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O inimigo público nº 1

Por que motivo esse homem de 73 anos causa tanto


medo? Impedir que Lula apareça, impedir que Lula fale,
tentar impedir que Lula seja lembrado – é a obsessão
dos donos do poder no Brasil.

Publicado em 08/02/2019 // 13 comentários

(https://boitempoeditorial.files.wordpress.com/2019/02/lula-
inimigo-pc3bablico-n1.jpg)
Por Luis Felipe Miguel
(https://blogdaboitempo.com.br/category/colunas/luis-felipe-
miguel/).

Lula foi condenado em mais um dos processos montados contra ele, o do sítio de Atibaia. Não há
nada aqui que fuja do script; tanto quanto no caso do apartamento do Guarujá, o veredito já estava
determinado de antemão. A sentença da juíza Gabriela Hardt passa à história ao lado da anterior, de
seu mentor Sérgio Moro, como um monumento do desprezo ao direito e da impudência que grassa
no Judiciário brasileiro. Não é indicado ato de ofício que justifique a condenação, que aliás se dá por
motivo diverso do apresentado na acusação, e volta o argumento bizarro de que a ausência de
evidências é indício de crime. O toque pessoal de Hardt foi apresentar, entre seus argumentos, a
coincidência substantiva nos depoimentos de duas testemunhas-chave do caso, José Adelmário e Léo
Pinheiro. Seu trabalho foi tão bem feito, tão atento, que ela não percebeu que são a mesma pessoa:
Léo é o apelido de José Adelmário.

Tamanha lambança vai causar alguma comoção nas instâncias superiores? Certamente não. O TRF-4
já mostrou a quem serve ao garantir, a jato – a Lava Jato? –, a inelegibilidade de Lula. E o STF,
presidido pelo pigmeu moral Dias Toffoli, é bem mais sensível aos sussurros, cada vez menos
discretos, dos generais do que aos gemidos da Constituição agredida.

Dias antes da nova condenação, Lula foi impedido de assistir ao funeral de seu irmão Vavá, em um
dos episódios mais consternadores da perseguição judicial contra ele. Foi-lhe negado um direito
claramente consignado na lei, com base em justificativas bisonhas. Ao final, Dias Toffoli, sempre ele,
acrescentou a cereja do bolo com a vexatória autorização para o comparecimento ao enterro, dada
minutos antes do corpo descer ao túmulo e sob condições draconianas: o morto deveria ser
transportado para alguma Guantánamo tupiniquim, celulares seriam proibidos, só os familiares mais
próximos seriam admitidos e, o mais importante, Lula não poderia fazer nenhuma declaração
pública. Sob a alegação, claro, de proteger sua segurança.

Por que motivo esse homem de 73 anos causa tanto medo? Impedir que Lula apareça, impedir que
Lula fale, tentar impedir que Lula seja lembrado – é a obsessão dos donos do poder no Brasil.

O legado do lulismo ainda é objeto de discussão na esquerda – e certamente assim continuará, por
longo tempo. Para muitos, o ex-presidente é um exemplo da virtù maquiaveliana, navegando em
circunstâncias muito adversas e, assim mesmo, conseguindo promover políticas de inclusão social
que mudaram a vida de milhões de brasileiros. Para outros, ao optar por um programa de infinita
timidez e autocontenção, abandonando a perspectiva classista e também os esforços para mudar a
correlação de forças no país, ele trocou um horizonte de transformações profundas por mudanças
pontuais e carentes de solidez. O golpe de 2016 e a opção da classe dominante pelo bolsonarismo
parecem ter liquidado qualquer esperança de ressurreição do projeto lulista.

Pouco importa. Com seus equívocos e com seus acertos, com suas ambiguidades e suas vacilações,
Lula, por um lado, representa a possibilidade de um Estado que olhe para os mais pobres e, por
outro, é a imagem de um povo brasileiro que rompe seu complexo de inferioridade e passa a ter
orgulho de si mesmo. Para além de todo o espírito de conciliação, acomodação e moderação, esses
dois elementos de alto potencial subversivo estão sempre presentes. É por isso que, para os que
mandam no Brasil, Lula é o inimigo público nº 1.

***
Luis Felipe Miguel assina o prefácio do livro A verdade vencerá: o povo sabe por que me condenam
(https://www.boitempoeditorial.com.br/produto/a-verdade-vencera-784), de Luis Inácio Lula da
Silva, obra em que o ex-presidente conta sua versão da história, diante de uma perseguição política
sem precedentes na era democrática. Para aprofundar a reflexão sobre o sentido da democracia e sua
relação com os padrões de dominação presentes na sociedade, recomendamos também a leitura
de  Dominação e resistência: desafios para uma política emancipatória
(https://www.boitempoeditorial.com.br/produto/dominacao-e-resistencia-776), de Luis Felipe
Miguel.

(https://boitempoeditorial.files.wordpress.com/2019/02/img_9532_1_banner.jpg)***

Lula: "A verdade vencerá. O povo sabe por qu…


qu…

***

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, onde
coordena o Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades – Demodê, que mantém oBlog do
Demodê (http://grupo-demode.tumblr.com/), onde escreve regularmente. Autor, entre outros, de
Democracia e representação: territórias em disputa (Editora Unesp, 2014), e, junto com Flávia Biroli,
de  Feminismo e política: uma introdução
(http://www.boitempoeditorial.com.br/v3/Titulos/visualizar/feminismo-e-politica) (Boitempo,
2014). Colabora com os livros de intervenção  Por que gritamos golpe? Para entender o impeachment e a
crise política no Brasil (http://boitempoeditorial.com.br/v3/Titulos/visualizar/por-que-gritamos-
%22golpe%22%3F)  (Boitempo, 2016)  e O ódio como política: a reinvenção das direitas no Brasil
(https://www.boitempoeditorial.com.br/produto/o-odio-como-politica-828)  (Boitempo, 2018). Seu
livro mais recente é  Dominação e resistência: desafios para uma política emancipatória
(https://www.boitempoeditorial.com.br/produto/dominacao-e-resistencia-776)  (Boitempo, 2018).
Colabora com o Blog da Boitempo mensalmente às sextas.

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13 comentários em O inimigo público nº 1

1. Rafael Foltran Pazim // 08/02/2019 às 11:20 am // Responder


Como alguém que tem 2 neurônios ainda defende o Lula e o PT. O nível de abstração supera o
bom senso. É triste ver um exército de pessoas que defendem esta organização criminosa. Como
um professor, que sabe o quanto ganha um, defende isso tudo. (aí me cabe uma reflexão, será que
este senhor ganha como um professor, ou tem algum incentivo da organização criminosa ?

Marcio Motta // 08/02/2019 às 12:21 pm // Responder


Caro companheiro Rafael,
Seria interessante ler o artigo novamente. Ao invés de “defender” algo, como você afirma em
seu comentário, o professor apresenta fatos em sua argumentação e com eles vai tecendo o
enredo que todos nós temos obrigação de conhecer, independente das nossas paixões e ódios.
Esse exercício nos torna mais aptos a refletir e pensar, tendo mais ou menos neurônios
(certamente mais que 2, como você bem sabe), praticando assim a tão sonhada cidadania.
Para finalizar, um conselho de camarada: fica muito feio acusar o professor sem provas, pois
seria complicado ter que comprovar sua afirmação de que ele recebe algum “incentivo” de
uma organização criminosa, correto?
Abraços fraternos e a luta continua!

Pedro Araujo // 08/02/2019 às 10:39 pm // Responder


O professor “apresenta fatos”. Vou te dizer alguns fatos: 1. o presidiário foi condenado por
corrupção por diferentes juízes, em diferentes instâncias. Isso é só o começo, tem outras
cinco ações. 2. Não há dúvida da existência de um grande esquema de corrupção no
governo Lula, que roubou ou deixou roubar bilhões. Eles chamam roubo de
“presidencialismo de coalizão”. 3. seu aliado íntimo, Palocci, descreve, em detalhes, a sede
inigualável do presidiário por dinheiro público durante os governo do PT. 4. O corrupto
maior, depois de dar a eleição para o Bolsonaro, destruiu a representação política de
esquerda (PT e PSOL) que hoje se resume a um único discurso: lula livre. 5. Ninguém está
preocupado com o significado do Lula. Ele é só um presidiário condenado que terminará
seus dias na cadeia.

2. Fabiane Santana Previtali // 08/02/2019 às 11:41 am // Responder


Parabéns Prof. Luis pelo excelente artigo. Digno de um cientista, que se utiliza da razão, apresenta
a problematização e os argumentos muito claramente e assume uma posição justificada.
Faz jus ao cargo de servidor público de uma universidade pública, voltada ao ensino e à pesquisa
mundialmente reconhecida.
Pena que estamos cercados por ignorantes que não raciocinam, não estabelecem relações e penso
que nem saibam o significado da argumentação. Esses estão bem representados pelos atuais donos
do poder!

3. Gilvando Cruz // 08/02/2019 às 12:17 pm // Responder


Essa insistência e adoração pelo socialismo é doentio… O parágrafo final do artigo deixa claro a
intencionalidade!
Essa criatura desacatou a inteligência do povo brasileiro… deveria ter condenação pra esse tipo de
crime, com inclusão aos adeptos da seita!

4. Lara Zilio // 08/02/2019 às 4:21 pm // Responder


Enviado do meu iPhone

5. Fernando Dias Gabriel // 08/02/2019 às 5:11 pm // Responder


Tempos vão, tempo vem…. A balança das ideologias com novas roupagens apresentam sempre
dicotomias: democracia versos totalitarismo, governos populares ou das elites, legítimos ou não, e
por aí vai. Nestas idas e vindas, é inegável que estamos em novo ciclo de autoritarismo e retorno
da velha extrema direita, aquela onde nada é Direito, e a Justiça é acima de tudo “prática”, “justa”,
colocando novamente “as coisas na sua verdadeira razão”.
Agora temos gente “limpa”, “Cristã”, “verdadeiros patriotas verde-amarelos”, abnegados
defensores da moral e da “ordem e progresso”. Ordem a ser cumprida rigorosamente pelos
amados “trabalhadores do Brazil”, progresso para os velhos “Donos do Poder”.
Nessa hora de discursos tresloucados pelos novos “iluminados” ouve-se absurdos lógicos ditos
com pompa e entusiasmo pelos que em suas megalomanias supões todos imbecis. Nestes
pequenos “atos falhos” não percebem que o rei está nu, como no discurso do superministro da
fazenda ao lançar a nova “carteira de trabalho verde-amarela” dizendo que, agora, os aspirantes a
emprego terão a oportunidade de escolher a fórmula de seus direitos, para o seu primeiro
emprego. Ou seja, na realidade está apenas dizendo: “Quer emprego?, abra mão de seus direitos
trabalhistas, coisa do passado que devemos esquecer; não aceita?, não tem problema, continuarás
sem emprego, é você que escolhe. O governo não irá mais exigir o cumprimento de leis arcaicas,
os tempos são outros” “Queremos que os jovens tenham liberdade de escolher”.
isto é que é democracia. E Viva Bolsonaro!!!!
Leir Bag Said.

6. Marialice // 08/02/2019 às 6:06 pm // Responder


Sou curiosa e vou investigar as pessoas que fazem comentários sem fundamento legal. Seu Rafael
é pequeno empresário, provavelmente classe média brasileira frustrada, que não consegue ser rico
e odeia o fato do pobre ter condições aproximadas ou iguais às suas. Tem ação judicial trabalhista
contra sua empresa? Gosta de aparecer em coluna social? Como eu disse “classe média frustrada”.

ricardo22000 // 08/02/2019 às 8:07 pm // Responder


Será que é possível tu elaborar um comentário sem utilizar clichês dos livros do Jessé de
Souza?
7. Pedro Araujo // 08/02/2019 às 10:14 pm // Responder
Eu sei porque o Lula é o inimigo público número 1°. Segundo todas as investigações, decisões
judiciais tomadas em diferentes âmbitos, delações de aliados íntimos, o presidiário roubou e
deixou roubar bilhões. Ele não só fez isso: destruiu instituições públicas e privadas, levou o caos a
vida de milhões de brasileiros, que perderam emprego e a fé na democracia. O corrupto maior não
terminou por aí: ele conseguiu acabar com a representação política de esquerda no Brasil. Hoje a
esquerda (PT e PSOL) se resume a uma única ideia bizarra: “lula livre”. Esses babacas não
perceberam que o lula tá preso e ficará preso. O chefe da quadrilha deve continuar preso e assistir
de dentro da cadeia a extinção do PT.

8. João Damah // 11/02/2019 às 4:35 am // Responder


Lendo o artigo e alguns comentários e depois de uma boa reflexão, me dei conta do conceito e do
poderio de uma tal de “minoria ruidosa”. Me veio à memória u´a máxima popular que diz que
conseguimos enganar uma pessoa por toda uma vida; duas, por um bom período; mas três, só por
um breve tempo… Ora, “entonces”, como é que pode um “cabra” la do “sertão do cariri”,
“anarfa”, depois de 8 anos de governo receber a aprovação de 84% da população brasileira (sem
contar o reconhecimento internacional por seus feitos), para, passado um bom tempo, fazerem
emergir seus desmandos e passar a ser execrado por essa minoria ruidosa (que virou 55%) e
conseguirem denegrir sua imagem? Falem dele o que quiserem falar, mas que o “cabra”, para
conseguir fazer o que ele fez, tem que ser muito bom. Em contra-partida, eita parcela de 16%
poderosa “da gota”! Alguém sabe onde se pode tomar vacina contra a raiva humana?

9. Evaristo Alves // 11/02/2019 às 10:45 am // Responder


Ah! Então chama a outra, ué!
A dilma… Entende? Compreende?

Chama a dilma! BH cansou dela: ela resolve “essa parada”, caro intelectual da UnB, — ô
miguelzão.

Eis aí a dilmA nésciA!

Essa mulher é uma AnimalA, — cruzadA de égua com jumentA!


Como toda certeza. Uma presidenta incapaza.
Uma presidentA imbecila. Uma presidentA ignorantA.
Uma PaTeta.

uma parvA, desinteligente, energúmenA, medíocre.


PALERMA.
InaptA e ineficientA.

IncompetentA, PresidentA incapazA; inábilA.

Não tem inteligência:


Idiota, imbecilA, estúpidA, presidentA ignorantA, burrA, nésciA, desqualificadA.

BurricA, besta, mulA, asnA, jericA, onagrA. Uma pessoa com total pouca pensamentA.
AnalfabetA.
Uma palerma.
Uma azêmola.
BroncA.
EstultA.
Idiota.
Parva.
Uma tapada.
IgnorantA imbecilA, lerdaçA, aPaTetada, teimosA, tola, uma toupeira, uma ANTA.

Repare com muita atenção esse vídeo e confirme tudo acima. Eis:

Pérolas da Dilma

Nossa PresidentA. Montada e bolada pelo João-O-Milionário-Santana. Um produtA para


consumo.

10. Celso Paoliello // 12/02/2019 às 1:06 pm // Responder


A matéria do professor Felipe Miguel expõe em poucas linhas a crueza da perseguição dos
poderosos ao maior líder popular e melhor Presidente que o país já teve. A plutocracia quer
apagar a história e fingir que Lula nunca existiu e que seus governos foram de um sucesso
absoluto e maciçamente aprovado pela nação brasileira. Um operário mostrou à “elite” como se
governa para todos e como o ultraneoliberalismo não é a receita para o progresso social e
econômico, ao contrário como está comprovado em TODOS os países no qual foi criminosamente
implementado.

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