Você está na página 1de 3

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E FILOSOFIA


DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
DISCIPLINA: AMERICA II
ALUNO HUGO NICOLAU LOREGA DA COSTA
PROFESSORA: MARÍA VERÓNICA SECRETO DE FERRERAS

TRABALHO SOBRE O FILME:

Sobre as questões: 1- Comparação entre trabalho escravo x assalariado.


3- Relação entre capitalismo e destruição.
O filme Queimada (Burn!), conta a historia da luta de independência da ilha Queimada, e dos
efeitos da pressão inglesa sobre a mesma, no período subsequente a independência, e alude a
Revolução do Haiti, em que esta (assim como a de Queimada) foi feita pelos escravos. A
ambientação do filme foi feita em Marrocos e na Colômbia, e o filme conta com a atuação de
Marlon Brando no papel de Sir William Walker e de Evaristo Marquez no papel de José Dolores,
tendo sido lançado em 1969 e dirigido foi Gillo Pontecorvo.
Sobre as questões exigidas, na cena em que Sir William Walker fala para o grupo de homens
reunidos numa sala, é importante analisar, que logo após falar através da metáfora comparativa da
prostituta com a esposa, fala em seguida dos seus interesses, os quais assume como totalidade que,
na verdade, figura ali como uma representação pessoal da rainha, um “agente da Coroa Britânica”,
estando ali para defender os interesses do Império, mas também para ajudar aos revoltosos a se
libertarem. Claramente esse dialogo, seguido também pela metáfora, foi uma forma do filme
caracterizar, à sua maneira, a forma pela qual a Inglaterra tratava e via as independências das
colonias espanholas e portuguesa, utilizando do papel do agente inglês como um catalizador, se não
um fomentador, da luta pela Independência. O filme deixa claro que o governo inglês (representado
por William Walker) não quer a liberdade da ilha (das colonias) apenas por uma questão de ingenua
ideologia, mas também porque quer tomar o lugar da metrópole que controla a ilha, para assumir
para si o controle, através de acordos de ajuda na luta pela independência, por parte inglesa, e de
favorecimentos econômicos ,por parte dos colonos revoltosos, alem do fim da escravidão. Sir
William Walker aborda a questão do escravo e sua independência como importante ponto a ser feito
após a independência, e para isso faz uma analise em que ela pode ser vista no aspecto econômico
lucrativo da abolição da escravidão para isso utiliza-se de uma metáfora comparativa da esposa com
a prostitua, na questão econômica, onde deixa claro que o senhor possuidor dos escravos era
responsável pela sobrevivência e alimentação dos mesmo, sendo que isso era muito dispendioso. E
mais valia a sua liberdade e o pagamento de um salario ( “...you pay by hour...”), pois assim acaba-
se as obrigatoriedades dispendidas no trato com o escravo, acarretando numa econômização de
capital. William Walker afirma, numa alusão direta ao caso da Revolução do Haiti, que caso os
senhores não libertassem os escravos, não teriam que se preocupar desses se tornarem seus chefes,
pois na verdade se tornaria seus executores. Com isso o filme acaba demostrando os aspectos
econômicos e o aspectos de sobrevivência para a abolição da escravatura. O filme mostra que com a
saída do domínio da metrópole, com o fim do pacto colonial, a Inglaterra assumia a função
previamente ocupada, no caso de Queimada, por Portugal (metrópole) e de certa maneira obrigou
aos donos das terras canavieiras a continuar com a exploração sobre os negros “trabalhadores”,
sendo que o filme chega a mostrar uma brutalidade maior dessa nova dominação, já que o ex-
escravo não possui mais o auxilio do senhor em relação a sua sobrevivência, necessitando do
auxilio do recém-formado Estado.
É interessante analisar o dialogo do filme, em que Sir William Walker fala da historia da colonização
da ilha e de seu nome, sendo que a ilha foi queimada para promover a colonização e acabar com o
combate das forças de resistência. Demonstrando que a destruição é necessária, e viável para
promover a conquista e o lucro, pois o que se destruiu reconstruir-se-ia depois. Com a destruição,
nesse caso em relação a luta pela liberdade, ela pode ser vista como essencial para o domínio inglês,
já que foi graças a ajuda do grupo liderado por José Dolores que a independência foi alcançada e
com isso os interesses “capitalistas” ingleses foram alcançados. Em relação a volta de Sir William
Walker a Queimada, com a intenção de capturar José Dolores, pode se perceber dois fatores onde o
“capitalismo” inglês utilizava-se a ideia de destruição necessária: Primeiro ponto seria após uma
investida contra o grupo de José Dolores, um soldado esta remexendo os corpos dos mortos, quando
encontra o homem a quem William Walker havia salvo e depois mandado atras de José Dolores para
propor-lhe paz, logo após o soldado largar o corpo no chão, William Walker pergunta se o soldado
gostaria de encontrar José Dolores ali, morto no chão, e o soldado responde que não, pois era graças
a essa busca pela captura de José Dolores que ele conseguia se manter. Nesse ponto percebe-se que
a destruição esta fomentando aqueles que antes não tinha a capacidade de ser manter ( no caso o
soldado) e assim tem-se a troca de “favores”: o soldado recebe e trabalha enquanto o estado
( financiado pelos interesses ingleses) paga e tem seu interesse realizado. O segundo ponto seria
quando William Walker fala com um representante, que contratou-o para a captura de José Dolores,
da companhia de açúcar, outorgada pela Inglaterra a gerenciar o comercio de açúcar na região.
Nesse dialogo o representante reclama dos meios pelos quais William Walker esta utilizando-se para
realizar a captura, e avisa-lhe que vai enviar uma notificação a Coroa. Logo em seguida William
Walker rebate o representante, lembrando-lhe que aquela era apenas uma pequena ilha no imensidão
de outros negócios realizados pela companhia, que aquela ilha já havia sido queimada e destruída e
recontruida e se fosse necessário esse ciclo se repetiria, e que ele não deveria falar nada, apenas
deixa-lo fazer seu trabalho, pois se o grupo de negros vencesse ele iria se tornar um exemplo, e esse
exemplo seria uma inspiração para todas as outras terras onde a companhia possuía negócios,
gerando assim a sua falência. Como claramente é demonstrado no texto a ideia de destruição aqui
não é apenas aceita mas é tida como um meio que se for necessário deve ser usado, pois se um
grupo de negros oprimidos vence uma batalha contra seus poderosos adversário, outros lugares
iriam utiliza-los como modelos e iriam tentar se revoltar contra o governo opressor, gerando assim
uma forte barreira na expansão do capitalismo ( no caso sitado) inglês, nesse ponto então a
destruição mantem e impõem o crescimento do capitalismo inglês.