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SUPLEMENTO

DE ATIVIDADES
MENSAGEM
FERNANDO PESSOA

NOME:
No : SÉRIE/ANO: 1
ESCOLA:
Não pode ser vendido separadamente. © SARAIVA S.A. Livreiros Editores.

O
Este suplemento de atividades é parte integrante da obra Mensagem.

s exercícios a seguir são para ajudar você a consolidar


seus conhecimentos e testar sua compreensão da obra lida.
Algumas delas são questões que caíram em vestibulares, ou-
tras foram formuladas especialmente para esta edição. De
qualquer forma, todas abordam os principais aspectos da obra
Mensagem de Fernando Pessoa. Há também questões relevan-
tes sobre o contexto modernista, o gênero literário ao qual o
autor pertenceu. Além dos poemas de Mensagem, há pergun-
tas que se referem às informações contidas nos Diários de
um Clássico e na Contextualização Histórica, que situam a
obra e a vida de Fernando Pessoa. Com isso tudo, sua leitura
ficará bem complementada.
Bom trabalho!
UMA OBRA CLÁSSICA
1. Mensagem aborda a história de Portugal de uma forma única.
Em quantas partes Fernando Pessoa dividiu esse livro e de que trata
cada uma delas?
Mensagem é constituída por 44 poemas, divididos em três partes,
as quais correspondem à evolução do império português. A pri-
meira parte, O Brasão, se refere ao nascimento do império, retra-
tando seus fundadores como figuras míticas. A segunda parte, Mar
Português, remete à conquista do mar e às resultantes descobertas.
A terceira parte, O Encoberto, evoca a decadência de Portugal, mas
enfatiza a esperança, o sonho messiânico sebastianista da volta do
Rei Encoberto.

2. Fernando Pessoa foi um dos maiores autores – provavelmente


o maior – do Modernismo português. Quais são as características
desse movimento artístico?
A estética apresentada pelo Modernismo rompe com o modelo vi- 2
gente e apresenta uma nova estética literária. Os versos são livres,
sem metro, nem rima e as figuras de linguagem são diretas e, por
vezes, propositalmente pouco elaboradas.

AS NARRATIVAS
As questões a seguir caíram no vestibular 2007 da Universidade
Estadual de Londrina.
As questões 3 e 4 referem-se a uma estrofe, transcrita a seguir, do
poema “Mar português”, de Fernando Pessoa.

Ó mar salgado, quanto do teu sal


São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
In: PESSOA, Fernando. Mensagem. São Paulo: Saraiva. 2010. (Clássicos Saraiva).

3. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, a frase


“Tudo vale a pena se a alma não é pequena” remete a:
a) Se o objetivo é a grandeza da pátria, não importam os sacrifí-
cios impostos a todos.
b) Quando o resultado leva à paz, os meios justificam a fina-
lidade almejada.
c) Todas as pessoas têm valores próprios, por isso a guerra é de-
fendida pelos governantes.
d) O sacrifício é compensador mesmo que fiquemos insensíveis
diante do bem comum. 3
e) Tudo vale a pena quando temos o que almejamos e isso não
implique enfrentamento de perigos.
Resposta: a.

4. Em “Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portu-


gal!”, a expressão Ó mar salgado classifica-se, sintaticamente, como:
a) Sujeito, pois expressa o ser de quem se diz algo.
b) Objeto, pois completa o sentido do verbo transitivo direto.
c) Vocativo, pois expressa o ser a quem se dirige a mensagem do
narrador.
d) Complemento nominal, pois completa a ideia expressa por
um nome.
e) Aposto, pois explica e identifica o termo a que se refere o narrador.
Resposta: c.
O NARRADOR

5. Qual é a importância do livro Mensagem para o ortônimo


Fernando Pessoa?
Mensagem, que venceu o concurso literário do Secretariado de Propa-
ganda Nacional, foi o único livro em português que Fernando Pessoa
publicou em vida. O livro consolidou sua reputação, projetando-o
na cena literária. É muito importante também por ser o único livro
composto pelo autor, uma vez que o restante de sua obra foi compi-
lado por críticos e estudiosos.

6. Fernando Pessoa, em Mensagem, reescreve a história de Por-


tugal a partir de uma perspectiva mística. De que maneira esse
aspecto da poesia de Fernando Pessoa pode ser percebido?
Em Mensagem o poeta reveste a história de Portugal de um caráter
divino, como se o país tivesse uma “missão”, a de conquistar o mar
e de criar um dos maiores impérios da cristandade.
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PERSONAGENS

7. A primeira parte de Mensagem, O Brasão, se refere a um dos


símbolos nacionais de Portugal. De que forma Fernando Pessoa
o compõe?
O autor recria o Brasão de Portugal atribuindo cada um de seus ele-
mentos aos personagens históricos que mais contribuíram para a
fundação e consolidação da nação portuguesa e de seu império.
8. A terceira parte de Mensagem, O Encoberto, retrata o declí-
nio de Portugal. Contudo, Fernando Pessoa assume uma postu-
ra esperançosa, baseada no caráter nacional de um povo que foi
capaz de conquistar o mar. O poeta faz isso retomando um mito
messiânico proclamado pelo trovador Baldarra e profetizado pelo
padre Antônio Vieira. Que personagem encarna esse mito e que
fato histórico deu origem à tradição messiânica em Portugal – e
também no Brasil?
O rei Dom Sebastião, 16º monarca de Portugal. Dom Sebastião, des-
temido e guerreiro, foi combater no Marrocos, colocando-se ele mes-
mo à frente de seu exército, algo incomum e arriscado para o país,
especialmente porque ele não tinha herdeiros. Dom Sebastião de-
sapareceu na batalha de Alcácer-Quibir, marcando o início do declí-
nio de Portugal. Sem herdeiros, o trono passou para o idoso cardeal
Dom Henrique, que faleceu e Portugal passou a ser governado por
Filipe II, rei da Espanha. Como o corpo de Dom Sebastião não foi
encontrado, ficou no povo a esperança de que um dia ele retornaria
para levar Portugal de volta a uma posição de relevância no cenário
mundial. 5

INTERTEXTUALIDADE

9. Compare os seguintes trechos de poemas de Fernando Pes-


soa e Carlos Drummond de Andrade, dois dos maiores poetas
modernistas da língua portuguesa:

NÃO: Não quero nada.


Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem
conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!

“Lisbon Revisited”. In. PESSOA, Fernando. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova
Aguilar, 2005.

Preso à minha classe e a algumas roupas,


vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:


Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
6
“A flor e a náusea”. In: ANDRADE, Carlos Drummond de.
Rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 2001.

Que características comuns você pode apontar nesses dois trechos?


A linguagem rompe com a poesia tradicional, pois não há métrica
nem rima; os dois poemas exprimem o pessimismo característico des-
sa geração, que viu o mundo se esfacelar com duas guerras mundiais;
ambos têm a marca do ceticismo que caracteriza o poeta moderno.

10. Luís de Camões e Fernando Pessoa são considerados os


maiores poetas de Portugal. Leia os trechos a seguir e responda:
E ao imenso e possível oceano,
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.

“Padrão”. In: PESSOA, Fernando. Mensagem. São Paulo:


Saraiva. 2010. (Clássicos Saraiva)

Formosa filha minha, não temais


Perigo algum nos vossos Lusitanos,
Nem que ninguém comigo possa mais,
Que esses chorosos olhos soberanos;
Que eu vos prometo, filha, que vejais
Esquecerem-se Gregos e Romanos,
Pelos ilustres feitos que esta gente
Há-de fazer nas partes do Oriente.

Canto II, estrofe 44. CAMÕES, Luís de. Os lusíadas. São Paulo:
Saraiva, 2010. (Clássicos Saraiva)

Tanto Os lusíadas, composto no século XVI, como Mensagem, 7


escrito entre a segunda e a terceira décadas do século XX,
cantam a glória do povo português. Apesar da diferença de
estilos, há semelhanças.
a) Que paridades você percebe nos trechos acima?
A principal semelhança é a temática. Pessoa buscou reeditar o épico
de Camões (tornar-se o “supra-Camões”) numa linguagem moder-
na, tomando emprestadas certas referências, como a comparação
dos feitos portugueses com as conquistas dos gregos e romanos,
fundadores da cultura no Ocidente.

b) Que diferença de perspectiva separa os dois autores?


A diferença de perspectiva é histórica. Enquanto Luís de Camões
escreve durante o apogeu da expansão portuguesa, Fernando Pessoa
vivencia uma realidade diferente: um país atravessando uma crise
política e econômica.
CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA

11. Leia o seguinte trecho:

O que é propriamente revista em sua essência de vida e quoti-


diano, deixa-o de ser ORPHEU, para melhor se engalanar do seu
título e propor-se.
E propondo-se, vincula o direito de em primeiro lugar se desas-
semelhar de outros meios, maneiras de formas de realizar arte,
tendo por notável nosso volume de Beleza não ser incaracterísti-
co ou fragmentado, como literárias que são essas duas formas de
fazer revista ou jornal.
Puras e raras suas intenções como seu destino de Beleza é o
do Exílio!
Bem propriamente, ORPHEU é um exílio de temperamentos de
arte que a querem como a um segredo ou tormento...
Nossa pretensão é formar, em grupo ou ideia, um número esco-
lhido de revelações em pensamento ou arte, que sobre este prin-
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cípio aristocrático tenham em ORPHEU o seu ideal esotérico e
bem nosso de nos sentirmos e conhecermo-nos.
A fotografia de geração, raça ou meio, com o seu mundo ime-
diato de exibição a que frequentemente se chama literatura e
é sumo do que para aí se intitula revista, com a variedade a
inferiorizar pela igualdade de assuntos (artigo, secção ou mo-
mentos) qualquer tentativa de arte, deixa de existir no texto
preocupado de ORPHEU.
Isto explica nossa ansiedade e nossa essência!

Introdução. In: Orpheu – Revista Trimestral de Literatura. Lisboa, v. 1, 1915, Typographia


do Commercio. Disponível em: <http://www.gutenberg.org/files/23620/23620-8.txt >.
Acesso em: 30 abr. 2010.

A revista Orpheu, da qual Fernando pessoa foi um dos fundadores,


constituiu um dos marcos da primeira fase do Modernismo por-
tuguês. Essa “Introdução” representa um manifesto desses jovens
autores. A que “ansiedade” e “essência” eles se referem no texto?
Esses poetas, entre eles Fernando Pessoa, propõem perceber a vida de
um modo que vá além do cotidiano. Pretendem introduzir uma forma
de arte diferente “de outros meios, maneiras de formas de realizar arte”.
Eles intencionam igualmente revelar, “em pensamento ou arte”, seu ide-
al esotérico e mostrar sua forma particular de se perceber e de se sentir.

12. Leia o trecho a seguir e responda.

O insuspeito Ronald de Carvalho, por exemplo, escrevia em


1920: “A literatura portuguesa, apesar da comunidade da língua,
desperta menos interesse no Brasil, sobretudo nas classes cultas,
que a francesa, a italiana, a alemã ou a inglesa. Pondo de lado
alguns escritores de maior renome, ignoramos tudo quanto se
passa no mundo das letras em Portugal”.
Mário de Andrade, que em 1915 dava Portugal como um “paisinho
desimportante” para o modernistas, reconhecia em 1932 “muito 9
menos ligação contemporânea da expressão intelectual brasileira
com a portuguesa, que com a francesa e a inglesa”. E Tristão de
Ataíde garantia em 1928: “Portugal deixou, de todo em todo, de
exercer sobre nós qualquer espécie de influência literária”.

SARAIVA, Arnaldo. Modernismo brasileiro e Modernismo português: subsídios para o


seu estudo e para a história das suas relações. Campinas: Unicamp, 2004.

O texto reflete a opinião dos primeiros modernistas brasileiros


sobre a influência da literatura portuguesa sobre a brasileira.
Você acha que esse fato permanece depois da morte de Fernando
Pessoa, em 1935?
Não. Fernando Pessoa influenciou profundamente as gerações
de poetas e escritores brasileiros que surgiram depois que sua
obra foi publicada na íntegra, nas décadas de 1940 e 1950. Fer-
nando Pessoa realmente transformou o português em pátria dos
falantes dessa língua.
A NOVA DO CADÁVER – A SUA ENTREVISTA IMAGINÁRIA
Agora é com você, caro leitor.
Esta é uma atividade de produção de texto. Nela, você deverá ima-
ginar uma entrevista com Fernando Pessoa. O que você gosta-
ria de saber desse que foi um dos maiores poetas da história da
literatura? Aproveite o conhecimento que você adquiriu com a
leitura dos Diários de um Clássico e use sua imaginação. Fernan-
do Pessoa elevou a poesia à sua dimensão mais elevada, criando
uma estética literária única, capaz de traduzir os sentimentos de
maior profundidade da realidade humana. Como será que era
seu processo de criação? Será que as poesias brotavam de forma
espontânea à sua mente, sem esforço, ou será que ele as elabora-
va a partir de um tema que gostaria de abordar?
Outro aspecto importante da vida de Fernando Pessoa é o fato
de ele ter se marginalizado para poder se dedicar integralmente
à sua vocação. Como ele respondia a isso? Era melancólico ou
derivava grande prazer de sua solidão voluntária?
E os heterônimos nos quais o poeta – o ortônimo, isto é, o pró- 10
prio Fernando Pessoa – se desdobrou? Eles não se tratavam de
pseudônimos, ou nomes por meio dos quais os escritores os es-
critores se “escondem” por algum motivo, mas de personalidades
complexas e cheias de opiniões e vontades. De acordo com um
tradutor inglês de Fernando Pessoa, ele criou mais de setenta
heterônimos desde a infância – apenas a minoria era de poetas.
Você pode explorar este aspecto de sua obra.
O livro Mensagem está repleto de referências maçônicas e de outras
ordens iniciáticas, como a Rosa Cruz. Use sua imaginação e explore
a relação que o poeta mantinha com essas sociedades secretas. Aqui,
você poderá dar rumos diferentes à sua entrevista...
Há muitos temas a serem abordados. Afinal, Fernando Pessoa ti-
nha uma personalidade complexa e uma inteligência acima da
média. Uma boa dica é você procurar respostas para suas pergun-
tas na própria obra deste grande escritor da língua portuguesa.
Bom trabalho!