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INSTRUMENTOS DE MEDIDA ELÉTRICA 

Edson Corrêa da Silva e Flavio César Guimarães Gandra 

1. OBJETIVO 
Neste capítulo mostraremos ao aluno os princípios básicos de funcionamento e construção de instrumentos 
analógicos de medida elétrica bem como a utilização de alguns instrumentos, inclusive digitais. 

2. INTRODUÇÃO TEÓRICA 

2.1. GALVANÔMETRO 
O galvanômetro é um instrumento muito sensível cuja característica principal é ter um ponteiro que 
sofre uma deflexão quando por ele passa uma corrente elétrica (Figura 1). 

Figura 1: Estrutura básica de um galvanômetro. 

Quando  uma  corrente  elétrica  atravessa  a  bobina  esta  interage  com  o  campo  magnético  do  imã  e  esta 
interação depende do valor e sentido da corrente. Observamos, então, o aparecimento de um torque sobre 
a  bobina  que  provoca  uma  deflexão  no  ponteiro.  Esta  deflexão  é  proporcional  à  corrente  elétrica  e    é 
contrabalançada por uma mola até que o ponteiro atinja uma posição de equilíbrio. 
corrente ® campo ® torque ® deflexão 
Todo  galvanômetro  apresenta  características  intrínsecas  importantes,  as  quais  determinam  os 
limites  de  sua  utilização.  A  primeira  delas  é  a  sua  resistência  interna  r  que  vem  da  maior  ou  menor 
dificuldade  apresentada  à  passagem  de  corrente.  A  segunda  é  a  corrente  máxima  ig  suportada  pelo 
galvanômetro. Toda vez que uma corrente elétrica percorre um fio (bobina) este se aquece por efeito Joule. 
Há então um limite para o valor da corrente que pode passar pelo galvanômetro sem danificá­lo, isto é, sem 
que  o  fio  da  bobina  possa  ser  danificado  por  alta  temperatura.  Além  disso,  a  bobina  vai  mover­se  e  a 
estrutura  mecânica  que  a  suporta  é  muito  delicada,  impondo  torques  pequenos.  Os  galvanômetros 
utilizados  no  laboratório  suportam  correntes  máximas  da  ordem  de  22,5 mA  (0,9 μA/div),  têm  resistência 
interna Ri=150 W, e sua precisão é de 1% do f.e. (fundo de escala). Pode ser colocada ainda uma proteção 
que eleva seu f.e. para aproximadamente 2mA mas mantendo a mesma Ri (veja item 5.3.1). 

2.2. AMPERÍMETRO 
Amperímetros  são  instrumentos  construídos  com  a  finalidade  de  medir  correntes  elétricas.  Como 
vimos  na  seção  anterior,  galvanômetros  são  dispositivos  úteis  para  construirmos  aparelhos  de  medida  de 
corrente.  Na  construção  de  um  amperímetro  usando  um  galvanômetro  temos  a  limitação  da  corrente 
máxima  ig.  Se  quisermos  construir  um  amperímetro  para  medir  correntes  maiores  que  a  máxima  do 
galvanômetro disponível devemos associar em paralelo à ele um resistor de valor Rs  (resistor shunt) a ser 
determinado. 
Na Figura 2, if  representa a corrente máxima que poderá ser lida no amperímetro e é chamada de 
corrente  de  fundo  de  escala  pois  à  sua  passagem  o  ponteiro  deve  apresentar  a  maior  deflexão.  O  que 
deve ser feito na construção de um amperímetro é: 
1. selecionar um galvanômetro adequado (com r e ig  conhecidos); 
2. Associar ao ponteiro uma escala e graduá­la em unidades de  corrente elétrica usando para tal correntes 
padrão (correntes de  valores conhecidos por outros processos); 
3.  Escolher  os  valores  adequados  das  resistências  "paralelo"  para  conseguir  as  correntes  de  fundo  de 
escala desejadas.


i g 
A i f  G  r 



Rs 
Figura 2: Esquema de um amperímetro. 

Para cumprir o requisito do ítem 3 precisamos encontrar uma expressão que forneça Rs  como função de i f, 


ig  e  r.  O  valor  adequado  de  Rs  deve  ser  encontrado  de  forma  que  quando  passar  uma  corrente  if  pelo 
amperímetro (Figura 2) deve passar ig  pelo galvanômetro. Então, da Figura 2: 

i f  = i g  + i s


(1) 
e  Vg  = Vs 

Aplicando a Lei de Ohm: 
r i  (
. g  = R s  i f  - i g  ) 
e  substituindo  (1) então: 

r. i g 
R s  = (2) 
i f  - i g
Se  quisermos  construir  um  amperímetro  para  vários  fundos  de  escala,  com  o  mesmo  galvanômetro, 
utilizamos uma série de Rs  adequadas e uma chave seletora (Figura 3). O arranjo das resistências pode ser 
diferente dependendo do projeto do amperímetro. Usaremos alguns amperímetros que possuem diferentes 
terminais para diferentes fundos de escala ao invés de chaves seletoras. 

G  r 

A  Rs1  B 

Rs2  K 

Rsn 
Figura 3: Amperímetro com vários fundos de escala. 
K é a chave seletora e A, B são terminais de ligação. 

Uma alternativa para dois fundos de escala, nesse caso, seria utilizar dois terminais negativos A e B e um 
terminal positivo, ou vice­versa, e dois resistores R1  e R2  conforme o esquema  (Figura 4). 

G  r 

R1  R2 
­  ­
+  A  B 
Figura 4: Um esquema de amperímetro. 


A tensão nos dois ramos do circuito é, em cada caso, a mesma. Assim teríamos para o terminal A: (r + R2)ig 
=  R1.i 1, para uma corrente de fundo de escala  if1  = i1+ig; e para o terminal B: r.ig  = (R1  + R2).i 2, para uma 
corrente de fundo de escala  i f2  = i2+ig. Conhecido o galvanômetro (r, ig) e as correntes de fundo de escala i f1 
e if2  desejadas é possível calcular R1  e R2  a partir das duas equações. O amperímetro possui, então, uma 
resistência  interna resultante.  Há  uma   polaridade  em  seus  terminais  pois  é  relevante  o  sentido  em  que  a 
corrente  elétrica  vai  atravessá­lo.  Note  que  a  resistência  equivalente  do  amperímetro  é  menor  que    a 
resistência  interna  do  galvanômetro  r.  O  amperímetro  deve  então  ser  ligado  em  série  com  o  ramo  do 
circuito em que queremos conhecer a corrente. 

2.3. VOLTÍMETRO 
Voltímetros  são  instrumentos  construídos  com  a  finalidade  de  medir  tensões  elétricas.  Também 
podemos  construir  voltímetros  a  partir  de  galvanômetros.  Sempre  que  uma  corrente  i  percorre  um 
galvanômetro  as  extremidades  deste  ficam  sujeitas  a  uma  tensão  dada  por  r  x  i.  Igualmente  ao  caso  do 
amperímetro, há uma tensão máxima suportável pelo galvanômetro que é dada por 

Vg  = r.ig  (3) 

Se desejamos construir um voltímetro para medir tensões maiores  do que Vg  do galvanômetro disponível, 


devemos    associar  a  ele  um  resistor  em  série  R m  (resistor  multiplicador).  Para  escolher  o  valor  de  R m 
adequado à obtenção de uma tensão de fundo de escala Vf  consideremos que, neste caso, a corrente que 
passa pelo galvanômetro (e que passa também por Rm ) é ig. Do circuito dado pela Figura 5 vemos que 

Vf  = Vg  + Vm 

e  como  Vg  = r.ig  e   Vm  = Rm.ig, temos: 

V f  - r.i g  (4) 


R m  =
i g 
Vf 
A  B 
G  r  Rm 

Vg  Vm 
Figura 5: Esquema de um voltímetro. 

Se quisermos  construir um  único voltímetro para vários  fundos de escala calculamos pela eq. (4) todas as 


Rm  adequadas, as quais podem ser  selecionadas por uma chave externa K (Figura 6). Na calibração das 
escalas (acopladas ao ponteiro) de um voltímetro também podemos usar correntes padrão.  Os valores que 
são  marcados  na  escala  não  são,  todavia,  os  valores  das  correntes,  mas  sim,  o  seu  produto  com  a 
resistência elétrica total do voltímetro R, com R = Rm  + r, para cada fundo de escala. Deve­se observar que 
um  voltímetro  (na  medida  de  tensão  contínua)  também  apresenta  uma  polaridade  e  uma  resistência 
interna.O  voltímetro  deve  ser  ligado  em  paralelo  ao  ramo  do  circuito  em  que  deseja­se  conhecer  a 
tensão. 
R1 


A  B 
G  r  R2 

Rn

Figura 6: Voltímetro com fundo de escala variável. 

2.4. OHMÍMETRO 
O  ohmímetro  é  o  instrumento  que  serve  para  a  medida  de  resistências  elétricas.  Ele  também  pode  ser 
construído a partir de um galvanômetro, somente deve­se, neste caso, utilizar uma fonte de tensão interna 

(bateria)  de  força­eletromotriz  adequada.  As  resistências,  que  podem  ser  selecionadas  pela  chave  K 
(Figura 7), servem para trocar os fundos de escala. 


G r 
­  + 
R1 
Rn  K 

Rx 
Figura 7: Esquema de um ohmímetro. 

Quando  uma  resistência  de  valor  desconhecido  Rx  é  colocada  nos  terminais  do  ohmímetro,  uma  corrente 
que lhe é proporcional percorre o instrumento. Na calibração da escala do ponteiro, ao invés de fazê­lo em 
termos  de  correntes,  o  fazemos  em  termos  de  unidades  de  resistência  elétrica  pois  a  f.e.m.  da  fonte  é 
constante. Assim 

R x a
i x 
ATENÇÃO: os ohmímetros devem sempre medir as resistências desligadas do circuito. 

2.5. MULTÍMETROS 
São instrumentos que servem para medir tensões, correntes e resistências elétricas através de uma 
chave  seletora.  Tais  instrumentos  são  construídos  com  apenas  um  galvanômetro.  A  chave  seleciona 
diferentes  resistores  ligados  em  série  ou  em  paralelo  com  o  galvanômetro  segundo  as  conveniências.  A 
chave tem ainda a função de acionar a pilha, ou bateria, no caso de medidas de resistências. 

2.6. OUTROS INSTRUMENTOS 
Além  dos  descritos  anteriormente  há  outros  instrumentos  de  medida  elétrica  que  não  utilizaremos 
neste curso. Entre eles temos o watímetro e o osciloscópio. Estes são instrumentos que permitem medidas 
de  tensões  alternadas,  freqüências  e  certos  tipos  de  sinais  elétricos.  O  princípio  de  funcionamento  dos 
osciloscópios é diferente daquele que mostramos nos itens anteriores onde a unidade básica na construção 
dos instrumentos é um galvanômetro. 
Utilizaremos também no curso multímetros digitais. A leitura dos resultados, nesse caso, não é feita 
analogicamente através da deflexão de um ponteiro acoplado a uma bobina. A leitura é feita em um display 
após comparação feita eletronicamente pelo circuito do aparelho. 

3. CUIDADOS BÁSICOS 
Alguns  cuidados  são  essenciais  na  utilização  de  instrumento  de  medida  elétrica,  em  especial 
aqueles que usam galvanômetros: 
1.  Nas  medidas  de  tensões  e  correntes  contínuas  é  preciso  cuidar  para  não  ligar  os  instrumentos 
com polaridade invertida. Isso fatalmente irá danificar o instrumento; 
2. Antes de utilizar um instrumento sempre é necessário conhecer a ordem de grandeza da tensão 
ou  da  corrente  que  se  vai  medir.  É  conveniente  sempre  iniciar  uma  medida  utilizando  o  maior  fundo  de 
escala disponível; 
3.  Ao  ligar  fontes  de  tensão  contínua  em  circuitos  elétricos  contendo  dispositivos  tais  como 
capacitores, voltímetros e amperímetros tomar cuidado com as polaridades desses elementos. 
4.  SEMPRE:  voltímetros  em  paralelo  e  amperímetros  em  série.  Note  que  se  ligarmos  um 
amperímetro  em  paralelo  com  uma  fonte,  estaremos  provocando  um  curto  circuito  com  riscos  de 
dano ao amperímetro e à fonte. 

4. PROJETOS DE MULTÍMETROS 
Antes  de  realizar  um  experimento  você  vai  fazer  algumas  contas  ilustrativas  de  projetos  de 
medidores elétricos e responder a algumas questões sobre os instrumentos e os processos de medida. 

4.0. PROJETOS 
1. Dado um galvanômetro com corrente máxima 15 mA e resistência interna 20 W: 
a) construa um amperímetro para medir fundos de escala de 50, 100 e 200 mA. Use a equação (2). 
Faça um diagrama do instrumento. 

10 
b) construa um voltímetro para medir fundos de escala de 1,5 V e 10 V. Use a equação (4). Faça um 
diagrama do aparelho. 
2.  Dado  um  galvanômetro  de  resistência  interna  4 W e  corrente  máxima  2  mA,  construa  um 
multímetro  para  medir  correntes  até  10  mA  e  tensões  até  500  mV.  Use  as  equações  (2)  e  (4).  Faça  um 
diagrama do dispositivo. 

4.1. QUESTÕES 
1.  Por  que  na  construção  de  amperímetros  usa­se  associar  resistores  em  paralelo  ao 
galvanômetro? E por que na construção de voltímetros a associação é em série ? 
2.  Por  que  os  instrumentos  de  medida  elétrica  que  são  construídos  a  partir  de  galvanômetros 
apresentam  polaridade em seus terminais ? 
3.  Por  que  ao  construir  um  ohmímetro  usamos  uma  bateria  interna  enquanto  não  a  necessitamos 
para voltímetros e amperímetros ? 
4.  Por  que  um  amperímetro  deve  ser  ligado  em  série  e  um  voltímetro  em  paralelo  ao  ramo  do 
circuito que se quer medir ? 
5.  Em  termos  de  suas  resistências  internas  indique  quando  amperímetros  e  voltímetros  são  mais 
precisos. 

4.2. UTILIZAÇÃO DE INSTRUMENTOS 
Você vai dispor de dois resistores R1  e R2  de valores desconhecidos  com os quais você vai realizar 
algumas medidas simples. Para cada um deles proceda da maneira indicada abaixo: 
1. Coloque a fonte de tensão em um valor não maior do que 6 V utilizando um voltímetro analógico 
para  isso.    Mantenha  esse  valor  fixo.  Cuidado  para  não  alterar  mais  essa  tensão.  Cuidado  com  a 
polaridade! Procure utilizar vermelho no + e preto no ­ . 
2.  Aplique  essa  tensão  ao  resistor  R,  para  duas  resistências  diferentes.  Meça  a  tensão  V  com  o 
voltímetro. Desligue o voltímetro sem alterar mais nada. Ligue o amperímetro adequadamente para medir a 
corrente i que percorre o resistor. Com os valores V e i para o resistor R, calcule o valor da sua resistência 
elétrica  usando  a  definição  de  resistência  R  =  V/i.  Encontre  o  desvio DR  da  medida  com  propagação  de 
erros e utilizando os desvios avaliados das escalas dos instrumentos, 
2  2 
V  æ D V ö æ Di ö
D R = ç ÷ +ç ÷
i  è V  ø è i  ø

3. Meça R ± DR também com o ohmímetro. 
4. Indique R ± DR a partir dos dados fornecidos pelo fabricante (código de cores, Seção 5.4.1). 
5. Encontre as precisões DR/R (x 100%) de cada um dos 3 resultados para cada resistor. Calcule o 
R seu  - R 
quanto sua medida se afasta daquelas dadas pelo ohmímetro e pelo fabricante:  x100 % . Discuta 

esses resultados, compare as precisões, procure justificativas para as diferenças. 

5. DESCRIÇÃO DOS PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS EM USO NOS LABORATÓRIOS DE F329 

5.1. TERMOS GERAIS 
CC = corrente contínua 
fe = fundo de escala, isto é, o valor de corrente ou tensão lido no mostrador quando o ponteiro está 
defletido o máximo permitido. 
Classe de precisão ou precisão = porcentagem do fe. 
Exemplo:  1% fe  significa  um  erro  de  medida  correspondente  a  1%  do  fe  da  escala  utilizada.  Se  medimos 
10V na escala de 30V, o erro é 1% de 30= 0,3V; logo a medida é representada por   V= 10,0 ± 0,3 Volts (i.e. 
o erro relativo é 3% (=0,3/10)) . 

5.2. PROCEDIMENTOS 
­  Nas  medidas  de  tensão  e  corrente,  comece  sempre  pela  escala  menos  sensível,  isto  é,  selecione  a 
escala  com  maior  fe  para  realizar  uma  medida  inicial  para,  só  então,  reduzi­la  ao  valor    adequado. 
Sempre que possível, use uma escala em que a leitura se efetue com o ponteiro acima de 50% da escala 
para minimizar o erro. 
­ Observe sempre a polaridade do instrumento, ligando o terminal que vem do positivo da fonte ao borne 
marcado com +. Habitue­se a ligar fios vermelhos no positivo e pretos no negativo. 
­  Amperímetros  (que  idealmente  têm  resistência  interna  muito  baixa)  são  sempre  ligados  em  série  ao 
circuito (ou seja, fazendo a ligação entre dois elementos do circuito) no qual se quer determinar a corrente. 
­ Voltímetros (que idealmente têm resistência interna infinita) são sempre ligados em paralelo à carga (ou 
circuito ou fonte) para saber a tensão existente entre os dois pontos de interesse. 
­ Para medir resistores com ohmímetro, retire o resistor do circuito. 
11 
­ Para mudar a escala do multímetro, antes desligue um de seus fios depois gire o seletor. 

5.3. INSTRUMENTOS DISPONÍVEIS 

5.3.1.  Galvanômetro (Yokogawa) 
Para  corrente  contínua  (CC)  com  zero  central,  indicando  a  polaridade  da  corrente.  Extremamente 
sensível, permite medidas até 22,5 μA com escala indo de ­25 a +25 e 0,9  μA/div. 
Características: 
Classe de precisão: 1% do fundo de escala (fe) 
Sensibilidade: 0,9 μA/div. = 22,5 μA fe 
Ri = 150 W (resistência interna) 
Dispositivo  de  proteção:  externo,  elevando  fe  p/  2mA  e  deixando  Ri  em  torno  de  150 W.  Este 
dispositivo consiste de resistência paralela de 1,5 W (fio resistivo) e um resistor de 150 W em série. 

5.3.2.   Miliamperímetro 
Somente para CC, exige polaridade correta e apresenta várias escalas: 
Yokogawa: 10, 30, 100, 300 e 1000 mA, com o comum no + . Cada um dos bornes indica a corrente 
de  fundo  de  escala  selecionada  em  múltiplos  de  10  ou  de  3.  O  mostrador  tem  2  escalas,  de  0  a 
1000 para fe selecionado múltiplo de 10 e outra de 0 a 300, para fe selecionado múltiplo de 3. 
Precisão: 1% fe 
Ri (valores aproximados): 4,4W para 10mA fe; 1,4W para 30mA fe; 0,4W para 100mA fe; 0,2W para 
300mA fe; 0,07W para 1000mA. 
Simpson: 1, 5, 10, 25, 50, 100, 250, 500, 1000 mA, com bornes indicando os polos + e ­. O fundo de 
escala  é  selecionado  através  da  chave  seletora.  O  mostrador  tem  3  escalas,  de  0  a  1000  para  fe 
selecionado  múltiplo  de  10;  de  0  a  250,  para  fe  selecionado  múltiplo  de  25;  e  de  0  a  500  para  fe 
múltiplo de 5. 
Precisão: 3% fe 
Ri: ? 

5.3.3.   Voltímetro 
Somente para CC e, da mesma forma que o miliamperímetro, exige polaridade correta. A leitura das 
escalas se faz da mesma forma que no miliamperímetro (da respectiva marca). 
Yokogawa: Apresenta 5 escalas, com fe para 0.3, 1, 3, 10 e 30 Volts, e comum no +. 
Precisão: 1% fe. 
Ri = 10 kW/V , isto é, para fe=1V, Ri=10kW, para fe=30V, Ri= 300 kW, etc. 
Simpson: Apresenta 10 escalas, com fe para 1, 2.5, 5, 10, 25, 50, 100, 250, 500 e 1000 Volts, com 
bornes + e ­. O fe é selecionado através da chave. 
Precisão: 3% fe 
Ri = 1kW/V, isto é, para fe=1V, Ri=1kW, para fe=250V, Ri=250 kW, etc. 

5.3.4.   Microamperímetro 
Somente para CC, exige polaridade correta com escalas de 30, 100, 300, 1000 e 3000 μA. Cuidado 
com a Ri das diferentes escalas. 
Yokogawa: Escalas de 30, 100, 300, 1000 e 3000 μA. 
Precisão: 1% fe 
Ri  (valores  aproximados):  4800W para  30  μA  fe;  6500W para  100  μA  fe;  2600W para  300  μA  fe; 
850W para 1000 μA fe; 300 W para 3000 μA fe. 
Simpson: Escalas de 50, 100, 250, 500 e 1000 μA. 
Precisão: 3% fe 
Ri  (valores aproximados): 2100W para 50μA fe;  1040W para 100μA fe; 665W para  250μA fe;  375W
para 500μA fe; 197W para 1000μA fe. 

5.3.5. Multímetro digital 
O multímetro digital pode realizar medidas de tensão, corrente e de resistência.  Para selecionar a 
medida desejada gire o botão seletor mas com pelo menos uma das pontas de prova desligada. O 
display possui três e 1/2 dígitos, isto é, tem no máximo 1,XXX  ou 1X,XX algarismos significativos. O 
erro  de  leitura  é  de  1%  da  leitura  mais  1  para  o  dígito  menos  significativo.  Ex:  se  a  leitura  é  V= 
10,00 Volts, o erro é  1% (de 10V)+ (valor do último digito) = 0,1 + 0,01 = 0,11 Volts 

5.4. RESISTORES 

5.4.1. Resistores fixos ­ código de cores 
Os  resistores  usados  em  eletrônica  são  codificados  com  4  cintas  de  cores  sendo  a  última  a  da 

precisão.  As  duas  primeiras AB  indicam  os  dois  dígitos  significativos,  a  terceira C  o  expoente  em  10  e  a 
quarta D a precisão.
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R = AB 10  , D=precisão, [em ohms] 

ouro = ­1 
preto = 0  verde = 5  Precisão : 
marrom = 1  azul = 6  branco = 1% 
vermelho = 2  violeta = 7  prata = 10% 
laranja = 3  cinza = 8  ouro = 5% 
amarelo = 4  branco = 9 

Observação: em itálico os valores usuais para o coeficiente C. 

Exemplos : 
C  C 
A  B  10  D  AB  10  D  R 

Ex  01:  marrom  preto  vermelho  ouro  à  10   x  10  = ± 5% =  1000 ± 50 W

Ex  02:  amarelo  violeta  laranja  prata  à  47   x  10  = ± 10% =  47000 ± 470 W

Ex  03:  vermelho  vermelho  ouro  prata  à  22   x  10­ 1  = ± 5% =  2,2 ± 0,22 W

que escritos rigorosamente em termos de algarismos significativos seriam: 
2
(100 ± 5)10 W, (470 ± 5)10  W e (2,2 ± 0,2) W.

Note que os valores comerciais existentes no mercado seguem aproximadamente uma progressão 
aritmética de razão 1,2 , que nos dá os valores para AB de: 10, 12 , 15, 18, 22, 27, 33, 39, 47, 56, 68 e 82. 
A  potência  que  o  resistor  pode  dissipar  como  energia  térmica  está  associada  ao  tamanho  e  ao 
material  usado  na  fabricação  do  mesmo.  Em  geral  utilizamos  resistores  de  1/2  ,  1  e  2  watts  [W]    no 
laboratório. 

5.4.2.  Reostato 
Reostatos  são  resistências  variáveis.    Podem  ser  de  dois  tipos:  de  resistência  variável 
continuamente e de resistência variável descontinuamente. 
O reostato de resistência variável continuamente baseia­se no fato de a resistência de um condutor 
ser diretamente proporcional ao seu comprimento. O reostato é um simples fio metálico AB tal que se pode 
colocar no circuito o fio todo, ou uma parte dele. Para realizarmos comodamente essa operação, o reostato 
possui  um  cursor  C  (Figura  8).    O  circuito  é ligado  a  uma  extremidade fixa  A  do  condutor  e  ao  cursor  C. 
Desse modo a corrente percorre sempre a parte AC do reostato.  A resistência dessa parte AC varia com o 
comprimento  AC.    Mudando­se  o  cursor  para  uma  posição  AC’  tal  que    seja  maior  que  AC,  coloca­se  no 
circuito  uma  resistência maior.   Mudando­se  o  cursor  para  AC”  tal  que    seja  menor  que  AC,  coloca­se  no 
circuito uma resistência menor.  Em particular, quando o cursor está em B, a resistência de todo o reostato 
está no circuito; quando ele está em A, o reostato está fora de circuito. Quando se usa um reostato, não se 
sabe  exatamente  qual  a  resistência  que  está  sendo  colocada  no  circuito.  Só  se  sabe  o  máximo  que  se 
pode colocar. 

Figura 8: Esquema de um reostato (resistência variável continuamente) 

5.4.3.  Resistência de década 
Também  é  uma  resistência  variável,  mas  de  variação  descontínua.  Além  disso,  este  aparelho 
possui  knobs  com  os  quais  se  varia  o  valor  da  resistência  de  forma  indexada,  de  modo  que  se  sabe 
exatamente qual a resistência que está sendo colocada no circuito.  Cada knob corresponde  a um  múltiplo 
de uma potência de 10 (por exemplo, 10 ­1 , 10 0 , 10 1 , 10 2 , 10 3 ), de onde vem o nome “resistência de década”.

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