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InstituiçõesFinanceiras

Global

Metodologia Global de Rating de Bancos


Metodologia Principal

Neste Relatório Escopo


Escopo 1 Este relatório de metodologia se aplica a bancos, incluindo bancos comerciais e bancos de
Principais Fundamentos dos Ratings 1
Principais Alterações na Metodologia a
2 desenvolvimento e holdings de bancos, globalmente. Na maioria dos casos, não se aplica a
Resumo e Estrutura do Relatório 3 instituições financeiras não bancárias, cujos critérios para atribuição de rating estão delineados
I. Estrutura dos Ratings 5
II. Ratings de Viabilidade 18 na Metodologia Global de Rating de Instituições Financeiras Não-Bancárias. Em algumas
III. Suporte 37 ocasiões, este relatório poderá ser aplicado com outras metodologias (veja o Anexo 10).
IV: Ratings de Emissões 65
Anexo 1: Ratings de Viabilidade de
Subsidiárias 66
Principais Fundamentos dos Ratings
Anexo 2: Atribuição de Rating a Bancos Estrutura Reflete Particularidades dos Bancos: Os ratings atribuídos a bancos refletem os
Acima do Soberano 79
Anexo 3: Atribuição de Créditos pelo Conteúdo
fundamentos específicos (componentes) do crédito do banco. Os Ratings de Viabilidade (RVs)
de Capital 76 capturam a situação de crédito intrínseca de um banco, enquanto o Rating de Suporte (RS) e
Anexo 4: Estruturas de Bancos Lastreadas por
Mecanismos de Suporte Mútuo 90
o Piso de Rating de Suporte (PRS) refletem a probabilidade de que este banco venha a
Anexo 5: Impacto da Evolução da receber suporte externo, caso necessário – O IDR (Issuer Default Rating – Rating de
Regulamentação de Bancos na Metodologia de
Ratings da Fitch 96
Probabilidade de Inadimplência do Emissor) de um banco e os ratings de emissões são
Anexo 6: Exemplos de Estruturas Aplicadas 99 derivados do RV e dos ratings de suporte.
Anexo 7: Revisões de Grupos/Pares 102
Anexo 8: Informações Usadas para Emitir e Abordagem de “O que for Maior” Para IDRs: A Fitch, em geral, adota a abordagem “o que
Manter Ratings 103
Anexo 9: Uso de Testes de Estresse e Outras
for maior” ao atribuir IDRs de Longo Prazo a bancos. A agência primeiro determina qual nível
Ferramentas no Processo de Rating 105 de IDR de Longo Prazo um banco poderá alcançar com base unicamente em sua força
Anexo 10: Metodologia Relacionada 106
financeira individual (conforme refletida em seu RV, se atribuído), ou com base unicamente no
suporte externo, e então atribui o IDR de Longo Prazo no que for mais alto entre estes dois
O presente documento é uma tradução do
texto em inglês e está pendente de revisão. níveis. Em raros casos, por exemplo, quando os credores seniores estão protegidos por um
Em caso de qualquer discrepância entre a amplo colchão de reserva para dívida júnior, os IDRs podem receber graduação acima dos
tradução e o texto original em inglês, que este
documento pretende refletir, deverá RVs. Os IDRs de um banco normalmente classificam o risco de inadimplência em relação às
prevalecer o texto original, em inglês. obrigações seniores em comparação a terceiros, credores não governamentais.
Esta metodologia substitui o relatório de RVs Baseados em Cinco Fatores: Ao avaliar a situação creditícia individual de um banco e
mesmo nome, publicado em 15 de julho de
2016. O novo relatório é amplamente atribuir o seu RV, a Fitch considera cinco fatores principais: o ambiente operacional; o perfil da
consistente com o anterior em termos companhia; administração e estratégia; apetite por risco; e perfil financeiro. Cada um desses
substanciais. As principais alterações estão
listadas à página 2. fatores é subdividido em vários subfatores. Os RVs classificam o risco de que um banco venha
a falhar, i.e. tornar-se inadimplente ou precisar receber suporte extraordinário/impor perdas em
Analistas relação às obrigações subordinadas para reestabelecer sua viabilidade.
Suporte Institucional e Soberano: O Rating de Suporte (RS) do banco reflete a opinião da
Global
Fitch sobre a probabilidade de uma entidade receber suporte extraordinário, caso necessário.
David Weinfurter
O suporte normalmente é prestado pelos acionistas do banco (suporte institucional) ou pelas
+44 20 3530 1505
autoridades nacionais do país onde o banco é domiciliado (suporte soberano, também refletido
david.weinfurer@fitchratings.com
no Piso de Rating de Suporte - PRS). Ao avaliar o suporte institucional ou soberano, a agência
EMEA
James Watson considera a capacidade e a propensão de o potencial provedor de suporte prover assistência.
+7 495 956 6657
james.watson@fitchratings.com
Risco de Inadimplência, Perspectivas de Recuperação: Ratings de longo prazo de
Bridget Gandy emissões de bancos, em comum com outros setores de finanças corporativas, refletem a
+4420 3530 1095 opinião da Fitch sobre o nível geral do risco de crédito ligado a determinados compromissos
bridget.gandy@fitchratings.com
James Longsdon financeiros, normalmente títulos. Esta visão incorpora a avaliação da probabilidade de
+44 20 3530 1076 inadimplência (ou risco de “falha no desempenho”) de uma obrigação específica e dos
james.longsdon@fitchratings.com potenciais de recuperação pelos credores, em caso de inadimplência/falha no desempenho.
América do Norte
Joo-Yung Lee
Ratings de Dívida Sênior: Os ratings de obrigações seniores sem garantias de um banco
+1 212 908 0560 estão normalmente em linha com o seu IDR de Longo Prazo. Entretanto, podem ter graduação
Joo-yung.lee@fitchratings.com maior (por exemplo, quando uma classe de dívida sênior contar com proteção de outra), ou
Christopher Wolfe
+1 212 908 0771 menor (se - em patamares de rating mais baixos - houver profunda subordinação efetiva, ou se
christopher.wolfe@fitchratings.com o balanço patrimonial estiver altamente onerado.
América Latina Ratings Subordinados e Híbridos: As obrigações subordinadas e híbridas de bancos são
Alejandro Garcia normalmente graduadas em função do RV do emissor, dependendo, essa graduação, da
+52 81 8399 9100
Alejandro.garcia@fitchratings.com
extensão do risco de falha no desempenho (em relação ao risco de liquidação) e das
perspectivas de recuperação em caso de inadimplência.
APAC
Mark Young
Ratings de Contrapartes de Derivativos (RCDs): Os CDs expressam a opinião da Fitch
+65 6796 7229 sobre a vulnerabilidade relativa de um banco a inadimplência em contratos de derivativos junto
mark.young@fitchratings.com a terceiros, contrapartes não governamentais. Um RCD pode ser equiparado ao IDR de Longo
Prazo do banco, ou receber maior graduação a partir deste IDR.

www.fitchratings.com.br 25 de Novembro de 2016


Instituições Financeiras

Principais Alterações na Metodologiaa


Metodologia Relacionada A estrutura de ratings de bancos da Fitch permaneceu amplamente consistente ao longo do
Veja Anexo 10 tempo, com apenas moderados refinamentos ocasionalmente introduzidos, de modo a refletir
as mudanças das circunstâncias de mercado. Este relatório de metodologia é consistente
com o anterior: Metodologia Global de Rating de Bancos, em termos substanciais, e a Fitch
não espera que a sua publicação resulte diretamente em qualquer alteração imediata nos
ratings. A única mudança na metodologia consiste em um ajuste na atribuição de RCDs, de
modo a permitir que a Fitch atribua RCDs a determinadas subsidiárias não-bancárias de
grupos de bancos e a holdings de bancos. O RCD expressa a opinião da Fitch sobre a
relativa vulnerabilidade de uma entidade à inadimplência em contratos de derivativos com
contrapartes constituídas por terceiros, não governamentais. O RCD pode ser igualado ao
IDR de Longo Prazo de um banco, ou receber graduação acima deste. A graduação acima é
possível quando as contrapartes de derivativos se beneficiam de senioridade legal em
relação a um colchão de reserva suficientemente amplo e sustentável de outros passivos
(consulte a Seção I.6).

Principais Alterações na Metodologiaa


Indicadores Financeiros: Nesta metodologia, a Fitch esclarece como utiliza os indicadores financeiros
na análise do perfil financeiro de um banco. Um indicador básico foi identificado para cada um dos quatro
fatores do perfil financeiro (qualidade dos ativos, resultados & rentabilidade, capitalização & alavancagem
e captação & liquidez) que fazem parte da análise do RV da agência, que determina os scores dos
fatores implícitos de um banco, combinando seu ambiente operacional com seus indicadores básicos
reportados. Os scores implícitos podem, então, ser ajustados para se chegar aos scores finais, com base
em diferentes considerações, algumas das quais utilizam indicadores financeiros complementares. A
agência alterou alguns dos índices financeiros que utiliza em sua avaliação do perfil financeiro de um
banco, removendo alguns índices (por exemplo, Capital Elegível Fitch/Ativos ponderados pelo Risco) e
acrescentou outros (por exemplo, o Índice de Cobertura da Liquidez). As definições atualizadas dos
índices também estão sendo fornecidas. Veja a Seção II.5 e o Anexo 3.

Ratings de Contrapartes de Derivativos: Este relatório dispõe sobre a atribuição de RCDs a alguns
bancos. Os RCDs expressam a opinião da Fitch sobre a vulnerabilidade relativa de um banco à
inadimplência em contratos derivativos com terceiros, contrapartes não governamentais. Um RCD pode
ser equiparado ao IDR de Longo Prazo do banco, ou receber maior graduação a partir deste IDR. A
graduação acima é possível quando as contrapartes em derivativos são beneficiadas por senioridade
legal em relação a um colchão de reserva suficientemente amplo e sustentável de outros passivos. Veja
a Seção I.6.
Esclarecimentos sobre Graduação: A Fitch aperfeiçoou o texto da Seção I.1 e da Seção III.2.3, de
modo a apresentar com maior clareza a metodologia para atribuição do IDR de Longo Prazo a um banco,
acima de seu RV, com base na combinação da dívida júnior qualificada do banco com o colchão de
reserva da dívida geral de sua companhia holding. Foram feitos mínimos ajustes/esclarecimentos na
definição de dívida júnior qualificada. O Anexo 5, que foi acrescentado, resume a metodologia para
graduação do IDR de Longo Prazo acima do RV e para graduação do rating da dívida sênior, do RCD ou
dos depósitos, acima do IDR de Longo Prazo.
Conteúdo de Capital e Capital Elegível Fitch: Com a publicação deste relatório, a Fitch não atribui mais
formalmente conteúdo de capital aos instrumentos híbridos de um banco, nem calcula o Capital Elegível
Fitch de um banco (que foi definido como o Núcleo de Capital Fitch (FCC) mais crédito pelo conteúdo de
capital atribuído a híbridos). Isto, porque o FCC é a principal medida adotada pela agência para avaliar a
capitalização de um banco e a agência acredita que esta medida pode considerar a extensão em que o
capital não principal de um banco fortalece sua capacidade de absorção de perdas antes de se tornar
inviável, sem formalmente atribuir conteúdo de capital aos instrumentos híbridos. Veja a Seção
II.5/Capitalização e Alavancagem.
Governança Corporativa: A Fitch incorporou integralmente a este relatório a sua abordagem de
avaliação de governança corporativa em bancos (veja a Seção II.3). Portanto, este relatório não mais
incorpora, por referência, o relatório de metodologia setorial individual, Avaliação da Governança
Corporativa. A abordagem da agência para avaliação da governança corporativa em bancos permaneceu
praticamente inalterada e continua focada na eficácia do conselho fiscal, nos relatórios financeiros e em
transações com partes relacionadas.
Suporte Institucional: A abordagem da Fitch para avaliação do suporte institucional (de acionistas)
permanece quase inalterada (veja Seção III.2). Entretanto, o relatório atual fornece esclarecimentos
sobre o suporte por parte de (i) bancos controladores cujos IDRs estejam graduados acima de seus RVs;
e (ii) entidades coligadas.
a
A Fitch não acredita que a implementação de quaisquer destas alterações resulte direta e imediatamente em quaisquer
modificações nos ratings.
Fonte: Fitch

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Resumo e Estrutura do Relatório


I. Estrutura dos Ratings
A Fitch atribui tanto ratings a emissores como a emissões de bancos e a suas obrigações. Os
ratings dos emissores são:
 IDRs de Longo Prazo
 IDRs de Curto Prazo
 Ratings de Viabilidade
 Ratings de Suporte
 Piso de Rating de Suporte
 Ratings de Contrapartes de Derivativos
Para obter definições completas dos ratings, clique aqui. Para detalhes sobre a estrutura de
rating de bancos da Fitch, clique aqui.
II. Ratings de Viabilidade
A Fitch reflete a situação creditícia essencial de uma instituição financeira, ou o seu perfil de
crédito individual, no Rating de Viabilidade (RV) da entidade. O RV considera cinco fatores-
chave:
 Ambiente Operacional
 Perfil da Companhia
 Administração e Estratégia
 Apetite por Risco
 Perfil Financeiro
Para obter detalhes sobre a estrutura dos Ratings de Viabilidade, clique aqui.
III. Suporte
As fontes mais comuns de suporte são os acionistas do banco (suporte institucional) e as
autoridades governamentais (suporte soberano). A opinião da Fitch sobre a probabilidade de
suporte externo, se necessário, está refletida no Rating de Suporte do banco. Quando a
agência acredita que a forma mais provável de suporte seja o soberano, isto também está
refletido no Piso de Rating de Suporte (PRS) do banco.

Os principais fatores do rating de suporte soberano são:


 capacidade de o soberano prover suporte,
 propensão de o soberano prover suporte ao setor bancário,
 propensão de o soberano prover suporte a uma IF específica.
Os principais fatores do rating de suporte institucional são:
 capacidade de a matriz prover suporte,
 propensão de a matriz prover suporte,
 riscos do país na jurisdição da subsidiária.
Para obter detalhes sobre a estrutura dos Ratings de Suporte, clique aqui.

IV. Ratings de Emissões


Os ratings de emissões bancárias de títulos seniores, subordinados/híbridos e outros, de
bancos, incorporam a avaliação, tanto da probabilidade de inadimplência (ou risco de “falha no
desempenho”) da obrigação específica como das potenciais recuperações para os credores
em caso de inadimplência/falha no desempenho. Para detalhes, clique aqui.

V. Anexos
Para informações adicionais sobre aspectos específicos da metodologia de rating de bancos,
exemplos da estrutura aplicada e informações sobre determinados procedimentos de rating,
clique aqui.

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Estrutura de Rating de Bancos (Simplificada)

Rating de Suporte ( RS)


( Escala de 1-5)
Rating de Viabilidade (RV) Baseado no Suporte Institucional e Soberano , o que for Maior
( Escala aaa)
Com base na força intrínseca
Piso de Rating de Suporte ( PRS) Potencial nível de IDR de LP baseado no
Principais Fatores de Rating (Escala AAA ) suporte institucional ( acionista)
 Ambiente Operacional Baseado no Suporte Soberano ( Escala AAA)
 Perfil da Instituição Principais Fatores de Rating Principais Fatores de Rating
 Administração e Estratégia  Habilidade de o soberano prover  Habilidade de suporte da matriz
 Apetite por Risco suporte  Propensão de a matriz prover suporte
 Perfil Financeiro  Propensão de o soberano prover à classificação da subsidiária
suporte ao setor bancário  Risco país na jurisdição da subsidiária.
 Propensão de o soberano prover
suporte a uma instituição específica

IDR de Longo Prazo ( IDR LP )


( Escala AAA)
Baseado no RV e no Suporte Institucional /Soberano , o que for maior

IDR de Curto Prazo ( IDR CP)


( Escala CP)
Baseado no Mapeamento do IDR LP

Ratings de Emissores

Ratings de Emissões

Dívida Sênior
( Escala AAA)
Geralmente Equalizada com o IDR LP

Instrumento Subordinados/Híbridos
( Escala AAA)
Geralmente Graduado sem RV
Fonte: Fitch

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I. Estrutura dos Ratings


Os ratings atribuídos a bancos refletem os fundamentos específicos (componentes) de crédito
do banco. A Fitch atribui ratings separados para capturar a situação creditícia intrínseca de um
banco (o RV), e a probabilidade de que ele venha a receber suporte externo, caso necessário
(o RS e o PRS). Os IDRs e ratings de emissões derivam do RV e dos ratings de suporte.

1
Esta seção provê uma visão geral dos ratings em escala internacional atribuídos a bancos e
suas emissões, indicando: o que medem os diferentes ratings; quando são atribuídos; as
escalas em que são atribuídos; e como (em termos amplos) são determinados os níveis de
rating. Esta seção primeiro revê os ratings de bancos emissores e depois, os ratings de
emissões.

As seções II, III e IV oferecem maiores detalhes sobre os critérios para atribuição de RVs,
ratings de suporte e pisos de rating de suporte (RS e PRS), e ratings de emissões,
respectivamente. Os leitores que não desejarem rever em detalhes a estrutura de ratings da
Fitch devem recorrer a estas seções. Uma versão simplificada da estrutura é apresentada no
diagrama da página anterior.

I.1. IDRs de Longo Prazo


O que Avaliam
Os IDRs, tanto para bancos como para emissores em outros setores, expressam a opinião da
Fitch sobre a relativa vulnerabilidade de uma entidade se tornar inadimplente em relação às
suas obrigações financeiras. De acordo com as definições de rating da Fitch, o risco de
inadimplência coberto pelo IDR é, em geral, o de que as obrigações financeiras cuja falta de
pagamento “melhor refletiriam a inevitável falha dessa entidade”.

A Fitch considera que as obrigações de bancos cuja falta de pagamento que melhor refletem o
seu irremediável insucesso são normalmente as obrigações seniores perante terceiros,
credores não governamentais. Por isso, os IDRs de bancos, geralmente, opinam sobre a
probabilidade de inadimplência dessas obrigações. Para maiores detalhes, veja a seguir “O
Que os IDRs de Bancos Expressam: Definição de Obrigações de Referência”.

1
A Metodologia de Ratings Nacionais da Fitch (veja Anexo 10) delineia os critérios da agência para
atribuição de ratings nacionais.

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O Que os IDRs de Bancos Expressam: Definição de Obrigações de


Referência.
Os IDRs de um banco normalmente expressam a opinião da Fitch sobre o risco de
inadimplência de obrigações seniores perante terceiros, credores não governamentais, pois
na opinião da Fitch estas são normalmente as dívidas cuja falha no cumprimento melhor
reflete a irremediável falha da entidade. De acordo com as definições de rating da Fitch, e
em linha com emissores em outros setores, a inadimplência de um banco poderá assumir
várias formas, inclusive a ausência de pagamento de obrigações, além do período de
tolerância recuperação disponível, redução do valor da dívida (bail in), troca forçada de
dívida ou o início do processo de falência de um emissor.

O RS e o PRS de um banco também avaliam as mesmas obrigações de referência, isto é,


refletem a opinião da Fitch sobre se o suporte externo será suficiente para que o banco
evite a inadimplência de obrigações seniores perante terceiros, credores não
governamentais. Entretanto, o RV classifica o risco de um banco falir, o que, na visão da
Fitch, poderá estar refletido na falha do desempenho de dívidas subordinadas, assim como
dos passivos seniores, significando que o RV referencia uma faixa mais ampla de
obrigações (veja a seguir, Qual a Finalidade dos RVs: Insucessos de Instituições
Financeiras).

Com base na definição acima, os IDRs de um banco não refletem normalmente o risco de
inadimplência da dívida subordinada ou “júnior”, ou de obrigações perante entidades sob
controle compartilhado e autoridades governamentais. Entretanto, se a Fitch considerar que
a falha no desempenho dessas obrigações indica um estresse mais amplo que possa
resultar na inadimplência do emissor em relação às suas obrigações seniores perante
terceiros, credores privados, isso poderá levar ao rebaixamento do IDR de Longo Prazo do
banco para um patamar muito baixo, por exemplo, ‘CCC’ ou abaixo. Além disso, se a
inadimplência da dívida subordinada precipitar procedimentos de falência, ou resultar na
aceleração da dívida sênior que o banco esteja impossibilitado de resgatar (cada um
desses eventos representando uma inadimplência do banco pela definição acima), a falha
no desempenho da dívida subordinada pode muito rapidamente resultar no rebaixamento
dos IDRs da entidade para o patamar de inadimplência.

A seguir os fundamentos para a definição da Fitch das obrigações referenciais para os IDRs
de um banco:

Obrigações Seniores vs. Subordinadas/Juniores


O risco de mau desempenho, ou de inadimplência em relação às obrigações
subordinadas/juniores do banco é frequentemente (mas nem sempre) maior do que o de
inadimplência em relação aos seus passivos seniores. Isso pode ser devido ao fato de que,
por contrato, as obrigações subordinadas/juniores determinaram a absorção de perdas em
termos de going concern, ou porque a Fitch acredita que haja maior probabilidade de os
passivos seniores se beneficiarem de suporte externo (geralmente, do governo) se um
banco falir.

Dessa forma, para fins de clareza e classificação da maior parte da estrutura dos passivos
de um banco, os IDRs do banco normalmente refletem o risco de inadimplência apenas das
obrigações seniores. A opinião da Fitch sobre o nível de risco de crédito das obrigações
subordinadas/juniores está refletida nos ratings de emissões desses instrumentos.

Obrigações de Terceiros vs. Intragrupo


Os IDRs do banco nem sempre consideram o risco de inadimplência dos recursos
capturados de entidades sob controle em comum (por exemplo, bancos
controladores/coligadas ou corporações não-financeiras relacionadas) por três razões
principais. Primeiro, estas disponibilidades não podem ser concedidas de forma puramente

Metodologia Global de Rating de Bancos 6


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‘independente’, por exemplo nem sempre se pode esperar que o tomador pague, e não
“role”, as disponibilidades no vencimento. Segundo, a Fitch geralmente não esperaria que
houvesse um alto nível de transparência sobre se uma entidade se tornou “inadimplente”
em relação à dívida intragrupo, por exemplo, se a rolagem foi ‘voluntária’ ou ‘forçada’.
Terceiro, a Fitch normalmente não consideraria entidades sob controle em comum como os
principais usuários de seus ratings, pois em muitos casos elas teriam acesso direto a
informações privilegiadas sobre a condição financeira do tomador.

Credores Privados vs. Públicos


Os IDRs de bancos normalmente não classificarão o risco de inadimplência das obrigações
devidas aos bancos centrais e outras instituições públicas nacionais. Isso reflete a relação
especial entre um banco central, como credor de último recurso, e os bancos comerciais, e
o fato de que, quando as disponibilidades devidas aos bancos centrais são roladas ou
reestruturadas, há probabilidade de haver considerável ambiguidade em relação a se essa
reestruturação deverá ser considerada ‘voluntária’ ou ‘forçada’. Além disso, geralmente será
difícil determinar, em tempo hábil, se um banco apresentou bom desempenho em relação à
dívida junto ao respectivo banco central.

No entanto, se um banco central, ou o órgão regulador do banco ou qualquer outra


instituição do governo tomar providências para colocar um banco sob intervenção, ou se
pedir a falência da instituição, a Fitch rebaixará os IDRs do banco ao grau de inadimplente.

Diferentes Categorias de Obrigações Seniores


Em alguns casos, uma IF pode se tornar inadimplente em relação a algumas categorias de
dívida junto a terceiros, ou a dívidas seniores junto ao setor privado, embora continue em
dia em relação a outras. Mais tipicamente, um banco pode continuar honrando os depósitos
- todos os depósitos ou apenas de clientes de varejo – ao mesmo tempo em que se torna
inadimplente e reestrutura sua dívida no atacado.

Quando a Fitch considera que há patamares significativamente diferentes de risco de


inadimplência em diversas categorias de passivos seniores de um banco, os IDRs
classificarão a categoria (relevante) com maior risco. Se o banco se tornar inadimplente em
uma categoria relevante de dívida sênior junto a um terceiro do setor privado, embora
continue em dia em relação a outras categorias, seus IDRs serão rebaixados para
Restricted Default (RD - Inadimplência restrita).

Em muitas partes do mundo, a abordagem ‘muito grande para falir’ é um importante objetivo
da política. Embora as regras definitivas ainda estejam sendo determinadas, a manutenção
de ‘capacidade de absorção de perdas’ suficientemente grande é parte integrante deste
processo. Títulos de dívidas juniores que se qualificam como capital regulatório também se
classificarão como capacidade de absorção de perdas. Entretanto, outros passivos que não
se classificam como capital regulatório também podem se qualificar como capacidade de
absorção de perdas, embora precisem estar subordinados, de alguma forma, a outros
passivos operacionais. Como apenas dívidas juniores que se qualificam/parcialmente
mediante as regras de phase out como capital regulatório, mas ainda estão legalmente
subordinadas a outros passivos seniores ficam abaixo do limiar de referência de IDRs da
2
Fitch, esses passivos ‘seniores subordinados’ normalmente constituirão obrigações de
referência para fins do IDR de um emissor. A inadimplência de alguns passivos
normalmente resultará, desta forma, no rebaixamento do IDR de um emissor para ‘RD’ ou
‘D’.

É altamente improvável que a Fitch considere os passivos de sucursais de um banco no


exterior como obrigações de referência, para a classificação de IDRs. Por exemplo, a
inadimplência desses passivos, devido, por exemplo, a limitações ao pagamento na
jurisdição da filial não resultaria tipicamente em rebaixamento dos IDRs do banco para ‘RD’.

2
Por exemplo, um instrumento principal sênior com um going concern, ‘gatilho alto’ de
baixa/conversão não será provavelmente considerado um rating de referência para o IDR de um
banco se a baixa/conversão restaurar a viabilidade.

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Quando São Atribuídos


Escala de IDRs de Longo
Os IDRs de Longo Prazo são atribuídos a, praticamente, todos os bancos com ratings
Prazo
internacionais. As principais exceções são os raros casos em que uma entidade emita
Categoria Breve descrição exclusivamente dívida de curto prazo e, assim, só possa ser atribuído um IDR de Curto Prazo.

Quando a Fitch considerar útil destacar separadamente o nível de risco de inadimplência de


AAA Mais alta qualidade de obrigações em moeda estrangeira e em moeda local, a agência poderá atribuir a um banco
crédito IDRs de Longo Prazo em Moeda Estrangeira e em Moeda Local em separado. Isso pode ser
AA Qualidade de crédito feito, por exemplo, quando a agência considerar que haja diferença relevante no risco de
muito alta inadimplência de obrigações em diferentes moedas (por razões intrínsecas ou de suporte, ou
A Alta qualidade de crédito por causa de um risco maior de limitações legais quanto ao serviço da dívida em moeda
estrangeira), ou quando a atribuição de um IDR em Moeda Local for necessária para gerar o
BBB Boa qualidade de crédito Rating Nacional de um banco.

BB Qualidade de crédito Em Qual Escala


especulativa
Os IDRs de Longo Prazo são atribuídos na escala ‘AAA’ (veja quadro à esquerda).
B Qualidade de crédito
altamente especulativa
Como São Determinados
CCC Substancial risco de Em geral, a Fitch adota a abordagem “maior de” ao atribuir IDRs de Longo Prazo a bancos.
crédito
Especificamente, a agência primeiro determina que nível de IDR de Longo Prazo o banco
CC Níveis muito altos de risco poderá atingir, com base unicamente em sua força financeira individual (conforme refletido nos
de crédito RVs, quando atribuídos); ou unicamente no suporte, se suporte soberano das autoridades
governamentais (conforme refletido no PRS) ou suporte institucional, normalmente dos
C Níveis de risco de crédito
excepcionalmente altos acionistas. A Fitch então (quase sempre) atribui o IDR de Longo Prazo no mais alto desses
dois patamares, na ausência de limitações extraordinárias, representadas pelo Teto País (veja
RD Inadimplência limitada abaixo).

D Inadimplência A Fitch utiliza essa abordagem ‘maior de’ para atribuir IDRs de Longo Prazo a bancos – em
lugar de uma ‘probabilidade conjunta’ ou ‘aditiva’ – por duas razões principais. Primeiro, ela
Os modificadores ‘+’ ou ‘−’ podem ser ajuda a evitar a compressão do rating na ponta superior da escala. Segundo, ela evita que os
acrescentados a um rating para denotar a patamares de rating se tornem dependentes de estimativas da correlação entre a força
situação relativa dentro das categorias de
‘AA’ a ‘B’. Clique aqui para obter descrições individual de um banco e a capacidade de um soberano ou de um acionista prestar suporte.
completas de cada categoria de rating
Fonte: Fitch Entretanto, pode haver raros casos em que o IDR de Longo Prazo de um banco é atribuído em
um patamar acima (ou abaixo) daquele que a abordagem ‘maior de’ sugere, conforme
delineado abaixo.

Atribuindo a um Banco IDR de Longo Prazo Acima de seu RV


O IDR de Longo Prazo de um banco pode ser atribuído em um nível acima daquele que a
abordagem “maior do que” poderia sugerir, quando a Fitch acreditar haver um colchão de
3
reserva de dívida júnior qualificável suficientemente amplo para evitar a inadimplência em
relação aos passivos seniores, quando um banco falhar em seu desempenho, ou quando os
ratings estiverem em patamares muito baixos

Elevação da Reserva Adicional de Dívida Júnior Qualificável


A elevação do IDR de Longo Prazo acima do RV poderá ocorrer quando os IDRs forem
movidos pela força individual de um banco, embora a agência acredite que o risco de
inadimplência das obrigações seniores (as obrigações referenciais que os IDRs classificam)
seja inferior ao risco de o banco vir a precisar impor perdas às obrigações subordinadas para
restabelecer sua viabilidade (o que o RV classifica). Isto pode ocorrer porque, por exemplo, há

3
Definida como dívida subordinada que se qualifique total ou parcialmente (por exemplo, sob faseamento de
regras) ou que usualmente se qualificava como capital regulatório Nível 1 ou Nível 2, ou graduações e possa
legalmente ter seu valor reduzido (bailed in) antes dos passivos seniores que são classificações de referência
para IDRs da Fitch. A Fitch reduzirá a dívida júnior qualificada, à medida que i ) a absorção de perdas do capital
não-principal tiver resultado no fato de o banco ter atingido um RV mais elevado do que seria possível de outra
forma (veja também Capitalização e Alavancagem na seção II.5) ; ii ) a Fitch acreditar que seja insustentável; ou
iii) a Fitch ter preocupações sobre sua capacidade para absorver perdas ante passivos seniores.

Metodologia Global de Rating de Bancos 8


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

uma ampla reserva adicional de obrigações juniores que a agência acredita que, na prática,
poderia “proteger” as obrigações seniores contra a inadimplência, até mesmo após a falência
de um banco.

Em primeiro lugar, a Fitch avalia se o banco tem um nível suficiente e sustentável de dívida
júnior qualificável para se recapitalizar caso entre com um pedido de falência, sem
desencadear a inadimplência dos passivos seniores. A agência apenas considerará a
atribuição de um IDR acima do RV em função da reserva adicional de dívida júnior se as
reservas de dívida qualificável juniores exceder ou estiver próxima ao pilar mínimo de capital
total 1 exigido do banco (excluindo as reservas regulatórias, se impostas), porque a redução
do valor (bail-in) desse montante pode recapitalizar o banco a um nível que atenda às suas
exigências de pilar 1, até mesmo se o banco chegar à insolvência de seu balanço. A agência
poderá excluir os passivos da dívida júnior qualificável se tiver preocupações em relação à sua
capacidade de absorção de perdas antes dos passivos seniores (por exemplo, se a Fitch
acreditar que a dívida júnior qualificável do varejo possa ser poupada do bail-in).

Se as reservas adicionais da dívida júnior qualificável excederem ou estiverem próximas à


exigência de capital total do pilar 1 mínimo do banco, a Fitch então determinará um “montante
de recapitalização” necessário à elevação do IDR, comparando a estimativa da agência sobre
o nível de capitalização em que uma medida de resolução possa ser determinada em relação
a um banco, com a estimativa do nível de capitalização que um banco possa exigir após a
4
medida para recapitalização. 4

De modo geral, a Fitch não considera planos incrementais líquidos de emissão de dívida de
médio ou de longo prazo em seus cálculos de dívida qualificável júnior, pois a capacidade de
um emissor emitir e manter volumes maiores de dívida não está testada. Entretanto, a agência
utilizará as Perspectivas para sinalizar a direção em que um rating provavelmente se moverá
ao longo de um período de um a dois anos e pode incluir planos de emissão de dívida a curto
prazo (menos de um ano) quando i) a dívida qualificável júnior de um banco estiver próxima ao
seu ‘montante de recapitalização’ e ii) a agência acreditar que haja alta probabilidade de que a
deficiência será solucionada dentro desse prazo.

Se níveis sustentáveis de dívida qualificável júnior estiverem amplamente em linha com, ou se


excederem este “montante de recapitalização”, a Fitch então avalia se o IDR de Longo Prazo
do banco teria atingido o nível mais elevado, se as reservas de dívida júnior qualificável
estivessem em forma de FCC, em lugar de dívida. Algumas vezes o RV e o IDR de Longo
Prazo de um banco são efetivamente limitados pela avaliação da Fitch do modelo de negócios
de uma companhia, ou em outras ocasiões, eles são efetivamente limitados pelo ambiente
operacional ou por considerações sobre o risco soberano (consulte o Anexo 2: Atribuindo
Rating a Bancos Acima do Soberano), e, desta forma, não atingiriam o nível de rating mais alto
se as reservas de dívida qualificável júnior estivessem em forma de FCC.

Se a Fitch considerar que as reservas de dívida qualificável júnior são suficientes e não houver
limitações ou teto efetivo em relação à obtenção de um IDR mais alto, o IDR de Longo Prazo
poderá ser atribuído acima do RV do banco. Uma potencial elevação estará limitada a um grau
quando os RVs estiverem na faixa ‘b’ ou inferior. Neste caso, a opinião da Fitch sobre o perfil
de crédito de um emissor após a dívida qualificável júnior ter absorvido perdas deverá ser um
importante determinante da elevação e do IDR.

Um princípio de volume de dívida semelhante será aplicado ao considerar os ratings de


companhias holding e de subsidiárias operacionais (consulte a Seção III.2.3).

4 4
Por exemplo, a Fitch acredita que o Banco A enfrentará uma ação de resolução quando o seu CET1 cair para
menos de 6% dos RWA. A agência assume que o supervisor exigirá que ele atenda a todas as exigências
combinadas do pilar 1, pilar 2 e de reservas combinadas após a recapitalização, que a agência estima serão
agregadas a 16% dos RWA (8% exigência de capital total do pilar 1, 3% do pilar 2, 5% das reservas
combinadas). O ‘montante de recapitalização’ exigido do Banco A será, então, 10% dos RWA (16% menos 6%).

Metodologia Global de Rating de Bancos 9


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

No Anexo 5, foi incluída uma ilustração das razões para elevação da graduação dos IDRs de
dívida júnior (e, quando relevante, da dívida da companhia holding) e como a atribuição de
RCDs funciona, na prática.

IDRs Mais altos em Níveis Muito Baixos


Em segundo lugar, o IDR de Longo Prazo poderá ser atribuído em um nível acima daquele
que a abordagem “maior de” sugeriria, quando um banco experimentar níveis elevados de
estresse e seus ratings migrarem para níveis muito baixos, com o RV em ‘ccc’ ou abaixo. Isto
porque, na prática, um banco em geral se torna insolvente – refletido na falha de seu
Escala de IDRs de Curto desempenho em relação às obrigações subordinadas, ou simplesmente na avaliação da Fitch
Prazo de que o banco é inviável devido a uma significativa insuficiência de capital – antes que se
Rating Breve descrição torne inadimplente em relação à sua dívida sênior. E também porque à medida que os ratings
F1 Mais alta qualidade crédito de migram para níveis baixos, há frequentemente maior visibilidade a respeito de como o banco
curto prazo
F2 Boa qualidade de crédito de terminará e se isto levará a perdas para os credores seniores. Entretanto, uma elevação, se
curto prazo houver, do IDR de Longo Prazo acima do RV, nesses casos, ainda será limitada, e o IDR de
F3 Qualidade de crédito de curto
Longo Prazo não será normalmente mais alto do que a categoria ‘B’ quando o RV for ‘ccc’ ou
prazo Regular
B Qualidade de crédito de curto abaixo (e não se pode confiar no suporte).
prazo especulativa
C Alto risco de inadimplência a IDR Abaixo do RV
curto prazo
Em ocasiões muito raras, o IDR de Longo Prazo em Moeda Estrangeira de um banco também
RD Inadimplência restrita
D Inadimplência pode ser restrito a um nível abaixo daquele implícito na abordagem ‘maior de’. Isto ocorre
Um modificador ‘+’ pode ser acrescido ao quando o RV do banco for mais alto que o Teto País da jurisdição em que estiver domiciliado,
rating ‘F1’ para denotar qualidade de
crédito excepcionalmente forte.
e o Teto País limitar o IDR de Longo Prazo do banco. O Rating de Suporte de um banco (ao
Clique aqui para obter descrições contrário do RV) já captura as restrições (o risco de restrições à transferência e
completas de cada categoria de rating
Fonte: Fitch conversibilidade) refletidas no Teto País, e, desta forma, não seria atribuído em um nível que
implique IDR de Longo Prazo mais alto do que o Teto País.

I.2. IDRs de Curto Prazo


O Que Avaliam
Tal como no caso de emissores em outros setores, os IDRs de Curto Prazo refletem a
vulnerabilidade de um banco à inadimplência, a curto prazo. No caso de bancos e na maioria
dos outros emissores, o ‘curto prazo’ normalmente significa até 13 meses.

Quando São Atribuídos


Os IDRs de Curto Prazo são atribuídos a todos os bancos que têm IDRs de Longo Prazo,
exceto quando um emissor não tem, e não deverá ter, substanciais obrigações de curto prazo.
Tabela de
Em Qual Escala
Correspondência de
Ratings Os IDRs de Curto Prazo são atribuídos em uma escala de sete pontos (veja tabela à
Rating de Rating de Curto esquerda).
Longo Prazo Prazo
De AAA a AA F1+ Como São Determinados
A+ F1 ou F1+ Os IDRs de Curto Prazo são quase sempre atribuídos de acordo com uma tabela de
A F1
A F2 ou F1
correspondência entre os IDRs de Longo Prazo e os de Curto Prazo (veja tabela à esquerda).
BBB+ F2 Quando o IDR de Longo Prazo puder corresponder a dois IDRs de Curto Prazo (e o IDR de
BBB F3 ou F2 Longo Prazo for movido pelo perfil individual do banco), o IDR de Curto Prazo será
BBB F3
De BB+ a B B normalmente determinado com base, primeiramente, na força do perfil de liquidez do emissor.
De CCC a C C O acesso de um banco a linhas de um banco central diferencia o perfil de liquidez do banco do
RD RD
D D perfil de um emissor corporativo e pode frequentemente ser um fator que contribua para a
Fonte: Fitch atribuição do mais alto entre dois IDRs de Curto Prazo em pontos em que se cruzam.
Entretanto, a liquidez em moeda estrangeira e o acesso a ela podem ser nitidamente mais
fracos do que em moeda local, por exemplo, em mercados emergentes, o que pode levar a
agência a atribuir a opção de rating mais baixa.

Quando o IDR de Longo Prazo for movido pelo suporte, o maior dos dois IDRs de Curto Prazo

Metodologia Global de Rating de Bancos 10


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

possíveis será normalmente atribuído quando o emissor for classificado abaixo da entidade de
suporte. Isto, porque a Fitch normalmente analisa a propensão de suporte como mais certa no
curto prazo.

I.3. Ratings de Viabilidade


O Que Avaliam
Os RVs medem a situação creditícia intrínseca de um banco, e refletem a opinião da Fitch
sobre a probabilidade de falha da instituição. Veja O Que Classificam os RVs: Falhas de
Bancos, abaixo para conhecer a definição da Fitch sobre a ‘falha’ de um banco, e quando o
suporte é considerado “extraordinário” e suficientemente relevante para que a Fitch considere
um banco como tendo falhado.

Os RVs são assim denominados para serem consistentes com as determinações regulatórias
introduzidas recentemente, fazendo referência à ‘viabilidade’ ou à ‘não-viabilidade’ de bancos,
embora não sejam explicitamente ajustados a nenhuma definição regulatória ou legislativa de
‘não-viabilidade’ que exista ou possa vir a ser introduzida.

Ao atribuir RVs, a Fitch distingue entre ‘suporte ordinário’, do qual um banco se beneficia no
curso normal dos negócios e ‘suporte extraordinário’, que é prestado a um banco que tenha
falhado, para restaurar a sua viabilidade. O suporte ordinário é refletido no RV de um banco,
enquanto o potencial suporte extraordinário é capturado no RS e/ou no PRS. O suporte
ordinário inclui benefícios acumulados por todos os bancos, devido à situação de bancos,
incluindo acesso rotineiro à liquidez do banco central, em linha com outros no mercado. Ele
também inclui os benefícios de que um banco subsidiário sempre desfruta, provenientes de
seu controlador, por exemplo, em termos de estabilidade e custo de captação, transferência de
experiência administrativa e sistemas operacionais, além de assistência na originação de
negócios.

Além de o RV de uma entidade não refletir o suporte extraordinário, ele também não captura
potenciais limitações extraordinárias. Em particular, um RV não é limitado pelo Teto País da
jurisdição em que o banco se encontra domiciliado, o que significa que um banco poderá estar
inadimplente em obrigações em moeda estrangeira devido às restrições à transferência e
conversibilidade, mas não ter ‘falhado’ na escala RV. Entretanto, o RV refletirá integralmente
os riscos que surgem para o banco no ambiente em que ele opera.

Quando, na opinião da Fitch, a situação creditícia individual de um banco for significativamente


mais forte em moeda local do que em moeda estrangeira, o RV será atribuído em linha com as
obrigações de risco mais alto, isto é, aquelas em moeda estrangeira.

Metodologia Global de Rating de Bancos 11


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O Que Classificam os RVs: Falhas dos Bancos


Os RVs refletem a opinião da Fitch sobre a situação creditícia intrínseca de um banco, e o risco de falha.
A Fitch considera que um banco falhou quando:
 se tornar inadimplente, isto é, parar de honrar suas obrigações seniores perante terceiros, credores
não-governamentais (exceto em caso de restrições legais; veja abaixo), tiver concluído uma troca
de dívida em situação crítica com respeito a essas obrigações, ou tiver requerido falência; ou
 requerer suporte extraordinário, ou precisar impor perdas às obrigações subordinadas para
restaurar sua viabilidade.
Entretanto, a Fitch não considera que um banco tenha falhado quando:

 ele se torna inadimplente como resultado de limitações legais ao serviço de suas obrigações,
enquanto o próprio banco continua solvente e líquido; ou
 o suporte externo disponibilizado, ou as perdas impostas às obrigações subordinadas não eram
necessárias, na opinião da agência, para restaurar a viabilidade do banco.
Na prática, nem sempre há uma clara distinção entre ‘suporte extraordinário’, de que um banco
necessita para restaurar sua viabilidade, e ‘suporte ordinário’, que a instituição recebe dos acionistas ou
das autoridades governamentais no curso normal dos negócios. Dessa forma, o julgamento analítico é
normalmente necessário para decidir se um banco ‘falhou’.

Em relação à solvência, a Fitch determinará se um banco é viável ou não (e, por essa razão, se o
suporte extraordinário/perdas das obrigações subordinadas são/foram necessárias para restaurar a
viabilidade) baseado em se, na opinião da agência, a entidade tem/tinha insuficiência relevante de
capital. Esta opinião pode nem sempre coincidir com o fato de o banco ter atingido quaisquer limiares
regulatórios de ‘ponto-de-não-viabilidade’ na jurisdição em que opera.

Especificamente, a Fitch normalmente considera o seguinte como equivalente a suporte extraordinário e


evidência de falha de um banco:
 contribuição de capital (ou a adoção de outras medidas para fortalecer a capitalização, tais como
compras de ativos ou fortalecimentos) tanto pelos acionistas do banco como por autoridades
governamentais para solucionar uma insuficiência relevante de capital, ou tolerância regulatória em
relação a essa insuficiência;
 dependência de recursos do banco central/governo, ou de garantias de recursos, de natureza
extraordinária prestada em termos e condições disponibilizadas apenas a banco(s) específico(s),
quando esta dependência deverá permanecer além de um período de interrupções no mercado;
Por outro lado, a Fitch não considera os pontos a seguir como suporte extraordinário, e normalmente
não consideraria estes casos como evidência de que um banco falhou:
 Injeção de capital por parte dos atuais acionistas, basicamente com o objetivo de sustentar a
expansão dos negócios, em lugar de solucionar uma insuficiência de capital;
 Necessidade de injeção de capital por parte de um banco devido ao maior rigor das normas sobre
capital regulatório, ou para cobrir uma pequena insuficiência de capital (p.ex., necessidades de
colchão);
 utilização de pacotes de apoio à estabilização sistêmica (p. ex., garantias de novas linhas de
captação, nova injeção de capital) por bancos fundamentalmente viáveis em uma crise financeira;
 utilização de linhas de captação/ liquidez garantidas pelo banco central, ou de linhas sem garantias
se estas tiverem sido disponibilizadas para o banco em linha com outros bancos no mercado;
 suporte aos credores do banco ou a contrapartes que indiretamente também beneficiem o banco.
A Fitch rebaixará o RV de um banco para ‘f’ quando, na opinião da agência, ele tiver falhado, e então,
elevará (reclassificará) o RV se e quando a agência acreditar que o banco recuperou viabilidade, em
função do suporte extraordinário prestado e/ou de perdas impostas aos credores. Quando as
informações confirmando a falha de um banco estiverem disponíveis ao mesmo tempo em que a
viabilidade deste for restaurada por meio da determinação de suporte/imposição de perdas aos
credores, a Fitch poderá rebaixar o RV para ‘f’ e imediatamente (no mesmo comunicado de ação de
rating) elevar o RV para um patamar refletindo seu perfil após o suporte/imposição de perdas.

Metodologia Global de Rating de Bancos 12


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Escala de Ratings de Viabilidade


Categoria Breve descrição
aaa Mais Alta qualidade de crédito fundamental
Ratings 'aaa' denotam as melhores perspectivas de permanente viabilidade e as mais
baixas expectativas de risco de falha. Eles são atribuídos apenas a bancos com
características fundamentais extremamente fortes e estáveis, de forma que é muito
improvável que venham a contar com suporte extraordinário para evitar inadimplência. É
altamente improvável que esta capacidade seja afetada adversamente por eventos
previsíveis.
aa Muito alta qualidade de crédito fundamental
ratings 'aa' denotam perspectivas muito fortes de continuidade da viabilidade. As
características fundamentais são muito fortes e estáveis, de forma que a Fitch considera
altamente improvável que o banco tenha que contar com suporte extraordinário para evitar
inadimplência. Esta capacidade não é significativamente vulnerável a eventos previsíveis.
a Alta qualidade de crédito fundamental
ratings 'a' denotam fortes perspectivas de continuidade da viabilidade. As características
fundamentais são fortes e estáveis, de forma que é improvável que o banco possa ter que
depender de suporte extraordinário para evitar inadimplência. Esta capacidade pode, no
entanto, ser mais vulnerável a negócios ou condições econômicas adversas do que bancos
com ratings mais altos.
bbb Boa qualidade de crédito fundamental
ratings 'bbb' denotam boas perspectivas de continuidade da viabilidade. Os fundamentos do
banco são adequados, de forma que há baixo risco de que ele possa vir a depender de
suporte extraordinário para evitar inadimplência. No entanto, é mais provável que negócios
ou condições econômicas adversas atinjam sua capacidade.
bb Qualidade de crédito fundamental especulativa
ratings 'bb' denotam moderadas perspectivas de continuidade da viabilidade. Um grau
moderado de força financeira fundamental existe, que teria que sofrer erosão antes que o
banco tivesse que contar com suporte extraordinário para evitar inadimplência. Entretanto, o
banco apresenta maior vulnerabilidade a mudanças adversas nos negócios ou em
condições econômicas, com o tempo.
b Qualidade de crédito fundamental altamente especulativa
ratings 'b' denotam fracas perspectivas de continuidade da viabilidade. Um risco relevante
de falha está presente, embora permaneça uma limitada margem de segurança. A
capacidade de o banco continuar a operar sem suporte é vulnerável à deterioração nos
negócios e no ambiente econômico.
ccc Substancial risco de crédito fundamental
A falha do banco é uma possibilidade real. A capacidade de continuidade da operação sem
suporte é altamente vulnerável à deterioração nos negócios e no ambiente econômico.
cc Níveis muito altos de risco de crédito fundamental
A falha do banco parece provável.
c Níveis excepcionalmente altos de risco de crédito fundamental
A falha do banco é iminente ou inevitável.
f Falha
Um banco que, na opinião da Fitch, falhou, i.e.: se tornou inadimplente em relação às suas
obrigações seniores perante terceiros, credores não-governamentais; ou necessita de
suporte extraordinário ou impor perdas às obrigações subordinadas para restaurar sua
viabilidade.
Os modificadores ‘+’ ou ‘−’ podem ser adicionados a um rating para denotar a situação relativa dentro das categorias de
‘aa’ a ‘b’
Fonte: Fitch

Quando São Atribuídos


A Fitch atribui RVs principalmente a bancos comerciais e a holdings de bancos. Entretanto, a
agência não atribui RVs a subsidiárias que não tenham franquia relevante individual ou que
não poderiam existir sem o controle da matriz. Os RVs atribuídos a bancos em grupos que se
beneficiam de mecanismos de suporte mútuos se baseiam no perfil de crédito do grupo
consolidado (veja Anexo 4). RVs “em comum” também podem ser atribuídos a grandes bancos
em um grupo altamente integrado, em que os perfis de crédito dos bancos, individualmente,
não podem ser avaliados separadamente (veja Seção III.2).

RVs não são normalmente atribuídos a bancos de desenvolvimento ou a outras IFs cujas
operações são amplamente determinadas por sua missão pública (i.e. têm operações
comerciais limitadas).

Metodologia Global de Rating de Bancos 13


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Os RVs são complementares aos RSs e são normalmente atribuídos a IFs em conjunto com
os RSs para destacar os dois componentes de crédito dos bancos. Entretanto, há casos (por
exemplo, bancos com missão pública ou bancos de desenvolvimento) que a Fitch possa
acreditar ser útil atribuir um RS e PRS para destacar a importância de suporte aos IDRs da
entidade, embora não seja apropriado atribuir um RV por causa da alta influência de seu papel
político em seu perfil “individual”.

Em que Escala
Os RVs são atribuídos em uma escala que é praticamente idêntica à escala ‘AAA’, mas que
usa letras minúsculas, por exemplo, ‘aaa’ em lugar de ‘AAA’ (veja tabela na página 14). Não
há, também, ratings ‘D’/’RD’ (que na escala ‘AAA’ indicam inadimplência) na escala RV. Na
ponta final inferior da escala RV, um rating ‘f’ indica a opinião da Fitch de que um banco falhou.

Como São Determinados


A metodologia da Fitch para avaliação da situação creditícia individual de um banco e
atribuição de seu RV estão delineadas na Seção II deste relatório. Ao determinar o RV, a Fitch
considera cinco fatores amplos: o ambiente operacional do banco, perfil da companhia,
administração e estratégia, apetite por risco e perfil financeiro.

I.4. Ratings de Suporte


O Que Medem
Os Ratings de Suporte da Fitch refletem a opinião da agência sobre a probabilidade de um
banco receber suporte extraordinário, caso necessário, de modo a evitar a sua inadimplência.
O suporte extraordinário normalmente vem de uma ou de duas fontes: os acionistas da
entidade classificada (suporte institucional), ou das autoridades nacionais do país onde ele
estiver domiciliado (suporte soberano). Entretanto, em algumas circunstâncias, os RSs
também podem refletir o potencial suporte de outras fontes. Por exemplo, instituições
financeiras internacionais, governos regionais ou possíveis compradores da entidade
classificada.

Em alguns casos, a Fitch pode julgar que a probabilidade de um banco vir a receber suporte
externo é significativamente diferente em relação às suas obrigações em moeda estrangeira e
local. Isso pode acontecer, por exemplo, quando o soberano que é o potencial provedor de
suporte, contar com IDRs em Moeda Estrangeira e Local atribuídos em patamares diferentes.
Nesses casos, o RS do banco e o PRS serão atribuídos com base nas obrigações menos
prováveis de receberem suporte (normalmente, aquelas em moeda estrangeira), enquanto os
IDRs em Moeda Estrangeira e Local do banco possam ser atribuídos em diferentes patamares,
para refletir a diferença no risco.

Metodologia Global de Rating de Bancos 14


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Escala de Rating de Suporte


Piso mínimo do IDR de longo
Rating Probabilidade de suporte prazo
1 Um banco para o qual há probabilidade extremamente alta A
de suporte externo. O potencial provedor de suporte é muito
bem avaliado como tal e tem propensão muito alta de prover
suporte ao banco em questão.
2 Um banco para o qual há alta probabilidade de suporte BBB
externo. O potencial provedor de suporte é bem avaliado
como tal e tem elevada propensão de prestar suporte ao
banco em questão.
3 Um banco para o qual há probabilidade moderada de BB
suporte, devido às incertezas sobre a capacidade ou
propensão de o potencial provedor de suporte fazê-lo.
4 Um banco em relação ao qual há probabilidade limitada de B
suporte devido a significativas incertezas sobre a
capacidade ou propensão de qualquer possível provedor de
suporte vir a fazê-lo.
5 Um banco em relação ao qual há possibilidade de suporte Não superior a B
externo, embora este não seja confiável. Isso pode ser
devido à falta de propensão de prover suporte, ou a uma
capacidade muito fraca de fazê-lo.
Fonte: Fitch

Metodologia Global de Rating de Bancos 15


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Quando São Atribuídos


Os Ratings de Suporte são atribuídos a todos os bancos, seja comerciais ou instituições com
missão pública e são normalmente atribuídos a holdings de bancos.

Em Que Escala
Os Ratings de Suporte são atribuídos em uma escala de cinco pontos, sendo que o ‘1’
representa uma probabilidade de suporte extremamente alta, e o ‘5’ indica que não é possível
confiar no suporte. Cada RS mapeia o nível mínimo dos IDRs de Longo Prazo da entidade
(veja página 15).

Como são determinados


A metodologia da Fitch para avaliar a probabilidade de suporte externo a um banco e atribuir
RS está delineada na Seção III deste relatório. Considerando-se o suporte soberano ou
institucional, a Fitch analisará tanto a capacidade como a propensão de a entidade de suporte
prestar assistência ao banco em questão.

I.5. Pisos de Rating de Suporte


O Que Medem
Os PRSs refletem a opinião da agência sobre a probabilidade de uma entidade classificada
receber suporte extraordinário, caso necessário, especificamente das autoridades
governamentais. Isso significa, geralmente, por parte das autoridades nacionais do país onde
o banco se encontra domiciliado, embora, em certos casos, a Fitch também possa levar em
consideração o potencial suporte de instituições governamentais internacionais em sua
avaliação (veja também a Seção III.1 Suporte Soberano). Por isso, os PRSs não capturam o
potencial de suporte institucional dos acionistas da entidade. Os PRSs indicam o patamar
mínimo até onde os IDRs de Longo Prazo da entidade podem cair se a agência não mudar
sua visão sobre o potencial suporte soberano.

Quando São Atribuídos


Os PRSs são atribuídos a bancos comerciais e a bancos de desenvolvimento, quando a Fitch
acredita que a fonte mais provável de potencial suporte extraordinário sejam as autoridades
governamentais, mais do que os acionistas do banco. Eles também podem ser atribuídos
quando o suporte institucional (de acionistas) é considerado como mais certo, embora a
agência acredite que seria útil indicar também o nível abaixo do qual os ratings não deverão
cair devido ao suporte do governo.

A Fitch também atribui PRSs a holdings de bancos, quando seus ratings são movidos pelo
suporte soberano, ou quando a Fitch acredita que a atribuição de um PRS aumentará a
transparência.

Em que Escala
Os PRSs são atribuídos na escala de ratings ‘AAA’. Quando não houver presunção satisfatória
de que o suporte soberano ocorrerá, será atribuído um PRS ‘Sem Piso’.

Como são determinados


A metodologia da Fitch para avaliação da probabilidade de suporte soberano a um banco e
atribuição de seu PRS estão delineadas na Seção III.1 deste relatório. A Fitch analisa a
capacidade de o soberano prestar suporte, sua propensão de sustentar o sistema bancário
como um todo, e de prestar suporte ao banco específico em questão.

I.6. Ratings de Contrapartes de Derivativos


O Que Medem
Em algumas jurisdições, os desenvolvimentos nas estruturas de resolução bancária indicam
que a vulnerabilidade à inadimplência de um contrato de derivativos pode ser menor que a
vulnerabilidade à inadimplência de outros passivos seniores, até mesmo aqueles com

Metodologia Global de Rating de Bancos 16


Novembro de 2016
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classificações de senioridade iguais. A razão disto pode ser que os derivativos desfrutam de
preferências legais em comparação, digamos, com dívidas seniores ou porque os poderes
concedidos às autoridades de resolução determinam que passivos com classificação de
senioridade iguais devem ser tratados de forma diferente.

RCDs são ratings nos níveis de emissores e expressam a opinião da Fitch a respeito da
relativa vulnerabilidade de um banco, da companhia holding de um banco e/ou de uma
subsidiária não-bancária à inadimplência, devido à impossibilidade de, em qualquer contrato
de derivativos com terceiros, efetuar pagamentos a contrapartes não-governamentais.
Permanências de curto prazo nos contratos de derivativos, no princípio de resolução, não
seriam consideradas inadimplência.

A vulnerabilidade à inadimplência poderá variar até mesmo dentro desta classe de exposição
(por exemplo, exposições a derivativos colateralizados, ou derivativos compensados por meio
de clearings sendo menos vulneráveis à inadimplência do que os não colateralizados). Os
RCDs, na verdade, abordam a vulnerabilidade à inadimplência no tipo de exposição de
contraparte mais arriscado, que a agência assume (em conjunto ou separadamente) poderá
ser uma exposição a derivativo não colateralizada.

Quando são Atribuídos


Ao contrário dos IDRs de Longo Prazo, que são atribuídos a praticamente todos os bancos
com ratings internacionais, a agência só atribui RCDs a alguns bancos, a companhias holding
de bancos e/ou a subsidiárias dentro de um grupo de bancos que podem estar sujeitos à
resolução do banco em jurisdições selecionadas, em que: i) a agência considera as estruturas
de resolução bancária como sendo suficientemente sofisticadas, de modo a permitir que um
banco, uma companhia holding de banco ou uma subsidiária não-bancária de um grupo de
bancos em processo de resolução permaneça em dia com as obrigações de derivativos
perante contrapartes, embora tornando-se inadimplente em relação a outros passivos
seniores; ou ii) as estruturas de resolução bancária do banco são mais rudimentares, onde a
agência acredita que as leis de insolvência ou leis similares apresentam uma clara base legal
para diferenciação da vulnerabilidade à inadimplência de contrapartes em comparação com
detentores de títulos sem garantias. Isto poderá significar que as trocas de dívidas
Escala de Ratings de problemáticas (DDEs) venham a ser meio confiável de recapitalizar o banco, a companhia
Contrapartes holding de um banco, ou uma subsidiária de banco, sem afetar as contrapartes nos derivativos.
Categoria Breve descrição
AAA(RCD) Mais alta qualidade de RCDs são atribuídos a bancos, companhias holding de bancos e/ou subsidiárias não-
crédito bancárias dentro de um grupo de bancos que possam estar sujeitas à resolução de um banco
AA(RCD) Qualidade de crédito que ou atuam como contrapartes relevantes em derivativos, nacionalmente, ou aos que
muito alta
A(RCD) Alta qualidade de internacionalmente atuam como contrapartes de derivativos em transações classificadas pela
crédito Fitch (por exemplo, finanças estruturadas), ou quando a agência entende, de qualquer outra
BBB(RCD) Boa qualidade de
forma, que há interesse de mercado.
crédito
BB(RCD) Qualidade de crédito
especulativa Em Que Escala
B(RCD) Qualidade de crédito RCDs são atribuídos na escala ‘AAA’ (veja ao lado esquerdo), mas com o sufixo ‘(RCD)’.
altamente especulativa
CCC(RCD) Substancial risco de Como São Determinados
crédito
CC(RCD) Níveis muito altos de Os RCDs são ancorados ao IDR de Longo Prazo de uma entidade e estarão alinhados com o
risco de crédito IDR de Longo Prazo da entidade, exceto nas circunstâncias a seguir.
C(RCD) Níveis de crédito
excepcionalmente altos
RD(RCD) Inadimplência restrita Um RCD estará acima do IDR de uma entidade quando: i) o IDR de Longo Prazo da entidade
D(RCD) Inadimplência for movido pelo seu RV ou estiver em linha com o IDR do controlador, devido à integração (na
Os modificadores ‘+’ ou ‘-’ podem ser qual tanto um RV em comum ou nenhum RV será atribuído). O controlador e a subsidiária
ligados a um rating para denotar a
situação relativa dentro das categorias de
teriam de estar localizados na mesma jurisdição e a expectativa de fungibilidade do
‘AA’ até ‘B’ capital/liquidez seria normalmente alta; ii) houver clara preferência legal por derivativos da
Fonte: Fitch
contraparte em relação à dívida sênior e/ou a outros instrumentos seniores (ou quando houver
expectativa de que isso venha a ocorrer em um horizonte típico de ratings) e iii) a Fitch

Metodologia Global de Rating de Bancos 17


Novembro de 2016
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acreditar que estes (legalmente juniores) passivos seniores tiverem tamanho suficiente para
evitar uma liquidação e absorver perdas, seja através de meios estatutários, contratuais, ou de
DDE, sem acionar a inadimplência em qualquer derivativo de contraparte.

A Fitch precisa considerar os colchões de reserva sustentáveis, ou (porque já estão próximos),


atingíveis a curto prazo e sustentáveis e o IDR da entidade precisaria ter conseguido atingir o
nível do RCD caso todos os colchões de reserva da dívida estivessem em forma de patrimônio.
5
Ao decidir atribuir a graduação acima, a Fitch usa princípios de volume de recapitalização 5
que são utilizados para determinar se atribui graduação ao IDR acima do RV, devido aos
colchões de reserva da ‘dívida júnior qualificável’. Assim como os IDRs, os RCDs são
suscetíveis aos Tetos Países e a outras limitações soberanas, por exemplo, relativas ao risco
de intervenção no setor bancário (conforme delineado no Anexo 2: Atribuindo Rating a Bancos
Acima do Soberano). Os RCDs são limitados a um grau acima do IDR de uma entidade,
quando IDRs estão na faixa 'BB' ou superior, mas o potencial elevação pode ser maior quando
os IDRs estão na faixa 'B' ou inferior.

Delineamos abaixo alguns exemplos de como isso funcionará, na prática

RCDs: Abordagem de Volume da Dívida

A Fitch conclui que os bancos A, B, C e D, todos com RVs ‘bbb’, exigem que em torno de
10% dos ativos com risco ponderado (RWA) da dívida júnior qualificada sejam
recapitalizados diante de falha, sem atingir a dívida sênior.

O Banco A tem 12% da dívida júnior qualificada e 8% da dívida sênior que é legalmente
subordinada a contrapartes de derivativos, correspondendo a colchões de reserva de 20%,
duas vezes o montante da recapitalização. Seu IDR (e a dívida sênior) serão classificados
em ‘BBB+’, um grau acima de seu RV, e seu RCD será ‘A-’, mais um grau acima de seu RV.

O Banco B tem 12% de dívida júnior qualificada, mas apenas 5% de dívida sênior que é
legalmente subordinada a contrapartes de derivativos, levando a um colchão total de 17%.
Seu IDR (e dívida sênior) serão classificados como ‘BBB+’, um grau acima de seu RV, assim
também como o seu RCD, uma vez que o colchão residual de sua dívida é equivalente a
apenas 7% dos ativos com risco ponderado.

O Banco C tem 7% de dívida júnior qualificada e 13% de dívida sênior, que é legalmente
subordinada a contrapartes de derivativos. Seu total de colchões, de 20% é, desta forma, o
mesmo que o do banco A, mas o mix é mais fortemente inclinado no sentido da dívida sênior.
Seu IDR (e a dívida sênior) serão classificados em ‘BBB’ devido ao baixo colchão da dívida
júnior qualificada, mas o seu RCD será ‘BBB+’.

O Banco D tem 5% de dívida júnior qualificada e 7% de dívida sênior, que é legalmente


subordinada a contrapartes de derivativos, perfazendo colchões totais de 12%. Seu IDR (e
dívida sênior) será classificados como ‘BBB’, mas seu RCD será ‘BBB+’ porque o total de
colchões do banco ultrapassa 10%.

I.7. Ratings de emissões


O Que Medem
Os Ratings de Longo Prazo de emissões de bancos, tais como os de outros setores
financeiros corporativos, refletem a opinião da Fitch sobre o nível de risco de crédito global
atrelado a compromissos financeiros específicos, normalmente títulos. Esta opinião incorpora
uma análise, tanto da probabilidade de inadimplência (ou do risco de “mau desempenho” no

55
Consulte ‘Atribuindo a um Banco IDR de Longo Prazo Acima de seu RV’, na Seção I.1 deste
relatório, para maiores detalhes.

Metodologia Global de Rating de Bancos 18


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

caso de títulos híbridos) daquela obrigação específica, como das potenciais recuperações dos
credores em caso de inadimplemento/mau desempenho. Os ratings de curto prazo de
emissões dos bancos, tais como os de outros setores, incorporam apenas uma avaliação do
risco de inadimplemento do instrumento.

A falha no desempenho de títulos subordinados/híbridos é definida como qualquer uma dentre


as seguintes:

 a falta (omissão ou deferimento) de um cupom ou distribuição semelhante;

 conversão contingente em um instrumento mais júnior em detrimento do investidor (sem


ser por opção do investidor);

 a redução de valor, baixa, conversão ou não-pagamento do principal; ou


 uma troca de dívida problemática.

A falha no desempenho de títulos subordinados/híbridos de um banco em relação aos seus


títulos subordinados/híbridos não resultará, por si só, em rebaixamento dos IDRs do banco
para ‘D’ ou ‘RD’, pois os IDRs classificam o risco de inadimplência de obrigações seniores.

Quando são atribuídos


Os ratings de emissões podem ser atribuídos a obrigações individuais ou a programas de
dívidas de bancos. Um rating também pode ser atribuído a toda uma classe de obrigações,
como no caso dos ratings de depósitos.

Em que escala
Emissões de bancos com vencimento inicial em mais de 13 meses são normalmente
classificadas na escala ‘AAA’, enquanto as emissões com vencimento inicial em menos de 13
meses geralmente recebem ratings na escala de curto prazo. Se a Fitch classifica emissões
em escala de curto ou de longo prazo estas também dependerão da convenção do mercado e
das regulamentações locais.

Quando um banco (ou corporação) desfruta de IDR de Longo Prazo ‘B+’ ou abaixo, a Fitch
também geralmente atribui um Rating de Recuperação (RR) às emissões da entidade
classificadas na escala de longo prazo. Os RRs proporcionam maior transparência nos
componentes de recuperação nas avaliações da Fitch do risco de crédito dos títulos com
ratings baixos do emissor.

Escala de Rating de Recuperação


Perspectiva de
Recuperação em Caso de Graduação do rating da
Rating inadimplência Recuperações históricas típicas (%) emissãoa
RR1 Excepcional 91-100 +3
RR2 Superior 71-90 +2
RR3 Boa 51-70 +1
RR4 Média 31-50 0
RR5 Abaixo da média 11-30 -1
RR6 Fraca 0-10 -2b
Clique aqui para obter descrições completas de cada rating
a
Relativo ao nível de risco de falha no desempenho
b
As definições da Fitch do RR permitem menos três graus em caso de ‘RR6’. Entretanto, a Fitch não atribui mais do que
dois graus a emissões de bancos
Fonte: Fitch

Como são determinados


Com relação a emissões de longo prazo de bancos, a Fitch primeiro determina a probabilidade
de inadimplência/não cumprimento de uma obrigação específica, avaliada na escala de rating
de longo prazo ‘AAA’. Quando este nível de risco de inadimplência/não cumprimento da
obrigação é considerado em linha com, ou abaixo do, IDR de Longo Prazo ou o RV do fiador,

Metodologia Global de Rating de Bancos 19


Novembro de 2016
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um destes ratings é considerado o “rating âncora” para a classificação da emissão.

Após estabelecer o nível de risco de inadimplência/falha no desempenho da emissão, a Fitch


pode, então, ajustá-lo para cima ou para baixo, para chegar ao rating da emissão, se a
agência considerar o instrumento como tendo perspectivas de recuperação acima ou abaixo
da média. Quando as perspectivas de recuperação forem consideradas médias, o rating da
emissão estará em linha com a avaliação do risco de inadimplência/falha no desempenho. A
extensão do potencial ajuste para cima/para baixo do rating da emissão baseada nas
perspectivas de recuperação está apresentada na tabela acima. A tabela abaixo mostra os
ratings dos títulos de determinadas combinações do IDR de Longo Prazo de um emissor e do
RR da emissão. A abordagem da Fitch à atribuição de ratings de emissão a diferentes classes
de títulos emitidos por bancos se encontra delineada na Seção IV deste relatório.

Ratings de Instrumentos Para Combinações de IDRs e RRs de Emissores


IDR de Longo Prazo
Emissores Problemáticos e Inadimplentes
B+ B B CCC CC C RD D

RR1 BB+ BB BB B+ B B B B
RR2 BB BB B+ B B CCC CCC CCC
RR3 BB B+ B B CCC CC CC CC
RR4 B+ B B CCC CC C C C
RR5 B B CCC CC C C C C

RR6 B CCC CC C C C C C
Fonte: Fitch

II. Ratings de Viabilidade


Os RVs medem a situação creditícia intrínseca de um banco e refletem a opinião da Fitch
sobre a probabilidade de uma entidade vir a falhar. A Fitch distingue entre “suporte ordinário”,
do qual um banco se beneficia no curso normal do seu negócio e “suporte extraordinário”, que
é prestado a um banco que falhou ou que esteja falhando, de modo a restaurar a sua
viabilidade (veja também a Seção I.3).

Os RVs são atribuídos com base nos cinco fatores a seguir:

 Ambiente Operacional

 Perfil da Companhia

 Administração e Estratégia

 Apetite por Risco

 Perfil Financeiro

Embora todos os fatores sejam relevantes na atribuição de todos os RVs, sua importância
relativa varia de um banco para outro, dependendo dos ambientes operacionais e das
particularidades das instituições individualmente e podem mudar com o tempo. A Fitch não
adota ponderações pré-estabelecidas para cada fator, mas em lugar disso, adota uma
abordagem holística para a determinação de RVs. A agência identifica a importância relativa
dos fatores ao determinar o RV de um banco específico nos Rating Navigators que publica.

Os atributos associados aos principais fatores e subfatores dos ratings, nas tabelas da página
45 a 52 são características representativas de cada categoria de rating e não necessariamente
uma revisão exaustiva e determinante desse fator ou subfator. Por exemplo, um banco pode

Metodologia Global de Rating de Bancos 20


Novembro de 2016
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atingir alguns dos atributos associados a mais de uma categoria, ou alguns atributos não
podem de forma alguma ser aplicáveis, por causa das particularidades do perfil do banco.
Nesses casos, a agência aplicará a categoria que melhor se adapte.

A avaliação da Fitch sobre o ambiente operacional de um banco tem, geralmente, uma


influência significativa na avaliação de outros fatores do RV. Isto porque o ambiente
operacional pode afetar, por exemplo, a vulnerabilidade da qualidade dos ativos e do capital
de um banco, a sustentabilidade de seus resultados e a estabilidade de sua captação. O
ambiente operacional também pode afetar as avaliações de fatores não-financeiros, por
exemplo, a qualidade da franquia de um banco (perfil da companhia), sua capacidade de
executar sua estratégia (administração e estratégia) e os riscos associados aos seus padrões
de subscrição (apetite por risco).

II.1 Avaliação do Ambiente Operacional


A avaliação que a Fitch realiza sobre o ambiente operacional de uma instituição considera os
seguintes subfatores:

 Rating Soberano

 Ambiente Econômico

 Desenvolvimento do Mercado Financeiro

 Estrutura Regulatória

Importância dessa Avaliação


O primeiro passo na avaliação da Fitch sobre a situação creditícia individual é uma revisão do

ambiente operacional da instituição, uma vez que este estabelece a faixa do potencial RV. Em

Estrutura de Viabilidade

Ambiente Operacional Perfil da Instituição Administração Apetite por Risco Perfil Financeiro

Qualidade da Padrões de
Rating Soberano Franquia Qualidade de Ativos
Administração Underwriting

Ambiente Governança Resultados &


Controles de Risco
Econômico Corporativa Lucratividade
Modelo de Negócio
Desenvolvimento
do Mercado Objetivos Expansão Capitalização &
Estratégicos Alavancagem
Financeiro

Estrutura Estrutura Captação &


Organizacional Execução Risco de Mercado
Regulatória Liquidez

Rating de Viabilidade

Fonte: Fitch

Metodologia Global de Rating de Bancos 21


Novembro de 2016
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muitos aspectos, o ambiente operacional serve como um fator limitador do RV. Isso significa,
por exemplo, que será raro o RV de um banco que opere em um ambiente ‘bb’ ser mais alto
que ‘bb’, por mais que ele tenha um bom score em outros fatores ou subfatores.

Na avaliação do ambiente operacional, a Fitch incorpora tanto o risco soberano, como os


riscos mais amplos do país em relação à atividade bancária em uma jurisdição em particular;
entretanto, ela não captura os riscos de transferência e conversibilidade, que são refletidos
separadamente, nos Tetos País da agência (veja Anexo 2). No caso de instituições que
operam em geografias múltiplas, o subfator e as avaliações gerais dos ambientes operacionais
terão uma visão mista sobre as diferentes jurisdições.

Rating Soberano: O rating soberano normalmente atua como um teto efetivo sobre o nível
máximo dos RVs em uma jurisdição, devido à deterioração no ambiente operacional que
geralmente acompanha uma inadimplência soberana, e muitas vezes à exposição relevante
direta dos bancos ao risco soberano e quase-soberano. O risco de inadimplência soberana
também pode influenciar diretamente o acesso do banco à captação e o custo desta. No
entanto, em circunstâncias limitadas, quando um banco tem um perfil de crédito global muito
forte (no contexto do mercado doméstico), e em particular um robusto perfil de captação e
franquia de depósitos, o RV poderá exceder o rating soberano. A diversificação geográfica
internacional também pode sustentar um rating mais alto do que o do soberano de origem.
Veja Anexo 2, para maiores detalhes.

Também é bastante possível que a avaliação geral do ambiente operacional, e, por


O risco é mensurado pela IMP em uma
conseguinte, os RVs dos bancos do país sejam significativamente mais baixos que o rating
escala de ‘1’ (baixo) até de ‘2’ soberano. Isso pode ocorrer, por exemplo, onde o ambiente econômico dos bancos for
(moderado) a ‘3’ (alto). relativamente fraco, embora o rating soberano seja sustentado por fatores específicos às
finanças do governo e ao balanço patrimonial do soberano.

Caso a Fitch não atribua um rating soberano (e desde que não determine, domine ou limite o
RV ou o IDR do banco), a Fitch pode utilizar uma avaliação de credit opinion ou outra
avaliação da solvência do soberano para avaliar os riscos soberanos ao considerar os ratings
de bancos.

Ambiente Econômico: O ambiente econômico incorpora a opinião da Fitch sobre as


principais variáveis macro que podem afetar os pontos fortes de crédito fundamentais de um
banco, tais como o estágio do desenvolvimento econômico, as expectativas de crescimento
econômico, empréstimos ou créditos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), e projeções
de emprego. A opinião da Fitch sobre o ambiente econômico é normalmente influenciada por
projeções e julgamentos do grupo de Soberanos da agência e seu indicador macroprudencial
(veja ao lado). Ela também reflete o estágio de desenvolvimento e a relativa estabilidade
econômica, como um todo.

Geralmente, a maioria dos bancos dentro de um país receberá a mesma avaliação sob este
fator. O ambiente econômico, que também influencia o rating soberano, é considerado
separadamente, porque é apenas um fator que influencia o rating soberano, e é possível que
isso seja avaliado em um patamar significativamente diferente do que este último.

Desenvolvimento do Mercado Financeiro: Isso reflete o porte, a concentração e o controle


do sistema bancário, bem como a profundidade dos mercados de capitais nacionais e o
desenvolvimento de infraestrutura para sustentar o funcionamento ordenado do sistema
financeiro. Por exemplo, um mercado bancário grande, saudável, altamente desenvolvido e
concentrado, com altas barreiras ao ingresso, tudo o mais sendo igual, pode resultar em RVs
mais altos, pois as instituições devem possuir franquias fortes em seus respectivos mercados.
Um alto nível de confiança dos depositantes, sustentado por um esquema bem-estabelecido
de proteção a depósitos, um mercado de capitais profundo e líquido e um credor, em última
instância, confiável e transparente servem de apoio à estabilidade do mercado e por esta

Metodologia Global de Rating de Bancos 22


Novembro de 2016
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razão, geralmente a RVs elevados.

Por outro lado, um mercado bancário com pequeno desenvolvimento ou altamente difuso, ou
com barreiras muito baixas ao ingresso, pode resultar em RVs mais baixos, uma vez que
nenhuma instituição pode ser capaz de gerar qualquer vantagem competitiva perceptível ou
economias de escala. Dispositivos de mercado, tais como um sistema mais propenso a
corridas de depósitos, um mercado de capitais subdesenvolvido, ou em que o suporte
ordinário funciona por meio do banco central são limitados ou opacos e normalmente
resultariam em RVs mais baixos em um sistema financeiro em particular.
Estrutura Regulatória: A avaliação regulatória da Fitch considera a legislação bancária em
questão, a aplicação, e o estado de desenvolvimento. Também leva em conta de que forma a
legislação bancária e os direitos dos credores se comparam às práticas internacionais e a
intenção de os reguladores de intervir e impor as leis e as regulamentações. À medida que um
banco se sujeita à ação regulatória, pode ser negativo para o RV se esse potencial não foi

Ambiente Operacional
aaa aa a bbb bb b ccc e abaixo
Rating Soberano Em linha com o rating soberano

Ambiente Opera Opera Opera em uma


Opera em uma Opera em uma Opera em uma O ambiente
econômico principalmente principalmente economia estável
economia economia ou economia volátil e econômico é
em uma em uma e avançada, ou
moderadamente economias. menos avançada A instável. Há um
economia economia muito em economias
estável, ou em menos estável transparência é mínimo de
altamente estável estável e com bom grau de
economias com (eis) e avançada limitada. A principal transparência. O
e avançada, ou avançada, ou em transparência. As
razoável grau de (s). A economia ou banco é
em economias economias com principais
transparência. As transparência economias são altamente
com alto grau de alto grau de economias têm
principais também pode ser altamente suscetíveis suscetível mesmo
transparência. As transparência. As bom grau de
economias limitada. As a alterações nos a alterações
principais principais resiliência a
podem ser menos principais choques domésticos moderadas na
economias têm economias têm choques avançadas, mas economias ou internacionais. situação
um grau muito alto grau de econômicos.
ter um razoável podem ser menos econômica
alto de resiliência resiliência a grau de avançadas e/ou doméstica ou
a choques choques resiliência a suscetíveis a internacional.
econômicos. econômicos. choques mudanças
econômicos. adversas nos
choques
domésticos ou
internacionais.
Desenvolvimento O setor bancário O setor bancário O setor bancário é O setor bancário O setor bancário O setor bancário é O setor bancário
do mercado é altamente é muito desenvolvido e é menos é difuso, com muito difuso, sem é altamente
financeiro desenvolvido e desenvolvido e concentrado, com desenvolvido ou apenas limitadas barreiras à entrada. difuso, sem
concentrado, com concentrado, com significativas difuso. Há barreiras à Os mercados barreiras à
barreiras muito elevadas barreiras à apenas entrada. Os financeiros são entrada. Os
altas à entrada. barreiras à entrada. Opera moderadas mercados menos mercados
Opera entrada. Opera principalmente em barreiras à financeiros não desenvolvidos. financeiros
principalmente principalmente mercados entrada. Os são totalmente podem não ser
em mercados em mercados financeiros mercados desenvolvidos. desenvolvidos.
financeiros financeiros muito avançados. financeiros são
altamente avançados. desenvolvidos,
avançados. mas não
profundos.
Estrutura O ambiente O ambiente O ambiente O ambiente O ambiente O ambiente Ambiente
Regulatória regulatório é regulatório é regulatório é regulatório é regulatório está regulatório é regulatório não
altamente muito desenvolvido e menos se subdesenvolvido ou desenvolvido,
desenvolvido e desenvolvido e transparente. A desenvolvido, desenvolvendo. está em com
transparente. A transparente. A legislação e a com um nível Os relatórios desenvolvimento, transparência
legislação e a legislação e a regulamentação aceitável de financeiros e a com transparência limitada.
regulamentação regulamentação são aplicadas de transparência. A aplicação mínima. Há
são aplicadas de são aplicadas de forma efetiva. aplicação da regulatória é dificuldades em
forma muito forma efetiva. legislação e da relativamente termos de aplicação
efetiva. regulamentação menos da legislação e da
podem ser menos transparente. regulamentação.
efetivas ou Falta transparência
transparentes. nos relatórios
financeiros e na
aplicação regulatória.
Fonte: Fitch

Metodologia Global de Rating de Bancos 23


Novembro de 2016
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anteriormente contemplado no rating. Esta análise também considera a estrutura contábil em


geral que foi empregada, tal como os modelos contábeis IFRS ou o US GAAP, a eficácia da
auditoria e a frequência e a robustez dos relatórios necessários.
II.2 – Avaliação do Perfil da Companhia
Na avaliação do Perfil da Companhia, a Fitch considera os seguintes subfatores:

 Franquia

 Modelo de Negócios

 Estrutura Organizacional

Importância Desta Avaliação


A avaliação do perfil de uma companhia engloba sua franquia, modelo de negócios e estrutura

Perfil da Companhia
aaa aa a bbb bb b ccc e abaixo
Franquia Franquia Franquia líder em Forte franquia em Franquia Moderada franquia Pode ter franquia Operando em
dominante em múltiplos mercados ou adequada em nos principais nominal em um mercados
múltiplos segmentos de negócios-chave. mercados ou segmentos de segmento de bancários
segmentos de negócios ou Opera em uma negócios. negócios ou negócios subdesenvolvidos,
negócios ou geografias. Sólidas única grande Potencialmente geografias. importante ou ou não tem
geografias. Fortes vantagens economia ou zona opera em Operando em geografias. nenhum valor de
vantagens competitivas econômica. Tem mercados mercados Operando em franquia
competitivas provavelmente liderança de bancários menos bancários um mercados perceptível ou
provavelmente durarão a longo franquia em alguns desenvolvidos, ou pouco menos bancários menos vantagem
duradouras. prazo. segmentos-chave com vantagens desenvolvidos, ou desenvolvidos, ou competitiva.
Possui fortes Demonstra ou geografias. competitivas ou com limitadas não tem nenhuma
vantagens vantagens Demonstra poder de preços vantagens vantagem
competitivas e competitivas e vantagens limitados nos competitivas e competitiva
poder de preços poder de preços. competitivas e principais geralmente perceptível.
nos principais Estes pontos poder de preços segmentos ponderado em
segmentos em que fortes são nos principais operacionais. termos de preços
opera. Estes mantidos ao longo segmentos nos principais
pontos fortes são de múltiplos ciclos operacionais. segmentos
mantidos ao longo econômicos. operacionais.
de todos os ciclos
econômicos.
Modelo de Modelo de Modelo de Modelo de Modelo de Modelo de Estabilidade Modelo de
Negócios negócios negócios muito negócios diverso e negócios menos negócios menos limitada do modelo negócios
altamente diverso diverso e estável, estável. Massa estável e/ou diverso e estável, de negócios. Pode evoluindo
e estável, por meio por meio de crítica mantida nos diverso, potencialmente ser inteiramente rapidamente ou
de múltiplos múltiplos principais potencialmente com mais dependente de operando em
segmentos segmentos segmentos de dominado por um especialização em negócios ou ambiente
operacionais ou operacionais e operação ou segmento um segmento economias econômico
geografias. Massa geografias. geografias em que operacional operacional-chave voláteis. instável.
crítica mantida em Mantém massa opera. Negócio em importante, ou ou em economias
todos os crítica na maioria geral ponderado geografia. Negócio menos
segmentos de dos negócios ou no sentido de como um todo estáveis/avança-
negócio e geografias onde banco comercial potencialmente das. Negócio
geografias em que opera. tradicional. Notável ponderado no global
opera. Negócio em Negócio em geral dependência de sentido de banco possivelmente
geral altamente negócios voláteis. comercial concentrado em
pesadamente ponderado no tradicional. Maior atividades
ponderado no sentido de banco dependência de bancárias não-
sentido de banco comercial negócios voláteis. tradicionais.
comercial tradicional. Dependência
tradicional. Modesta significativa de
Dependência dependência de negócios voláteis.
mínima de negócios voláteis.
negócios voláteis.
Estrutura Complexidade da estrutura Maior complexidade da estrutura Complexidade significativa da Estrutura
organizacional organizacional proporcional ao modelo organizacional. Boa visibilidade das estrutura organizacional. Visibilidade organizacional
de negócios. Grandes entidades legais principais entidades legais. das principais entidades legais altamente
existem principalmente para potencialmente limitada. complexa, opaca
esclarecer razões de negócios. Alta ou
visibilidade das principais entidades significativamente
legais. em mutação.
Fonte: Fitch

Metodologia Global de Rating de Bancos 24


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organizacional. Juntos, estes ajudam a identificar os tipos de risco de negócio que uma
instituição pode enfrentar. A combinação desses fatores identifica os pontos fortes e fracos
competitivos, as oportunidades e ameaças da instituição, em um prazo mais longo.
Franquia: A franquia de uma instituição está incorporada em sua posição competitiva e
importância sistêmica dentro do setor bancário. Isso pode estar refletido nas participações de
mercado de crédito e depósitos, liderança dos produtos ou outras medidas competitivas. A
força dos relacionamentos com os clientes também pode ser considerada como parte da
avaliação da franquia, pois pode tornar mais fácil para os bancos atrair ou reter clientes
estáveis e de boa qualidade. A análise da base de clientes de um banco e de suas relações
pode proporcionar informações não só sobre sua especialização percebida por meio de suas
principais linhas de negócios, como também, uma indicação da natureza recorrente das
receitas.

Uma instituição que tenha escala, poder de preços e diversificação provavelmente terá um RV
mais alto, se tudo o mais estiver igual. O porte ou a participação de mercado, analisados de
forma isolada, não deverão ser impulsionadores positivos para o RV, mas o forte poder de
precificação e o relacionamento com os clientes, combinados com elevadas barreiras à
entrada, poderão resultar na atribuição de um RV mais alto do que no caso de um grande
banco sem liderança em nenhum mercado global ou local.

A franquia de uma instituição também pode incorporar quaisquer benefícios que receba por
fazer parte de um grupo maior (normalmente financeiro), pois isso é considerado suporte
ordinário. Isto pode incluir relacionamento com clientes, fluxos de depósitos, ou especialização
técnica que a instituição de outra forma não teria, senão devido ao seu relacionamento com a
instituição controladora. Por outro lado, a avaliação da franquia de um banco pode incorporar
os riscos de contágio em caso de pontos fracos no perfil de crédito do controlador (veja Anexo
1).

Modelo de Negócios: O modelo de negócios de uma instituição engloba as formas em que


ela gera receita e lucros. Isso inclui uma avaliação do mix de negócios, tais como a
composição dos créditos e a proporção de receita e ganhos gerados a partir das linhas dos
principais negócios. Por exemplo, um modelo de negócios focado na especialização em uma
forma particular de crédito pode resultar em um RV inferior em relação a um que proporcione
uma gama mais ampla de produtos de crédito (dependendo do risco associado a esses
produtos). Em alguns casos, o RV de um banco pode se beneficiar ou ser negativamente
afetado por um negócio não-bancário (por exemplo, seguros) de subsidiárias ou coligadas,
dependendo de seu perfil de risco e de potenciais benefícios de diversificação.

Da mesma forma, os modelos de negócios que são altamente dependentes de negócios


voláteis, tais como “trading” também podem limitar o RV, desde que o restante permaneça
igual. A Fitch considera atividades voláteis aquelas em que os volumes de negócios ou as
receitas podem flutuar significativamente entre os períodos de publicação de resultados. A
concentração das operações de um banco em economias menos desenvolvidas também
deverá pesar na avaliação de seu modelo de negócios pela Fitch.

A avaliação pela Fitch do modelo de negócios de um banco também será negativamente


impactada se este mudar com frequência e significativamente, ao longo do tempo (seja devido
a desenvolvimento orgânico, ou a fusões/aquisições) ou se o modelo de negócios não parece
capaz de gerar um retorno razoável sobre o capital ao longo do ciclo.

Estrutura Organizacional: A estrutura do grupo raramente afeta o RV de um banco, embora


possa fazê-lo quando o nível de opacidade e complexidade na estrutura é considerável. A
complexidade da estrutura do grupo nem sempre será um impulsionador negativo do RV, mas
estruturas incluindo níveis de holdings intermediárias, cujas localidades podem ser
principalmente movidas por impostos, ou por acordos não explicados de controle cruzado e/ou
grandes interesses minoritários, provavelmente limitarão um RV, quando este não for

Metodologia Global de Rating de Bancos 25


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proporcional ao modelo de negócios do banco.

Quando a estrutura operacional de um banco é um fator potencialmente negativo do RV, a


Fitch procura normalmente entender não só a razão pela qual o grupo está estruturado da
forma em que está, e como as transações intragrupo podem afetar os riscos associados à
entidade classificada. Isto é especialmente importante quando o caixa ou o capital podem ser
retidos em outras subsidiárias reguladas e, por esta razão, não estão prontamente disponíveis
para distribuição ao grupo, como um todo.

II.3 – Avaliação da Administração e Estratégia


Na avaliação da Administração e da Estratégia, a Fitch considera os seguintes subfatores:
 Qualidade da Administração
 Governança Corporativa
 Objetivos Estratégicos
 Execução

Importância dessa Avaliação


A avaliação da administração, estratégia e governança corporativa é importante, embora seja
a parte mais subjetiva da análise da Fitch. Ela considera como uma instituição funciona, por
exemplo, por meio do estabelecimento de metas específicas de negócios ou financeiras e do
desenvolvimento de uma estratégia para atingir essas metas, e assim proporcionar uma visão
das motivações e incentivos dentro da instituição.

Qualidade da Administração: A qualidade da administração é um dos aspectos menos


tangíveis da análise fundamental da Fitch. A Fitch considera a profundidade e a estabilidade
da diretoria e da administração sênior um elemento importante desta avaliação. Fortes equipes
administrativas demonstrarão elevado grau de credibilidade, confiabilidade, experiência e
competência para todos os participantes.

A Fitch também considera a cultura e a identidade corporativa do banco. Embora isso seja
também um conceito intangível, uma identidade firmemente arraigada pode ajudar a assegurar
que o coerente apetite por risco e as filosofias em comum de negócios sejam
consistentemente adotadas por meio de toda a organização, particularmente quando há
transições na administração. Isso pode se mostrar benéfico para o RV, pois a harmonização e
a previsibilidade geralmente instilam confiança.

Governança Corporativa: A Fitch avalia a extensão em que as práticas de governança de um


banco proporcionam proteção razoável dos interesses dos credores, ou se estes últimos
podem sofrer à custa dos interesses de outros participantes, particularmente acionistas,
administração, ou devido à influência do governo. A avaliação da Fitch inclui análises da
eficácia do conselho (se seus membros têm experiência suficiente, recursos e independência
para efetivamente supervisionar a administração), os relatórios financeiros (a qualidade,
frequência e pontualidade dos relatórios e a robustez dos processos das auditorias interna e
externa) e as transações com partes relacionadas (seu volume, se são conduzidas em termos
do mercado e os procedimentos internos para sua revisão e aprovação).

Quando um banco mostra pontos fracos ou falhas significativas na governança, que não sejam
atenuadas de forma adequada, isso poder exercer considerável pressão negativa sobre seus
ratings. Uma governança robusta pode ser moderadamente positiva para o perfil de crédito de
um banco, embora sua influência nos ratings do banco seja provavelmente menor que
deficiências de governança sérias.

Objetivos Estratégicos: Os objetivos estratégicos de uma instituição são reflexo de suas


metas financeiras e de negócios. Estas podem incorporar metas de negócios, tais como
participação de mercado ou indicadores financeiros, como lucratividade ou capitalização. A
concretização destes objetivos move o processo de decisão através de toda a organização e,

Metodologia Global de Rating de Bancos 26


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por essa razão, frequentemente motiva a administração e os empregados.

Metodologia Global de Rating de Bancos 27


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Administração e Estratégia
aaa aa a bbb bb b ccc e abaixo
Qualidade da A administração A administração A administração A administração A administração A administração As deficiências da
Administração desfruta de grau desfruta de grau desfruta de desfruta de bom desfruta de grau pode ter pontos administração
incomparável de muito alto de elevado grau de grau de aceitável de fracos aparentes, podem ser
profundidade, profundidade, profundidade, profundidade, profundidade, incluindo falta de significativas.
estabilidade e estabilidade e estabilidade e estabilidade e estabilidade e profundidade,
experiência. O experiência. O experiência. O experiência. A experiência, mas estabilidade e
planejamento da planejamento da planejamento da rotatividade de notadamente experiência. A
sucessão em sucessão nas sucessão nas executivos é menos do que rotatividade na
todas as principais principais funções principais funções administrável. A entidades com administração
funções é executivas é executivas em administração ratings mais altos. pode ser
realizado rotineiramente vigor e a apresenta bom A rotatividade da considerada alta.
rotineiramente. A realizado e a rotatividade são nível de administração, ou
administração rotatividade é baixos. A credibilidade entre a dependência de
mantém forte grau muito baixa. A administração os principais pessoas-chave
de credibilidade administração mantém elevado círculos. A cultura pode prevalecer
entre todos os manteve grau grau de corporativa é mais do que em
principais círculos muito alto de credibilidade entre sólida, mas pode entidades com
ao longo dos credibilidade entre os principais ser menos ratings mais altos.
ciclos econômicos. todos os principais círculos. A consistente do que
A instituição círculos ao longo instituição desfruta a de entidades
desfruta de cultura de um extenso de cultura com ratings mais
corporativa forte e período. A corporativa boa e altos.
consistente. instituição desfruta consistente.
de cultura
corporativa sólida
e consistente.
Governança Governança corporativa muito forte, Sólida governança corporativa, Governança A governança Governança
corporativa proporcionando proteção robusta dos proporcionando proteção razoável aos menos acarreta riscos acarreta importantes
interesses dos credores. Supervisão interesses dos credores. Supervisão desenvolvida que significativos para riscos para os
do conselho bastante efetiva e os efetiva do conselho. Os relatórios a dos pares com os credores, por credores, por
relatórios financeiros são frequentes, financeiros têm boa qualidade e as ratings mais altos, exemplo, devido exemplo, devido à
além das transações com partes transações com partes relacionadas mas sem à fraca supervisão muito
relacionadas serem muito limitadas. são limitadas. apresentar riscos supervisão pelo fraca pelo conselho,
significativos conselho, fracos consideráveis
claros para os relatórios deficiências
credores. financeiros ou contábeis ou
transações grandes transações
significativas com com partes
partes relacionadas.
relacionadas.
Objetivos Os objetivos Os objetivos Os objetivos Os objetivos Os objetivos Os objetivos Faltam objetivos
estratégicos estratégicos são estratégicos são estratégicos são estratégicos são estratégicos estratégicos não estratégicos ou
claramente claramente bem articulados e documentados e podem não estar são articulados e provavelmente são
articulados e articulados e refletem um nível refletem um nível claramente refletem um nível muito variáveis,
refletem os níveis refletem um nível de negócios e de de negócios e de articulados e/ou de negócios e de devido ao ambiente
sustentáveis a de negócios e de desempenho desempenho refletir um nível de desempenho econômico e
longo prazo dos desempenho financeiro a médio financeiro a médio negócios e de financeiro a curto operacional instável.
negócios e do financeiro prazo. Os prazo. Os objetivos desempenho prazo. Os
desempenho sustentável a objetivos estratégicos financeiro a curto objetivos
financeiro. Os longo prazo. Os estratégicos podem mudar com prazo. Os objetivos estratégicos
objetivos objetivos podem mudar o tempo e se tornar estratégicos mudam com
estratégicos estratégicos são modestamente, mais oportunistas. podem mudar com frequência,
continuam muito consistentes com o tempo. base em inclusive devido
altamente ao longo do oportunidades de ao ambiente
consistentes ao tempo. mercado ou em um econômico volátil.
longo de um ambiente
extenso período. econômico menos
estável.
Execução A instituição atinge A instituição A instituição A instituição A instituição A instituição A instituição não
consistentemente rotineiramente geralmente atende geralmente atende frequentemente tipicamente não atende às metas de
as metas dos atende às metas às metas dos às metas de não consegue consegue atender negócios ou aos
negócios e os dos negócios e negócios e aos negócios e aos atender às metas às metas de objetivos financeiros.
objetivos aos objetivos objetivos objetivos de negócios e aos negócios e
financeiros ao financeiros com financeiros, financeiros. A objetivos objetivos
longo dos ciclos variabilidade muito embora com execução se torna financeiros. A financeiros.
econômicos e/ou limitada ao longo modesta mais variável com execução é Execução
de taxas de juros. dos ciclos variabilidade ao alterações nos variável, com base altamente
econômicos e de longo de ciclos ciclos econômicos em mudanças nos variável, com
taxas de juros. econômicos e/ou e/ou de taxas de ciclos econômicos base em
de taxas de juros. juros. e de taxas de condições
juros. econômicas em
geral.

Metodologia Global de Rating de Bancos 28


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Fonte: Fitch
Uma estratégia bem elaborada, coesa e robusta de médio/longo prazo comunicada aos
participantes de forma efetiva e que equilibre os riscos e as recompensas, será provavelmente
positiva para o RV. A Fitch também irá rever as principais filosofias estratégicas da
administração. Por exemplo, o crescimento movido por aquisições contra o crescimento
orgânico e/ou a expansão regional/internacional diante da concentração nos mercados
domésticos, pois isso poderá destacar os pontos fortes ou fracos no plano estratégico ou
indicar o apetite por risco em geral da administração. A Fitch também considera o quanto
atingíveis são estes objetivos.

Execução: Isso engloba a capacidade de uma instituição realizar seus negócios declarados e
os objetivos financeiros. A avaliação da Fitch é normalmente efetuada por meio de
comparações entre os orçamentos e as projeções (quando disponíveis) ou de objetivos
publicamente declarados em relação aos resultados reais. Esta avaliação, em geral, precisará
de uma avaliação a prazo mais longo, de forma que a incapacidade de atingir quaisquer dos
objetivos, ou todos eles, em qualquer período de reporte, por exemplo, trimestralmente, não
necessariamente resultará em quaisquer alterações nos ratings. Em lugar disso, a Fitch
considera como foi, ao longo do tempo, o desempenho de uma instituição e como será em
comparação às suas metas declaradas e dado o ambiente operacional de um banco.

II.4 – Avaliação do Apetite por Risco


Na avaliação do Apetite por Risco, a Fitch inclui os seguintes subfatores:
 Padrões de Subscrição
 Controles de Riscos
 Crescimento
 Risco de Mercado

Importância dessa Avaliação


O nível de apetite por risco é uma consideração importante na atribuição do RV, pois isto pode
eventualmente levar a alterações nas principais métricas financeiras de um banco. A Fitch
aplicará seu julgamento próprio e contrastará o posicionamento de risco declarado do banco
contra sua própria percepção de grau de risco inerente em uma linha de negócios, produto ou
estratégia em particular. A Fitch também considerará os riscos operacionais e/ou de reputação
quando estes forem relevantes para a instituição.

Metodologia Global de Rating de Bancos 29


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Apetite por Risco


aaa aa a bbb bb b ccc e abaixo
Padrões de Os padrões de Os padrões de Os padrões de Padrões de Os padrões de Os padrões de Os padrões de
subscrição subscrição são subscrição têm subscrição têm subscrição subscrição refletem, subscrição exibem subscrição levam à
claramente risco muito baixo e baixo risco e são geralmente em geralmente, apetite elevado apetite por alta exposição a
avessos a risco e são mais geralmente mais linha com as por risco acima da risco. Os padrões risco e devem
muito mais conservadores do rígidos do que a amplas práticas do média. Os padrões de crédito são refletir estresse
conservadores do que evidentes no prática do setor. setor. Os padrões de crédito podem tipicamente mais dentro da entidade
que evidentes em setor global. Os Os padrões de de crédito são ser mais agressivos agressivos do que ou do sistema
qualquer outro padrões de crédito crédito são variáveis ao longo do que as médias as amplas médias bancário. Os
lugar do setor. Os são consistentes amplamente dos ciclos amplas do setor. Os do setor e padrões de crédito
padrões de crédito com as alterações consistentes, mas econômicos. Os padrões devem provavelmente não têm nenhum
são consistentes, nominais ao longo podem variar padrões refletem mudar notavelmente mudam histórico
com mínimas dos ciclos modestamente ao as expectativas de ao longo dos ciclos consideravelmente perceptível. Os
alterações ao econômicos. As longo dos ciclos desempenho a econômicos. ao longo dos ciclos padrões podem
longo dos ciclos expectativas de econômicos. Os médio prazo. econômicos. flutuar
econômicos. desempenho a padrões refletem frequentemente.
Expectativas de longo prazo foram as expectativas de
desempenho a incorporadas. desempenho a
longo prazo estão médio prazo.
incorporadas.
Controles de Ferramentas de As ferramentas de Ferramentas de Ferramentas de Ferramentas de As ferramentas de Há deficiências
risco risco e de reporte risco e de reporte risco e de reporte risco e de reporte risco e de reporte risco e reporte significativas no
extremamente são muito muito robustas. boas. Limites de são aceitáveis, mas podem ser controle de riscos.
robustas. Os robustas. Os Limites de risco risco são sólidos e podem precisar de deficientes. Os
limites de risco são limites de risco conservadores e monitorados, profundidade ou limites de risco são
altamente são muito monitorados, mas embora possam sofisticação. Os rudimentares e
conservadores e conservadores e podem mudar com flutuar com base limites de risco são podem não ser
aderidos de forma rotineiramente base em em oportunidades. monitorados em monitorados com
predominante. Os monitorados, com condições de Controles de risco menor frequência do frequência. As
limites de risco são alterações negócios. são menos que em instituições quebras de limites
rotineiramente nominais ao longo Controles de risco difundidos ao com ratings mais podem não acionar
monitorados, com de extensos centralizados. longo da altos. Os limites de maior atenção da
alterações períodos. Novos produtos organização. A risco podem mudar administração.
mínimas ao longo Controles de risco bancários são criação de novos baseados em Novos produtos
de extensos permeiam a testados antes de produtos oportunidades de bancários não são
períodos. organização. totalmente bancários é negócios. Novos testados antes de
Controles de risco Novos produtos implementados. cuidadosamente produtos bancários implementados.
permeiam a bancários são examinada e podem não ser
organização. cuidadosamente testada antes de totalmente
Novos produtos examinados e implementada. examinados ou
bancários são testados antes de testados antes de
minuciosamente implementados. implementados.
examinados e
testados antes de
implementados.

Crescimento O aumento do O aumento do O aumento do O aumento do O aumento do O aumento do O crescimento


balanço ou a balanço ou o dos balanço ou o balanço ou o do balanço ou o balanço pode ficar bem
expansão dos negócios aumento dos negócio excede a aumento dos normalmente acima dos
negócios não deve raramente negócios pode, geração de capital negócios excede a geração patamares
ultrapassar a ultrapassa a por vezes, exceder interna com maior normalmente de capital interna e sustentáveis ou é
geração de capital geração de capital a geração de frequência e o excede a geração o crescimento incapaz de vender
interna e o interna e o capital interna e o crescimento de capital interna e sustentável a longo ativos para atingir
crescimento crescimento crescimento sustentável a o crescimento prazo dos a necessária
sustentável, a sustentável a sustentável a longo prazo dos sustentável a longo segmentos do contração do
longo prazo, dos longo prazo dos longo prazo dos principais prazo dos principais negócio. Ambiente balanço.
principais segmentos de principais segmentos de segmentos de de controle
segmentos de negócios. O segmentos dos negócios. O negócios. O rotineiramente
negócios. O ambiente de negócios. O ambiente de desenvolvimento do aquém do aumento
ambiente de controle é ambiente de controle pode ficar ambiente de dos volumes de
controle é sistematicamente controle é aquém do controle deve negócios ou é
sistematicamente adaptado para normalmente aumento dos provavelmente ficar incapaz de vender
adaptado para atender ao adaptado de forma volumes de aquém do aumento ou de qualquer
atender aos aumento dos adequada para negócios. do volume de outra forma reduzir
maiores volumes volumes de atender ao Alternativamente, negócios. os ativos para
de negócios. negócios. aumento dos uma redução de Alternativamente, estabilizar o
volumes de ativo almejada deixa de atingir a balanço.
negócios. A pode ficar aquém meta de redução de
redução de ativos do programa. ativos.
é obtida conforme
planejado.

Metodologia Global de Rating de Bancos 30


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Apetite por Risco (Continuação)


aaa aa a bbb bb b ccc e abaixo

Risco de Exposição a riscos A exposição ao A exposição aos A exposição aos A exposição aos Exposição a riscos Pode haver
mercado de mercado muito risco de mercado riscos de mercado riscos de mercado riscos de mercado é de mercado é alta significativos riscos
baixa. Os riscos de é baixa. Os riscos é modesta. Os é média. É elevada. Os riscos ou altamente de mercado,
taxa de juros de taxas de juros riscos de taxas de provável que de mercado podem variável. Os riscos relativos a taxas de
estruturais e de estruturais e de juros estruturais e sejam englobar riscos de podem não ter juros ou de
câmbio são muito taxas de câmbio de taxas de empregadas taxas de juros hedge efetivo. câmbio.
baixos em relação são baixos em câmbio são técnicas de hedge. estruturais e de
aos pares. O relação aos pares modestos e Os volumes de taxas de câmbio.
volume de trading e mitigados de mitigados de trading podem ser Técnicas básicas de
é muito baixo em forma apropriada, forma apropriada relevantes. Os hedge podem ser
relação aos pares. por meio de por meio de controles podem empregadas ou a
hedge. O volume hedge. Os ser satisfatórios, eficácia pode ser
de trading é baixo volumes de trading mas um pouco um tanto
em relação aos podem ser abaixo das comprometida.
pares. relevantes, mas melhores práticas
têm sólidos do setor.
controles.

Fonte: Fitch

Metodologia Global de Rating de Bancos 31


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

A estabilidade dos resultados ao longo do ciclo pode ser um indicador útil do apetite por risco. A
formação de uma opinião sobre o apetite por risco de um banco acompanha a avaliação de seus
controles de risco. O elevado apetite por risco de um banco pode ser atenuado por meio do
emprego de fortes controles de risco, colaterais e precificação com base em riscos. Por outro lado,
os riscos podem ser altos mesmo em bancos com baixo apetite por risco declarado, se os
controles se mostrarem ineficazes. Ainda assim, a faixa natural do RV de bancos com apetite por
risco inerentemente mais alto, independente da robustez dos controles em vigor, será geralmente
inferior às faixas de RV dos bancos cujo apetite por risco a Fitch considere modesto, ou melhor
gerenciado.

Padrões de Subscrição: Como o risco da maioria dos bancos está normalmente concentrado em
suas carteiras de crédito, a análise da Fitch considera os padrões gerais de concessão de crédito
de uma instituição, e como estes se comparam aos pares e ao setor bancário mais amplo em que
operam.

Ao avaliar os padrões de subscrição de um banco, a Fitch pode normalmente revisar os padrões


de crédito, o grau de automação envolvido e a valorização e impacto das políticas de
provisionamento. A Fitch irá normalmente rever os critérios de concessão de crédito e os
princípios em relação aos padrões básicos de subscrição. Por exemplo, baixos índices loan-to-
value para produtos de crédito com garantias podem ser uma indicação da robustez dos padrões
de subscrição, como pode ser uma baixa proporção de créditos sem garantias, combinado aos
limites prudentes. Os padrões que efetivamente diminuem as concentrações de tomadores,
setores e geográficas, combinados às robustas avaliações e políticas de provisão mantidas ao
longo dos ciclos de crédito, podem influenciar positivamente o RV.

Embora a carteira de crédito seja frequentemente a maior fonte de risco da maioria dos bancos, a
Fitch também avalia o apetite por risco do banco em sua carteira de títulos de investimentos.
Quando os títulos mantidos forem grandes em relação aos créditos ou ativos, essa avaliação
ganhará maior importância. Isso pode incluir diretrizes de investimentos e práticas de valorização.
Por exemplo, um maior apetite por investimento em títulos não líquidos, complexos ou sem
cotação deverá provavelmente ter influência negativa no RV.

Controles de Risco: Para aderir à sua estrutura de apetite por risco e aos padrões de subscrição,
um banco precisa de fortes e efetivas ferramentas de administração de risco. Estas geralmente
incluem limites em relação a produtos ou concentrações de crédito, geografia, riscos de mercado
e controles operacionais. Também podem incluir ferramentas, tais como tabelas de score
customizadas, ratings internos ou fontes de dados de terceiros, como as agências nacionais de
crédito. Em sua análise de gestão de risco, a Fitch forma uma opinião sobre os controles, em geral,
a independência e robustez da função de auditoria interna, e a atitude em relação à quebra ou
desconsideração de limites, negligência e violações. A agência também considera como um banco
administra seus riscos operacionais, tal como o processamento de negócios intensos.

A avaliação da Fitch sobre os controles de risco poderá considerar os tipos de relatórios de


administração que uma instituição utiliza, quando estes estiverem disponíveis. Isto pode ajudar a
indicar até que ponto os controles de risco permeiam a organização, com respeito a todos os
principais riscos em que o banco possa incorrer, tais como o de crédito, de mercado e os riscos
operacionais. Quando as deficiências na administração do risco operacional já tiverem se
manifestado e não foram solucionadas, isso poderá ser um elemento negativo na avaliação dos
controles de risco de um banco pela agência.

Crescimento: A Fitch geralmente mede a expansão ou redução do crédito nos balanços em


relação ao crescimento econômico ou à contração e às médias dos pares, do setor e da indústria,
para identificar os valores atípicos e avaliar a formação de potenciais riscos. A rápida expansão de
crédito também pode obscurecer a análise financeira, por exemplo, dificultando a formação de
opinião sobre a verdadeira qualidade de ativo, uma vez que as carteiras não tiveram tempo de

Metodologia Global de Rating de Bancos 32


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

amadurecer e pode ser um indicativo de redução dos padrões de subscrição. Uma análise
proativa pode assumir maior relevância quando o crescimento for alto. Crescimento acima da
média pode ser mais positivo (ou, no mínimo, menos negativo) para o RV quando é contracíclico,
por exemplo, no caso de um banco com forte balanço e comprovadamente com sólidos padrões
de subscrição que expandem moderadamente seu balanço em uma época em que outros são
forçados a contrair.

A expansão do negócio ou aumento do balanço, em linha com um aumento sustentável a longo


prazo, ou refletindo um aumento sustentável da franquia, influenciará positivamente o RV. O
rápido crescimento poderá introduzir outros desafios, como pressões operacionais, pois o back-
office ou os sistemas podem não conseguir lidar com o aumento dos volumes de negócios e, por
essa razão, seriam negativos para o RV. Ao contrário, a redução dos ativos para solucionar
necessidades de capital a curto prazo pode ter repercussões, a médio prazo, nos negócios e
ganhos, especialmente se os custos permanecerem inalterados.

Risco de Mercado: Na avaliação do risco de mercado, a Fitch engloba os diferentes tipos de risco
de mercado que um banco pode incorrer. O mais comum é o de taxa de juros, devido à função
essencial de transformação do prazo de vencimento do banco, mas também inclui elementos,
como derivativos ou os riscos cambiais diretos e indiretos. Os riscos de mercado serão mais altos
no caso de instituições com operações de trading relevantes, ou em casos em que a atividade
além-fronteiras, ou a dolarização do balanço derem origem a riscos cambiais, de modo que este
fator possa assumir maior importância relativa nessas circunstâncias.

Uma proporção elevada de ativos investidos em, ou lucros derivados de ativos de trading
provavelmente indicará alto nível de risco de mercado em um banco. Isso poderá ser um fator
negativo para o RV, em função da natureza volátil do trading, embora a Fitch irá avaliar o grau em
que os riscos são controlados. A escala e a finalidade dos derivativos pode ser um bom indicador
do risco de trading, assim como o tamanho das carteiras proprietárias. Os indicadores relevantes
de risco de mercado podem incluir números altos de valor em risco (VaR) nas carteiras de títulos e
derivativos, ou significativas correlações de ativos.

Quando os ativos de trading são relevantes, a Fitch geralmente utiliza indicadores de VaR, tais
como o VaR médio ou VaR/Núcleo de Capital Fitch estressado, entre outros. A agência também
compara os ativos ponderados pelo risco em relação ao total de ativos ponderados pelo risco.
Fora da carteira de trading, a medida do risco de mercado envolve tipicamente a avaliação do
impacto de mudanças na curva de rendimento, mudanças na forma da curva de rendimento ou
movimentações nas taxas de câmbio. Esses indicadores, como o VaR, são proporcionados pelos
bancos e se baseiam em modelos internos. A Fitch, por essa razão, não os considera totalmente
comparáveis de um banco para outro, ou de um período para outro.

Ferramentas e controles efetivos de mitigação, aliados a uma estrutura robusta de teste de


estresse, podem ser fortes fatores de atenuação na redução do risco de mercado. Quando o risco
de mercado é significativo, a Fitch avalia a conveniência dos controles em relação a este risco, as
práticas de hedge, o monitoramento dos limites e o reporte do VaR e outras informações sobre o
risco de mercado por meio de toda a gama de carteiras de títulos, inclusive derivativos. A
administração e controle efetivos do risco de mercado podem ajudar a reduzir o impacto negativo
do elevado risco de mercado no RV de um banco, mas, de modo geral, os bancos mais altamente
expostos ao risco de mercado não conquistarão os RVs mais altos.

Metodologia Global de Rating de Bancos 33


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II.5 – Avaliação do Perfil Financeiro


A Fitch considera os seguintes subfatores:
 Qualidade de Ativos
 Resultados e Lucratividade
 Capitalização e Alavancagem
 Captação e Liquidez

Importância dessa Avaliação


O perfil financeiro de um banco, o qual pode frequentemente ser medido pela análise dos
principais indicadores e tendências e pela estabilidade desses indicadores, é relevante porque
proporciona forte indicação de como tem sido o desempenho do banco nas principais dimensões
da situação creditícia. Em muitos aspectos, os indicadores financeiros são o resultado do
ambiente operacional do banco, do perfil da companhia, da administração, e estratégia e apetite
por risco.

O ponto de partida da Fitch ao analisar o perfil financeiro de um banco são geralmente as


demonstrações financeiras auditadas e os relatórios regulatórios publicados, mas a agência
também usa as demonstrações financeiras intermediárias não auditadas. A Fitch cria seus
próprios indicadores para que estes permitam maior comparabilidade entre as jurisdições. Para
todos os bancos, globalmente, a Fitch usa um indicador principal e métricas complementares para
cada fator do perfil financeiro. As métricas principais têm o maior poder de explicação relativo ao
determinar os fatores de bancos, globalmente. Estes são:

Qualidade de Ativos: Créditos em atraso/total de créditos (%)

Ganhos & Rentabilidade: Lucro operacional/ativos ponderados pelo risco (%)

Capitalização & Alavancagem: Núcleo de Capital Fitch/ativos ponderados p/ risco ajustados para
FCC(%)

Captação & Liquidez: Créditos/depósitos de clientes (%)

As definições dos indicadores principais e complementares são apresentadas no Anexo 3.

Quando consideradas relevantes e apropriadas, as métricas principais e complementares são


suplementadas por indicadores adicionais que podem ter um significado analítico particular em
determinadas jurisdições, modelos ou linhas de negócios. Por exemplo, créditos reestruturados
ou ativos executados podem ser adicionados aos créditos em “D-H” na avaliação da qualidade
dos ativos, quando estes forem materiais. Assim como as demonstrações financeiras e os
relatórios regulatórios, os indicadores adicionais se valem de informações apresentadas nos
relatórios gerenciais, de apresentações dos analistas e de informações fornecidas à Fitch em
bases confidenciais.

Faixas Quantitativas.

A Fitch estabeleceu faixas indicativas quantitativas para suas principais métricas financeiras, que
derivam de uma combinação entre o ambiente operacional de um banco com o valor da métrica
financeira. A agência espera que o ambiente operacional responda por uma parcela significativa
das diferenças reais nas métricas através dos países e regiões por causa das diferenças nos
perfis de risco financeiro que surgem dos ambientes em que as entidades operam (veja Seção
II.1. Avaliação do Ambiente Operacional).

As figuras em cada uma das seções abaixo estabelecem as faixas indicativas quantitativas dos
quatro indicadores principais do perfil financeiro. O score dos fatores implícitos é determinado
pela leitura através do ambiente operacional relevante até o valor do indicador financeiro. Por
exemplo, conforme indicado no fator de score implícito na qualidade de ativos , um banco que

Metodologia Global de Rating de Bancos 34


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

opere em um ambiente ‘bbb’ com um índice de créditos em atraso/total de créditos em um


período médio de quatro anos, de 8%, receberia um score de qualidade implícita de ativos na
categoria ‘bb’. A agência utiliza a média de quatro anos (quando os dados estão disponíveis)
para determinar o score implícito dos fatores em relação a todos os indicadores, com exceção do
de capitalização & alavancagem, que usa o mais recente ponto de dados disponível, pois a Fitch
considera esse um indicador mais confiável do nível do indicador no futuro. Devido à forte
influência do ambiente operacional, em todos os aspectos do perfil financeiro, não é comum que
seja atribuída mais de uma categoria acima do ambiente operacional para scores de fatores.
Portanto, as matrizes dos scores implícitos têm valores em branco nessas posições, nas tabelas.

Metodologia Global de Rating de Bancos 35


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Perfil Financeiro
aaa aa a bbb bb b ccc e abaixo
Qualidade de Apresenta grau de Grau muito alto de Alto grau de Alto grau de Níveis de ativos em Níveis de ativos em Tem ou é provável
Ativos estabilidade sem estabilidade na estabilidade, conforme estabilidade, atraso e de perdas atraso e de perdas bem que tenha
precedentes, qualidade de ativos, pode estar refletido conforme pode acima da média. acima dos níveis indicadores de
conforme refletido conforme refletido nos nos modestos níveis estar refletido nos Indicadores de médios. Indicadores de qualidade de ativos
nos níveis muito baixos níveis de ativos de ativos em atraso níveis médios de qualidade de ativos qualidade de ativos bem mais fracos do
baixos de ativos em em atraso e/ou baixas e/ou de perdas. A ativos em atraso provavelmente mais devem ser voláteis, que os parâmetros
atraso e/ou perdas perdas ao longo de qualidade de ativos é e/ou perdas. Os voláteis diante de baseados em alterações do setor ou de
mínimas ao longo múltiplos ciclos moderadamente indicadores de mudanças nos ciclos nos ciclos econômicos normas históricas.
dos ciclos econômicos e/ou de variável ao longo dos qualidade de econômicos e/ou de e/ou de taxas de juros e
econômicos e/ou de taxas de juros. ciclos econômicos ou ativos flutuam ao taxas de juros e geralmente bem piores
taxas de juros. Indicadores de de taxas de juros. Os longo de ciclos geralmente piores ou ou mais vulneráveis do
Indicadores de qualidade de ativos indicadores de econômicos e/ou mais vulneráveis do que as amplas médias
qualidade de ativos são melhores do que qualidade de ativos de taxas de juros. que as amplas do setor. Riscos de
são os de instituições são provavelmente Índices de médias do setor. Os concentração são muito
consistentemente comparáveis. Riscos modestamente qualidade de riscos de altos.
melhores do que os de concentração são melhores do que em ativos e/ou de concentração podem
de instituições baixos ou instituições pares ou concentração de estar acima da
comparáveis. Riscos efetivamente menos vulneráveis a riscos estão, de média.
de concentração são mitigados. ciclos econômicos modo geral, em
muito baixos ou e/ou de taxas de juros. linha com as
efetivamente Riscos de amplas médias do
mitigados. concentração podem setor.
ser modestamente
melhores do que os
dos pares.

Resultados e Resultados e Resultados e Resultados e Resultados e Os resultados e a Resultados e Podem ser


lucratividade lucratividade lucratividade muito lucratividade são lucratividade lucratividade podem lucratividade são estruturalmente não
altamente previsíveis previsíveis ao longo moderadamente podem ser ser altamente voláteis e altamente lucrativas, tanto em
ao longo dos ciclos de múltiplos ciclos variáveis ao longo de variáveis ao longo variáveis ao longo correlacionados aos bases reportadas,
econômicos e/ou de econômicos e de ciclos econômicos de ciclos dos ciclos ciclos econômicos e/ou como operacionais.
taxas de juros. taxas de juros. e/ou de taxas de juros. econômicos e/ou econômicos e/ou de de taxas de juros. Os O retorno ao ponto
Indicadores de Indicadores de Indicadores de de taxas de juros. taxas de juros. indicadores de de equilíbrio ou à
lucratividade são lucratividade lucratividade são Indicadores de Indicadores de lucratividade podem não lucratividade
consistentemente proporcionais, com geralmente lucratividade lucratividade podem refletir inteiramente o sustentável é
proporcionais à risco muito baixo, mas proporcionais com refletem o risco não refletir risco inerente e estarem altamente incerto.
natureza de aversão podem variar risco baixo, embora inerente ou um inteiramente o risco sujeitos à variabilidade.
a risco. modestamente, sujeitos à ambiente inerente e estarem A lucratividade está
embora permaneçam variabilidade. A econômico sujeitos à bem abaixo da média
geralmente superiores lucratividade é altamente variabilidade. A em relação às amplas
aos de instituições geralmente melhor do competitivo e lucratividade é médias do setor.
comparáveis. que as médias do podem estar abaixo da média em
setor. sujeitos à relação às amplas
crescente médias do setor.
variabilidade. A
lucratividade é
média em relação
às médias amplas
do setor.

Captação e Captação e liquidez Captação e liquidez Captação e liquidez Captação e Captação e liquidez Captação e liquidez são Captação e liquidez
liquidez são muito estáveis. Banco estáveis. O banco liquidez são são geralmente menos estáveis e são instáveis, na
excepcionalmente predominantemente deverá ter sólido perfil geralmente estáveis, embora sujeitas a súbitas ausência de
estáveis. O banco é financiado por de depósitos estáveis, estáveis, embora possa haver alterações no quaisquer
predominantemente depósitos estáveis, sem significativo risco possa haver concentrações sentimento dos mecanismos formais
financiado por com dependência de concentração. moderadas relevantes na credores. Acesso à de suporte
depósitos estáveis, mínima do curto Captação no atacado concentrações na captação ou captação em períodos extraordinário.
com dependência prazo. Captação no é predominantemente captação, ou significativa de crise no mercado é
mínima da captação atacado é de longo prazo. dependência de dependência de muito incerto. Planos de
no atacado. A predominantemente Captação pode ser fontes de captação fontes de captação captação de
captação não é de longo prazo, com modestamente de atacado menos no atacado, menos contingência podem não
sensível à confiança. apetite de investidores sensível à confiança. estáveis. Captação estáveis. Acesso à estar bem
A instituição estabelecido. Planos de é sensível à captação pode ser desenvolvidos ou
desempenha um Captação é contingência robustos confiança e a incerto em períodos depender do banco
papel crítico nos relativamente menos estão implantados. liquidez pode se de crise no mercado central para liquidez.
principais sistemas sensível à confiança. tornar mais e os planos de
de pagamento e de A instituição deverá onerosa ou menos contingência podem
quitação. Planos de ter um papel estável em não ser suficientes.
captação de importante nos períodos de crise.
contingência principais sistemas de Razoáveis planos
extremamente pagamento. Planos de de captação de
robustos estão captação de contingência estão
implantados. contingência muito implantados.
robustos estão
implantados.

Metodologia Global de Rating de Bancos 36


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Perfil Financeiro (Continuação)


aaa aa a bbb bb b ccc e abaixo

Capitalização Capitalização Capitalização forte e Índices de Níveis de capital Níveis de capital não Níveis de capital não Capitalização e
e alavancagem extremamente forte proporcional ao risco. capitalização podem não ser são totalmente são proporcionais ao alavancagem têm
e proporcional ao Capitalização e amplamente totalmente proporcionais ao risco. Capitalização é claras deficiências,
risco. Capitalização alavancagem são proporcionais ao risco. proporcionais ao risco. Capitalização baixa e colchões em que, ou já
e alavancagem são mantidas com Capitalização e risco. e alavancagem são relação às exigências requereram, ou
mantidas com colchões confortáveis alavancagem são Capitalização e mantidas com mínimas são pequenos, poderão vir a
colchões muito em relação aos mantidas com alavancagem são colchões moderados ou o capital é vulnerável requerer aportes de
significativos em mínimos regulatórios, colchões sólidos em mantidas com em relação aos devido aos altos riscos capital.
relação aos mínimos assim como às relação aos mínimos colchões mínimos regulatórios do país. Níveis de
regulatórios, assim instituições pares. As regulatórios e satisfatórios em e podem ficar abaixo capital podem ficar bem
como às instituições metas de capital geralmente acima das relação aos das médias dos abaixo de instituições
pares. As metas de incorporam a instituições pares. Os mínimos pares. Capital pares e altamente
capital incorporam a capacidade de níveis de capital regulatórios e altamente vulnerável vulneráveis até mesmo
capacidade de suportar choques podem ser geralmente em a choques severos, a choques moderados.
suportar choques significativos. O relativamente mais linha com embora capaz de Acesso a capital é
severos. Acesso ao acesso a capital é voláteis, mas instituições pares. suportar choques altamente incerto.
capital é muito bom. provavelmente apenas Níveis de capital moderados. Acesso
excepcionalmente modestamente podem ser mais a capital pode variar.
forte. afetados por choques vulneráveis a
severos. Acesso a choques severos.
capital é geralmente Acesso a capital
bom. pode ser menos
certo.

Fonte: Fitch

Principais Índices de Não é adequado nem plausível assumir que um único indicador explicará inteiramente o score
Qualidade de Ativos dos fatores. Por isso, o fator de score implícito é o ponto de partida na determinação do score
Indicador Principal: real. Tomando o exemplo acima, a consideração de outros aspectos do perfil de qualidade dos
Créditos em atraso/total de créditos ativos de um banco, tal como a taxa de crescimento, colaterais e provisionamento, assim
(%)
como as baixas de crédito, pode resultar no ajuste de score de fatores antes de chegar ao
Indicadores Complementares:
Crescimento do total de créditos (%) fator de score final. Alguns destes outros aspectos do perfil financeiro de um banco são
Provisões para créditos em capturados em indicadores complementares e adicionais, embora a Fitch combine a análise
atraso/créditos em atraso (%) quantitativa com o julgamento qualitativo, de forma a determinar os fatores de score atribuídos,
Desp. de provisionamento para
créditos em atraso/média de total de que são expressos por uma faixa de três graus.
créditos (%)
Fonte: Fitch As razões analíticas mais comuns para ajustar os fatores de score implícitos estão delineadas
nas seções abaixo. Os ajustes podem influenciar negativa ou positivamente o fator de score
final. Em termos gerais, os ajustes tendem a cair em duas categorias amplas: (1) A Fitch
efetua o ajuste pelos elementos específicos de risco, ou pelos aspectos do perfil do negócio
que podem não ser adequadamente capturados nos índices financeiros principais; e (2) A
Fitch efetua o ajuste pelos elementos cíclicos e/ou estruturais que, na opinião da agência,
significam que os índices históricos podem não predizer o futuro de forma confiável.

Qualidade de Ativos
A qualidade de ativos é importante para a análise da Fitch, porque uma qualidade de ativos
fraca pode minar a solvência do banco e, em última instância, a sua capacidade de honrar as
obrigações junto aos credores. A análise da qualidade de ativos pela agência foca
basicamente a carteira de crédito, porque a concessão de créditos é a principal linha de
negócios para a maioria dos bancos e a qualidade do crédito na carteira de crédito é, por esta
razão, a fonte predominante do risco de qualidade de ativos. A agência também analisa outras
exposições mantidas no balanço ou fora dele, à medida que estas sejam relevantes para uma
avaliação da qualidade de ativos do banco. O indicador principal, créditos em atraso/total de
créditos, detém o maior poder explanatório para o fator de score da qualidade de ativos,
porque é a expressão mais simples da extensão da exposição dos problemas naquela que
costuma ser a principal classe de ativos de um banco.

Metodologia Global de Rating de Bancos 37


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Instituições Financeiras

Fatores de Score Implícitos da Qualidade de Ativos


Fatores score implícitos aa a bbb bb b & abaixo
Ambiente operacional Créditos em atraso/Créditos Brutos
aa ≤1% ≤3% ≤6% ≤14% >14%
a ≤0.25% ≤2% ≤5% ≤12% >12%
bbb ≤0.5% ≤4% ≤10% >10%
bb ≤0.75% ≤5% >5%
b & abaixo ≤1% >1%
Fonte: Fitch

Ajustes nos Fatores de Score Implícitos de Qualidade de Ativos

A Fitch pode efetuar ajustes no score implícito de qualidade de ativos de um banco, conforme
derivados pela matriz na tabela acima, pelas seguintes razões:

Crescimento: Alto crescimento do crédito em comparação com os pares, ou à(a) economia(s)


doméstica(s), conforme capturado pelo indicador complementar do total de créditos, pode
levar a um significativo aumento nos créditos em atraso, à medida que a carteira amadurece.
Além disso, taxas de crescimento altas podem diminuir o atual índice créditos em atraso/total
de créditos, devido ao efeito defasado sobre o numerador, embora a redução da alavancagem
posso inflá-lo. Crescimento significativamente inferior ao dos pares poderá ser considerado
conservador e positivo para os fatores de score atribuídos.

Garantias e Provisionamentos: Uma forte cobertura dos créditos em atraso pelas provisões
em comparação aos pares, conforme refletido nos indicadores complementares de provisão
para créditos em atraso/créditos em atraso, ou uma elevada proporção de créditos com
garantias pode reduzir os riscos das exposições a atrasos do banco. Por outro lado, o foco na
concessão de créditos ou a fraca cobertura de provisões poderia ter um efeito contrário.

Baixas de Créditos: Quando um banco baixa uma elevada proporção de créditos logo após
estes se tornarem atrasados, ou ao contrário, retém um legado de créditos problemáticos em
seu balanço por um período de tempo prolongado, após eles se tornarem inadimplentes, o
índice créditos em atraso/total de créditos pode não capturar integralmente o desempenho da
qualidade de ativos. Por esta razão, a Fitch também considera os atrasos de crédito gerados
em períodos recentes, conforme refletido no índice complementar despesas para créditos em
atraso/média do total de créditos.

Políticas de Classificação de Créditos: Se a Fitch acreditar que um banco tem uma


proporção relativamente ampla de créditos de alto risco que não são capturados na definição
dos créditos em atraso, por exemplo, porque foram reestruturados ou são classificados na
categoria em observação, isto então poderá pesar na avaliação da qualidade de ativos pela
Fitch. Uma classificação conservadora dos créditos em relação aos pares pode ser
moderadamente positiva para a avaliação da agência.

Concentrações: A existência de exposições a altas concentrações relativas a


tomadores/contrapartes, setores ou classes de ativos únicos pode aumentar a vulnerabilidade
a flutuações cíclicas no desempenho dos ativos. Por outro lado, uma boa diversificação da
carteira poderá ser um fator moderadamente positivo na avaliação da qualidade dos ativos.
Exposições Não-Creditícias: A Fitch pode ajustar para baixo o score da qualidade de ativos
quando acreditar que há riscos significativos de perdas surgindo de ativos não-creditícios, tais
como exposições interbancárias, títulos, valores justos de derivativos ou ativos das garantias
executadas, ou de exposições mantidas fora do balanço, tais como garantias e compromissos.
Por outro lado, quando uma proporção relativamente alta das exposições a risco de um banco
está fora da carteira de crédito e o risco destas é baixo (por exemplo, colocações

Metodologia Global de Rating de Bancos 38


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

interbancárias ou títulos com ratings altos, ou exposições a financiamentos ao comércio


exterior mantidas fora do balanço), isso pode resultar em ajuste positivo no score implícito de
qualidade de ativos.

Apetite por Risco e Modelo de Negócios: A Fitch pode ajustar para baixo o score de
qualidade de ativos quando acreditar que o banco apresenta relativamente alto apetite por
risco, ou o modelo de negócio ou especialização de classe de ativo, o que, na opinião da
agência poderá mais provavelmente resultar em deterioração ou volatilidade da qualidade de
ativos. Nesses casos, a Fitch poderá formar a opinião de que os indicadores de qualidade de
ativos reportados recentemente serão mais vulneráveis à deterioração, à medida que o crédito
e outras exposições amadurecem. Por outro lado, um apetite por risco baixo, ou um modelo de
negócio com risco menor podem resultar em ajuste positivo moderado do score de qualidade
de ativos.

Indicadores Históricos e Futuros: A Fitch poderá considerar os indicadores de qualidade de


ativos históricos como não sendo confiavelmente indicativos de indicadores futuros, por
exemplo, devido a alterações na estratégia ou nas operações do banco; porque fusões,
aquisições ou alienações podem ter impacto significativo nas exposições a risco do grupo;
devido ao fato de que as expectativas econômicas da Fitch se desviam bastante das
condições passadas; ou porque os indicadores recentes de qualidade de ativos correspondem
a uma parte particularmente favorável ou desfavorável do ciclo de crédito.

Resultados e Lucratividade
Resultados e lucratividade são importantes para a análise da Fitch, porque indicam a
capacidade de um banco gerar ou, ao contrário, deteriorar seu capital. Desempenho forte ou
fraco também pode impactar a confiança do mercado no banco, e, por conseguinte, seu
acesso à captação. O principal indicador, lucro operacional/ativos com risco ponderado, tem o
maior poder de explicação para os fatores de score dos resultados e da lucratividade porque
captura a capacidade de o banco gerar lucros recorrentes em comparação com os riscos que
assume. Os indicadores complementares receita líquida de juros/média de ativos geradores de
receitas, despesas não-financeiras/receita bruta e despesas com atrasos de crédito e de
títulos/lucro operacional antes de provisão fornecem informações importantes sobre os
elementos dos principais indicadores.

Fatores Implícitos de Resultados & Lucratividade


Fatores de Score Implícitos aa a bbb bb b & abaixo
Ambiente Operacional Lucro Operacional/Ativos Ponderados pelo Risco
aa ≥3,75% ≥1,5% ≥0,5% ≥-0,25% <-0,25%
Principais Índices de a ≥4% ≥2% ≥0,75% ≥0% <0%
bbb ≥4,25% ≥1,5% ≥0,25% <0,25%
Lucratividade bb ≥4,75% ≥1,25% <1,25%
Indicador Principal b & abaixo ≥5% <5%
Lucro operacional/ativos com risco Fonte: Fitch
ponderado (%)
Indicadores Complementares
Receita líquida de Ajustes no Score Implícito de Resultados & Lucratividade
intermediação/média ativos geradores
de receita (%)
Despesa não-financeira/receita bruta A Fitch pode efetuar ajustes no score implícito de resultados & lucratividade de um banco,
(%) conforme decorrentes da matriz na figura acima, pelas seguintes razões:
Encargos com provisionamento de
créditos e títulos/lucro operacional
antes do provisionamento (%)
Cálculo da Ponderação de Risco: A Fitch tanto pode considerar que o número dos ativos
Lucro operacional/média total ativos ponderados pelo risco está superestimando ou subestimando os riscos de um banco, por
(%) exemplo, devido à modelagem agressiva ou conservadora. Nesses casos, a agência também
Lucro líquido/patrimônio médio (%)
usará o índice complementar lucro operacional/média do total de ativos ao avaliar a
Fonte: Fitch
rentabilidade de um banco.

Retorno sobre o Patrimônio: Quando um banco gera regularmente receitas/perdas não-


operacionais significativas, ou quando a alavancagem é maior/menor que a dos pares, o índice

Metodologia Global de Rating de Bancos 39


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

complementar lucro líquido/patrimônio médio pode proporcionar informações adicionais


significativas sobre o desempenho do banco. Um retorno sobre o patrimônio relativamente alto
indica geração de capital interna mais forte e retorno razoável para os acionistas, promovendo
a continuidade do perfil de negócios do banco. Por outro lado, um retorno sobre o patrimônio
baixo indicaria geração interna de capital fraca e, potencialmente, um modelo de negócios
insustentável. Quando um banco reporta outro lucro abrangente significativo positivo ou
negativo, a agência poderá agregar este ao lucro líquido para avaliar o desempenho.

Diversificação de Receitas: A Fitch poderá avaliar mais favoravelmente o desempenho de


um banco quando as receitas operacionais forem mais diversificadas que a dos pares. A
dependência de uma única linha de negócios ou de um único fluxo de receitas poderá afetar
negativamente a avaliação da agência.

Estabilidade dos Resultados: Um ajuste positivo poderá ser efetuado no score dos
resultados e da lucratividade quando os resultados se comprovarem estáveis ao longo de um
ciclo, ou quando o desempenho recente sugerir melhora sustentável em comparação com a
média do banco em quatro anos. Por outro lado, a alta volatilidade dos resultados, ou o
recente enfraquecimento estrutural do desempenho poderá levar a um ajuste negativo.
Determinados modelos de negócios ou especializações de classes de ativos também podem
ser mais vulneráveis a mudanças cíclicas no desempenho, até mesmo se estas não tiverem
sido observadas até então; nesses casos, os dados reportados recentemente podem não ser
sustentáveis ou representativos do desempenho esperado ao longo de um ciclo e a Fitch pode
ajustar os resultados e o score do desempenho para baixo.

Indicadores Históricos e Futuros: A Fitch pode considerar os indicadores de desempenho


históricos como não sendo indicadores confiáveis de métricas futuras, por exemplo, devido a
mudanças na estratégia ou nas operações do banco; ou porque fusões, aquisições ou
alienações podem ter impacto material na lucratividade do grupo; porque as expectativas
econômicas da agência se desviam significativamente das condições passadas; ou devido ao
fato de os indicadores de desempenho recente corresponderem a uma parte particularmente
favorável ou desfavorável do ciclo de crédito.

Capitalização e Alavancagem:
A qualidade e o tamanho absoluto do capital de um banco e sua adequação de capital (isto é, o
tamanho de seu capital em comparação a seus riscos) são considerações fundamentais para a
avaliação da situação creditícia. Adequação de capital fraca pode neutralizar outros fatores do
Principais Índices de RV e exercer considerável pressão no RV. O capital social proporciona um colchão para
Capitalização e absorção de perdas não provisionadas, inesperadas e permite que o banco continue em
Alavancagem operação e evite falhas. O principal indicador, Núcleo de Capital Fitch/Ativos Ponderados pelo
Indicador principal Risco tem maior condição de explanar os fatores de score de capitalização e alavancagem
Núcleo Capital Fitch/ativos ponderados porque compara o capital principal com absorção de perdas do banco aos riscos que ele assume.
pelo risco (%)
Indicadores Complementares
Índice de Alavancagem do Basileia (%) Fatores de Score Implícitos de Capitalização & Alavancagem
Patrimônio Tangível/ativos tangíveis Score de Fatores Implícito aa a bbb bb b & abaixo
(%)
Índice do núcleo de capital regulatório Ambiente operacional Núcleo de Capital Fitch/ativos com risco ponderado
nível 1(CET1) (%) aa ≥16% ≥10% ≥8% ≥6% <6%
Geração interna de capital (%) a ≥18% ≥14% ≥9% ≥7% <7%
Créditos em atraso menos provisão bbb ≥19% ≥13% ≥8% <8%
para créditos em atraso/Núcleo de bb ≥20% ≥12% <12%
Capital Fitch (%) b & abaixo ≥22% <22%
Fonte: Fitch Fonte: Fitch

Metodologia Global de Rating de Bancos 40


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Ajustes nos Fatores de Score Implícitos de Capitalização & Alavancagem


Principais Índices de
A Fitch pode efetuar ajustes no score implícito de capitalização & alavancagem de um banco,
Captação e Liquidez
Principal Indicador
conforme reportado na matriz da tabela da página 43, pelas seguintes razões:
Créditos/depósitos de clientes (%)
Indicadores Complementares Cobertura de Provisionamento e Valorização dos Ativos: Pode se tornar necessário um
Índice de Cobertura da Liquidez (%)
ajuste de capital de modo a refletir qualquer subprovisionamento ou sobreprovisionamento
Depósitos de Clientes/Captação total
(excluindo derivativos: %) significativo de ativos em atraso, conforme capturado no indicador complementar créditos em
Fonte: Fitch atraso menos provisionamento para créditos em atraso/Núcleo de Capital Fitch. Valorizações
(-) Ágio e outros intangíveis agressivas ou conservadoras de ativos que estão em situação regular também ou grandes
(+/-) Ajustes pelo valor justo relativo ao volumes de ativos de maior risco (por exemplo, bens não de uso) podem afetar a avaliação da
risco de crédito próprio sobre a dívida
Fitch sobre a capitalização.
emitida
(-) Participações no capital de
seguradoras afiliadas Cálculo da Alavancagem e da Ponderação de Risco: A Fitch pode considerar que o número
(-) Exposições à série primeiras dos ativos ponderados pelo risco está superestimando ou subestimando os riscos de um
perdas mantida fora do balanço
(+) Recursos para riscos gerais do banco, por exemplo, por causa da modelagem agressiva ou conservadora. A modelagem se
banco se já não incluídos e baseia no desempenho histórico, que nem sempre é um bom indicador do futuro. Por isso, a
prontamente conversíveis a patrimônio
Fonte: Fitch Fitch também considera a alavancagem de um banco, conforme refletida nas métricas
complementares do índice de alavancagem do BIS, quando disponíveis e no índice Patrimônio
Tangível/Ativos Tangíveis. Quando a alavancagem estiver alta ou baixa em comparação com
os pares, em grau que ultrapasse o que foi sugerido pelos índices FCC relativos, a Fitch
poderá ajustar o score de capitalização e alavancagem do banco para baixo ou para cima.

Geração Interna de Capital e Crescimento: A Fitch poderá ajustar o score de capitalização e


alavancagem para baixo quando a geração interna de capital de um banco, conforme refletida
no indicador complementar de geração interna de capital estiver fraco, ou a taxa de
crescimento esperado do banco estiver alta, de modo a refletir o provável efeito negativo que
isto terá nos indicadores de capital. Por outro lado, uma forte geração interna de capital, ou
baixo crescimento podem resultar em ajuste positivo no score de capitalização e alavancagem.

Capitalização Regulatória: Quando o índice de capital regulatório de um banco está próximo


aos patamares mínimos, isso pode reduzir significativamente sua flexibilidade financeira,
impactar a confiança do mercado no banco e aumentar o risco de alguma forma de
intervenção regulatória. Nos casos em que a capitalização regulatória é mais apertada, ou
mais confortável do que o índice FCC sugere, a agência pode ajustar o score de capitalização
e alavancagem do banco proporcionalmente. A capitalização regulatória é capturada no
indicador complementar índice de capital regulatório CET1 e em outros índices de capital
regulatório.

Capital Não-Principal com Absorção de Perdas: A Fitch considera o grau em que o capital
66
não-principal pode absorver perdas antes que um banco se torne não-viável. Um amplo
colchão de ações preferenciais estatais, ou qualquer outro capital de alta qualidade, híbrido
com gatilho elevado pode levar a agência a ajustar para cima o score de capitalização e
alavancagem de um banco.

Concentrações: A existência de exposições a altas concentrações de


tomadores/contrapartes, setores ou classes de ativos únicos poderá aumentar a
vulnerabilidade do capital a flutuações no desempenho dos ativos. Por outro lado, uma boa
diversificação da carteira pode ser um fator moderadamente positivo para a avaliação da
capitalização e alavancagem.

66
Capital não-principal, que absorva perdas antes de o banco se tornar não-viável (normalmente
chamados instrumentos de capital ‘going concern’), podem ser considerados na avaliação do
score de capitalização & alavancagem pela Fitch, e portanto, do RV do banco, mas não serão,
então ‘considerados em duplicidade’ ao considerar uma possível elevação do IDR de Longo Prazo
do banco a partir do seu RV. O capital que absorve perdas somente quando é atingido o ponto de
não-viabilidade (normalmente chamados instrumentos de capital ‘gone concern’) não beneficiará
diretamente o RV do banco, mas pode contribuir para uma possível elevação do IDR de Longo
Prazo do banco acima de seu RV (veja Seção I.1).

Metodologia Global de Rating de Bancos 41


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Porte: Uma base de capital pequena (em termos absolutos) pode deixar uma instituição mais
vulnerável a eventos imprevistos, especialmente quando há concentrações de risco, mesmo
se os índices de capital forem relativamente fortes. Isso pode resultar no ajuste do score de
capitalização & alavancagem de um banco para baixo. Uma ampla base de capital (em termos
absolutos) poderá ser moderadamente positiva para a avaliação.

Fungibilidade: A Fitch poderá ajustar o score de capitalização e alavancagem de um banco


controlador quando ele contar com um número relevante de subsidiárias, em particular
estrangeiras, e houver restrições significativas às transferências de capital dentro do grupo. O
enfraquecimento dos índices de capital individuais de um banco, mais do que os do grupo, em
bases consolidadas, aumentaria a probabilidade desse ajuste.

Suporte Ordinário: O score de capitalização e alavancagem poderá ser ajustado para cima
quando a Fitch acreditar que o controlador(es) do banco prestaria suporte “ordinário” ao
capital, isto é, para apoiar o crescimento, conforme necessário. Por exemplo, um banco
controlador poderá manter índices de capital bastante apertados em uma subsidiária, mas
estar comprometido em injetar capital, quando necessário.

Flexibilidade do Capital: Quando um banco tiver capacidade forte/fraca de acesso aos


mercados de capitais em comparação com seus pares, caso necessário, isto poderá resultar
em ajuste positivo/negativo do score de capitalização e alavancagem.

Aumento (ou Distribuição) de Capital: A Fitch poderá ajustar o score de capitalização e


alavancagem para refletir o aumento ou distribuição de capital (ou as expectativas destes) que
ocorreram após a data do último relatório financeiro.

Apetite por Risco e Modelo de Negócio: Certos modelos de negócios ou especializações de


classes de ativos podem ser mais vulneráveis às mudanças cíclicas do desempenho, de tal
forma que um colchão maior de capital se torna necessário para atingir um determinado score
de capitalização e alavancagem. Por outro lado, poderá ser efetuado um ajuste positivo
quando o desempenho se comprovar estável ao longo de um ciclo.

Indicadores Históricos e Futuros: A Fitch poderá considerar os indicadores de capitalização


mais recentemente reportados como não sendo confiavelmente indicativos de métricas
Principais Índices de futuras, por exemplo, devido a mudanças na estratégia ou nas operações do banco; devido a
Captação e Liquidez fusões, aquisições ou alienações podem ter impacto material no perfil do grupo; ou por causa
Indicador Principal: de alterações previstas no desempenho da qualidade de ativos do banco ou em sua
Créditos/depósitos de clientes (%)
Ativos interbancários/passivos lucratividade.
interbancários (%)
Indicadores Complementares Captação e Liquidez
Índice de Cobertura da Liquidez (%) Uma falta de liquidez sem solução é, frequentemente, o catalisador imediato das falhas dos
Depósitos de clientes/captação total
(excluindo derivativos; %) bancos. A análise da Fitch enfatiza a capacidade de o banco sustentar sua posição de liquidez
Fonte: Fitch e a estabilidade de sua captação. O principal, indicador créditos/depósitos de clientes tem a
capacidade de explicar melhor os fatores de score de captação & liquidez, porque é o único e
melhor indicador do casamento entre os ativos e a captação de um banco e, assim sendo, da
potencial vulnerabilidade de sua liquidez.

Metodologia Global de Rating de Bancos 42


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Fatores de Score Implícitos de Captação & Liquidez


Fatores de Score Implícito aa a bbb bb b & abaixo
Ambiente operacional Créditos/depósitos de clientes
aa ≤75% ≤125% ≤190% ≤250% >250%
a ≤60% ≤90% ≤150% ≤200% >200%
bbb ≤55% ≤125% ≤170% >170%
bb ≤50% ≤140% >140%
b & abaixo ≤45% >45%
Fonte: Fitch

Ajustes aos Fatores de Score Implícitos de Captação & Liquidez

A Fitch poderá efetuar ajustes no score implícito de captação & liquidez de um banco,
conforme extraído pela matriz na tabela “Fatores de Score Implícitos de Captação & Liquidez”,
pelas seguintes razões:

Cobertura da Liquidez: A cobertura forte ou fraca dos passivos de curto prazo de um banco
pelos ativos líquidos, conforme parcialmente refletida no indicador complementar Índice de
Cobertura da Liquidez, poderá resultar em ajuste positivo ou negativo do score de captação &
liquidez. A agência considerará o volume, qualidade e encargos dos ativos líquidos do banco e
sua posição de liquidez além dos trinta dias cobertos pelo Índice de Cobertura pela Liquidez,
ao efetuar esta avaliação.

Captação Não Proveniente de Depósitos: A dependência relativamente alta de captação


não proveniente de depósitos, conforme capturada pelo índice complementar depósitos de
clientes/captação total (excluindo derivativos) pode levar a um ajuste negativo do score de
captação & liquidez, quando a Fitch considerar que a captação não proveniente de depósitos
representa um ponto de vulnerabilidade (por exemplo, empréstimos de curto prazo que não
estejam financiando ativos líquidos de curto prazo de forma apropriada). Ao avaliar os riscos
associados à captação de um banco no atacado, a agência considerará sua estrutura de
prazos, diversificação por fonte e a confiabilidade do acesso ao mercado. Captação de longo
prazo estável, por exemplo, devido a um bem-estabelecido acesso ao mercado, ou a
predominância de linhas intragrupo, poderá resultar em ajuste positivo do score de captação e
liquidez. Por outro lado, quando o índice créditos/depósitos do banco é relativamente baixo,
parcialmente porque ele não tem acesso à captação não proveniente de depósitos, seu score
implícito de captação e liquidez poderá ser ajustado negativamente.

Estrutura de Depósitos: O score de captação e liquidez poderá ser ajustado com base em
uma avaliação qualitativa da base de depósitos e de sua esperada estabilidade. Por exemplo,
uma base de depósitos altamente concentrada, ou a dependência de depósitos não-principais,
ou do aumento dos depósitos movidos por preço, poderá resultar em ajuste negativo. Por
outro lado, uma base de depósitos pulverizada, estável será positiva, particularmente se o
banco, na opinião da agência, puder ser beneficiado pela fuga para a qualidade em uma crise
sistêmica.

Liquidez em Moeda Estrangeira: O score de captação & liquidez de um banco poderá ser
ajustado negativamente quando a cobertura dos passivos em moeda estrangeira pela liquidez
em moeda estrangeira for fraca, particularmente quando for difícil para o banco converter
moeda local em moeda estrangeira, quando necessário.

Fungibilidade: A Fitch poderá ajustar negativamente o score de captação e liquidez de um


banco quando ele contar com um número relevante de subsidiárias, particularmente
estrangeiras, e houver restrições substanciais às transferências de liquidez dentro do grupo.
Índices de liquidez e captação individuais mais fracos, do banco, do que do grupo em bases
consolidadas, aumentará a probabilidade de um ajuste desta ordem.

Suporte Ordinário: O score de captação e liquidez poderá ser ajustado positivamente quando

Metodologia Global de Rating de Bancos 43


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

a Fitch acreditar que o controlador do banco, ou outras entidades do grupo poderá prestar
suporte “ordinário” à captação e liquidez, se necessário. Por exemplo, um banco controlador
poderá manter índices de liquidez bem apertados em uma subsidiária, mas estar
comprometido em prestar suporte à captação, quando necessário.

Acesso Contingente: A capacidade relativamente forte (ou fraca) de acesso à liquidez


contingente, por exemplo, como resultado de mercados de recompra profundos e líquidos
(inclusive de fontes oficiais) poderá resultar em ajuste positivo do score de captação e liquidez.
Uma dependência indevida da captação do banco central, isto é, a incapacidade de um banco
levantar recursos por si só, poderá resultar em ajuste negativo.

Indicadores Históricos e Futuros: A Fitch poderá considerar os indicadores históricos de


captação e liquidez como um parâmetro não confiável de indicadores futuros, por exemplo,
devido a mudanças na estratégia ou nas operações do banco, ou devido ao fato de que
fusões, aquisições ou alienações podem ter impacto relevante na estrutura do balanço
patrimonial.

III. Suporte
Quando os bancos falham ou estão falhando, eles normalmente não se tornam inadimplentes,
mas, em vez disso, recebem suporte extraordinário, que lhes permite continuar cumprindo
suas obrigações. Suporte extraordinário é mais frequentemente fornecido apenas no ponto de
falha ou um pouco antes. Em outras circunstâncias, apoio extraordinário pode ser fornecido de
forma preventiva para evitar uma eventual inadimplência, por exemplo, quando a solvência de
um banco está se enfraquecendo e os indicadores de capital regulatório estão considerados
em zonas de “colchão". Conforme indicado na Seção I deste relatório, as formas mais usuais
de suporte são os acionistas do banco (suporte institucional) e as autoridades governamentais
(suporte soberano). A opinião da Fitch sobre a probabilidade de suporte externo se tornar
disponível, caso necessário, está refletida no Rating de Suporte de uma entidade. Quando a
agência acredita que a forma mais provável de suporte seja o suporte soberano, isso também
estará refletido no Piso de Rating de Suporte do banco (PRS). A Seção III.1 abaixo foca o
suporte soberano e a Seção III.2 o suporte institucional.

III.1. Suporte Soberano


Ao avaliar a probabilidade de suporte do governo a um banco, o principal foco da Fitch está
normalmente na potencial assistência das autoridades nacionais do país onde o banco está
domiciliado. Isso porque as autoridades nacionais são aquelas que mais provavelmente
contarão com incentivo para evitar que a entidade se torne inadimplente e com poderes
regulatórios e legais para intervir. Entretanto, em raros casos, a Fitch também pode avaliar a
possibilidade de o suporte vir a ser disponibilizado a um banco que esteja falhando, a partir da
combinação das autoridades soberanas nacionais e de instituições públicas internacionais.

A Fitch reconhece que existem, frequentemente, consideráveis incertezas em relação a se um


banco receberia suporte, caso necessário. As decisões sobre o suporte a banco são
frequentemente políticas, tomadas com relativa pressa e são normalmente movidas pelos
custos e benefícios perceptíveis de suportar (ou não) um determinado banco em
circunstâncias específicas. Os PRSs refletem apenas a opinião da agência sobre o potencial
suporte soberano, embora a agência analise a legislação relevante e a regulamentação e
mantenha contato, sempre que possível, com representantes do governo para conhecer sua
abordagem em relação à prestação de suporte ao setor bancário.

Ao avaliar a probabilidade de suporte soberano, a análise da Fitch foca tanto a capacidade,


como a propensão de o soberano prover suporte. A propensão é considerada tanto em relação
ao ponto de vista sobre o suporte ao setor bancário, em geral, como à intenção de prestar
assistência a um banco específico, classificado. A Fitch também considera separadamente o
impacto dos vínculos do banco com o governo na propensão de suporte.

Metodologia Global de Rating de Bancos 44


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

III.1.1 Capacidade de o Soberano Prover Suporte


Importância dessa Avaliação: Para um banco receber suporte do governo, o soberano deve,
por definição, ter condição e disposição de provê-lo. Quando a capacidade de o soberano
prestar suporte for mais limitada, o suporte será normalmente menos provável, resultando em
Ratings de Suporte e em Pisos de Rating de Suporte mais baixos.

Ratings Soberanos e Pisos de Rating de Suporte


Rating Soberano PRSs Típicos de D-SIBsa em caso de alta propensão de suporte
AAA, AA+ A+ a A
AA, AA A ou A
Categoria A 1-2 graus abaixo do rating soberano
Categoria BBB 0-2 graus abaixo do rating soberano
Categoria BB 0-1 grau abaixo do rating soberano
Categoria B e abaixo Igualados ao rating soberano
a
Bancos locais importantes para o sistema
Fonte: Fitch

Ao avaliar a capacidade de um governo prover suporte ao setor bancário, o ponto de partida


da Fitch são os próprios ratings do soberano. Embora os ratings do soberano reflitam a opinião
da agência apenas sobre a probabilidade de o governo suportar sua própria dívida, na prática,
isso está intimamente relacionado à sua flexibilidade financeira mais ampla, e por isso, à sua
capacidade de prestar suporte ao setor bancário. Desta forma, em mercados onde a agência
considere alta a propensão de o governo prover suporte ao seu sistema bancário,
normalmente há estreita correlação entre o nível do rating soberano e os PRSs dos bancos
locais importantes para o sistema (D-SIBs). Os típicos PRSs desses bancos em cada nível de
rating soberano estão delineados na tabela acima. As orientações da Fitch para identificar um
banco como D-SIB estão descritas na Seção III.1.3 Propensão de Prover Suporte a Bancos
Específicos.

O restante desta Seção sobre a capacidade soberana de prestar suporte e a próxima Seção
sobre a propensão de as autoridades proverem suporte descrevem os fatores que determinam
quando a Fitch atribuirá PRSs a D-SIBs dentro das faixas indicadas na tabela acima, e que
também podem levar a agência a atribuir PRSs a D-SIBs fora destas faixas. Em alguns casos,
a agência pode avaliar que a importância de um fator claramente ultrapassa outros, resultando
na atribuição de PRSs em níveis significativamente mais baixos do que aqueles visualizados
na tabela acima. Exemplos disso são quando um regime de resolução confiável tiver sido
estabelecido, o histórico de um soberano sugere claramente baixa propensão a prestar
suporte, o estabelecimento de um convincente regime de resolução, ou casos em que a
capacidade de o soberano prover suporte esteja severamente limitada pelo tamanho do
sistema bancário.

Metodologia Global de Rating de Bancos 45


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Principais Fatores na Atribuição de Pisos de Rating de Suportea


Fator Positivo (PRS Mais Negativo (PRS Mais
Altos) Neutro Baixos)
Tamanho do Pequeno Médio Grande
sistema bancário
em relação à
economia
Tamanho do Baixa vulnerabilidade Vulnerabilidade Vulnerabilidade alta a
potencial problema a grandes perdas em moderada a grandes grandes perdas em
retrações perdas em retrações retrações
Estrutura do Baixa concentração, Moderada Alta concentração;
sistema bancário de controle acionário, concentração; algum controle limitado por
principalmente por controle por acionistas acionistas fortes
acionistas fortes fortes
Estrutura do Predominantemente Moderada instabilidade Considerável captação
Capacidade Soberana de prover

passivo do sistema de longo prazo / da captação e/ou de curto prazo em


bancário captação estável em passivos em moeda moeda estrangeira.
moeda local. Superior estrangeira. Média (ie. Fraco (ie. dívida alta,
(ie. baixa dívida, dívida média e/ou baixas reservas
grandes reservas satisfatório acesso ao cambiais e/ou incerteza
suporte

cambiais e/ou bom mercado) de acesso ao mercado)


acesso ao mercado)
Declarações de Consistentes Nenhuma, ou Consistentes
suporte do governo declarações fortes de declarações de suporte declarações de
suporte ao sistema amplamente favoráveis intenção de reduzir o
valor da dívida (bail in)
aos credores seniores
Importância Excepcionalmente alta Forte relevância para o Moderada ou baixa
Sistêmica importância sistêmica sistema bancário e a relevância sistêmica;
e risco de contágio; economia; elevado risco risco de contágio mais
participações de de contágio. limitado.
mercado dominantes

Controle Acionário Controle acionário Controle acionário não Controle estrangeiro ou


público estratégico ou estratégico ou acionistas locais com
acionistas privados acionistas com fracas relações com o
locais com forte nenhuma relação ou governo
relação com o governo com relação difícil com
o governo

Específico à falha n.a. Controle acionário não Risco significativo de


prestar suporte ao

de banco estratégico ou falha poderia resultar


soberana de

acionistas com de enfraquecimento na


Propensão

sistema

nenhuma relação ou governança


com relação difícil com corporativa.
o governo

Metodologia Global de Rating de Bancos 46


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Principais Fatores na Atribuição de Pisos de Rating de Suporte


(Continuação)a
Importância sistêmica Importância sistêmica Forte relevância para o Moderada ou baixa
excepcionalmente alta sistema bancário e para importância sistêmica;
e risco de contágio; a economia; alto risco risco de contágio mais
participações de de contágio limitado

Propensão soberana de prover suporte ao banco


mercado dominantes

Estrutura de passivos Muito limitada, mas Significativos recursos Elevados recursos


do banco politicamente estrangeiros / de estrangeiros/no
aceitável, se houver, atacado, que podem atacado, que podem
possibilidades de tornar politicamente tornar politicamente
redução do valor da aceitável a redução do aceitável a redução do
dívida (bail in) pelos valor da dívida (bail-in) valor da dívida (bail-in)
credores seniores em algumas em muitos cenários
circunstâncias
Controle Controle estratégico Controle governamental Controle estrangeiro ou
do governo ou de não-estratégico ou doméstico, com fracas
controladores privados controladores relações com o
domésticos com fortes domésticos sem governo
relações no governo. relações com o
governo, sejam
próximas ou difíceis
Especificidades da n.a. Mais provável falharem Risco significativo de
falha do banco em função das que a falha poderá
atividades operacionais resultar de pontos
normais fracos na governança
corporativa
a
Os fatores identificados nesta tabela determinam os níveis de PRSs em relação às faixas indicadas em “Ratings
Soberanos e Pisos de Rating de Suporte”. Para cada fator, outras considerações relevantes podem existir e que não
estejam explicitamente mencionadas aqui.
Fonte: Fitch

Ao avaliar a capacidade de o governo prestar suporte, a análise da Fitch vai além dos ratings
soberanos. Embora estes últimos estejam, em geral, estreitamente correlacionados à
capacidade de suporte das autoridades, eles podem nem sempre proporcionar um bom reflexo,
devido aos fatores relacionados abaixo.

Porte do Sistema Bancário: Quando um sistema bancário é muito grande (ou pequeno), as
autoridades podem ter menor (ou maior) capacidade de prestar suporte suficiente, caso
necessário, do que o rating soberano possa sugerir. Ao avaliar o tamanho do sistema bancário,
a Fitch geralmente considerará os créditos do banco/PIB, ou algum indicador mais amplo das
exposições do banco/PIB (quando a agência acreditar que os bancos podem incorrer perdas
significativas fora de suas carteiras de crédito). Entretanto, as considerações relativas ao
tamanho do potencial problema no setor bancário, e a estrutura do sistema (veja abaixo),
podem consideravelmente compensar o tamanho do setor ao avaliar a capacidade de o
soberano prestar suporte.

Ao avaliar a capacidade soberana de prestar suporte aos bancos de um país, a Fitch pode
também considerar, quando relevante, o suporte que pode vir a ser necessário a outras
instituições financeiras no país, tais como distribuidoras de valores, seguradoras ou fundos
nos mercados de capitais, ou a empresas não-financeiras estrategicamente importantes/sob
controle governamental. A agência pode avaliar se a potencial necessidade de prestar suporte
a essas entidades não-bancárias pode afetar negativamente a capacidade soberana de
prestar suporte aos seus bancos.

Tamanho do Potencial Problema: Embora o tamanho de um sistema bancário seja um fator


importante na avaliação da escala do potencial suporte do governo que poderá vir a ser
necessário durante uma crise, não há relação linear entre o tamanho do sistema e as

Metodologia Global de Rating de Bancos 47


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

potenciais necessidades de suporte. Uma razão para isso é que os índices créditos/PIB são
por si só bastante relacionados ao nível de desenvolvimento econômico em um país, e os
mercados mais desenvolvidos tendem a ter menos volatilidade econômica e, por essa razão,
no desempenho do setor bancário, implicando necessidades de suporte mais moderadas em
uma retração. Isso significa que os PRSs podem permanecer bastante altos em relação aos
ratings soberanos em mercados desenvolvidos, onde a Fitch espera desempenho
econômico/bancário do setor bastante estável ao longo do tempo, mesmo onde os sistemas
bancários são bem grandes em relação ao PIB.

Entretanto, quando um sistema bancário tiver crescido rapidamente e a Fitch acreditar que ele
acumulou grande volume de elevadas exposições a risco que podem resultar em grandes
perdas em uma retração, os PRSs podem ser diminuídos, de modo a refletir o fato de que a
escala dos problemas poderá exceder a capacidade de o soberano prestar suporte. Nesse
cenário, é possível que a agência possa rebaixar os RVs e PRSs de bancos simultaneamente,
refletindo os crescentes pontos fracos nos perfis individuais e a maior incerteza sobre a
capacidade de o soberano prestar suporte na escala necessária.

Estrutura do Sistema Bancário: A capacidade de o governo prover suporte a bancos locais


importantes para o sistema (D-SIBs) também dependerá da estrutura do sistema bancário.
Quando os D-SIBs compreenderem substancialmente todo o sistema, será mais oneroso, tudo
o mais sendo igual, para o soberano prestar suporte a eles, potencialmente exercendo
pressão para baixo nos PRSs. Por outro lado, em um sistema bancário fragmentado, em que
os bancos de menor porte respondem por uma proporção relevante dos ativos do setor, o
socorro (bailing out) aos poucos D-SIBs pode ser um pouco menos oneroso, sustentando os
PRSs em níveis mais altos.

A estrutura de controle do sistema bancário e a disponibilidade de suporte institucional para


alguns bancos do setor, também são importantes. Por exemplo, quando a maior parte do
sistema pertencer a bancos estrangeiros com ratings elevados, é provável que seja mais fácil
para as autoridades, se necessário, prover suporte às instituições que são controladas
localmente e que recorrerão primeiro ao soberano em busca de suporte, potencialmente
prestando suporte às entidades com PRSs em níveis mais altos. Ao mesmo tempo, um
sistema bancário principalmente sob controle estrangeiro e forte pode estar menos exposto ao
risco de contágio em caso de inadimplência individual de um banco local, potencialmente
enfraquecendo a propensão de suporte do soberano – veja III.1.3. Propensão de Prestar
Suporte a Bancos Específicos.

Estrutura de Passivos do Sistema Bancário: Os perfis de moeda e de vencimento da


captação dos bancos também podem afetar a capacidade de o soberano prestar suporte
suficiente. Quando um sistema bancário for maciçamente financiado por dívida externa de
curto prazo, por exemplo, a prestação de suporte pode ser mais onerosa porque poderá
envolver fluxos de saída de caixa em moeda estrangeira, potencialmente esgotando as
reservas cambiais do soberano.

Por outro lado, quando os recursos são basicamente domésticos, mais estáveis e
denominados em moeda local, a prestação de suporte não afetará as finanças externas do
país e pode até mesmo não envolver dispêndios de caixa no curto prazo em moeda local se o
governo puder sustentar os bancos por meio de medidas, tais como aportes da dívida do
governo, emissão de garantias de financiamentos e ofertas de formas de reforço de crédito
para os ativos dos bancos.

Flexibilidade Financeira do Soberano: Os propulsores específicos do perfil de crédito


soberano (em um determinado nível de rating) também podem afetar a avaliação da Fitch
sobre a capacidade de o estado prestar suporte ao sistema bancário. Por exemplo, quando a
dívida do próprio soberano já for bastante alta (embora o seu rating seja sustentado por pontos

Metodologia Global de Rating de Bancos 48


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

fortes em outras áreas, tais como o nível de desenvolvimento econômico e outras


características estruturais), pode ser mais difícil para ele incorrer dívida adicional necessária
para sustentar o sistema bancário do que o seu nível de rating poderia sugerir. Caso ao
assumir os custos de suporte ao banco em seu próprio balanço, o soberano arrisque perder a
confiança do mercado em seu próprio perfil de crédito, ou vir a enfrentar a queda de seu rating
de crédito para menos de um nível desejado (por exemplo, grau de investimento), sua
capacidade de prestar suporte ao setor bancário também pode se tornar significativamente
limitada. Baixas reservas cambiais do soberano em um país onde os bancos têm grandes
obrigações em moeda estrangeira também podem reduzir a capacidade de suporte ao setor
bancário.

Por outro lado, um governo com baixa dívida (mas cujo perfil de crédito global e ratings sofrem
devido a pontos fracos estruturais) pode, de alguma forma, estar mais capacitado a prestar
suporte aos seus bancos do que o nível do rating possa sugerir. Além disso, um soberano com
acesso muito bom ao mercado de dívidas, por exemplo, porque sua moeda é uma moeda
reserva, pode ter maior flexibilidade financeira e, por isso, estar relativamente melhor
capacitado a prestar suporte a seus bancos, se necessário.

III.1.2 Propensão a Prestar Suporte ao Setor Bancário


Importância dessa Avaliação: Ainda que um soberano seja capaz de prover suporte ao seu
setor bancário, esse suporte dependerá da propensão de as autoridades prestá-lo. Embora as
crises bancárias possam às vezes forçar o governo, tornando difícil deixar de prover suporte,
na prática há normalmente uma decisão política a ser tomada, se um sistema ou uma
instituição em particular receberá assistência. Em geral, essas decisões são tomadas em
âmbitos nacionais. Os seguintes fatores são importantes para a avaliação da Fitch sobre a
propensão de um governo prestar suporte aos seus bancos.

Resolução Bancária: A adoção de legislação que proporcione instrumentos de liquidação


de bancos que possam impor perdas aos credores seniores, mais do que socorros (bail-
outs) aos contribuintes, será um importante sinal da determinação das autoridades em não
prestar suporte soberano a bancos. Em países que adotaram essa legislação e nos quais
as autoridades expressaram a clara intenção de adotá-la, a agência normalmente adotará a
opinião de que não se pode mais contar com o suporte aos bancos, mesmo que este ainda
seja possível.

Entretanto, nem sempre a Fitch removerá o suporte soberano de todos os ratings de


bancos em jurisdições que adotaram a legislação de resolução bancária, gerando perdas
aos credores seniores embora ainda proporcionando às autoridades de resolução a
possibilidade de prestar suporte a bancos sem impor perdas aos credores seniores.
Também poderão ainda existir significativos problemas práticos que dificultem a
implementação de socorro aos credores, mais claramente relacionados aos riscos de
contágio que podem surgir para outros bancos no mesmo mercado, em caso de
inadimplência em um banco.

Por outro lado, quando há forte determinação política (ou simplesmente uma necessidade
urgente) de socorrer credores, a ausência da legislação de resolução pode frequentemente
ser corrigida bem rapidamente, por meio da adoção de novas leis emergenciais (ou
simplesmente inibida pela estruturação criativa do processo de resolução).

Histórico: Os credores de bancos são relativamente mais propensos a sofrer perdas nas
jurisdições em que eles foram socorridos no passado, em especial quando isso tiver ocorrido
com relativo sucesso, sem deslocamentos significativos para o sistema bancário como um
todo. Assim, nesses países é mais provável que a Fitch atribua PRSs mais baixos do que o
sugerido no mapeamento em “Ratings Soberanos e Pisos de Rating de Suporte”. Ao mesmo
tempo, a Fitch reconhece que as falhas/crises de dois bancos nunca são iguais e considerará

Metodologia Global de Rating de Bancos 49


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

cuidadosamente se os fatores que levaram ao socorro junto a um credor, anteriormente,


também são provavelmente relevantes no caso de repetidas crises.

Por outro lado, quando as autoridades do governo tiverem sido historicamente muito
consistentes em seu suporte ao sistema bancário, e ainda não estiver evidente nenhuma
mudança clara na posição de suporte, a agência provavelmente continuará avaliando a
propensão de suporte como alta. Muitos dos importantes mercados emergentes caem nessa
categoria, inclusive os membros do Conselho de Cooperação do Golfo, a China, Índia e outros
países com elevado controle governamental sobre o sistema bancário e/ou estreitas relações
entre o estado e os bancos de maior porte.

Declarações do Governo: A Fitch também considerará declarações fortes e claras do


governo sobre a disposição de socorrer credores de bancos que falharam na avaliação da
propensão de um soberano prover suporte a bancos. Por outro lado, declarações semelhantes
fortes em favor da continuidade de suporte a um banco, por exemplo, em determinados
mercados emergentes, podem ajudar a manter os PRSs em níveis mais altos.

O peso que a agência atribui a essas declarações dependerá, dentre outros pontos, da
consistência da mensagem nos diferentes responsáveis políticos e ao longo do tempo, além
do potencial de mudança do governo, de curto a médio prazo, possivelmente diminuindo a
relevância das atuais declarações políticas. Em todo o caso, os PRSs da Fitch refletem
apenas a opinião da agência sobre o suporte, e não resultará definitivamente das declarações
do governo, se feitas publicamente ou diretamente à Fitch.

III.1.3 Propensão de Prestar Suporte a Bancos Específicos


Importância dessa Avaliação: Mesmo quando um soberano é capaz de prestar suporte e, na
opinião da Fitch, tem forte propensão, em geral, de fazê-lo, a decisão de ajudar a um banco
em particular deve provavelmente refletir o perfil e as circunstâncias específicas da instituição
em questão. A Fitch foca, em particular, as áreas descritas abaixo, ao avaliar a propensão de
suporte a bancos comerciais. A Seção III.1.4 Bancos de Missão Pública abaixo descreve a
abordagem da agência ao avaliar o suporte a bancos de missão pública.

Importância Sistêmica: De longe, o fator mais importante na determinação do PRS de um


banco específico em relação a outros, no sistema, é a sua importância sistêmica. Quanto mais
importante for um banco para o sistema como um todo, é mais provável que ele receba
suporte, resultando na atribuição de um PRS mais alto. Para fins de atribuição de seus PRSs e
determinação se um banco deve ser tratado como um D-SIB, a Fitch considera os seguintes
pontos:
 Participações de mercado: Se as participações de mercado do banco em créditos e/ou
depósitos forem superiores a 10%, a Fitch normalmente considera a instituição um banco
doméstico importante para o sistema (D-SIB), a menos que a estrutura do setor e outros
fatores signifiquem que mesmo com estas participações de mercado relevantes a
importância sistêmica da instituição é um pouco limitada;
 Interligação: A Fitch considera a interligação de bancos no setor e a escala (e
transparência) da exposição de outros bancos ao banco em questão. A agência analisa a
escala de perdas que outros bancos podem sofrer em caso de inadimplência do banco
classificado, e se a incerteza sobre o grau dessas perdas pode resultar em perda de
confiança geral no setor. Quando um sistema é amplamente considerado fraco e a
inadimplência de um banco pode disparar um colapso da confiança de
credores/depositantes em outras instituições, a propensão de suporte de um governo
pode ser um pouco mais elevada. Por outro lado, quando um sistema bancário for
amplamente considerado estável, as autoridades podem mais facilmente impor perdas
aos credores de uma única instituição sem a elevação do risco de impacto negativo no
restante do sistema.
 Franquia regional ou de nicho: A Fitch também considera se um banco tem franquia
particularmente forte em uma região do país ou em uma área de produto importante. Isso
pode tornar o suporte mais provável, apesar de suas limitadas participações no mercado
nacional em créditos e depósitos.

Metodologia Global de Rating de Bancos 50


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

 Definições regulatórias: As autoridades ou a legislação nacionais alguns vezes


estabelecem critérios para definir um banco como sistemicamente importante, seja com o
propósito de definir a elegibilidade de suporte, ou para determinar que bancos devem
cumprir as exigências regulatórias mais estritas. A Fitch também pode considerar estes ao
estabelecer sua opinião sobre a probabilidade de suporte a uma instituição específica, em
particular na situação anterior.
Controle: O controle público de um banco comercial, em particular em mercados emergentes,
pode resultar no aumento pela Fitch da avaliação da probabilidade de suporte, levando à
atribuição de um PRS mais alto. Isso em função da natureza frequentemente estratégica dos
investimentos nesses bancos e dos potencialmente altos riscos de reputação tanto para o
governo (e seu acesso ao mercado de captação) e a políticos específicos em caso de
inadimplência. Entretanto, na maioria dos mercados desenvolvidos, o controle público de
bancos comerciais não é uma meta estratégica a longo prazo, sendo frequentemente
resultado de prévios socorros a bancos. Embora as autoridades normalmente tenham alguma
propensão a prestar suporte à reabilitação de um banco e recuperar importâncias investidas,
nesses casos a Fitch pode ainda concluir que o controle do governo não é um fator de alta
importância na determinação do PRS.

Quando um banco estiver sob controle estrangeiro, pode ser menos provável que ele seja
beneficiado pelo suporte do governo local, se necessário, pois o soberano local pode esperar
que o grupo de controle do banco preste suporte em lugar de utilizar o dinheiro dos
contribuintes em um socorro. Na opinião da Fitch, é mais provável que uma subsidiária que
seja administrada e se financie de forma relativamente independente de sua matriz seja
beneficiada pelo suporte soberano local, enquanto uma entidade que esteja altamente
integrada ao seu grupo controlador e tenha acessado captação com a ajuda de garantias da
matriz ou outros compromissos tenha normalmente menos probabilidade de receber suporte
do soberano local.

Quando o controle de um banco está concentrado nas mãos de um ou de alguns indivíduos ou


famílias, como é normalmente o caso em mercados emergentes, o suporte do governo pode
depender, significativamente, do relacionamento pessoal entre os executivos do governo e
acionistas. Quando estas relações são muito próximas – por exemplo, porque os acionistas do
banco são, eles mesmos, membros da elite governante ou têm laços de negócios com eles – a
Fitch pode considerar um suporte maior nos ratings de um banco. Por outro lado, quando há
claras indicações de que essas relações estão tensas, resultando em incerteza um pouco
maior em relação à prestação de suporte, o PRS pode ser atribuído em patamar mais baixo do
que seria assegurado com base unicamente na importância sistêmica do banco. Entretanto,
qualquer impacto das relações do governo/acionistas sobre o PRS será limitado pela natureza
potencialmente evolutiva dessas relações e o fato de que o suporte aos credores do banco
pode ser prestado com ou sem o socorro (bail-out) pelos acionistas do banco.

O potencial impacto do controle público no suporte aos bancos de missão pública é avaliado
na Seção III.1.4 Bancos de Missão Pública abaixo.

Estrutura do Passivo: A estrutura de captação de um banco pode também afetar a decisão


de um governo de como dissolvê-lo. Por exemplo, quando os recursos de um banco consistem
basicamente de depósitos domésticos, em particular, quando a maior parte destes está
segurada e precisará ser reembolsada, de qualquer forma, por um fundo de depósito de
seguros, poderá haver poucos credores que o governo possa legalmente socorrer ou que seria
politicamente aceitável socorrer, e isto possa prejudicar a análise do custo/benefício de prestar
suporte ao banco em lugar de reduzir o valor dos demais credores. O mesmo também poderia
se aplicar se um banco tiver um montante relevante de dívida garantida pelo governo que
possa ser acelerada em caso de inadimplência de outros passivos. Por outro lado, quando um
banco é fortemente financiado pelos mercados do atacado, particularmente por meio de
créditos estrangeiros, é provável que seja politicamente mais aceitável impor perdas aos
credores.

Metodologia Global de Rating de Bancos 51


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Detalhes Sobre a Liquidação de um Banco: Quando um banco falhou devido a severas


deficiências na governança corporativa ou administração de risco, e/ou quando o rombo no
balanço for particularmente grande, tornando menos provável que este possa facilmente
retomar à viabilidade ou ao curso normal de suas operações e reter a importância sistêmica
que tinha antes da falha, pode ser menos provável que um governo preste suporte. Isso,
porque a prestação de suporte pode ser um pouco menos aceitável politicamente e o custo
pode ser mais alto.

Por outro lado, é mais provável que o suporte seja disponibilizado quando um banco tiver sido
comparativamente bem administrado, mas tiver falhado por razões amplamente exógenas
relativas ao ambiente operacional mais amplo no mercado(s) em que o banco opera, ou tenha
potencialmente apenas problemas moderados de solvência, mas uma necessidade imediata
de suporte à liquidez.

Normalmente, de antemão é difícil determinar como poderia se mostrar uma falha de um


banco, mas a Fitch pode atribuir PRSs um pouco mais baixos a bancos, os quais acredite que
tenham significativos pontos fracos na governança ou cuja solvência possa estar altamente
vulnerável em um cenário negativo.

Quando um banco tiver falhado pela segunda vez e precisar de suporte não muito depois de
ter sido socorrido pela primeira vez, ele pode ter um negócio fundamentalmente inviável, que
poderá resultar em probabilidade mais baixa de suporte pela segunda vez. Ao mesmo tempo,
há vários bancos ou instituições financeiras, particularmente na União Europeia (UE), que
estão sujeitos a uma desalavancagem ordenada. Esses bancos podem dispor de mecanismos
legais que proporcionam suporte efetivo a credores seniores, ou que tenham estruturas de
passivo, características de controle ou até mesmo considerações de contágio do tipo discutido
acima, que possam influenciar positivamente a opinião da Fitch sobre a propensão de suporte.

III.1.4 Bancos com Missão Pública


Importância desta Avaliação: O papel de um banco de missão pública, o posicionamento e
quaisquer formas de fortalecimento oferecidas aos credores do banco podem ter um impacto
significativo na propensão de as autoridades proverem suporte. Consequentemente, os
bancos de missão pública são frequentemente classificados no mesmo nível, ou bem próximos,
ao de seus soberanos. Devido ao impacto de seu papel nas políticas de governo sobre suas
operações, eles também não têm probabilidade de contar com um RV, pois normalmente não
faz sentido analisar seus perfis de crédito em bases individuais. Ao avaliar a propensão de
suporte a um banco com missão pública, a agência foca, basicamente, os fatores relacionados
abaixo, mais do que aqueles listados na seção III.1.3 acima.

Papel em Missão Pública: A avaliação da Fitch sobre a propensão de o governo prestar


suporte é geralmente muito alta quando um banco tem um papel claramente definido em
missão pública ou função de agência. Isso pode aumentar o interesse do governo em que o
banco continue operando (de forma que o suporte à missão pública seja mantido). Pode
também aumentar a associação entre o banco e as autoridades e, desta forma, aumentar o
risco de reputação do governo se a assistência financeira não for prestada, se necessário.

A Fitch normalmente considera a propensão de prestar suporte a bancos com missão pública
a mais alta quando esta missão é ampla, considerada importante pelo governo, sendo
provável que dure muito tempo, e quando se torna difícil realocar o papel para outra entidade,
ou transferir o banco para fora do controle do governo. Por outro lado, um banco com missão
pública estreita, menos importante, cujo papel possa ser desempenhado com facilidade por
outra entidade pode ser um pouco menos beneficiado pelo potencial suporte na avaliação da
Fitch.

Metodologia Global de Rating de Bancos 52


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Principais Fatores nos Pisos de Rating de Suporte de Bancos de


Missão Pública
Abordagem mais Equalização com o Graduação para baixo Nenhum impacto dos laços
provável de rating soberano do soberano com o governoa
Missão Pública Missão pública Missão pública menos Missão pública muito limitada
importante e relevante, que pode ser ou nenhuma.
duradoura, a qual mais facilmente
pode ser de difíciltransferida a outra
transferência. entidade; significativas
operações comerciais.
Garantias de recursos Total garantia da Sujeito à legislação em Sem garantias ou situação legal
e situação legal entidade ou garantias separado, mas sem especial.
na maior parte dos oferecer proteção
recursos/situação significativa a credores.
legal proporciona
proteção aos
credores.
Controle do governo Controle pelo governo Controle não estratégico Sem controle governamental,
é a longo prazo e pelo governo; disposição ou participação de não-
estratégico; o governo não pode ser controladores.
é normalmente o determinada; acionistas
único controlador. minoritários também
podem existir.
a
Quando não impactar os laços governamentais, a propensão de suporte a uma entidade seria avaliada de acordo com
fatores descritos na Seção III.1.3 acima
Fonte: Fitch

Garantias de Recursos e Situação Legal: Quando as obrigações de uma entidade estão em


sua totalidade incondicional e irrevogavelmente garantidas por um governo, ela será
normalmente classificada no mesmo nível que a dívida do próprio governo. Além disso,
quando um soberano regularmente oferece garantias aos recursos de um banco devido à sua
missão pública (mais do que o suporte à instituição comercial que perdeu acesso ao mercado,
por exemplo), a Fitch provavelmente considerará isso uma evidência do suporte global do
governo à entidade (inclusive, potencialmente, em relação à sua dívida sem garantia),
tornando mais provável a equalização dos IDRs do banco aos do soberano.

Determinados aspectos jurídicos de um banco também podem levar a Fitch a considerar o


suporte do governo mais provável. Por exemplo, a legislação pode obrigar um governo a
prestar suporte ao banco em determinadas formas e em certas circunstâncias, ou ela pode
estabelecer o controle do banco pelo governo e o seu papel nas políticas.

Controle: O controle de IFs com missão pública por parte do governo tende a ser estratégico
e de longo prazo, e a natureza amplamente não comercial de suas operações significa que a
privatização é geralmente improvável. Entretanto, quando o controle é menos estratégico e a
alienação é possível, ou quando há também significativo controle minoritário, é menos
provável que o rating da entidade seja equalizado ao do soberano.

III.2. Suporte Institucional


Os ratings da Fitch a subsidiárias de bancos normalmente consideram uma elevada
probabilidade de suporte das instituições de controle. Isso reflete o fato de que os bancos
controladores raramente permitiriam que subsidiárias se tornassem inadimplentes. Também é
considerado o geralmente alto nível de integração entre os bancos controladores e suas
subsidiárias, bem como os normalmente fortes negócios, condição financeira e incentivos em
termos de reputação dos controladores, para evitar a inadimplência das subsidiárias.

Ao determinar o potencial suporte a subsidiárias de bancos pelas instituições controladoras, a


Fitch considera tanto a capacidade do controlador como a propensão de prestar suporte,
conforme descrito nas seções III.2.1 e III.2.2 a seguir.

Metodologia Global de Rating de Bancos 53


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Além disso, a Fitch leva em consideração se os riscos do país na jurisdição da subsidiária


podem limitar sua capacidade de utilizar o suporte do controlador para o serviço de suas
dívidas. Quando os riscos do país são altos, os ratings das subsidiárias podem ser limitados
em níveis significativamente abaixo daqueles que seriam possíveis, com base na capacidade
do controlador e na propensão de prestar suporte. O Teto País doméstico, que captura o risco
de transferência e conversibilidade, quase sempre limitará o IDR de Longo Prazo em Moeda
Estrangeira da subsidiária, e o risco país mais amplo normalmente evitará que os IDRs de
Longo Prazo em moeda estrangeira e local da subsidiária fiquem mais de três graus acima do
soberano. Para maiores detalhes, veja Atribuindo Rating a Instituições Financeiras Acima do
Soberano (veja o Anexo 2).

Os IDRs de bancos em grupos que se beneficiam de mecanismos de suporte mútuos se


baseiam em um único RV, atribuído para todo o grupo (veja o Anexo 4).

III.2.1 Capacidade de o Controlador Prover Suporte à Subsidiária


Importância desta avaliação: Para que um banco receba suporte dos acionistas, o
controlador deve, por definição, ter capacidade de provê-lo.

IDRs do controlador: Ao avaliar a capacidade de o controlador prover suporte à sua


subsidiária, a Fitch geralmente considera primeiro os IDRs de Longo Prazo do controlador.
Estes ratings limitam a capacidade de o controlador prestar suporte, pois a Fitch não esperaria
que o suporte a uma subsidiária viesse quando o controlador estivesse inadimplente. Além
disso, outros fatores – o RV do banco controlador, a regulamentação do controlador/grupo e o
porte relativo – também podem afetar a capacidade de o controlador prover suporte.

RV do banco controlador: Nos casos em que o IDR de Longo Prazo do controlador do banco
for movido pelo potencial suporte soberano, a Fitch levará em conta se esse suporte poderia
ser disponibilizado para a subsidiária, em particular, aquelas operando em jurisdições
internacionais. Na opinião da Fitch, os reguladores do banco controlador, em muitos casos,
terão incentivos bastante fortes para permitir que o suporte flua por meio de subsidiárias,
tendo em vista o potencial impacto negativo de uma inadimplência na subsidiária sobre as
operações e reputação do grupo.

Entretanto, nos casos em que a Fitch julga haver grande incerteza sobre o fluxo do suporte, a
agência poderá aumentar a diferença de graduação entre os IDRs de Longo Prazo do
controlador e da subsidiária em relação ao que seria normalmente aplicado, dada a propensão
de suporte pelo controlador. Quando a agência considera haver alta incerteza sobre o fluxo do
suporte, ela poderá usar o RV do controlador do banco, em lugar de seu IDR de Longo Prazo,
como seu rating âncora ao avaliar a capacidade de o controlador prover suporte à sua
subsidiária.

Em todos os casos, a Fitch normalmente buscará consultar representantes das autoridades


reguladoras do controlador do banco, a fim de formar uma opinião sobre se o suporte poderia
ser disponibilizado. Além disso, muitos dos fatores relacionados abaixo como determinantes
da propensão de o controlador do banco prover suporte à subsidiária (i.e. importância
estratégica, integração, controle) também, na opinião da agência, provavelmente influenciarão
a decisão do regulador do banco controlador sobre a possibilidade de permitir que o suporte
seja provido.

Quando o IDR de Longo Prazo do principal banco operacional do grupo tiver graduação acima
de seu RV – devido a um grande colchão da dívida júnior e/ou da dívida da companhia holding
– o IDR do controlador normalmente servirá como rating âncora para os IDRs das subsidiárias
locais altamente integradas; e as subsidiárias internacionais altamente integradas nas quais
um grande colchão de dívida júnior também foi previamente posicionado. Caso contrário, os
IDRs das subsidiárias normalmente receberão graduação independente do RV do controlador,
refletindo uma significativa incerteza quanto aos credores seniores da subsidiária serem

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beneficiados pelo colchão da dívida júnior do controlador no caso de falha deste último.

Regulamentação do Controlador/Grupo: Além da questão do fluxo de apoio soberano,


restrições regulatórias relevantes no âmbito do controlador podem, mais frequentemente,
reduzir a fungibilidade de capital e a liquidez dentro de um grupo, diminuindo a capacidade de
o controlador prover suporte a uma subsidiária. Por exemplo, o regulador do controlador do
banco pode impor limites à exposição total permitida do controlador à sua subsidiária, ou pode
aplicar ponderações de alto risco ou deduções de capital às exposições. Nesses casos, pode
se tornar difícil para um controlador prestar suporte à sua subsidiária enquanto obedece à
regulamentação local, e isso pode influenciar negativamente a avaliação da Fitch sobre a
capacidade de o controlador prover suporte. O banco controlador também pode precisar
considerar as potenciais consequências tributárias adversas surgindo do suporte a uma
subsidiária e considerações políticas também podem limitar a capacidade de a administração
prestar suporte a uma subsidiária estrangeira.

Por outro lado, as exigências regulatórias para prestar suporte a subsidiárias podem
influenciar positivamente os níveis dos IDRs atribuídos a uma subsidiária, fazendo com que
eles se tornem alinhados de perto aos do controlador, mesmo quando a propensão de suporte
possa, de qualquer outra forma, ter sido baixa. Acordos formais e informais entre os
reguladores do controlador e da subsidiária também podem tornar mais provável que o suporte
venha a ser concedido. Existem exigências de suporte relativamente fortes, por exemplo, nos
Estados Unidos, o que significa que os IDRs dos bancos controladores e das subsidiárias
domésticas são tipicamente equalizados, independente da importância estratégica. Na França,
a designação de um “actionnaire de reference” (acionista de referência) de um banco não cria
uma obrigação legal para o acionista prestar suporte ao banco, de forma que a agência não
equaliza, automaticamente o IDR de Longo Prazo do banco e do acionista.

A adoção por parte dos reguladores do princípio de ‘múltiplos pontos de entrada’ (MPE), por
meio dos quais os balanços do controlador e da subsidiária são segregados para fins de
resolução, pode tornar o suporte do controlador consideravelmente menos provável, em caso
de falha da subsidiária, particularmente se isto ocorrer ao mesmo tempo em que o controlador
estiver enfrentando dificuldades, embora provavelmente não evite o suporte ‘preventivo’ das
subsidiárias ou suporte que não tenha impacto de longo prazo relevante no perfil financeiro do
controlador. Por outro lado, o desenvolvimento da união bancária na União Europeia pode
tornar mais provável que os bancos controladores prestem suporte às subsidiárias em países
da união bancária porque as restrições aos fluxos de capital e liquidez intragrupos deverão
diminuir, como parte do planejamento de recuperação e resolução .

Porte Relativo: Nos casos em que as subsidiárias constituem parte relativamente grande do
grupo consolidado, o controlador pode considerar mais difícil prestar suporte extraordinário
suficiente e pontual, mesmo quando o seu próprio balanço (individual) permanece
relativamente não impactado. Este risco será maior quando a Fitch acreditar que a
necessidade de suporte de diferentes subsidiárias deverá ser bastante correlacionada, por
exemplo, porque operam em uma única região. Quando as subsidiárias são grandes em
relação ao grupo consolidado, a agência poderá, por esta razão, aumentar a graduação entre
os IDRs de Longo Prazo do controlador e a subsidiária (quando estes últimos forem movidos
pelo suporte do controlador).

Ao mesmo tempo, a Fitch observa que sua análise de bancos controladores é tipicamente
baseada em contas consolidadas (exatamente porque a agência normalmente considera alta a
probabilidade de as subsidiárias receberem suporte), e então, os ratings do controlador já
levarão em conta os perfis de crédito das subsidiárias, e a potencial necessidade de suportá-
las. Quando a Fitch acredita que o suporte às subsidiárias é mais incerto (por exemplo, por
causa de seu grande porte relativo), a agência também pode analisar as demonstrações

Metodologia Global de Rating de Bancos 55


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financeiras não consolidadas do controlador ao atribuir IDRs a este.

Ratings em Comum: Em alguns casos, quando uma subsidiária é muito grande (por exemplo,
responde por mais de 25% dos ativos do grupo), frequentemente não será possível para o
banco controlador lhe prover suporte, uma vez que o balanço simplesmente não é grande o
bastante. Além disso, essas subsidiárias muito grandes tendem a estar altamente integradas
aos seus bancos controladores em termos de administração, fungibilidade do balanço e
sistemas, o que significa que os perfis de crédito da subsidiária e do banco controlador estarão
provavelmente altamente correlacionados. Nesses casos, o Rating de Suporte da subsidiária
seria ‘5’, a não ser que o suporte soberano resulte em Rating de Suporte mais alto. A Fitch não
baseará o IDR de subsidiárias no suporte do banco controlador, mas em lugar disso, atribuirá
RVs ‘em comum’, e, desta forma, IDRs, a bancos controladores e subsidiárias, refletindo o fato
de que seus perfis de crédito não podem ser significativamente desatrelados.

Tanto os critérios de porte como o de integração devem ser atingidos para que os RVs em
comum sejam atribuídos. Se a subsidiária estiver altamente integrada, embora seja
relativamente pequena e não tenha contribuição significativa para o perfil de crédito geral do
grupo, então, o seu RV, se atribuído, estará baseado em seu próprio perfil individual. RVs ‘em
comum’ e desta forma, os IDRs, também podem ser aplicados a bancos coligados ou a
bancos pertencentes ao mesmo grupo, por exemplo, sob a estrutura de uma companhia
holding, quando suas operações estão altamente integradas ou são complementares ao
funcionamento do grupo, ou quando a regulamentação efetivamente torna os bancos dentro
de um grupo responsáveis pelas perdas, de um ou de outro.

III.2.2 Propensão de o Controlador Prover Suporte à Subsidiária


Importância desta avaliação: Mesmo quando um controlador consegue prover suporte a uma
subsidiária bancária, este suporte dependerá, ou não, da propensão de o controlador prover
suporte. A Fitch normalmente considera alta a propensão de as instituições controladoras, em
particular, os bancos controladores, de prestar suporte às suas subsidiárias.

Ao avaliar a propensão de suporte, a Fitch analisa os fatores relacionados abaixo (veja


também tabela na próxima página). Na ausência de limitações à capacidade, uma subsidiária
que a Fitch considere principal normalmente terá ratings equalizados aos do controlador; uma
subsidiária considerada ‘estrategicamente importante’, geralmente terá ratings um grau
(embora, em alguns casos, dois graus) abaixo do controlador; e uma subsidiária considerada
de ‘importância limitada’ será normalmente classificada, pelo menos, dois graus abaixo do
controlador. Quando um banco controlador tiver adotado um plano de resolução, a agência
analisará isso, quando possível, em busca de indicações sobre se ele prestaria suporte à
subsidiária, caso necessário.

Papel no Grupo: O papel de uma subsidiária no grupo mais amplo é normalmente um fator
importante para determinar a propensão de o controlador prestar suporte. Quando a
subsidiária representa parte importante e integral do negócio do grupo, proporcionando alguns
dos principais produtos/serviços deste a clientes nos principais mercados, a propensão de
suporte será normalmente mais alta do que quando a subsidiária tem sinergias limitadas com
o controlador e não opera em um mercado-alvo. Em alguns casos, a opinião da Fitch sobre a
importância estratégica do mercado em que uma subsidiária opera levará em conta o papel de
um grupo de subsidiárias. Um exemplo pode ser uma pequena subsidiária de um banco
estrangeiro, cuja importância, por si só, seja limitada, mas que seja uma das várias
subsidiárias em operação em uma região estrategicamente importante para o controlador.
Potencial de Alienação: Quando o potencial de alienação é muito baixo, por exemplo, porque
a venda da subsidiária mudaria significativamente a forma geral do grupo e o despojaria de
parte importante de seu negócio, é mais provável que os ratings da subsidiária sejam
equalizados aos do controlador. Quando a subsidiária puder ser mais facilmente separada do
grupo e, em particular, quando a entidade já está pronta para venda, ou esteja sendo
preparada para venda, a Fitch normalmente considera menos forte a propensão de suporte .

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Graduação de Subsidiárias
Graduação relativa ao
rating do controladora Equalizado Um grau Dois ou mais graus
Capacidade de Suporte do
Controlador à
Regulamentação do O regulador e/ou a regulação do controlador O regulador/regulação do controlador é O regulador/regulação do controlador pode
Controlador/grupo provavelmente favoreceriam o suporte da neutro/a para o suporte à subsidiária restringir o suporte, ou as implicações de
subsidiária pela entidade controladora suporte, ou de capital/impostos podem ser
muito onerosas.
Qualquer suporte necessário seria irrelevante Qualquer suporte necessário seria O suporte necessário poderá ser considerável
Porte relativo em relação à capacidade de o controlador administrável em relação à capacidade de o em relação à capacidade de o controlador
provê-lo controlador provê-lo. provê-lo.
Propensão de Suporte pelo Controlador:
Parte importante e integral do negócio do Fortes sinergias com o controlador, Sinergias limitadas com o controlador, não
Papel no grupo grupo fornece alguns dos principais fornecendo produtos/serviços em mercados operando em mercados-alvo
produtos/serviços do grupo ao(s) mercado(s) identificados como estrategicamente
principais importantes
A venda é muito difícil de conceber; a Sem planos de venda, embora a alienação Potencial candidato a venda, ou já poderá estar
Potencial de alienação alienação mudaria notadamente a forma geral não mude fundamentalmente a franquia total pronto para venda; a alienação não seria
do grupo do grupo relevante para a franquia do grupo
Implicação da A inadimplência constituiria enorme risco de Alto risco de reputação para o controlador, Risco de reputação seria provavelmente de
inadimplência da reputação para o controlador, danificando sua com potencial de significativo impacto possível contenção pelo controlador
subsidiária franquia e poderia ameaçar sua viabilidade negativo em outras partes do grupo
Alto nível de integração administrativa e Significativa independência administrativa; Considerável independência administrativa;
Integração operacional; capital e captação amplamente algumas restrições operacionais/regulatóriasrestrições operacionais/regulatórias
fungíveis a transferências de capital e captação significativas a transferências de capital e
captação
Opera na mesma jurisdição que o Opera em mercado não-principal identificado Opera em mercado não-principal não
Jurisdição controlador, ou em mercado há muito como estrategicamente importante identificado como estrategicamente importante
considerado principal
Tamanho da participação Controle integral ou grande participação Controle de menos de 75%, mas influência Controle inferior a 75%, e influência significativa
no controle majoritária (mais de 75%) limitada de acionista(s) minoritário(s) nas de acionista(s) minoritário(s) nas operações da
operações da subsidiária subsidiária
Histórico de suporte Suporte é inquestionável, refletindo alto nível Prestação de suporte oportuna e suficiente, Suporte prestado com alguns atrasos ou foi
de integração e fungibilidade do quando necessário, ou sem casos anteriores apenas moderado em volume com relação às
capital/captação de necessidade de suporte necessidades da subsidiária
Desempenho e Longo e bem-sucedido histórico de suporte Histórico limitado de operações bem- Histórico de desempenho misto, perguntas
perspectivas da aos objetivos do grupo, que deverá continuar sucedidas, relevante incerteza sobre as sobre a viabilidade do negócio a longo prazo
subsidiária perspectivas a longo prazo
Marca Compartilha a mesma marca com o Combina marca do controlador com a sua Marca da subsidiária independente da do
controlador própria controlador

Compromissos legais Controlador firmou forte compromisso legal de Controlador firmou compromisso não- Controlador não firmou qualquer compromisso
suportar a subsidiária vinculante de suportar a subsidiária legal de suporte à subsidiária
Cláusulas de Potencial aceleração da dívida do controlador Potencial aceleração da dívida do controlador Inadimplência da subsidiária não dispararia a
inadimplência cruzada proporciona forte incentivo para evitar a proporciona moderado incentivo para evitar a aceleração da dívida do controlador
inadimplência da subsidiária inadimplência da subsidiária
ª Indica o diferencial típico entre IDR de Longo Prazo movido pelo suporte da subsidiária e o IDR de Longo Prazo do controlador (ou o RV, se a Fitch acreditar que o suporte
soberano do controlador não se estenderá à subsidiária), na ausência de limitações impostas aos ratings da subsidiária pelo Teto País ou por outro risco país. A subsidiária
poderá receber rating mais alto do que o nível implicado pelo suporte do controlador se ele tiver RV ou PRS mais altos
Fonte: Fitch

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Implicação de Inadimplência de Subsidiária: A decisão da instituição controladora de


prestar suporte a uma subsidiária muitas vezes considerará os custos e benefícios, a curto
prazo de prestar (ou não) suporte. Quando a inadimplência constituiria um enorme risco à
reputação da controladora, podendo minar sua franquia, ou até mesmo a viabilidade, a
propensão de prestar suporte será frequentemente maior do que quando o risco à reputação
for limitado e o impacto direto no controlador puder ser contido.

Integração: Normalmente, a Fitch considerará um alto nível de integração administrativa,


operacional e do balanço entre o controlador e a subsidiária como sinal de compromisso
estratégico do controlador em relação à subsidiária, tornando a inadimplência da subsidiária
potencialmente mais onerosa e cara para o controlador. Estes fatores resultariam,
normalmente, em maior propensão de suporte, na opinião da agência, e, por essa razão, em
menor graduação entre os IDRs de Longo Prazo do controlador e os da subsidiária. Em
particular, se o controlador proporciona elevada proporção da captação não-patrimonial da
subsidiária, isso poderá elevar consideravelmente o custo para o controlador da inadimplência
da subsidiária e potencial falência, além de aumentar o incentivo para prestar suporte.

Quando o grau de integração entre o controlador e a subsidiária for muito alto, de tal forma
que esta última opere como uma agência, ou seja efetivamente uma entidade contábil, a Fitch
pode equalizar os IDRs de Longo Prazo do controlador e da subsidiária, ou atribuir a cada um
destes um grau, mesmo quando a subsidiária tiver importância estratégica limitada. Essas
subsidiárias altamente integradas normalmente não receberiam RVs.

Jurisdição: A Fitch normalmente classificará subsidiárias estrangeiras que operam em


mercados não-principais, pelo menos, um grau abaixo de seus controladores. Geralmente,
isso reflete a importância estratégica e a integração um pouco menor das entidades
estrangeiras, e o risco moderadamente menos severo de contágio da inadimplência de uma
subsidiária estrangeira, em comparação com o de uma entidade doméstica. Reflete, ainda,
provavelmente a menor probabilidade de pressão dos reguladores do banco controlador para
prover suporte a uma subsidiária estrangeira, e não doméstica.

Em paralelo, a Fitch geralmente equalizará os ratings de uma subsidiária estrangeira aos de


uma instituição controladora, quando a subsidiária operar em um mercado há muito
considerado principal pelo controlador. A equalização também é possível nos casos em que a
entidade estrangeira efetivamente operar como agência ou entidade contábil do controlador.

Controle: A Fitch normalmente não distingue entre controle integral e majoritário (acima de
75%) ao avaliar a propensão de um controlador prestar suporte a uma subsidiária. Entretanto,
se um controlador minoritário tem participação relativamente grande (acima de 25%), isso
poderá reduzir moderadamente a obrigação moral percebida do controlador de unilateralmente
prover suporte à subsidiária, podendo complicar e atrasar decisões sobre a prestação de
suporte conjunto. Por essa razão, poderá ser menos provável que a Fitch equalize os ratings
quando houver um grande acionista minoritário. Além disso, a agência poderá reduzir em dois
graus ou mais, em lugar de um, quando a participação de acionistas majoritários e minoritários
estiver próxima à paridade, ou quando algum elemento de concorrência ou confronto existir
entre os acionistas.

Histórico de Suporte: Um forte histórico de suporte extraordinário pontual a uma subsidiária


(ou a outras subsidiárias dentro do grupo), sob ampla gama de cenários de estresse, pode
influenciar positivamente a avaliação da Fitch sobre a propensão de a matriz prover suporte, e,
desta forma, limitar a graduação do IDR de Longo Prazo de uma subsidiária em relação à do
controlador. Além disso, a Fitch considera positivo um elevado nível de suporte ‘ordinário’,
mediante o qual uma controladora opera uma subsidiária com liquidez confortável e, em
particular, folgas de capital, mais do que simplesmente atender às exigências de capital
mínimo regulatório.

Metodologia Global de Rating de Bancos 58


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Desempenho e Perspectivas da Subsidiária: Uma subsidiária com forte desempenho e


geralmente com boas perspectivas, na opinião da Fitch, geralmente terá um pouco mais de
probabilidade de receber suporte de seu controlador do que uma com histórico de
desempenho misto. Em paralelo, a agência também leva em conta que uma subsidiária que
necessite de suporte extraordinário tenha, por definição, sofrido acentuada deterioração em
seu desempenho, o que enfraquece a relevância de qualquer lucratividade historicamente forte
na avaliação de perspectivas futuras.

Marca: Quando uma subsidiária compartilha a marca com sua instituição controladora, isso
pode sinalizar maior compromisso de, ou maior integração com a subsidiária por parte do
controlador. A marca em comum também pode aumentar o risco de reputação para o
controlador, em caso de inadimplência de uma subsidiária, potencialmente também
aumentando a propensão de suporte.

Compromissos Legais: Em raros casos, uma subsidiária pode ser incorporada com
responsabilidade ilimitada, criando uma clara obrigação legal para a instituição controladora de
prover suporte. Nesses casos, a Fitch provavelmente equalizaria os IDRs de Longo Prazo da
subsidiária e da controladora, a menos que haja restrições provenientes do risco país. Uma
garantia incondicional e irrevogável, que contenha linguagem específica de terceiros
beneficiários e permita que credores da subsidiária apresentem reinvindicações contra o fiador
em caso de inadimplência da subsidiária, também serviria como um piso para o IDR da
subsidiária e/ou de sua dívida com garantia.

A Fitch consideraria uma forte “Patronatserklaerung”, ou declaração de apoio por um


controlador alemão para sua subsidiária, embora não seja uma obrigação legal, forte evidência
da propensão de o controlador prover suporte. Um acordo de compartilhamento de lucros e
perdas entre um controlador alemão e sua subsidiária normalmente resultaria na equalização
do IDR de Longo Prazo da subsidiária com o do controlador.

Um acordo formal de suporte firmado entre a entidade controladora, por exemplo, para manter
as exigências de capital e liquidez de uma subsidiária acima de um limite definido, será
considerado moderadamente positivo para os ratings desta. Entretanto, embora certos
acordos de suporte sejam legalmente vinculantes enquanto em vigor, eles são normalmente
revogáveis e também podem ser revogados se a subsidiária for vendida, o que significa que
normalmente proporcionarão elevações muito limitadas, caso haja, dos ratings de uma
subsidiária.

Compromissos não-vinculantes de bancos controladores de prestar suporte a subsidiárias, tais


como cartas de intenções à administração pública (por exemplo, em prospectos de notas)
declarações estratégicas (p.e., em relatórios anuais) ou cartas apresentadas aos reguladores
da subsidiária somam algum valor ao processo de rating, definindo a disposição da
administração e potencialmente proporcionando obrigação moral mais forte por parte do
controlador de prestar suporte à subsidiária. No entanto, como esses compromissos não-
vinculantes não são executáveis, eles, em geral, têm limitado suporte direto sobre as decisões
de rating.

Cláusulas de Inadimplência Cruzada: Cláusulas de inadimplência cruzada em contratos de


captação do banco controlador podem especificar que a inadimplência de uma subsidiária
constituirá um evento de inadimplência da obrigação do controlador, por esta razão
concedendo direitos de aceleração aos credores do controlador. Embora isso não crie
qualquer obrigação para o controlador de prestar suporte à subsidiária, pode criar um incentivo
relevante para fazê-lo, aumentando a propensão de prestar suporte. A força desse incentivo
dependerá, entre outras coisas, do volume de obrigações potencialmente sujeitas à
aceleração, se os termos da aceleração seriam atrativos para os credores e, por isso, serem
assumidos (por exemplo, se o preço do resgate seria superior ou inferior ao atual preço de
mercado), e se os credores poderiam renunciar aos seus direitos de aceleração, talvez
mediante uma comissão.

Metodologia Global de Rating de Bancos 59


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Nível dos IDRs do Controlador: Quando o IDR de Longo Prazo da instituição controladora
for baixo, no âmbito de grau especulativo (tipicamente na faixa ‘B’ ou abaixo), é mais provável
que a Fitch equalize os IDRs de Longo Prazo da controladora e da subsidiária. Isso reflete o
fato de que na ponta final inferior da escala de ratings a diferença no risco de inadimplência
entre os sucessivos graus de rating se torna maior, e então, pode ser apropriado atribuir a uma
controladora e subsidiária com relativamente pouco diferencial de risco os mesmos níveis de
IDRs de Longo Prazo.

Ratings de Filiais: Sujeitos aos riscos país, os ratings da matriz de um banco (IDRs e ratings de
dívida) se estendem a filiais estrangeiras e domésticas, porque esta é a mesma entidade legal.
Embora jurisdições tais como EUA e UE tenham poderes para resolver ativos e passivos de filiais,
separadamente, a Fitch normalmente esperaria que houvesse uma resolução bancária
coordenada de toda a entidade legal movida pelas autoridades do país de origem. Nos casos em
que a agência atribui ratings específicos de filiais, estes normalmente estarão, desta forma, no
mesmo nível que os da matriz da entidade de que ela é filial, mas, novamente, isto estará sujeito
aos riscos do país.

Os IDRs em moeda estrangeira de filiais provavelmente estarão limitados ao Teto País, uma vez
que quaisquer restrições à transferência e conversibilidade impostas pelo soberano devem se
aplicar aos depósitos e a outros passivos mantidos nas filiais. Entretanto, a dívida em moeda
estrangeira emitida pela filial poderá ser classificada acima do Teto País e em linha com a dívida
emitida pela matriz, quando os investidores estiverem normalmente localizados fora do país e os
ativos de filiais colocados fora do país (por exemplo, depósitos na tesouraria central) são
suficientes para amortizar a dívida, ou quando a agência acreditar que o banco utilizaria ativos não
pertencentes à filial para serviço da dívida em caso de restrições à transferência e
conversibilidade. Os IDRs em moeda local da filial também podem considerar os riscos país
quando a agência acreditar que quaisquer potenciais restrições aos bancos locais para cumprir
suas obrigações em moeda local também poderiam ser aplicadas às filiais.

Quando a preferência estatutária na jurisdição da matriz resultar em rating de depósitos ou em


RCD acima do IDR, isto pode não se aplicar a depositantes ou contrapartes de derivativos em
filiais estrangeiras se a preferência legal não puder ser claramente identificada.

Suporte de Entidades Coligadas: A Fitch poderá considerar o suporte de entidades


coligadas, assim como de instituições controladoras, nos ratings de bancos, quando acreditar
que este potencial suporte é forte. Entretanto, ao avaliar este potencial suporte, a Fitch
considerará, em particular (i), se a propensão de suporte da coligada poderia vir a ser
significativamente mais fraca por ela não deter participação e, por esta razão, não sofreria
qualquer impacto direto em seu balanço em função da falência da entidade classificada; e (ii)
se o regulador da instituição coligada poderá tentar restringir o suporte, a fim de salvaguardar
a solvência daquela.

Controladores Não-Bancários: A propensão e a capacidade de os controladores


corporativos e companhias de seguros prestarem suporte a subsidiárias de bancos é avaliada
utilizando princípios semelhantes aos dos bancos controladores. O porte relativo do
controlador e da subsidiária, a situação creditícia do controlador e a flexibilidade financeira e a
importância da subsidiária para o principal negócio do controlador serão considerações
relevantes. Em geral, a Fitch acredita que os controladores que são regulados
prudencialmente (p. ex. companhias de seguros) ou cujas subsidiárias bancárias sustentam o
principal negócio da controladora (p.ex. bancos cativos, ou bancos atuando como tesourarias
de grupos) terão provavelmente maior propensão de suportar subsidiárias de bancos do que
controladoras corporativas, cujas subsidiárias bancárias são mais propensas a investimentos
movidos por metas de diversificação.
Governos Subnacionais: Às vezes, a Fitch considera o potencial suporte de um estado
federal ou de outras autoridades subnacionais (regionais, municipais ou locais)

Metodologia Global de Rating de Bancos 60


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suficientemente forte para mover os IDRs de um banco. A Fitch normalmente trata este apoio
como suporte institucional, e por isso, normalmente não atribui PRSs com base no suporte de
um subnacional. Entretanto, em casos excepcionais, por exemplo, quando o próprio
subnacional é beneficiado por uma robusta e testada estrutura de integração e suporte em
âmbito nacional, a Fitch também pode atribuir um PRS baseado no suporte subnacional.

Na opinião da Fitch, é muito improvável que um subnacional procure prover suporte ao


sistema bancário regional em sua totalidade e, desta forma, a avaliação da agência sobre o
suporte focará a capacidade e a propensão de o subnacional prestar apoio a uma instituição
específica. Ao avaliar a capacidade de suporte de um subnacional, serão aplicadas as
seguintes considerações adicionais em relação a alguns dos fatores relacionados na tabela
“Graduação de Subsidiárias”.

Porte Relativo: A Fitch considerará a flexibilidade financeira total do governo subnacional (à


medida que este possa ser um pouco maior ou menor do que seus ratings sugerem), incluindo o
porte de seu orçamento, liquidez disponível e capacidade de levantar dívida adicional, se
necessário.

Papel no Grupo: Mediante este fator, a Fitch considerará a existência de qualquer relação
especial entre o subnacional e o banco, por exemplo, se o banco tem importante papel nas
políticas ou função de agência na região, ou é um banqueiro para o governo regional.

Implicação da Inadimplência da Subsidiária: A Fitch considerará aqui a importância


sistêmica do banco para o sistema bancário e para a economia regional, como um todo
(conforme medida, por exemplo, por suas participações em depósitos e créditos na região).

Se um banco tem significativa presença fora de sua região de origem, é mais provável que a
Fitch considere o soberano a fonte mais provável de potencial suporte externo. Os ratings
baseados no suporte subnacional são mais prováveis quando o banco tem forte presença em
sua região de origem, mas operações limitadas no restante do país, e internacionalmente.

Mudanças na Propensão de Suporte e Venda da Subsidiária


Com base em mudanças nas circunstâncias, a Fitch pode alterar sua opinião sobre a
propensão de um controlador prestar suporte a uma determinada subsidiária. Em alguns casos,
por exemplo, se a Fitch perceber uma alteração profunda no papel da subsidiária no grupo, a
potencial mudança no rating de uma subsidiária poderia ser relevante (i.e. em múltiplos graus).

Tendência Gradual: Se a Fitch acreditar que a propensão de um controlador prestar suporte


a uma determinada subsidiária for mudando gradualmente, seja devido a alterações na
importância estratégica ou a outros fatores relacionados acima, a Fitch poderá mudar a
Perspectiva do IDR de Longo Prazo de uma subsidiária, e a Perspectiva revisada poderá ser
diferente daquela no IDR de Longo Prazo do controlador. Por exemplo, se um controlador tem
Perspectiva Estável, mas a Fitch acredita que uma subsidiária principal de um banco está se
tornando menos importante para o grupo, a agência poderá alterar a Perspectiva da
subsidiária para Negativa, de modo a indicar a potencial alteração no rating, associada à
redução de sua importância estratégica. Por outro lado, um aumento gradual da importância
estratégica poderá resultar no IDR de Longo Prazo tendo Perspectiva Positiva enquanto a
Perspectiva do IDR de Longo Prazo do controlador é Estável.

Risco de Venda: A Fitch não captura explicitamente o risco de venda em seus ratings, antes
do anúncio formal de que uma subsidiária deverá ser vendida ou está pronta para venda.
Entretanto, na opinião da agência, há normalmente uma estreita correlação entre a
importância estratégica de uma subsidiária e a probabilidade de que ela seja vendida (veja
“graduação de subsidiárias”). O risco de venda deverá, por essa razão, ser baixo nos casos
em que o IDR de Longo Prazo de uma subsidiária for equalizado, ou ficar a um grau, do IDR

Metodologia Global de Rating de Bancos 61


Novembro de 2016
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de Longo Prazo de seu controlador.

Venda Anunciada, Comprador não Identificado: Se uma controladora anuncia que uma
subsidiária está para ser vendida sem que um comprador tenha sido ainda identificado, ou que
a administração está explorando alternativas estratégicas com respeito à entidade, ou se um
regulador exige que uma controladora venda uma subsidiária, então a Fitch reavaliará a
propensão de a controladora prover suporte à entidade em questão. Se a agência acreditar
que a importância estratégica da subsidiária diminuiu de tal forma que a controladora terá
menos propensão a prestar suporte antes da venda, ou em caso de a venda não prosseguir, o
IDR de Longo Prazo da subsidiária poderá ser rebaixado. Se a agência acreditar que há
probabilidade significativa de a venda ocorrer, os ratings da subsidiária provavelmente também
serão colocados em Observação.

Ao realizar ações de rating após um anúncio de venda, a Fitch considerará também se um


grupo relativamente estreito de potenciais compradores com ratings elevados já foi identificado,
ou se um regulador indicou que aprovará a venda apenas a uma entidade com rating alto.
Nesses casos, o risco do IDR de Longo Prazo da subsidiária ser rebaixado pode ser limitado,
e os ratings podem, por essa razão, ser mantidos em seus níveis anteriores, mesmo quando a
Fitch acredita que a subsidiária se tornou menos importante, estrategicamente, para seu atual
controlador.

Por outro lado, se a Fitch acreditar que uma subsidiária será, provavelmente, vendida a uma
entidade com rating muito inferior ao do atual controlador, então o IDR de Longo Prazo da
subsidiária poderá ser rebaixado imediatamente após o anúncio relativo à potencial venda. Isto
pode ser o caso, por exemplo, quando um banco controlador com rating alto estiver deixando
um mercado emergente e a Fitch acreditar que entidades locais, com ratings mais baixos são
compradores mais prováveis do que outros bancos estrangeiros com ratings mais altos.

Venda Anunciada, Comprador Identificado: Se um controlador anunciar que chegou a um


acordo para venda de uma subsidiária a um comprador específico, e, na opinião da Fitch, a
probabilidade de suporte do novo comprador diferir daquela do atual controlador (com
potencial de afetar o IDR de Longo Prazo da subsidiária), então a Fitch colocará o IDR de
Longo Prazo da subsidiária em Observação. A Observação do rating poderá ser Positiva,
Negativa ou até mesmo Indefinida, dependendo do potencial impacto do suporte do novo
controlador no rating.

Se houver probabilidade de o IDR de Longo Prazo ser rebaixado após a venda, e se a Fitch
acreditar que o atual controlador terá propensão significativamente mais baixa de prestar
suporte à subsidiária, caso a venda não prossiga, por qualquer razão — i.e. em todos os
prováveis cenários os ratings serão rebaixados — então, ela poderá rebaixar o IDR
imediatamente após o anúncio. Se a Fitch acreditar que a venda também poderá resultar em
alterações relevantes no perfil individual da subsidiária, por exemplo, por causa da perda de
‘suporte ordinário’ ou devido a mudanças na estratégia, então o seu RV também poderá ser
colocado em Observação.

Ao concluir a venda, ou antes, se apropriado, a Fitch resolverá a Observação do IDR com


base em sua avaliação de probabilidade de suporte do novo controlador. Se o RV da
subsidiária também for colocado em Observação, isso pode ser resolvido imediatamente após
a venda, ou o RV pode ser revisado em data posterior, quando o impacto da mudança de
controle no perfil individual da entidade se tornar mais claro.

Metodologia Global de Rating de Bancos 62


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III.2.3 Rating de Companhias Holding de Bancos (BHCs)

Esta seção delineia i) a abordagem da Fitch à atribuição de ratings a holdings de bancos


(BHCs) e ii) a abordagem da agência na determinação de atribuir ou não graduação acima do
IDR de subsidiárias operacionais do banco ou de instituições financeiras não-bancárias,
devido à presença de colchões de dívida adequados e suficientes que estejam disponíveis
para proteger os passivos seniores de subsidiárias operacionais de terceiros, não-
governamentais.

O ponto de partida para a avaliação da Fitch dos ratings de uma BHC é a sua análise do perfil
de risco consolidado do grupo. Isso geralmente se traduzirá no RV atribuído à subsidiária(s)
principal da BHC, basicamente, em seu local de origem. Mas esse nem sempre será o caso,
por exemplo, quando um grupo bancário operar em uma estrutura federada diferente, ou
quando as estratégias de resolução diferenciarem os perfis de risco das companhias
operacionais até mesmo dentro da mesma jurisdição de origem. Nesses casos, então, os RVs
das companhias operacionais podem ainda estar alinhados de perto, devido ao ‘suporte
ordinário’ disponível para elas como parte do grupo bancário mais amplo (veja também o
Anexo 1)

Equalização ou Graduação de Subsidiárias de Bancos


Atributos que sustentam a
equalização dos ratings da BHC
com os da principal subsidiária do
banco Atributos que suportam o rating da BHC abaixo do da principal subsidiária do b
Foco regulatório Grupo como entidade consolidada Proteção dos credores do banco
Fungibilidade do capital e Restrições leves ou nenhuma ao Restrições regulatórias a dividendos e transferências de liquidez mais onerosas
da liquidez pagamento de dividendos pela
subsidiária ou ao fluxo de liquidez para
a BHC
Jurisdição BHC e a principal subsidiária do banco BHC e principal subsidiária do banco incorporadas em diferentes jurisdições
incorporadas na mesma jurisdição
Dupla Alavancagem Baixa ou moderada, i.e. dupla Significativa, i.e. dupla alavancagem do capital social de mais de 120%,
alavancagem do capital próprio e indicativa de nível potencialmente oneroso dos custos do serviço da dívida
(definido como investimentos da BHC
patrimoniais em subsidiárias mais
intangíveis da BHC (definida como
capital), divididos pelo capital social da
BHC) de menos de 120%
Administração da liquidez Prudente, com planos de contingência Menos prudente, com planos de contingência limitados implantados
da BHC implantados
Controle da subsidiária Controle total, ou, em grande parte, da Relevante controle minoritário da principal subsidiária do banco
principal subsidiária do banco pela
BHC
Complexidade da estrutura Estrutura de grupo relativamente Estrutura do grupo extraordinariamente complexa com racional não claro
do grupo simples para a existência de determinadas entidades
Marcas Marca em comum da BHC e da Marcas distintas da BHC e da principal subsidiária operacional
principal subsidiária do banco
Fortalecimento do crédito Garantia das dívidas da BHC pela Sem garantias ou cláusulas de inadimplência cruzada
principal subsidiária operacional, ou
cláusulas de inadimplência cruzada,
referenciando a dívida da BHC, em
acordos de captação da subsidiária
a
Quando uma companhia holding emite dívida sênior para financiar aportes de capital não-patrimonial significativos na subsidiária, a Fitch pode, quando relevante,

considerar também uma medida mais ampla de dupla alavancagem, por exemplo, uma que utilize o capital total, em lugar de capital social no numerador e denominador.

Fonte: Fitch

Metodologia Global de Rating de Bancos 63


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O RV (quando atribuído) e os IDRs de uma BHC são normalmente alinhados de perto com os
RVs e IDRs das principais subsidiárias operacionais da BHC. Especificamente, o RV e o IDR
de Longo Prazo são normalmente equalizados, ou ficam um grau abaixo, de sua principal
subsidiária operacional. Isso reflete a correlação tipicamente muito próxima entre as
probabilidades de falha ou de inadimplência entre subsidiárias relevantes e a BHC. Por outro
lado, seria altamente improvável que as subsidiárias com bom desempenho deixassem que
uma BHC se tornasse inadimplente (quando elas pudessem evitar isso) devido aos enormes
riscos de reputação para o grupo. Por outro lado, falhas ou inadimplência de uma subsidiária
relevante provavelmente tornarão a BHC insolvente (porque as participações na subsidiária
precisarão ser reduzidas) e ilíquida (à medida que os fluxos de caixa das subsidiárias forem
secando e a dívida for acelerada no âmbito da BHC.

Ao determinar se equaliza os ratings da BHC aos de sua principal subsidiária bancária, ou se


classifica a BHC abaixo de sua principal subsidiária(s) bancária(s), a Fitch inicialmente focará
os fatores listados na tabela da página anterior. Em particular, a natureza de regulamentação
do grupo e o grau de dupla alavancagem no patamar da BHC serão os principais fatores para
determinar qualquer graduação.

A Fitch emprega uma definição relativamente estreita de dupla alavancagem, com base no
capital social. Entretanto, descasamentos nas fontes e uso de recursos das BHCs que não têm
efeito na dupla alavancagem do capital social, também podem resultar no RV e IDR da BHC
receberem graduação abaixo se, por exemplo, apresentarem notável risco de liquidez devido
aos descasamentos de fluxo de caixa reais ou potenciais. As restrições regulatórias aos fluxos
de dividendos de uma subsidiária representam uma forma de risco de liquidez, embora os
descasamentos de liquidez possam também surgir de outras formas. Por exemplo, a BHC
contraindo crédito em bases seniores que fluem como capital AT1 ou ações preferenciais
criaria potenciais descasamentos do fluxo de caixa e influenciariam negativamente a avaliação
sobre a liquidez da BHC. Nesses casos, a agência poderá, quando relevante, também
considerar medidas mais amplas de dupla alavancagem.

A Fitch pode atribuir à BHC IDR de Longo Prazo com mais de um grau abaixo do IDR de
Longo Prazo da principal subsidiária operacional nos casos em que:

 outras subsidiárias operacionais constituírem parte relevante do grupo e forem


classificadas abaixo da subsidiária principal;

 o IDR de Longo Prazo da principal subsidiária operacional for movido pelo potencial
suporte soberano, e, na opinião da Fitch, houver incerteza significativa sobre se o mesmo
suporte soberano seria estendido à BHC;

 Houver outros fatores que resultem em diferença significativa entre as probabilidades de


inadimplência da holding e a subsidiária do banco, por exemplo (embora não restrita a
isso) dupla alavancagem muito alta e risco muito alto de liquidez específico à BHC, ou falta
de capital ou de fungibilidade da liquidez dentro do grupo, devido a restrições regulatórias
colocadas sobre os fluxos de caixa da subsidiária operacional.

Além disso, no caso de subsidiárias operacionais de bancos e de instituições financeiras não-


bancárias cujas BHCs tenham um papel muito claramente definido de proteger os credores
seniores da companhia operacional em uma estratégia de resolução administrável do grupo, a
Fitch avaliará se ela acredita que o grupo conta com um nível suficiente e sustentável de
dívida júnior qualificável e de dívida sênior da BHC para recapitalizar uma subsidiária
operacional, se ela vier a falhar, sem precipitar a inadimplência de seus passivos seniores.

A Fitch considerará a atribuição de um IDR mais alto à subsidiária operacional de um banco ou


de uma instituição financeira não-bancária (IFNB) dentro de um grupo bancário se a dívida
júnior qualificável do grupo e o colchão da dívida sênior da BHC, juntos, ultrapassarem ou
estiverem próximos à exigência de capital total do pilar 1 mínimo do grupo (excluindo os

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colchões regulatórios, se impostos). A agência apenas incluirá a dívida sênior da BHC no


cálculo do colchão se, em sua opinião, a dívida sênior da BHC for sustentável (por exemplo,
devido a exigências regulatórias) e puder efetivamente ser posicionada para proteger todo o
passivo externo sênior da subsidiária operacional (por exemplo, fluindo de forma subordinada,
ou porque um supervisor pode forçar uma BHC a recapitalizar uma subsidiária operacional,
por exemplo, mediante a exigência norte-americana de “fonte de força”.

A Fitch então aumentará o IDR em um grau acima do RV, em particular, de uma subsidiária
operacional (potencialmente acima, quando os RVs estiverem na faixa ‘b’ ou inferior) quando a
agência acreditar que foi proporcionada proteção suficiente à dívida sênior (i.e., passivos que
são referência de ratings para o seu IDR) pela sua própria qualificação externa de dívida júnior
e a forma como os recursos da dívida da BHC foram ou poderão ser distribuídos internamente
para a companhia operacional.

Quanto à dívida qualificável júnior tomada isoladamente (veja Seção I.1 Atribuindo IDR de
Longo Prazo a um Banco Acima de seu RV), o limiar mínimo no qual a Fitch considerará
elevar a graduação do IDR da companhia operacional será tipicamente no pilar 1 mínimo de
exigência do capital total da companhia operacional, ou próximo a este, embora o montante
total dependa da avaliação da Fitch do provável ponto de intervenção regulatória e das
necessidades de capital após a recapitalização. Se a dívida interna também conseguir evitar a
inadimplência da dívida subordinada regulatória da companhia operacional, o RV da
companhia operacional também poderá receber um grau acima do patamar em que estaria
sem esse fortalecimento interno de absorção de perdas (mais potencialmente em patamares
de rating baixos).

Além disso (e, novamente, em comum com a abordagem tomada para a dívida qualificável
júnior isoladamente), a Fitch apenas consideraria aumentar o grau dos ratings de uma
subsidiária operacional, se eles tivessem alcançado o nível mais alto, caso os colchões
relevantes de dívida júnior da BHC e da companhia operacional estivessem em forma de
Núcleo de Capital Fitch, e não de dívida.

IV: Ratings de Emissões


Conforme indicado nas Seções I.6 deste relatório, os ratings de emissões de bancos, tais
como os de outros setores de finanças corporativas, incorporam uma avaliação tanto da
probabilidade de inadimplência (ou o risco de ‘falha no desempenho’ em caso de títulos
subordinados/híbridos) da obrigação específica, e de potenciais recuperações para os
credores em caso de inadimplência/falha no desempenho. Esta Seção descreve como a Fitch
avalia os riscos de inadimplência/falha no desempenho e as perspectivas de recuperação de
diferentes tipos de bancos, e como isso é considerado nos ratings de Longo Prazo e de
Recuperação atribuídos a emissões.

IV.1 Obrigações Seniores Sem Garantias

Os ratings de obrigações seniores sem garantia são normalmente atribuídos em linha com os
IDRs de um banco. Isso porque:

 A Fitch quase sempre considera a probabilidade de inadimplência de qualquer obrigação


sênior sem garantia igual à do banco (conforme refletido no IDR de Longo Prazo) porque a
inadimplência de qualquer classe relevante de obrigações seniores sem garantia seria
tratada pela Fitch como inadimplência da entidade;

 A Fitch geralmente trata as obrigações de bancos seniores sem garantia como tendo
perspectivas de recuperação médias. Tendo em vista a elevada incerteza em relação a
como se comportará o balanço de um banco diante da inadimplência, e como as ações
determinadas pelas autoridades do governo, se houver, para dissolver o banco poderiam
afetar as perspectivas de diferentes credores, a agência necessita de uma elevada “carga

Metodologia Global de Rating de Bancos 65


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de provas” para graduar uma dívida sênior para baixo ou para cima, com base em
perspectivas de recuperação. Os ratings de dívidas seniores de bancos estão, desta forma,
normalmente alinhados ao IDR de Longo Prazo e aos Ratings de Recuperação de um
banco, quando atribuídos, e, por esta razão, são normalmente ‘RR4’.

Em algumas jurisdições, as estruturas de resolução bancária significam que os balanços dos


bancos provavelmente se tornarão cada vez mais fortalecidos. Conforme observado em O
Que os IDRs de Bancos Classificam: Definição das Obrigações de Referência’, apenas a
dívida júnior que qualifique cai abaixo do limiar de referência do IDR da Fitch, o que significa
que quaisquer outros passivos ‘subordinados seniores’ constituirão normalmente ratings de
referência para fins do IDR de um emissor. A Fitch provavelmente classificará esses passivos
em linha com o IDR de Longo Prazo do banco.

Ainda assim, nas circunstâncias descritas a seguir, os ratings de emissões seniores, sem
garantias, podem ser atribuídos em patamares abaixo, ou acima, do IDR de Longo Prazo do
banco. Além disso, à medida que o banco se aproxima da inadimplência, é possível que surja
maior visibilidade sobre como a entidade será dissolvida e, por essa razão, sobre os riscos de
inadimplência e recuperação para os diferentes credores seniores. Nesses casos, as
obrigações seniores podem ser classificadas acima ou abaixo do IDR de Longo Prazo do
banco, por causa dessa visibilidade maior da probabilidade de resolução bancária.

Fracas Perspectivas de Recuperação, Rating de Emissão Mais Baixo: Em alguns casos, a


Fitch poderá considerar uma emissão sênior sem garantias como tendo perspectivas de
recuperação mais fracas do que a média, resultando na atribuição de um rating de emissão
abaixo do IDR de Longo Prazo. Isso pode ser devido a preocupações gerais sobre a qualidade
de ativos de um banco, possivelmente impactando as perspectivas de recuperação para todos
os credores em caso de inadimplência. Ou pode ser movida por preocupações específicas
relativas à estrutura de captação do banco, por exemplo, níveis muito altos de oneração no
balanço, ou subordinação muito profunda dos credores seniores na estrutura dos passivos.

A Fitch considera os riscos de recuperação os mais altos para os credores seniores sem
garantias, quando todas as três condições a seguir se aplicarem:

1. Credores seniores sem garantias são efetivamente subordinados a uma ampla maioria
dos passivos de um banco. Isso pode ocorrer devido à combinação de:

o preferência dos depositantes, quando isto estiver escrito em falência ou na legislação


de resolução, ou, na opinião da Fitch, é provável que opere, na prática, em uma
determinada jurisdição;

o captação com garantias, resultando na oneração de ativos;

o captação do governo, se outras reivindicações seniores estiverem legalmente


subordinadas a esta, ou, na opinião da Fitch, os credores do governo não devem, na
prática, compartilhar as perdas em um cenário de inadimplência;

o captação de partes relacionadas, se a Fitch acreditar que credores afiliados, na


prática, terão acesso preferencial aos ativos do banco antes ou mediante a falha.

2. O banco deverá ser liquidado mediante inadimplência, ou, na opinião da Fitch, as


recuperações recebidas pelos credores seniores estarão, provavelmente, próximas
àquelas que seriam recebidas em um cenário de liquidação. Na opinião da Fitch, as
seguintes características de um banco tornarão geralmente menos provável que ele seja
liquidado após a inadimplência:
o Importância Sistêmica: A preservação de um grande banco, sistemicamente
importante, será normalmente priorizada pelas autoridades regulatórias, ou esse
banco pode ser um alvo mais provável de aquisição.

o Controle pelo Governo: Um banco público pode desfrutar de maior indulgência

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regulatória e proteção dos credores após inadimplência, tornando menos provável a


sua liquidação.

o Controle Estrangeiro: Quando o rating de um banco é limitado pelo Teto País é mais
provável que sua inadimplência resulte da intervenção regulatória mais do que de
enfraquecimento do balanço, tornando a liquidação menos provável. Isso seria mais
tipicamente o caso de um banco com um acionista estrangeiro forte e altamente
comprometido.

o Predominância de Riscos de Liquidez: Quando a Fitch considera os riscos de liquidez


de um banco, de longe, muito mais uma ameaça ao seu perfil de crédito do que riscos
de solvência, é menos provável que o banco tenha sofrido problemas no balanço
quando da inadimplência e, desta forma, tenha mais probabilidade de sobreviver
como going concern.

3. O IDR de Longo Prazo do banco está na categoria ‘B’ ou abaixo, o que implica dizer que a
entidade está mais perto da inadimplência do que instituições com ratings mais altos e,
desta forma, é mais provável que preserve de forma ampla a sua atual estrutura do
balanço no ponto de falha.

Quando todas as três condições, a seguir, se aplicarem, a Fitch conduzirá uma análise de
resolução do balanço do banco, a fim de avaliar as potenciais recuperações para os credores
seniores. A Fitch também pode conduzir essa análise quando uma ou mais condições não se
aplicam, mas a agência acredita que as recuperações para os credores seniores sem
garantias podem estar altamente vulneráveis em um cenário de inadimplência. Isso
compreende três principais passos:

 Redução de ativos do banco, no mínimo, suficiente para eliminar seu patrimônio, de modo
a simular os problemas de solvência que causaram a inadimplência do banco (reduções do
patrimônio do banco em excesso podem ser empregadas quando a Fitch considerar a
qualidade de ativos do banco particularmente vulnerável em um cenário negativo);

 Aplicação de cortes no restante dos ativos, quando a Fitch acreditar que estes seriam
provavelmente vendidos por menos do que o valor contábil, em uma liquidação;

 Alocação do caixa gerado pelas vendas dos ativos para os credores do banco, baseado na
prioridade real das reivindicações.

A Fitch reconhece que essa análise requer grande número de premissas importantes em
relação à estrutura de ativos e passivos do banco diante de uma inadimplência, a extensão da
deterioração de ativos antes da inadimplência, os preços de venda dos diferentes ativos em
um processo de liquidação e a extensão na qual a prioridade legal das reivindicações dos
credores será respeitada na prática. Desta forma, a agência não irá simplesmente mapear as
recuperações esperadas nessa análise de fragmentação de um Rating de Recuperação
atribuído e o rating de Longo Prazo da emissão (baseado na escala de Rating de
Recuperação, na Seção I.7). Em lugar disso, a agência também considerará o quão sensíveis
são as recuperações esperadas a pequenas alterações nas premissas, e rebaixará em um
grau o rating da dívida sênior de um banco a partir de seu IDR de Longo Prazo, quando sua
análise antevir recuperações abaixo da média em uma faixa de premissas satisfatórias.

Fortes Perspectivas de Recuperação, Rating Mais Alto: Em algumas jurisdições, podem


ser atribuídos ratings de emissões a passivos de depósitos de clientes sem garantias e estes
podem ficar um grau acima do IDR, devido a perspectivas superiores de recuperação (Veja
também Ratings de Depósitos a seguir).

De modo geral, entretanto, a Fitch normalmente não atribuirá a passivos seniores sem
garantias, ‘não-preferenciais’, ratings mais altos do que o IDR de Longo Prazo do banco, por
causa da alta incerteza ao avaliar as perspectivas de recuperação. Uma exceção poderia ser
quando uma entidade está próxima da inadimplência e há maior visibilidade sobre as
perspectivas de recuperação para os credores seniores sem garantias.

Metodologia Global de Rating de Bancos 67


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Maior Risco de Inadimplência, Rating Mais Baixo: Em raros casos, a Fitch poderá chegar à
conclusão de que um banco pode seletivamente se tornar inadimplente em certas obrigações
seniores, mas que essa inadimplência não indicaria a ‘falha não solucionada’ da entidade, por
causa das circunstâncias específicas de inadimplência (normalmente relativas a alguma forma
de intervenção regular) e/ou devido ao fato de que as obrigações em questão não
compreendem parte significativa da base de captação total. Nesses casos, os ratings da
emissão podem refletir o risco de inadimplência específico relativo aos instrumentos em
questão, enquanto o IDR de Longo Prazo continuará a refletir o risco de inadimplência na
maior parte dos passivos seniores do emissor.

Menor Risco de Inadimplência, Rating Mais Alto: A Fitch pode atribuir a determinadas
obrigações seniores (incluindo, se relevante, notas vinculadas ao mercado; veja também a
seção IV.4), sem garantias, ratings mais altos do que o IDR de Longo Prazo do fiador, porque
a agência acredita ser menos provável a inadimplência dos títulos do que de outras obrigações
de referência que a agência classifica. Isso pode ocorrer em patamares de rating muito baixos,
pois quando uma entidade chega mais perto de se tornar inadimplente, pode haver maior
visibilidade sobre a possível natureza de qualquer inadimplência seletiva.

Pode também surgir quando existem títulos de dívida sênior ‘legados’ ou novos protegidos por
grandes volumes de TLAC seniores e outros, de dívidas mais juniores. Neste caso, a agência
esperaria utilizar os mesmos limiares e abordagem de volumes que seriam usados para
atribuir a um IDR graus acima do RV (consulte a seção ‘Elevação do Colchão da Dívida Júnior
Qualificável” em I.1) assim como para atribuição de RCD acima do IDR.

Ratings de depósitos também podem ser atribuídos em um grau acima dos IDRs do banco (ou
possivelmente acima, quando IDRs estão na faixa B ou abaixo), nos casos em que a Fitch
acreditar que o risco de inadimplência dos depósitos é bastante inferior ao de outros passivos
seniores (veja a seguir, Ratings de Depósitos).

Ratings de Depósitos
Em algumas jurisdições, ratings de emissões podem ser atribuídos a passivos de depósitos
sem garantias. Muitos países garantem depósitos de varejo abaixo de um determinado limiar e
/ ou tem uma forma estreita de depósitos preferenciais (por exemplo, para os depositantes de
varejo). Isto significa que a vulnerabilidade à inadimplência dentro da ampla classe de
depósitos pode variar de forma bastante substancial. Ratings de depósito indicam a
vulnerabilidade à inadimplência de um banco da classe mais arriscada de depositantes sem
seguro. Consequentemente, a inadimplência em qualquer depósito devido a uma incapacidade
77
de pagamento, normalmente resulta em rating de depósito de um banco a ser rebaixado a
um nível não realizável.

A Fitch poderá atribuir aos depósitos um rating um grau mais alto do que o IDR (ou
possivelmente acima, quando IDRs estão na faixa B ou abaixo), quando a agência acreditar
que o regime de falência da jurisdição claramente proporcione um pedido de falência mais
forte aos depositantes em relação a outros credores seniores sem garantias. Esta situação
preferencial dos depósitos pode levar a perspectivas superiores de recuperação, e/ou à
reduzida probabilidade de inadimplência, dependendo dos arranjos de resolução/falência em
uma determinada jurisdição.

Por exemplo, a experiência nos EUA mostrou que as recuperações para depositantes do
banco foram mais altas do que as da dívida corporativa em falhas de bancos mediante
dissoluções administradas por FDIC. A Fitch evitará atribuir ratings de depósitos acima do IDR
de um banco em operação, se considerar que um emissor depende consistentemente de um

77
É altamente improvável que um IDR de um banco seja rebaixado para ‘RD’ se ele ficar
inadimplente em um depósito de subsidiária estrangeira, por exemplo, devido à imposição de
restrições de retirada de depósito por quaisquer autoridades competentes.

Metodologia Global de Rating de Bancos 68


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nível significativo de passivos classificados acima de depósitos, o que minaria as perspectivas


de recuperação.

Os desenvolvimentos das estruturas de resolução e legal significam que a Fitch deverá


expandir seus ratings de depósitos a outras jurisdições onde a preferência dos depositantes é
iminente. Por exemplo, as propostas para mudar a hierarquia dentro da classe de credores
seniores significa que os depósitos serão classificados acima de outros passivos seniores
determinados em alguns países da UE. Juntamente com poderes de resolução fortalecidos
mediante a Diretriz de Recuperação e Resolução Bancária, isto poderia resultar em
perspectivas superiores de recuperação ou em menor vulnerabilidade à inadimplência dos
depósitos, dependendo da forma de intervenção em um banco que falhou pelas autoridades
de resolução.

IV.2 Títulos Subordinados e Híbridos


IV.2.1 Rating Âncora
O rating âncora para atribuição de ratings a títulos subordinados e híbridos é normalmente o
RV do banco, porque a Fitch acredita que, em muitos casos, não se pode confiar que o
suporte soberano será estendido à dívida júnior do banco. A Fitch não considera o suporte
extraordinário do estado nos ratings dos títulos híbridos com características de absorção de
perdas de going-concern (mecanismos como omissão de cupons ou baixa/conversão, que
podem ser ativados quando um banco ainda é viável, por exemplo, ações preferenciais ou
títulos AT1), a não ser em circunstâncias excepcionais (por exemplo, uma garantia do
soberano).

A premissa inicial da Fitch é de que os títulos com características de absorção de perdas de


going concern (isto é, mecanismos que são ativados apenas quando um banco não é viável,
por exemplo, dívida convencional Nível 2) também serão graduados a partir do RV de um
banco. Em muitos países, a Fitch acredita que não se possa contar com o fato de que o
suporte soberano, embora possível, fluirá para esses títulos. O Basileia III (isto é,
precipitadores de não-viabilidade) e as agendas de resolução bancária, combinados ao
conceito cada vez mais bem estabelecido de “compartilhamento de carga” com respeito aos
instrumentos de capital regulatório apoiam isso.

Ainda assim, a Fitch reconhece que há determinadas jurisdições onde a probabilidade de


suporte soberano provavelmente continuará suficientemente forte no caso de determinados
emissores (em particular aqueles sob controle estatal, papel político e/ou alta importância
sistêmica) para que a Fitch continue considerando o suporte nos ratings de títulos com
características de absorção de perdas de empresa em operação. Nesses casos, esses títulos
receberão graus abaixo do IDR do emissor, mas apenas para refletir a relativa severidade de
perda.

Nos casos em que um banco não recebeu um RV, o RV ou o IDR do controlador pode ser o
rating âncora mais apropriado (i.e., no caso de títulos emitidos por uma subsidiária
operacional) ou a Fitch assumirá uma análise mais customizada dos riscos de falha no
desempenho e de severidade de perdas, de modo a refletir as especificidades da situação (i.e.,
no caso de um banco não-operacional em fase de extinção) e informará sua abordagem em
seus comentários públicos.

Emissões de Subsidiária Bancária: O risco de falha no desempenho pode ser muito


diferente quando um título subordinado ou híbrido for emitido por uma subsidiária de outro
banco ou instituição. Nessas circunstâncias, frequentemente é altamente provável que um
controlador tenha forte interesse em prestar suporte a uma subsidiária e evitar que ela atinja
pontos em que as características de absorção de perdas surjam. A agência aplica a
abordagem descrita seguir.

Metodologia Global de Rating de Bancos 69


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 Quando a Fitch tem preocupações sobre a disposição de um banco


controlador prover suporte a um título híbrido ou subordinado de uma subsidiária ou
um banco controlador tem capacidade limitada para neutralizar o risco de falha no
desempenho (ou seja, o título passa no teste anual de lucros), o título receberá
graduação a partir do RV da subsidiária.

 Quando a Fitch acreditar que o suporte do controlador pode e será


efetivamente usado para neutralizar o risco de falha no desempenho de um título
subordinado ou híbrido da subsidiária do banco (com RV mais baixo), o título
provavelmente receberá graduação a partir do IDR da subsidiária, com a graduação
refletindo apenas a severidade relativa de perda. Entretanto, a Fitch normalmente
limitará o rating do título da subsidiária bancária a um nível que seria atribuído a
títulos equivalentes emitidos pelo controlador, particularmente quando o controlador e
a subsidiária operarem no mesmo país.

 Em outras circunstâncias, quando o RV de uma subsidiária for maior do que


o do controlador e a Fitch acreditar que será improvável que o controlador determine
ações (ou consiga) que afetem negativamente o RV da subsidiária de forma
relevante, poderá ser apropriado atribuir graduação aos títulos híbridos da subsidiária
fora de seu próprio RV.

IV.2.2 Atribuindo Graus de Severidade de Perda


Os ratings de títulos subordinados/híbridos de um banco são rebaixados em um grau em
relação ao rating âncora quando há recuperações abaixo da média, e em dois graus em caso
de recuperações fracas.

É importante notar que, na emissão e enquanto o risco de falha no desempenho permanecer


baixo, este elemento de graduação é sempre baseado em um cenário de final de jogo que a
Fitch assume ser alguma forma de reestruturação/troca de dívida problemática, resolução ou
liquidação. Ele não é reduzido porque a severidade de perda pode ser substancialmente
menor em um evento de perda contratual going concern. Por exemplo, o deferimento/omissão
do cupom, baixa parcial ou conversão contingente antes da inviabilidade. Essas considerações
somente afetam o rating de um instrumento quando ele não estiver apresentando bom
desempenho, ou quando o risco de falha no desempenho for muito alto/próximo (veja Ratings
Life-Cycle and Compression).

Embora em um cenário extremamente adverso (ou seja, liquidação total), tanto os credores
subordinados como os títulos híbridos de um banco seriam quase que certamente
completamente eliminados, em inadimplências dos instrumentos de títulos subordinados e de
alguns híbridos, na prática, em uma situação de resolução, poderiam ainda resultar em taxas
de recuperação que justifiquem um grau para a severidade de perda. Em última análise, eles
dependerão de uma variedade de fatores, incluindo o tamanho do problema, a estrutura de
capital no período, a forma da inadimplência (resolução, liquidação, troca de dívida
problemática etc.), diferenças jurisdicionais nas abordagens de resolução de bancos (dentre
outras, aplicação da hierarquia do conceito de reivindicações), absorção de perdas contratuais
versus estatutárias, baixas versus conversão etc.).

O leque de potenciais resultados significa que a Fitch considera adequado e apropriado


manter um grau de flexibilidade para decidir se atribui um ou dois graus por severidade de
perda a instrumentos subordinados e híbridos. Além de considerações de jurisdição a respeito
da aplicação da legislação de resolução bancária, fatores (especialmente se combinados) que
possam ser ou são bastante prováveis de receber a maior graduação (ou, seja, dois graus),
incluem:

Metodologia Global de Rating de Bancos 70


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

 Linguagem de baixa contratual completa;

 Instrumentos que possam ser baixados ou convertidos em capital antes da


8
resolução /ponto de inviabilidade 8 ;

 Alta vulnerabilidade do banco à liquidação total;

 precedência; e

 Parcela muito pequena de capital júnior relativa aos riscos enfrentados. Isso
é mais provável em níveis de rating baixos (quando os IDRs estão na faixa B
ou inferior) e se, na opinião da Fitch, houver clareza razoável sobre as
necessidades de recapitalização.

IV.2.3 Graduação pelo Risco de Falha no Desempenho


Instrumentos Going Concern: Para os títulos com características de absorção de perdas
going concern, não é a severidade da perda, mas sim a probabilidade de falha no
desempenho em relação ao ponto de não-viabilidade a maior variável do rating. A ativação de
uma característica de absorção de perda antes da falha não significa que o banco falhou, mas
é tratada como “falha no desempenho”, no âmbito do rating de um título.

Cupons Totalmente Discricionários: A Fitch acredita que os cupons totalmente


discricionários (por exemplo, de ações preferenciais ou títulos AT1) sejam a forma mais fácil
de atingir a absorção de perda. Embora possa não ser claro exatamente em que ponto um
banco será “solicitado” pelo seu regulador a omitir cupons, em muitas jurisdições é provável
que isso ocorra (e pode até ser automaticamente aplicado) quando o banco estiver dentro de
zonas de colchão de capital (por exemplo, colchão combinado). Alguns títulos híbridos
também requerem que haja suficientes “reservas distribuíveis” para cupons a serem pagos,
significando que o nível de reservas distribuíveis e a capacidade de criá-las ou administrá-las
poderá ser a limitação vinculante e, desta forma, o fator mais relevante de classificação do
risco de falha no desempenho. Títulos híbridos de bancos com cupons totalmente
discricionários provavelmente exibirão o mais amplo nível de graduação na estrutura de
responsabilidades do banco, independente de quaisquer outras características.

Para emissores com RV ‘bbb-’ ou acima, o cenário-base da Fitch atribui três graus a menos
que o RV ao risco incremental de falha no desempenho. No entanto, mais graus podem ser
atribuídos quando a agência tiver preocupações específicas, por exemplo, em relação à
flexibilidade de um banco evitar cair em uma zona de proteção, seja devido a influências
internas (políticas de gestão de capital, perdas inesperadas) ou influências externas
(regulatórias). Veja também comentários em “Quando o Risco Relativo de Falha no
Desempenho Aumenta”.

Quando combinado aos prováveis dois graus pela severidade de perda, a graduação pelo
risco de falha no desempenho significa que híbridos com cupons inteiramente flexíveis
deverão ser classificados na categoria ‘B’ a não ser que o RV do banco seja ‘bbb+’ ou superior.
Uma vez que os RVs estejam na faixa ‘a’ (esses títulos deverão ser classificados de ‘BBB-’ a
‘BB’), nossa avaliação da capitalização também deverá ser na faixa ‘a’, implicando, por
exemplo, bom acesso a capital (veja “Perfil Financeiro”) para ajudar a administrar as
necessidades de capital.

Gatilhos Pré-estabelecidos para Conversão Contingente ou Redução do Valor do


Principal: Quando houver total flexibilidade de cupons, o evento de “falha no desempenho”
será aquele que terá o mais alto risco de ocorrer (ou de, pelo menos, ocorrer antes de

88
Instrumentos com gatilhos CET1 de 5% ou acima são propensos a cair nesta categoria. A existência de
um gatilho pré-dissolução /PONV significa que a severidade de perda em um cenário de fim de jogo, se
não já absoluta, é altamente provável.

Metodologia Global de Rating de Bancos 71


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

qualquer outro evento). Isso significa que outras características contratuais de falha no
desempenho (ou seja, gatilhos de baixa parcial ou total ou de conversão a capital) não são
relevantes para o aspecto do risco de falha no desempenho do rating do instrumento.

Entretanto, se um banco emitir um instrumento cuja única característica contratual de


absorção de perda seja a de conversão contingente/redução de valor diante de um
determinado gatilho (ou seja, capital contingente Nível 2), sendo que este gatilho pode dar
origem ao aumento do risco de falha no desempenho em relação ao RV do banco. A Fitch
99
provavelmente somará de zero a dois graus pelo aumento do risco de falha no desempenho,
dependendo de se for “mínimo” (ou seja, o gatilho estabelecido é tão baixo que é quase
considerado capital após a falha), “moderado” ou “alto”.
A avaliação da Fitch sobre se o risco incremental é “mínimo”, “moderado” ou “alto” depende de
muitas variáveis. Os exemplos podem incluir a volatilidade dos ganhos de um banco, o grau de
flexibilidade na administração de ativos de risco ponderado e a reserva projetada de capital
acima do gatilho pré-determinado. Outra razão para a menor graduação pode ser quando o
risco de falha no desempenho for protegido pela existência de uma camada suficiente de
títulos com gatilhos suficientemente mais altos.

Legado de Títulos Híbridos: Em relação aos títulos híbridos, o mercado gerou ampla
variedade de termos e condições nos anos que antecederam a crise financeira global. De fato,
esta mesma complexidade foi uma importante deficiência no funcionamento efetivo desta
classe de ativos, sob a perspectiva de absorção de perdas.

Embora para o legado de títulos de capital nível 1 teoricamente deva haver flexibilidade em
relação aos pagamentos de cupons, na prática, na maioria dos casos esta flexibilidade foi
limitada por uma variedade de características “must-pay”, não apenas em forma de “look-
backs" e cláusula de garantia de paridade, mas também na existência de gatilhos de
deferimento estabelecidos ou muito próximos ao mínimo regulatório vigente, que
contrariamente algumas vezes comandou o pagamento desde que o gatilho não fosse violado.

Diretrizes de Rating Para RVs ‘bbb−’ ou Acima Quando o RV for o Rating Âncora
Graus por
severidade de
perda relativa a Risco de falha no Graduação pela Graduação
Principais características Exemplo de Severidade de recuperações desempenho falha no total a partir
dos ratings instrumento perda médias relativo ao RV desempenho do RV
Subordinação profunda; Basileia III Fraca −2 Muito Alta Pelo menos −3 Pelo menos
omissão do cupom totalmente Capital Nível 1 −5
discricionária
Subordinação profunda; Determinados Abaixo da -1/−2 Moderada ou alta −1 ou −2 −2 a −4
deferimento do cupom não- legados de média/fraca
cumulativo, frequentemente Capital Nível 1
limitado
Subordinação profunda; gatilho Determinados Abaixo da -1/−2 Muito Alta Pelo menos −3 Pelo menos
facilmente ativado (ou seja, legados de média/fraca −4
teste de lucros) Capital Nível 1
Subordinação; absorção de Basileia III Nível Abaixo da −1ª/−2 Mínima 0ª ou −1 −1ª a −3
perda inviabilidade (contratual 2 média/fraca
ou estatutária)
Subordinação; sem Capital Abaixo da −1/−2 Mínima, moderada 0 a −2 −1 a −4
flexibilidade de cupom; gatilho contingente média/fraca ou alta
de baixa ou conversão Nível 2
Subordinação; sem Legado de Abaixo da −1ª/−2 Mínima 0ª ou −1 −1ª a −3
flexibilidade de cupom Instrumentos de média/fraca
Capital Nível 2
Subordinação; deferimento Determinados Abaixo da −1ª/−2 Moderada ou alta −1 ou −2 −2ª a −4
cumulativo do cupom, legados média/fraca
frequentemente limitado UT2/deferíveis
LT 2
Subordinação; gatilho Determinados Abaixo da −1ª/−2 Muito Alta Pelo menos −3 Pelo menos
facilmente ativado (ou seja, legados de média/fraca −4
teste de lucros) capital Nível 2
ª Cenário-base/ Fonte: FitchFonte: Fitch

99
Mais graus podem ser aplicados se os gatilhos forem estabelecidos de forma semelhante, por exemplo,
para níveis mencionados na seção “Cupons Totalmente Discricionários”.

Metodologia Global de Rating de Bancos 72


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

A combinação do risco residual de deferimento de cupom e a potencial vulnerabilidade a uma


troca de dívida com problemas (DDE) significa que a Fitch considera que o legado de muitos
instrumentos híbridos exibe alto risco relativo de falha no desempenho. Para refletir isso, a
expectativa base da agência é de que ela atribuirá dois graus para o risco adicional de falha no
desempenho. Entretanto, por exemplo, onde limitações a falhas no desempenho forem
consideradas muito altas (especialmente se isso foi testado), a Fitch poderá optar por atribuir
apenas um grau ao risco de falha no desempenho.
Instrumentos deferíveis de Capital Nível 2 datados ou não datados estão amplamente sujeitos
às mesmas considerações que o legado de instrumentos de Capital Nível 1, de modo que a
mesma abordagem será adotada pela Fitch ao atribuir graus pelo risco de falha no
desempenho.
Instrumentos Going Concern (Gatilhos de Não-Viabilidade): O risco de falha no
desempenho inerente em um gatilho puramente do ponto de inviabilidade deve ser
basicamente o mesmo que aquele expresso no RV. Como tal, nenhuma graduação adicional
automática por falha no desempenho será necessária simplesmente devido à existência de um
gatilho do ponto de inviabilidade. O mesmo acontece com outros instrumentos gone concern
sem gatilhos contratuais de redução de valor, mas que podem ter seus valores
reduzidos/baixados ou convertidos a capital mais júnior no ponto de inviabilidade pelo estatuto
ou ser simplesmente expostos a perdas como parte do processo de insolvência.
Porém, determinar se um banco não é viável incluirá alto grau de subjetividade por parte de
autoridades, que são propensas a ter relevante grau de subjetividade a seu dispor. Em alguns
regimes de supervisão, pode haver risco não-negligenciável de que instrumentos após falha
(gone-concern) acabam sendo vulneráveis a compartilhar fardos antes do ponto no qual a
Fitch necessariamente considere que o banco falhou ou se tornou “inviável”. Isto pode ocorrer,
por exemplo, quando os reguladores impõem um mínimo de capital regulatório particularmente
alto ou se o compartilhamento da carga de uma dívida subordinada de alguma forma é
imposto após um banco falhar em algum tipo de teste de estresse de supervisão, mas ainda
1010
for viável.

Essas incertezas e riscos, embora não devam divergir muito do risco capturado no RV de um
banco, significam que a Fitch acredita ser apropriado ter flexibilidade para adicionar um grau
pelo risco incremental de falha no desempenho a títulos “gone concern” quando o risco de
falha no desempenho estiver fraco. Mais graus poderão ser aplicados quando o risco de falha
no desempenho aumentar (veja Quando o Risco Relativo de Falha no Desempenho Aumenta).

IV.2.4 Ciclo de Vida e Compressão dos Ratings


Quando os RVs São ‘bbb−’ ou Acima: A abordagem básica da Fitch para atribuição de
ratings a títulos híbridos emitidos por bancos com RVs ‘bbb-’ ou acima, está detalhada na
tabela da página 71. Vale notar que a Fitch atribui ratings às principais características do
instrumento e não ao seu tratamento do capital regulatório.

A Fitch também espera que os bancos apenas emitam títulos híbridos quando, na data da
emissão, a probabilidade de falha no desempenho, em termos absolutos, for relativamente
remota. No caso de um banco emitir um novo instrumento going concern com absorção de
perdas antes da falha, com probabilidade relativamente alta de falha no desempenho, desde o
início, a Fitch provavelmente aplicará uma graduação substancialmente mais ampla do que a
estabelecida na tabela da página 71. Em casos extremos em que, na opinião da Fitch, a falha
no desempenho de um novo instrumento de curto a médio prazo foi virtualmente inevitável, a
agência provavelmente se recusará a atribuir rating a esse instrumento.

10
10Na União Europeia, sob as regras revisadas de Ajuda do Estado a bancos (State Aid), em vigor desde
1º de agosto de 2013, o compartilhamento do serviço de dívida júnior supostamente é pré-requisito
antes de qualquer ajuda estatal ser aprovada (apesar de existir latitude). A ajuda estatal pode acontecer
antes da resolução , quando um banco ainda é viável, mas incapaz de levantar capital de forma privada,
requerido após um teste de estresse, por exemplo. A Fitch não necessariamente considera que um
banco tenha “falhado” somente por ele ter falhado em um teste de estresse de supervisão.

Metodologia Global de Rating de Bancos 73


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Quando os RVs São ‘bb+’ ou Inferiores: Devido às limitações numéricas de uma escala de
rating de 19 pontos e ao fato de a agência atribuir ratings na mesma escala a títulos que
apresentam desempenho e a outros que não apresentam, a rígida aderência à graduação
delineada na tabela abaixo poderá levar à compressão indesejável dos ratings, quando os RVs
dos bancos forem ‘bb+’ ou abaixo. Dessa forma, a Fitch utilizará a matriz da tabela abaixo
para determinar ratings quando o RV de um emissor for ‘bb+’ ou inferior, guiada também pelos
princípios para aplicação de graus expressos antes nesta Seção do relatório de metodologia.

A trajetória do RV de um emissor, o perfil de seu negócio e aspectos como a complexidade e


características da estrutura de capital do emissor influenciam se a Fitch aplica o rating máximo
mediante a matriz, ou algo abaixo. Por exemplo, um emissor de mercado emergente com
longo histórico de perfil de crédito relativamente estável e baixa alavancagem pode ter um RV
na faixa ‘bb-’ para refletir o risco país, limites de porte e diversificação etc. O risco de falha no
desempenho de um título híbrido pode ser considerado inferior ao de um emissor com o
mesmo RV, mas cujo RV esteja em trajetória de queda e quando a falha no desempenho de
um título híbrido for uma possibilidade crescente, a fim de preservar o capital, satisfazer as
exigências do regulador etc. Nesses casos, um título híbrido semelhante emitido pelo primeiro
banco pode receber um rating maior do que o que foi emitido pelo último, especialmente se a
Fitch considerar que o risco de um regulador vir a forçar ou compelir um banco a ativar
medidas de absorção de perdas seja menor.
Quando o Risco Relativo de Falha no Desempenho Aumenta: Um rebaixamento do RV de
um banco normalmente não afetará a graduação dos títulos relativa ao RV. A graduação
poderá, entretanto, mudar quando a probabilidade de falha no desempenho dos títulos
híbridos ou dívida subordinada de um banco, relativa à probabilidade de o banco falhar,
medida pelo seu RV, aumentar.
Isso poderá refletir uma alteração na administração dos “colchões” de capital do banco, ou
uma inesperada mudança nos requerimentos regulatórios relativos ao “colchão”, expectativas
ou ponderações de risco, que a Fitch acredita que um banco poderá lutar para atenuar, por
exemplo. Em outra ocasião, poderá ocorrer uma erosão lenta do capital a tal ponto que deixe a
Fitch cada vez mais preocupada em relação ao risco de falha no desempenho do cupom nos
instrumentos Nível 1, mas não em grau que dê origem a um incremento do risco
particularmente relevante de quebra dos gatilhos de conversão nos CoCos Nível 2.

Diretrizes de Rating Quando os RVs são bb+ ou Abaixo e o RV é o Rating Âncora


bb+ bb bb− b+ b b− ccc, cc, c
Subordinação; sem flexibilidade de cupom BBb BB−b B+b Bb B−b CCCb CCa
Subordinação; sem flexibilidade de cupom ; ponto de não-viabilidade menos absorção BBb BB−b B+b Bb B−b CCCb CCa
Subordinação; deferimento cumulativo de cupom; geralmente limitado BB−a B+a Ba B−a CCCa CCa C
Subordinação; sem flexibilidade de cupom; redução/conversão do gatilho going- BB−a B+a Ba B−a CCCa CCa C
concern
Profunda subordinação; deferimento não-cumulativo do cupom; geralmente limitada B+a Ba B−a CCCa CCCa CCa C
Profunda subordinação; omissão de cupom totalmente discricionária Ba B−a B−a CCCa CCCa CCa C
a
Rating máximo
b
Cenário-base
Fonte: Fitch

Nessas análises, os ratings de títulos subordinados e híbridos de bancos podem ser tratados
em bases mais customizadas, dependendo da avaliação da Fitch sobre o risco de falha no
desempenho dos títulos, (i) devido à situação que está evoluindo para o banco em questão e
(ii) considerando o provável nível do rating, caso seu desempenho falhe (veja abaixo).

Quando as Emissões Deixam de Apresentar Desempenho: Quando uma emissão deixa de


apresentar desempenho de algum modo, os ratings levam em consideração a forma e a
expectativa de duração da absorção de perda. Os fatores considerados incluem o nível do RV
de um banco e o tipo de absorção de perda que está sendo sofrida (ou seja, deferimento do

Metodologia Global de Rating de Bancos 74


Novembro de 2016
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cupom cumulativo contra a omissão de cupom e quaisquer fatores atenuantes, redução de


valor temporária ou de forma permanente etc.). Os instrumentos que não apresentam
desempenho recebem ratings de acordo com a tabela abaixo. O rating geralmente será
baseado no valor dos fluxos de caixa esperados e no RV do emissor.

Quando as Emissões Voltam a Apresentar Desempenho: Quando uma emissão volta a


apresentar desempenho, será efetivamente reclassificada em linha com as abordagens
delineadas nas tabelas acima.

Ratings de Obrigações Híbridas com Falha de Desempenho


Rating da
obrigação Obrigação com falha no desempenho
Categoria B A absorção de perda foi disparada, mas a obrigação classificada deverá retornar ao estado de desempenho
com apenas baixas econômicas muito baixas sendo sustentadas, que são consistentes com Ratings de
Recuperação ‘RR1 ’.
CCC A absorção de perda foi disparada, mas a obrigação classificada deverá retornar ao status de desempenho
com apenas perdas econômicas moderadas sendo sustentadas e consistentes com Ratings de Recuperação
‘RR2’.
CC A absorção de perda foi disparada e a obrigação classificada só deverá retornar ao status de desempenho
com altas perdas econômicas sendo sustentadas, que são consistentes com Ratings de Recuperação ‘RR3’.
C A absorção de perda foi disparada, e a obrigação classificada só deverá retornar ao status de desempenho
com severas perdas econômicas sendo sustentadas, que são consistentes com Ratings de Recuperação
‘RR4’ - ‘RR6’.
Caso a absorção de perda ocorra em forma de deferimento cumulativo que deverá ter vida curta (ou seja, seis meses ou um cupom anual), ou seja
efetivamente mitigada por uma característica tal como um mecanismo alternativo de satisfação de cupom (ACSM), a Fitch normalmente reduzirá o
rating para, no máximo, ‘BB’ ou, em circunstâncias excepcionais, ‘BBB’.
Fonte: Fitch

IV.2.5 Cláusulas de Substituição e Variação


Periodicamente, títulos híbridos e subordinados de dívida incluem cláusulas que permitem que
seus termos contratuais variem ou que sejam substituídos por novos. Essas cláusulas podem
ficar a critério do emissor, ou sujeitas à aprovação de um agente fiduciário etc.

A Fitch avalia se essas cláusulas afetarão o rating de um títulos, caso a caso. Na pior das
hipóteses, quando tanto a probabilidade de variação ou a substituição por um título com maior
severidade de perda ou o risco de falha no desempenho for considerado alto e houver alto
grau de clareza em relação à forma de substituição/variação dos títulos, a Fitch atribuirá
ratings com base nos termos da provável substituição ou variação dos títulos.

IV.3 Dívida Garantida e com Garantias Reais


A Fitch normalmente atribui ratings a dívidas totalmente garantidas em linha com a dívida
sênior sem garantias reais do avalista (se esta for mais alta do que o rating de dívidas sem
garantias do banco emissor). A equalização do rating da dívida com garantia com o rating
sênior sem garantias do avalista dependerá da garantia ser classificada igualmente com a
dívida sênior do avalista, e de a Fitch se sentir confortável com a jurisdição da garantia e sua
execução e pontualidade. A dívida de um banco que se beneficia de uma garantia que se
classifique em condições de igualdade com as obrigações subordinadas do avalista é
normalmente classificada em linha com a dívida subordinada do avalista.

A Fitch pode classificar obrigações de bancos com garantias, particularmente aquelas com
estruturas relativamente objetivas, utilizando a abordagem de perspectivas de
risco/recuperação de inadimplência descrita acima. Entretanto, as emissões de bancos com
formas mais complexas de fortalecimento estrutural, por exemplo, securitizações, letras
imobiliárias garantidas e obrigações parcialmente garantidas, são classificadas pelo grupo de
Finanças Estruturadas e Covered Bonds, ou pelo grupo de Fundos e Gestão de Recursos,
com base em metodologia separada.

Os ratings de obrigações de curto prazo se baseiam unicamente no risco de inadimplência das

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emissões e, desta forma, não consideram fortalecimentos estruturais que possam melhorar as
recuperações em caso de inadimplência.

IV.4 Notas Vinculadas ao Mercado


Alguns bancos emitem, ou garantem, notas vinculadas ao mercado (Market-linked notes,
MLNs), ou seja, títulos que retornam montantes referentes a um risco de mercado
essencialmente independente da própria situação de crédito do emissor/do avalista. Em
alguns casos, somente o fluxo do cupom faz referência ao risco de mercado (principal das
notas protegido), e em outros, tanto o fluxo do cupom como o pagamento do principal são
movidos pelo risco do mercado de referência (principal das notas não-protegido). As MLNs
fazem referência a um leque muito amplo de riscos, mais comumente relativos a patrimônios,
moedas e commodities, e são frequentemente estruturadas em resposta a questões reversas.
A Fitch não considera notas ligadas à inflação, como MLNs para fins desta metodologia.

A Fitch não acredita que seja possível considerar estes altamente variados riscos de mercado
embutidos em um rating de crédito convencional. Assim, a agência não classifica notas cujo
principal não seja protegido e que, para fins desta metodologia incluem notas em duas
moedas, em que o principal é pago em moeda diferente da que foi investida, ou é pago em
ações. Entretanto, a agência pode, em bases seletivas, classificar notas com uma cláusula
destinada a proteger o investidor contra a imposição de controles de câmbio por um governo
soberano, que determinam a liquidação em moeda diferente, devido às regras da câmara de
compensação, e que dão ao investidor a opção de resgate antes do vencimento por um
montante baseado em um cálculo ligado ao mercado.

A Fitch atribui ratings a notas com o principal protegido, que abordam unicamente o risco de
crédito do emissor/avalista. Assim, a Fitch agrega um sufixo (emr) aos seus ratings de MLNs,
para destacar que a variabilidade do cupom criado pelo risco de mercado embutido foi
excluída do rating atribuído à nota. Os ratings de MLNs são atribuídos em linha com aqueles
de outras obrigações do emissor (tipicamente dívida sênior sem garantia) com os quais eles se
classificam em igualdade de condições.

Esta abordagem não se aplica a notas ligadas a crédito, que referenciam o risco de crédito de
um terceiro ou um grupo de terceiros. Estas notas podem ser classificadas pelo Grupo de
Finanças Estruturadas da Fitch.

Metodologia Global de Rating de Bancos 76


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Anexo 1: Ratings de Viabilidade de Subsidiárias Bancárias

RVs de subsidiárias bancárias, quando atribuídos, podem beneficiar, ou sofrer, como resultado
do controle da matriz, dependendo da força dos acionistas e do grau de integração
matriz/subsidiária.

Positivo para o RV de Subsidiária: Suporte Ordinário


Uma subsidiária normalmente se beneficia de alguma forma de ‘suporte ordinário’ de sua
matriz, por exemplo, em termos de estabilidade e de custo de captação, transferência de
experiência administrativa e sistemas operacionais, e assistência à originação de negócios, e
esses benefícios estão refletidos no RV da subsidiária.

Negativo para o RV de Subsidiária: Risco de Contágio


RVs de subsidiárias nem sempre são mais altos do que os IDRs de Longo Prazo do
controlador. A principal razão para isso é simplesmente que os bancos raramente adquirem
outros credores com perfis de crédito mais fortes do que o seu próprio, ou conseguem
desenvolver subsidiárias à medida que estas últimas se tornariam créditos superiores. Além
disso, a dependência frequentemente substancial do ‘suporte ordinário’ de seus controladores,
e a frequentemente relevante exposição ao risco de contágio em caso de acentuada
deterioração do perfil de crédito do controlador atenuam a atribuição a uma subsidiária de RV
acima do IDR de Longo Prazo do controlador.

Ratings de Subsidiárias Acima do Controlador


Em raros casos, entretanto, o RV de uma subsidiária bancária, e, portanto, o IDR de Longo
Prazo podem ser mais altos do que o IDR de Longo Prazo de seu controlador. O grau em que
um RV de subsidiária bancária pode ultrapassar o IDR de Longo Prazo de seu controlador
depende da opinião da Fitch sobre a independência do perfil de crédito da subsidiária em
relação ao de seu controlador, ou seja, do grau em que a subsidiária é considerada exposta ao
risco de contágio pelo controlador em caso de deterioração marcante do perfil de crédito deste
último. Devido ao risco de contágio, a potencial elevação do RV da subsidiária em relação ao
IDR de Longo Prazo do controlador é, geralmente, no máximo de três graus, embora em
circunstâncias excepcionais o diferencial possa ser maior. A Fitch considera os seguintes
fatores positivos na limitação do risco de contágio, e, por essa razão, permite maior elevação
do RV da subsidiária em relação ao IDR de Longo Prazo do controlador:

 exposição direta limitada da subsidiária ao seu controlador (ou ao mercado


de origem do controlador, caso o mercado esteja sofrendo estresse
sistêmico);
 franquia, administração e infraestrutura operacional da subsidiária
relativamente independente;
 dependência limitada da subsidiária na captação não-patrimonial da
controladora, dependência limitada do acesso da subsidiária à captação de
terceiros e liquidez na saúde do controlador e limitada aceleração da
captação da subsidiária em caso de inadimplência do controlador;
 um forte regulador local capaz de identificar e, quando necessário, restringir
transferências de capital e liquidez da subsidiária para a controladora;
 restrições a transferências de capital e liquidez da subsidiária para a
controladora, com imposição de credor, contida em acordos de captação à
subsidiária;
 nenhuma evidência até o presente, de retirada pela controladora de liquidez
ou de capital da subsidiária em um grau que impactaria significativamente o
perfil de crédito da subsidiária, possivelmente aumentado por declarações
pela administração da controladora de que ela não pretende fazê-lo no
futuro;

 valor de venda da subsidiária potencialmente alto, tornando sua alienação

Metodologia Global de Rating de Bancos 77


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

uma potencial fonte de recapitalização da controladora e servindo como


desestímulo para impactar seu perfil.

O RV de uma subsidiária bancária é normalmente menos restrito pelo RV do controlador do


que pelo IDR de Longo Prazo deste. Isto porque a falha do controlador representaria,
normalmente, uma fonte um tanto mais branda de risco de contágio para a inadimplência da
subsidiária do que para a inadimplência do controlador. Entretanto, quando a Fitch acreditar
que a falha de um controlador impactará significativamente o perfil de crédito da subsidiária
(i.e. por causa do resultante acesso restrito à captação pela subsidiária, ou porque o
capital/liquidez pode ser canalizado da subsidiária antes da falha do controlador), isso pode
afetar negativamente o RV da subsidiária.

Metodologia Global de Rating de Bancos 78


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Anexo 2: Atribuindo Rating a Bancos Acima do Soberano


Capacidade do Banco e Restrições Soberanas
A Fitch classificará um banco acima do soberano – i.e. atribuirá IDR de Longo Prazo em
Moeda Local ao banco, acima do IDR de Longo Prazo em Moeda Local do soberano, ou IDR
de Longo Prazo em Moeda Estrangeira – quando duas das seguintes condições se aplicarem.
Primeiro, a Fitch deve acreditar que o banco provavelmente reteria a capacidade de honrar
suas obrigações na moeda em questão, após uma inadimplência soberana naquela moeda.
Esta capacidade pode ser retida, tanto pelo fato de o banco receber suporte externo, ou em
função de sua força intrínseca, conforme refletido em seu RV, suficiente para permitir que ele
continue honrando suas obrigações após uma inadimplência soberana.

Segundo, a agência deve acreditar que o soberano, após sua própria inadimplência em uma
moeda, provavelmente não imporia restrições à capacidade de o banco honrar suas
obrigações naquela moeda. As restrições podem ser aplicadas a obrigações em moeda
estrangeira ou em moeda local. A Fitch normalmente considera a primeira como algo mais
provável do que a última, que tende a resultar no fato de que os ratings em moeda local do
banco sejam menos restritos, em relação ao soberano, do que os em moeda estrangeira.
Entretanto, em alguns países onde os governos têm sido mais intervencionistas, tanto os
ratings de bancos em moeda estrangeira como os em moeda local podem ser limitados no
âmbito do soberano.

Historicamente, a metodologia da Fitch de atribuição de ratings acima do soberano a bancos


têm sido mais aplicável em mercados emergentes, onde os ratings soberanos têm sido
frequentemente muito baixos e os perfis de crédito de alguns bancos têm sido superiores aos
do soberano, devido ao controle estrangeiro ou a perfis individuais muito fortes (no contexto do
mercado local). Entretanto, nos últimos anos, a questão de quando classificar bancos acima
do soberano se tornou mais relevante em algumas economias com receitas mais altas,
também.

Capacidade de os Bancos Honrarem o Serviço da Dívida


Correlação Entre os Perfis de Crédito Soberanos e os de Bancos: A condição financeira
de um banco normalmente se deteriorará significativamente à medida que uma crise soberana
se intensificar, enfraquecendo a capacidade de honrar suas obrigações. Isto porque os bancos
tipicamente têm elevada exposição à saúde financeira do governo, à economia doméstica
mais ampla e aos mercados financeiros locais. Por causa dos fortes vínculos entre o soberano
e os perfis de crédito dos bancos, uma deterioração marcante no perfil soberano e o
rebaixamento de seus ratings deverão provavelmente ser acompanhados por rebaixamentos
nos ratings de bancos. A seguir, algumas das principais razões para a elevada correlação
entre os perfis individuais do soberano e dos bancos:

 Uma inadimplência soberana estará frequentemente associada à recessão,


turbulências econômicas e deterioração nas contas familiares e de empresas,
enfraquecendo a qualidade das exposições dos bancos ao setor privado local.

 Os bancos, frequentemente também terão exposições diretas significativas ao


soberano em forma de posse de títulos do governo e dos créditos e garantias
prestadas ao soberano ou a outras entidades do setor público.

 Os perfis de captação e liquidez dos bancos podem se deteriorar significativamente à


medida que o estresse soberano levar ao fechamento dos mercados de captação no
atacado ou a corridas de depósitos. O banco central também pode perder a
capacidade de atuar como credor de último recurso, e pode não mais existir um
mercado disponível para refinanciar a dívida do governo ou outros títulos
anteriormente “líquidos”.

 Inadimplências soberanas também podem ser associadas à desvalorização de


moeda, taxas de juros altas e voláteis e à inflação alta, o que pode resultar em alta

Metodologia Global de Rating de Bancos 79


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

volatilidade do balanço e expor os bancos a crescentes riscos de mercado.

 À medida que o estresse soberano aumenta, as autoridades nacionais podem impor


regulamentações adicionais ao setor bancário, ou buscar utilizar o sistema bancário
como fonte de suporte ao soberano e/ou à economia mais ampla.

Não obstante, a história mostrou que em alguns cenários de inadimplência soberana os


bancos efetivamente conseguem evitar a inadimplência. Para reter a capacidade de honrar a
dívida nesse cenário, um banco deve ter acesso a suporte externo (geralmente do acionista)
ou ter um perfil de crédito individual muito forte (no contexto doméstico). Na prática, os
primeiros casos tendem a ser mais comuns do que os últimos e, por isso, a Fitch classifica
consideravelmente mais bancos acima do soberano com base no suporte, em lugar de na
força individual.

Suporte Externo: Para classificar um banco acima do soberano com base no suporte dos
acionistas, a Fitch precisa acreditar que o compromisso do controlador em relação à sua
subsidiária seja suficientemente forte e que provavelmente continuará disponível, mesmo após
a inadimplência do soberano e de o perfil, em bases individuais, da subsidiária ter
provavelmente sofrido impacto relevante.

A Fitch normalmente esperará que um banco controlador continue prestando suporte à sua
subsidiária após uma inadimplência soberana, mesmo quando parece haver pouco benefício
imediato em fazê-lo. Isso reflete os potencialmente altos custos da reputação para o banco
controlador de uma inadimplência da subsidiária, em particular se o grupo tiver outras
subsidiárias estrangeiras. Reflete ainda o fato de que as perdas do banco controlador, em
caso de falência da subsidiária, podem ser maiores do que o custo do suporte necessário,
especialmente quando a captação não-patrimonial também tiver sido oferecida. Em alguns
casos, o regulador do país sede também pode apelar ao regulador do banco controlador para
procurar influenciar a decisão do controlador de prestar suporte à sua subsidiária.

Considerando-se esses fatores, a Fitch classificará, em muitos casos, a subsidiária de um


banco acima do soberano, com base no potencial suporte de um controlador estrangeiro
relativamente forte. Entretanto, a potencial elevação normalmente será limitada, devido à
alguma incerteza de que o compromisso do controlador em prover contínuo suporte continuará
em vigor em um cenário de inadimplência do soberano. A elevação será normalmente limitada
em dois graus, embora possa chegar a três graus quando a Fitch considerar o suporte do
controlador muito robusto até mesmo em caso de elevado estresse soberano/macroeconômico.
Isso pode ser, por exemplo, devido ao fato de o controlador ser um participante regional muito
comprometido, ou porque a subsidiária é relativamente pequena no mercado doméstico, e,
desta forma, improvável de ser um alvo primário de intervenção governamental.

Força Intrínseca: Para a Fitch classificar um banco acima do soberano em bases individuais,
ele precisará demonstrar um perfil de crédito muito forte (no contexto do mercado doméstico).
A força da franquia de captação do banco será particularmente importante. Um banco
predominantemente financiado por depósitos e cuja base de depósitos se mostrou
relativamente estável, ou mesmo beneficiada por uma fuga para a qualidade, durante crises de
mercado anteriores, terá normalmente maior probabilidade de permanecer líquido em caso de
inadimplência soberana. Isso, por sua vez, daria ao banco mais flexibilidade para carregar
ativos impactados e evitar a realização de perdas nestes, desta forma potencialmente
sustentando sua posição de capital. Entretanto, a Fitch também normalmente esperaria que
um banco classificado acima do soberano tivesse forte base de capital, prudente cobertura
pelas reservas, sólida subscrição de crédito e forte lucratividade antes das provisões, o que
reduziria o impacto negativo de uma inadimplência soberana na sua posição de capital.

Alta diversificação geográfica, refletida em uma proporção relativamente alta de ativos,


passivos e receita gerada em mercados estrangeiros, também pode ajudar a compensar o
impacto negativo de uma crise soberana em um banco doméstico, aumentando o potencial

Metodologia Global de Rating de Bancos 80


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

para que ele seja classificado acima do soberano. Entretanto, estes benefícios podem ser
limitados nos casos em que os ativos e passivos estrangeiros são mantidos basicamente nos
balanços da subsidiária, em lugar de no âmbito do controlador, pois os reguladores da
subsidiária podem resistir em transferir capital e liquidez para o controlador.

Por outro lado, bancos com exposição direta muito alta ao soberano podem ter maior
dificuldade de permanecer solventes e líquidos em caso de inadimplência do soberano, devido
às perdas de marcação a mercado de títulos do governo e ao desaparecimento de mercados
líquidos onde eles possam vender ou refinanciar dívida pública. Bancos com essas elevadas
exposições terão menos probabilidade de serem classificados acima do soberano. Entretanto,
um banco com sólida franquia de captação e estável base de depósitos pode ainda conseguir
enfrentar essas dificuldades, pois não teria que levantar liquidez adicional, poderia evitar a
realização de perdas na venda de ativos e, em comum com outros bancos no sistema, se
beneficiar da tolerância regulatória em termos de reconhecimento de perdas.

Outras características que tornarão menos provável para um banco ser classificado acima do
soberano incluem:

 Elevadas exposições em moeda estrangeira: Créditos denominados em


moeda estrangeira podem sofrer considerável impacto em caso de
inadimplência soberana, dado o potencial de desvalorização da moeda local.
Significativos créditos externos também podem resultar em elevados riscos
de refinanciamento e liquidez.

 Controle pelo Estado: Bancos públicos podem ter maior probabilidade de


serem usados como fonte de suporte para o soberano e/ou para a economia
mais ampla em um cenário de estresse, potencialmente impactando seus
perfis individuais.

 Balanços soberanos muito fortes: Se a posição financeira do próprio


soberano for uma força relativa para os ratings, por exemplo, a dívida do
governo é baixa e as reservas são altas, então, é menos provável que um
banco, com alavancagem intrinsecamente alta, seja classificado acima do
soberano.

A Fitch raramente classifica bancos com mais de um grau acima do soberano com base na
força individual, devido à frequentemente alta correlação entre o soberano e os perfis de
crédito dos bancos. Entretanto, bancos excepcionalmente fortes podem às vezes atingir um
rating dois graus acima do soberano.

Restrições Soberanas ao Serviço da Dívida


Mesmo quando um banco retém a capacidade de honrar suas obrigações, ele pode ser
impedido de fazê-lo por restrições impostas pelo soberano. As restrições contra o serviço
podem ser colocadas apenas em relação às obrigações em moeda estrangeira, ou em
obrigações em moeda local, também. Normalmente, a Fitch considera o risco de restrições em
moeda local um pouco abaixo das restrições em moeda estrangeira, potencialmente
permitindo maior elevação dos ratings em moeda local dos bancos.

Restrições em Moeda Estrangeira – Risco de Transferência e Conversibilidade: Os Tetos


País da Fitch capturam o risco de transferência e conversibilidade (T&C), isto é, o risco de
serem impostos controles cambiais que possam evitar ou materialmente impedir a capacidade
de o setor privado doméstico converter moeda local em moeda estrangeira e transferir os
recursos para credores não-residentes. Os Tetos País normalmente restringem os IDRs em
Moeda Estrangeira de todas as entidades domiciliadas na jurisdição relevante. Embora
empresas não-financeiras muito fortes possam por vezes atingir ratings acima do Teto País, é
excepcionalmente raro que os bancos o façam (veja abaixo, Atribuindo Rating a Bancos Acima
do Teto País).

Metodologia Global de Rating de Bancos 81


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Os riscos T&C estão fortemente correlacionados ao risco soberano, e desta forma, os Tetos
País são geralmente graduados a partir do IDR LP ME do soberano. A elevação máxima do
Teto País em relação ao IDR LP ME do soberano é de três graus, a não ser que o Teto seja
atribuído com base em uniões monetárias ou em acordos monetários supranacionais. Para
maiores detalhes, veja o relatório de metodologia Teto País mencionado no Anexo 10. Quando
o Teto País é atribuído no mesmo patamar do rating soberano, não será (normalmente)
possível para os bancos, ou outros emissores domésticos, atingir ratings em moeda
estrangeira acima do soberano.

Restrições em Moeda Local – Congelamento de Depósitos e Outras Intervenções:


Durante uma crise soberana, as autoridades podem aumentar a regulamentação do setor
bancário. Medidas podem ser introduzidas com vários objetivos, inclusive o suporte ao próprio
sistema bancário, suporte à economia mais ampla, estabilização de mercados financeiros mais
amplos e indicadores macroeconômicos, além de redução do descontentamento e/ou pânico
popular.

Em alguns casos, estas medidas incluirão restrições, tais como congelamento de depósitos ou
fechamentos prolongados de bancos, que impeçam os bancos de honrar suas obrigações em
moeda local e em moeda estrangeira. Outros tipos de intervenção, por exemplo, crédito direto,
controles de taxas de juros, conversão obrigatória de moeda e nacionalização obrigatória
podem não evitar diretamente que um banco honre o serviço de suas dívidas, mas podem
minar seriamente sua capacidade de fazê-lo. Em face destes riscos, a Fitch normalmente
limita a elevação dos ratings de bancos em moeda local em relação aos ratings soberanos em
moeda local a dois graus, embora a elevação de três graus seja possível quando a agência
considera o suporte do controlador muito robusto, mesmo no caso de alto estresse
soberano/macroeconômico.

Ao determinar o grau da possível elevação dos IDRs em Moeda Local de bancos acima do
soberano, a Fitch considerará as determinações legais e de governança do país, e o registro
de imposições de congelamento de depósitos pelas autoridades, ou de interferência de
qualquer outra forma nas operações do sistema bancário. Na prática, a Fitch normalmente
assume uma correlação significativa entre o risco de imposição à ME e ML em um
determinado país e, por essa razão, raramente atribuirá a um banco um IDR LP ML com mais
de um grau acima do IDR LP ME do banco.

Enquanto em alguns casos a Fitch atribui Tetos País no patamar do IDR LP ME do soberano,
evitando a elevação dos IDRs ME do banco acima daqueles do soberano, é comparativamente
raro que a agência restrinja os ratings em moeda local de bancos no âmbito do soberano. Isso,
porque um soberano terá normalmente alguns incentivos para manter um banco e o sistema
de pagamentos funcionando, mesmo durante uma crise soberana, tornando o risco de
restrições à ML significativamente inferior ao de uma inadimplência soberana.

Se a Fitch não atribuir um rating soberano, a agência pode utilizar a análise de Credit Opinion
ou outra avaliação de solvência do soberano para determinar até que ponto os riscos de
países pode restringir os IDRs de um banco.

Metodologia Global de Rating de Bancos 82


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Fatores Determinantes da Potencial Elevação de Ratings de Bancos


Acima do Soberano
Elevação máxima a partir do Principais fatores na
soberanoa determinação da elevação
Capacidade de a IF honrar as obrigações
Força individual Normalmente não mais de um Perfil de crédito geral, em particular
grau; dois graus para bancos financiando a franquia.
excepcionalmente fortes.
Suporte do acionista Normalmente não mais de dois Capacidade e propensão de o
graus, três graus quando a acionista prestar suporte.
agência considera o suporte muito
robusto em um cenário de
estresse.
Risco de intervenção soberana
Em moeda estrangeira De zero a três graus, conforme Determinação da lei e governança;
definido pelo teto país, mas para restrições institucionais; integração
elevação dos ratings de bancos na economia global.
normalmente limitados a dois
graus.
Em moeda local De zero a três graus, mas, pelo Determinação da lei e governança;
menos, um grau possível em histórico de intervenção no sistema
muitos casos. bancário.
a
Não se aplica a circunstâncias excepcionais (veja seção abaixo) quando a graduação máxima pode ser mais alta ou
mais baixa
Fonte: Fitch

Interrelação da Capacidade dos Bancos e Restrições Soberanas: Na prática, pode não ser
possível separar inteiramente os riscos relativos à deterioração da capacidade de um banco
honrar o serviço da dívida dos riscos relativos à intervenção soberana. Por exemplo, se as
autoridades impuserem medidas regulatórias muito pesadas, estas podem impactar o perfil
individual dos bancos, ou até mesmo minar a intenção de alguns controladores de bancos de
continuar prestando suporte.

Por outro lado, se um sistema bancário continuar relativamente estável durante uma crise
soberana e não sofrer fugas de depósitos ou outros fluxos de saída de recursos, isso pode
reduzir a necessidade de o soberano impor restrições. Nesse cenário, o soberano pode focar
seus esforços na administração de problemas em bancos individuais que possam ter falhado, em
lugar de intervir no sistema, como um todo.

Atribuição de Ratings a Bancos Acima do Soberano na Zona do Euro


Os Tetos País de soberanos na Zona do Euro são atribuídos principalmente no nível ‘AAA’,
pois o risco T&C na Zona do Euro é normalmente baixo. Entretanto, os perfis individuais de
bancos, tais como em outros mercados, provavelmente se deteriorarão severamente se
houver inadimplência soberana em um país da Zona do Euro. O suporte dos controladores de
bancos estrangeiros também poderá se tornar menos confiável nesse cenário, pois isso
poderá ser acompanhado por inadimplências de bancos domésticos, por perspectivas bem
mais fracas para os negócios bancários no país e por potenciais pontos fracos nos próprios
bancos controladores. Por essas razões, a potencial elevação de ratings de bancos acima
daqueles dos soberanos na Zona do Euro, como em qualquer outra parte, normalmente ficará
limitada a um ou dois graus.

Circunstâncias Excepcionais
Atribuição de Rating a Bancos Acima do Teto País: Empresas não-financeiras
excepcionalmente fortes podem conseguir atingir ratings ME acima do Teto País se protegidas
contra o risco de transferência. Por exemplo, como resultado de ganhos substanciais com
exportação, ativos estrangeiros ou produção no exterior. Entretanto, é muito incomum que
bancos tenham grandes resultados ou ativos no exterior que possam ser usados para serviço
de dívida estrangeira, ou para que eles consigam transferir esses ganhos/ativos para credores

Metodologia Global de Rating de Bancos 83


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estrangeiros sem quebrar restrições a transferências impostas por reguladores domésticos.


Ainda assim, em determinadas circunstâncias excepcionais, quando os ativos e ganhos
estrangeiros forem substanciais e os passivos domésticos limitados, a agência pode atribuir
IDRs ME acima do Teto País.

Garantias: Se um banco é beneficiado pela garantia de um controlador estrangeiro (ou outra


1111
entidade), seus IDRs normalmente serão equalizados aos dos IDRs do avalista, mesmo se
o IDR LP ME do avalista for superior ao Teto País no mercado onde a subsidiária estiver
domiciliada. Isso reflete o fato de que o avalista seria obrigado, em caso de falha no
desempenho da IF, a honrar a garantia diretamente, independente da restrição a T&C ou a
outras impostas pelo soberano na jurisdição do banco. Entretanto, o risco de circunstâncias
extremas (veja abaixo) surgirem no mercado do banco e na jurisdição, e determinações exatas
da garantia podem limitar a elevação do rating a partir da garantia dos ratings da subsidiária
do banco.

Baixos Níveis de Rating: À medida que a crise soberana aumentar e os soberanos se


encaminharem para a inadimplência, pode se tornar mais claro se determinados bancos
conseguirão permanecer correntes em sua dívida, isto é, se eles reterão a capacidade de
servir a dívida e se as autoridades introduzirão restrições ao serviço da dívida. À medida que
se torna possível ter uma visão sobre isso com mais certeza, a Fitch poderá ampliar ou
estreitar a elevação dos ratings de bancos em relação ao soberano.

Nenhuma Intervenção, Graduação Potencialmente Mais Ampla: Se, à medida que um


soberano se encaminha para a inadimplência, torna-se clara sua intenção de não impor
restrições T&C ou de intervir especificamente no setor bancário, e determinados bancos
mantêm os perfis individuais relativamente estáveis ou continuam recebendo suporte do
controlador, a graduação dos bancos acima do soberano pode aumentar. À medida que um
soberano se encaminha para a inadimplência, ele também pode, em raras circunstâncias,
continuar a prestar suporte de forma seletiva a determinados bancos sistemicamente
importantes e/ou públicos, priorizando esse suporte acima do serviço de sua própria dívida.
Por isso, em níveis de rating muito baixos, é possível que os bancos possam ser classificados
acima do soberano com base neste suporte seletivo das autoridades.

Intervenção em Situações Extremas; Potencialmente Nenhum Grau: Se um soberano


impõe T&C ou outras restrições à medida que se aproxima da inadimplência, ou expressa sua
intenção de fazê-lo, a agência provavelmente deixará de classificar quaisquer bancos acima
do soberano.

Além disso, em situações extremas – tais como em guerra, conflito civil, imposição de sanções
econômicas que possam impedir o fluxo de câmbio para dentro de um país, ou falha total de
um mercado interbancário local, ou do sistema de pagamentos, devido ao caos na economia
interna ou na política – a Fitch normalmente não classificará IFs acima do soberano,
independente da atual capacidade de serviço das dívidas das entidades envolvidas. Isso
reflete o alto nível de incerteza presente nesses casos, e o risco de que os bancos não
possam mais continuar honrando suas obrigações.

11 11
Os IDRs da subsidiária podem ser mais altos do que os do controlador avalista se a força
individual do banco, ou outros fatores assim o garantirem.

Metodologia Global de Rating de Bancos 84


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Anexo 3: Definições de Indicadores Financeiros

Os indicadores principais e complementares utilizados pela Fitch na análise de rating de


bancos se baseiam nos dados publicados nas demonstrações financeiras dos emissores, ou
nos relatórios regulatórios. Os indicadores de capital e de liquidez incluem determinados
índices regulatórios divulgados pelos bancos. Todos os demais índices principais e
complementares são calculados pela Fitch a partir de numeradores e denominadores
extraídos de demonstrações financeiras ou regulatórias, diretamente, ou de cálculos baseados
em dados extraídos de demonstrações financeiras.

Qualidade de Ativos
Os indicadores principais e complementares da qualidade de ativos se baseiam apenas na
qualidade de créditos. A concessão de créditos é a linha de negócios primária do setor
bancário e a qualidade dos créditos na carteira continua sendo a fonte predominante de risco.
Os créditos nos indicadores principais e complementares são brutos das reservas para perdas
de crédito (também chamadas de provisões), a não ser que de outra forma informado, e
excluem a concessão de crédito ou outras exposições a bancos.

Principais Indicadores: Créditos em Atraso/Total de Créditos (%)


A definição de “créditos em atraso” utilizada no numerador varia de uma jurisdição para outra e
de um banco para outro. Os créditos em atraso também são conhecidos como ‘créditos sem
desempenho’ (NPLs), ou créditos maus, problemáticos, duvidosos ou com problemas. Os
analistas escolhem a definição que é o ponto de referência mais comum na jurisdição, embora
as classificações sejam mais conservadoras em alguns países do que em outros e também
haja, inevitavelmente, certa liberdade de ação na identificação destes créditos. Geralmente, os
créditos em atraso compreendem empréstimos vencidos há noventa dias mais aqueles ainda
não vencidos há noventa dias, porém identificados como tendo incorrido algum grau de atraso,
de forma que o banco começou a duvidar de que receberá o pagamento integral. Os créditos
em atraso podem excluir determinados empréstimos que estejam vencidos há noventa dias no
caso de bancos cujos relatórios são elaborados de acordo com os Padrões Internacionais de
Relatórios Financeiros (IFRS) se houver colaterais suficientes que garantam o recebimento
integral dos créditos e juros.

Quando relevante e os analistas considerarem que são importantes para avaliação da


qualidade de ativos, são efetuados ajustes a este indicador, que é o ponto de partida para a
captura de ativos em atraso, de créditos reestruturados ou problemáticos ou outros ativos em
outros indicadores. Os créditos vencidos há noventa dias, mas excluídos do índice de créditos
em atraso são frequentemente adicionados ao índice em outros indicadores.

O denominador são créditos brutos das provisões para perdas de crédito, excluindo
empréstimos a bancos e recompras.

Indicador Complementar: Aumento do Total de Créditos (%)


O aumento no total de créditos de clientes (varejo, corporativos e institucionais, excluindo
créditos a bancos e recompras) no final do período contábil, menos o total dos créditos a
clientes no início do período contábil, como percentual dos créditos a clientes no início do
período contábil.

Indicador Complementar: Provisões para Créditos em Atraso/Créditos em Atraso (%)


As provisões para créditos em atraso (provisões para perdas de crédito) constituem as
despesas líquidas de provisão acumuladas (também chamadas de provisões) para perdas
incorridas ou esperadas nos créditos que permanecem no balanço (desta forma, excluindo os
créditos baixados). Estas são apresentadas como um percentual dos créditos em atraso. O
índice inclui todas as provisões para perdas de crédito, não só aquelas relativas
especificamente aos créditos classificados como em atraso. A inclusão de provisões para

Metodologia Global de Rating de Bancos 85


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perdas de crédito em geral ou coletivas significa que o índice pode ser superior a 100%, e,
onde as jurisdições permitirem um provisionamento conservador, algumas vezes
substancialmente acima de 100%.

Este índice também é conhecido como índice de cobertura, mas o “índice de cobertura”
também pode ser usado para incluir colateral no numerador, ou total bruto de créditos em
lugar de apenas créditos em atraso no denominador.

Indicador Complementar: Encargos com Provisões para Crédito/Média de Crédito


Bruto (%)
Este índice é chamado, algumas vezes, de custo do risco. O numerador é o encargo na
demonstração de resultados, do provisionamento de crédito (também chamado de provisões
para perdas de crédito). Quando o banco reporta média de créditos bruta de provisões para
perdas de crédito, isto é tomado como denominador. Caso contrário, o denominador é uma
média numérica do total de créditos (excluindo empréstimos a bancos e operações
compromissadas) calculada para um mínimo de dois pontos de dados, o número do final do
período do relatório e aquele relativo ao final do período do relatório anterior. Quando
relevante e divulgada, a média numérica também leva em conta os dados intermediários
durante o período do relatório.

Resultados e Lucratividade
A maior parte dos indicadores principais e complementares de resultados e lucratividade da
Fitch utiliza médias como denominadores. Isto, para refletir em que base os resultados foram
alcançados. Quando as médias são divulgadas pelos bancos, a Fitch utiliza estas médias, pois
elas se baseiam em um maior número de pontos de dados que podem ser extraídos das
demonstrações financeiras publicadas e assim representam uma base mais precisa. Quando
as médias não são publicadas para um denominador específico, a Fitch calcula a média
numérica para um mínimo de dois pontos de dados, o número do final do período do relatório
e aquele para o final do período do relatório anterior. Quando relevante e a divulgação permite,
a média numérica também leva em conta os dados intermediários durante o período do
relatório.

Indicador Principal: Resultado Operacional/Ativos Ponderados pelo Risco (%)


O numerador é o lucro antes dos impostos menos os itens que a Fitch considera não-
operacionais. Os itens não-operacionais sempre incluem a mudança do valor justo contábil da
dívida própria do banco e o provisionamento do ágio. O lucro/perda de uma companhia
associada reportado no patrimônio também é normalmente excluído do lucro operacional, a
não ser que a Fitch o considere como parte integrada e consistente do negócio. Outros itens
considerados pelos analistas da Fitch como não-recorrentes, fontes pontuais de receita ou
encargos também são excluídos, o que normalmente difere da interpretação própria do banco,
sendo mais conservadores.

O denominador é o mesmo que o do principal indicador de capital e alavancagem. Trata-se de


um número de final de período e não de uma média.

Indicador Complementar: Receita Líquida de Intermediação/Média de Ativos


Operacionais (%)
Este índice é normalmente chamado de margem líquida de intermediação. O numerador é a
receita total de juros mais dividendos recebidos menos despesa total com juros. O
denominador é uma média e é igual ao total de ativos menos caixa, ativos executados, ativos
fixos, intangíveis, ativos tributários, pré-pagamentos efetuados e outros ativos não geradores
de resultados. O numerador não inclui juros ou cupom pago sobre ações preferenciais ou
capital híbrido reportado no patrimônio, mas quando relevante, a Fitch geralmente deduz isto
como despesa de juros nos indicadores adicionais.

Metodologia Global de Rating de Bancos 86


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Indicadores Complementares: Despesa Não-Financeira/Receita Bruta (%)


Este indicador é normalmente chamado de índice despesa/receita. O numerador é a despesa
de pessoal mais outras despesas administrativas, excluindo quaisquer despesas que a Fitch
considere não-operacionais. O denominador compreende a receita líquida de intermediação
(tal como no indicador acima) mais todas as demais receitas operacionais (por exemplo, taxas
e comissões, lucro de trading líquido). Lucros/Perdas de uma companhia associada reportados
no patrimônio não são incluídos no denominador ou no numerador, mesmo se a Fitch
considerá-los como parte do lucro operacional, porque os lucros ou perdas são reportados
como um número líquido das receitas e despesas da companhia.

Indicador Complementar: Despesas de Provisão Para Créditos & Títulos/Resultado


Operacional Antes de Provisão (%)
Este indicador mede o quanto dos resultados do banco é consumido pelos encargos de
provisão. O numerador é o total de despesas de provisão para créditos e títulos. O
denominador é o lucro operacional (tal como no indicador principal acima) menos o
numerador.

Indicador Complementar: Resultado Operacional/Média Total de Ativos (%)


Este indicador é semelhante ao indicador principal de resultados e lucratividade, embora de
uma forma mais rude. O numerador é o mesmo. O denominador é a média do total de ativos,
que neste contexto representa o total do capital e recursos empregados (equivalentes ao total
de ativos no outro lado do balanço). Nenhum ajuste é efetuado, de modo a refletir o quanto foi
arriscada a distribuição de capital e recursos.

Indicador Complementar: Lucro Líquido/ Patrimônio Total Médio (%)


Núcleo de Capital Fitch Este indicador é normalmente chamado de ‘retorno sobre o patrimônio’. É semelhante ao
(+) Patrimônio reportado índice que os acionistas geralmente empregam para medir o retorno sobre o investimento,
(-) Capital híbrido reportado como
patrimônio embora a Fitch inclua participações minoritárias (ou ‘não-controladoras’) tanto no numerador
(+) Participações não-controle como no denominador, para refletir sua opinião de que os investimentos tanto das
(também conhecidas como
“participações minoritárias”) se participações minoritárias em subsidiárias, como dos acionistas do controlador estão
reportadas fora do capital publicado disponíveis como colchões para investimento pelos credores. Do contrário, o lucro líquido e o
(-) Participações minoritárias não
patrimônio são reportados nas demonstrações financeiras sem ajuste. O denominador é uma
consideradas pela Fitch como
absorvedoras de perdas média.
(-) Ativos tributários diferidos relativos
a perdas transportadas que dependem Capital e Alavancagem
da lucratividade futura para serem
realizadas Indicador Principal: Núcleo de Capital Fitch/Ativos Ponderados pelo Risco
(-) Ágio e outros intangíveis
(+/-) Ajustes a valor justo relativos ao O numerador, FCC, está definido na tabela à esquerda. O denominador utiliza os ativos
risco de crédito proprietário sobre
dívida emitida ponderados pelo risco, conforme divulgados nos relatórios sobre índices de capital regulatório
(-) Participações no capital de publicados. Quando as participações no capital de seguradoras ou securitizações são
negócios de afiliadas de seguros deduzidas do FCC, os ativos ponderados pelo risco equivalentes são deduzidos do
(-) Série de primeiras perdas retidas
em exposições fora do balanço denominador, à medida que a divulgação permite. Quando os ativos equivalentes de
(+) Fundo para riscos gerais do banco seguradoras ou securitizações não são divulgados, a agência pode, em vez disso, deduzir
se já não incluído e prontamente
conversível em patrimônio uma estimativa destes. Nenhum outro ajuste é efetuado para extrair o indicador principal,
Fonte: Fitch embora outros ajustes possam ser efetuados nos ativos ponderados pelo risco para extrair
indicadores adicionais.

Os ativos ponderados pelo risco são definidos no âmbito da jurisdição e não são inteiramente
comparáveis através dos países. Sua base também pode variar entre bancos dentro de uma
mesma jurisdição, pois alguns utilizam premissas internas baseadas nos ratings para
ponderações do risco, enquanto outros utilizam ponderações de risco padronizadas. Ativos
ponderados pelo risco incluem ponderações de risco equivalentes não só aos ativos do
balanço, mas também do risco de crédito mantido fora do balanço, do risco de mercado e do
risco operacional.

Metodologia Global de Rating de Bancos 87


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Indicador Complementar: Índice de Capital Principal (CET 1) (%)


Este índice regulatório é reportado pelo banco. O numerador é o capital principal Nível 1
(CET1) e o denominador são os ativos com risco ponderado. A agência utiliza o índice
transicional como seu indicador complementar se a jurisdição do banco utilizar índices
transicionais. O índice “com carga total” poderá ser usado como um indicador adicional. O
índice com carga total normalmente é muito semelhante ao FCC/ativos ponderados pelo risco,
mas há diferenças. Por exemplo, o capital regulatório deduz as participações minoritárias no
capital de instituições financeiras, enquanto o FCC só deduz estas participações se a Fitch
considerá-las como não-absorvedoras de perdas. Por outro lado, os direitos de serviço de
hipotecas (um ativo intangível específico reportado basicamente pelos bancos dos EUA) são
deduzidos do FCC, embora não o sejam do capital regulatório.

Indicador Complementar: Índice de Alavancagem de Basileia


Este índice regulatório é aquele reportado pelo banco. Se tanto o índice de Basileia como o
equivalente local forem reportados, o Basileia é então utilizado. Em muitos casos, entretanto,
este índice será a interpretação regulatória local das diretrizes do Basileia. O numerador
compreende CET1 mais capital adicional Nível 1. Vários ajustes são efetuados para derivar o
denominador do índice de alavancagem de Basileia, que se destinam a tornar o índice mais
comparável nos diferentes regimes contábeis. Por exemplo, definições claras são fornecidas
sobre como o saldo líquido deve ser aplicado a derivativos e operações compromissadas. O
denominador também inclui certos itens mantidos fora do balanço. A agência considera o índice
de alavancagem da Basileia como a medida de alavancagem mais abrangente e comparável,
embora não esteja disponível para todos os bancos.

Indicador Complementar: Patrimônio Tangível/Ativos Tangíveis (%)


Esta é uma medida de alavancagem mais bruta do que o índice regulatório e é mais relevante
em regimes nos quais o índice de alavancagem Basileia não está disponível. Ele será muito
semelhante ao índice de alavancagem Basileia no caso de instituições com modelos de banco
simples, sem muitos derivativos ou operações mantidas fora do balanço. O ponto de partida do
numerador é o capital (incluindo participações minoritárias) e o ponto de partida para o
denominador são os ativos conforme reportados nas demonstrações financeiras. Os três itens
a seguir são deduzidos do: ágio, outros intangíveis e de determinados ativos tributários
diferidos. Os direitos de serviço das hipotecas não são deduzidos e nenhum ajuste é efetuado
para os diferentes tratamentos contábeis do saldo líquido (netting). Tal como ocorre com o
FCC, quando a divulgação permite, apenas os ativos tributários diferidos relativos a perdas
contábeis são deduzidos, enquanto os ativos tributários diferidos relativos a diferenças
temporais nas despesas contábeis (ainda não permitidas como despesas tributárias) não são
deduzidas.

Indicador Complementar: Resultado Líquido - Dividendos Pagos/Patrimônio Total (%)


Este índice também é chamado de geração interna de capital. Ele mede o capital gerado a partir
dos resultados e que são retidos pelo banco e exclui quaisquer aportes de capital externo a partir
de aumento de capital ou distribuição de dividendos. Para simplificar o cálculo e porque os
dividendos são frequentemente declarados alguns meses após o final do ano contábil, os
dividendos deduzidos são os montantes de caixa pagos no período contábil, embora estes
possam ser relativos aos resultados de períodos anteriores.

Indicador Complementar: Créditos Duvidosos – Menos Provisões para


Créditos/Núcleo de Capital Fitch (%)
Este índice mostra a vulnerabilidade do capital em relação a créditos identificados como
problemáticos que não são cobertos pelas reservas de caixa. O numerador é o denominador
menos o numerador do indicador complementar de qualidade dos ativos “provisões para
créditos em atraso/créditos em atraso”. Quando relevante, a agência poderá considerar
também o impacto neste índice da adição de ‘ativos executados’ ao numerador.

Metodologia Global de Rating de Bancos 88


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Captação e Liquidez

Indicador Principal: Créditos/Depósitos de Clientes (%)


O numerador e o denominador excluem créditos e depósitos junto a outros bancos e
operações compromissadas, mas todos os demais créditos e depósitos são incluídos. No
numerador, os créditos são brutos das provisões para perdas de crédito.

Indicador Complementar: Índice de Liquidez de Curto Prazo


Este índice regulatório é reportado pelo banco. O numerador são ativos altamente líquidos,
conforme definido pelo regulador e o denominador são os fluxos de saída estimados em um
período de trinta dias, com base nas premissas em uma situação de estresse fornecida e
acordada com o regulador.

Indicador Complementar: Depósitos de Clientes/Captação Total Excluindo


Derivativos (%)
O numerador é o mesmo que o denominador no indicador principal de captação e liquidez. O
denominador é o total da captação. Inclui captação de clientes, captação interbancária,
operações compromissadas e outros recursos de curto prazo e do mercado de capitais, todos
os recursos de dívidas, inclusive a dívida subordinada simples, além dos títulos híbridos. Os
passivos de trading (trades “curtos”) são incluídos no denominador, mas os derivativos não. O
denominador não inclui capital ou passivos não-captação, como provisões para previdência,
passivos tributários e passivos de seguros.

Metodologia Global de Rating de Bancos 89


Novembro de 2016
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Anexo 4: Estruturas Bancárias Lastreadas por Mecanismos de


Suporte Mútuo
Este Anexo detalha a metodologia usada pela Fitch para analisar a qualidade de crédito de
bancos lastreados por mecanismos de suporte mútuo (chamados, de “grupos de bancos”). Os
ratings da Fitch são atribuídos a pessoas jurídicas. Os grupos de bancos não são entidades
legais, mas sim, um conjunto de cooperativas e/ou bancos de poupança regionais que
trabalham juntos e são beneficiados por um mecanismo de suporte mútuo.

A opinião da Fitch sobre o quão satisfatoriamente um mecanismo de suporte funcionará se


baseia no histórico de suporte ao grupo, na história comportamental do mecanismo de suporte
e na força de qualquer acordo. Quando apropriado e a fim de auxiliar a formar sua opinião, a
agência poderá solicitar que o grupo de bancos, em questão, forneça uma opinião jurídica de
um escritório de advocacia externo, em relação à aplicação e à força do mecanismo de
suporte em operação.

Principais Fundamentos dos Ratings


Conceito de Compartilhamento de Risco é Fundamental: O conceito de compartilhamento
de risco por meio de sistemas de suporte mútuo, ou cooperação, é um princípio básico
subjacente em todas as cooperativas e outros grupos de bancos de suporte mútuo. A maior
parte dos grupos de bancos com suporte mútuo classificada pela Fitch está localizada na
Europa.

Princípios de Cooperação: Os princípios de cooperação existentes no grupo de bancos e


uma revisão do registro histórico e da expectativa de desempenho futuro de como o suporte
mútuo funcionou ou deverá funcionar determina se o rating de um grupo de bancos com
suporte mútuo é apropriado. As estruturas de cooperação variam consideravelmente através
dos grupos de bancos e jurisdições. A Fitch considera alguns muito fortes, sustentados por
acordos estatutários que lutam para assegurar que todas as entidades que fazem parte do
grupo trabalhem juntas para preservar a reputação, liquidez e solvência de todos os membros
do grupo. Se a agência não considerar os mecanismos de suporte mútuo fortes o bastante
para atribuir ratings ao grupo de bancos, ela avaliará a situação creditícia dos bancos
individuais, separadamente, de acordo com as seções gerais deste relatório.

Membros Mais Fortes Suportam os Mais Fracos: Na prática, isso significa que os membros
mais fortes do grupo oferecerão suporte e mecanismos aos membros mais fracos, ou que
estiverem falhando, de modo a assegurar que a fungibilidade da liquidez e reservas
patrimoniais façam parte da estrutura estatutária e/ou funcional dos grupos de bancos. Nesses
casos, o grupo de bancos atuará muito provavelmente como se fosse um grupo consolidado e
os reguladores deverão considerar esses grupos em bases consolidadas.

Estrutura Típica de um Grupo de Bancos


Os grupos de bancos mútuos não são entidades legais. Eles são, geralmente, redes
institucionais de cooperativas ou de bancos de poupança, que compreendem bancos
legalmente autônomos reunidos por uma estrutura estatutária de cooperação com foco
estratégico e marcas em comum. As funções específicas são mais frequentemente
proporcionadas por instituições centrais e/ou por prestadores de serviços especializados. O
diagrama a seguir oferece uma descrição simplificada de um “típico” grupo de bancos. No
entanto, a estrutura de grupos de bancos varia consideravelmente de um país para o outro e
de um grupo para outro. A Fitch inclui uma descrição detalhada da estrutura do grupo e dos
mecanismos de suporte em vigor nas pesquisas públicas sobre os grupos de bancos
classificados internacionalmente.

Metodologia Global de Rating de Bancos 90


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Diagrama de um Típico Grupo de Bancos


- Clientes Membros de Cooperativas

xxx xxx xxx xxx Participação


Em algum
Cooperativas Locais/ Bancos de
/ Poupança Mecanismo de suporte
mútuo

Instituição Central

Subsidiária Subsidiária
Especializada Especializada
Fonte: Fitch

No diagrama, os bancos locais são controlados por clientes membros de cooperativas. As


instituições centrais de grupos de bancos são entidades jurídicas (geralmente tratadas como
“unidades centrais” e são controladas, em geral, por bancos locais, mas são algumas vezes
citadas com controle parcial público. Elas tendem a ter responsabilidade pela determinação da
estratégia do grupo, definição e monitoramento das políticas de administração de risco do
grupo, empregando a administração central, sênior, centralizando e disseminando a liquidez
dentro do grupo, e emitindo dívidas em nome do grupo.

Em alguns grupos de bancos, as funções administrativas e financeiras são divididas entre duas
entidades, e as funções administrativas podem ser realizadas por uma associação, em lugar de
uma companhia. As subsidiárias especializadas (veja diagrama) variam consideravelmente de
grupo para grupo. Elas podem prestar serviços ao grupo (serviços de TI, consultoria), ser
instituições financeiras especializadas (empresas de títulos e valores mobiliários, especialistas
em financiamento imobiliário de varejo, gestores de recursos, companhias de leasing ou
emissores de covered bonds) ou subsidiárias estrangeiras, por exemplo.

O escopo dos mecanismos de suporte mútuo nos diferentes grupos de bancos varia
consideravelmente. Nem todas as subsidiárias de instituições centrais ou outros membros de
grupos de bancos compartilham os mecanismos de suporte. Detalhes sobre os ratings
atribuídos a subsidiárias ou outras entidades excluídas do mecanismo de suporte cruzado
estão descritos a seguir, na Seção Ratings Atribuídos a Subsidiárias ou Outras Entidades
Excluídas dos Mecanismos de Suporte Cruzado; Obrigações de Dívidas Excluídas dos
Mecanismos de Suporte Cruzado.

Grupos de Bancos – Compreensão dos Regimes de Suporte Mútuo


A Fitch analisa os mecanismos de regimes de suporte cruzado em operação. As discussões
focam a administração em uma análise detalhada do racional subjacente dos regimes de
suporte cruzado, como eles devem funcionar e como funcionaram na prática, com o tempo.
Por exemplo, os mecanismos de suporte pretendem proteger a reputação, liquidez e solvência
de todos os membros do grupo através de cooperação mútua? Os esquemas são uma forma
de assegurar a viabilidade do que, de outra forma, seria uma compilação de bancos regionais
muito pequenos? Os regimes de suporte se destinam a estimular a franquia em todo o país? O
principal objetivo é atingir economias de custo em termos de sinergia, por meio do uso
compartilhado de determinados serviços compartilhados? Que esforços estão sendo feitos
para melhorar as estruturas de cooperação dentro dos grupos?

À medida que relevante, a análise da Fitch foca as seguintes áreas:

Metodologia Global de Rating de Bancos 91


Novembro de 2016
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Revisão de Como os Regimes de Suporte Cruzado Têm Operado Historicamente


A Fitch analisa o histórico de eficácia dos regimes de suporte cruzado como um importante
indicador da potencial perspectiva de eficácia.

A incorporação de uma instituição com problemas por outra, um membro mais forte do grupo,
é geralmente o caminho preferido em grupos de bancos para lidar com membros do grupo que
estejam falhando. A Fitch analisa a velocidade e a eficiência na identificação de membros que
estejam falhando e sua incorporação e a flexibilidade financeira dos membros do grupo para
fazê-lo. Os controles internos dentro do grupo de bancos, frequentemente exercidos por uma
instituição central, geralmente significam que as incorporações eficientes evitam a
necessidade de usar ferramentas de back up, tais como recursos dos mecanismos de suporte.

A agência normalmente analisará o histórico de casos de suporte dentro dos grupos de banco
e determinará se os mecanismos de suporte foram rapidamente disparados, com os membros
do grupo de bancos reunindo seus recursos de modo pontual; se os credores perderam
dinheiro; e se o processo foi concluído com um mínimo de contratempo para o grupo de
bancos. A agência também avalia a perda de reputação, se houver, em função do
desdobramento dos esquemas de suporte. Por exemplo, a Fitch poderá analisar os fluxos de
depósitos, interrupções no acesso aos mercados interbancários ou de capitais ou comentários
negativos da imprensa no momento em que o suporte interno foi organizado.

Avaliação da Estrutura de Esquemas de Suporte Cruzado


Geralmente, a Fitch tem a expectativa de analisar a documentação escrita que explica os
mecanismos dos regimes de suporte cruzado para discuti-la com a administração. Se a
agência considerar que conseguiria formar uma opinião mais forte sobre a aplicação do
mecanismo de suporte cruzado, poderá pedir ao grupo de bancos (mais provavelmente por
meio da instituição central) que providencie uma opinião jurídica por escrito, de um escritório
externo de advocacia, sobre estes regimes.

Quando considerar relevante, a Fitch poderá esperar que a opinião jurídica fornecida a
aplicação do regime de suporte cruzado (incluindo a extensão em que ela permite que
recursos líquidos estejam disponíveis em todo o grupo de bancos), o potencial para
recebimento de suporte em tempo hábil e a subordinação de credores em caso de os
mecanismos de suporte serem disparados, dentre outros pontos.

Considerações para Atribuição de Ratings a Grupos de Bancos Suportados


por Mecanismos de Suporte Mútuo
A Fitch decide se é apropriado atribuir ratings a “grupos” (veja abaixo). Quando a agência
estiver impossibilitada de atribuir ratings a grupos, pode ser apropriado emitir um Credit
Opinion mais limitado, indicando um “piso” mínimo abaixo do qual o IDR de qualquer membro
do grupo de bancos não deva cair. As limitações do piso de um Credit Opinion estão descritas
mais integralmente em “Pisos” de Credit Opinion. Quando pontos fracos relevantes de suporte
mútuo são aparentes, ou quando a agência pode não estar convencida sobre a eficácia dos
mecanismos de suporte, por exemplo, porque eles podem não ter sido testados ao longo do
tempo, os grupos de bancos não serão classificados de acordo com a metodologia
apresentada neste Anexo.

Ratings de “Grupos”
Para que um rating de “grupo” seja atribuído, os grupos de bancos precisam atender a
determinados parâmetros para demonstrar os fortes mecanismos de suporte. Em geral, o
grupo de bancos precisa atender a todos os principais parâmetros, a fim de que um rating de
grupo seja atribuído. Entretanto, em situações muito raras, um rating de grupo pode ser
atribuído quando um grupo atende apenas a alguns dos principais parâmetros, mas também
tem um forte histórico de demonstração de que o suporte operacional dentro do grupo esteja
disponível sempre que necessário. A Fitch consideraria este histórico suficiente para
demonstrar que a capacidade e a disposição dentro do grupo atenuam os parâmetros

Metodologia Global de Rating de Bancos 92


Novembro de 2016
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específicos que não estejam sendo atendidos pela estrutura do grupo.

Os principais parâmetros avaliados para determinar se o rating de um grupo é apropriado, são


os seguintes:

 A existência de um regime de suporte mútuo, oferecendo suporte a qualquer


banco membro que possa entrar em dificuldades financeiras. O mecanismo
deverá ser lastreado por recursos líquidos, seja em forma de contribuições
diretas de bancos membros ou de um fundo que opera de forma
centralizada, estabelecido especificamente com essa finalidade. Como é
essencial que quaisquer alocações de suporte necessárias sejam oportunas,
deverá haver uma autoridade na administração central claramente definida e
um fluxo regular de informações dentro do sistema, para assegurar que esta
autoridade esteja ciente de potenciais problemas em um estágio inicial e que
seja capaz de determinar medidas para mitigação.

 A existência de, pelo menos, uma demonstração financeira consolidada


publicada anualmente, preferencialmente auditada por uma auditoria
externa.

 Estratégia e marcas em comum, além de atividades de marketing em


conjunto.

 Sistema de administração de risco que tenha como alvo algum grau de


coesão dentro do grupo de bancos. Em alguns casos, haverá um critério
uniforme, homogêneo para avaliar e se envolver em diferentes riscos e
mecanismos eficazes – práticos, estatutários e/ou contratuais – para
controlar as atividades de administração de risco dos membros. Este sistema
de administração de risco requer reporte regular a uma autoridade
controladora, que deverá ter à sua disposição medidas práticas, estatutárias
e/ou contratuais efetivas que lhe permitam aplicar sanções a bancos
membros que violem as políticas de administração de risco.

 Tratamento regulatório desses grupos. O regulador considera e regula o


grupo de bancos em questão como única “unidade de risco”, da mesma
forma que uma entidade consolidada normal?

Fundos de “Liquidez” e “Solidários”


Os mecanismos de suporte cruzado normalmente incluem fundos de “liquidez” ou
“solidários”. As contribuições dos bancos membros são geralmente determinadas por suas
instituições centrais ou pelos estatutos. Os recursos estão disponíveis para lidar com
problemas de liquidez e solvência existentes apenas dentro de bancos membros de um
grupo.

Os montantes disponíveis mantidos nestes fundos variam de um grupo para outro e,


embora sejam, por si só, insuficientes para prestar suporte a todo o grupo de bancos que
estiver enfrentando severos problemas de liquidez ou solvência, a agência considera estes
recursos ao examinar a liquidez total do grupo.

Atribuição de Ratings se o Grupo de Bancos se Qualifica a Ratings de “Grupo”: Uma vez


que a análise acima determina que o rating do ‘grupo’ pode ser atribuído, a agência segue sua
ampla metodologia de rating de bancos descrita neste relatório para determinar estes ratings.
Um conjunto completo de ratings será geralmente atribuído ao grupo de bancos: IDRs de
Longo e de Curto Prazo, RV, Rating de Suporte e PRS. Os IDRs de Longo e de Curto Prazo
atribuídos a estes grupos de bancos se aplicam automaticamente a todas as entidades que
compartilham o mecanismo de suporte cruzado. Isso, porque a agência concluiu que qualquer

Metodologia Global de Rating de Bancos 93


Novembro de 2016
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banco que compartilhe o mecanismo pode, se necessário, contar com suporte pontual de
dentro do grupo de bancos. E, ainda, em raras circunstâncias em que um membro individual
tenha situação creditícia mais forte do que o grupo como um todo, seu compromisso em
relação aos outros membros serve como equalizador em forma de passivo contingente.

Ratings Atribuídos à Instituição Central: Os ratings são geralmente atribuídos às


instituições centrais. Se, como geralmente ocorre, estes são membros integrais do grupo de
bancos, os IDRs do grupo de bancos se aplicam e são atribuídos de acordo. Se qualquer
suporte externo prestado ao grupo de bancos for provavelmente canalizado por meio da
instituição central, um Rating de Suporte e um PRS poderão ser atribuídos à instituição central,
que serão os mesmos atribuídos ao grupo de bancos.

Geralmente, a Fitch não atribui RVs a instituições centrais de grupos de bancos. Entretanto, se,
por sua vez, a instituição central tiver um negócio distinto de banco comercial, um RV poderá,
embora não tenha que, ser atribuído. Quando a Fitch efetivamente atribuir RV a uma
instituição central, o RV poderá, ou não, ser o mesmo que o atribuído ao grupo de bancos,
dependendo do porte relativo da instituição dentro do grupo, de seu risco e perfil financeiro, e
do grau em que ele atua independentemente do grupo de bancos.

IDRs de Longo e de Curto Prazos São Atribuídos a Bancos Locais, Principais e em


Bases Individuais: A emissão e interação com os mercados de capitais em um grupo de
bancos são geralmente assumidas por instituições centrais desses grupos. Assim, a análise
em base individual dos bancos locais, principais, incluídos em um grupo de bancos é
raramente necessária. Os IDRs de Longo e de Curto Prazos (os mesmos atribuídos ao grupo
de bancos) se aplicam a todos os membros do grupo de bancos, incluindo cada banco local,
principal, independente de seu porte ou da importância dentro do grupo. Estes podem ser
atribuídos a todos os bancos dentro de um grupo ou a bancos em bases isoladas, dependendo
da demanda do emissor e/ou do investidor.

Os RVs não são normalmente atribuídos a bancos locais específicos, uma vez que seus IDRs
estão baseados na identidade homogênea do grupo. Bancos em bases individuais, que são
parte de um grupo de bancos são frequentemente dependentes do grupo para assumir
determinadas funções, como administração da tesouraria ou avaliação de crédito,
desenvolvimento de produtos e funções de back-office. Isso pode ocorrer em função de seu
pequeno porte, da limitada sofisticação, ou devido às políticas do grupo, conforme
determinação da instituição central.

Os ratings de suporte também são geralmente atribuídos a bancos locais, principais, dentro de
um grupo de bancos. O uso desses ratings é substituído pela análise do mecanismo de
suporte do grupo de bancos, coberto pelo Rating de Suporte e PRS do grupo, como um todo.

Ratings Atribuídos a Subsidiárias ou Outras Entidades Excluídas dos Mecanismos de


Suporte Cruzado; Obrigações de Dívida Excluídas dos Mecanismos de Suporte
Cruzado: A abordagem da Fitch para a análise de qualquer subsidiária ou outra entidade
dentro de um grupo de bancos que seja excluída do regime de suporte cruzado é diferente
daquela aplicada a entidades que fazem parte do mecanismo. A agência normalmente
atribuirá um conjunto completo de ratings à entidade em questão, mas estes não serão,
necessariamente, os mesmos que os atribuídos ao grupo. Se a Fitch considera que uma
subsidiária ou outra entidade do grupo carece de qualquer independência significativa, ela
pode não atribuir um RV. A avaliação e os ratings atribuídos estão em linha com a metodologia
mais ampla para atribuição de ratings a subsidiárias de bancos.

Em alguns grupos de banco, os mecanismos de suporte cruzado se aplicam especificamente a


determinadas obrigações e excluem outras. Em outros casos, determinadas obrigações
podem ser especificamente excluídas. E, ainda, o desempenho de algumas obrigações de
dívida, por exemplo, instrumentos de capital subordinados e híbridos, podem depender dos

Metodologia Global de Rating de Bancos 94


Novembro de 2016
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níveis de capital ou lucros em uma entidade específica (normalmente a entidade emissora)


dentro do grupo. Assim, ao atribuir ratings à emissão de outras obrigações de membros do
grupo, a Fitch examina quais obrigações caem dentro ou fora do escopo dos mecanismos de
suporte cruzado ao determinar os ratings apropriados.

“Pisos” de Credit Opinions


Para os grupos de bancos que obedecem a alguns, embora nem todos os critérios descritos
em Ratings de “Grupos” acima, a Fitch poderá atribuir “pisos” aos credit opinions, em lugar de
ratings ao “grupo” de bancos. Estes pisos são expressos em forma de credit opinion e
indicados por um “sufixo”. Eles estabelecem um nível de IDR de Longo ou de Curto Prazo
mínimo para os membros do grupo de bancos, mas ratings mais elevados podem ser
atribuídos a bancos membros específicos, que tenham perfil de risco mais sólido. O potencial
de ratings acima do piso de credit opinion se torna mais limitado, pois os mecanismos de
suporte mútuo se tornam mais fortes.

Atribuição de Ratings a Grupos de Bancos com Regimes de


Cooperação Mais Abertos
Caso a Fitch não esteja satisfeita no sentido de que um grupo de banco possa ser considerado
uma entidade consolidada, ela não atribuirá ratings de grupo de bancos. Isso é mais provável
porque o esquema de cooperação de suporte mútuo é aberto, ou porque os exemplos de
como o suporte do grupo funcionou no passado são insuficientes para convencer a agência de
que o esquema funcionará efetivamente, na prática.

Metodologia Global de Rating de Bancos 95


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Anexo 5: Graduação
“Graduação” é o processo através do qual a Fitch atribui ratings mais altos ou mais baixos em
relação ao rating “âncora”, de modo a refletir as diferenças na vulnerabilidade à inadimplência
e/ou a recuperação devido à inadimplência. A graduação é mais frequentemente utilizada pela
agência ao atribuir ratings a títulos subordinados e híbridos de bancos (veja Seção IV.2).
Entretanto, também é usada nas seguintes circunstâncias, menos comuns:

IDRs Graduados A Partir do RV


O IDR de Longo Prazo de um banco poderá receber graduação a partir de seu RV quando a
Fitch acreditar que o risco de o banco se tornar inadimplente em relação a um passivo sênior
junto a um terceiro, credor não-governamental (conforme refletido em seu IDR) é mais baixo
do que o risco de o banco falhar (conforme refletido em seu RV). Isso poderá ser porque a
agência acredita que os passivos seniores do banco estão suficientemente protegidos por uma
combinação de dívida júnior qualificável com os recursos de dívida emitida pela companhia
holding de um banco (BHC). Pode também ocorrer em patamares muito baixos de ratings, por
exemplo, quando um banco se tornou inadimplente em relação à sua dívida subordinada, mas
não em relação aos seus passivos seniores. Veja as Seções I.1 e III.2.3 para maiores detalhes.

Dívida Sênior Acima ou Abaixo do IDR de Longo Prazo


A dívida sênior é normalmente alinhada ao IDR de Longo Prazo do banco, mas poderá
receber graduação acima ou abaixo do IDR, de modo a refletir as expectativas de recuperação
maiores ou menores em níveis de rating baixos, ou vulnerabilidade claramente mais
baixa/mais alta à inadimplência em relação a outros passivos seniores (veja Seção IV.1)

RCDs Acima do IDR de Longo Prazo


RCDs podem ser atribuídos um grau acima do IDR de Longo Prazo de um emissor quando a
Fitch acreditar que as contrapartes de derivativos enfrentam vulnerabilidade à inadimplência
nitidamente mais baixa do que outros passivos seniores, tais como a dívida sênior (veja a
Seção I.6).

Ratings de Depósitos Acima do IDR de Longo Prazo


Nos países onde os depositantes tem preferência (senioridade) no recebimento, os depósitos
podem ser classificados um grau acima do IDR de Longo Prazo de um banco, de modo a
refletir as expectativas de recuperação superior em caso de inadimplência, ou vulnerabilidade
mais baixa à inadimplência (veja Seção IV.1).

A Figura 36 demonstra a aplicação de graduação mediante vários cenários:

 O banco A é um banco com pequeno colchão de dívida júnior qualificável, cujas


contrapartes e determinados depositantes que, pela lei, não são preferenciais em relação à
dívida sênior. Seu RV, IDR de Longo Prazo, dívida sênior e RCD são alinhados.

 O banco B é como o banco A, exceto por ter um colchão de dívida júnior qualificável que
excede o “montante de recapitalização” estimado pela Fitch, desta forma oferecendo um
significativo colchão de proteção adicional aos credores seniores. Seus IDRs de Longo
Prazo, dívida sênior e RCD estão um grau acima do RV.

 O banco C é um banco que registra dívida sênior e dívida “preferencial sênior” em emissão
(em linha com as propostas de dezembro de 2015 para a França, por exemplo). Grandes
colchões de dívida júnior qualificável levam à elevação do IDR de Longo Prazo do banco
em relação ao seu RV, com a dívida sênior padrão alinhada ao IDR. Entretanto, a proteção
proporcionada à dívida sênior “preferencial” e às contrapartes de derivativos pelo grande
colchão da dívida padrão sênior significa que o rating das RCDs, depósitos (se
classificados) e da dívida sênior preferencial estão um grau acima.

 O banco D é um banco cuja dívida sênior, de acordo com os estatutos, é subordinada a


outros passivos seniores, tais como depósitos e obrigações de contrapartes (conforme

Metodologia Global de Rating de Bancos 96


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planejado para a Alemanha, a partir de 2017, por exemplo). Grandes colchões de dívida
júnior qualificável resultam em IDR de Longo Prazo e dívida sênior um grau acima do RV,
enquanto grandes colchões de dívida sênior contam com rating de depósitos e RCD um
grau acima.

 O banco E é um banco cujos depósitos são preferenciais em relação à dívida sênior e a


outras obrigações de contrapartes (em linha com as propostas para a Itália, por exemplo).
A única diferença entre o ‘Banco E’ e o ‘Banco D’ é que o RCD do banco E está em linha
com o seu IDR de Longo Prazo e com a dívida sênior.

Exemplo de Graduação de Bancos Operacionais


A B C D E
Montante de recapitalização (% RWA) 8 8 8 8 8
QJD (%RWA) 5 10 10 10 10
Dívida sênior (%RWA) 5 5 10 10 10
o/w dívida sênior preferencial (% n.a. n.a 2 n.a. n.a.
RWA)
Derivativos seniores em relação à Não Não Sim (exceto à sênior Sim Não
dívida sênior? “preferencial”)
Depósitos seniores em relação à dívida Não Não Sim (exceto à sênior Sim Sim
sênior? “preferencial”)

RV bbb bbb bbb bbb bbb


IDR LP BBB BBB+ BBB+ BBB+ BBB+
RS 5 5 5 5 5
PRS Sem piso Sem Sem piso Sem piso Sem piso
piso
RCD BBB BBB+ A- A- BBB+
Dívida sênior BBB BBB+ BBB+ BBB+ BBB+
Dívida sênior "Preferencial" n.a. n.a. A- n.a. n.a.
Depósitos NR NR A- A- A-
n.a. não disponível; NR, não classificado; LP, Longo Prazo

Fonte: Fitch

A tabela acima demonstra a aplicação de graduação mediante diferentes cenários BHC/OpCo


nos EUA, onde a total preferência por depositantes significa, em muitas circunstâncias, que os
depósitos poderão receber graduação acima do IDR de Longo Prazo, de modo a refletir
recuperações superiores. As contrapartes de derivativos não são beneficiadas pela mesma
preferência que os depositantes.

Cada cenário assume que todos os passivos seniores, de terceiros, de OpCos não-
governamentais são efetivamente protegidos por dívida sênior BHC (por exemplo, devido ao
fluxo de forma subordinada ou mediante a exigência de “fonte de força” norte-americana).
Entretanto, no caso do Banco A os colchões são pequenos, o que significa que apenas os
depósitos recebem graus acima. No caso dos Bancos B e C, os colchões são suficientes para
atribuir graus ao IDR de OpCos acima do RV, mas no caso do Banco C, alavancagem dupla
do BHC muito alta significa que o RV, IDR e a dívida sênior do BHC estão um grau abaixo.

Metodologia Global de Rating de Bancos 97


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Exemplos de Graduação de Bancos Operacionais e Companhias


Holding
A B C
Montante de Recapitalização (% RWA) 8 8 8
Dívida Júnior Qualificável (% RWA) 4 5 5
Dívida sênior da Holding (% RWA) 3 5 8
Depósitos seniores em relação a outros passivos Sim Sim Sim
seniores de bancos operacionais
Dupla Alavancagem <120% <120% 140%

Ratings de Companhias Holding


RV bbb bbb bbb-
IDR LP BBB BBB BBB-
Dívida sênior BBB BBB BBB-

Ratings de Bancos Operacionais


RV bbb bbb bbb
IDR LP BBB BBB+ BBB+
Dívida sênior BBB BBB+ BBB+
RCD BBB BBB+ BBB+
Depósitos BBB+ A- A-
Pressupõe que todos os passivos seniores de bancos operacionais estão protegidos pelos passivos da Holding
Fonte: Fitch

Metodologia Global de Rating de Bancos 98


Novembro de 2016
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Anexo 6: Exemplos de Estruturas Aplicadas


Os exemplos a seguir ilustram como a estrutura da Fitch de atribuição de ratings a bancos
funciona em diferentes cenários, em vigor durante o ciclo de vida dos ratings. A designação de
cenários como “Severo”, “Alto” e “Moderado” é relativa a cada um e ao ponto inicial. Eles não
implicam a definição da Fitch do que um estresse severo, alto ou moderado pode de qualquer
outra forma significar; nem são expectativas de como as mudanças nos ratings podem
funcionar na prática. Em lugar disso, esses exemplos se destinam especificamente a
demonstrar como a estrutura funcionaria em cenários hipotéticos. Os ratings reais podem,
assim, diferir, com base nas especificidades de qualquer emissor e/ou situação.

1. Ponto Inicial
Este exemplo mostra um ponto inicial de ratings e como a estrutura da Fitch funciona em
diferentes cenários. O Rating de Viabilidade (RV) é o mesmo em ambos os casos, ‘bbb’. A
escolha do ‘bbb’ como ponto inicial é arbitrária e serve como ponto de partida para os cenários
subsequentes. O primeiro caso demonstra a estrutura da agência na ausência de suporte,
enquanto o segundo incorpora um elevado grau de suporte soberano. Nos dois casos, os
instrumentos subordinados e preferenciais são graduados a partir do RV, pois a Fitch não
presume suporte soberano para esses instrumentos, a não ser que haja evidência em
contrário. Para fins deste exercício, o suporte é de um soberano classificado como ‘AAA’, com
Perspectiva de Rating Estável. A capacidade e a propensão de prestar suporte são elevadas.

Sem Suporte
Neste exemplo, a Fitch não presume qualquer suporte à entidade, conforme indicado pelo
Rating de Suporte (RS) ‘5’ e o Piso de Rating de Suporte (PRS) ‘Sem Piso’. Os ratings
instrumentais refletem a graduação padrão.

Suporte
Neste exemplo, a Fitch presume um alto nível de suporte, conforme indicado pelo RS ‘1’ e
PRS ‘A’. O IDR consequentemente “se beneficia” do potencial suporte, pois o RV é inferior ao
PRS, e, por essa razão, o IDR é ‘A’.

Nível Inicial
Sem suporte Suporte
IDR de Longo Prazo BBB IDR de Longo Prazo A
IDR de Curto Prazo F2 IDR de Curto Prazo F1
Rating de Viabilidade bbb Rating de Viabilidade bbb
Rating de Suporte 5 Rating de Suporte 1
Piso de Rating de Suporte Sem Piso Piso de Rating de Suporte A
Dívida Sênior BBB Dívida Sênior A
Dívida Subordinada BBB– Dívida Subordinada BBB–
Ação Preferencial B+ Ação Preferencial B+
Fonte: Fitch

2. Estresse Severo
Um cenário de estresse severo poderá ser o resultado de fatores sistêmicos ou
idiossincráticos. Para fins deste exercício, a Fitch assume que o nível de estresse seja tal que
a entidade se torne “inviável” por todas as contas objetivas, isto é, ela falha em ambos os
casos, “sem suporte” e com “suporte”.

Sem Suporte
Neste cenário, o IDR seria ‘D’ (ou ‘RD’) e o RV, ‘f’. Isto assume que as obrigações de dívida
sênior não apresentaram desempenho. Isto é, não houve pagamento do principal ou juros e,
desta forma, os ratings da obrigação de dívida são rebaixados para patamares muito baixos,
geralmente ‘CC’ e ‘C’, baseado no resultado de uma análise de recuperação customizada.
Para fins de simplificação, os credores seniores têm presumidamente Rating de Recuperação
‘RR3’, enquanto os subordinados e preferenciais, ‘RR6’.

Metodologia Global de Rating de Bancos 99


Novembro de 2016
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De forma alternativa, se a dívida sênior continua sendo executada, o IDR não será rebaixado
para ‘D’ (ou ‘RD’) mas provavelmente para ‘B–’ ou ‘CCC’. O RV ainda iria para ‘f’ mesmo se a
dívida sênior continuasse apresentando desempenho.

Suporte
Neste cenário, o IDR continua em ‘A’, pois o suporte é prestado pelo soberano e não ocorre
inadimplência. Entretanto, a entidade é julgada como tendo falhado, com o RV indo para ‘f’. O
nível de suporte se destina a restaurar a viabilidade da entidade. A dívida sênior permanece
inalterada, em ‘A’. Em função deste suporte, o governo requer a conversão ou a redução dos
instrumentos subordinados e preferenciais. Estes ratings de instrumento são afetados da
mesma forma que o exemplo “sem suporte”.

Trajetória dos Ratings


Os dois cenários, de inadimplência e/ou de falha, serão geralmente uma condição temporária.
Os bancos em que o IDR atingir ‘D’ ou ‘RD’, são algumas vezes, embora nem sempre,
liquidados ou divididos entre entidades “bom banco”/“mau banco”, de forma que a trajetória
futura dos ratings nem sempre é certa, neste ponto. Quando o RV chega a ‘f’, e espera-se que
a entidade volte a ser viável, o RV será restabelecido em um patamar muito baixo,
provavelmente nas categorias de rating ‘ccc’/‘b’, embora possa ser mais alto com base em
circunstâncias específicas.

Estresse Severo
Sem suporte Suporte
IDR de Longo Prazo D ou RD IDR de Longo Prazo A
IDR de Curto Prazo D ou RD IDR de Curto Prazo F1
Rating de Viabilidade f Rating de Viabilidade f
Rating de Suporte 5 Rating de Suporte 1
Piso de Rating de Suporte Sem Piso Piso de Rating de Suporte A
Dívida Sênior CC/RR3 Dívida Sênior A
Dívida Subordinada C/RR6 Dívida Subordinada C
Ação Preferencial C/RR6 Ação Preferencial C
Fonte: Fitch

3. Estresse Elevado
Em um cenário de estresse “Elevado”, as causas subjacentes podem ser sistêmicas ou
idiossincráticas. Para fins de demonstração, a agência assume que o estresse causa redução
relevante na capitalização, mas a entidade permanece “viável”. Neste exemplo, o emissor tem
gatilho “alto” de instrumento de capital contingente Nível 2 (CoCo). O gatilho deste instrumento
é 7,0% e foi inicialmente classificado a quatro graus do RV (i.e. ‘BB−’). A instituição reporta
uma perda grande e inesperada que leva o seu índice de capital principal nível 1 (CET1) a cair
para 6,5%, disparando o CoCo, que o converte a patrimônio. Embora a capitalização esteja
abaixo de patamares anteriores, em todas as contas objetivas a instituição é viável e deve-se
esperar que permaneça assim. No entanto, as ações preferenciais não estão sendo honradas
e há significativa incerteza sobre quando os pagamentos de cupons serão retomados.

Sem Suporte
Neste cenário, o IDR e o RV são reduzidos em cinco graus devido ao estresse, embora
protegidos pela conversão de bancos operacionais. A entidade ainda consegue servir sua
dívida sênior. Entretanto, como o gatilho sobre bancos operacionais foi atingido, estes foram
convertidos a patrimônio e rebaixados para ‘CC’/‘C’. Como a entidade é considerada viável, o
RV não vai para ‘f’, nem o IDR é rebaixado para ‘D’ ou ‘RD’.

Suporte
Neste cenário, o IDR permanece em ‘A’, enquanto o RV segue a mesma trajetória que no
exemplo “sem suporte”. A dívida sênior permanece em ‘A’ devido ao RS/PRS. A dívida
subordinada e as CoCos seguem a mesma trajetória que no exemplo “sem suporte”.

Metodologia Global de Rating de Bancos 100


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Trajetória dos Ratings


Em ambos os exemplos, o RV poderá ser elevado após a conversão, à medida que esta
conversão aborda quaisquer deficiências de capital.

Estresse Elevado
Sem suporte Suporte
IDR de Longo Prazo B+ IDR de Longo Prazo A
IDR de Curto Prazo B IDR de Curto Prazo F1
Rating de Viabilidade b+ Rating de Viabilidade b+
Rating de Suporte 5 Rating de Suporte 1
Piso de Rating de Suporte Sem Piso Piso do Rating de Suporte A
Dívida Sênior B+/RR4 Dívida Sênior A
Dívida Subordinada B/RR5 Dívida Subordinada B
Gatilho CoCo Elevado C/RR5 Gatilho CoCo Elevado C
Ações Preferenciais C/RR6 Ações Preferenciais C
Fonte: Fitch

4. Estresse Moderado
O cenário de estresse “moderado” reflete fatores que podem ser mais idiossincráticos para a
instituição. Ela pode ter apresentado deterioração da qualidade de ativos acima da média que
não seja consistente com seus ratings e com as premissas de estresse da Fitch. Além disso,
como resultado desta deterioração, houve algumas mudanças na diretoria e, possivelmente,
mudanças na estratégia que não haviam sido antes visualizadas no cenário-base da Fitch.

Sem Suporte
Neste cenário, o IDR e o RV são ambos rebaixados em três graus. Os instrumentos de dívida
mantêm graduação padrão (embora a graduação dos instrumentos híbridos seja comprimida
para abaixo do grau de investimento). Todas as obrigações da dívida continuam sendo
honradas.

Suporte
Neste cenário, o IDR e a dívida sênior permanecem em ‘A’, enquanto o RV é rebaixado três
graus, para refletir seus fundamentos enfraquecidos. Os ratings de instrumento refletem a
graduação padrão e todas as dívidas estão sendo honradas.

Estresse Moderado
Sem Suporte Suporte
IDR de Longo Prazo BB IDR de Longo Prazo A
IDR de Curto Prazo B IDR de Curto Prazo F1
Rating de Viabilidade bb Rating de Viabilidade bb
Rating de Suporte 5 Rating de Suporte 1
Piso de Rating de Suporte Sem Piso Piso de Rating de Suporte A
Dívida Sênior BB Dívida Sênior A
Dívida Subordinada BB– Dívida Subordinada BB–
Ações Preferenciais B– Ações Preferenciais B–
Fonte: Fitch

Metodologia Global de Rating de Bancos 101


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Anexo 7: Análises de Grupo/Pares


O Que é uma Análise de Grupo?
A Fitch objetiva conduzir parcela relevante de suas análises periódicas de bancos emissores
utilizando análises de grupo ou de pares (“análise de grupo”). Uma análise de grupo é a
avaliação de pares relevantes levados ao comitê ao mesmo tempo. Isso dá à agência a
oportunidade de avaliar formalmente as instituições comparáveis juntas e assegurar
consistência apropriada e relatividade aos ratings.

Por que a Fitch Conduz Análises de Grupo?


As análises de grupos facilitam as comparações de crédito por meio de pares selecionados e
oferecem um mecanismo para pronta identificação de tendências adversas de crédito. A Fitch
também acredita que a abordagem de revisão de grupos facilita a pesquisa almejada e os
comentários sobre os desenvolvimentos da indústria ou do setor, ajudando os investidores a
tomar decisões.

Como uma Análise de Grupo se Compara a uma Análise Individual?


As análises de grupo não são o enfraquecimento do rigor da análise, mas facilitam as
comparações de crédito precisas e relevantes, bem como a identificação e a avaliação de
temas ou fatores de rating em comum. A análise está, desta forma, baseada não só em fatores
externos ou macro amplos, mas também nas especificidades de cada instituição sendo
submetida à revisão. Embora as análises de grupo constituam o núcleo da abordagem da
análise de ratings da Fitch, a análise de um emissor individual poderá ser aplicável após um
evento de crédito.

Qual é a Frequência da Revisão?


A Fitch irá rever cada emissor em linha com quaisquer exigências regulatórias: na maioria dos
casos, isto ocorrerá no mínimo anualmente e a intervalos pré-definidos. A Fitch determinará a
frequência precisa da revisão com base no perfil, sensibilidade, complexidade e volatilidade de
emissores e/ou sistemas bancários específicos.

Como são Construídos os Grupos de Pares?


Os grupos de pares podem ser construídos em uma variedade de formas e incluir emissores
agrupados por região, país, setor, categoria de ratings ou simplesmente por amostragem. A
cobertura extensiva da Fitch dos bancos emissores globais significa que o número de
entidades classificadas que não tem grupo de pares naturais é muito limitada. Essas entidades
recebem revisões individuais.

Emissores fora do grupo de pares, cujos ratings são formalmente revisados durante a revisão
do grupo podem ter seus ratings, indicadores e experiências incluídos nos materiais de comitê,
relatórios de pesquisa e discussões do comitê, se esta conclusão fornecer contexto útil e
instrutivo à análise.

Metodologia Global de Rating de Bancos 102


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Anexo 8: Informações Utilizadas para Emitir e Manter Ratings


Princípios-Chave
Os analistas devem basear seus relatórios e análises de rating em uma análise completa de
todas as informações relevantes conhecidas e que considerem relevantes para a análise e a
decisão do rating.

Estas informações incluem as informações disponíveis publicamente, informações fornecidas


diretamente ou durante sua interação com o emissor e informações prestadas por terceiros,
além de informações relevantes colhidas pelos analistas da Fitch durante sua interação com
outros emissores.

Todos os comitês de rating são solicitados a verificar se os dados foram suficientes e robustos
em relação à decisão de rating. Quando houver informações insuficientes para atribuir ou
manter um rating, nenhum rating será atribuído ou mantido.

Limiar das Informações


As principais informações utilizadas em um processo de rating são as publicamente
disponíveis, como as demonstrações financeiras anuais e semestrais (normalmente, pelo
menos três anos de contas auditadas), documentos de transações para emissões públicas,
declarações públicas, apresentações e outras divulgações para esta finalidade efetuadas pela
administração do emissor, submissões regulatórias públicas e comentários oficiais do setor.
Estas informações públicas representam as exigências mínimas para que os investidores
tomem uma decisão de investimento e se baseiam no nível e tipo de informações tipicamente
apresentados por uma companhia com ações negociadas em bolsa.

A divulgação pública é normalmente complementada por informações adicionais prestadas


diretamente pela administração do emissor. Essas informações adicionais podem tomar a
forma de atualizações mais frequentes ou confidenciais de informações tipicamente divulgadas
em público e/ou informações específicas não-públicas consideradas analiticamente
importantes. Reuniões podem ser realizadas com membros da administração emissora para
discutir as informações prestadas e compreender quaisquer premissas usadas na preparação
das informações. As informações não-financeiras usadas no processo de rating normalmente
incluiriam uma descrição dos principais produtos da instituição, base de clientes, mercados
geográficos, estrutura de administração de risco, estrutura do grupo, controle e estratégia.

A Fitch trabalha com as informações mais recentes disponíveis. A divulgação pública será
geralmente previsível a seu tempo; atualizações periódicas de outras informações serão
geralmente programadas, de forma a coincidir com uma revisão programada, ou ad hoc, em
resposta às condições em mutação. Estas informações suplementares podem proporcionar
insights periódicos, mas sua oferta está sujeita à escolha da entidade classificada. As
informações históricas sobre as séries de tempo proporcionam importante insight, mas a mais
recente informação tipicamente tem maior peso na opinião de ratings prospectiva.

A Fitch realiza uma satisfatória verificação das informações fatuais oferecidas, de acordo com
a metodologia e critérios de rating relevantes, tanto quanto possíveis a partir de informações
de fontes independentes, à medida que essas fontes estejam disponíveis.

Monitoramento
Os analistas executam monitoramento constante das informações recebidas e/ou solicitadas.
Quando um fator ou tendência pode ter um impacto no rating, a Fitch determinará o curso de
ação apropriado, que pode ser um dos seguintes:
 O banco é levado ao comitê de rating.
 É enviada ao banco uma solicitação de informações adicionais específicas (a
Fitch pode também considerar apropriado colocar o rating em Observação).

A Fitch também pode concluir que nenhuma providência é necessária.

Metodologia Global de Rating de Bancos 103


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Fonte de Dados da Metodologia


As principais premissas de rating para a metodologia são informadas por meio de discussões
com terceiros, tais como, emissores, institucionais, supervisores e governos e das análises da
Fitch de informações financeiras e não financeiras, como demonstrações financeiras e
relatórios anuais, documentos de notas e mercado financeiro, dados do setor, econômicos e
históricos.

Variações na Aplicação da Metodologia


As metodologias da Fitch são elaboradas para a utilização em conjunto com um experiente
julgamento analítico, exercido por meio de um processo de decisão em comitê. A combinação
de metodologias transparentes, julgamento crítico aplicado individualmente à transação ou ao
emissor e ampla divulgação por meio de comunicados de rating fortalece o processo de
classificação da Fitch, ao mesmo tempo em que ajuda os participantes de mercado a
compreender as avaliações de risco da agência.

Um comitê de rating pode ajustar a aplicação destas metodologias para refletir os riscos de
uma transação ou entidade específica. Estes ajustes são denominados variações. Todas as
variações serão divulgadas nos respectivos comunicados de ação de rating, incluindo seu
impacto na classificação, quando oportuno.

O comitê de rating pode aprovar uma variação quando o risco, a característica ou qualquer
outro fator relevante para a atribuição de um rating e as metodologias aplicadas estiverem no
escopo destas, mas a análise demandar sua alteração para contemplar fatores específicos à
transação ou entidade em particular.

Metodologia Global de Rating de Bancos 104


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Anexo 9: Uso de Testes de Estresse e Outras Ferramentas no


Processo de Rating
Princípios-Chave
Quando relevante, os analistas complementarão suas análises de informações relevantes com
uma avaliação do potencial impacto de uma gama de cenários de estresse ou simulações
adequadas/plausíveis.

Premissas
As premissas usadas nas análises de estresse ou de cenários irão variar, mas incorporarão
geralmente variáveis macroeconômicas, taxas de perdas e mudanças nos parâmetros de risco
(tais como, a probabilidade de inadimplência e de perdas devido à inadimplência), e o impacto
será normalmente enquadrado no contexto do impacto nos ganhos e/ou do capital. A(s)
variável (is) escolhidas serão movidas pela natureza e/ou severidade do estresse visualizado
ou sendo testado, e será estabelecido no âmbito específico do banco, setor, país e/ou região.

Ferramentas Usadas no Processo de Rating


Quando relevante, a Fitch utilizará um leque de ferramentas padronizadas para simular o
efeito da qualidade de ativos, capital e estresses de liquidez. Testes rotineiros de estresse
poderão ser realizados em bases específicas do emissor ou do setor e podem ser
complementados por simulações customizadas nos casos em que as abordagens
padronizadas podem não ser apropriadas.

À medida que os reguladores em diferentes jurisdições conduzam testes de estresse ou


análises da qualidade de ativos em país ou setor, a Fitch pode utilizar suas próprias
ferramentas semelhantes para entender melhor os testes de estresse do regulador e suas
sensibilidades, reconhecendo os diferentes graus de divulgação relativos a fatores, tais como
dados básicos e variáveis de estresse.

Inputs e Outputs
Os testes de estresse e de cenário podem exigir inputs padrões dos emissores de natureza
não-pública e a Fitch solicitará aqueles considerados necessários. Se esses inputs não forem
fornecidos, a Fitch poderá usar estimativas conservadoras baseadas no julgamento analítico,
juntamente com seu conhecimento mais amplo do setor e da indústria. De forma alternativa, a
Fitch poderá receber uma análise de cenário do próprio emissor. Nesses casos, a agência
discutirá estes cenários com a administração do emissor para entender as premissas
subjacentes usadas na análise e, se apropriado, efetuar novos ajustes analíticos nas
premissas subjacentes da administração.

Os resultados podem, a critério da Fitch, ser divulgados no todo ou em parte, quando essa
divulgação agregar valor à análise e/ou pesquisa. A presença de dados não-públicos,
entretanto, normalmente resulta em divulgação de forma agregada ou resumida. A Fitch
utilizará comparação com os pares, quando relevante, para avaliar a relativa resiliência a
estresses ou cenários específicos.

Metodologia Global de Rating de Bancos 105


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

Anexo 10: Metodologias Relacionadas


Este relatório de metodologia foi publicado juntamente com os seguintes relatórios de
metodologia:

Metodologia Global de Rating de InstituiçõesFinanceiras Não-bancárias 15 de julho de 2016

Em alguns casos, emissores podem ser classificados tanto sob a Metodologia Global de
Rating de Bancos como sob a Metodologia Global de Rating de Instituições Financeiras Não-
bancárias.

Os seguintes relatórios de metodologias setoriais cruzadas serão aplicados aos ratings de


bancos e de outras instituições financeiras, quando apropriado.

Este relatórios substituem e resultam na retirada dos seguintes relatórios de metodologia de


instituições financeiras:

Distressed Debt Exchange Distressed Debt Exchange 8 de junho de 2016


Country Ceilings 20 de agosto de 2015
Country Specific Treatment of Recovery Ratings 28 de abril de 2016
Rating Sukuk 18 de Agosto de 2015
Metodologia de Rating em Escala Nacional 30 de Outubro de 2013

Metodologia Global de Rating de Bancos 106


Novembro de 2016
Instituições Financeiras

TODOS OS RATINGS DE CRÉDITO DA FITCH ESTÃO SUJEITOS A ALGUMAS LIMITAÇÕES E TERMOS DE


ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE. POR FAVOR, VEJA NO LINK A SEGUIR ESSAS LIMITAÇÕES E TERMOS
DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE: HTTP://FITCHRATINGS.COM/UNDERSTANDINGCREDITRATINGS.
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autorizada. Todos os direitos reservados. Ao atribuir e manter seus ratings, a Fitch conta com informações
factuais que recebe de emissores e underwriters e de outras fontes que a agência considera confiáveis. A Fitch
executa uma pesquisa razoável das informações factuais de que dispõe, de acordo com suas metodologias de
rating, e obtém razoável verificação destas informações de fontes independentes, na medida em que estas fontes
estejam disponíveis com determinado patamar de segurança, ou em determinada jurisdição. A forma como é
conduzida a investigação factual da Fitch e o escopo da verificação de terceiros que a agência obtém poderão
variar, dependendo da natureza do título analisado e do seu emissor, das exigências e práticas na jurisdição em
que o título analisado é oferecido e vendido e/ou em que o emitente esteja localizado, da disponibilidade e natureza
da informação pública envolvida, do acesso à administração do emissor e seus consultores, da disponibilidade de
verificações pré-existentes de terceiros, como relatórios de auditoria, cartas de procedimentos acordadas,
avaliações, relatórios atuariais, relatórios de engenharia, pareceres legais e outros relatórios fornecidos por
terceiros, disponibilidade de fontes independentes e competentes de verificação, com respeito ao título em
particular, ou na jurisdição do emissor, em especial, e a diversos outros fatores. Os usuários dos ratings da Fitch
devem estar cientes de que nem uma investigação factual aprofundada, nem qualquer verificação de terceiros
poderá assegurar que todas as informações de que a Fitch dispõe com respeito a um rating serão precisas e
completas. Em última instância, o emissor e seus consultores são responsáveis pela precisão das informações
fornecidas à Fitch e ao mercado ao disponibilizar documentos e outros relatórios. Ao emitir seus ratings, a Fitch é
obrigada a confiar no trabalho de especialistas, incluindo auditores independentes, com respeito às demonstrações
financeiras, e advogados, com referência a assuntos legais e tributários. Além disso, os ratings são naturalmente
prospectivos e incorporam hipóteses e predições sobre eventos futuros que, por sua natureza, não podem ser
confirmados como fatos. Como resultado, apesar de qualquer verificação sobre fatos atuais, os ratings podem ser
afetados por condições ou eventos futuros não previstos na ocasião em que um rating foi emitido ou afirmado.
As informações neste relatório são fornecidas "tal como se apresentam", sem que ofereçam qualquer tipo de
garantia. Um rating da Fitch constitui opinião sobre o perfil de crédito de um título. Esta opinião se apoia em
critérios e metodologias existentes, que são constantemente avaliados e atualizados pela Fitch. Os ratings são,
portanto, resultado de um trabalho de equipe na Fitch, e nenhuma classificação é de responsabilidade exclusiva de
um indivíduo, ou de um grupo de indivíduos. O rating não cobre o risco de perdas em função de outros riscos que
não sejam o de crédito, a menos que tal risco esteja especificamente mencionado. A Fitch não participa da oferta
ou venda de qualquer título. Todos os relatórios da Fitch são de autoria compartilhada. Os profissionais
identificados em um relatório da Fitch participaram de sua elaboração, mas não são isoladamente responsáveis
pelas opiniões expressas no texto. Os nomes são divulgados apenas para fins de contato. Um relatório que
contenha um rating atribuído pela Fitch não constitui um prospecto, nem substitui as informações reunidas,
verificadas e apresentadas aos investidores pelo emissor e seus agentes com respeito à venda dos títulos. Os
ratings podem ser modificados ou retirados a qualquer tempo, por qualquer razão, a critério exclusivo da Fitch. A
agência não oferece aconselhamento de investimentos de qualquer espécie. Os ratings não constituem
recomendação de compra, venda ou retenção de qualquer título. Os ratings não comentam a correção dos preços
de mercado, a adequação de qualquer título a determinado investidor ou a natureza de isenção de impostos ou
taxação sobre pagamentos efetuados com respeito a qualquer título. A Fitch recebe pagamentos de emissores,
seguradores, garantidores, outros coobrigados e underwriters para avaliar os títulos. Estes p r e ç o s geralmente
variam entre USD1.000 e USD750.000 (ou o equivalente em moeda local aplicável) por emissão. Em certos
casos, a Fitch analisará todas ou determinado número de emissões efetuadas por um emissor em particular ou
seguradas ou garantidas por determinada seguradora ou garantidor, mediante um único pagamento anual. Tais
valores podem variar de USD10.000 a USD1.500.000 (ou o equivalente em moeda local aplicável). A atribuição,
publicação ou disseminação de um rating pela Fitch não implicará consentimento da Fitch para a utilização de seu
nome como especialista, com respeito a qualquer declaração de registro submetida mediante a legislação
referente a títulos em vigor nos Estados Unidos da América, a Lei de Serviços Financeiros e Mercados, de 2000,
da Grã-Bretanha ou a legislação referente a títulos de qualquer outra jurisdição, em particular. Devido à relativa
eficiência da publicação e distribuição por meios eletrônicos, a pesquisa da Fitch poderá ser disponibilizada para os
assinantes eletrônicos até três dias antes do acesso para os assinantes dos impressos.

Metodologia Global de Rating de Bancos 107


Novembro de 2016