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DÚVIDA ZERO | Mod.

01
DIREITO PREVIDENCIÁRIO

AUTOR:
THOMAS ALVES (Titãzinho)

SUPERVISÃO:
ITALO ROMANO e FLAVIANO LIMA (Titãs de Previdenciário)
direito previdenciário

DÚVIDA ZERO

TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO

P01 – Fiquei com uma dúvida a respeito da aposentadoria por tempo de contribuição
(aula 01, bloco 4). Os 35 anos que se contam são ininterruptos? Por exemplo: Um
adolescente com 16 anos que iniciou a contribuir para a previdência em 1984,
trabalhando de jan/1984 a dez/2014; foi desligado da empresa em dez\2014 e ficou o
período de jan/2015 a dez/2016 sem contribuir para a previdência; voltou a trabalhar
em jan/2017 contribuindo para a previdência; Minha dúvida: Esse dois anos sem
contribuir (jan/2015 a dez 2016) contam também para os 35 anos de contribuição?
R01 – De maneira geral, os requisitos exigidos para a Aposentadoria por Tempo de Contribuição
(TC) são, independentemente da idade, nos termos do art. 56 do Decreto 3048/99:
- 35 anos de contribuição (homens)
- 30 anos de contribuição (mulheres)
Ou seja, não há qualquer exigência no sentido de que a contribuição seja de forma ininterrupta.
Tomemos como exemplo a vida de um trabalhador comum, que entra numa empresa, trabalha
por um período, é demitido, fica um período desempregado, depois consegue outro emprego,
se afasta para se qualificar profissionalmente, recebe o convite pra trabalhar em outra empresa,
etc.
No seu exemplo, trata-se de segurado empregado, o qual deverá contribuir com uma alíquota
de 8, 9 ou 11% do seu salário de contribuição, a depender do valor deste, conforme o art. 20,
da Lei 8212/91.
Essa contribuição, em que pese ser devida pelo segurado, é recolhida pela própria empresa,
que já deduz da remuneração paga ao empregado.
Assim, em regra, enquanto o segurado empregado se mantiver nesta condição, terá computado
seu tempo de contribuição.
O período compreendido entre jan/2015 a dez/2016, porquanto não houve exercício de
atividade remunerada (tampouco recolhimento junto à Previdência), não será computado
como tempo de contribuição.
Mas a partir da nova filiação (jan/2017), ele voltará a ter seu TC contabilizado.

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PRINCÍPIOS DA SEGURIDADE SOCIAL

P02 – Professor, você poderia comentar esta questão, por favor.


A respeito da natureza, dos princípios, das regras e do histórico da seguridade social, assinale
a opção correta.
a) O STJ admite tanto a desaposentação quanto o despensionamento, espécies de renúncia
ao gozo de benefício vigente em proveito de benefício mais vantajoso, sem que haja
ofensa ao princípio da solidariedade.
b) As contingências sociais que interessam à previdência social são aquelas que repercutem
negativamente na vida econômica do trabalhador e decorrem de fatores involuntários,
como a invalidez, a idade e a doença.
c) seguridade social caracteriza-se pela contribuição direta do beneficiário do seguro social,
embora se admitam benefícios assistenciais como o seguro-desemprego.
d) O princípio da previdência social que visa conciliar a universalização, objetiva e subjetiva,
do seguro social com a capacidade econômica do Estado, de modo a cobrir os riscos
sociais reputados mais relevantes, é o da seletividade.
e) A CF veda peremptoriamente a concessão de anistia e remissão de contribuições
previdenciárias.
R02 – A resposta certa da questão é a letra D, em total consonância com o que dispõe o art.
194, parágrafo único, III, da Constituição Federal.
Em que pese o inciso I do mesmo dispositivo constitucional mencionar o princípio da
“universalidade da cobertura e do atendimento”, é impossível que o Estado – por razões
econômicas – através das ações da Seguridade Social, cubra e atenda a totalidade das
contingências da sociedade, motivo pelo qual o princípio da “seletividade” seleciona os riscos
sociais mais sensíveis, e o princípio da “distributividade” distribui entre as pessoas mais
necessitadas, com o perdão da redundância nas expressões.

P03 – A seguridade social obedece a um conjunto de princípios que possuem, entre


si, uma hierarquia, todos voltados para os valores da justiça e do bem-estar social;
entretanto, o princípio da solidariedade é a diretriz na qual se inspira para a provisão
de recursos financeiros.
EXISTE HIERARQUIA ENTRE OS PRINCÍPIOS?
R03 – Em verdade, não há que se falar em hierarquia entre princípios.
Consultando dados sobre esta questão, vi que o gabarito definitivo foi dado como certo, e eu,
sem sombra de dúvidas, erraria na prova.
Em verdade, o Cespe valeu-se da doutrina da professora Marisa Ferreira Santos (SANTOS,
Marisa Ferreira dos. O Princípio da Seletividade das Prestações de Seguridade Social. São Paulo:
Editora Ltr, 2004, p. 174.), que em sua obra afirmou o seguinte:
“A universalidade da cobertura e do atendimento deve ser abordado para que o princípio da
seletividade das prestações de seguridade social possa ser estudado em face de sua estreita

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ligação. Sua colocação em primeiro plano mostra a existência de uma hierarquia entre os
princípios regestes da seguridade social. ‘A universalidade dá começo lógico à enumeração dos
direitos constitucionais em matéria previdenciária’.”
Pedirei que você aguarde o desenrolar do curso para firmar entendimento sobre o tema, mas
de antemão aviso que em diversas ocasiões o gabarito de algumas questões terminam por
gerar diversas polêmicas, motivo pelo qual não nos valemos deste canal para a correção de
questões, mas tão somente para sanar dúvidas.

P04 – Tenho uma dificuldade para responder questão de certo/errado quando se trata
do princípio da distributividade/seletividade. Entendi que a distributividade escolhe
pessoas e seletividade escolhe os riscos.
As questões 9 e 10, como são de múltipla escolha, se tornaram simples, mas se fosse certo ou
errado se tornariam complicadas para mim. Explico: na questão 9 (da aula 1/bloco 6) entendi
que houve o benefício a ser concedido e escolheu a pessoa (no caso o idoso ou o deficiente);
a própria questão trouxe primeiro o benefício e depois houve a escolha da pessoa--> por
isso DISTRIBUTIVIDADE. Na questão 10 (da mesma aula), mencionou a pessoa primeiro para
depois mencionar o benefício a que tem direito--> por isso SELETIVIDADE.
Professor, veja se meu raciocínio está correto: “Se uma questão de certo/errado trouxer uma
afirmativa sobre essa temática e mencionar primeiro a pessoa e depois dizer o benefício
a que ela tem direito-->será SELETIVIDADE. Se mencionar primeiro o benefício e depois a
pessoa--> será DISTRIBUTIVIDADE.
Podem vir questões assim? Que misturem esses conceitos (distributividade/seletividade)?
Digo no sentido de ser especificamente seletividade e distributividade.
R04 – Em relação a sua dificuldade em responder questões estilo Cespe, eu garanto que isso é
questão de tempo, pois assim que você se habituar a sempre responder provas anteriores, bem
como fazer os simulados do curso, você se sentirá mais à vontade nesse tipo de questão.
Quanto ao princípio da “Seletividade e Distributividade na prestação dos benefícios e serviços”,
para acertar questão de prova, você precisa estar atenta à referência feita pelo examinador.
Ora, se a questão estiver se referindo ao critério OBJETIVO do princípio, remete-se ao conceito
de SELETIVIDADE, ou seja, QUAL benefício ou serviço será ofertado pela Previdência. Por sua
vez, se a questão estiver se referindo ao critério SUBJETIVO do princípio, remete-se ao conceito
de DISTRIBUTIVIDADE, ou seja, A QUEM será ofertado o benefício ou serviço da Previdência.
Certamente o examinador vai querer confundir o candidato misturando esses conceitos. É
por isso que além de dominar a matéria previdenciária, você precisará estar atenta à redação
utilizada na questão, pois aí o Português poderá fazer toda a diferença na compreensão do
texto.

P05 – Professor, na questão 14 do primeiro simulado, porque “Excetuados determinados


setores da economia”?
Marquei falsa pensando na ideia de todos serem obrigados a contribuir.

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Questão: Excetuados determinados setores da economia, verifica-se, no financiamento da
seguridade social, que os empregadores, em geral, pagam uma contribuição previdenciária
incidente sobre folha de remuneração de pessoal, em percentual superior ao deduzido dos
vencimentos dos trabalhadores respectivos. Essa diferenciação decorre da equidade na forma
de participação no custeio.
R05 – Inicialmente, vamos a um breve entendimento do princípio da seguridade social
Equidade na Forma de Participação no Custeio – EFPC (art. 194, parágrafo único, V). Em poucas
palavras, “paga mais quem possui maior capacidade contributiva, e menos quem possui menor
capacidade”. Assim, por exemplo, uma empresa deverá fazer uma contribuição sobre a folha
de empregados (art. 22, I, Lei 8212/91). O empregado, por sua vez, fará sua contribuição, que
será escalonada (8, 9 ou 11%) de acordo com seu salário de contribuição, e observará o teto
previdenciário (art. 20, Lei 8212/91). As microempresas e as empresas de pequeno porte,
por sua vez, contribuem de forma simplificada, nos termos do art. 18-C da Lei Complementar
n°123/06. E assim por diante.
Seguindo na Constituição, você verá, por exemplo, que o art. 195 introduz o custeio da
seguridade social, isentando de contribuição as entidades beneficentes de assistência social
que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, §7º, CF).
Ademais, o § 9º do mesmo dispositivo constitucional aduz que: “As contribuições sociais
previstas no inciso I do caput deste artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo
diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão-de-obra, do
porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho.” (regra do PUMA).
É dizer que nem todos os setores da economia estarão sujeitos às mesmas regras, entende?
Este é o espírito do princípio em questão.

P06 – Errei esta questão professor, pode me esclarecer...


Questão: Dentre os princípios constitucionais que regem a Seguridade Social encontra-se o da
diversidade da sua base de financiamento. Com relação ao financiamento da Seguridade Social:
a) as receitas dos Estados, Distrito Federal e Municípios destinadas à Seguridade Social devem
ser repassadas à União por constituírem recursos integrantes do orçamento da União
Federal.
b) a Constituição Federal de 1988 prevê como uma das fontes de financiamento da Seguridade
Social a contribuição prestada pelo exportador de bens ou serviços ao exterior, ou quem a
lei e ele equiparar.
c) a contribuição das empresas e das entidades a ela equiparadas por força de lei sobre
rendimentos pagos a pessoas físicas que lhe prestam serviços não se restringe aos
prestadores com vínculo empregatício formalizado.
d) os rendimentos pagos por empresas ou entidades a ela equiparadas por força de lei a
prestadores de serviços autônomos não constitui fonte de financiamento da Seguridade
Social por não se tratarem os autônomos de segurados obrigatórios.
e) a receita, o faturamento e o lucro auferido pelas empresas constituem fontes de
financiamento da Seguridade Social previstos na Constituição Federal de 1988, tal qual a
contribuição paga pelo exportador de bens e serviços ao exterior.

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R06 – Peço que dê uma olhada no art. 195, inciso I, alínea a, da Constituição Federal. Lá você
encontrará a resposta da questão.
Outra dica importante é se ater à redação exata do texto constitucional. Observe que o art.
195, inciso IV, da CF fala em IMPORTADOR de bens e serviços, enquanto a questão usa o termo
“exportador” em suas alternativas “b” e “e”.
Busque sempre ler a letra da lei e fazer questões a ponto de internalizar o conteúdo, lembrando
que o erro no treino se torna acerto na prova.

P07 – Em relação ao princípio da uniformidade e equivalência na prestação de serviços


e benefícios a população urbana e rural:
Uniformidade – Garante que todos os serviços e benefícios da previdência prestados para
população urbana, também será prestado para a população rural, com as mesmas qualidades,
sem diferenciação.
Equivalência – O que quer dizer?
Mais uma dúvida, nas suas aulas você fala que quando repetir a literalidade do texto
constitucional, a gente considera o texto constitucional. E se não repetir, apenas falar “de
acordo com a CF “, consideraremos a literalidade do texto constitucional ou partimos para o
que efetivamente acontece?
Outra dúvida, sobre o sistema de inclusão previdenciária, no artigo 201, parágrafo 12. Lá fala
que esse sistema é para trabalhadores de baixa renda e aquele sem renda própria que se
dedique exclusivamente ao trabalho doméstico na sua residência (Dona de Casa).
Na aula 03, você explica esse sistema previdenciário dizendo que o CI e F poderá optar por
contribuir com uma alíquota inferior, sob uma base, que é o salário mínimo, abrindo mão da
aposentadoria por TC.
Não está muito amplo, direcionando a todos CI e F? E não é somente para segurado de baixa
renda?
Ainda sobre o sistema, o princípio que abrange o sistema de inclusão previdenciária é o UCA?
Você pulou o parágrafo 10 e 11 do artigo 201, pq?
R07 – Vamos separar suas dúvidas por bloco, a fim de que se torne mais didático, ok?
1) Princípio da Uniformidade e Equivalência de prestações entre as populações urbanas e rurais
- invocado no art. 194, parágrafo único, II, da Constituição Federal, este princípio carrega
consigo conceitos ligados à ideia de igualdade formal (uniformidade) e igualdade material
(equivalência). Na igualdade formal, todos são iguais perante à lei, sem distinção de qualquer
natureza (art. 5º, caput, CF/88). Por sua vez, na igualdade material, deve-se tratar igualmente
os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade (Aristóteles). Assim,
respondendo diretamente a sua pergunta, UNIFORMIDADE significa, nos dizeres do professor
Fábio Zambitte (IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso de direito previdenciário. 16 ed. Rio de
Janeiro: Impetus, 2011. p. 66), que as “as prestações securitárias devem ser idênticas para
trabalhadores rurais ou urbanos, não sendo lícita a criação de benefícios diferenciados”; por

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isso é que não haverá preferências nem preterições acerca da oferta dos benefícios e serviços
às duas populações (urbana e rural).
A seu turno, EQUIVALÊNCIA diz respeito a ajustes feitos pelo legislador, a fim de se alcançar
a igualdade material entre as população urbana e a rural. Exemplo disso é a contribuição
diferenciada a que os segurados especiais estão sujeitos (art. 195, §8º, CF/88), ou mesmo o
requisito idade reduzido em cinco anos para os trabalhadores rurais, no benefício Aposentadoria
por Idade (art. 48, §1º, Lei 8213/91).
2) No que diz respeito ao SISTEMA DE INCLUSÃO PREVIDENCIÁRIA, disposto no art. 201, §12, da
CF/88, realmente é feita referência aos “(...) trabalhadores de baixa renda e àqueles sem renda
própria que se dediquem exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência,
desde que pertencentes a famílias de baixa renda (...)”.
Ocorre que esta matéria foi disciplinada pela Lei 8212/91, mais precisamente em seu art. 21,
§§ 2º a 5º. Lá, além de o legislador contemplar a previsão constitucional, ampliou o Sistema
de Inclusão Previdenciária, permitindo aos segurados contribuinte individual (que trabalha por
conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado) e facultativo a opção de
contribuírem com 11% do limite mínimo mensal do salário de contribuição, podando-lhes, no
entanto, o direito ao benefício Aposentadoria por Tempo de Contribuição. Com esta medida,
o legislador trouxe para a proteção previdenciária aqueles segurados que se encontravam
desamparados por entenderem ser a contribuição de 20% (art. 21, caput, L8212) por demais
onerosa.
Ato contínuo, há também a contribuição de 5%, destinada ao Microempreendedor Individual
– MEI, bem como ao facultativo sem renda própria que se dedique exclusivamente ao trabalho
doméstico no âmbito de sua residência, desde que pertencente a família de baixa renda.
Assim, valendo-se da interpretação teleológica (vide aula 01 do titã Flaviano), chega-se à
conclusão de que o Sistema de Inclusão Previdenciária, possui como finalidade – por meio
de alíquotas reduzidas – trazer para a Previdência aqueles segurados que, embora tenham
capacidade contributiva, preferiam permanecer à margem de sua proteção.
3) Quando você questiona qual princípio da Seguridade Social abrange o Sistema de Inclusão
Previdenciária, é preciso ter muito cuidado com a resposta, pois a depender do questionamento
formulado pelo examinador, um ou mais princípios podem fazer relação direta, senão vejamos:
- SOLIDARIEDADE: arrolado como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do
Brasil, no art. 3º, inciso I, da CF/88, o princípio da solidariedade faz relação direta com o Sistema
de Inclusão Previdenciária, na medida em que permite o acolhimento daquelas pessoas que
possuem menor capacidade contributiva, valendo-se, para tanto, de uma minoração na alíquota
que é cobrada aos demais segurados. Assim, é possível a criação de um manto protetor que
recai sobre todos, inclusive sobre aqueles menos favorecidos.
- EQUIDADE NA FORMA DE PARTICIPAÇÃO NO CUSTEIO: dando sequência aos dizeres da
Solidariedade, o princípio da equidade na forma de participação no custeio (art. 194, parágrafo
único, inciso V, CF/88) também alimenta correlação com o Sistema de Inclusão Previdenciária,
haja vista que, resumindo-o em poucas palavras, “cobra-se mais de quem possui maior
capacidade contributiva e menos de quem possui menor capacidade contributiva”. Nestes
termos, perceba que a alíquota reduzida foi oportunizada justamente para possibilitar aos
menos favorecidos a sua participação na Previdência.

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- SELETIVIDADE E DISTRIBUTIVIDADE NA PRESTAÇÃO DOS BENEFÍCIOS E SERVIÇOS: A seguridade
social, dentre outros objetivos, visa selecionar os riscos sociais e distribui-los àqueles que
mais necessitam. Nesta linha de raciocínio, o princípio da seletividade e distributividade na
prestação dos benefícios e serviços (art. 194, parágrafo único, inciso III, CF/88) relaciona-se com
o Sistema de Inclusão Previdenciária a partir do momento em que o legislador compreende
que as pessoas de menor capacidade contributiva estão sujeitas aos mesmos riscos sociais
(cobertos pela Previdência) que aqueles com maior capacidade contributiva. Para tanto, os
serviços e benefícios lhe são ofertados mesmo sendo submetidos a uma alíquota reduzida. O
que justifica, aliás, a exclusão ao direito à Aposentadoria por Tempo de Contribuição, uma vez
que este benefício não cobre qualquer risco social.
- UNIVERSALIDADE NA COBERTURA E NO ATENDIMENTO: conhecido como princípio utópico da
Seguridade Social, a universalidade na cobertura e no atendimento (art. 194, parágrafo único,
inciso I, CF/88) traz a ideia de se abraçar o maior número de riscos sociais possíveis, bem como
proteger o maior número de pessoas. Ocorre que os recursos estatais são limitados, de modo
que o legislador se vale da Seletividade e Distributividade para estabelecer o perímetro social
que pode ser atingido. Quando confrontado com o Sistema de Inclusão Previdenciária, tem-
se aí verdadeira correlação de ideias, afinal, a sua intenção foi trazer o segurado contribuinte
individual (que trabalha por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado)
e o segurado facultativo para o seu atendimento, cobrindo-o de todos os benefícios e serviços
que a Previdência oferta (com exceção da Aposentadoria por Tempo de Contribuição).
Portanto, não é razoável fazer uma correlação restrita entre o Sistema de Inclusão Previdenciária
com apenas um único princípio da Seguridade Social. É preciso extrair da questão a sua
verdadeira intencionalidade.
4) Não entendi o que você falou a respeito da redação da questão; quando ela repetir a
literalidade do texto constitucional ou usar a expressão “de acordo com a CF”. Peço-lhe que
assista novamente a esta parte da aula do titã Italo e, caso não sane a dúvida, tente descobrir
a intenção do examinador por meio da resolução de questões, pois assim você sairá do campo
da teoria e partirá para a prática, tornando-se cada vez mais preparado para responder questão
de prova.
Quanto ao “pulo” que ele deu nos parágrafos 10 e 11 do art. 201, da CF/88, imagino que pra
forçar o aluno a fazer a leitura, bem como por conta da limitação temporal de cada aula. O
conteúdo programático de Direito Previdenciário é muito extenso, e os titãs irão martelar
justamente naquilo que possui maior incidência em prova. Contudo, o aluno deve esgotar o
edital e ler sobre toda a matéria, pois qualquer lição pode ser cobrada.

COMPETÊNCIAS DO INSS E DA RFB

P08 – Então o INSS trata de benefícios, enquanto a Receita Federal do Brasil trata
de fiscalização, arrecadação, cobrança e contribuição previdenciária. É isso? Desde já
agradeço!
R08 – Você encontrará as competências relativas ao INSS no Anexo I do Decreto 9104/17, bem
como no art. 5º da Lei 11457/07.

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Resumidamente, porém, cabe ao INSS a operacionalização do reconhecimento dos direitos dos
segurados do Regime Geral de Previdência Social – RGPS, por meio da concessão de benefícios
e gerenciamento de serviços da Previdência.
Por sua vez, as competências da Receita Federal do Brasil, por meio de sua Secretaria,
encontram-se dispostas no art. 2º da Lei 11457/07. É dizer, basicamente, que compete à
Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades
relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições
sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho
de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição.

LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA

P09 – Professor, já que o decreto 3048 é fonte secundária e, consequentemente, não


pode inovar/criar direitos ou impor obrigações, poderia me explicar o porquê no tópico
de mantença da qualidade do segurado o Decreto 3.048 acrescenta uma situação não
existente na Lei 8.213, a saber: Art. 13, II, a parte de “após a cessação do benefício
por incapacidade”. Ou seja, permite a possibilidade de manutenção da qualidade de
segurado por mais 12 meses após a cessação do benefício, situação esta não prevista
pela lei 8.213.
R09 – Para responder ao seu questionamento, é necessário se fazer uma interpretação
sistêmica:
Segundo o art. 15, II, da Lei 8213/91:
“Art. 12. Mantém a qualidade de segurado, independentemente de
contribuições:
(...)
II – até 12 (doze) meses após a cessação das contribuições, o
segurado que deixar de exercer atividade remunerada abrangida
pela Previdência Social ou estiver suspenso ou LICENCIADO sem
remuneração;” (grifei)
Por sua vez, o art. 63 da mesma lei, giza que:
“Art. 63. O segurado empregado, inclusive o doméstico, em gozo de
auxílio-doença será considerado pela empresa e pelo empregador
doméstico como licenciado.”
Note que unindo a redação dos dois dispositivos legais, depreende-se, por meio de interpretação
extensiva, que os segurados (CADES F) em gozo de benefício por incapacidade (auxílio doença
ou aposentadoria por invalidez) encontram-se, em verdade, licenciados da sua condição,
fazendo jus, portanto, ao período de graça após a cessação do benefício por incapacidade.
Assim, não houve inovação por parte do Decreto, que apenas tornou o tema mais detalhado.

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P10 – Fiquei com dúvida e gostaria de saber dos Métodos de interpretação cada uma
delas porque no exercício me deixou uma dúvida no ar que são elas:
- Literal ou gramatical.
- Sistemático.
- Histórico.
- Teleológico ou finalístico
R10 – De uma maneira bem resumida, mas que entendo ser suficiente para levar pra prova:
1) Interpretação literal ou gramatical:
- Nela o intérprete analisa o exata redação da lei, decifrando as palavras e seus conceitos, a fim
de se chegar no sentido expresso da norma em questão. Em poucas palavras, vale o que está
escrito.
2) Interpretação sistemática:
- Em se tratando de normas previdenciárias, devemos ter em mente que há todo um
ordenamento jurídico que abarca toda e qualquer lei, e que por ser uno não pode ser
desconsiderado na análise de um tema em particular. Assim na interpretação sistemática, a
parte integra o todo, e com ele deve ser relacionada por meio da interdisciplinaridade.
3) Interpretação histórica:
- As leis surgem com o propósito de regular normas para um bom convívio em sociedade,
por meio de direitos e obrigações. Mas elas são mutáveis, justamente para acompanhar as
necessidades sociais. Assim, a interpretação histórica leva em conta o contexto da época, as
regras, costumes e razões que motivaram o surgimento de uma determinada norma.
4) Interpretação teleológica ou finalística:
- Teleologia, grosso modo, é a doutrina que estuda a finalidade, o objetivo da construção de
uma ideia. Trazendo para nossa disciplina, deve ser usada para atingir o escopo da norma
previdenciária, ou seja, a intenção do legislador ao criar determinada norma.

P11 – Nos IAP’S o Estado participava da Administração e também do financiamento?


Ou o Estado só passou a fazer parte do financiamento com a Constituição de 34 que
instituiu a Tríplice forma de custeio?
R11 – Extraí esta passagem do livro do professor Fábio Zambitte Ibrahim (IBRAHIM, Fábio
Zambitte. Curso de direito previdenciário. 16.ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2011. p. 57), e espero
que sane a sua dúvida. Atenha-se, sobretudo, aos dois últimos parágrafos:
“Após a Revolução de 1930, com o início do governo de Getúlio Vargas, tem-se ampla
reformulação dos regimes previdenciário e trabalhista. Merece destaque, neste período, a
criação do Ministério do Trabalho, cujo primeiro ministro foi Lindolfo Collor.

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Iniciou-se nesta época uma mudança radical no sistema previdenciário, o qual deixou de ser
organizado por empresa, nas caixas de aposentadoria e pensão, sendo aglutinado por categoria
profissional, nos Institutos de Aposentadoria e Pensão (IAP).
O primeiro IAP foi o dos marítimos – IAPM (Decreto nº 22.872, de 29/6/1933). O IAPM tinha
personalidade jurídica própria, sede na capital da República, e era subordinado ao Ministério
do Trabalho, Indústria e Comércio, destinando-se a conceder ao pessoal da marinha mercante
nacional e classes anexas os benefícios de aposentadoria e pensões.
A organização previdenciária em categorias profissionais resolvia alguns problemas existentes,
como o pequeno número de segurados em algumas caixas, com evidente fragilização do
sistema, e os percalços enfrentados pelos trabalhadores que eventualmente mudavam de
empresa e, por consequência, de caixa.
A unificação das caixas em institutos também ampliou a intervenção estatal na área, pois o
controle público ficou finalmente consolidado, já que os institutos eram dotados de natureza
autárquica e subordinados diretamente à União, em especial ao Ministérios do Trabalho.”

P12 – Prof. me explica a diferença entre Vigência e Eficácia; O prof. Flaviano deu o
exemplo do principio Nonagesimal. (explique novamente, por favor).
R12 – Para que se compreenda melhor o assunto sobre Legislação Previdenciária, é preciso
conhecer, dentre ouros, os conceitos de VALIDADE, VIGÊNCIA e EFICÁCIA da norma jurídica. De
forma bem resumida, temos que:
a) VALIDADE: está ligada a inserção da norma no ordenamento jurídico. Uma norma será
válida se atender aos aspectos formais e materiais constantes no texto constitucional.
Em outras palavras, a norma precisa respeitar ao processo legislativo a que estiver
subordinada, obedecendo, assim, o seu aspecto formal (competência do agente político
para sua edição; quórum mínimo para sua aprovação; etc). Além disso, deve manter
harmonia com as normas hierarquicamente superiores, observando, assim, o seu aspecto
material (competência temática; constitucionalidade; conteúdo);
b) VIGÊNCIA: diz respeito à possibilidade, em tese, de exigência das prescrições da norma,
porquanto já atendeu ao critério da validade e já foi devidamente tornada pública pelos
meios oficiais. Diz-se em tese, pois precisa ainda atender ao critério da eficácia, pois nem
sempre se cumprem concomitantemente;
c) EFICÁCIA: possibilidade concreta de exigência do objeto da norma, uma vez que
foram observados os dois critérios anteriores, já podendo produzir efeitos sobre seus
destinatários.
O princípio da anterioridade nonagesimal (art. 150, III, c, da CF/88) aduz que determinado
tributo só poderá ser cobrado após decorridos 90 dias da publicação da lei que o instituiu ou
aumentou. Assim, se um tributo é criado, respeitando os ditames do ordenamento jurídico
(validade), observando o princípio da publicidade (vigência), e obedecendo, se for o caso, ao
princípio da anterioridade nonagesimal, poderá ser cobrado (eficácia).

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PRINCÍPIOS EM GERAL

P13 – Sobre o tempus redit actum no caso da pensão por morte será na concessão do
benefício ou na data da morte?
R13 – Nos termos da súmula nº 340, do STJ: “A lei aplicável à concessão de pensão previdenciária
por morte é aquela vigente na data do óbito do segurado.”

BENEFÍCIOS

P14 – No caso da aposentadoria por idade, sei que 65 homens e 60 mulheres. Mas
esses 15 anos de TC, para que servem adicionados? Gostaria de uma explicação e
desde já agradeço!
R14 – A aposentadoria por idade está disciplinada no arts. 48 e ss., da Lei 8213;91, senão
vejamos:
“Art. 48. A aposentadoria por idade será devida ao segurado que,
cumprida a carência exigida nesta Lei, completar 65 (sessenta e cinco)
anos de idade, se homem, e 60 (sessenta), se mulher.”
A carência a que se refere o texto legal é de 180 meses de tempo de contribuição, o que
correspondem a 15 anos. Não há aí qualquer adição a ser feita. Umas vez cumpridos ambos os
requisitos (idade + carência) o segurado ou segurada fará jus à aposentadoria por idade. Nestes
termos, o art. 25 do mesmo dispositivo legal:
“Art. 25. A concessão das prestações pecuniárias do Regime Geral
de Previdência Social depende dos seguintes períodos de carência,
ressalvado o disposto no art. 26:
(...)
II – aposentadoria por idade, aposentadoria por tempo de serviço e
aposentadoria especial: 180 contribuições mensais.”.

P15 – Professor, tenho uma dúvida sobre dependente e pensão por morte e vou fazer
uma situação hipotética para explicar. Pedro, segurado empregado, casou-se 3 vezes e
com cada uma dessas esposas ele tem um filho menor e lhes paga pensão alimentícia.
Ele convive com uma quarta esposa mas ainda não tem filhos. Caso ele venha a falecer,
a pensão por morte será dividida por 7?
R15 – Vamos usar apenas a legislação para responder a sua dúvida, combinado?
Nos termos da Lei 8213/91:
“Art. 16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na
condição de dependentes do segurado:

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I – o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado,
de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou
que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave;
(...)
Art. 76. (...)
§2º. O cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de fato que
recebia pensão de alimentos concorrerá em igualdade de condições
com os dependentes referidos no inciso I do art. 16 desta Lei.”
Assim, conjugando ambos os artigos mencionados, tem-se que a pensão por morte será
dividida pelos sete dependentes, porquanto todos são de primeira classe.

OBSERVAÇÕES ACERCA DA NOVA PLATAFORMA:

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sinalize pontualmente a dúvida e que faça o questionamento direcionado.
•• Não nos valeremos deste espaço para (re)explicar um assunto que já foi dado em videoaula,
a menos que seja trazida uma dúvida pontual acerca do tema já abordado.
•• Não nos valeremos deste espaço para responder dúvidas de caráter pessoal.
Obrigado pela compreensão!
Bons estudos!
Att,
Thomas Alves
Monitor de Direito Previdenciário / Técnico do Seguro Social
Ex-aluno dos titãs e do SJV / Aprovado no Concurso do INSS_2016

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