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A História de Silvio Santos

Silvio antes de ser patrão

Aos 14 anos, Silvio descobriu que podia ganhar dinheiro vendendo capas de
plástico para título de eleitor. Deu o pontapé inicial para construir o seu império.

VIDA MILITAR.

Aos 18 anos, na Escola de Para-quedista, em Deodoro Com a venda de um


simples porta-título, no início de uma fortuna. Aos 14 anos, Silvio Santos decidiu
ganhar a vida como camelô. Comprou uma carteira para guardar t tulo de eleitor
e saiu pela rua dizendo que era a última. Vendeu de imediato. Com o lucro,
comprou mais duas peças. a última , alardeava, escondendo a outra no bolso.
Esperto, o garoto havia descoberto o filho na Avenida Rio Branco. Ha dias
observara os camelôs em a ção. Queria encontrar uma maneira de ganhar
dinheiro, sem muito esforço. Chamou-lhe atenção um homem que vendia porta-
título a rodo. espreita, seguiu o vendedor para descobrir onde se conseguia a
mercadoria a preço de banana.

Silvio conta que muitas pessoas consideram que a moeda com que comprou o
primeiro porta-título foi como a do Tio Patinhas, personagem de Walt Disney.
Deu-lhe muita sorte.

Ele não queria mais depender da família. Afinal, o pai, Alberto Abravanel, perdia
o que ganhava com o jogo. A mãe, severa, ameaçava-o: Vai ter de trabalhar,
senão não vai ter o que comer, e ainda vai apanhar mais , disse ele, em
passagem citada no livro A Fantástica História de Silvio Santos, de autoria de
Arlindo Silva.

Foi então que decidiu apostar na carreira de camelô, profissão também ilegal
naquela época. Nas ruas do Centro, havia, no máximo, 15 pessoas trabalhando
como ambulantes. O campe o de venda era um tal de Seu Augusto, que vendia
quase 200 canetas em apenas uma hora. O faro de comerciante de Silvio
Santos sabia que ali poderia estar a fórmula do dinheiro fácil. Mais uma vez,
observou um outro mestre . Era preciso, antes de tudo, atrair a atenção do pú
blico. Falar do produto, de suas fun es e, s no fim, do pre o.

A lição foi bem assimilada. Até a bancada para colocar o produto acabou
copiada de Seu Augusto. Mas Silvio Santos foi além do mestre . Usou até
manipula ções de moedas e baralhos para atrair novos fregueses. Com alguns
dias de experiência, passou a vender mais que Seu Augusto. Chegou a ganhar
cinco salários mínimos por dia. E tudo isso no horário do almoço do rapa.

Seus primeiros empregados foram Pedro Borboleta, o sobrinho do falecido


Adolpho Bloch, ex-dono da Manchete, e seu irmão Léo. Enquanto um fingia ser
cliente, o outro tomava conta dos passos dos guardas. Silvio teve várias vezes
sua mercadoria apreendida. Mas foi exatamente um dos rapas que mudou sua
vida de vez.

O diretor de fiscalização da prefeitura, Renato Meira Lima, não prendeu Silvio,


como fez com os outros camelôs. Decidiu dar uma chance ao rapaz, que tinha
uma aparência melhor do que os colegas, falava bem e tinha boa voz. Em vez
de levá-lo para a delegacia, Renato entregou-lhe um cartão para tentar um
emprego na Rádio Guanabara. Mais uma vez, a sorte lhe batia a porta.

Na emissora, Silvio disputou uma vaga com outros 300 candidatos. Entre eles
estavam nomes que despontariam na vida artística, como o dos humoristas
Chico Anysio e José Vasconcellos (o gago Ruy Barbosa, da Escolinha do
Barulho, na Rede Record). Acabou abocanhando o primeiro lugar. Mas a
carreira na Rádio Guanabara durou apenas um mês. Como camelô, Silvio
ganharia mais, trabalhando bem menos. Então, voltou as ruas, para negociar e
faturar.

Silvio só trocou as ruas por um outro serviço quando ingressou no Exército. Ao


completar 18 anos, escolheu a Escola de Paqra-quedistas, em Deodoro. E como
a cana militar seria mais dura, caso fosse preso pelo rapa, Silvio tomou uma
decisão: voltou a ser locutor, desta vez na Rádio Continental, em Niterói. Nas
idas e vindas enfadonhas das barcas da Cantareira, o locutor teve outra idéia:
montar um serviço de alto-falantes.

O jovem locutor fazia anúncios nos intervalos das músicas. Mais tarde, percebeu
que, nas travessias para Paqueto, os passageiros costumavam daçar quando
ligava o equipamento de som. Cansados, formavam até fila para beber água no
bebedouro. Oportunista, Silvio fez acordo com a Antarctica para vender cerveja
e refrigerante na viagem. Quem comprasse uma bebida, recebia uma cartela de
bingo. Como prêmio, oferecia bolsa de plástico, jarra e quadro da última Ceia.
Ele garante ter passado a ser o primeiro freguês da cervejaria no Rio. E acabou
fazendo amizade com um diretor da empresa. Quando a barca sofreu um
acidente e precisou ficar no estaleiro, Silvio foi convidado pelo diretor para
passar uma temporada em São Paulo. Mais uma vez, abriu-se a porta da
esperança e sua vida mudou ainda mais.

A primeira empresa de Silvio Santos

nasceu de uma parceria com Manoel da N brega, que fora v tima de um golpe. O
Ba era, na verdade, uma cesta de brinquedos

PARCERIA.

A primeira vez que Silvio Santos entrou no Baú da Felicidade foi uma decep
ção. Ele nada tinha a ver com aquilo. Estava ali, na Rua Líbero Badar , colado
ao Othon Palace Hotel, em São Paulo, a pedido do amigo e dono da empresa,
Manoel da Nóbrega, para fechar aquela bodega e prometer aos clientes
enganados que a d vida seria paga. No lugar, estranhou ver um pr dio aos cacos
e, na frente, um bando de camel s que vendiam gravatas e camisas.
Desorientado, perguntou onde era a loja. Ficou surpreso com a resposta: lá no
fundo, mas lá embaixo, no porão .

No Baú, outra cena de abandono. Na pequena loja, havia apenas uma secret ria,
um alemão e uma máquina de escrever. A primeira providência de Silvio foi
mandar embora o tal alemão dono da idéia de montar o Baú da Felicidade.

Em 1957, Manoel da Nóbrega, radialista de sucesso em São Paulo, foi


procurado na Rádio Nacional pelo tal alemão, que queria fazer uma Cesta de
Brinquedos: as pessoas pagariam primeiro e, no fim do ano, receberiam um baú
carregado de mercadorias. Na negociação, Nóbrega pagaria pelos anúncios e
emprestaria seu nome firma. O alemão cuidaria da empresa.

Nóbrega fez a sua parte. Mil pessoas compraram a idéia, atraídas pelos
anúncios, mas o sócio perdeu todo o dinheiro. Resultado: virou um baú de
despesa para Manoel da Nóbrega, que recorreu a Silvio Santos para salvar a
pele. Bom de papo, sua função era convencer as pessoas a não fazer
escandalos no jornal, já que o dinheiro seria devolvido.

No quinto dia, Silvio, então com 27 anos, percebeu que o negócio, bem
administrado, poderia render uma fortuna. Ele fez a mesma proposta que o
alemão: Nóbrega continuaria com os anúncios, enquanto ele tocaria a empresa.
A primeira medida foi trocar a caixa de veludo bord que envolvia os presentes e
mais parecia um caix o de defunto . Passou a vender em cat logo e diversificou
as mercadorias. Chegou a encomendar 40 mil bonecas, na Estrela, e fez
negócio com a fábrica Nadir Figueiredo para entregar 20 mil jogos de jantar.

Nóbrega ficou receoso com volume do negócio. Olha, Silvio, eu nunca fui ao
Baú, nem com o alemão e nem com você . Acho que qualquer dinheiro que o
Baú possa me dar desonesto, porque nunca fiz nada pela firma, a não ser os
anúncios. Como você um rapaz corajoso demais, tenho medo que possa fazer
um negócio muito grande e, com seu entusiasmo, dê uma cabeçada , disse Nó
brega, em passagem citada no livro A Fantástica História de Silvio Santos, de
Arlindo Silva, da Editora do Brasil. Não tenho nenhuma intenção de ser o dono
do Baú. melhor que você fique com ele , completou.

Mas, ao contrário do alemão, Silvio conseguiu levar adiante os negócios e ainda


devolveu todo o investimento feito por Nóbrega. O apresentador fez questão de
pagar tudo por gratidão ao amigo. Nóbrega o ajudara no início em São Paulo.
Silvio chegara a passeio na Terra da Garoa, três anos antes, a convite de um
diretor da Antarctica. A intenção o era ficar alguns dias, enquanto a barca da
Cantareira, em que mantinha um bar, fosse consertada e voltasse a operar na
travessia Rio-Niterói.

Por acaso, Silvio encontrou um amigo em suas andanças por São Paulo. Era um
locutor que conhecera na R dio Tupi, no Rio. Ele comentou que a Rádio
Nacional precisava de locutores. Silvio fez o teste e passou, em primeiro lugar.
Foi quando conheceu Manoel da Nóbrega.

Em São Paulo, Silvio atuou em várias frentes. Para pagar a dívida do bar que
montara na barca, no Rio, entrou em sociedade com o cunhado de Hebe
Camargo, Angelo Pessutti, lan ou uma revistinha com prêmio e atuou até em
circo.

Em caravanas pelo interior de São Paulo, Silvio ganhou um novo apelido: o Peru
que Fala. Nas apresentações, ficava envergonhado, e seu rosto logo ruborizava.
Ele trabalhava intensamente. Nos intervalos, para ag entar o tranco, parava nas
farm cias e tomava inje es de C lcio Cetiva na veia.

Aguentei, perdi cinco quilos, fiquei branco, dizia que eu ia estourar. Foi nessas
Caravanas do Peru que Fala que eu adquiri a facilidade que hoje tenho para
animar meus programas , disse Silvio a Arlindo Silva.
O sucesso do Baú fez Silvio Santos se laçar em outro negócio. Em 1961, ele
estreou na televisão com um programa noturno na TV Paulista, atual TV Globo.
O Peru que Fala deu o pulo do gato.

Em 1961, o Baú prosperava tanto que o apresentador passou a chamar a aten


ção.Um deputado resolveu patrocin -lo na antiga TV Paulista.

no tempo da TV Globo, que comprou a TV Paulista

Silvio Santos já foi o Faustão da TV Globo. A partir de 1966, o apresentador


passou a comandar a maratona do domingo global. Ganhava força o homem
que se transformaria na maior amea a hegemonia da Rede Globo.

Silvio chegou ali como quem não quer nada. O primeiro programa, ainda na TV
Paulista, chamava-se Vamos Brincar de Forca e era baseado na manjada
brincadeira em que os concorrentes s o v o sendo enforcados medida que
erram a resposta. Era apresentado a noite, em 1961. Foi um sucesso.

Mas, para conquistar seu espaço na TV, Silvio Santos contou com a ajuda do
deputado Carlos Kherlakian, dono das Casas Econômicas de Calçados, para
quem havia feito comércios durante as apresentações das Caravanas do Peru
Que Fala. Foi nesse período que o Baú da Felicidade mudou o esquema de
cobrança: as pessoas compravam e s depois escolhiam as mercadorias. Com
sua potência empresarial, o Baú, já naquela época uma mina de ouro, deu
suporte aos comerciais do programa.

No ano seguinte, o dono da TV Paulista, Vitor Costa, estava interessado em lan


çar um programa de variedades do meio-dia s 14h, aos domingos. A preferência
pelo horário era por Manoel de Nóbrega. Mais uma vez, Nóbrega, um daqueles
amigos que caem do céu, cedeu o espaço para o entusiasmado Silvio. O
apresentador sempre se mostraria grato por esse gesto.

Numa só tacada, Silvio estreou vários quadros no domingo, em meados de


1962. Entre eles, Cuidado com a Buzina, Só Compra Quem Tem, Rainha por um
Dia, Partida de 100 e Pergunte e Dance. No foi difícil se transformar no dono do
domingo.

Em 1966, quando Roberto Marinho comprou a TV Paulista, Silvio foi mantido


com seu programa dominical. Fechou um contrato por cinco anos. Ele era o
dono do horário, e nunca foi empregado

Por de três das câmeras, Silvio decidiu se casar. Ninguém poderia saber. Para
ele, todo o público, deveria permanecer na dúvida sobre o seu estado civil. A
amada se chamava Aparecida Honoria Vieira. Filha de uma dona de pensão,
Cidinha costumava frequentar a Rádio Nacional, em São Paulo, para conhecer
artistas. Ficaram amigos.

Os dois se apaixonaram e resolveram se casar, nas escondidas, em 15 de mar


o de 1962. Precavido, Silvio preferiu o regime de separa ção de bens.

O anonimato incomodava Cidinha. Em certa ocasião, ela chegou a comentar


com uma amiga que tinha vontade de pregar a certidão de casamento na porta
de casa. Era comum baterem a sua porta e perguntarem: Você a mulher do
Silvio? Um dia, o apresentador se arrependeria da atitude. O casal teve duas
filhas: Silvia e Cíntia.

Nada poderia atrapalhar a carreira de sucesso. O ano de 1968 foi um que, em


particular, nunca deveria ter acabado para Silvio. Os índices de audiência o
elevavam condição de estrela da emissora.

Aos domingos, era o rei, e imperava do meio-dia s 20h com os programas:


Show de Calouros; Show da Loteria; Vamos Fazer M dia; Disco de Ouro; Quem
Sabe Mais, o Homem ou a Mulher?; Sinos de Bel m e Boa Noite, Cinderela. Este
ltimo encantava e emocionava, principalmente as crian as. Em um cen rio de
conto de fadas, uma garota, geralmente de família humilde, passava um dia de
Cinderela, com direito a sapatinho de cristal, coroa e trono. Sempre ao som de
uma can o que embalava a emo o dos telespectadores. Fez tanto sucesso que
ficou 10 anos no ar.

Mas o programa que mais preocupava a produ o era Sinos de Bel m. As tarefas
aventureiras eram executadas tamb m por Silvio, que at subiu e desceu um pr
dio de 15 andares pela escada dos bombeiros. Seus colaboradores o
convenceram a maneirar.

Silvio chegou a acumular programas. Al m do sucesso na Globo, ele


apresentava o Cidade Contra Cidade, que tamb m alavancava a audi ncia na TV
Tupi. As delega es, vindas em caravanas, disputavam olimp adas de provas no
ar.

No palco global, o apresentador contava com as Silvetes. Eram as assistentes,


que se destacavam pela beleza. Em meados de 1971, ele passou a apresentar o
Trof u Imprensa. O pr mio havia sido lan ado em 1958, pela revista S o Paulo na
TV, e premiaria os destaques da televis o e do r dio.

Para ajudar um amigo, Silvio Santos aceitou at , em 1971, aparecer careca na


capa da Revista Melodias, que estava quase na fal ncia. Arlindo Silva, que
escreveu o livro A Fant stica Hist ria de Silvio Santos, garante que foi feita uma
fotomontagem para atrair a aten o do leitor. Mas a revista ajudou a aumentar
um outro mist rio em torno de Silvio: Lombardi, ele careca ou n o ?. Careca,
ele n o . Se fez implante, foi s um tufinho na testa , afirma Arlindo Silva.

Em 1973, o apresentador enfrentou um drama. A mulher Cidinha descobriu que


estava com câncer durante uma viagem a Espanha. Ela sentia fortes dores no
estômago e, em quatro anos, a doença se espalhou pelo corpo. Cidinha fez
tratamento até em Nova Iorque.

A despedida do casal ocorreu na UTI do Hospital Albert Einstein. Até na hora da


morte, Cidinha mostrou o quanto se preocupava com Neco, como chamava o
amado, em alus o a boneco: Neco, você tomou seu café da manhâ? ,
perguntava, nos últimos momentos de vida.

SILVIO acertou na mosca ao apostar na audiência de programas de jogos

Pedro de Lara e o patrão: dobradinha na interpreta o de sonhos.

Das ondas do rádio para a tela da TV. O comediante Pedro de Lara (foto), 76
anos, companheiro de trabalho de Silvio Santos h 30, acompanhou a evolução
da carreira do amigo, de locutor para maior apresentador de programas dos
últimos tempos.

O primeiro encontro aconteceu na extinta Rádio Nacional, quando Silvio e Pedro


apresentavam um animado programa de interpreta o de sonhos Já fazia algo
parecido no Rio, na Rádio Globo. O Silvio me convidou para estrear em São
Paulo , conta Pedro.

As recordações da época vem recheadas de risos. Silvio, com a voz impostada,


narrava o sonho de uma ouvinte e, depois de um tempo no qual o público
permanecia ansioso, a pergunta do significado era feita a Pedro, uma espécie de
guru. Eu não podia titubear, tinha que interpretar na hora. Os temas eram os
mais variados, muitos envolviam o mar, como a ouvinte que relatou o sonho em
que era levada por uma onda , conta.

Depois do rádio, convite para trabalhar na TV


Ao estrear na TV, Silvio convidou Pedro para participa es em seu programa e,
graças ao sucesso, ele acabou ficando. Foram mais de 10 anos nos quais Pedro
acabou com a raça de pobres calouros nas tardes de domingo. Nosso linguajar
o mesmo, somos pov o , diz.

Apesar de admirar o apresentador, Pedro confessa que n o queria ser ele por
nem por apenas 20 minutos. um homem que n o se pertence. O trabalho o
domina. Ele nasceu para ser um líder, mas, para isso, abdicou de muitas
coisas , opina.

Quanto vida pessoal do patrão, o comediante afirma nada saber. Ele sempre
foi reservado e eu o respeito. Estou no SBT até hoje porque sei o meu lugar ,
diz, com humildade.

Uma das brincadeira prediletas de Pedro de Lara com Silvio era falar do jeito
econômico do patrão. Uma vez, comecei a elogia-lo, falando que ele era um
grande multiplicador. Quando ele abriu um sorriso, disparei que, infelizmente, eu
só sabia dividir, e aproveitei para pedir R$10 mil , conta, recordando a resposta.
Ele foi r pido e direto: Vai chatear outro, Pedro! .

Um canal de influências

Silvio age nos bastidores para sair frente na luta pelas concessões de TV. Com
o refrão coisa nossa , conquista a simpatia das autoridades

SILVIO chora durante a assinatura da concess o docanal 11 (TVS).

Nos bastidores do programa de Silvio Santos, havia uma ordem expressa:


ninguém podia chegar perfumado perto do patrão. Nem mesmo com perfume
francês. O ex-camelo sofria de alergia a qualquer fragrância, o que o deixava
sem seu principal instrumento de trabalho: a voz. O perfume provocava, na
garganta e nas vias respiratórias do apresentador, uma área o que o deixava
rouco; muitas vezes, sem poder falar.

Durante muito tempo, Silvio dividiu-se entre Brasil e Estados Unidos. Os


americanos aplicavam injeções de cortisona no nariz do apresentador a cada
quatro meses. Era a nica maneira que ele encontrara, at ent o, para inibir a
doen a. Um dia, durante a grava o do programa, ele ficou rouco e come ou a se
queixar: Acho que os americanos n o aplicaram essa inje o direito , lembra
Arlindo Silva, assessor de imprensa de Silvio Santos por 25 anos. Foi o
suficiente para que ele procurasse outro profissional: o alergista Tufik Mattar
(foto abaixo).

Ele sofria de edema de Quink, alergia muitocomum. Eu o obriguei a parar de


tomar a tal injeção o com cortisona e fiz uma autovacina , conta Tufik. Durante
três anos, religiosamente, ele tomou doses da nova vacina e, segundo o médico,
ficou curado. Agora, podem até beij -lo com perfume, que não tem problema ,
afirma.

Nos neg cios, o folego continuava invej vel e Silvio foi montando seu imp rio. O
sucesso na TV alimentou ainda mais as vendas do Ba da Felicidade. Para
atender novos clientes e manter o lucro em suas m os, Silvio criou novas
empresas. A primeira era de publicidade, para agenciar outros anunciantes.
Com o lan amento do Plano para a Casa Pr pria, surgiu a necessidade de
montar uma construtora. Depois, uma financeira, para facilitar o cr dito, e uma
concession ria, para entregar carros outra novidade do Ba . Não satisfeito,
Silvio lan ou tamb m uma companhia de seguros.

Para aliviar a mordida do Le o do Imposto de Renda, o empres rio passou a


aplicar parte do lucro em agropecu ria, no Mato Grosso, e em reflorestamento,
no Paran . Veja você como o destino: um negócio que surgiu em um por o ,
hoje, um verdadeiro mundo , comentou ele, em entrevista revista O Cruzeiro,
em 1972.

O furacã o Silvio Santos espalhava-se em todas as dire es. Em 1974, criou a


empresa Studios Silvio Santos Cinema e Televis o, uma grande central de produ
o do programa do apresentador, de comerciais, coberturas jornal sticas e shows
em feiras. Tem tudo o que uma esta o tem. Só falta o canal , observou época.

Silvio continuava na TV Globo, mas como seu pr prio patr o. Pagava o hor rio
empresa, vendia comerciais e embolsava o lucro. Mas a emissora come ou a
esticar o olho sobre o hor rio ocupado por ele, no domingo. Inicialmente, a Globo
lhe ofereceu um novo contrato, em que o apresentador perderia parte do poder.
Há muito, queria-se interferir no programa, considerado fora do padr o global.
Silvio n o aceitou os novos termos. A sa da parecia irrevers vel.

O dono da Globo, Roberto Marinho, por m, entrou em cena. Em telefonema a


Silvio, explicou que, apesar da opini o contr ria de seus diretores, queria que
Silvio continuasse. Em 1972, o animador fechou contrato com a Globo por mais
cinco anos.

Por baixo dos panos, Silvio come ou a articular a consolida o de um canal de


TV. A oportunidade surgiu quando Jo o Batista Amaral quis vender os seus 50%
de a es da TV Record. O outro s cio, Paulo Machado de Carvalho, foi quem
sugeriu a compra a Silvio. Mas o grupo Gerdau passou a frente na oferta. Seis
meses depois, por diverg ncias com o s cio, o grupo recolocou as a es venda.
Foi ent o que Silvio fechou o neg cio e ficou com metade da Record.

Pelo contrato com a Globo, ele nao poderia ser acionista de nenhuma outra
emissora de televis o. Por isso, a negocia o foi mantida em sigilo, e Silvio usou
um testa-de-ferro: o empres rio Joaquim Cintra Gordinho.

Por fora, o apresentador continuou buscando a concessao do canal 11, do Rio.


Escaldado por outras tentativas frustradas, no passado, Silvio agiu nos
bastidores. Valeu-se da influ ncia de amigos no Governo para apresentar seu
projeto de um canal autofinanci vel por suas empresas. Em seu programa,
passou a citar o nome de pol ticos que poderiam interceder a seu favor.

O Raphael Baldacci coisa nossa... O general Golbery coisa nossa , cantava


aos domingos, para milhares de telespectadores. Raphael era o deputado que
opinava, no Minist rio das Comunica es, sobre concess es; e Golbery, o chefe
da Casa Militar da Presid ncia da Rep blica. O resultado n o poderia ser outro:
em 22 de outubro de 1975, o presidente, o general Ernesto Geisel, assinou o
decreto que outorgava o canal 11 (TVS) a Silvio Santos. E Silvio saiu da Globo
no dia 5 de janeiro de 1976.

Ganancioso, passou a apresentar seu programa simultaneamente na TV Tupi e


na TV Record, em S o Paulo, e na TVS, no Rio. Manteve os la os estreitos com
o poder. Ao saber da concess o de duas novas redes pelo governo militar, o
empres rio entrou na concorr ncia. Mais uma vez, lan ou-se a uma luta ferrenha
nos bastidores. Um de seus jurados no programa era Carlos Renato, primo da
mulher do presidente Jo o Figueiredo, Dulce Figueiredo. At mesmo a dupla Don
e Ravel, que compunha m sicas que agradavam c pula militar ( Eu te amo meu
Brasil, eu te amo... ), foi mobilizada.

Silvio promoveu a dupla. Em contrapartida, Don intercedia em favor do


apresentador. Outra vez, deu Silvio na cabe a. Ele abocanhou mais quatro
canais. Como um era no Rio, vendeu-o para a TV Record. Surgia, a , o Sistema
Brasileiro de Televis o (SBT).

A urna da felicidade
Silvio Santos se casa pela segunda vez,sofre com problemas na garganta e
opoder cada vez mais o seduz. Ele tentou,em v o, ser candidato a prefeito e
tamb m Presid ncia namoro ou amizade? Nem um nem outro. O caso de Silvio
Santos com a funcionária Íris Pássaro, do Baú da Felicidade, filha de um
pequeno empresário, foi paixão avassaladora. Os dois se casaram, longe da
Imprensa, em 20 de fevereiro de 1981. Exatamente como no primeiro
casamento, Silvio que tem fama de p o-duro se uniu amada em regime de
separa o de bens. Contou com o apoio da mulher nos momentos mais
delicados, at quando se candidatou a Presidência da Rep blica (na foto, ainda
se recuperando da cirurgia que precisou fazer nas cordas vocais, Silvio, ao lado
de ris, decide sair candidato prefeitura de S o Paulo).

O casal tem quatro filhas: Daniela, Patr cia, Rebeca e Renata. Certa vez,
durante um programa, ele falou emocionadamente sobre a paixão. Me satisfa o
com ela, sou feliz com minha fam lia. N o tenho necessidade de mais nada ,
disse.

Silvio estava amadurecido. Nada lembrava aquele menino da Lapa, aos 14


anos, que realizou a primeira rela o sexual com uma prostituta francesa. Uma
experi ncia que lhe agradou. Satisfeito, procuraria mais tarde outra francesa. O
garoto ficaria assustado com as manobras radicais, que se definiam - tudo que
sabia - como bouchet.

O começo do Sistema Brasileiro de Televis o (SBT) foi de vacas magras. A


assinatura da concess o da nova rede, com quatro canais, ocorreu em 19 de
agosto de 1981. A cerim nia foi transmitida ao vivo pela TVS, do Rio, e pelo
canal 4 de S o Paulo.

A programa o era base de enlatados, novelas mexicanas e produ es baratas.


Era o que preenchia as 12 horas no ar exigidas pelo Minist rio das Comunica
es. A op o desde o in cio foi por uma grade de programa o mais popular do que
a da Globo.

Entre as atra es da rede, estavam Moacir Franco Show, O Homem do Sapato


Branco, Feira do Riso, Almo o com as Estrelas e Raul Gil e o palha o Bozo.
Marcou poca o programa O Povo na TV, com Wilton Franco, que relatava casos
policiais com estardalha o.

Com os dramalh es mexicanos, pelo menos 25% mais baratos que as novelas
nacionais, Silvio encontrou novo fil o. O primeiro sucesso foi Os Ricos Tamb m
Choram, com Ver nica Castro.

Mas o programa que mais surpreenderia seria uma produ o de cen rios de papel
o, piadas velhas e atores de segunda linha. Ningu m contava com a ast cia de
Chaves , personagem do mexicano Roberto Bolo os. Apesar de ningu m levar f ,
o programa permanece h 17 anos no ar.

O maior comunicador do Brasil perdeu a voz. No final de 1987, Silvio come ou a


ficar rouco. Chegou a importar um aparelho para ampliar o som quando falava
ao telefone. O programa era interrompido quando quase n o conseguia ouvi-lo.

Preocupado, Silvio bateu em retirada. Viajou para os Estados Unidos em busca


de tratamento. Ele descobrira que possu a um tumor na p lpebra esquerda
extirpado no Brasil e, devido ao cansa o de um m sculo da garganta, ficava
rouco.

A volta TV ocorreu, um mês depois, num domingo. Silvio era outro homem. No
programa, exp s suas inquieta es, negou boatos de que teria tido caso com S
nia Lima, explicou a doen a e falou sobre as preocupa es com o povo. Foi o que
bastou para o homem do Ba ser taxado at de novo Messias.

Era a deixa para Silvio entrar na pol tica. Assessores do PFL entraram em a o
para viabilizar a sua candidatura Prefeitura de S o Paulo.

Silvio queria ser um pol tico diferente e n o gostava de fazer campanha. Ele fora
alertado sobre as press es que sofreria. poca, argumentou que n o temia os
ataques. Citou até reportagem da revista Contigo que bancava a versão de que
ele e Gugu eram amantes. O Gugu não faz o meu tipo , brincou Silvio, segundo
Arlindo Silva.

A indefiniçã o de Silvio sobre a candidatura o enfraqueceu. Na convenção do


partido, havia manobra para se apoiar a coliga o com o PMDB, apoiando Jo o
Osvaldo Leiva, indicado por Orestes Qu rcia. Sem possibilidades de vit ria na
conven o, Silvio desistiu. Alegou, na ocasião, que seguia recomenda o médica
para poupar a voz, devido ainda a um edema na garganta. O empresário foi
operado no início de 1989.

O PFL voltou a fustigar Silvio a entrar na pol tica. Queria-o como candidato a
presidente da Rep blica. O empres rio passava por um momento delicado. Ainda
era incerto se ele poderia voltar a apresentar seus programas devido ao
problema na garganta. Logo depois da cirurgia, Silvio reuniu a imprensa para
fazer um comunicado. Minha candidatura s depende de eu n o ter condi es de
falar profissionalmente , contou.

Uma articula o no PRN ainda tentou convenc -lo a ser o vice de Fernando
Collor. Olhe, na minha vida, eu nunca fui vice, só fui presidente , rebateu Silvio,
segundo o seu assessor Arlindo Silva.

A candidatura de Silvio estremeceu a campanha em 1989. Muitos acreditavam


que suas empresas, principalmente o Ba , seriam duramente atingidas por den
ncias de irregularidade. Para garantir o lugar na disputa, Silvio sempre atrasado
buscou um partido nanico, o PMB. Mas não pode levar adiante sua campanha.

O Tribunal Superior Eleitoral impugnou o registro do partido por não ter feito
convenções em nove estados. Durante o pleito, houve acusações de que um
outro partido teria tentado vender a legenda para que Silvio Santos se
candidatasse.

No livro A Fant stica Hist ria de Silvio Santos, o autor Arlindo Silva, conta uma
outra passagem pol mica: o presidente das Organiza es Globo, Roberto
Marinho, teria rompido uma amizade com o ent o Presidente da Rep blica, Jos
Sarney, por acreditar que ele teria lan ado Silvio Santos como candidato pelo
PMDB. Silvio ainda tentou entrar na pol tica mais duas vezes: para governador e
de novo para prefeito. Tamb m n o deu certo. Pessoas ligadas ao apresentador
garantem: Silvio nunca mais trocar o Ba pela urna.

Trechos da carta de Íris

Na campanha para a Presidência da República, uma parte do PFL queria que


Silvio Santos fosse candidato pelo partido. As articula es n o deram certo. Silvio
usou seu programa para explicar o caso e leu um trecho da carta da mulher, ris:
...Contar vantagem, todo o mundo conta. Mas a coragem da luta que tem valor,
porque da surgir a vit ria final. Seja constante e persistente. (...) Se a resposta,
hoje, for a favor da sua candidatura, n o tema, pois ter Deus a seu lado para
realizar sua missão.

Apresentador chega a ser posto para fora de casa pela mulher

Silvio Santos não gosta de expor sua intimidade. Não é toa que raramente
concede uma entrevista. Mas, no fim de 1992, um escandalo fez sua vida
pessoal extrapolar os muros da mans o do casal Abravanel, no Morumbi, em S o
Paulo. Ele e Íris se desentenderam, e a briga foi parar na delegacia. ris
registrou queixa, garantindo que o marido teria aproveitado a aus ncia dela para
retirar obras-de-arte, m veis, tapetes e até um cofre. Para configurar abandono
de lar, ela fez quest o de que constasse no boletim que o apresentador havia
passado o fim de semana fora de casa. Silvio Santos, por sua vez, também
registrou queixa contra a mulher, e o caso acabou na Justi a.

poca, uma reportagem do jornal paulista Diário Popular atribu a a briga dos
Abravanel Rainha dos Caminhoneiros, Sula Miranda. Irm da tamb m cantora
Gretchen, Sula tinha um programa no SBT e manteria, segundo a reportagem,
um romance com o patr o. Sula, na ocasi o, negou o caso. O ex-assessor de
imprensa de Silvio Santos, Arlindo Silva, garante que o relacionamento não
passou de um boato. Foi uma id ia suicida da assessora de imprensa da Sula.
Ela achou que isso poderia promover a Sula. Mas foi tudo uma mentira. Silvio
ficou furioso da vida, tirou o programa do ar, e a assessora de imprensa perdeu
o emprego , contou Arlindo, que se aposentou no ano passado e escreveu o
livro A Fant stica Hist ria de Silvio Santos.

Arlindo contou que o real motivo da briga do casal foi o pouco tempo que Silvio
passava com a família. O apresentador se dedicava demais aos neg cios. ris
reclamou que as filhas não tinham conviência com ele. Não viam o pai nem nos
fins de semana , afirmou.

Enquanto o caso ganhava o notici rio, ris e Silvio Santos discutiam na Justi a. A
senhora Abravanel chegou a trocar a fechadura de casa para impedir a entrada
do marido. Em um lance inicial, estimou-se que ris receberia US$ 15 mil
mensais (R$ 31,9 mil), fora outras mordomias. Quanto aos im veis, eles casaram
em regime de separa o de bens, e ris poderia n o ter direito bolada. Mas, em
1993, depois de muitas intrigas, o casal fez as pazes e trocou beijos frente das
c meras. Uma intimidade que poucas vezes Silvio permitiu no ar.

A urna da felicidade

Silvio Santos se casa pela segunda vez,sofre com problemas na garganta e


opoder cada vez mais o seduz. Ele tentou,em v o, ser candidato a prefeito e
tamb m Presid ncia namoro ou amizade? Nem um nem outro. O caso de Silvio
Santos com a funcion ria ris P ssaro, do Ba da Felicidade, filha de um pequeno
empres rio, foi paix o avassaladora. Os dois se casaram, longe da Imprensa, em
20 de fevereiro de 1981. Exatamente como no primeiro casamento, Silvio que
tem fama de p o-duro se uniu amada em regime de separa o de bens. Contou
com o apoio da mulher nos momentos mais delicados, at quando se candidatou
a Presid ncia da Rep blica (na foto, ainda se recuperando da cirurgia que
precisou fazer nas cordas vocais, Silvio, ao lado de ris, decide sair candidato
prefeitura de S o Paulo).

O casal tem quatro filhas: Daniela, Patrícia, Rebeca e Renata. Certa vez,
durante um programa, ele falou emocionadamente sobre a paixão. Me satisfaço
com ela, sou feliz com minha família. Não tenho necessidade de mais nada ,
disse.

Silvio estava amadurecido. Nada lembrava aquele menino da Lapa, aos 14


anos, que realizou a primeira rela o sexual com uma prostituta francesa. Uma
experi ncia que lhe agradou. Satisfeito, procuraria mais tarde outra francesa. O
garoto ficaria assustado com as manobras radicais, que se definiam - tudo que
sabia - como bouchet.

O come o do Sistema Brasileiro de Televis o (SBT) foi de vacas magras. A


assinatura da concess o da nova rede, com quatro canais, ocorreu em 19 de
agosto de 1981. A cerim nia foi transmitida ao vivo pela TVS, do Rio, e pelo
canal 4 de S o Paulo.

A programa o era base de enlatados, novelas mexicanas e produ es baratas.


Era o que preenchia as 12 horas no ar exigidas pelo Minist rio das Comunica
es. A op o desde o in cio foi por uma grade de programa o mais popular do que
a da Globo.

Entre as atra es da rede, estavam Moacir Franco Show, O Homem do Sapato


Branco, Feira do Riso, Almo o com as Estrelas e Raul Gil e o palha o Bozo.
Marcou poca o programa O Povo na TV, com Wilton Franco, que relatava casos
policiais com estardalha o.

Com os dramalh es mexicanos, pelo menos 25% mais baratos que as novelas
nacionais, Silvio encontrou novo fil o. O primeiro sucesso foi Os Ricos Tamb m
Choram, com Ver nica Castro.

Mas o programa que mais surpreenderia seria uma produ o de cen rios de papel
o, piadas velhas e atores de segunda linha. Ningu m contava com a ast cia de
Chaves , personagem do mexicano Roberto Bolo os. Apesar de ningu m levar f ,
o programa permanece h 17 anos no ar.

O maior comunicador do Brasil perdeu a voz. No final de 1987, Silvio come ou a


ficar rouco. Chegou a importar um aparelho para ampliar o som quando falava
ao telefone. O programa era interrompido quando quase n o conseguia ouvi-lo.

Preocupado, Silvio bateu em retirada. Viajou para os Estados Unidos em busca


de tratamento. Ele descobrira que possu a um tumor na p lpebra esquerda
extirpado no Brasil e, devido ao cansa o de um m sculo da garganta, ficava
rouco.

A volta TV ocorreu, um m s depois, num domingo. Silvio era outro homem. No


programa, exp s suas inquieta es, negou boatos de que teria tido caso com S
nia Lima, explicou a doen a e falou sobre as preocupa es com o povo. Foi o que
bastou para o homem do Ba ser taxado at de novo Messias.

Era a deixa para Silvio entrar na pol tica. Assessores do PFL entraram em a o
para viabilizar a sua candidatura Prefeitura de S o Paulo.

Silvio queria ser um pol tico diferente e n o gostava de fazer campanha. Ele fora
alertado sobre as press es que sofreria. poca, argumentou que n o temia os
ataques. Citou at reportagem da revista Contigo que bancava a vers o de que
ele e Gugu eram amantes. O Gugu n o o meu tipo , brincou Silvio, segundo
Arlindo Silva.

A indefini o de Silvio sobre a candidatura o enfraqueceu. Na conven o do


partido, havia manobra para se apoiar a coliga o com o PMDB, apoiando Jo o
Osvaldo Leiva, indicado por Orestes Qu rcia. Sem possibilidades de vit ria na
conven o, Silvio desistiu. Alegou, na ocasi o, que seguia recomenda o m dica
para poupar a voz, devido ainda a um edema na garganta. O empres rio foi
operado no in cio de 1989.

O PFL voltou a fustigar Silvio a entrar na pol tica. Queria-o como candidato a
presidente da Rep blica. O empres rio passava por um momento delicado. Ainda
era incerto se ele poderia voltar a apresentar seus programas devido ao
problema na garganta. Logo depois da cirurgia, Silvio reuniu a imprensa para
fazer um comunicado. Minha candidatura s depende de eu n o ter condi es de
falar profissionalmente , contou.

Uma articula o no PRN ainda tentou convenc -lo a ser o vice de Fernando
Collor. Olhe, na minha vida, eu nunca fui vice, s fui presidente , rebateu Silvio,
segundo o seu assessor Arlindo Silva.

A candidatura de Silvio estremeceu a campanha em 1989. Muitos acreditavam


que suas empresas, principalmente o Ba , seriam duramente atingidas por den
ncias de irregularidade. Para garantir o lugar na disputa, Silvio sempre atrasado
buscou um partido nanico, o PMB. Mas n o p de levar adiante sua campanha.

O Tribunal Superior Eleitoral impugnou o registro do partido por n o ter feito


conven es em nove estados. Durante o pleito, houve acusa es de que um outro
partido teria tentado vender a legenda para que Silvio Santos se candidatasse.

No livro A Fant stica Hist ria de Silvio Santos, o autor Arlindo Silva, conta uma
outra passagem pol mica: o presidente das Organiza es Globo, Roberto
Marinho, teria rompido uma amizade com o ent o Presidente da Rep blica, Jos
Sarney, por acreditar que ele teria lan ado Silvio Santos como candidato pelo
PMDB. Silvio ainda tentou entrar na pol tica mais duas vezes: para governador e
de novo para prefeito. Tamb m n o deu certo. Pessoas ligadas ao apresentador
garantem: Silvio nunca mais trocar o Ba pela urna.

Trechos da carta de ris

Na campanha para a Presid ncia da Rep blica, uma parte do PFL queria que
Silvio Santos fosse candidato pelo partido. As articula es n o deram certo. Silvio
usou seu programa para explicar o caso e leu um trecho da carta da mulher, ris:

...Contar vantagem, todo o mundo conta. Mas a coragem da luta que tem
valor, porque da surgir a vit ria final. Seja constante e persistente. (...) Se a
resposta, hoje, for a favor da

Apresentador chega a ser posto para fora de casa pela mulher Silvio Santos n o
gosta de expor sua intimidade. N o toa que raramente concede uma
entrevista. Mas, no fim de 1992, um esc ndalo fez sua vida pessoal extrapolar os
muros da mans o do casal Abravanel, no Morumbi, em S o Paulo. Ele e ris se
desentenderam, e a briga foi parar na delegacia. ris registrou queixa, garantindo
que o marido teria aproveitado a aus ncia dela para retirar obras-de-arte, m veis,
tapetes e at um cofre. Para configurar abandono de lar, ela fez quest o de que
constasse no boletim que o apresentador havia passado o fim de semana fora
de casa. Silvio Santos, por sua vez, tamb m registrou queixa contra a mulher, e
o caso acabou na Justi a.

poca, uma reportagem do jornal paulista Di rio Popular atribu a a briga dos
Abravanel Rainha dos Caminhoneiros, Sula Miranda. Irm da tamb m cantora
Gretchen, Sula tinha um programa no SBT e manteria, segundo a reportagem,
um romance com o patr o. Sula, na ocasi o, negou o caso. O ex-assessor de
imprensa de Silvio Santos, Arlindo Silva, garante que o relacionamento n o
passou de um boato. Foi uma id ia suicida da assessora de imprensa da Sula.
Ela achou que isso poderia promover a Sula. Mas foi tudo uma mentira. Silvio
ficou furioso da vida, tirou o programa do ar, e a assessora de imprensa perdeu
o emprego , contou Arlindo, que se aposentou no ano passado e escreveu o
livro A Fant stica Hist ria de Silvio Santos.

Arlindo contou que o real motivo da briga do casal foi o pouco tempo que Silvio
passava com a fam lia. O apresentador se dedicava demais aos neg cios. ris
reclamou que as filhas n o tinham conviv ncia com ele. N o viam o pai nem nos
fins de semana , afirmou.

Enquanto o caso ganhava o notici rio, ris e Silvio Santos discutiam na Justi a. A
senhora Abravanel chegou a trocar a fechadura de casa para impedir a entrada
do marido. Em um lance inicial, estimou-se que ris receberia US$ 15 mil
mensais (R$ 31,9 mil), fora outras mordomias. Quanto aos im veis, eles casaram
em regime de separa o de bens, e ris poderia n o ter direito bolada. Mas, em
1993, depois de muitas intrigas, o casal fez as pazes e trocou beijos frente das
c meras. Uma intimidade que poucas vezes Silvio permitiu no ar.

O duelo dos poderosos

Silvio Santos come a a incomodar a TV Globo. O ex-funcion rio agora um


concorrente de peso e obriga emissora de Roberto Marinho a alterar os planos

O empres rio Silvio Santos tirou do ba as armas na luta por pontos no Ibope, a
partir de 1987: Hebe Camargo, A Pra a Nossa e J Soares. A f rmula,
aparentemente despretensiosa, deu certo. O Sistema Brasileiro de Televis o est
no segundo lugar em audi ncia.

A vice-l der, s vezes, alcan a a lideran a. Sinal de desespero para os diretores


da soberana TV Globo, a quarta maior rede do mundo. algo para impressionar
at o pr prio Silvio. Tudo come ara com um canal furreca, a TVS, que exibia tr s
vezes seguidas o mesmo filme, em meados dos anos 70, por falta de atra es
para preencher a programa o.

O primeiro aviso de que Silvio viera para incomodar aconteceu durante a exibi
o, pela TV Globo, da novela Roque Santeiro, em 1985. Com a maior cara-de-
pau, ele convidava, em seu programa, os telespectadores a, depois de assistir
novela da Globo, mudar de canal para acompanhar P ssaros Feridos, um filme
exibido em cinco cap tulos.

A surra foi mais forte que um tapinha: o SBT obteve m dia de 47% de audi ncia,
contra 27% da concorrente. Para tentar reverter o quadro, a Globo usou uma
estrat gia que n o deu certo: esticou os cap tulos da novela o quanto p de. Silvio
n o esquentou; mudou tamb m o hor rio do filme.

um filme muito bom, um filme a que eu j assisti v rias vezes. a hist ria de um
padre que se apaixona. Mas podem ver a novela. Esse filme s vai come ar
depois que a novela acabar , repetia no ar, durante seu programa.

Silvio fez isso v rias vezes. O telespectador cansou de ouvir as dicas do


apresentador sobre filmes que exibia em sua emissora. Quando o empres rio n o
assistia, havia a impress o de algu m da sua fam lia sobre a fita. Podem ver.
Minha filha assistiu e disse que timo , comentava, como se estivesse falando
com um colega de trabalho.

Mas, no fim dos anos 80, ele decidiu melhorar a qualidade dos programas.
Investiu o dinheiro que recebera com a venda da TV Record para a Igreja
Universal. Abandonou, por exemplo, atra es como O Povo na TV e o Moacir
Franco Show. A audi ncia era boa, mas o faturamento n o alcan ava as cifras
necess rias para manter uma empresa como o SBT.

A f rmula que escolheu era simples: bonito e barato e, principalmente, dando


lucro. A Globo faz quest o de estar em primeiro lugar, nem que, para isso, tenha
que gastar milh es. Silvio pensa em n o perder dinheiro , observa o humorista
Carlos Alberto de N brega, um de seus grandes amigos.

As atra es emplacaram. Hebe Camargo transformou-se na dama da televis o


brasileira , com seu programa, nas segundas-feiras. A Pra a Nossa, que tinha
10 pontos na Bandeirantes, saltou para 35 pontos no SBT. J Soares ajudou a
qualificar a programa o, que passou a contar ainda com um investimento
pesado em jornalismo.

O SBT se consagrou como l der absoluto do segundo lugar. Muitos programas


passaram a incomodar a Rede Globo, at ent o imbat vel. O jornal Aqui e Agora
trazia reportagens din micas que retratavam, principalmente, a viol ncia sofrida
pelos moradores de S o Paulo e tamb m do Rio. Foi tachado de mundo c o ,
mas aumentou a audi ncia do telejornal do SBT, que sempre perdeu feio, nesse
segmento, para a Globo.

O jornal do SBT, com Lilian Witte Fibe, o TJ Brasil, com Boris Casoy, e o J
Onze e Meia atenderam classes mais altas, que n o costumavam apertar no
controle o canal do SBT. O apresentador Gugu foi substituindo o patr o, aos
poucos, aos domingos. O programa do Faust o passou a perder no Ibope para o
colega de hor rio. Virou uma gangorra de audi ncia. A cada semana, um era o
vencedor. A estrat gia de Gugu foi concentrar suas melhores atra es no
momento em que Faust o est no ar. No resto do dia, podia at perder para a
Xuxa e o Tom Cavalcanti, mas nunca do Faust o. Deu certo: ganhou a briga dos
domingos.

Gugu j esteve com um p na Globo, mas Silvio Santos abriu o ba para mant -lo
na sua emissora. Quando J Soares assinou com o SBT, a Globo contratou
Gugu para competir com Silvio nas tardes de domingo. O dono do canal 11 agiu
r pido e jogou pesado: fez uma proposta irrecus vel a Gugu, que poca,
comandava no SBT o Viva a Noite, e levou a mulher, ris, e as quatro filha
tiracolo para o encontro. A press o deu certo. Silvio Santos pegou um avi o com
Gugu, e os dois conversaram com Roberto Marinho. Foi tudo resolvido. Menos a
multa pela rescis o do contrato, que n o foi perdoada.

Em outro epis dio, Silvio conversou com os Marinhos. Ligou para o Roberto
Irineu Marinho, filho do dono das Organiza es Globo. O apresentador queria
levar Jos Bonif cio de Oliveira Sobrinho, o Boni, para trabalhar no SBT. Eu n o
vou dispensar o Boni. N o me interessa que ele opere em outra televis o , teria
afirmado Marinho, em frase reproduzida no livro A Fant stica Hist ria de Silvio
Santos, de Arlindo Silva.

Para neutralizar o advers rio, a Globo contratou algumas estrelas da emissora


rival. Jô Soares e Serginho Groisman foram alguns dos que passaram para o
lado de lá . Para recuperar as perdas, a estratégia de Silvio Santos foi tentar
enfraquecer a concorrência. Tentou minar Jô ao mudar o horário do programa
para ainda mais tarde.

Outras emissoras levaram pe as-chaves do SBT. Foi o caso de Eliana e Boris


Casoy, que arrumaram as malas para a TV Record. Silvio manteve o formato
dos programas, com exceçã do J Soares. Mas decidiu abandonar o
investimento no jornalismo para priorizar o entretenimento.

Pessoas ligadas ao apresentador garantem que Silvio Santos nem sempre um


bom negociador. O Ratinho queria muito trabalhar no SBT. Silvio n o quis. Ele
me ligou um pouco antes de assinar contrato com a Record e pediu R$ 70 mil. N
o teve jeito. Quatro meses depois, Silvio o chamou e pagou R$ 400 mil , lembra
Luciano Callegari, primeiro homem do SBT at 1997.

Ratinho conseguiu 15 pontos de audi ncia com seu programa no SBT, o mesmo
percentual que Boni havia prometido conseguir para a emissora, caso fosse
contratado por Silvio. Foi mais f cil contratar o Ratinho, que j me deu os 15
pontos de audi ncia , brincou Silvio em uma palestra, arrancando riso da plat ia.
Carlos Alberto de N brega ficou 11 anos

sem falar com o apresentador. Ele pensava que Silvio tivesse enganado seu pai

Ser segundo lugar j incomoda ao SBT. H quase um ano, na noite de s bado, a


resistente A Pra a Nossa vem apanhando do humor stico Zorra Total, da TV
Globo. Para melhorar os n meros, o apresentador Carlos Alberto de N brega
procurou Silvio Santos. preciso bagun ar a vida do Zorra.

A id ia de Carlos Alberto aumentar a divulga o da Pra a durante os intervalos


no hor rio nobre do SBT. Outro pedido a encomenda, ao DataFolha, de uma
pesquisa para aferir a audi ncia e compar -la aos n meros do Ibope.

O que Carlos Alberto de N brega tenta entender como A Pra a Nossa perdeu
a lideran a. At um ano atr s, A Pra a emplacava m dia pr xima de 20 pontos de
audi ncia. O m ximo que o Zorra conseguia era reduzir a diferen a para 1 ponto,
quando entrava em cena o espetacular Alberto Roberto, personagem de Chico
Anysio. Depois da sa da de Chico, A Pra a come ou a perder. E feio. Crava 14
ou 15 pontos, contra mais de 22 pontos da Globo. Carlos Alberto pediu ainda
uma pesquisa para saber o que o p blico acha da Pra a.

N o f cil dobrar o homem do Ba . Silvio autorit rio e gosta das coisas a seu
modo. Ele tem um temperamento danado. Cansei de bater de frente com ele
quando cheguei emissora, em 1987 , relembra Carlos Alberto, filho de Manoel
de N brega, aquele que passou o Ba para Silvio.

Hoje, eu sei me relacionar com o Silvio. Imagina quantos problemas ele tem. Fa
o o pedido no momento certo, e ele nunca diz n o , observou.

Os dois s o amigos desde o tempo em que Silvio vendia muamba, nos anos 50.
Fizeram juntos a primeira viagem ao exterior, a Buenos Aires, na Argentina.
Carlos Alberto pretendia comprar coisas para o enxoval de seu casamento.
Silvio o convenceu a comprar isqueiros e presilhas para gravata. Disse que
venderia tudo em S o Paulo. Com o lucro, compraria o enxoval e ainda sobraria
dinheiro , recordou.

Em outra poca, Silvio comprara um carro aos peda os. Na viagem para S o
Paulo, Carlos Alberto dirigia e Silvio segurava as portas. Ao chegar a S o Paulo,
ele anunciou e vendeu o carro ali mesmo. Era uma amizade de passeios, festas
e confid ncias.

Os dois ficaram sem se falar por 11 anos. Segundo Carlos Alberto, por causa de
um mal-entendido. Sem entrar em detalhes, disse que o problema envolvia a es
da TV. Meu pai me contou uma coisa. S depois, o Silvio me explicou tudo. Meu
pai (morto em 1976), que tinha Silvio como um filho, estava enganado , conta.

Carlos Alberto grato a Silvio por ter salvado o pai da fal ncia, em 1975. Manoel
de N brega se envolvera em um malfadado neg cio. Silvio pagou a d vida e,
provisoriamente, ficou com os bens de N brega. Um belo dia, N brega, que
pensara que perdera tudo, recebeu todas as escrituras de volta (dois ou tr s
apartamentos, uma casa e dois terrenos). Silvio viajou em seguida. Ele n o
queria receber o telefonema de agradecimento do meu pai , relembrou.

A vida encarregou-se de afast -los. Hoje, s se encontram a trabalho. Em datas


festivas, Silvio envia cart o e lembran as. Na P scoa, mandou-lhe um grande
ovo. Na segunda-feira, Carlos Alberto completar 65 anos, mas sabe que o m
ximo que pode esperar um bom presente. Preferia que ele n o me enviasse
nada. Mas que aparecesse para me dar um abra o , observou..

Ele o show do bilhão

Silvio Santos um megaempres rio. O faturamento de suas 34 empresas soma


R$ 1,5 bilh o por ano. S de sal rio, ele retira R$ 55 milh es do Ba O ba ficou
pesado. Cheio de dinheiro. Por ano, o apresentador Silvio Santos recebe R$ 55
milh es de sal rio como empregado do Ba da Felicidade e da Lideran a
Capitaliza o. Ningu m no Pa s paga mais Imposto de Renda, como pessoa
física, do que ele. S o R$ 15 milh es para o Le o. O faturamento de suas
empresas superior a R$ 1,5 bilh o, anualmente.

Não é toa que ele tamb m conhecido como o homem do sorriso . Desde 1957,
quando iniciou a saga com o Ba , Silvio construiu uma carreira de conquistas.
Achava que ele subiria na vida por ter uma vis o comercial. Mas nunca poderia
imaginar que chegaria t o longe , confessa Carlos Alberto de N brega,
apresentador de A Pra a Nossa e amigo dos tempos bicudos.

Silvio construiu um patrim nio da ordem de R$ 879 milh es, conforme declara o
Receita Federal, em 1999. N o seria hora de parar, viajar pelo mundo e gastar
um pouco dessa fortuna?

Não adianta. Ele quer mais. J chegou a anunciar que se aposentaria dos palcos
aos 60 anos. Passados 10 anos, continua com todo o vigor. frente do Show do
Milh o, respira mais um sucesso.

Ao que parece, Silvio sonha ir mais longe. E ele se prepara para tanto. Hoje, o
SBT j fatura um quarto do que a Rede Globo abocanha.

Cuidadosamente, sem grandes endividamentos, a emissora se expande. Um


dos marcos o Complexo do Anhang era, inaugurado em 1996, um centro de
produ o para a TV equivalente a 31 campos de futebol, a 17 quil metros do
Centro de S o Paulo.

Para melhorar ainda mais a qualidade da programa o e passar a atrair as


classes mais altas, o SBT ataca em v rias frentes. Fechou acordos com as
americanas Warner e Walt Disney e a Televisa, poderosa emissora mexicana.
Acertou ainda com uma produtora holandesa um programa nos moldes de No
Limite, exibido pela Globo. S que os participantes se envolvem numa disputa
numa casa. A previs o inicial de levar a atra o ao ar ainda no primeiro
semestre.

Silvio tamb m est de olho no mercado lucrativo das TVs por assinatura. Formou
cons rcio com a Bandeirantes, fundos de pens es norte-americanos e o Grupo
Associados (ex-Di rios Associados) e criou a TV Cidade. Tem autoriza o para
operar em 16 munic pios brasileiros, entre eles, Niter i e S o Gon alo.

Jô investiu em um hotel no Guaruj , espera da libera o do jogo no Pa s. Esse


empreendimento inspirado em um navio de luxo e poder se transformar em um
grande cassino no litoral paulista. Silvio j disse que pretende morar ali quando
se aposentar. Se isso acontecer.

Hoje, ele vive com a mulher, Íris, e suas quatro filhas em uma mans o no
Morumbi. Contou com o conforto da fam lia para enfrentar grandes perdas. Seu
pai, Alberto, morreu em 1976. L o, o irm o mais chegado, foi enterrado em 1982.
E a m e, Rebecca, sete anos depois. Durante a campanha para prefeito de S o
Paulo, em 1992, um outro baque.

Sua irmã Sara, mais conhecida como Sarita, foi seq estrada no Rio. Ela saia de
casa, na Tijuca, para o SBT, onde trabalhava como diretora regional da
emissora. Quatro bandidos inexperientes a obrigaram a entrar no porta-malas de
um Chevette, sob a mira de um rev lver. Os seq estradores exigiram 500 mil d
lares (quase R$ 1 milh o) e mais meio quilo de ouro. A pol cia foi logo mobilizada
pelo governador Leonel Brizola e, em 15 horas, os bandidos foram presos. O
erro deles foi ligar para um n mero com bina. Sarita ficou o tempo todo
amarrada, no porta-malas.

Aos 70 anos, completados em 12 de dezembro, Silvio um homem vitorioso.


Dono de uma fortuna invej vel, o seu maior patrim nio, por m, a popularidade.
o maior apresentador da hist ria da televis o brasileira. Desde 1993, o Programa
Silvio Santos figura no Guinness, o Livro dos Recordes, como o mais duradouro
da televis o brasileira.

O engra ado que o homem que conseguiu tudo isso, o maior comunicador do
Brasil, peca pela timidez. Ele terrivelmente t mido. Sozinho com algu m numa
sala, um desastre. Mas, ponha um p blico ali, e ele arrebenta , avalia o amigo
Carlos Alberto.

Entrevista: Silvio gosta de negociar. Perder, nunca Luciano Callegari foi o


primeiro funcion rio de Silvio Santos na TV. Trabalhou com ele durante 45 anos
em v rias fun es, mas sempre como bra o direito. Era o primeiro homem no SBT
na aus ncia do patr o. Em 2000, saiu da emissora, imp rio que ajudou a
construir, meio estremecido com Silvio. Para Luciano, o SBT continua com uma
boa audi ncia, mas perdendo em qualidade. Com essa programa o, o SBT
nunca vai chegar perto da Globo , acredita Callegari, hoje com 61 anos. A
seguir, a entrevista com o ex-vice-presidente do SBT:

Quando Silvio convidou o senhor para trabalhar com ele?

Conheci o Silvio na poca em que ele era dono de um bar chamado Nosso
Cantinho, em S o Paulo. Nessa poca, eu era office-boy na R dio Nacional e ele
procurava emprego de locutor na mesma r dio. Fui convidado para trabalhar com
ele oito vezes e n o aceitei. Ele sempre foi p o-duro. N o queria pagar muito. Eu
n o ia deixar uma empresa onde conhecia todo o mundo h anos para ganhar um
pouco mais. At que ele ofereceu mais dinheiro e comecei a trabalhar com ele.

O que o senhor fazia?

Ele tinha a caravana O Peru que Fala. Pegava artistas da R dio Nacional e fazia
shows em circos. Silvio n o tinha muita paci ncia para lidar com esses artistas.
Fui contratado para cuidar do primeiro elenco que ele teve no Peru Que Fala. A
partir da , passei a trabalhar com Silvio n o s nisso, mas tamb m cuidando de
toda a parte de contabilidade. Na TV, fizemos o primeiro programa Vamos
Brincar de Forca.

Como o Silvio lida com dinheiro?

As vezes, briga por R$ 100, as vezes abre o cofr. Ele é oito ou 80. Gosta de
negociar, não gosta de perder. Por exemplo, a Angélica recebia R$ 27 mil com a
gente. Ela queria R$ 40 mil por m s. Ele disse: deixa ela ir. Quando soube que a
Globo queria contrat -la, Silvio ofereceu R$ 90 mil. O Boni deu R$ 120 mil.
Deixou a Ang lica rica de cara. Foi o primeiro grande salário de quem se
transferiu para a Globo.
O senhor n o est mais no SBT, n o ?

N o. Sa em 30 de junho de 2000. Trabalhei com Silvio 45 anos. Fui o primeiro


executivo do SBT. At 1997, administrei tudo: o programa, o primeiro canal no
Rio, depois, quando ganhamos a rede, montei o SBT inteiro. Ele n o ia aos escrit
rios. Ficava no escrit rio dele na regi o de Leiria. S falava comigo (de neg cios)
pelo telefone ou chamava algumas pessoas para irem l para dar as diretrizes. E
eu executava. Me disse uma vez: Luciano, eu cuido do meu programa, e voc
vai cuidando da emissora. Vou te dizendo como tem que ser a programa o, voc
vai tocando porque eu n o quero ter aporrinha o . Assim, sempre deu certo.
Mas, em 1997, quando ele disse que ia para a emissora para me ajudar, entrou
areia.

Silvio Santos uma pessoa dif cil?

A vaidade dele ultrapassa os limites do bom senso. Quando a gente estava


distante, era uma posi o confort vel para ele. Ele n o precisava falar com artista,
com profissional, participar de reuni o etc. Tudo corria bem. Ele me falava
algumas coisas que eu administrava bem e passava para o artista de uma
maneira mais leve. O Silvio de engrossar. E n o d para ter um di logo com
artista desse jeito. O B ris, por exemplo, foi embora por causa disso. A Eliana
tamb m, o Serginho Groisman... E mais outros tantos.

Mas o Groisman n o foi embora por causa da Globo?

Foi por causa da Globo porque o Silvio fez de uma maneira que n o tinha como
ele ficar. O programa dele trocou 27 vezes de hor rio. Era todo pago, tinha
anunciante na fila. Mas o Silvio queria que tivesse 10 pontos de audi ncia, a m
dia da emissora, e n o sete pontos. Por isso ele foi. Tenho uma opini o diferente
da do Silvio. Sempre falei pra ele que quem tem que comandar o dono da
emissora. Mas o ambiente ficou dif cil entre n s. Falei que ia embora.

O que gerou esse atrito?

Eu administrava de uma forma, e ele, de outra. E tromb vamos na empresa.


Chegamos a um acordo. Me afastei. Ele est indo bem, fazendo do jeito dele.

Voc s ficaram brigados?

Honestamente, sa mos meio... estremecidos. A coisa poderia ter sido feita de


uma outra forma. Mas n o estou magoado. Constru aquilo l . Estou realizado,
profissionalmente, na TV. Transformei uma rede em que ningu m acreditava na
segunda do Pa s. Isso foi feito, evidentemente, com o Silvio. Sempre foi o
comandante. Mas quem realizava era eu e a equipe.

Mas o SBT n o est bem?

Para o Silvio, est maravilhoso; para mim, n o. A falta do jornalismo n o tem


cabimento. Rede de televis o que n o tem jornalismo n o rede. Ele est indo
bem, a audi ncia est boa, mas uma emissora que tem novela mexicana, que n
o tem informa o. Com essa programa o, ela nunca chegar perto da Rede
Globo. Porque a Globo tem coisas que ela n o tem.

Mas se o faturamento vai bem...

s vezes, o problema dele não é ganhar dinheiro, mas a vaidade. A vaidade de


ganhar do Faust o, vaidade de ganhar da Globo. esse o neg cio. Hoje ele n o
tem mais problema com o dinheiro.