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21/11/2018 MAKAVELI : teorizando: Gulag soviético: uma análise histórica fora do mito.

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QUINTA-FEIRA, 12 DE FEVEREIRO DE 2015


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Gulag soviético: uma análise histórica fora do mito. Pesquisar

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É impossível compreender o século Postagens


XX sem ter um sólido domínio da história da
Comentários
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
(URSS). Contudo, mesmo tendo essa centralidade
fundamental na dinâmica do século passado, a TOTAL DE VISUALIZAÇÕES DE PÁGINA
história da URSS é em grande parte 2 9 0 3 2 4
desconhecida. As disputas da Guerra Fria e todo o
enfrentamento entre movimento comunista e
SEGUIDORES
capitalismo mundial provocaram uma névoa de
Seguidores (142) Próxima
desconhecimento e ignorância sobre a história
soviética que é difícil de dissipar. Os enganos,
erros brutais, afirmações absurdas e narrativas
grotescas abundam. O historiador israelense
Moshe Lewin, que estudou a história soviética por 50 anos, afirma que quando os “especialistas” vão
escrever sobre o tema “sua criatividade parece ser aguçada”. O filósofo francês Jean Salem, citando
seu amigo Alain Besançon, afirma “em matéria de sovietologia nem sequer vale a pena mantermo-nos Seguir
atualizados. O que é preciso é aprender a crer no inacreditável”.

Um dos muitos mitos que pairam sobre a história soviética é o que reveste o Gulag – TRADUZA ESSE BLOG
sigla para: Administração Geral dos Campos de Trabalho Correcional e Colônias. O Gulag soviético é Selecione o idioma
comparado ao campo de concentração nazista, tomado como campo de extermínio; mostrado como
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um dos grandes horrores do século XX – essa Era dos Extremos, no dizer do saudoso Eric Hobsbawm.
Os objetivos desse texto são bem simples. Pretendemos traçar uma análise histórico-social do que era
o Gulag soviético, mostrar se as “narrativas clássicas” da época da Guerra Fria estão certas e elencar QUEM SOU EU

elementos para entender o porquê dessa imagem atual do Gulag ser a dominante – e não outra. jonesmakaveli
Visualizar meu perfil completo
Entretanto, antes de iniciar a análise histórica propriamente dita, é necessário fazer uma
ressalva. O materialismo histórico entende que a análise histórica cientificamente correta deve partir
do ponto de vista da totalidade. O que não quer dizer, é lógico, analisar tudo ao mesmo tempo. O
Gulag soviético deve ser analisado como um componente político-institucional de uma sociedade POSTAGENS POPULARES
complexa; delinear minimamente a composição de classe, o sistema político, as relações de produção
Gulag soviético: uma análise histórica
e a ideologia dominante na sociedade soviética seria fundamental para produzir uma crítica teórico-
fora do mito.
metodológica acertada do Gulag Soviético. Não obstante, em vista do espaço e para evitar tornar o É impossível
texto muito difícil e extenso, teremos que nos abster o máximo possível dessa análise. As menções à compreender o século XX sem ter um
história soviética para além do Gulag serão pequenas e só usadas quando indispensáveis. sólido domínio da história da União
das Repúblicas Socialistas So...

O mito Gulag: equiparação ao campo de concentração nazista. O socialismo defende salario igual
para todos?
Antes de falar do o que era o Gulag Soviético, vamos tratar do que dizem que ele foi. Esse é o primeiro texto de uma série
Ao final da Segunda Guerra Mundial, o movimento comunista estava no auge do seu prestígio no que farei para tirar dúvidas básicas
de quem está começando a conhecer
mundo. Em todos os continentes existiam PCs (partidos comunistas) fortes e organizados, os os temas do socialismo, marxism...
processos de descolonização da África e Ásia marchavam juntos com a luta pelo socialismo, na
Europa Ocidental os comunistas ganham força inédita, na América Latina o imperialismo As palavras de Ciro Gomes
estadunidense treme com a possibilidade de perder seu quintal. O grande comunista Luiz Carlos
Prestes quando ganhou fama
nacional dirigindo a “coluna prestes”
ainda não era comunista, mas sem
O prestígio soviético [depois da vitória sobre os nazistas], estendido aos partidos dúvida u...
comunistas, possibilitou a elevação espetacular de filiações de militantes advindos das

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lutas de libertação, compreendendo estudantes, intelectuais e operários. (...). O partido
Contra a “pós-modernização” do
italiano salta de 5 mil membros em 1943 para 2 milhões em 1946; o francês vai de 1 Partido dos Panteras Negras
milhão quando tinha 30 mil em 1943. Até mesmo o sempre pequeno partido comunista Vamos começar esse texto com uma
inglês consegue triplicar seus adeptos: vai a aproximadamente 50 mil filiados em 1944-45. longa citação de Lênin do clássico “O
Estado e a Revolução”: Dá-se com a
Em países mais desenvolvidos, como Áustria, Finlândia, Bélgica, Dinamarca e Noruega, doutrina de Marx , neste m...
que, agrupados, somavam mais ou menos 100 mil membros, em 1947 já totalizavam 600
mil (BRAZ, 2011 P. 197-198). É possível ser religioso e comunista?
Existe um discurso conservador
O imperialismo estadunidense não podia, é óbvio, observar o avanço dos comunistas baseado numa “meia verdade” de
que é impossível ser comunista e ser
parado. Traçou uma estratégia muito clara: reorganização do capitalismo mundial sob seu comando religioso, pois os marxistas pelo seu
através da criação da ONU, tratado de Bretton Woods, Bird (Banco Mundial de Desenvolvimento) e mé...
FMI (Fundo Monetário Internacional). Para a Europa a reconstrução foi pensada e executava através
do Plano Marshall, que criava o padrão Fordismo/Estado de Bem-estar social e garantia a hegemonia Princípios para uma formação política
revolucionária
estadunidense, e no “resto do mundo” tivemos uma síntese criativa de invasões militares brutais
O objetivo dessas linhas é expor de
diretas pelos EUA e apoio ostensivo às ditaduras sangrentas que garantiam a continuidade do maneira mais ou menos sistemática o
capitalismo [1]. que considero serem os maiores
erros no processo de formação políti...
Porém, como Antônio Gramsci nos ensinou, a dominação político-econômica tem que
Eu financio essa porra?
ser acompanhada de hegemonia ideológica. Era necessária e urgente uma estratégia frontal de
O debate sobre a questão das drogas
enfrentamento ao prestígio soviético e dos comunistas. A estratégia usada foi brilhante – é triste é sem dúvida um dos mais polêmicos
admitir isso. A URSS foi à principal responsável por destruir o nazifascismo, libertou grande parte de entre a esquerda. Um ponto central
Europa e todo o mundo; então o imperialismo estadunidenses e seus mercenários acadêmicos nesse debate é o papel que cump...
resolveram passar a equiparar a União Soviética com a Alemanha Nazista. Tal equiparação, quase um
O anticomunismo de esquerda
milagre da cretinice sociológica, foi conseguida graças, principalmente, à categoria de totalitarismo
O anticomunismo de esquerda* Nos
[2]. Estados Unidos , por centenas de
Com a categoria de totalitarismo o fascismo italiano, o nazismo alemão e o socialismo anos, os interesses
soviético eram colocados no mesmo “saco”, mil analogias eram criadas e supostas semelhanças nunca predominantemente incansáveis
propagaram o an...
antes reparadas pipocavam a todo o momento. Depois que a estratégia começou a dar resultado os
espadachins da Guerra Fria (Marx chamava os economistas burgueses de espadachins da burguesia) Um esclarecimento histórico sobre o
foram mais longe: o socialismo soviético era pior que o nazismo, a pior coisa que já passou pela terra. centralismo-democrático
Satã perto de Stálin era um bom moço – quase um estudante presbiteriano temente a Deus. Stálin, Lênin e Kalinin O centralismo-
O historiador François Furet, ex-marxista e hoje dedicado serviçal da classe dominante, democrático é uma forma
organizativa que tem como principal
escreveu essas distópicas palavras (citações de textos da internet sem paginação ficaram na nota de teórico V. I. Lênin e como experiê...
rodapé e não na bibliografia) sobre o sociedade/governo soviético:
A "grande fome" na Ucrânia
O regime da União Soviética sob Stálin, quando aparece, no início da década de 30, não (Holodomor): um dos maiores mitos
do século XX
tem precedentes na História. Não se parece com nada do que existiu. Nunca um Estado
marcha neonazista na Ucrânia, foto
teve como objetivo matar, deportar ou reduzir à servidão seus camponeses. Nunca um de 2016 Os aparelhos ideológicos e
partido substituiu tão completamente um Estado. Nunca ele controlou tão integralmente intelectuais da burguesia estão em trabalho
toda a vida social de um país e a vida de todos os cidadãos. Nunca uma ideologia política frenético para nos 10...
moderna desempenhou um papel assim no estabelecimento de uma tirania tão perfeita que
os que a temem devem, porém, saudar seus fundamentos. Nunca uma ditadura teve um
ARQUIVO DO BLOG
poder tão grande em nome de uma mentira tão completa e, contudo, tão poderosa sobre as
mentes [3]. Novembro (2)
Outubro (1)
Essa operação não estaria completa sem os dois principais nomes do “exército anti- Setembro (2)
soviético” (e comunista): Hannah Arendt e George Orwell. O inglês é responsável pelo genial Agosto (1)
romance (do ponto de vista literário), 1984. A história de uma sociedade totalitária onde um partido
Julho (1)
controla tudo e todos – até os pensamentos. Já Arendt, é a principal formuladora da categoria de
Junho (2)
totalitarismo. Vale a pena dar vazão às suas palavras:
Maio (9)
Por outro lado, a prática russa [soviética] é mais “avançada” do que a nazista em um Março (5)
particular: a arbitrariedade do terror não é determinada por diferenças raciais, e a aplicação Fevereiro (3)
do terror segundo a procedência sócio-econômica (de classe) do indivíduo foi abandonada Janeiro (2)
há tempos; de sorte que qualquer pessoa na Rússia pode subitamente tornar-se vítima do Dezembro (2)
terror policial (ARENDT, 2009, p. 26).
Outubro (6)
Setembro (1)
Nas sublimes palavras da nossa autora, o sistema soviético era mais repressivo que o
nazismo. A partir dessa estratégia ideológica definida, uma série de mitologias histórico-políticas Agosto (5)
grotescas foram criadas. Afirmaram que Stálin e o governo soviético eram anti-semitas (como Julho (4)
equipara-lo à Hitler sem o “charme” do anti-semitismo?), que o governo soviético perseguia Junho (4)
nacionalidades específicas por racismo, que Stálin acreditou e confiava piamente em Hitler na Maio (6)
assinatura do pacto germano-soviético de não agressão, que os sistemas políticos eram iguais e que Abril (8)
ambos – atenção nesse ponto! – tinham como característica os campos de extermínio como forma de
Março (8)
domínio sobre as massas. O Gulag Soviético seria o homólogo do Auschwitz nazista.
Fevereiro (6)

Essa mitologia histórico-política só cresceu e ganhou corpo com o fortalecimento da Janeiro (7)
propaganda anticomunista, e quando o movimento comunista entrou em crise e quase veio a sua fase Dezembro (5)
terminal, essa lenda ganhou ares de verdade absoluta. Para coroar isso, um dissidente reacionário da Novembro (1)
União Soviética, o famoso Alexander Soljenítsin, em 1976, afirma que “entre 1917 e 1959 tinham Outubro (2)
morrido 110 milhões de pessoas [na URSS]”. O livro de Soljenítsin vendeu só na França mais de 900 Setembro (2)
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mil exemplares [4] – some a isso as disputas no seio do Partido Comunista da União Soviética Agosto (4)
(PCUS) na pós-morte de Stálin que redundaram no XX Congresso e no famoso discurso denunciando
Julho (1)
o culto à personalidade, que foi mais uma peça de propaganda anticomunista do que uma avaliação
Junho (2)
séria das debilidades da União Soviética.
Maio (4)

O Gulag fora do mito. Abril (3)


Março (4)
Para compreender o Gulag Soviético é necessário, como avisamos antes, traçar em Fevereiro (3)
linhas gerais o quadro econômico, político, ideológico e geopolítico da União Soviético entre os anos Janeiro (5)
vinte e o fim dos anos cinquenta (quando o Gulag é desativado). A descrição será rápida, sem muita Dezembro (5)
profundidade e lacunar, mas suficiente para os nossos objetivos teórico-metodológicos.
Novembro (7)
Outubro (6)
Depois da Revolução Russa de outubro, o governo revolucionário esperava com ardor
e firmeza o deslace da revolução mundial. Embora o movimento comunista no mundo tenha feito Setembro (3)
progressos impressionantes, sendo o mais notável a criação da Terceira Internacional ou Internacional Agosto (9)
Comunista (IC) e o aumento substantivo de PCs mundo a fora, a revolução mundial não veio. Os Julho (10)
bolcheviques tinham uma difícil missão: edificar o socialismo em uma economia atrasada, agrária, Junho (3)
ainda com traços feudais; arrasada pela primeira guerra mundial e a guerra civil (quando 17 potências
Maio (9)
reacionárias invadiram a Rússia) e isolada mundialmente.
Abril (2)
Março (5)
A situação era inédita do ponto de vista histórico e não existia nem sequer qualquer
paralelo teórico para se espelhar. Depois da morte de Lenin, no começo de 1924, o pólo unificador dos Fevereiro (8)
bolcheviques some e uma forte disputa no seio do partido pelo poder se instala. Para além da Janeiro (8)
conhecida polêmica “socialismo em um só país VS revolução permanente”, o que estava em jogo era Dezembro (9)
um modelo de desenvolvimento socialista. Trotsky quando perdeu os seus poderes no Partido e na IC Novembro (12)
defendia a coletivização forçada do campo e a industrialização acelerada; Stálin e Bukhárin, os
Outubro (8)
principais nomes da tendência majoritária do partido, defendiam a continuidade da NEP e a
Setembro (4)
coletivização gradual do campo via medidas indiretas do poder público (como estimular a formação
Agosto (3)
de cooperativas etc.).
Julho (8)
Depois de derrotar Trotsky e exilá-lo da União Soviética, em uma virada inesperada e Junho (3)
brusca, Stalin passa a defender praticamente o mesmo programa que seu inimigo derrotado. Assume Maio (3)
da defesa da coletivização forçada do campo e da industrialização acelerada. Dois motivos principais Março (1)
colocam essa perspectiva para Stálin (que representava um grupo amplo dentro do Partido): A) A Fevereiro (1)
adesão à ideia de que a força dos kulaks ameaçava o poder do partido e era necessário exterminá-los
Junho (1)
enquanto classe; B) A posição de que no cenário geopolítico a URSS seria tratada como inimiga de
todos os países imperialistas e era necessário construir rapidamente uma forte indústria de base e Março (1)

militar para defender o país de uma guerra vindoura. Sobre a primeira perspectiva, assinala Marcelo Fevereiro (1)
Braz:
VOCÊ CONCORDA COM A MIDIA
A guerra contra os kulaks trouxe drásticas consequências imediatas ao povo russo, que se BRASILEIRA?
viu diante do racionamento de alimentos devido ao boicote organizado pelos grandes
proprietários de terras que reagiram como estocagem da produção, e mesmo com à
destruição de grande parte dela. Em 1928, a retenção do trigo realizada pelos kulaks
obrigou o governo soviético a comprar o produto no exterior. Nas regiões dominadas pelos
grandes fazendários, a reação envolveu inclusive a perseguição àqueles que apoiavam a
iniciativa do governo, com ameaça e assassinatos. A liquidação desta classe significou
efetivamente a defesa da Revolução Russa por parte do governo bolchevique (Braz, 2011
P. 155).

E sobre o perigo das invasões estrangeiras pelas potências imperialistas, o próprio Stálin avaliou bem
A BLOGUEIRA YOANI SÁNCHEZ É?
a questão:

Num discurso pronunciado em 1931, Stálin lembrou que a Rússia "foi derrotada pelos beis
turcos. Foi vencida pelos nobres poloneses e lituanos. Foi derrotada pelos capitalistas
ingleses e franceses. Foi superada pelos barões japoneses. Todos a venceram – devido ao
seu atraso... Estamos 50 ou 100 anos atrás dos países adiantados. Devemos superar essa
distância em 10 anos. Ou fazemos isso ou eles nos esmagam" (Davis, 1978, p. 116).

O início dessa estratégia de desenvolvimento que se pretendia socialista combinada com a


situação de extrema pressão externa, forte disputa pelo poder dentro do Partido e forte enfrentamento
de classe (não só aos camponeses ricos) cria uma situação paradoxal na União Soviética: é combinado
em um só movimento um forte impulso democrático, modernizador e socializante e tendências ultra-
autoritárias e repressivas. A democracia soviética é desenvolvida com o fim da miséria, fome (ao fim
dos anos trinta), desemprego, analfabetismo, garantia universal de acesso à saúde, educação e cultura,
forte progresso tecnológico, combate incansável ao racismo, patriarcado (com muitas falhas e limites)
anti-semitismo e opressão as minorias nacionais e ao mesmo tempo é comprimida com a universal
caça aos “quinta coluna”, a violência do processo de coletivização e industrialização acelerada e o
combate aos kulaks.

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A ambiguidade do legado autocrático e democrático de Stálin até se manifesta nas
repressões dos anos 30. A campanha contra os trotskistas e sabotadores em 1937, que
conduziu milhões à prisão e milhares à morte, correspondeu a um movimento de massas
lançado nos sindicatos e nos locais de trabalho pelo alargamento da democracia. O líder
dos sindicatos, Nikolai M. Chvérnik, lançou este movimento no sentido de aplicar nos
sindicatos os direitos consagrados na Constituição de 1936, ou seja, eleições secretas com
múltiplos candidatos, um maior envolvimento das bases e uma maior prestação de contas
por parte das direções sindicais. Este movimento estava de mãos dadas com a campanha
contra o culto dos líderes, pela erradicação dos dirigentes corruptos, dos oposicionistas
dissimulados e outros "inimigos do povo", que desviavam fundos dos sindicatos, violavam
as normas de segurança, sabotavam habitações, serviços sociais e a produção. Como
resultado deste levantamento a partir de baixo, no final de 1937, "mais de um milhão e 230
mil pessoas foram eleitas em 146 sindicatos e em centenas de milhares de organizações
sindicais e comités de empresa (...) O resultado final das eleições traduziu-se numa
mudança radical de quadros. Mais de 70 por cento dos antigos comitês de fábrica, 66 por
cento dos 94 mil presidentes de comitês de fábrica e 92 por cento dos 30.723 membros dos
comitês plenários regionais foram substituídos". O que aconteceu nos sindicatos e locais
de trabalho em 1937 foi literalmente um movimento democrático a partir de baixo para
afastar e punir determinados líderes sindicais. A historiadora Wendy Goldman chamou-lhe
uma "repressão democrática", e notou que esta "repressão não constituiu um ato contra o
povo soviético realizado por uma 'entidade' maléfica, mas foi ativamente apoiada e
difundida pelo próprio povo em todas as instituições" [6].

Essa dialética entre emancipação de milhões de pessoas e regressão de várias conquistas


da própria Revolução de Outubro (como o desenvolvimento da autogestão operária e o funcionamento
dos Sovietes como órgãos de poder) é às vezes bem sintetizada por Leon Trotsky. O principal
adversário político de Stálin, derrotado por ele, não deixa de se vangloriar em júbilo pelos êxitos da
planificação e da estratégia de desenvolvimento soviética.

O mundo burguês começou por fingir que não via os êxitos econômicos do regime dos
sovietes, que são a prova experimental da viabilidade dos métodos socialistas. Perante a
marcha, sem precedentes na História, do desenvolvimento industrial, os sábios
economistas a serviço do capital ainda tentam muitas vezes manter profundo silêncio, ou
então se limitam a relembrar “a excessiva exploração” dos camponeses. Perdem assim
uma excelente ocasião de nos explicar por que razão a exploração desenfreada dos
camponeses, na China, no Japão e na Índia, nunca provocou um desenvolvimento
industrial acelerado, nem mesmo em grau diminuto, comparado ao da U.R.S.S.
(TROTSKY, 1980, p.5).

Voltando a questão da repressão e nos preparando para entrar propriamente na questão


do Gulag soviético, cumpre elucidar mais um ponto. A teoria marxista da transição socialista não é
contra a repressão. Ao contrário, Lenin em sua obra clássico o Estado e Revolução (LENIN, 2007),
definiu que a principal missão do Estado revolucionário no período de transição era reprimir as antigas
classes dominantes e garantir a construção do socialismo – defendendo as novas formas de
propriedade. Os próprios Marx e Engels, no Manifesto do Partido Comunista, afirmaram que a
transição socialista só pode acontecer “mediante intervenções despóticas no direito de propriedade e
nas relações de produção burguesa” (MARX e ENGELS, 2001, p. 60). A grande questão do governo
soviético é que as repressões por causa das disputas de poder no seio do Partido e a situação de
insulamento com necessidade de rápido desenvolvimento das forças produtivas fizeram com que a
repressão deixasse uma marca indelével na sociedade soviética e fossem muito além de apenas as
classes burguesas.

O processo de criação e expansão do Gulag enquadra-se nesse processo (acima


descrito): repressão junto à democratização e elementos de emancipação. Segundo o historiador
Moshe Lewin, desde o início da Revolução Russa, os bolcheviques tentaram várias inovações
jurídicas e criminológicas. O paradigma do trabalho era muito forte. A ideia de que cumprindo
reclusão o detento deveria ter acesso ao trabalho produtivo (e remunerado) e que este seria
fundamental no seu processo de reeducação.

O Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD – sigla em russo) foi


responsável pela administração dos campos de trabalho e colônias. A descrição de Lewin é
importante:

Para supervisionar o sistema penitenciário – campos, colônias, prisões – uma nova agência
administrativa foi criada, chamada Gulag, ou Diretoria Geral dos Campos, que também se
encarregava das prisões e colônias para pequenos crimes e delinquentes juvenis. Uma
agência separada dentro dela era responsável por pessoas condenadas ao exílio e
isolamento nas colônias de repovoamento – kulaks, por exemplo. Este é apenas o início da
história. Em torno e em combinação com o Gulag, o NKVD criou uma rede, de bom
tamanho, de agências administrativas, florestais e de desenvolvimento da região do
Extremo Oriente (o Dal’stroi). Projeto de pesquisa e de engenharia para produção de

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armas, inclusive atômicas, foram criados em campos especiais de presos – os chamados
charashki -, com grandes especialistas, entre eles Tupolev (aviões) e Korolev (foquetes).
(LEWIN, 2007, p. 149).

Lewin afirma que no período da NEP o regime interno das prisões e campos era muito
brando, e que o “liberalismo” dessa época foi superado no início dos anos 30. O autor comete a falha
de não considerar as reorientações políticas como tomadas dentro de um quadro histórico concreto que
abarca a situação da luta de classe interna, o contexto geopolítico e os desafios do desenvolvimento
econômico soviético. O fato que é diferentemente dos campos de extermínio nazistas, o Gulag
soviético passou a integrar o aparato produtivo do país dentro da estratégia geral de desenvolvimento
rápido e vigoroso das forças produtivas.

A ideologia oficial do Estado Soviético nos anos 30 afirmava que o socialismo estava
sendo construído pelos trabalhadores do país. Cada nova estatística, cada novo aumento da produção,
era mais um sinal do êxito do socialismo. Nesse titânico esforço todos devem contribuir. O frenesi
pelo desenvolvimento era tão grande que várias vezes erros na produção eram tratadas como traição
nacional – muitos gerentes de fábrica e diretores de sindicatos que não cumpriam suas cotas de
produção estabelecidas no plano quinquenal sofriam pressão da base e da cúpula do Estado, sendo não
poucas vezes afastados do seu posto [5].

Os prisioneiros não ficavam de fora dessa euforia desenvolvimentista. Enquanto no


campo de extermínio nazista o judeu ou o comunista era o inimigo, um não-cidadão inferior
racialmente e impuro que deve ser eliminado o quanto antes, no Gulag soviético até pelo menos 1938
o preso é um camarada que comentou um erro – seja um crime político como ser trotskysta ou um ex-
kulak, ou crime comum, como roubo – mas que pode se regenerar e fará isso através do trabalho, da
produção, também dando sua contribuição na construção do socialismo.

Necessitando de operários especializados [em um Gulag do Extremo Norte], treinam


aqueles que as tinham. Muitos deles, ex-kulaks, eram analfabetos ou semianalfabetos, e
isso provoca problemas enormes quando se devia enfrentar projetos de certa complexidade
técnica. Por isso, administração dos campos equipou escolas de formação técnica, que por
sua vez exigiam outros edifícios e novos quadros: ensinantes de matemática e da física,
como mero "instrutores políticos" para superintender o seu trabalho. Nos anos quarenta,
Borkuta, uma cidade construída sobre um terreno permanentemente gelado, onde as
estradas deviam ser reasfaltadas e tubulação consertada toda primavera, tinha agora um
instituto geológico e uma universidade, teatros, teatro de marionetes, piscinas e asilos
(APPLEBAUM Apud LOSURDO, 2010, p. 153).

Ainda sobre esse impulso desenvolvimentista:

Para terminar, os operários mais eficientes eram soltos antecipadamente; para cada três
dias de trabalho nos quais a tarefa era realizada cem por cento, cada detido pagava um dia
de pena. Quando o canal [do mar Branco] ficou terminado em tempo, em agosto de 1933,
foram libertados 12.484 prisioneiros. Muitos outros receberam medalhas e prêmios. Um
detido festejou a sua liberação antecipadamente com uma cerimônia no qual houve
também a tradicional oferta russa do pão e do sal, enquanto os assistentes gritavam:
“Hurra para os construtores do canal!” No ardor do momento, começou a beijar uma
desconhecida. Acabaram passando a noite juntos à beira do canal (Idem, p. 155).

A pergunta natural que surge é sobre as condições de trabalho. Evidentemente, que o


trabalho produtivo e não danoso à saúde no sistema prisional agrada muitos teóricos da
ressocialização, mas a análise das condições de trabalho é fundamental: ela indica se o trabalho tinha
função realmente progressista ou servia como uma espécie de tortura ao detido. Nessa questão temos
um problema no caso soviético. Existiam campos com condições muito mais extremas do que o geral,
como o chamado “Gulag atômico”.

Como ilustra a pesquisa dos irmãos Medvedev, a União Soviética usou o modelo Gulag
para produzir secretamente urânio e instalações capazes de criar a bomba atômica. Por causa da falta
de conhecimento dos perigos da radiação do urânio e o extremo segredo do empreendimento (nunca é
demais lembrar que a URSS era cercada por potências reacionárias que queriam sua destruição e
trabalhavam ativamente para isso) que impossibilitava criar uma estrutura melhor em torno desses
campos (como criar hospitais, creches, asilos, etc.), o índice de mortalidade e os acidentes de trabalho
e o controle sobre os presos eram muito maior que a média geral (embora os “Gulags atômicos”
sempre tenham sido minoria entre os campos) (MEDVEDEV, 2006, 213-242).

Outro elemento trágico no Gulag soviético era o grande número de tragédias por erros
administrativos e decisões políticas erradas. O autor que estamos seguindo (Domenico Losurdo)
descreve a tragédia de Nazino, na Sibéria ocidental, quando um conjunto de exilados em campos
deveria cultivar na ilha:

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Privados de apetrechos, com os medicamentos e comida desparecida em grande parte
durante a viagem, numa ilha completamente virgem, sem nenhuma construção e sem
víveres, os deportados procuram sobreviver alimentando-se de cadáveres ou praticando
antes de verdadeiro canibalismo. São detalhes tirados de uma carta enviada por um
dirigente comunista local a Stalin e depois comunicada a todos os membros do Politburo,
que ficaram de algum modo transtornados com isso (APPLEBAUM Apud LOSURDO:
2010, p. 154).

Tragédias como essa causada por falta de organização e planejamento adequada se


repetem, mas sem a proporção de horror de Nazino. A própria característica do Estado Soviético ajuda
a entender o fenômeno. O modelo de planejamento adotado privilegiou uma ultra-centralização do
poder e das decisões no cume do Estado, deixando pouca margem de atuação para a base (a difícil
situação interna e no plano internacional, era elencada como justificativa para isso e em certa medida,
a justificativa estava correta). Então muitas vezes o poder central tomava decisões incapazes de serem
concretizadas no nível objetivo de aplicação, ou seja, na base, e isso gerava problemas.

Losurdo cita as taxas de mortalidade média do Gulag soviético em 4,8% da população


total ao ano (número substancialmente alto, sem dúvida). O número não abarca os Gulags de regiões
secretas e segundo o autor trabalhado por Losurdo, os números podem estar subestimados. Contudo, é
importante frisar que “altas taxas de mortalidade e de evasões podiam levar a sanções severas”, “as
seções sanitárias dos campos temiam ser acusadas de negligência ou intempestividade na recuperação
dos doentes e “sobre os dirigentes dos campos pairava constantemente a ameaça de inspeções”
(KHLEVNIUK Apud Losurdo: 2010, p. 169).

Portanto, vemos que o impulso desenvolvimentista que perpassava toda sociedade


soviética no esforço de construção do socialismo também estava presente nos prisioneiros dos Gulags
- que eram camaradas, participavam do esforço produtivo, recebiam salários e trocavam dias de
trabalho por encurtamento da pena. As condições de vida no geral não eram violentamente duras
(dentro das condições gerais de vida do povo soviético, que nos anos 20 e 30 eram difíceis, afinal, era
um povo lutando para superar a miséria e o “atraso”), à exceção, como já falamos dos campos de
trabalho secretos (minoria). As tragédias que surgiram eram por erros administrativos e de condução
política, mas não por um instinto assassino ou qualquer política sistêmica de extermínio do inimigo ou
de raças inferiores, e os dirigentes esforçavam-se constantemente para aprimorar o sistema prisional
(sem qualquer semelhança com o campo de concentração nazista, como ficará implícito e
demonstraremos a posteriori).

O status social do prisioneiro.

É atribuído ao líder sul-africano Nelson Mandela a frase de que para conhecer uma
sociedade, “é necessário conhecer suas prisões”. O conhecimento do Gulag soviético necessita que
olhemos mais de perto do status social do preso. Sabemos bem que no regime nazista e no
imperialismo que domina a África e Ásia, o prisioneiro não é um cidadão, um membro do corpo social
dotado de direitos que vai passar por um processo educativo, pelo contrário. O preso é o inimigo, um
sujeito a ser eliminado, a raça inferior que envenena o mundo com sua impureza e precisa ser
exterminado (VILLEN, 2013).

Aliás, os primeiros campos de concentração da História moderna foram criados na África


pelo imperialismo das potências européias. A função era bem clara: terror e extermínio. O século XX
“banalizou” o conceito de campos de concentração e seu nome virou sinônimo de uma prisão
brutalizante, com condições extremamente degradadas. Contudo, por rigor teórico, não podemos
deixar de perceber que o campo de concentração tem uma função específica dentro de um aparato de
dominação: a função de propagar o terror e realizar o extermínio de certa raça, nacionalidade ou grupo
político e/ou religioso (ZAFFARONI, 2007).

Como já demonstramos, o preso no gulag soviético era um camarada (até pelo menos
1937-38), alguém que participava do desenvolvimento e da construção do socialismo, mas que
cometeu “erros” e estava pagando por eles. Como o “camarada” preso era “recuperado” além do
trabalho? Uma forte atividade político-cultural era desenvolvida com os presos. A concepção vigente
acreditava que a educação e a propaganda política eram capazes de recuperar os prisioneiros (o preso
“comum” e o preso político). Como se sabe, os trotskysta são derrotados na disputa pelo poder do
PCUS nos anos 30 e muitos são feitos prisioneiros e/ou mortos. As reivindicações deles ilustram bem
sua situação enquanto preso:

Ampliar a biblioteca, incluir periódicos publicados na URSS, pelo menos, com edições da
seção da KI [internacional Comunista], atualizar sistematicamente as seções de economia,
política e literatura e as seções das obras nas línguas das minorias nacionais. Fazer
assinaturas de pelo menos um exemplar dos jornais estrangeiros. Permitir a inscrição em
cursos por correspondência. Organizar para tal fim um fundo cultural apropriado, como
acontece até nas penitenciárias criminais [...]. Permitir a introdução na prisão de todas as
edições estrangeiras admitidas na URSS, em particular os jornais estrangeiros permitidos,
sem excluir os burgueses [...]. Permitir a troca de livros entre presos e guardas [...].

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21/11/2018 MAKAVELI : teorizando: Gulag soviético: uma análise histórica fora do mito.
Adquirir papel em quantidade não inferior a 10 cadernos por pessoa por mês
(KHLEVNIUK Apud Losurdo, 2010, p. 153).

Essas reivindicações foram feitas depois de uma greve de fome e foram parcialmente
acolhidas. Chamam atenção duas coisas: em um campo de concentração onde a função é pura e
simplesmente exterminar seguimentos da população, a própria ideia de greve de fome não faria
sentido (a lógica, como sabemos, é que as autoridades vão atender aos pedidos para evitar que os
descontentes morram de fome); e o conteúdo das reivindicações é significativo. No Brasil, por
exemplo, esses pedidos são irreais para a imensa maioria dos presídios (em resumo os presos
soviéticos pedem mais cultura, acesso ao conhecimento e possibilidade de se “manter” ativo
politicamente).

Sobre o trabalho político-cultural propriamente dito de “recuperação” dos presos, um


relato da atividade de um campo, no ano de 1937, diz:

Notava com orgulho [o administrador] que na segunda metade do ano foram realizadas
762 conferências políticas, assistidas por 70.000 prisioneiros (provavelmente muitos
participavam mais de uma vez). Além disso, a KVC tinha organizado 444 reuniões de
informação política, das quais participaram 82.400 prisioneiros, publicado 5.046 “jornais
murais”, lidos por 350.000 pessoas; organizado 232 concertos e espetáculos, projetado 69
files e organizado 38 companhias teatrais (APPLEBAUM Apud LOSURDO: 2010,
p.157).

Essa “fé institucional” na recuperação era um fator tão significativo que muitos
presos acabavam trabalhando como administrador ou guarda no campo onde antes era prisioneiro (é
impossível imaginar um judeu ou comunista como administrador de um campo de extermínio nazista).
Porém, o status do preso muda substancialmente a partir de 1937-38. A perseguição uma quinta
coluna (real ou imaginária, não é tema do nosso texto debater isso) capilarizada por todo corpo social,
inclusive no Exército Vermelho, e os ventos da guerra que já estavam muito claros no horizonte,
provocam um fechamento político maior do governo soviético. Os guardas eram proibidos de chamar
agora os detentos de camaradas; nesse momento eles eram apenas “cidadãos” e o trabalho político-
cultural de recuperação perde ênfase, mas continua existindo.

Mesmo tendo o status social rebaixado, o preso do Gulag é vítima agora de uma
política sistêmica de extermínio por ser considerado um simples inimigo (ou racialmente inferior) da
sociedade? A resposta é não. O único episódio de extermínio em massa de presos dos campos
aconteceu entre 1941-1942, quando um quarto da população do Gulag morreu de fome, mas isso não
aconteceu por uma ação premeditada do governo, mas por causa dos efeitos da guerra – URSS contra
Alemanha hitleriana – que afetou a vida de toda população soviética. Entre 1941-1942 um milhão de
cidadãos morreram de fome só em Leningrado por causa do certo alemão (LOSURDO, 2010, p. 163).

Mesmo assim, durante a guerra, o governo soviético inicia a construção de um fundo


alimentar para ajudar a restabelecer o fluxo de alimentos nos Gulags e quando a guerra começa a virar
em benefícios dos soviéticos, a situação nos campos melhora muito até se restabelecer – cumpre
destacar que o status de camarada é restabelecido ao fim da Segunda Guerra Mundial nos campos até
sua extinção no governo pós-Stálin (LEWIN, 2007, p.193-222).

Números fantásticos, mentes criativas.

Quando se fala da história da União Soviética um aspecto sempre chama atenção: a


criatividade ao falar do número de mortos. E isso não é especificidade dos espadachins da Guerra Fria,
até historiadores sérios como Moshe Lewin (que estamos usando nesse trabalho), ao calcular o
número de mortos durante o governo de Stálin, coloca na conta um “número de não nascidos” – não
me parece existir qualquer justificativa plausível para criar essa categoria fantástica no estudo da
demografia soviética.

O filosofo Jean Salem, na sua brilhante entrevista ao Jornal Avante, comenta de forma
espirituosa esses números fantásticos de mortos:
Em 1956 tinha apenas quatro anos de idade. Só mais tarde, naturalmente, ouvi falar do XX
Congresso do PCUS. Nos anos 70, era eu membro das juventudes comunistas em França,
começou-se a falar cada vez com mais frequência de um milhão, dois milhões, de três ou
quatro milhões de vítimas da repressão stalinista, pressupondo-se evidentemente que numa
revolução nem todos os mortos são vítimas inocentes executadas por erro. Entre os anos
70 a 85, ou seja 30 anos depois do XX Congresso, assistiu-se ao inflacionamento
demencial dos números (40 milhões, 60 milhões, etc.), a uma assimilação grotesca do
stalinismo ao nazismo, e logo do sovietismo e do socialismo em geral ao nazismo.O que
penso é que esta aritmética macabra tem de ser verificada e, evidentemente, desmentida já
que é demasiado extraordinária para poder ser verdade [7].

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21/11/2018 MAKAVELI : teorizando: Gulag soviético: uma análise histórica fora do mito.
É claro que com o Gulag acontece o mesmo. O número de presos e mortos nos campos é
inflado de acordo com a falta de rigor teórico, o interesse político e o nível de cretinice do historiador.
O historiador Víktor Zemskov, do Instituto de História da Academia de Ciências Russa, foi
encarregado pelo governo do seu país de estudar a fundo as repressões da época stalinistas, com
acesso especial a todos os arquivos secretos (o governo que o designou foi o de Mikhail Gorbatchov,
alguém que não tinha a mínima intenção de reduzir a dramaticidade dos números).

Entre 1921-1953, segundo Zemskov, o governo soviético fuzilou por crimes políticos
(cabe destacar que existia um processual penal, embora em toda história soviética do período, as
regras do direito não eram imperativamente seguidas) 799. 455 pessoas. Reparam que o número
trazido abarca não só o período do governo de Stálin, mas o de Lenin e do Triunvirato – Kamanev,
Zinoviev e Stálin (é lógico que a repressão maior foi no período de Stálin). Para o “grande terror” de
1937-1938, nosso historiador achou um número total de 2,5 milhões de detenções – números que
batem com os fornecidos por Monshe Lewin no seu livro já citado (Lewin também teve acesso
especial aos arquivos russos) [8].

Independente do juízo que se faça dos números chama atenção à disparidade com versões
mundialmente famosas. A “historiadora” russa Olga Chatunóvskaia fala em vinte milhões presos no
“grande terror” (quase vinte vezes o número real). Quanto ao número de mortes, o famoso Robert
Conquest, digno espadachim da Guerra Fria, falava em 12 milhões (doze vezes mais que os 799. 455 –
em um período de quase trinta anos e com todas as condições históricas envolvidas). A metodologia
de Conquest é interessante e merece ser citada [9].

Quando os nazistas tomaram a cidade russa de Smolensk, eles pegaram documentos do


arquivo local que tratava das repressões políticas. Depois disso, o arquivo da mão dos nazistas passa
misteriosamente para os estadunidenses (é de notório saber que centenas de agentes nazistas entraram
no serviço secreto dos EUA ao fim da guerra para combater os soviéticos [10]). Conquest como bom
“servidor da pátria” pega esses documentos, deduz que os números que estão ali são encontráveis em
todas as regiões da União Soviética e cria o fantástico número de 12 milhões de mortos.

Estado Total?

No começo do texto falamos que a propaganda anticomunista na Guerra Fria não seria
tão genial sem a contribuição de Georg Orwell. O seu romance mais famoso, 1948, foi distribuído aos
montes pela CIA no mundo, transformado em filme, desenho, quadrinho, etc. Uma das imagens mais
significativas do romance de Orwell (que alguns tomam como análise histórica séria) é que ideia de
um Estado total, super poderoso, controlador e onipresente. Quando falamos do Gulag Soviético essa
imagem do Estado onipresente também é evocada. A ideia de presos hiper vigiados, sob máximo
controle, inevitavelmente vem ao imaginário social. Porém, assim como quase tudo que temos de
certo sobre a União Soviética, essa imagem é falsa.

A pesquisa de Víktor Zemskov também traz números sobre os fugitivos do Gulag


Soviético – já vimos que presos podiam tornar-se guardas e até administradores dos campos e que o
Estado soviético tinha dificuldades muitas vezes em executar suas medidas administrativas de forma
organizada, fatos que não combina com um Estado total onisciente. Zemskov fornece os seguintes
números: “as fugas dos campos eram muito frequentes; quase 400 mil presos fugiram entre 1934 e
1953, dos quais 38% não puderam ser recapturados” [11]. Esses números dificilmente são compatíveis
com a ideia de um Estado total, hiper controlador, e com o sistema prisional como seu reflexo. Se
olharmos mais de perto os números percebemos que começam a contar justamente no auge da
intensificação da repressão – pelos motivos que já tratamos – e mesmo assim temos um aumento
número de fugas e não recapturados elevado.

Aliás, faz-se-á necessário suprimir de uma vez com a lenda do “Estado 1984” citando
um trecho esclarecedor do livro do Domenico Losurdo:

Espaços de insegurança, mal controlados pelas autoridades, onde se concentram


marginalizados e gente fora da lei, onde os bandos armados atacam os kolkhozes isolados
e matam os raros “representantes do poder soviético”. Espaços de arbítrio e violência,
onde todos estão armados, a vida humana não tem valor e a caça ao homem, quando
acontece, substitui a caça aos animais [...]. Espaços em que o Estado, pelo menos aquele
definido por Max Weber como o “sistema que reivindica com sucesso o direito a legislar
sobre um território, enquanto monopolista do uso legítimo da força” está quase ausente
(KHLEVNIUK apud LOSURDO, 2010, p. 163).

A análise supracitada aborda a sociedade soviética nos anos 30, auge do poder do grupo
dirigente liderado por Stálin. É impossível compatibilizar a analise séria da realidade com a mitologia
política do “Estado 1984” – na verdade o Estado soviético só controla efetivamente todo seu território,
no sentido dado por Weber, depois da Segunda Guerra Mundial.

Conclusão: a crítica fora do mito.


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É muito comum a historiografia sobre a União Soviética desconsiderar todo o quadro


histórico concreto que delineia as condições de desenvolvimento e a construção do socialismo – o que
nós marxistas chamamos de condições objetivas – e reduzir todas as ações políticas do grupo dirigente
à mentalidade de Stálin: mentalidade traçada com base em um psicologismo barato onde ganha quem
criar um arquétipo mais sádico, louco e desumano.

Vimos que existiu na história soviética uma dialética entre emancipação/socialização


e repressão/regressão. O fim dos flagelos da miséria (fome, falta de moradia, desemprego, etc.), o
combate ao colonialismo, a derrota do nazifascismo, o fim da secular opressão contra nacionalidade,
os avanços no status social da mulher, etc. são fenômenos emancipatórios de enorme envergadura. A
União Soviética garantiu para seu povo direitos sociais e um padrão de vida que até hoje a maioria da
população do mundo está privada; ao mesmo tempo; a repressão política, fechamento do universo da
critica político-cultural (só permitido a linha do partido), esvaziamento dos Sovietes como órgãos de
poder e da autogestão operária – consolidação da linha do diretor único na fábrica – marcam
regressões significativas no período.

Essa dialética entre emancipação e regressão marca também a história do Gulag. Mesmo
compreendendo todo o cenário extremo – internamente e na arena internacional – que a URSS
enfrentava, o número de 2,5 milhões de presos não pode deixar de nos impressionar (de resto, é
importante lembrar que esse é o número atual de presos na “democracia” estadunidense [12]). Um
sistema prisional violentamente dilatado e amplo demais. De certo, dentro do processo de
coletivização e industrialização acelerada, o alto número de presos seria inevitável; mas parece claro
que houve um excesso de perseguição nos enfrentamentos políticos no seio do Partido e do Estado e
que esse número de presos poderia não ser tão catastrófico e o processo não tão violento – reduzir
essas perseguições e fortes enfrentamentos políticos à personalidade de Stálin não é um exercício de
pesquisa científica, mas de imaginação hollywoodiana.

Esse sistema repressivo pode guarda “elementos emancipatórios”. Já analisamos amplamente


o funcionamento interno do Gulag soviético; para termos uma visão correta do que ele significou na
história do povo, faz-se-á necessário comparar o Gulag com a prisão na época da Rússia Czarista
(apoiada por várias potências liberais do “Ocidente”). A descrição de Anton Techekhov é a seguinte:
Fizemos definhar na prisão milhões de pessoas sem nenhuma finalidade, sem nenhuma
consideração e de modo bárbaro, levamos essas pessoas em corrente no gelo por milhares
de verstas, nós as contagiamos com sífilis e as corrompemos, corrompemos e aumentamos
os criminosos, mas fomos nós todos que temamos as devidas distâncias desse assunto,
como se não nos dissessem respeito (APPLEBAUM Apud LOSURDO: 2010, p. 159).

Para ilustrar mais ainda o que estamos falando, é mister descrever a situação em uma
prisão do sul racista do Estados Unidos.

[...] que os detidos eram excessivamente e, às vezes, cruelmente castigados; que


estavam miseravelmente vestidos e alimentados, que os doentes não recebiam
cuidados, porque não se providenciara nenhum hospital e eram encerrados junto
com os detentos sadios". Uma pesquisa feita pelo grande júri no hospital da
penitenciária do Mississipi relatou que os pacientes traziam "todos em seus
corpos os sinais dos tratamentos mais inumanos e brutais. Muitíssimos têm as
costas dilaceradas pelas bexigas, cicratizes e bolhas, alguns com a pele esfolada
depois de cruéis chicotadas...Jaziam moribundos, e alguns deles sobre tábuas
nuas, tão fracos e macilentos que os seus ossos eram quase visíveis debaixo da
pele, e muitos se lamentavam pela deficiência de alimentação. [...] Os
condenados a trabalhos forçados nos campos de terebentáceas da Florida, com
"correntes nos pés" e "correntes na cintura" presas aos seus corpos, eram
obrigados a trabalhar a trote" (WOODWARD apud LOSURDO, 2008, p. 168).

O que fica perceptível é que mesmo o Gulag Soviético com seus elementos regressivos,
significou um “avanço civilizatório” em relação as prisões czaristas e a situação dos negros
presos no Sul dos Estados Unidos (é lógico que esse tipo de comparação é sempre relativa
e que o ideal seria a inexistência de todos esses complexos repressivos).

Outro elemento indispensável na análise do Gulag Soviético é perceber


que relação entre posição geopolítica da União Soviética e sistema político interno. Temos
uma clara relação mediada entre fragilidade geopolítica e fechamento do sistema político
interno. Nunca é demais lembrar que os períodos mais duros de repressão política e
enfrentamentos de classe na URSS, coincidem com situação de forte hostilidade
internacional. É claro que não é uma relação mecânica, determinista, mas sim
condicionante.

Dentro dessa perspectiva é que podemos entender o fim do Gulag. Depois da


reconstrução da União Soviética no pós-Segunda Guerra, o país já era uma civilização
urbano-industrial, com espetacular desenvolvimento das forças produtivas (segunda maior

http://makaveliteorizando.blogspot.com/2015/02/gulagsovietico-uma-analise-historica.html 9/13
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potência do mundo) e todos os flagelos da miséria já haviam sido superados. Ao mesmo
tempo, o forte poder militar e industrial colocava o país em uma posição privilegiada. Não
era mais o fraco país agrário cercado e ameaçado; era a forte superpotência com influência
e prestígio mundial capaz de enfrentar frontalmente qualquer exército do mundo (inclusive
dos EUA).

Essa mudança na posição geopolítica combinada com as fortes transformações


societárias e a intensa disputa de poder no seio do PCUS no pós-Stálin, condicionaram uma
significativa revisão da política criminal e penal. Os níveis de repressão foram amplamente
minimizados, o aparato penal substancialmente reduzido e a Administração Geral dos Campos
de Trabalho Correcional e Colônias (o gulag) foi fechado (gradualmente, não podemos esquecer).

De 1953 em diante, o número de prisioneiros caiu regularmente. Entre 1953 e 1957, o


Presidium do Soviete Supremo anunciou várias anistias para diferentes categorias de
prisioneiros – entre as quais, uma, em 1955, para pessoas que haviam colaborado com os
invasores alemães. Em 1957, o 40° aniversário da revolução de outubro contemplou uma
nova anistia, afetando um significativo número de internos. Em 1956 e 1959, foram
criados comissões nas repúblicas para revisar diretamente os estabelecimentos
penitenciários os casos daqueles condenados por crimes contra o Estado, conduta ilegal e
outros crimes econômicos, bem por delitos menores. A Promotoria Geral da URSS ajudou
a redigir essas medidas e supervisionou a sua implementação (LEWIN: 2007, P. 151).

Por fim, conhecendo agora minimamente a história real do Gulag soviético, podemos
avançar em algumas conclusões: A) a propaganda reacionária da Guerra Fria de equiparar o Gulag ao
Campo de Concentração Nazista está errada do começo ao fim; B) Sobre o número de presos, a
situação deles no sistema prisional, o número de mortos, o status social dos presos e a política de
reabilitação no Gulag, a maioria das análises mais famosas estão equivocadas; C) embora muitos
aspectos do Gulag sejam deploráveis (como o alto número de presos, os erros administrativos que
causavam tragédias, etc.), vimos que em comparação com as prisões da Rússia Czarista ou do Sul
racista dos EUA (ou até com os campos de concentração do imperialismo na África e Ásia), o Gulag
tinha condições gerais muito melhores.

A crítica dos erros na condução da política penal e prisional na experiência soviética é


mais que necessária para os comunistas. Contudo, essa critica deve ser feita com base em dados reais,
pesquisas históricas sérias e análises materialistas que considerem todo o quadro histórico concreto
que dota de sentido explicativo as ações políticas concretas. Não avançaremos um milímetro nessa
crítica se ficarmos presos às imbecilidades criadas durante a Guerra Fria. Esse texto não pretende
esgotar o tema, mas apenas ser uma singela contribuição na desmistificação da historiografia
reacionária que ainda domina o estudo da sociedade soviética.

Notas.

[1] – http://khaosvergir.blogspot.com.br/2011/07/capitalismo-prosperidade-e-estado-de.html
[2] – http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/artigo100critica17-A-
losurdo.pdf
[3] – https://bertonesousa.wordpress.com/2014/07/11/kruschev-nao-mentiu-sobre-stalin/
[4] – http://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=554:lenin-e-a-revolucao-
entrevista-de-jean-salem-ao-avante&catid=5:entrevistas-com-a-historia
[5] – http://choldraboldra.blogspot.com.br/2014/05/o-colapso-da-uniao-sovietica-revisitado.html
[6] – http://choldraboldra.blogspot.com.br/2014/05/o-colapso-da-uniao-sovietica-revisitado.html
[7] – http://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=554:lenin-e-a-
revolucao-entrevista-de-jean-salem-ao-avante&catid=5:entrevistas-com-a-historia
[8] –http://choldraboldra.blogspot.com.br/2001/06/o-verdadeiro-terror-de-stalin.html
[9] – Mesma fonte da nota anterior.
[10] –http://oglobo.globo.com/sociedade/historia/eua-recrutaram-ex-nazistas-como-espioes-contra-
uniao-sovietica-na-guerra-fria-14382298
[11] – http://choldraboldra.blogspot.com.br/2001/06/o-verdadeiro-terror-de-stalin.html
[12] –
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/30858/sem+tempo+para+sonhar+eua+tem+mais+neg
ros+na+prisao+hoje+do+que+escravos+no+seculo+xix.shtml

Bibliografia.

V. I. Lenin. O Estado e a Revolução. Expressão Popular, 2007.


Patricia Villen. Amílcar Cabral e a crítica ao colonialismo. Expressão Popular, 2013.
Moshe Lewin. O século Soviético. Da revolução de 1917 ao colapso da URSS. Editora Record, 2007.
Domenico Losurdo. Stalin. História crítica de uma lenda negra. Editora Revan, 2010.
Zhores A. Medvedev e Roy A. Medvedev. Um Stalin desconhecido. Novas revelações dos arquivos
soviéticos. Editora Record, 2006.

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21/11/2018 MAKAVELI : teorizando: Gulag soviético: uma análise histórica fora do mito.
Karl Marx e Friedrich Engels. Manifesto do partido comunista. L&PM Pocket, 2001.
Leon Trotsky. A revolução traída. Global editora, 1980.
Hannah Arendt. Origens do totalitarismo. Anti-semitismo, imperialismo, totalitarismo. Companhia das
letras, 2009.
Marcelo Braz. Partido e Revolução 1848-1989. Expressão Popular, 2011.
Horace B. Davis. Para uma teoria marxista do nacionalismo. Editores Zahar, 1978.
George Orwell. 1984. Companhia Editora Nacional, 2007.
E. Raúl Zaffaroni. O inimigo do direito penal. Editora Revan e Instituto carioca de criminologia,
2007.
Postado por jonesmakaveli às 17:56
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14 comentários:

Zé Pitaco 25 de janeiro de 2016 10:08


Quilómetros de blá,blá,blá de um coxinha burguesinho metido a comuna que nunca viveu
numa ditadura comunista e ainda se acha que ele está "certo" e não os povos da Rússia e
Europa do Leste que derrubaram a criminosa tirania comunista em 1989!
Responder

Respostas

Anônimo 9 de novembro de 2016 11:32


que porra que tu ta falando muleque, le de novo porra

Diego A. Sodré 5 de abril de 2017 09:34


Menos pitaco, mais reflexão!

Responder

Anônimo 31 de março de 2016 07:29


Muito bom o texto! Didático, completo e metodologicamente bem elaborado, parabéns!
Responder

Anônimo 5 de maio de 2016 07:32


Nunca vi tanta ingenuidade junta, será que vc acredita nisso mesmo que vc catalogou? Será
que vc acredita que Lucifer era apenas um anjo "rebelde"?
Responder

renato feijo 25 de outubro de 2016 06:54


prezado makalevi vc tem um carrapato virtal (seria um robot?) chamado anônimo grudado no
seu blog.
não seria o caso de mandá-lo para o gulag impdedindo-o de ficar postando provocações neste
blog?
Responder

Anônimo 20 de novembro de 2016 05:39


convido o caro autor a ter uma conversa com alguns sobrevivente deste inferno, talvez, assim,
pare de falar asneras
Responder

Anônimo 16 de dezembro de 2016 05:49


Receio que o grande escritor soviético, Varlam Chalámov, não concorde com vc e com o
sr.Losurdo.
Responder

Luis Daniel R. Ribeiro 21 de agosto de 2017 10:28


Este comentário foi removido pelo autor.
Responder

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Luis Daniel R. Ribeiro 21 de agosto de 2017 10:38


Nota-se que o autor do presente artigo não conhece muito do assunto. Faz inúmeras
referências citadas em outro livros, isto é, se embasou naquilo que dizem, não naquilo que
estudou. Por exemplo, Losurdo faz uma citação absurda e descontextualizada do livro da
jornalista Anne Applebaum, Gulag. Losurdo tenta diminuir os impactos e a agressividade dos
campos soviéticos dizendo que estes tinham até bibliotecas, algo incrível, não é mesmo?
Porém, ele descontextualizada o que a Applebaum cita várias vezes em seu livro: a escassez
de papel era comum nos campos, logo, páginas e páginas de Tolstoi e Dostoievsky eram
usadas como papel higiênico pelos zeks (prisioneiros). Outro fato curioso é que, quando Stálin
estivera preso na penitenciária de Batumi, na início do século XX, ele PALESTRAVA na cadeia
como se fosse um showman. Chernichevsky, ídolo revolucionário na meninice de Lênin, teve
seu livro "O que fazer" liberado para publicação, mesmo o autor sendo um "prisioneiro do
Czar".

Fazer citações sem ao menos ter conhecimento das obras citadas, é, no mínimo, desonesto e
desinformativo. Oleg Khlevniuk, Anne Applebaum, Paul Grigory e tantos outros estudiosos que
Losurdo usou em sua obra para defender um ponto de vista ridiculamente descontextualizado,
são, em maior e menor grau, adversários da visão de mundo adotada pelo marxista italiano.

Texto de baixíssimo valor informativo (sem mencionar a militância e o desconhecimento do


autor sobre o assunto).
Responder

Carlos Henrique Xavier Endo 5 de setembro de 2017 09:29


Stálin prendeu foi pouco! O Brasil precisa de milhares de Gulags, com milhões de coxinhas,
MBLs, bolsominios, os próprios Bolsonaros, e demais fascistas trabalhando para servir ao povo
brasileiro.
Responder

Respostas

Luis Daniel R. Ribeiro 20 de novembro de 2017 18:02


Carlos Henrique Xavier Endo é: “Bacharel e Licenciado em Filosofia pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), possui Especialização em História
do Brasil pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atualmente é Técnico em
Assuntos Educacionais (TAE), Classe E, no Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia de São Paulo - IFSP.”

Olha o nível dos gênios que as Universidades Brasileiras formam... Realmente,


diploma é só um pedaço do papel.

nisof 13 de junho de 2018 12:59


Quem tomou no cu em 1989 na Europa do Leste e na Rússia, foi o teu Stalin e o teu
comunismo de merda!

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Anônimo 12 de setembro de 2017 13:52


Li o artigo até a metade porque não suportei a patética tentativa de minimizar os trocentos
milhões de mortos nos gulags, sob o pretexto de que diferentemente no regime nazista, tudo
não passou de um "sem querer" ou por uma causa maior. Entretanto, meus amigos, como
sabem o inferno está cheio de boas intenções!
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