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COMO FAZER UM TEXTO

ACADÊMICO SEM
PLAGIAR?

Fonte: Metamorfose Cursos, 2018.¹

¹ Disponível em: < http://www.metamorfosecursos.com.br/curso.php?id=139>. Acesso em: 15, abr,


2018.
Fonte: PNGTREE, 2018²

O compilado a seguir tem como prerrogativa informar aos discentes e interessados a


importância de redigir um texto próprio, bem como exemplificar os meios para este
fim, com o intuito de evitar o plágio ao citar conteúdo de terceiros.
Conforme se verifica a seguir, existem vários mecanismos de citação a serem
utilizados num trabalho acadêmico sem necessidade de recorrer da famosa
ferramenta “ctrl + c” e “ctrl + v”.
Para melhor entendimento do assunto abordado, além da explicação elaborada em
todo o conteúdo da cartilha, estarão dispostos exemplos de todos os meios de citação
possíveis, sempre de acordo com os regramentos brasileiros.

Fonte: Professor Carlúcio, 2018.³

Caroline Daineze
Paula Pinho Carneiro
Thalita Motta

² Disponível em: <https://pt.pngtree.com/freepng/books-pen-vector-material_1946187.html>. Acesso


em: 15 abr, 2018.
³ Disponível em: <https://www.sites.google.com/site/professorcarlucio/producao-do-texto-
academico>. Acesso em: 15 abr, 2018.
Ao se realizar um projeto acadêmico, deve-se tomar cuidado para não praticar
o plágio. Plágio é um procedimento ilegal que consiste na apresentação ideias de
outra pessoa, ou de obra intelectual de qualquer natureza, como se suas fossem.
Nesta cartilha, apresentaremos algumas maneiras de se evitar o plágio.

O QUE É PLÁGIO?

O plágio, no âmbito acadêmico, é o ato pelo qual uma pessoa se utiliza da obra
intelectual de outra sem dá-la os merecidos méritos autorais. No Brasil, esta prática
constitui crime de violação aos direitos autorais, prevista do artigo 184 do Código
Penal e com detenção de 03 meses a 01 ano ou multa.
É uma palavra de origem latim, plagium, que significa “ação de roubar uma
pessoa, sequestrar, vender homens livres como escravos” (KROKOSCZ, Marcelo.
Autoria e plágio: Um Guia para Estudantes, Professores, Pesquisadores e Editores.
São Paulo: Atlas, 2012).
Outro fato importante é que o plágio pode ser constituído de qualquer natureza,
como em livros, música, obras, fotografias, trabalhamos, e etc.

Nesse contexto, e com base na Lei n° 9.610/98 e no artigo 184 do Código


Penal, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) elaborou alguns
parâmetros a serem seguidos num escrito discente.

Fonte: Crimson Interactive, 2018.⁴

⁴ Disponível em: <http://posgraduando.com/11-razoes-para-nao-comprar-um-trabalho-academico/>.


Acesso em 15 abr, 2018.
A FAMILIARIZAÇÃO COM O ASSUNTO
ABORDADO

Um dos truques mais eficazes para se evitar a prática de plágio é a


familiarização com o tema a ser abordado na obra criada. Para realizar um trabalho
sobre determinado tema é essencial que haja uma leitura sobre a matéria,
descrevendo, a posteriori, e com suas palavras, o conteúdo proposto. Quando o
indivíduo entende o assunto tratado, irá versar sobre o assunto com suas próprias
palavras e com suas próprias ideias. Dessa forma, o estudo de diversas fontes evita
o plágio, assim como amadurece o seu entendimento sobre o assunto a ser
elucubrado.
Passaremos a falar sobre as maneiras de se evitar o plágio quando elaborar
um trabalho acadêmico.

REFERÊNCIAS E FONTES

Não é porque se está criando uma obra acadêmica que todas as ideias
apresentadas serão do próprio autor da obra. Nela poderá conter aquelas criadas por
outras pessoas no passado, porém, sempre que isso acontecer, o texto deve conter
as bibliografias e as fontes que foram citadas em seu trabalho. Isso pode ser feito
desde que sejam observadas as normas da ABNT, cumpridas das formas que
seguem abaixo.
Neste caso, a pessoa deve alocar em seu trabalho as exatas palavras
retiradas, devendo separá-las do restante do texto com aspas (se a citação contiver
o tamanho de até três linhas) ou recuar 04 centímetros da margem esquerda da folha
e reduzir a dimensão da letra para 10 ou 11 para colocações maiores que três linhas.
No primeiro cenário, a frase virá seguida do sobrenome do autor em letra
maiúscula, o ano de publicação e a página onde esta se encontra, sempre em
parênteses.
Vejamos aqui um exemplo da configuração:

“As relações familiares, em sua grande maioria, têm origem em um elo de


afetividade” (DIAS; 2015, p.26).

Já numa maior textualização, não há necessidade de aspas para ressaltar o


conteúdo, uma vez que o recuo e a diminuição no tamanho da letra já constatam se
tratar de uma citação.
Nesse diapasão, vejamos o seguinte exemplo com uma breve narrativa do livro
de Rawls (1993, p.236):

Os juízes não podem, evidentemente, invocar as próprias noções pessoais


de moralidade, tampouco os ideais e virtudes da moralidade em geral. Estes
devem ser considerados irrelevantes. Eles não podem, da mesma forma,
invocar visões religiosas e filosóficas, deles próprios ou de outras pessoas.

Em situações onde a proposição seja demasiadamente extensa, e não existir


qualquer necessidade de apontá-la integralmente, pode-se recorrer da supressão da
parte contextual, sendo imperioso o uso de colchetes e reticências para demonstrar
o mote excluído.
Por exemplo temos:

[...] Esse sistema é integrado por tratados internacionais de proteção que


refletem, sobretudo, a consciência ética contemporânea compartilhada pelos
Estados, na medida em que invocam o consenso internacional acerca de
temas centrais dos direitos humanos, fixando parâmetros protetivos
mínimos. (PIOVESAN, 2005, p. 45).

Já nas citações indiretas, ou seja, quando a pessoa concorda com a ideia


predisposta de outro autor, mas prefere expor a ideia com suas próprias palavras,
mesmo seguindo a lógica daquele, dispõe a ABNT que deverão constar na citação o
autor do trecho usado e o ano de publicação da obra original, com o número de página
sendo opcional.
À vista disso, examina-se o exemplo:

Como Di Maio e Francell verificaram, a prova pericial nem sempre traz a justiça
quista pela população, manifestando somente a realidade fática do caso (2017, p.43).

Outra maneira de transcrever é por meio de uma citação com intermédio


(apud), ou seja, é aquela obtida de um texto não lido de fato, mas este outro autor leu
e citou tal trecho em sua obra, mais comumente referida como citação de citação.
Neste caso, deve ser indicada a expressão latina “apud”, que significa “citado
por”, para que se torne claro ao leitor que aquela fonte não foi acessada diretamente,
mas indiretamente, por outro autor.
A utilização deste tipo de citação deve se dar na seguinte estruturação, por
exemplo:

Para Glover, Ronning e Reynolds (apud EYSENCK, 1999, p. 235) “A


criatividade é um assunto muito complexo”.

O processo criativo do ser humano é visto como o processo de fazer, de dar a


vida (WEBSTER apud MAY, 1996).

Como pôde ser observado, o primeiro exemplo demonstra uma citação direta,
já que a pessoa se usou da cópia fidedigna da frase, e o segundo uma citação indireta,
conforme se verifica com a ausência das aspas no início e final da oração.
Esta ocorre quando o autor incorpora sua ideia às daquele citado, a partir de
suas próprias palavras, isto é, na citação indireta, você reduz nos seus termos a ideia
do autor, sem jamais alterar ou deturpar o que foi dito originalmente, tornando-a mais
clara, com uma linguagem mais acessível.
Ao se redigir um texto acadêmico, deve se ter como premissa que a citação
indireta não é uma mera troca das palavras do autor por sinônimos. Neste sentido, as
mais bem vistas formas de parafrasear são: a) fazer um comentário explicativo, que
apresenta as ideias do autor e as explana, desenvolvendo conceitos e propondo
esclarecimentos; e b) fazer um desenvolvimento ou ampliação das ideias do original,
com o acréscimo de exemplos ou o estabelecimento de comparações e contrastes,
relações de causas e consequências, etc.
Segundo o padrão da ABNT, deve ser apresentado o nome de quem o
elaborou, ano de publicação e paginação depois do trecho, tudo posto entre
parênteses. Temos como exemplo:
De acordo com Mattar (1996, p. 106), a pesquisa bibliográfica é apropriada
para os primeiros estágios da investigação quando a familiaridade, o conhecimento e
a compreensão do fenômeno por parte do pesquisador são geralmente pouco ou
inexistentes.
Tem-se uma exceção quanto a colocação da página, especificamente sempre
que a ideia parafraseada pertencer ao todo da obra consultada.
Desta feita, se a paráfrase for de uma ideia presente em uma parte específica
e peculiar do texto, sugere-se informar a página, mesmo que não haja citação direta.
Todavia, deve se ter a atenção em não se utilizar a obra citada indiretamente
no rol de referências bibliográficas, tendo em vista que a mesma não foi lida em sua
complexidade.

Lembrando que as citações expressas no trabalho sem a devida referência,


tanto no corpo do texto quanto na bibliografia, serão consideradas plágio, com fulcro
no artigo 184 do Código Penal.

UTILIZAÇÃO DE UMA FERRAMENTA


PARA DETECTAR PLÁGIO

Se ainda assim, o autor do trabalho acadêmico estiver com dificuldades em


detectar se em sua obra ele incorreu em plágio, existem ferramentas disponíveis em
sítios eletrônicos na internet que o detectam. Porém, deve-se tomar cuidado ao utilizar
tais ferramentas, pois esses softwares são configurados para identificar cópias na
íntegra. Desta forma, essa ferramenta pode acabar não detectando plágio em
citações indiretas, por exemplo.

RESPEITO ÀS CORREÇÕES DO
ORIENTADOR

Especificamente na formação de um trabalho acadêmico em universidades e


cursos profissionalizantes, o aluno receberá orientações de seu orientador. O papel
do orientador é justamente analisar a criação do orientando e tecer correções não só
quanto ao tema trabalhado, mas também quanto à forma a ser elaborado o trabalho,
dentre elas, se há plágio ou não. Caso o orientador identifique alguma cópia, ele irá
informar ao orientando sobre o assunto e o mesmo deverá corrigir o texto,
adequando-o às normas da ABNT já citadas anteriormente.

NÃO UTILIZAR SOFTWARES QUE


PROMETEM CRIAR O TRABALHO
ACADÊMICO DE FORMA AUTOMÁTICA

Ao realizar pesquisas na internet, é possível encontrar alguns softwares que


prometem criar um artigo, ou qualquer outra obra acadêmica, de forma automática,
prometendo ainda que o texto final estará dentro das normas da ABNT e sem plágios.
Estas ferramentas funcionam criando uma estrutura mecânica que encaixa e
alimentam o texto. O risco na utilização de tais softwares é que eles sedimentam a
matéria e acabam bloqueando a produção intelectual do criador.
Referências
BLOG METTZER. Conheça os 3 tipos de citações existentes e saiba como fazê-
las conforme os padrões ABNT. Disponível em: <https://blog.mettzer.com/tipos-de-
citacoes-conforme-os-padroes-abnt/>. Acesso em: 14 abr, 2018.

BRASIL. DECRETO-LEI N° 2.848 DE 07 DE DEZEMBRO DE 1940. Código Penal.


Brasília, DF, dez, 1940.

BRASIL. LEI N° 9.610 DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998. Altera, atualiza e consolida


a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Brasília, DF, fev,
1998.

DIAS, Maria Berenice. Lei maria da penha: a efetividade da lei 11.340/06 de


combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2015, p.26.

DI MAIO, Vincent; FRANCELL, Ron. O segredo dos corpos. Rio de Janeiro:


Darkside Books, 2017, p.43.

ESCRITA ACADÊMICA. Citações. Disponível em: <


http://www.escritaacademica.com/topicos/uso-de-fontes/>. Acesso em: 14 abr, 2018.

FACULDADE DE ENGENHARIA UNIVERSIDADE DO PORTO. Evitar o plágio:


Normas para Citar e Referenciar, 2018. Disponível em:
<http://libguides.fe.up.pt/citacaoereferencias/citar>. Acesso em: 29 mar, 2018.

KOSCIANSKI, A; SOARES, M. Qualidade de software: aprenda as metodologias


e técnicas mais modernas para o desenvolvimento de software. São Paulo:
Novatec Editora, 2007, p.153.

MORETTI, Isabella. Descubra como fazer um tcc sem plágio em 8 dicas.


Disponível em: <https://viacarreira.com/como-fazer-um-tcc-sem-plagio-150648/>.
Acesso em: 14 abr, 2018.

PORTAL EDUCAÇÃO. O crime de plágio. Disponível em: <


https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/direito/o-crime-de-plagio/50044
>. Acesso em: 14 abr, 2018.

RAWLS, John. O liberalismo político. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011, p.236.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA. Conferência discute a prática de


plágio em produções acadêmicas, 2017. Disponível em:
<http://www.ufjf.br/noticias/2017/05/05/conferencia-discute-a-pratica-de-plagio-em-
producoes-academicas/>. Acesso em: 29 mar, 2018.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Uso de citações em trabalhos


científicos. Disponível em:<
https://moodle.ufsc.br/pluginfile.php/1255605/mod_resource/content/0/Citacoes_em
_Trabalhos_Cientificos.pdf>. Acesso em: 14 abr, 2018.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. O que é considerado


plágio e o que não é considerado plágio. Disponível
em:<http://www.producao.ufrgs.br/arquivos/arquivos/PLAGIO_EsclarecimentoSobre.
pdf>. Acesso em: 29 mar, 2018.

WIKIHOW. Como evitar o plágio. Disponível em: <https://pt.wikihow.com/Evitar-o-


Pl%C3%A1gio>. Acesso em: 14 abr, 2018.

XAVIER, Andressa. Aprenda a usar as normas da abnt, 2008. Disponível em:


<https://www.tecmundo.com.br/tutorial/834-aprenda-a-usar-as-normas-da-abnt-
citacao-2-de-4-.htm>. Acesso em: 29 mar, 2018.

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