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Guilherme Almeida, Silvana Marinho, Márcia Brasil, Daniela Murta e Márcia Viana

AGORA
2 QUE ME VEJO
COMO TRANS
Guia de possibilidades e serviços no RJ
CIP BRASIL – CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO
AL447a ALMEIDA, Guilherme. —
Agora que me vejo como trans:
guia de possibilidades e serviços no RJ/
Guilherme Almeida; Silvana Marinho;
Márcia Brasil; Daniela Murta; Márcia
Viana. 1ª edição/Salvador - BA. Editora
Ficha Catalográfica Devires, 2018.
168p.; PUBLICAÇÃO ELETRÔNICA
ISBN 978-85-93646-21-8
1. Transgêneros 2. Direitos 3. Cidadania
4.Ciências sociais I. Título.
CDD 300 CDU 159.9:39
Guilherme Almeida, Silvana Marinho, Márcia Brasil, Daniela Murta e Márcia Viana

AGORA Projeto gráfico

QUE ME VEJO Aline Paiva


Ilustrações
Laerte Coutinho

COMO TRANS Revisão


Marisy da Silva

Guia de possibilidades e serviços no RJ


Agradeci-
mentos
Agradecemos a cartunista Laerte Coutinho Agradecemos a Anna Uziel, coordenadora do
que gentilmente cedeu suas tiras de Mu- Laboratório Integrado de Diversidade Sexual
riel e Estênio que embelezam e provocam e de Gênero, Políticas e Direitos (LIDIS/UERJ)
quem lê esse Guia. pela leitura prévia e apoio à publicação.
Agradecemos a equipe de profissionais do Agradecemos a todos/as os/as usuários/
Nudiversis/Defensoria Pública pela dispo- as trans de diferentes serviços em que atu-
nibilidade de nos receberem e pelas infor- amos, que nos ensinaram sobre suas vidas,
mações prestadas durante a vigência dos necessidades e estratégias de sobrevivência.
projetos de pesquisa: Lívia Casseres (De-
Agradecemos ao CNPq e à FAPERJ pelo apoio
fensora Pública), Marina Villar (psicóloga)
material durante as pesquisas que possibi-
eThalita dos Santos (Assistente Social).
litaram essa iniciativa.
Agradecemos à assistente social Patrícia
Mosquedare do Instituto Estadual de Dia-
betes e Endocrinologia Luiz Capriglione
(IEDE) pela participação em grupo focal da
pesquisa realizado no HUPE/UERJ.
Sumário
(interativo)
01. Apresentação 12
02. Esperamos que este guia também possa ser útil 14
03. Se você está lendo este guia, é possível que você... 16
04. Quem é você? 18
05. Um pouquinho de história 20
06. Se você está lendo este guia, pelo menos uma vez
se perguntou: “será que eu sou trans?” 22
07. E a minha sexualidade, muda? 26
08. E com a minha família? 30
09. E na minha religião, como é que fica? 36
10. Alguns exemplos de instituições religiosas no RJ
que apreciam a presença de pessoas trans 38
11. E se eu for discriminado pela minha religião? 40
12. E se eu for desrespeitado numa
instituição religiosa, como usuário/a? 42
13. E as minhas amizades? 44
14. E a minha vizinhança/comunidade? 48
15. A Lei Maria da Penha também serve para pessoas trans? 52
16. Não é melhor parar de estudar? 56
17. E se eu for menor de 18 anos e estiver estudando? 58
18. Como eu faço com uniformes,
com crachás e no uso dos banheiros? 62
19. E se eu quiser denunciar situações na minha escola,
no meu cursinho ou universidade? 66
20. Posso usar meu nome social no ENEM? 70
21. Existem normas brasileiras para assegurar respeito
ao nome social e à identidade de gênero? 72
22. Existem normas no estado do RJ que determinem
respeito ao nome social e à identidade de gênero? 74
23. Existem outras normas no RJ que determinem
respeito ao nome social nos registros acadêmicos
das universidades públicas? 76
24. E se eu estudar numa universidade privada? 78
25. Posso transformar meu nome social em nome civil? 82
26. E no meu trabalho, como vai ser? 84
27. Posso encontrar assistência psicológica acessível no RJ? 90
28. Alguns dos Serviços de Psicologia Aplicada 92
29. Onde posso buscar assistência social no RJ? 94
30. Uma pessoa trans também é uma família 96
31. Posso encontrar assistência jurídica acessível no RJ? 98
32. E se eu não conseguir trabalho durante a minha transição? 100
33. E se eu for assediado/a no meu trabalho, por ser trans? 102
34. Eu também posso ser um agente
de transformação no meu trabalho? 104
35. O que uma instituição de saúde deve fazer se eu for até lá,
depois de sofrer uma violência? 106
36. Eu preciso de uma instituição de saúde? 108
37. Que serviços públicos de saúde são
habilitados pelo Ministério da Saúde? 110
38. Como faço para ter acesso ao processo transexualizador? 112
39. Em quais as instituições públicas de saúde eu posso
ter acesso ao processo transexualizador? 114
40. E se eu tiver um plano ou seguro privado de saúde? 116
41. O que devo fazer quando o/a profissional de saúde se recusar
a me encaminhar para o processo transexualizador? 120
42. Como o processo transexualizador, muitas vezes, é? 122
43. Como o processo transexualizador deveria ser? 124
44. O que eu posso fazer para o processo
transexualizador melhorar no SUS? 126
45. Quais as unidades de saúde do processo
transexualizador no RJ? 128
46. Posso escolher os procedimentos que quero realizar e os que
não quero, assim como as técnicas e os/as profissionais? 132
47. O que posso fazer para me preparar para as cirurgias? 134
48. Se eu for uma travesti, posso ser atendida,
mesmo que eu não queira cirurgias? 136
49. Se eu for uma travesti, o que posso buscar
no processo transexualizador? 138
50. E se eu for um homem trans, poderei realizar
uma faloplastia? Vale a pena? 140
51. E se eu quiser ter filhos/as? 144
52. E depois que eu conseguir fazer a mudança
dos meus documentos, o que devo fazer? 148
53. E se as instituições não quiserem retificar meus dados,
mesmo depois que mudar os documentos? 150
54. E se eu for menor de 18 anos, como faço para
ter acesso à assistência à saúde e a todo resto? 152
55. E agora que fiz todos os procedimentos de que necessitei? 156
56. Será que eu posso me arrepender? 158
57. Eu preciso esquecer o passado e construir tudo de novo? 162
58. Depois que eu passar por tudo isto, vou ficar feliz? 164
59. Alguns filmes que podem te ajudar a pensar sobre
sua condição e sobre possíveis caminhos 166
01 Apresentação
Este guia foi produzido como resultado o/a usuário trans que acabou de assumir
de dois Editais de Pesquisa e Extensão essa identidade a se engajar na rede assis-
desenvolvidos por Guilherme Almeida tencial, tanto em busca dos cuidados que
(FSS/UERJ): CHAMADA MCTI/CNPQ/MEC/ julgar necessários quanto como agente de
CAPES Nº 22/2014 – CIÊNCIAS HUMANAS, transformação dessa rede.
SOCIAIS E SOCIAIS APLICADAS e FAPERJ –
E-26/010.001861/2014 – Ref. 210.281/2014. Importante: esta não é uma
Os projetos tiveram entre seus objetivos o cartilha sobre como uma pes-
fortalecimento da rede de atendimento a soa trans deve agir, mas um
pessoas trans no estado do Rio de Janeiro (RJ). guia de possibilidades, ou seja,
O contato da pesquisa com os/as profissio- é um conjunto de dicas e su-
nais de saúde foi revelador da própria natu- gestões para que cada pessoa
reza da rede assistencial em saúde, de seus
limites e possibilidades. Ele também permi- avalie e decida sobre sua vida
tiu que os/as profissionais pensassem em através da obtenção de outros
um material socioeducativo que auxiliasse conhecimentos.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 13


02
Esperamos
que este guia
também possa
ser útil
A pessoas cisgêneras (que não
são trans) que não são profis-
sionais de saúde, mas querem
contribuir para que as pessoas
trans se sintam mais confortá-
veis nos seus caminhos.
A profissionais de serviços de saúde, da
assistência social, do campo dos direitos
humanos, da educação, entre outros execu-
tores/as e gestores/as de políticas sociais,
para auxiliá-los na tarefa de terem as pesso-
as trans em perspectiva em suas atividades.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 15


03
Se você está
lendo este guia,
é possível que
você
Já esteja se afirmando como uma pessoa
trans e prefira ser chamado/a de traves-
ti, de mulher transexual, de transexual, de
homem transexual ou de outras maneiras.
Talvez tenha outras formas de se reconhe-
cer ou esteja em busca. Não importa a pa-
lavra que você usa e não importa também
se você ainda não usa uma palavra para se
definir: o que faz de você uma pessoa trans
é não ter ficado (totalmente ou parcialmen-
te) satisfeito/a com o gênero que lhe deram
quando você nasceu e reivindicar uma ou-
tra condição. Em outras palavras: te chama-
ram de menino e você não se sente assim
ou te chamaram de menina e você não se
sente assim.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 17


04 Quem é você?
É possível também que muitas pessoas já Se o seu caso for este último,
saibam que você é trans e que você tenha
inclusive modificado seu corpo através de
este guia será certamente mais
roupas, acessórios, corte de cabelos e de útil. Se não for o caso, talvez
outros cuidados que te fizeram mais pare- contribua para alguma das
cido/a com o que realmente é. É possível
também que você já tenha começado a
suas decisões.
modificar seu corpo tomando hormônios
e até fazendo cirurgias.
Também pode ser que você não tenha feito
nada disso e esteja começando a conversar
com as pessoas a respeito e a pensar nos ca-
minhos a percorrer.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 19


05 Um pouquinho
de história
Há um tempo no Brasil (e não faz muito tem- Felizmente, isso vem mudando nos últimos
po!!) pouco se falava da experiência de ser 10 anos e mais pessoas vêm se afirmando e
trans e a maioria das pessoas desconhecia vivendo suas vidas das mais diferentes ma-
esta possibilidade ou considerava que se neiras. Hoje é sabido que existem pessoas
afirmar como trans era renunciar à possibi- trans que desejam realizar todas as trans-
lidade de uma vida comum. Muitas pessoas formações físicas que puderem, há outras
trans sofriam por não ver pessoas trans em tantas que não querem fazer nenhuma mo-
todos os espaços sociais. dificação corporal cirúrgica e nem hormonal
e outras que só querem fazer algumas modi-
No passado, também, era comum que só ficações corporais, mas não querem outras.
fossem vistas como trans, as pessoas que
queriam modificar cirurgicamente seus Pessoas trans estão nas redes sociais, nas mí-
corpos. As outras pessoas, muitas vezes, dias, nas artes, nas instituições públicas, na
não podiam retificar seus nomes e sexos política, nas ruas, nas escolas e universidades,
nas empresas, nas instituições de saúde etc.
porque elas não eram consideradas “tran-
sexuais verdadeiras”. Hoje, entre profissio- Isto não significa que a transfobia tenha aca-
nais críticos/as e estudiosos/as do tema, bado (muito pelo contrário!), mas significa
essas pessoas são tão trans quanto as que que é mais difícil, hoje, negar a existência e
desejam cirurgias. os direitos de pessoas, só porque são trans.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 21


06
Se você está
lendo este guia,
pelo menos
uma vez
perguntou:
“será que eu
sou trans?”
Você pode ter se feito essa pergunta mais tem mais competência do que você para
de uma vez na infância, na adolescência, dizer quem você é. O/a profissional pode
na idade adulta ou até já com mais de 60 apenas auxiliar você na autodescoberta.
anos. Não existe uma única fase da vida
É importante que durante a autodescober-
para se afirmar como trans. Há pessoas
ta você possa compartilhar seus sentimen-
que sempre souberam o que eram, mas só
tos e se sentir confortável ao fazer isso.
puderam (ou quiseram) reivindicar outra
Para isso, procure pessoas de sua confian-
identidade em fases avançadas da vida.
ça, como um/a professor/a, um/a amigo/a,
Antigamente, o protocolo biomédico dizia um/a familiar, um/a psicoterapeuta ou ou-
quem era ou não um/a “transexual verda- tro/a profissional de saúde, uma pessoa
deiro/a” e, ainda hoje, existem instituições trans ou um grupo de pessoas trans que
e profissionais que exigem laudos para você já conheça, entre outros/as. Procure
admitir que alguém seja transexual ou tra- mais de uma pessoa, compare opiniões,
vesti, por exemplo. Mas cresce cada vez considere o que têm a dizer, analise o que
mais o número de instituições e profissio- cada uma lhe diz, peça apoio.
nais para os quais o importante é como a
pessoa se vê. Em outras palavras: ninguém

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 23


Procure e compartilhe também informa-
ções a respeito: leia sites, blogs, livros, re-
vistas, veja programas de TV, filmes e tudo
mais que cair em suas mãos a respeito e
construa, aos poucos, suas próprias ideias.

É cansativo gastar tempo fa-


zendo isso, mas também pode
ajudar a você e a outras pesso-
as trans no caminho de afirma-
rem a sua identidade de gêne-
ro, que pode ser muito difícil,
solitário e amedrontador.

24 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


07 E a minha
sexualidade,
muda?
Você já deve saber que uma pessoa trans é Algumas pessoas trans, de fato, têm difi-
como qualquer outra em relação à sexuali- culdades para se relacionar sexualmente
dade. Ela pode ser heterossexual, homos- e podem procurar ajuda, se desejarem.
sexual, bissexual, pansexual, assexual etc. Outras pessoas trans não têm esse tipo de
Pode se sentir satisfeita ou insatisfeita se- dificuldade.
xualmente. Pode ter muita necessidade de
Algumas pessoas trans podem apresentar
fazer sexo, alguma necessidade ou nenhu-
dificuldades sexuais até conseguirem mo-
ma. Pode gostar de determinadas práticas
dificar seus corpos e/ou fazerem cirurgias.
sexuais e não de outras. Não há regras.
Algumas delas têm dificuldades porque
No passado, os protocolos médicos consi- veem seus corpos como inadequados ou
deravam que para alguém ser trans de ver- porque sofreram violações sexuais moti-
dade, deveria ter dificuldades sexuais e/ou vadas pela transfobia.
a sensação de repúdio ou nojo de seus geni-
tais, não sendo aceitável ter qualquer tipo Mas existem outras que não
de prazer sexual com eles. Por isso, muitas têm qualquer dificuldade se-
pessoas trans acabavam concordando em
dizer que não tinham interesse sexual, mes-
xual, mesmo sem realizarem
mo quando tinham. cirurgias genitais.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 27


Muitas pessoas trans se prostituem como adotar práticas sexuais consideradas nor-
forma de ganhar a vida (por não terem aces- mativas ou abandonar práticas sexuais an-
so a outros meios de sobrevivência), mas teriores. Por exemplo, uma mulher trans
também há as pessoas que apreciam ser que antes da transgenitalização fazia sexo
trabalhadoras sexuais, porque isso permite anal, não precisa passar a só fazer sexo va-
que se sintam valorizadas e/ou porque têm ginal, por ser mais respeitado socialmente.
prazer nessa atividade. Ou, no caso de um homem trans que antes
de iniciar seu processo de identificação fa-
Também é importante dizer zia sexo vaginal, ele não precisa necessaria-
que existem pessoas trans que mente deixar de realizar essa prática.
se casam e são monogâmicas e De qualquer forma, as modificações cor-
outras que não querem isso. porais, psicológicas e sociais também têm
grandes efeitos sobre a sexualidade das
Não existe uma verdade sobre as práticas pessoas trans e de seus/suas parceiros/as.
sexuais nem antes nem depois de qualquer Ainda há poucos trabalhos científicos so-
procedimento cirúrgico. Qualquer pessoa bre isso no Brasil, por isso o diálogo sobre
trans ou cis, tendo realizado cirurgia geni- o tema é muito importante.
tal ou não, não precisa necessariamente

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 29


08 E com
a minha
família?
A maioria das pessoas vive numa família e outras, ainda, jamais aceitam. Por isso
desde criança e quando decide afirmar sua mesmo (assim como você), muitas vezes,
identidade de gênero, muitas vezes, ainda sua família poderá precisar de ajuda. Não
vive assim ou mantém vínculos com ela. Se esqueça que algumas mudanças são pro-
esse é o seu caso, é possível que seus fami- cessuais e que sua família poderá precisar
liares tenham se acostumado com uma cer- de um determinado tempo e auxílio para
ta “esquisitice” da sua parte e também com absorver sua transformação. Não se preci-
uma certa aparência sua. Além disso, pode pite, achando que eles/as vão agir sempre
ser que seus familiares tenham medo de do mesmo jeito.
que você sofra com as mudanças, ou ainda,
Para ajudar seus familiares, você pode:
que tenham medo de também serem discri-
conversar o mais francamente possível
minados por ter alguém como você por per-
com eles de uma maneira que não se sin-
to. Por isso, é possível que reajam negativa-
tam ameaçados e se sintam importantes.
mente quando você afirmar que vai afirmar
Comece por aquelas pessoas que você
publicamente a sua identidade de gênero.
sabe que podem te escutar e entender me-
Algumas famílias vivem um processo que é lhor. Pode ser até uma avó ou tia que não
quase um luto, até aceitarem a nova iden- mora com você. Não se apresse e nem se
tidade. Outras lidam com maior facilidade precipite. Surpresas boas também podem

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 31


acontecer. Você também pode convidá-los Que tal levar algum familiar mais
para ver um filme com você ou comentar
sobre uma novela e, a partir daí, conversar.
aberto até um grupo de pessoas
trans para que converse?
Pode ser que algumas pessoas não consi-
gam dizer o seu novo nome ou não consi- Que tal dar de presente para
gam te chamar do jeito que gostaria. Isso
pode ser mudado com o passar do tempo
elas um ou mais livros escritos
com diálogo e reflexão. por pessoas trans?
De qualquer forma, tente dar a elas boas in- Que tal escrever um diário
formações e indicações sobre como podem
sobre como as relações com
se informar melhor sobre o assunto e siga
seu caminho. sua família têm acontecido a
cada dia?
Que tal apresentar a elas ou-
tras pessoas trans que você
considera interessantes?

32 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


Para conversar e ter mais in- Alguns outros espaços virtuais e presen-
ciais onde você pode trocar informações e
formações sobre como lidar refletir com outras pessoas trans, além de
com sua família, veja: trabalhar politicamente pelos DIREITOS
ABRAFH – Associação Brasileira de DE PESSOAS TRANS:
Famílias Homotransafetivas: GAI – Grupo Arco-Íris fundado em 1993:
www.abrafh.org.br www.facebook.com/grupoarcoiris.perfilii
GPH – Grupo de Pais de LGBTI que GDN – Grupo Diversidade Niterói, fun-
funciona em SP: dado em 2004: www.facebook.com/
www.gph.org.br/home.asp groups/655982391149049
No Rio de Janeiro, você também pode Conexão G – Grupo LGBT nas Favelas,
conhecer o trabalho do MÃES PELA fundado em 2006: www.facebook.com/
DIVERSIDADE, através do Facebook: GrupoConexaoG/
www.facebook.com/MaespelaDiversidade/
Grupo Transrevolução, fundado em 2014:
www.facebook.com/transrevolucao
grupotransrevolucao.blogspot.com.br/

34 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


IBRATH – Instituto Brasileiro de Em Caxias, Nova Iguaçu,
Transmasculinidades, fundado em 2013:
www.facebook.com/institutoibrat
Cabo Frio e em outras cidades
do estado do RJ existem
CASA NEM – espaço de acolhimento, pas-
sagem e ações voltadas às pessoas LGBTI, outros grupos. Você pode se
sobretudo pessoas trans e travestis em informar sobre eles através
situação de vulnerabilidade, fundada em dos grupos acima.
2015: www.facebook.com/pages/Casa-
-Nem/1090307731030189

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 35


09 E na minha
religião, como
é que fica?
Vivemos num país onde o Estado é consti- Se você é uma dessas pessoas que sen-
tucionalmente laico. Mas muitas religiões tem a necessidade de ter religião, procure
têm dificuldades para admitir a existência se informar das alternativas que aceitam
de pessoas trans e, algumas, de respeitar pessoas trans, para que seu processo de
sua condição. afirmar sua identidade possa ocorrer sem
ser culpabilizada, sem tentarem mudar
Algumas pessoas trans não têm sua identidade com argumentos religio-
religião e não sentem necessi- sos e sem privar você da sua fé. Converse,
experimente e só fique em espaços em que
dade dela. Outras têm e querem você possa ser respeitado/a.
se manter em contato com sua
religião de origem ou conhecer
outras religiões.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 37


10
Alguns exem-
plos de institui-
ções religiosas
no RJ que apre-
ciam a presen-
ça de pessoas
trans
Igreja Cristã Contemporânea:
www.igrejacontemporanea.com.br/site
Casa de Candomblé Ilê Omi Ojuarô:
www.ileomiojuaro.com.br/
Grupo Diversidade Católica
www.diversidadecatolica.com.br/

Se informe e descubra outras.


Descubra novos espaços que
te façam bem e evite os espa-
ços religiosos que não conse-
guem lidar bem com a existên-
cia da população LGBT.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 39


11
E se eu for
discriminado/a
pela minha
religião?
Entre em contato com a
Comissão de Combate às
Discriminações e Preconceitos
de Raça, Cor, Etnia, Religião
e Procedência Nacional:
www.aloalerj.rj.gov.br/comis-
soes/preconceitos
e tel: 08002820802

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 41


12
E se eu for des-
respeitado/a
numa institui-
ção religiosa,
como usuá-
rio/a?
Existem hospitais, abrigos e outras insti- Assistência Social, de Educação, a Defen-
tuições que prestam serviços à população soria Pública, as secretarias municipais e
e que também são religiosas. Algumas ve- até as delegacias de polícia. Busque orien-
zes, quando pessoas trans se tornam usu- tação e lembre que, mesmo que estejam
árias desses espaços, ocorre desrespeito prestando serviços filantrópicos, as insti-
à sua identidade (imposição do nome do- tuições e seus profissionais não têm o di-
cumental, de uniformes de acordo com o reito de desrespeitar a população usuária,
sexo documental, internação em enferma- seja ela qual for.
rias contrárias à identidade de gênero, im-
posição de quartos e banheiros contrários
à identidade de gênero, entre outras viola-
ções de direitos).
Se isso acontecer com você: relate a situa-
ção a um/a profissional e contate também
a direção da instituição. Se não funcionar,
faça a denúncia em outras instituições da
sua cidade, como o Conselho de Saúde, de

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 43


13 E as minhas
amizades?
Pode ser que você comece a discutir sobre Pode ser que algum/alguma amigo/a de-
sua identidade primeiro com seus/suas sista de você por isso. Se isso acontecer,
amigos/as e antes de falar com alguém da respeite a sua decisão e siga em frente.
sua família. Amigos/as fiéis e solidários/ Quem sabe, com o tempo repensem?
as podem te ajudar muito ao longo do pro-
Valorize quem te oferecer amizade e este-
cesso de afirmação da sua identidade.
ja aberto/a para fazer novos/as amigos/
Se você tiver dificuldade de as trans e cisgêneros/as ao longo do cami-
nho. Evite o isolamento.
conversar com todos/as os/as
amigos/as ao mesmo tempo, É frequente que algumas pessoas cisgê-
neras se interessem pelo tema e desenvol-
converse separadamente, dis- vam admiração pela coragem que as pes-
cuta, valorize e esclareça suas soas trans demonstram. Faça com que isso
dúvidas, peça apoio, permita conte a seu favor. Lembre-se de que viver
a vida a seu lado e compartilhar dos pro-
que colaborem. blemas não é só um desafio: todo mundo
pode crescer e se tornar melhor a partir
da sua experiência.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 45


Pode ser que você também faça amigos/as Lembre-se: não existe um ca-
trans, o que pode ser muito bom e ajudar
muito a sua trajetória e a deles/as.
minho de vida igual a outro e
ninguém sabe mais das suas
Tenha cuidado, no entanto, para não mo-
delar sua vida somente a partir da vida de necessidades e possibilidades
algumas pessoas trans conhecidas, fazen- do que você e os/as profissio-
do comparações com o seu próprio cami- nais que te atendem.
nho. Não é porque seu/sua amigo/a trans
optou por uma técnica cirúrgica ou por-
que age de uma determinada maneira com
a família (por exemplo), que você tem que
fazer exatamente o mesmo.
Inspire-se nas experiências ricas que en-
contrar, mas aprimore o seu jeito de lidar
com a vida.

46 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


14 E a minha
vizinhança/
comunidade?
Nenhum ser humano é uma ilha, em conse- Se você não quer ou não pode se mudar, é
quência, toda pessoa trans também não é. importante que você tenha muita atenção
O processo de afirmar sua identidade de gê- ao lugar em que vive e às pessoas que vivem
nero é importante para você, mas repercute lá. Se você considera que o seu bairro ou co-
e recebe a influência do lugar em que você munidade é violenta e lida mal com as dife-
vive e das pessoas com quem você convive. renças, talvez seja importante evitar por um
tempo que as pessoas do entorno percebam
É comum que uma pessoa sua decisão, até que você esteja mais forte e
trans, por isso, decida mudar seguro para fazer isso.
de lugar de moradia durante Pode ser importante também pensar (prin-
a transição, para viver em um cipalmente nos primeiros momentos da
sua transição) em usar estratégias de so-
espaço em que sua identidade brevivência mesmo:
não gere muito estranhamen-
• buscar caminhos alternativos para evitar
to nem provoque comentários passar nos mesmos lugares e nos mes-
e violências. mos horários;

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 49


• andar sempre em companhia de outras
pessoas,
• evitar lugares escuros e desertos;
• mapear os lugares em que você possa
buscar ajuda em caso de emergência etc;
• fazer sempre com que pessoas amigas
saibam por onde você anda;
• evitar exposição pessoal nas redes sociais.

Levar a sério se sofrer ameaças


e denunciar à delegacia mais
próxima, assim que acontece-
rem. Para isso, também existe
o Disque 100.

50 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


15
A Lei Maria
da Penha
também serve
para pessoas
trans?
Travestis e transexuais em Fique sabendo:
situação de violência domés- Desde 2016, o Conselho Nacional de Pro-
tica e familiar também podem curadores-Gerais decidiu que todas as
ser protegidas pela Lei Maria procuradorias estaduais podem aplicar a
Lei Maria da Penha para travestis e transe-
da Penha xuais que ainda não se submeteram nem
A Lei Maria da Penha (Lei Federal 11.340/2006) à cirurgia de redesignação sexual, nem à
configura como violência doméstica e fami- retificação do nome civil.
liar contra a mulher qualquer ação ou omis- No Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado
são baseada no gênero. Com o entendimen- de Segurança Pública publicou em Diá-
to de que o gênero feminino decorre da rio Oficial a Resolução SESEG nº 1110, de
liberdade de autodeterminação individual, 07/08/2017, segundo a qual as Delegacias
as instituições do Poder Judiciário já orien- Especiais de Atendimento à Mulher (DE-
tam a aplicação da Lei Maria da Penha para AMs) passam a ter atribuição para atendi-
travestis e transexuais. mento e orientação à pessoa transexual
que se identifique com o gênero feminino.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 53


O que isso quer dizer?
Que mulheres transexuais e travestis po-
dem procurar uma DEAM para denunciar
casos de violência ocorrida no âmbito do-
méstico e familiar por seus companhei-
ros, ex-companheiros, namorados, irmãos,
tios, pais, por exemplo, podendo também
obter medidas protetivas previstas na Lei
Maria da Penha e ter o Juizado de Violência
Doméstica e Familiar como órgão compe-
tente para julgar os casos de violência.

54 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


16
Não é
melhor
parar de
estudar?
Quando você começar a afirmar sua iden- nos banheiros e, também, na carteirinha
tidade, é possível que enfrente problemas de identificação e em outros documentos
para continuar a estudar. É comum que pes- (onde for juridicamente possível) e nos car-
soas trans sejam discriminadas por colegas tazes em que constar seu nome.
de turma e professores/as que, por vezes,
recusam a nova identidade e se negam a Faça isso por escrito com uma cartinha para
utilizar o nome social (que é o nome que a direção da instituição escolar ou universi-
você pode escolher para ser chamado/a). tária em duas vias, guardando uma via por
escrito com a data e o carimbo de recebido
No país, existe um conjunto de normas que da pessoa responsável. Isso pode ajudar a
regulam o direito de usar o nome social tan- fazer com que te respeitem. Mas, se não fun-
to por escrito quanto oralmente para todas cionar, denuncie, leve adiante, reivindique
as pessoas com mais de 18 anos, além de as- seus direitos, não apenas nas redes sociais
segurarem o direito a ser tratado/a no gê- e/ou na imprensa. A carta deve ser protegida
nero que afirmar.
pela direção da instituição e deve ser divul-
Por isso, você pode declarar na sua escola, gada apenas aos trabalhadores da institui-
cursinho ou universidade que quer o seu ção implicados com a situação, que também
nome social e identidade de gênero respei- devem zelar pelo sigilo e privacidade. Assim,
tados nas chamadas orais, nos alojamentos, não é necessário que você pare de estudar.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 57


17
E se eu for
menor de 18
anos e estiver
estudando?
Se você for um/a adolescente menor de 18 Se, no seu caso, os/as responsáveis legais
anos e estiver estudando, a situação é um não concordarem em solicitar o uso do seu
pouco mais difícil, porque conforme a Reso- nome social, você não precisa se desespe-
lução do Ministério da Educação e Cultura rar. Se você sente que não poderá suportar
n. 1, de 19/01/2018, para solicitarem às insti- essa situação até completar 18 anos, con-
tuições educacionais o uso do nome social, verse abertamente com seus/suas respon-
os/as menores de 18 anos não podem fazer sáveis, explique com calma suas razões e,
isso sozinhos/as. Precisam da concordân- caso a resistência se mantenha, procure
cia dos seus responsáveis legais. outros/as adultos/as em quem confie (pro-
fessor/a, médico/a, avós/avôs) e busque au-
Foi uma postura conservadora assumida
xílio no CONSELHO TUTELAR da sua cidade
pelo MEC, pois não reconheceu que, no
ou bairro, ou ainda, na DELEGACIA DE PRO-
caso dos/as adolescentes, é bastante razo-
TEÇÃO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE.
ável que já saibam como desejam ser cha-
mados/as e que respeitar o nome social e a
identidade, poderia diminuir as agressões
sofridas nas escolas.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 59


Não esqueça que o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), estabelece que a prote-
ção à criança e ao adolescente é prioritária
sobre o direito da família, ou seja, a famí-
lia não tem o direito de maltratar crianças
e adolescentes em nome da sua proteção
(ver artigo 101 e outros artigos do Estatu-
to). Portanto, antes de mais nada, converse
com sua família num diálogo franco.

Existem algumas escolas em


que também já é possível usar
o uniforme de acordo com sua
identidade de gênero. Se você
puder escolher, priorize estu-
dar em uma delas.

60 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


18
Como eu faço
com uniformes,
com crachás
e no uso dos
banheiros?
Algumas instituições educacio- Quase todas as instituições escolares têm
banheiros e alojamentos femininos ou ba-
nais exigem uniformes femini- nheiros e alojamentos masculinos. Algu-
nos diferentes dos masculinos. mas também vêm criando banheiros neu-
Você também tem o direito de tros (sem gênero). Independente de haver
ou não um banheiro neutro, você pode
reivindicar o uso do uniforme usar o banheiro de acordo com a sua iden-
que te dá conforto, na mesma tidade de gênero. Ainda que possam te di-
cartinha em que solicitou o zer que é perigoso fazer isso, exija como
todas as demais pessoas, que a instituição
uso do nome social. Se tiver
assegure sua privacidade, segurança e hi-
que usar crachá, exija que nele giene (espaços que podem ser trancados
conste apenas o seu nome so- de acordo com sua necessidade). Não pren-
cial. Isso pode tornar sua vida da o xixi nem suas demais necessidades.

bem mais confortável.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 63


Algumas instituições têm atividades e mo-
dalidades desportivas diferentes entre mu-
lheres e homens. Não existem diferenças
biológicas entre homens e mulheres que
sejam válidas para todos os homens e mu-
lheres, portanto, não tem que haver impe-
dimento para a participação de indivíduos
de sexos ou gêneros diferentes nas ativida-
des. Inclusive o Comitê Olímpico Internacio-
nal revisou seu posicionamento a respeito,
não exigindo mais exame genético para de-
terminação sexual, como requisito para as
competições. Converse, negocie e explique.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 65


19
E se eu quiser
denunciar
situações na
minha escola,
no meu cursi-
nho ou universi-
dade?
Você pode comunicar à direção do estabe- 23809055 ou a Central de Relacionamento
lecimento, pessoalmente, por escrito e/ou da Secretaria Estadual de Educação: www.
via ouvidoria e, além disso, você pode: rj.gov.br/web/seeduc/exibeconteudo?arti-
cle-id=1580331
• Até o 9º ano do ensino fundamental, pro-
curar a Secretaria Municipal de Educação • Defensoria Pública do Estado, telefone
e o Conselho Municipal de Educação da 129 ou www.defensoria.rj.def.br/Cidadao/
sua cidade. Atendimento-On-line
• Sempre que tiver menos de 18 anos, pro- • Caso se trate de colégio ou universidade
curar o Conselho Municipal dos Direitos federal: Ministério da Educação no FALE
da Criança e do Adolescente e o Conse- CONOSCO DO MEC, telefone 0800616161
lho Tutelar. e www.portal.mec.gov.br/index.php, bem
como a Defensoria Pública da União www.
• Caso se trate do Ensino Médio ou de uni-
dpu.def.br
versidades estaduais, procurar a Secreta-
ria Estadual de Educação e o Conselho Es-
tadual de Educação: Av. Prof. Pereira Reis,
119, Santo Cristo, Rio de Janeiro (RJ), tel. (21)

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 67


• O Ministério Público do Estado do Rio de É importante lembrar que
Janeiro, telefone 127. Página eletrônica:
www.mprj.mp.br. Ou ainda: ass.dhm@
você pode denunciar as práti-
mprj.mp.br (Assessoria de Direitos Hu- cas tanto de estabelecimentos
manos e de Minorias) públicos quanto de escolas ,
• Assembleia Legislativa do Estado do Rio colégios e universidades parti-
de Janeiro (ALERJ) – Comissão de Educa-
ção: 08002821559.
culares.
• Você pode também procurar Delegacias
de Polícia e registrar a ocorrência, além
de outros canais públicos de combate à
discriminação.

68 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


20
Posso usar
meu nome
social no
ENEM?
Sim, pode. Foi a partir de muita demanda do Para mais informações, acompanhe:
movimento de pessoas trans que o Exame http://enem.inep.gov.br
Nacional do Ensino Médio (ENEM) passou Telefone 0800616161.
a ter um campo para utilização do nome
Você também poderá utilizar o nome social
social. Isto ocorreu porque muitas pessoas
no Exame Nacional de Desempenho dos
trans deixavam de realizar o Exame porque
Estudantes (ENADE) que eventualmente
temiam ser (ou foram) efetivamente cons-
será exigido durante sua graduação. A esse
trangidas. A cada ano, o Instituto Nacional
respeito, ver: www.brasil.gov.br/noticias/
de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
educacao-e-ciencia/2018/09/pedido-para-u-
(INEP), instituição que organiza o ENEM, dis-
so-de-nome-social-no-enade-deve-ser-enca-
ponibiliza no seu site um campo para o/a
minhado-ate-esta-segunda-10
candidato/a solicitar o uso do nome social
previamente. Atenção: existe um prazo para
a solicitação e você precisa estar atento/a.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 71


21
Existem normas
brasileiras para
assegurar o
respeito ao
nome social e
à identidade
de gênero?
Sim, elas existem. Consulte as Decreto Federal n.8727 de 28 de abril de
2016 – Dispõe sobre o uso do nome social e
referências abaixo, se quiser o reconhecimento da identidade de gênero
saber mais: de pessoas travestis e transexuais no âmbi-
Página 25 e 31 do Plano Nacional de Promo- to da administração pública federal direta,
ção da Cidadania e Direitos Humanos de autárquica e fundacional: www.planalto.
LGBT, resultado da 1ª Conferência Nacional gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/decre-
LGBT de 2008: www.arco-iris.org.br/wp-con- to/D8727.htm.
tent/uploads/2010/07/planolgbt.pdf. Política Nacional de Saúde Integral de LGBT:
Página 121 do Programa Nacional de Direi- http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/
tos Humanos III de 2010: www.pndh3.sdh. politica_nacional_saude_lesbicas_gays.pdf
gov.br/portal/sistema/sobre-o-pndh3
Carta dos Direitos dos Usuários do SUS:
http://portalarquivos.saude.gov.br/images/
pdf/2015/abril/17/AF-Carta-Usuarios-Saude-
-site.pdf.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 73


22
Existem normas
no estado do RJ
que determinem
respeito ao nome
social e à identi-
dade de gênero?
Sim, existem. Confira o serviços, fichas, requerimentos, formulá-
rios, prontuários e congêneres da Adminis-
Decreto Estadual n.43.065, tração Pública Estadual, fazendo-se acom-
de 08/07/2011, pois ele: panhar do nome civil, que será utilizado
• Assegura às pessoas transexuais e tra- apenas para fins internos administrativos.
vestis capazes, mediante requerimento, • Estabelece que o pedido da inclusão do
o direito à escolha de utilização do nome nome social pela pessoa transexual ou
social nos atos e procedimentos da Ad- travesti poderá ocorrer a qualquer tempo
ministração Direta e Indireta do estado
do Rio de Janeiro. Observação: O Decreto não deixa de consi-
• Entende por nome social o modo como derar o nome civil da pessoa travesti ou tran-
as pessoas travestis e transexuais são sexual nos documentos oficiais ou nos casos
reconhecidas, identificadas e denomina- em que o interesse público exigir, inclusive
das na sua comunidade e meio social. para salvaguardar direitos de terceiros (po-
• Inclui o campo nome social em destaque em dendo fazer-se acompanhar do nome social,
todos os registros do sistema de informa- se requerido pelo/a interessado/a).
ção, cadastro, programas, projetos, ações,

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 75


Existem outras

23
normas no RJ
que determi-
nem respeito
ao nome social
nos registros
acadêmicos das
universidades
públicas?
Sim, elas existem. Veja abaixo quais são: cos dos/as alunos/as de graduação: www.no-
ticias.uff.br/noticias/2013/11/instrucao-no-
Carta-compromisso da Reitoria da UERJ, de
me-social_is_BS1662013_secao-iv_30out.pdf
16 de maio de 2008: https://extra.globo.com/
noticias/brasil/veja-integra-da-carta-compro- Orientação Normativa n.9722, de setembro
misso-assinada-pelo-reitor-da-uerj-539768. de 2013 da Pró-Reitoria de Pessoal da UFRJ:
html. O requerimento para solicitação do https://pessoal.ufrj.br/index.php/maisin-
nome social por travestis e transexuais alu- formes/181-nome-social-2. Em fevereiro
nos/as da UERJ está disponível no link: www.
de 2015, o Conselho de Ensino de Gradu-
daa.uerj.br/wp-content/arquivos/forms/re-
ação (CEG) da UFRJ aprovou normas para
querimento_basico_DAA.doc
assegurar o uso do nome social por tra-
Resolução n.160, de 2013 do Conselho Uni- vestis e transexuais nos registros acadê-
versitário da UFF: www.conselhos.uff.br/cuv/ micos. Conferir a Normativa n. 9722/2013
resolucoes/2013/160-2013.Pdf. A UFF também da Pró-Reitoria de Pessoal da UFRJ no link:
tem uma Instrução de Serviço do Departa- https://pessoal.ufrj.br/index.php/22-ini-
mento de Administração Escolar de Gradu- cio/181-nome-social-2
ação da UFF – DAE/GRAD n. 01/2013 que ex-
plica as normas para incluir o nome social de Resolução n.4781, da UNIRIO de 2017:
travestis e transexuais nos registros acadêmi- www.unirio.br/prae/resolucao-nome-social

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 77


24 E se eu estudar
numa universi-
dade privada?
As normas abaixo asseguram a na trans que, durante quatro anos, insis-
tiu com a instituição para que o fizesse.
possibilidade de você solicitar Em 2015, o direito foi regulado para qual-
seus direitos: quer aluno/a, mediante solicitação for-
• A Resolução n. 12, de 16 de janeiro de mal de alteração do registro acadêmico.
2015 da SECRETARIA DE DIREITOS HUMA- • A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis
NOS da PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA e do da Universidade Veiga de Almeida (UVA)
CONSELHO NACIONAL DE COMBATE À DIS- instituiu o campo nome social no Portal
CRIMINAÇÃO E PROMOÇÃO DOS DIREITOS do Aluno, em 16/03/2018. Maiores infor-
DE LÉSBICAS, GAYS, BISSEXUAIS, TRAVES- mações: www.uva.br/content/uva-ado-
TIS E TRANSEXUAIS, publicada no DOU ta-nome-social
de 12/03/2015 (nº 48, Seção 1, pág. 3), pos- • Entre os dias 7 e 11 de novembro de 2016,
sibilitou o uso do nome social em todas o curso de Direito da UNISUAM fez uma
as instituições e redes de ensino do país, Semana Acadêmica que teve uma das
incluindo as UNIVERSIDADES PRIVADAS. mesas sobre nome social, mas até o mo-
• Em 2015, a PUC-RJ reconheceu o uso do mento em que este guia foi terminado as
nome social, após solicitação de uma alu- páginas eletrônicas da própria UNISUAM,

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 79


bem como as das demais principais uni-
versidades com cursos presenciais no RJ,
não continham informações sobre a ad-
missão e regulamentação interna do uso
do nome social: Universidade Estácio de
Sá - UNESA, a Universidade Cândido Men-
des - UCAM, o Centro Universitário Anhan-
guera de Niterói - UNIAN e a Universidade
do Grande Rio – UNIGRANRIO.

80 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


25
Posso trans-
formar meu
nome social
em nome
civil?
Pode ser que você não queira mais utilizar o Existem algumas pessoas trans que não de-
seu nome apenas como nome social e deseje sejam alterar seus documentos. Existem tam-
transformá-lo, também, em seu nome civil, bém aquelas que só desejam alterar o nome,
constando apenas ele nos seus documentos. mas não o sexo. Isso ocorre porque essas pes-
Além do nome, muitas pessoas trans dese- soas querem evitar dificuldades que podem
jam mudar o gênero nos documentos. ocorrer após a mudança de sexo civil, pois exis-
tem direitos e deveres atreladas ao sexo civil,
Em 01 de março de 2018, o STF (Superior Tri- como o alistamento militar dos homens, o di-
bunal Federal) autorizou a mudança de pre- reito à pensão no caso das filhas de militares,
nome e gênero em registro civil sem neces- o direito à aposentadoria (que é diferenciado
sidade de cirurgia de mudança de sexo, sem em número de anos pelo sexo) e até o direito
decisão judicial autorizando o ato e sem ne- a continuar realizando a mesma atividade de
cessidade de laudos médicos e psicológicos. trabalho (pois existem cargos em instituições
que são exclusivos de um sexo). Esses são ele-
A decisão foi regulamentada recentemen-
mentos a serem considerados quando se de-
te. As pessoas trans que desejarem, devem
cide ou não pela alteração dos documentos
procurar diretamente os cartórios de regis-
e podem ser discutidos com advogados/as,
tro civil para efetivarem a mudança. Para
assistentes sociais, entre outros profissionais
saber mais, veja: www.cnj.jus.br/noticias/ que atuem no campo dos direitos humanos.
cnj/87092-corregedoria-normatiza-troca-
-de-nome-e-genero-em-cartorio

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 83


26
E no meu
trabalho,
como
vai ser?
O trabalho é uma forma de desconfiança quanto à saúde mental das
pessoas trans, entre outros argumentos. Es-
sobreviver economicamente e ses argumentos são transfóbicos.
também pode ser uma forma
As entrevistas e os exames de saúde ad-
de realização pessoal muito missionais são de fato momentos difíceis,
importante para nossa vida e porque nem sempre os reais motivos são
saúde. explicitados. A discriminação, por vezes, é
sutil, ocultada por desculpas. Em outras, a
Muitas pessoas trans têm dificuldades para instituição nem convoca para um segundo
obter empregos porque: são discriminadas momento depois que descobre que se tra-
em razão da sua suposta aparência, como se ta de uma pessoa trans.
sua competência fosse medida aí. Isso ocor-
re, muitas vezes nos processos seletivos, sob Por isso, é muito comum encontrar pes-
o argumento de que não conseguiram ree- soas trans desempregadas, em trabalhos
mitir seus documentos e isso traria compli- informais (muitas vezes perigosos e insa-
cações para a instituição empregadora, seja lubres), mal remunerados e desprotegidos
porque sua aparência é considerada incom- ou ainda trabalhando fora da sua área de
patível com o gênero afirmado, ou ainda por competência, apenas para sobreviver.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 85


Algumas pessoas trans ficam desempre- demissão ou a abandonarem vagas de tra-
gadas porque desejam um emprego que balho duramente conquistadas.
tenha a ver com as características da sua
Pessoas trans podem decidir não buscar
identidade de gênero e não conseguem
obter. Em outras palavras: mudar de em- trabalho remunerado durante a transição
prego, algumas vezes, faz parte do proces- de gênero e viverem do auxílio de familia-
so de assumir uma outra identidade, pois res. Esta é uma alternativa válida, mas vale
o novo trabalho pode ter mais a ver com a lembrar que o tempo de afirmar sua iden-
nova identidade e isso ajuda muito a lidar tidade pode se estender por anos e, depois
com as dificuldades. de concluído, pode ser mais difícil para re-
tornar ao mercado de trabalho, em função
Outras pessoas trans sofrem para perma- do tempo longo em que ficaram afastadas.
necer nos empregos que já tinham, porque
as instituições empregadoras têm dificul- Outras pessoas decidem trabalhar por con-
dade para aceitar a nova identidade, sen- ta própria. Se esta for a sua alternativa, é
do algumas vezes assediadas, isoladas, importante que contribua para a previdên-
sobrecarregadas e humilhadas, o que, mui- cia social, registrando-se através do MEI
tas vezes, leva as pessoas trans a pedirem (Microempreendedor Individual), a fim de

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 87


que tenha um CNPJ, possa emitir notas fis- Novamente, é bom que possa contar com
cais e gozar de direitos como o afastamen- profissionais de saúde e com outros/as
to por problemas de saúde (mantendo a re- profissionais, como assistentes sociais,
muneração), salário-maternidade, pensão psicólogos/as, advogados/as e outros/as,
por morte e aposentadoria. que te auxiliem a planejar como fará a sua
transição e sobre o que fará depois que ti-
Seja qual for o seu caminho, se ver obtido o que deseja e precisa. Também
você está no processo de afir- vale conversar com a família e os/as ami-
gos/as sobre esse assunto, pensando jun-
mar sua identidade de gênero, to em estratégias para lidar com essa nova
é bom que você considere as fase da sua vida.
possíveis alternativas para
conseguir sobreviver economi-
camente e para ficar satisfeito
com seu trabalho.

88 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


27
Posso encon-
trar assistên-
cia psicológica
acessível
no RJ?
Você pode buscar espontaneamente esse Além disso, você poderá re-
tipo de assistência diretamente na rede de
atenção primária em saúde do SUS: postos
ceber assistência psicológica
de saúde, centros municipais de saúde, clí- acessível nos Serviços de
nicas da família e equipes da Estratégia de Psicologia Aplicada (SPAs) das
Saúde da Família, Centros de Atenção Psi-
cossocial (CAPS). Se você mora na cidade
principais universidades públi-
do Rio de Janeiro, encontra a relação dos cas e privadas, como a UERJ,
CAPS no endereço: www.rio.rj.gov.br/web/ a UFRJ, a UFF, entre outras.
sms/caps.
Caso você esteja matriculado/a num dos
centros de atendimento à saúde do RJ (IEDE,
HUPE/UERJ ou HUGG/UNIRIO) ou já receba
outro tipo de atendimento na saúde, você
pode solicitar aos próprios psicólogos/as
ou assistentes sociais desses programas um
encaminhamento para psicoterapia regular
gratuita ou com um preço acessível.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 91


28
Alguns dos
Serviços de
Psicologia
Aplicada
• SPA UERJ • SPA UFRRJ
Rua S. Francisco Xavier, 524, sala 10006, BR 465, km 9, Seropédica (RJ), tel.37873983 e
bloco D, Maracanã, Rio de Janeiro (RJ), http://cursos.ufrrj.br/grad/psicologia/ser-
tel. 23340033 e www.psicologia.uerj.br/ vico-de-psicologia-aplicadaspa
SPA.html
• Divisão de Psicologia Aplicada UFRJ
• SPA UFF Av. Pasteur 250, Botafogo, Rio de Janeiro
Rua Prof. Marcos Waldemar de Freitas (RJ), tel. (21) 22958113 e http://dpa.psicolo-
Reis, s/n, Campus do Gragoatá, Niterói gia.ufrj.br/
(RJ), tel. 26292951 e www.spa.uff.br
• SPA UFF PURO
Rua Recife s/n, Jardim Bela Vista, Rio das
Ostras (RJ), tel. (22) 27649604

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 93


29
Onde posso
buscar Assis-
tência Social
no RJ?
Toda pessoa que está sem ren- Na PNAS e na NOB-SUAS (Norma Operacio-
nal Básica do Sistema Único de Assistência
da e/ou vivendo situações ex- Social), já existe uma visão plural do que é
tremas de pobreza tem direito família. Baseado nesses documentos, é pos-
a auxílio público através da sível afirmar que uma pessoa trans sozinha
já é uma família, uma família unipessoal.
Política Nacional de Assistên-
cia Social (PNAS). Toda família que não tenha o mínimo neces-
sário a sua sobrevivência, deve ser incluída
O lugar correto para buscar assistência so- nos programas e projetos que fazem parte
cial (abrigamento, programas de transfe- da PNAS, como por exemplo, o PROGRAMA
rência de renda, microcrédito, encaminha- BOLSA FAMÍLIA (PBF).
mento a outras instituições assistenciais,
entre outros assuntos) são os CRAS – Cen-
tros de Referência de Assistência Social do
seu município.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 95


30
Então uma
pessoa trans
também é
uma família
Sim, se você estiver vivendo cursos públicos e, se for idoso/a ou pessoa
com deficiência (PCD), o Benefício de Pres-
sozinho/a, estará incluído tação Continuada (BPC).
no que é chamado de família
Além dos CRAS, os CREAS (Centros de Refe-
unipessoal. rência Especializados de Assistência Social)
Independentemente de estar sozinho/a oferecem serviços especializados e conti-
ou com outras pessoas, você pode levar os nuados a famílias e indivíduos em situa-
documentos que tiver, para que seja pre- ção de ameaça ou violação de direitos, tais
enchido em seu nome o CAD Único da As- como: violência física, psicológica, sexual,
sistência Social. tráfico de pessoas, cumprimento de medi-
das socioeducativas em meio aberto etc.
Além de dar acesso ao Programa Bolsa Fa-
mília (caso atenda aos requisitos), o CAD Procure saber onde fica o
Único pode permitir acessar outros servi-
ços do CRAS, tais como: tarifa social de tele-
CRAS ou CREAS mais próximo
fone, isenção da taxa de inscrição em con- da sua casa.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 97


31
Posso encon-
trar assistência
jurídica aces-
sível no RJ?
Sim. Você pode procurar qualquer núcleo
da DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RJ,
a partir do local de sua preferência. Para sa-
ber os lugares e como fazer: www.defenso-
ria.rj.def.br/Cidadao/Enderecos-para-Aten-
dimento
O NUDIVERSIS é o Núcleo de Defesa dos Di-
reitos Homoafetivos e Diversidade Sexual
e trata de assuntos mais diretamente liga-
dos à condição trans e também possui uma
equipe técnica multidisciplinar composta
de advogados/as, psicólogos/as e assisten-
tes sociais. Lá você pode encontrar outros
serviços, além de orientação jurídica e aces-
so à Justiça. Para saber mais, veja: www.de-
fensoria.rj.def.br/Cidadao/NUDIVERSIS

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 99


32
E se eu não
conseguir tra-
balho durante
a minha tran-
sição?
Você pode (como a população essas pessoas. Para quem é uma pessoa
trans e está em busca de emprego, pode
em geral) buscar os postos do cadastrar o currículo. Mais informações:
SINE – Sistema Nacional de www.transempregos.com.br e www.face-
Empregos. Saiba mais: https:// book.com/transempregos/
sine.net.br/sine-rj-vagas-aber- Para encontrar trabalho, pode ajudar se
tas-cadastrar-curriculo.html você comunicar às outras pessoas a sua ne-
cessidade de trabalhar, suas habilidades e
Além disso, há algumas alter- trocar informações sobre vagas e oportuni-
nativas que envolvem mais dades. Mais uma vez é importante que você
diretamente o público trans: não se isole: frequente grupos organizados
(mesmo que sejam grupos virtuais) e tro-
O projeto TransEmpregos é um site não- que ideias sobre as dificuldades que esteja
-governamental que visa facilitar a coloca- enfrentando, denuncie discriminações, co-
ção de pessoas trans (travestis e transexu- bre e proponha mais iniciativas do Estado e
ais) no mercado de trabalho, e possibilitar das empresas para que promovam o acesso
que possíveis empregadores/as contatem das pessoas trans a seus direitos.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 101


33
E se eu for
assediado/a
no meu trabalho
por ser trans
Diante de uma situação de discriminação no Você também pode denunciar formalmen-
trabalho, você sempre pode se calar, mas se te a uma delegacia do trabalho ou outra
você agir assim, é possível que chegue um delegacia e a outras instâncias às quais a
momento em que não suporte permanecer instituição em que você trabalha esteja li-
ali e acabe saindo e perdendo direitos, o que gada. Outro caminho possível é a denúncia
também é uma forma de expulsão. através do NUDIVERSIS (Núcleo da DEFEN-
SORIA PÚBLICA) e do MINISTÉRIO PÚBLICO.
Você também pode contatar as instâncias
superiores na própria empresa e apresen- Quando efetivar a denúncia,
tar o problema, de modo que possam apu-
rar as responsabilidades e buscar eliminar procure também buscar ele-
o problema. Se for por esta via, apresente mentos que provem a DIS-
POR ESCRITO o problema, através de um CRIMINAÇÃO ocorrida, como
e-mail, de uma carta, de um formulário na
ouvidoria da empresa. Sempre procure ter
testemunhas, documentos,
um comprovante de que fez a denúncia. e-mails etc. Isto não é obriga-
tório, mas pode ajudar.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 103


34
Eu também
posso ser um
agente de trans-
formação no
meu trabalho?
Mesmo que você seja a primeira pessoa Outras pessoas trans preferem se expor o
trans que é admitida no seu lugar de traba- menos possível e não revelam sua condição
lho, é possível que você acabe encontran- no ambiente de trabalho. Mas, ainda assim,
do, aos poucos, um lugar de respeito. Algu- alguns ambientes de trabalho podem se tor-
mas pessoas trans preferem antes de mais nar insuportáveis em razão de piadas, maus
nada, quando chegam num trabalho novo, tratos, cochichos e outras formas de desres-
demonstrar que podem ser trabalhadoras peito. Por isso, é importante que, se puder,
eficientes como as demais. A partir daí, vão você denuncie as empresas e instituições
conversando sobre a sua condição com seus que maltratam trabalhadores/as trans, para
chefes, colegas e até mesmo clientes, a fim que possam rever sua conduta.
de que possam se acostumar a ela. Assim,
muitas vezes, os ambientes de trabalho se
tornam melhores.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 105


35
O que uma
instituição de
saúde deve
fazer se eu for
até lá, depois
de sofrer uma
violência?

106 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


O Sistema de Informação de Agravos de Por que isso é importante?
Notificação (SINAN) recolhe informações
sobre as violências que ocorrem por moti- Porque revelar a natureza e os tipos de vio-
vação homo/lesbo/bi/transfóbica. As pes- lência contra pessoas trans, caracterizan-
soas trans que procuram atendimento em do a motivação, as vítimas e os autores da
unidades de saúde públicas ou privadas agressão e os principais locais de sua ocor-
depois de sofrerem violência transfóbica rência, servirá para subsidiar intervenções
terão que ser ouvidas por profissionais de futuras e as políticas públicas. O que não
saúde que deverão notificar compulsoria- tem registro, não aconteceu.
mente a violência relatada com o preen-
chimento da ficha do SINAN.

A ficha do SINAN já possui um


campo para o nome social da
vítima de violência e sua iden-
tidade de gênero e outro para
sua orientação sexual.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 107


36 Eu preciso de
uma instituição
de saúde?
Nem todas as pessoas trans Isto não quer dizer que essas instituições
tenham realmente todos estes recursos dis-
precisam de uma instituição poníveis. Muitas não dispõem de recursos
de saúde para afirmarem sua materiais e de profissionais de saúde em nú-
identidade de gênero. Para mero suficiente. O resultado são longas filas
e uma espera que pode se estender por anos.
elas, esse processo não passa
necessariamente por medica- Além das instituições habilitadas para reali-
zar todos os procedimentos, existem outras
ção ou cirurgias, por exemplo. também públicas que fazem alguns pro-
Há também pessoas que não têm acesso a cedimentos ambulatoriais. Também não é
instituições de saúde, embora desejem ser fácil obter uma vaga numa delas. Além das
assistidas. No Brasil, há atualmente cinco instituições do SUS, existem profissionais
unidades públicas de saúde habilitadas que atendem pessoas trans na rede privada
para realizar todos os procedimentos dis- de saúde, através de convênios com o siste-
poníveis para pessoas trans que são parte ma público de saúde, de planos ou seguros
do PROCESSO TRANSEXUALIZADOR. privados de saúde, ou ainda, através de pa-
gamento direto.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 109


37
Que serviços
públicos de
saúde são ha-
bilitados pelo
Ministério da
Saúde?
Os serviços mais antigos do país e que são Em janeiro de 2017, o Ministério da Saúde
habilitados para todos os procedimentos habilitou novos centros de atendimento
são: Hospital de Clínicas de Porto Alegre que já realizavam há algum tempo os pro-
(RS), que pertence à Universidade Federal cedimentos ambulatoriais: o Hospital das
do Rio Grande do Sul (UFRGS); o Hospital Clínicas de Uberlândia; o Instituto Esta-
Universitário Pedro Ernesto, da Universi- dual de Diabetes e Endocrinologia do Rio
dade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ); o de Janeiro (IEDE), o Centro de Referência e
Hospital de Clínicas da Faculdade de Me- Treinamento DST/AIDS (SP) e o CRE Metro-
dicina da USP; o Hospital das Clínicas de politano, localizado em Curitiba (PR).
Goiânia, da Universidade Federal de Goi-
ás (UFG) e o Hospital das Clínicas, da Uni-
versidade Federal de Pernambuco (UFPE).

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 111


38
Como faço
para ter aces-
so ao processo
transexua-
lizador?
Procure um/a médico/a, um/a psicólogo/a, É importante lembrar que a
um/a assistente social ou qualquer outro
profissional de saúde. Diga claramente
saúde de pessoas trans não se
suas necessidades e do que precisa. Solici- resume a modificações corpo-
te que o/a profissional te encaminhe para rais. Por isso, é importante que
as instituições e/ou especialidades que se
façam necessárias.
você consiga se inserir nos
serviços de atenção primária
Se você é usuário/a do SUS, o ideal é você
buscar no município em que mora a rede
do seu município, para que
de atenção básica (posto de saúde, centro monitore sua saúde da melhor
municipal de saúde, clínica de saúde da fa- forma possível e cuide dela.
mília ou Estratégia de Saúde da Família),
solicitando encaminhamento para um/a
profissional de saúde no próprio municí-
pio. Cada município tem suas próprias ca-
racterísticas.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 113


39
Em quais as
instituições
públicas de
saúde eu posso
ter acesso ao
processo transe-
xualizador no RJ?
Só existem, atualmente, 3 ins- do SUS: nos postos, centros municipais de
saúde, clínicas da família e equipes da Es-
tituições de saúde pública que tratégia de Saúde da Família. Nos demais
são especializadas no proces- municípios, é preciso pressionar para que
so transexualizador no estado ela também seja disponibilizada.
do RJ. São elas: É importante que as pessoas trans do RJ se
organizem politicamente para reivindica-
Instituto Estadual de Diabetes e Endocri-
rem a ampliação desses serviços, de modo
nologia Luiz Capriglione (IEDE), Hospital
que todas as pessoas trans que necessitam
Universitário Pedro Ernesto da Universi-
tenham direito a um atendimento público
dade do Estado do Rio de Janeiro (HUPE/
e de qualidade.
UERJ) e Hospital Universitário Gaffrée e
Guinle da Universidade Federal do Estado
do Rio de Janeiro (HUGG/UNIRIO).
Se você mora no município do Rio de Ja-
neiro, também pode buscar, caso deseje, a
hormonização na rede de atenção primária

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 115


40
E se eu tiver
um plano ou
seguro privado
de saúde?
Você pode procurar um/a profissional de Nacional de Saúde (ANS) e a rede privada de
saúde que possa oferecer laudos que reco- saúde no que diz respeito aos procedimentos
mendem as modificações corporais (cirur- dirigidos às pessoas trans, mas existem DECI-
gias e hormonioterapia). Os laudos ainda SÕES JUDICIAIS favoráveis às pessoas trans
são necessários para justificar a realização referentes a mastectomias, oforectomias,
de alguns procedimentos cirúrgicos. histerectomias, depilação definitiva etc.
Após a obtenção do laudo, você pode procu-
Então, procure a ANS e outros órgãos, de-
rar um/a ou mais cirurgiões/cirurgiãs de sua
nuncie o plano de saúde que não autorizou
preferência, um/a profissional que realize a
o procedimento e, se não der certo, procu-
hormonioterapia e as demais especialidades.
re o NUDIVERSIS da Defensoria Pública.
Nem sempre a rede privada de É importante lembrar que na rede privada
saúde permite a realização de não existe um processo transexualizador,
procedimentos cirúrgicos fa- mas acompanhamentos quase sempre iso-
lados e fragmentados. Os/as profissionais
cilmente. podem não ter uma clara percepção do que
É importante que você saiba que não houve isso significa em todos os aspectos da vida
ainda nenhuma pactuação entre a Agência da pessoa trans.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 117


Além disso, nem sempre na
rede privada existe um inves-
timento na qualificação do/a
profissional de saúde para
tratar das especificidades das
pessoas trans. Apesar de exis-
tirem deficiências, nos hospi-
tais universitários públicos,
tende a haver maior investi-
mento na qualificação técnica
dos/as profissionais de saúde
envolvidos.

118 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


O que devo

41
fazer quando
o/a profissional
de saúde se
recusar a me
encaminhar
para o processo
transexua-
lizador?
A sugestão é que você pergunte a ele/a ouvidoria do Ministério da Saúde, além dos
claramente porque se recusa a fazer. É conselhos municipais, estaduais e o Conse-
possível que o/a profissional não tenha in- lho Nacional de Saúde (CNS).
formação a respeito (e deverá buscar a in-
Pode também denunciar a uma delegacia
formação), que tenha medo de fazer, que
como crime contra a saúde, procurar a De-
ache que esta não é uma atribuição dele/a
fensoria Pública, o Ministério Público ou
ou que não é algo importante. É possível
outra instituição que acolha denúncias de
que seja motivado/a pelo preconceito, en-
violação de direitos. Além disso, sempre é
tre outros motivos.
possível que utilize as redes sociais e as
Se o/a profissional é irredutível em sua po- mídias para denunciar a um maior número
sição, você pode procurar a chefia imediata de pessoas e pedir auxílio na luta por seu
do mesmo/a na própria instituição (pesso- direito. É importante dizer que até para
almente ou através de e-mail) e a direção da que a sua denúncia seja levada a sério,
instituição de saúde e/ou ouvidoria. Caso você tenha denunciado nos canais oficiais,
as providências não sejam tomadas, você antes de gritar nas redes sociais.
pode entrar em contato com a ouvidoria do
SUS em seu município, estado ou mesmo a

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 121


42
Como o pro-
cesso transe-
xualizador,
muitas vezes,
é?
O processo transexualizador, apesar de es- materiais quanto de pessoal. Os serviços
tar previsto pela Portaria 2.803, de 2013 do funcionam geralmente com profissionais
Ministério da Saúde, é uma política frágil contratados em condições muito precárias
e em contraditória construção. Assim, são (baixos salários, sem vínculo empregatício
poucas as unidades de saúde habilitadas etc); não há informações muito claras so-
para realizar todos os procedimentos que as bre seu funcionamento; há pouco apoio do
pessoas trans podem demandar (consultas, Ministério da Saúde e das secretarias esta-
exames, avaliação das condições de saúde, duais e municipais para sua execução e am-
emissão de pareceres, cirurgias, reparação pliação. Também existem instituições de
de cirurgias, acompanhamento pós-cirúrgi- saúde em que as pessoas trans jamais são
co, fornecimento de medicamentos, atendi- ouvidas em suas demandas e críticas, inclu-
mento psicológico, atendimento social, en- sive, o que piora as condições de saúde e
tre outros). A maior parte das unidades de contraria os princípios do SUS.
saúde existentes realiza apenas uma parte
dos procedimentos. Além disso, muitas uni-
dades de saúde não têm vagas para novos/
as usuários/as, por falta de recursos tanto

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 123


43
Como o pro-
cesso transe-
xualizador
deveria ser?
Vemos que o processo transexualizador • Ter em cada instituição um CONSELHO
para de fato garantir o direito à saúde de DE USUÁRIOS/AS TRANS que opine sobre
pessoas trans, deveria: a qualidade da assistência à saúde que
recebem e participem para aprimorá-la;
• Estar presente em todas os estados e
municípios do país; • Ter a população trans atendida o mais
perto possível de sua região de residência
• Ter um quantitativo de vagas suficiente;
e de trabalho, sem grandes deslocamen-
• Ter profissionais de saúde com forma- tos. Para isso, as secretarias municipais e
ção técnica aprimorada frequentemente, estaduais de saúde precisam se envolver
concursados e bem remunerados; BEM MAIS, não só oferecendo vagas pelo
• Ter instituições de saúde com recursos sistema de regulação, como também dis-
financeiros suficientes e específicos para ponibilizando o Tratamento Fora do Do-
isso; micílio (TFD) nos casos em que couber.
• Ter acolhimento de todas as demandas de • Ter estudos, pesquisas e divulgação de
modificação corporal das pessoas trans, dados sobre a saúde da população trans
sem a preocupação de diagnosticar/pa- pelo Ministério da Saúde, a fim de que as
tologizar a travestilidade, a transexuali- pessoas trans, as instituições e os gru-
dade ou outras expressões de gênero; pos políticos trans tenham acesso.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 125


44
O que eu pos-
so fazer para o
processo tran-
sexualizador
melhorar no
SUS?
• Conhecer a Portaria n.2803, a Política Na-
cional de Saúde Integral LGBT (PNSILGBT)
e outros instrumentos normativos do Mi-
nistério da Saúde que regulam o processo.
• Conhecer como o processo transexuali-
zador vem acontecendo na sua cidade e
no país.
• Montar ou participar de grupos de usuá-
rios/as trans do processo transexualiza-
dor no país e no lugar em que reside.
• Cobrar dos/as gestores/as de saúde in-
formações sobre o funcionamento e os
dados sobre o processo transexualizador
(inclusive orçamento).
• Participar dos conselhos de saúde, LGBT e
outros conselhos e fóruns que houver na
sua cidade.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 127


45
Quais as unida-
des de saúde
do processo
transexua-
lizador no
estado do RJ?
Acesso para
Unidades de Instância
Serviços oferecidos Endereços novas pessoas
Saúde responsável
atualmente?
Postos de saúde, Prefeituras através Variam, mas deveriam incluir: clínica geral, Devem ser buscados Sim. Mas nem
Centros Municipais das secretarias muni- hormonioterapia, assistência à saúde mental na página eletrônica sempre é fácil obter
deSaúde, Clínicas da cipais de saúde (psiquiatria e psicologia), ginecologia, fonoau- de cada secretaria encaminhamento e
Família, Equipes da diologia, cirurgias como raspagem de Pomo municipal de saúde disponibilidade de
Estratégia de Saúde de Adão, penectomia/orquiectomia/uretro- do seu município todos os serviços
da Família (ESF) e plastia/neocolpoplastia, neoclitoroplastia, demandados.
hospitais municipais mamoplastia masculinizadora, histerectomia
e salpingo/oforectomia (exceto faloplastias),
correções cirúrgicas secundárias, serviço
social, entre outros

Instituto Estadu- Secretaria de Estado Clínica médica, assistência à saúde mental Rua Moncorvo Filho Sim. Através do SER
al de Diabetes e de Saúde (SES-RJ) (psiquiatria e psicologia), endocrinologia/ n.90, Centro, Rio de (Sistema Estadual de
Endocrinologia Luiz hormonioterapia e serviço social Janeiro (RJ) Regulação), procu-
Capriglione (IEDE) rando unidade de
saúde do município
de residência, que faz
o agendamento.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 129


Acesso para
Unidades de Instância
Serviços oferecidos Endereços novas pessoas
Saúde responsável
atualmente?
Hospital Universi- Universidade do Esta- Variam, mas deveriam incluir: psicoterapia Boulevard 28 de Não. Dado o desfinan-
tário Pedro Ernesto do do Rio de Janeiro e assistência à saúde mental (psiquiatria e Setembro n.77, sala ciamento da UERJ,
(HUPE) (UERJ), SECTIDS (Se- psicologia), hormonioterapia, urologia, fono- 7 dos ambulatórios, novos/as usuários/a
cretaria de Estado de audiologia, cirurgias de transgenitalização Vila Isabel, Rio de não vem sendo ad-
Ciência, Tecnologia (incluindo faloplastias), ginecologia Janeiro (RJ) mitidos/as a alguns
e Desenvolvimento anos.
Social) e Secretaria
de Estado de Saúde
(SES-RJ)

Hospital Universitá- Universidade Federal Setor de Cirurgia Plástica. Serviço Multidis- Rua Mariz e Barros, Não há informações
rio Gaffrée e Guinle do Estado do Rio de ciplinar de Cirurgia Genital e cirurgias de 775, Tijuca. Tels.: (21) oficiais na página do
Janeiro (UNIRIO) transgenitalização. 2264-4742/ 2264-5844. hospital, apenas na
hugg@unirio.br imprensa, com pre-
visão de começo do
serviço no segundo
semestre de 2018.

130 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


Posso escolher

46
os procedimen-
tos que quero
realizar e os
que não quero,
assim como es-
colher as técni-
cas e os/as pro-
fissionais?
Esses são direitos assegurados pela Carta Vale lembrar que alguns/algumas profissio-
dos Direitos dos/as usuários/as do SUS e por nais de saúde que atenderam pessoas trans
grande parte da base legal e normativa do ao longo da vida, têm dificuldades de abrir
SUS. No entanto, as dificuldades da rede de mão de uma atitude autoritária na relação
saúde dificultam pôr esse direito em prática. com elas, porque, por muito tempo, não
houve muito questionamento dessa postu-
É importante deixar claro que não existe
ra. Esse cenário mudou e é importante que
uma ordem pré-determinada de realização
cada pessoa trans, com habilidade e asserti-
dos procedimentos de modificação corpo-
vidade, também ensine a esses/a profissio-
ral nas instituições de saúde (por exemplo,
nais como podem se transformar.
cirurgia genital teria que vir antes do res-
tante). A ordem de realização dos procedi-
mentos precisa ser discutida pela equipe de
profissionais com o/a usuário/a, levando em
conta as necessidades subjetivas dele/a, as
necessidades objetivas (por exemplo, neces-
sidade de trabalho e possibilidade de dispor
de alguém para cuidar no pós-cirúrgico) e os
recursos que o serviço de saúde tenha.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 133


47
O que posso
fazer para me
preparar para
as cirurgias?
Infelizmente, quando se fala em transexua- uma pessoa trans, que uma cirurgia de trans-
lidade, ainda hoje o que primeiro passa pela genitalização pode ou não complementar.
cabeça das pessoas são as cirurgias de trans-
De qualquer forma, ao optar por uma ou mais
genitalização. É importante frisar que nem
cirurgias, o mais importante é que você tenha
todas as pessoas trans desejam fazer cirur-
antes um período de reflexão, que varia de
gias de transgenitalização e, entre as que
pessoa para pessoa. Esse período é importan-
desejam, muitas têm outras prioridades em
te para você poder avaliar cuidadosamente
relação a elas. Elas precisam se hormonizar,
os riscos e os efeitos de sua decisão, dimi-
fazer as chamadas cirurgias complementares
nuindo a possibilidade de arrependimentos.
(raspagem de Pomo de Adão, mamoplastia
masculinizadora, histerectomia, colocação Poder contar com equipes de saúde multi-
de próteses mamárias e outras próteses de profissionais é essencial, receber informa-
silicone, plásticas de rosto, procedimentos ções técnicas, ser percebido/a como um su-
para depilação definitiva, entre outras), resol- jeito que pode concordar ou não com uma
verem questões familiares, jurídicas, de tra- técnica, escolher o momento mais adequado
balho, entre outras. Muitas vezes a realização de sua vida pessoal para realizar, poder se or-
desses outros procedimentos já possibilita ganizar para dispor de cuidados domésticos
uma enorme aquisição de conforto social a no período pós-cirúrgico, são seus direitos.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 135


48
Se eu for uma
travesti, posso
ser atendida,
mesmo que
eu não queira
cirurgias?
As travestis, assim com as transexuais, são vestis em suas necessidades. Elas podem
consideradas como sujeitos da atenção ter demandas para os/as diferentes profis-
em todos os documentos da Política de sionais de saúde que compõem o processo
Saúde que se referem à população LGBT, transexualizador, além dos/as médicos/as
principalmente na Política Nacional de (psicologia, enfermagem, fisioterapia, ser-
Saúde Integral para LGBT, mas quando o viço social, entre outros).
processo transexualizador foi regulamen-
tado em 2008, não ficava claro se ele era
também para as travestis.
A Portaria do Ministério da Saúde n.2803,
de 2013 estabeleceu no parágrafo único do
segundo artigo que “compreende-se como
usuário(a) do processo transexualizador os
transexuais e travestis”.
Ainda não está claro em todas as unidades
de saúde que prestam assistência a pesso-
as trans, que também devam acolher as tra-

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 137


49
Se eu for
uma travesti,
o que posso
buscar no pro-
cesso transe-
xualizador?
Você poderá ter diferentes cone industrial, laringoplastia (raspagem
de pomo de Adão), cirurgias plásticas varia-
demandas, como foi dito an- das, depilação definitiva, modulação vocal,
tes. Toda instituição de saúde entre outros recursos de saúde. O mais im-
ligada ao processo transexua- portante é que você comunique aos profis-
sionais de saúde o que VOCÊ precisa e não
lizador deve ter um protocolo aceite imposições.
específico para as travestis.
O movimento de travestis e os/as profissio-
nais de saúde que já trabalham com esse
público, vêm mostrando há tempos que é
comum que as travestis também queiram
modificar seus corpos. Elas buscam realizar,
por exemplo: hormonioterapia adaptada
para as suas necessidades, retirada de sili-

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 139


50
Se eu for um
homem trans,
poderei realizar
uma faloplastia?
Vale a pena?
Até 2010, as mamoplastias masculiniza- pênis. Existem diferentes técnicas cirúr-
doras eram proibidas no Brasil, exceto se gicas para isso. Todavia, a história da as-
fossem realizadas em algumas poucas ins- sistência a pessoas trans no Brasil, aliada
tituições universitárias. Até 2013, os pro- ao machismo, impediu que essas cirurgias
cedimentos do processo transexualizador fossem realizadas em larga escala.
para os homens trans especificamente,
também não tinham sido regulamentados Poucos homens trans já con-
pelo Ministério da Saúde. seguiram realizar a cirurgia na
Atualmente, muitos homens trans já são rede de saúde pública brasileira.
atendidos pelo SUS e realizam procedimen-
É importante que você leia bastante sobre
tos biomédicos como a hormonioterapia,
o tema, veja vídeos e fotografias de homens
as mamoplastias masculinizadoras e a re-
trans que foram cirurgiados. Se puder, con-
moção dos órgãos reprodutores femininos
verse com eles. E, principalmente, estabe-
(histerectomia e salpingo/oforectomia).
leça uma relação de muita franqueza com
Alguns homens trans também desejam o/a cirurgião/cirurgiã, deixando claras suas
realizar as chamadas FALOPLASTIAS. Falo- necessidades, apreensões e dúvidas.
plastia é uma cirurgia para construir um

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 141


Pesquise sobre a história do/a cirurgião/ • Planejamento da vida prática para uma
cirurgiã nas redes sociais, sites de busca e recuperação segura.
junto às sociedades médicas especializa-
das (de urologia, cirurgia plástica, gineco-
logia e outras). Portanto, se você está
E isso vale para todos os procedimentos
começando a realizar suas
(cirúrgicos ou não): só faça quando se sen- transformações, saiba que
tir completamente esclarecido e seguro. você pode realizar uma falo-
É importante dizer que a decisão por uma plastia, mas não se apresse
faloplastia, assim como por toda cirurgia em responder se você quer
de caráter definitivo, demanda:
ou não fazer.
• Muita informação prévia sobre as alter-
nativas e consequências.
• Uma relação de confiança com a equipe
de saúde (que inclua um diálogo franco,
claro e tranquilo).

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 143


51 E se eu quiser
ter filhos/as?
Muitas pessoas trans já têm filhos/as quan- Se você ainda deseja ter filhos/as biológicos/
do afirmam sua identidade publicamente. as, é importante que discuta a questão com a
Assim como a sexualidade, por muito tem- equipe de saúde, pois alguns procedimentos
po, os protocolos médicos acreditavam que ligados ao processo transexualizador podem
pessoas trans de verdade não tinham filhos/ ser esterilizantes, limitar as possibilidades de
as biológicos/as. Hoje, isso vem sendo recon- engravidamento (próprio ou de parceiras) e/
siderado. Algumas questões podem ocorrer ou as de amamentação, por exemplo.
diante da mudança de nome e sexo, por
exemplo, pois o Poder Judiciário tem a ten- Assim, se deseja manter um
dência a reconhecer o nome e sexo nos do- vínculo biológico com um/a
cumentos da própria pessoa trans, mas não
nos de seus/suas filhos/as. Por isso, orienta-
filho/a, é importante conside-
ção jurídica, psicológica e social específica rar a possibilidade de conser-
poderá ser importante, se esse for o seu caso. vação em laboratório de es-
Mesmo que os/as filhos/as não sejam bioló- permatozoides ou óvulos. Essa
gicos/as, mas por adoção ou filhos/as dos/ possibilidade ainda não existe
as parceiros/as, a orientação de um/a pro-
fissional pode ser importante.
na rede pública.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 145


Se você não tem a necessidade de vínculo Assim, uma sugestão é que você lance mão
biológico com futuros/as filhos/as, também do mais recente direito conquistado pelas
poderá fazer uso do seu direito de adoção. pessoas trans e modifique seu nome e sexo
em cartório antes de pleitear a adoção. Isso
Por lei, não há qualquer empe- pode não impedir, mas atenuará a possibili-
cilho para a adoção de crianças dade de transfobia.
por transexuais e travestis, mas
é importante considerar a pos-
sibilidade de que ocorra trans-
fobia também nessa esfera.

146 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


52
Depois que eu
conseguir fazer
a mudança dos
meus documen-
tos, o que devo
fazer?
A retificação da certidão de nascimento é que possa ajustar todos os sistemas de ca-
apenas o primeiro passo de uma jornada dastro de dados à sua nova condição. Esse
de retificações. De posse da nova certidão, processo pode ser bastante cansativo e, en-
você precisará emitir uma nova identida- quanto ele acontece, podem ocorrer situa-
de (RG), atualizar as informações do CPF ções dolorosas e ostensivas de transfobia.
junto à Receita Federal, emitir um novo É importante que para realizá-lo você se in-
título eleitoral, prestar informações no- forme, antes de tudo, do que precisa a cada
vas na Junta Militar, além de outros docu- passo, converse com outras pessoas trans
mentos e vínculos que você possa ter, tais que já tenham passado por isso e construa
como: carteira de habilitação, passaporte, suas próprias estratégias de comunicação,
diplomas e certificados, títulos de proprie- negociação e pressão.
dade, direitos autorais, contas bancárias,
cartões de crédito, contratos de prestação
de serviços...
... Enfim, é importante que você saiba que
ainda terá que se justificar nas mais dife-
rentes instituições públicas e privadas para

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 149


53
E se as institui-
ções não qui-
serem retificar
meus dados,
mesmo depois
que eu mudar
os documentos?
Peça para falar com um/a
superior (gerente, diretor/a,
coordenador/a).
• Envie um ou mais e-mails bem detalha-
dos para a ouvidoria, o Serviço de Aten-
dimento ao Cliente (SAC) ou outro canal
institucional que aceite reclamações (o
e-mail é importante porque registra sua
reclamação, caso futuramente decida
judicializar). É muito comum que a situ-
ação se resolva com a interferência des-
ses órgãos.
• Se não der certo, procure uma institui-
ção que acolha sua denúncia (centros de
referência LGBT, defensorias públicas ou
delegacias, entre outras).

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 151


54
Se eu for
menor de 18
anos, como faço
para ter acesso
à assistência
à saúde e
a todo resto?
A Portaria n. 2803/13 do Ministério da Saúde unidades de saúde do processo transexua-
não incorpora a possibilidade de adolescen- lizador. Nesses locais, você poderá discutir
tes poderem modificar seus corpos hormo- com profissionais as suas demandas e es-
nal e cirurgicamente através do SUS, mas clarecer suas dúvidas. Além disso, poderá
isso não quer dizer que você ficará totalmen- solicitar encaminhamento para psicote-
te desamparado/a, caso se veja como trans. rapia em diferentes locais, caso deseje ter
um espaço para discutir essas questões.
Provavelmente, você não conseguirá ter
acesso a serviços especializados para reali- No Rio de Janeiro, você poderá
zar a hormonioterapia, pois, por enquanto,
apenas a cidade de São Paulo dispõe desse ser atendido/a dos 12 aos 20
recurso por meio de um protocolo de pes- anos pelo
quisa no Hospital das Clínicas/USP e que
NESA (Núcleo de Estudos da Saúde do Ado-
não está dando conta de atender a cres-
lescente/UERJ), localizado no HUPE/UERJ,
cente demanda.
na Av. 28 de Setembro, 109 – fundos . Vila
Mas você tem o direito de ser acolhido/a e Isabel, Rio de Janeiro – RJ, Tel: (21) 2868-8456
assistido/a por profissionais de saúde na | 2868-8457 | 2868-8458. E-mail: nesa@uerj.br
rede de atenção básica e até em algumas

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 153


Há adolescentes que cometem violências O mais importante é que você se mantenha
contra si mesmos/as por não conseguirem firme no seu desejo de viver e que vá aos
esperar para realizarem modificações cor- poucos se preparando para as modifica-
porais. Isso é motivo de muito sofrimento ções da sua vida. Converse sobre o assunto
para eles/as. Também é comum que so- com adultos/as de confiança, com familia-
fram violências quando decidem se afirmar res nos quais confie, com um/a professor/a
como trans. Há também muitos/as que vão ou profissional de saúde. Não se apresse.
aos poucos (mesmo que com muitas dificul-
dades) construindo um caminho feliz como E lembre também de que se a
trans ou não. Geralmente, a presença aten- barra pesar para você, procu-
ta e o diálogo franco com as famílias faz
muita diferença, contribuindo para que o/a
re ajuda nos mesmos lugares
adolescente, que está se vendo como trans, que recomendamos ao longo
possa ultrapassar essa fase com menor so- deste guia.
frimento e correndo menos riscos.

154 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


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E agora que fiz
todos os pro-
cedimentos de
que necessitei?
Percebemos que algumas pessoas trans fi- Lembre-se também de que continuar falan-
cam vivendo por muito tempo lutando pelo do da sua condição é um direito, não uma
reconhecimento de sua identidade e quan- obrigação.
do já estão com sua imagem e sua condição
legal resolvidas, sentem um vazio. Afinal, agora que você se vê
Agora, pode ser um bom momento para como trans, também vê que
se reinventar! Que tal retomar projetos do é muito mais do que isso.
passado, abandonados até então? Que tal
se engajar na luta por mais direitos de to-
das as pessoas trans? Que tal se engajar em
outras lutas sociais? Que tal descobrir no-
vos projetos e possibilidades que até então
não tinha pensado?

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 157


56 Será que eu
posso me
arrepender?
Muitas pessoas trans se perguntam se pode- Você já deve ter ouvido falar
rão se arrepender e, por isso, hesitam muito
antes de modificar seus corpos e/ou de mu-
de pessoas trans que se suici-
dar seus documentos, por exemplo. Hesitar dam, antes, durante e após o
faz parte e pode ser muito importante para processo transexualizador.
que possam se organizar intimamente.
No Brasil, há poucas pesquisas sobre isso,
Sim, o arrependimento existe para algumas mas a experiência de profissionais e lide-
pessoas que podem desejar reverter o pro- ranças trans, tem mostrado que parte con-
cesso transexualizador. Entretanto, nem to- siderável das pessoas trans que se suici-
dos os procedimentos podem ser revertidos. daram, o fizeram não porque “erraram de
Além disso, esse processo de reversão tam- identidade”. Elas se suicidaram, não porque
bém pode ser muito penoso. escolheram um caminho que não era o seu,
Por isso, é muito importante que você con- mas porque encontraram tantas dificulda-
sidere algumas dicas deste guia, principal- des no caminho de afirmar quem eram, que
mente, a de que busque apoio de bons/boas não suportaram continuar a viver.
profissionais durante seu processo de deci-
são, além de todas as outras sugestões.

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É importante que diante das sobrevivência. Elas sofriam violências va-
riadas, entre outras condições sociais que
dificuldades inevitáveis, você comprometeram sua sobrevivência.
procure se cercar de pessoas
Portanto, prevenir o suicídio de pessoas
queridas e busque ajuda. trans é lutar por melhores condições de
Em outras palavras, pessoas trans que se vida para elas, é promover sua organização
suicidaram, frequentemente, estavam so- política, é oferecer suporte a elas dentro
litárias, sem apoio familiar e de amigos, de todas as políticas e instituições sociais.
não conseguiam modificar seus documen- É reconhecer suas demandas, potenciali-
tos, estavam sem alternativas de trabalho dades variadas e a contribuição que dão à
(trabalhando em condições precárias ou sociedade.
sofrendo assédio moral ou violência nos
locais de trabalho), sem habitação, sem as-
sistência à saúde, sem apoio à saúde men-
tal, sem recursos econômicos para sua

160 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


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Eu preciso
esquecer o
passado e
construir tudo
de novo?
Esquecer e até esconder o passado é o de- Assim, para outras pessoas trans, o cami-
sejo de algumas pessoas trans e, como tal, nho é reconhecer, narrar o passado e se-
precisa ser respeitado. Essas pessoas pre- guir em frente, com orgulho da própria
ferem ter uma nova profissão, novas rela- trajetória e de seus feitos.
ções e novos lugares para viver.
Não existe, portanto, um cami-
Nem sempre isso é possível, porque vive-
mos numa sociedade binária e, frequente- nho único. Encontre o seu.
mente, o passado bate à porta das pessoas
trans, revelando sua condição.

GUIA DE POSSIBILIDADES E SERVIÇOS NO RJ 163


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Depois que
eu passar por
tudo isto, vou
ficar feliz?
Embora a sociedade em que vivemos trate O que podemos dizer, é que
a felicidade como um produto a ser con-
sumido, sabemos que ela é uma conquis-
depois de passar por tudo isso,
ta diária para todas as pessoas. Por isso, é provavelmente, você ficará
possível que você se sinta muito mais feliz muito mais forte para enfren-
do que antes, mas também é possível que
você se sinta insatisfeito/a e frustrado/a
tar outros desafios da sua vida
em outros momentos, como todas as ou- e construir outras estratégias
tras pessoas cisgêneras. para se sentir mais feliz.
A identidade de gênero é um aspecto da
vida muito importante e podemos dizer
que quem não está feliz com ela, encontra
bem mais dificuldade para encontrar satis-
fação em outros aspectos da vida, mas não
podemos dar garantia de satisfação para
ninguém.

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Alguns filmes
que podem te
ajudar a pensar
sobre sua con-
dição e sobre
possíveis
caminhos:

166 AGORA QUE ME VEJO COMO TRANS


A garota dinamarquesa, de Tom Hooper Meninos não choram,
(Alemanha e outros, 2015) de Kimberly Peirce (EUA, 1999)
Amanda e Monick, Meu amigo Cláudia,
de André da C. Pinto (Brasil, 2008) de Dácio Pinheiro (Brasil, 2009)
A morte e a vida de Marsha P. Johnson, Meu nome é Ray,
de David France (EUA, 2017) de Gaby Dellal (EUA, 2015)
Divinas divas, Olhe pra mim de novo, de Claudia Priscilla
de Leandra Leal (Brasil, 2016) e Kiko Goifman (Brasil, 2010)
Entre-laços, Questão de gênero,
de Naoko Ogigami (Japão, 2017) do Coletivo Catarse (Brasil, 2013)
Elvis & Madonna, Transamérica,
de Marcelo Laffitte (Brasil, 2010) de Duncan Tucker (EUA, 2005)
Laerte-se, de Eliane Brum e Tudo sobre minha mãe, de Pedro
Lygia Barbosa da Silva (Brasil, 2017) Almodóvar (Espanha/França, 1999)

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LABORATÓRIO INTEGRADO EM
DIVERSIDADE SEXUAL E DE
GÊNERO, POLÍTICAS E DIREITOS