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Fluxos Migratórios em Portugal

Durante anos, muitos portugueses saíram do seu país em busca de melhores condições de
vida e novas oportunidades, países como a França, Suíça, Luxemburgo e Brasil foram alguns
dos alvos da grande entrada de população portuguesa. Portugal é tradicionalmente um país de
emigração, no entanto no final dos anos noventa os fluxos de imigração para o nosso país
aumentaram acentuadamente. Imigrantes oriundos de países da Europa Central e de Leste
chegaram em grande número a Portugal durante os últimos anos, mais recentemente registou-
se também um aumento significativo das entradas de imigrantes do Brasil.
Segundo dados do INE, estima-se que durante o ano de 2009 tenham entrado para Portugal 32
307 indivíduos, dos quais 18 044 de nacionalidade portuguesa, 3 999 oriundos de outro estado
membro da União Europeia e 10 264 de países terceiros. Segundo estes dados existiu uma
subida do número de imigrantes em Portugal de 2008 para 2009, pois em 2008 foram 29 718
indivíduos.
De acordo com a mesma fonte, estima-se que em 2009 tenham saído de Portugal 16 899
indivíduos, sendo 14 138 de nacionalidade portuguesa, 254 de um outro estado membro da
União Europeia e 2 507 de países terceiros. De 2008 para 2009, existiu uma descida do
número de emigrantes, em 2008 tinham emigrado 20 357 indivíduos.
Estes dados, segundo o economista Santos Pereira não são muito fiáveis uma vez que o INE
utiliza métodos indirectos de avaliação da emigração, faz inquéritos telefónicos aos agregados
familiares, onde pergunta se há alguém nesse agregado que emigrou no último ano. Segundo
ele, vários estudos internacionais demonstram que este método subavalia enormemente os
fluxos emigratórios, pois as pessoas costumam omitir informação relevante sobre os fluxos de
saída.
Vivendo Portugal uma situação de crise onde o desemprego vem aumentando de ano para
ano, isto faz com que os fluxos imigratórios para o nosso país tenham vindo a diminuir, em
muitos casos houve até mesmo um retorno de alguns imigrantes aos seus países de origem.
De facto esta é uma realidade que facilmente se consegue comprovar, há dois ou três anos
atrás, pelas diferentes características físicas que apresentam facilmente se viam vários
indivíduos de outras nacionalidades a trabalhar em Portugal. Com a actual conjuntura
económica que vivemos é normal que muitos desses indivíduos tenham perdido o emprego, e
por isso, regressado ao seu país de origem. Para agravar mais esta situação o emprego
imigrante em Portugal está concentrado em poucos sectores, o sector que empregava mais
população imigrante era o da construção. Estima-se que, no ano de 2008, cerca de 35.5% dos
indivíduos imigrantes do sexo masculino estivessem empregues neste sector. A construção foi
particularmente atingida por esta crise, o que provocou uma forte saída de imigrantes em
Portugal.
Entre 1993 e 2008, Portugal recebeu cerca de 300 mil imigrantes. No entanto, entre 1998 e
2008 emigraram cerca de 700 mil portugueses. Provavelmente muitos destes portugueses
voltaram, mas com certeza grande parte deles acabaram por ficar nos seus países de destino.
De acordo com estes dados podemos então concluir que, já contabilizando possíveis erros,
Portugal fica com uma diferença populacional negativa entre 200 e 300 mil indivíduos.
Por tudo isto, a emigração tem um efeito positivo na taxa de desemprego. Estima-se que se
não fosse a emigração, Portugal teria já há alguns anos uma taxa de desemprego a rondar
entre os 10 e 15%.
Segundo o meu ponto de vista, efectivamente a emigração tem efeitos positivos na economia
do país, menos desemprego, mais remessas de emigrantes, efeito positivo também sobre o
endividamento externo e sobre a balança de pagamentos. No entanto, um problema se coloca,
a “fuga de cérebros”. Pode ser positivo, caso estes indivíduos ganhem experiência e aprendam
nesses países e voltem a Portugal. Quanto a este possível problema, o presidente da
Fundação para a Ciência e Tecnologia, João Sentieiro, afirmou que não existe “fuga de
cérebros” em Portugal, e que para além disso é “um país atractivo para investigadores
estrangeiros”. Segundo ele, “verificou-se que a esmagadora maioria regressa a Portugal e a
percentagem dos que ficaram no estrangeiro é compensada de uma forma positiva pelo
número de estrangeiros que vieram para Portugal trabalhar”. Não querendo contrariar estes
dados, pergunto por quanto mais tempo esta situação se manterá. Com o actual panorama
económico, é de prever que principalmente muitos jovens, atendendo à alta taxa de
desemprego nesta faixa etária, saiam efectivamente de Portugal. Se o fizerem duvido que
muitos deles voltem. Segundo dados do Eurobarómetro 57% dos jovens portugueses querem
trabalhar no estrangeiro, e para agravar esta situação a grande maioria destes são os que têm
melhores qualificações.
Por isso, esta matéria terá que ser bastante ponderada, pois corremos o risco que essas
pessoas qualificadas saiam do país e não tenham depois incentivos em voltarem, isto se a
economia não evoluir favoravelmente.