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GT 17 - Educação e Novas Tecnologias

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DAS “EMERGÊNCIAS”?

Orientanda: Raimunda Nonata da Silva Machado (UFPI)


Orientador: Prof. Pós-PhD Francis Musa Boakari (UFPI)

Resumo

A Educação a Distancia das Emergências constitui um exercício de reflexão acerca das


preocupações que nos inquietam na pesquisa atual. Analisa como o espaço virtual vem
impulsionando processos de formação na área da diversidade e as contribuições que a
educação a distância pode oferecer para o desenvolvimento dessas políticas de
conhecimento, considerando os avanços no campo das tecnologias da informação e
comunicação. Aborda o desenvolvimento da educação a distância nas universidades
brasileiras no âmbito do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) e do Programa
Rede de Educação para a Diversidade do Ministério da Educação (MEC), bem como, a
oferta do Curso de Especialização em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça
(GPP-GeR), mais especificamente, a partir das experiências de uma integrante da
equipe da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Pontua algumas das
possibilidades básicas do sistema de organização de aprendizagem virtual Moodle, que
colaboram para o fortalecimento do uso da modalidade de educação a distância na
contemporaneidade. Para tanto, mantém o diálogo com os documentos oficiais
(planejamento e legislação) e alguns estudiosos da temática em questão como: Aboud
(2006), Castells (2002), Dias; Leite (2010), Heilborn (2010), Louro (2000), Moore;
Kearsley (2010), Silva (2010), Silva (2010a) e Silva (2011). Adota uma abordagem
qualitativa sociocultural e sinaliza para as tentativas de incorporação de temas da área
da diversidade nas práticas sociais, por meio da educação a distancia, ao mesmo tempo
em que sugere perspectivas de práticas docentes com autonomia para o consumo e
produção de tecnologias da informação e comunicação como ferramentas que
colaboram na construção dos conhecimentos da diversidade. Questionamentos que
problematizam estas preocupações fazem parte destas reflexões críticas.

Palavras-chave: Educação a distância. Diversidades. Gestão em Políticas Públicas.

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1 INTRODUÇÃO

A criação de um cenário tecnológico tem possibilitado transformações


sociais que, segundo Castells (2002), são práticas que produzem uma nova sociedade: a
sociedade em rede, com uma nova estrutura social dominante; uma economia
informacional global e uma nova cultura, a cultura da virtualidade real, as quais,
também produzem outras formas de inclusão e exclusão social.
No bojo dessas transformações, encontram-se as instituições educacionais
enfrentando o desafio de propiciar a democratização do acesso aos meios eletrônicos;
estimular o manuseio desses equipamentos e formar alunos/as e professores/as para sua
utilização nas mediações pedagógicas. Estão em construção alternativas de interação
para ensinar e aprender!
Explorar a complexidade que existe no desenvolvimento de práticas
educativas com o uso de tecnologias da informação e comunicação nos instiga a refletir
sobre a utilização da modalidade de educação a distância (EaD) no contexto da
“sociedade informacional”. (CASTELLS, 2002)
Dentro dos limites deste estudo, não desejamos aprofundar se as tecnologias
da informação e comunicação estão incorporadas na prática docente, mas sim, seus
impactos na gestão do conhecimento, por meio da educação a distância.
Com esse propósito, discutiremos como o espaço virtual vem
impulsionando processos de formação na área da diversidade no âmbito do Sistema
Universidade Aberta do Brasil e as contribuições que a educação a distância pode
oferecer para o desenvolvimento de políticas de conhecimento que atendem a área da
diversidade, mediante diálogo com documentos oficiais (planejamento e legislação) e
alguns estudiosos da temática em questão, dentre os quais, destacamos: Aboud (2006),
Castells (2002), Dias; Leite (2010), Heilborn (2010), Louro (2000), Moore; Kearsley
(2010), Silva (2010), Silva (2010a) e Silva (2011).
Portanto, no relato que segue, abordaremos o desenvolvimento da educação
a distância nas universidades brasileiras no âmbito do Sistema Universidade Aberta
(UAB), bem como, a oferta do Curso de Especialização em Gestão de Políticas Públicas
em Gênero e Raça (GPP-GeR) na Universidade Federal do Maranhão, utilizando-se de
algumas das possibilidades básicas do sistema de organização de aprendizagem virtual,
que colaboram para o fortalecimento do uso da modalidade de educação a distância na

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contemporaneidade. Fatores geográficos e socioculturais locais tão importantes como


deve ser esperado, são tratados somente de modo implícito.

2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS

Sabemos que a prática de educação a distância é reconhecida, desde meados


do século XIX, com o ensino por correspondência, sendo que sua expansão tem sido
impulsionada, na contemporaneidade, pelos avanços das tecnologias da informação e
comunicação. Nesse sentido, Moore; Kearsley (2010) apontam cinco gerações de
educação a distância para compreendermos seu percurso histórico. Vejamos:
1.ª Geração – Ensino por correspondência: instrução individualizada;

2.ª Geração – Transmissão por rádio e televisão: comunicação unidirecional com

recursos de imagem e áudio;


3.ª Geração – Universidades Abertas: Abordagem sistêmica das universidades abertas -

transmissão com orientações face a face,


4.ª Geração – Teleconferência: interação em tempo real

5.ª Geração – Internet/web: ambiente virtual apóia os princípios construcionistas, o

papel dos/as mediadoras/es, visando aprendizagens colaborativas e maior integração das


mídias.
As potencialidades tecnológicas de cada geração vão ampliando,
historicamente, as possibilidades de interação e interatividade1 que favorecem
aprendizagens individuais e coletivas. Na EaD “os sistemas de ensino e aprendizagem
são transformados e reorganizados para suprir as necessidades instrucionais e de
conhecimento da sociedade” (ABOUD, 2010, p.18).
É o que acontece com a implementação do projeto de criação do Sistema de
Universidade Aberta do Brasil (UAB)2 em 2005. Trata-se de um sistema integrado por
universidades públicas que oferece cursos de nível superior para camadas da população
que têm dificuldade de acesso à formação universitária, por meio da metodologia da
educação a distância.
Com as possibilidades do sistema UAB tornou-se possível desenvolver,
ainda, o Programa Rede de Educação para a Diversidade do Ministério da Educação
para realizar diversos cursos com a finalidade de disseminar o desenvolvimento de
metodologias educacionais com inserção de temas das áreas da diversidade na formação
de educadores e gestores públicos, tais como: educação do campo, indígena, ambiental,

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integral, direitos humanos, relações étnico-raciais, gênero e orientação sexual, gênero e


diversidade na escola, saúde na escola, culturas e história dos povos indígenas, Estatuto
da Criança e do Adolescente, produção de material didático para a diversidade, e outros
(BRASIL, 2012). No quadro que segue, destacamos as instituições que tiveram, por
exemplo, projetos aprovados para implementação do Curso de Especialização em
Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça (GPP-GeR).

Nº INSTITUIÇÃO REGIÃO UF MODALIDADE


1 UFPA Região Norte PA EXTENSÃO
2 UFBA Região Nordeste BA ESPECIALIZAÇÃO
3 UFBA Região Nordeste BA EXTENSÃO
4 UFMA Região Nordeste MA ESPECIALIZAÇÃO
5 UFPB Região Nordeste PB ESPECIALIZAÇÃO
6 UFPE Região Nordeste PE EXTENSÃO
7 UFPI Região Nordeste PI ESPECIALIZAÇÃO
8 UFPI Região Nordeste PI EXTENSÃO
9 UFS Região Nordeste SE ESPECIALIZAÇÃO
10 UNEB Região Nordeste BA EXTENSÃO
11 UFMS Região Centro-Oeste MS ESPECIALIZAÇÃO
12 UnB Região Centro-Oeste DF ESPECIALIZAÇÃO
13 UFSM Região Sul RS EXTENSÃO
14 UFES Região Sudeste ES ESPECIALIZAÇÃO
15 UFMG Região Sudeste MG EXTENSÃO
16 UNIMONTES Região Sudeste MG ESPECIALIZAÇÃO
17 UNIMONTES Região Sudeste MG EXTENSÃO
18 UFV Região Sudeste MG ESPECIALIZAÇÃO
19 UFOP Região Sudeste MG ESPECIALIZAÇÃO
Fonte: http://sisuab.capes.gov.br/sisuab/PesquisasUAB. Acesso em: 09 out. 2012.

As primeiras aproximações com esta realidade instigam-nos com diversos


questionamentos: Quais as preocupações dos/as mediadoras/es para a realização deste
curso? O que leva a maior incidência da região nordeste na oferta do Curso GPP-GeR?
Como o Programa Rede de Educação para a Diversidade está sendo efetivado nas
instituições integrantes do sistema UAB que tiveram seus projetos de desenvolvimento
desses cursos aprovados?
Não intencionamos dar respostas acerca desses questionamentos e outras
problematizações que podem, ainda, surgir na discussão das possibilidades da educação
a distância, em explorar conhecimentos da área da diversidade na contemporaneidade.
Todavia, podemos apontar situações que nos incomodam nessa realidade e, por isso, nos
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fazem pensar e construir uma representação possível, no diálogo entre nossa experiência
como professora neste curso, os documentos oficiais e autores/as que analisam a
dinâmica da educação a distância.
Logo, é nesse contexto de implementação do Sistema UAB e do Programa
Rede de Educação para a Diversidade que iremos refletir, a seguir, sobre as
possibilidades da educação a distância na formação continuada de profissionais da
educação e gestores públicos para o tratamento das temáticas da diversidade.

3 O AMBIENTE VIRTUAL MOODLE REFLETINDO DIVERSIDADE

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) foi credenciada no sistema


UAB, em março de 2006, para ofertar cursos de extensão, aperfeiçoamento, graduação e
pós-graduação a distância, através do Núcleo de Educação a Distância – NEaD. Com
isso, ampliou as formações continuada e inicial de “500 (quinhentos) alunos
matriculados no ano de 2007 para 3.000 (três mil) alunos em 2008” (TEIXEIRA, 2008).
Nessa direção, a UFMA, contemplou diversos cursos da Rede de Educação
para a Diversidade3 em parceria com Ministério da Educação (MEC), por meio da
Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECADI-MEC). São
alguns deles:
Curso de Extensão e Aperfeiçoamento:
 Educação do Campo – 210h
 Educação Integral e Integrada – 180h
 Mediadores de Leitura e Educação em Direitos Humanos – 120h
 Educação em Direitos Humanos – 200h
 Gênero e Diversidade na Escola (GDE) – 200h
Curso de Especialização:
 Formação em Educação do Campo – 390h
 Educação em Direitos Humanos – 380h
 Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça (GPP-GeR) – 390h.
Por tratar de temas de nosso interesse, como as questões de gênero e raça,
focalizaremos, neste estudo, o Curso GPP-GeR, problematizando sobre como o espaço
virtual vem impulsionando processos de formação na área da diversidade no âmbito do
Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), bem como as contribuições que a

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educação a distância pode oferecer para o desenvolvimento dessas políticas de


conhecimento?
Esta realidade social nos instiga à reflexão sobre um projeto comunicacional
local criado pela convergência das tecnologias das telecomunicações e a capacidade de
conexões eletrônicas dos computadores. Trata-se da idealização de outro espaço social
de ensino e aprendizagem, o espaço da virtualidade, no qual a distância não é apenas um
aspecto geográfico, mas também pedagógico (MOORE, KEARSLEY, 2010). Os
recursos tecnológicos entram neste cenário como instrumentos que promovem ou criam
barreiras no tocante às estratégias e consequentemente, os resultados obtidos.
Este espaço foi construído com o auxílio de ferramentas que possibilitam a
organização, o gerenciamento e as várias formas de interações entre: aluno/conteúdo,
aluno/mediador e aluno/alunos, mediante a utilização de recursos da internet para
comunicação síncrona (contato simultâneo ou em tempo real) como o chat (sala de bate-
papo) e comunicação assíncrona (contato por meio da disponibilização e troca de
mensagens em tempos variados), tais como: fórum de discussão, correio eletrônico,
portfólio, dentre outros.
Estas ferramentas podem ser organizadas, por meio da criação de contas de
usuários e senhas em sistemas fechados, tais como: Aulanet, Claroline, eFront, e-
Proinfo, Teleduc, Moodle4, dentre outros. De acordo com Silva (2011, p. 18), o sistema
Moodle é o que possui maior aceitação no Brasil e no mundo, já que “desde sua criação,
em 2001, já foram identificadas milhares de instituições em mais de 200 países que o
utilizam para atender a diferentes tipos de público e necessidades”.
Na UFMA, o curso GPP-GeR é desenvolvido no Ambiente Virtual de
Aprendizagem Moodle (AVA Moodle), disponibilizado no sitio:
http://www.avapg.ufma.br para “formar profissionais aptos/as a atuar no processo de
elaboração, monitoramento e avaliação de programas e ações que possam assegurar a
transversalidade e a intersetorialidade de gênero e raça em todas as políticas públicas”
(HEILBORN, 2010, p. 12).
Conforme Silva; Nunes (2009), no Curso GPP-GeR estão matriculados:
servidores/as das três esferas da Administração Pública; integrantes dos Conselhos de
Direitos da Mulher; dos Conselhos de Educação; dirigentes de organismos não-
governamentais ligados à temática de gênero e da igualdade étnico-racial e gestores/as
das áreas de educação, saúde, trabalho, segurança e planejamento que possuam diploma
de nível superior, em qualquer área do conhecimento e que desejem aprofundar os

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fundamentos teóricos e práticos relativos a Gestão de Políticas Públicas em Gênero e


Raça. O objetivo principal é de cunho teórico-prático – apoiar participantes na aquisição
de conhecimentos básicos sobre questões de gênero e raça a fim de retroalimentar o seu
envolvimento no planejamento e na execução de ações governamentais nestas áreas.
Estes participantes estão distribuídos em 6 (seis) pólos da UAB do Estado
do Maranhão. São eles: Caxias, Codó, Santa Inês, Humberto de Campos, Grajaú e
Imperatriz, contando com uma equipe técnico-pedagógica formada por: 6 tutores/as, 4
professores/as especialistas, 1 coordenadora de tutoria, 1 coordenadora geral e um
técnico administrador do ambiente Moodle.
O AVA Moodle foi desenvolvido por Martin Dougiamas na perspectiva
socioconstrutivista, com o desejo de propiciar a “construção/reconstrução do
conhecimento, a autoria, a produção de conhecimento em colaboração com os pares e a
aprendizagem significativa do aluno” (SILVA, 2011, p.18). O uso desta plataforma para
a realização do Curso GPP-GeR permite, aos sujeitos envolvidos, usufruírem das
dimensões tecnológicas, pedagógicas e dialógicas que as tecnologias da informação e
comunicação podem disponibilizar numa sala de aula on-line. Para Silva (2010, p. 219):
Uma sala de aula online não é apenas o conjunto de ferramentas infotécnicas
mas também um ambiente que se auto-organiza nas relações estabelecidas
pelos sujeitos com os objetos técnicos que interagem e afetam-se mutuamente
ao longo do processo de construção do conhecimento. Neste sentido, é
preciso que o desenho didático contemple uma intencionalidade pedagógica
que garanta a educação online como obra aberta, plástica, fluida, hipertextual
e interativa. Caso contrário, repetirá práticas próprias da Pedagogia da
transmissão.

A sala de aula on-line do GPP-GeR está organizada no formato de tópicos


que indica o modo como os conteúdos são disponibilizados no ambiente. É a
estruturação de curso mais utilizada e que atende ao agrupamento de assuntos por
módulos. Desse modo, os conteúdos do Curso GPP-GeR estão disponíveis em
ferramentas de recursos (que funcionam como espaços que armazenam materiais de
estudo) e atividades (espaços de interação e interatividade que armazenam produções
individuais e coletivas). Os objetivos educacionais, as questões tratadas e a carga
horária curricular do curso são:

Módulo 1 – Políticas públicas e promoção da igualdade – 45 horas


Refletir sobre a essencialidade das políticas públicas na superação das desigualdades de
gênero e raça, trazendo um referencial básico sobre políticas públicas e promoção da
igualdade.

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Unidade 1. Objetivo da política pública


Unidade 2. Diversidade x desigualdade
Unidade 3. Universalidade x ações afirmativas

Módulo 2 – Políticas públicas, sexo e gênero – 60 horas


Analisar as políticas públicas traçadas para atender as exigências quanto a identidade de
gênero e a interseção com a identidade étnico-racial.
Unidade 1. Conceitos: sexo, gênero e sexualidade
Unidade 2. Gênero e hierarquia social
Unidade 3. Desigualdades de Gênero
Unidade 4. Movimentos de mulheres

Módulo 3 – Políticas públicas, raça e etnia – 60 horas


Fazer uma retrospectiva histórica da construção do conceito de raça e do protagonismo
dos movimentos negros e, especialmente de mulheres negras, na produção de
diagnósticos sobre as desigualdades raciais e na proposição de políticas de promoção da
equidade.
Unidade 1. Conceitos: raça, etnia e racismo
Unidade 2. Pensamento Social Brasileiro e Raça
Unidade 3. Desigualdades Raciais
Unidade 4. Movimento negro e de mulheres negras
Módulo 4 – Estado e sociedade – 45 horas
Discutir sobre a atuação do Estado e da Sociedade Civil no processo de implementação
de políticas públicas com recorte de gênero e raça.
Unidade 1. Estado, sociedade e cidadania
Unidade 2. Direito Público
Unidade 3. Políticas públicas, ações afirmativas e raça
Unidade 4. Políticas públicas, ações afirmativas e gênero

Módulo 5 – Gestão de políticas públicas – 60 horas


Refletir sobre os desafios na elaboração de políticas públicas com recorte de gênero e
raça, uma vez que esta perspectiva acarreta, necessariamente, a promoção social da
igualdade e o combate às estruturas que reproduzem as relações de poder entre homens
e mulheres e a discriminação étnico-racial.

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Unidade 1. Conceitos de interseccionalidade, intersetorialidade e transversalidade


Unidade 2. Equidade de gênero e raça na cultura organizacional
Unidade 3. Planejamento governamental e orçamento público com enfoque de gênero e
raça
Unidade 4. Elaboração, monitoramento e avaliação de projetos

Módulo 6 – Metodologia de Projetos de Pesquisa e de Intervenção – 30h


Discutir sobre metodologias de projetos de pesquisa e de intervenção, visando a
construção de seus projetos de pesquisa sobre temas tratados neste curso, relacionados
às categorias: gênero, raça e políticas públicas.
Unidade 1. Métodos Qualitativos: A produção do conhecimento e as políticas públicas
Unidade 2. Métodos Quantitativos: subsídios para a ação

Processo de elaboração do TCC – 90 horas

São conteúdos que se destinam a influenciar a construção de novas práticas


sociais, incentivando gestores/as públicos (dentre eles, os que atuam no campo da
educação) na elaboração de propostas educacionais que se propõem, conforme Louro
(2000, p. 20), a fazer ruptura “com as relações hierárquicas das salas de aula
tradicionais, com o monopólio dos experts, bem como a dicotomia entre o objetivo e o
subjetivo, a razão e a emoção”. Ademais, o currículo é, ainda, uma questão de poder,
pois como adverte Silva (2010a, p. 16): “Selecionar é uma operação de poder.
Privilegiar um tipo de conhecimento é uma operação de poder”.
No tratamento de temas da área da diversidade na educação a distância,
também, traz à tona questões que tem sido, historicamente, objeto de disputas políticas,
mostrando-se como possibilidade para sujeitos conversarem sobre estas experiências;
tornando-se um instrumento possível de superação da ausência de legitimidade das
identidades marcadas como fora do padrão de normalidade, desenhado sob a égide da
cultura ocidental européia.
Dessa forma, queremos, com estas sinalizações, pensar mais sobre as
contribuições da educação a distância na contemporaneidade, sobre suas expectativas
sociais e de como esta modalidade pode disseminar os temas da diversidade. Será, pois,
que podemos falar aqui de uma “educação a distância das emergências”, aproximando-
nos da sociologia das emergências discutida por Santos (2006, p. 798) como algo que

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“expande o domínio das experiências possíveis”? Estamos olhando para este contexto
da EaD como pista ou rastro que revela dilemas do presente e amplia possibilidades de
diálogo sobre diversidade. Estes, e não outros elementos da diversidade em tratamento
entram no bojo da problemática do poder, das seleções e dos selecionados. Como
experiências possíveis, o fato de que alguns elementos sofreram influências outras, não
estabeleceriam limites nas vivências e aprendizagens alcançáveis? Quem decide o quê?

4 À GUISA DE REFLEXÕES....

Estamos discutindo um processo de construção de experiência com


aprendizagens virtuais, a partir de encontros on-line5 com possibilidades ou não de
momentos criativos e coletivos de troca, socialização e construção de novas idéias e
saberes a serem estudados e aprofundados sobre a diversidade. Isto nos faz refletir sobre
algumas questões:
Inicialmente, apontamos um elemento que atravessa a discussão, ainda que
não seja foco deste estudo. É possível pensar sobre como as possibilidades de formação
on-line são construídas sob a perspectiva de diferentes concepções de aprendizagem:
objetivista/empirista, subjetivista, cognitivista e sócio-histórico, as quais têm como
questão central, respectivamente, mudança de comportamento resultante de estímulos
externos; centralidade do aluno no processo educativo; trocas recíprocas entre os
sujeitos e os objetos e a relação dialética teoria e empiria. (DIAS, LEITE, 2010). Nestas
questões, não devem ser desprezada uma modalidade de aprendizagem que pode ser
chamada questionadora; apreender através de questionamentos-respostas sistemáticos,
cumulativos e construtivos simultaneamente.
Sobre isso, nosso estudo chama atenção que, embora o sistema Moodle
tenha sido desenvolvido para propiciar uma aprendizagem construcionista e
colaborativa, apenas o uso da EaD e de seus recursos tecnológicos não se traduzem na
realização desse tipo de aprendizagem. As atividades não são construídas em interações
homogêneas, podendo ocorrer processos diversos de reconhecimento ou não de
identidades diferentes. É preciso mais reflexão sobre o que os sujeitos fazem com os
conteúdos do curso GPP-GeR na sala de aula virtual ou fora da mesma.
A análise de como o espaço virtual vem impulsionando processos de
formação na área da diversidade, no âmbito do Sistema Universidade Aberta do Brasil e
das contribuições que a educação a distância pode oferecer para o desenvolvimento

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destas políticas de conhecimento relaciona-se às escolhas políticas na seleção de um


caminho (EaD) que possa construir processos de interação e aprendizagens, a partir de
duas dimensões interligadas e que podem ser propiciadas pela presença das tecnologias
da informação e comunicação, sem esquecer seus limites nas práticas educativas
virtuais! São elas:
A dimensão de distância, por seu princípio de flexibilização temporal,
espacial e pedagógico, tem alcance rápido e cumulativo de encontros, trocas,
convivência a qualquer momento e de qualquer lugar, desde que haja conexão
eletrônica. E, a dimensão aberta para ampliar a acessibilidade dos sujeitos (homens,
mulheres, jovens, idosos, negros, indígenas, homossexuais, portadores de necessidades
especiais...) à cultura da universidade ou democratização dos conhecimentos que são
produzidos neste espaço. São dimensões que podem ajudar na intervenção de situações
que merecem “soluções rápidas”.
E, assim, pensar esse contexto como a “educação a distância das
emergências” suscita-nos considerar as diversas possibilidades semânticas que o termo
“emergência” carrega. Por isso, pontuamos que a formação de sujeitos, na EaD, para o
tratamento de temáticas da área da diversidade na contemporaneidade pode ser
percebida como uma situação:
 Grave, comparada mesmo ao atendimento emergencial num hospital;
 Que está aparecendo, surgindo na formação on-line;
 Que está recente, sendo formada ou em vias de desenvolvimento, na
realidade estudada;
 Que está ajudando na busca de soluções e ações imediatas para o trabalho
educativo da problemática da diversidade na sociedade...
 Que intenciona incorporar temas da diversidade nas práticas sociais;
 Não-linear que sugere perspectivas de práticas educativas com autonomia
para o consumo e produção de tecnologias da informação e comunicação como
ferramentas que colaboram na construção colaborativa do conhecimento.
E, para não concluir, estamos inquietos/as por tentar compreender sistemas
complexos de multiplicidade de interações! Lembrando dos sujeitos envolvidos e as
relações dialéticas de saber-poder como produzir-disseminar-consumir esses e não
outros conhecimentos, focalizando nessas e não em outras diversidades.

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REFERÊNCIAS

ABOUD, Amanda F. Fundamentos da Educação a Distância: a teoria por trás do


sucesso. SERRA, Antonio R. C.; SILVA, João A. R. (Orgs.). Por uma educação sem
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Distância: ressignificando práticas. Brasília: Liber Livro Editora, 2005.
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Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12322&Ite
mid=561. Acesso em: 2 mar. 2012
BRASIL. Ministério da Educação. Edital nº 28 SECAD/MEC. Brasília, DF, 23 de
novembro de 2009. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12322&Ite
mid=561. Acesso em: 2 mar. 2012a
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo: Paz e Terra, 2002, v. 1.
DIAS, Rosilânia A.; LEITE, Lígia S. Educação a Distância: da legislação ao
pedagógico, Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.
HEILBORN, Maria Luiza.et al (Org.). Gestão de Políticas Públicas em Gênero e
Raça – GPP-GeR: Módulo 1. Rio de Janeiro: CEPESC; Brasília: SPM/MEC, 2010.
LOURO, Guacira L. Currículo, Gênero e Sexualidade. Porto: Porto Editora, 2000.
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São Paulo: Cengage Learning, 2010.
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decente: um discurso sobre as Ciências revisitado. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2006.
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professores para docência online. In: SILVA, Marco; PESCE, Lucila; ZUIN, Antonio.
(Orgs.). Educação online: cenário, formação e questões didático-metodológicos. Rio de
Janeiro: Wak Ed., 2010
SILVA, Robson Santos da. Moodle para autores e tutores. 2 ed. São Paulo: Novatec,
2011.
SILVA, Sirlene Mota P. da; NUNES, Antonio de Assis C. Curso de Gestão de
Políticas Públicas com Foco na Temática de Gênero e Raça. São Luis: UFMA, 2009.
(Mimeo)
SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do
currículo. Belo Horizonte: Autentica, 2010a.
TEIXEIRA, Cenidalva. Convênios e Projetos. In: Interativa: Revista do NEaD, Ed. nº
1, ano 1, dez. 2008.

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1
“A interação é uma ação recíproca entre dois ou mais atores em que ocorre intersubjetividade, isto é
encontro de sujeitos, que pode ser direta ou indireta (mediatizada). Interatividade pode significar a
potencialidade técnica oferecida por determinado meio (CD-ROMs de consulta, hipertextos em geral) ou
a atividade humana do usuário de agir sobre a máquina e de receber, em troca, uma “retroação” da
máquina sobre ele” (DIAS, LEITE, 2010, p. 38). O fator crucial é a troca que substancia estas realidades
2
O Sistema UAB foi instituído pelo Decreto 5.800, de 8 de junho de 2006, para "o desenvolvimento da
modalidade de educação a distância, com a finalidade de expandir e interiorizar a oferta de cursos e
programas de educação superior no País". Mais informações no site: http://uab.capes.gov.br/.
3
Os cursos da Rede de Educação para a Diversidade tiveram início na UFMA, em 2009, a partir de
processos seletivos dispostos nos seguintes Editais: Edital da Pró-Reitoria de Extensão – PROEX nº
002/2009; 008/2011, Edital da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PPPG) nº 11/2011; 12/2011 e
32/2011.
4
Trata-se de um Sistema de Gerenciamento de Aprendizagem (Course Management System – CMS ou
Learning Management System – LMS). A plataforma foi desenvolvida em código aberto, livre e gratuito
para aprendizagem a distância (virtual ou online), atendendo a filosofia do software livre. A palavra
Moodle é um acronismo para Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment (Ambiente de
Aprendizagem Dinâmico Orientado a Objetos).
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Para Kátia Alonso (2005), o encontro é um elemento significativo para organização de sistemas de
ensino, pois é catalisador dos processos da aprendizagem. Ele é necessário para que a aprendizagem
ocorra efetivamente. Não existe aprendizagem totalmente à distância, todo e qualquer processo nesse
sentido deve propiciar momentos de troca, encontros que possibilitem convivência.

VII Encontro de pesquisa em educação da UFPI: Teresina, PI, 2012 – ISSN: 23168013