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Publicação da Sandvik Coromant do Brasil ISS nº 1518-6091 RGBN 217-147

Do B2B ao C2G, entenda o


novo vocabulário corporativo

Programe sua
Agenda no 2º semestre:
Aprimoramento contínuo marca
eventos do setor metalmecânico

MAUSA investe pesado:


1ª empresa na América do Sul fabricante
de mandriladoras de grande porte
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Índice edição 88 08/2012

12 Produtividade

4  Soluções de Usinagem 18  Negócios da Indústria I

Invomilling 24  Educação e Tecnologia I 32  Conhecendo um Pouco Mais


Crédito: AB Sandvik Coromant
04  Soluções de Usinagem
Mausa: empreendedorismo à toda prova
12  Produtividade
Qualidade no chão de fábrica
18  Negócios da Indústria I
Business to ...
24  Educação e Tecnologia I
Mantenha-se atualizado
27  Negócios da Indústria II
Okuma investe em novas instalações
28  Educação e Tecnologia II
Usinagem na Academia
Acompanhe a Revista O Mundo da Usinagem 30  Negócios da Indústria III
digital em:www.omundodausinagem.com.br Mazak lança pedra fundamental em Vinhedo
32  Conhecendo um Pouco Mais
Reciclagem de pneus
Contato da Revista OMU 36  Nossa Parcela de Responsabilidade
Você pode enviar suas sugestões de Produção Mais Limpa (P + L)
reportagens, críticas, reclamações ou 38  Anunciantes / Distribuidores / Fale com Eles
dúvidas para o e-mail da revista EXPEDIENTE
O Mundo da Usinagem: O MUNDO DA USINAGEM é uma publicação da Sandvik Coromant do Brasil, com circulação de seis edições ao ano e distribuição
gratuita para 15.000 leitores qualificados. Av. das Nações Unidas, 21.732 - Sto. Amaro - CEP 04795-914 - São Paulo - SP
faleconosco@omundodausinagem.com.br ou Editor-chefe: Fernando Oliveira  Co-editora: Vera Natale  Coordenação editorial, redação, produção gráfica e revisão: Ação e
ligue para: 0800 777 7500 Contexto (Fernando Sacco, Gustavo R. Sanchez, João M. S. B. Meneses, Renato Neves, Thais Kuperman, Vivian Camargo)
Jornalista responsável: Fernando Sacco - MTB 49007/SP  Projeto gráfico: Renato Neves  Impressão: Ipsis Gráfica e Editora

agosto.2012/88 o mundo da usinagem 3


soluções de usinagem

Mausa:
empreendedorismo
à toda prova
Investimento em infraestrutura e parceria com a
Colgar possibilitam a produção de mandriladoras
de grande porte para a América do Sul
4 o mundo da usinagem agosto.2012/88
E
m 2007, em plena crise finan- usinagem mais ampla”, destaca Bru-
ceira mundial, a Mausa, fabri- no Vinícius Araújo Pinto, coordena-
cante de bens de capital volta- dor da área de programação CNC e
dos principalmente para a indústria usinagem da Mausa, reforçando que
sucroalcooleira, contradisse a lógica a empresa segue um plano forte de
do mercado e reforçou seus planos investimento anual e pretende, com
de investimento. os investimentos, aumentar a produ-
Quando a grande maioria das tividade em cerca de 30%.
empresas congelou novos aportes à Além disso, foram investidos
espera de mudanças no mercado, a mais R$ 30 milhões em equipamen-
empresa de Piracicaba deu início à tos e a chegada de novas máquinas
construção de uma nova fábrica no deve se estender até 2014. “Hoje o
distrito industrial Unileste, região número de máquinas em nosso par-
que concentra grande número de que fabril é menor, mas o potencial
empresas do ramo metalmecânico. e a qualidade são muito maiores”,
Inaugurada oficialmente em no- explica o coordenador da área de
vembro de 2010, a planta de R$ 90 mi- programação CNC e usinagem.
lhões abriu espaço para a moderniza- A renovação do parque fabril foi
ção de todo o ambiente de usinagem. acompanhada de perto por técnicos
Foram adquiridos equipamentos da Pérsico Ferramentas, distribui-
de última geração, entre eles centros dor autorizado Sandvik Coromant.
de torneamento, máquinas tridi- “Participamos de todas as fases de
mensionais, tornos verticais e retifi- tryouts e incorporamos ferramentas
cadoras. “Nesse período adquirimos de última geração com alto desem-
máquinas com alta capacidade de penho, entre as ferramentas conhe-
corte e acabamento, garantindo uma cidas e conceituadas já em uso no
Arquivo Mausa

Chão de fábrica: Investimentos de R$ 90 milhões na construção da unidade


e R$ 30 milhões em novos equipamentos

Vivian S. Camargo

agosto.2012/88 o mundo da usinagem 5


soluções de usinagem

Abrindo portas
O objetivo da empresa era am-
pliar a gama de produtos e serviços
oferecidos e foi pensando nisso que,
em 2008, a Mausa iniciou as tratati-
vas com a italiana Colgar, especia-
lizada na produção de mandrilado-
ras-fresadoras CNC de grande porte.
O acordo envolveu a transferên-
cia de tecnologia e transformou a
empresa brasileira na primeira for-

Vivian S. Camargo
necedora deste tipo de equipamen-
to na América do Sul. “Se alguém
quisesse adquirir este produto seria
Osório Arruda, preparador de máquina CNC da Mausa e Antonio Carlos, diretor obrigado a buscar fora do Brasil,
da Pérsico: participação em todas as fases de tryouts, incorporando ferramentas
de última geração sem os benefícios do FINAME (li-
nha de financiamento específico do
mercado. Destacamos os cabeçotes “Recebemos técnicos da Alema- BNDES), assistência técnica local,
de fresamento CoroMill 210, de nha, Itália, República Tcheca e en- engenharia, treinamento, além de
alto avanço; CoroMill 360, remo- viamos mecânicos de manutenção arcar com todos os custos de impor-
vendo até 18 mm num único passe; e operadores de máquina para trei- tação”, observa Björn.
CoroMill 200, no processo de freso- namento no exterior”, lembra Marco A primeira mandriladora veio
-torneamento e barras Silent Tools, Antônio Björn, gerente de produção em 2010, uma FRAL 400, para trei-
possibilitando a usinagem de gran- da Mausa, acrescentando que “o uso namento e uso próprio. O equipa-
des comprimentos com alta pro- adequado do ferramental também mento conta com a configuração
dutividade. Tudo aliado às classes foi foco de aprimoramento, condu- Floor Type, que utiliza guias hi-
das pastilhas de alta performance da zido pelos técnicos da da Pérsico drostáticas para todos os eixos, in-
Coromant”, explica Antonio Carlos, Ferramentas/Sandvik Coromant”. clusive o eixo-árvore. Já a mesa, com
diretor da Pérsico.
“Foi um aprendizado para ambas
as partes”, acrescenta Luis Norberto,
do departamento de Vendas e Novos
Negócios da Sandvik Coromant.
Entretanto, a aquisição de má-
quinas modernas e bem ferramen-
tadas não traria resultados caso não
Vivian S. Camargo

houvesse mão de obra qualificada


para explorar toda capacidade pro-
dutiva. Por conta disso, o chão de
fábrica se transformou em uma ver- Bruno Vinícius Araújo Pinto, coordenador da área de programação CNC da Mausa,
acompanha instalação de ferramentas de corte ao lado de Osmar Antônio Angelli,
dadeira Torre de Babel. preparador de máquinas CNC

6 o mundo da usinagem agosto.2012/88


Mandriladora Floor Type: foco
nos segmentos de energia,
transporte, mineração e
indústria naval
A primeira máquina fabricada
em Piracicaba foi o modelo FV 101
T Type, com uma configuração na
qual o curso do eixo X (longitu-
dinal de 3.500 mm) é executado
pela mesa.
Por não contar com o ram, a má-
quina tem o eixo Y (vertical de 3.000

Arquivo Mausa
mm) desempenhado pelo cabeçote e
o Z (axial de 2.500 mm), pela coluna.
A primeira máquina vendida –
uma FV 101 (T Type) – foi comprada
por uma empresa que produz equi-
pamentos pesados para mineração,
localizada no interior de São Paulo.
dimensões de 2.500 x 2.500 mm, tem doras tradicionais: o equipamento Com exceção do cabeçote automáti-
capacidade de carga de até 45 tone- possui curso X (transversal de 15.000 co e do eixo-árvore, todos os demais
ladas. “Com isso, é possível atender mm) e curso Y (vertical de 4.000mm) componentes estão sendo produzi-
a crescente demanda dos segmentos desempenhados pela coluna. O ei- dos na unidade de Piracicaba, que
de energia, transporte, mineração e xo-árvore realiza os cursos axiais Z serve também como showroom do
indústria naval”, destaca o gerente (RAM axial de 1.500mm) e W (eixo- novo equipamento.
de produção da Mausa. -árvore axial de 900mm), com diâme- A segunda máquina vendida
A capacidade técnica impressio- tro de 160 mm e potência de 60 kW, – uma FV 301 (Floor Type) – foi
na se comparada com as mandrila- utilizando cone ISO 50. comprada por uma empresa multi-

Arquivo Mausa
Mandriladora
FV 101 T Type,
primeira
máquina
fabricada em
Piracicaba:
expectativa é
vender cinco
máquinas
em 2012

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soluções de usinagem

A capacidade máximos até “X” 5.000 mm, “Y”

Vivian S. Camargo
3.000 mm, “Z” 3.500 mm e “W”
técnica impressiona
700 mm; magazine de ferramentas
se comparada com
com até 120 posições, dimensões
as mandriladoras máximas da mesa até 2.000 mm x
tradicionais 3.000 mm, capacidade de carga de
até 45 toneladas e controle através
de CNC.
nacional alemã, que produz equi- Já a Mandriladora Fresadora CNC
pamentos pesados para cimento e Tipo Floor Type Mausa, FC Colgar
mineração, localizada no interior de FV 301, possui diâmetro do mandril
Minas Gerais. de 150 ou 160 mm, cursos máximos
O contrato com a Colgar prevê
até “X” 30.000 mm, “Y” 5.000 mm,
abrangência para toda América do
“Z” 1.500 mm, “W” 900 mm e “V”
Sul, o que amplia ainda mais o mer-
3.500 mm; magazine de ferramentas
cado consumidor das mandrilado-
com até 160 posições, dimensões da
ras de grande porte.
Hoje, a Mausa comercializa as mesa até 4.000 x 4.500 mm; capacida-

Mandriladoras CNC nas seguin- de de carga de até 60 toneladas, con-


tes configurações: trolada por CNC.
Mandriladora Fresadora CNC Em ambas as máquinas
T Type Mausa, Forma Construtiva (Floor Type e T Type), a
Bruno Vinícius Araújo Pinto e Marco
Colgar FV 101 TiRT, diâmetro do mesa executa o eixo B em
Antônio Björn, da Mausa e Luiz
mandril de 130 ou 160 mm, cursos rotação contínua.
Norberto, da Sandvik Coromant,
examinam rotor de turbina hidráulica.
Acompanhados por Antonio Carlos,
da Pérsico, exibem hub para
parques eólicos

Expectativas de
mercado
De acordo com os diretores da
Mausa, Roberto Dedini e Eduardo
Vivian S. Camargo

Dedini, a empresa espera vender


em 2012 até cinco máquinas e para
2013 as metas são mais audaciosas,
podendo chegar a dez máquinas,

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soluções de usinagem

número que deve ser facilmen-


te alcançado quando se toma por
base os constantes investimentos
em infraestrutura.
Em termos de rentabilidade, a
expectativa é que a nova linha seja

Vivian S. Camargo
responsável por até 20% do fatura-
mento até 2014.
A parceria com a empresa ita- Luis Norberto e
liana também possibilitou aumen- Antonio Carlos realizam
tar a gama de serviços de usina- teste de ferramenta em hub
gem. Atualmente a Mausa explora
novos negócios em energia, for-
necendo rotores e mancais para a
indústria de energia e hubs para Coromant, gerenciando o ferramen- parte do processo de oferta e venda
parques eólicos. tal usado em toda a fábrica. Além das máquinas operatrizes (sistema
“Hoje, sem sombra de dúvida, disso, passou a trabalhar com o sis- TurnKey).
a Mausa está entre as três melhores tema modular Capto que, por sua
E é com a combinação de tecno-
empresas em termos de tecnologia de flexibilidade, possibilita o uso de
logia de ponta, mão de obra qualifi-
máquinas no Brasil, o que a coloca em uma determinada ferramenta em
cada e confiança nas parcerias que
posição de destaque”, reforça Luis todas as máquinas da produção.
a Mausa pretende ganhar novos
Norberto, da Sandvik Coromant. A Sandvik Coromant também co-
mercados e, ao mesmo tempo, tra-
E não se trata apenas da qualida- locou outros serviços à disposição da
zer avanço e competitividade para
de das máquinas, colaboradores e Mausa, como, por exemplo, o uso do
ferramentas: a logística é outro pon- departamento Machine Investments a indústria.
to fundamental. da Sandvik Coromant para for-
Em 2010 a Mausa iniciou a utiliza- mulação dos estudos e processos Fernando Sacco
ção do software AutoTas da Sandvik de usinagem que geralmente fazem Jornalista

Mausa: Seis décadas investindo no Brasil


Fundada em 1948, a Mausa S/A Equipamentos de vácuo, pórticos e pontes rolantes e, atualmente,
Industriais é hoje uma grande provedora de produtos mandriladoras-fresadoras.
para a indústria pesada. A empresa sexagenária em- A Mausa também iniciou a produção de peças de
prega cerca de 500 funcionários e fornece uma ex- grande porte para o setor de energia (usinas eólicas
tensa lista de produtos, principalmente para o setor e hidrelétricas) e tem planos de aumentar a linha de
sucroalcooleiro. máquinas-ferramentas produzidas na unidade. Com
Entre os equipamentos, destaque para as cen- isso, a empresa projeta crescimento de 30% no fa-
trífugas filtradoras e decantadoras, escamadores turamento este ano, já com base nos resultados do
resfriadores, filtros e secadores rotativos, bombas primeiro trimestre.

10 o mundo da usinagem agosto.2012/88


produtividade

QUALIDADE NO
Dois séculos de
produtividade

CHÃO DE FÁBRICA
A medida de produtividade sur-
giu para medir o custo do trabalho-
-hora, o pagamento do trabalhador
e a mão de obra inclusa no preço
Programas e ações que estão mudando o final do produto. Tratava-se de um
entendimento sobre produtividade complexo sistema, no final do sécu-
lo XIX e começo do século XX, nos

A
primeiros países industrializados,
ideia de que “trabalhar ras de nível médio e um Picasso como Alemanha, Inglaterra e Fran-
demais” é sinônimo jamais fariam um escore de 100 x 1. ça, para definir o valor dos salários
de produtividade não A produtividade não é um sim- e o interesse de se contratar ou não
é correta. Ela não está ligada só à ples conceito, é uma medida real mais colaboradores.
quantidade, que vem sendo aponta- que relaciona a quantidade e qua- Naquele momento, nos Estados
da pelos especialistas em produção lidade do que se produz ao inves- Unidos, imperava o modelo de ad-
industrial como um dos males que timento necessário para produzir. ministração sugerido pelo enge-
afetam a operosidade verdadeira. Mas para entendê-la por comple- nheiro Frederick Taylor (1856-1915),
A simples quantidade, de fato, to é importante analisá-la sob um autor da obra Princípios da Adminis-
não basta. Uma centena de pintu- prisma histórico. tração Científica (1911). Taylor reco-

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mendava o aumento da eficiência
operacional centrado no aperfeiço-
Mudanças de seu ápice nas décadas de 1960-1980,
buscaram garantir direitos e rega-
amento das tarefas, assim “racio- pensamento lias aos trabalhadores. Já a partir
nalizando o trabalho”. Entre seus dos anos 1990 as atenções se volta-
Para evitar as chamadas “doen-
seguidores, Henry Ford (1863-1947) ram para os próprios colaboradores
ças do trabalho” e o consequente
foi quem transformou as teorias do e para os males da competitividade
prejuízo para as empresas causado
taylorismo em medidas práticas, pessoal no ambiente de trabalho.
pelo afastamento de funcionários,
colocando-as em vigor em suas fá- Grande parte dos ambientes em-
a Organização Mundial da Saú-
bricas, iniciando a produção em presariais, contudo, já se baseiam
de passa a recomendar legislações
massa de automóveis. nos resultados dos estudos da Psi-
A linha diretora do taylorismo- específicas, como as férias anuais, cologia do Trabalho, valorizando
-fordismo é a máxima da economia obrigatoriedade do descanso, etc. opiniões e sentimentos pessoais na
de esforço para fazer uma tarefa, Os EUA, embora não tenham ade- formação de regras coletivas. A pró-
economizando assim tempo e ener- rido à Convenção Internacional da pria ergonomia deixou de ser ape-
gia. A implantação dessa ideia signi- Organização do Trabalho, de 1948, nas o conhecimento sobre ajustes
ficava a escolha correta do trabalha- estipularam salários mínimos e di- de cadeiras e altura de mesas para
dor, treinamento e boa remuneração, reitos ao pagamento de horas extras se concentrar nos maquinários e na
indicadas por Taylor e plenamente pela aplicação do Fair Labour Stan- sua disposição no chão de fábrica,
aceitas e efetivadas por Ford. dard Act, até hoje em vigor. luz ambiente, sons e circulação.
Iniciavam-se as discussões do Nessa área, o Brasil foi um dos Tem-se hoje a consciência de que o
comportamento humano no am- primeiros países a criar uma Justiça bem-estar, do chão de fábrica aos ga-
biente de trabalho, que nas décadas do Trabalho (1939) e, logo a seguir, binetes de diretoria, são fundamen-
de 1920-1930 originariam os primei- a Consolidação das Leis do Traba- tais à tão almejada produtividade: o
ros estudos de Psicologia do Traba- lho (1942). Os movimentos sindi- trabalhador contente exerce melhor
lho ou Psicologia Empresarial. calistas, que no Brasil atingiram o as suas funções e a felicidade pas-
sou a ser levada em consideração. O
Linha de montagem do Ford A, o que “podia ser de todas as cores, bom relacionamento com o chefe, por
desde que preto”, em frase do próprio Ford
exemplo, está no elenco dos fatores
diretamente ligados à produtividade.
Claro que ainda perseveram as
mazelas dos relacionamentos hu-
manos, pois dificuldades de caráter
muitas vezes se sobrepõem às inten-
ções de colaboração e cordialidade,
mas o assunto não é mais tabu e, de
maneira geral, os departamentos de
RH estão atentos. O setor é abasteci-
do com muitos estudos em periódi-
cos especializados em relações hu-
manas, personalidade e mercado.
O livro de D. G. Myers, A Busca da
Felicidade (The Pursuit of Happiness),

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produtividade

publicado em 1993 nos EUA e ain- e diretores em 1997. O programa esta- “Houve o caso de um funcioná-
da não traduzido para o português, va baseado em quatro características rio que apareceu com a camisa suja
comparou trabalhadores contentes e principais — treinamento, educação, 15 minutos após o início do expe-
descontentes, demonstrando como o comunicação e envolvimento — e seu diente pois havia se abaixado na ca-
estado de espírito incide pesadamen- objetivo principal era reestruturar a çamba para pegar uma peça. E qual
te sobre o resultado final do trabalho. forma de trabalhar, melhorando o am- foi a solução encontrada? Descobrir
biente de trabalho dos funcionários e o motivo pelo qual as caçambas fi-
elevando a produtividade. cavam sujas, sujando o funcionário
Produtividade x Ao longo do tempo, o PMC² e o colocando em uma posição não
se transformou em um programa
Capital Humano maior, denominado Arvin Meritor
ergonômica. A partir dessa análise
foi instalado um gancho para evitar
A tão buscada produtividade Performance System, que foi o esto-
o contato do funcionário com a peça
deixou de ser uma simples questão pim para muitos outros, entre eles o
e por aí em diante”, explica Luiz
numérica. Ambientes empresariais Camisa Branca, criado na fábrica de
Antônio Pezutto, gerente de manu-
que veem seu corpo de trabalha- rodas de Limeira, que à época fazia
fatura da Meritor, complementan-
dores como o verdadeiro capital parte do grupo.
do: “Quando os outros funcionários
social já não admitem que os nú-
observaram essas melhorias eles
meros superem a dignidade e o
passaram a querer a mesma aten-
bem-estar humanos.
ção. Então isso é a materialização de
Além disso, cada vez mais empre- A ideia do Programa Camisa
Branca é simples: cinco camisas um programa de mudança cultural
sas passam a perceber que a produ- brancas são entregues para cada e de melhoria contínua”, reforça Pe-
tividade está diretamente ligada às funcionário do chão de fábrica.
Quando a camisa sujar, o funcio- zutto, que antes de se tornar gerente
políticas conduzidas a partir da linha
nário deve voltar à administração teve a vivência operacional com car-
de produção e de forma horizontal. e explicar os motivos do inciden-
go no chão de fábrica.
Bons exemplos desse tipo de te. Funcionários e liderança in-
vestigam o problema e definem Outro case de sucesso exportado
visão podem ser encontrados na
juntos as sugestões de melhorias para outras unidades foi o progra-
Meritor (antiga ArvinMeritor), em- comportamentais e técnicas.
presa presente em 20 países de cin- ma Líderes de Equipe, que comple-
co continentes, e que no Brasil con-
quistou grandes resultados a partir
de trabalhos na linha de produção.
As unidades de Osasco (SP) e Re-
sende (RJ) foram pioneiras na ado-
ção de políticas deste tipo. As duas
plantas contam com 1.354 colabo-
radores, dos quais 1.169 atuam no
chão de fábrica.
Tudo começou com o programa
PMC² (Planejamento de Melhoria
Contínua), programa voltado aos ajus-
tes das condições de fábrica e à cultura
Lean, envolvendo um time de gerentes

14 o mundo da usinagem agosto.2012/88


ta 12 anos de existência. A cada ano, Com isso, o programa também
cerca de 50 funcionários da linha diminui as faixas hierárquicas den-
de produção são treinados para se tro da empresa. “Antes contávamos
tornarem líderes de um núcleo. O com diretores, gerentes, superviso-
treinamento dura um mês e, além res, encarregados, subencarrega-
das qualidades gerenciais, são de- dos, entre outros. Atualmente te-
senvolvidos conhecimentos de qua- mos apenas os diretores e gerentes
lidade, segurança e manutenção. O e no chão de fábrica, apenas dois
novo líder deixa de exercer sua fun- supervisores para os quatro tur-
ção antiga e passa a coordenar os nos”, explica Pezutto. Cada líder
demais funcionários do seu núcleo exerce a função por um ano, sen-
— um trabalho que só é possível do substituído por novos colegas
porque cada unidade de trabalho no ano seguinte. Assim, o conheci-
possui uma estrutura descentraliza- mento de gestão, metas e qualida-
da de manutenção, qualidade, ma- de é transferido novamente para a
nufatura e logística. cadeia produtiva.

Boas ideias
“O líder de equipe não tem fun- Essa “competição de ideias” pode ser
ções administrativas e discipli-
acompanhada em um quadro localizado na
nares, ele só cuida de ques-
tões técnicas”, explica Anatólio entrada do chão de fábrica. “Nós não damos
Martins, gerente de operações recompensa, nós reconhecemos as iniciativas e
da Meritor. fugimos da uniformização do comportamento”,
“Trabalhamos com metas bem resume Anatólio Martins.
divulgadas fazendo com que as
pessoas tomem decisões sem A Meritor também desenvol-
precisar que alguém as direcio- veu um programa de geração de
ne”, complementa Pezzuto. ideias. Os funcionários têm à sua disposição uma série de cartelas
para fazerem sugestões de melho-
ria. Todas são obrigatoriamente
analisadas pela empresa e, para
cada ação implementada a partir
dessas propostas, o funcionário
ganha uma pontuação.
Outros programas também são
conduzidos nas unidades, como o 20
Chaves, de melhoramento contínuo,
o 5S, o Programa de Adequação das
Instalações, a open house para os fun-
cionários e seus familiares.
“Trabalhamos a equipe e não o
indivíduo. Não temos a competi-

agosto.2012/88 o mundo da usinagem 15


produtividade

Acompanhamento de metas
e resultados: conhecimento
ao alcance de todos

tividade por objetivo, mas sim o


comprometimento e cooperação.
O trabalho tem dado resultados”,
comemora Pezutto.

sas para se trabalhar, segundo le- ceitos intrínsecos e não devem ser

Política de vantamentos das revistas Você S/A


e Exame, mais uma prova de que
dissociados do capital humano.

resultados produtividade e qualidade são con- Equipe Ação e Contexto

Mas qual a relação dos pro-


gramas de qualidade no chão de
fábrica com a produtividade? Em Uma empresa centenária
primeiro lugar é preciso olhar os
Com sede em Troy, cidade americana no Estado de Michigan, a Meritor é
efeitos das ações e como a parti-
uma fornecedora global de amplo portfólio de sistemas integrados, módulos
cipação dos funcionários foi de- e componentes para fabricantes de equipamentos originais e aftermarket no
cisiva. Por meio dessa colabora- segmento de transportes e industrial. A companhia atende a produtores de
ção se alcançou a redução do lead caminhões, reboques, ônibus e veículos off-road, além da área de defesa. A
time, as mudanças do layout das Meritor comemorou o centenário em 2009, celebrando uma longa história
plantas e máquinas, bem como as de “pensar à frente”. As ações da companhia são negociadas na Bolsa de
Valores de Nova York, com a designação MTOR. Informações relevantes so-
mudanças nos processos, fazendo
bre a corporação estão em www. meritor.com.
com que tudo convergisse para a
produtividade.
“Saímos do vermelho e fomos Meritor na América do Sul
para o azul”, resume Pezutto.
As operações da Meritor na América do Sul estão centralizadas no Brasil. A
Além disso, o número de inciden-
companhia possui instalações em Osasco, onde produz eixos, cardans e com-
tes no trabalho caiu mais de 50%,
ponentes para veículos comerciais e fora-de-estrada, e participa do Consórcio
o refugo das vendas diminuiu Modular da MAN, em Resende. A operação brasileira conta com centro de
mais de 70% e a produtividade engenharia, responsável pelo desenvolvimento de produtos, fornece compo-
aumentou 15%. nentes para o mercado de reposição e mantém no país joint ventures com a
Desde 2000, a Meritor vem sen- Randon nas empresas Suspensys e Freios Master.
do eleita uma das melhores empre-

16 o mundo da usinagem agosto.2012/88


negócios da indústria I

Business to ...
Do B2B ao C2G, a sopa
de letrinhas do mundo
corporativo

O termo Business to Hoje em dia essa sigla compre- metalmecânica, são definidas como
ende três plataformas de transação. e-marketplaces verticais.
Business, ou B2B,
As primeiras delas são os e-market- Ou seja, as e-marketplaces horizon-
nada mais é do que places, ou mercados virtuais, que tais são genéricas, enquanto que as
uma nova definição reúnem em um mesmo ambiente e-marketplaces verticais são específicas.
para uma velha prática: empresas e compradores interessa-
dos em fazer negócio.
fábricas vendendo
Quando se trata de um ambiente
para distribuidores, misto, que engloba uma gama di-
fornecedores versificada de produtos e serviços,
comprando da indústria essas plataformas são chamadas de
e-marketplaces horizontais. Já quan-
pesada, empresas
do as transações são específicas de Já os e-procurements podem ser
fazendo negócios entre uma determinada atividade, como compreendidos como os espaços
si mas, dessa vez, por exemplo um espaço de negó- (extranets) nos quais empresas tran-
usando a Internet. cios voltado somente à indústria sacionam com as centrais de compra

18 o mundo da usinagem agosto.2012/88


de seus fornecedores, desde a solici-
tação de determinado produto até o
pagamento. Trata-se de uma platafor-
ma de gerenciamento de compras res-
ponsável pela otimização do tempo
das transações e redução dos custos.
Por fim, os e-distributions desig-
nam plataformas que reúnem em-
presas, distribuidores, representan-
tes e filiais.
Ao longo do tempo, essas re-
lações foram se aprimorando e o
vocabulário corporativo ficou ain- Business to formas mais contemporâneas de fa-
zer negócios. A sigla designa a com-
da mais recheado de termos para
Consumer... pra virtual que envolve empresas e
designar os tipos de transações re-
alizadas dia a dia através da rede O B2C, por exemplo, ou Business consumidores. Em termos práticos,
mundial de computadores. to Consumer, é hoje em dia uma das nada mais é do que a aquisição de

agosto.2012/88 o mundo da usinagem 19


negócios da indústria I

cionários. Não se trata necessa-


riamente de compra e venda, mas
sim da gestão de recursos inter-
nos, benefícios, materiais e equi-
pamentos. Sob esse prisma, é pos-
sível entender a corporação como
um mercado e, assim, otimizar a
utilização de seus recursos.
Outra abreviatura cada vez mais
recorrente nos jargões corporativos
é aquela que indica as transações
entre governos e empresas, ou Bu-
siness to Government.
O chamado B2G indica, por
exemplo, as licitações. Nessa linha,
o termo B2A, Business to Adminis-
tration, é outra sigla que vem sendo
muito utilizada pois envolve negó-
cios com a administração pública
– governo federal, estados, muni-
cípios e empresas públicas. Ambas
as denominações indicam a mesma
forma de transação, que cresceu
muito nos últimos anos, principal-
um produto ou serviço via Internet, nichos de mercado e transacionar mente após a adoção do sistema de
seja ele uma passagem aérea ou um com eles tem sido o grande objetivo e-government, transferindo a buro-
aparelho de som. das empresas hoje em dia. Não é à crática negociação entre governo
Atualmente, um novo modelo toa que B2C2 é o modelo comercial e seus fornecedores para o âmbito
de negócios virtuais desponta na que mais vem crescendo na Internet virtual, com pregões e licitações
relação empresa/consumidor: o Bu- nos últimos tempos. feitos on line, em tempo real.
siness to Consumer 2.0, ou B2C2. O Entretanto, a forma de designar
termo faz referência à web 2.0, en- transações e meios utilizados na
tendida por muitos como a segun- compra e venda de um produto ou
da geração da Internet, pois oferece serviço se destacou do universo em-
um ambiente mais dinâmico, com presarial e hoje o consumidor pode
maior oferta de serviços e integra- ser o sujeito central dessa relação.
ção entre seus usuários. Business to
Nesse caso, os negócios são vol-
tados às comunidades específicas,
Employee...
pessoas com gostos e necessidades Já o B2E, sigla para Business
particulares. Com o crescimento das to Employee, diz respeito aos ne-
redes sociais não é difícil encontrar gócios entre empresas e seus fun-

20 o mundo da usinagem agosto.2012/88


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negócios da indústria I

governo também ganhou sua pró- No caso da indústria, as ferra-


pria qualificação. Nada mais ló- mentas apresentadas ilustram as
gico se pensarmos na quantidade inúmeras possibilidades de otimiza-
de transações que envolvem dire- ção de compra e venda, encurtando
tamente as duas partes. O Impos- a distância entre os fornecedores e os
to de Renda e a Previdência são consumidores finais. Agregar todos
dois bons exemplos. Nesses casos,
consagraram-se as denominações
Consumer to... C2A e C2G, Consumer to Adminis- O novo alfabeto de
Vejamos por exemplo a denomi- tration e Consumer to Government, negócios é mais
nação C2B (Consumer to Business), respectivamente. uma prova da força
um modelo de negócios no qual o cada vez maior
consumidor oferece produtos ou
da Internet no
serviços que são adquiridos pelas
empresas. Esse sistema pode com- comércio mundial
preender, por exemplo, o envio de
um currículo pela web, o que nada
os envolvidos em um só ambiente,
mais é do que a oferta de um servi-
além de agilizar as transações, cau-
ço mediante pagamento.
sam impacto direto na administra-
Os leilões virtuais são outro caso Administration ção de estoques, redução de custos
em que os consumidores definem o
preço de um produto, invertendo a
to... de negociação, menor burocracia e
melhor mensuração de resultados.
lógica do comércio tradicional. Por fim, mas muito importante,
A arte de fabricar produtos com
Já o termo C2C é outra referên- ainda temos a administração pública
qualidade, pelo melhor preço e obe-
cia importada, abreviação do ter- como ente central das negociações.
decendo aos prazos do mercado
mo Consumer to Consumer. Nesse O A2A, por exemplo, se refere
ganha uma nova aliada: a Internet.
caso, as transações são realizadas às transações que ocorrem entre
Saber como explorar os novos am-
entre pessoas físicas, consumido- empresas da administração públi-
bientes de negócios não significa
res finais. Algumas plataformas ca. Transferência de valores mone-
apenas conquistar novos mercados,
se consagraram em promover esse tários ou informações são alguns
mais do que isso, trata-se de abrir es-
tipo de negócio, entre elas o Ebay exemplos do chamado Administra-
paço para o novo, com transparência,
e o Mercado Livre. Mas, ao contrá- tion to Administration.
rapidez e acima de tudo, integração.
rio de outras plataformas de negó- O novo alfabeto de negócios é
cios, elas são somente intermediá- mais uma prova da força cada vez Fernando Sacco
rias e não se responsabilizam pela maior da Internet no comércio mun- Jornalista
qualidade ou procedência dos dial. Uma análise mais aprofundada
produtos comercializados. mostra como o comércio vem se de-
E da mesma forma que as empre- senvolvendo, aumentando as pos-
sas negociam com a administração sibilidades de negócios e colocando
pública através de canais específi- o consumidor em um patamar mais
cos, a relação entre consumidor e qualificado e valorizado.

22 o mundo da usinagem agosto.2012/88


educação e tecnologia I

Mantenha-se
atualizado
Como as inovações no setor
metalmecânico são difundidas ao público

A
busca por soluções
coligadas a uma pers-
pectiva de crescimento
contínuo tem levado a soluções cada
vez mais personalizadas no univer-
so metalmecânico. Levando em con-
ta esta realidade, fóruns, palestras,
convenções, eventos, simpósios, s s o N a c io n a l de Engenharia
7º Congre
congressos, encontros, workshops,
EM 2012)
feiras e seminários vêm somando Mecânica (CON ias Mecânicas
as ile ir a de En genharia e Ciênc
forças e criando janelas para divul- A Associação Br Centro de Con-
31 de ju lh o a 3 de agosto, no
de , o 7º Congres-
gar as inovações do setor. A impor- (ABCM) realizou a” em São Luís-MA
Nei va de Sa nt an
tância da difusão de novas práticas venções “Pedro ). Nesse evento,
nh ar ia M ec ân ic a (CONEM 2012
ge ia dos Materiais,
industriais no Brasil e a democrati- so Nacional de En ngenharia, Ciênc
te m as co m o Bi oe
zação de informação para o setor foram abordados gia Solar e ou-
Té rm ic os , Bi oc ombustíveis, Ener
metalmecânico estão presentes em Energia e Sistem
as spacial, Enge-
as de en er gi a, Engenharia Aeroe
at iv
cada um desses eventos. tras fontes altern strial, Engenharia
e G ás N at ur al , Engenharia Indu
A maioria deles nasceu na últi- nharia de Petróleo Não-Lineares e
ge nh ar ia M ec ânica, Fenômenos
En
ma década e se repete anualmente Naval, Ensino de tre outros. Trata-
nh ar ia , G es tã o da Produção, en
ou, em alguns casos, a cada dois Caóticos em Enge sentação, difusão
de pesquisa em
di sc us sã o e ap re
anos, trazendo o estado da arte do -se de fórum de ante momento de
ci as m ec ân ic as . Foi um import
setor e servindo como espaço de engenharia e ciên que se dedicam
rs os pr ofi ss io na is, tanto aqueles
ve ueles que desen-
encontros para os profissionais de encontro para di sidades, como aq
ui sa na s un iv er
diversas regiões do país. ao ensino e à pesq industrial.
pr ofissionais na área
Para este segundo semestre de volvem at iv id ad es em2012.com.br.
ue s do ev en to no site www.con
2012, destacamos muitos even- Confira os dest aq
tos importantes, mesmo os que já
aconteceram recentemente, com o
intuito de inteirar o leitor de tudo
sobre o meio metalmecânico.

24 o mundo da usinagem agosto.2012/88


10º Encontro da Cadeia
de Ferramentas, Moldes
m
7º Fóru
e Matrizes – Moldes ABM
d ú s t r i a 2012 m o Institu
to
ProIn t e c o
ntamen tu-
A Associação Brasileira de Meta- ology jun 03 de ou e
are Tech s dias 02
lurgia, Materiais e Mineração (ABM) A CadW ia reali z a r á n o
lo gia, em
São
o lo g T e c n o
e Tecn auá de ange
realizou de 8 a 10 de agosto, o 10º Mauá d I n s tituto M O e v ento abr
Sede d o 2 .
bro, na tria 201 de negó
cios,
Encontro da Cadeia de Ferramentas, ó r u m P roIndús ld a g e m
Paulo, o
7º F ias e mo /MR-
Moldes e Matrizes – Moldes ABM. t e m a s : estratég p r o d u tos, PCP
os seguin
tes vida de geren-
Centrado em Gestão, Manufatura, n t o d o ciclo de o d e f á brica e
gerencia
me ain, chã operaçõ
es de
Mercado e Projeto, o encontro ofe- S e S u pply Ch s t ã o d e
AP e
PII, JIT, ERP e g r acessa
das pelo
receu palestras sobre a prática da d a p r odução, e r ã o s e
ciament
o ções pod
inovação, o Brasil frente à concor- s informa
tu r a . A om.br/.
rência internacional, rede nacional manufa .p r o in dustria.c
://www
de ferramentarias, entre outras. Os site: http

destaques do evento estão dispo-


níveis em: http://www.abmbrasil.
com.br/seminarios/moldes/2012/
default.asp

da
ançados com Usinabilidade Melhora
Workshop - Materiais Av de Melhorada
uis a de Ma ter iai s Av ançados com Usinabilida
sq
O projeto da Rede de Pe Nacional de Pesquisas)
realizará nos
pe lo CN Pq (C on sel ho
ado
(REMAUSME), patrocin Campinas - SP, o Works
hop de Materiais
, no Ho tel Pr em ium em
dias 18 e 19 de setembro ev ento será apresentado o
resultado anu-
idade Me lho rad a. Ne ste
Avançados com Usinabil de materiais. O workshop
foi dividido em
melho ria da us ina ge m
al de pesquisas para a MA USME: usinagem de lig
as austeníticas
range m o pr oje to da RE
quatro subtemas que ab o (cinzento e vermicular
), materiais para
usina ge m de fer ro fun did
(inox e ligas de níquel), s de livre corte , coorden
ados respectiva-
recido s), us ina ge m de aço
matrizarias (aços endu l Bo ehs, da Universidade Fe
deral de Santa
, da Un ica mp ; Lo ur iva
mente por Anselmo Diniz on Ro cha Machado, da Unive
rsidade Fede-
an, da UD ES C e Ál iss
Catarina; José Divo Bress USME. Emmanuel Ezug
wu, da London
ad or- ge ral da RE MA
orden
ral de Uberlândia e co bre a usinagem de superliga
s. A programa-
da Ing lat err a, fal ará so
South Bank University, ausme.com.br
breve no site www.rem
ção estará disponível em

agosto.2012/88 o mundo da usinagem 25


educação e tecnologia I

al de Alta Tecnologia
rio Internacion ximo
17º Seminá o Paulo (UN
IM E P ) re a lizará no pró
ci-
d a d e M et odista de Sã çú ca r, k m 156) em Pira
A Univer si A
EP (Rod. do O foco estará
tu b ro , n o T eatro UNIM a Tecnologia.
4 d e o u a l d e A lt
dia Internacion de apoio ao
- S P , o 1 7º Seminário m â n ti ca s n os sistemas
cab a s se en-
m o o u so de tecnologia d u to in te li gente, a sust
em temas co haria do pro ciamento no
en to d o p roduto, engen ro dutos, geren
en v o lv im to d e p
des esenvolvimen da cadeia CA
x e Sibratec
id a d e co m o foco no d a l e g es tã o
tabil gração digit
d e v id a d o produto, inte
ciclo ção). mãs e aus-
m a B ra si le iro de Inova re s d e u n iv ersidades ale
(Siste ntes profess
o
tr e os palestra s.
E st a rã o en as b sileiro
ra
niversidade/
insti-
d e d iv er so s especialist n im ep .b r/ u
tríacas, além http://www.u
ro g ra m a çã o completa:
Veja a p
/scpm-pt/.
tucional/site

7º Feira e Projeções para o início de 2013


Congress
o Usinag
A editora
Aranda, re
e
m 2012 Já deixamos anotado o primeiro grande evento
tro de Exp alizará de 16 a 19
osições e C de outubro do próximo ano:
Paulo, a 7 onvenções , no Cen-
ª Feira e C E xpo Center N 7º Congresso Brasileiro de Engenharia de Fa-
o ngresso Usin o rt e , em São
clui um m agem 2012 bricação (COBEF)
ulticongre . A in
programa ss o com vári ic iativa in-
ção é totalm as palestra A Universidade Federal Fluminense (UFF) jun-
e nte voltad s s im u ltâneas. A
cretas dos a para as to à Associação Brasileira de Engenharia e Ciên-
profission necessidad
lhos técnic a is da área, co es con-
os, estudo m apresen cias Mecânicas (ABCM) realizará entre os dias 15
s d e casos, pa ta ç õ e s d e traba-
novas tecn inéis de de e 19 de abril de 2013, em Penedo e Itatiaia – RJ, o
ologias e s b a te s,
cessos de o lu ções. Há s a n álise de
Usinagem essões pre 7º Congresso Brasileiro de Engenharia de Fabrica-
(torneamen v is ta s p a ra Pro-
eletroerosã to, fresam ção (COBEF). Nesse evento serão abordados temas
o, furação en to ,
entre outr /r o squeamen re ti ficação,
os); Manu to, corte d como Conformação, Engenharia de Superfícies,
se io , Preparaç e e n g re n agens,
rial; Ferra ão e Estoc Fundição, Metalurgia do Pó, Metrologia, Novas
mentas de a g e m
féricos; M C o rte; Dispo d o Mate-
edição e S sitivos, Ac Tecnologias de Fabricação, Processos de Adição de
oftw are. Acess e s s ó ri o s e Peri-
com.br/ev e http://w Materiais, Projeto Manufatura e Montagem: Plane-
entos2012 ww.arand
/usinagem anet.
/index.htm jamento, Gestão e Automação, Soldagem, Tribolo-
l.
gia e Usinagem. Acesse http://www.cobef.com.br/.

A programação disponível é vasta e abrange praticamente todo o universo metalmecânico.


Programe-se e bom proveito!
João Manoel S. Bezerra de Meneses
Gestor Ambiental/Jornalista

26 o mundo da usinagem agosto.2012/88


negócios da indústria II

Okuma investe em
novas instalações
Mesmo com o mercado de máquinas desacelerado, a empresa
acredita na recuperação do setor e investe em uma nova sede

P
or se constituir em um porém, mesmo com o mercado de diversas famílias de máquinas da
dos fortes elos da cadeia máquinas em baixa, Alcino Bastos, Okuma possuem dispositivos de
econômica, o setor me- gerente geral da Okuma no Brasil, alto padrão tecnológico e eventual-
talmecânico é um importante ter- comenta que a empresa acredita na mente são associadas à automação
mômetro não apenas para se pros- recuperação do setor e tem grandes para carga e descarga de peças na
pectar o futuro, do ponto de vista perspectivas para o mercado. “Por área de usinagem. Sendo assim,
financeiro, como, também, para acreditar no Brasil nós investimos para podermos explicar e exempli-
entender como empresas agem em em um novo escritório, que já está ficar na prática todas essas possibi-
relação à sociedade. instalado, e num showroom que será lidades, o novo espaço é fundamen-
A Okuma, tradicional fabricante inaugurado em breve”. tal”, declara Bastos.
de máquinas operatrizes de última O local terá um espaço de trei- A inauguração do showroom está
geração acaba de investir R$ 1 mi- namentos, que consistirá em um prevista para a última semana de
lhão na implantação de uma nova verdadeiro centro tecnológico (Tech setembro. Não deixe de participar
sede, localizada na Vila Olímpia, em Center), e os clientes poderão confe- da iniciativa:
São Paulo, SP, um dos centros admi- rir os mais novos modelos da linha
Avenida dos Bandeirantes, 513
nistrativos da cidade. O local abri- de máquinas operatrizes e as famí-
04553-010 - Vila Olímpia - São Paulo-SP
gará, além do escritório, o showroom lias de máquinas já conhecidas no
Tel: (11) 3049-5600
da empresa, que permitirá demons- mercado brasileiro. “Temos o obje-
Mais informações em www.okuma.com
trações sobre a utilização prática dos tivo de servir os clientes domésticos
produtos por ela fabricados. bem como de outros países, já que
Não seria nada extraordinário prestamos suporte aos nossos dis- Grupo Vervi
para uma empresa desse porte, tribuidores na América do Sul. As Assessoria e Comunicações

agosto.2012/88 o mundo da usinagem 27


educação e tecnologia II

Usinagem na Academia
Onde nascem algumas importantes tendências do setor

O
setor metalmecânico sólida e inegável contribuição a esse A produção limpa vem sendo
tem amplo conheci- universo do conhecimento. uma crescente exigência das legisla-
mento dos grandes Nos últimos anos, a atenção ções e tanto fabricantes de máquinas
centros de ensino e pesquisa em dos pesquisadores tem se voltado quanto de ferramentas e de fluidos
engenharia mecânica em nosso não apenas para as questões de se associam aos laboratórios acadê-
país que, há algumas décadas, aju- produtividade e qualidade como, micos em busca do objetivo comum.
dam a formar a mão de obra espe- também, para a produção em re- No âmbito das preocupações ecoló-
cializada para o mundo da produ- lação a questões ambientais, que gicas, a durabilidade e desempenho
ção. Em 2010 o Brasil tornou-se o se convencionou chamar de “usi- de ferramentas e máquinas, bem
sétimo país no mundo a dominar o nagem ecológica” ou “usinagem como a qualidade ambiental do flui-
processo de HSM, o High Speed Ma- verde”. Desde 1996 o LMP - La- do de corte são apontados nos estu-
chining, ou usinagem em alta velo- boratório de Mecânica de Preci- dos acadêmicos como sendo funda-
cidade, em grande parte graças aos são - da Escola de Engenharia da mentais em termos de economia de
trabalhos pioneiros de algumas de Universidade Federal de Santa materiais e, consequentemente, con-
nossas escolas de engenharia. Catarina tem, como uma de suas trole dos preços, aumento da produ-
Desde o clássico manual do então seis linhas de pesquisa, a DUE- tividade e competitividade.
professor da UNICAMP-SP, Dino CO: Desenvolvimento de Usina- Ser produtor limpo, portanto,
Ferraresi, Fundamentos da Usinagem gem Ecológica. A linha de pesqui- não deve ser visto apenas como
de Metais, de 1970, incessantemente sa tem parceria com o Curso de algo socialmente correto e positivo
publicado até nossos dias, ao muito Engenharia Sanitária e Ambiental em relação ao ambiente como, tam-
apreciado Teoria da Usinagem dos Ma- da mesma faculdade, com insti- bém, um dos importantes fatores
teriais, de Álisson Rocha Machado, tuições de ensino alemãs e com da produtividade.
Reginaldo Teixeira Coelho, Alexan- empresas brasileiras. Frequente os sites das escolas
dre Mendes Abrão e Márcio Bacci da A adequação de processos de de engenharia em nosso país e
Silva, de 2009, professores das escolas usinagem à produção limpa implica inteire-se do que vai pelo uni-
de engenharia de Uberlândia-MG, em uma série de passos estruturais verso da pesquisa de ponta no
USP São Carlos, Federal de Minas que passam pelos fluidos de corte, setor metalmecânico.
Gerais e Uberlância-MG, respectiva- pelas ferramentas de corte e pelo
mente, a academia vem prestando maquinário e seu potencial de uso. Equipe Ação & Contexto

28 o mundo da usinagem agosto.2012/88


negócios da indústria III

Mazak lança Pedra


Fundamental em Vinhedo
Mazak Sulamericana iniciou obras do Centro Tecnológico na América do Sul

A
Mazak Sulamericana, Sulamericana na escolha de Vinhedo, vê a geração de 100 novos empregos
empresa multinacional foi a localização estratégica, próxima na cidade. Haverá à disposição uma
japonesa, escolheu Vi- a importantes rodovias e aeroportos, extensa gama de máquinas Mazak da
nhedo para instalar o seu Centro Tec- além da proximidade dos clientes e mais alta tecnologia, suporte pré e pós-
nológico no Brasil. O registro oficial parceiros comerciais. venda, centro nacional de distribuição
do início das obras deu-se na última “É um momento histórico não só de peças, assistência técnica e um sele-
terça-feira (31 de julho) com a cerimô- para Vinhedo como para o estado e o to grupo de engenharia provendo solu-
nia da Pedra Fundamental. A previ- país. O grupo Yamazaki Mazak está ções totais a clientes dos mais variados
são de termino das obras é fevereiro presente em mais de 20 países e va- segmentos de indústria.
de 2013. A empresa será instalada na mos investir no Centro Tecnológico
rodovia Anhanguera, Km 76. de Vinhedo nossos melhores recursos
A solenidade de lançamento para atender clientes com excelência, Grupo Yamazaki Mazak
aconteceu na própria área onde a provendo as melhores soluções tec-
A Yamazaki Mazak fundada em
empresa funcionará e reuniu autori- nológicas”, afirma o gerente-geral da
1919, possui unidades fabris no Ja-
dades, clientes, convidados e execu- Mazak Sulamericana, Martin Vay.
pão, na China, Singapura, Reino
tivos da multinacional, entre eles o Serão 4.800 metros quadrados de
Unido e nos Estados Unidos. São 70
diretor, Motoyasu Kakutani. Um dos área construída. O investimento será
centros de tecnologia espalhados por
motivos que influenciaram a Mazak em torno de US$ 15.000.000,00 e pre-
mais de 20 países, de uma empresa
globalizada com 6.900 funcionários.
A Mazak iniciou suas atividades
no Brasil há mais de 20 anos, oferecen-
do a melhor solução em máquina fer-
ramenta aos nossos clientes na Améri-
ca do Sul. A Mazak caracteriza-se por
uma cultura fortemente comprometi-
da em fornecer soluções totais a clien-
tes, desenvolver produtos inéditos e
Da esquerda à direta: José Luis Bernegossi, Secretário da Prefeitura Municipal de em prover suporte global e local.
Vinhedo; Moacyr Moura Ferreira, Diretor da MMF Assessoria em Engenharia; Milton
Pinhata, Secretário da Industria e Comércio de Vinhedo; Martin Vay, Gerente Geral
Mazak Sulamericana; Milton Alvaro Serafim e Jaime Cesar Cruz, Adriano Corazzari, Departamento de Marketing
Prefeito, Vice-Prefeito e Presidente da Câmara de Vereadores de Vinhedo; Motoyasu
Kakutani, Diretor Mazak Sulamericana. Mazak Sulamericana.

30 o mundo da usinagem agosto.2012/88


VP ATLAS. UM NOVO AÇO PARA
UMA NOVA FORMA DE VER O MUNDO.

Com boa usinabilidade, excelente polibilidade e elevada resistência mecânica, o aço para moldes plásticos
VP ATLAS é o novo integrante da família de aços verdes da Villares Metals. Isso significa inovação, respeito
pelo meio ambiente em sua fabricação e um futuro melhor para as próximas gerações.

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PENSOU AÇO, PENSOU
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Equipado para atender às necessidades
de cada cliente de maneira sustentável.

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INFINITA
NFINITAM
NFIN AMENTE

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RECICLÁVEL
conhecendo um pouco mais

RECICLAGEM DE PNEUS
Como um dos objetos mais necessários na vida moderna — os
pneus de borracha — podem ser um enorme problema ambiental
ou um bom negócio

Como surgem foram feitas por Dunlop (1888), Mi-


chelin (1895) e Strauss (1911), até
em 2011 produziram-se 775 milhões
de unidades. Os ambientalistas esti-
os pneus a borracha vulcanizada poder ser mam em 800 milhões o número de
usada na produção de pneus, com e unidades sucateadas por ano.
Nos trópicos americanos, a bor-
sem câmaras de ar.
racha, fruto da “cahutchu” — a ár-
Hoje, a indústria de pneus mo-
vore que chora, em língua asteca — vimenta 150 bilhões de dólares por A vida útil dos
era usada pelos nativos em bolas, ano, emprega 600 mil pessoas dire-
calçados e vasilhames. A espécie tamente e muitos milhões de outras
pneus
é apresentada à Europa em 1736, indiretamente. A produção, consu- A vida útil dos pneus de automó-
como Hevea brasiliensis. Charles mo e descarte de pneus têm chama- veis pode ser de 100 mil km em uso
Goodyear, pequeno fabricante de do a atenção de governos, ambien- ideal: boas estradas, velocidade mé-
ferramentas agrícolas, termina, de talistas e empresários, visto que o dia, calibrados de acordo com o peso
maneira acidental, por descobrir o descarte é altamente poluidor de um do veículo. A média de quilometra-
processo de vulcanização da bor- lado e muito rentável de outro, por gem, contudo, é de 60 mil km. Ainda
racha, em 1839. Muitas tentativas meio da reciclagem. Calcula-se que é muito comum a “recauchutagem”

32 o mundo da usinagem agosto.2012/88


— palavra derivada de “cahutchu”— o lixo urbano, entopem rios, com- -se e reaproveita-se cerca de 30%
da banda de rodagem dos pneus. Se- prometem nascentes e servem de dos 63 milhões de pneus novos
gundo algumas entidades, a “recau- criadouros para mosquitos trans- fabricados por ano, totalizando
chutagem” deve ser evitada, porque missores da malária e da dengue. quase 18 milhões de unidades
alteraria a qualidade de fábrica do Temos ainda seu inchaço e conse- recuperadas, segundo a ABR e a
pneu e, como tal, reduziria a seguran- quente estouro quando absorvem ANIP — Associação Nacional da
ça do veículo que os utiliza embora, os gases de lixões e sua queima Indústria de Pneumáticos.
na realidade, um pneu de avião pos- no ambiente, que pode durar até O Paraná é um dos principais
sa ser recauchutado até 30 vezes. 30 dias, causando poluição do ar e polos recicladores de pneus do Bra-
Segundo a Revista Pnews, da contaminando a água do subsolo, sil. A paranaense Ecija Comercial
ABR — Associação Brasileira do já que o processo libera mais de 10 Exportadora e Importadora de Ma-
Segmento de Reforma de Pneus litros de óleo por pneu. nufaturados investe no setor desde
— 85% dos aviões comerciais em A situação só não é pior por- 1992, inclusive exportando o ma-
circulação, hoje, têm pneus recau- que a tradição da recauchutagem terial reciclado para a Europa, que
chutados. A recauchutagem de é muito forte entre nós e estamos o utiliza em artefatos de borracha,
pneus de aviões usa aparelhos es- em 2º lugar no ranking mundial, asfalto e parte da composição de
peciais de detecção de imperfei- logo depois dos Estados Unidos, novos pneus.
ções estruturais e vários testes de em unidades recauchutadas.
qualidade que autorizam ou não Isso retarda o problema do
seu retorno ao uso. Cada pneu as- descarte final das carca-
sim tratado recebe número e cer- ças, dando uma sobre-
tificado de aeronavegabilidade vida de 40% à vida
— SEGVÔO — que o identifica e útil do pneu. No
possibilita novos tratamentos. Brasil, reforma-

O quadro no
Brasil
Os dados apontam um des-
carte de 17 milhões de pneus por
ano em nosso país. Eles infestam

agosto.2012/88 o mundo da usinagem 33


conhecendo um pouco mais

O Conselho Nacional do Meio uniforme ou grânulos de borracha.


Ambiente (Conama) definiu em 1999 Como nenhum processo conse-
que fabricantes e importadores são gue desvulcanizar a borracha com-
responsáveis por coletar e dar des- pletamente, o resultado final é de
tino ambientalmente adequado aos menor resistência que o produto
pneus que não servem mais, confir- original, mas é de grande utilidade
mado pela resolução Conama 416, de para um grande número de produ-
2009. Desde 2007 as empresas Pirelli, tos: câmaras de ar, saltos e solados
Firestone, Michelin, Goodyear e de sapatos, tapetes e passadeiras,
Bridgestone fundaram a RECICLANIP, estofados, rodos domésticos, colas e
ligada à Associação Nacional das In- adesivos, buchas para eixos de ôni-
dústrias de Pneumáticos, que coleta bus e caminhões, além de revesti-
e dá destinação final aos pneus sem mentos para áreas de esporte e lazer.
condição de uso. Existem hoje qua- Sua queima para aquecer caldei-
se 500 postos de coleta em todo o ras, em fornos de cimento e usinas
país, normalmente em parceria com termoelétricas é bastante proveitosa Na UNICAMP, São Paulo, as
as prefeituras. em termos energéticos, pois cada qui- faculdades de Engenharia Civil e
De maneira geral, os pneus hoje lograma de pneu libera até 30% a mais Mecânica projetaram um reator de
usam apenas 10% de borracha na- de energia do que um quilograma de leito fluidizado para obter produtos
tural, 30% de derivados de petróleo madeira ou carvão, mas o controle da a partir de pneus usados por meio
(borracha sintética) e 60% de fios de poluição do ar deveria ser mais rigoro- de sua gaseificação.
aço e outras fibras, entremeadas na so do que aquele hoje em vigor. No Rio de Janeiro, a empresa Re-
estrutura do pneu. A famosa propa- lastomer Tecnologia recupera bor-
ganda do “pneu de aço”, portanto, racha vulcanizada pelo uso de bai-
está bem alinhada com a realidade. Novas tecnologias xas temperaturas (até 80ºC) e uso
Essa complexidade estrutural de catalisador heterogêneo, o que
dos pneus modernos dificulta seu
de reciclagem resulta em um material regenerado
reaproveitamento, pois são muitos Universidades, empresas e prefei-
os componentes que devem ser se- turas municipais vêm se unindo em
parados da borracha vulcanizada. busca de novas maneiras de reciclar
Os pneus são cortados, moídos e tão grande volume de pneus descarta-
desvulcanizados pelo uso de pro- dos. Entre as soluções mais econômi-
dutos químicos. O resultado é en- cas e de bom resultado, já temos seu
tão refinado até se obter uma manta uso, inteiro, em cais, embarcadouros,
diques e contenções de encostas.
O Departamento de Engenharia
“Este é meu emprego. Civil da Universidade Católica do
Recolho os pneus para Rio de Janeiro liderou por muitos
evitar a poluição do anos as pesquisas para reutilização
meio ambiente e também de pneus velhos em obras de enge-
nharia, em muros de arrimo e refor-
garanto o sustento de
ço do solo em aterros.
minha família”
34 o mundo da usinagem agosto.2012/88
que mantém 75% das características Com material coletado em todo
físicas do produto original. o estado, a Ecopneu já produz, na
Mas é Campo Grande, capital fábrica de Campo Grande, 100 tone-
do Mato Grosso do Sul, que lide- ladas/mês de recicláveis de pneus,
ra as iniciativas de reutilização de mas já está projetada para atingir
pneus em nosso País, em termos 700 toneladas/mês.
de inventividade e maior aprovei- Vem de Macapá, capital do
tamento do resultado final, pela Amapá, o exemplo de que podemos
combinação de tecnologia com humanizar os pneus descartados, con-
vontade política. A Ecopneus, que ferindo-lhes a beleza da natureza con-
primeiro retira as cintas de aço, trolada, em vez de abandoná-los para
vendendo-as para a Gerdau, tem danificá-la. A tecnologia e a criatividade existem:
um projeto em colaboração com a o próximo passo é conferir os exemplos positivos nesse terreno
Faculdade de Engenharia da a Uni-
versidade Federal de Mato Grosso Joao Manoel S. Bezerra de Meneses
do Sul (UFMS) e criou o “concreto Gestor Ambiental / Jornalista
ecológico”, que recebe adição de
30% de “chips” (lascas de pneus)
em sua massa, garantindo menor
custo e maior resistência ao produ-
to final. A Prefeitura local passou
a exigir o aproveitamento da nova
tecnologia no município, no que já
foi seguida pela Prefeitura de Dou-
rados, locais onde o produto é usa-
do em calçadas e pavimentação de
Prefeitura Municipal de Macapá

conjuntos habitacionais.
Ali, tanto borracheiros profis-
sionais quanto catadores se benefi-
ciam da iniciativa das Prefeituras.
Os cinco ou seis carretos diários
para o depósito da Prefeitura de
Campo Grande proporcionam
de dois a três mil reais por mês a Fontes:
Roque Dias Moreira, que declara: http://www.web-resol.org
http://www.recicloteca.org.br
“Este é meu emprego. Recolho os http://www.uniblog.com.br/ecopneu/
Lixo Municipal: Manual de Gerenciamento Integrado, Cempre/IPT –1995
pneus para evitar a poluição do
http://ambientes.ambientebrasil.com.br/residuos/reciclagem/reciclagem_de_pneus.html
meio ambiente e também garanto o Boletim Informativo da Bolsa de Reciclagem Sistema FIEP Ano I - Nº 3 - JUL/AGO - 2001
http://www.tudosobrepneus.com.br/si/site/110070/p/Reciclanip
sustento de minha família”.

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nossa parcela de responsabilidade

Produção Mais Limpa (P + L)


S
ob o foco da sustentabili- biente, que transmitam uma imagem
dade e do meio ambiente, disciplinada quanto à conservação
os sistemas “verdes” de da natureza e, ao mesmo tempo, que
produção, também conhecidos como atendam às expectativas de uma ex-
Produção Mais Limpa (P+L), são o celente qualidade em produtos e ser-
desafio de nossa década. Os últimos viços, com preço justo e competitivo.
60 anos viram a produção em larga Diversos estudiosos propõem
escala definir preços competitivos, que a P+L pode ser um sistema in-
sem se preocupar com as consequên- dustrial que visa sustentabilidade
cias ambientais do consumismo; vi- das fontes renováveis de matérias
mos qualidade e tempo de produ- primas, pela redução do consumo de
ção superarem a simples questão do água e energia, a prevenção de resí-
preço; vimos as exigências do consu- duos tóxicos e perigosos na fonte de
midor levarem à redução dos custos produção, a reutilização e o reapro-
matérias primas e energia que re-
como única maneira de aumentar ou veitamento de materiais por recicla-
duzem os impactos ambientais dos
manter o lucro das empresas. gem de maneira atóxica e maior efi-
produtos e processos de produção,
Apenas nas últimas duas déca- ciência em termos energéticos. Além
diminuindo a geração de refugos,
da surgem as preocupações com a disso, a geração de produtos de lon-
economizando custos finais, redu-
responsabilidade social e ambiental, ga vida útil, seguros e atóxicos ao
zindo a emissão de gases, unindo o
com os antigos fatores de competiti- homem e ao meio ambiente natural,
que é tecnicamente possível com o
vidade incorporados e, portanto, sem cujos restos, inclusive embalagens,
que é desejado para a manutenção e
sua anterior função diferenciadora. sejam recicláveis, completam a base
preservação do meio ambiente.
Atualmente fica evidente que exis- operacional da sustentabilidade.
Em nossas decisões, devemos
te pressão sobre as empresas, por par- É nesse contexto que a Sandvik
ter a responsabilidade de levar em
te dos governos, mercados e clientes, Coromant se destaca como empre-
conta, além da qualidade do produ-
por produtos ecológicos, processos sa que, conhecedora das necessida-
to ofertado, da melhor solução téc-
produtivos amigáveis ao meio am- des e tendências mundiais, busca
nica aliada à maior produtividade
diminuir os impactos ambientais
com menos custos, também o en-
gerados pelos seus processos de
A produção volvimento desse fornecedor com o
produção e os de seus clientes, as
ecologicamente correta planeta em que vivemos e suas pre-
indústrias metalmecânicas, pesqui-
ocupações em criar soluções ecolo-
engloba tecnologias, sando e introduzindo novos con-
gicamente corretas às operações da
busca a conservação ceitos de ferramentas e implemen-
indústria metalmecânica.
de matérias primas e tando novos processos de produção
energia que reduzem ecologicamente corretos. A produ- José Gamarra
os impactos ambientais ção ecologicamente correta engloba Gerente Técnico
tecnologias, busca a conservação de Sandvik Coromant do Brasil

36 o mundo da usinagem agosto.2012/88


Sandvik Coromant
Distribuidores
ARWI Tel: 54 3026-8888
Caxias do Sul - RS
MAXVALE Tel: 12 3941-2902
São José dos Campos - SP Anunciantes nesta edição
ATALANTA TOOLS Tel: 11 3837-9106 MSC Tel: 92 3237-4949 O Mundo da Usinagem 88
São Paulo - SP Manaus - AM
COFAST Tel: 11 4997-1255 NEOPAQ Tel: 51 3527-1111
Santo André - SP
COFECORT Tel: 16 3333-7700
Novo Hamburgo - RS Agie-Charmilles 23
PÉRSICO Tel: 19 3421-2182
Araraquara - SP
COMED Tel: 11 2442-7780
Piracicaba - SP Blaser 9
Guarulhos - SP PRODUS Tel: 15 3225-3496
CONSULTEC Tel: 51 3321-6666
Sorocaba - SP Deb´Maq 21
Porto Alegre - RS PS Tel: 14 3312-3312
COROFERGS Tel: 51 3337-1515
Bauru - SP Ergomat 17
Porto Alegre - RS PS Tel: 44 3265-1600
CUTTING TOOLS Tel: 19 3243-0422 Maringá - PR Mazak 2ª capa
Campinas – SP REPATRI Tel: 48 3433-4415
DIRETHA Tel: 11 2063-0004 Criciúma - SC Mitutoyo 11
São Paulo - SP SANDI Tel: 31 3295-5438
ESCÂNDIA Tel: 31 3295-7297 Belo Horizonte - MG Okuma 39
Belo Horizonte - MG
SINAFERRMAQ Tel: 71 3379-5653
FERRAMETAL Tel: 85 3226-5400
Fortaleza - CE
Lauro de Freitas - BA Romi 37
TECNITOOLS Tel: 31 3295-2951
GALE Tel: 41 3339-2831
Curitiba - PR
Belo Horizonte - MG Sandvik Coromant 4ª capa
THIJAN Tel: 47 3433-3939
GC Tel: 49 3522-0955
Joaçaba - SC
Joinville - SC Selltis 29
HAILTOOLS Tel: 27 3320-6047 TOOLSET Tel: 21 2290-6397
Vila Velha - ES Rio de Janeiro - RJ Villares Metals 31
KAYMÃ Tel: 67 3321-3593 TRIGONAL Tel: 21 2270-4835
Campo Grande - MS Rio de Janeiro - RJ
MACHFER Tel: 21 3882-9600 TUNGSFER Tel: 31 3825-3637
Rio de Janeiro - RJ Ipatinga - MG

Cursos
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usinagem. Acesse www.sandvik.coromant.com/br, na barra principal, clique em ‘treinamento’ e confira
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ministrados dentro de sua empresa! O leitor de O Mundo da Usinagem pode
entrar em contato com os editores pelo
e-mail: faleconosco@omundodausina-
gem.com.br ou ligue: 0800 770 5700

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Com essas ferramentas essenciais, na forma de perguntas
O que eles fazem é ajudar você a obter o máximo do seu e respostas, você sempre terá uma resposta onde quer que
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de corte otimizados com base em seus parâmetros de
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