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FICHAMENTO1

Moraes, Paulo Leandro da Costa.2


RÉMOND, Renê. Por uma história política. Tradução de Dora Rocha. ed. 2. Rio de Janeiro:
Editora FGV, 2003, p. 12-36.

Fatores exógenos

“[...] o desenvolvimento da história econômica ou social se fizesse às custas do


declínio dos fatos políticos, daí em diante lançada num descredito aparentemente definitivo.
Ora, o movimento que leva a história ao plano político, hoje traz de volta essa história ao
primeiro plano[...]” (p, 14).

“Foi contra [...] a hegemonia do político, herança de um passado, que, em nome de


uma história total, uma geração de insurgiu, e fez-se uma revolução na distribuição do
interesse. A renovação que há meio século marcou tão profundamente a disciplina histórica
teve como alvo principal e primeira vítima a história política [...]” (p.15).

“[...] ela só tinha olhos para acidentes e as circunstâncias mais superficiais:


esgotando-se na análise das crises ministeriais e privilegiando as rupturas de continuidade, era
a própria imagem e o exemplo perfeito da história dita factual ou évémentielle – sendo o
termo aí evidentemente usado no mau sentido –, que fica na superfície das coisas e esquece de
vincular os acontecimentos às suas causas profundas[...]” (p. 16).

“[...] Ela imaginava que as vontades pessoais dirigem o curso das coisas, e às vezes
levava mesmo a cegueira ate o ponto de acreditar que as ideias conduzem o mundo. Quando
as ideias nunca são mais que a expressão dos interesses de grupos que se defrontam, e os atos
políticos apenas revelam relações de forcas definidas, medidas, reguladas pela pressão dos
conjuntos socioeconômicos [...]” (p. 18).

“[...] As novas orientações da pesquisa histórica estava em harmonia com o ambiente


intelectual e político. O advento da democracia política e social, o impulso do movimento
operário, a difusão do socialismo dirigiam o olhar para as massas [...]” (p. 19).

1
Trabalho entregue a disciplina de Teoria e Metodologia da História, ministrada pela Prof.ª Dr. Milena Galdez,
para a obtenção da segunda nota.
2
Aluno do 5º período do curso de História Licenciatura da Universidade Estadual do Maranhão.
“Nas sociedades contemporâneas, a política organiza-se em torno do Estado e
estrutura-se em função dele: o poder do Estado representa o grau supremo da organização
política; é também o principal objeto das competições [...]” (p.20).

“[...] os críticos do Estado moderno proclamam que ele não é nem soberano nem
imparcial: é sempre açambarcado e não tem nem existência própria nem independência
efetiva. O Estado jamais passa de instrumento da classe dominante; as iniciativas dos poderes
públicos, as decisões dos governos são apenas a expressão das relações de forças. Ater-se ao
estudo do Estado como se ele se encontrasse em si mesmo o seu principio e a sua razão de ser
é, portanto deter-se na aparência das coisas [...]” (p.20)

“[...] Ora, eis que, há duas ou três décadas, esboçaram-se os sinais anunciadores, e
depois multiplicaram-se as manifestações de um retorno com força total. Os trabalhos de
história política pululam, numerosas teses lhe são consagradas. O ensino, após ter obedecido à
convicção de que e devia descartar a política em beneficio da economia e das relações sociais,
tende hoje a reintrodução a dimensão política dos fatos coletivos[...]” (p. 21).

“[...] não é uma restauração, mas antes uma etapa nova no desenvolvimento da
reflexão que a história faz sobre si mesma, e o fenômeno tem então grandes chances de
sobreviver à geração que desencadeou o movimento.” (p. 22).

“[...] A história de fato não vive fora do tempo em que é escrita, ainda mais quando
se trada da história política: suas variações são resultado tanto das mudanças que afetam o
político, como as que dizem respeito ao olhar que o historiador dirige ao político. Realidade e
percepção interferem”. (p.22).

“[...] O desenvolvimento das políticas públicas sugeriu que a relação entre economia
e política não era de mão única: se não há duvida de que a pressão dos interesses organizados
às vezes altera a condução dos negócios públicos, a recíproca não é menos verdadeira: a
decisão política pode modificar o curso da economia para melhor ou para pior. Uma escolha
política que pode nada dever à análise econômica, e perceber apenas a considerações
ideológicas [...]” (p.23).

“Outra coisa que atual no mesmo sentido para reintegrar os fatos políticos ao campo
de observação histórica: a ampliação do domínio da ação política com o aumento das
atribuições do Estado[...] pode-se dizer que também o universo político está em expansão[...]
a política se apoderou de toda espécie de problemas que não lhe dizem respeito inicialmente,
portanto, de se preocupar[...] Com isso desabou a principal objeção a esse tipo de história:
como sustentar ainda que o politico não se refere às verdadeiras realidades, quando ele tem
por objetivo geri-las?[...] (p. 24).

“[...] Sua diversidade, seus antagonismos proporcionam ao governo, aos políticos, ao


aparelho administrativo uma margem de independência, um espaço de liberdade e uma
capacidade de arbitragem que eles usam geralmente em função da ideia de fazem do interesse
superior da coletividade nacional [...]” (p. 24).

“[...] Os cidadãos se sentem mais membros de um corpo político, e consentem mais


que nunca em participar de decisões que afetam a coletividade.” (p.25).

“[...] A contestação torna então a política responsável por tudo o que deixa a desejar
numa sociedade, e a utopia leva a crer que é também a política que detém a solução de todos
os problemas, inclusive os das vias pessoais: bastaria modificar a regime para que todas as
dificuldades se resolvessem; mudamos a maioria e a vida mudará. [...]” (p. 25).

Fatores endógenos

“No caso, a renovação foi provocada, suscitada, pela rediscussão dos conceitos
clássicos e das práticas tradicionais. E neste ponto, a contestação de que foi objeto a história
política lhe foi muito salutar: o desafio fustigou a imaginação e estimulou a iniciativa.” (p.26).

“Além do mais, a história politica não tinha que se regenerar: encontrava em seu
próprio passado alguns exemplos daquilo que deveria se tornar”. [Charles Seignobos; André
Siegfried; Albert Tribaudet; Georges Weill; Marcel Prélot; Jean-Jacques Chevallier...] (p. 26).

“[...] No que tange ao quantitativo, a história política chega em primeiro lugar”.


(p.33)

“Essa oposição ignora a pluralidade dos ritmos que caracterizam a história política.
Esta se desenrola simultaneamente em registros desiguais: articula o contínuo e o
descontínuo, combina o instantâneo e o extremamente lento [...] Assim, no que diz respeito ao
tempo, a história política não o cede à história de qualquer outro aspecto da realidade.” (p.34).

“Se o político deve explicar-se antes de tudo pelo político, há também no politico
mais que o político. Em si mesma, nem se comprazer na contemplação exclusiva de seu
objeto próprio. Nem privilegiar um tipo de relação: não há, por exemplo, razão cientifica para
estabelecer ligação mais estreita do político com o econômico que com o ideológico, o
cultural, ou qualquer outro termo de relação [...]” (p.36)

Apontamentos

O autor apresenta dois conjuntos de fatores que contribuem para a reformulação da


história politica no âmbito da construção historiográfica: o primeiro deles são os de natureza
exógena, em que são apresentadas as influências exteriores ao campo da História, que
sustentam a importância do conhecimento político na história, com suas nuances e como algo
dinâmico que extrapola a explicação narrativa e biográfica.

Outro fator apresentado pelo autor diz respeito a uma transformação endógena, que
se destaca pela aproximação da disciplina histórica com outras disciplinas. A
interdisciplinaridade que marca a década de 1930 na história, principalmente com sua
aproximação com as ciências sociais, e que alija a história política do âmbito da produção
historiográfica, mas que acaba posteriormente trazendo-a ao centro das discursões históricas.

Entre outras coisas, a renovação da história politica, como apresenta o autor, se dar a
partir da existência no próprio cerne da disciplina de uma produção muito fecunda, que
antecede sua depreciação pelos historiadores dos Annales (Bloch e Febvre).

Logo as produções em história politica são uma importante ferramenta para


compreensão de todo um cenário histórico, que em conjunto com outros aspectos constitui um
elemento fundamental de compreensão do passado, não de forma superior, nem tão pouco
inferiorizada, mas como possibilidade conjuntural.

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