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FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS

ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS DE SÃO PAULO

JOCILDO FIGUEIREDO CORREIA NETO

AVALIAÇÃO DE PROJETOS DE INVESTIMENTO EM TI UTILIZANDO OPÇÕES REAIS:


APLICAÇÕES NO SETOR DE INDÚSTRIAS ALIMENTÍCIAS DO ESTADO DO CEARÁ

SÃO PAULO
2010
1

JOCILDO FIGUEIREDO CORREIA NETO

AVALIAÇÃO DE PROJETOS DE INVESTIMENTO EM TI UTILIZANDO OPÇÕES REAIS:


APLICAÇÕES NO SETOR DE INDÚSTRIAS ALIMENTÍCIAS NO ESTADO DO CEARÁ

Tese apresentada à Escola de Administração de


Empresas de São Paulo da Fundação Getulio
Vargas, como requisito para obtenção do título
de Doutor em Administração de Empresas

Campo de conhecimento:
Tecnologia de Informação

Orientador: Prof. Dr. Jaci Corrêa Leite

SÃO PAULO
2010
2

Correia Neto, Jocildo Figueiredo.


Avaliação de Projetos de Investimento em TI Utilizando Opções Reais:
Aplicações no Setor de Indústrias Alimentícias no Estado do Ceará / Jocildo
Figueiredo Correia Neto. – 2010.
212 f.

Orientador: Jaci Corrêa Leite


Tese (doutorado) – Escola de Administração de Empresas de São Paulo.

1. Investimentos em tecnologia da informação. 2. Tecnologia da informação. 3.


Investimentos -- Avaliação. I. Leite, Jaci Corrêa. II. Tese (doutorado) – Escola de
Administração de Empresas de São Paulo. III. Título.

CDU 62::007
3

JOCILDO FIGUEIREDO CORREIA NETO

AVALIAÇÃO DE PROJETOS DE INVESTIMENTO EM TI UTILIZANDO OPÇÕES REAIS:


APLICAÇÕES NO SETOR DE INDÚSTRIAS ALIMENTÍCIAS NO ESTADO DO CEARÁ

Tese apresentada à Escola de Administração


de Empresas de São Paulo da Fundação
Getulio Vargas, como requisito para obtenção
do título de Doutor em Administração de
Empresas

Campo de conhecimento:
Tecnologia de Informação

Data de aprovação:
29/01/2010

Banca examinadora:

_____________________
Prof. Dr. Jaci Corrêa Leite
FGV-EAESP

_____________________
Prof. Dr. Fernando de Souza Meirelles
FGV-EAESP

_____________________
Prof. Dr. Ricardo Ratner Rochman
FGV-EAESP

_____________________
Prof. Dr. José Roberto Ferreira Savoia
USP

_____________________
Prof. Dr. Paulo Roberto Feldmann
USP
4

DEDICATÓRIA

Este trabalho é dedicado aos meus pais, Josélia e José Jocildo, e à minha
esposa, Isabel.

Sem eles, este não existiria.


5

AGRADECIMENTOS

Gostaria de agradecer ao professor Jaci Corrêa Leite pelos seus


preciosos ensinamentos, que extrapolaram os limites deste trabalho.

Agradeço aos membros da banca pelo tempo despendido na leitura deste


trabalho e pelas valorosas contribuições.

Gostaria também de expressar meus agradecimentos aos colegas de


linha de pesquisa no doutorado, que compartilharam da mesma experiência
enriquecedora ao longo deste período de esforço acadêmico.

Agradeço à Ariane Rodrigues Troise por sempre ter me ajudado


prontamente.
6

RESUMO

A relevância da tecnologia de informação (TI) nas empresas é percebida de várias


formas. Uma das maneiras de perceber tal importância é através dos altos volumes
de recursos financeiros investidos em projetos de TI. Além disto, há evidências
indicando uma tendência crescente nos orçamentos de capital de projetos de TI.
Este cenário pode conduzir à discussão sobre os métodos utilizados para justificar
tais investimentos, face os vários tipos de retornos esperados e os riscos envolvidos.
Em adição, certos projetos podem incorporar características tais como flexibilidade
gerencial a fim de aproveitar situações benéficas ou evitar situações prejudiciais,
possibilidade de criação de oportunidades futuras a partir dos investimentos atuais e
divisão da sua análise e execução em etapas. Se assim for, tais projetos podem ser
avaliados através da abordagem de opções reais. Esta abordagem reconhece e
precifica o valor adicionado pelas decisões contingenciais que podem ser tomadas
ao longo da vida útil do investimento, provendo uma perspectiva dinâmica à
avaliação. Esta pesquisa objetiva verificar se, de fato, projetos de TI podem ser
avaliados através do emprego de opções reais e sob que condições este uso pode
ser feito. Para tanto, foi realizada uma revisão bibliográfica envolvendo
características dos investimentos em TI. Em seguida, foram pesquisados elementos
tipicamente observados nas avaliações, tais como tipos de projetos, retornos
esperados, riscos envolvidos e os métodos de avaliação. Posteriormente, deu-se
ênfase ao método de opções reais, destacando os seus principais conceitos e as
circunstâncias nas quais seu uso é indicado. Uma pesquisa empírica foi conduzida
no setor de indústrias alimentícias, envolvendo as empresas mais relevantes
localizadas no estado do Ceará. A metodologia empregada foi eminentemente
qualitativa, utilizando questionários para obter alguns dados descritivos e entrevistas
a fim de coletar as informações principais da pesquisa. Os executivos responsáveis
pela gestão de TI nas empresas participaram da pesquisa, fornecendo dados sobre
as características dos projetos e como eles são atualmente avaliados. A pesquisa
mostrou uma série de exemplos de projetos analisados nas empresas que
incorporavam opções reais. Houve uma predominância de opções de expansão e de
postergação nos projetos, ao mesmo tempo em que não houve qualquer indício de
opções de abandono ou contração. A pesquisa também evidenciou que, em alguns
7

casos, o método de opções reais poderia ter sido empregado no processo decisório
para justificar os investimentos. Apesar de nenhuma das empresas pesquisadas ter
aplicado explicitamente o método de opções em seu processo decisório, percebeu-
se que os conceitos são usados ainda que de maneira não formal e não mensurável.
Isto indica a possibilidade de incorporação do método em casos nos quais os
projetos apresentam características de decisão contingencial e geração de
oportunidades futuras, ou seja, aqueles de natureza estratégica. A pesquisa concluiu
que o uso da abordagem de opções reais, mensurando o valor adicionado gerado
pelas opções existentes nos projetos, pode tornar o processo decisório sobre
investimentos em TI mais claro e objetivo do que simplesmente usar intuitivamente
os conceitos de opções.

Palavras-chave: Métodos de avaliação de investimentos; abordagem de opções


reais (AOR); tecnologia de informação (TI)
8

ABSTRACT

There are some ways to perceive the relevance of information technology (IT) in
companies. One of these ways is through the high volumes of financial resources
invested in IT projects. Besides, there are many evidences indicating a growing
tendency in IT capital budget. This scenery can lead to a discussion about the
methods utilized to justify these investments, considering the several kinds of
expected benefits and involved risks. Besides, certain projects can incorporate
characteristics like managerial flexibility in order to take advantages in positive
situations and avoid negative situations, possibility of future opportunities creation
and analysis and execution in stages. In this circumstance, these projects can be
evaluated through real options approach, which recognizes and assesses the added
value due to contingent decisions that can be taken thorough the life time of project,
providing a dynamic perspective to the valuation. The goal of this research is to verify
if, in fact, IT projects can be evaluated through real options approach and under
which circumstances this can be done. So, it was conducted a bibliographic revision
about IT investments characteristics. After this, elements observed in valuations were
researched, like project classification, expected returns, involved risks and valuation
methods. Further, the object of study was real options analysis, with emphasis in the
circumstances that indicate their use and their major concepts. An empirical research
was conducted in the food industry sector, specifically with the greatest companies
located in Ceará State. The predominant methodology was qualitative, using surveys
to collect some descriptive data and interviews to collect the core information. The IT
management responsible executives participate of this research, providing data
about the IT projects characteristics and how they are actually evaluated. The
research showed a number of examples of projects analyzed in companies that
incorporated real options. There was a predominance of expansion and delaying
options in the projects, while there was no evidence of abandonment and contraction
options. The research also showed that, in some cases, the real options method
could have been used in decision-making to justify the investments. Although none of
the researched companies apply explicitly the real options method, it was perceived
that the options concepts are used informally. This indicates the possibility of
incorporating the method in cases where projects have features for a contingency
9

and opportunities, that is, those of strategic nature. The research concluded that the
use of real options approach, measuring the value added generated by the existing
options in the projects, can make decision making on IT investments clearer and
more objective than just intuitively use the options thinking.

Keywords: Valuation methods; real options analysis (ROA); information technology


(IT)
10

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

FIGURA 1 - TIPOLOGIA DE INVESTIMENTOS EM TI SEGUNDO REMENYI ET


AL. ......................................................................................................... 34
FIGURA 2 - TIPOLOGIA DE INVESTIMENTOS EM TI SEGUNDO ROSS E
BEATH ......................................................................................................... 36
FIGURA 3 - CLASSIFICAÇÃO DE PROJETOS DE TI, SEGUNDO LEITE ......... 41
FIGURA 4 - COMPONENTES DE VALOR DE TI SEGUNDO RAU E BYE......... 48
FIGURA 5 - BENEFÍCIOS OFERECIDOS PELO USO DE TI SEGUNDO
ALBERTIN E ALBERTIN ........................................................................................... 50
FIGURA 6 - AVALIAÇÃO DE RISCO SEGUNDO HARRIS, HERRON E
IWANICKI ......................................................................................................... 58
FIGURA 7 - MODELO BÁSICO DE REALIZAÇÃO DE VALOR .......................... 72
FIGURA 8 - MODELO DE REALIZAÇÃO DE VALOR DE LUCAS ...................... 72
FIGURA 9 - MODELO DE REALIZAÇÃO DE VALOR DE TRICE E TREACY .... 73
FIGURA 10 - MODELO DE REALIZAÇÃO DE VALOR DE WEILL ....................... 73
FIGURA 11 - MODELO DE REALIZAÇÃO DE VALOR DE MARKUS E SOH ...... 74
FIGURA 12 - MODELO DE REALIZAÇÃO DE VALOR DE MCKEEN E SMITH ... 74
FIGURA 13 - MODELO DE REALIZAÇÃO DE VALOR SINTETIZADO ................ 74
FIGURA 14 - MODELO DE CRIAÇÃO DE VALOR DE DAVERN E KAUFFMAN . 75
FIGURA 15 - MODELO DE CONTRIBUIÇÃO DE VALOR DA TI DE HARRIS,
HERRON E IWANICKI .............................................................................................. 77
FIGURA 16 - MATRIZ DE TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO SEGUNDO FARBEY ET
AL. ......................................................................................................... 80
FIGURA 17 - CLASSIFICAÇÃO DE TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO SEGUNDO
KULAK ET AL. ......................................................................................................... 86
FIGURA 18 - CONE DE INCERTEZA ................................................................... 95
FIGURA 19 - RELAÇÃO ENTRE FLEXIBILIDADE GERENCIAL E INCERTEZA 105
11

LISTA DE QUADROS E TABELAS

QUADRO 1 - TIPOLOGIA DE INVESTIMENTOS EM TI SEGUNDO DEHNING ET


AL. ......................................................................................................... 37
QUADRO 2 - TAXONOMIA DE CUSTOS DIRETOS DE UM PROJETO SEGUNDO
REMENYI ET AL. ...................................................................................................... 42
QUADRO 3 - CATEGORIAS DE DESEMBOLSOS COM TI SEGUNDO HARRIS,
HERRON E IWANICKI .............................................................................................. 43
QUADRO 4 - BENEFÍCIOS POR TIPO DE INVESTIMENTO EM TI SEGUNDO
WEILL E ARAL ......................................................................................................... 49
QUADRO 5 - RISCOS DE INVESTIMENTOS ESTRATÉGICOS SEGUNDO
CLEMONS E WEBER ............................................................................................... 56
QUADRO 6 - TIPOS DE RISCOS EM PROJETOS DE SOFTWARE SEGUNDO
WALLACE ET AL. ..................................................................................................... 56
QUADRO 7 - FATORES AVALIADOS EM INVESTIMENTOS EM TI NO
PASSADO E NO PRESENTE ................................................................................... 60
QUADRO 8 - PRINCIPAIS DECISÕES DA GOVERNANÇA DE TI SEGUNDO
WEILL E ROSS ......................................................................................................... 71
QUADRO 9 - PROPÓSITOS, TIPOS E MEDIDAS DO INVESTIMENTO
SEGUNDO REMENYI ET AL. ................................................................................... 79
QUADRO 10 - GUIA PARA AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM TI SEGUNDO
WEN E SYLLA ...................................................................................................... 81
QUADRO 11 - CLASSIFICAÇÃO DE ABORDAGENS DE AVALIAÇÃO
SEGUNDO REMENYI ET AL. ................................................................................... 82
QUADRO 12 - CLASSIFICAÇÃO DE MÉTODOS DE AVALIAÇÃO SEGUNDO
STEWART E MOHAMED .......................................................................................... 85
QUADRO 13 - DIFERENTES INTERPRETAÇÕES DE FLEXIBILIDADE .......... 100
QUADRO 14 - RESUMO DAS TIPOLOGIAS DE PROJETOS DE TI
APRESENTADAS ................................................................................................... 112
QUADRO 15 - QUADRO DE CONGRUÊNCIA .................................................. 128
TABELA 1 - DADOS DESCRITIVOS DAS EMPRESAS .................................... 131
TABELA 2 - ESTRUTURA DE TI DAS EMPRESAS .......................................... 133
TABELA 3 - INVESTIMENTOS E DESPESAS OPERACIONAIS COM TI NAS
EMPRESAS ....................................................................................................... 134
QUADRO 16 - CARACTERIZAÇÃO DOS EXECUTIVOS DAS EMPRESAS ..... 136
QUADRO 17 - BENEFÍCIOS RELATADOS PELOS ENTREVISTADOS ........... 141
QUADRO 18 - BENEFÍCIOS RELATADOS PELOS ENTREVISTADOS ........... 142
QUADRO 19 - MÉTODOS DE AVALIAÇÃO RELATADOS PELOS
ENTREVISTADOS .................................................................................................. 149
QUADRO 20 - RISCOS RELATADOS PELOS ENTREVISTADOS ................... 159
QUADRO 21 - TRATAMENTO DOS FATORES DE RISCO .............................. 160
12

SUMÁRIO

DEDICATÓRIA ............................................................................................................ 4
AGRADECIMENTOS .................................................................................................. 5
RESUMO..................................................................................................................... 6
ABSTRACT ................................................................................................................. 8
LISTA DE ILUSTRAÇÕES ........................................................................................ 10
LISTA DE QUADROS E TABELAS ........................................................................... 11
SUMÁRIO.................................................................................................................. 12
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 14
1.1 JUSTIFICATIVA ................................................................................... 14
1.2 PROBLEMÁTICA ................................................................................. 19
1.3 OBJETIVOS ......................................................................................... 20
1.3.1 OBJETIVO GERAL ................................................................... 20
1.3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ..................................................... 21
1.4 HIPÓTESES ........................................................................................ 22
1.5 METODOLOGIA E ETAPAS DA PESQUISA ...................................... 23
1.6 CONTRIBUIÇÕES DA PESQUISA ...................................................... 25
1.7 ESTRUTURA DO TRABALHO ............................................................ 26
2 INVESTIMENTOS EM TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO ............................ 27
2.1 TI NAS ORGANIZAÇÕES.................................................................... 27
2.2 ASPECTOS SOBRE AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM TI ........ 31
2.3 TIPOLOGIAS DE INVESTIMENTOS EM TI ........................................ 34
2.4 CUSTOS EM PROJETOS DE INVESTIMENTO EM TI ....................... 41
2.5 RETORNOS OU BENEFÍCIOS ESPERADOS DE PROJETOS DE
INVESTIMENTO EM TI .................................................................................. 45
2.6 RISCOS ASSOCIADOS A INVESTIMENTOS EM TI .......................... 52
2.7 DIFICULDADES NA AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM TI ......... 58
2.8 MULTIDIMENSIONALIDADE DA AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS
EM TI ............................................................................................................. 64
3 AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO . 67
3.1 IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTO EM TI............. 67
3.2 MODELOS DE REALIZAÇÃO DE VALOR .......................................... 71
3.3 CLASSIFICAÇÕES DOS MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE
INVESTIMENTOS EM TI ................................................................................ 78
4 AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO
ATRAVÉS DE OPÇÕES REAIS................................................................................ 88
4.1 LACUNAS DOS MÉTODOS CONVENCIONAIS DE AVALIAÇÃO DE
INVESTIMENTOS .......................................................................................... 89
4.2 SUPOSIÇÕES RELACIONADAS AOS INVESTIMENTOS EM TI ....... 93
4.2.1 INCERTEZA.............................................................................. 93
4.2.2 OPORTUNIDADES FUTURAS ................................................. 95
4.2.3 DIVISÃO EM ESTÁGIOS .......................................................... 97
4.2.4 FLEXIBILIDADE GERENCIAL .................................................. 99
4.3 ABORDAGEM DE OPÇÕES REAIS.................................................. 101
4.3.1 CONCEITOS BÁSICOS .......................................................... 101
4.3.2 OPÇÕES REAIS ..................................................................... 103
13

4.3.3 AVALIAÇÃO............................................................................ 107


4.4 OPÇÕES REAIS E INVESTIMENTOS EM TI .................................... 108
4.5 TIPOS DE INVESTIMENTOS EM TI PASSÍVEIS DE AVALIAÇÃO
ATRAVÉS DE OPÇÕES REAIS ................................................................... 112
5 PESQUISA EMPÍRICA ................................................................................. 115
5.1 ASPECTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA DE CAMPO ......... 115
5.1.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ...................................... 115
5.1.2 UNIVERSO E AMOSTRA ....................................................... 117
5.2 INSTRUMENTOS DE PESQUISA ..................................................... 121
5.3 PRÉ-TESTE ....................................................................................... 125
5.4 COLETA DE DADOS ......................................................................... 128
5.5 DESCRIÇÃO DOS DADOS COLETADOS ........................................ 130
5.5.1 QUESTIONÁRIOS .................................................................. 131
5.5.1.1 EMPRESAS PARTICIPANTES ....................................... 131
5.5.1.2 EXECUTIVOS .................................................................. 136
5.5.2 ENTREVISTAS ....................................................................... 137
5.5.2.1 CLASSIFICAÇÃO DOS PROJETOS ............................... 137
5.5.2.2 BENEFÍCIOS ESPERADOS ............................................ 141
5.5.2.3 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO ........................................... 149
5.5.2.4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DE RISCOS ........................... 153
5.5.2.5 REAVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS ........................... 160
5.5.2.6 AVALIAÇÃO DOS PROJETOS EM ETAPAS .................. 162
5.5.2.7 AVALIAÇÃO DE OPORTUNIDADES GERADAS PELOS
PROJETOS.................................................................................... 166
5.5.2.8 CONSIDERAÇÃO DE FLEXIBILIDADE GERENCIAL NOS
PROJETOS.................................................................................... 168
5.5.2.9 CONHECIMENTO SOBRE OPÇÕES REAIS .................. 170
6 ANÁLISE CONSOLIDADA ........................................................................... 173
6.1 CONSECUÇÃO DOS OBJETIVOS ................................................... 174
6.2 VERIFICAÇÃO DAS HIPÓTESES ..................................................... 185
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................... 188
7.1 CONCLUSÃO .................................................................................... 188
7.2 LIMITAÇÕES ..................................................................................... 191
7.3 SUGESTÕES..................................................................................... 193
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 195
APÊNDICES............................................................................................................ 207
APÊNDICE I – MODELO DA CARTA DE APRESENTAÇÃO DA PESQUISA ........ 208
APÊNDICE II – QUESTIONÁRIO............................................................................ 209
APÊNDICE III – ROTEIRO DE ENTREVISTA ........................................................ 210
14

1 INTRODUÇÃO

1.1 JUSTIFICATIVA

Nas empresas, cada vez mais, a tecnologia de informação (TI) ganha


espaço, seja pela expectativa de agregar valor ao negócio, seja pela relevante
parcela que representa no orçamento de capital.

A agregação de valor, através do uso da TI, pode surgir de várias


maneiras. Por exemplo, pela redução de custos produtivos e/ou despesas
operacionais, através da automação de processos. Também pelo incremento de
receitas, através da ampliação das formas de se comunicar com os clientes e
atendê-los. De outra forma, pela possibilidade de estabelecer parcerias e alianças
estratégicas, gerenciadas por meio de ferramentas tecnológicas.

Os projetos de TI, por sua vez e em conseqüência, aumentam sua


participação nos orçamentos de capital das empresas. Aqueles envolvem aquisições
de equipamentos (hardware), pacotes de software, sistemas de telecomunicações e,
dependendo da empresa, pesquisa e desenvolvimento de soluções tecnológicas. De
maneira geral, são também necessários investimentos complementares: treinamento
de pessoal, contratação de consultorias e estabelecimento de novos processos de
trabalho.

Uma das funções desses orçamentos de capital é atestar a viabilidade


econômico-financeira da alocação dos recursos financeiros. Após a avaliação, a
decisão de se investir ou não no projeto pode ser tomada, e é geralmente realizada
mediante técnicas clássicas, tais como período de payback (PPB), taxa interna de
retorno (TIR), índice de lucratividade (IL) e o valor presente líquido (VPL). Cada uma
delas apresenta vantagens e desvantagens, que devem ser ponderadas no
momento do uso.

Estudos indicam, todavia, que a avaliação de investimentos em projetos


de TI não deve ser realizada unicamente pelos métodos convencionais de análise
15

econômica. A idéia central é que esses métodos não captam adequadamente nem
totalmente os benefícios esperados desses projetos, concentrando-se
fundamentalmente em análises quantitativas e desprezando eventuais retornos de
outras naturezas.

Por outro lado, talvez em função da complexidade da análise, as decisões


podem ser tomadas sem uma avaliação mais aprofundada, deixando de abranger
todas as possíveis dimensões do investimento. Aparentemente, isto pode abrir
margem para o uso acentuado do critério intuitivo nas decisões relacionadas ao
investimento em TI, tornando-as, em maior ou menor escala, arbitrárias.

Ainda assim, os retornos esperados de projetos de TI podem ultrapassar


aqueles diretamente observados por parâmetros financeiros. Na realidade, projetos
de TI podem, em um primeiro momento, evidenciar retorno financeiro indesejado
(VPL negativo, por exemplo), levando a uma decisão de rejeição dos mesmos. Por
outro lado, eles podem proporcionar à empresa um melhor posicionamento de
mercado, criar uma imagem positiva frente a clientes e fornecedores ou ainda ser
base para a execução de futuros projetos.

Ao serem considerados como etapas componentes de um projeto maior


passível de, em determinado momento futuro, ser ampliado, postergado ou
cancelado, de acordo com as condições que o envolvam, o projeto apresenta
características de uma opção real. Opções reais são direitos contingenciais sobre
ativos que podem ou não ser exercidos. Tais direitos, normalmente, são
apresentados na forma de compra ou venda desses ativos e são executados sob
uma circunstância positiva para seu detentor. Elas são similares às opções
financeiras, tendo, como ativos subjacentes, ativos reais ou projetos de
investimentos, em vez de ativos financeiros. Dada a prerrogativa da gerência em
postergar, ampliar ou cancelar o projeto, eles tomam a forma de opções, permitindo
à empresa executar ou não os projetos em avaliação de forma contingencial.

Outro ponto que reforça a existência de opções reais em projetos de TI é


a possibilidade de se considerar um projeto formado por etapas. Cada etapa
representa um nível de risco a ser ultrapassado e a etapa seguinte somente é
16

iniciada se a anterior indicar uma circunstância positiva. As decisões inerentes ao


projeto podem ser realizadas de acordo com as condições momentâneas e com
informações mais precisas, não sendo estaticamente tomadas no seu início de modo
inflexível.

Além dos retornos esperados, os riscos envolvidos em projetos de TI são


importantes na sua avaliação. A natureza desses projetos faz com que eles
apresentem um nível de risco considerável, que não é plenamente compreendido
pelos métodos convencionais de análise de investimentos.

Vários fatores de risco podem afetar estes projetos, refletindo em


ambientes de decisão inóspitos aos gestores. Dois tipos de riscos comumente
associados a projetos de TI são relacionados ao descumprimento de prazos e
orçamentos. A falta de projetos técnicos bem definidos e a incapacidade gerencial
costumam acarretar a extrapolação dos prazos inicialmente previstos e, como
conseqüência direta, os custos do projeto também sofrem um aumento. Além disso,
após a implantação do projeto, outros fatores de risco podem surgir, tornando seus
retornos esperados mais incertos, inclusive sujeitos a resultados negativos.

Desta forma, investimentos podem ser avaliados de maneira errada, fruto


da inadequada consideração do risco. Isto pode ocorrer porque quanto mais
intensos forem os fatores de risco, menor será o valor do projeto, quando calculado
através de técnicas de orçamento de capital. Portanto, ao lançar mão de métodos
quantitativos de avaliação, torna-se essencial incorporar os efeitos da incerteza de
certas variáveis nos resultados esperados.

Uma maneira de incorporar a existência do risco é através do ajuste na


taxa de desconto a ser aplicada sobre os fluxos de caixa. Quanto maior o risco
específico do projeto, maior deve ser sua taxa mínima de atratividade. Tal recurso,
no entanto, não é completamente adequado para contemplar o risco do projeto, pois
não incorpora os desvios possíveis nos resultados esperados. Ele apenas aumenta
a taxa de desconto, de forma que o resultado calculado seja reduzido. Além disso,
ao aumentar excessivamente a taxa, o valor do projeto pode tornar-se negativo,
recomendando, neste caso, sua rejeição.
17

Outras técnicas podem ser empregadas para contemplar o risco


específico do projeto. Dentre elas, podem ser citadas as análises de sensibilidade e
de cenários. A análise de sensibilidade é realizada sobre a perspectiva de alterações
isoladas de uma variável componente do projeto que tenha impacto no fluxo de
caixa projetado. Ao induzir alterações controladas nesta variável, verifica-se o efeito
no indicador calculado. Com isto, verifica-se a relevância do impacto desta alteração
no resultado do projeto.

A análise de cenários, por sua vez, amplia o conceito da análise de


sensibilidade por considerar concomitantemente variações em diferentes elementos
do fluxo de caixa. Desta forma, a análise é realizada em condições mais próximas da
realidade, uma vez que são esperadas variações em múltiplas variáveis ao mesmo
tempo em vez de alterações isoladas em apenas um elemento. Em adição, na
análise de cenários, é possível também estabelecer probabilidades de ocorrências
aos cenários estimados, o que permite calcular um valor esperado para o resultado
do projeto.

Outra técnica, apresentada em alguns estudos sobre projetos de TI, é a


simulação de Monte Carlo. Ela utiliza ferramentas computacionais e conceitos de
distribuição de probabilidade para incorporar à análise volatilidades esperadas para
as variáveis identificadas como incertas. Tanto as variáveis de entrada no modelo
como os resultados são apresentados em forma de distribuições de probabilidade,
conferindo à análise uma faixa de valores associada a níveis de confiabilidade. As
variáveis estocásticas são incorporadas ao modelo de fluxo de caixa e geram um
resultado com possíveis faixas de valores. Com isto, tem-se uma situação de risco,
na qual a incerteza é quantificada em uma distribuição de resultados, com as
probabilidades de ocorrências a eles associadas.

Ainda que esses métodos permitam a consideração e a mensuração dos


fatores de risco, com maior ou menor grau de precisão e sofisticação, eles não são
capazes de incorporar algumas características que podem surgir em projetos de TI.
Dessa forma, a abordagem de opções reais talvez possa modelar mais
adequadamente tais características.
18

Assim, é razoável, por exemplo, supor que os gestores dos projetos de TI


tomem decisões contingenciais, a fim de mitigar riscos e/ou aproveitar situações
novas. Estas decisões não são adequadamente captadas pelos métodos
convencionais, nem quando são utilizados os métodos que contemplam o risco
específico do projeto. Outrossim, os projetos de TI, em especial os de maior porte,
podem ser conduzidos em etapas cada qual com determinados insumos e
resultados esperados. Uma etapa somente é iniciada, caso os resultados anteriores
indiquem previamente resultados futuros desejados.

Desta forma, ao aliar a capacidade de usar variáveis estocásticas no fluxo


de caixa com a flexibilidade gerencial disponível aos gestores, cria-se uma
expectativa de avaliação mais adequada dos projetos de TI que tenham retornos
esperados quantitativos. A abordagem de opções reais mostra-se adequada neste
contexto incerto e com flexibilidade gerencial.

Além da proposição de usar os conceitos de opções reais, outra


motivação para o presente estudo é descrever como as empresas da amostra
avaliam projetos na área de TI. Pesquisas prévias indicam que há poucos estudos
sobre o uso de opções reais na avaliação de investimentos em TI em empresas
nacionais, embora estudos em outros países sejam mais difundidos.

A importância do tema objeto de estudo é evidenciada pelas vultosas


somas de recursos investidos em projetos de tecnologia pelas empresas, os quais
ocorrem sob a perspectiva de que haverá retorno. Porém, nem sempre esse retorno
é objetivamente medido, tampouco os riscos são incorporados devidamente à
análise.

Além disso, há entre acadêmicos e profissionais uma expectativa de que


a TI apresente um papel estratégico nos negócios. Havendo esta contribuição, a TI
pode ser encarada como um diferencial competitivo, em vez de uma mera
necessidade operacional. Este contexto, no entanto, dificulta as atividades de
avaliação dos investimentos, dada a dificuldade adicional de se estimarem seus
retornos, até porque estes tipicamente dependem, em menor ou maior grau, de
fatores externos ao projeto.
19

O setor escolhido para a condução da pesquisa foi o da indústria de


alimentos no Estado do Ceará, cuja decisão decorreu de alguns pontos, aqui
sumarizados. Em primeiro lugar, as empresas deste setor têm participação
destacada na economia do referido Estado, sugerindo relevância dos resultados
alcançados. Em segundo lugar, espera-se que nestas empresas haja uma
multiplicidade de tipos de projetos de investimento em TI que permitam uma análise
mais rica dos contextos nos quais as decisões são tomadas. Como decorrência dos
dois primeiros pontos, há também uma expectativa de que os projetos sejam de
porte considerável, o que também implica valores substanciais de investimentos. Por
último, embora não menos importante, as empresas deste setor têm forte
participação nacional e, muitas delas, atuam em outros países.

1.2 PROBLEMÁTICA

Alguns problemas permeiam este estudo e, pela complexidade do


assunto, muitas questões podem ser levantadas, encaminhando, porém, a uma
principal, objeto de análise.

De acordo com o(s) método(s) de avaliação usado(s), pode-se concluir


pela aceitação ou rejeição de um projeto em TI. Em uma mesma empresa ou grupo
empresarial, caso as decisões de investimento sejam descentralizadas e utilizem
critérios não padronizados, diferentes decisões podem ser tomadas para um mesmo
projeto, se avaliado por setores diferentes. Portanto, a inexistência de um método
padrão de avaliação pode tornar o processo e a decisão diferentes em cada setor da
empresa, favorecendo, com isto, o comprometimento da qualidade dos projetos e a
perda de valor da empresa.

Para evitar isto, o método deve ser claro e compreendido por todos os
stakeholders. Um primeiro tópico é a caracterização dos benefícios esperados, que
devem ser traçados e passíveis de mensuração. Entretanto, que tipos de benefícios
podem ser esperados a partir de um investimento em TI em uma empresa? Os
benefícios diretos esperados são apenas de natureza financeira ou ultrapassam esta
medida?
20

Outro ponto relevante envolve as características próprias de diferentes


empresas e projetos. Em princípio, diferentes projetos de TI podem apresentar
características que tornem sua avaliação particular. Nesse caso, será que todos os
investimentos em TI devem ser avaliados da mesma forma?

Esta problemática leva ao ponto principal a ser abordado no estudo: A


teoria de opções reais pode ser usada como método, considerando riscos,
retornos financeiros esperados e flexibilidade gerencial, para melhor
determinar a aceitação ou rejeição de um projeto de investimento em TI?

A resposta a este problema é possível pelo estudo de fatores de risco


inerentes a estes projetos, dos retornos esperados, quantitativos e qualitativos, e a
formulação de um modelo que congregue estes pontos de maneira clara, adaptável
e factível de ser empreendido.

Tal método, se adequadamente utilizado, poderia resolver a problemática


elencada anteriormente, contribuindo para a agregação de valor à empresa, pela
correta aceitação de bons projetos, pela padronização no processo de justificativa e
admitindo a existência de flexibilidade gerencial dos projetos.

1.3 OBJETIVOS

1.3.1 OBJETIVO GERAL

Dada a importância do tema e a problemática apresentada, o objetivo


geral da pesquisa é verificar a adequação da teoria de opções reais para avaliar
projetos de investimentos em TI no setor pesquisado.

Este método de avaliação deve contemplar várias dimensões de análise,


no que se refere a risco, retorno e flexibilidade gerencial. Pelas características
específicas de complexidade dos investimentos em TI, critérios amplos devem ser
adotados na avaliação e, se nem todas as dimensões forem devidamente
21

mensuradas, a avaliação será incompleta, levando, possivelmente, a decisões


equivocadas.

Portanto, a avaliação deve considerar, além dos retornos esperados, os


riscos envolvidos. A análise de investimentos em TI geralmente é feita em condições
de risco e falta de informações completas, principalmente se as tecnologias em
avaliação forem inovadoras ou com pouco histórico de uso na própria empresa ou
em outras, de forma a não prover uma base sólida de observação. Este grau de
incerteza acarreta a necessidade de o modelo incorporar a estimativa de risco em
sua estrutura. Assim, os fatores de risco dependem diretamente do tipo de
investimento analisado e da forma com que a empresa aborda o projeto.

A avaliação deve considerar também uma característica possivelmente


inerente a projetos de TI, que é sua flexibilidade gerencial. Eles não são estáticos
em sua implementação e podem ser postergados, reduzidos, ampliados ou
antecipados, de acordo com o cenário. Nesta possibilidade, os projetos de
investimento em TI podem aumentar seu valor, uma vez que as perdas podem ser
diminuídas ou oportunidades aproveitadas pela visão do projeto como uma ou várias
opções reais.

1.3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Para atingir o objetivo geral, foram elaborados alguns objetivos


específicos. O primeiro é descrever as classes de investimentos em TI no âmbito
empresarial. Os projetos de TI podem ser de vários tipos, apresentando, dessa
forma, características próprias em termos de recursos usados, retornos esperados e
riscos assumidos. A identificação dos tipos de projetos de TI é fundamental para a
pretensão do estudo, pois fornecerá uma perspectiva mais ampla do modelo ou, por
outro lado, definirá um tipo específico de projeto para delimitar a pesquisa.

O segundo objetivo específico é classificar os resultados esperados e


os riscos dos projetos de TI. Como o pressuposto básico da pesquisa é que
devem existir vários tipos de retorno em um projeto de TI, esses devem ser
22

investigados e classificados para análise. Além disso, seus objetivos podem variar
dentro de uma carteira de projetos, considerando que, tipicamente, uma empresa
avalia vários projetos concomitantemente e alguns podem ser base para outros
subseqüentes. De forma similar, os riscos assumidos também podem surgir em
várias frentes e devem ser devidamente classificados para a avaliação.

Verificar a existência de características adequadas ao uso de opções


reais nos projetos de TI é outro objetivo específico. A possibilidade de tomar
decisões de acordo com as condições em que o projeto está inserido pode conferir
um valor adicional ao investimento, ao utilizar os conceitos de opções reais. A
flexibilidade gerencial é fundamental para que a teoria das opções reais possa servir
aos propósitos de avaliação destes investimentos, pois amplia a visão de retorno
que se espera. Outra característica compreendida pelo método de opções reais é a
divisão do projeto em etapas, cujas execuções dependem, em parte, dos resultados
das etapas anteriores.

Sendo assim, identificar as circunstâncias nas quais se pode utilizar a


teoria das opções reais na avaliação é essencial para seu uso. Provavelmente, o
uso destes conceitos não seja aplicável a todos os projetos e a identificação desta
adequação é um objetivo para orientar seu emprego.

Estes objetivos auxiliarão na consecução do objetivo principal, dando


suporte à pesquisa e à busca da solução do problema apresentado.

1.4 HIPÓTESES

As hipóteses levantadas para a pesquisa visam objetivamente a verificar


se há características nos projetos de TI nas empresas da amostra que permitem ou
indicam o uso de opções reais como forma de avaliação.

A primeira hipótese a ser verificada na pesquisa supõe que alguns


projetos de investimento em TI nas empresas pesquisadas possuem
características que permitem sua avaliação através de opções reais. A
23

verificação desta hipótese é importante, pois sua confirmação abre espaço para o
uso de opções reais junto a alguns tipos de projetos de investimento em TI. Assim,
com esta hipótese, busca-se verificar se projetos são avaliados em sub-etapas e se
as oportunidades futuras e a incerteza são consideradas nas decisões.

A segunda hipótese declara que alguns projetos de investimentos em


TI possuem valor adicional devido à flexibilidade gerencial. Através dessa
verificação, supõe-se que o modelo de opções reais poderá ser aplicável a
empresas que analisem projetos de investimento em TI com a existência de
flexibilidade gerencial. Caso haja flexibilidade, espera-se a geração de valor
adicional nos projetos, que seria negligenciado se a abordagem de opções reais não
fosse aplicada.

A última hipótese a ser verificada na pesquisa supõe que a maioria das


empresas pesquisadas não considera formalmente a flexibilidade gerencial e
as opções disponíveis nos projetos de TI, através de técnicas de avaliação
baseadas em opções reais. Ela implica na expectativa de que existam elementos
de escolhas nos projetos avaliados tipicamente associados a opções reais e que não
estão sendo formalmente admitidos na avaliação. Desta forma, mesmo não
percebido pelos gestores, podem ser tomadas decisões através de critérios próprios
de opções reais, sem que estes conceitos sejam claramente entendidos como
decisões contingenciais e passíveis de mensuração quantitativa. Sua confirmação
abre espaço para o uso formal de opções reais na avaliação de projetos de TI, cujas
características assim o permitam, tal qual pesquisas anteriores sugerem.

Com a verificação seqüencial destas hipóteses, a pesquisa, dentro de


suas etapas, será conduzida entre os objetivos específicos até, finalmente, chegar
ao objetivo principal.

1.5 METODOLOGIA E ETAPAS DA PESQUISA

A primeira etapa envolveu uma pesquisa bibliográfica, na qual foram


revisados os métodos de avaliação de investimentos em TI, considerando
24

flexibilidade gerencial, retornos esperados, fatores específicos de risco e as


tipologias de projetos de TI. Esta pesquisa objetivou dar subsídios teóricos à
pesquisa empírica, através da consulta a livros e artigos científicos sobre os temas
em questão.

Uma pesquisa prévia indicou que a literatura apresenta alguns modelos


de avaliação que podem servir como ponto de partida na consecução dos objetivos
anteriormente propostos. Além disso, verificou-se também que os modelos de
avaliação, usando simulações computadorizadas e análise de opções reais, podem
ser adequados aos projetos aqui estudados.

A segunda etapa foi uma pesquisa de campo nas empresas da amostra,


com o objetivo de comparar as práticas empresariais com a expectativa do uso da
técnica de opções reais com este propósito. Através dessa etapa, buscou-se
verificar a adequação da técnica às empresas pesquisadas, buscando aliar a
proposta à realidade empresarial. Foi desenvolvida uma pesquisa de campo para
verificação das práticas empresariais e da aplicabilidade da técnica.

Para coletar os dados nas empresas, foram utilizados questionários e


entrevistas. A escolha por este último meio se deu pela capacidade de descrever o
método de avaliação de investimentos em TI e medir as variáveis relevantes para a
pesquisa, permitindo observar as características individuais, bem como as de todo o
grupo pesquisado. Ressalta-se também que essa decisão foi tomada considerando
a profundidade da investigação permitida com a entrevista. Certamente, a fim de
captar todas as nuances que permeiam as avaliações de projetos de TI, o uso de
entrevista proporciona uma maior capacidade de coletar dados relevantes.

Os questionários foram úteis à coleta de dados descritivos dos elementos


da amostra e dos respondentes. Eles contêm essencialmente questões fechadas e
foram formados de maneira a permitir seu rápido preenchimento.

As entrevistas foram semi-estruturadas, com perguntas abertas. Sua


aplicação foi pessoal, com a vantagem de permitir a compreensão de aspectos mais
25

aprofundados das empresas, bem como entender os contextos organizacionais


dentro dos quais as decisões são tomadas.

Após a realização da pesquisa de campo, segue-se para a próxima etapa


que é consolidar os dados coletados, codificando-os e tabulando-os para sua
análise. Nesta etapa, permitir-se-á incorporar as variáveis e/ou práticas descobertas
empiricamente e não observadas na proposição teórica inicial.

1.6 CONTRIBUIÇÕES DA PESQUISA

O tema pesquisado apresenta importantes contribuições profissionais e


acadêmicas.

Na esfera profissional, será proposta uma metodologia de avaliação que


auxiliará nas decisões tomadas pelas empresas, predominantemente do setor
investigado. Estas decisões poderiam ser padronizadas, unificando os critérios do
processo decisório, evitando a aceitação ou rejeição indevidas.

Em um setor cujos desembolsos com TI são bastante onerosos e


requerem uma avaliação que seja o mais assertiva possível, um método mais formal
de ponderação, evidenciando retornos em termos quantitativos, torna a decisão mais
objetiva.

Além disso, em um contexto de competição por recursos com outros tipos


de investimentos, principalmente aqueles voltados ao negócio principal, esta
objetividade, quando possível, é fundamental para auxiliar a decisão. Como
conseqüência direta, os recursos seriam otimizados, acarretando minimização da
necessidade de incorrer em financiamentos onerosos, bem como proporcionaria
uma carteira de investimentos mais rentável.

Do ponto de vista acadêmico, propõe-se uma discussão crítica sobre o


papel dos métodos de análise de investimentos em projetos de TI. O centro da
discussão será a incapacidade dos métodos convencionais em captar todos os
26

prismas relacionados a estes investimentos. Para a academia, será um modelo


conceitual gerador de discussão e estudo, a fim de contribuir para ampliar o
conhecimento atual.

Além disso, os conceitos de opções reais aplicados a investimentos em TI


podem lançar uma visão singular dos problemas associados a eles. Isto pode ser
evidenciado pela intensificação das pesquisas sobre opções reais em projetos de TI
ao longo dos últimos anos, às quais a presente busca adicionar uma parcela de
contribuição.

1.7 ESTRUTURA DO TRABALHO

O trabalho está estruturado em sete capítulos. O primeiro apresenta uma


revisão bibliográfica sobre aspectos de investimento em TI, especificamente no que
se refere aos tipos de investimentos, benefícios e custos esperados e riscos
envolvidos. Esta conceituação é importante, pois tanto benefícios como riscos
podem ser diferentes de acordo com os tipos de projetos em avaliação. O capítulo
seguinte apresenta uma revisão sobre métodos de avaliação de investimento em TI
encontrados na literatura. Ver-se-á que a literatura apresenta uma vasta gama de
métodos com este fim, cada qual aplicável em determinadas circunstâncias. Segue-
se com um capítulo de apresentação da abordagem de opções reais. Este assunto é
aprofundado neste capítulo de forma geral e posteriormente de forma específica
para investimentos em TI, mostrando pesquisas prévias.

A pesquisa de campo é objeto do capítulo seguinte, na qual estão


explicados todos os aspectos de preparação, execução e análise dos dados. Os três
capítulos posteriores apresentam as conclusões da pesquisa, suas limitações e
sugestões para estudos posteriores.
27

2 INVESTIMENTOS EM TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO

O presente capítulo aborda algumas dimensões relacionadas a


investimentos em TI. Inicialmente, são apresentados conceitos básicos e uma visão
introdutória da TI nas organizações. Em seguida, são expostos aspectos relevantes
sobre a avaliação de investimentos em TI, a fim de permitir um entendimento de sua
operacionalização e objetivos. Como forma de verificar a amplitude deste tópico, faz-
se a seguir uma apresentação de algumas tipologias de investimentos em TI, de
maneira a permitir um endereçamento adequado das expectativas em relação aos
projetos avaliados.

Em seguida, os tópicos custos, retornos e fatores de riscos de projetos de


investimento em TI são tratados. Estes três elementos são revistos teoricamente,
observando várias abordagens e contribuições de autores pesquisados.

A partir dessas leituras, os últimos tópicos apresentam questões que


dificultam a avaliação dos projetos em questão e argumentos em favor de uma
abordagem multidimensional de avaliação, a fim de captar todas as suas nuances.

2.1 TI NAS ORGANIZAÇÕES

O conceito de tecnologia de informação (TI), em uma acepção ampla, não


envolve somente recursos tecnológicos como computadores e softwares. Seu
conceito é bem mais abrangente, incluindo tecnologias de telecomunicações,
mobilidade, segurança e uso estratégico da informação (VELLOSO, 2003, p. 261).

Esse último aspecto é motivo de grande interesse acadêmico e


profissional. A expectativa da informação, interna ou externa, gera vantagem
competitiva, conferindo valor estratégico à TI, e estimula os investimentos, uma vez
que as informações disponíveis podem ser eficientemente coletadas, analisadas e
gerenciadas. Essas informações servem, no ambiente corporativo, para subsidiar
decisões operacionais, gerenciais e, em última instância, estratégicas (HARRIS;
28

HERRON; IWANICKI, 2008, p. 33; DEHNING; RICHARDSON; ZMUD, 2003;


CLEMONS; WEBER, 1990; MCFARLAN, 1984).

Powell (1992, p. 29), por exemplo, aponta quatro razões para usar a TI
como um recurso estratégico: ganhar vantagem competitiva, aumentar a
produtividade e o desempenho, permitir novas formas de gerenciar a organização e
desenvolver novos negócios. Para Scarso (1996, p. 41, tradução nossa), “tecnologia
é uma arma estratégica formidável que afeta profundamente a natureza das cinco
forças competitivas”. Lee (2004, p. 214, tradução nossa), por sua vez, afirma que a
TI “tem alterado rapidamente as formas com que as empresas operam seus
negócios”. Kulak et al. (2005, p. 275) defendem que a TI tem um papel fundamental
para o sucesso das empresas no atual contexto competitivo.

McAfee e Brynjolfsson (2008) afirmam que, desde meados da década de


1990, o nível de competitividade em vários setores da economia norte americana
tem se tornado bem mais intenso, com impactos observáveis na concentração da
indústria, velocidade de alternância dos líderes e nas diferenças de desempenho
entre os concorrentes. Suas pesquisas indicam que novas tecnologias podem
melhorar significativamente os processos operacionais dos negócios, de maneira
facilmente e amplamente replicável. Segundo eles, a TI pode proporcionar
vantagens competitivas às empresas que conseguem desenvolver uma tecnologia
inovadora, alterar a forma de trabalhar e propagar essa alteração pela organização.

Não obstante seu papel estratégico, a TI está presente em praticamente


todas as organizações. Tal presença é refletida, tanto no surgimento de
departamentos específicos para lidar com esta função, como nas iniciativas de
terceirização destas atividades. A figura do CIO (chief information officer) vem
alcançando status mais elevado na estrutura de poder e decisão nas organizações,
evidenciando tal relevância.

Em adição, o montante de capital aplicado em soluções e projetos


tecnológicos é significativo há anos e, em vários casos, crescente (MCAFEE;
BRYNJOLFSSON, 2008, p. 100; MEIRELLES, 2006, p. 17-19; LEE, 2004, p. 215;
RAU; BYE, 2003, p. 16; SCHWARTZ; ZOZAYA-GOROSTIZA, 2003, p. 57; ROSS;
29

BEATH, 2002, p. 51; REMENYI et al., 2000, p. 2; KUMAR, 1999, p. 301; LUBBE;
REMENYI, 1999, p. 145). Os recursos alocados para projetos de TI crescem na
mesma medida em que a informação ganha importância como insumo do trabalho e
ferramenta competitiva (IRANI; EZINGEARD; GRIEVE, 1998, p. 38). A “TI consome
recursos significativos quando comparada a outras funções, por causa do custo de
operar e gerenciar sua infra-estrutura e por causa de sua ubiqüidade na maioria das
organizações modernas” (HARRIS; HERRON; IWANICKI, 2008, p. 15, tradução
nossa).

Os investimentos em TI, por seu volume considerável e sua importância


nas organizações, necessitam ser justificados por um processo bem definido, de
maneira a limitar o risco de serem investidos recursos financeiros e não-financeiros e
os resultados alcançados não serem suficientes e/ou, até mesmo, negativos.
Outrossim, normalmente, os investimentos em TI apresentam uma vida útil longa e
incerta, reforçando a importância de uma avaliação minuciosa anterior à decisão de
investir.

Apesar dos investimentos em TI terem similaridades com investimentos


de outras naturezas, eles têm características peculiares, tais como: alto nível de
risco, benefícios potenciais substanciais, participação saliente no orçamento de
capital, dificuldades de avaliação decorrentes das mudanças e características
tecnológicas e, na maioria das organizações, falta de registros confiáveis das
estimativas e das medidas de custos e benefícios (REMENYI et al., 2000, p. 50).
Estas características despertam a necessidade de serem usados métodos de
avaliação adequados e que compreendam todos os fatores de risco associados.
Além disso, a existência de benefícios potenciais e as constantes mudanças
tecnológicas conferem a estes projetos certo grau adicional de complexidade.

Segundo Remenyi et al. (2000, p. 10, tradução nossa), “bens de capital


não têm qualquer utilidade intrínseca ou valor em si mesmos. [...] Um bem de capital
ou investimento é desejado porque pode ser usado na produção de outros bens e
serviços, os quais, por sua vez, podem proporcionar utilidade e valor”.
30

Investimentos em TI não têm, da mesma forma, valor em si (HARRIS;


HERRON; IWANICKI, 2008, p. 15). Este tipo de investimento apresenta um valor
potencial, dependente da forma com que a organização é capaz de se tornar mais
eficiente e eficaz, gerando o valor esperado (THORP, 2001, p. 26-27;
BRYNJOLFSSON; HITT, 2000, p. 25; DAVERN; KAUFFMAN, 2000, p. 122;
REMENYI et al., 2000, p. 9-10; KUMAR, 1999, p. 311; LUBBE; REMENYI, 1999, p.
146). Para Brynjolfsson e Hitt (1998, p. 55, tradução nossa), “a informatização não
aumenta automaticamente a produtividade, mas é um componente essencial de um
sistema mais amplo de mudanças organizacionais que a melhoram” e, segundo
Lubbe (1999, p. 4), apesar da TI isoladamente não gerar benefícios, ela possibilita a
criação de oportunidades para a sua geração.

Segundo Barua, Lee e Whinston (1996 apud DEVARAJ; KOHLI, 2002, p.


16), a realização completa dos benefícios de investimentos em TI é obtida se estes
forem integrados a um esforço de reengenharia de processos, sugerindo, portanto,
uma forte simbiose entre TI e processos organizacionais, a fim de que tais benefícios
se confirmem.

Dehning, Richardson e Zmud (2003, p. 638), por sua vez, afirmam que há
realização completa dos benefícios de TI quando o projeto tem objetivo claro, é
realizado no momento certo e é acompanhado por investimentos e ações
complementares. Sharif e Irani (1999, p. 190) afirmam que fatores organizacionais e
humanos são significativamente importantes para o sucesso dos projetos de TI.
Essa sinergia entre investimentos em TI e em outros ativos ou processos
(reestruturação organizacional, por exemplo) é designada na literatura como
complementaridade.

Além de ser fundamental para ampliar os benefícios do investimento, essa


complementaridade também impacta as relações competitivas da empresa no
mercado. “Quando todas as empresas essencialmente têm acesso ao mesmo
recurso de TI, a diferença nos benefícios competitivos e econômicos que elas
ganham a partir da TI passa para diferenças de gestão e não de tecnologia”
(DEVARAJ; KOHLI, 2002, p. 20, tradução nossa). Se as tecnologias tornam-se
acessíveis a todas as empresas, os benefícios esperados dependerão da
31

capacidade da empresa utilizar adequadamente as informações coletadas,


armazenadas, tratadas e informadas pelos recursos tecnológicos. Apenas investir
em TI não garante necessariamente qualquer vantagem competitiva, o que aumenta
o desafio de realizar a avaliação.

Sendo assim, tanto a TI afeta a estrutura e os processos organizacionais,


como estes impactam aquela. Isto posto, é de se esperar que a TI esteja inserida em
um contexto organizacional dinâmico, complexo e voltado para os objetivos
estabelecidos.

2.2 ASPECTOS SOBRE AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM TI

Algumas considerações sobre a avaliação de investimentos em TI devem


ser tratadas. Definir aspectos tais como contexto organizacional, momentos e tipos
de avaliação e níveis de análise são fundamentais.

A avaliação de TI deve ser compreendida no contexto que envolve tais


investimentos na organização. Esta atividade está envolta em processos sociais e
organizacionais. Pode ocorrer de várias formas e com vários critérios, seguindo
metodologias rigorosas ou apenas a intuição. Portanto, ela é um processo complexo
de decisão, envolvendo as várias relações possíveis entre os stakeholders e suas
expectativas (SERAFEIMIDIS; SMITHSON, 2003, p. 251). O contexto
organizacional, tanto interno como externo, pode influenciar e ser influenciado pelos
processos de avaliação, e pode ser descrito por variáveis, como: características
organizacionais (cultura, normas, etc.), limitações estruturais, expectativas em
relação à avaliação e requerimentos externos (SERAFEIMIDIS; SMITHSON, 2003,
p. 255).

“Estudos analisando o valor da TI podem ser agrupados de acordo com


sua ontologia, tipo de valor, nível de análise e dados” (MCKEEN; SMITH; PARENT,
1999, p. 7, tradução nossa). A ontologia diz se o estudo será baseado em caso
(único ou múltiplo) ou em um modelo, evidenciando a estratégia utilizada pela
pesquisa para atingir seus objetivos.
32

O tipo de valor se refere aos tipos de retornos esperados do investimento,


podendo ser dados em termos financeiros e/ou econômicos ou estratégicos. Pode-
se observar, com certa facilidade, que um projeto de TI pode apresentar tipos
variados de retornos, com diferentes naturezas.

O nível de análise define em que instância ocorre a avaliação.


Investimentos em TI podem ser avaliados nos níveis macroeconômico, em uma
determinada indústria, em uma empresa, em um departamento da empresa, em um
projeto ou, até mesmo, em um indivíduo (DEVARAJ; KOHLI, 2002, p. 15; DAVERN;
KAUFFMAN, 2000, p. 122; WEHRS, 1999, p. 25-26).

A avaliação em cada nível anteriormente mencionado pode apresentar


métodos e objetivos diferentes. No nível macroeconômico, por exemplo, objetiva-se
verificar o impacto agregado dos investimentos realizados por todos os agentes
econômicos. A análise no nível da indústria verifica os investimentos e retornos
obtidos em um determinado setor industrial, além de permitir identificar
particularidades e tendências setoriais de investimentos. Os estudos no nível
empresarial buscam relacionar os investimentos em TI e o resultado da empresa a
partir destes investimentos. De forma análoga, os estudos em nível departamental e
individual buscam estabelecer essa relação respectivamente em relação aos
resultados do departamento da empresa e do indivíduo. No nível de projeto, por sua
vez, o objetivo é verificar seus benefícios específicos, sem considerar o restante da
carteira de investimentos.

Vários estudos sobre investimentos em TI, nos níveis macroeconômico,


industrial e da empresa, levaram ao surgimento do conceito de paradoxo da
produtividade. Ele indica uma incapacidade de demonstrar conclusivamente a
relação entre investimento em tecnologia e o desempenho do setor ou das
organizações. Os estudos, apoiados predominantemente em técnicas
econométricas, no entanto, apontam resultados contraditórios e alguns
pesquisadores questionam esse paradoxo em função de deficiências em seus
pressupostos e dos métodos empregados (DEVARAJ; KOHLI, 2003; KOHLI;
DEVARAJ, 2003; ROSS, 2002; LIN; PERVAN, 2001, p. 4; TONGE; LARSEN;
ROBERTS, 2000; SIRCAR; TURNBOW; BORDOLOI, 2000; DEWAN; KRAEMER,
33

2000; CHAN, 2000; AHITUV; LIPOVETSKY; TISHLER, 1999, p. 62-65; DASGUPTA;


SARKIS; TALLURI, 1999; WILLCOCKS; LESTER, 1997; BRYNJOLFSSON; HITT,
1996; BRYNJOLFSSON, 1993).

Por último, segundo a categorização de Mckeen, Smith e Parent (1999),


dados se referem aos seus tipos e de que forma os resultados são oferecidos pelos
investimentos. Esses tipos podem ser quantitativos, qualitativos ou uma combinação
deles. Dados quantitativos ocorrem quando os benefícios esperados podem ser
quantificados em termos financeiros ou operacionais. Dados qualitativos existem
quando os benefícios são explicados em termos subjetivos, com uma pequena
capacidade de quantificação, mas não menos importantes. E, por último, o mais
comum: uma combinação de dados quantitativos e qualitativos, oferecendo um
maior espectro para a decisão.

Outra classificação importante diz respeito ao momento de realização da


avaliação, podendo ser ex-ante ou ex-post (REMENYI et al., 2000, p. 25-26;
WEHRS, 1999, p. 25-26).

Uma avaliação ex-ante é realizada antes do desembolso de capital e tem


caráter prospectivo. Esta avaliação se baseia em fluxos de caixa e benefícios
esperados e suporta a decisão de aceitação ou rejeição do investimento.

A avaliação ex-post, por sua vez, é realizada após a execução do


investimento. Seu objetivo é verificar os retornos efetivamente alcançados em
função do investimento, confirmando ou refutando se eles ocorreram de acordo com
o previsto. Além disto, os resultados dessa avaliação podem tornar-se guias para
orientar a avaliação de investimentos similares no futuro, como um benchmarking.

Em um investimento em TI, segundo Engermann e Miller (1999, p. 322),


os retornos e custos podem ser analisados ao longo de quatro dimensões. A
primeira é a sua funcionalidade, ou seja, a forma com que a TI alcança seus
objetivos e, conseqüentemente, como gera valor para a organização. A segunda é
dada pelas novas capacidades proporcionadas pela tecnologia para a organização,
de um ponto de vista operacional ou competitivo. A primeira dimensão é de
34

quantificação mais fácil do que a segunda, cujos resultados podem ser


predominantemente intangíveis.

A terceira dimensão é a forma com que o novo investimento interage com


a matriz de investimentos e as aplicações atuais. Essa interação pode criar sinergias
positivas, conduzindo a retornos maiores do que os observados individualmente por
cada investimento, ou negativas, aumentando os custos em uma proporção maior. A
última dimensão relaciona-se aos riscos incorridos pelo investimento realizado, que
podem surgir em várias frentes e devem ser considerados na sua avaliação.

2.3 TIPOLOGIAS DE INVESTIMENTOS EM TI

Os investimentos em TI podem ter inúmeros objetivos e características,


sendo relevante buscar uma classificação para orientar a análise. A literatura
apresenta várias tipologias, cada qual com diferentes critérios de agrupamento dos
projetos.

A tipologia de Remenyi et al. (2000, p. 43-44) apresenta quatro tipos de


investimento em TI, relacionando suas posições comparativas em termos de risco e
de lucratividade, tal como sumarizada na figura 1.
Risco +

Prestígio P&D

Negócio principal Obrigatório


-

+ Lucratividade -

Figura 1 - Tipologia de investimentos em TI segundo Remenyi et al.


Fonte: REMENYI et al. (2000, p. 43)

Os investimentos em TI relacionados ao negócio principal são, em


princípio, melhor gerenciados e avaliados pelas empresas, dada a expectativa do
profundo conhecimento que os tomadores de decisão têm sobre ele. Espera-se que
a avaliação dos benefícios e dos custos envolvidos seja mais fácil, assim como as
35

implicações de não realizá-lo. Em princípio, devem existir relativamente poucas


alternativas, com as quais os tomadores de decisão devem estar razoavelmente
confortáveis. Como decorrência, espera-se um baixo nível de risco neste tipo de
investimento, ao mesmo tempo em que se tem a expectativa de um alto nível de
lucratividade, uma vez que seus retornos esperados devem impactar diretamente no
negócio principal (REMENYI et al., 2000, p. 37-38).

Os investimentos obrigatórios são aqueles em que a organização não


pode deixar de incorrer. Como exemplo típico desse tipo de investimento, há as
obrigações legais do governo para adotar determinadas tecnologias. Nesses casos,
os critérios de avaliação possivelmente não apontariam um retorno positivo e,
mesmo assim, dada a imposição legal, devem ser realizados os investimentos. Em
função disso, esperam-se risco e lucratividade relativamente baixos (REMENYI et
al., 2000, p. 36-37).

Investimentos em projetos de prestígio normalmente não têm benefícios


facilmente observáveis, o que lhes confere um maior nível de risco. Critérios como
imagem corporativa e satisfação dos colaboradores são intrínsecos a esses
investimentos, que incluem treinamento de pessoal e relações públicas. Portanto,
eles não devem ser avaliados somente em termos financeiros, uma vez que esses
critérios possivelmente terão um acentuado grau de complexidade para serem
determinados, implicando em utilizar benefícios intangíveis como parte da decisão.
Investimentos desse tipo podem ter um grande número de alternativas, e os
tomadores de decisão normalmente devem encabeçar o projeto. Tais projetos, no
entanto, pelo potencial de retorno no longo prazo, geram expectativas de retornos
substanciais, ainda que em um horizonte temporal distante (REMENYI et al., 2000,
p. 39-42).

Investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) objetivam assegurar


o futuro da organização, ajudando-a a manter vantagens competitivas no futuro, pela
inovação em produtos ou processos. As justificativas para esses investimentos são
difíceis, pois os seus horizontes temporais de maturação são longos e o ambiente
futuro é incerto (REMENYI et al., 2000, p. 42).
36

Remenyi et al. (2000, p. 43-44) comentam que a tipologia por eles


apresentada guarda estreita semelhança com a matriz de investimentos estratégicos
de McFarlan. A matriz em questão utiliza duas dimensões para ser formada. A
primeira é o grau de impacto atual que a TI tem na organização e a segunda, o grau
de impacto futuro que a TI terá sobre a organização. Segundo eles, sistemas de
suporte (baixo impacto atual e futuro) são similares aos obrigatórios. Sistemas do
tipo reviravolta (baixo impacto atual e alto impacto futuro) são semelhantes aos de
P&D. Sistemas fábrica (alto impacto atual e baixo impacto futuro), por sua vez, têm
características próximas às dos investimentos no negócio principal. Os sistemas
estratégicos (alto impacto atual e futuro), por fim, assemelham-se aos de prestígio
(NOLAN; MCFARLAN, 2005, p. 99).

Para Ross e Beath (2002, p. 53), os investimentos em TI diferem entre si


em duas dimensões: objetivos estratégicos e escopo de tecnologia. Os objetivos
estratégicos de um investimento em TI podem ser de curto ou longo prazo, e o
escopo tecnológico pode ser infra-estrutura ou solução de negócio. A combinação
desses estados gera quatro tipos de investimentos em TI. A figura 2 apresenta esses
quatro tipos de investimentos, dispostos ao longo de um eixo horizontal (objetivos
estratégicos) e um eixo vertical (escopo).

Curto prazo Longo prazo

Solução de negócio Melhoria de Processos Experimentos

Renovação Transformação
Infra-estrutura

Figura 2 - Tipologia de investimentos em TI segundo Ross e Beath


Fonte: ROSS; BEATH (2002, p. 53)

Os investimentos do tipo transformação são necessários quando a infra-


estrutura da organização limita sua habilidade de desenvolver aplicações
necessárias ao sucesso de longo prazo. Os investimentos em renovação ocorrem
quando a infra-estrutura está desatualizada e/ou o fornecedor encerra suas
atividades, bem como quando há oportunidades de redução de custos e aumento da
qualidade dos serviços com sua renovação.
37

Os investimentos em melhoria de processos objetivam incrementar o


desempenho operacional no curto prazo. E, finalmente, os experimentos são
aqueles investimentos em novas tecnologias aplicadas que permitem à organização
oportunidades de adotar novos modelos de negócio.

Dehning, Richardson e Zmud (2003, p. 639-640), baseados em Chein


(1992) e Zuboff (1988), classificam os investimentos em TI de acordo com o papel
estratégico que eles têm na organização. São quatro categorias (automação,
informação para cima, informação para baixo e transformação) que proporcionam
diferentes benefícios esperados. A categorização, os benefícios esperados e os
exemplos são resumidos no quadro 1:

Categoria Benefícios Esperados Exemplo


Aumentar eficiência dos Troca de trabalho humano por
Automação
processos e reduzir custos processos automáticos
Melhorar o processo decisório Prover informações operacionais
Informação para baixo nos menores níveis sobre o negócio para os demais
organizacionais colaboradores
Melhorar o processo decisório
Prover informações gerenciais sobre
Informação para cima nos maiores níveis
o negócio para a alta gerência
organizacionais
Introduzir transformações Redefinir fundamentalmente os
Transformação radicais no modelo de negócio processos de negócio e da indústria
da indústria e os relacionamentos
Quadro 1 - Tipologia de investimentos em TI segundo Dehning et al.
Fonte: Adaptado de DEHNING; RICHARDSON; ZMUD (2003, p. 639-640)

Os autores argumentam que os investimentos em transformação, apesar


de complexos e, conseqüentemente, mais arriscados que os demais, quando bem
sucedidos, permitem à empresa obter uma vantagem competitiva mais sustentável
no longo prazo. Os demais tipos de investimentos podem ser rapidamente copiados
e/ou melhorados pelos concorrentes, conferindo à organização uma vantagem
efêmera.

Esta tipologia, portanto, evidencia uma maior relevância estratégica dos


projetos de transformação e de informação para cima. Os outros dois tipos,
automação e informação para baixo, apresentam-se predominantemente no nível
operacional.
38

Outra classificação de investimentos em TI associa-se ao conceito de


carteira de investimentos em ativos financeiros, cujos retornos e riscos individuais
impactam no resultado total da carteira. Para Weill e Aral (2006, p. 40-42), a carteira
de investimentos de TI em uma organização é formada por quatro tipos de projetos:
infra-estrutura, transacionais, informacionais e estratégicos.

Investimentos em infra-estrutura são aqueles que permitem todas as


aplicações posteriores serem executadas e, por suas características, podem ser
compartilhados por vários setores da organização. Investimentos em redes de
comunicação, servidores e softwares de gerenciamento de bancos de dados, por
exemplo, fazem parte desta categoria de investimento.

O possível compartilhamento desses investimentos ao longo de parte ou


de toda a organização dificulta sua avaliação, uma vez que a alocação apropriada
de custos e benefícios aos setores beneficiados é um desafio. Além disso, em
muitos casos, os investimentos em infra-estrutura não representam um fim em si. Na
realidade, eles são realizados para permitir que outros investimentos posteriores
possam ser realizados, os quais, por sua vez, têm a capacidade de gerar valor.

Investimentos transacionais têm objetivos principais de automatizar


tarefas e reduzir custos operacionais da organização. São, tipicamente,
investimentos em sistemas de informação de uso operacional, e seus custos e
retornos podem ser apresentados e avaliados em termos quantitativos. Estes
indicadores quantitativos podem ser financeiros ou operacionais.

Indicadores financeiros são aqueles expressos em termos de fluxos de


caixa incrementais ou indicadores calculados a partir destes. Se, por exemplo, um
investimento é realizado com o objetivo de reduzir desembolsos operacionais
(custos e/ou despesas), pode-se calcular o retorno esperado com esse investimento
a partir de métodos de engenharia econômica.

Indicadores operacionais não têm necessariamente uma apresentação


financeira, mas são expressos de maneira quantitativa. Como exemplo, podem ser
citados indicadores de eficiência, que relacionam a quantidade de determinado
39

produto final dados os insumos utilizados. Quanto maior esta relação (mais saída
para a mesma entrada ou a mesma saída para menos entrada), melhor será o
resultado. Se o investimento proporciona melhoria em um indicador desse tipo,
então é observado um resultado positivo.

Investimentos informacionais são aqueles que geram informações


pertinentes à tomada de decisão por parte dos gestores. Seus retornos são menos
claros, pois fornecem subsídios à tomada de decisão gerencial. No entanto, não
apresentam necessariamente benefícios diretamente quantificáveis. As informações
geradas por tais sistemas munem os gestores com informações preciosas no
processo decisório, com a esperança de melhorar o desempenho da organização,
em decorrência de melhores decisões.

Por fim, os investimentos estratégicos são usados com o objetivo de


proporcionar à organização vantagem competitiva. Eles permitem também criar ou
aproveitar oportunidades de negócios, que podem ser realizadas em longo prazo.

“Cada um desses tipos de investimentos representa uma classe diferente


de TI, com suas próprias características de risco e retorno” (WEILL; ARAL, 2006, p.
40, tradução nossa). De forma similar a uma carteira de investimentos financeiros,
esta deve ser montada de acordo com as análises devidas da relação entre os riscos
incorridos e os retornos esperados.

Além disso, percebe-se uma certa hierarquia nas categorias de projetos já


evidenciadas. Em princípio, investimentos em infra-estrutura formam uma base
sobre a qual os demais investimentos podem ser realizados. Portanto, antes de
investir em projetos transacionais, informacionais e/ou estratégicos, anteriormente
devem ter sido realizados investimentos em projetos de infra-estrutura. Em seguida,
também se espera que projetos transacionais precedam os informacionais e/ou
estratégicos, até porque estes últimos dependem das informações geradas pelo
primeiro. Por fim, os investimentos informacionais também geram importantes
subsídios para os classificados como estratégicos, implicando a continuidade desta
hierarquia.
40

Leite (2003, p. 42-50) propõe uma classificação dos projetos de TI


baseada nos seus benefícios esperados. Ele classifica os projetos em: mecanização,
redução de perdas, expansão da capacidade, processo decisório e uso estratégico.

Os projetos de mecanização consistem em eliminar ou diminuir o trabalho


manual através do emprego da tecnologia. Com isto, alguns benefícios esperados
são a redução de custo de mão-de-obra e o aumento da produtividade pela
execução mais eficiente das atividades. A materialização de tais investimentos
normalmente está associada aos níveis operacionais da empresa.

Os projetos de redução de perdas objetivam minimizar desperdícios no


processo produtivo e/ou administrativo, bem como aumentar a eficiência das
operações. Seus retornos ainda podem ser bem observados por métricas
quantitativas, uma vez que a redução de perdas é traduzida em menor nível de
insumos para um mesmo nível de saída.

Outro tipo de projeto é o de expansão da capacidade. Através de certos


tipos de investimentos em TI, podem ser alcançadas maiores escalas de trabalho.
Sem esse auxílio, as organizações se deparariam, em algum momento, com uma
incapacidade de lidar com quantidades substanciais de dados e clientes, por
exemplo. Poderiam também não conseguir ampliar o escopo geográfico ou deixar de
atender a um nicho específico do mercado. A justificativa para esses projetos já
começa a apresentar um maior nível de dificuldade, pois as técnicas de avaliação
quantitativas talvez não reflitam esses benefícios de maneira tão clara.

Os projetos de melhoria do processo decisório embutem um nível


adicional de complexidade. Seu objetivo principal é auxiliar os gestores em suas
decisões, munindo-os com informações relevantes para tal. Os benefícios potenciais
são grandes, porém dificilmente quantificáveis. Sendo assim, técnicas de análise
baseadas em métricas financeiras provavelmente não indicariam sua adoção. Por
outro lado, pode haver uma expectativa forte de que as informações geradas por
esses sistemas tenham um valor relevante, na medida em que permitirão decisões
melhor embasadas e com resultados supostamente melhores para a empresa.
41

Por último, os projetos de uso estratégico objetivam a aquisição de


vantagens competitivas para a organização posicionar-se melhor frente aos
concorrentes. Os retornos esperados, nesse caso, são complexos, têm horizontes
temporais muito longos e várias implicações, o que torna sua avaliação um exercício
com alto grau de dificuldade. Apesar dessa dificuldade, esses projetos são
normalmente associados a níveis elevados de benefícios e riscos potencias. Tais
projetos têm a capacidade de alterar toda a dinâmica competitiva em um setor, bem
como mudar as bases de competição. Em outros casos, podem ser criados novos
mercados até então inexistentes.

Ainda segundo o autor, a classificação dos projetos reflete também a


seqüência de investimentos adotada pela maioria das empresas.

A figura 3 resume os conceitos propostos, passando a idéia da hierarquia


entre eles, no que se refere à seqüência de investimentos, benefícios e riscos
potenciais e ao nível de dificuldade em justificá-los.

Figura 3 - Classificação de projetos de TI, segundo Leite


Fonte: LEITE (2003, p. 50)

2.4 CUSTOS EM PROJETOS DE INVESTIMENTO EM TI

Estimar os custos em projetos de investimento de TI é uma tarefa


fundamental para a avaliação. Essa atividade requer identificar todos os custos
42

envolvidos no projeto, mesmo aqueles não diretamente desembolsados em função


do mesmo. Essa identificação é uma tarefa complexa, por vezes mal compreendida
pelos gestores (REMENYI et al., 2000, p. 85) e, dependendo das técnicas usadas,
alguns custos tornam-se encobertos e difíceis de identificar (ANANDARAJAN;
ANANDARAJAN, 1999, p. 282). No entanto, por mais árdua que seja essa tarefa,
mensurar esses custos é essencial para fazer uma avaliação objetiva e quantitativa
do projeto.

A literatura apresenta várias taxonomias de custos em projetos de TI.


Love, Ghoneim e Irani (2004, p. 316) fazem uma compilação de várias taxonomias e
uma delas divide os custos em diretos e indiretos, com estes últimos subdivididos
em humanos e organizacionais (REMENYI et al., 2000, p. 86-88; IRANI;
EZINGEARD; GRIEVE, 1998, p. 40-42).

Os custos diretos de TI são aqueles que podem ser atribuídos à


implementação e operação do projeto, conforme quadro 2.

Classificação de Custos Diretos Exemplos de Custos Diretos


Custos operacionais ambientais Suprimento ininterrupto de energia
Servidores, terminais, equipamentos de backup e
Custos de equipamentos
impressoras
Módulos de software, software de banco de dados e
Custos de softwares
software de gerenciamento de rede
Consultoria, cabeamento e instalação de
Custos de instalação e configuração
equipamentos
Custos de operação (energia, aluguel) e material de
Custos “amplos”
consumo
Custos de treinamento Curso sobre o uso do sistema
Custos de manutenção Contratos de manutenção do sistema
Quadro 2 - Taxonomia de custos diretos de um projeto segundo Remenyi et al.
Fonte: adaptado de REMENYI et al. (2000, p. 89)

Os custos humanos indiretos referem-se àqueles ligados às pessoas que


direta ou indiretamente usarão o sistema em análise. Como exemplos de custos
humanos indiretos têm-se: gestão de recursos, custos de propriedade, tempo,
motivação e treinamento dos colaboradores, esforço e dedicação à gestão e tempo
de gerenciamento (REMENYI et al., 2000, p. 90-92).
43

Os custos indiretos organizacionais ocorrem devido à implantação do


sistema e das mudanças organizacionais subseqüentes. Em um primeiro momento,
por exemplo, pode ocorrer uma perda de produtividade derivada da curva de
aprendizado. Em seguida, podem surgir custos relacionados à resistência à
mudança, reestruturação organizacional, deslocamento de recursos organizacionais
e outros próprios de cada organização (REMENYI et al., 2000, p. 92-94). Tais
circunstâncias e impactos nos custos podem variar entre organizações, porém,
independente das ocorrências dessas conseqüências, espera-se que haja um
reflexo nos custos.

Discorrendo sobre orçamentos de TI em uma organização, Harris, Herron


e Iwanicki (2008, p. 44-46) sugerem a existência de seis categorias de desembolsos
com TI, as quais são sumarizadas no quadro 3:

Categoria de Desembolso Observações


Salários, encargos sociais, benefícios e bônus para todos os
Despesas de Pessoal
colaboradores em tempo integral ou parcial
Serviços Profissionais Serviços de consultoria, terceirizados e outsourcing
Aquisição e renovação de licenças e manutenção e atualização de
Software
softwares
Aquisição de servidores, computadores, notebooks, handhelds,
Hardware switches, roteadores e demais equipamentos necessários às
atividades de TI
Despesas com viagem e estadia são comuns em organizações que
Despesas de Viagem
mantêm estruturas físicas dispersas
Comunicação, Suprimentos Desembolsos com comunicações (voz e dados) e compras de
e Outras suprimentos para uso nas atividades de TI
Quadro 3 - Categorias de Desembolsos com TI Segundo Harris, Herron e Iwanicki
Fonte: adaptado de HARRIS; HERRON; IWANICKI (2008, p. 44-46)

Rolland e Maghroori (1999, p. 277) consideram os custos relacionados


aos projetos de TI como uma combinação de fatores tangíveis e intangíveis, cuja
classificação se apresenta em custos de recursos humanos, equipamentos e
produtividade, além do investimento de capital. Os custos relacionados aos recursos
humanos são normalmente ligados às funções de contratação, treinamento e
dispensa de pessoal, mesmo considerando atividades com terceirizados.
Aparentemente, segundo os autores, tal categoria apresentou substancial aumento
nos últimos anos, pela valorização do trabalho intelectual dos colaboradores.
44

Os custos de equipamentos relacionam-se à manutenção do hardware


necessário para as soluções. Essas, cada vez mais, demandam equipamentos
sofisticados e diversos, tais como, por exemplo, computadores móveis, celulares
com capacidade de processamento e equipamentos específicos de telemetria e
captura de dados.

Os custos de produtividade decorrem de uma queda momentânea no


desempenho operacional, inerente aos esforços direcionados à implementação da
solução, ao processo de mudança e à curva de aprendizagem própria da
implantação de novas tecnologias. Estes fatores conduzem a questões também
relacionadas à aceitação e ao uso de novas tecnologias no ambiente organizacional.

Em uma pesquisa conduzida com sistemas do tipo cliente/servidor,


Anandarajan e Anandarajan (1999, p. 284-286) apontam a existência de custos
escondidos, devido à dificuldade de identificá-los e mensurá-los adequadamente.
Tais custos podem ser classificados de duas maneiras: tecnológicos e não-
tecnológicos.

Os custos escondidos tecnológicos são relacionados à parte técnica do


projeto, tais como: treinamento técnico, existência de múltiplos sistemas integrados,
requerimentos de segurança e backup, licenças de softwares e bancos de dados,
falhas de conexão e quedas no sistema. Os não-tecnológicos são relacionados
fundamentalmente à mão-de-obra e à necessidade de pessoal para executar
atividades de planejamento e manutenção do sistema, por exemplo.

As fontes de informações para determinar os custos do projeto de TI são


fundamentais. Algumas informações são obtidas junto aos participantes do projeto
(fornecedores, contratados, consultores, etc.). Outras decorrem da verificação dos
recursos disponibilizados pela equipe interna (análise de requisitos, confecção do
projeto e desenvolvimento). “Independente das abordagens para estimar custos,
elas devem ser feitas com considerável cuidado, pois estão sujeitas a erros”
(REMENYI et al., 2000, p. 112, tradução nossa).
45

Três estratégias para redução de custos em sistemas de informação são


propostas por Remenyi et al. (2000, p. 102-104). A primeira é terceirizar totalmente
ou parcialmente os sistemas, mantendo cuidado na gestão dos contratos e na
terceirização de sistemas estratégicos. A segunda é proceder com um rightsizing ou
um downsizing parcial ou total dos sistemas, passando, por exemplo, de uma
estrutura de mainframes para máquinas de menor porte ou ajustando a capacidade
de processamento das soluções para as reais necessidades da organização. A
última estratégia é “ceifar” a TI, mantendo o legado pelo maior período de tempo
possível e evitando custos atuais incrementais. Essa última estratégia, em curto
prazo, pode proporcionar melhores resultados. Porém, em longo prazo, pode
comprometer a empresa devido à defasagem tecnológica e à necessidade de
maiores investimentos na tentativa de recuperar o tempo perdido.

Outro aspecto relacionado aos custos é o seu perfil, que mudou com o
passar dos anos e os elementos mais substanciais sofreram mudanças. “À medida
que os gastos com hardware continuam a cair, custos relacionados a pessoal e à
organização estão aumentando” (REMENYI et al., 2000, p. 88, tradução nossa). O
crescente aumento da sofisticação e complexidade das aplicações necessárias ao
suporte das atividades das organizações leva a um maior desembolso para
remunerar o capital intelectual necessário à operacionalização dos projetos de TI.

Alguns custos, no entanto, não são relacionados apenas a um projeto de


investimento. “Pode ser difícil alocar custos a projetos específicos quando um
produto será usado por toda a organização, tal como o caso de um banco de dados
corporativo ou a instalação de uma rede de telecomunicação“ (REMENYI et al.,
2000, p. 28, tradução nossa).

2.5 RETORNOS OU BENEFÍCIOS ESPERADOS DE PROJETOS DE

INVESTIMENTO EM TI

Empresas, por mais similares que sejam em termos de setor, tamanho,


sistemas de informação em uso e tipos de stakeholders, podem ter visões
46

completamente diferentes dos valores de seus projetos de TI. “Tanto o contexto


como a percepção determinam o valor de um investimento em TI” (REMENYI et al.,
2000, p. 59, tradução nossa). Além disto, o conceito de retorno de um investimento
de TI geralmente não é igual entre elas. “Mesmo quando as pessoas entendem que
a TI gera retorno, elas têm diferentes idéias sobre como este retorno deveria se
manifestar” (DEVARAJ; KOHLI, 2002, p. 96, tradução nossa).

Para Bannister e Remenyi (2000, p. 233), os benefícios devem ser vistos


em um contexto mais amplo do que unicamente os retornos financeiros. Segundo
eles, projetos de TI não proporcionam retornos somente de natureza financeira,
podendo ser observados, em muitas situações, retornos expressos em outras
formas.

Sendo assim, os benefícios esperados podem ser divididos em tangíveis


e intangíveis (REMENYI et al., 2000, p. 29-30). Os benefícios tangíveis são aqueles
que permitem uma mensuração direta e observável (LUBBE, 1999, p. 27), podendo
ser realizada através de métricas financeiras ou operacionais (DEVARAJ; KOHLI,
2002, p. 51). As métricas financeiras são constituídas por custos e retornos de
natureza financeira, e as métricas operacionais avaliam a melhoria de desempenho
relacionado às funções organizacionais afetadas pelo investimento.

Os benefícios intangíveis, por sua vez, são mais sutis e têm um impacto
indireto na organização (REMENYI et al., 2000, p. 29). Alguns destes benefícios
podem ser, por exemplo: melhoria da percepção do cliente em relação à
modernidade da empresa e à capacidade de melhor atendê-los, referências na
imprensa sobre a inovação no uso da TI e auxílio aos gestores na tomada de
decisões pelo fornecimento adequado e eficiente de informações (REMENYI et al.,
2000, p. 48).

Percebe-se que tais benefícios não têm uma quantificação financeira


simples, não sendo trivial a transformação dessas expectativas em fluxos de caixa.
Segundo os autores, apesar de nem todos os benefícios poderem ser apresentados
de forma satisfatória em termos monetários, isto não significa, porém, a inexistência
de melhoria dos resultados financeiros, mesmo que indiretamente.
47

Devaraj e Kohli (2002, p. 52) sugerem que as medidas tangíveis ocupam


um espaço maior no processo de seleção e justificativa de tecnologias do que as
medidas intangíveis. Segundo eles, o fato de mensurar benefícios intangíveis ser
mais difícil não deveria restringir a importância destes como justificadores do
investimento, uma vez que eles não são menos importantes e, muitas vezes, são os
maiores benefícios esperados.

Wen e Sylla (1999, p. 184-185) classificam os benefícios em quatro tipos.


O primeiro é composto pelos investimentos que aumentam o desempenho
operacional da organização, através da automação de tarefas realizadas
anteriormente por pessoas ou de forma não otimizada. Esses sistemas acarretam
aumento de eficácia e eficiência nos processos, redução do tempo para execução,
redução de pessoal, dentre outros que se traduzam também, de modo geral, em
redução de desembolsos operacionais.

O segundo grupo é o de suporte ao gerenciamento, quando os


investimentos em TI facilitam e permitem novas formas de gerenciar a organização.
Dentre outros, alguns benefícios típicos são: redução do tempo para decisão,
melhoria da qualidade da decisão, respostas rápidas à mudança ambiental e maior
flexibilidade gerencial. Para essa categoria de benefício, a observação financeira
objetiva torna-se difícil, dada sua complexa transformação em fluxos financeiros.

A terceira classe de investimentos em TI provê vantagens competitivas


na medida em que pode alterar a posição competitiva da organização no seu setor.
Alguns benefícios são o aumento das margens operacionais em relação aos
concorrentes, da participação de mercado, da força frente a clientes e fornecedores,
dentre outras variações positivas em indicadores competitivos. Seus impactos
financeiros diretos também são de difícil mensuração, dada a quantidade de
variáveis que afeta tais indicadores.

O último grupo da classificação sugerida é composto por investimentos


que permitem uma transformação dos negócios. Se a TI for utilizada para
reestruturar ou transformar as tarefas, operações e procedimentos, pode haver uma
reengenharia de processos. Alguns benefícios esperados são: redesenho do
48

negócio, alteração da imagem da organização, ampliação dos limites da organização


e aumento da eficiência interna e externa da organização.

Outra categorização de benefícios é sugerida por Rolland e Maghroori


(1999, p. 287-279). Para eles, os benefícios podem ser agrupados em: aumento de
produtividade, diminuição de custos, redução do ciclo de produção, aumento da
qualidade e disponibilização de melhores informações. Tais benefícios podem ser
inter-relacionados, apesar de apresentarem diferentes naturezas, e também
demonstram características tangíveis (os três iniciais) e intangíveis (os dois últimos).

Rau e Bye (2003, p. 16-17) apresentam quatro componentes de valor que


a TI pode proporcionar às organizações: contenção de despesas, melhoria dos
processos, vantagens para o cliente e alavancagem de talentos. As organizações
podem enfatizar esses quatro componentes em termos de eficiência (fazer certo as
coisas) e de eficácia (fazer as coisas certas), sendo que, à medida que a TI passa a
contribuir para os objetivos estratégicos, ela adiciona valor, conforme figura 4:

Efetividade Alavancagem Inteligência de Marketing just-


Inovação
(contribuição) Operacional Negócio in-Time

Contribuição da TI para o Valor da Empresa

Eficiência Economia de Recuperação Serviço Livre Habilidades


(credibilidade) Escala de Dados de Erro Básicas

Componente de Contenção de Melhoria de Vantagem para o Alavancagem de


Valor de TI Despesa Processo Cliente Talento

Figura 4 - Componentes de valor de TI segundo Rau e Bye


Fonte: RAU; BYE (2003, p. 17)
49

Cada componente de valor apresentado por Rau e Bye pode ser dividido
em sub-componentes. Dessa forma, permite-se uma avaliação de várias dimensões,
restringindo a possibilidade de negligenciar algum componente importante. Esses
sub-componentes são: capital, pessoal e inovação. A mensuração do capital é
realizada normalmente por critérios de engenharia econômica, pois eles têm
natureza predominantemente tangível. Os outros dois sub-componentes, no entanto,
envolvem uma avaliação predominantemente intangível, juntamente com suas
restrições e dificuldades.

Weill e Aral (2006, p. 41) sugerem que diferentes tipos de investimentos


podem gerar diferentes tipos de benefícios. Para eles, cada um dos quatro tipos de
investimentos categorizados gera diferentes expectativas de retornos tangíveis e/ou
intangíveis. Eles resumem os benefícios esperados de cada classe de investimento
em TI no quadro 4:

Tipo de Investimento Benefícios Esperados


Integração dos negócios, flexibilidade dos negócios, custo marginal
Infra-estrutura das unidades de negócio reduzido, custos de TI reduzidos e
padronização
Redução de custos operacionais e aumento de produtividade
Transacional
operacional
Melhoria do controle, melhores informações, melhor integração,
Informacional
melhoria de qualidade e ciclos de tempo mais rápidos
Inovação de produtos/processos, vantagem competitiva,
Estratégico disponibilização de novos serviços, aumento de vendas e melhor
posicionamento de mercado
Quadro 4 - Benefícios por tipo de investimento em TI segundo Weill e Aral
Fonte: Adaptado de WEILL; ARAL (2006, p. 41)

Albertin e Albertin (2005, p. 28) consideram que o tipo de aplicação e o


nível de reconfiguração levam a diferentes proporções dos benefícios esperados.
Eles tipificam tais benefícios pelo uso da TI na figura 5:
50

Figura 5 - Benefícios oferecidos pelo uso de TI segundo Albertin e Albertin


Fonte: ALBERTIN; ALBERTIN (2005, p. 28)

Os benefícios de custos envolvem a redução dos dispêndios, seja em


termos financeiros, seja em termos operacionais de produtividade. Eles podem ser
classificados em custos de: prevenção (necessários para garantir a qualidade dos
produtos); avaliação (relacionados à inspeção dos produtos para garantir
conformidade dos requisitos); falha interna (custos a partir da detecção de falhas nos
produtos antes de serem enviados aos clientes); e falha externa (custos com
problemas nos produtos descobertos pelos ou nos clientes). A forma de avaliar é
através da comparação entre os custos novos e os anteriores.

O outro benefício é o aumento da produtividade do negócio e está


fortemente ligado ao conceito de eficiência. Algumas medidas são tempo de
processamento de pedidos e de entrega, tratamento de mais informações com a
mesma estrutura e, de maneira geral, o menor uso de insumos para a mesma ou
maior saída. A avaliação da produtividade acontece também pela comparação entre
as métricas antes e depois da implantação da tecnologia.

O terceiro benefício é relacionado à qualidade. O uso da TI pode conferir


aos produtos/serviços, tanto para os clientes internos como externos da empresa,
um maior nível de qualidade. Isso pode ser conseguido pelo melhor controle dos
processos e pelo maior nível de conformidade com as expectativas dos clientes. Sua
51

avaliação se dá predominantemente pelo nível de satisfação dos clientes e pela


avaliação de índices de desempenho e de qualidade de processos/produtos.

O benefício relacionado à flexibilidade apresenta quatro sub-tipos. A


flexibilidade de novos produtos é a capacidade de introduzir, produzir e modificar
produtos. A flexibilidade de carteira de produtos é a capacidade de variar os
produtos em determinado espaço de tempo. A flexibilidade de volume se refere à
capacidade de mudar o nível produtivo. E, por fim, a flexibilidade de entrega é a
capacidade de alterar datas de entrega de acordo com as novas necessidades. Esse
benefício pode ser medido pela capacidade da empresa ser flexível frente às novas
circunstâncias e/ou estímulos externos.

O último benefício dessa tipologia é a inovação, cuja importância


estratégica nas empresas é cada vez mais forte. Os pontos principais da inovação
são a manutenção ou a criação da vantagem competitiva e a satisfação dos
stakeholders. O uso da TI em busca de inovação tem a capacidade de proporcionar
à empresa um melhor posicionamento no mercado e suas conseqüências podem ser
impactantes na estrutura competitiva do mercado.

Harris, Herron e Iwanicki (2008, p. 4-11) apontam seis expectativas que


os negócios têm em relação à TI. São elas: informações para tomada de decisão,
economia de recursos, gerenciamento de risco, melhoria contínua dos processos,
capacidade de resposta às demandas dos stakeholders (clientes, usuários e
gestores) e inovação através de aplicações potenciais de tecnologias para resolver
problemas antigos e novos.

Um tipo de retorno menos observado na literatura, mas não menos


importante, é a flexibilidade que a TI pode proporcionar às organizações (KUMAR,
1999, p. 310). A flexibilidade gerencial pode adicionar valor aos projetos de
investimento e às próprias organizações, por permitir mudanças estratégicas em
virtude de mudanças circunstanciais no ambiente. Se a TI permitir mudanças nos
processos, de forma a alcançar flexibilidade organizacional em termos operacionais
e estratégicos, os resultados diretamente observados serão incrementados pelo
valor potencial dessa flexibilidade.
52

Confirmando a importância da flexibilidade proporcionada pelos


investimentos em TI, Clemons e Weber (1990, p. 16, tradução nossa) afirmam que
ela tem valor estratégico, por “permitir que empresas superem as barreiras de saída
em indústrias declinantes e em segmentos de mercado não-lucrativos”.

2.6 RISCOS ASSOCIADOS A INVESTIMENTOS EM TI

Uma dimensão muito importante na avaliação de projetos é a incerteza.


“Incerteza é um fato da vida para a maioria dos grandes investimentos de capital em
TI” (FICHMAN; KEIL; TIWANA, 2005, p. 74, tradução nossa). Os referidos projetos
são expostos a vários fatores de risco que trazem certo grau de incerteza sobre os
resultados esperados.

Um fator de risco é um “traço característico de um investimento em TI ou


seu contexto que afeta o grau de variação nos resultados esperados” (BENAROCH;
LICHTENSTEIN; ROBINSON, 2006, p. 827, tradução nossa). Portanto, tanto fatores
internos como externos indicam que os resultados previstos podem não se
concretizar conforme as projeções realizadas a priori.

Sendo assim, “um gestor racional deveria escolher projetos baseado não
somente nos retornos, mas nos riscos” (MUN, 2006, p. 17, tradução nossa), de
forma a obter um cenário completo e uma gama de informações mais extensa para a
tomada de decisão. Ao negligenciar o risco intrínseco ao projeto, sua avaliação será
incompleta, por não prover todas as informações relevantes, e incorreta, pois a
incerteza dos resultados esperados pode reduzir o valor do projeto.

Dessa forma, os riscos associados a projetos de investimento em TI


devem integrar as dimensões necessárias à sua avaliação. Apesar de nem sempre
poderem ser eliminados completamente, estão sujeitos à avaliação e ao controle
(ENGEMANN; MILLER, 1999, p. 322-323) e a “falha em entender, identificar e
gerenciá-los é freqüentemente citada como a maior causa de problemas em projetos
de sistemas de informação” (WALLACE; KEIL; RAI, 2004, p. 290, tradução nossa).
53

“A única maneira de evitar surpresas é discutindo sobre o gerenciamento de risco”


(HARRIS; HERRON; IWANICKI, 2008, p. 7, tradução nossa).

Há três motivos para que os riscos em projetos de investimento de TI


sejam maiores quando comparados a outros tipos de investimento (WEN; SYLLA,
1999, p. 186). O primeiro é a fragilidade de seus componentes em termos físicos,
tecnológicos e de obsolescência. O segundo é a susceptibilidade dos sistemas de
informação sofrerem ataques internos e externos, bem como serem indevidamente
utilizados. A isto, some-se a relativa facilidade de transferência de informações
sigilosas a terceiros, tornando-os mais vulneráveis. O último é a descentralização da
informação, que dificulta o projeto, o desenvolvimento, o gerenciamento e a proteção
dos sistemas de informação.

Mobey e Parker (2002, p. 202) afirmam que gerenciar o risco em projetos


é importante para antecipar possíveis causas e efeitos, bem como definir métodos
de tratá-los, de forma a aumentar as chances dos projetos serem bem sucedidos.
Segundo eles, “uma vez identificados, estes riscos podem ser reduzidos, removidos,
evitados ou aceitos” (MOBEY; PARKER, 2002, p. 202, tradução nossa), devendo,
idealmente, a organização adotar uma atitude pró-ativa em relação a estes fatores.

Ainda segundo os autores (MOBEY; PARKER, 2002, p. 203), a análise de


risco pode ser condensada em três fases. A primeira é a identificação, na qual todos
os riscos potenciais sobre um projeto são listados. A segunda é a estimação, quando
os riscos identificados são avaliados e sua importância, probabilidade e impactos
são mensurados. As últimas fases são a análise e a avaliação, quando as ações
para tornar os riscos mais aceitáveis são avaliadas.

Os autores ainda listam técnicas quantitativas e qualitativas para avaliar


os riscos em projetos. Como métodos quantitativos, são citadas: análise de
sensibilidade, análise de probabilidade, simulação de Monte Carlo, regressão
múltipla, árvores de decisão, dentre outros. Os métodos qualitativos são
exemplificados por planejamento de cenários e contingências e técnicas Delphi.
Gardner (2000, p. 238) aponta também as análises de sensibilidade, cenário, ponto
de equilíbrio e as simulações como métodos de avaliação do risco. O método de
54

Monte Carlo é uma forma de consideração do risco em projetos de TI apontado


também por Remenyi et al. (2000, p. 129-148).

Segundo Erdogmus (2002, p. 308), o risco específico de um projeto é alto,


haja vista a recorrência de extrapolação nos prazos e nos custos previstos. Por
vezes, os “departamentos de TI têm problemas em finalizar os projetos dentro do
prazo, do orçamento e nos níveis necessários para a organização” (LUBBE, 1999, p.
44, tradução nossa). Nesses casos, os retornos do investimento são imprevisíveis,
pois o não cumprimento adequado dos prazos influencia diretamente os seus
custos, por demandarem recursos físicos, tecnológicos e humanos durante mais
tempo.

Para Gardner (2000, p. 236), há muitas fontes de risco em um projeto de


sistema de informação decorrentes da complexidade tecnológica. Anandarajan e
Wen (1999, p. 330) também afirmam que projetos de TI contêm muitos tipos de
risco. Especificamente em projetos estratégicos ou de inovação tecnológica, esses
riscos podem não ser aparentes até um estágio avançado ou até mesmo após a
finalização do projeto. Além disso, com o passar do tempo, os fatores de risco
podem sofrer alterações, dada a maior imprevisibilidade das diversas variáveis que
afetam o projeto.

Decisões de investimentos em TI envolvem incertezas e riscos devidos ao


ambiente de mudanças tecnológicas rápidas e um tipo de risco relaciona-se à vida
útil da tecnologia escolhida (PUTTERILL; MAGUIRE; SOHAL, 1996, p. 12). Em
decorrência dos avanços tecnológicos e da continuidade dos negócios dos
fornecedores, é muito difícil prever se a tecnologia investida manter-se-á operacional
pelo período de tempo esperado. “Por outro lado, alguns investimentos continuam
operacionais por períodos de tempo muito mais longos do que se esperava
inicialmente“ (REMENYI et al., 2000, p. 28, tradução nossa). Em todo caso, o
período ao longo do qual certa tecnologia poderá ser usada é um ponto que agrega
incerteza ao projeto.

Para Wen e Sylla (1999, p. 186), os riscos associados a um investimento


em TI são classificados em dois grupos gerais. O primeiro grupo é dos riscos físicos,
55

que incluem a vulnerabilidade dos equipamentos, softwares e dados. Os


equipamentos estão sujeitos à sabotagem, quebra e obsolescência. Os softwares,
assim como os dados, são susceptíveis à sabotagem, à pirataria, a alterações
indevidas e à cópia indevida para terceiros.

O segundo grupo é denominado riscos gerenciais. A falha de alguns


sistemas de informação é devida a fatores, tais como: negligências na etapa de
projeto, levantamento incompleto de necessidades ou implementações inadequadas.
Várias tarefas envolvendo o projeto, se mal executadas, podem comprometer o
andamento do projeto e, dessa forma, não prover os retornos esperados em função
do investimento.

Engemann e Miller (1999, p. 323-326) listam dois tipos de riscos que


merecem destaque, dentre outros. O primeiro tipo é o risco de descontinuidade dos
negócios, em decorrência de algum “desastre” tecnológico que venha a impedir a
execução das atividades da empresa por determinado período. Tal risco deve ser
controlado por um plano de recuperação de desastres, que envolve desde duplicar
os locais de processamento, contratar outras empresas (data centers) para fazer o
backup das informações até terceirizar essa atividade com empresas especializadas.
O segundo tipo é associado à segurança da informação. As características
intangíveis, voláteis e transportáveis da informação colocam as organizações em
situações arriscadas, pela possibilidade de divulgação indevida de informações,
pirataria, cópias indevidas, etc. Esse risco é potencializado pelo uso intensivo de
tecnologias baseadas na Internet por grande parte das organizações, uma vez que
os dados podem transitar além dos domínios da empresa.

Ambos os tipos de riscos demandam desembolsos de capital adicionais


para serem reduzidos. Tanto as ações para combater a descontinuidade dos
negócios como para prover maior segurança às informações exigem da organização
comprometimento de recursos financeiros e técnicos no sentido de controlá-los.
Geralmente, tais alocações de recursos são consideráveis dentro do orçamento de
capital da empresa, principalmente com o advento da computação distribuída e o
surgimento de operações críticas envolvendo tecnologia.
56

Clemons e Weber (1990, p. 21-22) apresentam vários fatores de risco


envolvendo investimentos estratégicos em TI, os quais estão consolidados no
quadro 5.

Risco Descrição
Técnico Sistemas e capacidades não suportados pela tecnologia atual
Projeto Capacidade da organização gerenciar adequadamente o projeto de TI
Funcionalidade Produto final inadequado às especificações ou não gera benefícios esperados
Pessoal na organização pode não cooperar no desenvolvimento ou na adoção da
Interno
tecnologia, normalmente em resposta a uma percepção de ameaça
Ambiente Respostas de concorrentes (imitação ou produtos/processos substitutos) ou novos
externo marcos regulatórios não antecipados
Mudanças ambientais extremas podem fazer com que as vantagens esperadas da
Sistêmico
tecnologia tornem-se inócuas
Quadro 5 - Riscos de investimentos estratégicos segundo Clemons e Weber
Fonte: Adaptado de CLEMONS; WEBER (1990, p. 21-22)

Em um estudo sobre projetos de softwares, Wallace, Keil e Rai (2004, p.


293) sugerem seis dimensões de riscos. Elas permitem uma análise ampla,
envolvendo muitos aspectos de um projeto de TI, e são evidenciadas no quadro 6.

Dimensão de Risco Descrição


Ambiente Política organizacional, estabilidade do ambiente organizacional e suporte
organizacional organizacional para o projeto
Falta de envolvimento dos usuários durante o desenvolvimento do sistema,
Usuário
podendo levar a atitudes negativas em relação ao novo sistema
Requisito Requisitos errados, obscuros, inadequados, ambíguos e não usuais
Dificuldades relacionadas à nova tecnologia, complexidade dos processos a
Complexidade do
serem automatizados e grande quantidade de interfaces com outros
projeto
sistemas internos ou externos
Planejamento e controle mal elaborados podem levar a prazos e
Planejamento e
orçamentos não realistas e à incapacidade de verificar se o projeto está
controle
produzindo os resultados esperados
Turnover e falta de conhecimento, cooperação, motivação e comunicação
Pessoal
entre o pessoal
Quadro 6 - Tipos de riscos em projetos de software segundo Wallace et al.
Fonte: Adaptado de WALLACE; KEIL; RAI (2004, p. 293)

Bardhan, Bagchi e Sougstad (2004, p. 38) apresentam quatro tipos de


riscos em projetos de TI. O primeiro é o risco específico da empresa, composto por
fatores endógenos. O segundo é o risco de competição, que considera os
movimentos realizados pelos concorrentes diretos, principalmente na adoção de
tecnologias que podem determinar alterações na participação de mercado. O risco
seguinte é o de mercado, referindo-se ao comportamento da demanda do mercado
57

em relação aos serviços proporcionados pelos investimentos em TI. O último tipo de


risco é o chamado tecnológico, relacionado aos riscos de adoção de tecnologias
inadequadas.

Segundo Weill e Ross (2006, p. 49), “investimentos em TI podem expor


uma firma a riscos de quatro tipos: mercadológicos, financeiros, organizacionais e
técnicos”. Para eles, a abordagem de carteira de investimentos em TI, além de
permitir a priorização dos investimentos de acordo com a estratégia organizacional,
possibilita também a gerência dos riscos inerentes aos projetos assumidos, fazendo
com que o nível de risco da carteira possa ser diminuído em comparação aos riscos
individuais.

Harris, Herron e Iwanicki (2008, p. 221-222) apresentam cinco categorias


de riscos associados à TI. A primeira categoria é a dos riscos financeiros,
representando potenciais perdas monetárias. A segunda categoria envolve riscos
legais, abrangendo potenciais litígios e ajustes a leis. O outro risco é o de reputação,
que pode interferir fortemente na imagem da organização e é ligado a questões de
confiabilidade e qualidade de produtos vendidos e serviços prestados aos clientes.
Outra categoria é relacionada ao risco de pessoal, uma vez que conhecimentos
críticos nem sempre são devidamente documentados, estando disponíveis somente
com os colaboradores. Portanto, perder colaboradores com conhecimento profundo
na organização representa um risco considerável. A última categoria é a de riscos
físicos e ambientais. Tais riscos estão associados à capacidade de a organização
prover a devida segurança em termos de acessos indevidos em suas áreas críticas.
Esse risco engloba também desastres naturais (incêndios, terremotos, enchentes,
etc.) e intencionais (ataques terroristas, por exemplo).

Os autores sugerem que a análise do risco deve ser realizada


contemplando duas dimensões: impacto potencial e probabilidade de ocorrência.
Cada dimensão dessas deve ser enquadrada como alta ou baixa, conforme a figura
6, cujo objetivo é o de evidenciar prioridades no gerenciamento de riscos associados
à TI. As fontes de risco que têm alta probabilidade de ocorrência e alto impacto na
organização devem ter uma avaliação mais profunda e ser objeto de um plano de
58

contingência específico. Nesse contexto, é fundamental verificar as vulnerabilidades


existentes, a fim de mitigar as possibilidades de ocorrência de cenários indesejados.

Alto impacto Alto impacto


Baixa probabilidade Alta probabilidade
Impacto Potencial

Baixo impacto Baixo impacto


Baixa probabilidade Alta probabilidade

Probabilidade de Ocorrência
Figura 6 - Avaliação de Risco segundo Harris, Herron e Iwanicki
Fonte: HARRIS; HERRON; IWANICKI (2008, p. 225)

2.7 DIFICULDADES NA AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM TI

Normalmente, avaliar investimentos em TI traz consigo um considerável


nível de dificuldade. As características desses investimentos, em adição à variedade
de retornos potenciais possíveis e aos fatores de risco envolvidos, tornam esse
exercício um desafio (LIN; PERVAN, 2001, p. 3; DAVERN; KAUFFMAN, 2000, p.
124; POWELL, 1992, p. 29; DOS SANTOS, 1991, p. 72; WEILL; OLSON, 1989, p.
13). “Não é claro porque a comunidade de negócios deveria ter a expectativa dos
benefícios de TI serem tão óbvios. Talvez esta expectativa não seja razoável nem
realista” (REMENYI et al., 2000, p. 2, tradução nossa).

Cline e Guynes (2001, p. 70-71) sugerem que muitas organizações


encontram dificuldade na avaliação dos investimentos em TI. Segundo eles, apesar
do incremento desses investimentos nas organizações, tal dificuldade ainda persiste
59

e, em alguns casos, chega a ser impossível sua avaliação, dados os vários objetivos
traçados pelos projetos, muitos dos quais conflitantes

Alguns projetos de investimento em TI não objetivam necessariamente


retornos mensuráveis em termos financeiros (WEN; SYLLA, 1999, p. 183; LUBBE,
1999, p. 20). “Haverá ocasiões em que a organização incorre em um investimento
que não oferece retorno ou talvez oferece um retorno intangível difícil de ser medido”
(REMENYI et al., 2000, p. 36, tradução nossa).

Outra dificuldade é a mensuração de investimentos em TI de caráter


estratégico. Investimentos estratégicos têm características muito complexas de se
analisar (REMENYI et al., 2000, p. 121; WEN; SYLLA, 1999, p. 200; LUBBE, 1999,
p. 25; PUTTERILL; MAGUIRE; SOHAL, 1996, p. 15; FARBEY; LAND; TARGETT,
1992, p. 109), principalmente no que se refere à adoção, benefícios futuros e
impacto competitivo (CLEMONS; WEBER, 1990, p. 10) e à dinâmica da própria
relação entre tecnologia e estratégia (ITAMI; NUMAGAMI, 1992). Tais características
tipicamente levam a uma análise predominantemente subjetiva dos retornos e
tornam os métodos baseados em ROI inadequados. “Enquanto é mais fácil calcular
o retorno de TI operacional, é muito mais desafiante e crítico medir e mostrar o valor
dos investimentos estratégicos em TI” (DEVARAJ; KOHLI, 2002, p. 145, tradução
nossa).

No início da informatização nas organizações, grande parte dos


investimentos em TI objetivava automatizar tarefas operacionais. Tais investimentos
eram relativamente fáceis de se avaliar em termos financeiros com as técnicas
disponíveis de engenharia econômica.

Com essa automação realizada, parte substancial dos investimentos foi


direcionada para outros tipos mais difíceis de se mensurar, tais como os de natureza
estratégica e que não envolviam somente a redução de custos operacionais
(STEWART; MOHAMED, 2002, p. 258). Mais do que isso, o foco de tais projetos é
agregar valor, tanto tangível como intangível (REMENYI et al., 2000, p. 45), tornando
sua avaliação mais complexa.
60

O quadro 7 mostra algumas diferenças de fatores a serem avaliados e


relacionados a sistemas de informação no passado e no presente, segundo
Serafeimidis (1996). É possível identificar vários aspectos que sofreram alterações
ao longo do tempo, impactando diretamente no nível de dificuldade para se
justificarem os investimentos.

Passado Presente
Financeiro Holístico e político
Redução de custos (tático) Oportunidades (estratégico)
Retorno no curto prazo Retorno no longo prazo
Área de negócio única Múltiplas áreas de negócio
Sistemas pequenos e isolados Sistemas modulares
Departamentos de TI Departamentos de negócio
Riscos técnicos Riscos organizacionais
Sistemas isolados Sistemas interdependentes
Pré-projeto Continuidade
Gestão dos projetos Gestão das mudanças e benefícios
Direcionado à tecnologia Direcionado aos negócios
Envolvimentos de especialistas Envolvimentos de todos os stakeholders
Benefícios quantitativos e intangíveis Aspectos qualitativos e sociais
Quadro 7 - Fatores avaliados em investimentos em TI no passado e no presente
Fonte: Adaptados de SERAFEIMIDIS (1996 apud GIBSON, 1999, p. 252)

Suwardy et al. (2003) corroboram essa visão ao argumentar que o uso da


TI passou da automação de tarefas manuais para uma ferramenta estratégica. Com
isso, seus fatores motivadores passaram de ganho de produtividade (objetivo
operacional) para uma maneira de mudar a forma com que os negócios são
realizados e de torná-la uma arma competitiva e um meio de aumentar a interação
com os clientes (objetivos estratégicos). Apesar da observação desta mudança, a
pesquisa indicou que muitas organizações que alcançaram os objetivos operacionais
não conseguiram transformá-los em diferenciais estratégicos, o que seria desejável,
pois “somente empresas que usam a TI estrategicamente podem extrair
completamente seu potencial como uma arma competitiva” (SUWARDY et al., 2003,
p. 332, tradução nossa).

Sendo assim, as medidas de desempenho do negócio podem tomar uma


grande variedade de formatos. Vários índices são criados pelas empresas a fim de
proceder com as avaliações e o uso destes índices pode ser de forma comparativa
com os de outras empresas no mesmo setor ou ao longo do tempo (REMENYI et al.,
2000, p. 61).
61

Remenyi et al. (2000, p. 4-9) identificam quatro problemas principais na


mensuração e gerenciamento de benefícios dos investimentos em TI. O primeiro se
refere à capacidade de mensurar os benefícios esperados e potenciais antes de
executar o investimento. Enquanto alguns benefícios são de fácil identificação,
outros não permitem uma verificação direta e objetiva, pois são potencialmente
maiores do que se pode prever de forma acurada em um primeiro momento.

O segundo problema é decorrência do alcance dos sistemas de


informação atualmente implementados nas empresas. Como normalmente eles
abrangem grandes áreas das organizações, integrando-as de forma eletrônica, os
benefícios esperados podem transcender um único setor para vários, nos quais
terão impactos. Tal abrangência torna a mensuração dos benefícios mais complexa
do que, por exemplo, sistemas de informação de uso local. Investimentos em infra-
estrutura, por exemplo, embutem uma dificuldade inerente à amplitude de seu
alcance na empresa, pois vários setores se beneficiam, e os retornos em cada um
deles se tornam complexos de se analisar.

O terceiro problema se refere aos dois tipos de benefícios esperados a


partir dos investimentos em TI. O primeiro tipo são os benefícios tangíveis, que
podem ser verificados através de métricas financeiras e/ou operacionais. O segundo
tipo são os benefícios intangíveis, que oferecem um desafio maior na sua
mensuração, por não poderem ser diretamente avaliados através de índices e/ou
métricas. Apesar dessa dificuldade, os benefícios intangíveis são bastante
importantes como justificativas aceitas para incorrer no investimento.

O último problema é a evolução dos benefícios esperados de um


investimento em TI, pois eles não são estáticos e podem sofrer alterações com o
passar do tempo. À medida que o projeto segue no seu ciclo de vida, novos
benefícios, antes não percebidos, surgem e passam a integrar o investimento.

Lin e Pervan (2001, p. 6-7), por sua vez, apontam seis tipos de problemas
específicos na avaliação. O primeiro é a não verificação completa de todos os custos
nas práticas de orçamento de capital nas organizações, em decorrência das
dificuldades em determinar certos custos. O segundo é a incapacidade de métodos
62

baseados unicamente em engenharia econômica para avaliar tais investimentos, já


que benefícios e custos intangíveis são intrínsecos a eles. O próximo se refere à
tendência dos gestores dos projetos superestimarem os custos e prazos, de forma a
garantir sua exeqüibilidade. Outro ponto é o alto nível de risco em termos de
cumprimento adequado de prazos e custos, bem como possibilidades de problemas
técnicos. O ponto seguinte é a constatação, por parte dos autores, de que as
organizações não dedicam esforço e tempo suficientes para a avaliação de tais
investimentos. O último problema é a falta de planejamento e de uma visão
estratégica dos investimentos em TI nas organizações.

Gibson (1999, p. 250) aponta quatro motivos para haver dificuldades de


avaliar investimentos em TI. O primeiro é a resistência das organizações
abandonarem os sistemas legados, cuja formação consumiu recursos vultosos no
passado, e, por isso, devem ser considerados como parte dos investimentos
posteriores. O segundo é a dificuldade de contínuo incremento da capacidade
tecnológica dos sistemas, exigindo o investimento em um excesso de poder de
processamento, acarretando ociosidade de recursos no primeiro momento. O
terceiro motivo são as características intangível e volátil da informação, objeto de
gerenciamento principal da TI, dificultando a avaliação por meio de técnicas e
conceitos relacionados à avaliação de elementos de natureza tangível. O último
motivo é a inabilidade dos departamentos de tecnologia avaliarem quantitativamente
e objetivamente os resultados dos investimentos, colocando esses projetos em
desvantagem quando comparados a outras alternativas de investimento da
organização.

Willcocks e Lester (1997, p. 1082-1083) listam três tipos genéricos de


dificuldades na gestão e avaliação de investimentos em TI. O primeiro é decorrência
da pressão dos concorrentes no mercado, forçando a organização a investir em TI,
mesmo que não haja uma justificativa em termos financeiros para esse emprego de
capital. Em segundo lugar, há uma dificuldade típica na separação dos impactos
observados devidos ao investimento em TI e em outros ativos ou atividades. Por
último, os gestores, de modo geral, não entendem a TI como um ativo de capital,
considerando-a apenas como despesa. Segundo eles, a falha em apreciar
devidamente a TI faz com que ela seja mal gerenciada e avaliada, o que, em última
63

instância, não os permite utilizar esses ativos de forma a obter o maior valor
possível.

Clemons e Weber (1990, p. 13-16) tratam de cinco tipos de dificuldades


inerentes a investimentos estratégicos em TI. A primeira dificuldade é a resposta e a
fácil possibilidade de replicação da tecnologia por parte dos concorrentes. Apesar da
tecnologia em si não ser uma vantagem competitiva, seu uso adequado possibilita
que recursos da organização sejam usados de maneira a prover vantagens, e a
possibilidade de cópia da tecnologia representa um risco.

A segunda é aplicar adequadamente os modelos financeiros de avaliação.


Como os benefícios de investimentos estratégicos dificilmente são previsíveis,
apresentando, portanto, um cenário altamente incerto, a aplicação desses métodos
pode levar a decisões inadequadas. O uso do valor presente líquido dos fluxos de
caixa, por exemplo, pode levar a decisões erradas se a taxa de juros para desconto
for arbitrariamente alta, como compensação pelo risco assumido.

O terceiro tipo de dificuldade apontado pelos autores se refere ao


ambiente competitivo da organização. Como a TI tem capacidade de alterar a
estrutura competitiva da indústria e as forças mercadológicas dos seus participantes,
através da criação de novas tecnologias, as condições ambientais ficam susceptíveis
a mudanças drásticas.

O penúltimo fator de dificuldade é relacionado ao horizonte temporal dos


investimentos estratégicos em TI, cujo prazo de maturação é tipicamente bastante
longo, por vezes até mesmo indefinido. Esse longo horizonte temporal, em adição às
condições ambientais mutáveis (fator anterior), confere a esses investimentos um
nível adicional de risco.

A última dificuldade, segundo essa categorização, são as barreiras


organizacionais. Os montantes envolvendo os investimentos são crescentemente
altos, tornando as decisões mais difíceis e arriscadas.
64

Algumas dificuldades também são associadas ao processo de custeio dos


investimentos em TI (ALSHAWI; IRANI; BALDWIN, 2003, p. 416-417; REMENYI et
al., 2000, p. 47). Nem todos os custos são facilmente previsíveis e essa incerteza
tem reflexos negativos na capacidade de avaliar os investimentos.

2.8 MULTIDIMENSIONALIDADE DA AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM TI

Vários autores registram que os métodos tradicionais de análise de


investimentos, baseados unicamente em medidas físicas e/ou financeiras, não
captam totalmente os retornos esperados dos investimentos em TI, nem os fatores
de risco inerentes a eles (LEE, 2004, p. 216; SCHWARTZ; ZOZAYA-GOROSTIZA,
2003, p. 57; DAVERN; KAUFFMAN, 2000, p. 122; MAHMOOD; SZEWCZAK, 1999,
p. 488; LUBBE; REMENYI, 1999, p. 146; SHARIF; IRANI, 1999, p. 192; MAY, 1997,
p. 90; CLEMONS; WEBER, 1990, p. 11).

Weill e Olson (1989, p. 14) sugerem dois motivos básicos para que os
métodos baseados em orçamento de capital não sejam adequados à análise. O
primeiro é a dificuldade de determinar os fluxos de caixa futuros, principalmente em
investimentos com propósitos estratégicos. Isso tornaria os cálculos dos índices e
valores bastante difíceis. O segundo ponto é o caráter ubíquo da tecnologia,
tornando seu resultado final uma função de inúmeros projetos e ativos ao longo da
organização. Esse último ponto dificulta a apropriação de custos e benefícios
advindos das decisões de investimento, tanto entre projetos como entre setores da
organização.

Nas palavras de Alshawi, Irani e Baldwin (2003, p. 417, tradução nossa),


“o uso restritivo das técnicas de avaliação tradicionais favorecem a análise de
benefícios e custos quantificáveis financeiramente e ignora as implicações mais
amplas intangíveis e não financeiras”. Para Anandarajan e Wen (1999, p. 330), os
métodos tradicionais não são adequados, uma vez que esses investimentos
envolvem uma grande variedade de benefícios estratégicos, difíceis de quantificar, e
as circunstâncias dos projetos são sujeitas a mudanças bastante rápidas. Nixon
(1995, p. 283) sugere que esses métodos captam somente uma fração das
65

informações necessárias em uma decisão de investimentos, além de falharem em


avaliar os riscos e os aspectos estratégicos, motivos pelos quais eles têm pouca
influência nas decisões finais. Kumar (1996, p. 187, tradução nossa), por sua vez,
considera que “justificar investimentos em TI é um problema complexo, envolvendo o
uso de vários tipos diferentes de análises”.

De acordo com o exposto nas seções precedentes, pode-se verificar que


investimentos em TI devem ser avaliados por métodos multidimensionais
(SCHNIEDERJANS; HAMAKER, 2003, p. 8; REMENYI et al., 2000, p. 12;
MAHMOOD; SZEWCZAK, 1999, p. 486-487; ANANDARAJAN; WEN, 1999, p. 330).
A TI tem sido usada de diversas formas a fim de obter vários objetivos. Os diferentes
tipos de investimentos e a amplitude de objetivos buscados sugerem a necessidade
de uma grande variedade de métodos de avaliação (WEN; SYLLA, 1999, p. 183).
“Na maioria dos casos, uma única medida não é suficiente para fazer a avaliação”
(REMENYI et al., 2000, p. 79, tradução nossa).

Kumar (1999, p. 302, tradução nossa) considera que “medir o valor de


sistemas de informação vai além de avaliar medidas de produtividade. Vários fatores
intangíveis precisam ser considerados na avaliação”. O esforço para justificar os
investimentos em TI deve aliar argumentos qualitativos às medidas quantitativas.
Apesar de ser atribuída muita ênfase aos critérios econômicos (LUBBE; REMENYI,
1999, p. 147), os executivos deveriam ater-se aos aspectos do investimento de uma
maneira holística.

A visão holística não deve ser adotada somente para os benefícios.


Todas as implicações de um projeto de TI, tais como custos, riscos e benefícios,
devem ser envolvidos na decisão (STEWART; MOHAMED, 2002, p. 256; SHARIF;
IRANI, 1999, p. 190), evitando uma visão míope dessa complexa situação.

Keen (1981, p. 1), por exemplo, em uma pesquisa sobre investimento em


sistemas de apoio à decisão, identificou características deste tipo de sistema que
tornam sua avaliação por meio de métodos quantitativos insuficiente. Segundo os
dados coletados, a maioria dos retornos potenciais, a partir desse investimento, é de
natureza qualitativa, o que sugere uma inadequação dos métodos baseados em
66

custo-benefício. Alguns benefícios citados foram: aumento do número de alternativas


examinadas, melhor entendimento do negócio, respostas mais rápidas, habilidade
de realizar análises ad hoc, novas idéias e aprendizado, dentre outros de naturezas
diversas (KEEN, 1981, p. 7).

Correia Neto e Leite (2007), através de uma pesquisa sobre os processos


decisórios relacionados a investimentos em tecnologias de informação e médica em
hospitais, verificaram o uso de vários métodos para justificar tais investimentos. O
uso de uma grande quantidade de métodos devia-se fundamentalmente a uma
quantidade numerosa de benefícios e riscos esperados em função dos
investimentos. Sendo assim, a justificativa exigia vários critérios de análise e,
conseqüentemente, métodos que os considerassem.
67

3 AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO

Este capítulo trata dos métodos de avaliação de investimentos em TI


apresentados na literatura. Inicia abordando a importância que essa atividade tem
em uma organização e argumentando em favor de uma estruturação formal com
esse intuito. Em seguida, são revistos alguns modelos de realização de valor a partir
do investimento em TI, admitindo que alguns fatores fazem uma intermediação entre
os investimentos realizados e a observação dos resultados.

Após o levantamento desses pontos, parte-se para a apresentação de


classificações de métodos de avaliação de TI referenciados na literatura consultada.
Essas classificações são importantes, pois há muitos métodos apresentados e, sem
uma sistematização, seria difícil entender o relacionamento entre eles e os objetivos
organizacionais.

3.1 IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTO EM TI

Os investimentos em TI por parte das organizações devem ser avaliados


através de procedimentos bem definidos, tanto ex-ante como ex-post. As
justificativas baseadas unicamente em intuição, por parte dos executivos
responsáveis, podem levar a conseqüências indesejadas, além de, possivelmente,
conduzir a níveis de investimento em TI abaixo do ponto necessário (WEHRS, 1999,
p. 35). “O nível de investimentos e o alto grau de incerteza associados à adoção
deste tipo de desembolso de capital implicam que os aspectos envolvendo a
justificativa do projeto devem assumir grande importância” (SHARIF; IRANI, 1999, p.
189, tradução nossa). Para Harris, Herron e Iwanicki (2008, p. 14), é essencial ter
controle sobre o processo de tomada de decisão em relação às medidas de valor
dos investimentos em TI.

No entanto, é comum a complexidade das decisões levar os gestores a se


basearem em métodos não-racionais, tornando a decisão um “ato de fé”
(BANNISTER; REMENYI, 2000, p. 231), o que fortalece a necessidade de melhorar
68

o processo de avaliação (LOVE; GHONEIM; IRANI, 2004, p. 312). Vários fatores,


racionais ou irracionais, como, por exemplo, culturais, políticos e sociais, interferem
nas decisões de investimento. Os referidos fatores têm pesos diferentes para cada
gestor, levando-os a decisões diferentes para projetos com as mesmas
características (BANNISTER; REMENYI, 2000, p. 237).

Para Nixon (1995, p. 285), as decisões de investimento apresentam um


contexto político, pois suas implicações se estendem por um longo prazo e afetam
vários grupos de indivíduos internos e/ou externos à empresa. O autor argumenta
também que a influência das técnicas de orçamento de capital é “inversamente
relacionada ao grau de complexidade e politização da decisão de investimento”
(NIXON, 1995, p. 277, tradução nossa).

A importância das decisões de investimento em TI é significativa. Por isso,


alguns autores consideram que esta decisão não deveria ser prerrogativa apenas
dos profissionais de TI (ROSS; WEILL, 2002, p. 87; REMENYI et al., 2000, p. 50;
FARBEY; LAND; TARGETT, 1992, p. 109). Os gestores ligados ao negócio principal
devem participar ativamente das decisões, principalmente em investimentos de
caráter estratégico, em que o alinhamento do projeto de TI com a estratégia da
organização é fundamental (REMENYI et al., 2000, p. 51). Apesar disto, em
decorrência da complexidade e das incertezas associadas ao investimento,
administradores por vezes renunciam a essa responsabilidade (WEILL; ROSS, 2006,
p. 1) ou decidem sem um aprofundamento rigoroso e sistematizado.

Não obstante, há várias razões para os investimentos em TI serem


avaliados pelas organizações. O não estabelecimento de um processo de avaliação
de investimentos em TI impõe à organização certa obscuridade no processo
decisório e aumenta as chances de não obter os benefícios desejados, impactando
negativamente nos seus resultados. As próprias dúvidas levantadas por alguns
executivos da organização a respeito dos reais benefícios do investimento em TI
somente podem ser sanadas com uma avaliação formal (REMENYI et al., 2000, p.
23; WEN; SYLLA, 1999, p. 183; LUBBE; REMENYI, 1999, p. 145) e estes benefícios
somente podem ser gerenciados se forem devidamente mensurados (REMENYI et
al., 2000, p. 47).
69

Assim, estabelecer um processo adequado de avaliação de investimentos


em TI é fundamental, a fim de que as decisões sejam tomadas em melhores
condições para a organização (RAU; BYE, 2003, p. 20). Alguns autores (SMALL,
2006, p. 485; LOVE; GHONEIM; IRANI, 2004, p. 312; ALSHAWI; IRANI; BALDWIN,
2003, p. 420-421; SERAFEIMIDIS; SMITHSON, 2003, p. 270; DEVARAJ; KOHLI,
2002, p. 4; REMENYI et al., 2000, p. 63; LUBBE, 1999, p. 1) enumeram várias
razões para realizar essa avaliação:

• Os montantes de capital envolvidos geralmente são altos;


• Certos investimentos em TI não são associados diretamente à
formação de lucro da organização;
• Todos os benefícios operacionais e estratégicos, bem como os
custos, devem ser avaliados;
• Nem sempre há consenso sobre a necessidade, o valor ou o
desempenho do investimento;
• Há crescente insatisfação com o desempenho das funções de TI;
• Devem-se evitar ineficiências na tomada de decisões;
• Uso e importância crescentes da TI no negócio principal das
organizações;
• Alinhamento de expectativas dos gestores de negócio e tecnológicos;
• Existência de vários projetos de investimento (em TI e em outros tipos
de ativos) candidatos a receber capital; e
• Alguns investimentos apresentam horizontes temporais de retorno
muito longos e bastante incertos.

Outra importante justificativa para a condução de um processo de


avaliação dos investimentos em TI é o benefício que a organização terá em termos
de aprendizagem. Ela terá a oportunidade de entender como a TI é melhor
empregada nos processos de negócio, aumentando as expectativas de um maior
retorno (SERAFEIMIDIS; SMITHSON, 2003, p. 270; REMENYI et al., 2000, p. 23-24;
KARAKE, 1994, p. 7; FARBEY; LAND; TARGETT, 1992, p. 110).
70

A importância da avaliação dos projetos de investimento aumenta ao se


considerarem todos os possíveis stakeholders do projeto. Lubbe (1999, p. 3) afirma
que o processo de avaliação requer participação ativa dos stakeholders e
Serafeimidis e Smithson (2003, p. 253) argumentam que a natureza subjetiva e
organizacional da avaliação os coloca em um ponto central dessa atividade. Milis e
Mercken (2004 apud LOVE; GHONEIM; IRANI, 2004, p. 313) sugerem a existência
de cinco partes interessadas nos projetos de TI: organização, usuários, equipe do
projeto, sub-contratados e demais stakeholders. Para os autores, qualquer forma de
avaliação deve ser multifacetada de maneira a considerar todas as expectativas.

Para Irani, Ezingeard e Grieve (1998, p. 39), a incapacidade da


organização justificar os investimentos em TI pode forçá-la a: rejeitar projetos de
investimento potencialmente benéficos para a competitividade de longo prazo,
investir como um “ato de fé” e usar subterfúgios contábeis para passar no processo
orçamentário (atribuindo arbitrariamente valores esperados otimistas aos benefícios,
por exemplo). Essa incapacidade pode acarretar conseqüências não desejadas para
a organização, pois “decisões ruins em TI podem resultar em perdas financeiras, que
podem se transformar em perda de competitividade e, até mesmo, de postos de
trabalho” (LOVE; GHONEIM; IRANI, 2004, p. 314, tradução nossa).

Observada sua importância, Farbey, Land e Targett (1992, p. 110)


sugerem a existência de quatro objetivos na avaliação de investimentos em TI. O
primeiro é a avaliação como parte do processo de justificativa dos sistemas,
fornecendo à organização estimativas dos resultados e os avaliando de acordo com
o esperado por ela. O segundo é comparar os vários projetos que competem pelos
recursos financeiros, permitindo estabelecer uma priorização dos melhores, de
acordo com os critérios estabelecidos. O objetivo seguinte é fornecer medidas
através das quais pode-se exercer controle sobre o desenvolvimento do projeto, bem
como seus resultados finais. O último objetivo é o processo de aprendizado
proporcionado pela avaliação, através do qual os processos de justificativa podem
tornar-se mais completos em projetos posteriores.

Weill e Ross (2006, p. 11) contextualizam a avaliação de investimentos


em TI como uma das cinco decisões inter-relacionadas que devem ser tomadas no
71

âmbito da governança de TI das organizações. Segundo eles, essas decisões tratam


sobre princípios de TI, arquitetura de TI, infra-estrutura de TI, necessidades de
aplicação do negócio e os investimentos e a priorização de TI, cujos aspectos
relevantes são expostos no quadro 8.

Decisões Aspectos
Princípios de TI Declarações de alto nível sobre a utilização da TI no negócio.
Organização lógica dos dados, aplicações e infra-estrutura definidas a partir de
Arquitetura de TI políticas, relacionamentos e opções técnicas adotadas para padronização e
integrações técnicas e de negócios desejadas.
Infra-estrutura de Serviços de TI coordenados de maneira centralizada e compartilhados, provendo
TI a base para a TI na empresa.
Necessidades de
Especificação de necessidade de negócio para as aplicações de TI adquiridas
Aplicações de
no mercado ou desenvolvidas internamente.
Negócio
Investimentos e Decisões sobre quanto e onde investir, incluindo a aprovação e as técnicas de
Priorização de TI justificativa.
Quadro 8 - Principais decisões da governança de TI segundo Weill e Ross
Fonte: Adaptado de WEILL; ROSS (2006, p. 29)

3.2 MODELOS DE REALIZAÇÃO DE VALOR

Vários modelos de verificação da realização do valor a partir de


investimentos em TI foram propostos desde a década de 70. Desde então,
pesquisas vêm sendo empreendidas com o intuito de compreender eventuais
relações de causa e efeito entre o investimento em tecnologia e os resultados
organizacionais. Tais modelos buscam explicar como a TI afeta, em última instância,
o desempenho organizacional das empresas, cada qual apresentando diferentes
variáveis com impactos em diferentes medidas de desempenho organizacional.

McKeen, Smith e Parent (1999, p. 7-11) fazem um resumo desses


modelos, evidenciando as contribuições de cada um e suas inter-relações. Eles
iniciam por um modelo básico e vão até um modelo sintetizado a partir dos
anteriores.

O modelo básico, ilustrado a seguir na figura 7, relaciona diretamente o


investimento em TI ao desempenho organizacional da empresa. Ele retrata a
tentativa dos pesquisadores da época de estabelecer diretamente tal
72

relacionamento, utilizando diferentes variáveis (financeiras, medidas de satisfação,


etc.), teorias (econômicas, financeiras, etc.) e disciplinas (economia, finanças,
ciências comportamentais, etc.).

Desempenho
Investimento em TI
Organizacional

Figura 7 - Modelo básico de realização de valor


Fonte: MCKEEN; SMITH; PARENT (1999, p. 7)

O modelo básico foi estudado e ampliado por vários pesquisadores. Tanto


foram adicionadas novas variáveis independentes, com o objetivo de aumentar o
poder explicativo do modelo, como foram definidas outras variáveis dependentes
com o objetivo de refletir o desempenho organizacional de forma mais ampla.

Entre outros pesquisadores, foi sugerida a adição de três variáveis ao


modelo básico: projeto de tecnologia, uso apropriado da TI e outras variáveis
circunstanciais. O valor da TI é realizado em decorrência da concepção de um
projeto para atender os objetivos específicos de melhorar o desempenho
organizacional e se o seu uso for apropriado. Outras variáveis, inclusive não
diretamente relacionadas à tecnologia em si, podem influenciar as medidas de
desempenho estabelecidas.

Projeto de
Outras Variáveis
Tecnologia

Tecnologia de Desempenho
Uso Apropriado
Informação Organizacional

Figura 8 - Modelo de realização de valor de Lucas


Fonte: MCKEEN; SMITH; PARENT (1999, p. 8)

Para Trice e Treacy (1986), a relação entre desempenho organizacional e


investimento em TI é mediada pela efetiva utilização da tecnologia. Em outras
73

palavras, o investimento deve preceder a adoção da tecnologia, que, por sua vez,
somente pode gerar valor se for utilizada de fato.

Outras Variáveis Outras Variáveis

Desempenho
Investimento em TI Uso de TI
Organizacional

Figura 9 - Modelo de realização de valor de Trice e Treacy


Fonte: MCKEEN; SMITH; PARENT (1999, p. 10)

Em 1988, Weill desenvolveu o conceito de efetividade de conversão, que


refere-se à habilidade de converter os investimentos em ativos que proporcionem
efetivamente valor à organização. Esse conceito deve ser considerado para que o
desempenho organizacional seja afetado pelo investimento realizado, conforme
figura a seguir. Segundo o autor, esse conceito explica porque não basta executar
investimentos em TI, e sim verificar o quão bem esse capital é empregado de forma
a oferecer um retorno em termos de desempenho organizacional.

Tecnologia de Efetividade de Desempenho


Informação Conversão Organizacional

Figura 10 - Modelo de realização de valor de Weill


Fonte: MCKEEN; SMITH; PARENT (1999, p. 9)

O modelo de Markus e Soh (1993) sugeriu a incorporação de dois fatores


intermediários para a efetividade de conversão de TI, de acordo com a figura a
seguir. O primeiro é dado pelas características estruturais da organização, tais
como: tamanho, posição competitiva, tipo de setor, etc., que interferem na
capacidade de realizar o valor a partir do investimento.

O segundo fator é composto pelos processos de gerenciamento internos,


tais como a formulação da estratégia de TI; a seleção de estruturas organizacionais
e a gestão de projetos de TI. O último fator é controlado pela empresa, e o primeiro,
nem tanto. Os autores consideram que esses dois fatores, juntamente com a
efetividade de conversão, impactam tanto o nível de investimento em TI como os
resultados em termos de desempenho.
74

Efetividade de Fatores Estruturais


Conversão de TI Processo de Gerenciamento Interno

Tecnologia de Desempenho
Informação Organizacional

Figura 11 - Modelo de realização de valor de Markus e Soh


Fonte: MCKEEN; SMITH; PARENT (1999, p. 9)

McKeen e Smith (1999) observaram que as análises, até então


realizadas, ocupavam-se predominantemente com medidas do nível de
informatização das organizações, mas negligenciavam um fator muito importante:
pessoas. Segundo eles, a organização ou a preparação para a TI deve levar em
conta o papel das pessoas no uso da tecnologia, a fim de que os impactos sejam
percebidos no desempenho organizacional. Somente a conjunção adequada da TI
com as pessoas permitirá a realização do valor da TI, conforme a figura 12.

Tecnologia de Desempenho
Organização de TI
Informação Organizacional

Figura 12 - Modelo de realização de valor de McKeen e Smith


Fonte: MCKEEN; SMITH; PARENT (1999, p. 10)

Apresentados os modelos, McKenn, Smith e Parent (1999, p. 11-14)


sugerem um que os sintetiza, conforme a figura 13:

Efetividade de
Conversão de TI

Desempenho
Governança de TI Investimento em TI Organização de TI Utilização de TI
Organizacional

Figura 13 - Modelo de realização de valor sintetizado


Fonte: MCKEEN; SMITH; PARENT (1999, p. 13)

Os autores argumentam que os modelos prévios podem funcionar de


maneira complementar para explicar a realização de valor da TI. “O modelo
sintetizado é mais completo, coesivo e pode ser aplicado a todos os tipos de projetos
75

e formas organizacionais” (MCKEEN; SMITH; PARENT, 1999, p. 13, tradução


nossa). Além dos fatores intermediários entre investimento e desempenho
organizacional (organização, utilização e efetividade de conversão de TI), há um
precedente do investimento que é a governança de TI. Isto significa que os
investimentos avaliados e realizados devem estar inseridos em um planejamento
mais amplo, definido pela governança de TI.

Outro modelo de realização de TI, usando os conceitos de valor potencial


e realizado, foi proposto por Davern e Kauffman (2000, p. 123) e ilustrado a seguir
na figura 14. Segundo eles, a avaliação inicia com o valor potencial oferecido pelo
projeto, que antecede o investimento de capital. Contingências de conversão, bem
como fatores moderadores do valor da TI controláveis ou não pela organização,
influenciam os impactos da TI na organização, que, por sua vez, influenciam o valor
realizado e o retorno do projeto. Os autores reconhecem a importância da
complementaridade de outros investimentos em adição ao investimento em TI, para
que o valor realizado seja maior.

Valor Potencial do Investimento no


Projeto de TI Projeto de TI

Gerenciamento de Contingências de Valor Realizado do Retorno sobre o


Impactos da TI
TI Conversão Projeto de TI Investimento em TI

Figura 14 - Modelo de Criação de Valor de Davern e Kauffman


Fonte: DAVERN; KAUFFMAN (2000, p. 123)

Segundo Smith e McKeen (2003, p. 439, tradução nossa), “com o advento


do uso estratégico da TI nos negócios, tornou-se mais difícil isolar e verificar a
proposição de valor da TI”. A própria quantidade de modelos propostos, bem como
as várias definições de valor de TI adotadas por diferentes autores ilustram tal
dificuldade. Para tanto, eles sugerem cinco princípios centrais para desenvolver e
verificar a realização de valor nas organizações (SMITH; MCKEEN, 2003, p. 447-
448).

O primeiro princípio é usar um processo de gerenciamento do valor dos


investimentos em TI claramente definido e padronizado ao longo da organização. O
76

objetivo é priorizar as oportunidades de TI pelo valor potencial em relação às


demais, otimizando a carteira de projetos. Esse processo, além de garantir o
acompanhamento dos projetos após sua implantação, deve incluir medidas
contínuas de monitoramento da realização do valor.

O segundo princípio consiste em manter o foco em projetos menores, em


poucas áreas, e escolhê-los de forma sinérgica. O conceito é realizar valor através
de uma série de pequenos projetos focados que, conjuntamente, resultem em
impactos de curto e longo prazos, melhor gerenciados em comparação com uma
quantidade maior de projetos grandes.

O próximo princípio é adotar uma orientação holística para o valor da


tecnologia. Deve-se considerar a interação entre pessoal, informação e tecnologia, a
fim de alcançar a realização completa do valor.

O quarto princípio abrange o envolvimento de um executivo que encampe


todos os projetos, além dos demais envolvidos perceberem sua parcela de
contribuição para os resultados finais.

O último princípio proposto, decorrente da complexidade crescente da


tecnologia, da variedade de opções disponíveis e da incerteza no ambiente, sugere
uma abordagem para reduzir riscos através da aceitação de projetos experimentais
antes de assumir projetos maiores e definitivos. Esse princípio permite que os
investimentos sejam divididos em partes menores e que possam ser reavaliados de
maneira mais fácil. Ressalta-se que este último princípio sugerido contém
características e conceitos próprios da teoria das opções, objeto de detalhamento
mais adiante.

Para Harris, Herron e Iwanicki (2008, p. 140-142), a contribuição de valor


da TI pode ser mensurada com base no valor entregue e na eficiência de
desenvolvimento. O valor entregue refere-se aos resultados observados em termos
financeiros e a eficiência do desenvolvimento refere-se aos custos necessários para
sua execução. Os autores representam esta contribuição de valor com o esquema
gráfico a seguir na figura 15.
77

Melhoria contínua Tecnologia de Valor para o


dos processos Informação consumidor

Aumento de produtividade
Satisfação do consumidor
Redução do tempo para o mercado
Melhoria da posição competitiva
Aumento de qualidade

Redução de custos Aumento da participação de mercado

Aumento de Valor para os Aumento de


margens shareholders receitas

Figura 15 - Modelo de Contribuição de Valor da TI de Harris, Herron e Iwanicki


Fonte: HARRIS; HERRON; IWANICKI (2008, p. 141)

No modelo descrito anteriormente, há duas perspectivas. No lado


esquerdo, a melhoria contínua dos processos pela TI leva a um aumento nas
margens de lucro do negócio, através do aumento de produtividade e da qualidade,
bem como da redução do tempo para o mercado (time to market). No lado direito, a
TI que oferece valor para o consumidor resulta em aumento de receitas, através do
aumento da satisfação do consumidor e da melhoria da posição competitiva. Uma
vantagem desse modelo é que ambas as perspectivas são mensuráveis.

Em relação à medição do desempenho da TI, Harris, Herron e Iwanicki


(2008, p. 142-144) sugerem quatro medidas chave: custo, qualidade, duração e
qualidade do consumidor.

Custos referem-se a todos os desembolsos operacionais associados à TI,


devendo ser coletados e analisados dados referentes aos desembolsos de
desenvolvimento e manutenção da carteira de aplicações na organização.
Qualidade, como medida de desempenho da TI, refere-se à quantidade de defeitos
encontrados em uma aplicação ou produto. A medida de duração é o tempo
observado para definir, projetar, desenvolver, homologar e colocar em produção uma
solução de TI. Alterações neste prazo podem comprometer o desempenho da TI. A
última medida refere-se à satisfação do consumidor com a solução apresentada,
78

podendo ser coletada através de pesquisas conduzidas diretamente com o


consumidor ou usuário da TI.

Os autores sugerem ainda uma quinta medida de desempenho de TI


(HARRIS; HERRON; IWANICKI, 2008, p. 144-146). Segundo eles, as quatro
medidas anteriores são insuficientes para fazer comparações efetivas. A escala
(tamanho) dos projetos é uma importante variável que deve ser levada em conta na
análise do desempenho, uma vez que projetos com diferentes escalas passam a ser
melhor comparados com a inclusão da escala na avaliação. Uma boa medida de
escala deve ser significativa para os gestores e usuários, seguir o padrão da
indústria, ser fácil de entender e aplicar e ser baseada em estatísticas objetivas.

3.3 CLASSIFICAÇÕES DOS MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS

EM TI

Classificar os métodos de avaliação de investimentos em TI é


fundamental, uma vez que a literatura apresenta dezenas de métodos (RAU; BYE,
2003, p. 17; BERGHOUT; RENKEMA, 2001, p. 97; BANNISTER; REMENYI, 2000,
p. 232; LUBBE, 1999, p. 22) e outros surgem à medida que as pesquisas evoluem.

No entanto, esses métodos mostram-se fortemente fragmentados, sem


uma integração entre si (LUBBE, 1999, p. 41). Classificá-los, nesse sentido, pode
contribuir para essa visão integrada e para uma decisão mais adequada sobre quais
métodos devem ser empregados. É de se esperar, inclusive, que em um mesmo
projeto, se forem utilizados diferentes métodos, as decisões indicadas possam ser
bastante diferentes.

Definir o método adequado para avaliar investimentos em TI depende do


seu propósito (REMENYI et al., 2000, p. 66). Essa é uma decisão crítica e é
realizada de acordo com as circunstâncias do projeto em análise e dos conceitos de
retorno que a organização aceita (REMENYI et al., 2000, p. 83). Segundo os
79

autores, o quadro 9 relaciona o propósito e o tipo do investimento às medidas


adequadas para sua avaliação.

Propósito do investimento Tipo de investimento Medida


Sobrevivência do negócio Obrigatório Continuar / descontinuar negócio
Aumento de eficiência Negócio principal / vital Custo-benefício
Aumento de eficácia Negócio principal / crítico Análise de negócio
Salto competitivo Prestígio / estratégico Análise estratégica
Infra-estrutura Obrigatório/arquitetura/semente Termos amplos
Quadro 9 - Propósitos, tipos e medidas do investimento segundo Remenyi et al.
Fonte: Adaptado de REMENYI et al., (2000, p. 66)

Para Remenyi et al. (2000, p. 151, tradução nossa),

Onde os objetivos das tarefas da empresa ou os recursos de sistemas são


relativamente óbvios e onde os benefícios intangíveis têm uma pequena
participação, medidas físicas diretas podem ser usadas para avaliar a
eficácia do sistema. No entanto, onde são envolvidas situações complexas,
técnicas simples não são apropriadas e percepções se tornam uma parte
crítica do processo de mensuração da eficácia geral de um sistema de
informação.

Powell (1992, p. 30-32) sugere uma classificação dos métodos de


avaliação em técnicas objetivas e subjetivas. As técnicas objetivas visam a
categorizar e quantificar os custos associados ao projeto, através de métodos, como:
análise de custo-benefício, análise de valor, abordagem multi-critério e simulação.
As técnicas subjetivas, tais como atitudes dos usuários e análise de problemas
potenciais, não buscam essencialmente transformar os benefícios intangíveis em
valores monetários. No entanto, alguns ainda tentam uma certa quantificação, mas
em indicadores de sentimentos, atitudes e percepções, em vez de termos
monetários ou produtivos.

Farbey, Land e Target (1992, p. 115-116) apontam cinco grupos de


fatores influenciadores para a definição dos métodos de avaliação de investimentos
em TI. O primeiro grupo de fatores é o papel da avaliação, ligado ao estágio
(planejamento ou execução) e ao nível de execução (tático ou estratégico). O
segundo grupo é o ambiente da decisão, com quatro dimensões: processo de
decisão (padrão ou ad hoc), tipos de benefícios (quantitativos ou qualitativos),
importância de números (importante ou não importante) e custos da técnica
(métodos simples ou sofisticados). O terceiro grupo é formado pelas características,
80

envolvendo a sua natureza (específico ou infra-estrutura) e relação com o negócio


(atividade de suporte ou principal). O penúltimo grupo é composto pelas
características da organização no mercado, abrangendo o seu papel (líder ou
seguidor) e a situação da indústria (estável ou instável). O último grupo é dado pelas
relações de causa e efeito do investimento, no que se refere ao grau de
previsibilidade (previsível ou imprevisível) e ao tipo de impacto (direto ou indireto).
Cada um destes fatores pode ser representado por matrizes 2 x 2 e a sobreposição
delas indica a melhor combinação de métodos de avaliação para o projeto
(FARBEY; LAND; TARGETT, 1992, p. 119).

Farbey, Land e Targett (1992, p. 117-120), baseados nos fatores


influenciadores, propuseram um processo em três etapas, para definir os métodos a
serem usados na avaliação do investimento. A primeira etapa é verificar todas as
circunstâncias nas quais o projeto ocorrerá, de acordo com os cinco grupos de
fatores influenciadores, em matrizes 2 x 2. A segunda etapa é enquadrar cada
técnica de avaliação disponível em algum ponto numa matriz 2 x 2. A última etapa é
sobrepor as matrizes, identificando as técnicas mais adequadas. A figura 16
representa a matriz sobreposta sugerida pelos autores.

Tipo de impacto: Direto Indireto


Nível: Tático Estratégico
Tipo de benefício: Quantitativo Qualitativo
Método de avaliação: Simples Sofisticado
Relação com o negócio: Suporte Principal
Papel da organização: Seguidor Líder
Previsibilidade: Previsível
Estágio: Execução ROI
Processo de decisão: padrão Payback
Análise custo-benefício
Números: Importante Custo/Receita
Natureza: Específico SESAME
Indústria: Estável
Previsibilidade: Imprevisível
Estágio: Planejamento Retorno sobre gerenciamento
Processo de decisão: Ad hoc Multi-objetivo, multi-critério Valores de limite
Números: Não importante Métodos experimentais Análise de valor
Natureza: Infra-estrutura Economia da informação
Indústria: Instável
Figura 16 - Matriz de técnicas de avaliação segundo Farbey et al.
Fonte: FARBEY; LAND; TARGETT (1992, p. 119)

Wen e Sylla (1999, p. 187-193) apresentam uma classificação de métodos


de avaliação de investimentos em TI dividida em três categorias de medição. A
primeira categoria concentra-se na avaliação de benefícios tangíveis e cita técnicas
81

como ROI (return on investment), análise de custo-benefício, ROM (return on


management) e economia da informação. A segunda categoria apresenta técnicas
que são capazes de avaliar benefícios intangíveis, tais como: múltiplos objetivos e
múltiplos critérios (MOMC), análise de valor e fatores críticos de sucesso. A última
categoria é composta por métodos que consideram os riscos. Dentre esses
métodos, são citados opções reais, análise de carteira de investimentos, técnica
Delphi e processo de análise hierárquica.

Dada essa classificação, os autores propuseram um guia para usar os


métodos apresentados (WEN; SYLLA, 1999, p. 194), o qual foi sugerido
considerando que investimentos em TI deveriam ter os riscos e os benefícios
tangíveis e intangíveis avaliados, bem como serem avaliados por métodos, seguindo
uma determinada hierarquia. Este último ponto indica, segundo os autores, que os
benefícios intangíveis devem ser avaliados antes dos tangíveis, pois baseia-se na
suposição de que indivíduos, diante de benefícios quantitativos e qualitativos
concomitantemente, tendem a concentrar-se mais nos primeiros em detrimento dos
últimos. O guia é ilustrado no quadro 10.

Passos / objetivos Benefícios e riscos medidos Métodos de avaliação


Suporte ao gerenciamento Multi-objetivo e multi-critério
Avaliação de benefícios
Vantagem competitiva Análise de valor
intangíveis
Transformação de negócio Fatores críticos de sucesso
Opções reais
Riscos físicos
Análise dos riscos Carteira de investimentos
Riscos gerenciais
Técnica Delphi
ROI
Avaliação de benefícios Desempenho operacional Análise custo-benefício
tangíveis Produtividade ROM
Economia da informação
Quadro 10 - Guia para avaliação de investimentos em TI segundo Wen e Sylla
Fonte: WEN; SYLLA (1999, p. 194)

Cronk e Fitzgerald (1999, p. 41), ao listarem uma gama de medidas de


avaliação constantes na literatura, observam que tais métodos podem considerar um
único ou vários sistemas de informação na organização, ser quantitativos ou
qualitativos, ser uni ou multidimensionais ou, ainda, limitados ao sistema em si ou
contemplando a organização como um todo. Os autores, considerando essas várias
82

possibilidades, sugeriram uma classificação dos métodos em três níveis, baseada na


complexidade (quantidade e tipos de medidas) e no tipo de valor de negócio.

O primeiro nível da classificação é composto por medidas quantitativas


(análise custo-benefício, por exemplo) ou qualitativas (satisfação dos usuários, por
exemplo), aplicadas isoladamente a sistemas existentes atualmente, sem considerar
eventualmente qualquer criação de valor em outros pontos na organização. O
segundo nível abrange métricas mais sofisticas que consideram o efeito do
investimento em outras partes da organização, tais como o alinhamento com os
objetivos de negócio. O último nível de complexidade usa métricas multidimensionais
e incorpora os fatores dos dois primeiros níveis (benefícios localizados e ampliados).

Segundo Remenyi et al. (2000, p. 79), as abordagens de avaliação são


classificadas em dois tipos principais, em função de suas características de
objetividade e subjetividade relativas, conforme quadro 11.

Classificação Abordagem para Avaliação


Análise de custo benefício
Análise econômica
Parcialmente objetiva Nível de utilização do sistema
Garantia de qualidade
Desempenho competitivo relativo
Avaliação do estudo de trabalho
Atitudes dos usuários
Totalmente subjetiva Visão gerencial
Avaliação da cadeia de valor
Análise estratégica
Quadro 11 - Classificação de abordagens de avaliação segundo Remenyi et al.
Fonte: Traduzido de REMENYI et al. (2000, p. 79)

Os autores acrescentam, ainda, que a avaliação de retornos intangíveis


embute também alguns problemas. O primeiro problema é relacionado ao ruído, ou
seja, o efeito do investimento em TI pode ser mascarado por outros eventos. As
flutuações no curto prazo são o segundo problema, decorrente de mudanças
sazonais na demanda, custos ou preços, afetando os benefícios esperados ou
observados. O último problema são os aspectos subjetivos, pois as técnicas de
medição estão sujeitas a manipulações por parte dos analistas.
83

Remenyi et al. (2000, p. 112-120) apresentam formas de mensurar a


relação custo-benefício de investimentos em TI, cuja análise deve considerar os
fluxos de caixa incrementais (ROSS; WESTERFIELD; JAFFE, 2002, p. 147) obtidos
com o investimento.

Os autores apresentam as seguintes abordagens de análise custo-


benefício: substituição de custos, obstrução de custos, análise de decisões e
impacto no desempenho.

A substituição de custos ocorre tipicamente em investimentos de


automação de processos, quando estes passam a ser realizados com menos
insumos ou menos pessoal, por exemplo. Nesse caso, o investimento permitirá
reduções de desembolsos, configurando um fluxo de caixa previsível e passível de
ser analisado quantitativamente.

A obstrução de custos é dada por investimentos em TI que evitam a


organização incorrer em determinados custos. Caso haja a expectativa de
surgimento de custos adicionais, pode ser avaliado um projeto de TI que iniba o
impacto desses custos. Eles podem também ser evitados a partir de investimentos
em automação de processos.

A análise de decisões avalia os benefícios de uma melhor informação


para a tomada de decisões, admitindo que melhores decisões levarão a um melhor
desempenho da organização. Para tanto, a informação deve ter um valor monetário
associado, o que pode ser um desafio em alguns casos. Um modelo de como a
informação é usada no processo de tomada de decisão é útil na análise destes
benefícios.

O impacto no desempenho do pessoal da organização é uma abordagem


também relacionada ao conceito de custo-benefício. Busca-se quantificar o efeito
positivo que a TI pode ter no desempenho individual, através do uso de medidas de
produtividade.
84

Bannister e Remenyi (2000, p. 234-235) sugerem uma taxonomia de três


tipos de abordagens para a avaliação de TI: fundamentais, compostos e meta
métodos.

As técnicas fundamentais buscam reduzir as características do


investimento em uma simples medida, de forma que a avaliação seja realizada
através da interpretação dessa medida única. Exemplos dessa categoria são o ROI,
TIR, medidas de satisfação de usuários e clientes, medidas de produtividade
individual, etc.

As abordagens compostas combinam medidas fundamentais, a fim de


obter um resultado mais amplo, através do balanceamento de medidas individuais e
importantes na análise. Como exemplos, têm-se: economia da informação, métodos
de avaliação de carteira, balanced scorecard e Simple Multi-Atribute Rating
Technique (SMART). As medidas também podem ser agrupadas de maneira ad hoc,
dependendo das circunstâncias da avaliação e do projeto.

As meta abordagens objetivam selecionar o melhor conjunto de medidas


para o caso específico. Depois de selecionada(s) a(s) melhor(es) técnica(s), essa(s)
é(são) aplicada(s) ao caso.

Berghout e Renkema (2001, p. 82-83) dividem os métodos de avaliação


em quatro abordagens: financeira, múltiplos critérios, índices e carteira.

As abordagens financeiras consideram os impactos monetários dos


investimentos e se baseiam nos fluxos de caixa esperados (avaliação ex-ante) ou
realizados (avaliação ex-post). Como exemplos, têm-se: período de payback, valor
presente líquido e taxa interna de retorno.

As abordagens baseadas em múltiplos critérios consideram os benefícios


de natureza não monetária, além dos de natureza monetária, combinando critérios
quantitativos com qualitativos. Exemplos de técnicas dessa categoria são information
economics e balanced scorecard.
85

As abordagens baseadas em índices, tais como o return on management,


utilizam razões calculadas entre valores relevantes para a análise.

Por último, as abordagens baseadas em carteira identificam em que


categoria os projetos de investimento situam-se para fazer sua avaliação,
normalmente usando uma apresentação gráfica. Os autores apresentam os
seguintes exemplos: método de Bedell, carteira de investimentos e mapeamento de
investimentos.

Stewart e Mohamed (2002, p. 256-258) fazem uma classificação dos


métodos de avaliação, conforme o quadro 12.

Classificação Técnicas
Período de payback, retorno sobre investimento
Abordagem econômica baseada em índices
(ROI) e análise custo benefício
Abordagem econômica baseada em fluxos Valor presente líquido (VPL) e taxa interna de
descontados retorno (TIR)
Abordagem econômica baseada em técnicas de
Teoria das opções
valor futuro
Importância técnica, vantagem competitiva,
Abordagem estratégica fatores críticos de sucesso e carteira de
aplicações
Modelos de escores, processo hierárquico
Abordagem analítica de carteira analítico (AHP), lógica fuzzy e técnicas baseadas
em computador
Outras abordagens analíticas Análise de risco e análise de valor
Teoria de utilidade multi-atributo, Planejamento
Abordagem integrada de cenários, economia de informação e balanced
scorecard
Quadro 12 - Classificação de métodos de avaliação segundo Stewart e Mohamed
Fonte: Adaptado de STEWART; MOHAMED (2002, p. 257)

As abordagens econômicas concentram-se fortemente nos aspectos


monetários e quantitativos dos projetos, ignorando os fatores intangíveis. A
abordagem estratégica combina aspectos quantitativos e qualitativos em suas
técnicas, além de considerar os impactos de longo prazo na organização. As
abordagens analíticas, além de incorporarem os fatores de risco, têm também
características quantitativas e qualitativas. Por fim, as técnicas componentes da
abordagem integrada combinam subjetividade em uma estruturação mais formal,
integrando dimensões financeiras e não financeiras (STEWART; MOHAMED, 2002,
p. 256).
86

Kulak et al. (2005, p. 276-277) apresentam uma classificação que segrega


os métodos em quatro abordagens: econômica, estratégica, analítica e integrada. A
figura 17 mostra algumas técnicas e referências bibliográficas.

Técnicas de Seleção de
TI

Abordagem Abordagem Abordagem Abrodagem


Econômica Estratégica Analítica Integrada

Payback (Dudgale, 1991) Vantagem competitiva Modelos de Scores (Nelson, 1986) Teoria da utilidade multi-atributo
(Parker et al., 1998) (Sloggy, 1994)
ROI (Suresh e Meredith, 1985) Análise hierárquica (Saaty, 1999)
Fatores críticos de sucesso Cenários (Kennedy e Sudgen,
VPL (Kakati e Dhar, 1991) (Hochstrasses e Griffiths, 1991) Lógica fuzzy (Awad e Wafik, 1999) 1986)

Teoria das opções (Kambil et Abordagem de carteira Análise de risco (Remenyi e Heafield, Economia da informação (Parker
al., 1993) (Ward, 1990) 1995) et al., 1988)

Balanced scorecard (Kaplan e


Norton, 1996)

Figura 17 - Classificação de técnicas de Avaliação segundo Kulak et al.


Fonte: KULAK et al. (2005, p. 277)

Small (2006, p. 486) baseia-se na literatura para sugerir que os métodos


de avaliação dividem-se em três categorias, de acordo com suas abordagens:
econômica, estratégica e analítica. A abordagem econômica envolve as técnicas
clássicas de engenharia econômica. A abordagem estratégica abrange as técnicas
que consideram a vantagem competitiva, os objetivos do negócio e da pesquisa e o
desenvolvimento. As técnicas que usam abordagem analítica envolvem as análises
de valor, de carteira e dos riscos. O autor, no entanto, enfatiza que, a fim de evitar a
apreciação dos investimentos de maneira incompleta, há um movimento para a
avaliação híbrida, agregando técnicas das três abordagens apresentadas.

Harris, Herron e Iwanicki (2008, p. 16-19) apresentam métodos de


avaliação de investimentos em TI, classificados em dois grupos. O primeiro grupo é
o de medidas financeiras de valor, e o segundo é o de medidas não financeiras de
valor.

Como parte do primeiro grupo, são citados o custo total de propriedade, o


retorno sobre o investimento (ROI), o valor econômico agregado (VEA), a avaliação
por opções reais e o retorno sobre os ativos.
87

No segundo grupo, os autores destacam que nem sempre as medidas


financeiras conseguem precificar o valor das atividades no contexto de objetivos
estratégicos. São destacados, nesse caso, métodos multidimensionais,
categorizados em abordagens multicritério, abordagens estratégicas e abordagens
baseadas em gerenciamento de carteira de investimentos.

Os autores apresentam como abordagens multicritério a economia da


informação, a economia de informação aplicada, o impacto econômico total e o valor
total de oportunidade. As abordagens estratégicas utilizam o balanced scorecard e o
scorecard IT. Por fim, as abordagens baseadas em carteiras de investimento são o
modelo do Giga Information Group, os quadrantes de Ross e Beath e a pirâmide de
carteira elaborada pelo centro de pesquisa em sistemas de informação do MIT.
88

4 AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO


ATRAVÉS DE OPÇÕES REAIS

Os capítulos anteriores demonstraram que investimentos em TI são


bastante peculiares no que se refere à amplitude dos objetivos buscados nas
organizações, o que implica em uma extensa gama de retornos e alternativas de
escolha. Os fatores de riscos também são vários, exigindo dos gestores de tais
projetos atenção redobrada e emprego de estratégias para minimizar seus impactos
negativos e as possibilidades de fracasso.

Como decorrência dessas características, a avaliação ex-ante de


investimentos em TI deve considerar as várias dimensões que permeiam seus
projetos. Tanto a existência de retornos de naturezas quantitativas e qualitativas
como fatores variados de riscos explicam a grande quantidade de métodos de
avaliação propostos na literatura acadêmica e profissional. Sua conseqüência direta
é a dificuldade típica de um consenso em relação à escolha dos métodos e, em
última instância, à decisão final da aceitação ou rejeição do projeto.

O presente capítulo centra esforços em argumentar favoravelmente ao


uso da teoria de opções reais como uma forma de avaliar investimentos em TI, cujas
características assim o permitam. Os projetos alvo para esse método são aqueles
cujos retornos sejam incertos e possam ser expressos em termos financeiros, bem
como aqueles cujos gestores tenham flexibilidade de ação no decorrer do
desenvolvimento.

Sua estrutura inicia com a apresentação de lacunas deixadas pelos


métodos tradicionais de avaliação dos retornos financeiros de investimentos. Em
seguida, são apresentadas suposições em relação às características de
investimentos em TI que permitem o uso da abordagem de opções reais. Segue-se
uma apresentação dos conceitos de opções reais e seus mecanismos de avaliação.
O capítulo encerra com a apresentação de pesquisas anteriores sobre o uso de
opções reais aplicadas a investimentos em TI e uma visão de tipos de investimentos
em TI e circunstâncias que podem indicar seu uso.
89

4.1 LACUNAS DOS MÉTODOS CONVENCIONAIS DE AVALIAÇÃO DE

INVESTIMENTOS

Os métodos tradicionais de orçamento de capital são ancorados


fortemente nos princípios da matemática financeira e engenharia econômica
(BREALEY; MYERS; MARCUS, 2002, p. 59-94; ROSS; WESTERFIELD; JAFFE,
2002, p. 126-142; BRIGHAM; GAPENSKI; EHRHARDT, 2001, p. 241-267).
Conceitos como valor do dinheiro no tempo, equivalência de capitais, taxas de
desconto ajustadas ao risco do projeto e previsão de fluxos de caixa compreendem
as técnicas, cujos exemplos mais comuns são valor presente líquido (VPL), retorno
sobre o investimento (ROI), taxa interna de retorno (TIR) e período de payback
(PPB).

Amram e Kulatilaka (1999, p. 3) sugerem dois motivos pelos quais os


métodos atualmente usados não são adequados à realidade dos negócios: a
incerteza que envolve os projetos de investimentos e o reconhecimento da
existência de investimentos estratégicos, com retornos de longo prazo e sujeitos a
alterações de acordo com as circunstâncias.

Os métodos tradicionais, quando usados com valores projetados


estáticos, desconsideram os riscos específicos do projeto e, nessa circunstância,
são chamados determinísticos. Em outras palavras, negligenciam o comportamento
estocástico de determinadas variáveis dos fluxos de caixa gerados pelo
investimento, assumindo a inexistência de desvios possivelmente observados sobre
os valores esperados (MUN, 2002, p. 58).

Amram e Kulatilaka (1999, p. 4) alertam que os projetos de investimento


são avaliados e realizados em um mundo incerto. Ao considerarem o risco, que,
nesse caso, é definido pela variação que podem sofrer os valores esperados de
cada variável, passam a ser chamados métodos probabilísticos. Os valores
relevantes à análise podem seguir comportamentos parcialmente aleatórios, estando
fora da capacidade de previsão completa dos gestores. Assim, são usadas
distribuições de probabilidades para representar as estimativas das variáveis dos
90

fluxos de caixa esperados, tendo geralmente o desvio-padrão como uma medida


adequada de risco. “Quanto menor o desvio, maior a concentração de
probabilidades em torno da média e, portanto, mais representativa é a média”
(SECURATO, 1996, p. 31), indicando, nesse caso, menor risco.

Considerando o risco específico, métodos como análise de sensibilidade,


análise de cenários e simulação de Monte Carlo podem ser utilizados nas
avaliações, com a vantagem adicional de considerarem o risco associado à
variabilidade dos fluxos de caixa esperados (CORREIA NETO, 2007; CORREIA
NETO; MOURA; FORTE, 2002).

O risco também é contemplado por estes métodos através do ajuste da


taxa de desconto para manipulação dos fluxos de caixa (CORREIA NETO, 2009, p.
197). Além das dificuldades inerentes ao cálculo dessas taxas (YAO; JAAFARI,
2003, p. 59; MUN, 2002, p. 61; DOS SANTOS, 1991, p. 79), quanto maior o nível de
risco atribuído ao projeto, maior será a taxa de desconto, cujo ajuste tende a
depreciar acentuadamente projetos considerados arriscados.

Apesar desses mecanismos utilizados para considerar o risco específico


dos projetos, tais métodos não compreendem algumas características importantes
dos projetos de investimentos.

Vários autores concordam que os métodos convencionais subestimam o


real valor de alguns projetos que apresentam características de flexibilidade
gerencial e incerteza (MILLER; CHOI; PARK, 2004, p. 202; KUMAR, 2004, p. 12;
BARDHAN; BAGCHI; SOUGSTAD, 2004, p. 34; YAO; JAAFARI, 2003, p. 57-58;
BENNINGA; TOLKOWSKY, 2002, p. 151; DAMODARAN, 2002, p. 211; KOGUT;
BENAROCH; KAUFFMAN, 2000, p. 200; PANAYI; TRIGEORGIS, 1998, p. 676;
KUMAR, 1996, p. 187; SCARSO, 1996, p. 41; KULATILAKA, 1994, p. 56).

Isto abre espaço para a corroboração do segundo motivo apontado por


Amram e Kulatilaka para a inadequação dos métodos tradicionais e adequação das
opções reais. O uso de abordagens tradicionais, como o fluxo de caixa descontado,
não é apropriado para avaliar certos projetos estratégicos envolvendo flexibilidade
91

gerencial (MUN, 2002, p. 77) e elas assumem a tomada de decisão estática,


normalmente no momento inicial do investimento (MUN, 2002, p. 82).

Dos Santos (1991, p. 77, tradução nossa), em um artigo seminal sobre o


uso de opções reais aplicadas à justificativa de novas tecnologias, afirma que “um
sério problema com o VPL é a não consideração da flexibilidade que as empresas
têm no gerenciamento de novas tecnologias”, uma vez que há similaridade de tais
investimentos com opções financeiras (DOS SANTOS, 1991, p. 80).

Para Mun (2002, p. 10), opções reais são ferramentas de negócio para
apoiar as decisões de investimentos estratégicos. Essa abordagem permite a melhor
tomada de decisão à medida que algumas incertezas são resolvidas com o passar
do tempo, além de indicarem as “condições sob as quais executar uma estratégia é
ótimo” (MUN, 2002, p. 150, tradução nossa).

Para Davern e Kauffman (2000, p. 138), há duas razões para a


subestimação dos retornos esperados por projetos de TI. A primeira é o foco
direcionado fortemente aos custos, e a segunda é a inabilidade dos métodos usados
em reconhecer o valor das opções inerentes à maior parte destes projetos. Yao e
Jaafari (2003, p. 54, tradução nossa) consideram que a “aplicação da abordagem de
opções reais não somente é uma avaliação mais apropriada do que o VPL na
verificação de projetos arriscados e complexos, como também resulta em decisões
estratégicas ótimas”.

Schwartz e Zozaya-Gorostiza (2003, p. 57, tradução nossa) confirmam


essa visão, argumentando que “em contraste com o método tradicional do VPL, esta
abordagem reconhece a habilidade dos gestores postergarem, suspenderem ou
abandonarem um projeto uma vez ele iniciado”. Portanto, métodos baseados em
opções reais incorporam a habilidade dos gestores responderem à incerteza ao
longo do tempo, ao contrário dos métodos tradicionais que suprimem essa
flexibilidade (CHILDS; TRANTIS, 1999, p. 1359).

Correia Neto (2009, p. 221) complementa esse posicionamento


argumentando que, em muitos casos, estratégias podem sofrer alterações de rumo
92

decorrentes de mudanças ambientais. Nesses casos, os fluxos de caixa decorrentes


de investimentos e financiamentos também devem refletir tais alterações. Assim, as
decisões de investimentos não devem ser realizadas em um ambiente estático,
alheio às possíveis variações de curso.

Kester (2004, p. 36-37), ao tratar sobre o papel dos investimentos atuais


sobre a criação de oportunidades futuras de novos investimentos, discorre sobre a
sub-avaliação dos projetos pelo método do VPL. Tal erro, na visão do autor, não
aconteceria no caso do uso de opções reais.

Assim, espera-se uma interpretação direta de muitas decisões com


opções (KOGUT; KULATILAKA, 1994, p. 53) e, dessa forma, a lógica de opções
financeiras pode ser aplicada aos investimentos sem necessariamente ser
desenvolvida uma matemática formal para sua avaliação (COFF; LAVERTY, 2001,
p. 74). Para Copeland e Antikarov (2001, p. 49), “a análise de opções reais não é
apenas um método, mas também uma nova forma de encarar a dinâmica da decisão
de investir”.

Na realidade, o uso intuitivo de opções reais parece existir nas decisões


dos gestores (AMRAM; KULATILAKA, 1999, p. 18). Apesar de algumas decisões
não serem baseadas formalmente em métodos algébricos de cálculo do valor das
opções, a lógica de obter direitos sobre projetos pode prevalecer, principalmente
naqueles de difícil mensuração dos retornos. “A abordagem de opções reais é uma
forma de pensar e, quando a estrutura da aplicação se torna muito complexa, muito
do seu benefício se perde” (AMRAM; KULATILAKA, 1999, p. 97, tradução nossa).

Consistente com essa visão, pesquisas indicam que gestores, apesar de


não calcularem os valores das opções, “intuitivamente vêem opções reais de forma
consistente com a teoria de opções” (FICHMAN; KEIL; TIWANA, 2005, p. 90,
tradução nossa). Para os autores, não há estrita necessidade de quantificar as
opções para poder usar favoravelmente seus conceitos. “O grande trunfo surge ao
usar os conceitos de opções para ativamente criar e extrair valor das opções que, de
outra forma, seriam difíceis de perceber” (FICHMAN; KEIL; TIWANA, 2005, p. 75,
tradução nossa).
93

Esse ponto, porém, tem diferentes perspectivas. Benaroch, Shah e Jeffery


(2006, p. 241-242) indicam que há atualmente duas linhas principais de
entendimento debatendo sobre a aplicação de opções reais em investimentos em TI.

O primeiro grupo entende que o uso de opções reais pode ser meramente
a fim de indicar idéias e conceitos para subsidiar as discussões em torno do projeto
e de seu desenrolar. Os participantes deste grupo argumentam, dessa forma, que
não são necessários cálculos precisos para justificar os projetos através das opções
disponíveis.

O outro grupo argumenta que a análise de opções reais, além de prover


conceitos importantes sobre os projetos, principalmente no que se refere ao risco
inerente, é uma importante ferramenta de avaliação precisa sobre os benefícios
esperados do projeto. Segundo os autores, a imprecisão na abordagem de opções
reais pode levar a decisões inadequadas.

4.2 SUPOSIÇÕES RELACIONADAS AOS INVESTIMENTOS EM TI

O uso da análise de opções reais pressupõe algumas circunstâncias, que


devem ser observadas em projetos de investimentos, seja em TI ou em outros
ativos. Elas podem ser sumarizadas em incerteza, geração de oportunidades
futuras, divisão em estágios e flexibilidade gerencial.

4.2.1 INCERTEZA

Um primeiro aspecto que concorre para a aplicação de opções reais à


avaliação de investimentos em TI é a incerteza própria de tais projetos. “A avaliação
de investimentos em TI é desafiante porque eles são caracterizados por um longo
período de retorno, incerteza e mudanças das condições do negócio” (BARDHAN;
BAGCHI; SOUGSTAD, 2004, p. 34, tradução nossa). Para Benaroch e Kauffman
(1999, p. 84), investimentos em tecnologias emergentes apresentam um desafio
94

especial para prever retornos em decorrência da incerteza de seus elementos, tendo


em vista os vários fatores de risco.

Em atividades específicas, como o desenvolvimento de software, a


incerteza também é observada. “O desenvolvimento comercial de software é uma
atividade intrinsecamente incerta. O risco específico é alto, extrapolações de custos
e prazos são comuns e o sucesso no mercado é enganoso” (ERDOGMUS, 2002, p.
308, tradução nossa). “Extrapolação de custos e falhas em projetos de sistemas de
informação gerenciais são reconhecidos como um grande problema” (CHULKOV;
DESAI, 2008, p. 324, tradução nossa).

Usando o paradigma tradicional de avaliação, essa incerteza reduz o valor


do projeto, uma vez que há possibilidade dos retornos futuros serem negativos. Por
outro lado, a existência de incerteza nos fluxos de caixa confere um valor adicional
ao se considerar o conceito de opções reais. Há um efeito positivo assimétrico pela
capacidade discricionária de tomar decisões de forma a evitar perdas. “Ao adquirir
uma opção em vez de realizar completamente o investimento, a empresa pode reter
o potencial de ganhos enquanto minimiza o risco de perda” (COFF; LAVERTY, 2001,
p. 73, tradução nossa).

Além disso, o uso de opções reais permite aos gestores um


gerenciamento mais ativo desta incerteza. “A chave para a lógica de opções é o
fluxo de informações que reduz a incerteza no período entre o estabelecimento da
opção e a decisão de exercê-la” (COFF; LAVERTY, 2001, p. 73, tradução nossa).
Assim, as decisões não são tomadas estaticamente em um único momento no
tempo, sendo trocadas por decisões contingenciais de acordo com os estados
ambientais em cada momento.

Outro aspecto relacionado à incerteza do comportamento dos


investimentos é sua associação com o horizonte temporal (MUN, 2002, p. 65).
Intuitivamente, sabe-se que quanto mais longo o prazo de maturação do
investimento, mais incertos serão os resultados esperados. Assim, o nível de
incerteza tende a crescer exponencialmente ao longo do tempo, como retratado pelo
95

cone de incerteza na figura 18 (KODUKULA; PAPUDESU, 2006, p. 57; MUN, 2002,


p. 151; AMRAM; KULATILAKA, 1999, p. 14).

Nível de Incerteza

Tempo

Figura 18 - Cone de Incerteza


Fonte: Elaborado pelo autor

Esta figura ilustra o comportamento do valor do ativo segundo um


processo estocástico. Tal processo descreve a evolução de uma variável incerta ao
longo do tempo (AMRAM; KULATILAKA, 1999, p. 93). Exemplos de processos
estocásticos são o movimento geométrico Browniano (log-normal) e o movimento de
reversão à média. O “cone de incerteza pode ser interpretado como um sumário da
média e do desvio padrão de um processo log-normal” (AMRAM; KULATILAKA,
1999, p. 94, tradução nossa).

4.2.2 OPORTUNIDADES FUTURAS

Um projeto de investimento em uma organização normalmente concorre


com outros projetos pelos recursos escassos. Sendo assim, a avaliação de um
projeto deve considerar os demais em pauta na organização e não é incomum algum
tipo de relação entre eles. Relações sinérgicas entre os resultados dos projetos
podem existir, inclusive de precedência, onde um projeto é condição essencial para
a realização de outro posterior.
96

Damodaran (2002, p. 140) classifica os projetos de acordo com seus inter-


relacionamentos. Segundo ele, há os projetos independentes, os mutuamente
excludentes e aqueles que são condições prévias para outros. Ele cita também
projetos sinérgicos, cujos resultados afetam e são afetados pelos resultados de
outros na carteira de investimentos (DAMODARAN, 2002, p. 207).

Portanto, alguns investimentos não podem ser analisados isoladamente.


Eles devem ser vistos em conjunto com outros que podem, inclusive, ser viabilizados
a partir dos anteriores (TRIGEORGIS; MASON, 2004, p. 58). “A lógica de opções
reais é que as empresas podem realizar pequenos investimentos (estabelecer
opções) que forneçam uma oportunidade, e não uma obrigação, de perseguir
investimentos completos (exercendo as opções) posteriormente” (COFF; LAVERTY,
2001, p. 73, tradução nossa).

Para Dos Santos (1991, p. 73, tradução nossa), “um projeto de TI dá à


empresa a habilidade de empreender projetos futuros e o valor potencial destes
projetos futuros é a maior parte do valor do projeto inicial. [...] Um projeto de nova TI
oferece outros benefícios na forma de novas oportunidades de investimentos
disponíveis à empresa”. Kulatilaka e Venkatraman (2001, p. 8, tradução nossa), por
sua vez, consideram que “muitos investimentos estratégicos criam uma habilidade
de investir ou desinvestir em períodos de tempo subseqüentes baseados em como
as oportunidades desdobram-se”.

As decisões financeiras são tomadas, por vezes, com foco nos resultados
de curto prazo, levando a decisões nem sempre adequadas sob o ponto de vista de
geração de valor. Há duas formas de evitar essa tendência: formular estratégias de
investimentos como opções reais e criar capacidades que permitam a realização de
retornos consistentes no longo prazo. “Estas capacidades são consideradas opções
porque são investimentos em oportunidades. Sem realizar o investimento inicial, a
empresa não ficará habilitada à oportunidade quando esta surgir” (KOGUT;
KULATILAKA, 1994, p. 52-53, tradução nossa).

Kogut e Kulatilaka (1994, p. 53) ainda sugerem o conceito de investimento


de plataforma, também descrito posteriormente por Amram e Kulatilaka (1999, p. 20-
97

27). Esses são opções adquiridas pela empresa ao realizar investimentos que
proporcionam flexibilidade e oportunidades de crescimento. Empresas que têm
investimentos de plataforma conseguem janelas de oportunidades durante as quais
elas podem ampliar os retornos (KOGUT; KULATILAKA, 1994, p. 61).

Um conceito semelhante é chamado software de plataforma, que é “um


pacote de software que permite a realização de sistemas de aplicação. [...] Não
geram valor diretamente, mas permitem aplicações geradoras de valor serem
implementadas” (TAUDES; FEURSTEIN; MILD, 2000, p. 227-228, tradução nossa).

Segundo seus propositores, esse tipo de software confere aos gestores a


habilidade de decidirem se uma aplicação será implementada ou não no futuro
(TAUDES; FEURSTEIN; MILD, 2000, p. 230) e, por esse motivo, uma parte
substancial de seus benefícios esperados deriva das oportunidades criadas pela
implementação (TAUDES; FEURSTEIN; MILD, 2000, p. 239). Schwartz e Zozaya-
Gorostiza (2003, p. 70) confirmam essa perspectiva concluindo que o investimento
em uma tecnologia provê à empresa opções de investir em novas tecnologias no
futuro.

Uma classe de investimentos que tipicamente pode prover à organização


oportunidades é a relacionada à infra-estrutura de TI. Eles “freqüentemente são
realizados sem uma expectativa imediata de retorno, no entanto, podem atuar como
base para seguir com investimentos que convertem oportunidades de investimentos
em opções sobre o ativo subjacente” (BENAROCH; KAUFFMAN, 1999, p. 84,
tradução nossa). O ativo subjacente referenciado é normalmente um projeto de TI
que suporta um processo de negócio, capaz de gerar um retorno mensurável
posteriormente.

4.2.3 DIVISÃO EM ESTÁGIOS

Um projeto de investimento sob condições de incerteza pode ser dividido


em estágios intermediários (COPELAND; ANTIKAROV, 2001, p. 19-21). Essa forma
de abordagem permite aos gestores subdividirem em etapas os resultados
98

alcançados e, dessa forma, fazer verificações parciais em cada ponto no tempo,


bem como tomar decisões sobre as etapas posteriores em melhores condições de
avaliação (AMRAM; KULATILAKA, 1999, p. 9). “O projeto é dividido em estágios
distintos onde os iniciais são usados para resolver parcialmente incertezas e os
posteriores operacionalizam o projeto” (ERDOGMUS, 2002, p. 309, tradução nossa).

Kodukula e Papudesu (2006, p. 156) justificam a divisão de um projeto em


etapas pelo surgimento de oportunidades futuras de expansão, bem como pela
“quebra” de investimentos mais vultosos em partes menores. Eles pontuam, no
entanto, que há a possibilidade de perder eventuais economias de escala, levando a
maiores custos, e de permitir competidores entrarem em outras fatias de mercado.

Outro ponto em favor da divisão dos projetos em etapas é a possibilidade


de algumas etapas não serem atrativas isoladamente, mas serem interessantes se
verificadas em conjunto com as demais (BARDHAN; BAGCHI; SOUGSTAD, 2004, p.
36). Segundo Dos Santos (1991, p. 75-77), investir em um primeiro estágio de um
projeto possibilita um grande número de opções a serem avaliadas no segundo
estágio. Em virtude disso, o segundo estágio deverá ser considerado como uma
forma de justificar o primeiro estágio.

Nesse sentido, a divisão do investimento em estágios os torna similares a


investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). “Cada projeto de P&D
consiste de vários estágios e a empresa pode revisar sua estratégia de investimento
ao fim de cada estágio” (CHILDS; TRANTIS, 1999, p. 1360, tradução nossa).

O uso de opções reais na avaliação de projetos de investimento divididos


em estágios é adequado. Várias pesquisas apresentam seu uso aplicado a projetos
de P&D (DIXIT; PINDYCK, 2004, p. 68). “A abordagem de opções reais para P&D
reconhece que, em cada estágio no projeto, os gestores podem escolher se
continuam ou não” (BENNINGA; TOLKOWSKY, 2002, p. 164, tradução nossa).
Como os resultados são elusivos nesse tipo de projeto, poder aguardar o desenrolar
das incertezas permite melhores decisões parciais, com conseqüências benéficas
para o projeto completo.
99

Panayi e Trigeorgis (1998, p. 675) exemplificam tipos de investimentos


que são adequados a essa abordagem: P&D, investimentos em infra-estrutura,
decisão de entrar em um novo mercado ou a aquisição de uma nova empresa.
Entretanto, eles alertam que a divisão de projetos de investimento em múltiplos
estágios não é exclusividade de investimentos em P&D. “De fato, prevalece em
muitas (se não na maioria) das situações estratégicas” (PANAYI; TRIGEORGIS,
1998, p. 679, tradução nossa).

Ainda segundo os autores, esses investimentos têm a capacidade de abrir


janelas de oportunidade para a geração de valor no futuro. No entanto, eles alertam
também que tais fluxos de caixas têm características de realização remota,
contingente e incerta. A realização remota se refere ao horizonte temporal de
observação dos fluxos de caixa, os quais são contingentes em função de poderem
ser alterados como conseqüência de decisões tomadas ao longo de sua vida útil.
Por fim, são incertos, pois sua realização pode não ocorrer, conforme previsto
inicialmente, dados os múltiplos fatores de risco (PANAYI; TRIGEORGIS, 1998, p.
677).

Para Fichman, Keil e Tiwana (2005, p. 75, tradução nossa), “TI é


particularmente bem adequada para o uso de simulação, protótipos, pilotos e outras
formas de implementação em estágios”. Assim, com essa visão, podem ser geradas
muitas oportunidades para o comprometimento incremental do projeto.

4.2.4 FLEXIBILIDADE GERENCIAL

Uma circunstância observada em projetos de investimentos e, muitas


vezes, negligenciada pelos métodos convencionais de avaliação é a habilidade dos
gestores tomarem decisões que alteram o encaminhamento de tais projetos. A
hipótese básica é a de que eles podem tomar ações benéficas e racionais de acordo
com o desenrolar das variáveis ambientais que envolvem o projeto. Afinal, “nenhuma
outra tecnologia suporta a flexibilidade gerencial tal como a TI” (FICHMAN; KEIL;
TIWANA, 2005, p. 75, tradução nossa).
100

Segundo Devaraj e Kohli (2002, p. 52), as empresas têm opções, que


podem ser usadas ou não no futuro, as quais devem ser criadas e adotadas
racionalmente para criar valor, de acordo com a flexibilidade existente para
aproveitar as oportunidades.

Para Kumar (1999, p. 303), o conceito de flexibilidade é multifacetado.


Apesar dessas diferentes interpretações, invariavelmente seu conceito envolve
algum tipo de mudança (estímulo) e de resposta. Segundo este conceito, todo
estímulo deve gerar alguma resposta, que deve ser dada com certo nível de
facilidade. Quanto maior a facilidade de responder ao estímulo, mais flexível será a
organização (KUMAR, 1999, p. 304). Dentre as várias interpretações de flexibilidade
apresentadas na literatura, podem ser citadas as do quadro 13.

Termo Interpretação
Adaptabilidade Habilidade de se ajustar a um ambiente transformado
Agilidade Velocidade em aproveitar uma oportunidade ou evitar uma ameaça
Elasticidade Habilidade de facilmente mudar em resposta a alguma pressão
Liquidez Habilidade de conversão com custos mínimos
Resiliência Tendência para reagir ou recuar
Habilidade de absorver ou desviar-se dos efeitos de mudanças não
Robustez
antecipadas
Versatilidade Habilidade de se adaptar ou responder a mudanças nos cenários
Quadro 13 - Diferentes Interpretações de Flexibilidade
Fonte: KUMAR (1999, p. 303)

Scarso (1996, p. 41) lista várias ações que ilustram a flexibilidade


gerencial: oportunidades estratégicas de investimentos devidas aos investimentos;
possibilidade de descontinuar o projeto antes do fim de sua vida econômica;
possibilidade de postergar a decisão de investimento; surgimento de novas
informações ao longo da vida útil do projeto; e opção de parar temporariamente a
execução. Em sua pesquisa, ele foca no momento certo de se adotar uma
tecnologia. “Quando a adoção de uma nova tecnologia é considerada, decidir sobre
o momento apropriado é uma questão estratégica importante” (SCARSO, 1996, p.
47, tradução nossa).

A referida habilidade pode conferir ao projeto um valor adicional em


comparação a uma situação que não permita tal flexibilidade. “Flexibilidade produz
valor porque gera opções (cursos alternativos de ação) para a empresa em termos
101

de resposta à incerteza” (KUMAR, 1999, p. 319, tradução nossa). Para Schwartz e


Trigeorgis (2004, p. 1), a flexibilidade pode corresponder a uma substancial parte do
valor de muitos projetos.

Os métodos tradicionais ignoram a valorização da flexibilidade gerencial,


decorrente das possíveis ações (SCARSO, 1996, p. 41). O método das opções reais
pode ser usado com esse intuito, apresentando-se como “uma alternativa atrativa
porque explicitamente considera o valor da flexibilidade futura na tomada de
decisão” (BARDHAN; BAGCHI; SOUGSTAD, 2004, p. 34, tradução nossa).

Panayi e Trigeorgis (1998, p. 675) também consideram a abordagem de


opções reais adequada à avaliação de projetos com flexibilidade gerencial e
incerteza. Segundo eles, “opções reais são capazes de capturar a flexibilidade
gerencial para adaptar sua estratégia futura em resposta a desenvolvimentos
inesperados do mercado” (PANAYI; TRIGEORGIS, 1998, p. 675, tradução nossa).

Para Benaroch e Kauffman (2000, p. 200), flexibilidade é a descrição das


opções disponíveis aos gestores como parte do projeto. A flexibilidade adiciona valor
ao VPL passivo e muda a distribuição de probabilidade dos retornos
assimetricamente, ampliando o potencial positivo e reduzindo o risco.

4.3 ABORDAGEM DE OPÇÕES REAIS

Considerando projetos de investimentos com as características


apresentadas na seção anterior, a abordagem de opções reais pode ser usada para
avaliá-los adequadamente. Esta seção apresentará os conceitos básicos de opções,
os conceitos específicos de opções reais e os métodos de avaliação.

4.3.1 CONCEITOS BÁSICOS

Uma opção é um direito de realizar uma determinada ação sobre um ativo


(BREALEY; MYERS; MARCUS, 2002, p. 700-703; ROSS; WESTERFIELD; JAFFE,
102

2002, p. 476-479; BRIGHAM; GAPENSKI; EHRHARDT, 2001, p. 875-879;


COPELAND; ANTIKAROV, 2001, p. 6). Esse direito não representa uma obrigação,
podendo ser executado racionalmente pelo seu detentor somente em uma situação
favorável em termos de valor do ativo. Em tal situação favorável, a opção é
considerada in-the-money (dentro do dinheiro). Caso a situação não seja favorável
ao exercício da opção, diz-se que está out-of-the-money (fora do dinheiro).

Tal ação pode ser de compra ou de venda do ativo subjacente


(KODUKULA; PAPUDESU, 2006, p. 3). Uma opção de compra é o direito de adquirir
o ativo objeto por um preço estabelecido, até ou em determinada data, a partir da
qual a opção expira e não é mais permitido o seu exercício. O exercício da opção de
compra somente será atrativo se o preço do ativo no mercado for superior ao preço
de exercício estabelecido, pois, nessa circunstância, o detentor da opção obterá um
resultado positivo dado pela diferença entre os preços de mercado e de exercício.

Uma opção de venda, por sua vez, confere ao titular o direito de vender
determinado ativo pelo preço de exercício pré-estabelecido. Como o titular da opção
tem esse direito, ele somente o exercerá se o preço de exercício da opção for
superior ao preço do ativo no mercado. Caso contrário, o titular não o exercerá.

Tanto o titular de uma opção de compra como de uma de venda devem


arcar com um custo para obter o direito em questão. Esse custo é chamado prêmio e
é o quanto se paga ao lançador para poder ter o direito de exercer a opção. Há
vários métodos disponíveis para se calcular o valor de uma opção (prêmio),
conforme serão descritos mais adiante.

O importante é perceber que o poder discricionário do detentor da opção


permite que se maximize o resultado da estratégia de investimento, apresentando
um retorno assimétrico positivo (COPELAND; ANTIKAROV, 2001, p. 10-12;
AMRAM; KULATILAKA, 1999, p. 6). Em situações nas quais exercer a opção não é
atrativo, o fato de se poder evitar o exercício reduz as perdas que existiriam em uma
situação que o obrigasse a tal. Por outro lado, há um efeito potencial positivo em
situações em que se pode tirar proveito do valor alto do preço de mercado (em uma
103

opção de compra) ou do valor baixo do preço de mercado (em uma opção de


venda).

4.3.2 OPÇÕES REAIS

A teoria de opções reais foi construída sobre os conceitos das opções


financeiras (KODUKULA; PAPUDESU, 2006, p. 1; AMRAM; KULATILAKA, 1999, p.
6). A diferença básica entre elas é o seu ativo subjacente. Em opções financeiras, o
ativo subjacente é um título, moeda, ação de uma empresa, taxa de juros ou
qualquer outro ativo transacionado em um mercado de capitais ou de futuros.

Já as opções reais têm como objeto um projeto de investimento ou um


ativo da economia real (DAMODARAN, 2002, p. 211; COPELAND; ANTIKAROV,
2001, p. 6). Tais ativos podem ter características diferentes de ativos financeiros,
implicando em diferenças nas abordagens para se avaliar as opções sobre eles.

Segundo Amram e Kulatilaka (1999, p. 89), opções financeiras são mais


fáceis de identificar do que opções reais. Estas últimas analisam projetos de
investimentos em ativos reais, que podem sofrer várias fontes de incerteza e várias
alternativas de ação podem ser empreendidas, criando opções compostas que
podem ser seqüenciais ou paralelas (MUN, 2002, p. 185; COPELAND; ANTIKAROV,
2001, p. 222; AMRAM; KULATILAKA, 1999, p. 91).

Ter uma opção sobre um ativo somente incorpora valor adicional se três
características existirem: incerteza, flexibilidade gerencial e irreversibilidade do
investimento. O valor do projeto ou do ativo sofre influências internas e externas, não
permitindo a antecipação de todos os fatores que determinam, em maior ou menor
intensidade, variações nos seus comportamentos.

A incerteza sobre o comportamento do projeto, por um lado, torna-o mais


arriscado e propenso a perdas. Por outro lado, pela abordagem de opções reais, a
característica de incerteza permite a incorporação de um valor adicional ao projeto
(AMRAM; KULATILAKA, 1999, p. 14). Isso ocorre porque, em situações nas quais o
104

valor do projeto não é atrativo, a opção pode não ser exercida. Em situações
contrárias, o exercício da opção pode trazer ganhos potencialmente bastante
superiores.

Há, dessa forma, um resultado assimétrico positivo em função da


incerteza do projeto (KESTER, 2004, p. 37-38; TRIGEORGIS, 2004, p. 103;
AMRAM; KULATILAKA, 1999, p. 79). Por isto, “o valor do projeto como um todo vem
da incerteza sobre os fluxos de caixa futuros. Quanto menor esta incerteza, menor
será o valor do projeto” (BENNINGA; TOLKOWSKY, 2002, p. 155, tradução nossa).

A segunda característica, flexibilidade gerencial, é contemplada pela


abordagem de opções reais, ao contrário dos métodos convencionais. Opções reais
consideram a flexibilidade gerencial que os gestores dos investimentos podem
exercer de acordo com os cenários futuros que o envolvem (BARDHAN; BAGCHI;
SOUGSTAD, 2004, p. 35; COFF; LAVERTY, 2003, p. 73-74; BOER, 2003, p. 50-51;
ERDOGMUS, 2002, p. 308; BENNINGA; TOLKOWSKY, 2002; COPELAND;
ANTIKAROV, 2001, p. VII; CHILDS; TRIANTS, 1999, p. 1360; DIXIT; PINDYCK,
1994, p. 3; DOS SANTOS, 1991, p. 77).

Recomenda-se o uso de opções reais em casos nos quais os gestores


não podem determinar como o projeto procederá após a decisão de investimento
inicial ter sido tomada (DOS SANTOS, 1991, p. 88). Caso não haja esta prerrogativa,
o projeto não terá valor decorrente de opções. Portanto, “os valores das opções
reais e do VPL são iguais quando assume-se a inexistência de mudanças nas
decisões gerenciais ao longo do período e as previsões de fluxo de caixa são iguais
à média de uma faixa de probabilidade esperada” (YAO; JAAFARI, 2003, p. 61,
tradução nossa). “Em contraste com o método tradicional do VPL, esta abordagem
[opções reais] reconhece a habilidade dos gestores em postergar, suspender ou
abandonar um projeto” (SCHWARTZ; ZOZAYA-GOROSTIZA, 2003, p. 57, tradução
nossa).

Copeland e Antikarov (2001, p. 15) propuseram uma relação entre


incerteza e flexibilidade gerencial, dada na figura 19.
105

Figura 19 - Relação entre Flexibilidade Gerencial e Incerteza


Fonte: COPELAND; ANTIKAROV (2001, p. 15)

A extremidade superior direita da figura mostra uma situação de alta


capacidade de reação frente a determinadas situações em conjunto com uma
situação de grande incerteza em relação aos resultados esperados. Nesse caso, a
flexibilidade tem alto valor e a abordagem de opções reais permite um resultado
superior à abordagem tradicional do valor presente líquido.

A extremidade oposta (baixa flexibilidade gerencial e baixo nível de


incerteza) não permite um valor adicional ligado a eventuais opções sobre o projeto.
Nesse contexto, o valor da avaliação pela abordagem de opção real se aproxima do
valor calculado pelos métodos tradicionais. Em outras palavras, o valor da opção
tende a zero e, dessa forma, o resultado observado através do valor presente líquido
tende a ser o mesmo observado pela análise de opções reais (TRIGEORGIS;
MASON, 2004, p. 51; MUN, 2002, p. 153-154).

Nesse sentido, essa abordagem não representa um substituto para os


métodos convencionais de engenharia econômica. Ela pode trabalhar em conjunto
com o método do valor presente líquido, adicionando a este a capacidade de captar
as decisões contingenciais e o valor gerado por elas (KODUKULA; PAPUDESU,
2006, p. 10).

Há vários tipos de flexibilidade que podem ser captadas pelas opções


reais (KODUKULA; PAPUDESU, 2006, p. 61-64; MUN, 2002, p. 83; COPELAND;
ANTIKAROV, 2001, P. 123). Um primeiro tipo é a capacidade de expansão, através
106

da qual um projeto pode ser expandido, caso as circunstâncias que o envolvem


sejam suficientemente positivas. Uma expansão é tipicamente dada pela realização
de um investimento adicional que leve ao aumento da capacidade do projeto e,
conseqüentemente, ao aumento do retorno esperado.

Outra opção disponível é a situação contrária, com as circunstâncias não


adequadas e uma contração desejável. Tal contração é normalmente conseguida
com a diminuição de algum nível de custos ou a liberação de parte do ativo, com a
conseqüente diminuição da escala do projeto.

Se uma contração não for suficiente para reverter o problema, uma


alternativa a ser considerada é o abandono do projeto, que, ao evitar perdas de
recursos, gera valor ao projeto. O projeto pode ser abandonado caso as
circunstâncias mostrem-se persistentemente desfavoráveis. Ao abandoná-lo, deve-
se considerar o seu valor residual.

Uma alternativa gerencial é a possibilidade de postergar o investimento


até um momento de diminuição de incertezas associadas aos resultados do projeto.
Pode-se manter o projeto em estado de espera até que os fatores de risco que o
acometem diminuam, seja pelo desenrolar de novos fatos, seja pela maturação de
investimentos anteriores necessários.

A cada alternativa apresentada, pode-se associar um tipo de opção.


Possibilidades de expansão ou de espera podem ser modeladas como opções de
compra. Opções de contração ou de abandono podem ser associadas a opções de
venda.

“Apesar de existirem opções reais na maioria dos negócios, elas nem


sempre são facilmente identificáveis” (YAO; JAAFARI, 2003, p. 61, tradução nossa).
De qualquer forma, a existência da possibilidade de alternância de curso dos
investimentos sob condições de incerteza indica o possível uso da abordagem de
opções reais.
107

4.3.3 AVALIAÇÃO

Há vários métodos de avaliação de opções financeiras. A avaliação de


opções reais utiliza os métodos desenvolvidos para precificação de opções
financeiras, admitindo as mesmas hipóteses e conceitos.

Kodukula e Papudesu (2006, p. 66-74) e Amram e Kulatilaka (1999, p.


108-111) classificam os métodos de avaliação de opções em três categorias:
equações parciais diferenciais, programação dinâmica (árvores) e simulação. Mun
(2002, p. 139-140) apresenta uma classificação semelhante, argumentando que os
métodos mais usados são as equações parciais diferenciais e os modelos de
árvores.

Equações parciais diferenciais são fórmulas que medem a variação do


valor de uma opção a partir de variações observadas nas variáveis que determinam
seu valor. São equações fechadas, com pouca flexibilidade e baseadas em
hipóteses restritivas. O método mais conhecido dessa categoria é o Black & Scholes
e suas variações (ROSS; WESTERFIELD; JAFFE, 2002, p. 488-490; BRIGHAM;
GAPENSKI; EHRHARDT, 2001, p. 881-883). Sua principal vantagem é a facilidade
de aplicação da equação, após identificadas as variáveis relevantes (AMRAM;
KULATILAKA, 1999, p. 110).

Os modelos de programação dinâmica modelam decisões ótimas quando


essas influenciam os retornos futuros. Uma árvore de valor do ativo é construída e a
precificação da opção é realizada em um processo de indução para trás (backward
induction).

O modelo mais difundido é o binomial (ROSS; WESTERFIELD; JAFFE,


2002, p. 486-488), no qual a árvore de valoração do ativo apresenta duas
ramificações por nó em cada momento. No entanto, existem também os modelos
com mais de duas ramificações por nó da árvore, tais como os trinomiais e os
quadrinomiais (MUN, 2002, p. 230-231; COPELAND; ANTIKAROV, 2001, p. 279-
281).
108

O modelo de árvore, em essência, é a representação discreta do


comportamento contínuo do valor do projeto, medido pelas equações parciais
diferenciais. Quando os tamanhos dos passos da árvore tendem a um valor
suficientemente pequeno, os resultados das duas abordagens tendem a se
aproximar, pois ambos são montados sobre os mesmos conceitos de carteira
replicante (MUN, 2002, p. 154-158).

Os modelos de árvores, por sua vez, têm uma importante vantagem. Sua
estruturação permite um melhor entendimento das opções disponíveis no projeto, ao
passo que modelos fechados, tais como o Black & Scholes, apresentam-se como
uma “caixa preta”. Assim, o processo decisório da alta gerência é facilitado pela
comunicação mais eficaz que os primeiros permitem em relação à dos últimos
(MUN, 2002, p. 142). “A transparência de um modelo de avaliação de opções
deveria ser mais importante do que, e preceder, considerações de simplicidade
computacional” (BENAROCH; SHAH; JEFFERY, 2006, p. 257, tradução nossa).

4.4 OPÇÕES REAIS E INVESTIMENTOS EM TI

A revisão bibliográfica empreendida até este ponto sugere a adequação


do uso da abordagem de opções reais para avaliação de investimentos em TI. A
literatura sobre decisão de investimentos em tecnologia, de um modo geral e
particularmente em tecnologia de informação, apresenta evidências dessa
adequação, em alguns casos.

Clemons e Weber acreditam que a tecnologia dá aos gestores a opção de


quando adotar uma inovação. Segundo eles, “a habilidade de escolher quando
implementar um sistema é valiosa“ (CLEMONS; WEBER, 1990, p. 17, tradução
nossa). Scarso (1996) observou também a existência da opção de postergar um
investimento em TI. Segundo ele, “a abordagem de opções reais parece prover uma
poderosa ferramenta para a avaliação de investimentos em tecnologia porque
permite considerar a irreversibilidade e a incerteza e, explicitamente, reconhece que
o tempo afeta o retorno dos investimentos” (SCARSO, 1996, p. 41, tradução nossa).
109

Para Kumar (1996, p. 188, tradução nossa), “alguns investimentos em TI


podem ser analisados como investimentos de primeiro e segundo estágios. [...] Após
realizar o investimento de primeiro estágio, o investidor adquire o direito (e não a
obrigação) de fazer o investimento de segundo estágio”. Wehrs (1999, p. 37)
também enxergou projetos de TI como investimentos em pesquisa e
desenvolvimento, ambos podendo ser divididos em etapas intermediárias, de
maneira a observar o desenvolvimento parcial dos elementos de incerteza. Lubbe
(1999, p. 22) observou que a análise ex-ante de investimentos em TI poderia ser
determinada através de modelos similares aos de precificação de opções
financeiras, dadas suas características apropriadas.

Benaroch e Kauffman (1999, p. 84) também concordam, afirmando que a


lógica do pensamento de opções reais é adequada ao problema de avaliação de
investimentos em tecnologia. Segundo eles, “modelos de precificação de opções
podem ser aplicados a decisões de orçamento de capital envolvendo ativos de TI”
(BENAROCH; KAUFFMAN, 1999, p. 85, tradução nossa).

Em outro artigo, os mesmos autores reforçam o uso de opções reais na


avaliação de investimentos em TI. Para eles, após a avaliação de um investimento
em TI por parte de uma instituição financeira, tal análise “provou-se adequada à
visão estruturada dos gestores sobre o valor estratégico de um investimento
envolvendo uma opção, permitindo uma interpretação lógica e intuitiva dos
resultados” (BENAROCH; KAUFFMAN, 2000, p. 220, tradução nossa).

Ross e Beath (2002, p. 57-58) sugerem que o uso de opções reais é


adequado para a avaliação de investimentos em TI dos tipos experimentos e
transformação. Isso porque tais investimentos envolvem opções de crescimento e o
estabelecimento de oportunidades futuras para as organizações, que não seriam
adequadamente avaliadas pelos métodos tradicionais.

Schwartz e Zozaya-Gorostiza observaram a adequação de opções reais


aos casos de investimentos em TI, por suas características de “alto potencial de
crescimento, alto nível de incerteza e retornos indiretos” (2003, p. 57, tradução
nossa). Esta percepção é também compartilhada por Kogut e Kulatilaka (2004, p.
110

109), ao sugerirem que investimentos em alta tecnologia apresentam opções


gerenciais.

Ao analisar investimentos em infra-estrutura de TI, Kumar (2004) também


identificou a existência de opções em tais investimentos. Segundo ele, apesar de ser
um conceito complexo e multidimensional, a flexibilidade desta infra-estrutura
representa a habilidade de “responder aos múltiplos tipos de incerteza, incluindo
mudanças de requerimentos de usuários, tecnológicas e no uso dos sistemas”
(KUMAR, 2004, p. 13-14, tradução nossa). Portanto, há um valor inerente à
flexibilidade que pode ser captado pelo método de opções reais.

Miller, Choi e Park (2004) também apresentaram uma pesquisa sobre o


uso de opções reais em investimentos em infra-estrutura de TI Essa aplicação foi
possível predominantemente em função da característica de múltiplos estágios do
projeto, além de flexibilidade gerencial e incerteza sobre os resultados esperados.

Fichman, Keil e Tiwana (2005) evidenciaram a existência de


características em projetos de TI que permitem o emprego dos conceitos de opções
reais para seu gerenciamento e avaliação. Eles argumentam que, mesmo sem
calcular formalmente o valor das opções, é possível utilizar seus conceitos na
justificativa dos investimentos.

Benaroch, Lichtenstein e Robinson (2006) apresentaram um estudo de


caso no qual é observada a relação entre a gestão do risco nos projetos de TI e a
existência de opções reais. Os resultados evidenciaram uma série de fatores de
risco com opções reais associadas, que podem ser usadas para mitigar aqueles.

Benaroch, Shah e Jeffery (2006) realizaram uma pesquisa na qual


verificam a viabilidade de usar métodos fechados para avaliar opções reais em
projetos de TI. Segundo os autores, o uso de métodos fechados pode levar a uma
sobre-avaliação do projeto, sendo melhor indicado o uso de métodos baseados em
árvores, cujas implementações são mais flexíveis e adaptáveis à realidade
específica do projeto.
111

Benaroch, Jeffery, Kauffman e Shah (2007) descreveram um estudo de


caso, no qual foi calculado o valor de múltiplas opções em um projeto de
consolidação de um sistema de Datamart em uma empresa aérea.

Chulkov e Desai (2008) estudaram o problema de gestores continuarem


um projeto, mesmo quando os indicadores apontam resultados negativos
(escalation). Apesar desse comportamento poder ser explicado por fatores, tais
como o desejo de justificar as decisões e a proteção da reputação pessoal, eles
encontraram elementos associados a opções reais que podem explicá-lo. Ao
contrário das outras razões para esse comportamento, o modelo proposto apresenta
uma racionalidade potencialmente geradora de valor.

Correia Neto e Leite (2008) apresentam um estudo de caso, no qual um


projeto de TI é avaliado através da abordagem de opções reais. O projeto de TI,
analisado em uma empresa desenvolvedora de softwares de logística para a
internet, foi dividido em duas etapas. A primeira etapa foi avaliada através do fluxo
de caixa descontado, usando simulação de Monte Carlo para considerar o risco
assumido. A segunda etapa foi considerada como uma opção real de expansão, na
qual se tinha ganhado um direito, e não uma obrigação, de continuar o projeto de
acordo com as circunstâncias mercadológicas. Este caso mostrou uma aplicação
prática do uso de opções reais em um projeto de TI. Isso foi possível devido aos
seguintes aspectos. Primeiro, o projeto foi dividido em duas etapas, das quais a
segunda configurou-se como uma opção real derivada da etapa inicial. Segundo, a
segunda etapa dependia parcialmente da realização da primeira para ser executada.
Em terceiro lugar, o projeto estava sujeito a fatores de risco que tornavam os
resultados incertos. E, por último, a equipe responsável pelo projeto tinha
flexibilidade gerencial para tomar decisões contingenciais de maneira a incorporar
novas informações e maximizar os resultados do projeto.

Dessa forma, ao conseguir acomodar esses aspectos no caso, pôde-se


adotar a abordagem de opções reais e, com isso, captar o valor adicionado ao
projeto pela possibilidade de assumir a segunda etapa conforme o surgimento de
circunstâncias favoráveis.
112

4.5 TIPOS DE INVESTIMENTOS EM TI PASSÍVEIS DE AVALIAÇÃO ATRAVÉS

DE OPÇÕES REAIS

É fundamental, neste ponto, revisitar as tipologias apresentadas de


projetos de investimento em TI, a fim de identificar as circunstâncias nas quais
espera-se empregar opções reais.

Como o objetivo intrínseco das classificações mostradas é agregar tipos


de projetos por semelhança em um ou vários critérios, é de se esperar também que
a indicação de um método de avaliação possa seguir essa lógica. Tal expectativa
sugere, portanto, uma coerência entre o tipo de investimento e o(s) método(s) de
avaliação adequado(s).

A partir dessa expectativa, pode-se buscar identificar nas tipologias


apresentadas aqueles tipos mais prováveis de serem avaliados através de opções
reais. Para tanto, uma análise considerando as características dos projetos e das
opções reais forneceria uma indicação do uso.

As tipologias de projetos de TI estão sumarizadas no quadro 14.

Autor(es) Ano Tipos de Investimentos em TI


Remenyi et al. 2000 negócio principal, obrigatório, prestígio e P&D
Ross e Beth 2002 renovação, transformação, melhoria de processos e experimentos
automação, informação para baixo, informação para cima e
Dehning et al. 2003
transformação
mecanização, redução de perdas, expansão, processo decisório e uso
Leite 2003
estratégico
Weill e Aral 2006 infra-estrutura, transacional, informacional e estratégico
Quadro 14 - Resumo das Tipologias de Projetos de TI Apresentadas
Fonte: Elaborado pelo autor

A partir dos aspectos de opções reais evidenciados anteriormente, os


tipos apresentados devem ser analisados à luz de características, tais como:
incertezas, oportunidades futuras, divisão em estágios e flexibilidade gerencial.
Conforme observado, na circunstância do projeto ter essas características, o uso de
113

opções reais é adequado, levando a uma avaliação mais completa do ponto de vista
de valor e risco.

Tais características podem ocorrer mais provavelmente em projetos do


tipo pesquisa e desenvolvimento (REMENYI et al., 2000), experimentos (ROSS;
BETH, 2002), transformação (DEHNING et al., 2003) e estratégicos (LEITE, 2003;
WEILL; ARAL, 2006).

Esses projetos, normalmente, incorporam alto nível de incerteza sobre os


resultados esperados. Isso decorre de um prazo indeterminado para realização dos
resultados, condições ambientais imprevisíveis parcialmente ou totalmente,
resultados de outros projetos ou etapas anteriores do mesmo projeto,
disponibilização dos recursos adequados às etapas do projeto e demais situações
arriscadas.

Tais projetos também podem gerar oportunidades a serem exploradas ou


não no futuro. A ótica de avaliação não deve ficar restrita à expectativa dos retornos
diretos, devendo ser ampliada para a formação de plataformas que permitem
investimentos posteriores e, em decorrência, valores adicionais. Assim, essas
oportunidades podem sugerir uma avaliação desses investimentos em estágios.

Tais tipos de investimentos, no entanto, não são conduzidos


necessariamente com um nível de flexibilidade gerencial. Sem essa prerrogativa, de
nada adianta a aplicação dos conceitos de opções reais, mesmo que o projeto tenha
características arriscadas e gere oportunidades.

Adicionalmente, em tais tipos de investimentos, é importante que os


resultados esperados sejam financeiros. A análise de opções reais é adequada à
mensuração de resultados e riscos quantificáveis. Ainda assim, conforme observado
por alguns autores em pesquisas empíricas, mesmo não mensurando o valor das
opções, seus conceitos podem ser usados a fim de evidenciar intuitivamente uma
geração superior de valor. O uso do options thinking parece surgir em algumas
decisões de investimento em TI.
114

Nas circunstâncias apresentadas, os tipos de investimentos apontados


nas tipologias estudadas são candidatos a serem avaliados através de opções reais.
Isso não impede que os demais tipos sejam assim avaliados. Apenas, não há uma
expectativa que o uso traga benefícios, pois, sem tais características, os resultados
das opções reais seriam bastante aproximados dos resultados apontados pelos
métodos convencionais de avaliação.
115

5 PESQUISA EMPÍRICA

O presente capítulo apresenta os procedimentos metodológicos


empregados na pesquisa empírica e na análise dos resultados obtidos.

Inicialmente, são abordados os aspectos metodológicos, a caracterização


da pesquisa e a formação da amostra. Em seguida, os instrumentos de coleta de
dados são detalhados, a fim de justificar seu uso.

O procedimento usado no pré-teste dos instrumentos é descrito na seção


seguinte, juntamente com seus objetivos e as modificações incorporadas aos
instrumentos de coleta de dados. Nesse ponto, é apresentada uma relação entre os
objetivos traçados e as questões constantes nos instrumentos, de forma a evidenciar
a coerência metodológica.

Segue-se com a descrição da coleta de dados propriamente dita e


finaliza-se com a apresentação e análise dos dados coletados.

5.1 ASPECTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA DE CAMPO

5.1.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA

Esta pesquisa usou predominantemente métodos qualitativos de


investigação empírica. Eles são caracterizados pelo uso de técnicas baseadas na
observação de uma realidade, não restringindo-se a técnicas eminentemente
numéricas e permitindo a “caracterização do funcionamento da organização”
(RICHARDSON et al., 1999, p. 70-71). O método qualitativo também é adequado
para “verificar como determinado fenômeno se manifesta nas atividades,
procedimentos e interações diárias” (GODOY, 1995, p. 63). Patton (2002, p. 94-95),
por sua vez, identifica os métodos qualitativos como apropriados ao estudo de
processos através de uma descrição detalhada, o que é corroborado por Gil (2007,
p. 133).
116

Também há, na pesquisa, a coleta e análise de dados quantitativos, ainda


que em menor escala. Os métodos quantitativos são caracterizados por utilizar-se de
elementos objetivos para conduzi-la. Os dados coletados são eminentemente
quantitativos (números, quantidades, valores, estatísticas, etc.) e os métodos
empregados para a análise são baseados em técnicas objetivas (estatísticas
descritivas, estatísticas univariadas e multivariadas, análises econométricas, etc.). O
emprego de tais dados se dá a fim de descrever os elementos da amostra em
termos de porte e intensidade do uso de TI.

Como parte dos objetivos desta pesquisa, é almejada a descrição de


como as empresas da amostra justificam investimentos em TI. Conseqüentemente,
apresenta características predominantemente descritivas (GIL, 2007, p. 44;
TRIVIÑOS, 1987, p. 110-112), uma vez que tais métodos buscam o entendimento
sobre um fenômeno como um todo (GODOY, 1995, p. 63).

Além disso, como o pesquisador busca coletar os dados sem interferir nos
objetos de estudo, deseja-se minimizar qualquer possibilidade de interferência sobre
tais decisões. Assim, a pesquisa limita-se à descrição dos procedimentos adotados
nas tomadas de decisão e à coleta de exemplos que ilustram tais decisões.

Também foi fundamental, para a decisão metodológica, a profundidade


que se permite obter através de métodos qualitativos (PATTON, 2002, p. 165-166).
Tal profundidade de investigação pode ser alcançada através de uma pesquisa de
campo, como a que se apresenta aqui, privilegiando, de forma significativa, o
“aprofundamento das questões propostas” (GIL, 2007, p. 72). Uma pesquisa
baseada em survey, por exemplo, poderia negligenciar possíveis informações
adicionais alcançadas com métodos qualitativos (GIL, 2007, p. 71). Além disto, os
processos decisórios estudados apresentam um nível de complexidade que sugere
um maior aprofundamento nas questões, que, provavelmente, não seria alcançado
com a aplicação isolada de questionários.

Em adição, a hipótese de que há um uso não percebido dos conceitos de


opções reais por parte dos gestores na justificativa de investimentos em TI implicou
na escolha deste método. De outra forma, a investigação, através de documentos ou
117

manuais de procedimentos, por exemplo, não traria a luz necessária às questões.


Uma investigação superficial, sem o devido aprofundamento e o entendimento do
contexto no qual as decisões são tomadas, não permitiria o sucesso da empreitada.

A pesquisa utiliza igualmente o método comparativo (GIL, 2007, p. 34;


MARCONI; LAKATOS, 2007, p. 107-108). Ao serem ressaltadas as diferenças e
similaridades entre os processos decisórios nas empresas pesquisadas, é possível
chegar a conclusões bastante enriquecedoras sobre os métodos usados por elas
para, essencialmente, atingirem os mesmos objetivos.

Apesar de ser uma amostra intencionalmente homogênea no que se


refere ao setor industrial e ao porte, como será explicitado na próxima seção, talvez
o foco principal de pesquisa apresente heterogeneidade entre os elementos
amostrados, justificando a abordagem comparativa.

5.1.2 UNIVERSO E AMOSTRA

O universo da pesquisa de campo (GIL, 2007, p. 99-100; FACHIN, 2003,


p. 115-116; RICHARDSON et al., 1999, p. 157) é formado pelas maiores indústrias
alimentícias localizadas no estado do Ceará. A definição de tais organizações foi
decorrência do interesse do pesquisador em conhecer o processo decisório para
justificar investimentos em TI em empresas com investimentos vultosos tanto em
tecnologia de produção como em plantas fabris. Como estes dois últimos tipos de
investimentos referem-se ao negócio principal das empresas e certamente requerem
valores bastante significativos, é interessante verificar como os investimentos em
uma atividade de suporte (TI, no caso) são justificados e competem pelos recursos
financeiros.

Concorrendo para este direcionamento, é esperado que estas empresas


lidem com métodos sistemáticos em gerenciamento de recursos. Tais empresas
devem deparar-se com necessidades vultosas de recursos a serem empregados em
TI, o que pode incentivar o uso de processos formais de justificativa. Além disso,
118

dado o porte e o setor, supõe-se que haja necessidade e recorrência consideráveis


de projetos de TI, tornando-as um campo fértil para pesquisa.

Dessa forma, pela relevância e recorrência, pode-se supor que elas


empreguem algum tipo de processo formal para justificar investimentos em TI, que
não apenas os baseados em intuição.

Em adição, na economia cearense, as indústrias alimentícias são


bastante representativas. Segundo dados do Guia Industrial do Ceará 2008,
elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento Industrial do Ceará (INDI), da
Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), entre as cinqüenta maiores
indústrias do estado, onze são do setor de alimentos e bebidas. Para um
faturamento agregado de R$9.557.722.554,82 dessas empresas em 2007,
R$3.420.764.461,07 foi gerado pelas representantes do setor de alimentos e
bebidas, correspondendo a 35,79% do faturamento total das cinqüenta maiores
indústrias do estado. Ainda segundo esta fonte, no ano de 2007, as empresas do
setor de alimentos e bebidas apresentaram patrimônio líquido de
R$1.597.430.290,39, frente a um patrimônio líquido de R$5.875.372.388,57 das
demais empresas constantes nesta lista, representando 27,19%.

As empresas do setor de alimentos e bebidas evidenciam também uma


forte relevância dentre as cinqüenta maiores indústrias do estado pelas posições
alcançadas neste ranking. Há três empresas de alimentos e bebidas entre as dez
maiores indústrias. Entre a décima primeira e a vigésima maior empresa, há cinco
que são objetos desta pesquisa. As demais três empresas objeto do estudo estão
colocadas até a quadragésima posição no ranking. Portanto, as empresas
participantes desta pesquisa, de fato, têm uma forte representatividade no setor
industrial do estado do Ceará.

Não foram segregadas empresas de acordo com sua nacionalidade e/ou


controle patrimonial. O aspecto mais relevante para a inclusão na pesquisa foi o
porte, que pode influenciar de forma significativa o uso de métodos formais de
avaliação de investimentos em TI. Empresas de menor porte podem não empregar
métodos sistematizados de justificativa destes investimentos, em função de uma
119

menor intensidade de projetos de TI. Por outro lado, empresas de maior porte
presumivelmente têm maior grau de profissionalização e tendem a utilizar métodos
sistematizados em suas decisões de orçamento de capital.

Portanto, a pesquisa buscou estudar as onze empresas industriais do


setor alimentício que fazem parte das cinqüenta maiores indústrias do estado do
Ceará, conforme a listagem contida no Guia Industrial 2008, elaborado pelo Instituto
de Desenvolvimento Industrial do Ceará (INDI), ligado à Federação das Indústrias do
Ceará (FIEC).

Sendo assim, pode-se caracterizar a amostra como não probabilística


(GIL, 2007, p. 101; RICHARDSON et al., 1999, p. 160), uma vez que não foram
utilizados critérios estatísticos para determinar seu tamanho, nem seus componentes
foram selecionados de maneira aleatória. Segundo a classificação de Gil (2007, p.
104), essa amostragem é intencional, pois foi constituída deliberadamente por
empresas de maior porte. Segundo a tipologia apresentada por Patton (2002, cap.
5), este critério é uma confluência de caso típico e critério pré-definido, já que os
elementos são formados mediante a expectativa de representarem o comportamento
dos demais elementos do universo.

Isso posto, pode-se esperar que a amostra, ainda que sem significância
estatística e de tamanho reduzido, é composta por elementos relevantes no mercado
em que atuam, conferindo a ela uma proeminente importância para os propósitos do
estudo (PATTON, 2002, cap. 5).

Dada a decisão amostral, esta pesquisa não cria expectativa de


generalização dos dados analisados, não havendo elementos suficientes para
realizar uma indução dos resultados para outros setores. Tal incapacidade para
extrapolação pode ser explicada em parte por diferentes bases competitivas em
outras indústrias, diferentes níveis de dependência da TI, critérios diversos para
avaliar os resultados dos investimentos e demais particularidades.

No entanto, os dados são relevantes para o setor pesquisado. A situação


das maiores empresas de um determinado setor pode refletir o que as de menor
120

porte estejam almejando ou, quiçá, algumas já tenham alcançado. As conclusões


derivadas permitem a ampliação do entendimento sobre a variedade de métodos de
avaliação de investimentos em TI, bem como, especificamente, a relevância da
teoria das opções com este fim no setor de estudo.

É importante ressaltar que a idéia original da pesquisa não envolvia este


setor industrial. Em princípio, buscou-se focar no setor de consultorias empresariais,
igualmente buscando verificar as práticas decisórias junto às maiores empresas
deste setor no Brasil.

Este setor original foi considerado em função da expectativa de que os


projetos de TI conduzidos não seriam somente associados à automação de
processos. Ao contrário, tinha-se a expectativa de observar projetos com naturezas
estratégicas que, por sua vez, poderiam evidenciar características propícias ao
emprego de opções reais na sua avaliação. Outro ponto concorrente para a eleição
do setor original foi a expectativa de uso intenso da TI para possibilitar a prestação
dos serviços.

Porém, os contatos iniciais com os executivos de tais empresas indicaram


que os processos decisórios não eram realizados no país. As subsidiárias locais
apenas executavam as decisões tomadas nas matrizes em outros países.

Sendo assim, por mais que as expectativas iniciais fossem confirmadas, o


direcionamento original da pesquisa não possibilitaria a coleta dos dados requeridos,
uma vez que não seria possível ter acesso aos executivos responsáveis.

Portanto, face esta situação, houve uma decisão imperativa de alterar o


foco da pesquisa para outro setor não menos interessante e relevante para a
economia.
121

5.2 INSTRUMENTOS DE PESQUISA

De maneira a evitar viés na coleta de dados e, desta forma, prover maior


confiabilidade à pesquisa (RICHARDSON et al., 1999, p. 175-176), foram utilizadas
duas técnicas de coleta de dados por empresa amostrada: questionário e entrevista.

Esta decisão metodológica configura-se como uma triangulação de


métodos de pesquisa. Triangulação é definida como o emprego de diferentes
instrumentos e/ou técnicas para alcançar um resultado (PATTON, 2002, cap. 5;
TRIVIÑOS, 1987, p. 138-140; JICK, 1979). Seu principal propósito é gerar resultados
mais confiáveis através de um pluralismo metodológico (BAUER; GASKELL, 2002,
p. 18).

Em adição, como haviam questões de natureza fechada e aberta, optou-


se por distribuí-las entre os dois instrumentos idealizados. No questionário,
predominaram questões fechadas, enquanto no roteiro de entrevistas, questões
abertas.

O questionário (Apêndice II) foi do tipo estruturado e apresentou objetivo


principal de coletar informações descritivas sobre o entrevistado e sobre a empresa
(FACHIN, 2003, p. 147-148; RICHARDSON et al., 1999, p. 189-190).

Este instrumento está dividido em três partes. A primeira identifica a


empresa, bem como busca evidenciar o seu porte em termos de estrutura de TI e de
pessoal. A segunda parte qualifica o respondente, indicando sua posição na
empresa, seu nível de escolaridade e participação no processo decisório na
justificativa dos projetos de TI. A última seção coleta dados quantitativos sobre os
investimentos em TI na empresa, provendo informações sobre a relevância dos
projetos avaliados.

Quanto ao tipo de pergunta, o instrumento utiliza perguntas fechadas


(GIL, 2007, p. 129-130; RICHARDSON et al., 1999, p. 190). As variáveis desejadas
nesta etapa são predominantemente nominais e de razão (RICHARDSON et al.,
1999, p. 123), o que justifica o uso de questões fechadas por facilitar a coleta,
122

tabulação e posterior análise. Outros fatores que concorreram para a formação de


um questionário com questões fechadas foram a facilitação do preenchimento e a
expectativa de menor tempo necessário por parte do respondente (RICHARDSON et
al., 1999, p. 195).

Quanto ao método de aplicação do questionário (RICHARDSON et al.,


1999, p. 190), no contato mantido preliminarmente com os executivos, foram dadas
duas opções. A primeira foi aplicá-lo pessoalmente antes da realização da
entrevista. A segunda foi enviá-lo por correio eletrônico para preenchimento prévio à
realização da entrevista.

O questionário foi elaborado no processador de textos MS-Word®,


bastante utilizado nas empresas (MEIRELLES, 2006, p. 8), o que deve conferir
compatibilidade tecnológica e facilitar seu preenchimento. Ainda como forma de
facilitar, o documento foi travado para alteração somente dos locais destinados às
respostas, evitando preenchimentos inadequados.

Esta última estratégia de aplicação permite que, no momento da


entrevista, perguntas de naturezas descritivas não precisem ser formuladas,
restringindo a concentração no assunto principal da pesquisa. Além disso, na
oportunidade da entrevista, eventuais dúvidas em relação ao questionário
previamente enviado puderam ser dirimidas, sem tomar tempo excessivo do
entrevistado.

Outro ponto que concorreu para o uso do questionário, a fim de coletar


algumas variáveis, foi otimizar o máximo possível o tempo disponível dos executivos.
Experiências de pesquisas anteriores sugerem que o tempo deste nível de
executivos é consideravelmente escasso. Portanto, a aplicação prévia do
questionário permitiria maior tempo disponível para a entrevista, cujas informações
são mais importantes para a pesquisa.

A análise dos dados obtidos com o questionário foi predominantemente


através de estatísticas descritivas simples. Não há como ser de forma alternativa,
uma vez que o tamanho da amostra e a quantidade de variáveis não permitem uma
123

análise estatística mais aprofundada ou de natureza multivariada. Para a tabulação


e análise, utilizou-se o recurso de planilha eletrônica.

Após o preenchimento e a devolução do questionário, o pesquisador pôde


proceder com a realização de entrevistas (GIL, 2007, p. 115; MARCONI; LAKATOS,
2007, p. 197-198). As vantagens dessa técnica de investigação, que contribuíram
para sua escolha, são a possibilidade de coletar informações sob os mais variados
aspectos, maior nível de profundidade permitido e possibilidade de classificação e
quantificação na fase da análise (GIL, 2007, p. 118).

Ressalta-se que, dentre essas vantagens, a mais relevante para a


decisão de usar entrevista foi a possibilidade de aprofundamento das questões
levantadas (PATTON, 2002, p. 165-166). O processo decisório relacionado à
justificativa de investimentos em TI é bastante complexo em sua essência,
dependendo de muitas variáveis. Por isso, investigar processos de decisão sujeitos
a uma grande variedade de influências através de instrumentos que não permitem
um maior aprofundamento provavelmente não conduziria aos objetivos almejados.

O próprio pesquisador conduziu as entrevistas (FACHIN, 2003, p. 141).


As justificativas para a aplicação pessoal são a possibilidade do surgimento de
dúvidas sobre alguns conceitos solicitados nas respostas, principalmente os ligados
a opções reais, e ser um estímulo para a ampliação e aprofundamento das
respostas (GIL, 2007, p. 125), tornando as informações mais sólidas.

Também é importante considerar que não é incomum os entrevistados


tentarem, por algum motivo, responder de acordo com o que pensam que o
entrevistador gostaria de ouvir (BAUER; GASKELL, 2002, p. 21). O momento da
entrevista, se bem conduzido e reforçando o compromisso do uso estritamente
acadêmico das informações, permite minimizar tal situação.

Em relação a esse ponto, deve-se frisar que as informações solicitadas


têm caráter estratégico por envolverem parcelas dos investimentos das empresas
em um setor com alto grau de competitividade. Nessa circunstância, o executivo
124

pode ser forçado a limitar as respostas, omitindo informações valiosas. Sendo assim,
pode-se esperar que as respostas não evidenciem completamente a situação real.

Em outros casos, algumas informações podem ser sigilosas,


impossibilitando sua divulgação, mesmo para fins não comerciais. Tal situação,
certamente, limita a capacidade de coletar todos os dados pertinentes à pesquisa.
Em função disto, ao longo de toda abordagem, é fundamental registrar o intuito
acadêmico, além de deixar os entrevistados à vontade para responder as perguntas
dentro do possível.

O roteiro de entrevista (Apêndice III) foi estruturado e formado por


questões abertas (RICHARDSON et al., 1999, p. 208). No entanto, o pesquisador
não se furtou do direito de ampliar as perguntas previamente formuladas, sempre
que considerou necessárias informações adicionais. Isto, de certa forma, confere à
entrevista um caráter não estruturado e permite uma investigação mais aprofundada
(TRIVIÑOS, 1987, p. 146).

O roteiro de entrevista foi dividido em quatro seções. A primeira objetiva


qualificar o entrevistado, caso este seja diferente do respondente do questionário. A
segunda contém questões voltadas para as práticas adotadas na empresa a fim de
analisar e justificar os investimentos em TI. A terceira seção contém questões
voltadas para identificar características de opções reais nos projetos de TI,
permitindo investigar a adequação desse método à avaliação. A última seção aborda
os conhecimentos específicos em relação a opções reais e ao seu uso para auxiliar
o processo decisório do investimento. Há ainda um espaço para informações
adicionais.

Os dados da entrevista foram registrados de forma manual pelo


pesquisador em um roteiro de entrevista impresso (GIL, 2007, p. 125-126). A
transcrição (RICHARDSON et al., 1999, p. 217-218) se deu imediatamente após a
realização da entrevista para evitar o risco de, após um período de tempo
considerável, se olvidarem informações relevantes.
125

Estes dois instrumentos de pesquisa foram parcialmente baseados em


uma pesquisa realizada anteriormente em outro setor de atividade (CORREIA
NETO; LEITE, 2007). Ainda que os setores investigados sejam diferentes e os
objetivos não sejam exatamente iguais entre as pesquisas, os instrumentos da
presente utilizaram questões semelhantes às da anterior, pois foram bem sucedidos
no atingimento dos seus objetivos.

Com todos os dados coletados a partir das entrevistas, a técnica usada


para sua análise foi a análise de conteúdo (GIL, 2007, p. 165-166; VERGARA, 2005,
p. 15; RICHARDSON et al., 1999, p. 221; TRIVIÑOS, 1987, p. 158-166). Através
dela, objetiva-se extrair do discurso coletado as principais informações e, em
seguida, tratá-las de maneira mais objetiva. Com isso, permite-se verificar a
freqüência de determinadas variáveis nas respostas obtidas, através de codificação
e tabulação (GIL, 2007, p. 170-172).

5.3 PRÉ-TESTE

O pré-teste é uma aplicação prévia dos instrumentos de coleta de dados


da pesquisa. Esta etapa tem como objetivo revisá-los, verificar se há um bom
entendimento por parte dos respondentes e entrevistados, testar o tratamento dos
dados, dentre outros (GIL, 2007, p. 137-138; MARCONI; LAKATOS, 2007, p. 205;
FACHIN, 2003, p. 142; RICHARDSON et al., 1999, p. 202-204). Também não deixa
de ser um importante instrumento para coleta prévia de informações sobre os
elementos da amostra, apesar de geralmente não participarem da análise final.

Definiu-se que seriam aplicados dois pré-testes para o questionário e o


roteiro de entrevista com os objetivos descritos anteriormente. Os dados coletados
passaram também pelos tratamentos previstos para a pesquisa definitiva, testando,
portanto, a consecução dos objetivos traçados.

As duas empresas participantes do pré-teste foram escolhidas de acordo


com a facilidade de acesso e disposição em contribuir com essa etapa da pesquisa.
126

Uma das empresas é do setor de castanhas de caju e a outra industrializa e


comercializa grãos, tais como café, arroz, feijão, etc.

Além disso, de maneira a não interferir na amostra definida para a


pesquisa, optou-se por eleger empresas de portes significativos e com
características que possam ser consideradas próximas às das empresas
pesquisadas, apesar de não fazerem parte da listagem utilizada para definir as
empresas investigadas.

No final de janeiro de 2009, foi feita uma comunicação prévia com


executivos das empresas definidas para o pré-teste, a fim de verificar a possibilidade
de sua participação, bem como identificar os executivos mais adequados para
responder as questões. Através de um e-mail contendo a explicação dos objetivos
do pré-teste e de sua importância para o desenvolvimento da pesquisa, as
solicitações foram encaminhadas para os diretores de TI dessas empresas, que
prontamente se colocaram à disposição.

Os pré-testes foram realizados na primeira semana de fevereiro de 2009,


nas sedes das empresas participantes. Nas duas oportunidades, foram aplicados os
dois instrumentos de coleta de dados. É importante frisar que, apesar da pesquisa
propriamente dita contemplar possibilidade de aplicação do questionário através do
envio prévio e de forma eletrônica, considerou-se relevante o executivo preenchê-lo
na presença do pesquisador, de maneira a obter sugestões sobre a adequação das
perguntas formuladas, bem como perceber a clareza de entendimento.

Na primeira empresa, o preenchimento do questionário foi realizado pelo


próprio respondente sem quaisquer problemas. Houve um fácil entendimento das
questões propostas e o respondente não relatou qualquer dificuldade. Os dados do
questionário foram coletados completamente, com exceção das questões que
relacionam os investimentos em TI aos demais investimentos e as despesas em TI
em relação às demais despesas.

A entrevista foi iniciada diretamente com as questões abertas (segunda


parte do roteiro). Consoante com o objetivo de aprofundamento, permitiu-se que o
127

respondente respondesse livremente as perguntas e discorresse sem interrupções.


Em alguns momentos, o pesquisador solicitou a ampliação das respostas, tentando
obter explicações mais refinadas, bem como foram feitas intervenções para
confirmar o entendimento. À medida que o respondente discorria, o pesquisador
fazia as anotações no roteiro impresso.

É importante ressaltar que, nesta empresa, percebeu-se certa


preocupação por parte do executivo com relação à privacidade das informações.
Segundo ele, a empresa tem uma rígida política de sigilo, o que limitou algumas
respostas. Ainda assim, o executivo respondeu todas as perguntas do roteiro de
entrevistas, fornecendo exemplos ilustrativos das decisões tomadas.

Na segunda empresa participante do pré-teste, tanto o preenchimento do


questionário como a entrevista ocorreram adequadamente, sem quaisquer
problemas de entendimento. No entanto, o executivo também estava claramente
receoso quanto à divulgação das informações, restringindo bastante a profundidade
das respostas e, principalmente, a apresentação de exemplos que pudessem ilustrá-
las. Ele justificou argumentando que alguns projetos eram estratégicos, limitando
sua exposição.

Este último ponto foi percebido ao se compararem os tempos decorridos


em cada pesquisa. Na primeira empresa do pré-teste, a aplicação do questionário e
a resposta à entrevista levaram uma hora e trinta minutos. Na segunda empresa, o
tempo total foi de quarenta e cinco minutos.

Após a aplicação dos instrumentos, procedeu-se a uma análise dos


dados, de acordo com o previsto para os dados reais, de maneira a verificar sua
aderência aos objetivos da pesquisa.

Esta análise mostrou coerência metodológica e ajuste aos objetivos


traçados, evidenciando que os instrumentos propostos estão devidamente alinhados
aos propósitos da investigação.
128

Sendo assim, pode-se montar um quadro de congruência entre os


objetivos específicos e geral da pesquisa e as questões dispostas no roteiro de
entrevista. Na primeira coluna, estão os objetivos da pesquisa e, na segunda coluna,
as questões diretamente utilizadas para atingir estes objetivos.

Objetivos Questões
Descrever as classes de investimentos em TI no âmbito empresarial 2.1 a 2.3
Classificar os resultados esperados e os riscos dos projetos de TI 2.3 e 2.4
Verificar a existência de características adequadas ao uso de opções reais nos 3.1 a 3.4
projetos de TI
Identificar as circunstâncias nas quais se pode utilizar a teoria das opções reais 2.5 e 3.1 a 3.4
na avaliação
Verificar a adequação da teoria de opções reais para avaliar projetos de 4.1 a 4.6
investimentos em TI no setor pesquisado
Quadro 15 - Quadro de Congruência
Fonte: Elaborado pelo autor

As variáveis constantes no questionário, que não estão listadas neste


quadro, têm objetivos secundários de descrever as empresas participantes, sua
estrutura operacional e tecnológica, bem como os participantes da pesquisa. Mesmo
não sendo centrais à pesquisa, tais questões são relevantes por registrar
informações importantes para descrever as empresas pesquisadas.

Portanto, com as coletas destas variáveis, espera-se atingir os objetivos


da pesquisa e verificar as hipóteses levantadas.

5.4 COLETA DE DADOS

As atividades componentes da pesquisa empírica foram executadas


conforme descrição a seguir. Os contatos prévios foram realizados através de
indicações conseguidas na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e
na diretoria da Faculdade de Economia, Administração, Atuária, Contabilidade e
Secretariado Executivo (FEAAC) da Universidade Federal do Ceará (UFC). Tais
indicações foram das mais diversas áreas em cada uma das onze empresas objeto
da pesquisa.
129

Todos os contatos prévios foram realizados por telefone. Neste momento,


o pesquisador se apresentou e discorreu sobre a pesquisa e os seus objetivos.
Destacou que a pesquisa envolveria uma entrevista com o executivo responsável
pelos investimentos em tecnologia de informação na empresa, bem como o
preenchimento de um questionário, que poderia ser feito previamente à entrevista,
caso fosse conveniente. Neste momento, foi identificado o executivo que poderia
responder pela empresa e foram coletados o número telefônico de contato e/ou e-
mail.

Em seguida, foram encaminhadas solicitações formais de participação na


pesquisa através do e-mail informado, conforme modelo apresentado no apêndice I.
Após o envio da solicitação formal, foram realizados contatos telefônicos com os
executivos, a fim de verificar o recebimento das solicitações e esclarecer eventuais
dúvidas. Este telefonema também serviu aos propósitos de reforçar a relevância da
pesquisa para o setor no qual as empresas atuam e, desta forma, tentar aumentar
as chances de participação.

Alguns executivos atenderam prontamente a solicitação e já foram


marcadas as datas e horários das reuniões. Outros solicitaram um contato posterior,
a fim de verificar a viabilidade de participação na pesquisa, alegando que deveriam
obter permissão por parte dos diretores, ou avaliar disponibilidade de agenda. Nesta
ocasião, alguns solicitaram o envio prévio do questionário para preenchimento.

Das onze empresas que atendiam os critérios estabelecidos, duas não


demonstraram interesse em participar da pesquisa. Não foram alegados motivos
específicos, porém ficou patente que havia outras prioridades que dificultavam a
disponibilização de tempo para o atendimento da solicitação.

Assim, foram realizadas entrevistas e aplicados os questionários em nove


das onze empresas objeto da pesquisa. Elas ocorreram entre os dias nove de
fevereiro e vinte e cinco de abril de 2009 e totalizaram doze horas e quarenta e seis
minutos. Em média, cada entrevista demorou uma hora e vinte e cinco minutos. A
entrevista mais demorada foi de duas horas, e a mais rápida demandou uma hora. O
130

preenchimento do questionário, nas empresas que não o fizeram previamente, foi de


aproximadamente dez minutos, logo após o encerramento da entrevista.

Em duas empresas, além do principal executivo envolvido com as


decisões de investimento em TI, também participaram outros executivos ligados,
direta ou indiretamente, a este assunto. Em uma empresa, além do diretor de TI,
participaram também o diretor de controladoria e o diretor de relações com
investidores. Em outra, participaram os gerentes administrativo-financeiro e o de
tecnologia de informação. As informações delas derivadas mostraram-se muito ricas,
dada a perspectiva múltipla que se obteve sobre o ponto focal, evitando viéses
ligados à área de atividade de cada executivo.

A realização das entrevistas seguiu a estratégia das realizadas no pré-


teste. As perguntas listadas no roteiro de entrevistas foram feitas na ordem em que
estão dispostas. Antes de entrar na última parte, referente aos conhecimentos sobre
opções reais, o pesquisador explanou brevemente o conceito de opções reais,
justificando as questões formuladas na parte anterior do roteiro de entrevista
(características de opções reais).

Após essas considerações breves, o pesquisador continuou com as


questões da última parte e buscou obter a percepção do entrevistado sobre a
pertinência dos conceitos de opções reais aplicados aos investimentos em TI, ainda
que não mensurados formalmente. Essa ampliação permitiu obter insights sobre seu
uso nas empresas.

Após a coleta destes dados, iniciou-se o processo de análise, detalhado


nas seções seguintes.

5.5 DESCRIÇÃO DOS DADOS COLETADOS

A descrição dos dados foi realizada inicialmente pela apresentação das


variáveis captadas pelo questionário. Com elas, foi possível descrever tanto os
respondentes como as empresas. Na seqüência, foram mostradas as respostas
131

coletadas através das entrevistas aplicadas pessoalmente pelo pesquisador junto


aos executivos.

5.5.1 QUESTIONÁRIOS

5.5.1.1 EMPRESAS PARTICIPANTES

As nove empresas pesquisadas apresentaram alguns dados sumarizados


na tabela 1.

Plantas
Tempo de Estrutura Setor Centros de
Empresa Funcionários Clientes Fabris /
Existência Societária Específico Distribuição
Fazendas
Moinho e
1 60 SA 11.000 60.000 10 24
massas
2 42 Ltda. Castanha 2.800 50 3 0
3 10 Ltda. Bebidas 3.300 90.000 5 6
Biscoitos e
4 51 SA 1.800 110.000 1 14
massas
5 43 Ltda. Granja 1.500 1.000 37 0
Moinho e
6 70 SA 2.400 8.000 8 5
massas
Leite e
7 32 SA 700 7.500 9 1
derivados
8 45 SA Moinho 148 2.200 1 0
9 40 SA Castanha 1.600 350 1 1
Soma 393 - - 25.248 279.100 75 51
Média 44 - - 2.805 31.011 8 6
Tabela 1 - Dados Descritivos das Empresas
Fonte: Elaborada pelo autor

As empresas estão listadas na primeira coluna. Suas razões sociais foram


trocadas por números, a fim de preservar o anonimato acordado com os executivos.
Doravante, tais números serão usados para representá-las.

A segunda coluna mostra o tempo de existência de cada empresa


participante. Em média, as empresas pesquisadas têm 44 anos de existência. A
mais antiga existe há setenta anos e a mais nova, há 10 anos. Através da terceira
coluna, verifica-se que três empresas são sociedade limitada e seis são sociedades
anônimas. Destas últimas, apenas uma tem capital aberto. A quarta coluna registra o
setor específico de cada empresa participante.
132

As nove empresas empregam conjuntamente 25.248 funcionários,


resultando em uma média de 2.805 funcionários por empresa (quinta coluna). Esta
variável apresenta uma dispersão considerável, há uma variação de 11.000
funcionários (maior quantidade) até 148 funcionários (menor quantidade).

Em relação à quantidade de clientes ativos, apresentados na sexta coluna


da tabela, também é percebida uma forte dispersão para a média de 31.011 clientes.
A empresa com maior quantidade atende a 110.000 clientes. A menor quantidade de
clientes ativos atendidos por uma das empresas é de 50.

Há, no entanto, uma explicação para esta situação. Algumas empresas


têm perfis diferenciados de clientes, de acordo com seu ramo de atuação direto. As
empresas com maior quantidade de clientes atendem a pequenos varejos, tais como
mercearias de bairros, padarias e lojas de conveniência, além de grandes varejistas
e atacadistas. Estas empresas atuam com produtos de consumo em massa, cuja
distribuição é altamente pulverizada.

As empresas com pequenas quantidades de clientes concentram suas


vendas em grandes atacadistas nacionais ou estrangeiros. Esses atacadistas
compram os produtos em grandes quantidades e os comercializam utilizando
marcas próprias, tanto no mercado nacional como no mercado internacional. A
empresa com a menor quantidade de clientes, por exemplo, tem dez clientes
nacionais e quarenta estrangeiros e está no mesmo setor que a segunda empresa
com menor quantidade de clientes (empresa 9). Ambas atuam no setor de
beneficiamento de castanha de caju.

A sétima coluna da tabela apresenta a quantidade de plantas fabris e/ou


fazendas de cada empresa. A oitava coluna mostra a quantidade de centros de
distribuição. Estas duas variáveis também apresentaram forte variação, explicada
igualmente por diferentes tipos de produtos industrializados (setores específicos) e
necessidades mais ou menos intensas de atendimento a uma clientela dispersa
geograficamente. As duas empresas com maior quantidade de centros de
distribuição têm forte atuação no varejo, implicando nesta decisão de implantar
aqueles de maneira dispersa.
133

A tabela 2 mostra algumas variáveis relacionadas à estrutura de TI em


cada empresa. Elas permitem identificar o porte de TI nas participantes da pesquisa.

Empresa Servidores Computadores Sistemas de Informação ERP


1 100 3.000 15 Oracle
2 4 65 5 Outro
3 70 1.200 20 SAP
4 10 270 3 Logix
5 12 140 4 SAP
6 40 1.000 4 SAP
7 5 111 5 Outro
8 7 62 3 Datasul
9 8 90 2 Logix
Tabela 2 - Estrutura de TI das Empresas
Fonte: Elaborada pelo autor

As quantidades de servidores (coluna dois) e de computadores em cada


empresa (coluna três) apresentam variação considerável. Parece não haver uma
relação comum entre quantidade de servidores e computadores para suportar a
operação. As empresas com maior quantidade de servidores e computadores
pertencem aos setores de moinhos e massas (empresas 1 e 6) e bebidas (empresa
3).

A quantidade de sistemas de informação utilizados (coluna quatro)


evidencia duas empresas fora da média (empresas 1 e 3). Elas utilizam mais
sistemas de informação que se integram ao ERP principal. Apesar disso, segundo as
informações coletadas, de modo geral, todos os sistemas utilizados nas empresas
são integrados, ainda que de fornecedores diferentes.

A última coluna mostra os ERPs (enterprise resource planning) utilizados.


Uma empresa (a de maior estrutura de TI) utiliza Oracle, três utilizam SAP, duas
utilizam Logix, uma usa Datasul e duas usam sistemas de gestão locais.

Outra forma de evidenciar a relevância da TI nas empresas é através do


montante direcionado para investimentos e despesas com esta atividade. A tabela 3
resume alguns dados relacionados aos investimentos e desembolsos operacionais
em TI. Não foram solicitados dados absolutos, a fim de minimizar problemas com
divulgação de dados considerados sigilosos. Ainda assim, nem todas as empresas
134

os forneceram, alegando, em alguns casos, que não os tinham disponíveis, e, em


outros, que não poderiam divulgá-los, mesmo sendo números relativos. Portanto, há
alguns valores não relatados pelos respondentes.

Empresa ITI / ROL ITI / OI DTI / ROL DTI / OD


1 0,400% 3,330% 0,800%
2 3,000% 0,040%
3 0,400% 10,000% 0,500%
4 0,003% 0,100% 0,005% 0,003%
5 1,290% 0,760% 13,440%
6 0,800% 0,400% 10,000%
7
8 0,500% 0,020% 0,300% 0,200%
9 0,500% 7,000% 0,200% 1,000%
Média 0,862% 4,090% 0,376% 4,929%
Tabela 3 - Investimentos e Despesas Operacionais com TI nas Empresas
Fonte: Elaborada pelo autor

A segunda coluna mostra a relação entre investimentos em TI (ITI) e a


receita operacional líquida (ROL) da empresa. Em média, 0,862% da receita
operacional líquida é direcionada para os investimentos em TI nas empresas
pesquisadas. Essa média, no entanto, apresenta forte dispersão.

A empresa que tem a maior relação ITI/ROL é a de número dois,


justificada, provavelmente, pela situação atual de intensidade em investimentos. A
empresa recentemente tem passado por uma forte necessidade de investir em TI,
devido ao tempo considerável no qual estes desembolsos foram cerceados. O
executivo desta empresa informou, ademais, que um dos motivos de sua
contratação foi a necessidade premente de modernizar a área de TI da empresa,
tendo em vista a observação do desenvolvimento tecnológico das concorrentes.

A terceira coluna mostra a relação percentual entre investimentos em TI


(ITI) e outros investimentos (OI) nas empresas. A comparação é interessante por
evidenciar a relevância dos investimentos ligados a uma área de suporte em relação
aos demais investimentos da empresa, incluindo aqueles direcionados à sua
atividade principal. Quatro das nove empresas não responderam esta questão, pois
não tinham acesso a estes dados. As demais que a responderam resultaram em
uma média de 4,090%, com uma dispersão considerável.
135

A quarta coluna registra a relação entre as despesas operacionais com TI


(DTI) e as receitas operacionais líquidas (ROL). Assim, é possível identificar quanto
da receita operacional líquida está comprometido com os desembolsos operacionais
associados à manutenção da estrutura de TI. Para as oito empresas respondentes
desta questão, em média, 0,376% das receitas operacionais líquidas são
direcionadas para as despesas operacionais com TI.

A última coluna mostra a relação entre as despesas operacionais com TI


(DTI) e as outras despesas de natureza operacional (OD). Essa variável evidencia a
relevância dos desembolsos operacionais para suportar a estrutura de TI em relação
aos desembolsos operacionais necessários a toda operação da empresa. Quatro
empresas deixaram de responder esta questão, porém as que o fizeram levaram a
um resultado médio de 4,929%.

Sobre esses percentuais, é relevante pontuar que podem sugerir que as


empresas da amostra estão em um baixo estágio de informatização. Segundo
Meirelles (2009, p. 2.4), baixos percentuais na relação entre os desembolsos totais
destinados à TI (investimentos e gastos) e o faturamento líquido indicam níveis
incipientes de informatização. Ainda segundo ele, no início de 2009, em média, as
empresas nacionais do setor industrial apresentaram tal relação da ordem de 4,00%
(MEIRELLES, 2009, p. 2.6). As empresas da presente pesquisa têm relação média
de 1,24%, representando pouco menos de um terço da média nacional.

Questionados sobre as áreas responsáveis pela avaliação dos


investimentos em TI, a maioria das respostas basicamente convergiu para a
participação da área de TI juntamente com as diretorias e áreas fins do projeto. Em
algumas empresas, mesmo as diretorias às quais o projeto não estava subordinado
participavam da avaliação quando o porte justificava tal envolvimento. Em uma
empresa, a avaliação acontecia no âmbito da gerência de TI e controladoria.

A situação é peculiar em uma empresa específica. Ela é parte de um


grupo empresarial que congrega empresas com várias áreas de atuação distintas.
Assim, as decisões de TI são subordinadas, em grande parte, às decisões
corporativas que são determinadas na holding do grupo. Portanto, a avaliação de
136

certos investimentos em TI também envolvia representantes da área de TI da


holding, principalmente quando os projetos são vultosos em termos de recursos e
quando envolvem transferências de informações para a holding.

Em oito das nove empresas pesquisadas, foi relatada a existência de um


comitê ligado às questões de TI. Na única empresa que não relatou esta existência,
não há aparentemente uma intenção em formá-lo.

5.5.1.2 EXECUTIVOS

O questionário buscou também caracterizar os principais executivos


envolvidos no processo decisório de avaliação dos investimentos em TI. O quadro
16 apresenta as principais informações coletadas.

Tempo Área de
Empresa Setor Cargo Escolaridade
no Cargo Escolaridade
1 TI Diretor de TI 5 Mestrado TI
2 TI Gerente de TI 5 Graduação Engenharia
3 TI Gerente de TI 5 Especialização TI
4 TI Consultor externo 10 Graduação Administração
5 TI Diretor de TI 2 Mestrado TI
6 TI Diretor de TI 1,50 Especialização Administração
7 Diretoria Financeira Diretor financeiro 4 Especialização Engenharia
8 Diretoria Financeira Diretor financeiro 1,50 Especialização Finanças
9 Gerente 2,50 Especialização Finanças
Administração
administrativo
Quadro 16 - Caracterização dos Executivos das Empresas
Fonte: Elaborado pelo autor

Em seis das nove empresas pesquisadas, o setor do principal executivo


responsável pela avaliação dos projetos de TI é o de tecnologia de informação. Em
duas empresas, esse executivo está lotado na diretoria financeira e, em outra
empresa, o executivo é da gerência administrativa.

Cinco executivos têm cargos de diretoria na empresa. Destes, três são


diretores de TI e dois são diretores financeiros. Outros dois executivos são gerentes
da área de TI e outro é gerente administrativo. Em uma empresa, a situação é
peculiar, pois o principal executivo da área de TI é um consultor externo. Apesar
disto, ele está há muito tempo prestando serviço para a empresa, sendo o executivo
137

mais longevo (dez anos). Os demais executivos têm atuações que variam entre um
ano e meio a cinco anos.

Dois dos executivos têm mestrado e ambos são na área de TI. Cinco
executivos são especialistas, dos quais dois são na área de finanças, um na área de
TI, outro na área de administração e outro em engenharia de produção. Dois
executivos têm escolaridade máxima em nível de graduação: um na área de
administração e o outro na área de engenharia.

5.5.2 ENTREVISTAS

A descrição dos dados coletados pelas entrevistas será apresentada de


maneira igual à seqüência das questões no roteiro de entrevistas.

5.5.2.1 CLASSIFICAÇÃO DOS PROJETOS

A primeira questão levantada foi quanto à classificação dos projetos de TI


nas empresas. Ela é importante a fim de identificar como os projetos são
classificados e, com isso, espera-se verificar que tipos de benefícios são desejados,
uma vez que, normalmente, as classificações apresentam relações diretas com
esses benefícios. Ainda que isso não ocorra necessariamente nos elementos da
amostra, o referencial teórico evidencia algumas classificações que confirmam tal
expectativa de associação entre tipos de projetos e de benefícios, o que permite
levantar esta hipótese. Decorrente disso, diferentes classes de projetos podem
também implicar em diferentes métodos de avaliação, dadas suas características
peculiares de retornos esperados.

As respostas coletadas não demonstraram uma forte convergência entre


as classificações. Duas das empresas (2 e 4) não classificam formalmente os
projetos de TI. Segundo o executivo da empresa 4, há uma certa “informalidade na
estrutura decisória”, tornando desnecessária esta classificação. Mesmo assim, foi
ressaltado por ele que, de fato, há projetos com naturezas bastante distintas que
poderiam ter algum tipo de segmentação.
138

A empresa 9 classifica os projetos de TI em infra-estrutura e softwares.


Segundo os entrevistados, esta segmentação é derivada das destinações que os
recursos financeiros terão. A categoria de infra-estrutura abrange todos os projetos
voltados à formação de uma base tecnológica sobre a qual a empresa poderá
investir em softwares.

Não houve, no entanto, um destaque claro para uma possível separação


entre softwares considerados como de infra-estrutura ou aplicados ao negócio
principal. A eventual divisão poderia ser útil no contexto de classificação dos
projetos, até porque seus objetivos e retornos esperados podem variar
significativamente.

Duas outras empresas também utilizam infra-estrutura e software em suas


classificações. Porém, uma delas (5) acrescenta uma categoria de suporte aos
clientes internos e externos. Segundo o executivo dessa empresa, há necessidade
de contemplar e investir em projetos que auxiliem os clientes internos e externos que
utilizam TI, a fim de garantir sua adoção plena. Portanto, apesar desta classificação
não produzir ativos tais como hardware e software, este esforço, consumidor de
recursos financeiros e tempo de pessoal, objetiva aumentar a efetividade dos demais
investimentos em TI.

A outra empresa (7) segue esta mesma classificação. No entanto, seu


foco de suporte é direcionado exclusivamente para o treinamento de clientes
internos. Segundo o executivo entrevistado, treinamento é fundamental para o
sucesso das iniciativas de TI e possui características próprias, merecendo, por isto,
uma categoria isolada.

Uma empresa (8) classifica os projetos ligados à TI em função de suas


dimensões. Basicamente, segundo o executivo, há os projetos de pequeno porte e
os de grande porte. Apesar de não haver uma definição clara quanto ao ponto exato
que divide estes dois tipos de projetos, ela identifica, em termos práticos, aqueles
projetos que podem ser analisados pelo setor específico ou necessitam a
participação da diretoria e/ou da presidência. Como exemplo, o executivo relatou o
caso do maior projeto até então avaliado pela empresa que foi a adoção de um ERP,
139

ainda em fase de implantação. Em função do valor envolvido e da ampla


abrangência do projeto, todas as diretorias participaram da decisão, sob a
coordenação da diretoria de finanças e controle, responsável direta pelo projeto.

A empresa de número 6, por sua vez, adota uma classificação que não
encontra pares na literatura consultada. Ela é dividida em projetos necessários e
desejáveis. Segundo o executivo entrevistado, tal classificação é uma forma de
permitir que se priorizem os projetos mais importantes, cujo abandono ou
postergação são mais difíceis.

Esta hierarquização de prioridades favorece a determinação de quais


projetos receberão primeiramente os recursos financeiros. Por outro lado, aqueles
classificados como desejáveis são normalmente menos críticos para o negócio e,
dessa forma, podem ser postergados com mais facilidade, sem grandes impactos
nos resultados.

A empresa 1 segmenta os projetos em três tipos. São eles: redução de


custos, determinação legal e outros tipos, cuja classificação também tem
características de estabelecimento de prioridades. Os projetos mais importantes são
os que proporcionam algum tipo de redução de custos, ou seja, têm um retorno
financeiro mensurável objetivamente. Os projetos que são determinados legalmente,
apesar de não gerarem necessariamente algum tipo de retorno, devem ser
realizados a fim de cumprir as respectivas exigências. Como exemplo desse tipo de
projeto, foi citada a necessidade de adequação ao SPED (sistema público de
escrituração digital). Os demais projetos englobam uma miríade de possibilidades,
que, em comum, não têm uma categorização muito clara, tampouco retornos
objetivamente determinados ou mensuráveis. Portanto, nessa categoria podem ser
citados projetos ligados à infra-estrutura, à conectividade e à segurança de
informação, por exemplo.

A última empresa pesquisada (3) apresentou uma classificação


segmentando os projetos de TI em quatro tipos: aumento de receita, redução de
custos, life cycle management e experimentação. Tal organização é baseada
fundamentalmente no que se espera de cada projeto.
140

As duas primeiras objetivam gerar retornos financeiros diretos e com


prazo mais imediato. A terceira implica na manutenção da capacidade produtiva e de
gerenciamento da empresa, através do gerenciamento do ciclo de vida dos
elementos de infra-estrutura de TI. A última é voltada para retornos com prazos mais
longos, ultrapassando, inclusive, resultados em termos financeiros. Nesta última
situação, os resultados apresentam uma amplitude bem mais abrangente.

Para algumas destas categorias, o executivo citou exemplos que as


ilustraram. Um projeto de micro-crédito para pequenos clientes, suportado por
aplicações em sistemas de informações, permitiu auferir diretamente um aumento de
receitas.

O projeto de rastreamento das frotas de caminhões foi categorizado como


redução de custos, pois permitiu utilizar estes recursos com menor nível de
desembolso em decorrência de otimização da operação.

A categoria de life cycle management teve como exemplo a renovação do


parque de hardwares da empresa (servidores, computadores, dispositivos móveis,
etc.).

Os projetos de experimentação, por suas características próprias,


envolvem elementos estratégicos da empresa e, dessa forma, não podem ser
divulgados, inibindo a apresentação de exemplos.

Tais características tipicamente impactam no nível de dificuldade de


avaliar cada tipo de projeto. Os dois primeiros tipos de projetos normalmente são
avaliados de forma direta e objetiva, através de medidas financeiras calculadas
sobre os fluxos de caixa incrementais.

Os projetos relacionados à manutenção do ciclo de vida dos ativos de


infra-estrutura também são avaliados com certa facilidade, uma vez que a
verificação da vida útil dos elementos é relativamente clara.
141

Os projetos de experimentação, por sua vez, tendo em vista suas


possíveis características de longo prazo e variedade de retornos, incorporam um
grau maior de dificuldade para serem avaliados.

O quadro 17, a seguir, apresenta de maneira resumida as respostas


dadas pelos executivos quanto à classificação dos projetos de TI. Através desse
quadro, pode-se verificar que não foi identificada uma convergência muito forte entre
as classificações usadas em cada empresa participante da pesquisa.

Empresas Classificações de Projetos


Redução de custos
(1) Determinação legal
Não definido (outros)
(2) Não há classificação formal
Aumento de receitas
Redução de custos
(3)
Estratégico
Life cycle management
(4) Não há classificação formal
Software
(5) Infra-estrutura
Suporte ao cliente
Classificação baseada no nível de necessidade do
(6) projeto
(projetos necessários e desejáveis)
Hardware
(7) Software
Treinamento
(8) Classificação baseada no tamanho dos projetos
Software
(9)
Infra-estrutura
Quadro 17 - Benefícios Relatados pelos Entrevistados
Fonte: Elaborado pelo autor

5.5.2.2 BENEFÍCIOS ESPERADOS

A questão seguinte referiu-se aos benefícios esperados a partir dos


investimentos em TI.

O quadro 18, a seguir, resume os resultados coletados, dentro do que foi


relatado pelos entrevistados.
142

Benefícios \ Empresas (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9)
Redução de Custos 1 1 1 1 1 1 1
Aumento de eficiência operacional 1 1 1 1
Aumento de receita 1 1 1
Melhoria da qualidade de gerenciamento e dos processos 1 1 1
Segurança da informação e dos processos 1 1 1
Disponibilidade de informações para tomada de decisão 1 1
Possibilidade do controle dos processos internos 1 1
Permite maior escala do negócio 1 1
Retornos intangíveis diversos 1
Diminuição do risco (insalubridade) 1
Melhoria de imagem corporativa 1
Adoção de práticas mais modernas de gestão 1
Possibilidade de verticalização 1
Possibilidade de diferenciação competitiva 1
Melhoria do clima organizacional e da satisfação do pessoal 1
Aumento da margem de contribuição 1
Redução do custo de não investir 1
Atendimento de necessidades técnicas 1
Quadro 18 - Benefícios Relatados pelos Entrevistados
Fonte: Elaborado pelo autor

Em conjunto, as nove empresas citaram 18 benefícios esperados a partir


dos investimentos em TI. Foram registrados três benefícios na maioria das empresas
(1, 3, 4 e 9). Quatro benefícios foram referenciados em duas empresas (6 e 8) e
cinco em outras duas empresas (2 e 5). A empresa 7 listou seis benefícios.

Esta multiplicidade de benefícios é coerente com a expectativa


apresentada no referencial teórico. Normalmente, projetos de TI têm diversos tipos
de retorno, sendo estes, inclusive, de várias naturezas (quantitativas ou qualitativas).
Ao mesmo tempo em que evidencia a multiplicidade de propósitos nos projetos de
TI, essa situação também torna esperada certa complexidade no processo decisório.

O benefício mais referenciado foi a redução de custos, em sete das nove


empresas. O executivo da empresa 2, por exemplo, registrou que uma forma de
reduzir custos com a TI é a redução de mão-de-obra necessária para realizar certas
atividades operacionais. Nesta empresa, algumas funções foram descontinuadas
com a informatização dos processos. A empresa 4, por sua vez, registrou reduções
de custos logísticos, ao investir em uma solução de planejamento e otimização de
rotas dos caminhões, o que proporcionou uma redução direta de custos associados
à distribuição dos seus produtos. A empresa 5, no quesito redução de custos,
ilustrou com um sistema de controle de manutenção industrial, o qual possibilitou a
143

redução dos desembolsos associados à manutenção de equipamentos, a partir de


um melhor gerenciamento.

O benefício que segue em termos de quantidade de citações é o aumento


da eficiência operacional. Das nove empresas pesquisadas, quatro registraram-no. A
empresa 2 exemplificou esse benefício em termos de digitação de dados da
produção, os quais, segundo o entrevistado, ocorriam manualmente no chão de
fábrica. Tal processo era ineficiente em termos operacionais, pois requeria um
funcionário dedicado à digitação, além de tornar os dados digitados susceptíveis a
erros (o que era comum, dada a grande quantidade de dados gerados). Um projeto
para automação do chão de fábrica, incluindo utilização de códigos de barras e
balanças eletrônicas integrados ao ERP, minimizou os problemas, ao evitar essa
digitação e dar celeridade ao processo. Como benefício adicional à melhoria de
eficiência, foi observado um maior nível de acertos dos dados de produção e,
conseqüentemente, confiabilidade nos relatórios gerenciais.

O executivo da empresa 5 também registrou um exemplo similar ligado à


coleta de dados da produção. Ele comentou inclusive sobre o investimento
necessário em infra-estrutura de comunicação para permitir a inclusão dos dados de
produção diretamente no ERP, uma vez que algumas fazendas de criação estavam
localizadas em áreas sem disponibilidade física de ponto de acesso à rede de
transmissão de dados. Nestes casos, o projeto somente foi viável através do uso de
tecnologias de comunicação sem fio e dispositivos móveis (smartphones).

Por fim, em relação ao aumento da eficiência operacional, o executivo da


empresa 9, apesar de não ter registrado claramente este benefício, comentou o uso
da TI com este fim. Segundo ele, o chão de fábrica também foi contemplado com o
acesso aos sistemas de gestão, provendo acesso mais rápido à informação e
melhorando a eficiência operacional.

Três empresas (3, 6 e 8) consideram o aumento de receitas através de


investimentos em TI como um benefício esperado. Ainda que de difícil mensuração,
conforme pontuou o executivo da empresa 8, algumas iniciativas de TI foram
justificadas em parte pelo possível aumento da receita. Segundo este executivo, em
144

relação à implantação de um novo ERP, “subjetivamente, espera-se que ele possa


contribuir para o aumento da receita”. Na empresa 3, por exemplo, o sistema de
controle de micro-crédito para pequenos clientes foi analisado e justificado sob essa
perspectiva, uma vez que os clientes poderiam ampliar sua capacidade de compra e
a empresa teria maiores receitas.

Outras três empresas (2, 4 e 6) enfatizaram a melhoria na qualidade do


gerenciamento e dos processos, permitindo, em princípio, uma melhor gestão das
atividades operacionais. O executivo da empresa 2 citou que, através do uso de um
sistema de gestão integrado, as informações são geradas de maneira on-line,
permitindo ações rápidas, precisas e baseadas em dados reais. Ainda segundo ele,
como há uma forte concorrência no mercado, dispor de informações imediatas e
confiáveis contribui para uma melhor atuação competitiva e, conseqüentemente,
para alcançar melhores resultados.

Em adição a este benefício, a melhoria na segurança das informações e


dos processos também foi citada por três empresas (1, 2 e 7). A empresa 1, que tem
plantas geograficamente dispersas em vários estados, justifica alguns investimentos
em TI através da necessidade de prover segurança dos dados, principalmente em
função dos acessos remotos originados das várias plantas industriais e de usuários
externos.

O entrevistado da empresa 2 registrou este benefício em termos de


automação do processo produtivo. Segundo ele, havia um risco potencial muito forte
relacionado à pesagem errada dos insumos para a produção e dos produtos
acabados. Ambas as pesagens são fundamentais para determinar o pagamento aos
fornecedores e aos trabalhadores no chão de fábrica. Um importante benefício
esperado neste contexto é garantir a segurança e a confiabilidade dos dados
coletados, a fim de evitar erros nas remunerações delas decorrentes.

É relevante destacar que esta segurança das informações, em si, não


gera retornos extraordinários à empresa. Como observado nas respostas, este
benefício é percebido como um possível custo que não existirá, dados os
investimentos realizados. Em outras palavras, o benefício em questão é uma
145

expectativa de que problemas de segurança e os prejuízos destes derivados não


ocorrerão.

O próximo benefício, citado por duas empresas (7 e 9), é a


disponibilização de informações necessárias à tomada de decisão. O executivo da
empresa 7, ao registrar o benefício, comentou a importância da existência de
informações confiáveis e com integridade para permitir boas decisões. Segundo ele,
o argumento foi utilizado em decisões de investimentos em TI, indicando sua
importância para a empresa, ainda que não tenham sido expressos através de
indicadores financeiros e/ou operacionais.

A empresa 9 exemplificou este benefício ao citar um problema que ocorria


no setor de compras de matérias-primas. A empresa lida com uma quantidade
substancial de fornecedores de matérias-primas, localizados em várias regiões do
Nordeste. Para ela, tanto a grande quantidade como a alta dispersão geográfica de
fornecedores são fundamentais, em função dos diferentes períodos de safra em
áreas distintas e do risco de desabastecimento. No entanto, essa variedade implica
em diferentes níveis de qualidade das matérias-primas recebidas, o que pode afetar
diretamente a qualidade dos produtos finais.

Sendo assim, foi desenvolvido um sistema de informação que analisa


historicamente a qualidade dos vários fornecedores de matérias-primas. Com esse
sistema, o setor de compras da empresa pode negociar melhores preços e
condições de comercialização com os fornecedores, baseados em históricos
confiáveis, além de poderem priorizar determinados tipos de matérias-primas de
acordo com os produtos finais desejados.

O benefício seguinte é a possibilidade de controle dos processos internos


da empresa, tendo sido citado pelos entrevistados nas empresas 6 e 8. Nas
empresas participantes da pesquisa, há uma quantidade bastante relevante de
processos, tanto no âmbito produtivo como no administrativo. A automação desses
processos também permite seus controles efetivos e uma maior ingerência sobre
eles.
146

Um benefício citado pelos entrevistados das empresas 7 e 9 foi a


possibilidade de expansão da escala de atividades. Segundo o executivo da
empresa 7, nos últimos anos ela experimentou uma taxa considerável de
crescimento em suas atividades, possibilitado parcialmente pelo suporte da TI. O
executivo da empresa 9, por sua vez, pontuou que a TI permite que o crescimento
traçado no planejamento estratégico seja conseguido. Segundo ele, escalas maiores
de produção devem ter o suporte adequado da TI.

Os demais benefícios foram citados por apenas uma das empresas


pesquisadas. Os executivos da empresa 1 citaram retornos intangíveis a partir de
certos investimentos em TI. Segundo eles, tais retornos não podem ser mensurados
objetivamente, ainda que sejam perceptíveis e importantes na decisão.

Como exemplo, ele citou o contexto da abertura de capital da empresa.


Segundo ele, era importante que fosse usado um ERP de mercado, com
reconhecida capacidade de processamento e gestão, dentro das mais rigorosas
exigências fiscais e administrativas. Para ele, em auditorias externas, dispor de um
ERP reconhecido facilitaria o processo de auditagem, bem como melhoraria a
percepção dos stakeholders externos, ainda que esse critério seja
predominantemente subjetivo.

O executivo da empresa 2 considera que a TI pode diminuir riscos


relacionados a atividades insalubres no chão de fábrica. Ele exemplificou ao
comentar que um processo de automação industrial permitiu que os funcionários
reduzissem a necessidade de verificar tanques de cozimento, cuja operação
envolvia insalubridade e periculosidade. Sendo assim, para ele, o risco de acidentes
foi reduzido com o uso da TI, além de proporcionar menor desembolso de caixa nas
contas de insalubridade e periculosidade.

Para o executivo da empresa 3, um benefício que a TI pode trazer é


relacionado à imagem corporativa. Algumas ações podem ter impacto na imagem da
empresa, o que confere um retorno intangível em termos de valorização da marca.
147

O executivo da empresa 5 citou três benefícios não mencionados nas


demais. O primeiro deles foi a adoção de práticas mais modernas de gestão.
Segundo ele, um dos aspectos motivadores da implantação de um ERP de mercado
foi a incorporação nele de uma base de conhecimento, refletindo boas práticas
administrativas.

Outro benefício é a possibilidade de verticalização que a TI permite. Este


ponto também foi fundamental na escolha do ERP, uma vez que um dos
direcionamentos estratégicos da empresa é ampliar sua área de atuação, através da
oferta de produtos diretamente ao cliente final (sua linha atual é voltada para outras
empresas industriais e intermediários comerciais). Sendo assim, a capacidade de
atender esta demanda estratégica foi central na decisão.

O último benefício citado na empresa 5 foi a expectativa de diferencial


competitivo que a TI pode conferir. Para o executivo, os concorrentes diretos não
têm um nível de recursos tecnológicos muito avançado, o que permite a exploração
desta circunstância em favor próprio. Assim, investir em TI pode conferir uma
melhoria na posição competitiva da empresa, por mais que tal vantagem perdure ao
longo de pouco tempo.

Na empresa 7, um benefício percebido e analisado é a melhoria do clima


organizacional e da satisfação dos funcionários. De acordo com o entrevistado, os
funcionários sentem-se mais satisfeitos com o uso de ferramentas tecnológicas
avançadas e que os permitam ser mais produtivos. Além disso, a percepção de usar
ferramentas modernas embute um certo orgulho, refletido em mais empenho.

Na empresa 8, foram citados dois benefícios exclusivos. O primeiro foi o


aumento da margem de contribuição dos produtos. Segundo o executivo, a
formação de preços dos produtos depende de uma série de variáveis, que
envolvem, por exemplo, custos dos insumos, diferenças de alíquotas de impostos
para determinados estados, custos variáveis de fretes, dentre outros. Assim, um
sistema informatizado que contemple estas variáveis permite o aumento da margem
de contribuição, por viabilizar uma análise mais precisa e em tempo hábil.
148

Outro benefício citado foi a redução do custo de não investir. Algumas


decisões foram tomadas considerando que o não investimento teria conseqüências
potenciais negativas. Um exemplo foram os investimentos em segurança da
informação (firewall e antivírus). Apesar dos retornos não serem mensuráveis
facilmente, uma falha na segurança poderia trazer prejuízos consideráveis. Assim,
represar certos investimentos pode imputar custos posteriores.

O último benefício, citado unicamente na empresa 9, foi a possibilidade de


atendimento de necessidades técnicas. Segundo as informações, a empresa deve
respeitar uma série de exigências sanitárias, as quais, sem o suporte da TI,
dificilmente seriam atendidas. Portanto, a TI pode auxiliar nesse quesito, viabilizando
o atendimento de imposições legais, tais como a rastreabilidade, desde a recepção
da matéria-prima até a entrega do produto acabado ao cliente.

Verifica-se que, de modo geral, os benefícios citados pelos entrevistados


não destoam daqueles apresentados na literatura consultada. Há, aparentemente,
uma predominância de benefícios tangíveis, especialmente quando se trata da
redução de custos. Mesmo assim, dentre os benefícios esperados, há uma
participação relevante de retornos intangíveis ou de difícil mensuração objetiva.

Percebe-se ainda que alguns benefícios são de ordem estratégica. Eles


podem afetar direta ou indiretamente a geração atual ou futura de receitas, sendo
isso parte integrante do processo de avaliação. Em adição, também podem permitir
uma verticalização da empresa, ao viabilizar a execução de novas atividades.

O executivo da empresa 1, por exemplo, citou que uma das motivações


na escolha do ERP foi a capacidade de permitir que novas empresas fossem
adquiridas e, dentro de um espaço de tempo aceitável, ter suas operações
integradas à empresa adquirente. Portanto, a TI deveria permitir que os
direcionamentos estratégicos, ligados à expansão da empresa através de
aquisições, fossem viabilizados.
149

5.5.2.3 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO

A questão seguinte tratou dos métodos de avaliação utilizados para


justificar os investimentos. Tendo em vista a quantidade de retornos citados pelos
executivos, também era esperada certa quantidade de métodos de avaliação para
avaliar todos estes tipos de retornos. As respostas estão sumarizadas no quadro 19.

Métodos de Avaliação \ Empresas (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9)
ROI - Return on investiment 1 1 1 1 1 1
Feeling 1 1 1
Período de payback 1 1
Avaliação técnica dos fornecedores 1
Medidas operacionais diversas 1
Impacto no EBITDA 1
Redução de perdas 1
Ferramenta de avaliação de qualidade 1
Análise do gap entre situação atual e desejada 1
Análise da flexibilidade da solução
Quadro 19 - Métodos de Avaliação Relatados pelos Entrevistados
Fonte: Elaborado pelo autor

Em duas empresas (5 e 9), os entrevistados registraram que não há um


método específico de avaliação. As justificativas, nesses casos, não seguem uma
análise formal, tampouco utilizam qualquer método padronizado de avaliação. Nelas,
são usadas avaliações ad hoc, com critérios estabelecidos de acordo com a
circunstância, mas sem qualquer definição a priori.

O método mais utilizado é o ROI (return on investiment), sendo relatado


em seis das nove empresas pesquisadas. Nas empresas 1 e 3, o ROI é utilizado
especificamente para avaliar os projetos categorizados como de redução de custos.
Nas demais empresas que utilizam este método, sempre que há algum tipo de
retorno mensurável através de parâmetros financeiros, sejam eles de redução de
custos e/ou de aumento de receitas, bem como parâmetros operacionais, o ROI é
empregado. Segundo os entrevistados, esta aplicação é direta e não levanta dúvidas
substanciais, uma vez que é relativamente fácil de se entender e de comunicar.

Na empresa 2, por exemplo, o executivo citou uma análise de ROI para


justificar a troca do parque instalado de impressoras, copiadoras e aparelhos de fax
por equipamentos mais modernos, que integravam todas estas funções. Este projeto
150

de infra-estrutura, que consumiu recursos financeiros substanciais, foi justificado


através de uma análise típica de ROI.

Tal predominância do ROI como método de avaliação é, de certa forma,


esperada. Em primeiro lugar, há uma quantidade substancial de referências a este
método, tanto na literatura acadêmica como profissional sobre TI. Assim, é de se
supor que os profissionais dessa área tenham maior contato com o ROI. Em
segundo lugar, sua apresentação é objetiva, através de um indicador quantitativo.
Decorre disto, o terceiro ponto que é a clareza do resultado, não deixando, quando
aplicado devidamente, margem para dúvidas. Por último, o ROI apresenta uma
vantagem associada à facilidade de entendimento por parte dos gestores. Este
último aspecto é relevante para a adoção de métodos de avaliação.

A segunda forma de avaliação utilizada na justificativa dos investimentos


mais citada foi o emprego da intuição (feeling). Apresentada na literatura consultada
como um meio de justificativa aplicado por muitas empresas, ela foi registrada em
três das nove empresas pesquisadas (3, 4 e 8).

Segundo o entrevistado da empresa 3, ainda que não seja considerado


um método objetivo e careça de formalidade e objetividade na apresentação dos
resultados, a intuição é usada predominantemente em projetos categorizados como
de experimentação (estratégicos). Isso se justifica pelos retornos tipicamente de
difícil antecipação e mensuração, apesar de serem entendidos como fundamentais
sob os pontos de vista competitivo e estratégico. Nestes tipos de projetos, pela sua
importância, a diretoria executiva costuma participar das decisões, baseando-se
parcialmente em expectativas subjetivas.

Na empresa 4, mesmo a área de TI estando ligada à área de


controladoria, cujas análises geralmente são fortemente embasadas em critérios
quantitativos (financeiros e/ou operacionais), alguns projetos são justificados
intuitivamente. Isto é usual naqueles cujos benefícios são associados ao aumento da
qualidade de gerenciamento, uma vez que, muitas vezes, seus resultados não são
diretamente atribuíveis a tais investimentos, tampouco são quantificados facilmente.
151

Na empresa 8, a intuição se faz presente mesmo em decisões de


investimentos cujos retornos possam ser mensurados objetivamente. Em alguns
casos, as expectativas de retornos, quando sujeitas a poucos fatores de risco,
podem ser analisadas apenas de maneira subjetiva. Em outras palavras, mesmo não
sendo os retornos mensurados de maneira apurada, a percepção do retorno já pode
ser utilizada como justificativa para a realização do projeto. Naqueles cujos retornos
esperados são aumento de receita e/ou de margem de contribuição, por exemplo,
mesmo não havendo um cálculo minucioso da variação nestas duas variáveis, as
justificativas podem ocorrer com base apenas na expectativa positiva de impacto.

Isto acontece também em função do custo de mensuração dos benefícios


em alguns projetos. O esforço para avaliar financeiramente certos investimentos
embute um custo, por vezes, alto quando comparado aos retornos esperados. Uma
vez tendo a percepção positiva do retorno esperado, mesmo não conhecendo
exatamente os valores envolvidos, e admitindo um alto custo de avaliação, a intuição
pode prevalecer nesses casos.

Duas outras empresas (2 e 3) citaram o período de payback como uma


forma de avaliação. Este método é aplicável a projetos cujos retornos são
financeiros e mensuráveis. É importante salientar que tais empresas também citaram
o ROI como método usado, registrando que esses dois métodos podem ser usados
complementarmente, a fim de gerar uma análise financeira mais completa.

A empresa 1 complementa a análise com uma avaliação técnica dos


fornecedores. Ela utiliza-se de uma estratégia conhecida como try-buy, que envolve
a colocação da solução de TI por parte do fornecedor para um período de testes,
sem que haja o firmamento do contrato. Assim, permite-se uma avaliação técnica da
solução previamente à sua implantação e a observação dos seus resultados
potenciais. Caso as expectativas técnicas e de benefícios sejam atingidas, a solução
pode ser adotada e o investimento realizado.

O executivo da empresa 4 indicou que um outro método é a avaliação de


um conjunto de medidas operacionais das mais diversas áreas da empresa. Todos
152

os investimentos realizados na empresa, inclusive os relacionados à TI, devem gerar


impactos positivos em tais indicadores, parcialmente ou totalmente.

Estes indicadores são divididos em seis categorias. São elas: corporativo,


logística, industrial, suprimentos, controladoria e recursos humanos. A categoria de
controladoria, por sua vez, é subdividida nas seguintes subcategorias: contabilidade,
controle financeiro, custos e orçamentos e tecnologia. Nesta última subcategoria, há
indicadores como: índice de utilização de handhelds, índices de reclamações
relacionados ao desenvolvimento de aplicações e aos atendimentos aos usuários,
dentre outros. Estes indicadores são continuamente acompanhados pelo
departamento de controladoria e utilizados para fins de avaliação do desempenho.

O executivo da empresa 6 pontuou que todos os investimentos realizados


devem ter um impacto positivo no EBITDA (earnings before interests, taxes,
depreciation and amortization) ou LAJIDA (lucro antes dos juros, impostos,
depreciação e amortização) da empresa. Esta medida indica a geração de caixa
operacional e é utilizada como parâmetro de avaliação. Portanto, segundo a prática
adotada internamente, todas as iniciativas devem gerar uma conseqüência positiva
nessa geração de caixa.

Nesse aspecto, é importante frisar que, em alguns casos, determinar


claramente o real impacto esperado no EBITDA, a partir de uma iniciativa isolada é
uma tarefa com alto grau de complexidade. Nessas circunstâncias, segundo o
executivo, mesmo não sendo possível a mensuração apurada, a percepção da
realização desse impacto é utilizada no momento da decisão.

A empresa 7 recorre a dois outros métodos que suportam as decisões. O


primeiro é a perspectiva de redução de perdas com a adoção de determinadas
tecnologias, principalmente as voltadas para automação industrial. Segundo o
executivo, a fim de manter a competitividade dos produtos industrializados e
comercializados, o processo produtivo deve ocorrer com o mínimo de perdas. A
tecnologia permite auferir este tipo de benefício e indicadores de redução de perdas
são utilizados como critérios de justificativa.
153

O outro método de avaliação apontado é uma ferramenta de verificação


de qualidade que está em implantação. Tal ferramenta permitirá verificar a qualidade
de processos empresariais, os quais podem ser usados para justificar certos
investimentos em TI. Assim, a percepção de melhoria de indicadores de qualidade
pode ser utilizada como critério de justificativa dos investimentos.

A empresa 8 ainda apresentou outros dois métodos de avaliação. Nas


discussões internas para justificar os projetos, são verificados o estado atual de uma
determinada variável e/ou situação e o estado desejado. Em seguida, verifica-se
como a TI pode contribuir para reduzir essa diferença. Caso se conclua que a TI
possa auxiliar nessa aproximação, este é um indicativo favorável ao investimento.

O outro método é a análise comparativa das soluções de TI no que se


refere à flexibilidade proporcionada. Esta análise visa a garantir interoperabilidade
das soluções e manutenção de sua vida útil. Segundo o executivo, o ambiente de
negócios atual é muito volátil, implicando em mudanças freqüentes nas
circunstâncias de trabalho. Se as soluções de TI permitirem que a empresa seja
suficientemente flexível para lidar com diferentes cenários, essa tecnologia pode
conferir valor à empresa.

5.5.2.4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DE RISCOS

Esta questão permite verificar se e como os riscos associados aos


projetos de TI são considerados no processo decisório. Em adição, permite
relacionar os possíveis tipos de riscos assumidos com os projetos. Assim, para cada
empresa pesquisada, buscaram-se identificar os riscos esperados e como eles são
analisados, caso o sejam.

Os executivos da empresa 1 registraram que o maior risco que se corre é


não investir em TI. Segundo eles, a empresa depende fortemente de tecnologia,
tanto nos âmbitos administrativo como produtivo, forçando sua adoção. Caso a
empresa não utilize plenamente a TI, há um forte risco de obsolescência tecnológica,
impactando diretamente e negativamente na sua competitividade e,
conseqüentemente, nos seus resultados.
154

A empresa lida com os riscos de duas maneiras. A primeira é através do


uso de implantações piloto, nas quais algumas plantas ou unidades utilizam
inicialmente a solução. Em seguida, após percebidos os resultados, é que as demais
plantas ou unidades da empresa iniciam o uso da solução de maneira definitiva.

Esta abordagem tem dois objetivos principais. O primeiro é permitir


verificar a realização dos resultados esperados com o projeto, em termos financeiros
ou operacionais. Mesmo que o projeto piloto não seja na escala completa, sua
utilização permite antecipar os resultados e sua avaliação. O outro objetivo é
proporcionar uma oportunidade de aprendizagem aos gestores e de verificação dos
fatores de risco. Com isto, as incertezas associadas ao projeto podem ser reduzidas
com a implantação do piloto.

Nesse contexto, a empresa costuma lançar mão da estratégia de try-buy,


na qual, antes de ser adquirida, uma solução de TI é implantada para testes. Ela
pode, portanto, fazer um teste em uma determinada unidade ou planta, antes de se
comprometer com a decisão e com o investimento, ampliando a solução para o
restante da empresa posteriormente.

Com essa abordagem, eventuais problemas podem ocorrer em uma


escala reduzida, e serem gerenciados mais facilmente. Em um extremo, com o
prognóstico positivo do projeto, ele poderá ser implantado completamente. No outro
extremo, caso as perspectivas não sejam suficientemente boas ou até mesmo sejam
negativas, o projeto pode ser abandonado ou alterado.

A segunda maneira de gerenciar os riscos na empresa é pelo emprego da


análise de cenários. Segundo os executivos, é realizada uma análise de possíveis
cenários que podem impactar nos resultados esperados do investimento, bem como
o uso da tecnologia. Para cada cenário traçado, seus resultados são estimados,
compreendendo, portanto, a incerteza associada a eles.

Tal análise, no entanto, não é realizada conforme indicações na literatura


sobre avaliação de investimentos sob condições de incerteza. Nestes casos, cada
cenário tem um resultado esperado e uma probabilidade de ocorrência. Ao calcular
155

os resultados esperados ponderados pelas respectivas probabilidades de


ocorrência, tem-se a indicação tanto do resultado como do desvio-padrão
esperados. Este último indica o risco no projeto, que pode ser comparado com o
resultado esperado, a fim de calcular seu grau de dispersão.

Na empresa, a análise de cenários é realizada predominantemente com


uma perspectiva subjetiva, sem quantificação de retorno ou risco. Além dos cenários
serem montados essencialmente de forma subjetiva, seus resultados respectivos
também o são. Ainda assim, este exercício é válido, pois permite que se antecipem
circunstâncias indesejadas relacionadas ao projeto e força os executivos a
discutirem sobre os possíveis desdobramentos futuros e seus impactos. As
informações decorrentes deste exercício são relevantes para o seu gerenciamento.

A empresa 2 aponta um único risco, associado à interrupção do processo


produtivo, em função de decisões inadequadas de TI. Segundo o executivo, o foco
principal de qualquer decisão de investimento, incluindo TI, é o negócio da empresa.
Portanto, a análise desse risco está presente nas discussões sobre investimentos
em TI, sobretudo ao considerar que todos os processos operacional e produtivo
dependem daquela.

Desta forma, verifica-se que o ponto focal de risco é fundamentalmente o


tecnológico. Mesmo assim, não foi relatado qualquer método sistematizado de
análise e quantificação dos riscos, sendo esse processo essencialmente subjetivo.

O executivo da empresa 3 não identificou qualquer risco específico ao


qual os projetos estão sujeitos. Segundo ele, são analisados apenas “riscos claros”,
referindo-se a riscos facilmente verificáveis em cada situação. Portanto, eventuais
fatores de risco de difícil identificação, potencialmente com forte impacto no projeto,
podem ser negligenciados ao longo do processo.

Mesmo assim, segundo ele, há tentativas de mitigar os riscos


identificados, através de mecanismos e recomendações citados na literatura de
gerenciamento dos projetos. Em adição, aqueles projetos mais arriscados ou que
envolvem recursos financeiros mais vultosos são submetidos à apreciação do comitê
156

executivo, a fim de compartilhar os possíveis elementos de risco com os membros


da direção. Com isso, o corpo diretivo tem ciência de possíveis desvios técnicos e de
resultados dos projetos, estando melhor aptos a tomar a decisão.

Como exemplo, o executivo citou o projeto de automação da força de


vendas. Tal projeto dependia fortemente da qualidade dos serviços prestados pelas
operadoras de telecomunicações que proveriam o meio através do qual os dados
seriam transmitidos. Caso os meios não funcionassem adequadamente,
principalmente em áreas distantes dos grandes centros urbanos (onde parcela
considerável dos clientes está localizada), o projeto não geraria todos os benefícios
esperados, podendo, ao contrário, gerar problemas operacionais e insatisfação por
parte destes clientes.

Assim, um fator de risco ponderado no projeto citado foi a qualidade dos


meios de transmissão dos dados. Porém, não houve uma mensuração em termos
monetários, por exemplo, do impacto no resultado em decorrência de uma eventual
falha nas conexões. Para o executivo, tal avaliação talvez implicasse em certo grau
de complexidade, uma vez que os valores financeiros seriam de difícil estimativa.

O entrevistado na empresa 4 também não citou qualquer risco específico


ao qual os projetos estão sujeitos. Segundo ele, o atenuante é que a empresa não
costuma partir para “soluções como cobaia”. Essa estratégia de não ser um early
adopter confere menos riscos aos projetos, tornando os benefícios esperados mais
previsíveis.

Como forma de minimizar os riscos e tornar os resultados menos incertos,


a empresa, sempre que possível, prioriza fornecedores históricos, antes de
considerar novos provedores de serviços. Portanto, o desempenho passado dos
fornecedores habilita novas contratações, além de priorizá-los em situações de
várias alternativas. Apesar disso, é prática comum analisar várias opções de
fornecedores, de maneira a ampliar as possibilidades disponíveis.
157

A empresa 5 não analisa formalmente os fatores de risco dos projetos,


não havendo qualquer método sistematizado de avaliação. Também não foi
destacado qualquer tipo específico de risco ao qual os projetos estão sujeitos.

Na empresa 6, os riscos mais observados são os de natureza financeira,


na forma de impactos negativos no fluxo de caixa. Ainda que nem sempre sejam
mensurados objetivamente, possíveis impactos negativos no fluxo de caixa ou
projetos que requeiram recursos financeiros mais vultosos podem ser submetidos à
apreciação nas reuniões mensais do comitê executivo. Tal submissão, no entanto,
somente é realizada para aqueles projetos considerados mais arriscados, nos
moldes da empresa 3.

O entrevistado na empresa 7 também registrou não haver um método


formal de consideração e avaliação do risco nos projetos de TI. Segundo ele, tal
formalização não é requerida pelo “baixo risco em relação ao tamanho da empresa”,
implicando em uma gestão de riscos não tão intensa. Além disso, ao serem
comparados os possíveis riscos com os benefícios potenciais dos investimentos em
TI, chega-se à conclusão de que os riscos não são relevantes a ponto de demandar
uma análise mais apurada.

Porém, um fator de risco específico foi ressaltado. Há uma preocupação


com o uso inadequado ou até mesmo o não uso dos sistemas informatizados. Esses
casos são considerados como problemas e, dessa forma, devem ser evitados, sob
pena de inviabilizar os retornos esperados a partir dos investimentos. Segundo o
entrevistado, investir em treinamento tem como um dos objetivos minimizar essas
situações adversas.

A empresa 8 considera dois riscos principais nos investimentos em TI. O


primeiro é a interrupção das atividades operacionais. Segundo o executivo, na
decisão de troca do ERP, por exemplo, esse aspecto foi bastante discutido, uma vez
que os acionistas da empresa não aceitariam interrupção das atividades, o que
implicaria em perda de faturamento.
158

O outro risco é a eventual falta de capacidade de gerenciamento


ocasionada por algum problema relacionado à TI. Como as operações da empresa
dependem fortemente da TI, uma interrupção implicaria na incapacidade de
gerenciar as atividades operacionais e produtivas. Mesmo com estes dois riscos
apontados, não há um método sistemático de avaliação dos riscos assumidos nos
projetos de TI.

Os entrevistados na empresa 9 não registraram qualquer método formal


empregado para analisar os riscos. Mesmo assim, eles citaram três tipos de riscos
aos quais os projetos de TI estão expostos.

O primeiro é a interrupção do processo produtivo ocasionado por falhas


na TI. Segundo eles, a dependência dos processos baseados em relação à TI faz
com que este risco seja bastante relevante. Apesar de haver planos de contingência
operacionais, nestas circunstâncias a empresa não consegue operar plenamente.

O segundo fator de risco é a existência de paradigmas por parte dos


usuários que podem dificultar a adoção de determinadas tecnologias, possivelmente
as mais inovadoras. Na visão dos executivos, a não adoção de novas tecnologias
configura-se como um problema potencial, pois pode impactar diretamente no fluxo
das atividades operacionais da empresa, na medida em que concorrentes podem se
modernizar tecnologicamente e ganharem alguma vantagem competitiva sobre a
empresa. A fim de evitar tais problemas, o respondente assegurou que a empresa
investe em treinamento e conscientização dos usuários, cuja expectativa é minimizar
eventuais situações de utilização parcial ou inadequada dos sistemas implantados.

O terceiro fator de risco é reflexo de uma particularidade desta empresa.


Ela faz parte de um conglomerado empresarial que atua em vários setores de
atividade. Esse conglomerado possui uma área de TI responsável por todas as
empresas do grupo, definindo políticas e direcionamentos aos investimentos. Apesar
disso, as empresas participantes do grupo têm uma certa autonomia para decisões.

Sendo assim, suas decisões estão, em parte, subordinadas às


corporativas. Portanto, há um risco de que as iniciativas de investimentos em TI não
159

sejam aceitas por parte da superintendência de TI do grupo empresarial, situação


esta que exige esforço adicional para justificar os investimentos para este outro nível
decisório.

Percebe-se que o maior fator de risco considerado nos investimentos em


TI é a interrupção das atividades operacionais. Três empresas (2, 8 e 9) relataram
esse risco, indicando a tentativa de evitá-la sob vários aspectos. Os executivos
destas empresas foram bastante enfáticos ao registrar a importância de manter as
“máquinas funcionando” e que a TI tem participação destacada nesse
funcionamento. Os demais fatores de risco foram citados isoladamente pelos
executivos.

No entanto, percebeu-se também que esse fator de risco tinha uma


perspectiva predominantemente técnica, apesar das implicações operacionais e
financeiras serem claras para os executivos. Em todo caso, não foi citado qualquer
método de análise e mensuração do risco.

O quadro 20 resume os fatores de riscos citados pelos executivos. Pode-


se perceber que nem todas as empresas relataram a existência de tais fatores e,
desta forma, eles não são considerados.

Riscos \ Empresas (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9)
Paralisação do processo produtivo e da operação 1 1 1
Risco do não uso da TI 1
Riscos financeiros 1
Treinamento inadequado dos funcionários 1
Risco de gerenciamento 1
Paradigma de usuários 1
Não convencimento da TI corporativa 1
Quadro 20 - Riscos Relatados pelos Entrevistados
Fonte: Elaborado pelo autor

O quadro 21 resume como os fatores de riscos são tratados nas


empresas pesquisadas, demonstrando que algumas empresas não consideram os
fatores de risco sobre os projetos.
160

Tratamento dos Fatores de Risco \ Empresas (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9)
Projetos mais arriscados são submetidos ao comitê 1 1
Uso de projeto piloto 1
Análise de cenários 1
Não é early adopter 1
Analisa várias opções de fornecedores 1
Prioriza fornecedores históricos 1
Não analisa formalmente 1
Quadro 21 - Tratamento dos Fatores de Risco
Fonte: Elaborado pelo autor

5.5.2.5 REAVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS

Uma questão relevante na análise dos projetos de investimentos refere-se


à sua reavaliação. Como os projetos são tipicamente sujeitos a alguns fatores de
risco, além de terem horizontes temporais relativamente longos, é interessante
observar se há uma prática de reavaliação dos seus andamentos. Essas
reavaliações são percebidas primordialmente em casos nos quais o
desenvolvimento do projeto não acontece conforme previsto inicialmente e,
conseqüentemente, a expectativa dos resultados seja reduzida.

De modo geral, o resultado obtido com a pesquisa apontou dois grupos


distintos de empresas no que se refere a esta prática. O primeiro grupo, formado
pelas empresas 2, 4, 5 e 8, respondeu que não havia uma reavaliação sistemática
dos investimentos em TI. De forma geral, para elas, somente quando ocorre algum
problema é que reavaliações são conduzidas. O outro grupo, formado pelas
empresas 1, 3, 6, 7 e 9, ao contrário, informou que há reavaliações sistemáticas e
previstas no processo orçamentário.

Dentro do primeiro grupo, a empresa 4 justificou a causa desta não


sistematização pelo baixo histórico de problemas nos projetos de TI. Como
decorrência dos procedimentos de gerenciamento de risco, não adotando soluções
inovadoras e priorizando fornecedores já conhecidos, há poucos problemas
registrados com os projetos de TI, justificando esta decisão. Somente quando há
algum problema específico, ele é tratado e as providências são tomadas.

O executivo da empresa 5, apesar de ter informado a não sistematização


de reavaliações dos investimentos em TI, pontuou que isto é fundamental e que a
161

diretoria está sensibilizada para esta prática. De acordo com ele, o processo
orçamentário está sendo implantado na empresa, o que contemplará o orçamento e
as revisões orçamentárias de todos os projetos da empresa, incluindo os
relacionados à TI. Com isso, um processo que atualmente é realizado somente
quando necessário, de maneira ad hoc, passará a ter também uma recorrência
sistematizada.

No outro grupo, de forma geral, as empresas gerenciam os orçamentos


de investimentos e gastos com TI dentro do orçamento empresarial. Todas elas
realizam previsões orçamentárias para o prazo de um ano, que sofrem revisões ao
longo desse período.

A empresa 3, por exemplo, tem o planejamento orçamentário de TI


realizado juntamente com o business plan anual. A diretoria se reúne e verifica todos
os projetos, específicos de TI e de outras áreas, a fim de estabelecer prioridades
para o próximo ano. Ao longo do ano, nas reuniões de diretoria, são realizadas
apresentações dos status dos projetos, enfocando aspectos como prazos, custos,
recursos necessários e resultados. Quaisquer desvios nessas variáveis são objeto
de análise e eventuais reavaliações.

Além disso, requisições de novos investimentos podem ser solicitadas a


qualquer momento. Caso sejam valores vultosos, elas são submetidas às reuniões
periódicas da diretoria para decidir se serão colocadas como prioridade, mesmo que
em detrimento de outros projetos.

Outro aspecto que pode conduzir a reavaliações e reprogramações na


empresa 3 é a premissa orçamentária estabelecida para os desembolsos totais com
TI. Segundo essa premissa, o total de investimentos e gastos com TI não deve
superar 1% da receita do período. Sendo assim, caso essa relação apresente um
percentual superior à meta, reavaliações nos projetos são necessariamente
realizadas.

Na empresa 9, as revisões orçamentárias são trimestrais. Em tais


ocasiões, os investimentos em TI podem ser reavaliados. Os entrevistados citaram,
162

por exemplo, que, em uma dessas revisões, foi determinado que novos módulos do
ERP deveriam ser implantados, o que requereria desembolsos com consultoria e
treinamento. Como decorrência dessa decisão, logo em seguida, foi percebida a
necessidade de aumentar o link de comunicação com a holding, exigindo
investimentos adicionais, não previstos no orçamento original.

5.5.2.6 AVALIAÇÃO DOS PROJETOS EM ETAPAS

A partir desta questão, passa-se a verificar diretamente a viabilidade de


utilizar os conceitos de opções reais para avaliar os projetos de investimentos em TI.
Sendo assim, foram levantadas questões a fim de identificar essa adequação.

A presente questão busca identificar se os projetos são analisados em


etapas, tal qual a abordagem de opções reais sugere. Caso o sejam, abre-se uma
possibilidade de aplicação.

De forma geral, os entrevistados de todas as empresas participantes da


pesquisa registraram fazer a análise e a execução dos projetos em etapas. Alguns
com mais freqüência do que outros e em diferentes circunstâncias.

Os entrevistados da empresa 1 informaram que, dependendo do projeto,


ele é analisado em etapas. Aqueles mais abrangentes e de maior porte normalmente
o são. Um caso típico é a implementação parcial dos projetos em uma ou poucas
plantas da empresa. Com essa estratégia, os benefícios podem ser parcialmente
avaliados, além de não implicar em uma decisão mais abrangente por parte da
empresa, e, posteriormente, o projeto é ampliado para as demais plantas localizadas
nas diferentes regiões do país. Esta última conseqüência permite que projetos mal
sucedidos sejam contornados mais facilmente.

O entrevistado da empresa 2 confirmou que os projetos são analisados e


executados em etapas. Ele citou como exemplo um sistema de controle do
enchimento dos silos de castanhas. Por sua complexidade e relevância na
produção, ele foi analisado e implementado em etapas, a fim de evitar problemas
operacionais ligados à interrupção do processo produtivo. Portanto, o sistema foi
163

implantado em partes, cujos inícios somente eram aprovados caso a etapa anterior
fosse bem sucedida.

Na empresa 3, o entrevistado também confirmou essa prática. Segundo


ele, os “projetos parcialmente dependentes de outros são analisados em etapas”.
Como exemplo, ele citou um projeto que estava em análise e que apresentava cinco
possíveis desdobramentos, os quais poderiam ser aceitos concomitantemente ou
não. Apesar de não poder entrar em detalhes, sob o argumento de que é um projeto
estratégico e, como tal, não poderia ser divulgado, o entrevistado assegurou que,
neste caso, a análise foi realizada considerando as etapas intermediárias e não o
projeto como um todo. Até mesmo porque isto não poderia ser realizado, uma vez
que os desdobramentos possíveis não estavam suficientemente claros para serem
avaliados de maneira apurada no momento inicial. Seria necessária a finalização de
uma etapa, a fim de que mais informações fossem disponibilizadas e algumas
incertezas resolvidas. Somente a partir deste ponto e com mais informações, as
novas etapas poderiam ser executadas.

Em outro caso, o entrevistado citou o projeto de roteirização dos


caminhões de entrega. Este projeto consistia em adquirir um sistema que elabora,
de maneira otimizada, as rotas dos caminhões de entrega, a fim de minimizar custos
de transporte e agilizar o atendimento aos clientes (dois benefícios diretos a partir do
investimento). No entanto, este projeto depende de adaptações no sistema de
controle e gerenciamento dos clientes. Algumas informações deveriam ser
implementadas e coletadas no sistema, tais como a latitude e a longitude do cliente
e os horários de recebimento das mercadorias. Portanto, o projeto principal depende
de um projeto anterior, que serve como base para aquele. O projeto anterior, se
analisado de forma isolada, provavelmente, não geraria valor positivo para a
empresa, contra-indicando sua aceitação. Porém, ele, na realidade, é base sobre a
qual a outra etapa poderia ser realizada.

O entrevistado da empresa 4 respondeu que os projetos são analisados e


implementados em etapas. Para ilustrar, foi citado o sistema de automação
comercial. Segundo ele, os diretores consideram os processos comerciais
fundamentais para o bom desempenho da empresa e costumam apoiar
164

completamente as iniciativas. Neste exemplo, o sistema de automação comercial,


dada sua complexidade, foi concebido em três etapas.

A primeira etapa foi a colocação em funcionamento da solução off-line.


Essa etapa, além de prover informações para a equipe de campo, permitiu os
usuários terem um primeiro contanto com a solução, sendo uma importante prova de
uso. O investimento realizado nessa fase não seria desperdiçado em uma eventual
segunda etapa do projeto.

Após esta etapa, foi implantada a solução on-line, na qual a comunicação


passou a ser realizada remotamente. Com isso, alguns benefícios adicionais foram
incorporados à solução. O acesso às informações passou a ser em tempo real,
agilizando a tomada de decisão em campo. Em segundo lugar, o tempo requerido
para enviar os pedidos foi reduzido substancialmente, uma vez que os vendedores
não teriam mais que se deslocar para uma base. Outro ponto foi a agilidade ganha
com a entrega dos produtos aos clientes, conferindo uma vantagem frente a alguns
concorrentes diretos.

A última fase do projeto foi a implantação do processo de verificação de


consistência dos dados dos clientes e dos pedidos, bem como o acesso a
promoções, ambos de forma on-line. Essa última etapa envolveu análise e
implementação mais complexas, requerendo a concepção da verificação
automatizada de consistência dos dados dos pedidos (processo anteriormente
realizado de maneira manual por colaboradores na empresa) e alterações no ERP, a
fim de permitir essa versão.

Ao confirmar as avaliações dos projetos em etapas, o entrevistado da


empresa 5 citou um exemplo na área de suprimentos. Como há uma necessidade
muito grande de aquisições, o sistema informatizado de gerenciamento de compras
foi implantado inicialmente com parte dos produtos. Paulatinamente, foram
incorporados produtos de outras categorias até abranger completamente todos os
insumos adquiridos pela empresa.
165

Após a incorporação de todos os produtos no sistema, a primeira etapa foi


consolidada e abriu-se uma oportunidade para a ampliação deste projeto. Pôde-se
partir para a segunda etapa: a implantação da cotação e do leilão eletrônico, cuja
situação dependia do sucesso da primeira etapa.

A abordagem alternativa seria a implantação completa do gerenciamento


de compras, cotação e leilão eletrônico. Pela amplitude do projeto, os riscos
envolvidos poderiam se tornar substanciais. Ao dividir o projeto em etapas, o seu
gerenciamento seria facilitado.

O executivo da empresa 6 respondeu que, dependendo da complexidade,


os projetos eram analisados em etapas. O ERP, por exemplo, pela sua abrangência
nas várias áreas da empresa, custo relevante e importância no processo produtivo,
foi analisado em fases bem definidas. Os benefícios desta forma de análise foram o
melhor gerenciamento e a possibilidade de fazer avaliações intermediárias dos
resultados alcançados. Além de facilitar a análise do desenvolvimento do projeto, as
incertezas podem também ser mitigadas com o passar do tempo e das etapas. Esta
situação foi semelhante à relatada pelo executivo da empresa 7.

O executivo da empresa 8 pontuou uma dificuldade nesse tipo de divisão


da análise. Segundo ele, “certos projetos não têm como voltar atrás”. Ele
argumentou que alguns projetos em TI não apresentam condições de serem
analisados em etapas pela dificuldade de dividi-los e, caso os projetos não sejam
divisíveis, suas análises também não poderão sê-lo.

Os respondentes da empresa 9, por sua vez, informaram que os projetos


são analisados em etapas, sempre que possível. Para eles, essa é uma estratégia
utilizada eminentemente para reduzir o risco. O projeto do ERP, por exemplo, foi
analisado em partes, sendo inicialmente implementados quatro módulos. Em
seguida, após a consolidação dos módulos base, foi implantado o módulo de
qualidade. Este último representou uma melhoria significativa em termos qualitativos
na empresa, que requer sólido acompanhamento dos processos e rastreabilidade
dos produtos.
166

5.5.2.7 AVALIAÇÃO DE OPORTUNIDADES GERADAS PELOS PROJETOS

A questão seguinte busca averiguar se projetos de TI podem gerar


oportunidades futuras de realização de valor, ainda que não apresentem
necessariamente retorno no presente. Busca também averiguar se, nas decisões
sobre investimentos em TI, há a consideração destas eventuais oportunidades
geradas por esses investimentos. Esses pontos são fundamentais para verificar a
adequabilidade da abordagem de opções reais.

Para duas das empresas pesquisadas, 7 e 8, as avaliações dos projetos


de TI, até o momento, nunca consideraram oportunidades que pudessem ser
geradas posteriormente. Segundo os entrevistados, as avaliações restringiram-se
unicamente aos resultados esperados imediatamente e diretamente pelos
investimentos.

As demais empresas pesquisadas evidenciaram que, nos processos


decisórios, havia a consideração de oportunidades. Os entrevistados da empresa 1
comentaram que eventuais oportunidades geradas pelo projeto eram inseridas nas
discussões sobre os projetos de TI. Como exemplo mais relevante, citaram a
decisão sobre o ERP adotado. Segundo as informações prestadas, um dos critérios
que levaram à decisão final foi a sua capacidade de suportar as aquisições de outras
empresas previstas no planejamento estratégico. Algumas alternativas em avaliação
não apresentaram essa capacidade de integração de diferentes plantas de maneira
adequada, sendo excluídas do processo.

O entrevistado da empresa 2, por sua vez, exemplificou esta situação com


a capacidade de implantar uma tecnologia de produção por parte do ERP escolhido.
Segundo ele, apesar de haver algumas alternativas viáveis, reconhecer a
capacidade futura de implantar o gerenciamento da produção foi “fator relevante na
decisão”. Portanto, a decisão final não foi estabelecida somente com base em
resultados atuais. A expectativa sobre uma possibilidade futura foi uma variável
observada na decisão.
167

Na empresa 3, o entrevistado, ao confirmar a atenção a oportunidades


geradas, registrou que são incluídas na decisão sempre que possível. Ele
acrescentou que isto é verificado mais fortemente quando se tem acesso às
decisões estratégicas da empresa. Nessa situação, elas podem ser tomadas de
forma mais adequada, não considerando somente a circunstância atual, mas as
perspectivas que se têm e os possíveis desdobramentos dos projetos. Assim,
mesmo que um projeto tenha retorno atual baixo, pode-se abrir um leque de
oportunidades potencialmente geradoras de resultados extraordinários.

O entrevistado da empresa 5 respondeu que “os projetos maiores são


avaliados quanto aos benefícios imediatos e futuros”. Para ilustrar essas situações,
ele citou dois casos.

O primeiro foi relacionado à escolha do módulo de gerenciamento da


produção. Além de considerar as necessidades atuais, foi verificada a possibilidade
de suportar a implantação posterior da coleta de dados através de dispositivos de
mão (handhelds). Como a empresa possui muitas plantas geograficamente
dispersas e equipá-las com computadores seria bastante oneroso, principalmente
considerando que parcela relevante dos dados seria coletada em campo aberto, o
uso de dispositivos móveis foi uma opção recomendada. Portanto, a decisão sobre o
módulo de produção requereu a avaliação dessa possibilidade posterior.

O outro exemplo apontado pelo executivo foi a possibilidade de


verticalização da empresa. Segundo ele, consta do planejamento estratégico a
ampliação de suas atividades para a área de varejo. Portanto, todos os
investimentos, predominantemente em TI e em produção, estão considerando desde
já esta possibilidade. Mesmo que os investimentos atualmente realizados não
permitam a ampliação de atividades imediatamente, eles devem permiti-la
posteriormente com pouco esforço e investimento adicionais.

Esta visão não descarta, inclusive, a possibilidade de escolher projetos


mais onerosos ou até mesmo com resultado negativo em um primeiro momento,
desde que, em seguida, ele permita que novos patamares de retorno sejam
atingidos.
168

Os entrevistados da empresa 9 foram mais enfáticos com relação a este


ponto. Segundo eles, alguns investimentos em TI “são base para o crescimento
futuro da empresa”. Portanto, as decisões sempre devem contemplar as
perspectivas futuras do negócio, principalmente no que se refere à capacidade
produtiva. A TI, nesse caso, permite a realização das atividades produtivas em maior
escala, proporcionando a preparação devida para responder a eventuais demandas
superiores de seus produtos.

5.5.2.8 CONSIDERAÇÃO DE FLEXIBILIDADE GERENCIAL NOS PROJETOS

Outro pré-requisito para a utilização de opções reais como método de


avaliação de investimentos é a flexibilidade gerencial que os gestores têm no
gerenciamento dos projetos. Sendo assim, a presente questão tem o propósito de
investigar se há flexibilidade nas decisões sobre investimentos em TI nas empresas
pesquisadas.

Apenas o executivo de uma das empresas registrou não haver


flexibilidade gerencial nos investimentos em TI. O executivo da empresa 8 informou
que os investimentos em TI não são passíveis de modificação após seu início. Para
ele, uma vez aceito o projeto, deve-se conduzi-lo completamente. Para tanto, as
análises prévias devem ser bem consistentes, a fim de minimizar problemas
posteriores. Outro motivo para isso, é que o valor residual desse tipo de projeto
geralmente tende a zero, não incentivando seu eventual abandono.

Os entrevistados das empresas 1, 2, 3 e 4 responderam que há


flexibilidade nos projetos de TI. No entanto, não deram informações mais
detalhadas, tampouco expuseram exemplos ilustrativos de tais situações.

O entrevistado da empresa 5, ao responder positivamente a esta questão,


exemplificou através do ERP adotado. Segundo ele, como forma de minimizar riscos
no investimento, o escopo inicial foi reduzido. Os demais módulos somente foram
implementados tendo em vista o sucesso dos módulos inicialmente implantados e o
momento mais adequado para esta ação. Portanto, utilizou-se a prerrogativa de
segmentar o investimento para diminuir incertezas associadas à implantação
completa do projeto. Se uma etapa não fosse bem sucedida, a decisão de avançar
169

poderia ser postergada. Por outro lado, caso fosse finalizada antes do previsto, o
início da etapa seguinte poderia ser antecipado. Em ambos os casos, os gestores
exercem uma prerrogativa gerencial de alterar o andamento do projeto, de maneira a
adaptar-se a alguma modificação circunstancial impactante nas atividades e/ou nos
resultados.

O entrevistado da empresa 6 declarou que há flexibilidade nas decisões


dos projetos em TI. A decisão típica é seguir ou não com determinado projeto (go /
no go). Para ele, essa decisão é tomada normalmente para “defender o fluxo de
caixa” da empresa. Se uma decisão pode comprometer a geração esperada de
caixa, ela é avaliada e pode ser alterada a fim de evitar um impacto negativo.
Analogamente, caso um projeto tenha a capacidade de impactar positivamente no
fluxo de caixa, ele pode ser antecipado ou ampliado.

O executivo da empresa 7 confirmou a existência da flexibilidade


gerencial com o exemplo do WMS (warehouse management system ou sistema de
gerenciamento de armazém, em português). A diretoria executiva optou por
postergar a decisão de investir nesse sistema até um momento mais propício.
Apesar de não especificar exatamente o que configurou-se como o momento mais
adequado, a decisão não foi inflexível, sendo adotada no instante considerado mais
interessante à empresa.

Os entrevistados da empresa 9 exemplificaram este ponto com o sistema


de recursos humanos. A implantação desse sistema foi finalizada em decorrência da
implantação de um sistema na holding do grupo, que seria usado em todas as
empresas da corporação. Apesar da decisão ter sido tomada considerando aspectos
externos, demonstrou-se que não foi necessário completar o projeto inicialmente
aceito, mesmo assumindo um prejuízo financeiro, pois o seu valor residual foi nulo.

Outro exemplo citado foi a antecipação de um projeto por exigência legal.


A filial de São Paulo teve que se adequar ao sistema público de escrituração digital
(SPED), o que exigiu uma antecipação do cronograma originalmente estabelecido.
Tal decisão, naturalmente, impactou em antecipação do fluxo de caixa de
170

desembolso para investimento. Por outro lado, foi uma imposição legal, que deveria
ser necessariamente executada, independente de qualquer retorno esperado.

Segundo os executivos, a flexibilidade gerencial com relação aos


investimentos ocorre também em outras searas da empresa. Em 2008, houve uma
quebra da safra da principal matéria-prima utilizada pela empresa. Em função disso,
o planejamento financeiro teve que ser refeito, principalmente no que se refere a
alguns investimentos. No entanto, segundo eles, o orçamento para os investimentos
em TI não foi alterado, dada a expectativa de aproveitar o momento quando a oferta
normalizasse e a receita operacional voltasse ao normal. Caso os investimentos em
TI fossem cessados naquele momento, quando o nível de atividade normal fosse
retomado, algumas oportunidades poderiam ser perdidas.

5.5.2.9 CONHECIMENTO SOBRE OPÇÕES REAIS

A etapa seguinte direcionou as questões para o conhecimento que os


entrevistados têm sobre opções reais como método de avaliação de investimentos.

A maioria dos entrevistados afirmou não conhecer o método de opções


reais. Apenas executivos das empresas 1, 5 e 8 conheciam esse método. É
importante frisar que os executivos que afirmaram conhecer opções reais têm
histórico acadêmico na área administrativa, em adição ou não à área de tecnologia
de informação.

Em nenhuma das empresas, o método foi utilizado formalmente para


justificar investimentos em TI. Tampouco, houve uma mensuração dos valores das
opções existentes nos projetos.

Em seguida às questões sobre conhecimento e aplicação do método,


para os executivos que declararam não conhecê-lo, foi dada uma breve explicação
dos conceitos de opções reais e quando eles poderiam ser utilizados. Essa
estratégia visou a permitir investigar se, mesmo não conhecendo formalmente o
método, seus conceitos foram aplicados na decisão.
171

Os entrevistados das empresas 7, 8 e 9 registraram que mesmo os


conceitos de opções reais não foram utilizados em decisões de investimento em TI.
Já os entrevistados das demais empresas confirmaram que, em algum momento e
em alguma medida, esses conceitos foram incorporados à análise.

Os executivos da empresa 1 comentaram que o conceito de opções reais


foi usado na determinação do ERP, mas em menor escala. Como os benefícios
esperados pelo investimento não foram somente de realização imediata, havia uma
possibilidade de geração de valor posterior, o que se configurava como uma opção e
não como um resultado determinado a priori. Nas discussões internas previamente à
decisão, foram elencadas situações geradas pela implantação do ERP que tinham
similaridades com decisões contingenciais.

Para um dos executivos da empresa 1, a utilização de opções reais


atualmente nas empresas está para a utilização do método do valor presente líquido
nas empresas há vinte anos. Segundo ele, talvez seja uma questão de tempo para
que as empresas incorporem esta prática em seus métodos de orçamento de capital.
A partir daí, a utilização em projetos de TI seria mais fácil, naqueles casos nos quais
sua aplicação fosse possível.

Por último, foi pontuado que este método embute certo grau de
dificuldade de mensuração. A identificação dos elementos e a projeção de valores
das opções impõem um desafio aos avaliadores.

O executivo da empresa 3 confirmou esta utilização não formal para os


projetos com características estratégicas. Segundo ele, os benefícios esperados de
tais projetos não são facilmente determinados. No entanto, espera-se que esses
projetos abram um leque significativo para gerar valor e aproveitar oportunidades
criadas. Mais uma vez, fez referência a determinados projetos que, por sua natureza
estratégica, não poderiam ser divulgados, mas certamente foram justificados, em
parte, pelas características possíveis de serem mensuradas por opções reais.

O executivo da empresa 6 foi enfático ao afirmar que “em TI, faz todo o
sentido a utilização de opções”. Em determinado caso, um projeto foi dividido em
172

três módulos, a fim de mitigar riscos intermediários e verificar como poderiam ser
aproveitadas oportunidades surgidas pela sua implantação. Sem detalhar, afirmou
que, se não fosse avaliado dessa maneira, o projeto talvez não tivesse sido aceito
pelo comitê. Ressalta-se que não foram realizados cálculos para determinação do
valor das opções embutidas nessa situação. Foram apenas discutidos possíveis
impactos no fluxo de caixa da empresa, sem maior grau de precisão.

O executivo da empresa 8, apesar de registrar a não utilização de opções


reais no processo decisório dos investimentos em TI, afirmou que a empresa já
utilizou em investimentos de outras naturezas, tais como na avaliação de outras
empresas a serem adquiridas. O processo de due diligence (investigação detalhada
de uma empresa para permitir sua avaliação) seria uma forma de opção adquirida.

Ainda segundo ele, em princípio, para projetos de TI não seria viável por
falta de cultura na avaliação quantitativa, pois, na empresa, a avaliação desses
projetos ainda se dá predominantemente de maneira subjetiva. Além disso, ele
registrou também uma possível dificuldade em mensurar, de forma apurada, os
valores das opções nesses tipos de investimentos, haja vista que atualmente já
existe uma dificuldade em prever fluxos de caixa passivos (sem a hipótese de
flexibilidade gerencial).
173

6 ANÁLISE CONSOLIDADA

A presente pesquisa decorreu predominantemente da clara percepção de


que a tecnologia de informação (TI) permeia cada vez mais o âmbito empresarial. Do
ponto de vista operacional, parcela relevante das atividades desenvolvidas pelas
empresas requer o suporte da TI. Do ponto de vista competitivo, muitas empresas
ancoram parte de suas estratégias em tecnologias inovadoras. Do ponto de vista
decisório, tal utilização requer um processo bem estruturado e alinhado aos objetivos
traçados. Do ponto de vista financeiro, com essas circunstâncias, a TI requer
investimentos maciços e recorrentes.

Por esses e outros motivos, analisar e avaliar adequadamente os


investimentos em projetos de TI, a fim de verificar previamente sua viabilidade e
tomar uma melhor decisão, são fatores importantes em uma empresa,
principalmente se ela apresenta uma forte dependência da TI. Além de buscar
subsidiar orçamentos de capital complexos, com algum grau de incerteza e com
prazos longos de maturação, essas avaliações servem aos propósitos de maximizar
o valor gerado pelos investimentos em TI, seja ele quantitativo ou qualitativo.

A presente pesquisa foi conduzida nesse sentido. Em linhas gerais, para


um setor da economia cearense, buscou-se descrever, de maneira tão aprofundada
quanto possível, a prática usada para avaliar e justificar ex-ante os investimentos em
TI, considerando o contexto no qual essa decisão é tomada. Portanto, foram
investigadas as categorias de projetos de investimento em TI, os tipos de benefícios
esperados, os riscos assumidos e os métodos de avaliação empregados.

Em adição, buscou-se identificar se a abordagem de opções reais poderia


ser adequada a esses casos, tendo como base a hipótese de existirem algumas
características indicadoras dessa aplicação, tais como flexibilidade gerencial,
incerteza nos resultados esperados e secção do projeto em etapas. A observância
de tais características permite verificar se a abordagem sugerida é adequada.
174

Para tanto, utilizou-se como objeto de investigação, um setor produtivo


proeminente na economia do estado do Ceará. A indústria alimentícia corresponde a
uma notável parcela do produto interno bruto deste estado, bem como tem
representantes com destacada participação nacional. Elas são também fortes
empregadoras, além de serem intensivas em capital fixo.

6.1 CONSECUÇÃO DOS OBJETIVOS

A pesquisa teve como objetivo principal verificar a adequação do método


de opções reais para avaliar e justificar previamente investimentos em TI por parte
das empresas participantes do estudo. Esse objetivo partiu da hipótese de que tais
projetos de investimentos têm características propícias a esse uso.

De forma a compor esse objetivo geral, objetivos complementares


também foram estabelecidos. Em primeiro lugar, foi essencial descrever os tipos de
projetos de investimento em TI das empresas analisadas. Foi também relevante
classificar os resultados esperados e os riscos assumidos nesses investimentos. Em
seguida, foi verificado se certas características eram associadas aos investimentos
em TI, de maneira a permitir a aplicação de opções reais, e em quais circunstâncias
estas características poderiam surgir.

Em relação ao primeiro objetivo específico, a pesquisa conseguiu


identificar as classificações utilizadas pelas empresas pesquisadas. No entanto, as
respostas pareceram não convergir para uma tipologia única, o que, de certa forma,
reflete a quantidade de classificações observadas na literatura e diferentes graus de
preocupação com essa categorização. Duas empresas sequer classificavam os
projetos de maneira formal, argumentando a não necessidade ou informalidade no
processo decisório.

Algumas classificações eram determinadas não pelo impacto esperado na


empresa, e sim pelo tipo de tecnologia empregada. Três empresas classificam os
projetos dessa forma, dividindo-os em software, hardware e treinamento (ou
suporte), o que pode indicar diferentes métodos de avaliação e benefícios
175

esperados. Mesmo assim, tais categorias possivelmente não identificam


adequadamente as repercussões esperadas no negócio, podendo agrupar projetos
com significativas diferenças de propósitos.

Um projeto que envolva somente o desenvolvimento ou aquisição de


softwares, por exemplo, pode trazer benefícios em termos de redução de custos,
ampliação da base atual de clientes ou melhoria na qualidade do atendimento pós-
venda. Esses três benefícios têm propósitos diferentes e geram diferentes
expectativas de retornos, que, por sua vez, nem sempre são observados em termos
quantitativos ou de forma imediata. Ainda assim, foram agrupados na mesma
categoria.

Projetos que envolvam hardware também podem apresentar situações


similares. Um projeto de infra-estrutura de telecomunicações, por exemplo, pode ser
realizado a fim de permitir a utilização novas aplicações ligadas ao negócio,
proporcionando benefícios futuros decorrentes da implementação de outros sistemas
de informação mais adequados ao negócio. Além disso, essa infra-estrutura poderá
também melhorar a comunicação entre as unidades geograficamente dispersas da
empresa.

Por outro lado, um projeto de segurança, envolvendo a aquisição de


equipamentos de firewall, por exemplo, traz outros tipos de benefícios. Tal projeto
objetiva manter os dados seguros contra invasões e, com isso, evitar prejuízos
decorrentes de eventuais desvios de informações ou ataques à base de dados.

Ambos os casos podem ser analisados e avaliados através de diferentes


métodos, pois proporcionam retornos de diferentes naturezas. Sendo assim, por
esse aspecto, tal classificação talvez não dê suporte adequado aos gestores em
termos de orientação para os benefícios esperados e tampouco para os métodos de
avaliação a serem empregados.

Outras classificações já apontam para uma preocupação com relação ao


que se espera dos projetos. Nestes casos, refletindo melhor a literatura consultada,
espera-se que os projetos tenham uma maior coerência interna em cada categoria,
176

uma vez que apresentam objetivos comuns, independente do tipo de tecnologia


empregado. Em decorrência, tanto benefícios esperados como métodos de
avaliação podem ser melhor associados a cada categoria.

Somente uma das classificações utilizadas evidenciou formalmente uma


percepção estratégica dos investimentos em TI. Apesar de entrevistados em mais
empresas registrarem que a TI tem de fato uma relevância estratégica, este discurso
não é refletido nas categorias de projetos utilizadas da maioria das empresas.

Ainda com relação a esse ponto, percebe-se que os respondentes


demonstraram não aplicar o mesmo nível de importância a esse tipo de
classificação. Se para algumas empresas a segmentação dos projetos é
fundamental, a fim de direcionar os esforços adequadamente, para outras sua
importância sequer impõe a necessidade de estabelecer uma classificação formal.

O segundo objetivo específico refere-se à descrição e classificação dos


resultados esperados e riscos assumidos nos projetos de investimento em TI. Os
resultados mostraram-se também bastante diversos. Ao todo, foram citados dezoito
tipos de benefícios pelos respondentes.

Tais benefícios foram tanto do tipo quantitativo como qualitativo. Apenas a


empresa 3 demonstrou uma predominância dos retornos quantitativos em relação
aos qualitativos. As demais empresas registraram uma ascendência dos retornos
qualitativos. Apesar disso, houve uma indicação muito forte da redução de custos,
sendo declarado em sete das nove empresas pesquisadas.

Um ponto relevante no estudo é a sugestão de que alguns benefícios


podem ser imediatos ou posteriores. Retornos tais como a viabilização de maior
escala de produção e a possibilidade de verticalização denotam uma expectativa
não imediata de retorno. Esses retornos, apesar de não serem mensurados
facilmente, foram citados por alguns entrevistados como parte de importantes
decisões de investimentos, ao lado de outros benefícios de realização imediata.
177

Em relação a esses retornos não imediatos, os executivos registraram


dois pontos de destaque. O primeiro é a dificuldade de avaliá-los, principalmente
quantitativamente. Suas implicações financeiras e/ou operacionais são sujeitas a
muitas variáveis, o que confere certo grau de complexidade e incerteza na previsão
de retornos potenciais. A incorporação dessa incerteza à análise parece embutir um
grau de dificuldade expressivo segundo os respondentes.

O outro ponto é que retornos não imediatos são normalmente associados


a projetos de cunho estratégico, seja em função dos seus longos períodos de
maturação, seja em função da extensão dos impactos na empresa. Portanto,
tipicamente estão sujeitos a condições ambientais, as quais nem sempre a empresa
tem completa ingerência ou capacidade de previsão.

Com relação à mensuração do risco, nenhuma das empresas utiliza


qualquer método de quantificação do risco dos projetos. Apesar de apontarem que
há risco nos projetos, principalmente no que se referem à interrupção do processo
produtivo, eles são considerados somente de maneira subjetiva.

A predominância de benefícios qualitativos e considerações subjetivas


dos riscos assumidos indicam que muitos métodos de avaliação também seguem
uma linha qualitativa. A despeito da indicação do uso do ROI (return on investment)
por seis entre nove empresas pesquisadas, sendo isoladamente o método mais
utilizado, muitos outros métodos objetivam captar retornos qualitativos.

Ainda assim, ficou claro em algumas situações que projetos com retornos
quantitativos esperados, sobretudo os financeiros, foram analisados e justificados
sem uma avaliação financeira detalhada. Nos casos citados, especificamente,
apenas a expectativa de melhoria em indicadores, tais como o EBITDA e a margem
de contribuição dos produtos, foram suficientes para indicar os projetos, mesmo sem
os fluxos de caixa incrementais previstos avaliados.

O terceiro objetivo específico refere-se à verificação da existência de


características que indicam o uso de opções reais por parte das empresas. As
características apresentadas e investigadas foram a análise do projeto em etapas, a
178

verificação de oportunidades geradas por parte de investimentos prévios e a


existência de flexibilidade gerencial.

A maioria das respostas indicou que os projetos são realizados em


etapas. Principalmente, os projetos de maior vulto, mais arriscados e que envolvem
recursos financeiros mais substanciais, são analisados em etapas. Mesmo assim,
foram registrados projetos que tiveram sua análise e execução de modo completo,
dados seus pequenos portes e baixos níveis de incerteza.

Devido a essa possível realização do projeto em etapas, suas análises


poderiam igualmente ser conduzidas em etapas. Essa abordagem oferece vários
benefícios. O primeiro é refletir no processo de avaliação como o projeto será
executado na prática e, possivelmente, como ocorrerão os fluxos de caixa, tornando
aquele mais coerente com a realidade.

O segundo benefício é evidenciado pela incapacidade plena de prever


todos os desdobramentos possíveis do projeto no momento inicial. Portanto, seria
desejável incorporar na avaliação a possibilidade do projeto ser alterado, em algum
momento futuro e decorrente de algum cenário possível. Isso poderia potencializar o
resultado positivo, dada uma circunstância favorável, ou minimizar o prejuízo, em
uma situação desfavorável. A avaliação com essa abordagem permite descrever
possíveis alterações decorrentes de decisões contingenciais no decorrer da
execução do projeto.

O terceiro benefício seria minimizar os riscos assumidos em uma


avaliação ex-ante. Como esse tipo de avaliação é inerentemente incerto pela ainda
não realização dos fluxos de caixa, ao se dividi-lo em etapas passíveis de
inferências maximizadoras de valor, permite-se que resultados intermediários sejam
melhor gerenciados e avaliados, não comprometendo completamente os recursos
em um primeiro momento, quando os resultados mais distantes ainda são bastante
incertos.

De forma semelhante, a maioria das respostas aponta para a observação


de oportunidades geradas com os investimentos realizados. Em alguns casos,
179

mesmo sem benefícios imediatos substanciais, a expectativa de benefícios


potenciais permite avaliar positivamente o projeto, justificando sua incorporação à
carteira de investimentos da empresa.

Tais oportunidades são percebidas predominantemente em projetos de


maior alcance na empresa, ou seja, naqueles que normalmente estão associados a
ações estratégicas, com impactos de longo prazo. Projetos que geram tais
oportunidades são denominados na literatura como “projetos de plataforma”, pois
criam bases sobre as quais podem ser realizados investimentos posteriores com
valores potenciais substanciais.

Essas duas características se somam à capacidade da equipe de


gestores em alterar os rumos traçados, frente a informações surgidas ao longo da
execução do projeto. Assim, de acordo com novas circunstâncias, as respostas
indicam a possibilidade de alterar as decisões, de maneira a aproveitar
oportunidades ou minimizar perdas com eventuais ameaças. Tal possibilidade foi
comprovada pelos executivos quando discorreram sobre os processos de
reavaliação dos investimentos, sejam eles dentro de um cronograma pré-
estabelecido ou sob demanda, quando necessários.

Como a maioria dos entrevistados confirmou que essa é uma


possibilidade real nas empresas, com exceção da empresa 8, conclui-se que as três
características levantadas como essenciais para o uso de opções reais em projetos
de TI são atendidas, segundo a maioria das respostas recebidas.

O último objetivo específico diz respeito às circunstâncias nas quais a


teoria das opções reais pode ser utilizada como método de avaliação e justificativa
dos projetos de investimentos em TI.

Em projetos que conjuguem as três últimas características estudadas


(análise em etapas, geração de oportunidades e flexibilidade gerencial) e que
tenham retornos financeiros quantificáveis, é viável o emprego de opções reais na
avaliação. As respostas recebidas sugerem que parte dos projetos de TI tem estas
características e, dessa forma, poderiam ser avaliados por métodos que consideram
180

formalmente o valor adicionado pelas decisões contingenciais. Mesmo assim, nas


empresas pesquisadas, em nenhum desses projetos foram registradas aplicações
quantitativas de opções reais para justificá-los.

No entanto, as respostas apresentadas sugerem que, mesmo carecendo


da formalização e implementação de qualquer método de cálculo do valor das
opções existentes nos projetos, algumas avaliações incorporam os conceitos
subjacentes a opções reais. Os entrevistados confirmaram que, mesmo sem
conhecer a abordagem de opções reais, a expectativa de oportunidades que
poderiam ser geradas posteriormente com os investimentos foram relevantes na
decisão. Também registraram que os projetos eram gerenciados de maneira flexível
ao longo de sua execução, o que permitia tomar decisões contingenciais
maximizadoras do valor.

Assim, pode-se concluir que a gestão dos projetos de investimentos é


realizada de maneira contingencial, a fim de aproveitar as oportunidades surgidas e
evitar ameaças não contempladas inicialmente. No entanto, na avaliação, essas
oportunidades não são devidamente quantificadas, o que pode comprometer a
qualidade da análise e do processo decisório.

Ao utilizar a abordagem de opções, essa possibilidade gerencial pode ser


captada adequadamente, facilitando o processo de comunicação dos reais e
potenciais benefícios esperados.

Um ponto relevante é que parte considerável dos exemplos citados pelos


entrevistados sugere a existência de opções de expansão. As ilustrações
predominantes destacavam a criação de oportunidades para aumento de resultados
financeiros, ampliação de mercado ou melhorias operacionais.

Em seguida, são listados alguns projetos, práticas gerenciais e


circunstâncias nas quais podem ser associados os conceitos de opções ao processo
de avaliação. Os valores dessas opções, em alguns casos, poderiam ter sido
mensurados, a fim de prover informações mais objetivas aos executivos para
subsidiar suas decisões.
181

A prática de implantar pilotos de projetos por parte da empresa 1 pode ser


avaliada diretamente através de opções reais. Quando se realiza um piloto para um
projeto, a fim de verificar se os resultados prévios são positivos, na realidade, está
sendo feita uma tentativa de resolver determinadas incertezas que não permitem um
compromisso firme maior no início, dada a incapacidade de antever todas as
possibilidades relacionadas ao projeto. Sendo assim, o projeto piloto permite
resolver incertezas e tomar decisões contingenciais em um momento posterior com
mais informações. Tais decisões são geralmente associadas à expansão do projeto
piloto.

Nesse caso, um projeto piloto guarda forte semelhança com uma opção
de compra. Ao implantar um piloto, a empresa está gerando uma opção que pode ou
não ser exercida posteriormente, conforme seja a observação das circunstâncias
posteriores e seus resultados parciais. Assim, o projeto piloto representa a aquisição
da opção de compra (prêmio pela opção) e a decisão posterior assemelha-se ao seu
exercício. Os benefícios potenciais decorrentes da decisão de fazer a implantação
completa da solução somente serão realizados com seu exercício, dado um cenário
positivo para o exercício (opção in-the-money). Em um cenário não propício ao
exercício da opção (out-of-the-money), a empresa não tem a obrigatoriedade de dar
continuidade com a implantação completa do projeto. Nesse caso, ele pode ser
encerrado ou outras alternativas podem ser avaliadas, evidenciando a flexibilidade
gerencial típica.

Nas situações em que são usadas a estratégia de try-buy, o custo de


adquirir a opção tende a ser zero. Nesses casos, uma vez que o ônus fica a cargo
do fornecedor que implanta o piloto, a empresa 1 não incorre em custos. Portanto,
ela consegue adquirir uma opção sem realizar o investimento para tal e o
desembolso efetivo de caixa será realizado somente na hipótese do projeto ser
aceito.

Ainda na empresa 1, outra situação pode ser considerada como


adequada aos conceitos de opções. Segundo os executivos, a escolha do ERP foi
tomada parcialmente com base nas expectativas de futura expansão do negócio
através da aquisição de outras empresas. Assim, o ERP deveria permitir a
182

agregação de novas empresas, de maneira a evitar a coexistência de sistemas


diferentes.

Os conceitos de opções podem ser observados neste critério de decisão.


Em primeiro lugar, os benefícios esperados não são formados apenas por retornos
imediatos. Espera-se que, dada uma situação de aquisição de outra empresa, o ERP
permita tal decisão sem maiores restrições. Os benefícios diretos dessa integração
incluem a manutenção de apenas um ERP na corporação, o compartilhamento da
infra-estrutura disponibilizada, a otimização da equipe de suporte, não necessidade
de investimentos em sistemas que permitam a integração entre sistemas diferentes
e outros benefícios qualitativos devidos à utilização de um único ERP.

Em segundo lugar, talvez um ERP, que permita tal integração no futuro,


tenha maior custo de investimento no presente. Essa diferença entre os custos de
aquisição no presente representa o prêmio que se paga por esta flexibilidade futura.
Por outro lado, tal prêmio pago hoje confere um valor adicional ao projeto em termos
de flexibilidade, que pode ser traduzida em economia de desembolsos operacionais
e/ou aumento de receita em uma eventual agregação de outras empresas.

Assim, a decisão sobre o ERP conceitualmente pode ser comparada


também a uma opção de compra. Pagou-se um prêmio pela possibilidade futura de
incorporar outras empresas, auferindo retornos, tais como: aumento de receita e/ou
redução de desembolsos. A decisão sobre o ERP, portanto, foi similar a uma
aquisição de opção de compra. Ela somente será exercida e o seu valor realizado
caso as circunstâncias sejam adequadas.

Na empresa 2, a decisão sobre o ERP também evidenciou o uso dos


conceitos de opções. Sua escolha baseou-se parcialmente na capacidade posterior
de implantação do gerenciamento do processo produtivo. Como o direcionamento
mais forte de todas as decisões de investimento é para o negócio principal, ter a
capacidade futura de gerenciar as atividades produtivas confere um valor adicional
em termos administrativos e financeiros.
183

Assim, o investimento no ERP mostrou-se similar a uma opção de


expansão. O investimento realizado para sua aquisição (prêmio pela opção de
compra) permite um investimento adicional no futuro (preço de exercício), a fim de
obter os retornos esperados do sistema de gerenciamento da produção (ativo-
objeto).

O executivo da empresa 3 registrou a possibilidade de alterar os


cronogramas dos projetos de acordo com as novas circunstâncias observadas nas
reuniões periódicas da diretoria, o que evidencia uma flexibilidade gerencial em
relação aos projetos de investimento em TI.

Como exemplo, o executivo citou o sistema de roteirizador para os


veículos dedicados à entrega. Esse projeto foi concebido de maneira segmentada,
através de uma série de etapas, de forma que uma etapa somente seria realizada
caso a anterior fosse bem sucedida e as circunstâncias evidenciassem um cenário
adequado à sua execução (em outras palavras, se a decisão de exercer a opção
através do novo investimento fosse interessante à empresa). A decisão completa,
portanto, não foi tomada no início do processo, tendo sido realizadas decisões e
investimentos intermediários ao longo do projeto completo.

A situação da empresa 3 é semelhante à das empresas 4 e 5, que


também descreveram exemplos de projetos analisados e realizados em etapas. O
projeto de automação comercial na empresa 4 foi concebido em três etapas, cujos
produtos finais foram bem definidos. Ao final de cada etapa, era realizada uma
avaliação parcial e a outra etapa poderia ser iniciada ou não.

Na empresa 5, o projeto completo relacionado à área de suprimentos foi


dividido em gerenciamento de compras, sistema de compra eletrônica e sistema de
leilão eletrônico. Com isso, cada investimento intermediário representava a
realização de uma opção e, ao mesmo tempo, a aquisição de uma nova opção
passível de ser exercida ou não no futuro.

Ainda na empresa 5, houve a referência à expectativa futura de


verticalização. Assim, a decisão sobre o ERP considerou essa possibilidade,
184

podendo ser associada a uma opção de expansão. A aquisição do ERP embutia


uma possibilidade de expansão e, por isso, poderia ter implicado em um valor
adicional referente à aquisição dessa opção (prêmio pela opção). Se, em algum
momento a diretoria da empresa decidir de fato partir para outra área de atuação
através da verticalização das atividades, a opção poderá ser exercida e os
benefícios poderão ser realizados. No entanto, isso não evidencia uma obrigação, e
sim uma opção que poderá ou não ser exercida em certo momento e que,
certamente, agrega valor ao produto.

Outro exemplo ilustrativo foi obtido na empresa 9. A implantação do ERP


ocorreu em etapas, com instalações modularizadas. Cada módulo somente foi
implantado após a concretização de um módulo anterior, evidenciando uma opção
de postergação do investimento. Em outras palavras, a opção somente foi exercida
de acordo com o melhor momento para tal.

Estes exemplos têm suporte nos referenciais teóricos apresentados


anteriormente. Opções de expansão existentes em projetos de TI analisados e
executados em etapas foram apresentadas, dentre outros, por Panayi e Trigeorgis
(1998), Erdogmus (2002), Benninga e Tolkowsky (2002), Miller, Choi e Park (2004),
Benaroch, Jeffery, Kauffman e Shah (2008). Já opções de postergação, tais como
alguns exemplos nas empresas da amostra, foram apresentadas por Scarso (1996).

Nesses casos, pode-se perceber que algumas situações envolvem


concomitantemente opções de expansão e de postergação. Até mesmo porque, em
alguns casos, não há explicitamente um prazo de exercício definido, ampliando o
valor da opção pela não limitação do momento de exercício.

No entanto, é importante observar que não foram registradas situações


compatíveis com outros tipos de opções, tais como as de abandono ou contração.
Aparentemente, há uma tendência mais clara em esperar o surgimento de
oportunidades de expansão com os investimentos em TI. Isso possivelmente
também reflete a predominância de opções de expansão observada nas pesquisas
consultadas, o que sugere a maior associação de projetos de TI com opções de
compra (expansão ou postergação) do que de venda (contração ou abandono).
185

Provavelmente, isto também reflita a expectativa de valor residual próximo


a zero dos investimentos em TI. Alguns projetos não podem ser encerrados em
condições nas quais os ativos remanescentes possam ser realizados. Isto não
incentiva o exercício desse tipo de opção, forçando, inclusive, em alguns casos, a
tentativa de manter o legado obtido com investimentos passados.

6.2 VERIFICAÇÃO DAS HIPÓTESES

Com os objetivos atendidos, pode-se partir para a verificação das


hipóteses levantadas. A primeira hipótese sugere que alguns projetos de
investimentos em TI, nas empresas pesquisadas, possuem características que
permitem sua avaliação através de opções reais. Dadas as respostas obtidas dos
entrevistados e as características de alguns projetos, essa hipótese pode ser
confirmada.

Muitos projetos de TI agregam as circunstâncias através das quais podem


ser avaliados por opções reais. Em comum, eles têm retornos quantificáveis, são
executados em etapas e incorporam a possibilidade de alterar o rumo de execução
face a modificações nas circunstâncias ambientais. Além disso, tais alterações de
rumo na execução do projeto decorrem de mudanças ambientais surgidas ao longo
de sua vida útil e, como forma de proteger o investimento, opções podem ser
exercidas.

No entanto, podem também ser observados projetos que não são


passíveis de avaliação pela abordagem de opções reais. Um primeiro motivo é
impossibilidade de quantificação dos retornos esperados, o que indica a utilização
de métodos qualitativos de análise. Todavia, apesar de não ser realizada uma
quantificação da opção, os conceitos relacionados e os benefícios esperados podem
ser usados no processo decisório, tal como foi evidenciado em alguns projetos nas
empresas pesquisadas.

Outro possível motivo é a impossibilidade de tomar decisões


contingenciais ao longo do projeto. Essa situação não impossibilita propriamente a
186

aplicação do método, porém não permite que os benefícios de seu uso sejam
atingidos. Em outras palavras, nesse caso, o valor adicionado pela opção tende a
zero.

Outra situação que sugere a não utilização de opções reais na avaliação


seria um projeto cujos resultados fossem completamente certos no momento da
decisão. Nesse caso, não há incertezas perceptíveis que impactam o projeto e o
valor da opção tende a zero, não requerendo a aplicação da abordagem. Ainda
assim, de acordo com os resultados obtidos nas pesquisas bibliográfica e empírica,
pode-se deduzir que poucos projetos em TI não estão sujeitos a incertezas quanto
aos resultados esperados. É possível que os resultados fiquem aquém do que se
espera, assim como alguns projetos podem apresentar resultados extraordinários
frente ao esperado.

O que se percebeu a respeito desse ponto, durante a coleta e análise dos


dados, foi um aspecto registrado na literatura consultada. Há uma dificuldade
inerente à previsão dos fluxos de caixa decorrentes de projetos de TI,
acentuadamente naqueles caracterizados como estratégicos. O desenrolar de tais
projetos é sujeito a muitos fatores de influência, o que dificulta as estimativas
financeiras. Além disso, muitos gestores de projetos, sobretudo aqueles com
formação acadêmica exclusivamente na área de TI, não têm conhecimento em
técnicas de orçamento de capital, restringindo os métodos disponíveis para as
avaliações. Contudo, tal como argumentam alguns autores, essa dificuldade não
deve reduzir a importância de se estimarem os retornos de natureza financeira de
forma a incorporar um critério objetivo na decisão de investimento.

A segunda hipótese destaca que alguns projetos de investimento em TI


possuem valor adicional devido à flexibilidade gerencial. Essa hipótese não pôde ser
confirmada, uma vez que não foram verificadas aplicações práticas de opções reais
nas empresas pesquisadas.

Ainda assim, as respostas sugerem que, em uma eventual aplicação dos


métodos de opções reais, poder-se-ia esperar uma confirmação do valor adicionado
devido à flexibilidade gerencial e à geração de oportunidades. Intuitivamente, alguns
187

executivos, nos processos decisórios, perceberam intuitivamente um valor


adicionado decorrente de possibilidades futuras. Mesmo não sendo mensuradas
formalmente, foram utilizadas parcialmente como justificativas para a decisão.

O valor extraordinário conferido pela opção é confirmado somente se o


resultado da opção ultrapassa o valor de exercício. Caso o resultado do exercício da
opção seja inferior ao custo desse exercício, o valor adicionado não é interessante e
a opção não deve ser exercida. Por vezes, essa diferença pode ser bastante tênue,
o que sugere a necessidade de elaborar cálculos apurados para confirmar a
viabilidade do projeto.

A última hipótese sugere que a maioria das empresas pesquisadas não


utiliza formalmente opções reais. Esta hipótese foi confirmada. Na realidade,
nenhuma das empresas pesquisadas utilizou formalmente a abordagem de opções
reais para avaliar os projetos de TI. Apesar de alguns executivos consultados
conhecerem essa abordagem, não houve qualquer caso de utilização direta.

Mesmo assim, é relevante voltar a registrar que os conceitos inerentes a


opções reais foram intuitivamente úteis em certos casos. Em outros, eles poderiam
ter sido empregados quantitativamente, dadas as características apresentadas.
188

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

7.1 CONCLUSÃO

Após o atingimento de todos os objetivos específicos e a verificação das


hipóteses levantadas, pode-se almejar o alcance do objetivo geral. O objetivo central
desta pesquisa é verificar se a abordagem de opções reais, de fato, pode ser usada
como método para avaliar e justificar os projetos de TI nas empresas pesquisadas.

Pode-se concluir que a abordagem de opções reais é um método


adequado para avaliar certos tipos de projetos de investimentos em TI. Tal
adequação ocorre em projetos que tenham características de retornos quantitativos,
que apresentem oportunidades futuras decorrentes de suas realizações e que
permitam decisões contingenciais. Ao longo da pesquisa empírica, tais
características ficaram evidenciadas em vários projetos, indicando que o uso desta
abordagem é factível para estes propósitos.

A pesquisa evidenciou também que, apesar de não mensuradas


formalmente, essas opções foram discutidas e utilizadas intuitivamente como
argumento em favor dos investimentos. Com isto, pode-se esperar que o cálculo
formal do valor dessas opções poderia ter sido utilizado no processo decisório,
provendo um elemento mais objetivo de decisão do que apenas expectativas
subjetivas de valor adicionado.

Portanto, o método de opções reais pode ser empregado para avaliar e


justificar projetos de TI quando as circunstâncias apropriadas forem verificadas. Se
um projeto não gerar, por exemplo, benefícios quantitativos em termos financeiros,
dificilmente essa abordagem poderá ser aplicada quantitativamente. De forma
semelhante, caso o projeto tenha benefícios financeiros esperados, mas não seja
possível realizar alterações na execução do projeto decorrentes de modificações no
ambiente, o valor adicionado da opção será nulo. Em adição, nos casos em que não
há incerteza associada aos elementos básicos do projeto e, conseqüentemente, aos
189

resultados esperados, também não há, em princípio, motivos para o emprego de


opções reais.

O problema de pesquisa, portanto, pode ser respondido positivamente. A


abordagem de opções reais é adequada para ser utilizada como meio de verificação
da viabilidade de investir em projetos de TI que possuam características propícias.
Pelo que foi descrito na pesquisa, muitos projetos de TI embutem características
indicativas desse uso, principalmente aqueles com direcionamentos mais
estratégicos, cujos retornos são contingenciais e sujeitos a muitas incertezas.

Apesar disso, projetos com características operacionais também podem


ser considerados como opções. Eventualmente, eles podem ser compreendidos
como bases para investimentos posteriores sem os quais esses últimos não
poderiam ser realizados. Esses casos são tipicamente representados por
investimentos em infra-estrutura (hardware e/ou software), o que também foi
evidenciado na literatura consultada.

Ao gestor do projeto, cabe verificar de forma cuidadosa as reais


circunstâncias que indicam a aplicação de opções reais, tal como a literatura indica.
Nem todos os projetos serão passíveis de análise sob esse método, como é de se
esperar para os demais métodos. A própria escolha do(s) método(s) a ser(em)
utilizado(s) faz parte do processo decisório em si.

Outro aspecto indicado na pesquisa refere-se à dificuldade esperada na


aplicação dos métodos de mensuração das opções. Se os próprios métodos
convencionais de orçamento de capital já enfrentam uma certa barreira ao emprego
como meios de decisão em decorrência da difícil tarefa de projeção dos fluxos de
caixa, do custo de aplicação desses métodos e da difícil associação direta das
causas com as conseqüências (vide os modelos de realização de valor e o chamado
paradoxo da produtividade), a abordagem de opções reais possivelmente também
enfrentará obstáculos neste mesmo sentido.

Deve-se atentar para o fato de que a abordagem de opções reais


apresenta-se, de certa forma, como um complemento às ferramentas tradicionais de
190

orçamento de capital, dependendo destas para seu uso, além de requerer


conhecimentos sobre a mecânica de seu cálculo. Assim, sua utilização efetiva
requer uma base conceitual de orçamento de capital para ser aplicada.

A respeito deste tópico, destaca-se que a formação acadêmica de muitos


executivos também contribui para ampliar esta percepção de difícil aplicação da
abordagem. Como boa parte deles tem formação na área tecnológica e, desta
maneira, possivelmente não tiveram apresentação formal à avaliação de projetos de
investimentos através de opções reais ou mesmo através de outras técnicas de
orçamento de capital, sua adoção torna-se mais difícil.

Em adição, é relevante pontuar que os entrevistados, em sua maioria,


confirmaram que muitos dos benefícios esperados não tinham natureza quantitativa
ou não poderiam ter seus retornos facilmente mensurados. No primeiro caso, a
abordagem de opções reais pode participar apenas como um direcionador
conceitual dos retornos esperados (options thinking). No segundo caso, enfrenta-se
uma dificuldade comum a qualquer outra forma de mensuração, mesmo o tão
difundido ROI.

Isso reforça o que foi apresentado no referencial teórico sobre a


necessidade de utilização de múltiplos métodos de avaliação, a fim de captar
múltiplos retornos esperados, sejam eles quantitativos ou qualitativos. Dessa forma,
mesmo evidenciando a possibilidade de utilização da abordagem de opções reais
como forma de determinar a viabilidade dos projetos de TI, não se espera que uma
única abordagem seja suficiente para contemplar todos os benefícios esperados.

Por todos os pontos levantados, a abordagem de opções reais,


provavelmente, agrega condições para fazer parte do rol de métodos utilizados na
tarefa de avaliar antecipadamente a viabilidade de projetos de TI. Não se espera, em
princípio, que ela ocupe posição única nesse processo, assim como não se tem essa
expectativa para qualquer outro método. No entanto, devido às características de
parcela significativa dos projetos de TI investigados e da capacidade da abordagem
de opções reais captar certos tipos de retornos, é de se supor que ela tenha um
papel de destaque.
191

Pode-se concluir, portanto, que a abordagem de opções reais, a despeito


das eventuais dificuldades de ser aplicada, mostra-se viável para contribuir com o
processo decisório de verificação da viabilidade de investimentos em TI. Talvez sua
aplicação não seja largamente observada no curto prazo. Porém, espera-se que,
com o aumento da complexidade inerente aos projetos de TI, derivado do próprio
avanço tecnológico e da diversidade de aplicações, principalmente no que se refere
aos retornos contingenciais e incertezas associadas, a abordagem de opções reais
venha a ganhar mais espaço nestas decisões.

7.2 LIMITAÇÕES

Podem ser citadas algumas limitações da presente pesquisa. Em primeiro


lugar, dada a metodologia empregada, as conclusões apresentadas não podem ser
generalizadas para todas as outras empresas do setor. Como não foram utilizados
métodos estatísticos que permitissem uma inferência, não é possível indicar se os
dados encontrados e as conclusões podem ou não ser a elas aplicados.

Tal limitação é decorrente da metodologia empregada na pesquisa. Como


foram usados métodos qualitativos de investigação, além de envolver uma amostra
não probabilística, não é possível usar os dados de maneira a inferir o
comportamento da população. Porém, a justificativa para utilizar tais métodos
fundamentou-se na necessidade de investigar os processos em determinado nível
de profundidade possivelmente inviável de se conseguir através da aplicação de
survey.

Sendo assim, a decisão metodológica foi tomada considerando tal


limitação, implicando a perda da capacidade de uma generalização estatística dos
resultados, em troca de atingir o objetivo de profundidade na investigação dos
elementos da amostra.

Por outro lado, não se pode negligenciar o fato de que as empresas


participantes da pesquisa têm atuação representativa no mercado nacional e, ainda
mais, no contexto do Estado do Ceará. Portanto, pode-se esperar que esta posição
192

reflita, pelo menos em parte, o que acontece em empresas concorrentes do mesmo


porte. Também é possível conjecturar que este panorama reflita a situação almejada
por empresas de menor porte no mesmo segmento.

Evidentemente, dada a limitação das conclusões dentro do próprio setor,


elas também não podem ser generalizadas para empresas industriais de outros
setores de atividade. Empresas de outros segmentos certamente apresentam
particularidades não compreendidas pelas informações coletadas nesta pesquisa.

Outra limitação percebida no momento da coleta de dados foi o


cerceamento de informações consideradas estratégicas por parte de alguns
respondentes. Alguns registraram explicitamente a impossibilidade de conceder
informações sobre certos projetos considerados estratégicos. Esta possibilidade foi
prevista antes do início da pesquisa e confirmada nos pré-testes. Apesar de ser um
risco inevitável, buscou-se minimizá-lo com o comprometimento formal quanto ao
uso estritamente acadêmico das informações coletadas.

Dessa forma, há uma certa convicção de que informações pertinentes não


foram coletadas por inteiro. Porém, essa situação parece ser virtualmente inevitável
em pesquisas similares, principalmente naquelas que envolvem informações
consideradas estratégicas.

Outro ponto limitador da pesquisa não decorreu diretamente de seu


planejamento metodológico, nem da elaboração dos instrumentos de coleta de
dados. Como nenhuma das empresas pesquisadas utiliza ou utilizou formalmente o
método de opções reais, não foi possível identificar objetivamente em quais projetos
foi empregado e qual a sua adequação. Apesar dos recentes estudos sobre o uso de
opções reais em projetos de investimento ligados à TI, parece que, no setor
estudado, as práticas não refletem os esforços acadêmicos.

Mesmo assim, foi possível identificar a possibilidade de aplicação do


método a certos casos, permitindo chegar a conclusões valiosas. Em adição,
também foi observado o que na literatura é conhecido como “options thinking”, ou
193

seja, a utilização conceitual (sem quantificação formal) de opções para subsidiar a


decisão.

7.3 SUGESTÕES

A presente pesquisa permite algumas sugestões para estudos futuros.

Em princípio, pode-se lançar uma hipótese de que as características


observadas em alguns projetos aqui apresentados podem existir em projetos de
outras empresas, no mesmo ou em outro setor de atividade. Caso isso se confirme,
é de se esperar que a abordagem de opções reais possa ser utilizada como método
de avaliação e justificativa ex-ante para tais projetos em empresas alheias a esta
amostra.

Assim, uma primeira sugestão advinda da realização desta pesquisa seria


ampliar a base amostral em outro estudo. Apesar de a amostra ter sido relevante em
termos de participação no mercado específico e em termos de porte das empresas,
outras informações poderiam ser levantadas se outros elementos fossem
incorporados à investigação. Portanto, agregar outras empresas desse setor, não
limitadas a uma determinada região geográfica ou ao porte, poderia conferir
informações adicionais importantes.

Possivelmente, tais empresas utilizem estratégias competitivas diferentes


das aqui observadas. Com isso, elas podem utilizar diferentemente a TI como
suporte de tais estratégias e, dessa maneira, as iniciativas nessa área podem prover
diferentes tipos de retornos, diretos ou contingenciais, supostamente sugerindo
outros tipos de opções. Além disto, elas podem ter níveis diferentes de
informatização, o que indica a predominância de determinados tipos de projetos de
TI, mais ou menos sujeitos à avaliação através de opções reais.

Em decorrência da primeira sugestão, pesquisa semelhante poderia ser


replicada em outros setores industriais. Talvez algumas características específicas
relacionadas a estratégias adotadas e tipos de projetos de TI conduzam a resultados
194

diferentes, inclusive podendo ser verificado o uso atual de opções reais em tais
setores.

Um direcionamento de setor para essa nova pesquisa poderia levar em


conta um maior nível de informatização. As empresas pesquisadas, pelos dados de
desembolsos com TI, sugerem um nível baixo de informatização. Dessa forma,
possivelmente, o emprego de métodos mais sofisticados para justificar os
investimentos em TI pode parecer desnecessário. Em um setor com maior nível de
informatização, dada a maior relevância dos investimentos em TI, há mais
possibilidade de se adotarem métodos sofisticados de avaliação, o que lançaria
descobertas interessantes para o tema.

Uma hipótese não descartada seria lançar mão de uma pesquisa mais
ampla. Assim, em setores com processos decisórios melhor sistematizados, por
exemplo, poderiam ser utilizados questionários a fim de ampliar a possibilidade de
coleta de dados para mais participantes. Nesse caso, deve-se observar a
possibilidade de perder parcela relevante de profundidade investigativa, dados o tipo
de instrumento de coleta e a complexidade do processo decisório.

Por outro lado, em setores com evidências de pouca sistematização no


processo decisório, talvez as questões incorporadas a esse instrumento de coleta
possam não ser completamente entendidas e satisfatoriamente respondidas.

Por fim, uma pesquisa confirmatória da aplicação do método nas


empresas pesquisadas seria bastante interessante. Poderiam ser realizados estudos
de caso em projetos de TI, através dos quais um método de precificação de opções
poderia ser aplicado diretamente. Com essa aplicação empírica, as condições com
as quais o método pode ser usado seriam testadas, o valor derivado da flexibilidade
gerencial e das oportunidades geradas seria evidenciado e as dificuldades
reveladas. Inclusive, esta pesquisa poderia levantar relevantes contribuições no que
se refere à identificação de diferentes tipos de opções nos projetos avaliados.
195

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207

APÊNDICES
208

APÊNDICE I – MODELO DA CARTA DE APRESENTAÇÃO DA PESQUISA

Prezado(a) Senhor(a),

Vimos, por meio desta, solicitar sua colaboração na pesquisa que está sendo desenvolvida
no programa de Pós-graduação em Administração de Empresas da Escola de
Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP/FGV).

A pesquisa está sendo conduzida pelo doutorando Jocildo Figueiredo Correia Neto e faz
parte do processo necessário à conclusão de pesquisa sobre decisões de investimento em
TI.

O objetivo principal da pesquisa é descrever como empresas de consultoria empresarial de


grande porte avaliam seus investimentos em tecnologia de informação.

A pesquisa ocorrerá em dois momentos. O primeiro será o preenchimento de um


questionário objetivando coletar dados iniciais e descritivos da empresa para fins de
classificação posterior. A segunda etapa envolverá a realização de uma entrevista com o
profissional identificado como chave no processo decisório dos investimentos em TI na
empresa.

Garantimos que os dados aqui obtidos serão sigilosos e seu uso será estritamente
acadêmico. Os nomes das empresas pesquisadas não serão divulgados.

Atenciosamente,

Prof. Dr. Jaci Correa Leite


Professor do programa de pós-graduação da Escola de Administração de Empresas de São
Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP/FGV)
209

APÊNDICE II – QUESTIONÁRIO

Data: ___/____/_____ Hora Inicial: ______ Hora Final: _____

1. Identificação da Empresa

1.1. Nome da empresa: ________________________________________


1.2. Tempo de funcionamento (anos): ________
1.3. Estrutura societária: S/A Ltda. 1.4. Setor Específico: ____________
1.5. Plantas Fabris / Fazendas: _____ 1.6. Centros de Distribuição: ________
1.7. N° de funcionários: _____ 1.8. N° de clientes ativos: ________
1.9. N° de servidores: ______ 1.10. N° de computadores (teclados): ______
1.11. N° de sistemas de informação em uso: ________

2. Identificação do Respondente do Questionário

2.1. Nome do respondente: ______________________


2.2. Setor: _______________ 2.3. Cargo: __________________
2.4. Tempo no cargo (anos): ________
2.5. Maior nível de escolaridade do respondente (marcar uma opção):
Graduação Pós-graduação lato sensu Mestrado Doutorado Pós-Doutorado
2.6. Indicar a área de estudo do maior nível de escolaridade: ______________
2.7. Participa do processo decisório de investimentos em TI?: Sim Não

3. Características dos Investimentos em TI

3.1. Percentual do investimento anual em TI em relação à receita líquida:


3.2. Percentual do investimento anual em TI em relação aos demais investimentos:
3.3. Percentual das despesas anuais relacionadas à TI em relação à receita líquida:
3.4. Percentual das despesas anuais relacionadas à TI em relação às despesas totais:

3.5. Que área(s) é(são) responsável(is) pela avaliação dos projetos de TI? (múltipla escolha)
TI Financeira Controladoria Outra(s):

3.6. Há um comitê para verificar os projetos de TI? Sim Não


210

APÊNDICE III – ROTEIRO DE ENTREVISTA

Data: ___/____/_____ Hora Inicial: ______ Hora Final: _____

1. Identificação do Entrevistado

Caso o entrevistado não tenha respondido o questionário, preencher os dados abaixo:

1.1. Nome do respondente:


1.2. Setor: 1.3. Cargo:
1.4. Tempo no cargo (anos):
1.5. Maior nível de escolaridade do respondente (marcar uma opção):
Graduação Pós-graduação Mestrado Doutorado Pós-Doutorado
1.6. Indicar a área de estudo do maior nível de escolaridade:
1.7. Participa do processo decisório de investimentos em TI?: Sim Não

2. Descrição do Processo de Avaliação dos Investimentos em TI

2.1. A empresa utiliza alguma classificação para os projetos de TI? Se sim, como são
classificados?

2.2. Descreva os benefícios esperados dos investimentos em TI.

2.3. Descreva os métodos de avaliação utilizados para justificar os investimentos em TI por


tipo de classificação de projetos.

2.4. Descreva os riscos envolvidos em investimentos em TI e como eles são avaliados.

2.5. Como são reavaliados eventuais problemas ocorridos nos investimentos em TI?

3. Características de Opções Reais

3.1. Os projetos de investimentos em TI são analisados/executados em sub-etapas? Cite


exemplos.

3.2. Há alguma consideração das oportunidades futuras geradas pelo investimento? Cite
exemplos.

3.3. Há flexibilidade gerencial para os projetos de TI de acordo com as circunstâncias


(contração, expansão, encerramento)? Cite exemplos.
211

4. Conhecimentos sobre Opções Reais

4.1. Conhece teoria das opções? Sim Não

Caso a resposta à questão anterior seja sim, passar para as questões a seguir:

4.2. Já utilizou o método para justificar algum projeto de TI? Sim Não Parcialmente

4.3. Utilizou algum método formal de avaliação? B&S Binomial Simulação Não
utilizou

4.4. Já aplicou o conceito para justificar algum projeto, mesmo não calculando formalmente
o valor? Sim Não

4.5. Em que tipos de projetos utilizou teoria das opções?

4.6. Como se dá o uso da teoria das opções?

Informações Adicionais