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Eu, Rui Alberto Pontes Pimenta, nasci a 25 de

Julho de 1980 pelas 16 horas e 20 minutos,


com 3.250kg, no hospital de Guimarães na
freguesia de Azurém.
Meu pai, Francisco da Silva Pimenta, nascido a
1942, natural de Campelos foi criado pelos
meus avós paternos sem grandes dificuldades
apesar de na época muitas famílias passarem
fome. Meu avô era escriturário, profissão que
na altura era bem remunerada fazendo com
que a minha avó se dedica se apenas aos filhos
e á lida da casa e pequenos trabalhos de
agricultura e criação de animais para consumo
da casa.
Minha mãe, Marinela Pontes Coelho, nascida a
1950, natural de Angola foi criada pelos meus
avós maternos também sem grandes
dificuldades, tinham terras a perder de vista e
animais em abundância.
Era o mais novo de três filhos sendo o rapaz
que o meu pai tanto desejava, tenho duas
irmãs, Sandra Marina Pontes Pimenta de 47
anos e Paula Maria Pontes Pimenta de 45 anos,
que muito fizeram por mim na minha infância.
Vivi num bairro social onde toda a gente se
conhecia, havia muitas crianças e eram estes
os meus grandes amigos. Para mim, era o sítio
ideal para se viver, lá aprendi a conviver com
diferentes etnias e religiões. Na altura, não
havia preconceitos, eramos todos iguais,
brincávamos num espaço amplo, protegido,
onde a alegria andava no ar e onde fazia as
minhas travessuras, que não eram poucas.
Iniciei a minha escolaridade na escola primária
da Nossa Senhora Da Conceição, do que mais
recordo dessa escola é que tudo me parecia
enorme, campo de futebol, as salas de aula e
até as casas de banho.
Em 1988, inicia se a segunda classe de
escolaridade e catequese, não era uma criança
muito ligada á religião, ia porque era obrigado
pela minha mãe. Foi com alguma sorte que fiz
a 1ª comunhão, pois, na maior parte das vezes,
faltava para poder estar com os meus amigos
na brincadeira.
A 4ª classe de escolaridade foi bem
conseguida, apesar de ter fracturado o pulso
direito, mais especificamente o osso chamado
escafóide. Foi neste ano que tirei o meu
primeiro documento, fui ao tribunal fazer o
bilhete de identidade. Este ano foi também
aquele que me preparou para entrar num novo
ciclo de vida, a ida para uma nova escola.
Ano de 1990, um ano em que aprendi ater
novas responsabilidades, um ano de situações
novas, inclusive a escola.
O meu 5º ano, a escola E.B.2/3 D. Afonso
Henrique, o fascínio de ter uma escola grande
com bastantes alunos, o conhecer pessoas com
diferentes maneiras de estar e pensar, o meu
envolvimento com pessoas mais velhas.
Foi um ano em que não houve dificuldades na
adaptação a um ensino bastante diferente.
A nível pessoal, tudo correu as mil maravilhas,
tinha o auxílio dos meus vizinhos, pois eles já
frequentavam aquela escola há algum tempo,
facilitando assim o meu envolvimento com os
restantes alunos.
Em casa, a responsabilidade cresceu, comecei
a ganhar alguma independência: ter de
acordar, vestir, tomar pequeno-almoço e sair a
caminho da escola. Foi, nesse ano, que tive as
minhas primeiras chaves de casa, um ano de
bastante crescimento. Um ano de muito
proveito, a nível pessoal e escolar.
Foi nesse ano também que iniciei a minha
actividade desportiva praticando andebol na
equipa do Vitória Sport Clube de Guimarães, lá
tive a oportunidade de fazer várias amizades.
Consegui através do andebol conhecer belas
cidades e até andar pela primeira vez de avião
quando fui ao arquipélago da Madeira, viagem
que fiz por duas vezes em torneios de andebol.
O andebol é um desporto de equipa em que
duas equipas opostas de sete jogadores jogam
com uma bola num campo rectangular
(40x20m), divididos em duas partes. O
objectivo é enviar a bola para a baliza
adversaria mais vezes do que a outra equipa. O
jogador avança em drible com a bola na mão e
pode fazer um passe para o companheiro. Ele
tem o direito de dar três passos sem driblar e
não pode manter a bola na mão mais do que
três segundos, se permanecer parado.
Em geral, uma partida joga se em dois
períodos de trinta minutos com um intervalo
de dez minutos. No entanto, a duração do jogo
depende da idade dos jogadores: para
menores de 17 anos: dois períodos de 25
minutos. Para menores de 15 anos: dois
períodos de 22 minutos. Para menores de 13
anos: quatro períodos de 10 minutos. O
guarda-redes: este é o único jogador que tem o
direito de jogar a bola na sua área. Seu
objectivo: parar ou desviar o remate da equipa
adversária. Os jogadores que ocupam esta
posição devem ser flexíveis, a fim de recuperar
as bolas rematadas com as mãos ou pés aos
diferentes cantos da baliza.
O extremo esquerdo: colocado no lado
esquerdo de campo (ao longo da linha).
Quando a equipa adversária perde a bola, o
papel do atacante é correr tão rápido quanto
possível em direcção á baliza do adversário
para receber a bola e passar aos seus
companheiros em posição de contra ataque. O
seu papel na defesa é evitar que o adversário
tenha o melhor ângulo possível para marcar,
mas também para entrar e ajudar o seu
parceiro para fechar ou reduzir o espaço do
atacante. Defesa esquerdo: colocado mais
atrás (ao lado do guarda-redes). Muitas vezes,
é encarregado de rematar de longe para
marcar um golo. É também responsável por
passar bolas ao extremo esquerdo e fazer
passes para girar a bola dentro da defesa
adversária. O médio centro: colocado no
centro do campo, é também chamado de líder
de jogo da equipa. Ele dirige os ataques,
informa a sua estratégia á equipa. Ele é capaz
de penetrar na defesa adversária. Na defesa, é
geralmente colocado na frente para impedir a
melhor circulação da bola da equipa contrária.
O pivô, que era a minha posição, colocado ao
longo dos seis metros na defesa do seu
oponente, ele fixa os defensores adversários
de modo a ficar na frente da baliza adversária
movendo se ao longo da zona. O seu papel na
defesa em geral, é responsável por controlar e
prevenir o pivô oponente de ter a bola. Defesa
direito : colocado do lado direito do campo,
que tem a mesma função que o defesa
esquerdo. Extremo direito: colocado do lado
direito do campo, que tem a mesma função
que o extremo esquerdo.
O meu melhor ano foi em 1994 em que nos
sagramos campeões nacionais na categoria de
juvenis.
No 6º ano voltei a concluir os estudos com
sucesso deixando para trás a escola E.B.2/3 D.
Afonso Henriques e ingressando na escola
secundária Francisco de Holanda para iniciar o
7ºano, esta sim era uma escola enorme, era
uma escola que ia até ao 12º ano, aqui
realmente encontrei alunos bastante mais
velhos que eu, problemas de adaptação nunca
os tive porque uma vez mais tinha bastantes
pessoas conhecidas, até a minha irmã Paula lá
estudava, fui sempre um aluno mediano e
nunca tive dificuldades até chegar ao 10º ano.
O 10º ano foi o ano mais exigente a nível
pessoal e escolar, os meus pais estavam em
processo de divórcio e com isso comecei a
tomar decisões erradas que me
comprometeram a nível escolar, chumbei no
meu primeiro 10º ano tendo que o repetir mais
uma vez, passando para 11º ano no segundo
período acabei por desistir.
Já nessa altura trabalhava em part-time no
restaurante McDonald’s, restaurante esse com
uma estrutura de sucesso a nível mundial, lá
aprendi a trabalhar em equipa e a manusear
diversos equipamentos. Há 27 anos abria o 1º
restaurante McDonald’s em Portugal. Se, em
1991, quando abriu o 1º restaurante da cadeia
norte- americana McDonald’s em Portugal,
tentássemos imaginar como seria o leque de
produtos disponíveis no mercado português
em 2018, a probabilidade de arriscar pratos
como sopa á lavrador, bifana, prego, sundae de
cereja do fundão ou até bacalhau com grão
não seria muito elevada. Desde esse tempo,
muita coisa mudou e, 27 anos depois, são
muitos os produtos adaptados ao gosto
português, com a marca a apostar também
cada vez mais na produção nacional.
Na cozinha passei por vários postos, desde
controlar a batateira, não deixando faltar
batatas, estive no grill com a função de não
deixar faltar a carne para a preparação dos
hamburgers que tinham uma sequência
própria, ou seja, a preparação da carne tinha
de estar em sintonia com a preparação do pão
e respectivos condimentos. O posto que mais
gostei de ocupar foi o de chefe de cozinha,
tinha como função liderar a cozinha impedindo
ruptura de stocks e gestão de pedidos.
Após o fecho todo o restaurante é limpo em
todas as superfícies, frigoríficos e utensílios. Foi
uma época engraçada da minha vida, conheci
amigos que mantive até aos dias de hoje.
Como tinha desistido dos estudos tive que
procurar um emprego a tempo inteiro, nesta
procura tive a minha primeira experiencia de
preconceito, não pelo meu aspecto, que
segundo sei e me dizem é bom, mas por morar
num bairro social, foi-me negado um emprego
numa loja de roupa, que priva pela campanha
contra o racismo e preconceito, que ironia.
Mas a luta continuou, nunca fui homem de
desistir. Entreguei o meu curto curriculum no
hipermercado Continente em Guimarães e fui
aceite para trabalhar como repositor onde
trabalhei durante 3 anos da minha vida,
inicialmente desempenhei as funções de
atendimento ao público em campanhas
sazonais da empresa tais como, a campanha de
desporto, têxtil lar, puericultura, campismo,
vinhos e enchidos e a maior de todas o
regresso as aulas. Todas elas exigiam de mim
profundo conhecimento para assim poder
esclarecer todas as dúvidas dos clientes. Nos
últimos 2 anos desempenhei funções na secção
de bebidas, aí tinha que repor os produtos na
loja e organizar o armazém juntamente com
toda a mercadoria que ficava em stock.
Depois de sair desta empresa tive vários
trabalhos de pouca duração uma vez que eram
trabalhos precários e não me traziam qualquer
estabilidade financeira e pessoal.
Em 2002 através de um amigo entrei nos CTT
como carteiro, tinha como função fazer a
separação do correio e respectiva entrega. Ao
fim de seis meses infelizmente não me
renovaram o contrato, apenas contratavam
pessoas para cobrir os períodos de férias.
Como muitos estive desempregado durante 8
meses até o centro de emprego me chamar e
propor-me ir trabalhar para o hospital de
Guimarães como tempo ocupacional, durante
seis meses recebia o fundo de desemprego
mais 15% sobre esse valor e o hospital apenas
me pagava o subsídio de refeição e transporte.
Ao fim dos seis meses assinei um contrato com
a instituição, no qual ao fim de ano e meio
entrava para os quadros da mesma. Iniciei
funções no serviço da pediatria como
assistente operacional e aí permaneci durante
10 anos. Na pediatria as minhas funções eram
diversas entre elas, fazer camas, recados,
transporte de doentes, reposição de material
clinico, ajudar a equipa de enfermagem nas
suas funções. Claro que adjacente a isto tudo
existia a parte humana estávamos a lidar com
crianças e respectivos pais que esperavam
sempre uma palavra de apoio, lá fiz muitas
amizades e dei muito de mim, era desgastante
principalmente a nível emocional e também
pelo facto de trabalhar por turnos que é
extremamente cansativo. Ao mesmo tempo
que tudo isto acontecia a minha vida privada
alterou se, casei me decorria o ano de 2001,
esta foi mais uma etapa. Comprei um
apartamento através de um crédito
bancário.(meter assuntos bancários)
Passados cinco anos em 4 de Março de 2006
nasceu a minha filha Inês. No inicio foi difícil,
foi uma bebe com muitas cólicas até aos seis
meses, mal sabia que o pior estaria para vir.
Estávamos em 2010 a uma semana da minha
filha festejar o seu 4º aniversário quando sou
chamado pela minha esposa referindo que a
Inês tinha tido uma crise convulsiva, de
imediato recorremos ao serviço de urgência de
pediatria no hospital de Guimarães, após ser
vista por um pediatra voltou a ter outra
convulsão, o pediatra decidiu interna la para
vigilância e para ser vista por um neurologista
no dia seguinte. As convulsões tinham uma
característica muito própria, primeiro ela
avisava de que ia ter uma convulsão, a mesma
tinha uma duração de 10 a 15 segundos em
que a Inês perdia os sentidos virando a cabeça
para o lado direito e esticando o braço direito.
Devido á falta da especialidade de
neuropediatria a Inês foi transferida para o
hospital S. João do Porto no dia em que fazia 4
anos. A minha experiencia dizia-me que não
seria um problema de fácil resolução, estava
habituado a ver crianças com epilepsia
generalizada que por norma eram epilepsias de
fácil controlo, bastava o uso de um fármaco ou
dois e tornava se uma epilepsia controlada. No
hospital S. João a Inês começou a experimentar
vários fármacos e todos eles sem sucesso até
que passado um mês ela teve alta mesmo
fazendo uma média de 4 a 6 convulsões por dia
passando a ser seguida na consulta externa de
neuropediatria no S. João. Vimos que o
problema era muito grave e então optamos
por procurar um dos melhores Neuropediatras,
foi nos recomendado o dr. Rui Chorão que
após a primeira consulta no seu consultório
privado decidiu encaixa la na consulta externa
do hospital Maria Pia por ver que seria um caso
que exigia especial atenção dada a sua
complexidade. Seguiu se semanas de muitas
alterações terapêuticas não havendo melhoras
no estado de saúde da Inês, tendo-se optado
por interna la para uma vigilância mais
apertada. Devido ao aumento das crises
convulsivas a equipa multidisciplinar da
neurocirurgia decidiu opera-la para tentar
reduzir o número de crises e saber ao certo o
que ela teria no cérebro, nesta cirurgia
descobriu-se a fonte do problema, era uma
displasia cortical no lóbulo frontal esquerdo. O
caso dela por ser raro foi discutido em vários
hospitais a nível nacional e internacional a fim
de ver qual seria a equipa da cirurgia da
epilepsia mais bem preparada para operar a
Inês. Seguiu se uma consulta em Lisboa no
hospital S. Francisco Xavier com o Dr. José
Carlos Ferreira que depois de a consultar
chegou á conclusão que teria que ser feita uma
nova cirurgia, desta vez muito mais planeada e
estruturada. A cirurgia foi um sucesso, desde
então a Inês nunca mais teve crises
convulsivas, mas mantem um fármaco
antiepiléptico “Levetiracetam” 500mg.
Todo este processo demorou um ano, foi duro
mas valeu a pena correr atrás da melhor
solução para a Inês. Depois desta fase difícil
decidi que teria que estar mais presente na
vida familiar e então surgiu a oportunidade de
mudar de serviço, serviço este que me iria
proporcionar um horário fixo ou seja não teria
mais de fazer noites nem trabalhar aos fins-de-
semana podendo assim estar mais tempo com
a minha família. Foi em 2013 que iniciei
funções nos serviços farmacêuticos. A
mudança foi radical, deixei de ter contacto
directo com os doentes e passei a fazer parte
da distribuição interna de medicação e todos
os produtos que fazem parte de uma farmácia
hospitalar. Esta farmácia e composta por uma
vasta equipa de profissionais que inclui
farmacêuticos, técnicos de farmácia,
administrativos e assistentes operacionais.

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