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COLÉGIO INTEGRADO DE CAMPO MOURÃO

APOSTILA DE ARTE – M1
Parte I
(conteúdos das cinco primeiras aulas da disciplina)

PROF. THIAGO VERONEZZI


Definições de Arte e suas funções ao longo da História .
“Arte é conhecimento, e partindo deste princípio, pode-
se dizer que é uma das primeiras manifestações da
humanidade, pois serve como forma do ser humano
marcar sua presença criando objetos e formas que
representam sua vivência no mundo, o seu expressar de
ideias, sensações e sentimentos e uma forma de
comunicação.” (AZEVEDO JÚNIOR, 2007).

O homem, desde os primórdios da humanidade, através de seu trabalho e da


modificação da natureza a partir de suas necessidades e anseios, utilizando por
demasiado a criatividade, racionalidade e habilidades manuais, vêm produzindo arte.
Não consideremos aqui arte apenas como obras plásticas de reconhecimento mundial,
mas também o resultado da modificação da natureza e a produção de utensílios para a
sobrevivência humana. Ademais, as pinturas rupestres, que caracterizavam as suas
primeiras ações e realizações, demonstram que o homem da caverna, já naquele tempo,
se interessava em expressar-se de maneira diferente que não apenas a gestualização e
sons.
Portanto, dentre seus possíveis conceitos, a “arte” é uma experiência humana de
conhecimento estético que transmite e expressam ideias e emoções. Deste modo, para a
apreciação da arte é necessário aprender a observar, a analisar, a refletir, a criticar e a
emitir opiniões fundamentadas sobre gostos, estilos, materiais e modos diferentes de
fazer arte.
Partindo desse princípio, a arte existe para decorar o mundo, para ajudar no dia-
a-dia (utilitária), para explicar e descrever a história, para expressar ideias, desejos e
sentimentos. Baseado nisto, a função da arte e o seu valor estão na representação
simbólica do mundo humano.
Neste sentido, nos cabe, a seguir, apresentar, sobre a arte, a origem, seu conceito
e sua função ao longo da história.

Origem da arte

A arte é quase tão antiga quanto o homem, pois é uma forma de trabalho, e este é
uma propriedade do homem, sendo-o executado através da transformação da natureza.
Deste modo, o homem cria a arte como uma forma de sobreviver no meio, expressar o
que pensa, divulgar suas crenças (ou a de outros), para estimular e distrair a si mesmo e
aos outros, para explorar novas formas de olhar e interpretar objetos e cenas.
Segundo AZEVEDO JÚNIOR (2007) para que a arte exista é necessário a
existência de três elementos: o artista, o observador e a obra de arte. O artista é aquele
que tem o conhecimento concreto, abstrato e individual sobre determinado assunto e
transmite esse conhecimento através de um objeto artístico (pintura, escultura, dentre
outros) que represente suas ideias. O segundo, o observador, é aquele que faz parte do
público que observa a obra e que ainda terá que ter algum conhecimento do contexto
que envolve o momento de produção, as intenções do artista ao produzir, seus interesses
e quais as suas pretensões, para então poder compreender melhor sobre a representação
artística visualizada. O terceiro, a obra de arte, é a criação do objeto artístico que vai
até o entendimento do observador, pois todas as artes tem um fim em si, ou seja, uma
tradução.

Conceito de arte
A arte, além de conhecimento, é uma das primeiras manifestações da
humanidade para marcar sua presença em determinado espaço. Ademais, através da arte
o homem ainda expressa suas ideias, sentimentos e emoções sobre determinado assunto,
sendo, portanto, uma representação simbólica do mundo humano.
De modo mais sintético, pode-se dizer que a arte é uma forma de transmissão de
ideias, pensamentos e emoções através de um objeto artístico.

Função da arte

Em cada sociedade existe um modo diferente de se ver a arte. Em sociedades


indígenas, por exemplo, podemos nota-la no seu dia-a-dia através de suas vestimentas,
pinturas, artefatos, etc. Segundo FISCHER (1983), o homem só se desenvolveu através
do conhecimento que a arte proporciona, pois é da utilização deste conhecimento que os
homens primitivos obtiveram suas ferramentas para atenderem suas necessidades,
como, por exemplo, o arco e a flecha.
Para AZEVEDO JÚNIOR (2007) a arte, de uma forma mais artística, apresenta
três funções principais: a pragmática ou utilitária, a naturalista e a formalista.
A arte como função pragmática serve como uma alternativa para alcançar um
fim não artístico e sim uma finalidade, baseado nesta ideia, a arte pode estar a serviço
para finalidades religiosas políticas ou sociais, neste caso não é interessante sua
qualidade estética, mas a finalidade que se prestou alcançar.
A arte como função naturalista tem como objetivo representar algo ao
observador de forma mais natural possível, o que interessa aqui é a representação da
realidade e da imaginação do conteúdo de tal arte para o observador, de uma maneira
que este possa compreender.
Como função formalista, preocupa-se com significados e motivos estéticos, se
preocupa em transmitir e expressar ideias e emoções através de objetos artísticos.
Portanto, a arte é um meio pelo qual o homem transforma o mundo através do
conhecimento, pois quando algum artista pratica a arte ele pretende passar algo novo,
suas ideias e seus pensamentos.

As diferentes técnicas artísticas empregadas na pintura e na


escultura .

Nas artes visuais quase todo material e técnica podem ser utilizados para
criar uma obra, mas existem aqueles que são mais conhecidos, considerados como
tradicionais ou convencionais e os modernos ou contemporâneos.
Entre os meios artísticos tradicionais ou convencionais, três deles manifestam-se
em duas dimensões (bidimensional – altura e comprimento): o desenho, a gravura e a
pintura. Embora o resultado formal de cada um deles seja bastante diferente (embora o
desenho e a gravura sejam similares), a grande diferença entre eles se encontra na
técnica envolvida. Os outros meios tradicionais – a escultura e a arquitetura –
manifestam-se nas três dimensões do espaço (tridimensional – altura, comprimento e
largura ou (profundidade).

Desenho
É o processo pelo qual uma superfície é marcada aplicando-se sobre ela a
pressão de uma ferramenta (em geral, um lápis, carvão, nanquim, grafite, pastel,
caneta, pincel etc.) e movendo-a, de forma a surgirem pontos, linhas e formas
planas. O resultado deste processo (a imagem obtida) também pode ser chamado de
desenho. Desta forma, um desenho manifesta-se essencialmente como uma
composição bidimensional. Quando esta composição possui uma certa intenção
estética, o desenho passa a ser considerado uma expressão artística.
A escolha dos meios e materiais está intimamente relacionada à técnica
escolhida para o desenho. Um mesmo objeto desenhado a bico de pena e a grafite
produz resultados absolutamente diferentes. As ferramentas de desenho mais comuns
são o lápis, o carvão, os pastéis, crayons e pena e tinta. Muitos materiais de desenho são
à base de água ou óleo e são aplicados secos, sem nenhuma preparação.
Existem meios de desenho à base d'água (o "lápis-aquarela", por exemplo), que
podem ser desenhados como os lápis normais, e então umedecidos com um pincel
molhado para produzir vários efeitos. Há também pastéis oleosos e lápis de cera.
Desde a invenção do papel, no século XIV, ele se torna o suporte dominante
para a realização de desenhos. É possível classificar o desenho em função
dos instrumentos utilizados para a sua execução, ou da ausência deles. Pode-se pensar
ainda em modalidades distintas do registro de acordo com as finalidades almejadas.

Entre as várias modalidades de desenho, incluem-se:

• Desenho técnico ou industrial: uma forma padronizada e normatizada de


desenho, voltado à representação de peças, objetos e projetos inseridos em
um processo de produção.
• Desenho arquitetônico: desenho voltado especialmente ao projeto de
arquitetura realizado, de modo geral, com o auxílio de réguas, compassos,
esquadros e outros instrumentos.
• Desenho científico: empregado na zoologia, na botânica e anatomia
(fartamente empregados como ilustrações de manuais didáticos).
• Ilustração: um tipo de desenho que pretende expressar alguma informação,
normalmente acompanhado de outras mídias, como o texto.
• Croqui ou esboço: um desenho rápido, normalmente feito à mão sem a ajuda
de demais instrumentos que não propriamente os de traçado e o papel, feito com
a intenção de discutir determinadas idéias gráficas ou de simplesmente registrá-
las. Normalmente são os primeiros desenhos feitos dentro de um processo para
se chegar a uma pintura ou ilustração mais detalhada.

Gravura

Difere do desenho na medida em que ela é produzida pensando-se na sua


impressão e reprodução. Uma gravura é produzida a partir de uma matriz que pode
ser feita de metal (calcografia), pedra (litografia), madeira (xilogravura) ou seda
(serigrafia).
O artista trabalha nesses suportes fazendo uma gravação da imagem de acordo
com as ferramentas que utiliza com o propósito de imprimir uma tiragem de exemplares
idênticos podendo ser feita pelo próprio artista ou orientando um impressor
especializado.
Uma gravura é considerada original quando é assinada e numerada pelo artista
dentro de conceitos estabelecidos internacionalmente. Após aprovar uma gravura o
artista tira várias provas que são chamadas p. a. (prova do artista). Ao chegar ao
resultado desejado é feita uma cópia "bonne à tirer" (boa para imprimir – b.p.i.). A
tiragem final deve ser aprovada pelo artista, que, então, assina a lápis, coloca a data, o
título da obra e numera a série. Finda a edição, a matriz deve ser destruída ou
inutilizada. Cada imagem impressa é um exemplar original de gravura e o conjunto
destes exemplares é denominado tiragem ou edição. Em uma tiragem de 100 gravuras,
as obras são numeradas em frações: 1/100, 2/100 etc.

Conheça um pouco mais sobre as quatro técnicas de gravura:

• Litografia (matriz de pedra): a litografia (lithos = pedra e graphein = escrever)


foi criada no ano de 1796 por Alois Senefelder.
• Xilogravura (matriz de madeira): surgiu como conseqüência da demanda cada
vez maior de consumo de imagens e livros sacros a partir da invenção da
imprensa por Gutenberg, quando as iluminuras e códigos manuscritos passaram
a ser um luxo de poucos. A gravura em madeira seria um meio econômico de
substituir o desenho manual, imitando-o de forma ilusória e permitindo a
reprodução mecânica de originais consagrados.
• Calcografia (matriz de metal): surgiu nos ateliês de ourivesaria e de
armaduras, no século XV, onde era usual imprimir-se os desenhos das joias e
brasões em papel para melhor visualização das imagens.
• Serigrafia (matriz de seda ou náilon): também conhecida como silk-screen
(tela de seda) é um processo de impressão no qual a tinta é vazada - pela pressão
de um rodo ou puxador - através de uma tela preparada. É utilizada na impressão
em variados tipos de materiais (papel, plástico, borracha, madeira, vidro, tecido,
etc.), superfícies (cilíndrica, esférica, irregular, clara, escura, opaca, brilhante,
etc.) espessuras ou tamanhos, com diversos tipos de tintas ou cores. Também
pode ser feita de forma mecânica (por pessoas) ou automática (por máquinas).

Pintura

Refere-se genericamente à técnica de aplicar pigmento em forma líquida a


uma superfície bidimensional, a fim de colori-la, atribuindo-lhe matizes, tons e
texturas. Em um sentido mais específico, é a arte de pintar uma superfície, tais como
papel, tela, ou uma parede (pintura mural ou de afrescos). A pintura é considerada por
muitos como uma das expressões artísticas tradicionais mais importantes; muitas das
obras de arte mais importantes do mundo, tais como a Mona Lisa, são pinturas.
Diferencia-se do desenho pelo uso dos pigmentos líquidos e do uso constante da
cor, enquanto aquele apropria-se principalmente de materiais secos. Enquanto
técnica, a pintura envolve um determinado meio de manifestação (a superfície onde ela
será produzida) e um material para lidar com os pigmentos (os vários tipos de pincéis e
tintas).
A pintura se difere das outras artes por se tratar de uma expressão que se
apresenta num espaço bidimensional, que propõe a mente humana uma leitura dos seus
elementos estéticos, como a figura, a forma, a textura, a cor.
A escolha dos materiais e técnicas adequadas está diretamente ligada ao
resultado final desejado para o trabalho como se pretende que ele seja entendido. Desta
forma, a análise de qualquer obra artística passa pela identificação do suporte e da
técnica utilizadas. Enquanto técnica, a pintura envolve um determinado meio de
manifestação (a superfície onde ela será produzida) e um material para lidar com os
pigmentos (os vários tipos de pincéis e tintas).
O suporte mais comum é a tela (normalmente uma superfície de
madeira coberta por algum tipo de tecido), embora durante a Idade Média e o
Renascimento o afresco tenha tido mais importância. É possível também usar o papel
(embora seja muito pouco adequado à maior parte das tintas). Quanto aos materiais, a
escolha é mais demorada e, normalmente, envolve uma preferência pessoal do pintor e
sua disponibilidade. Materiais comuns são: a tinta a óleo, a tinta acrílica, o guache e a
aquarela.
É também possível lidar com pastéis e crayons, embora estes materiais estejam
mais identificados com o desenho.
No entanto, há controvérsias sobre essa definição de pintura. Com a variedade
de experiências entre diferentes meios e o uso da tecnologia digital, há a ideia de que
pintura não precisa se limitar à aplicação do "pigmento em forma líquida". Atualmente
o conceito de pintura pode ser ampliado para a representação visual através das
cores. Mesmo assim, a definição tradicional de pintura não deve ser ignorada.
O elemento fundamental da pintura é a cor. A relação formal entre as massas
coloridas presentes em uma obra constitui sua estrutura fundamental, guiando o olhar do
espectador e propondo-lhe sensações de calor, frio, profundidade, sombra, entre outros.
Estas relações estão implícitas na maior parte das obras da História da Arte e sua
explicitação foi uma bandeira dos pintores abstratos.

Conheça as principais técnicas da pintura:

• Aquarela:
É uma técnica de pintura na qual os pigmentos se encontram
suspensos ou dissolvidos em água. Os suportes utilizados na aquarela são
muito variados, embora o mais comum seja o papel com elevada
gramatura (espessura do papel). São também utilizados como suporte o
papiro, casca de árvore, plástico, couro, tecido, madeira e tela.
A aquarela é uma técnica muito antiga cujo aparecimento se
supõe esteja relacionado com a invenção do papel e dos pincéis de pelo
de coelho, ambos surgidos na China há mais de 2000 anos.
No ocidente, há vários exemplos do emprego desta técnica desde
a Idade Média, como Tadeo Gaddi, discípulo de Giotto. Ele viveu
até 1366, e teria produzido uma série de desenhos aquarelados, feitos
sobre papel tipo pergaminho. O método foi utilizado por
artistas flamengos, e amplamente empregado em Florença e Veneza. Foi
com Albert Dürer que a aquarela pode resistir ao tempo, já que ele
deixou pelo menos 120 obras suas.

 Aerografia:
É uma técnica de pintura onde se utiliza uma pequena pistola
ligada a um compressor de ar para produzir jatos de tinta. Antes da
computação gráfica, o aerógrafo era ferramenta fundamental para
retoques, e logo o instrumento foi relacionado à arte comercial. Com o
florescimento da cultura de massa, e principalmente seu auge na
publicidade, este equipamento foi introduzido no campo das belas artes.
Atualmente existem trabalhos feitos com aerógrafo em todas as galerias
do mundo, e seus preços são comparados a trabalhos feitos com pincel.
Sua aceitação em certos círculos de artistas foi muito lenta, pois era
considerada uma arte mecânica. As objeções não se referiam tanto à
qualidade alcançada em seus trabalhos, mas a razões mais teóricas.
Estudiosos da arte dizem que a aerografia surgiu na pré-história,
quando homens da caverna assopravam pigmentos (tinta) através de
tubos derivados de osso de animais e bambus. Contemporaneamente, foi
utilizada na indústria fotográfica do século XVIII como equipamento de
retocagem de fotografias, posteriormente, sua utilização se deu a nível
industrial para pintura de peças e acessórios. Hoje em dia, é utilizado em
diversas áreas como modelismo, artes gráficas, personalização
de motocicletas, capacetes, aplicação de bronzeamento a jato, carros e
seus acessórios, aplicações em funilarias diversas, para aplicação de
tatuagem, aplicação de maquiagem, pinturas em MDF, grafite, pinturas e
pulverizações em geral.

 Colagem:
É a composição feita a partir do uso de matérias de diversas
texturas, ou não, superpostas ou colocadas lado a lado, na criação de um
motivo ou imagem. Foi utilizada por Picasso e Georges Braque, entre
outros. Ela é uma técnica não muito antiga, criativa e bem divertida, que
tem por procedimento juntar numa mesma imagem outras imagens de
origens diferentes.
A colagem já era conhecida antes do Século XX, mas era
considerada uma brincadeira de crianças. O cubismo foi o primeiro
movimento artístico a utilizar colagem. Os cubistas colavam pedaços
de jornal ou impressos em suas pinturas. A colagem como procedimento
técnico tem uma história antiga, mas sua incorporação na arte do século
XX, com o cubismo, representa um ponto de inflexão na medida em que
liberta o artista do jugo da superfície. Ao abrigar no espaço do quadro
elementos retirados da realidade - pedaços de jornal e papéis de todo tipo,
tecido, madeira, objeto e outros -, a pintura passa a ser concebida como
construção sobre um suporte, o que dificulta o estabelecimento de
fronteiras rígidas entre pintura e escultura.

 Encaústica:
Encáustica (deriva do grego enkausticos, gravar a fogo) é uma
técnica de pintura que se caracteriza pelo uso da cera como aglutinante
dos pigmentos e pela mistura densa e cremosa. A pintura é aplicada
com pincel ou com uma espátula quente. É uma técnica muito resistente,
bastando ver a quantidade de pinturas que resistiram ao tempo.
A encáustica é uma técnica conhecida e utilizada desde
a Antiguidade. Os romanos e os gregos usavam-na muito. Plínio o Velho,
descreve o uso da encáustica sobre o marfim, técnica que já então era
considerada antiga. Ele também conta como é uma boa técnica para
rematar a fabricação de um barco por ser muito dura e resistente ao sal e
às intempéries.
Na região de Fayum, norte do Egito, descobriram-se retratos de
grande força expressiva, em sarcófagos de madeira, realizados em
encáustica, com datação dos séculos I e II. Também alguns murais
descobertos em Pompeia são feitos com essa técnica.
No começo da Idade Média também é usada, e, mais tarde, no
Oriente e no âmbito cristão, é o procedimento mais utilizado para
elaborar os ícones. Um bom exemplo de ícone em encáustica é o da
Virgem entronizada com o Menino Jesus do Mosteiro Ortodoxo de Santa
Catarina do monte Sinai, no Egito. Durante os séculos seguintes e a partir
do VIII e do IX esta técnica cai em desuso até que reaparece nos séculos
XVIII e XIX, especialmente na Inglaterra e França. O pintor
francês Eugène Delacroix utiliza em muitas de suas obras algumas cores
previamente misturadas com cera.
A encáustica também é usada por artistas do século XX,
como Jasper Johns, Mauricio Toussaint, Diego Rivera, Georges
Rouault e João Queiroz.

 Figurativismo:
Tipo de arte que se desenvolve principalmente na pintura pela
representação, de seres e objetos em suas formas reconhecíveis para
aqueles que as olham. Na arte ocidental, a prática da arte figurativa só se
transforma, perdendo sua soberania, a partir do início do século XX, com
o surgimento da arte abstrata, que busca expressar o mundo interior, o
mundo dos sentidos, bem como relações concretas usando como
referência apenas os recursos da própria pintura, como a cor, as linhas e a
superfície bidimensional da tela. O Renascimento, o barroco, e o
realismo, são exemplos de estilos artísticos onde o figurativo realista, a
capacidade de mimese do pintor contava muito. Estilos mais recentes
como o impressionismo é o expressionismo também são figurativos,
porém menos preocupados com o que podemos chamar de fotorrealismo
ou a representação "correta" dos objetos.

 Frottage:
Na arte, frottage é um método surrealista e "automático" de
produção criativa desenvolvido por Max Ernst.
No frottage o artista utiliza um lápis ou outra ferramenta de
desenho e faz uma "fricção" sobre uma superfície texturizada. O desenho
pode ser deixado como está, ou pode ser utilizado como base para
aperfeiçoamento. Embora superficialmente similar à fricção em latão e a
outras formas de "esfregar", visando reproduzir um objeto já existente, a
técnica do frottage difere por ser aleatória.
Foi desenvolvida pelo pintor, escultor e artista gráfico alemão,
Max Ernst, em 1925. Aconteceu após Ernst ter a ideia de colocar uma
folha (papel) no chão de madeira de seu ateliê e copiar a sua textura.
Assim, acabou desenvolvendo a técnica de frottage.

 Guache:
O guache é uma aquarela opaca, porém elaborado numa
consistência mais líquida por ser utilizado uma quantidade maior de
aglutinante. Seu grau de opacidade varia com a quantidade de pigmento
branco adicionado à cor, geralmente o suficiente para evitar que a textura
do papel apareça através da pintura, fazendo com que não tenha
a luminosidade das aquarelas transparentes.
Na Idade Média já se usavam guaches nas iluminuras. Muitos
artistas o usaram desde aí até aos nossos dias. Existem habitualmente em
tubos e também em pastilha. Embora o guache seja principalmente uma
técnica de pintura é também usado muitas vezes
para desenho e ilustrações ou trabalhar em conjunto com materiais
variados de desenho.

 Luminismo:
Modo pictórico que dedica especial atenção à luz e seus efeitos.
Luminismo é o nome de uma técnica pictórica e de uma Escola
de pintura dos Estados Unidos que floresceu durante o fim do século
XIX.
O termo foi cunhado por John Baur em seu estudo de 1954 sobre
a pintura norte-americana do século XIX, American Luminism, sendo
usado na descrição de uma característica especial no tratamento da luz
com fins expressivos e de revelação espiritual, junto com uma técnica de
acabamento que eliminava a evidência da pincelada e oferecia uma
superfície lisa e acetinada, que realçava o efeito impessoal do panorama
pintado. Com esses recursos os pintores buscavam criar atmosferas de
tranquilidade que convidassem à contemplação. Os paisagistas do século
XIX não se definiam como luministas, pois o termo não existia, nem as
características que são identificadas em suas obras como luministas
compunham uma filosofia independente dos princípios gerais da Escola
do Rio Hudson, à qual pertencia a maioria deles. Mais tarde o nome foi
aplicado a outros pintores, inclusive europeus, e hoje é usado
frequentemente para designar uma Escola de pintura autônoma dos
Estados Unidos.

• Muralismo, pintura mural ou parietal:


É a pintura executada sobre uma parede, quer diretamente na sua
superfície, como num afresco, quer num painel montado numa exposição
permanente. Ela difere de todas as outras formas de arte pictórica por
estar profundamente vinculada à arquitetura, podendo explorar o caráter
plano de uma parede ou criar o efeito de uma nova área de espaço. A
técnica tradicional de uso mais generalizado é a do afresco, que consiste
na aplicação de pigmentos de cores diferentes, diluídos em água, sobre
argamassa ainda úmida.

 Pastel:

O Pastel é um material artístico


para pintura e/ou desenho existente em uma barra, bastões cilíndricos ou
até em um lápis. Existem dois tipos de Pastel: O Pastel Seco e o Pastel de
Óleo. Estes dois tipos de pastel apresentam características diferentes,
tanto na sua composição como na sua parte visual.
É um material antigo, referido pela primeira vez por Leonardo Da
Vinci como um material elegante para "pintar a seco". Este material pode
ser utilizado em quase todas as superfícies de papel, mas apresenta um
inconveniente na sua utilização, pois uma vez utilizado no suporte pode-
se tornar um desafio apagar parcialmente o Pastel Seco sem deixar
vestígios.
Esse tipo de pastel existe desde da década de 60 do século XX e a
sua fabricação é semelhante ao do pastel seco, tendo como diferença
o óleo, componente que acabará por dar nome a este material. O Pastel de
Óleo pode ser diluído no suporte usando um pincel e, ao contrário do
Pastel Seco, é um material que em excesso pode ser facilmente removido.

 Pintura a óleo:
A pintura a óleo é uma técnica de pintura das artes plásticas que
utiliza tintas à base de óleo de papoula ou linhaça, aplicadas com pincéis
ou espátulas sobre o suporte desejado, podendo ser tela de tecido ou
madeira.
A principal revolução da pintura a partir da tinta a óleo foi o
emprego de uma substância secativa que permitia a secagem satisfatória
da obra à sombra. A pintura a óleo oferece uma versatilidade ao artista
que nenhuma outra técnica dispõe. A tinta pode ser uma massa espessa e
de secagem demorada, pode ser diluída e permitir um traço mais raso, ou
pode ser espessa e ter uma secagem rápida, com o uso de substâncias
secativas. No entanto, há também desvantagens na pintura a óleo, as
obras tendem a escurecer com o tempo, e acontece também o fenômeno
denominado craquellure, que é a aparência craquelada que a tinta
apresenta na tela de acordo com seu envelhecimento.
Há várias formas de utilizar a tinta a óleo. Pode ser aplicada pura,
criando uma pincelada intensa, pode ser diluída, aproximando-se da
textura das aquarelas ou pode ser aplicada com um pedaço de pano, para
produzir um suave laivo. Há também a possibilidade de compor a
pintura, criando várias camadas, utilizando do recurso de sobreposição de
tintas, que se dá da seguinte forma: aplica-se uma camada, espera-se a
secagem e aplica-se a segunda camada. Desta maneira, é possível
produzir efeitos de cor exclusivos da pintura a óleo.
A pintura a óleo é um dos suportes mais importantes da
manifestação artística mundial. A técnica, que começou a ser usada
no Renascimento, surgiu na Itália em meados do século XV, e foi usada
para retratar importantes momentos históricos e produzir obras de suma
importância cultural. A pintura a óleo foi inovadora por permitir
mudanças na produção da pintura, sendo o óleo um novo pigmento
aglutinante, que permitia uma grande inovação na gama de cores das
tintas. Inclusive, os grandes pintores medievais produziam suas próprias
tintas a óleo.
As principais obras de pintura a óleo foram Mona Lisa e A Última
Ceia, de Leonardo Da Vinci; As Meninas e Retrato do Papa Inocêncio X,
de Diego Velázquez; Os Camponeses Comendo Batatas, Doze Girassóis
numa jarra, A Noite Estrelada, Retrato de Dr. Gachet, de Vincent van
Gogh; e O Grito, de Edvard Munch.
Como é possível observar, estas obras localizam-se em diferentes
momentos da história, e em diferentes contextos literário-artísticos, o que
coloca a pintura a óleo como uma técnica extremamente presente e
influente na cultura universal. As manifestações artísticas relacionam-se
geralmente com o momento político-histórico vivido pela sociedade em
que vive o artista, logo, ao refletir que a pintura a óleo surgiu no
Renascimento, compreende-se sua irrevogável importância histórico-
cultural nas manifestações artísticas mundiais.

 Pintura corporal:
Pintura corporal é uma das formas de pintura arte indígena onde
os corpos são pintados com tinturas extraídas de plantas.
Materiais: Jenipapo, Urucum, Babaçu, etc. A pintura corporal é uma
forma de expressão. Muitos usam como forma de demonstrar seus
sentimentos por algo ou alguém. Geralmente quando escutamos falar de
pintura corporal temos em mente sempre os índios, mas a pintura
corporal está presente nos dias de hoje. A tatuagem e a maquiagem são
grandes exemplos de pintura corporal que é usada por pessoas de
diversas partes do mundo.

 Pintura digital:
Pintura digital é uma técnica de ilustração, ou pintura, que em vez
de usar os meios tradicionais, utiliza um ambiente computacional. As
ferramentas digitais estão disponíveis em um software, um programa
gráfico que oferece uma tela virtual e caixas de pintura com grande
quantidade de pincéis, cores e outros suprimentos. Essas "caixas" contém
muitos instrumentos que não existem fora do computador, e que dão à
arte-final características diferentes das obras feitas da maneira
tradicional.
Considera-se o software SuperPaint o marco da pintura digital,
em 1972. Ele que foi o primeiro programa a possuir um sistema de anti-
aliasing. Este tipo de ilustração foi rapidamente utilizada
pela publicidade e pelos produtores de videogames, devido a
versatilidade desta técnica. Desde a década dos noventas ela tem sido
utilizada na arte conceitual, no cinema, nos jogos e no design de objetos.

 Têmpera:
A têmpera é uma técnica de pintura na qual os pigmentos ou os
corantes podem ser misturados com um aglutinante. Esse aglutinante
pode ser uma emulsão de água e gema de ovo, o ovo inteiro, ou somente
a clara.
Referida na obra de Cennino Cennini, Il Libro dell´Arte, do final
do século XIV, a técnica de pintura a têmpera foi largamente utilizada na
arte italiana nos séculos XIV e XV, tanto em afrescos como em painéis
de madeira preparados com gesso ou cré . Dadas as limitações da técnica
na gradação das tonalidades de uma cor, ela viria a ser substituída, por
pintores e artesãos, pela pintura a óleo.
Do ponto de vista tecnológico, a gradação de tonalidades e a
fusão de cores são difíceis por causa da secagem muito rápida. Daí, a
técnica utilizada para esse fim ser de sobreposição de pinceladas com a
pintura seca, com pontos ou linhas claras ou escuras, e com cruzamento
de traços. Pode-se também trabalhar com o verniz resinoso ou com uma
goma sobre a tinta, realçando o brilho e os matizes. Quanto ao resultado
final, as cores da têmpera são brilhantes e translúcidas, no entanto, é
possível criar cores opacas e fortes, desde que o pigmento seja menos
diluído no aglutinante.

Conheça os principais materiais da pintura:

• Acrílico: é uma tinta sintética solúvel em água que pode ser usada em camadas
espessas ou finas, permitindo ao artista combinar as técnicas da pintura a óleo e
da aquarela. Se você quiser fazer tinta acrílica, você pode misturar tinta guache
com cola.
• Guache: é um tipo de aquarela opaca. Seu grau de opacidade varia com a
quantidade de pigmento branco adicionado à cor, geralmente o suficiente para
evitar que a textura do papel apareça através da pintura, fazendo com que não
tenha a luminosidade das aquarelas transparentes.
• Tinta a óleo: é uma mistura de pigmento pulverizado e óleo de linhaça ou
papoula. É uma massa espessa, da consistência da manteiga, e já vem pronta
para o uso, embalada em tubos ou em pequenas latas. Dissolve-se com óleo de
linhaça ou terebintina para torná-la mais diluída e fácil de espalhar. O óleo
acrescenta brilho à tinta; o solvente tende a torná-la opaca. A grande vantagem
da pintura a óleo é a flexibilidade, pois a secagem lenta da tinta permite ao
pintor alterar e corrigir o seu trabalho.

Conheça os principais gêneros da pintura:

 Autorretrato:
Muitas vezes é definido em História da Arte, como
um retrato (imagem, representação), que o artista faz de si mesmo,
independente do suporte escolhido. Reconhece-se, em geral, a partir
da renascença italiana, que este tipo de auto representação passou a ser
cada vez mais frequente, chegando à obsessão de um Rembrandt - quase
uma centena - ou de uma Vigée-Lebrun.
Seja ou não este produto, reconhecido no campo artístico como
inserido nesta categoria. O autorretrato é uma forma de estudo
anatômico, embora alguns deles apresentem alegorias, caricaturas e
também expressem condições emocionais específicas a exemplo de Frida
Kahlo (1907 - 1954) com seus autorretratos com macacos ou Goya, 1820
que incluiu em seu autorretrato o seu amigo Arrieta lhe auxiliando
durante a enfermidade que padeceu no ano anterior ao da pintura, quando
possuía 73 anos de idade. Para Novaes 1 o autorretrato é um instantâneo
do momento em que o sujeito se encontra, mas não por muito tempo. Em
última análise, pode-se traduzi-lo como uma metáfora da
contemporaneidade e suas identidades nômades.

 Ícone:
Identifica uma representação sacra pintada sobre um painel de
madeira. No Ocidente, ícone pode também ser qualquer imagem (seja
estátua ou pintura) de representação religiosa, e não pode ser confundida
com o ídolo.
O ícone é a representação da mensagem cristã descrita por
palavras nos Evangelhos. Trata-se de uma criação bizantina do século V,
quando da oferta de uma representação da Virgem, atribuída pela
tradição a São Lucas. Quando da queda de Constantinopla em 1453, foi a
população dos Bálcãs que contribuiu para difundir e incrementar a
produção desta representação sacra, sendo na Rússia o local onde assume
um significado particular e de grande importância. O simbolismo e a
tradição não englobam somente o aspecto pictórico, mas também aquele
relativo à preparação espiritual e aos materiais utilizados.

 Natureza morta:
É um tipo da pintura e fotografia em que se vê seres inanimados,
como frutas, louças, instrumentos musicais, flores, livros, taças de vidro,
garrafas, jarras de metal, porcelanas, dentre outros objetos.
Esse gênero de representação surgiu da Grécia antiga, e também
se fez presente em afrescos encontrados nas ruínas de Pompeia. Foi
depois condenada por teólogos católicos durante a Idade Média. A
denominação Natureza morta, conforme o alemão Norbert Schneider ,
surgiu na Holanda no século XVII, nos inventários de obras de arte. A
expressão competiu durante algum tempo com natureza imóvel e
com representação de objetos imóveis no século XVIII.
O ícone era pintado sobre um painel de madeira. Sobre a
superfície aplainada era feito o desenho e começava-se a pintura pela
aplicação do dourado, geralmente nas bordas, detalhes das roupas, fundo
e resplendores ou coroas. Então se pintavam as roupas, construções e a
paisagem de fundo. A última etapa era a aplicação do branco puro na
face e mãos. O efeito tridimensional era alcançado misturando ocre ao
branco e aplicando essa tinta mais escura nas maçãs do rosto, nariz e
testa. Uma fina camada de verniz avermelhado dava o sutil acabamento
final a lábios, face e ponta do nariz. Um verniz marrom era usado no
cabelo, barbas e detalhes dos olhos.
A produção de ícones religiosos era considerada uma arte nobre,
que necessitava grande preparação técnica e espiritual. O pintor precisava
se purificar de corpo e alma para conseguir a perfeição, achava-se que o
divino operava pela mão do pintor, então era inoportuno assinar a obra.
Como na maioria das representações sacras, a cor no ícone
assume uma importância fundamental para expressar a intenção do
pintor. O azul é a cor da transcendência, mistério divino. O vermelho,
sem dúvida a cor mais viva presente nos ícones, é a cor do humano e do
sangue dos mártires. O verde é usado como símbolo da natureza,
da fertilidade e da abundância. O marrom simboliza o terrestre, o
humilde e pobre. Branco é a harmonia, a paz, a cor do divino que
representa a luz que se avizinha. E o preto, decepção e tristeza.

 Paisagem:
Considera-se paisagem a imagem resultante da síntese de todos os
elementos presentes em determinado local. Uma outra definição,
tradicional, de paisagem é a de um espaço territorial abrangido
pelo olhar. Pode ser definida como o domínio do visível, aquilo que a
vista abarca. É formada não apenas por volumes mas também por cores,
movimento, odores, sons etc/. A paisagem não é espaço, pois se tirarmos
a paisagem de um determinado lugar, o espaço não deixará de existir.
O termo é normalmente usado para se referir
às perspectivas visuais existentes em cada ambiente, sendo inclusive uma
categoria da pintura. A paisagem é um resultado natural ou humanizado.
A paisagem natural é aquilo que vem de origem da natureza, sem
interferência da mão humana, como a vegetação e formações geológicas.
A paisagem humanizada é aquela que sofreu transformações em
resultado da intervenção humana. São exemplos de ambiente construído
as obras de arquitetura e de paisagismo.
Para alguns autores, a paisagem é a apreensão do mundo de uma
forma individual. Um olhar individual que pode retransmitir para o
conceito de paisagem na arte. É o fenômeno espacial no tempo do
indivíduo.

 Pintura de gênero:
A pintura de gênero (ou género, em Portugal) desenvolveu-se a
meio do florescimento do Barroco na Europa Católica (século XVII)
nos Países Baixos, sobretudo nos Países Baixos do Norte (a porção que
hoje corresponde à Holanda). Trata-se de um estilo sóbrio, realista,
comprometido com a descrição de cenas rotineiras, temas da vida diária
como homens dedicados ao seu ofício, mulheres cuidando dos afazeres
domésticos, ou até mesmo paisagens. Nasce então a pintura de
genre (ou petit genre) como uma resposta nacionalista, glorificadora da
cultura neerlandesa, ao processo de libertação dos Países Baixos da
dominação espanhola.

 Retrato:
Um retrato é uma pintura, fotografia ou outra representação
artística de uma pessoa. O mais famoso exemplo de um retrato é a La
Gioconda de Leonardo da Vinci.

Escultura

É uma arte que representa imagens plásticas em relevo total ou parcial usando a
tridimensionalidade do espaço.
Os processos da arte em escultura datam da Antiguidade e sofreram poucas
variações até o século XX. Estes processos podem ser classificados segundo o material
empregado: pedra, metal, argila, gesso ou madeira (As madeiras comumente
utilizadas são o cedro e o mogno, por serem fáceis de trabalhar e mais leves).
A técnica da modelagem consiste em elaborar esculturas inéditas através desta
técnica. São utilizados materiais macios e flexíveis, facilmente modeláveis, como a
cera, o gesso e a argila.
No caso da argila, a escultura será posteriormente cozida, tornando-se resistente.
A modelagem é, também, o primeiro passo para a confecção de esculturas através de
outras técnicas, como a fundição e a moldagem.

Demais técnicas de escultura:

 Entalhe:
Entalhe é a arte de cortar ou entalhar a madeira. A grande
variedade disponível de cores da madeira, desde o branco quase tão claro
quanto o marfim, até o negro acetinado da castanheira e do ébano, pode
ser explorada com resultados formidáveis.
O entalhe é uma arte amplamente conhecida, tendo atualmente
sua melhor expressão na África e Oceania. Na Europa pouco sobrou das
obras da Antigüidade, mas no final da Idade Média foi grande o
florescimento dessa arte. No interior das igrejas medievais, a habilidade
dos entalhadores era apresentada nas belíssimas cadeiras de coro, bancos,
telas, púlpitos e estantes para leitura.

 Fundição de metal:
Outra técnica utilizada para a escultura é fundição de metal (ferro,
cobre, bronze etc) em que se faz um processo complexo que começa com
um modelo em argila, passando por um molde que será preenchido com
cera, obtendo-se outra peça idêntica neste material, que poderá ser
retocada, para corrigir algumas imperfeições derivadas do molde. Depois
de modelada em cera.
Em seguida, o metal líquido é vazado dentro de um molde,
ocupando o lugar deixado pela cera. O gesso é dissolvido em uma
lavagem a jato de água, revelando a peça com seus contornos. A
escultura de metal passa, então, por um processo final de recorte e de
acabamento.

 Móbile:
Na escultura, o móbile é um modelo abstrato que
tem peças móveis, impulsionadas por motores ou pela força natural
das correntes de ar.
Suas partes giratórias criam uma experiência visual
de dimensões e formas em constante equilíbrio. O móbile foi
inicialmente sugerido por Marcel Duchamp para uma exibição de 1932,
em Paris, sobre certas obras de Alexander Calder, que se converteu no
maior exponente da escultura móbile. A origem latina do termo móbile
remete à ideia de "móbil", "movimento".

 Talha Dourada:
É uma técnica escultórica em que madeira é talhada (esculpida) e
posteriormente dourado, ou seja, revestida por uma película de ouro. Esta
técnica, principalmente associada à arquitetura, teve um período de grande
aplicação na Península Ibérica e suas respectivas colónias durante o
barroco onde se dá destaque ao jogo de volumes. Tornou-se num dos principais
cunhos do barroco do norte de Portugal, a par do azulejo, nos séculos XVII e
XVIII, especialmente no interior de igrejas e capela sem altares e retábulos.
Para uma encomenda de talha dourada era necessário o trabalho de vários
artesãos sob a orientação de um mestre.

Arquitetura

Entre muitas outras coisas, a Arquitetura é a organização do espaço


tridimensional. É uma atividade humana existente desde que o homem passou a se
abrigar das intempéries do clima. Uma definição mais precisa da área envolve todo o
design do ambiente construído pelo homem, o que engloba desde o desenho de
mobiliário (desenho industrial) até o desenho da paisagem (paisagismo) e da cidade
(urbanismo), passando pelo desenho dos edifícios e construções (considerada a
atividade mais comum dos arquitetos). O trabalho do arquiteto envolve, portanto, toda a
escala da vida do homem, desde a manual até a urbana.
A arquitetura se manifesta de dois modos diferentes: a atividade (a arte, o
campo de trabalho do arquiteto) e o resultado físico (o conjunto construído de um
arquiteto, de um povo e da humanidade como um todo).
A Arquitetura depende ainda, necessariamente, da época da sua ocorrência, do
meio físico e social a que pertence, da técnica decorrente dos materiais empregados e,
finalmente, dos objetivos e dos recursos financeiros disponíveis para a realização da
obra, ou seja, do programa proposto.
Bem mais do que planejar uma construção ou dividir espaços para sua melhor
ocupação, a Arquitetura fascina, intriga e, muitas vezes, revolta as pessoas envolvidas
pelas paredes. Isso porque ela não é apenas uma habilidade prática para solucionar os
espaços habitáveis, mas encarna valores. A Arquitetura desenha a realidade urbana que
acomoda os seres humanos no presente. É o pensamento transformado em pedra, mas
também a criação do pensamento.

O desenvolvimento histórico da linguagem e da expressão


musical.

Primeiramente, cabe a nós respondermos a uma questão muito peculiar e


demasiadamente pertinente: O QUE É MÚSICA? Bem, as respostas certamente
variam, contudo, de forma geral, podemos considerar que música é a combinação de
ritmo, harmonia e melodia, de maneira agradável ao ouvido. No sentido amplo, é a
organização temporal de sons e silêncios (pausas). No sentido restrito, é a arte de
coordenar e transmitir efeitos sonoros, harmoniosos e esteticamente válidos,
podendo ser transmitida através da voz ou de instrumentos musicais. Ademais, a
música pode e deve ser considerada como uma manifestação artística e cultural de um
povo, em determinada época ou região, também sendo um veículo usado para expressar
os sentimentos.
E O QUE É RITMO? Ritmo é um substantivo masculino com origem no grego
rhythmos e que designa a sucessão regular dos tempos fortes e fracos em uma frase
musical. Indica o valor das notas, de acordo com a intensidade e o tempo. Pode ser
sinônimo de cadência (sons cadenciados) em intervalos de tempo periódicos.
E O QUE É HARMONIA? A harmonia musical indica a concordância ou
combinação de vários sons simultâneos ou de acordes que são agradáveis ao ouvido.
Isto é, enquanto a harmonia é a combinação de sons simultâneos, a MELODIA é a
combinação de sons sucessivos.
E QUANDO NASCEU A MÚSICA? Como as primeiras manifestações
musicais não deixaram vestígios, é praticamente impossível responder. Ao que parece, o
homem das cavernas dava à sua música um sentido religioso. Considerava-a um
presente dos deuses e atribuía-lhe funções mágicas. Associada à dança, ela assumia um
caráter de ritual, pelo qual as tribos reverenciavam o “Desconhecido”, agradecendo-lhe
a abundancia da caça, a fertilidade da terra e dos homens.
Com o ritmo criado – batendo mãos e pés – eles buscavam também celebrar
fatos da sua realidade. Mais tarde, em vez de usar só as mãos e os pés, passaram a
ritmar suas danças com pancadas na madeira, primeiro simples e depois trabalhadas
para soarem de formas diferentes. Surgia, assim, o instrumento de percussão.
Os barulhos da natureza deviam fascinar o homem desses tempos, dando-lhe
vontade de imitar o sopro do vento, o ruído das águas, o canto dos pássaros. Mas, para
isto, o ritmo não bastava, e o artesanato ainda não permitia a invenção de instrumentos
melódicos. De modo que estranhos sons tirados da garganta devem ter constituído uma
forma rudimentar de canto, que, junto com o ritmo, resultou da mistura de palmas e
roncos, pulos e uivos, batidas e berros. Era o que estava ao alcance do homem
primitivo. E terá sido um estilo que resistiu a séculos.
Contudo, segundo os atuais conceitos de música, essas tentativas foram muito
pobres para se enquadrarem na categoria de arte musical. Mas, do ponto de vista
histórico, elas tiveram uma importância enorme. Porque a sua rítmica elementar
acompanhou o homem à medida que este se espalhava sobre a Terra, formando culturas
e civilizações e evoluiu com ele, refletindo todas as transformações que a humanidade
viveu até chegar a ser como é agora.

A música na Grécia

Indiscutivelmente, foram os gregos que estabeleceram as bases para a


cultura musical do Ocidente. A música na Grécia Antiga fazia parte da rotina diária
das pessoas, estando presente em eventos privados e festividades abertas ao público. Há
relatos históricos mostrando a forte presença musical desde o Período Arcaico, havendo
mesmo competições musicais em muitas partes da Grécia Antiga. Havia, por exemplo, a
Karnea, realizada em Esparta, onde a música aparecia conectada ao treinamento e
educação dos jovens. No século 6 a.C. a música também era parte importante em duas
grandes festividades realizadas em Atenas, a primeira delas era a Megala Panathinea e
a segunda a Megala Dionysia. Foi nessas festividades que Atenas despontou como
grande expoente cultural, pois além das competições musicais, cresceram a arte poética
e o drama antigo. Além das festividades, a música também estava conectada a eventos
cotidianos como casamentos, banquetes, encontros sociais diversos e competições
esportivas, dentro das quais também havia competições musicais. Convém destacar,
ainda, que estudos apontam que obras grandiosas da literatura como os épicos de
Homero (Ilíada e Odisseia) e as tragédias gregas não teriam sobrevivido ao tempo sem a
contribuição da música.
Ademais, a própria palavra música nasceu na Grécia, onde “Mousikê”
significa “A arte das Musas”, abrangendo também a poesia e a dança. O ritmo era o
denominador comum das três artes, fundindo-as numa só. Dessa forma a Lírica era um
gênero poético, mas seu traço principal era a melodia e até seu nome deriva de um
instrumento musical – a Lira. Como os demais povos antigos, os gregos atribuíam aos
deuses sua música, definindo-a como uma criação integral do espírito, um meio de
alcançar a perfeição.
Do ponto de vista histórico, a música na Grécia é importante em três momentos:
no intuitivo dos aedos arcaicos, no teórico de Damão e no legislativo em Platão e
Aristóteles. Isto é, na Grécia havia a necessidade da música na educação da
primeira infância para manter os costumes (éthos) dos cidadãos de acordo com os
valores da cidade. A educação dos aedos arcaicos é dependente da memória auditiva
dos gregos, o único elemento eficiente para a manutenção de um saber em uma época
anterior à escrita. Essa “inteligência” auditiva é o paradigma para a reflexão que Platão
e Aristóteles fazem sobre o início e os fundamentos da educação. Eles levantam a
hipótese de que o éthos de uma comunidade gera, pela música, disposições morais nos
indivíduos. Além disso, os filósofos afirma que se deve prestar atenção nos tons
predominantes que caracterizam a música e em como essas tonalidades dos modos
gregos se ligam ao conteúdo do discurso que é transmitido. Essas aplicações
específicas, dentre inúmeras outras, tornam a música essencial para a cidade, visto
que ela tranquiliza os bebês, dá vigor aos jovens e robustez aos adultos . De acordo
com os filósofos, os efeitos da música sobre o comportamento humano podem ocorrer
de quatro maneiras distintas: primeiro, pode induzir á ação, ethos praktikón; segundo,
pode manifestar a força, o ânimo, ethikón; terceiro, pode provocar a fraqueza no
equilíbrio moral, ethos malakón; ou threnôdes, que segundo Platão resulta dos cantos
trenódicos baseados nas harmonias plangentes como lídia mista e lídia tensa; e quarto,
pode induzir temporariamente, à ausência das faculdades volitivas produzindo um
estado de inconsciência, ethos enthousiastikón.
Seu sistema musical apoiava-se numa escala elementar de quatro sons – o
Tetracorde. Da união de dois Tetracordes formaram-se escalas de oito notas, cuja
riqueza sonora já permitia traçar linhas melódicas. Estas escalas mais amplas – Os
modos – tornaram o sistema musical grego conhecido posteriormente como Modal.
O canto prendia-se a uma melodia simples, a Monodia, pois os músicos da
Grécia ignoravam as combinações simultâneas de sons (harmonias). Mas nem por isso
deixavam de caracterizar com seus Modos um sentido moral – o Ethos -, tornando os
ritmos sensuais, religiosos, guerreiros e etc.
Uma vez que os ritos religiosos quase não mudavam, conservando a tradição,
com o tempo criaram-se melodias- padrão, muito fáceis e conhecidas de todos. Eram os
Nomoi, cujo acompanhamento se fazia com a Cítara e o Aulos. A cítara descendia da
lira e, como ela, tinha cordas. O aulos era um instrumento de sopro, ancestral do nosso
oboé.
E em relacao ao sentido ético grego, como esses nomoi da música representam e
afetam “eticamente” a alma? A tese de que a música afeta o psiquismo humano está
pautada na possibilidade de ela ser oriunda da própria alma, assim como, para Platão, a
própria cidade é um reflexo similar da alma de seus governantes. A música promove
uma intermediação da alma à cidade e da cidade à alma dos jovens. A música representa
o éthos das pessoas de uma comunidade e corrobora para que os ethé sejam mantidos na
cidade. Desse modo, foi por intermédio de uma fala rítmica e carregada dos nomói que
os aedos encontraram a primeira forma de manutenção e transmissão de seus costumes.
A partir disso, estudiosos concluíram que a poesia foi a primeira forma de “legislar”,
pois, embora ela não tenha criado o conjunto de valores que permitiu o surgimento da
vida em sociedade, ela criou o meio para preservá-los e transmiti-los em uma época
anterior à escrita. É com o advento da escrita que os filósofos gregos passaram a legislar
sob bases mais estáveis a respeito dos costumes religiosos até os musicais.
Nesse sentido, a educação inicial que Platão concebe para os jovens guardiões
não é original, pois assume a forma de ensinar já utilizada pelo aedos arcaicos. O
aparecimento das Musas – as deusas da musicalidade - na Teogonia mostra que o papel
primordial da música é o alegrar Zeus, e não o de aconselhar ou instruir o gênero
humano. Mesmo assim, a instrução do homem e a formação de um hábito por
intermédio da música adquiriram grande relevância nas leituras que a filosofia fez da
cultura musical grega.

A música e a cidade grega

Os filósofos, ao aceitarem o modo arcaico de educar a alma, tornam-se herdeiros


da racionalidade e da escolha que as musas fazem de não narrar tudo: eles também
escolheram algumas músicas e conteúdos e se esqueceram de outros. Nem todos os
hábitos e conteúdos inspirados pelas Musas são aceitos por Platão e sua recusa da
lamentação de Aquiles, por exemplo, tem a seguinte justificativa: deve-se evitar mostrar
as lamentações de um herói com o vigor e a coragem de Aquiles, assim como se deve
evitar a música lamentosa, pois ela incentiva um hábito indesejável nos guerreiros e no
guardião da constituição da cidade. A imoralidade de partes dos textos de Homero,
como daqueles deuses e filhos em guerra exilando os próprios pais, também é recusada
pelas disposições que geram nos jovens quando ouvem isso. Eles poderiam achar que é
comum o desrespeito e a agressão ao pai ou ao próprio filho, como quando Zeus
expulsou Hefésto do Olimpo por ele ter tentado defender sua mãe da ira de Zeus.
O poeta é o executante do canto por ser o intermediário entre as Musas e a
sua audiência, mas não é o autor.
Aristóteles é quem formula com mais clareza a importância de se legislar
sobre a música. No livro VIII da Política, ele detalha as melodias éticas e harmonias a
serem usadas na educação.
A reflexão sobre éthos da música também depende do estudo sobre seu páthos.
O primeiro pensador grego que estudou como os ritmos e as melodias afetavam a alma
foi Damão, uma figura respeitada e citada tanto por Platão, na República, quanto por
Aristóteles, na Política.
Primeiramente, no período pré-damoniano, o canto com ritmo e sem qualquer
palavra, entoado para amansar a cólera de um bebê ou acalmar seu sofrimento, delimita
a origem da crença no tocante a influencia da música sobre a alma, que se desdobra em
uma influência da música sobre a comunidade, com os aedos.
Em segundo lugar, no período pré-damoniano, Damão explora uma nova teoria
do éthos musical. Ele aprimora as antigas crenças sobre a formação da alma pela música
e de detém naquela alma que se encontra entre a produção e a recepção da mensagem
sonora. No domínio da pedagogia, tanto ele quanto Platão depois “ensaiaram a
elaboração de um sistema positivo fundado sobre a concepção de reciprocidade entre a
ação da educação moral e aquela da educação musical, assegurando o desenvolvimento
dos cidadãos e a perenidade das cidades.” Por meio de um refinamento dos estudos dos
efeitos da música e da atividade dos aedos, Damão conclui que na música cantada para
as crianças é construído o caráter da futura cidade onde elas irão habitar. Trata-se de
uma relação profunda entre a música das crianças e a saúde das cidades. Com isso,
ele esboçou a teoria que mais tarde iria aparecer na legislação sobre a educação
musical.
Em terceiro lugar, no período pós-damoniano, surge a legislação efetiva sobre a
educação musical. O próprio Aristóteles salienta, no livro VIII da Política, que ninguém
questiona a importância de se legislar sobre a música na educação, sobretudo por que os
efeitos da educação musical devem estar de acordo com o regime político de
determinada comunidade e qualquer alteração na música é logo sentida na cidade. O
Estagirita salienta que foi Sólon quem prescreveu o ensinamento obrigatório da música
nas cidades. Ele criou a ideia de que as leis da cidade deveriam ser apresentadas com
preâmbulos musicais e sob a forma de poemas. Em linhas gerais, o período pós-
damoniano está vinculado ao pré-damoniano por ser um aprimoramento legislativo
deste, e por colocar na escrita a sabedoria musical descoberta pela oralidade.

Lei sobre a educação musical

Há, contudo, um limite para a educação moral por meio da música, o que pode
ter um efeito contrário ao da harmonização da alma, tornando o jovem fraco e frágil.
Assim, para Aristóteles, faz-se necessário determinar até que ponto os jovens devem
estudar música, pois eles não precisam se tornar profissionais, nem competir em
concursos, devem apenas saber ouvir bem.
A música é importante para as cidades, para a manutenção e para a mudança de
certos sistemas políticos. Invariavelmente, todo movimento político tem seu canto de
guerra, de vitória, de batalha e seu hino. Vive-se, na prática, aquilo que Platão e
Aristóteles afirmaram em seus estudos políticos: qualquer alteração na música
significa uma alteração na cidade. O que importa é que alguém que seja chamado para
divertir os festins – os aedos no caso dos antigos e os profissionais de hoje reconhecidos
socialmente – domine não só a prática da produção, mas os efeitos psicológicos e
políticos daquilo que produz, tendo consciência de sua parte na formação dos homens e
das cidades.
Pensando na virtude da alma dos guardiões, Platão, na República, fez “o
conjunto de músicas passar por uma seleção, e permanecem aquelas que possam melhor
contribuir para a formação da conduta moral do cidadão”. Isso ocorre para formar a
harmonia da alma do guardião, fazendo com que a virtude exerça sua influência entre o
prazer e a razão. Aristóteles defende algo parecido: se “a música conduz de algum modo
à virtude, tal como ginástica confere ao corpo determinados atributos, também a música
pode conferir outros ao caráter, se for capaz de o habituar [o homem] a um uso correto”.
Dentre todas as artes imitativas, a que mais se aproxima de um ensino da virtude é
a música.
Culturalmente falando, em sentido amplo, é a musicalidade que permite o
exercício da política, tanto que os reis precisam, na Teogonia, dos dons das musas para
guiar a cidade. A política grega arcaica depende da retórica fornecida pelas musas. O
próprio rei (basiléu) possui no tom e ritmo de sua própria voz algo herdado da sedução
que somente as Musas possuíam. Como ocorre também em Platão, os guardiões sem
música não terão a beleza e a sedução da eloquência necessárias a um hábil “político”
que deve preservar as leis da cidade.

Filósofo legislador

Portanto, seja qual for o modelo de maestria, o político ou o pedagógico, a ação


de reorientar é um bem de quem possui uma arte musical. Quando Platão fala do médico
verdadeiro e, também, do artista verdadeiro, deve-se lembrar que o músico, já sendo um
artista, poderia ser também um médico. O objetivo do filósofo é se tornar um artista
que, mesmo sem ser um exímio músico, seja capaz de recorrer a quem domina essa arte,
como Damão, para legislar sobre ela, ou melhor, como Sólon que colocava melodias
nos proêmios de sua lei.

Papel dos instrumentos na educação musical

A cítara era o meio ideal para expressar principalmente o ethos dos hinos
litúrgicos, dedicados à Apolo. A música instrumental da cítara, veicula um caráter ético
viril, grave e majestoso. Associada ao ethos da cítara está a harmonia dórica, a
verdadeiramente helênica. A harmonia dórica e austera, firme, capaz de manter o
espírito firme diante de qualquer desafio.
O aulos é o instrumento associado aos cultos dionisíacos, utilizado nas
composições ditirâmbicas para acompanhar os coros dramáticos e as elegias. O
ditirambo representava, para os gregos, uma das mais importantes realizações na poesia
coral. A harmonia própria das composições para o aulos é a frígia, e seu caráter é
entusiasta e agitado.
A harmonia lídia era plangente, favorecia as situações trágicas, e era adequada
para expressar os trenos e lamentos.
A formação de cada uma das harmonias dependia fundamentalmente das
relações tetracordais, assim como de suas respectivas relações intervalares.

Partindo dos Nomoi, a música da Grécia evoluiu para a lírica solista, o canto
conjunto e o solo instrumental. Depois, vieram as grandes tragédias inteiramente
cantadas, que marcaram o apogeu da civilização helênica.
Daí por diante, a decadência do povo encaminhou a música da Grécia para o
individualismo e o culto às aparências. Parecendo prever a dominação que lhes seria
imposta pelos romanos, os gregos ironizavam a sua própria destruição.

Referências bibliográficas e digitais

A música na Grécia Antiga. Disponível em <


http://www.amusicagrega.com.br/noticias/a-musica-na-grecia-antiga > Acesso em 02 de
fevereiro de 2015.

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http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-da-musica/ > Acesso em 02 de
fevereiro de 2015.

MESTI, D. N. O éthos na música e da cidade grega. Disponível em <


http://www.raf.ifac.ufop.br/pdf/artefilosofia_12/%2817%29Diego%20mesti.pdf >
Acesso em 06 de fevereiro de 2015.

NASSER, Najat. O ethos na música grega. Disponível em <


http://xa.yimg.com/kq/groups/24960419/1281971767/name/O+Ethos+na+M%C3%BAsica+Grega.pdf >
Acesso em 06 de fevereiro de 2015.

RECCO, Claudio. A música na Grécia Antiga. Disponível em <


http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=545 > Acesso em 02 de
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