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03/10/2018 Arquétipos do sagrado feminino - IPTH

ARQUÉTIPOS DO SAGRADO FEMININO

Artigos set 24 2015

Caminhos para harmonização e cura da mulher


O reencontro da mulher com o aspecto sagrado da sua polaridade feminina é um
tema muito abordado atualmente. Pode ser considerado um movimento que
envolve mulheres de diversas profissões e camadas sociais em busca da
ressignificação de seu papel na maternidade, no lar e na sociedade. Terapeutas,
doulas, parteiras, enfermeiras, médicas, educadoras, advogadas… Todas unidas
em uma verdadeira missão de trazer de volta para a vida das mulheres sua
essência, usando uma palavra que se torna cada vez mais popular entre nós:
empoderamento.
O assunto que irei abordar neste artigo, dentro desta ampla discussão do
empoderamento feminino, é a polaridade doença-cura e a utilização de
arquétipos femininos como princípio gerador de harmonia e equilíbrio neste
processo. O que me motivou a escrever sobre este assunto foi a minha
experiência como psicoterapeuta, doula e professora de yoga no atendimento de
mulheres. As mulheres que atendo são afligidas por diversos tipos de
problemas, mas geralmente eles acabam confluindo para um ponto comum: um
aspecto de desconexão com sua polaridade feminina.
Do ponto de vista sistêmico, a doença não existe por si só: ela é uma criação da
nossa mente. Quando não conseguimos exteriorizar ou exterminar um conflito
que surgiu no nível psíquico, este se manifesta em nosso corpo físico como uma
forma de alerta, um pedido de socorro. Cada órgão, sistema, glândula ou parte
do nosso corpo carrega uma sabedoria e num nível metafísico, é possível
compreender o que cada doença simboliza, analisando o lugar onde ela se
manifestou.
É cada vez mais frequente o número de mulheres que vêm até mim
apresentando sintomas de depressão associados ao “adoecimento” de algum
órgão feminino. Miomas uterinos, ovários policísticos, endometriose, sintomas
crônicos de tensão pré-menstrual, nódulos nos seios, diminuição acentuada da
libido, culminando em alguns casos em frigidez e esterilidade. Apesar de não ser
exclusividade do universo feminino, é impressionante o número de mulheres que
apresentam distúrbios hormonais decorrentes do mau funcionamento da
glândula tireóide. A grande maioria delas apresenta sintomas claros de
hipotireoidismo – inchaço, aumento de peso, dificuldade de perder peso mesmo
praticando atividade física, enfraquecimento das unhas e dos cabelos e nódulos
– mas são ignoradas pelos seus médicos pelo fato dos exames clínicos não
atingirem os números necessários para “comprovar” a doença. E então eu me
pergunto: se essas mulheres não estão doentes, por quê apresentam tantos
sintomas?
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O desequilíbrio que gera a doença está ligado a fatores psíquicos, que quando
identificados e tratados podem devolver o equilíbrio ao paciente. No caso dessas
pacientes, observei que a visualização criativa de arquétipos pode ajudá-las a
conhecerem seus aspectos mais frágeis e descobrir aspectos de fortalecimento
para sua psique. Baseada na pesquisa e na experiência em atendimentos
desenvolvidos aqui no IPTH, podemos afirmar que esse equilíbrio dos níveis
mental e psíquico certamente se estenderão ao corpo físico.

Sobre arquétipos
Arquétipo é um conceito elaborado por Carl Gustav Jung, definido como um
conjunto de imagens psíquicas presentes no inconsciente coletivo, que ele
define como sendo a parte mais profunda do inconsciente humano. Os
arquétipos portanto, são indissociáveis da nossa psique, estão presentes em
nosso inconsciente e chegaram até ali através da herança genética que
recebemos dos nossos ancestrais, ou ainda, de um grupo étnico ou civilização
em que estamos inseridos. Eles não fazem parte das nossas memórias num
nível consciente. Eles podem ser compreendidos como um conjunto de
informações inconscientes, que exercem grande influência sobre o
comportamento e até mesmo sobre as crenças do ser humano.
E de donde vêm os arquétipos? Suas origens são tão antigas quanto a nossa
própria existência e estão calcadas em crenças repetidas ao longo de milhares
de gerações, eternizadas através da tradição oral, da difusão de histórias
construídas ao longo do tempo, que deram origem às mitologias, lendas e
contos de fadas. Por que nos identificamos com histórias? Porque elas são
construídas a partir de arquétipos que habitam nosso inconsciente. Por mais
éticos que sejamos, muitas vezes nos identificamos tanto com o herói quanto
com o vilão de uma determinada história: ambos arquétipos fazem parte do
nosso imaginário e representam uma expressão autêntica do nosso
inconsciente. Talvez isso explique o fato da figura do anti-herói ser tão popular,
pois ela reúne o melhor e o pior de cada um deles.
Arquétipos femininos
Um exemplo de arquétipo feminino amplamente difundido e estudado é a figura
da Grande Mãe. Este arquétipo se desdobra em diversas divindades femininas e
é encontrado com diferentes nomes nas mais diversas culturas: Gaia,
Pachamama, a face materna da deusa tríplice Hécate, Maria, Ísis… São
inúmeras as manifestações arquetípicas dessa figura feminina maternal, que
personifica o planeta Terra – a Mãe Natureza. A interação da mulher com a
natureza é calcada no poder gerador de ambas: metafisicamente, o útero pode
ser entendido como uma miniatura da Terra, um receptáculo de sementes que
serão germinadas, para posteriormente transformarem-se em vida. Quando
desconectada de sua criatividade (ovários) e do seu potencial curador (útero), a
mulher adoece energeticamente. Ela perde seu brilho pouco a pouco, seca e
endurece. Mas o feminino é um amplo mistério, que vai muito além da
maternidade. Mulheres são seres múltiplos e carregam dentro de si inúmeros
arquétipos. Quando plenamente empoderadas, elas dançam com todos eles,
não se limitando a serem apenas mães, apenas profissionais ou apenas
esposas… Abordarei na sequência os arquétipos femininos mais conhecidos e
mais estudados dentro da perspectiva junguiana, personificados através de sete
deusas do panteão da mitologia greco-romana.
Artemis (Diana)
A natureza da mulher Artemis é guerreira e independente. Ela representa
a individualidade. É uma deusa virgem (completa), caçadora (auto-suficiente)
que vive nas matas acompanhada por lobos. Seu habitat é a natureza selvagem,
a floresta. É um arquétipo que acompanha as mulheres viajantes, aventureiras e
destemidas. Em equilíbrio, este arquétipo traz força e independência para as
mulheres, equilibra as polaridades feminino-masculino, fazendo com que
reconheçam seu papel e sintam-se completas, independente da concretização
de uma parceria ou relacionamento com o sexo oposto. Quando uma mulher se
identifica de maneira desequilibrada com este arquétipo, ela tende a “endurecer”
o feminino e atrair homens dependentes e carentes. Artemis se nutre de animais
e plantas, não só através da alimentação: eles são sua companhia, seu
universo. Dessa forma, podemos compreender que ela está em harmonia com o

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meio onde habita. Dedicação a si mesma, fortalecimento da identidade e limites


pessoais são fortes atributos deste arquétipo.
Atenas (Minerva)
A mulher Atenas é a mais valorizada pela sociedade atual. Ela representa o
conhecimento, a sabedoria e está profundamente ligada ao lado profissional.
Este arquétipo confere ao feminino equilíbrio, capacidade de criar estratégias,
dedicação aos estudos, companheirismo e disciplina no trabalho. Porém, Atenas
carece de sensibilidade. Quando nos perdemos na sombra de Atenas, nos
apegamos à lógica excessiva, frieza e calculismo e podemos cair facilmente no
julgamento e na ridicularização de outros atributos essenciais do feminino: nosso
lado passivo, receptivo e nosso princípio doador. O casamento pode tornar-se
um mero acordo comercial, a amizade com mulheres pode tornar-se
extremamente difícil, posto que a mulher Atenas identifica-se com os valores e
características da polaridade masculina.
Héstia (Vesta)
Héstia é a deusa do fogo, celebrada nas lareiras dos lares gregos. É uma deusa
protetora dos lares, o que faz com que seja diretamente relacionada à
nossa força interior, em oposição à nossa expressão diante do mundo.
Representa o equilíbrio e a quietude, que permitem a mulher manter-se
firmemente conectada e sair ilesa de um período conturbado. O fogo de Héstia
representa o aquecimento e não a destruição. Quando em desequilíbrio, este
arquétipo tende a tornar a mulher extremamente emotiva, introvertida e isolada.
A maternidade e a sexualidade não são pontos fortes deste arquétipo. O seu
equilíbrio se dá através do exercício da sociabilidade, da expressão
comprometida de sentimentos, pontos de vista e necessidades.
Hera (Juno)
As mulheres tipo Hera são ligadas ao poder e ao casamento de maneira
idealizada. Para elas os relacionamentos livres e informais não têm valor algum.
Sua lealdade e devoção ao marido é imensurável; quando traídas, tendem a
culpar a outra, mesmo que essa tenha sido uma vítima da sedução do cônjuge.
É muito raro uma mulher identificada com este arquétipo pedir divórcio, por mais
insatisfeita que ela esteja com o casamento, pois tem muitas dificuldades de
aceitar o rompimento e um novo casamento por parte do ex-cônjuge, chegando
a interferir de maneira extremamente negativa na vida dele e da nova parceira.
Quando perde as rédeas da situação, Hera reage com ira, que pode se
manifestar de maneira assustadora e destrutiva. Também é uma característica
deste arquétipo fugir do relacionamento problemático dos pais arranjando um
casamento para si. A prioridade das mulheres ligadas a esse arquétipo não é o
campo profissional. Não é o tipo de mulher que terá filhos por identificar-se com
a maternidade, mas sim para cumprir uma função social dentro do casamento. O
homem que geralmente se atrai pelas mulheres Hera são aqueles que desejam
ter uma esposa por razões sociais e não necessariamente afetivas.
Deméter (Ceres)
Deméter é a expressão da generosidade, dedicação e doação da mulher: ela
não sabe dizer não a ninguém. Representa o instinto maternal em sua totalidade
(gestação e nutrição), nos níveis físico, psíquico e espiritual. As mulheres com
essa deusa proeminente desejam, mais do que tudo, serem mães. Associada às
colheitas, ela também representa a abundância e a nutrição do feminino. É
dedicada à família, especialmente aos filhos. Na mitologia, ela é a mãe de
Perséfone, que foi raptada pelo deus Hades e levada ao submundo; Deméter
não mediu esforços para recuperar sua filha. Elas são nutridoras, prestativas e
doadoras em todos os relacionamentos. As mulheres Deméter são cuidadoras
natas e exercem essa função ao longo de sua vida, independente da idade e
maturidade de seus filhos. Por dedicar-se de maneira exagerada e muitas vezes
exclusiva à maternidade, as mulheres fortemente identificadas com este
arquétipo tendem a tornarem-se depressivas quando os filhos crescem e deixam
o lar. Para evitar este transtorno, muitos vezes elas impedem seus filhos de
crescerem. Engravidar “acidentalmente” também pode ser considerado um
sintoma de dominação deste arquétipo no inconsciente da mulher.
Perséfone (Cora)
É a sacerdotisa, a governante do mundo invisível. Representa mulheres meigas,
femininas, dotadas de um grande poder criativo e também o lado psicológico e
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espiritual da mulher. As mulheres identificadas ao extremo com este arquétipo,


costumam apresentar um poder de ação reduzido. São facilmente conduzidas
pelos outros e têm dificuldades em se posicionar e até mesmo de compreender
aquilo que querem ou para onde devem ir. Perséfone também representa a
mulher que faz de tudo para agradar a mãe: são as boas meninas, obedientes,
cautelosas, recatadas, passivas e dependentes. Os homens que as escolhem
são inexperientes, e mal intencionados, do tipo que não se sentem confortáveis
com mulheres empoderadas. Elas são do tipo que acabam por ceder em tudo
para se adaptarem aos desejos de um homem; parecem não ter uma
personalidade própria. Por não desejarem criar atritos e despertar desconforto e
raiva nos outros, acabam por tornarem-se mentirosas e manipuladoras.
Possuem uma forte tendência à sexualidade adormecida e comportarem-se de
maneira passiva e submissa em relação ao cônjuge. Tendem a se comportar de
maneira infantil e dependente, necessitando da mãe para realizar até mesmo
tarefas banais. Como profissionais não são exatamente dedicadas: são
inconstantes e indecisas, o que provoca mudanças constantes de emprego.
Porém, quando identificadas com o aspecto da Rainha do Submundo – seu
verdadeiro poder – serão extremamente competentes, principalmente no campo
psicológico e espiritual por saberem sintonizar-se com o mundo do inconsciente.
Afrodite (Vênus)
Afrodite é o arquétipo que representa a beleza e o amor. Na mitologia grega ela
é descrita como uma deusa impulsiva, determinada em viver a vida
intensamente e que possui vários relacionamentos afetivos. Afrodite não pode
ser considerada uma figura vulnerável: seus relacionamentos são sempre
descritos como correspondidos; também não está identificada com a figura da
virgem, pois valorizava as experiências emocionais e os relacionamentos,
mesmo que não sejam permanentes e duradouros. Os valores de Afrodite são
exatamente apreciados em nossa sociedade e a mulher que os expressa mesmo
de maneira equilibrada, tende a ser vulgarizada, pois ela representa a liberdade
e a auto-aceitação da sensualidade e sexualidade feminina. Para cultivarmos
Afrodite, é necessário darmos abertura para atividades sensoriais ou sensuais.
Também é importante nos libertarmos de atitudes culposas ou críticas e
compreender o prazer como parte natural e importante da vida. As mulheres
identificadas com este arquétipo de maneira extrema costumam ser vaidosas,
muito ligadas a roupas e acessórios. Gostam de ser admiradas e adoram um
espelho. São mulheres atraentes, possuem muito carisma e chamam atenção de
maneira natural e autêntica, sem que seja necessário fazer muito esforço. Estas
mulheres geralmente não são as mais dedicadas aos estudos e carreira, mas
tornam-se excelentes profissionais quando se envolvem emocionalmente com
sua profissão. Elas tendem a ter atitudes extremistas – ou estão num trabalho
que detestam ou num que amam demais – e só funcionam bem
profissionalmente se a atividade desempenhada exigir o uso da criatividade.
Harmonizando-se com arquétipos para vislumbrar a cura
Podemos compreender que todas as mulheres carregam consigo todos esses (e
muitos outros) arquétipos, estejam eles ativados ou não. Em diferentes
momentos da vida, nós experienciamos todos eles. Os arquétipos não são bons
ou ruins; em sua complexidade, eles representam tanto a luz, quanto a sombra
de um modelo. O caminho é aprendermos a nos harmonizar com os aspectos
deles que nos fortaleçam, equilibrem e é claro, nos empoderem.
Se entendermos os arquétipos como frequências, podemos nos harmonizar com
eles num nível mental e psíquico, o que pode trazer excelentes resultados no
que diz respeito ao nosso auto-conhecimento, à nossa auto-estima e
consequentemente, ao equilíbrio energético dos nossos corpos físico e sutis.
Alinhar-se com arquétipos não tem nenhuma relação com invocação e
incorporação de espíritos, posto que eles não são entidades vivas, mas sim
aspectos da nossa psique. Através da meditação e da visualização criativa
orientada por uma terapeuta, a mulher pode acessar os arquétipos que irão
colaborar com a sua totalidade e com a harmonia do seu sistema físico e
familiar, podendo desfrutar de uma vida mais plena em todos seus aspectos.
Convite
No dia 29/10/2015 às 19h30, acontecerá na sede do Instituto Ipth em
Apucarana, um Workshop Vivencial sobre a Cura do Sagrado Feminino, e você é
nossa convidada.

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“Cura do Sagrado Feminino”


Workshop: “Doenças e desequilíbrios recorrentes no universo feminino e seus
respectivos arquétipos harmonizadores”
Baseado na experiência clínica que possuem no tratamento de mulheres, as
ministrantes propõem neste encontro abordar questões frequentes das pacientes
que buscam auxílio através da psicoterapia holística.
Enfocaremos sob o aspecto sistêmico, as doenças e os desequilíbrios mais
recorrentes no universo feminino, envolvendo o aparelho reprodutor, sistemas
endócrino, urinário e excretor, dores de cabeça, muscular e nevrálgicas,
sintomas crônicos de tensão pré-menstrual, depressão, estresse e insônia, a
partir da visão sistêmica.
Serão abordados diversos temas concernentes a cura do feminino: o reencontro
com o sagrado, a mulher e seus arquétipos, a mulher nos níveis sutis e físico –
humanologia e anatomia yóguica e proteção e cura: possibilidades de
tratamento, exercícios e meditações para a manutenção do equilíbrio feminino.

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