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QUESTÕES PROVA FILOSOFIA – K ANT

1) Explique o que é liberdade para Kant.

Kant desconsidera o senso comum de liberdade em que os indivíduos possuem a


prerrogativa de fazerem tudo o que a lei não o proíbe, pois afirma que não há
liberdade quando uma ação é conduzida por apetites e desejos. Isso porque o agir d
e m odo irracional implica em um retorno ao estado natural animalesco desprovido
de racionalidade e, portanto, de liberdade. Agir racionalmente implica em pensar no
próximo, de forma que se a ação for concretizada mediante interesse pessoal, esta já
não será mais considerada racional. Assim, uma ação só pode ser considerada racional
quando for proveniente da autonomia do indivíduo que opta por determinar o seu
próprio agir. Ou seja, Kant compreende que, caso o motivo da ação seja determinado
pela religião ou pelos sentimentos do sujeito, por exemplo, não se estará mais diante
de uma situação de autonomia, mas d e heteronomia. Em outras palavras, agir livremente
é agir de forma autônoma.

2) Explique no que consiste agir moralmente para Kant.


Na esteira kantiana, agir moralmente significa agir de acordo com um a ação moral
cujo objetivo seja pautado no motivo e não na consequência da mesma. A correta
intenção é compreendida como u m dever d o indivíduo e que, por obedecer a
moralidade, pode ser considerada como uma máxima a ser universalizada.

3) Opine sobre utilitarismo e os direitos individuais. Justifique.


O utilitarismo não consegue respeitar os direitos individuais, porque o valor da soma das
satisfações da coletividade é muito superior ao s int eresses do indivíduo por si só.
Assim, para o utilitarista os indivíduos têm importância, mas apenas enquanto as
preferencias de cada um fo rem consideradas em conjunto com as de todos os dema
is. E isso significa que a lógica utilitarista, se aplicada de f orma consistente, poderia
sancionar a violação do que consideramos normas fundamentais da decência e do
respeito no trato humano, c omo na Roma Antiga ao jogar os cristãos aos leões para
proporcionar prazer ao povo e também no caso dos terroristas serem torturados p ara
adquirir inf ormações que podem salvar m ilhares de pessoas.

4) Diferencie ética, direito e moral.


De maneira superficial, p ode-se afirmar que a é tica corresponde ao conjunto de
hábitos “universais” enq uanto que a moral é compreendida como particular ao
indivíduo. Assim, entende-se que o estudo da ética se d estina a investigar os
problemas da moral no campo da reflexão e o d a moral, por sua vez, aos seu s
impasses no mundo prático.

A moral, portanto, corresponde ao agir humano individual que pode ser influenciado
tanto pela ética quanto pelo direito. Assim , a ética se pauta num dever determinado
por um fator interno decorrente de uma liberdade de açã o e da própria racionalidade
do sujeito. Já o direito é exercido como resposta ao medo d a punição da lei, ou
seja, dentre todas as possibilidades conferidas pelo arbítrio ao indivíduo, este opta por
agir de acordo com um fator externo.
5) Comente sobre a dignidade e a pena de morte em Kant.

A dignidade da pessoa humana é considerada po r Kant o valor mais inerente ao ser


humano justamente por esse fato. A possibilidade de agir de acordo com a razão e
de maneira autônoma é a justificativa utili zada para def inir o ser humano como ser
pensante e merecedor de sse status. Assim, de maneira quase que absoluta, diz-se que
as pessoas não podem ser u tilizadas como meio , mas como f im em si m esmas. No
entanto, Kant admite uma exceção à d ignidade ao assumir uma postura de extremo
rigor quanto à pena de mo rte , visto que o criminoso perde sua dignidade como
cidadão a partir de sua ação contrária à lei , principalmente se cometer o crime de
homicídio . Pode -se afirmar, então, que o aquele que tira a vida de ou trem perde
seu valor como ser humano e por isso Kant d efende a a plicação da pena de morte
nesses casos. No entanto, caso este não seja co ndenado à morte, o filósofo admite
que o prisioneiro seja utilizado como meio através de trabalhos forçados, por exemplo.
Assim, o criminoso perde sua liberdade exterior, honestidade, integridade e dignidade.

6) Diferencie direito das gentes e direito cosmopolita.

Direito das gentes: trata da relação de um Estado com outro Estado e também da
relação entre indivíduos de um Estado com os do outro. Kant e stabelece a necessidade
que as pe ssoas e os Estados têm de sair do esta do de natureza, de modo que tanto
um como o outro devem se submeter a leis coercitivas. A ideia central é a de que
o Estado não conseguirá dar caráter verdadeiramente peremptório ao d ireito enquanto
não f or instituído um estado de paz e segurança jurídica entre os diferentes Estados.
Ninguém pode d izer-se plenamente seguro em relação a seus direitos enquanto h
ouver amea ça da guerra e da invasão por um inimigo externo. Isso, contudo, n ão
leva Kant a sugerir a criação de um Estado mundial, em analogia com o Estado nacional.

Direito cosmopolita: “direito dos cidadãos do mundo, que considera cada indivíduo n
ão membro de seu Estado, m as membro, ao lado de cada Estado, de uma sociedade
cosmopolita”. Assim, não se trata de um direito que d iz respeito às relações dos E
stados entre si (isso é o bjeto do Direito das Gentes), mas concerne às relações entre
estados e indivíduos de outros países. Tal Direito reduz -se basicamente a um direito
universal de visita que impõ e a cada Estado o dever de admitir e m seu território
estran geiros que possuam intenções pacíficas. Isso não significa que esse s indivíduos
possuam o direito d e se estabelecer no território do Estado em questão o u de
empreender relações come rciais com os ha bitantes locais. Em outras p alavras, o direito
cosmopolita parte do p rincípio de que todos têm o mesmo direito sobre o solo, o qual,
originariamente, decorre do direito de liberdade.

7) Caracterize a ideia geral dos artigos preliminares da Paz Perpétua.


Os artigos preliminares evidenciam condições negativas ao Estado para que sejam
adotadas com o intuito de evitar conflitos futuros, mas não promovem a paz
diretamente. Kant faz uma crítica ao direito à guerra, admitindo nesse estado de
natureza entre os Estados e baseado na distinção entre guerra justa e guerra injusta.
Primeiro: não deve considerar -se como válido nenhum tratado de paz que se tenha
feito com a reserva secreta de elementos para uma guerra futura.
Segundo: nenhum Estado independente (grande ou pequeno) poderá ser adquirido
por outro mediante herança, troca, compra ou doação.
Terceiro: os exércitos permanentes devem, com o tempo, desaparecer totalmente.
Quarto: não se devem emitir dívidas públicas em relação aos assuntos de política
exterior.
Quinto: nenhum Estado deve se intrometer pe la força na constituição e no governo
de outro Estado.
Sexto: nenhum Estado em guer ra com outro deve permitir hostilidades que tornem
impossível a confiança mútua na paz futura.

8) Caracterize, de forma geral, os artigos definitivos da Paz Perpétua.


Os artigos def initivos reúnem as condições nece ssárias para o estabelecimento de
uma paz duradoura.
Primeiro: a constituição civil em cada Estado deve ser republicana.
Segundo: o direito das gentes deve se basear numa federação de Estados livres.
Terceiro: o direito cosmopolita deve se limita r às condições da hospitalidade
universal.
Artigo secreto: “as m áximas dos filósofos sobre as condiçõe s de possibilidade da paz
pública de vem ser tomadas em consideração pelos Estados p reparados para a guerra”.
Kant defende que os Estado se interessem pe las máximas dos filósofos, valorizando a
razão, no intuito de estabelecer a paz perpétu a.

9) Comente sobre a influência da obra Paz Perpétua na Carta da ONU.

Relação Kant e Carta da ONU: Ambos buscam a paz duradoura e mundial (a Carta a
presenta propostas para que as nações saiam do estado de natureza).
Carta traduz a ideia de f ederação p acífica, que, para Kant, corresponde a uma
associação que visa preservar e asse gurar a liberdade de cada Estado em si mesmo,
juntamente com a de outros Estados confederados.
Carta menciona expressam ente a preservação da liberdade e da autonomia dos
Estados; Kant e ntendia que a igualdade entre E stados é esse ncial para uma federação
justa.
Carta prevê necessidade de e mpregar mecanismo internacional para promover o
progresso econômico e social de todos os povos, já que Kant afirma que motivos
egoístas movidos pelo comércio e pela acumulação de riqueza acabam a balando a paz.
Carta condena o colonialismo. Kant d efende o direito cosmopolita em que há
hospitalidade ao estrangeiro, mas não há abusos.
Carta estabelece o princípio do não-intervencionismo por meio do reconhecimento
da auto determinação dos povos e d a igualdade das nações. Kant admite exceção
quando um E stado for dilacerado por uma guerra civil e restar apenas anarquia
(ausência de Estado).
Carta – Conselho de Segurança da ONU: direito a uma aliança de vários Estad os para a
sua defesa comum contra quaisquer agressões externas ou internas, mas sem objetivar
o ataque a outros Estados e a anexação de território.
Carta prevê que os tratados devem ser registrados e publicados pe lo Secretariado
– primeiro artigo preliminar da Paz Perpétua.