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A 1ª Faculdade de São Paulo Especializada em Medicina Chinesa

Apostila

Curso Especial
Dor de Cabeça
Aula I - Introdução

Material elaborado pelo corpo docente da EBRAMEC


Para os cursos da Escola Brasileira de Medicina Chinesa
Direção Geral: Dr. Reginaldo de Carvalho Silva Filho
www.ebramec.com.br
Faculdade de Tecnologia EBRAMEC
EBRAMEC – Escola Brasileira de Medicina Chinesa
巴西中医学院

Apresentação

No decorrer deste encontro serão abordados os seguintes temas:

 Informações importantes sobre a cefaleia pela ótica ocidental;


 Base teóricas da Medicina Chinesa;
 Ditados chineses relacionados com a Cefaleia;
 Análise de trechos de textos clássicos;
 Tratamentos diferenciados;
 Protocolos clássicos de tratamento;
 Tratamento de complicações.

Nomenclatura Chinesa

头痛 tóu tòng Dor de Cabeça


头疼 tóu téng Dor de Cabeça
偏头痛 piān tóu tòng Dor de um dos Lados da Cabeça

Visão Ocidental

Dor de cabeça é uma terminologia popular e dispensa explicações, sendo amplamente utilizada para
indicar o termo técnico cefaleia. Normalmente o que a maioria das pessoas descreve como sendo dor de
cabeça é a dor na região do crânio. A dor de cabeça simples é caracterizada por:

 Dor contínua e moderada sobre os olhos ou na parte posterior da cabeça;


 Sensação de compressão, como uma faixa em torno da cabeça.

A dor pode estender-se por toda a cabeça e, algumas vezes, para baixo, em direção à região posterior do
pescoço e aos ombros. Estima-se que cerca de 90% da população mundial já apresentou ou irá apresentar
um episódio de cefaleia ao longo da vida. Assim, é necessária uma avaliação completa e sistemática das
dores de cabeça, por um profissional especializado no tema.

Incidência

Estima-se que a prevalência da queixa de dor de cabeça, ao longo da vida seja de 93% nos homens e 99%
nas mulheres e que, 76% do sexo feminino e 57% do masculino, tenham pelo menos um episódio de dor
de cabeça por mês. Falando em enxaqueca (tipo específico de dor de cabeça), a prevalência geral ao longo
da vida é de aproximadamente 12% (18% entre as mulheres, 6% nos homens e 4% nas crianças).

Classificação

A classificação das cefaleias tem utilidade clínica, auxiliando no estabelecimento do diagnóstico,


prognóstico e abordagem em terapêutica, e científica, uniformizando a nomenclatura dos diversos tipos de
cefaleia, estudados em diferentes centros de investigação. Felizmente, quase 90 % das dores de cabeça
existentes pertencem ao grupo das funcionais e não orgânicas, como, por exemplo a enxaqueca, dor de
cabeça do tipo tensional e em salvas.
Os demais 10% situam-se entre os inúmeros outros tipos de cefaleia (dor de cabeça), incluindo alguns
causados por doenças graves da própria cabeça ou de outras partes do corpo. Não obstante estas dores serem

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a minoria, todo Profissional de Saúde deve primeiro preocupar-se em afastar e excluir essas dores orgânicas,
que podem levar à morte se não tiverem as suas causas tratadas a tempo. Na prática clínica há diferentes
formas de classificar as cefaleias: - Segundo a etiologia; - Segundo o modo de instalação e evolução; -
Segundo a Sociedade Internacional de Cefaleia

Classificação por Etiologia

Existem muitas causas de dor de cabeça, cefaleias e também muitos tipos de cefaleias. Normalmente
dividimos as dores de cabeça basicamente em dois grandes grupos, as cefaleias (dor de cabeça) primárias,
que têm como exemplo principal a enxaqueca, e as cefaleias secundárias, quando a dor de cabeça é um
sintoma de uma outra doença como uma sinusite, aneurisma cerebral, tumor cerebral entre outras causas.
As cefaleias primárias não apresentam uma causa especifica, podendo a mesma ser de natureza multifatorial
e de caráter hereditário, ao contrário das cefaleias secundárias, que apresentam uma causa patológica
evidente.

Primária

São as que ocorrem sem etiologia demonstrável pelos exames clínicos ou laboratoriais usuais. O
principal exemplo é a migrânea (enxaqueca), a cefaleia tipo tensão, a cefaleia em salvas e outras. Nestes
casos, desordens neuroquímicas, encefálicas têm sido demonstradas, envolvendo desequilíbrio de diversos
neurotransmissores, principalmente para a migrânea. Tais desordens seriam herdadas e, sobre tal
susceptibilidade endógena, atuariam fatores ambientais.

Secundária

São as provocadas por doenças demonstráveis pelos exames clínicos ou laboratoriais. Nestes casos, a
dor seria consequência de uma agressão ao organismo, de ordem geral ou neurológica. Como exemplo, as
cefaleias associadas às infecções sistêmicas, disfunções endócrinas, intoxicações, ainda à hemorragia
cerebral, às meningites, encefalites ou a lesões expansivas do SNC.

Classificação por Instalação e Evolução

Explosivas

São as que surgem abruptamente, em fração de segundo, atingindo a intensidade máxima


instantaneamente, às vezes, com o paciente se referindo a um estalo. Esta instalação sugere a ruptura de um
aneurisma arterial intracraniano ou de outras malformações vasculares. Existem, no entanto, tipos benignos
de cefaleia que podem ter início dessa forma, a cefaleia orgásmica e a “thunderclap headache” (trovoada).

Agudas

São as que atingem seu máximo em poucos minutos ou poucas horas. Tanto as cefaleias primárias como
as secundárias podem apresentar este tipo de instalação. Como exemplos, a migrânea, cefaleia de tensão,
meningites, encefalites, hemorragias cerebrais não arteriais, sinusites agudas.

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Subagudas

São as que apresentam instalação insidiosa, atingindo o ápice em dias ou poucos meses (até três meses).
Ocorrem, principalmente, nas cefaleias secundárias, decorrentes de hematomas subdurais, tumores de
crescimento rápido, meningites crônicas (fungo, tuberculose).

Crônicas

São as que persistem por meses ou anos e, em geral, são primárias. Podem ser recidivantes, ocorrendo
por período variável de tempo (minutos, horas, dias) para depois desaparecerem, reaparecendo algum tempo
depois, como a migrânea, cefaleia em salvas, cefaleia tipo tensão esporádica e outras. Podem ser
persistentes, aparecendo diariamente ou quase diariamente, por um período mínimo de quatro horas. A
intensidade da dor deve permanecer mais ou menos a mesma no decorrer dos meses. São estas as
características da cefaleia crônica diária, uma das que mais aparecem em consultórios médicos,
especializados em cefaleia. O Profissional de Saúde deve estar atento, nas cefaleias crônicas, para mudanças
das características ou da intensidade da dor, pois podem indicar o aparecimento de cefaleia secundária
associada.

Classificação pela Sociedade Internacional

A partir da década de 60, houve um grande avanço no estudo das cefaleias. As definições dos vários
tipos de migrânea, das cefaleias tipo tensão e de outras obedeciam a critérios não universais, dificultando a
comparação de resultados entre os vários centros de pesquisa.

1. Migrânea;
2. Cefaleia de Tipo Tensional;
3. Cefaleia em Salvas e Hemicrânia Paroxística Crônica;
4. Cefaleias diversas, não associadas a lesão estrutural;
5. Cefaleia associada a Traumatismo Craniano;
6. Cefaleia associada a Distúrbios Vasculares;
7. Cefaleia associada a Distúrbio Intracraniano, não vascular;
8. Cefaleia associada ao uso de substância ou à supressão;
9. Cefaleia associada a Infecção não cefálica;
10. Cefaleia associada a Distúrbio Metabólico;
11. Cefaleia ou dor facial;
12. Nevralgias cranianas, dor do tronco nervoso e dor na desaferentação;
13. Cefaleia não classificável.

Diagnóstico Ocidental

O diagnóstico é baseado na compreensão da fisiopatologia das dores de cabeça, na obtenção de uma


história clínica e realização de um exame físico e neurológico cuidadoso e completos, a fim de formular
um diagnóstico diferencial.
Dependendo do caso, geralmente naquelas de caráter secundário, pode ser necessário exames
subsidiários, como estudo radiológico funcional da coluna, tomografia e/ou ressonância magnética de
crânio, eletroencefalograma, exames laboratoriais com análise do líquor e sangue, além de biópsia de artéria
temporal, afim de melhor estabelecer o diagnóstico. Todavia, o diagnóstico das cefaleias e dores faciais é
eminentemente clínico.

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Fatores de Risco

Em relação à enxaqueca, um dos tipos de cefaleia, alguns são os possíveis fatores deflagradores:

 Alimentos e Bebidas;
 Hábitos de alimentação e sono;
 Variações bruscas de temperatura e Umidade do ar;
 Fatores emocionais e estresse;
 Menstruação e fatores hormonais.

Tratamento Ocidental

O tratamento das cefaleias, particularmente o tratamento da enxaqueca em geral é dividido em dois tipos:

 Tratamento agudo (para aliviar a crise);


 Tratamento preventivo (para evitar o aparecimento).

Tanto o tratamento agudo quanto o preventivo pode envolver remédios (medicamentoso / farmacológico)
ou não (não medicamentoso / farmacológico).