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Rio de Janeiro, 2017

Agradecimentos

Muitos amigos e colegas ajudaram a melhorar este livro, oferecendo generosamen-


te seus inteligentes conselhos matemáticos, estilísticos, históricos e de outros tipos.
Agradeço a Doug Arnold, Sheldon Axler, Larry Braden, Dan Callahan, Bob Con-
nelly, Tom Gilovich, George Hart, Vi Hart, Diane Hopkins, Herbert Hui, Cindy
Klauss, Michael Lewis, Michael Mauboussin, Barry Mazur, Eri Noguchi, Charlie
Peskin, Steve Pinker, Ravi Ramakrishna, David Rand, Richard Rand, Peter Renz,
Douglas Rogers, John Smillie, Grant Wiggins, Stephen Yeung e Carl Zimmer.
Outros colegas me cederam o uso das ilustrações que fizeram para o livro.
Obrigado a Rick Allmendinger, Paul Bourke, Mike Field, Brian Madsen, Nik
Dayman (Teamfresh), Mark Newman, Konrad Polthier, Christian Rudder, da
OkCupid, Simon Tatham e Jane Wang.
Sou imensamente grato a David Shipley por me convidar a escrever a série
do The New York Times que gerou este livro e, principalmente, por sua ideia de
como a série deveria ser estruturada. Simplicidade, simplicidade, simplicidade,
pediu Thoreau – e tanto ele quanto Shipley tinham razão. George Kalogerakis,
meu editor no Times, empunhou sua caneta com leveza, alterando vírgulas,
mas somente quando necessário, e ao mesmo tempo me protegendo de deslizes
mais sérios. Sua confiança foi enormemente tranquilizadora. Katie O’Brien, da
equipe de produção, garantiu que a matemática sempre parecesse certa e aceitou
a tipografia matemática necessária com graça e bom humor.
Tenho sorte de ter Katinka Matson por perto, minha agente literária. Ela
defendeu este livro desde o princípio, com inspirador entusiasmo.
Paul Ginsparg, Jon Kleinberg, Tim Novikoff e Andy Ruina leram rascunhos
de quase todos os capítulos, e sua única recompensa foi o prazer de encontrar er-
ros e de usar suas mentes brilhantes para o bem e não para o mal. Normalmente,
é chato estar rodeado por tantos sabichões, mas a verdade é que eles realmente
sabem tudo. Este livro ficou melhor por isso. Sou muito grato pelo esforço e
encorajamento de todos.
Agradeço a Margy Nelson, ilustradora, por sua alegria e sensibilidade cientí-
fica. Eu geralmente a via como parceira de projeto, com sua capacidade de en-
contrar maneiras originais de expressar a essência de um conceito matemático.
Qualquer escritor se sentiria abençoado por ter Amanda Cook como edito-
ra. Como alguém pode ser tão gentil, sábia e decisiva, tudo ao mesmo tempo?
Obrigado, Amanda, por acreditar neste livro e por me ajudar a dar forma a cada
capítulo. Eamon Dolan, outro dos maiores editores do mundo, guiou este pro-
jeto (e a mim) rumo à linha de chegada, com mãos seguras e empolgação conta-
giante. Os assistentes editoriais Ashley Gilliam e Ben Hyman foram meticulosos
e divertidos no trabalho e cuidaram muito bem do livro em cada estágio do
desenvolvimento. A preparadora de textos Tracy Roe me ensinou sobre apostos,
apóstrofos e palavras como palavras. E o mais importante (não “importante-
mente”!), ela refinou o texto e o raciocínio presentes nestas páginas. Agradeço
ainda à assessora de imprensa Michelle Bonanno, à gerente de marketing Ayesha
Mirza, à editora de produção Rebecca Springer, ao gerente de produção David
Futato e a toda a equipe da Houghton Mifflin Harcourt.
Por fim, deixe-me acrescentar meus mais emocionados agradecimentos à mi-
nha família. Leah e Jo, vocês já ouviram falar muito sobre este livro e, acreditem
ou não, ele finalmente foi concluído. Sua próxima tarefa, claro, é aprender toda
a matemática contida nele. E quanto à minha esposa extremamente paciente,
Carole, que trabalhou nos n primeiros rascunhos de cada capítulo e, portanto,
descobriu o verdadeiro significado da expressão “n tende ao infinito”, deixe-
me simplesmente dizer que a amo. Encontrá-la foi o melhor problema que já
resolvi.
Prefácio

Tenho um amigo que se diverte muito com ciência, apesar de ser um artista.
Sempre que nos reunimos, tudo o que ele quer fazer é conversar sobre a mais
recente descoberta da Psicologia ou da Mecânica Quântica. Mas quando se trata
de Matemática, ele fica confuso, o que o entristece. Os símbolos estranhos o
afastam, e ele diz que não sabe sequer como chamá-los.
Na verdade, seu desconhecimento é muito mais profundo. Ele não sabe ao
certo o que os matemáticos fazem o dia todo ou o que eles querem dizer quan-
do afirmam que uma evidência é refinada. Às vezes brincamos que eu deveria
apenas mantê-lo sentado e lhe ensinar tudo, começando por 1 + 1 = 2 e indo o
mais longe possível.
Por mais estranho que possa parecer, é exatamente isso o que tentarei fazer
neste livro, uma viagem guiada pelos elementos da matemática, desde a pré-
escola até a faculdade, para qualquer pessoa que queira dar uma segunda chance
ao tema – mas desta vez sob um ponto de vista adulto. O livro não pretende ser
um corretivo. O objetivo é expressar melhor do que se trata a matemática e por
que ela encanta tanto as pessoas que a compreendem.
Vamos descobrir como as enterradas de Michael Jordan podem explicar os
fundamentos do cálculo. Vou demonstrar um modo simples – e incrível – de
compreender a base da geometria, o teorema de Pitágoras. Tentaremos explorar
a fundo alguns mistérios da vida, grandes e pequenos. O.J. Simpson matou a
esposa? Quantas vezes você deveria virar o colchão para evitar ao máximo seu
desgaste? Quantas pessoas você deveria namorar antes de se casar? E veremos
por que alguns infinitos são maiores que outros.
A matemática está em todos os lugares, se você souber para onde olhar. Ve-
remos senos nas listras das zebras, ouviremos ecos de Euclides na Declaração
da Independência dos Estados Unidos e reconheceremos sinais dos números
negativos nos dias que antecederam a Primeira Guerra Mundial. Veremos como
nossas vidas hoje são afetadas por novos tipos de matemática, enquanto procu-
ramos restaurantes on-line e tentamos entender – sem falar em sobreviver – a
assustadora instabilidade do mercado de ações.
Por uma coincidência cuja menção parece adequada apenas para um livro
sobre números, este nasceu no dia em que completei 50 anos. David Shipley,
então editor de opinião do jornal The New York Times, me convidou para almo-
çar neste dia (sem eu saber da sua importância cinquentenária) e me perguntou
se eu já havia pensado em escrever uma série de artigos sobre matemática para
seus leitores. Adorei a ideia de compartilhar os prazeres da matemática com um
público maior que apenas meu curioso amigo artista.
A coluna “Os elementos da matemática” inaugurada on-line no fim de ja-
neiro de 2010, foi publicada por 15 semanas. Como resposta, recebi cartas e
comentários de leitores de todas as idades. Muitos eram alunos e professores.
Outros eram apenas curiosos que, por qualquer motivo, perderam o bonde em
algum momento do ensino da matemática, mas sentiam que estavam perdendo
algo valioso e queriam tentar novamente. Especialmente gratificantes foram as
mensagens que recebi de pais, me agradecendo por ajudá-los a explicar a ma-
temática aos filhos e, no processo, a si mesmos. Até mesmo meus colegas afi-
cionados por matemática pareceram gostar dos artigos – quando não sugeriam
melhorias (talvez, especialmente nessa situação!).
No geral, a experiência me convenceu de que há uma necessidade crescente,
mas pouco conhecida, de matemática entre o público em geral. Apesar de tudo
o que ouvi sobre a fobia dessa ciência, muitas pessoas querem entender o assunto
um pouco melhor. E assim que entendem, descobrem um vício.

A matemática do dia a dia é uma introdução às ideias mais interessantes e abran-


gentes da matemática. Os capítulos – alguns da série original do The Times –
são curtos e totalmente independentes, por isso, sinta-se livre para começar por
onde quiser. Se quiser se aprofundar em algo, as notas do fim do livro oferecem
detalhes adicionais e sugestões de leitura.
Para o benefício dos leitores que preferem uma abordagem mais detalhada,
organizei o material em seis partes principais, seguindo as diretrizes de um cur-
rículo tradicional.
A Parte I dá início à nossa jornada com a aritmética do jardim de infância e
do ensino fundamental e fala sobre a sutileza dos números e de sua eficácia para
descrever o mundo.
A Parte II abrange desde trabalhar com números até trabalhar com rela-
ções entre números. Essas ideias são a essência da álgebra. O que as torna tão
fundamentais é o fato de serem as primeiras ferramentas de que dispomos para
descrevermos como um aspecto afeta o outro, por meio da causa e efeito, oferta
e demanda, dose e reação e assim por diante – as relações que tornam o mundo
complicado e exuberante.
A Parte III se afasta um pouco dos números e símbolos e aborda formas e
espaço – a área da geometria e trigonometria. Além de considerar tudo visual,
esses temas elevam a matemática a novos patamares de rigor por meio da lógica
e evidência.
Na Parte IV, chegamos ao cálculo, o ramo mais intrigante e fértil da mate-
mática, que possibilitou a previsão do movimento dos planetas, do ritmo das
marés e de praticamente todas as outras formas de transformação contínua no
Universo e em nós mesmos. Um tema de apoio nesta parte é o papel do infinito.
A domesticação do infinito foi a revolução que possibilitou o funcionamento do
cálculo. Ao usar o incrível poder do infinito, o cálculo pôde finalmente resolver
antigos problemas que desafiaram nossos ancestrais e que acabaram por levar à
revolução científica e ao mundo contemporâneo.
A Parte V fala de probabilidade, estatística, redes e mineração de dados,
todos temas relativamente novos, inspirados pelo lado confuso da vida: acaso e
sorte, incerteza, risco, volatilidade, aleatoriedade e interconectividade. Com o
tipo certo de matemática e o tipo certo de dados, veremos como extrair signifi-
cado desse turbilhão.
Ao nos aproximarmos do fim de nossa jornada, na Parte VI, falamos do
limite do conhecimento matemático, o limite entre o que sabemos e o que per-
manece desconhecido. A sequência dos capítulos segue a mesma estrutura que
usamos até aqui – números, relações, formas, mudança e infinito – mas cada
tema é agora tratado com mais profundidade e sob uma visão contemporânea.
Espero que todas as ideias a seguir lhe deem prazer – e vários momentos de
iluminação! Mas toda jornada precisa ter um início, então vamos começar pelo
simples e mágico ato de contar.
Sumário

Agradecimentos v
Prefácio vii

Parte I NÚM E R O S

1 Dos peixes ao infinito 3


Uma introdução aos números, apontando os lados positivos
(são eficientes) e os lados negativos (são etéreos)

2 Grupos de pedra 7
Tratando os números concretamente – pensando em pedras –
pode facilitar os cálculos

3 O inimigo do meu inimigo 13


O incrível conceito da subtração e como lidamos com o fato de
que os números negativos parecem tão... negativos

4 Comutação 19
Quando você compra calças jeans em promoção, economizará
dinheiro se o atendente aplicar o desconto antes ou depois
dos impostos?

5 A divisão e seus descontentamentos 23


Ajudando a Verizon a entender a diferença entre 0,002 dólares
e 0,002 centavos
6 Localização, localização, localização 27
Como o sistema de valor com base na localização dos números
escritos levou a aritmética para as massas

Parte II RE LA Ç Õ E S

7 A matemática do dia a dia 35


A aritmética se transforma em álgebra quando começamos a
trabalhar com o desconhecido e as fórmulas

8 Encontrando suas raízes 39


Números complexos, mistura do imaginário e do real, são o
auge dos sistemas numéricos

9 Minha banheira transborda 45


Transformando o perigo em prazer com problemas lexicais

10 Exercitando seus quadrados 51


A fórmula quadrática talvez nunca ganhe concursos de beleza,
mas as ideias por trás dela são encantadoras

11 Ferramentas potentes 57
Na matemática, a função das funções é transformar

Parte III FORMAS

12 Quadrilha 65
Geometria, intuição e o longo caminho de Pitágoras
a Einstein

13 Algo do nada 71
Como qualquer outra atividade criativa, a construção de uma
prova começa com inspiração

14 A conspiração cônica 77
As incríveis semelhanças entre parábolas e elipses sugerem
que há forças ocultas em ação
15 Sine qua non 85
O seno está em todos os lugares, desde rodas-gigantes até as
listras das zebras

16 Vá ao limite 91
Arquimedes reconheceu o poder do infinito e, no processo,
criou a base para o cálculo

Parte IV M UDA NÇ A

17 A mudança na qual podemos acreditar 99


O cálculo diferencial pode mostrar o melhor caminho de A a
B, e as enterradas de Michael Jordan ajudam a explicar por quê.

18 Fatia e corta em cubos 105


O duradouro legado do cálculo integral é uma visão
processada do Universo

19 Tudo sobre e 111


Quantas pessoas você deveria namorar antes de casar? Sua avó
sabe – assim como o número e

20 Bem-me-quer, malmequer 117


Equações diferenciais decifram o movimento planetário. Mas e
quanto ao amor verdadeiro? Isso é que é confusão

21 Venha para a luz 121


Um raio de luz é um pas de deux de campos elétricos e
magnéticos, e o cálculo vetor é o coreógrafo

Parte V DA DO S

22 O novo normal 131


As curvas em sino já eram. As caudas longas estão na
moda

23 Probabilidades 137
As emoções improváveis da teoria da probabilidade
24 Desvendando a rede 143
Como o Google resolveu o enigma zen da busca na internet
usando a álgebra linear

Parte VI F RO NTE I R A S

25 Os números mais solitários 151


Números primos, solitários e inescrutáveis, se distribuem de
maneiras misteriosas

26 Pensamento de grupo 159


A teoria dos grupos, uma das partes mais versáteis da
matemática, une a arte e a ciência

27 Gire e grite 165


Brincando com fitas Möbius e caixas de música, a melhor
maneira de cortar um brioche

28 Pensando globalmente 173


A geometria diferencial revela o caminho mais curto entre dois
pontos num globo ou qualquer outra superfície curva

29 Analise! 179
Por que o cálculo, antes tão arrogante e convencido, teve de ir
para o banco de reservas?

30 O Hotel Hilbert 187


Uma análise do infinito enquanto este livro, finito, chega ao
fim.

Notas 193
Créditos 231
Índice 233
Parte I

NÚMEROS
1
Dos peixes ao infinito

A M E L H OR A P RESENTA Ç Ã O aos números que já vi – a explicação mais clara


e divertida do que são e de por que precisamos deles – aparece num episódio da
Vila Sésamo chamado “123 Count with Me” (123 Conte comigo). Humphrey,
personagem adorável, mas pouco inteligente, com uma pelagem rosa e nariz ver-
de, está trabalhando no horário do almoço no Furry Arms Hotel quando recebe
uma ligação de um quarto cheio de pinguins. Humphrey ouve atentamente e
depois repassa o pedido para a cozinha: “Peixe, peixe, peixe, peixe, peixe, peixe.”
A maneira como Humphrey repassa o pedido faz Ênio ensinar-lhe as virtudes
do número seis.

Assim, as crianças aprendem que os números são ótimos atalhos. Em vez de


repetir a palavra “peixe” exatamente na mesma quantidade dos pinguins, Hum-
phrey podia usar o conceito mais útil do seis.
Como adultos, contudo, talvez notemos o lado ruim dos números. Claro que
economizam muito nosso tempo, mas ao preço alto da abstração. Seis é mais
4 A MATEMÁTIC A DO DIA A DIA

etéreo que seis peixes, justamente por ser mais amplo. Ele se aplica a seis coisas
quaisquer: seis pratos, seis pinguins, seis verbalizações da palavra “peixe”. É a ca-
racterística mais inexplicável que todos esses elementos compartilham.
Sob esse ponto de vista, os números começam a parecer um pouco miste-
riosos. Eles aparentemente existem numa espécie de reino platônico, um nível
acima da realidade. Sob esse aspecto, são mais parecidos com outros conceitos
elevados (por exemplo, verdade e justiça) e menos com objetos comuns da vida
cotidiana. O caráter filosófico dos números se torna ainda mais obscuro depois
de alguma reflexão. De onde exatamente vêm os números? A humanidade os
inventou ou os descobriu?
Uma sutileza adicional é que os números (e todas as ideias matemáticas,
na verdade) têm vida própria. Não podemos controlá-los. Apesar de existirem
em nossas mentes, depois que decidimos o que significam, não temos como
controlar seu comportamento. Os números obedecem a certas leis e têm certas
propriedades, personalidades e modos de se combinarem uns com os outros, e
não há nada que possamos fazer a respeito disso, exceto observar e tentar com-
preender. Neste sentido, eles são uma lembrança remota dos átomos e estrelas,
elementos deste mundo, do mesmo modo sujeitos a leis que não controlamos...
à exceção de que existem fora de nossas mentes.
Este aspecto ambíguo dos números – em parte, etéreos, em parte, terrenos –
talvez seja sua característica mais paradoxal e também o que os torna tão úteis.
Era isso que o físico Eugene Wigner tinha em mente quando escreveu sobre “a
eficiência irracional da matemática nas ciências naturais”.
No caso de não estar claro o que quero dizer sobre a vida dos números e seu
comportamento incontrolável, voltemos ao Furry Arms Hotel. Vamos supor
que, antes de receber o pedido dos pinguins, Humphrey de repente receba uma
ligação de um quarto com o mesmo número de pinguins, e todos eles também
peçam peixe. Depois de atender às duas chamadas, o que Humphrey deveria
gritar para a cozinha? Se não tivesse aprendido, poderia gritar “peixe” uma vez
para cada pinguim. Ou, usando os números, podia dizer ao cozinheiro que
precisava de seis peixes para o primeiro quarto e mais seis para o segundo. Mas
Humphrey precisa mesmo é de um novo conceito: adição. Depois de dominá-
lo, ele orgulhosamente dirá que precisa de seis mais seis (ou, se for exibido, 12)
peixes.
O processo criativo aqui é o mesmo que nos rendeu os números. Assim
como os números são um atalho para contas individuais, a adição é um atalho
para qualquer tipo de conta. É assim que a matemática evolui. A abstração certa
gera uma nova ideia e um novo poder.
Em pouco tempo, até Humphrey talvez percebesse que poderia continuar
contando para sempre.
DOS PEIXES AO INFINITO 5

Mas apesar desta visão do infinito, há sempre certos limites para nossa cria-
tividade. Podemos decidir o que queremos dizer com, por exemplo, 6 e +, mas
depois o resultado de expressões como 6 + 6 estará além do nosso controle.
A lógica não nos dá alternativa. Neste sentido, a matemática sempre envolve
tanto invenção quanto descoberta: inventamos os conceitos, mas descobrimos
suas consequências. Como veremos nos capítulos a seguir, na matemática nossa
liberdade está nas perguntas que fazemos – e em como tentamos respondê-las –
mas não nas respostas que esperam por nós.