Você está na página 1de 2

DO CAMPO PARA A CIDADE: REPRESENTAÇÕES SOCIAS NA TRANSIÇÃO

ESCOLAR E SUBJETIVIDADE

Keyla Sorene da Silva Rodrigues, Maria Núbia Barbosa Bonfim, Gabriella Alves
Ferreira, Luysienne Silva de Oliveira
Mestranda em Educação – PPGE/UFMA, e-mail – keylasorene2@gmail.com

Introdução: Este estudo se propõe a focalizar as representações sociais elaboradas


e compartilhadas em específico momento de transição escolar, quando alunos
residentes em áreas rurais maranhenses passam a frequentar instituições escolares
urbanas para continuar estudando, haja vista suas comunidades de origem
contarem apenas com ensino fundamental menor. Para tanto, se deslocam
diariamente, por vezes sem conforto e segurança. Partindo-se da premissa de que a
educação exerce importante papel na formação da subjetividade humana, e que o
sujeito se estrutura na medida em que vivencia diferentes interações, tal contexto
propicia um campo fértil para a análise proposta. Objetivo: Com o objetivo de
investigar a gênese e a organização das representações sociais formadas e
compartilhadas na relação pedagógica pelos sujeitos envolvidos, a saber,
professores de escolas urbanas e seus alunos residentes no campo, buscam-se
também identificar fatores que influenciem nos processos de formação e
manutenção de tais representações, bem como alcançar prováveis influências delas
no processo educativo. Metodologia: A pesquisa apoia-se na Teoria das
Representações Sociais de Moscovici, considerada um conjunto de conceitos,
proposições e explicações compartilhadas na interação social, centradas no
cotidiano, espaço privilegiado no qual o senso comum, matéria prima das
representações, transita, nas conversações, nas condutas sociais, aí incluídas as
que se dão no contexto do dia a dia das instituições educativas em que convivem os
atores em análise. Optou-se pela abordagem quanti-qualitativa do problema, com o
intuito de superar mera quantificação e descrição dos aspectos inerentes ao
fenômeno, explorando-os e interpretando-os a partir dos significados atribuídos a
eles pelos sujeitos que os vivenciaram na relação pedagógica. Para a coleta de
dados optou-se por questionários de perfil aplicados aos sujeitos da relação
pedagógica analisada, analisados com o software IBM SPSS, bem como entrevistas
semiestruturadas, revelando o viés qualitativo do estudo, tendo-se como principal
meio de análise dos dados textuais gerados neste processo, a Técnica de análise de
conteúdo proposta por Bardin, valendo-se também do suporte do software Iramuteq,
que analisa e categoriza textos das transcrições das entrevistas. Resultados
parciais: Sendo um estudo ainda em desenvolvimento, apresenta resultados
parciais, antevendo que existem diferenças significativas nas representações sociais
dos professores sobre os alunos oriundos do campo daquelas elaboradas pelos
mesmos acerca de alunos urbanos, o que impacta a relação pedagógica, e,
consequentemente, o processo educativo. Concomitantemente, o aluno que migra
do contexto escolar rural para um contexto urbano, trazendo consigo todas as suas
peculiaridades, valores, conceitos, tem sua própria subjetividade influenciada por
este novo contexto escolar, tanto positiva quanto negativamente. Considerações
finais: Percebe-se, já nas primeiras etapas da pesquisa, que o momento de
transição da escola rural para a escola urbana é muito delicado para o aluno, que se
depara com a nova e complexa rotina. E, como sujeitos sociopolíticos que são,
trazem consigo a própria carga de valores, a subjetividade até aí construída e
burilada no contexto campesino para os quais seus professores na escola urbana
não demonstram familiaridade.
Palavras-chave: Representações Sociais. Relação Pedagógica. Contraste
Urbano/Rural.