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O mapa composto não descreve o que cada pessoa sente em relação à outra.

Neste sentido ele é


muito diferente da sinastria, a qual descreve a química existente entre duas pessoas em termos de
como estas se afectam uma à outra. Ao explorarmos a sinastria numa relação, dizemos: “A tua
Vénus encontra-se no meu Marte. Tu activas o meu Marte e fazes com que eu reaja Marcialmente, e
eu activo a tua Vénus e invoco em ti uma resposta Venusiana. É por isso que temos certos
sentimentos um pelo outro.” Quando olhamos um mapa composto, não exploramos aquilo que duas
pessoas activam entre si ou sentem uma pela outra. Interpretamos o campo energético que essas
duas pessoas geram entre elas. O mapa composto é como uma criança, uma terceira entidade que
carrega as impressões genéticas de ambos os pais mas que conjuga essas impressões numa forma
completamente nova e que existe independentemente de cada um deles.
Como o mapa composto contém todas as mesmas características que um mapa natal, é necessário
abordar a sua interpretação de maneira similar. O mapa composto tem um núcleo de identidade, que
representa o seu “propósito” (o Sol) e um conjunto característico de respostas e necessidades
emocionais (a Lua). Tem um modo de comunicação (Mercúrio) e uma série distinta de valores e
ideais (Vénus). Tem um modo de expressar energia e vontade (Marte). Tem a sua própria forma de
crescimento e expansão (Júpiter) e tem limitações e mecanismos de defesa inatos (Saturno). Tem
uma vulnerabilidade específica em relação ao colectivo devido a padrões de origem colectiva do
relacionamento (Quíron). Reflecte certos ideais colectivos que anseiam por mudança e progresso
(Urano). Tem aspirações inatas que reflectem certas fantasias colectivas (Neptuno). Possui um
instinto de sobrevivência de base que pode sustentar a continuidade da relação mas que pode
igualmente ser destrutivo se a relação se encontrar em perigo (Plutão). Tem uma imagem ou um
papel a desempenhar perante os olhos da sociedade (MC), e uma “personalidade” que se expressa
de forma característica para o mundo exterior (Ascendente). Os signos num mapa composto
descrevem a matéria básica ou o “temperamento” do qual a relação é feita; os planetas descrevem as
energias motivadoras; e as casas descrevem as esferas da vida através das quais os planetas se
expressam. Tudo isto é Astrologia básica e não é menos aplicável ao mapa composto que ao mapa
natal individual.
A relação como uma entidade
Não costumamos pensar nos nossos relacionamentos como entidades independentes. Pensamos
mais em termos dos nossos próprios sentimentos e atitudes ou dos sentimentos e atitudes da outra
pessoa. No entanto, cada relacionamento cria o seu próprio ambiente. Nenhum de nós se comporta
da mesma forma enquanto parte de um casal como quando funciona a solo. Podemos ter padrões de
comportamento característicos quando estamos sós mas no momento em que nos encontramos com
o nosso parceiro, um certo tipo de energia dinâmica põe-se em movimento e nós comportamo-nos
de formas particulares, que por vezes se tornam bastante visíveis na companhia de outras pessoas.
Duas pessoas envolvidas numa relação criam uma atmosfera à sua volta, não por escolha
consciente, mas porque isso é simplesmente o que acontece. Muitas vezes são os outros que nos
fazem tomar consciência disso. “Vocês parecem ser um casal tão cheio de vida e atractivo!” poderá
dizer um amigo, ou, “Mas que vida tão excitante vocês devem ter!”. Entretanto, um dos dois pode
pensar para consigo: “Mas sobre o que é que eles estão a falar? Não é assim que eu me sinto.”
Podemos observar algo como Júpiter composto ascendendo em Sagitário e Balança no MC
composto, e as outras pessoas percebem o relacionamento como uma entidade Jupiter-Vénus
excitante e glamorosa. Mas o Saturno de um dos parceiros poderá estar em conjunção com a Lua e
em oposição ao Sol do outro, e a sinastria entre os mapas natais poderá fazer com que se sintam
mais como Sísifo e a sua rocha que como Mick Jagger e Jerri Hall. O contrário também pode
ocorrer. O mapa composto poderá ter Saturno ascendendo e Quíron descendendo, e o mundo verá
algo bastante pesado quando os parceiros estão juntos. Mas a sinastria pode envolver muitos
contactos entre Vénus – Jupíter – Urano, reflectindo excitação dentro da relação, que ambos sentem
pessoalmente mas que não se expressa aos outros.
Podemos aprender imenso sobre os aspectos do mapa composto de um relacionamento importante
perguntando às outras pessoas como elas vêem esse relacionamento. É possível que muitas vezes
fiquemos surpreendidos, pois a resposta pode não reflectir aquilo que realmente sentimos pela outra
pessoa. O mapa composto, tal como um mapa natal, apresenta-se perante o mundo de acordo com o
seu Ascendente e Meio do Céu. Tem um planeta regente que focalizará a expressão do
relacionamento numa determinada casa ou esfera da vida. As casas do mapa composto funcionam
da mesma forma que num mapa natal, reflectindo esferas de ênfase através das quais as dinâmicas
do relacionamento se manifestam. Quando os planetas compostos realçam uma casa composta, essa
área da vida será extremamente importante para a relação e ambos os indivíduos serão forçados a
focar a sua atenção nela, mesmo que a mesma casa se encontre vazia em ambos os mapas natais.
Um relacionamento pode forçar-nos a ter que confrontar certas áreas da vida, mesmo que
natalmente não estejamos predispostos ou bem providos para vencer essa área.
Os mapas compostos têm as suas próprias leis e energias, que nada têm que ver com “se
combinamos bem” com alguém. O mapa composto por si só não nos falará sobre compatibilidade.
Isso é para a sinastria. O mapa composto não revelará se a relação é “boa” ou “má” em termos da
química existente entre duas pessoas. O mapa composto diz-nos: “Se escolher entrar nesta relação,
aqui está o seu significado e o seu padrão de destino. Isto é o que ela é e para que é.” Se quisermos
saber se esse significado e destino nos farão bem ou não, teremos que comparar o mapa composto
com o nosso próprio mapa.
Se examinarmos a sinastria entre o mapa composto e o mapa de cada indivíduo no relacionamento,
podemos aprender muito sobre como a relação faz cada um se sentir. Podemos igualmente tomar
um terceiro partido e comparar o mapa dessa pessoa com o mapa composto. É um exercício
fascinante. Digamos que eu me encontro numa relação a longo prazo mas que também tenho um
amante. Posso tomar esse terceiro mapa e ver como afecta o mapa composto entre mim e o meu
companheiro, obtendo uma imagem bem clara sobre como o meu amante afecta a relação. Também
podemos olhar o mapa de uma criança em relação ao mapa composto dos pais. Isto é muito útil em
termos de entender as dinâmicas familiares. Algumas crianças conseguem realmente romper a
relação paternal, enquanto que outras ajudam a mantê-la firme. Observamos isto ao olhar o mapa da
criança em relação ao mapa composto dos pais. Poderíamos não ver esta dinâmica ao explorar
somente a sinastria entre a criança e cada um dos pais.
Liberdade e destino dentro da relação
Trabalhar com mapas compostos faz-nos pensar em termos de algo maior que nós próprios como
indivíduos. Para onde quer que vamos, nós criamos relações intermédias com outras pessoas, e
podemos não ter o mesmo poder de escolha ao lidar com essas relações intermédias como quando
lidamos com os nossos próprios problemas pessoais. Se uma pessoa tem uma quadratura Sol-
Saturno no mapa natal, ela pode fazer algo a esse respeito. Não é necessário tornar-se vítima dessa
circunstância ou viver somente sob o seu lado obscuro. Pode ser um aspecto difícil nos primeiros
anos de vida e reflectir profundos sentimentos de insegurança ou insuficiência. Mas a pessoa pode
dizer: “Eu sei que muito da minha insegurança está ligada ao meu pai e à minha infância. Eu
prejudico-me a mim própria porque por vezes tenho medo de ambicionar. Muitas vezes sou
demasiado severa comigo mesma e tenho demasiadas expectativas. Mas eu vou tentar resolver estes
problemas. Farei um esforço para perceber do que se tratam. Posso precisar de psicoterapia para me
ajudar a aprender a confiar mais em mim. E tentarei desenvolver o meu Saturno para obter mais
confiança.” Gradualmente, é possível modelar essa quadratura Sol-Saturno em algo muito forte e
criativo se a pessoa se propôr a esforçar o suficiente.composto
Mas quando uma quadratura Sol-Saturno aparece num mapa composto, a relação não pode recorrer
à psicoterapia. A relação não pode dizer, de sua própria vontade: “Eu vou tentar resolver estes
sentimentos de limitação e insegurança.” A relação não “sente” insegurança. Ambos os indivíduos
podem trabalhar os seus Saturnos. Mas nenhum dos dois poderá ter uma quadratura Sol-Saturno, e
nenhum dos dois perceberá realmente porque, quando estão juntos, algo na relação impede e frusta
os seus objectivos em comum. As limitações externas que normalmente acompanham uma
composição Sol-Saturno podem parecer estranhamente impessoais e para lá do controlo de qualquer
um.
O sentimento impessoal do mapa composto pode tornar-se muito incómodo se estivermos
psicologicamente inclinados, pois a astrologia psicológica implica responsabilidade individual e
uma crença em que é possível mudar muitas coisas nas nossas vidas se estivermos preparados para
fazer o trabalho interno. Ao observar o mapa natal como uma imagem interior, podemos tomar
responsabilidades sobre como o expressamos, e o facto de estar consciente pode fazer uma
diferença enorme. Uma visão psicológica da astrologia permite-nos transformar muitas coisas se
nos esforçarmos o suficiente. Mas é possível deixarmo-nos iludir pela fantasia de que podemos
mudar o que quer que seja, e algumas coisas permanecem fora do alcance de influência do
indivíduo. Não estou a sugerir que os mapas compostos não sejam psicológicos, ou que deveríamos
abandonar esta visão ao interpretá-los. Mas “psicológico” nem sempre significa livre, e mudança
pode significar uma mudança nas atitudes de ambas as pessoas em relação ao relacionamento, mais
que uma mudança no padrão endémico da própria relação.
Não podemos fazer nada para mudar os padrões fundamentais num mapa composto. É óbvio que o
mesmo poderá ser dito sobre um mapa individual. Mas parece que temos mais espaço para influír
nos níveis através dos quais expressamos os nossos padrões natais. Isto dá-nos a sensação – válida
ou não – que temos o poder para participar activamente , ou mesmo criar, o nosso próprio futuro.
Talvez assim seja, pelo menos em algumas áreas da vida. Mas um mapa composto apresenta-nos
uma experiência diferente, se não mesmo uma realidade diferente. Podemos alterar a nossa forma
de reagir aos padrões apresentados no mapa composto, e podemos esforçar-nos para criar escapes
criativos para as suas energias. Mas mesmo com a máxima cooperação do casal, os padrões do
mapa composto sentem-se “fora” da nossa esfera de influência pessoal. Um mapa composto não
dirá: “Este é um mau relacionamento. Livra-te dele.” Poderá dizer, no entanto: “Este
relacionamento tem uma restrição que lhe é inerente e que nenhuma das pessoas conseguirá alterar.
Se queres este relacionamento, aceita este facto.” Se o mapa composto tem uma quadratura Sol-
Saturno ou uma conjunção Sol-Quíron, ele contém limites incorporados, frequentemente de tipo
muito concreto. Estes limites podem tornar-se criativos e positivos para um ou ambos os indivíduos.
Mas nós sentimos que esses limites nos foram impostos. Uma quadratura Sol-Saturno ou uma
conjunção Sol-Quíron no mapa natal também contém limites inerentes, mas nós experimentamo-los
de outra forma.
Tomemos os aspectos de Sol-Quíron do mapa composto. Tenho visto esses aspectos muitas vezes
quando uma relação involve a inevitável inclusão de limites vindos do passado. O passado poderá
ser uma ex-parceira que quer cobrar a sua pensão de alimentos, ou poderão ser filhos de um antigo
casamento. Estas situações podem causar grandes sofrimentos, especialmente quando há crianças
envolvidas, porque não importa o grau de maturidade e de consciência das duas pessoas, existirão
conflitos, prioridades repartidas, sentimentos feridos e, talvez até, restrições financeiras. Não se
trata de uma questão de alterar atitudes; famílias anteriores são, para qualquer casal, factores
precedentes que sempre imporão limites. Se um casal não sentir limites nestas circunstâncias, então
provavelmente não veremos um aspecto Sol-Quíron no mapa composto.
Sabemos que Quíron está ligado a experiências dolorosas, particularmente àquelas que parecem
injustas e imerecidas, e que são mais produto do estado colectivo que a culpa de alguém em
particular ou de algum acto de malícia. Os contactos Sol-Quíron num mapa composto sugerem que
a própria relação carrega consigo uma ferida incurável, frequentemente ligada ao passado de ambas
as partes, ou à natureza do mundo onde as duas pessoas vivem. Simultaneamente, a relação pode
curar profundamente ambas as pessoas, ou aqueles que entram em contacto com o casal, porque os
limites inerentes, ao invocar sofrimento, invocam também compreensão e compaixão.
Tenho visto algumas vezes o aspecto Sol-Quíron num mapa composto quando duas pessoas querem
desesperadamente ter filhos mas não o conseguem. Esta é uma ferida que pode levar as pessoas a
pensar de uma forma muito mais profunda sobre quem são e qual o propósito de suas vidas, porque
não têm o “propósito” colectivamente imposto de uma família que lhes dê uma direção na vida.
Outro exemplo poderia ser um casal onde existe uma grande diferença de idades, e o parceiro mais
novo vê o outro envelhecer e enfraquecer. Não há amor nem compromisso suficientes que possam
fazer o relógio andar para trás. Ou talvez um dos parceiros sofra de uma deficiência física, a qual
pode ser profunda e verdadeiramente aceite, mas que limita a mobilidade de ambas as pessoas.
Outro exemplo será o casamento entre duas raças, ou uma relação homossexual, os quais poderão
provocar averções entre os vizinhos xenófobos ou demasiadamente rígidos nas suas definições de
normalidade. Xenofobia e opiniões rígidas são caracterísiticas de muitas, muitas pessoas, e não há
angústia ou raiva suficientes que possam alterar esta infeliz imperfeição na natureza humana.
Ambas as pessoas podem sofrer com a relação, não porque seja “má”, mas porque existe algo na
forma como a relação “se encaixa” no colectivo que limita as suas possibilidades.
Não digo que seja uma imagem estática. No que diz respeito a curar, depende do que se quer dizer
com essa palavra. As cicatrizes de Quíron não saram no sentido de desaparecerem. Alguma coisa
mudou para sempre, mesmo que o veneno tenha sido libertado e purificado. Não é possível
recuperar a inocência uma vez destruída pelo tipo de ferimento que este planetóide reflecte. Mas a
atitude da pessoa em relação à ferida pode mudar, o que pode resultar numa maior tolerância,
compaixão e sabedoria. Esse é um tipo de cura; mas não desfaz o passado. Uma pessoa não pode
fazer com que os filhos de um antigo casamento desapareçam como fumaça, por exemplo. Pode
tenter paralisar a ferida ao separar-se das crianças emocionalmente, e nunca mais as ver; e aí
aparecerá um novo tipo de ferida com que terá que lidar. Ou pode esforçar-se por enfrentar todas as
complicações emocionais e eventualmente estabelecer relacionamentos recompensadores com todas
as pessoas envolvidas. Mas haverão sempre compromissos, mágoa e uma sensação de perda. Tais
aspectos no mapa composto não significam que os efeitos da dificuldade permaneçam estáticos e
inalteráveis. Ambas as pessoas podem transformar-se profunda e permanentemente. Mas o passado
não pode ser refeito.
O mapa composto progride como um mapa natal, e isso reflecte mudanças dentro da relação tal
como o faz dentro do indivíduo. Mas o mapa composto visto como uma entidade não tem a mesma
capacidade que um indivíduo tem para decidir, por sua própria vontade, mudar ou lutar contra algo.
Não se trata de um indivíduo consciente. Ambas as pessoas podem lutar para se tornarem mais
conscientes, e as formas nas quais elas experimentam a relação poderão mudar respectivamente.
Mas os padrões básicos da relação desdobram-se como uma semente que cresce até se tornar planta,
com uma fatalidade natural que pode parecer estranha perante a nossa consciência egocêntrica.

SINASTRIA, O ESPELHO DO
RELACIONAMENTO
SENHORES
ABAIXO TEMOS UMA IDÉIA GERAL DE COMO DEVE SER EFETUADO E ANALISADO
UMA SINASTRIA ASTROLÓGICA ENTRE DUAS PESSOAS.
VICENTE CHAGAS
Sinastria é a arte de comparação de mapas, na qual se olha para os caminhos de vida e necessidades
de duas pessoas, e se especula nos aspectos e sinergias que daí resulta, da inteiração de ambos. É
um processo complexo, no qual se tenta compreender os conteúdos dos dois mapas, compararem os
temas de vida e direções e lembrar sempre um último e determinante fator, a escolha livre e
consciente das pessoas envolvidas não pode ser lida nos mapas.
Façamos ou não sinastria, ou outro tipo de trabalho astrológico, é importante estarmos conscientes
das nossas crenças e predisposições pessoais. Estas influenciam diretamente a nossa percepção e
por isso é vital estarmos o mais consciente possível (ver é acreditar, mas também acreditar é ver!).
O que podemos querer para uma relação pode não ser de todo o que o consulente necessita ou quer.
Não é nunca papel de o conselheiro fazer juízos se duas pessoas devem ou não estar juntas; é
escolha delas, não nossa. A nossa tarefa é identificar, no melhor que pudermos as necessidades
individuais de cada um, as dinâmicas que podem resultar dessa interação e as atitudes e
compromissos que podem conduzir a um relacionamento que satisfaça ambos. A análise na Sinastria
não prevê compatibilidades; pode, no entanto, prever quanto trabalho, e de que tipo deve ser feito
para se chegar à compatibilidade.
O que é a compatibilidade? Para que servem os relacionamentos? A maioria das pessoas pode dizer
que as relações servem para terem companhia no partilhar de interesses e atividades, um
companheiro (a) para criar família, um parceiro (a) para partilhar despesas, etc. Embora estas sejam
certamente razões legítimas nos relacionamentos existe um outro nível que segue a par e de modo
mais inconsciente. Uma razão mais profunda nas relações é a possibilidade de expansão daquilo que
entendemos por Self e tornarmo-nos seres humanos mais completos e integrados.
Os relacionamentos são oportunidades de crescimento, nos quais nos são providenciados espelhos
onde podemos ver aspectos de nós próprios que estão ainda por desenvolver ou inconscientes.
Podem ajudar-nos ainda a curarmos velhas feridas e a recuperarmos partes essenciais de nós
próprios. Esta é mais uma abordagem psicológica, junguiana, daquilo que são os relacionamentos e
que têm sido bem explicados nos escritos astrológicos de Liz Greene, Stephen Arroyo e Steven
Forrest, para citar alguns.
Alguns aspectos centrais nesta abordagem são as questões da Sombra, ou partes inconscientes de
nós, da Projeção, ver as qualidades nos outros ao invés de as reconhecermos em nós próprios. A
Sombra consiste naqueles atributos que são inaceitáveis ou estão latentes por inúmeras razões,
definições sexuais, parentais ou sociais de condicionamento, etc.
Tanto as qualidades desejáveis como as que não o são pode, fazer parte da sombra; podemos
projetar atributos positivos, bem como o nosso lado desagradável. Uma das formas mais fortes (e
antigas) de aprendizagem é através do modelo psicológico – estar perto de alguém que expressa ou
têm a energia que procuramos nas nossas vidas. Os relacionamentos proporcionam uma exposição
constante aquilo que nos esforçamos para integrar em nós próprios.
Por exemplo, se não estamos a expressar o nosso Marte, a nossa raiva, paixão e desejo pessoal,
inconscientemente projetamos e encontramos essa energia no exterior, em acontecimentos ou
pessoas. Parecemos continuamente impelidos para tipos poderosos, fortes, auto-determinados e
corajosos. Se estivermos completamente desligados do nosso Marte, podemos encontrar o arquétipo
de um modo mais violento. Quanto mais negamos qualquer parte de nós próprios, mais forte e
extremada vai-se tornar a sua manifestação, de modo a chamar-nos a atenção. Se estivermos mais
conscientes a essa energia, melhor a podemos expressar construtivamente, ao invés de experimentá-
la em formas destrutivas nos outros.
Qualquer ponto do mapa pode simbolizar uma potencial sombra; contudo algumas energias são
mais propensas à projeção do que outras. Alguns indicadores astrológicos de potenciais sombras são
os signos na cúspide da casa 7 e 8, os planetas nessas casas, as oposições (em especial entre
planetas interiores e exteriores) e o posicionamento de Saturno. A predominância ou déficit de um
elemento também pode ser um componente para dar forma à Sombra, bem como o Ascendente, ou
máscara da pessoa. Muito disto depende em como essas partes estão aspectadas ou “armadilhadas”
dentro da nossa psique, e nas experiências e condicionamentos que fomos tendo ao longo do
caminho, pessoal, social e culturalmente.
Se o propósito do relacionamento é religarmo-nos com a outra parte da nossa psique existem assim
relacionamentos “maus”? Talvez aquelas relações que reforçam padrões de autonegação e abuso
possam ser designadas de “maus”. Mas mesmo esses, apesar de dolorosos, tentam ensinar-nos
qualquer coisa, acerca daquelas energias que ainda não reconhecemos ou permanecem adormecidas
em nós próprios.
Muitas vezes esse reconhecimento vem muito mais tarde, depois de passarmos algum tempo
afastados da relação. Existem formas de ganharmos perspectiva e integração das partes difíceis de
nós próprios, mesmo após terminar a relação, quando estamos impossibilitados ou não podemos
interagir fisicamente com o outro. Podemos trabalhar nisso de muitos modos.
Uma técnica profunda e adaptada da psicologia Tibetana Budista é esta: Num local de meditação
imagine entrar em diálogo com a pessoa com quem teve problemas. Veja e sinta o mais que puder,
alimente os seus sentimentos como um fogo. Então, depois troque de posição e torne-se a outra
pessoa, a olhar para si enquanto expressa esses sentimentos. Imagine o que poderia sentir, da
perspectiva da outra pessoa e o que poderia responder. Escute-a. Depois volte à sua visão e
responda. E siga assim adiante de um lado para o outro. Continue o diálogo até sentir uma mudança.
O ‘insight’ e a compaixão que surge por ser capaz de ver através de outros olhos é profundamente
transformador e isto processo interno ilumina e cura mais do que se a outra pessoa estivesse
fisicamente presente.
Outra técnica, adaptada da Psicologia Gestalt é escolher um planeta ou aspecto no seu mapa natal
que simbolize uma dificuldade para si, uma parte que gostaria de compreender e expressar de modo
mais positivo. Dialogue com ele como se fosse outra pessoa. Fale com ela, pergunte-lhe o que
necessita, implore se necessário. Dê-lhe uma imagem ou nome que a personifique, como o “Juiz”
para Saturno ou o “Artista” para Vênus. Cada parte do mapa necessita de ter voz e lugar nas nossas
vidas. Senão o tiver, arrasta-se para o inconsciente e de forma desmembrada. Cada planeta é um
Deus que necessita de ser venerado. Os aspectos entre eles colocam questões de tempo e síntese;
onde e como expressarmos a mais correta resposta.
Mas qual é a realmente a questão de tudo isto? Porquê tanto a propósito dos nossos mapas se o
tópico é a sinastria? Porque esta abordagem integra o nível psicológico com a espiritualidade, e
neste caso os relacionamentos (e a Astrologia) falam-nos da descoberta da nossa relação com o
universo que existe em nós. Tudo “lá fora” está realmente dentro de nós. É um eco do antigo
princípio Hermético “as above, so below, as without, so within”, que tem sido agora redescoberto
na psicologia, na biologia, na física e em outras áreas. Compreender os relacionamentos significa
compreendermo-nos e assumirmos a responsabilidade tanto da dor, como do prazer, da sombra e da
luz. Projetamos tanto as nossas partes luminosas, como as sombrias; testemunhas de gurus ou
veneração das estrelas de cinema.
Necessitamos de recuperar aquilo que afastamos ou negamos, e encontrarmos um caminho de o
trazermos a uma expressão construtiva. Os relacionamentos providenciam o palco, o teste e a
autoridade para este tipo de integração.
O que se segue é um modo de organizar essa tremenda quantidade de informação disponível em
dois mapas natais. Os mesmos princípios da configuração natal aplicados à Sinastria; se usar
planetas uranianos, pontos médios, asteróides ou partes arábicas, etc, pode acrescentá-los a este
formato básico.
Passos na Análise da Sinastria
Quatro passos básicos na comparação de mapas são:
1. Em primeiro estudar individualmente cada mapa.
2. Olhar para os aspectos entre os dois mapas.
3. Examinar o mapa composto.
4. Analisar os trânsitos e progressões para cada pessoa.
Passo 1:
Estudar o mapa A: predominância de hemisférios (E, W, N, S), configurações de aspectos
(stelliums, T-squares, etc), ênfase de elementos (terra, ar, fogo, água), modos (cardinal, fixo,
mutável), os nodos lunares, o posicionamento e aspectos do Sol, Lua, Ascendente e tudo aquilo que
sobressaia. Onde e como está a energia agrupada? O que é que a relação necessita? Veja o signo e o
regente da cúspide da casa 7, o posicionamento e aspectos de Vênus e Marte e os signos e
posicionamentos nas casas 5, 7 e 8. Um processo voltado para os relacionamentos será assinalado
por uma ênfase no hemisfério ocidental, muitos planetas em signos de água ou ar (especialmente
Caranguejo e Balança) e uma Vênus forte. Um caminho mais independente é assinalado por temas
fortes de Saturno, Urano, Carneiro, Aquário e muitos planetas no lado oriental do mapa.
Faça o mesmo para o mapa B. Tire notas de cada mapa.
Passo 2:
Compare os posicionamentos do Sol, Lua e Ascendente de cada um. Como é que combinam em
termos de elementos, modos e polaridades? Quantos desses três fazem “aspectos fáceis” entre si? (0
de 3 é frequentemente muito complicado, 1 de 3 exige muita compreensão, 2 de 3 pode
proporcionar uma certa complementaridade, ainda que a necessitar de estímulo, e 3 de 3 pode ser
muito fácil ou aborrecida).
Faça uma grelha de comparação dos planetas no A e B, anotando os aspectos que se cruzam. Olhe
primeiro para as conjunções, depois oposições, quadraturas, trígonos e sextis. Verifique ainda que
planetas fazem aspectos próximos (menos de 5º graus) entre si.
Assinale os planetas de A no B, e vice-versa. Em que áreas se afetam ou estimulam mais?
Passo 3:
Calcule e examine o mapa composto. Onde se encontra a concentração de energia? Existem
stelliums? Onde se encontram o Sol e a Lua? Vênus e Marte? Que aspectos tem Mercúrio
(comunicação)? Onde está Saturno (para compromisso, longevidade). Onde está a alegria? Quais
são os assuntos que podem necessitar de compromisso e compreensão? (Leia “Composites” de
Robert Hand para mais detalhes)
Passo 4:
Analise os trânsitos e progressões para o momento das duas pessoas e o mapa composto. Veja os
mapas do Retorno Solar de ambos.

ANÁLISE DO MAPA NATAL –


INDICADORES DOS
RELACIONAMENTOS
Os indicadores de casamento: Planetas da casa 1 em relação a casa 7, neste caso a visão ideal seria
o regente da 1 na 7 ou o regente da 7 na 1, do mesmo modo os luminares na casa 7, especialmente o
Sol em natividade feminina e a Lua em natividade masculina. Bons aspectos entre regentes da casa
1 e 7 favorecem o casamento, ao mesmo tempo que maus aspectos distanciam essa possibilidade,
devemos observar também o estado geral dos luminares, assim como a afinidade com o assunto dos
planetas que ocupam a casa 1 e 7.
Para sabermos se o nativo será feliz ou infeliz no plano sentimental: Devemos examinar as
casas 5 e 7, se recebem influência de planetas bem colocados, em bom estado, favoráveis a esse
assunto como a Vênus, Júpiter, Sol e Lua por ocupação, aspectos, regência ou de planetas
desfavoráveis como Saturno, Plutão e Urano, devemos analisar também Marte e Vênus em relação
ao Ascendente ou planetas na casa 1 ou ao regente do Ascendente.
Para sabermos sobre o parceiro: Do mesmo modo que a casa 1 retrata a personalidade no nativo,
a do cônjuge é demonstrada pela casa 7 , pelo signo que lá se encontra, os planetas que a ocupam e
o regente da casa, a informação nos revela o modo como o parceiro irá se relacionar com o nativo,
não necessariamente nos indica o signo do cônjuge.
Para sabermos se haverá harmonia no casal: Devemos analisar os aspectos que envolvem os
regentes da casa 1 e 7, aspectos de oposição podem significar conflitos, mas também podem
sinalizar atração, principalmente em planetas que se completam como Sol e Lua.
Para sabermos sobre as finanças: Em princípio Júpiter em bom estado na casa 7 é um sinalizador
de conforto e bem-estar no casamento, um indicador de melhora financeira através do casamento é
o regente de 2 na 7 ou o regente de 2 aspecta favoravelmente o planeta que está na 7. Em geral,
Júpiter, Vênus, Sol em natividade feminina e a Lua em natividade masculina na casa 7, indicam um
casamento bem sucedido financeiramente, claro que devemos analisar o estado dos planetas em
questão.
A possibilidade de mais de uma união: Em geral é dada por mais de um signo ocupando a casa 7,
signos duplos (Gêmeos, Peixes e Sagitário), muitos planetas na casa 7 ,principalmente quando
ocupam signos diferentes, reforçam a possibilidade de várias uniões