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Química Aplicada

QAP0001
Licenciatura em Química
Profa. Dra. Carla Dalmolin
carla.dalmolin@udesc.br
carla.dalmolin@gmail.com

Tintas Industriais
Tintas Industriais
 Estética

 Segurança

 Identificação de fluidos em tubulações

 Proteção contra incrustações de micro-


organismos em cascos de embarcações

 Impermeabilização de superfícies

 Modulação da absorção de calor

 Redução da rugosidade superficial


Classificações das Tintas
 Tintas imobiliárias: destinadas à construção civil
 Produtos aquosos: látex
 Produtos base solvente orgânico: tintas a óleo, esmaltes sintéticos

 Tintas industriais: tipo OEM (original equipament manufacturer)


 Fundos (primers) eletroforéticos
 Fundos (primers) base solvente
 Tintas em pó
 Tintas de cura por radiação UV

 Tintas especiais: demais aplicações


 Tintas e complementos para repinturas automotivas
 Tintas para demarcação de tráfego
 Tintas e complementos para manutenção industrial
 Tintas marítimas
 Tintas para madeira
Classificações das Tintas

 As tintas também podem ser classificadas quanto à formação do


revestimento
Constituintes da Tinta
 De modo geral, uma tinta é uma mistura estável de uma parte sólida em
um componente volátil
 A “parte sólida” forma uma película aderente à superfície em que foi aplicada
após a evaporação do “componente volátil”
Veículo Fixo ou Não-Volátil
 Aglomerante para
as partículas de
pigmento

 Constituído por
um ou mais tipos
de resinas:
polímeros
Solventes
 Auxiliam na solubilização da resina e no controle da viscosidade da tinta
 Solventes verdadeiros: miscíveis em qualquer proporção
 Solventes auxiliares: aumentam o poder de solubilização do solvente verdadeiro
 Falso solvente: baixa miscibilidade, reduz o custo final das tintas

 Hidrocarbonetos alifáticos: nafta

 Hidrocarbonetos aromáticos: tolueno e xileno

 Ésteres: acetato de etila, butila ou isopropila

 Álcoois: etanol, butanol e álcool isopropílico

 Cetonas: acetona, metiletilcetona, cicloexanona

 Glicóis: etilglicol, butilglicol

 Solventes filmógenos: além de solubilizar a resina, incorporam-se à resina por


polimerização. Ex.: estireno
Solventes

 Diluentes: produtos elaborados com diferentes solventes para ajustar a


viscosidade de aplicação da tinta, em função do equipamento de aplicação

 A maioria dos solventes orgânicos utilizados nas tintas é prejudicial à saúde


 Tendência mundial no desenvolvimento e uso de tintas base água

 Quando a água é utilizada como solvente tem-se uma emulsão ou


dispersão, pois não há solubilização completa da resina
 As emulsões são menos agressivas: menor quantidade de orgânicos voláteis
(VOCs – volatile organic compounds)
 Apresentam menor durabilidade que as tintas base solvente
Solubilização de Polímeros
 1o Estágio: Inchamento
 Difusão das moléculas do solvente para dentro da massa polimérica, formando
um gel

 2o Estágio: Solubilização
 A entrada de mais solvente leva à desintegração do gel e formação de uma
solução verdadeira

Solvente

Polímero Gel Inchado Solução


sólido Verdadeira

Alta densidade de ligações cruzadas, pouca interação entre o solvente e a cadeia


polimérica, presença de cristalinidade e ligação de hidrogênio prejudicam a
solubilidade.
Energia Coesiva
 Energia necessária para remover uma molécula de seu meio e levá-la para
longe da sua vizinhança
 Líquidos: relacionada a vaporização
 Sólidos: relacionada a sublimação
 Polímeros: neste caso, o conceito de separação de uma cadeia de
suas vizinhanças é associado à solubilização do polímero

H
Densidade de
Energia Coesiva
DEC 
V

cal / cm 3 
Parâmetro de Solubilidade
 Para ocorrer a solubilidade:
G  H  TS
G  0
 Como a entropia sempre aumenta neste processo, a variação de entalpia
deve ser a menor possível para ocorrer a solubilização

H
  DEC
V
Parâmetro de Solubilidade

 Para que haja solubilização, a diferença (em módulo) entre o parâmetro de


solubilidade do polímero e do solvente |δ1-δ2| deve ser a menor possível

1 1
1   2  1,7 (cal/cm )
2 3 2
Parâmetro de Solubilidade
Generalizado
 O parâmetro de solubilidade (δ) é formado pelo somatório de
várias forças presentes na molécula:
 Forças de dispersão (δd)
 Forças de hidrogênio (δh)
 Interações dipolo-dipolo (δp)

   d2   h2   p2

Para que um líquido com coordenadas (δd,δh, eδp) possa


solubilizar o polímero da figura, é preciso que suas
coordenadas estejam dentro do círculo de volume de
solubilidade
Para uma Mistura de Solventes
 Numa mistura de solventes (tiner), o parâmetro de solubilidade é
proporcional à fração volumétrica () dos integrantes:

 dm  1 d ,1  2 d , 2  3 d ,3  ...  K


 m  ( dm ) 2  ( hm ) 2  ( pm ) 2  m           ...  K
h 1 h ,1 2 h, 2 3 h,3

 pm  1 p,1  2 p , 2  3 p,3  ...  K

O tiner pode ser formulado para que cada coordenada do solvente


coincida com o volume de solubilidade do polímero

 δd ≈ 7,3 – 8,3

 A esfera de solubilidade pode ser simplificada para um círculo


(bidimensional) numa representação de δp vs. δh
Círculo de Solubilidade
 Os solventes A, B e C não são solventes para o polímero

 A mistura AB pode gerar um tiner capaz de dissolver o polímero


 Ex.: mistura representada pelo ponto D

 A adição de C na mistura AB pode gerar um tiner com capacidade de solubilização,


desde que o ponto com sua composição caia dentro do círculo
Formulações Comerciais
 Formulações comerciais:
Pigmentos
 Partículas sólidas, finamente divididas, insolúveis no veículo fixo
 Cor, proteção anticorrosiva, opacidade, impermeabilidade, etc.

 Pigmentos anticorrosivos: conferem proteção anticorrosiva por


mecanismos eletroquímicos. Ex.: zarcão (Pb3O4), Zn, cromato, fosfato ou
molibdato de zinco.

 Opacificantes coloridos: conferem cor e opacidade. Diferem-se dos


corantes, que são solúveis no veículo e, por isso, conferem cor sem
opacidade.

 Cargas ou extensores: quartzo (SiO2) ou Al2O3. Melhoram as


características mecânicas da película e reduzem o custo.

 Funcionais
 Óxido cuproso (Cu2O): anti-incrustante
 Pigmentos fosforecentes, fluorescentes, pérolados
Pigmentos
Inorgânicos

Orgânicos
Naturais Sintéticos

 Maior resistência à radiação UV  Maior resistência química

 Brancos: TiO2, PbCO3, ZnO

 Laranja: Fe2O3

 Amarelo: ZnCrO4

 Azul: Fe4[Fe(CN)6]3
 Ferrocianeto de Ferro II, Azul da Prússia

 Verde: Cr2O3
Aditivos
 Empregados em pequenas concentrações para conferir à tinta ou à película
determinadas características
Fabricação de Tintas
 Etapa física
 Mistura, dispersão, completagem, filtração e envase
 Pesagem de acordo com a formulação
 Pré-mistura: formação de pastas do veículo + pigmento (dispersão)
 Moagem da pré-mistura
 Completagem : adição do solvente até a proporção desejada e demais
ajustes na composição
 Acertos finais: acerto de cor, acréscimo de aditivos, etc.

 Conversões químicas
 produção dos componentes (matéria-prima) das tintas e secagem após aplicação
Métodos de Pintura
 Remoção de impurezas para o preparo da superfície:
Métodos de Pintura
Formação da Película
 Evaporação de solvente

 Oxidação: evaporação do solvente e reação da resina (através das duplas


ligações) com o oxigênio do ar

 Ativação térmica: a polimerização ocorre após a aplicação no substrato,


com auxílio de aquecimento

 Polimerização a temperatura ambiente / condensação: a polimerização


ocorre após a aplicação no substrato, a temperatura ambiente

 Hidrólise: reação da resina com a umidade do ar

 Fusão térmica: tintas em pó


 As tintas em pó são carregadas negativamente e atraídas para a peça metálica.
Após o recobrimento a peça é aquecida e o pó se funde, formando a película.
Controle de Qualidade
 Análise de cobertura e cor

 Análise de distinção de imagem

 Aderência entre camadas

 Imersão em água

 Resistência à corrosão por névoa salina e/ou ciclo ambiental

 Resistência à batida de pedras


Aderência entre Camadas
Aderência entre Camadas
Classificação de Aderência
Resistência a Corrosão
NaCl: água do mar, água salobra, fluidos corpóreos

Cl- : age como catalisador de corrosão por pites


mecanismo de aeração diferencial – relacionada com quantidade de O2

Testes de corrosão acelerada: NaCl 3,5%


Névoa Salina (salt spray)
Envelhecimento
 Whetherometer  UV