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Armazenagem e

Movimentação de
Materiais
Material Teórico
A Armazenagem e seus Elementos Estratégicos

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Ms. José Joaquim do Nascimento

Revisão Textual:
Prof. Esp. Natalia Mendonça Conti
A Armazenagem e seus Elementos Estratégicos

• Introdução

• As Funções Básicas da Gestão de Armazenagem

• Elementos Estratégicos na Gestão de Armazenagem

• Desafios do Gestor de Armazenagem

··Nesta Unidade vamos começar uma discussão


interessante sobre os almoxarifados e armazéns. Por
enquanto vamos identificar os elementos principais
que compõem a atividade de gestão e avançar
gradativamente sobre os assuntos de relevo.

Nosso tema central é O Armazém. Trata-se de um tema dentro da Logística Integrada e da


Administração de Materiais, aquela que trata do controle de materiais, entre outras atividades
dentro da empresa.

Um caminho para você compreender melhor é fazer indagações como as questões abaixo:

• Por que os armazéns nas empresas?


• O que chamamos de política de armazenagem?
• Quais estruturas e equipamentos são necessários para um armazém?

Trata-se dos primeiros passos para compreender este tema que é visto como o elemento principal de
guarda dos produtos e/ou materiais das empresas. Veja as indicações de links, assistindo aos vídeos,
assim como realizando as atividades e interagindo com os colegas. Esta estratégia é fundamental
para o seu desenvolvimento.

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Unidade: A Armazenagem e seus Elementos Estratégicos

Contextualização

Uma das principais características da logística moderna é sua crescente complexidade


operacional. Aumento da variedade de produtos, entregas mais frequentes, menores tempos de
atendimento, menor tolerância a erros de separação de pedidos e pressões para redução dos
níveis de estoque, são alguns dos principais drivers da atividade desta área.
Uma das atividades fortemente influenciada é a de armazenagem, devido à variedade de
novos produtos, que exigem instalações, estruturas, equipamentos, sistemas inteligentes de
coleta e gerenciamento de informações, além de pessoal qualificado. Daí a armazenagem dos
produtos e/ou materiais ganhar status de atividade estratégica para empresas atuais. Isso tem
empurrado as empresas na direção de um contínuo processo de modernização, tanto tecnológico,
quanto gerencial.

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Introdução

Vamos iniciar com um conceito básico de armazenagem. A armazenagem é um termo


que sintetiza um conjunto de atividades relativas à recepção, descarga, carregamento,
arrumação e conservação de produtos e/ou materiais acabados ou semi-acabados em uma
empresa (DIAS, 2009).
Para Bonzato (2006), quando tratamos da armazenagem, basicamente falamos da função
da mesma que é administração do espaço e do tempo. O espaço é sempre limitado e, portanto,
os bons operadores usam o espaço disponível efetivamente. O tempo e a mão-de-obra são
significativamente mais difíceis de gerenciar que o espaço.

A Logística e a Gestão de Armazenagem


Primeiramente, vejamos como teóricos da logística tratam a questão da armazenagem. Moura
(2000: p. 51), considera que:

“A logística constitui-se num sistema global, formado pelo inter-relacionamento


dos diversos segmentos ou setores que a compõem. Compreende a embalagem
e a armazenagem, o manuseio, a movimentação e o transporte de um modo
geral, a estocagem em trânsito e todo o transporte necessário, a recepção, o
acondicionamento e a manipulação final, isto é, até o local de utilização do
produto pelo cliente”.

Veja que o autor considera a logística como atividade que pode gerar um diferencial competitivo
para as empresas. É certo que isto decorre do fato dos mercados estarem globalizados. Esta
perspectiva de globalidade das atividades econômicas afeta decisivamente a atividade logística
à medida que os níveis de serviços desejados pelos consumidores se elevam. Porém, não
necessariamente a partir de aumento dos custos para empresa. O sentido tem sido de redução
dos custos em todos os aspectos, e inevitavelmente, nas atividades que sintetiza a logística,
como a armazenagem. Assim a redução de perdas, seja de tempo de movimento, tempo de
espera, perda de espaços verticalizados, no tempo de atendimento e nos erros de separação de
pedidos, entre outros, que em conjunto impactam no custo total logístico e, consequentemente,
nos custos totais dos produtos (GONÇALVES, 2013).
Ao falarmos de área tradicional da logística, você deve considerar que a armazenagem
é uma dessas áreas, pois ELA dá o suporte ao processo logístico, que segundo Pozo (2007)
significa o apoio ao desempenho das atividades primárias do abastecimento de recursos às
empresas. Outro teórico que discorre na mesma linha é Lacerda (2009), que sugere que a
armazenagem sintetiza um conjunto de atividades que envolvem a administração dos espaços
físicos necessários para manter os produtos ou materiais estocados, seja na própria fábrica, ou
em locais externos, como os centros de distribuição - CDs. A atividade de armazenagem envolve
a localização, o dimensionamento, o arranjo físico, equipamentos e pessoal especializado, assim
como: recuperação de estoque, projeto de docas ou baías de atracação, embalagens, manuseio,
entre outras atividades executadas por pessoas com equipamentos diversos (LACERDA, 2009).

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Unidade: A Armazenagem e seus Elementos Estratégicos

Razões Básicas para Existência da Armazenagem


Considerando as atividades de guarda e controle de produtos diversos dentro de um
ambiente, a armazenagem tem como objetivo a garantia da especificação dos produtos após
a armazenagem. Ou seja, o gestor do armazém deve considerar obrigação básica receber o
material e entregar para destino nas condições físicas que recebeu.

Trocando Ideias

Ora, qual o sentido para uma empresa manter um local com pessoas, equipamentos entre outros
recursos, só para guardar mercadorias e quais os motivos?

Existem diversos motivos para a existência do armazém, pois autores como Wanke (2011),
por exemplo, sugerem que existem várias razões para uma empresa utilizar espaço físico de
armazenagem. Elas são:
• Para obter economias de transporte;
• Para aproveitar descontos por quantidades e compras antecipadas;
• Para manter uma fonte de fornecimento;
• Para apoiar as políticas de serviço ao cliente da empresa;
• Para coordenar a necessidade de produtos com a demanda;
• Para as necessidades da produção;
• Para apoiar as estratégias de marketing;
• Para apoiar programas Just in time de fornecedores a clientes

Podemos ainda considerar que a atividade da armazenagem dos produtos deve considerar a
questão da localização correta do material nos ambientes de armazenagens como uma função
básica. Já no que se refere às razões básicas para a sua existência, existem várias, além das
citadas acima.
Ocupar os espaços da forma mais ampla possível, assim como movimentar os produtos
ou separar os mesmos para entrega com erros mínimos, são objetivos básicos dos gestores de
almoxarifado e/ou armazém. O desenho de uma política para que a empresa venha a atingir
seus objetivos, e consequentemente conseguir reduzir seus custos, auxilia a empresa na sua
atividade econômica como um todo (GONÇALVES, 2013).
Vamos ampliar nosso horizonte sobre o tema armazenagem e considerar que tanto o
almoxarifado quanto o armazém exercem a função de armazenar produtos e/ou materiais.
Veja a figura abaixo que posiciona a imagem de almoxarifado e armazém dentro da cadeia de
abastecimento de uma estrutura produtiva.

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Fonte: Dias, 2009

Para Pensar
Veja na figura que o almoxarifado de materiais está no início do processo e o armazém
está no final do processo produtivo. A armazenagem de produtos e/ou materiais aparece em dois
momentos, será por que a armazenagem é tão importante?

Guardar materiais e/ou produtos, seja no almoxarifado ou no armazém é uma atividade


constante. Como as instalações e os equipamentos ajudarão ao gestor adotar uma estratégia
eficiente, é o grande desafio do gestor. Assim é que entendemos ser necessário um planejamento
que integre as áreas e suas decisões. Estas, por sua vez, devem considerar as políticas de serviço
ao cliente, as políticas de armazenagem, entre outras que visam prover um fluxo eficiente de
produtos e/ou materiais ao longo de toda a cadeia de suprimentos (LACERDA, 2009).

As Funções Básicas da Gestão de Armazenagem

É certo que a existência dos armazéns se justificam por diversos motivos, como salienta Lima
(2002), alguns muito visíveis outros até pouco conhecidos. O mesmo acontece com as funções
básicas da armazenagem que podem ser identificadas como:
• recepcionar;
• inspecionar e controlar a qualidade;

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Unidade: A Armazenagem e seus Elementos Estratégicos

• reembalar;
• guardar a mercadoria;
• armazenar;
• adiar;
• separar e agrupar;
• embalar e expedir;
• cross-docking;
• reabastecer.

Missão da Gestão da Armazenagem


A atividade de armazenagem se justifica por diversos motivos e tem diversas funções,
todas levando a um propósito do ponto de vista da atividade empresarial. É certo que a
gestão do armazém deve ter uma missão, que é gerar soluções de armazenamento seguro
e barata. Pode-se definir a missão da armazenagem como o compromisso entre os custos
e a melhor solução para guarda dos produtos, sendo atividade estratégica para o processo
logístico (RODRIGUES, 2006).
A armazenagem dos produtos é um fator importante para as empresas, pois podem afetar
a satisfação do consumidor, como menciona Pozo, (2007). Entretanto, os consumidores não
se interessam no como é feito a armazenagem dos produtos, assim como o transporte. O que
importa mesmo para eles é que seu produto chegue em sua casa sem defeitos ou atrasos.
Independente das percepções dos consumidores ou de que eles tenham interesse ou não, a
armazenagem dos produtos e o seu manuseio acontecem e são essenciais para as empresas
e, para acontecerem, envolvem a escolha do espaço, um correto armazenamento, entre outras
atividades inerentes em função da característica dos produtos (POZO, 2007).
Na atividade de armazenagem, o manuseio dos produtos e/ou materiais é uma questão de
relevo para o gestor. Precisamos que você entenda que os produtos passam por um processo
de recebimento, movimentados para estocagem e, posteriormente, separados e montados em
lotes ou pacotes para assim serem encaminhados aos clientes e consequentemente, atender e
satisfazer às exigências dos clientes. Quem vai ser responsável pela operacionalização destas
atividades, obviamente, será o gestor do armazém ou do almoxarifado, se tratarmos de materiais
usados nos processos produtivos. (FIGUEIREDO, 2009).
Para Figueiredo (2009), para o tratamento correto, ou ainda, o manuseio e a estocagem,
é necessário um bom gerenciamento, uma vez que o produto necessita de cuidados para
que não chegue nas mãos dos clientes com danos diversos ou divergências de quantidades,
fatores determinantes dos níveis de satisfação dos clientes. Para a empresa, o custo de erros
ou danos gerados com o produto nas atividades de armazenagem podem ser definidos no
âmbito da logística reversa, pois o retorno do produto envolve toda uma cadeia de distribuição
reversa que geram gastos desnecessários para a empresa. Outras questões ainda fazem parte do
gerenciamento, como a otimização dos espaços existentes no armazém.

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A Evolução da Armazenagem como Atividade Estratégica
Não se tinha toda essa preocupação com armazenagem há poucas décadas, pois a
Administração superior não considerava como parte da distribuição física, apenas como um
local para estocar, como salienta Lima (2002). O equipamento de movimentação tinha pouca
importância e a função do profissional do armazém não era reconhecida mesmo sabendo que
20% do PIB (produto interno bruto) é gasto em armazéns e distribuição física e do custo de
quase todos os produtos imagináveis, 25% decorre da movimentação física. À medida que a
questão dos custos foi pressionando as margens de lucratividade, atividades como a logística
passaram a ser repensadas e o fator distribuição física da mercadoria se tornou estratégico, tanto
interno quanto externo ( RODRIGUES, 2006).
A armazenagem em qualquer empresa, se bem administrada, pode ser sinônimo de economia,
podendo optar por diminuir quantidades de armazéns, se este for o caso, ou então, diminuir o
tamanho do armazém ( RODRIGUES, 2006).
A ocupação do espaço físico nos armazéns há algum tempo, era utilizada tanto no que
diz respeito à economia financeira, ou seja, redução dos custos de armazenagem, quanto na
economia de espaço físico no armazém, muito mais como armazenagem horizontal do que
vertical. E as empresas, percebendo que isto era um processo que acarretava custo, partiram
para a utilização das modernas estruturas metálicas verticais e os porta pallets.

Ideias Chave
H á diferenças entre armazenagem e estocagem. Vejamos:
Estocagem é uma atividade de guarda segura e ordenada de matérias primas, e armazenagem como
uma atividade de estocagem ordenada e distribuição de produtos acabados na própria fábrica ou
para os clientes. Veja que na estocagem não exploramos as estruturas e nem os equipamentos de
movimentação de materiais na empresa.

Elementos Estratégicos na Gestão de Armazenagem

Caro aluno, há uma sequência dos itens que compõem nossa análise relativa à gestão de
armazenagem, mas com um breve comentário para que você entenda a estrutura de nosso
estudo. Atente-se ao significado de cada questão para entender a administração do Armazém.

I – Estruturas e Equipamentos no Movimento de Materiais


nos Armazéns
A movimentação dos produtos dentro dos espaços dos armazéns tem sido considerada
uma atividade estratégica para a segurança dos recursos envolvidos e dos equipamentos
usados e, por conseguinte, para menores danos aos produtos que ficam guardados nesses
locais (MOURA, 2002).
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Unidade: A Armazenagem e seus Elementos Estratégicos

Assim sendo, a questão relativa ao posicionamento adequado das estruturas de armazenamento


no ambiente e os movimentos de equipamentos para estocagem são constantemente repensadas
nos armazéns. Em síntese, o layout de um armazém pode contribuir efetivamente com a
segurança, a economia do uso de recursos e, portanto, otimizar o uso de todos os recursos
envolvidos com a armazenagem.
Ainda, para Moura (2002) a escolha do equipamento adequado para movimentar os produtos,
assim como os manuseios necessários no interior do armazém são atividades operacionais que
sugerem decisões criativas para os gestores, tendo em vista que os danos às mercadorias são
gerados, em grande medida, nas diversas movimentações que os produtos sofrem nos armazéns.

II – Os Custos Gerados com a Armazenagem


Em todas as atividades empresariais, seja na indústria ou no comércio, assim como nos
serviços de qualquer natureza, a questão dos custos passou a ser decisiva na indicação dos
níveis de produtividade e rentabilidade das atividades econômicas, como salienta Lacerda
(2009). Tanto os custos relativos aos processos quanto os custos gerados com a ociosidade dos
recursos (produtos) passaram a ser objeto de preocupação e de criação de estratégias para que
fossem reduzidos e em alguns casos eliminados (LACERDA, 2009).
Os custos com a distribuição física, assim como aqueles gerados com a guarda dos produtos,
passaram a ser estratégicos devido aos investimentos necessários para a realização destas
atividades. Equipamentos, estruturas físicas de estocagens e as plantas industriais estão levando
a Administração a considerar, no mínimo, duas possibilidades: arrendar um armazém ou
construir? Terceirizar todas as atividades ou partes?
O volume de investimentos em estruturas, equipamentos, sistemas de gerenciamento da
informação, recursos humanos treinados, entre outras variáveis têm pesado na decisão da alta
Administração sobre a armazenagem de seus produtos (LACERDA, 2009).

III – O Projeto Armazém Versus Estruturas Físicas


O planejamento do projeto armazém é outra questão não menos importante para a alta
Administração. Para Lacerda (2009), diversas questões devem ser consideradas uma vez que os
produtos ofertados pelas empresas têm características diversas e exigem níveis de cuidados para
guarda e manuseios diversos.
Se por um lado os produtos exigem estratégias de controle diversos, por outro lado, os
recursos envolvidos para manuseio e movimentação também não devem ser negligenciados
pelos gestores, como observados acima. Ademais, cabe ainda considerar que as estruturas físicas
usadas, como as estantes, devem ser pensadas para que os produtos fiquem bem acomodados
e os riscos de danos sejam minimizados, assim como os pontos de acesso para carga e descarga
também (HONDA, 2002).
Podemos observar, portanto, que os produtos, os recursos como equipamentos e pessoas
envolvidas, assim como as estruturas físicas compõem o conjunto de elementos que estão sendo
considerados nas decisões de armazenagem e movimentação dos produtos nos armazéns.

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Assim sendo, a palavra “Planejamento” é chave no quesito decisões de armazenagem e
movimentação de produtos nos armazéns (LACERDA, 2009).
O planejamento da armazenagem e movimentação diz respeito às decisões dos gestores
relativos aos recursos necessários para tal atividade, assim como a localidade mais econômica
para empresa, em termos logísticos, para acesso aos recursos necessários, seja para produção
ou comercialização, assim como para distribuição.
No que tange a questão operacional, o projeto armazém deve considerar a dimensão das
instalações, pensar aspectos relativos à recepção dos produtos como as docas de recebimentos
(LACERDA, 2009)
Outra questão que aparece na armazenagem e a movimentação interna dizem respeito aos
sistemas de comunicação existentes, uma vez que a coleta do produto no armazém sugere
alguma forma de identificação do produto dentro do armazém, ou seja, sua localização. Há
equipamentos que auxiliam na identificação, contagem e coleta, porém todos estão relacionados
às características das atividades, do volume de negócios e aos tipos de produtos existentes.
Ademais as tecnologias representam investimentos que a Administração considera nos desenhos
de seus projetos de armazéns (MOURA, 2000).

IV – A Tecnologias da Informação no Gerenciamento dos


Armazéns
Ao falarmos de sistemas de armazenagem estamos naturalmente falando de um conjunto de
elementos que, combinados, permitem a realização da atividade de armazenagem de produtos
e mercadorias. Neste item estamos nos referindo às tecnologias da informação nas atividades
do armazém. Estamos tratando do sistema WMS – Warehourse Management System, por
exemplo, que permite um gerenciamento intensivo de toda a movimentação de produtos do
armazém, como salienta Veríssimo (2003). As informações quantitativas relativas às entradas e
saídas são conhecidas pelos tomadores de decisões da empresa em tempo real. A programação
das quantidades necessárias de produtos ou materiais para produção, informações relativas
aos níveis de produtos estocados nos armazéns, assim como os momentos de suprimentos ou
abastecimentos podem ser gerados por sistemas (VERISSIMO, 2003).
No que tange a movimentação, o emprego da tecnologia RFID a partir de etiquetas inteligentes,
e sistemas de coletas de produtos em estruturas físicas projetadas para permitir tal coleta, são
recursos cada vez mais presentes nas atividades de armazenagem.

Explore
Para ampliarmos a visão do que vem a ser um sistema de armazenagem, gostaria que
assistisse ao vídeo abaixo. Trata-se de um tipo de sistema de armazenagem, e busque correlacionar
com outros sistemas possíveis:
http://youtu.be/uKFIUBERGnw

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Unidade: A Armazenagem e seus Elementos Estratégicos

Ao falarmos de Sistemas de armazenagem, você deve entender como um conjunto de


elementos organizados em um espaço, tais como: estruturas físicas, equipamentos e processos
de estocagem que servem para receber, movimentar, arrumar e depois separar os produtos,
de forma conveniente, seja manualmente, ou a partir de tecnologias, como as empilhadoras
e porta-paletes. Há vários tipos de sistemas de armazenagem, que são concebidos de acordo
com a tipologia de produto a ser armazenado e a área disponível, entre outros parâmetros
(RAGO, 2002).

Trocando Ideias
Sistema de armazenagem e sistemas de estocagem são a mesma coisa, o que não deve
ser confundido com gestão de armazém e gestão de estoques. A gestão de estoque diz respeito
aos custos das mercadorias adquiridas, assim como seus custos e os momentos de adquirir e em
que quantidades devem ser adquiridas. A gestão do armazém está relacionada às atividades
de recebimento, guarda e posteriormente de identificação, separação e por fim expedição dos
produtos adquiridos.

Como existem vários sistemas de armazenagem de produtos e/ou materiais, precisamos


identificar referenciais para então definir um sistema. Pode ser a partir do produto, considerando
elementos como o peso, as dimensões, entre outros elementos. Podemos ainda considerar o
espaço em termos de tamanho, altura, características do piso, assim como a quantidade de
produtos a serem armazenados, entre outras variáveis (RODRIGUES, 1999).

V – Medidas de Performance da Armazenagem


Por fim, indicadores de desempenho da atividade de armazenagem são imprescindíveis uma
vez que a performance do mesmo é determinada a partir de avaliação dos indicadores. Para
Rodrigues (2006), é certo que há critérios para a análise das atividades de um armazém com
vistas a identificar os níveis de produtividade dos recursos envolvidos e consequentemente os
custos gerados para atividades. Tais informações são estratégicas para alta Administração uma
vez que podem tomar decisões sobre a alocação de recursos que possam otimizar a atividade
ou ainda adotarem novos processos capazes de tornar mais eficiente a armazenagem.
Portanto, as questões relativas à eficiência dos recursos, às necessidades de investimentos em
equipamentos, estruturas e sistemas ou até mesmo alterar processos existentes dependem de
avaliações do sistema de armazenagem existente e dos indicadores de performance, os KPIs.
Não esquecendo que a determinação de indicadores sugerem métodos e, portanto, critérios
devem ser adotados para identificar tais índices (RODRIGUES, 2006).

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Desafios do Gestor de Armazenagem
Já falamos das perspectivas do gestor e as colocamos aqui como desafios. Espaços e
movimentos são palavras-chave quando falamos de uma gestão eficiente dos armazéns ou
almoxarifados. Podemos dizer que é a palavra de ordem nos armazéns. Como conseguir
movimentar de forma mais veloz, usar ao máximo o espaço, seja vertical ou horizontal é
uma questão que cabe ao gestor. A lógica é que ao aumentarmos o volume de pedidos
dos clientes, mais movimentos serão realizados no interior de um armazém, portanto, mais
eficientes devem ser os recursos existentes e, consequentemente, maior deve ser controle da
informação (FIGUEIREDO, 2009)
À medida que os produtos estão se tornando customizados e os custos com cada metro
quadrado se torna mais caro, em qualquer ambiente econômico, a busca por otimizar o espaço
se torna incansável, como diz Lima (2002). A saída está aumentar a altura das estruturas físicas
dos prédios e verticalizar a armazenagem.
À medida que a armazenagem ganha outra perspectiva, como a verticalização, equipamentos
de movimentação e controle assim como as estruturas de guarda dos produtos são alteradas.
Logo, os investimentos se tornam mais expressivos.
Os micro movimentos no interior do armazém devem ser planejados, pois é o que mais
se observa dentro desses espaços físicos. A escolha do posicionamento dos produtos e/ou
materiais, assim como as instalações de armazenagem devem ser vistas de forma estratégica.
Daí dizermos que devem ser concebidas de forma conjunta com outros departamentos da
empresa, uma vez que envolvem políticas de serviço ao cliente, políticas de estoque, transporte,
entre outras atividades, todas dependentes de um fluxo eficiente de produtos e/ou materiais
dentro da cadeia de suprimentos (LACERDA, 2009).

A Armazenagem ainda é Necessária?


Sim, a armazenagem ainda é necessária e será sempre necessária, visto que a demanda
de produtos ou mercadorias nunca será determinada antes para todos os tipos de atividade
econômica, conforme Lacerda (2009). Podemos dizer que ela será o caminho mais eficiente
para consolidar as linhas de fornecedores de materiais ou produtos com seus respectivos
demandantes: indústrias ou comércio (VERISSIMO 2003).
É certo que novos projetos de armazéns especiais serão necessários, pois os volumes e as
características dos produtos estão sofrendo mudanças rápidas demais. Projetos de armazéns
especiais, instalação de dispositivos de separação rápida, a exemplo dos “alimentadores por
gravidade”, serão ferramentas básicas pra integrar procedimentos diários de coletas e formação
de picking (montagem de kits) (WANKE, 2011).
O que aconteceu nos anos 60 em termos de automação nos armazéns, como experimento,
agora se tornou básico e fundamental para a realização das atividades de guarda e montagem
de kits por exemplo, como explica Rodrigues (2006). Estamos na era da informação e tudo que
as empresas querem é inovar seus processos, sejam eles de produção ou de estocagem.

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Unidade: A Armazenagem e seus Elementos Estratégicos

Estamos vivendo o momento dos centros de distribuição, coisa que pouco era considerado
há poucas décadas. Havia uma ideia de que se um armazém fosse bem projetado e pudesse
movimentar o fluxo de entrada em paletes e caixas e o fluxo de saída em qualquer quantidade,
certamente eliminaria a necessidade de centro de redistribuição para dividir o volume. Ledo
engano. Os custos ditaram os rumos para os armazéns, de modo que ele tem sido o elemento
propiciador de um estoque-pulmão onde necessário (RODRIGUES, 2006).

Pense
A história nos diz que todos os conceitos novos tendem a ser exagerados, mal-entendidos e propensos
a falha ao longo do tempo, ou ainda em outros momentos. Isto acontece com métodos novos de
produção assim como com de armazenagem. O CD – Centro de Distribuição não foi concebido
como uma estrutura adequada em um momento e depois com o desenvolvimento da atividade
econômica passou a ser.

Por que a Armazenagem não acabará?


É compreensível que os estudiosos da questão Logística considerassem que o crescente uso
do Just-in-time, ECR e Reabastecimento Contínuo, Cross Docking, Inventário zero, pudessem
significar um declínio na necessidade de Armazenagem. Alguns foram mais longe dizendo que
a utilidade da armazenagem já definhou, assim como a régua de cálculo, máquina de escrever
ou mimeógrafo (RODRIGUES, 2006).
A armazenagem não foi extinta e não será, como explica Lacerda (2009), pois apesar da
existência de técnicas inovadoras e de seu uso crescente na minimização do inventário, no
uso da armazenagem, ainda há vários setores que não acompanharam e nem acompanharão
a dinâmica destas inovações, seja elas em processos ou equipamentos. Ainda há desafios na
logística para realizar as operações num ambiente Just-In-Time puro ou de reabastecimento
contínuo, o que sugere que a armazenagem será essencial por muito tempo (LACERDA, 2009).

Trocando Ideias
Será que todas as empresas são perfeitas para prever sua demanda de materiais ou de mercadorias
pelos consumidores finais e terem 100% destas previsões? Mesmo que algumas empresas o tenham,
são poucas, visto que é necessário um grande investimento em infraestrutura organizacional: estruturas
físicas, equipamentos e sistemas de controles avançados para conseguir atingir tal acuracidade para
prever suas demandas.

Mesmo que a empresa que você trabalhe seja perfeita, os fornecedores ou os clientes o são?
Provavelmente não são, e como são uma importante parte de seu canal de suprimento, isto
significará que a empresa em você trabalha terá que usar a armazenagem com segurança pelo
menos parte do tempo. Ou ainda, ter um estoque de segurança, mesmo que seja mínimo. Daí
a existência da armazenagem.

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Tendência para a Armazenagem
É possível que não se confirme nossas expectativas, mas atualmente a atividade de
armazenagem chama a atenção de muitos elementos, não só de empresários. A expressividade
deve ganhar corpo nas empresas e a armazenagem seja simplificada por processos novos, ou
formas de consumo novas, como o e-commerce (comércio eletrônico). Esta prática é uma
realidade no mundo e se desenvolve a passos largos aqui no Brasil. Alguns teóricos como
Moura (2000) profetizam que em função desta prática, entre outras variáveis tecnológicas,
os pedidos de entrega se tornarão ainda mais pulverizados, o que alterará os processos de
armazenagem, principalmente no que se refere à identificação e separação de produtos para
montagem de kits. Outro fator diz respeito ao lado das empresas relativo aos custos que estão
apertando as margens de lucro e fazendo as empresas repensarem a questão logística interna
de armazenagem.

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Unidade: A Armazenagem e seus Elementos Estratégicos

Material Complementar

Por que a Armazenagem Não Acabará?


Apesar do crescente uso de técnicas de minimização do inventário, o uso da armazenagem
está se mantendo, provando que ainda existem muitos casos onde as empresas devem depender
de estocagem a longo ou curto prazo para atender suas demandas logísticas. Outro motivo pelo
qual acredito que a armazenagem continuará sendo essencial por longo tempo é o desafio
logístico de operação num ambiente Just-In-Time puro ou de reabastecimento contínuo.
É necessária uma grande quantidade de infraestrutura organizacional e acuracidade para
prever suas demandas, e poucas empresas são perfeitas o suficiente para serem capazes de
fazerem isto com 100% de seus produtos 100% do tempo. Mesmo que sua empresa seja esta
perfeição, seus fornecedores ou seus clientes provavelmente não são, e como são uma importante
parte de seu canal de suprimento, isto significará que você terá que usar a armazenagem com
segurança pelo menos parte do tempo.

Aproveite para assistir um vídeo no link que trata da importância da armazenagem na logística.
http://youtu.be/n4yrSFCv_ts

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Referências

BONZATO, Eduardo e, Moura, Reinado A. - Aplicações Práticas de Equipamentos de


Movimentação e Armazenagem de Materiais. São Paulo. Editora IMAM, 2006

DIAS, M. A. P. Administração de materiais: princípios, conceitos e gestão. 6ª ed. São


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FIGUEIREDO, K.F. (orgs.). Logística Empresarial: a perspectiva brasileira. São Paulo:


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GONÇALVES, P. S. - Administração De Materiais - 4ª Edição Editora Campus- 2013.

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n.143, p.18.

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RODRIGUES, PAULO ROBERTO AMBRÓSIO. Gestão Estratégica da Armazenagem, São


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RAGO, S.F.T. (2002) - LOG&MAN - Logística, Movimentação e Armazenagem de


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quantitativos. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2011.

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Anotações

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