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O texto sobre “sombra”, sob análise psicológica, fala das máscaras (persona) que temos: a

imagem que passamos para o mundo (como nos portamos diante do mundo) nas relações
rasas, ou seja, superficiais que estabelecemos - e, tantas vezes, até nos convencemos de que
assim somos.

Vejamos o que diz o caminho do pescador: Esse pescava muitíssimo e, tantas vezes, até jogava
fora o que pescava, por não conseguir vender. Mesmo assim, munido de uma máscara de
mergulho, foi em busca de mais peixes, nas profundezas do mar, reino de Olokun. Lá, Olokun,
por ter seu reino deflagrado, não permite que o pescador retorne, com vida, à superfície.

(*) A sombra é um dos conceitos mais importantes presentes na Psicologia Junguiana (dita
Analítica ou Complexa). Trata-se da parte mais obscura da nossa psiquê ( mente); e isso, pois
engloba tudo aquilo que não aceitamos como parte da nossa personalidade, identidade ou ego
(complexo do eu?).

O mais difícil é percebermos/reconhecermos nossa sombra; pois como toda boa sombra, ela
costuma ficar atrás de nós (se estamos olhando para a fonte de luz). Geralmente, percebemos
a sombra por ela estar projetada em algo.

Basicamente, tudo o que nos é inconsciente (a sombra é, aqui, incluída), só nos é percebido
quando é projetado. O que isso significa? Quando eu olho para alguém, por exemplo, e nele
reconheço algo diferente de mim (atitudes, posturas...), estou projetando nesse alguém a
minha sombra; principalmente se, além de reconhecer a diferença, eu o repudio.

Como a sombra abarca tudo o que eu reconheço (inconscientementem a princípio) como


“não-eu”, tudo o que eu vejo como “não-eu” no mundo se torna projeção da minha sombra.
Em outras palavras, quando eu vejo isso, eu estou vendo no outro o que eu reconheço como
sendo “não-eu” em mim.

O mecanismo pode parecer um pouco complicado, mas basicamente funciona assim:


Como eu não reconheço determinada característica em mim, então isso significa que tal
característica é, em mim, reprimido (em psicologia, jamais rechaçado para fora do ser,
isto é, inexistente para tal ser?); e isso fica encarcerado (suprimido) em meu
inconsciente e, ao mesmo tempo, projetado no mundo exterior, em alguém (que não eu)
que reconheço como portador de tal característica, a qual não reconheço em mim. Isso
caracteriza uma sombra minha. Eu posso conscientizar isso, mas não internalizo como
sendo eu/meu.
(*) Um bom exemplo disso e um exemplo bem banal: José é um cara preguiçoso, mas
ele não quer reconhecer isso. A preguiça nele é reconhecida como sendo um “não-eu”,
já que ele não reconhece para si nem para os outros que ele é preguiçoso. Ele então pede
a Pedro que está sentado ao seu lado para fazer o favor de alcançar uma pasta que está
na outra mesa (lembrar do pataki da terceirização da responsabilidade). Pedro lamenta e
diz que não pode e que o próprio José poderia pegar a pasta, já que a distância é a
mesma. José então fica indignado e chama Pedro de preguiçoso porque ele foi incapaz
de se levantar para pegar a pasta. O engraçado é que o próprio José também foi incapaz
de levantar para pegar a pasta, o que o torna, segundo seus próprios critérios, um
preguiçoso. Mas como a preguiça no José faz parte de sua sombra, ele não reconhece
como sendo de si mesmo, mas sim projetado no outro e como sendo o outro.

A sombra é perigosa quando não reconhecida.

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