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Curso Profissional

12º G
Português
Agrupamento de Escolas de Arouca 2018/2019 Módulo 8

Faz a leitura ativa dos poemas, retirados da obra Mensagem, de Fernando Pessoa, e destaca as ideias
principais.

Analisa cada poema à luz do mote que te é dado.

 Segundo Fernando Pessoa, a civilização europeia é a criação de três nações (a grega, a romana e a inglesa), destacadas
no poema de abertura da obra Mensagem.

O DOS CASTELOS

A Europa jaz, posta nos cotovelos:


De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;


O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar esfíngico e fatal,


O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.


 "Os Deuses vendem quando dão" é uma frase que remonta pelo menos à Grécia Clássica e que corresponde a uma visão
mesquinha da divindade: os favores dos deuses pagam-se!

O DAS QUINAS

Os Deuses vendem quando dão.


Compra-se a glória com desgraça.
Ai dos felizes, porque são
Só o que passa!

Baste a quem baste o que lhe basta


O bastante de lhe bastar!
A vida é breve, a alma é vasta:
Ter é tardar.

Foi com desgraça e com vileza


Que Deus ao Cristo definiu:
Assim o opôs à Natureza
E Filho o ungiu.

 Segundo a lenda, Ulisses, herói da Odisseia, ter-se-ia perddo no Mediterrâneo depois da vitória em Troia, navegando até ao
Tejo e aí fundando a cidade de Lisboa: Olissipo.

Ulisses
O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,


Foi por não ser exis2ndo.
Sem exis2r nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre


A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
 O rei D. Dinis é um dos heróis fundadores da nossa História e surge evocado no sexto poema da secção “Os Castelos”.

D. DINIS

Na noite escreve um seu Cantar de Amigo


O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.

Arroio1, esse cantar, jovem e puro,


Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.

 O quinto poema dos cinco que integram “As Quinas” assume uma dimensão espiritual, pondo em relevo o sacrifício que
imortaliza e glorifica o ser humano.

D. Sebastião, Rei de Portugal

Louco, sim, louco, porque quis grandeza


Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem


Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?
 O primeiro poema da parte II apresenta o impulsionador dos Descobrimentos.

O INFANTE

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.


Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,


Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.


Do mar e nós em F nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

 O título do poema Horizonte evoca um espaço longínquo que se procura alcançar, funcionando, assim, como uma espécie
de metáfora da procura,

HORIZONTE
Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
Esplendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longínqua costa —


Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.

O sonho é ver as formas invisíveis


Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte —
Os beijos merecidos da Verdade.
 Um dos maiores obstáculos que os marinheiros portugueses tiveram de ultrapassar foi o medo do desconhecido.

O MOSTRENGO
«Quem vem poder o que só eu posso,
O mostrengo que está no fim do mar Que moro onde nunca ninguém me visse
Na noite de breu ergueu-se a voar; E escorro os medos do mar sem fundo?»
À roda da nau voou três vezes, E o homem do leme tremeu, e disse:
Voou três vezes a chiar, «El-Rei D. João Segundo!»
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo, Três vezes do leme as mãos ergueu,
Meus tectos negros do fim do mundo?» Três vezes ao leme as repreendeu,
E o homem do leme disse, tremendo: E disse no fim de tremer três vezes:
«El-Rei D. João Segundo!» «Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
«De quem são as velas onde me roço? E mais que o mostrengo, que me a alma teme
De quem as quilhas que vejo e ouço?» E roda nas trevas do fim do mundo;
Disse o mostrengo, e rodou três vezes, Manda a vontade, que me ata ao leme,
Três vezes rodou imundo e grosso, De El-Rei D.João Segundo!

 O poeta dirige-se ao mar, um mar responsável pelo sofrimento das mães, dos filhos, das noivas, de todos aqueles que
ousaram cruzar as suas águas.

MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal


São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena


Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
 A crença na construção de um novo império é um sinal de esperança.

O Quinto Império

Triste de quem vive em casa, Ser descontente é ser homem.


Contente com o seu lar, Que as forças cegas se domem
Sem que um sonho, no erguer de asa, Pela visão que a alma tem!
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar! E assim, passados os quatro
Tempos do ser que sonhou,
Triste de quem é feliz! A terra será teatro
Vive porque a vida dura. Do dia claro, que no atro
Nada na alma lhe diz Da erma noite começou.
Mais que a lição da raiz-
Ter por vida a sepultura. Grécia, Roma, Cristandade,
Europa – os quatro se vão
Eras sobre eras se somem Para onde vai toda idade.
No tempo que em eras vem. Quem vem viver a verdade
Que morreu D. Sebastião?

 A perda dá lugar à esperança como reação necessária à “apagada e vil tristeza” que já Camões constatara.

NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,


Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.


Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?) Tópicos a abordar no trabalho em pares:
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
- Inserir o poema na estrutura da obra a que pertence
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
- Explicitar o assunto

É a Hora! - Relacionar com um dos conteúdos estudados em


módulos anteriores (por exemplo, Os Lusíadas, …)
Valete, Fratres.
- Identificar alguns recursos expressivos e clarificar o
seu valor semântico
- Proceder à análise formal do poema (estrutura
estrófica, métrica e rimática)