. Ou seja, a área
de comentários havia deixado de acrescentar e passou a tirar.

*trolls: pessoas que, em perfis falsos ou verdadeiros, agem na web com o objetivo de causar
discórdia e confusão, provocando intencionalmente outras pessoas.

SAKAMOTO, L. A história do fim dos comentários na Internet. Disponível em:


http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br. Acesso em: 19 out. 2015 (adaptado).

14. Ao afirmar que os comentários em blogs, artigos ou reportagens se tornaram uma “trincheira
sangrenta no rodapé dos textos”, o autor argumenta que a caixa de comentários

A) expressa opiniões e, portanto, fechá-la seria uma atitude antidemocrática e opressora.


B) é fundamental para a opinião, apesar de também haver pessoas interessadas em criar
discórdia.
C) é importante para propiciar a troca de ideias e a construção coletiva de conhecimentos.
D) perdeu os limites para a expressão de opinião, ocasionando casos de violência e
desentendimento.
E) é dedicada à atuação de comentaristas profissionais e trolls, ou seja, pessoas interessadas
em causar discórdia.

TEXTO I
-Ei, bichim... Isso é um assalto... Arriba os braços e num se bula nem faça muganga... Arrebola
o dinheiro no mato e não faça pantim se não enfio a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra
fora! Perdão, meu Padim Ciço, mas é que eu tô com uma fome da moléstia.

TEXTO II

-Ô, sô, prestenção... Isso é um assarto, uai... Levanta os braço e fica quetim quesse trem na
minha mão tá cheio de bala... Mió passá logo os trocado que eu num tô tão bão hoje. Vai
andando, uai! Tá esperando o quê, uai!

TEXTO III

-Seguinte, bicho... Tu te deu mal. Isso é um assalto. Passa a grana e levanta os braços, rapá...
Não fica de bobeira que eu atiro bem pra... Vai andando e, se olhar pra trás, vira presunto...

Disponível em http://www2.ee.ufpe.br

15. Os três textos transmitem a mesma mensagem, porém, de maneira diferente. Tal diferença
decorre

A) do número de erros gramaticais cometidos.


B) da classe social a que cada falante pertence.
C) do uso de expressões regionais características.
D) da peculiaridade de cada texto.
E) do nível de formalidade utilizado por cada falante.

Disponível em http://linguaportuguesafernanda2014.blogspot.com.br

16. O efeito de humor da charge consiste em insinuar que

A) os casais estão vivendo relacionamentos mais próximos e duradouros, graças ao uso das
redes sociais.
B) o uso de ferramentas digitais possibilitou o surgimento de novos padrões de comportamento.
C) as redes sociais contêm ferramentas que permitem aos casais terem mais privacidade em
relação a seus conteúdos postados.
D) o Facebook e o Twitter incentivam mais a “curtição” presencial que a virtual, mesmo em um
ambiente real.
E) o uso de ferramentas digitais aguça o processo criativo dos casais em momentos de
intimidade.
Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca,
voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol.
Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que
perdemos? Por que, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de
humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo. Na já
citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem
do empate. Pois bem: — e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: —
porque Obdulio* nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos.
Eu vos digo: — o problema do escrete** não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática.
Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo.
O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e
vender, lá na Suécia. Uma vez que ele se convença disso, ponham-no para correr em campo e
ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota.

*Obdulio: Obdulio Vrela, capitão da seleção uruguaia venceu o Brasil na Copa do Mundo de
1950.
**escrete: gíria futebolística referente ao conjunto de jogadores de um time.

RODRIGUES, N. Complexo de Vira-latas. À sombra das chuteiras imortais.


Companhia das Letras, 1993 (adaptado).

17. Um dos mais influentes dramaturgos brasileiros, Nelson Rodrigues também se destacou
escrevendo crônicas esportivas, que, como no caso do trecho selecionado, publicado na
segunda metade da década de 1950, podem soar bastante atuais. No trecho, é possível inferir
que

A) o “complexo de vira-latas” diz respeito à inferioridade da seleção brasileira frente a outras


seleções.
B) segundo o autor, a seleção brasileira pode treinar, mas não tem técnica nem tática suficientes
para vencer a Suécia.
C) o autor considera as seleções brasileiras de futebol anteriores melhores que a de então.
D) o “complexo de vira-latas” surgiu a partir das jogadas violentas de Obdulio, que tratou os
jogadores brasileiros como cachorros.
E) a expressão “complexo de vira-latas” traduz o conceito irreal de inferioridade que o brasileiro
em geral faz de seu povo, seja em relação ao futebol ou a outros aspectos.

18. O efeito de humor da tirinha dá a entender que

A) graças aos conteúdos divulgados nas redes sociais as pessoas ficam mais idiotas.
B) a consciência em relação às idiotices presentes nas redes sociais não muda o comportamento
dos usuários.
C) o uso de ferramentas digitais controla o tempo e o comportamento das pessoas nas redes
sociais.
D) as idiotices presentes nas redes sociais tornam os usuários mais críticos.
E) o uso de ferramentas digitais impede o processo criativo dos usuários.
Crimes de Ódio na Internet

Cada vez mais a Internet concentra em seu conteúdo discursos de ódio explicitamente
criminosos que incitam severas discriminações. Por permitir o anonimato e por parecer um
terreno em que prevalece a impunidade, as redes sociais virtuais (exemplo: Orkut, Facebook,
Twitter, Blogs, E-mails, Fóruns Virtuais de Discussão e etc) apresentam grandiosa presença de
discursos racistas, homofóbicos, xenófobos, bairristas, intolerantes com certas religiões, hábitos,
costumes e até mesmo com deficientes físicos e mentais.

Disponível em
http://guiadedireitos.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1036&Itemid=259

19. No fragmento do texto temos uma sequência de adjetivos modificando o substantivo


“discursos” − racistas, homofóbicos, xenófobos, bairristas. O sufixo “ista” e o radical “fobo”, usado
na formação dessas palavras, transmitem, respectivamente, ideia de

A) origem e estrangeiro.
B) partidário e aversão.
C) lugar e oposição.
D) partidário e semelhança.
E) origem e adversidade.

21 de julho – 19H

“O conto de aia” – Margaret Atwood


UGT
Rua José Bonifácio, 64
Centro
Participem! Divulguem!
Visualizado por 70
Confirme sua presença 😉

Quin 19:00 h UGT – Rua José Bonifácio, 59 – Ribeirão Preto – São Paulo – SP.
15 pessoas interessadas 13 pessoas confirmaram presença

20. Analisando as linguagens presentes nos textos – verbal e não verbal −, conclui-se que o meio
de comunicação usado para sua divulgação é

A) o jornal físico.
B) a revista semanal.
C) o outdoor.
D) o panfleto.
E) sites da internet.

A falência do sistema público de saúde não é só um fenômeno administrativo ou contábil.


Quem dera o fosse. Assim, seria mais fácil suportá-la, pois contas se arrumam. A questão é que
o desequilíbrio causado por uma gestão feita de pessoas perdidas em meio ao tiroteio entrou em
nossas casas pela porta da frente.
Acentua-se a tragédia da morte anunciada em corredores e filas de espera e suscita-se um
questionamento importante, pois os dados evidenciam que, apesar do pouco destinado, é o mau
uso dos recursos que estão disponíveis que aprofunda a crise.

Jornal Medicina Publicação oficial do Conselho Federal de Medicina. Janeiro 2016.

21. “Quem dera o fosse.” Os verbos empregados nessa frase do quinto parágrafo (verbo dar no
pretérito mais-que-perfeito do indicativo e verbo ser no pretérito imperfeito do subjuntivo)
contribuem para construir o sentido de que

A) o fenômeno administrativo e contábil gerado pelo desequilíbrio da gestão do sistema público


de saúde levou o país à falência.
B) o problema com a saúde nacional se circunscreve a questões de natureza administrativa ou
contábil.
C) a situação em que se encontra o sistema público de saúde não se restringe a questões de
natureza administrativa ou contábil.
D) a falência do sistema público de saúde brasileiro se resolve pela gestão equilibrada das
contas.
E) a saída para os problemas da saúde no Brasil é financeira, apenas.

Emoji é eleito pela 1ª vez a 'palavra do ano' pelo Dicionário Oxford


Universidade elege todo ano a palavra com maior 'significância cultural'.
Imagem venceu palavras como 'refugiado' e 'economia compartilhada'.
Um emoji foi eleito pelo Dicionário Oxford como a "palavra do ano" de 2015. O anúncio foi
feito pelas redes sociais da editora de dicionários da instituição britânica. Segundo a
universidade, é a primeira vez que a palavra do ano não é uma palavra, e sim uma imagem
pictográfica que simboliza uma palavra ou frase. No caso, a imagem vencedora representa um
"rosto com lágrimas de alegria".

Disponível em: http://g1.globo.com. 19 nov. 2015 (adaptado).

22. O fato de a “palavra do ano” de 2015, segundo a pesquisa do dicionário britânico Oxford, ter
sido um emoji, isto é, uma imagem pictográfica, representa

A) a banalização de assuntos mais importantes, já que a imagem venceu palavras como


“refugiado”.
B) a incorporação de imagens aos dicionários, que tradicionalmente apresentam palavras.
C) a maior utilização da linguagem visual pelos jovens, o que acarretará na dificuldade de se
escrever bem.
D) a substituição da linguagem verbal pela visual, visto que que a primeira está prestes a sumir
devido ao avanço tecnológico.
E) o aumento da linguagem visual nos textos contemporâneos, alterando as formas de
comunicação.

Um casal que não se falava há doze anos recusou-se a quebrar essa lei do silêncio, mesmo
para pedir o divórcio, noticia a imprensa inglesa de quarta-feira.
Patrícia Emerson mandou um bilhete a seu marido para lhe participar seu desejo de divorciar-
se. Este lhe respondeu no mesmo bilhete: “Pois não”.

VERGEZ, Michel. Pequenas histórias. Porto Alegre, L&PM, 1993. p.126.

23. Ao analisar os recursos expressivos verbais empregados na composição do texto, pode-se


inferir que

A) há coincidência entre o momento em que a imprensa inglesa revelou o fato e aquele em que
Patrícia Emerson realiza suas ações.
B) os verbos utilizados revelam que todas as ações textuais situam-se claramente no passado,
pois todos os verbos encontram-se no pretérito perfeito.
C) o verbo “noticia” assinala que há coincidência entre o momento em que a imprensa inglesa
revela o fato e o momento de realização da ação expressa pelo verbo.
D) além do momento de noticiar o fato, há um outro, futuro, no qual se deram as ações do casal.
E) os advérbios anulam sua participação no contexto comunicativo quando são colocados ao
lado de verbos.
24. O uso adequado das conjunções é fundamental para estabelecer a coesão de um texto. Os
conectivos escolhidos pelo autor da tirinha no diálogo do último quadro conduzem o conteúdo
para o campo da

A) causalidade, temporalidade e condicionalidade.


B) temporalidade, temporalidade e condicionalidade.
C) conformidade, temporalidade e condicionalidade.
D) causalidade, possibilidade e conformidade.
E) possibilidade, temporalidade e possibilidade.
O gás liquefeito para todos os brasileiros.
Presente no dia a dia dos brasileiros, o Gás LP é uma fonte versátil
de energia que impulsiona o crescimento e o bem-estar de todo o
país. Confira as vantagens que o Gás LP traz para empresas, indústrias,
agronegócios, restaurantes, comércios e, principalmente, a sua casa:
• Presença em 100% dos municípios brasileiros.
• Até 70% mais econômico que o gás natural.
• Até 25% mais econômico que o chuveiro elétrico.
• Energia limpa.
• Energia versátil: soluções sob medida.

25. A estratégia argumentativa usada pelo autor da peça publicitária para persuadir o interlocutor
é

A) o raciocínio lógico, relacionando as exigências técnicas.


B) a comparação, enfocando outros produtos concorrentes.
C) a indução, elaborando um discurso apelativo.
D) a prova concreta, expondo a eficiência do produto.
E) o consenso, destacando a unanimidade na aceitação do produto.
Mulheres alteradas 3. Trad. Ryta Vinagre. Rocco: Rio de Janeiro, 2003

26. A partir da análise da linguagem verbal utilizada na tira, infere-se que as personagens
revelam-se como falantes de uma certa variedade linguística, identificada como

A) urbana, falada por habitantes de uma metrópole.


B) rural, característica de moradoras do interior do país.
C) formal, utilizada pelas classes sociais abastadas.
D) semiescolarizada, comum em comunidades pobres.
E) culta, obediente às normas gramaticais.

Aluno terá que indenizar professor por ofensas publicadas no Facebook

Um estudante de São Paulo terá de indenizar um professor devido a postagens ofensivas


no Facebook. A decisão da 5ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo
(TJ-SP) determina que o professor receba R$ 10 mil por danos morais. [...]
O jovem terá de arcar pessoalmente com ônus pois já era maior de idade quando a sentença
foi proferida. [...]
O desembargador James Siano, que relatou o caso, declarou que a sentença tem por objetivo
coibir a repetição desse tipo de conduta.

Gazeta do Povo. A Redação. 19/02/2016

27. Pela leitura do fragmento da reportagem, podemos afirmar que a sentença do juiz contradiz
a seguinte fala sobre a internet:

A) “Dormir cedo é pra quem não tem internet.”


B) “É impossível pensar num mundo sem internet.”
C) “Na internet você pode ser quem você quiser.”
D) “A internet é terra de ninguém.”
E) “Hoje se aprende tudo na internet.”

28. Na propaganda e publicidade, é comum o predomínio da função conativa ou apelativa da


linguagem, pois a mensagem tem como foco o interlocutor. No entanto, na peça publicitária em
questão, pelo modo inovador e surpreendente do uso do código linguístico e de outros recursos
expressivos, evidencia-se a função
A) referencial ou informativa.
B) poética.
C) metalinguística.
D) fática.
E) emotiva ou expressiva.

Quando se iniciaram as análises das gravações do Projeto NURC/SP*, havia a expectativa


de se encontrar nos diálogos e entrevistas a linguagem de falantes que correspondesse à
classificação antecipada de culta. Porque na escolha desses informantes foi levada em conta
sua formação universitária e essa variável – grau de escolaridade – constituiu a base para a
formação do corpus**.
Essas primeiras análises, no entanto, revelaram resultados inesperados e até contraditórios.
Considerando que as situações de interação eram praticamente sempre as mesmas, isto é,
gravações conscientes, monitoradas por um documentador, com fases mais espontâneas e
outras mais tensas, com variações de nível de intimidade entre os interlocutores dos diálogos ou
das entrevistas, os inquéritos acabaram revelando um discurso que se identificava, na maioria
das vezes, com o do falante urbano comum. [...] Falantes cultos podem utilizar uma variedade
de registros que vai do formal ao coloquial, em função de suas necessidades de comunicação.

Glossário: *Projeto NURC/SP: Projeto Norma Urbana Culta/SP **Corpus: conjunto de dados de
uma pesquisa acadêmica.

PRETI, D. A propósito do conceito de discurso urbano oral culto: a língua e suas


transformações sociais. In: PRETI, Dino (org). O discurso oral culto. São Paulo: Humanitas,
2005, p. 21-22.

29. Segundo o autor, a principal descoberta do Projeto NURC/SP com relação à variação
linguística observada é que

A) falantes com alta escolarização possuem maior nível de formalidade na fala.


B) falantes cultos variam seus registros de forma distinta dos falantes comuns.
C) falantes urbanos cultos falam de maneira semelhante a falantes urbanos comuns.
D) falantes urbanos cultos são menos formais que os falantes urbanos comuns.
E) falantes urbanos são mais cultos e formais que os falantes do interior.

Disponível em: http://cdn.wp.clicrbs.com.br.

30. Dentre os argumentos persuasivos utilizados para atrair espectadores com deficiência ao
Festival de Cinema Acessível, pode-se citar principalmente
A) o horário e o local onde acontecerá o evento.
B) a grande quantidade de patrocinadores e exibidores.
C) a exibição de filmes sem intérpretes e tradutores.
D) o uso de legendas e do recurso da audiodescrição.
E) o grande número de pessoas deficientes no local e o uso de braile.

Apenas 15,53% dos alunos de cursos relacionados à computação são mulheres.


(Fonte: Inep/MEC)
41% das mulheres que trabalham com tecnologia acabam deixando a área, em comparação
com apenas 17% dos homens.
(Fonte: Harvard Business Review)
79% das alunas dos cursos relacionados à Tecnologia da Informação desistem no primeiro
ano.
(Fonte: Gizmodo)
O que significa ser mulher em uma área que é predominantemente masculina?
Nós acreditamos que histórias sobre os desafios enfrentados, as barreiras (a serem) vencidas
e as discriminações vivenciadas no dia a dia precisam ser divulgadas! Falar é o primeiro passo
para dar visibilidade a essas situações de desigualdade e começarmos a discutir o que precisa
ser feito para mudar isso!
Mas acreditamos que a parte boa de se trabalhar com tecnologia também merece espaço! Só
assim vamos incentivar que mais meninas e mulheres se interessem pela área.
E você, qual é a sua história?
Ajude a mostrar como é #SerMulherEmTech!

PROGRAMARIA. Compartilhe como é ser mulher em tech. Disponível em:


http://www.programaria.org.

31. O fragmento foi retirado do site do grupo Programaria, voltado para a divulgação do cotidiano
do trabalho de desenvolvimento de sites para a web. Vê-se, no texto, que o grupo explorou o
recurso da hashtag (#) a fim de que as mulheres

A) vejam que não estão sós ao abandonarem cursos relacionados à Tecnologia da Informação.
B) denunciem situações de discriminação e assédio em espaços de trabalho ligados à
computação.
C) utilizem a internet para discutir a situação da mulher nas faculdades voltadas à área da
computação.
D) divulguem experiências positivas do trabalho com tecnologia para estimular maior adesão
feminina à área.
E) desenvolvam sua programação baseada em hashtags que atraiam atenção para a existência
de programadoras mulheres.
32. Com base na leitura da tirinha, pode-se identificar o internetês como

A) um modelo de comunicação que utiliza de forma proficiente as regras de pontuação e


acentuação convincentes.
B) uma variação linguística que se caracteriza pelo uso de palavras abreviadas e ritmo dinâmico.
C) uma variação linguística típica do universo virtual que defende a obediência aos cânones
gramaticais.
D) um modelo de comunicação típico do público senil que valoriza os aspectos normativos da
língua.
E) uma variação linguística que evita o diálogo com o universo da oralidade e da gramaticalidade
da língua.
33. O disco e a música Tropicália tornaram-se símbolos do "Tropicalismo", movimento
protagonizado por artistas e intelectuais, no Brasil, em finais da década de 1960. Mesmo tendo
a trajetória do movimento interrompida com a prisão de seus dois líderes, o tropicalismo não
deixou de cumprir seu papel de vanguarda na música popular brasileira. A partir da década de
70 do século passado, instituiu-se, lado a lado com a Jovem Guarda, uma nova era musical para
a juventude. Partindo desses versos da canção Tropicália, é possível afirmar que o autor

A) teve a intenção de passar nenhuma mensagem, devido à perseguição da censura política.


B) denuncia as influências estrangeiras impostas pela cultura estadunidense.
C) mistura metáforas poéticas aparentemente sem conexão que dão o tom da proposta estética
do movimento.
D) enaltece o carnaval e o planalto central como símbolos da cultura nacional.
E) sai em defesa da homogeneização de comportamentos e culturas diferentes.
34. A página Artes da Depressão traz, com muito bom humor, diversas informações sobre obras
de arte, artistas e movimentos artísticos. De trocadilhos a piadas irônicas, encontramos um pouco
de tudo nos memes. A sequência de imagens “Hoje eu acordei...” tem a intenção de

A) enfatizar a importância da arte na construção da identidade.


B) apresentar uma interpretação real de grandes obras de arte.
C) criticar conceitos acadêmicos de arte.
D) ressignificar conceitos artísticos originais com tom humorístico.
E) relacionar situações humanas cotidianas a estilos artísticos.

Bat Macumba

Gilberto Gil e Caetano Veloso

Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá


Bat Macumba ê ê, Bat Macumba oh
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba
Bat Macumba ê ê, Bat Macum
Bat Macumba ê ê, Batman
Bat Macumba ê ê, Bat
Bat Macumba ê ê, Ba
Bat Macumba ê ê
Bat Macumba ê
Bat Macumba
Bat Macum
Batman
Bat
Ba
Bat
Bat Ma
Bat Macum
Bat Macumba
Bat Macumba ê
Bat Macumba ê ê
Bat Macumba ê ê, Ba
Bat Macumba ê ê, Bat
Bat Macumba ê ê, Batman
Bat Macumba ê ê, Bat Macum
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba oh
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá!

35. Esse é um poema concreto musicado, com uma frase que vai perdendo uma sílaba de cada
vez, até chegar ao mínimo de uma sílaba, para então voltar a ser reconstruída, de forma
simétrica. A canção traz um elemento da cultura pop, o Batman, e relaciona-o com um elemento
típico do sincretismo religioso brasileiro, a macumba. Mas a própria frase não é bem uma frase,
no sentido de construir uma ideia sintaticamente organizada e com um sentido evidente: fica
flutuando entre uma música-tema de seriado de TV e um refrão de culto religioso. É a
modernidade à brasileira, macumba pop e tecnológica. Com base nessas assertivas, conclui-se
que o texto

A) prioriza o caráter simétrico dos versos e das estrofes.


B) rejeita estrangeirismos com o objetivo de criar uma arte nacional.
C) preocupa-se com a forma clássica da construção poética.
D) explora a linguagem como experimentalismo poético, privilegiando a forma visual.
E) abraça a experimentação poética voltada apenas para a cultura nacional.

Perecível, mas indestrutível

[...] Uma notícia na Folha, há dias, me calou fundo: a história de Cleuza, 47, a catadora de
recicláveis em Mirassol (452 km de São Paulo), que recolhe os livros que encontra no lixo,
recupera-os e os leva para uma biblioteca que criou no centro de triagem do lugar. Entre os 300
títulos que já salvou da destruição e empresta ou dá a seus colegas, estão muitos de Machado
de Assis, Erico Verissimo e José Saramago. Eu ficaria orgulhoso de ver algum dos meus próprios
livros nesse lote.
Há melhor prova de que, por Cleuza, o livro de papel — tão precário e perecível — será
indestrutível?
Ruy Castro. Folha S. Paulo, 10 nov. 2012.

36. Para atrair a atenção do leitor, o autor do texto utiliza, no título, um recurso linguístico baseado

A) na gradação das ideias dispostas em sentido ascendente.


B) na personificação de seres inanimados por meio da adjetivação.
C) na metaforização do adjetivo “indestrutível” desviado da sua significação própria.
D) na oposição estabelecida pelo contrassenso das palavras perecível/indestrutível.
E) no exagero em relação à adjetivação visando a um efeito expressivo.
37. A sociedade contemporânea se caracteriza pela criação de novas formas de comunicação
e, como pode-se observar nos exemplos, o hipertexto é uma delas. A partir dessa constatação,
é possível reconhecer que o hipertexto promoveu

A) o surgimento de uma escrita mais unidimensional e matemática.


B) a sedimentação de um olhar mais linear de leitura.
C) a ampliação dos limites da leitura.
D) a dificuldade de acesso a informações diversas.
E) o rebuscamento do processo de busca de informações.

Os linguistas estudam as línguas do ponto de vista científico; isso quer dizer que não se
preocupam centralmente com erro e acerto, nem com julgamentos estéticos ou morais, mas com
as regras tais como são empregadas pelos falantes. Onde um gramático vê um erro, um linguista
vê uma diferença. Isso não quer dizer que o linguista despreze esse problema ou pense que não
é um problema. A diferença é que ele sabe que o que se chama de erro decorre de uma avaliação
social e histórica (não estrutural), e que ela pode mudar. Camões escreveu “alevanta” (“que outro
valor mais alto se alevanta”): “alevantar” era uma forma socialmente correta, hoje é avaliada
como erro, soa ‘caipira’. Assim, o erro é da ordem do social, não da estrutura. Não é trivial saber
fazer essa separação. As consequências do erro de julgamento são dramáticas.

POSSENTI, S. Linguista na escola. Ciência Hoje, 19 fev. 2016.


38. O texto aborda as diferenças nas formas como os linguistas e os gramáticos veem a língua.
De acordo com o autor, a norma padrão de uma língua é definida

A) pelos linguistas, pois eles possuem embasamento científico.


B) pela literatura, pois os autores perpetuam certos usos linguísticos.
C) pela gramática, com base no que é certo e errado no uso da língua.
D) pela sociedade contemporânea, de acordo com os usos de cada época.
E) pelos gramáticos, pois apenas eles possuem o conhecimento estrutural da língua.

O cérebro humano é o objeto mais complexo do Universo. Tem 86 bilhões de neurônios, que
podem formar 100 trilhões de conexões. Se fosse possível criar um computador com o mesmo
número de circuitos do cérebro, ele consumiria o equivalente a quatro usinas de Itaipu
trabalhando simultaneamente. Mas o cérebro humano gasta pouquíssima energia — 20 watts,
menos que uma lâmpada. E mesmo assim consegue fazer coisas extremamente sofisticadas,
de que nenhum computador é capaz.
Só que isso tem um preço. O seu cérebro não consegue analisar as situações de forma
completamente racional. Para fazer isso, ele precisaria de ainda mais circuitos — e muito mais
energia. Mas, ao longo da evolução, a natureza encontrou esta solução: o cérebro pode mentir
para seu dono. Sim, mentir. Descartar informações, manipular raciocínios e até inventar coisas
que não existem. Dessa forma, é possível simplificar a realidade — e reduzir drasticamente o
nível de processamento exigido dos neurônios.

DE SANTI, A.; KIST, C. Descubra as mentiras que seu cérebro conta para você. Disponível
em: http://super.abril.com.br. (Adaptado).

39. Na coesão textual, os pronomes podem ser empregados para indicar algo que já foi ou que
ainda será enunciado. A segunda situação descrita é encontrada no trecho

A) “ele consumiria o equivalente a...”


B) “Só que isso tem um preço.”
C) “O seu cérebro não consegue...”
D) “Para fazer isso, ele precisaria ...”
E) “a natureza encontrou esta solução...”

40. Para atingir um público variado e provocar o efeito de sentido esperado, a propaganda recorre
à associação entre dois vocábulos, sendo que um deles faz parte de uma expressão pertencente
à linguagem informal, como se nota em
A) “inspira” e “nossa inspiração”.
B) “gente” e “a gente”.
C) “inspira” e “compartilhe”.
D) “nossa” e “compartilhe”.
E) “gente” e “nossa”.

41. Nessa peça publicitária, que visa a estimular o receptor a se proteger do HPV, a principal
estratégia argumentativa utilizada é o uso de

A) terminologia técnico-científica.
B) palavras e expressões rebuscadas.
C) informações de senso comum.
D) amedrontamento.
E) linguagem adequada ao público-alvo.

Aproveitando a febre do Pokémon Go, um hospital dos Estados Unidos resolveu entrar na
brincadeira para interagir seus pacientes infantis. O C.S. Mott Children’s, especializado em
atendimento infantil, resolveu incentivar as crianças internadas a baixarem o jogo e saírem de
seus leitos em busca dos famosos monstrinhos.
Com a brincadeira, o objetivo é fazer com que as crianças tenham um certo alívio da rotina
maçante de um hospital. Além disso, ao mesmo tempo em que fazem uma atividade, também se
divertem.
De acordo com o hospital, graças ao jogo os pacientes passaram a se comunicar mais dentro
do local e a rotina mudou completamente.

Disponível em http://www.otempo.com.br

42. A mudança de rotina ocorrida no hospital, possibilitada pelo jogo Pokémon Go, revela o uso
das tecnologias de comunicação como meio de incentivo

A) aos tratamentos não convencionais.


B) à prática de atividades físicas.
C) ao vício tecnológico.
D) à competição entre os médicos.
E) à interação social e lúdica.

Clic
Cidadão se descuidou e roubaram seu celular. Como era um executivo e não sabia mais viver
sem celular, ficou furioso. Deu parte do roubo, depois teve uma idéia. Ligou para o número do
telefone. Atendeu uma mulher.
— Alou.
— Quem fala?
— Com quem quer falar?
— O dono desse telefone.
— Ele não pode atender.
— Quer chamá-lo, por favor?
— Ele está no banheiro. Eu posso anotar o recado?
— Bate na porta e chama esse vagabundo agora.
Clic. A mulher desligou. O cidadão controlou-se. Ligou de novo. [...]

(Luis Fernando Verissimo. As Mentiras que os Homens Contam. Rio de Janeiro:


Objetiva, 2000. p. 41)

43. Pode-se dizer que no trecho da crônica há predominância da função

A) apelativa ou conativa, pois há o foco para o emissor (o executivo) tentar convencer o receptor
(a mulher que atende o telefone).
B) emotiva ou expressiva, pois há o foco para o sentimento de raiva da personagem principal (o
executivo) ao ter o celular roubado.
C) fática, pois há foco no canal de comunicação, ou seja, durante grande parte do diálogo o
objetivo é estabelecer o contato.
D) poética, pois há o foco para a mensagem e os efeitos de sentido por ela provocados, por se
tratar de um texto fictício.
E) metalinguística, pois há foco no próprio código (a língua), quando tenta-se estabelecer o
contato durante o diálogo.

Os impactos positivos de consumir produtos orgânicos vão além dos ganhos para a saúde e
a nutrição. (...) Quando o consumidor adota como critérios para a compra de alimentos não só o
preço, mas também a qualidade, a origem e as informações sobre os impactos sociais e
ambientais causados pelo produtor ou pelo fabricante, entre outros, pode trazer grandes
benefícios também para a sociedade e para o meio ambiente. E essas pequenas mudanças nos
hábitos cotidianos de consumo de cada indivíduo são essenciais para a transição para um estilo
de vida mais sustentável.

INSTITUTO AKATU. 10 motivos para consumir produtos orgânicos. Disponível em: http://
www.akatu.org.br. Acesso em: fev. 2016 (adaptado).

44. O texto tem por finalidade induzir o leitor a uma mudança de comportamento a partir

A) da economia na compra de alimentos.


B) da adoção de um estilo de vida saudável.
C) da tomada de consciência do consumidor.
D) da preocupação com os impactos ambientais.
E) do cuidado com a procedência dos alimentos.

TEXTO I
Esta pequena história, verídica, prova-nos que ler confere poder. Afinal, uma das ferramentas
que temos para compreender o mundo é a leitura. Lemos para aceder à informação, para tomar
decisões, para ter juízo crítico, para compreender, para aprender. Lemos também para pensar,
imaginar, sorrir, chorar… Ler é uma competência básica que todos devemos adquirir para nos
podermos realizar social e pessoalmente.

Disponível em: www.exedrajournal.com.

TEXTO II

À medida que as páginas são viradas, o leitor se vê transportado para uma espécie de
realidade paralela – um mundo inteiramente novo, repleto de descobertas, encantamento,
surpresas e diversão. Pouco importa se quem lê é criança, jovem ou adulto. Menos ainda se o
que está sendo lido é poesia, romance ou um livro de autoajuda. O que realmente interessa é a
cumplicidade entre o leitor e a obra, alicerçada no prazer que só a leitura é capaz de proporcionar.

Disponível em: www.revistaescola.abril.com.br.

45. De acordo com as informações presentes nos textos, os pontos de vista convergem em
relação

A) à importância da leitura para o indivíduo que, ao ler, pode imaginar, compreender e descobrir
um universo inteiramente novo.
B) à necessidade da leitura de jornais, pois assim o cidadão pode manter-se constantemente
informado acerca dos acontecimentos diários.
C) à efemeridade da leitura, que é um ato muito simples, mas muito pouco praticado pelos
brasileiros desde a infância até a vida adulta.
D) ao comprometimento do brasileiro em relação à leitura, pois todos sabem a real importância
de incentivar o ato de ler desde a primeira infância.
E) ao tipo de texto que deve ser lido: apenas bons textos podem ajudar o indivíduo a se realizar
social e pessoalmente.