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A estrutura de
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a luz do NCPC

A EXIGÊNCIA DO ESOCIAL E O ESTÁGIO DE


UM ESTUDO SOBRE O PAPEL DO PROFISSIONAL DA PREPARAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES CONTÁBEIS
CONTROLADORIA NA REGIÃO SUL DO BRASIL NO ÂMBITO DA DELEGACIA DO CRCRS DE
FREDERICO WESTPHALEN
Revista do Conselho Regional de

PLENÁRIO DO CONSELHO REGIONAL DE


CONTABILIDADE DO RIO GRANDE DO SUL
do Rio Grande do Sul Biênio 2018/2019

COMPOSIÇÃO DA DIRETORIA

ISSN 1981-4666
PRESIDENTE
Contadora Ana Tércia L. Rodrigues

EXPEDIENTE VICE-PRESIDENTE DE GESTÃO


Técn. Cont. Ricardo Kerkhoff

Conselho Regional de (UFRGS). Professora na Universidade


Federal do Rio Grande do Sul. VICE-PRESIDENTE DE FISCALIZAÇÃO
Contabilidade do Rio Grande
do Sul – CRCRS Contador Paulo Gilberto Comazzetto
Contador Osmar Antonio Bonzanini
Especialista em Controladoria (URI,
Av. Praia de Belas, 1554 1997). Doutor em Gestão UTAD/Portu- VICE-PRESIDENTE DE REGISTRO
90110-000 Porto Alegre-RS gal (2016). Professor na Universidade Contador Juliano Bragatto Abadie
Fone/fax (51) 3254-9400 Regional Integrada do Alto Uruguai e
das Missões (URI).
editoria@crcrs.org.br VICE-PRESIDENTE DE CONTROLE INTERNO
www.crcrs.org.br Contador Rogério Rosi Sola
Mestre em Economia, com ênfase em Contador Mário Kist
Controladoria (UFRGS). Professor na
Periodicidade quadrimestral Fapa/RS e IBGEN.
VICE-PRESIDENTE DE DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL
Contadora Romina Batista de Lucena Contador Márcio Schuch Silveira
CONSELHO EDITORIAL de Souza
Mestre em Economia Aplicada e doutora
em Economia do Desenvolvimento VICE-PRESIDENTE DE RELAÇÕES COM OS PROFISSIONAIS
Contador Marco Aurélio Gomes
Barbosa - Coordenador (UFRGS). Professora na Universidade Contadora Elaine Görgen Strehl
Mestre e Doutor em Ciências Contábeis Federal do Rio Grande do Sul.
em Ciências Contábeis (Unisinos).
Professor na Universidade Federal do Contador Sérgio Laurimar Fioravanti VICE-PRESIDENTE DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS
Rio Grande. Especialista em Finanças (PUC/RS,
1999). Mestrando em Administração e Contador Celso Luft
Contador Clovis Antonio Kronbauer Negócios (PUC/RS). Professor na
Mestre em Ciências Contábeis Pontifícia Universidade Católica do RS.
VICE-PRESIDENTE TÉCNICO
(Unisinos). Doutor em Contabilidade e
Auditoria (Universidade de Sevilha, Contador Wanderley José Ghilardi Contadora Nádia Emer Grasselli
Espanha). Professor na Unisinos. Especialista em Controladoria e
Finanças (UFSM, 2001), Mestre em
Administração (UFSM, 2006) e Doutor COMPOSIÇÃO DO PLENÁRIO
Contador Ernani Ott
Doutor em Ciências Contábeis em Desenvolvimento Regional (UNISC,
(Universidade de Deusto, Espanha). 2011).). Professor na Universidade
Federal de Santa Maria (UFSM). CONSELHEIROS(AS) TITULARES
Professor na Universidade do Vale do
Rio dos Sinos (Unisinos). Contadores: Ana Tércia Lopes Rodrigues, Ane Elisa Moller Dapper, Celso
Contadora Wendy Beatriz Witt Haddad
Pós-Doutora na área de Empreendedo- Luft, Vilson José Fachin, Vinicius Rheinheimer Dinél, Ronaldo Bica Campos,
Contadora Eusélia Paveglio Vieira
Mestre em Contabilidade (Fundação rismo, Estratégia, Planejamento e Osmar Antonio Bonzanini, Grace Scherer Gehling, Lorí Sita Fagundes, Anabéli
Inovação em Negócios (Universidade
Visconde de Cairu, 2001). Professora na
do Porto). Doutora em Economia do Galvan Perera, Nádia Emer Grasselli, Mário Kist, Elaine Görgen Strehl, Juliano
Universidade Regional do Noroeste do
Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí). Desenvolvimento (UFRGS). Mestre em Bragatto Abadie, Paulo Roberto da Silva, Aramis Ricardo Costa de Souza,
Administração (UFRGS, 2009). Cristiani Fonseca de Souza, Márcio Schuch Silveira, Belonice Fátima Sotoriva,
Contador Flávio Flach Especialista em Controladoria (UFRGS,
2000). Professora na UFRGS. Enise Massing, Laurise Martha Pugues, Luís Augusto Maciel Fernandes,
Especialista em Gestão Pública
Participativa (Uergs, 2004). Auditor Adauto Miguel Fröhlich, Paulo Gilberto Comazzetto e Gerson Luís dos Santos.
Público Externo do TCE/RS. Professor Técnicos em Contabilidade: Luís Fernando Ferreira de Azambuja e Ricardo Kerkhoff.
na Contabilidade Governamental na SUPERVISÃO
Feevale.
Márcia Bohrer Ibañez CONSELHEIROS(AS) SUPLENTES
Contadora Laurise Martha Pugues
Especialista em Administração Contadores: Eusélia Paveglio Vieira, Vinícius Schneider, Andréia Altenhofen,
Financeira (Unisinos, 2001). Mestre em PROJETO GRÁFICO EDITORAÇÃO José Inacio Bresolin, Mario Antonio Karczeski, Marcelo de Deus Saweryn,
Contabilidade (Unisinos, 2008). E DIAGRAMAÇÃO
Professora no Centro Universitário Ritter Marco Aurélio Gomes Barbosa, Regina Souza Pedra, João Luis Lucas Maracci,
dos Reis - Uniritter e no Centro Magda Regina Wormann, Solange Daros Deõn, José Almir Rodrigues de
Universitário Metodista IPA. M&W Comunicação Integrada
(11) 4493 0665 Mattos, André Ricardo Bergamaschi, Tairo Rolim Fracasso, Marcos Fracalossi,
Contadora Márcia Rosane Frey atendimento@mwci.com.br Wanderlei José Ghilardi, Marcos Volnei dos Santos, Evanir Aguiar dos Santos,
Mestre e Doutora em Desenvolvimento José Máximo Daronco, Guilherme Pressi, Alberto Amando Dietrich, Mônica
Regional pela Universidade de Santa
Cruz do Sul (1997/2015). Professora na É permitida a reprodução de Foerster e Martin Lavies Spellmeier.
Universidade de Santa Cruz do Sul qualquer matéria, desde que Técnicos em Contabilidade: Cármen Alves Tigre e Carlos Jerônimo Sodré Bilheri.
(Unisc). citada a fonte. Os conceitos
Contadora Maria Ivanice Vendruscolo emitidos em artigos assinados são
Mestre em Ciências Contábeis (Unisinos). de inteira responsabilidade de
Doutoranda em Informática na Educação seus autores.
SUMÁRIO

UM ESTUDO SOBRE O PAPEL DO


PROFISSIONAL DA CONTROLADORIA NA
REGIÃO SUL DO BRASIL

4
Walter Braga Júnior

A EXIGÊNCIA DO eSOCIAL E O
ESTÁGIO DE PREPARAÇÃO DAS
ORGANIZAÇÕES CONTÁBEIS NO
ÂMBITO DA DELEGACIA DO CRCRS
DE FREDERICO WESTPHALEN

28
Renato Luca Zampirol
Willian Lago
Osmar Antonio Bonzanini

A ESTRUTURA DE APRESENTAÇÃO
DE UM LAUDO PERICIAL SOB A
LUZ DO NCPC

Paulo Duval da Silva Lamego

42
UM ESTUDO SOBRE O PAPEL DO
PROFISSIONAL DA CONTROLADORIA NA
REGIÃO SUL DO BRASIL
Walter Braga Júnior
Contador Acadêmico de
RESUMO
Direito. Pós-graduação em
Direito Processual Tributário. O presente artigo tem a finalidade de investigar o papel do profissional da controladoria na região Sul
do Brasil. Para alcançar esse objetivo, foi utilizado como método de pesquisa um estudo de campo por
MBA em Gestão Societária e meio de um questionário direcionado a controllers de grandes organizações da região Sul. No mesmo
Planejamento Tributário. sentido, foram coletados dados de reconhecidos sites de emprego, com o objetivo de identificar no
mercado de trabalho regional as principais exigências requeridas para o profissional de controladoria.
Os resultados evidenciaram que tanto o mercado de trabalho quanto os profissionais atuantes estão
em consonância com as atribuições do controller, definidas por autores da área. Esses profissionais de
controladoria, por sua vez, estão deixando de ser apenas responsáveis operacionais e figurando entre
as empresas como importantes peças do planejamento estratégico gerencial.

PALAVRAS-CHAVE: Controladoria. Perfil. Atribuições. Controller.

ABSTRACT
This article has the purpose to investigate what the role of the professional of the comptroller
in the south region of Brazil. To reach this goal, was used as a research method a field study
through a questionnaire directed the controllers of large organizations of the south region. In
the same sense, data were collected on recognized sites of employment, with the objective of
identifying in the regional labor market, the main requirements for the training of the comp-
troller. The results showed that both the labor market, as the acting professionals, are in line
with the tasks of the controller, defined by literary authors. These Professional controllership
turn, leaving just to be a responsible operational and appearing between the companies as an
important part of the strategic planning management.

KEYWORDS: Controllership. Profile. Assignments. Controller.

REVISTA DO CRCRS 5
1 INTRODUÇÃO a empresa a sua eficácia. O controller poderá
ter sua atuação centralizada em caráter ope-
Muito se debatem, hoje em dia, as racional, estando mais voltada para ativida-
constantes variações econômicas e o crescen- des contábeis, tributárias e financeiras, ou,
te avanço tecnológico do cenário mundial, ainda, operando como um cargo estratégico,
decorrente das aberturas de mercado, que mais voltado para a análise de cenários e pla-
fizeram as organizações repensarem a sua nejamento dos informes e figurando como
estratégia de gestão. Sobretudo, essa globa- peça influente na tomada de decisões.
lização econômica acarretou maior complexi- Segundo Nascimento e Reginato
dade nas operações, levando os gestores a de- (2010), a controladoria pode ter funções di-
mandar um monitoramento mais rigoroso no versas, dependendo das dimensões da em-
processo das suas atividades, com a finalida- presa e da filosofia que orienta a sua adminis-
de de obter informações mais precisas para a tração. A função sofre variações de empresa
tomada de decisões. Nesse sentido, as empre- para empresa de acordo com as crenças se-
sas figuram como um sistema de gestão aber- guidas.
to, que interage com seu exterior e objetiva Percebida a influência do modelo de ges-
auferir resultados e continuidade, alinhados tão empresarial, capaz de refletir diretamente
à missão, crenças e valores de seus diretores. na atuação da controladoria, instiga-se a inda-
Para Catelli (2001), a missão de uma empre- gação referente à percepção das corporações
sa corresponde ao sentido de sua existência, sobre a controladoria. Com isso, evidencia-
com características e metas capazes de orien- ram-se estudos empíricos que tratam do refe-
tar indivíduos ao seu propósito. Num contex- rido tema, como os de Calijuri et al. (2005),
to organizacional cada dia mais competitivo, Borinelli (2007), Oro et al. (2009), Ferrari et
informatizado e com recursos limitados, o al. (2013) e Gomes et al. (2014), bem como os
monitoramento pleno de todas as etapas do dos principais precursores teóricos: Iudícibus
processo de execução se torna indispensável. (1987), Guerreiro (1989), Nakagawa (1993),
Com o intuito de suprir tais necessi- Catelli (2001), Padoveze (2004) e Nascimento
dades, surge a controladoria, que, alinhada e Reginato (2010). Entre os estudos mencio-
ao sistema de informações, busca atender aos nados, para fins desta pesquisa, destacam-se
reais interesses da corporação, figurando como dois: a análise de Calijuri et al. (2005), que
ferramenta fundamental no planejamento procurou averiguar o perfil do profissional de
estratégico gerencial. Para atender a essa de- controladoria, e a pesquisa de Borinelli (2007),
manda de atividades, a controladoria segue que buscou identificar as principais funções e
um modelo interdisciplinar com a missão de atividades da controladoria em grandes em-
otimizar e consequentemente maximizar os presas do território nacional.
resultados econômicos de uma entidade. Com o levantamento desses estudos
E, para liderar tamanha responsabilida- mencionados, identificou-se uma carência de
de, desponta o profissional de controladoria, pesquisa em controladoria mais aprofundada
denominado controller, que atuará auxilian- nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio
do a gestão máxima da empresa, no intuito de Grande do Sul. A partir dessa percepção, este
antecipar eventuais problemas e subsidiar o pesquisador viu-se instigado a responder à
diretor com informações capazes de conduzir seguinte problemática: qual é o papel do pro-

6 REVISTA DO CRCRS
fissional da controladoria na região Sul do los executivos para a obtenção dos ideais da
Brasil? A investigação acerca desse tema tor- entidade. De acordo com Guerreiro (1989),
nou-se seu objetivo geral. Como objetivos es- o modelo de gestão é designado por um con-
pecíficos, buscou averiguar as principais exi- junto de conceitos que devem ser observados
gências e atribuições requeridas para o cargo pelos componentes da organização. Já Catelli
de controller na região Sul do Brasil, analisar (2001) ensina que o modelo de gestão estabe-
se as principais atividades do profissional de lece, em sentido amplo, a necessidade de in-
controladoria são de caráter operacional ou formação exigida para a tomada de decisão.
estratégico gerencial e comparar as exigên- O autor também evidencia que não existe um
cias requeridas no mercado de trabalho com estilo único no modelo de gestão, podendo
os dados obtidos na pesquisa de campo. ser restrito a normas gerais ou ser mais deta-
Para encontrar respostas a essa pesqui- lhado, em molde descentralizado, desde que
sa empírica quantitativa, foram estabelecidas transmita a preocupação e a orientação dos
duas etapas para a coleta de dados. Primeira- acionistas. Não obstante, Guidini (2007) res-
mente foram coletadas informações dos mais salta que alguns estilos de gestão não exercem
lembrados sites de empregos, com a finali- influência sobre o lucro de sua entidade, evi-
dade de analisar as principais exigências do denciando ainda que outros fatores, além do
mercado de trabalho para o cargo de respon- estilo de gestão adotado, deverão ser levados
sável pela controladoria durante o segundo em consideração para determinar o resultado.
semestre de 2014 e o período total de 2015. A partir disso, Crozatti (1998) defi-
Na segunda etapa, foi estruturado um ques- ne o modelo de gestão como um conjunto
tionário com alternativas de múltipla esco- das regras e concepções, com a serventia de
lha, direcionado a controllers de grandes or- orientar os gestores na escolha das melhores
ganizações privadas da região Sul do Brasil, alternativas para levar a entidade a cumprir
listadas em publicação da revista Amanhã, sua missão com eficácia, tendo em vista que
referentes ao exercício de 2014. a cultura da empresa é formada com base nas
A presente pesquisa está estruturada em crenças e valores, e estes, por sua vez, agem
sete capítulos, a saber: no capítulo 1, são apre- com a finalidade de orientação para o modelo
sentados a contextualização e o problema de conceitual que será adotado. No mesmo sen-
pesquisa; nos capítulos 2, 3 e 4, abordam-se tido, Crozatti (1998) ressalta que um modelo
as referências teóricas, bem como os estudos de gestão deverá ser fundamentalmente com-
empíricos anteriores; no capítulo 5, a meto- posto levando-se em conta quatro aspectos:
dologia da pesquisa; no capítulo 6, realiza-se processo de gestão do sistema empresa (pla-
a análise dos resultados; no capítulo 7, são nejamento, execução, controle), avaliação de
evidenciadas as considerações e, por fim, são desempenho das áreas e dos gestores (res-
apresentadas as referências da pesquisa. ponsabilidade pelos resultados das áreas sob
seu comando), processo decisório (centrali-
zação ou descentralização) e comportamento
2 MODELO DE GESTÃO
dos gestores (motivação, empreendedores).
No mesmo sentido, Frezatti et al. (2009) en-
O modelo de gestão hoje em dia é vis-
sina que o modelo de uma organização decor-
to como referência para a administração do
re de significativos tipos de influência, tendo
negócio, pois reflete escolhas idealizadas pe-

REVISTA DO CRCRS 7
como ponto inicial a história da entidade, o mada de decisão em todos os planos empre-
mercado em que ela está atuando, a origem e sariais e níveis hierárquicos, denominados de
o estágio do ciclo de vida em que se encontra. processo de gestão. No mesmo sentido, expli-
Sendo assim, Padoveze (2004) esclarece que ca ainda que a concepção de gestão está vol-
o modelo de gestão é a raiz do subsistema de tada ao mundo dos negócios e esse processo
gestão, inserido na empresa em um sistema se efetiva por meio de seus principais compo-
orientado que permita a ordenação de sua nentes, que são o planejamento, a execução e
administração para o fluxo do processo de to- o controle, conforme apresentado na figura 1.

Figura 1. Processo de gestão

Planejamento Planejamento
Programação
Estratégico Operacional

Execução

Controle

Fonte: Adaptado de Padoveze (2004, p. 27).

É justamente nesse contexto que se evi- Para Crepaldi (2004), a definição de


dencia a eminente importância da controla- controle interno está vinculada a um sistema
doria, que chega para dar maior segurança e empresarial que compreende o plano da or-
credibilidade ao plano de informações estra- ganização, contendo os métodos e as medidas
tégicas das entidades. adotadas com o objetivo de proteger os ativos
e verificar a exatidão e a fidelidade dos dados
3 CONTROLADORIA e relatórios operacionais, além de desenvol-
ver a eficiência nas operações e estimular o
O controle é uma função componente do cumprimento das políticas, normas e pro-
processo administrativo que objetiva analisar se cedimentos adotados. Já para Nascimento e
o que está sendo executado está alinhado com Reginato (2010), o controle interno de uma
aquilo que foi planejado. Dentro de uma entida- empresa está totalmente submisso a quem
de, o ato de controlar está vinculado a ter plena detém o mais alto poder hierárquico, pois re-
autonomia sobre todo o processo empresarial. flete o conjunto de atitudes e posturas da ges-

8 REVISTA DO CRCRS
tão máxima. No mesmo sentido, os autores XX, com o surgimento das grandes empresas
definem que, com o avanço tecnológico, os norte-americanas. A partir disso, os gestores
diretores de empresas tomaram consciência identificaram a necessidade de um contro-
de que a controladoria é fundamental para a le mais rigoroso nos estágios das operações
continuidade de seus negócios. Para tal in- para auferirem informações mais precisas e
tento, a contabilidade gerencial serve como auxiliares no processo da tomada de decisão.
base para a otimização do processo decisório Em virtude da expansão americana, logo
e ainda oferta a possibilidade de traçar indi- em seguida a controladoria foi introduzida no
cadores, promove formas de proteção ao pa- contexto brasileiro sob o êxito das corporações
trimônio e atende aos objetivos estratégicos multinacionais que chegaram ao nosso âmbito
estabelecidos. nacional para expandir mercado.
Segundo Iudícibus (1987), a conta-
bilidade gerencial pode ser designada com 3.1 A CONTROLADORIA NAS ORGANIZAÇÕES
um parâmetro mais analítico, detalhado e
aprofundado, com objetivos distintos dos da A controladoria é vista como peça es-
contabilidade financeira operacional, já que sencial para o planejamento estratégico e a
o seu propósito é assessorar os gerentes das continuidade de uma organização. Na visão
entidades em seu processo decisório. de Catelli (2001), a controladoria não deve
Para Beuren (2002), a história da ser interpretada como um método assertivo
controladoria ou contabilidade gerencial e, para a obtenção de uma correta percepção,
começou a ganhar moldes a partir de um é preciso dividi-la em dois vértices: ramo do
grande desenvolvimento das organizações conhecimento, responsável pelo estabeleci-
após a Revolução Industrial. Com o tama- mento de toda a base conceitual, e órgão ad-
nho crescimento das empresas, as atividades ministrativo, respondendo pela disseminação
começaram a ficar mais complexas e conse- de conhecimento, modelagem e implanta-
quentemente demandaram uma maior aten- ção de sistemas de informação. Já Lunkes e
ção nos seus sistemas de planejamento. No Schnorrenberger (2009) definem que, dentre
mesmo sentido, para Frezatti et al. (2009), os objetivos a serem alcançados com a cria-
essa evolução se atribui principalmente ao ção da área de controladoria, deve ser evi-
surgimento dos mercados de capitais, quan- denciado o alinhamento dos esforços para,
do se passou a desmembrar a imagem dos em consequência, haver uma melhoria nos
investidores de capital da figura dos gestores resultados da organização.
das empresas. Sendo assim, Beuren (2002) O quadro 1 apresenta definições de mis-
relata que a caracterização contemporânea são da controladoria segundo a percepção de
da controladoria ocorreu no início do século diversos autores.

REVISTA DO CRCRS 9
Quadro 1. Exemplos de missão da controladoria
AUTORES MISSÃO DA CONTROLADORIA

Mosimann e Fich Otimizar os resultados econômicos da empresa, para garantir a


(1993 e 1999) continuidade, por meio da integração dos esforços das diversas áreas.

Perez Jr., Pestana e Otimizar os resultados econômicos da empresa, por meio da definição de
Franco (1997) um modelo de informações baseado no modelo de gestão.

Figueiredo e Caggiano Zelar pela continuidade da empresa, assegurando a otimização do


(1997) resultado global.

Almeida, Parisi e Pereira


Assegurar a otimização do resultado econômico da organização.
(2001) e Peleias (2002)

Minimizar riscos e incertezas, salvaguardar o patrimônio e otimizar


Garcia (2003)
resultado da organização.

Suportar todo o processo de gestão empresarial por intermédio de seu


Padoveze (2004)
sistema de informação, que é um sistema de apoio à gestão.

Zelar pela sobrevivencia e continuidade da organização; promover,


coordenar e integrar os esforços das partes que formam o todo
Borinelli (2006)
organizacional; assegurar a eficiência e otimização do resultado
econômico.

Horváth (2006) Orientar os resultados.

Fonte: Lunkes e Schnorrenberger (2009, p. 163).

Para Mosimann (1993), a controlado- companhia. Nesse sentido, para Frezatti et al.
ria pode ser compreendida como um con- (2009), a controladoria deverá exercer todas
junto dos princípios, procedimentos e méto- as funções impactantes no processo de plane-
dos oriundos das ciências de diversas áreas, jamento e controle da organização, o que im-
como Administração, Economia, Psicologia, plica não apenas emitir relatórios gerenciais,
Estatística e principalmente Contabilidade. mas, principalmente, analisar e interpretar
Por essa razão, o autor define a controladoria as informações, oferecendo sugestões para
como o processo evolutivo da Contabilidade. aperfeiçoar o processo de gestão da empresa.
Ainda, Lunkes e Schnorrenberger (2009) en- Sobretudo, Lunkes e Schnorrenber-
sinam que um dos objetivos básicos da con- ger (2009) ensinam que, devido à tamanha
troladoria é facilitar a tomada de decisões de complexidade que uma implementação exige,
diferentes usuários. Na percepção de Pado- a inserção de uma unidade organizacional de
veze (2004), o responsável pela controlado- controladoria justifica-se somente se ela con-
ria deve estar vinculado a um cargo gerencial tribuir para facilitar a realização dos objetivos
estratégico que ficará subordinado direta- organizacionais. Por isso, se faz necessário
mente a diretores ou ao vice-presidente da medir sua influência sobre o desempenho do

10 REVISTA DO CRCRS
período, mensurando objetivos econômicos e tica. Um profissional que deve atuar como
financeiros de curto e longo prazos e também um órgão de staff, vinculado à alta adminis-
o impacto na produtividade e no aumento da tração, absorvendo as diversas informações
satisfação dos consumidores do produto. geradas pelos setores, sem possuir qualquer
responsabilidade pela criação delas. O autor
4 AS FUNÇÕES E ATRIBUIÇÕES DE UM CON- ainda ressalta que as decisões tomadas pela
direção da empresa provocarão ações que,
TROLLER
por sua vez, gerarão mais informações. E a

função do controller é assegurar a harmônica
Para Crepaldi (2004), o controller é o
realização do processo, conforme pode ser vi-
executivo de normas, monitoramento, orça-
sualizado na figura 2.
mentos, contabilidade, finanças e informá-

Figura 2. Etapas do processo de gestão

Decisão Ação Informação Controle

Fonte: Crepaldi (2004, p. 41).

Segundo Heckert e Wilson (1963), a lar as rotinas administrativas e, a partir dessa


função do controller não é conduzir o navio. supervisão, extrair dados e detectar percalços
Essa tarefa fica sob a responsabilidade do capazes de impactar a geração de resultados.
presidente. O profissional deve figurar como Vistas todas essas designações, Nasci-
um assessor responsável pelas informações mento e Reginato (2010) afirmam que uma
detalhadas de percurso, riscos e soluções para importante atribuição para um controller é o
atingir o caminho desejado. Já Nakagawa relacionamento interpessoal, pois esse pro-
(1993) define o desempenho de um control- fissional terá como função primordial a inte-
ler como um organizador de informações que ração plena com gestores de todas as áreas e
geram dados significativos e capazes de indu- precisará despertar a credibilidade e a admi-
zir os diretores a tomarem decisões coerentes ração dos membros da corporação. Assim, no
com os objetivos e a missão da organização. quadro 2 evidenciam-se pontuais atribuições
No mesmo sentido, Tung (1993) ensina que pessoais necessárias para a atuação desse
o papel do controller é monitorar e contro- profissional.

REVISTA DO CRCRS 11
Quadro 2. Atribuições pessoais de um controller

O profissional precisará operar em total sincronia com todos os setores, atuar


Capacidade de liderança como coordenador em possíveis projetos e desempenhar papel de liderança
em conflitos de áreas, não permitindo que a missão da empresa se desalinhe.

O controller possui, quase sempre, autonomia sobre todos os dados


Ética profissional representativos e atua como responsável pelo abastecimento das informações
que influenciam e impactam diretamente os objetivos dos executivos.

O controller lidera com desenvoltura e usa uma linguagem compreensível


Capacidade de comunicação e de
para cada setor da organização, absorvendo informações complexas e as
poder de síntese
transformando em relatórios estratégicos acessíveis a todos os stakeholders.

Tendo em vista o dinamismo e a complexidade da área, os gestores precisam de


Inclinação para a cooperação e informações e soluções constantes. O responsável pelo controle precisa estar
para a disponibilização sempre um passo à frente, para poder antecipar ou detectar as dificuldades
com antecedência e fornecer a assistência para a solução eficaz.

Por ser um soberano de referências privilegiadas do desempenho econômico, o


Imparcialidade, ponderação e controller tem a obrigação da neutralidade. Não deve sofrer influências e precisa
discrição agir com total discrição para com os demais gestores, fornecendo informações
somente a quem ele é subordinado.

Conhecer a fundo todas as etapas do processo operacional, sem um


envolvimento efetivo, mas com total conhecimento sobre todos os impactos
Visão sistêmica
relevantes em curto, médio e longo prazos, e prestar as orientações pertinentes
ao sistema decisório.

Promover a unificação do objetivo maior da empresa sobre os gestores de cada


Capacidade de persuasão área, aplicando técnicas para o entendimento de que cada setor é responsável
direto pelo resultado central.

Capacidade de monitorar o processo como um todo, identificando e perquirindo


Visão crítica soluções para eventuais falhas. Ser sempre idôneo para a possibilidade de
tomar decisões preventivas, mesmo que esse não seja seu principal objetivo.

Ter o discernimento de que a profissão propicia uma multifuncionalidade para


Consciência de suas próprias
opinar, mas nem sempre com a mesma capacidade de resolução que o gestor
limitações
específico da área possui para sanar o problema.
Fonte: adaptado de Nascimento e Reginato (2010, p. 142).

Küpper (2005), sobretudo, destaca que motivação, métodos de conhecimento prévio


as principais exigências técnicas referentes e técnicas de criatividade.
ao controller estão vinculadas a conhecimen- Nesse sentido, Koliver (2005) eviden-
tos teóricos e metodológicos como: teorias cia que, no Brasil, especificamente na dé-
econômicas ligadas ao sistema de gestão e cada de 2000, a controladoria passou a ter
desempenho, instrumentos de coordenação, maior ênfase, tanto no meio acadêmico, por
objetivos e sistemas de indicadores, sistemas meio de cursos de pós-graduação, quanto no
orçamentários, sistemas de direcionamento e mercado, que, por sua vez, exige profissio-
controle, métodos de planejamento e contro- nais cada vez mais qualificados e com visão
le, teorias comportamentais, instrumentos de estratégica de gestão.

12 REVISTA DO CRCRS
4.1 PESQUISAS ANTERIORES eminente expansão da controladoria no país.
Já Borinelli (2007), por meio da per-
Com o propósito de evidenciar se existe cepção de que o arcabouço teórico em que se
harmonia entre as informações encontradas encontra a controladoria não está consolida-
neste estudo de campo e os resultados de pes- do, apresentando divergências entre autores
quisas anteriores, foram levantadas informa- e falta de clareza na realidade da área, esta-
ções referente aos principais estudos sobre beleceu em sua pesquisa um levantamento
controladoria no Brasil entre 2005 e 2013. sobre as principais atividades da controla-
O primeiro estudo é o de Calijuri et doria, na visão de diversos autores nacio-
al. (2005), que averiguaram o perfil do con- nais e internacionais. Com isso, evidenciou
troller no contexto organizacional brasileiro, as funções e atribuições mais destacadas,
estabelecendo sua pesquisa por meio de um sistematizando o conhecimento sobre a con-
questionário via e-mail, nos meses de feve- troladoria e estabelecendo uma Estrutura
reiro e março de 2004, o qual continha ques- Conceitual Básica de Controladoria (ECBC),
tões dirigidas a executivos associados à Asso- apresentando-a em três perspectivas: (i)
ciação Nacional dos Executivos de Finanças, como ramo do conhecimento (aspectos con-
Administração e Contabilidade (Anefac). En- ceituais); (ii) como conjunto de atividades,
tre os resultados encontrados evidenciou-se funções e artefatos (aspectos procedimen-
a preponderância de profissionais com for- tais); e (iii) como órgão do sistema formal
mação acadêmica em Ciências Contábeis, e organizacional das entidades (aspectos or-
que estes, por sua vez, encontram-se com um ganizacionais). Para esta pesquisa, foi uti-
grande acúmulo de funções. Também ficou lizada apenas a perspectiva do conjunto de
evidenciado que a maioria dos entrevistados atividades (funções e atribuições), como se
atua em empresas nacionais, apresentando a pode verificar na tabela 1.

Tabela 1. Funções e atribuições de controladoria mais citadas, segundo a literatura


AUTORES (EM %)
ATIVIDADES
BRASILEIROS ESTRANGEIROS

Gerenciar o Departamento de Contabilidade 29 21

Desenvolver e gerenciar o sistema contábil de informação 14 32

Implementar e manter todos os registros contábeis 21 58

Ebalobar demostrações contábeis 25 58

Atender aos agentes de mercado (preparar informações) 36 47

Realizar o registro e controle patrimonial (ativos fixos) 14 32

Gerenciar impostos (registro, recolhimento, supervisão, etc.) 25 37

Desenvolver e gerenciar o sistema de custos 29 42

Realizar auditoria interna 25 26

Desenvolver e gerenciar o sistema de informações gerenciais 82 11

Prover suporte ao processo de gestão, com informações 79 63


(continua)

REVISTA DO CRCRS 13
(continuação)
AUTORES (EM %)
ATIVIDADES
BRASILEIROS ESTRANGEIROS

Coordenar os esforços dos gestores das áreas (sinergia) 39 11

Elaborar, coordenar e assessorar na elaboração do planejamento da organi-


36 32
zação (agrupadas)

Elaborar, coordenar, consolidar e assessorar na elaboração do orçamento


29 58
das áreas (agrupadas)

Desenvolver, acompanhar e assessorar o controle do planejamento/orça-


39 47
mento (agrupadas)

Desenvolver políticas e procedimentos contábeis e de controle 11 37


Fonte: Borinelli (2007, p. 133).

Por meio dessa estrutura, Borinelli averiguaram as atribuições e competências


(2007) propôs averiguar as principais prá- do controller com base em anúncios de re-
ticas da controladoria em cem grandes em- crutamento e seleção, listados no Painel Exe-
presas privadas do Brasil. Sua pesquisa de cutivo da revista Exame durante o período
campo foi conduzida por meio de entrevista de 2005 até 2012. Em suas considerações, o
pessoal. Suas considerações mais relevan- pesquisador destaca, entre as atribuições, o
tes evidenciaram que 77,27% das empresas gerenciamento da contabilidade geral, além
possuem em seu sistema organizacional uma dos relatórios gerenciais e do planejamento
área denominada controladoria. Entretanto, estratégico. Ferrari et al. (2013) ainda desta-
o pesquisador ressaltou que a abrangência cam, entre as principais competências reque-
varia de empresa para empresa, entendendo ridas, visão global de mercado, dinamismo,
que as companhias apresentam e fazem uso liderança e proatividade. Entretanto, o autor
da controladoria de diferentes formas. constatou que os profissionais de Ciências
Oro et al. (2009) pesquisaram o perfil Contábeis estão perdendo a exclusividade,
do profissional de controladoria sob a ótica abrindo-se espaço para outras formações,
do mercado de trabalho, analisando e cole- visto que o mercado de trabalho necessita de
tando dados de três empresas especializadas profissionais com conhecimentos técnicos e
em recrutamento: Catho, Manager e Michael interpessoais.
Page, com a finalidade de investigar o perfil de Por fim, a pesquisa de Gomes et al.
competências do profissional de controlado- (2014) buscou averiguar, por meio de sites
ria nos níveis operacional, gerencial e estra- de empregos (Michael Page, Catho, Manager,
tégico. Entre seus resultados, evidenciou-se a Case Consulting e Hays Brasil), o perfil do
necessidade de o controller ter conhecimento profissional de controladoria que as empresas
da língua inglesa e dos princípios contábeis brasileiras solicitam. Os resultados apresen-
americanos (US GAAP). Sobretudo, destacou tam a predominância de um profissional com
que o conhecimento de tecnologia da infor- formação em Ciências Contábeis, além de um
mação é de fundamental importância. desejável conhecimento de inglês. Entre as
No mesmo sentido, Ferrari et al. (2013) competências, destaca-se o conhecimento em

14 REVISTA DO CRCRS
IFRS, sistemas integrados de gestão e Excel conta que esses procedimentos apresentam
avançado. Gomes et al. (2014) reforçaram, um razoável grau de precisão, o que os torna
ainda, que as empresas procuram, cada vez bastante aceitos por pesquisadores com pre-
mais, profissionais com muito conhecimento cauções de ordem quantitativa.
de tecnologia da informação, para participar Para a coleta das principais exigências
da gestão de forma sistemática, com lideran- e atribuições requeridas pelo mercado de
ça, proatividade e capacidade analítica. trabalho para o cargo de controller na região
Por intermédio desse levantamento, Sul, utilizou-se o apoio dos bem conceitua-
percebeu-se que a grande maioria dos es- dos e populares sites nacionais de emprego:
tudos empíricos buscou averiguar, junto ao Infojobs, Catho e Manager, durante o segun-
mercado de trabalho brasileiro, as principais do semestre de 2014 e o período de 2015. E,
exigências para o cargo de profissional de para compor a pesquisa, foram selecionados
controladoria, tendo como finalidade eviden- 60 anúncios. Já para averiguar se as princi-
ciar novas competências e atribuições exigi- pais atividades do profissional de controla-
das desses profissionais. doria são de caráter operacional ou estraté-
gico-gerencial, foi estruturado um questio-
5 METODOLOGIA nário contendo 19 questões com alternativas
de múltipla escolha. Para a coleta de dados,
Este capítulo tem o objetivo de apre- adotou-se como instrumento o software de-
sentar os procedimentos metodológicos que senvolvedor de serviços de pesquisa on-line
foram adotados no desenvolvimento da pes- SurveyMonkey, programa especialista em in-
quisa apresentada. Nesse sentido, Prodanov formações tabuladas e indicadores de dados
(2009) define a metodologia como um ins- informacionais.
trumento facilitador da produção do conhe- As questões 1 a 12 foram construídas
cimento, uma ferramenta que auxilia a en- com base em estudos empíricos e também
tender o processo de busca por respostas e o anúncios de empregos. Já para as questões 13
próprio processo de posicionamento adequa- a 19 foi utilizado como base o estudo de Bo-
do com perguntas pertinentes. rinelli (2007), sendo que as questões 16, 17,
Para Gil (2007), a pesquisa é um con- 18 e 19 foram inspiradas na ECBC, sistemati-
junto de ações propostas para dar soluções a zada pelo autor referido sob a perspectiva do
um problema. Com isso, este estudo de cam- conjunto de atividades e funções.
po tem, quanto a sua natureza, um propósi- A população dessa pesquisa são as
to investigativo-descritivo, pois a pesquisa 500 maiores entidades de Paraná, Santa Ca-
foi direcionada para controllers ou, na falta tarina e Rio Grande do Sul, listadas em publi-
deles, diretores administrativo-financeiros, cação de 2015 da revista de gestão econômi-
buscando perquirir o papel do profissional ca e negócios Amanhã. Elas são ranqueadas
de controladoria. No mesmo sentido, a abor- pelo seu valor ponderado de grandeza, com
dagem do problema terá foco no emprego da base em resultados auferidos em 2014. A re-
quantificação. vista Amanhã é publicada por um grupo de
Ainda segundo Gil (2007), os procedi- comunicação corporativa integrada, com foco
mentos estatísticos fornecem um significati- na região Sul do Brasil. Fundada em 1986,
vo reforço às conclusões obtidas, levando em circula mensalmente e seus exemplares são

REVISTA DO CRCRS 15
dirigidos especialmente a executivos, empre- 6 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
sários e profissionais voltados aos temas eco-
nômicos e empresariais. Neste capítulo são evidenciados em três
Para apresentar a amostragem de da- etapas os resultados obtidos na pesquisa in-
dos, foram selecionadas 40 populares empre- vestigativa sobre o papel da controladoria na
sas de segmentos diversos, como a indústria região Sul do Brasil. Na primeira etapa apre-
e o comércio varejista. sentam-se informações coletadas em sites de
A partir do mês de janeiro de 2016, as empregos (Infojobs, Catho e Manager), com a
empresas referidas foram contatadas por finalidade de identificar as principais exigên-
e-mail e telefone, com o objetivo de formalizar cias e atribuições requeridas pelo mercado de
o convite para o presente estudo acadêmico. trabalho para o cargo de controller. A segun-
Durante o mês de março e até a pri- da etapa é composta pelo apontamento de
meira quinzena de abril, foi aplicado um pré- informações coletadas na pesquisa aplicada
-teste, com a participação de três professores aos profissionais responsáveis pela controla-
acadêmicos e três profissionais da área, ex- doria nas empresas selecionadas. E, por fim,
ternos à amostra de dados. Entre as observa- na última etapa, evidencia-se um comparati-
ções e sugestões, identificou-se a necessidade vo referindo as informações mais relevantes
de eliminar uma questão. Com o questioná- obtidas por meio dos anúncios de empregos
rio atualizado, o envio das 18 perguntas, bem e respostas ao questionário direcionado aos
como seu prazo final, se deu entre 16 de abril controllers.
e 31 de maio de 2016. Obteve-se êxito com 31
entrevistados, entretanto três respondentes 6.1 ANÁLISE E RESULTADO DOS ANÚNCIOS
apresentaram informações incompletas e um
CONTENDO OS PRINCIPAIS REQUISITOS PARA
não era o profissional direcionado a respon-
O CARGO DE CONTROLLER
der ao questionário. Assim, estabeleceram-
-se 27 questionários respondidos e validados
para análise. Para averiguar as principais exigências
do mercado de trabalho, primeiramente foi
preciso dividir a amostragem de dados entre
perfil, funções e atribuições requeridas por
empresas em anúncios de empregos. Na figu-
ra 3 apresenta-se o perfil requerido.

16 REVISTA DO CRCRS
Figura 3. Perfil profissional requerido no mercado de trabalho

GRADUAÇÃO REQUERIDA PÓS-GRADUAÇÃO REQUERIDA LÍNGUA ESTRANGEIRA REQUERIDA


100%
10 60%
70% 8 6
70%
50% 6 40%
4
5 20%
4
20% 2 10%
2 10%
0 0 0
ADM DE CIÊNCIAS ECONOMIA ESPECIALIZAÇÃO MBA/ NÃO REQUERIDO ESPANHOL FRANCÊS INGLÊS NÃO
EMPRESAS CONTÁBEIS MESTRADO REQUERIDO

Fonte: dados da pesquisa (2014 a 2015).

Percebe-se na figura 3 que os profissio- seleção para a ocupação do cargo. Conforme


nais com formação acadêmica preferencial- tendência apontada no estudo empírico de
mente em Ciências Contábeis continuam em Ferrari et al. (2013), a figura 3 ainda indica
alta nas exigências do mercado de trabalho que profissionais com outras formações aca-
para a ocupação do cargo de controller. dêmicas, como Administração de Empresas e
No mesmo sentido, identificou-se que Ciências Econômicas, estão ganhando espa-
não basta apenas ter a formação acadêmica, ço entre as exigências requeridas para aten-
é preciso ser especialista na área. Da mesma der às complexas atividades de controladoria
forma, o conhecimento em língua estrangei- dentro de uma empresa.
ra, embora não seja o indicador predominan- Em seguida, verificam-se, na figura 4,
te da figura 3, é visto como uma realidade e informações referindo-se às principais fun-
de fundamental importância no processo de ções requeridas aos controllers.

Figura 4. Principais funções requeridas no mercado de trabalho


PRINCIPAIS FUNÇÕES REQUERIDAS
8
80%

50% 50% 50%


4
40% 40%

30% 30% 30%


2
20%
20%
10%
0
ANÁLISE DE CENÁRIO

AUDITORIA INTERNA

CONHECIMENTOS EM IFRS/ERP

ESTUDOS DE VIABILIDADE
ECONÔMICA

GERENCIAMENTO DA TESOURARIA

GESTÃO ESTRATÉGICA DE NEGÓ-


CIOS

PLANEJAMENTO E CONTROLE
ORÇAMENTÁRIO

PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO

PROTEÇÃO AOS ATIVOS DA EMPRESA

RELATÓRIOS GERENCIAIS

TI E SISTEMA GERENCIAIS

VISÃO GLOBAL DE MERCADO

Fonte: dados da pesquisa (2014 a 2015).

REVISTA DO CRCRS 17
Percebeu-se que, além de todas as exi- (2005) indica que a controladoria elevou seu
gências de conhecimentos técnicos em con- grau de importância por se constituir em um
tabilidade geral, o mercado está exigindo uma função diferenciada, assumindo o papel
conhecimentos estratégicos gerenciais. Entre de principal suporte no processo de gestão da
as atividades evidenciadas na figura 4, desta- empresa, auxiliando na tomada de decisão.
cam-se como principais exigências: relatórios Em seguida, na figura 5, foram identi-
gerenciais (80%), estudos de viabilidade eco- ficadas as principais atribuições que o profis-
nômica (50%), gestão estratégica de negócios sional controller precisa desempenhar para
(50%) e visão global de mercado (40%). atender às exigências do mercado.
Sobretudo, o estudo de Calijuri et al.

Figura 5. Principais atribuições requeridas no mercado de trabalho

PRINCIPAIS ATRIBUIÇÕES REQUERIDAS

9
90%
8

4
40%
3

2
20% 20% 20% 20%
1
10% 10%
0
CAPACIDADE DE IMPLANTAÇÃO
DE NOVAS...

CONHECIMENTO EM FINANÇAS

DOMÍNIO EM LÍNGUA
ESTRANGEIRA

GESTÃO DE PESSOAS

INICIATIVA

LIDERANÇA

RELACIONAMENTO INTERPESSOAL

SENSO CRÍTICO

Fonte: dados da pesquisa (2014 a 2015).

Em paralelo às atividades evidencia- Nessa primeira etapa de coleta, perce-


das, que indicaram a exigência, pelo merca- be-se que o mercado de trabalho está cada
do, de profissional com conhecimentos técni- vez mais exigente e, segundo as solicitações
cos em análises de viabilidade e visão global vistas nos anúncios (Infojobs, Catho e Ma-
do mercado, a figura 5, no mesmo sentido, nager), as empresas indicam, por meio das
expressa que o controller deverá apresentar competências requeridas, a intenção de uti-
bons conhecimentos em finanças e domínio lizar a controladoria como ferramenta de su-
de língua estrangeira, como referenciado an- porte gerencial.
teriormente na figura 3.

18 REVISTA DO CRCRS
6.2 RESULTADOS E ANÁLISE DO PERFIL, FUN- como do sexo feminino. Em seguida, obser-
ÇÕES E ATRIBUIÇÕES DO CONTROLLER, SE- vou-se que as idades informadas eram bem
variadas, mas predominavam profissionais
GUNDO A AMOSTRA PESQUISADA
com mais de 40 anos. No mesmo sentido,
Nesta segunda etapa, buscou-se, por constatou-se uma expressiva quantidade de
meio do questionário aplicado, averiguar se informações indicando que os respondentes
as principais atividades do controller são de ocupam um cargo hierárquico de gerência,
caráter operacional ou estratégico-gerencial. atendem a um diretor financeiro ou vice-pre-
No primeiro momento, com as questões 1 a sidente e seu tempo de experiência profissio-
12, buscou-se identificar o perfil dos profis- nal é superior a 15 anos.
sionais que atuam dentro das empresas se- As questões 6, 7 e 8 interrogavam, em
lecionadas. Logo, percebeu-se que, dentre as alternativas de múltipla escolha, qual a for-
informações recebidas, 12% eram de empre- mação acadêmica do profissional responden-
sas do Paraná, 33% de Santa Catarina e 55% te e se possuía curso de pós-graduação e co-
do Rio Grande do Sul, e, entre os profissionais nhecimento de outros idiomas, como se pode
respondentes, apenas 11,11% se identificaram verificar na figura 6.

Figura 6. Perfil do controller


FORMAÇÃO ACADÊMICA EDUCAÇÃO CONTINUADA CONHECIMENTO EM LÍGUA ESTRANGEIRA
62,96% 92,59%
74,07%

29,63% 29,63% 55,55%


37,04% 33,33%
7,41% 7,41%
11,11%
7,41% 7,41%

Ciências Administração Ciências Direito Outros Especialização MBA Mestrados


Contábeis de Empresas Econômicas negócios (Áreas ou afins) Não Possui Inglês Espanhol Alemão Italiano

Fonte: dados da pesquisa (2016).

Segundo os resultados obtidos nes- 6.2.1 ANÁLISE DAS FUNÇÕES E ATRIBUIÇÕES


sa pesquisa, os profissionais informam que DO CONTROLLER, SEGUNDO A AMOSTRA PES-
ainda existe predominância da formação em
QUISADA
Ciências Contábeis: foram 62,96% das res-
postas. Todos possuem alguma pós-gradua-
A continuação do questionário seguiu
ção, sendo que a especialização em controla-
o formato de alternativas de múltipla esco-
doria é a opção mais evidente, com 74,07%
lha, em que as questões 13 a 18 trataram de
das indicações, e poucos entrevistados não
perguntas pontualmente voltadas às funções
possuem domínio de língua estrangeira, ape-
e atividades dos profissionais entrevistados.
nas 7,41%. Entretanto, 92,59% dos profissio-
Na tabela 2, evidenciaram-se as respostas ob-
nais indicaram ter domínio da língua inglesa,
tidas para a questão 13, que interrogava quais
mesmo que a maioria dos controllers tenha
das opções apresentadas eram funções perti-
informado que o controle acionário de sua
nentes à área de controladoria.
respectiva empresa é nacional (66,67%).

REVISTA DO CRCRS 19
Tabela 2. Principais funções do controller
FUNÇÕES PERTINENTES AO CONTROLLER

OPÇÕES DE RESPOSTAS Nº RESPOSTAS %

Auditoria interna 10 37,04%

Gestão de Custos 22 81,48%

Planejamento Tributário 21 77,78%

Gerenciamento da Tesouraria 10 37,04%

Planejamento e Controle Orçamentário 21 77,78%

Relatórios Gerenciais 26 96,30%

Conhecimentos IFRS/ERP 24 88,89%

TI e Sistemas Gerenciais 18 66,67%

Interface de Áreas Operacionais 5 18,52%

Estudos de Viabilidade Econômica 11 40,74%

Visão Global do Mercado 9 33,33%

Gestão Estratégico de Negócios 15 55,56%

Análise de Cenário 13 48,15%

Proteção aos Ativos da Empresa 9 33,33%

Atendimento aos Usuários Externos 4 14,81%

Outros 1 3,70%

Fonte: dados da pesquisa (2016).

Contudo, percebe-se que, além de su- estratégica de negócios (55,56%).


pervisionar todas as atividades voltadas à Da mesma forma, percebeu-se, em es-
gestão contábil-operacional, como já eviden- tudos empíricos anteriores, que o cenário
ciado nas pesquisas de Calijuri et al. (2005), brasileiro exige de um controller habilidades
Oro et al. (2009) e Ferrari et al. (2013), é pessoais e interpessoais, além de proativida-
expressivo o percentual de funções e atribui- de e capacidade analítica.
ções voltadas ao planejamento gerencial, des- Com a questão 14, evidenciaram-se,
tacando-se: relatórios gerenciais (96,30%), entre as opções apresentadas, as habilidades
conhecimentos IFRS/ERP (88,89%), plane- fundamentalmente requeridas entre os en-
jamento e controle orçamentário (77,78%), trevistados, e a tabela 3 expressa os resulta-
TI e sistemas gerenciais (66,67%) e gestão dos obtidos.

20 REVISTA DO CRCRS
Tabela 3. Principais atribuições do controller
ATRIBUIÇÕES EXIGIDAS NA ROTINA DO CONTROLLER

OPÇÕES DE RESPOSTAS Nº RESPOSTAS %

Liderança 24 88,89%

Flexibilidade para Mudanças 12 44,44%

Relacionamento Interpessoal 23 85,19%

Capacidade de Implantação de novas ideias e projetos 16 59,26%

Iniciativa 8 29,63%

Conhecimento em Finanças 22 81,48%

Senso Crítico 5 18,52%

Gestão de Pessoas 16 59,26%

Raciocínio Lógico Matemático 9 33,33%

Domínio em Língua Estrangeira 21 77,78%


Fonte: dados da pesquisa (2016).

Evidenciou-se que as principais atri- damental importância para o controller, pois


buições desempenhadas no dia a dia do este terá a função de interagir com gestores e
profissional de controladoria são: a lideran- precisará despertar a credibilidade e a admi-
ça (88,89%), o relacionamento interpes- ração dos membros da corporação.
soal (85,19%), o conhecimento de finanças Para as questões 15, 16, 17 e 18, foi utili-
(81,48%) e o domínio de língua estrangei- zada parte da ECBC, elaborada e aplicada no
ra (77,78%), segundo os respondentes das estudo de Borinelli (2007). Nesse sentido, na
empresas selecionadas. Nesse sentido, esta tabela 4, apresentam-se os resultados referen-
análise corrobora o entendimento de Nasci- tes ao questionamento do papel da controla-
mento e Reginato (2010), os quais destacam doria no processo de elaboração e controle do
que o relacionamento interpessoal tem fun- planejamento estratégico da corporação.

Tabela 4. Percepção do papel da controladoria no planejamento estratégico


FUNÇÃO DA CONTROLADORIA NO PROCESSO DE ELABORAÇÃO E CONTROLE DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

OPÇÕES DE RESPOSTAS Nº RESPOSTAS %

É a responsável por todo o processo 11 40,74%

É a coordenadora/ organizadora de todo o processo 5 18,22%

É a consolidadora de todo o processo 7 25,93%

É a executora de todo o processo (Realiza as atividades) 2 7,41%

Apenas fornece apoio / suporte informacional 2 7,41%

Não participa do processo 0 0,00%

Fonte: dados da pesquisa (2016).

REVISTA DO CRCRS 21
O controller é o responsável por todo finem a controladoria como responsável pelo
o processo, indicam 40,74% das respostas, e auxílio à tomada de decisões.
25,93% apontam a controladoria como con- No mesmo sentido, a tabela 5 apre-
solidadora de todo o processo. Assim, tais sentou os resultados pertinentes ao papel da
respostas estão alinhadas ao entendimento controladoria no processo de controle do or-
de Lunkes e Schnorrenberger (2009), que de- çamento empresarial.

Tabela 5. Percepção do papel da controladoria no orçamento empresarial


FUNÇÃO DA CONTROLADORIA NO PROCESSO DE ELABORAÇÃO E CONTROLE DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

OPÇÕES DE RESPOSTAS Nº RESPOSTAS %

É a responsável por todo o processo 5 18,52%

É a coordenadora/ organizadora de todo o processo 12 44,44%

É a consolidadora de todo o processo 5 18,52%

É a executora de todo o processo (Realiza as atividades) 3 11,11%

Apenas fornece apoio / suporte informacional 2 7,41%

Não participa do processo 0 0,00%


Fonte: dados da pesquisa (2016).

Ficou evidenciado que a controladoria Já com relação à percepção do papel


é a coordenadora/organizadora de todo o da controladoria na análise do ambiente ex-
processo de controle do orçamento, de acor- terno, identificou-se que, em 88,89% das
do com 44,44% dos respondentes. Nesse sen- empresas selecionadas, ela apenas fornece
tido, Crepaldi (2004) salienta que a controla- apoio e suporte informacional nesse proces-
doria é a responsável pelo controle do orça- so, enquanto dois (7,41%) dos respondentes
mento empresarial, atuando como um órgão dizem ser responsáveis por todo o processo
de staff e reunindo as informações geradas e um (3,70%) coordena essa análise de am-
pelos setores, sem possuir qualquer respon- biente externo, conforme visualiza-se na ta-
sabilidade pelas informações geradas. bela 6.

Tabela 6. Percepção do papel da controladoria em análises do ambiente externo


FUNÇÃO DA CONTROLADORIA NO PROCESSO DE ANÁLISE DO AMBIENTE EXTERNO

OPÇÕES DE RESPOSTAS Nº RESPOSTAS %

É a responsável por todo o processo 2 7,41%

É a coordenadora/ organizadora de todo o processo 1 3,70%

É a consolidadora de todo o processo 0 0,00%

É a executora de todo o processo (Realiza as atividades) 0 0,00%

Apenas fornece apoio / suporte informacional 24 88,89%

Não participa do processo 0 0,00%


Fonte: dados da pesquisa (2016).

22 REVISTA DO CRCRS
Nesse sentido, Frezatti et al. (2009) Por fim, com a tabela 7, percebeu-se
descrevem a controladoria como peça atuan- que a controladoria é a consolidadora de todo
te em todas as etapas impactantes do plane- o processo de desempenho em 44,44% das
jamento estratégico e controle da entidade, empresas dos respondentes.
com fins de aperfeiçoar o processo de gestão.

Tabela 7. Percepção do papel da controladoria na avaliação de desempenho


FUNÇÃO DA CONTROLADORIA NO PROCESSO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DA ORGANIZAÇÃO

OPÇÕES DE RESPOSTAS Nº RESPOSTAS %

É a responsável por todo o processo 8 29,63%

É a coordenadora/ organizadora de todo o processo 4 14,81%

É a consolidadora de todo o processo 12 44,44%

É a executora de todo o processo (Realiza as atividades) 1 3,70%

Apenas fornece apoio / suporte informacional 2 7,41%

Não participa do processo 0 0,00%


Fonte: dados da pesquisa (2016).

Crozatti (1998) aponta a avaliação de 6.3 ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE AS PRINCI-


desempenho das áreas e dos gestores como PAIS EXIGÊNCIAS DO MERCADO DE TRABALHO
um dos aspectos do modelo de gestão organi-
E AS INFORMAÇÕES COLETADAS NA PESQUISA
zacional e a controladoria atuante nesse mo-
Por fim, procede-se agora ao compa-
nitoramento.
rativo evidenciado na tabela 8, contendo as
Dado o exposto, percebe-se que a con-
informações mais relevantes obtidas com os
troladoria, além de atuar na supervisão de
profissionais entrevistados e nos dados re-
toda a parte operacional-contábil e de fi-
queridos pelo mercado de trabalho por meio
nanças, desempenha um importante papel
dos sites de emprego.
estratégico-gerencial, haja vista as infor-
Observa-se, na tabela 8, que predomi-
mações obtidas por meio de profissionais
nou a solicitação de graduação em Ciências
controllers das empresas selecionadas. No
Contábeis: 62,96% dos participantes da pes-
mesmo sentido, Nakagawa (1993) evidencia
quisa possuem essa formação, atendendo a
como principal papel do profissional de con-
uma exigência do mercado. Da mesma for-
troladoria fornecer informações que gerem
ma, a especialização na área foi atendida por
dados relevantes, capazes de guiar diretores
74,07% dos respondentes. Com relação ao
a tomar decisões alinhadas aos objetivos da
conhecimento da língua inglesa, apesar de
empresa.
esse não ser o requisito mais solicitado nos
anúncios, na pesquisa ficou evidenciado que
92,96% possuem essa qualificação.

REVISTA DO CRCRS 23
Tabela 8. Comparativo: Mercado de trabalho x Profissionais respondentes
COMPARATIVO PERFIL PROFISSIONAL DO CONTROLLER

FORMAÇÃO ACADÊMICA % ANÚNCIOS % RESPONDENTES

Ciência Contábeis 100% 62,96%

PÓS-GRADUAÇÃO % ANÚNCIOS % RESPONDENTES

Especialização 70% 74,07%

LÍNGUA ESTRANGEIRA % ANÚNCIOS % RESPONDENTES

Inglês 40% 92,96%

COMPARATIVO PRINCIPAIS FUNÇÕES E ATRIBUIÇÕES DO CONTROLLER

PRINCIPAIS FUNÇÕES % ANÚNCIOS % RESPONDENTES

Relatório Gerenciais 80% 96,30%

PRINCIPAIS ATRIBUIÇÕES % ANÚNCIOS % RESPONDENTES

Conhecimento em Finanças 90% 81,48%

Liderança 20% 88,89%

Língua Estrangeira 40% 77,78%


Fonte: dados da pesquisa (2014 a 2016).

Quanto às funções e atribuições, perce- conclui-se que, com recursos cada vez mais
be-se, na tabela 8, que a função de elaborar limitados e o constante avanço tecnológico,
relatórios gerenciais foi a mais requisitada a controladoria ganha, a cada dia, maior ex-
tanto nos anúncios quanto nas respostas do pansão no cenário nacional, atuando como
questionário, com 80% e 96,30%, respectiva- grande ferramenta estratégica e auxiliando
mente. Assim, o profissional de controladoria gestores na tomada de decisão e, principal-
está sendo utilizado como peça estratégica mente, na continuidade dos negócios.
gerencial nas entidades pesquisadas, exer- O presente estudo teve como objetivo
cendo um importante papel e auxiliando ges- geral identificar o papel da controladoria entre
tores na tomada de decisão. grandes corporações da região Sul do Brasil, e
Percebe-se que os profissionais entre- seus objetivos específicos foram: averiguar as
vistados estão atuando em consonância com principais exigências e atribuições para o car-
o que exige o mercado de trabalho, ou seja, go de controller na região Sul do Brasil; anali-
conforme tendenciado e evidenciado em es- sar se as principais atividades do profissional
tudos empíricos anteriores, a empresa utiliza de controladoria são de caráter operacional ou
a controladoria em uma linha estratégica que estratégico-gerencial; e comparar as exigên-
supervisiona toda a parte operacional e ainda cias requeridas no mercado de trabalho com
auxilia no planejamento estratégico, elabo- os dados obtidos na pesquisa de campo.
rando informações gerenciais. De acordo com dados coletados nos si-
tes e na pesquisa de campo, entende-se que
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS o papel do profissional de controladoria na
região Sul é estratégico-gerencial. O control-
Tendo em vista os aspectos observados, ler continua sendo o responsável pela gestão

24 REVISTA DO CRCRS
contábil na grande maioria das empresas. -requisito que esse profissional precise ser do
Entretanto, sua principal atribuição se dá em sexo masculino.
linha estratégico-gerencial, atendendo a um Esta pesquisa contribui para eviden-
diretor ou vice-presidente. No mesmo sen- ciar as novas competências do profissional
tido, percebeu-se que os objetivos específi- de controladoria. Devido às constantes va-
cos foram auferidos com êxito, visto que as riações econômicas, os gestores utilizam
principais exigências do mercado de trabalho cada vez mais o controller alinhado ao seu
indicam que o profissional de controladoria planejamento empresarial e, como conse-
deixou de ter apenas responsabilidades con- quência, vêm exigindo e sobrecarregando
tábil-operacionais, sendo exigidas dele atri- cada vez mais esse profissional com fun-
buições que vão muito além de fechamentos ções operacionais e gerencias de alta com-
contábeis e relatórios gerenciais. O controller plexidade.
é o responsável pela informação e pelo en- Uma sugestão para trabalhos futuros
tendimento de todo o processo. Na figura 6, seria expandir, para nível nacional, a amostra
percebe-se que, entre os profissionais entre- de empresas apresentadas, perquirindo o pa-
vistados, a formação acadêmica predominan- pel da controladoria dentro de organizações
te é em Ciências Contábeis. Em outro ponto dos mais variados segmentos de atividades e
relevante, observou-se a pouca quantidade apresentar os resultados por atividade-fim,
de profissionais do sexo feminino atuando bem como um comparativo das exigências
como controllers na região Sul, sendo que o nacionais requeridas no mercado de trabalho
mercado de trabalho não expressa como pré- brasileiro.

REVISTA DO CRCRS 25
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Nota do editor: a Resolução CFC nº 560, publicada no DOU de 28-12-1983, dispõe sobre as prerrogativas profissionais de que trata
o art. 25 do Decreto-Lei nº 9.295, de 27 de maio de 1946.

REVISTA DO CRCRS 27
A EXIGÊNCIA DO eSOCIAL E O
ESTÁGIO DE PREPARAÇÃO DAS
ORGANIZAÇÕES CONTÁBEIS NO
ÂMBITO DA DELEGACIA DO CRCRS DE
FREDERICO WESTPHALEN
Renato Luca Zampirol
Bacharel em Ciências Contábeis,
especialista em Auditoria e Perícia
Contábil pela URI – Campus de
Frederico Westphalen (RS). RESUMO
Este estudo teve como objetivo investigar o estágio de preparação das organizações contábeis em
Willian Lago atuação no âmbito da delegacia do CRCRS de Frederico Westphalen frente à exigência do eSocial.
Integrante do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), o eSocial é uma obrigação acessória
Bacharel em Ciências Contábeis exigida pela Receita Federal do Brasil e contém informações fiscais, trabalhistas e previdenciárias.
pela URI – Campus de Frederico Para atender ao objetivo proposto, utilizou-se a abordagem qualitativa, por meio da aplicação de
Westphalen (RS). questionário, o qual foi enviado a 36 profissionais, o que resultou em amostra de 24 respostas.
Os resultados obtidos demonstram que boa parte dos profissionais que atuam nas organizações
contábeis pertencentes à amostra do estudo possui conhecimento da legislação do eSocial e, na
Osmar Antonio Bonzanini maioria dos casos, não se fez necessária a ampliação de sua estrutura física e de colaboradores para
Contador. Doutor em Gestão pela o atendimento dessa nova obrigação. Quanto ao estágio de preparação das organizações frente ao
eSocial, o entendimento dos profissionais participantes do estudo é de que pode ser considerado
Utad (Portugal). Professor do como avançado.
Departamento de Ciências Sociais
Aplicadas da URI. Membro da
Academia de Ciências Contábeis do PALAVRAS-CHAVE: eSocial. Trabalhista. Previdenciária.
Escrituração Digital. SPED.
Rio Grande do Sul.
THE ESOCIAL REQUIREMENT AND THE PREPARATION STAGE
OF THE ACCOUNTING ORGANIZATIONS WITHIN THE CRCRS
POLICE STATION OF FREDERICO WESTPHALEN

ABSTRACT
The purpose of this study was to investigate the preparation stage of accounting organizations
working in the Frederico Westphalen CRCRS Precinct, in face of the eSocial requirement. A mem-
ber of the public digital bookkeeping system, eSocial is an ancillary obligation required by the
Federal Revenue Service and contains tax, labor and social security information. To meet the
proposed objective, the qualitative approach was used, through the application of a question-
naire, which was sent to 36 professionals, which resulted in a sample of 24 responses. The results
obtained demonstrate that most of the professionals working in the accounting organizations
belonging to the sample of the study are aware of eSocial legislation and in most cases it was
not necessary to expand their physical structure and employees to meet this new obligation.
As for the stage of preparation of the organizations vis-à-vis eSocial, the understanding of the
professionals participating in the study is that it can be considered as advanced.

KEYWORDS: eSocial. Labor. Social Security. Digital Bookkeeping. SPED.

REVISTA DO CRCRS 29
1 INTRODUÇÃO tação gradativa, que será concluída no ano
de 2019. Portanto, a iniciativa já se encontra
A Contabilidade, desde sua origem, bus- no horizonte de atuação dos profissionais da
ca meios de controlar, evidenciar e quantifi- Contabilidade, em todo o país, envolvendo
car o patrimônio. Ao longo do tempo, face ao conhecimentos de legislação, capacitação de
crescimento econômico ocorrido, ampliou-se pessoal e adequação da estrutura computa-
a necessidade de controlar os bens, direitos e cional para o seu atendimento, aspectos que
obrigações das organizações. Dessa forma, a tendem a refletir na atuação dos contadores e
Contabilidade tem papel fundamental nessa nas próprias organizações contábeis.
evolução, pois seus métodos evidenciam as Diante do atual quadro, a questão-pro-
operações ocorridas nas organizações, ge- blema que se apresenta está formulada nos
rando informações de importância gerencial seguintes termos: qual o estágio de pre-
para utilização na tomada de decisões. paração das organizações contábeis
A partir da evolução tecnológica ocor- diante da exigência do eSocial, no âm-
rida ao final do século XX, a geração e a qua- bito da delegacia do CRCRS de Frede-
lidade das informações oriundas do sistema rico Westphalen? Além dessa questão, o
contábil ganharam novos contornos, reque- estudo permitiu obter informações adicionais
rendo profissionais qualificados para atender sobre o perfil dos respondentes e sua atuação
os clientes com maior eficiência, além de for- perante a organização contábil.
necer as informações necessárias, com uma A partir da introdução, este artigo está
visão mais ampla no cenário global, envol- estruturado em mais quatro seções, a saber:
vendo aspectos e normas essenciais da reali- o referencial teórico, que aborda o progresso
dade atual. Um exemplo disso está no Siste- histórico e tecnológico da Contabilidade, os
ma Público de Escrituração Digital (SPED), o procedimentos metodológicos utilizados no
qual, desde sua implantação inicial, desenca- estudo, os resultados alcançados e as respec-
deou diversas mudanças no cenário contábil tivas conclusões.
e de gestão. Obviamente, não há pretensão em
Diante do atual cenário de exigências, esgotar o tema, mas visa-se, sobretudo, a
este estudo tem seu foco em uma das rami- contribuir para o seu aprofundamento, haja
ficações do SPED, especificamente o eSocial, vista tratar-se de temática relevante. Estudos
que está em processo de implantação. O eSo- anteriores abordaram a mesma questão,
cial propõe trazer diversos benefícios para as com destaque para aqueles apresentados
organizações, contribuindo para a redução por Oliveira, Santana e Martins (2017), em
dos custos com o armazenamento de docu- que foram analisadas as perspectivas dos
mentos e visando a minimizar encargos com profissionais de Santa Catarina em relação
o cumprimento das obrigações acessórias, ao eSocial; De Barba (2016), que tratou
além de possibilitar maior segurança e trans- da implantação e dos impactos causados
parência nos processos. pela escrituração contábil nas organizações
Inicialmente prevista para vigorar a contábeis de Caxias do Sul (RS); e Mann
partir de 2014, a exigência do eSocial foi pos- e Hoffmam (2015), que apresentaram
tergada para 2018, em um cronograma elen- aspectos da implantação do eSocial sob a
cado na Resolução CD-eSocial, com implan- ótica dos profissionais de RH que atuam

30 REVISTA DO CRCRS
nas cooperativas agropecuárias de Ponta controle de contas a receber e a pagar, entre
Grossa (PR). Nesses três casos, é comum a outros serviços.
apreensão dos profissionais em face dessas A importância das informações geradas
novas exigências, as quais tendem a impactar pela Contabilidade no atual contexto das or-
a estrutura das empresas e das próprias ganizações é enfatizada por Cornachione Jr.
organizações contábeis. (2012): não basta apenas gerar informações
contábeis, é preciso que o profissional con-
2 REFERENCIAL TEÓRICO tábil saiba interpretá-las de forma correta,
agregando valor a elas ao disponibilizá-las
Habituados à escrituração mecanizada como insumos para o processo de gestão nas
desde os anos 1980, os profissionais de con- organizações.
tabilidade iniciaram o processo de adaptação
à escrituração contábil informatizada modifi- 2.2 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
cando o cenário de atuação, por meio de no-
vas técnicas e procedimentos, como é o caso Oriundas da escrituração contábil regu-
do Projeto SPED, o sistema de escrituração lar das organizações, as demonstrações con-
digital das obrigações fiscais, previdenciárias tábeis devem ser elaboradas por profissional
e trabalhistas: o eSocial. contábil devidamente registrado no respecti-
vo Conselho Regional, atendendo ao previsto
nas Normas Brasileiras de Contabilidade.
2.1 CONTABILIDADE E TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
As demonstrações contábeis devem ser
A existência da Contabilidade remon- elaboradas conforme o tipo de empresa, sen-
ta ao início da civilização humana e sempre do possível se dividir em duas perspectivas.
acompanhou o progresso da sociedade, como A primeira, interna, para uso dos gestores,
foi à época das grandes navegações, do pe- empresários, administradores, visando a mo-
ríodo comercial italiano, da Renascença e nitorar o desempenho da entidade. A segun-
da Revolução Industrial (HENDRIKSEN & da perspectiva é a externa, que demonstra a
BREDA, 2007; OTT & BARBOSA, 2011). Por- realidade econômica da entidade para quem
tanto, ao mesmo tempo em que a ciência con- não atua internamente, como credores, acio-
tábil evolui, os profissionais da contabilidade nistas, investidores, fornecedores e o gover-
precisam atualizar o próprio conhecimento, no, entre outros organismos. Elaboradas em
visando a acompanhar o progresso tecnológi- conjunto, as demonstrações contábeis devem
co e científico da profissão. cumprir o que está previsto na legislação,
No atual cenário de atuação dos con- além de gerar informações que possam ser
tadores, o desenvolvimento tecnológico tem utilizadas pelos usuários internos e externos.
levado as organizações a melhorar as tecnolo- Por meio dessas informações é possível gerar
gias de informação, afetando pontos impor- e analisar diversos índices, inclusive aqueles
tantes das rotinas contábeis, o que resulta em utilizados para verificar como a empresa se
melhora na agilidade e na qualidade da escri- encontra em determinado momento.
turação e na elaboração das demonstrações Dentre as demonstrações exigidas, o
e dos controles de estoque e de patrimônio, Balanço Patrimonial é considerado uma das
no processamento de folha de pagamento, no principais, pois evidencia a real situação do

REVISTA DO CRCRS 31
patrimônio da empresa e apresenta a está- texto das informações contábeis, passou a fa-
tica e a ordem do saldo monetário de todos zer parte da rotina dos profissionais da con-
os valores integrantes do patrimônio de uma tabilidade, na forma de um sistema completo
organização em determinada data (REIS, e abrangente, identificado como Sistema Pú-
2009). Já a Demonstração do Resultado do blico de Escrituração Digital (SPED), aborda-
Exercício objetiva demonstrar o resultado do a seguir.
das operações sociais (lucro ou prejuízo) e
procura evidenciar esse resultado no final 2.3 SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DI-
de um determinado período. Para a forma- GITAL (SPED)
ção do resultado líquido do exercício, ocorre
o confronto das receitas, custos e despesas, Criado pelo Decreto nº 6.022, de 22
demonstrando, em sequência lógica e orde- de janeiro de 2007, o SPED faz parte do Pro-
nada, todos os fatores apurados pelo regime grama de Aceleração do Crescimento (PAC)
de competência, que culminarão no resultado (2007-2010) e constitui em avanço na infor-
do período. Deve ser informado, ao seu final, matização da relação entre o fisco e os con-
o valor do lucro ou prejuízo líquido por ação tribuintes, alterando a forma como as infor-
do capital social. Essa informação é impor- mações são prestadas às autoridades fiscais,
tantíssima para o investidor poder avaliar o passando de documental para digital. Adicio-
rendimento obtido e o tempo de retorno do nalmente, o SPED foi desenvolvido com o ob-
seu investimento. jetivo de facilitar a entrega das informações
O conjunto de demonstrações obri- que as empresas tinham que fornecer à Re-
gatórias, previstas na atual normatização, ceita Federal do Brasil (RFB).
contempla, ainda, a Demonstração dos Lu- Essa mudança do formato em papel
cros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) e a para arquivos digitais tornou-se necessária,
Demonstração das Mutações do Patrimônio pois sua continuidade atrapalharia o con-
Líquido (DMPL), as quais têm como objetivo tribuinte na apresentação das informações
apresentar as variações ocorridas em grupos obrigatórias, assim como o Estado em sua
de contas específicas do Balanço Patrimonial tarefa de fiscalizar. O objetivo do SPED é es-
(NEVES & VICECONTI, 2013). tabelecer a integração do fisco por meio da
A partir da assinatura da Lei padronização das informações contábeis e
nº 11.638-2007, foram incluídas novas de- fiscais, agilizando o processo de fiscalização,
monstrações: dos Fluxos de Caixa (DFC) e padronizando a forma de entrega, validação
do Valor Adicionado (DVA), e foi retirada e recepção das informações e visando a faci-
a obrigatoriedade de apresentação da De- litar o cumprimento das obrigações por parte
monstração de Origens e Aplicação de Re- dos contribuintes.
cursos (DOAR) (REIS, 2009). Esse conjunto No contexto do projeto do SPED exis-
de demonstrações é completado pelas Notas tem vários subprojetos, os quais estão sen-
Explicativas, com informações sobre as ope- do implantados em etapas. O primeiro a ser
rações da entidade e outros esclarecimentos utilizado foi o da Nota Fiscal Eletrônica, exe-
que ampliam a qualidade e a transparência cutado e colocado em prática pelo governo,
das informações. levando os contribuintes a adequarem seus
Além dessas exigências, outra, no con- sistemas, com objetivo de padronizar um mo-

32 REVISTA DO CRCRS
delo nacional de documento fiscal eletrônico forma de arquivo digital.
para a substituição da emissão do documento No caso da Escrituração Fiscal Digital
fiscal em papel (AZEVEDO, 2014). Assim, foi (EFD), trata-se de um arquivo digital instituí-
possível reduzir custos, simplificar obriga- do pelo sistema público digital, a ser utilizado
ções acessórias dos contribuintes e permitir pelas pessoas jurídicas de direito privado na
ao fisco o acompanhamento das operações escrituração da contribuição para PIS/Pasep
comerciais em tempo real. e da Cofins nos regimes de apuração e com
Também é preciso observar que o con- base no conjunto de documentos e operações
ceito de Nota Fiscal Eletrônica remete a um representativos das receitas auferidas, bem
documento que existe somente em meio di- como dos custos, despesas, encargos e aquisi-
gital, emitido e armazenado eletronicamente ções geradoras de créditos da não cumulativi-
com o intuito de documentar, para fins fis- dade (AZEVEDO, 2014).
cais, uma operação de venda de mercadorias Outro ramo do SPED, que substituiu a
ou prestação de serviços que viesse a ocorrer Declaração do Imposto de Renda das Pessoas
entre as partes e cuja validade jurídica é ga- Jurídicas (DIPJ) a partir do ano-calendário de
rantida pela assinatura digital do emissor. 2014, é identificado como Escrituração Contá-
Além de tais requisitos, envolve a recepção bil-Fiscal (ECF). Trata-se de uma declaração
do documento pela Fazenda, antes da ocor- que funciona como um dos braços do SPED e é
rência da circulação da mercadoria. por meio dessa demonstração que a DIPJ vem
A Escrituração Fiscal Digital (EFD) foi passando por ajustes, desde que os formulá-
outro passo para a era digital dos registros rios em papel foram abolidos e seus aplicati-
contábeis e consiste em um arquivo digital vos passaram, também, a integrar o SPED.
que tem por finalidade escriturar os docu- Por fim, havendo a necessidade de utili-
mentos e outras informações de interesse do zar um meio seguro na transmissão de todos
fisco, assim como o registro de apurações de os arquivos digitais, foi desenvolvido o Certi-
impostos. Esse arquivo é importado e vali- ficado Digital, na forma de um dispositivo de
dado pelo Programa Validador e Assinador segurança, capaz de garantir autenticidade,
(PVA). Conforme a Instrução Normativa da confidencialidade e integridade das informa-
RFB nº 1.371, de 28 de junho de 2013, os ções prestadas eletronicamente. Esse certi-
contribuintes passaram a substituir os livros ficado também possibilita a identificação do
fiscais (Registro de Entradas, Registro de Saí- autor das informações e visa a garantir que
das, Registro de Apuração do ICMS, Registro pessoas não autorizadas não leiam mensa-
de Apuração do IPI, Registro de Inventário e gens às quais não possuem acesso.
Controle do ICMS do Ativo Permanente), an- Conforme Azevedo (2014), o certificado
tes impressos em papel, pela EFD. é constituído de um par de chaves, chamadas
Em outro módulo do SPED, a Escritu- de criptografia assimétrica, em que uma des-
ração Contábil Digital foi desenvolvida com o sas chaves é pública (de conhecimento públi-
objetivo de eliminar os livros contábeis na for- co) e a outra é privada, ou seja, de conheci-
ma de papel. Juntamente com a Escrituração mento do portador. O certificado digital se
Contábil Fiscal, apresentou novas alterações, tornou, então, peça-chave para a transmissão
trazendo benefícios na forma de gerar e enviar de todos os projetos do SPED, assim como os
os livros fiscais, mediante o uso da web, na documentos fiscais NF-e, CT-e e NFS-e. Além

REVISTA DO CRCRS 33
disso, sua utilização já era necessária para formações redundantes, o que ocasiona per-
envio de algumas declarações, como DCTF, da de tempo.
DIPJ, Dacon, entre outras. Também é importante ressaltar que a
substituição das informações prestadas aos
2.4 ESOCIAL integrantes do projeto eSocial está definida
no § 1º do art. 2º do Decreto nº 8.373, de 11
Todo o conjunto de declarações digi- de dezembro de 2014. Visa, principalmente,
tais já elencadas refere-se a fatos tributários à mudança de cultura dentro das empresas,
e contábeis que as empresas estão obrigadas pois causa impacto direto na rotina dos seto-
a informar. No entanto, faltava uma parte do res de recursos humanos, tecnologia, fiscal,
processo, que precisava ser incluída no SPED: contábil, logística, folha de pagamento, medi-
as informações trabalhistas e previdenciá- cina do trabalho e financeiro. Ainda, segundo
rias. Assim, houve a criação do eSocial, cujo a RFB, o eSocial objetiva alterar a forma como
projeto, desde o início, apresentou-se como as informações trabalhistas, previdenciárias,
complexo, visto que trata de toda a parte tra- tributárias e fiscais passam a ser prestadas, re-
balhista, desde a contratação dos colaborado- lativas à contratação e à utilização de mão de
res até as declarações acessórias prestadas às obra onerosa, com ou sem vínculo, bem como
diferentes entidades, nas mesmas condições rendimentos pagos, além da retenção de paga-
do SPED (BRASIL, 2015). mentos na fonte (BRASIL, 2015).
Nesse contexto, as informações geradas a De acordo com Kerkhoff (2014), o eSo-
partir do eSocial envolvem os seguintes órgãos cial é a forma digital da folha de pagamento e
e entidades do governo federal: Caixa Econômi- suas obrigações trabalhistas, previdenciárias
ca Federal (CEF), Instituto Nacional do Seguro e fiscais relativas a todo e qualquer vínculo
Social (INSS), Ministério da Previdência So- trabalhista contratado no Brasil. A partir des-
cial (MPS), Ministério do Trabalho e Emprego sas informações, será criada uma base de da-
(MTE) e Secretaria da Receita Federal do Brasil dos única que todas as entidades envolvidas
(RFB). O Ministério do Planejamento, Desen- passarão a utilizar: RFB, Ministério do Tra-
volvimento e Gestão também participa do pro- balho e Emprego (MTE), INSS, CEF, FGTS e
jeto, promovendo assessoria aos demais entes Justiça do Trabalho.
na equalização dos diversos interesses de cada No tocante à exigência do uso do eSo-
órgão e gerenciando a condução do projeto por cial, estarão obrigados a utilizá-lo todos os
meio de sua oficina de projetos. empregadores, inclusive o doméstico, as em-
A partir da implantação desse sistema, presas e equiparados a empresa, o segurado
modifica-se a forma como informações tra- especial, inclusive em relação a trabalhadores
balhistas, previdenciárias, tributárias e fis- que lhe prestam serviço, e o produtor rural.
cais serão prestadas. Adicionalmente, esse Relativamente aos benefícios que o eSocial
projeto tem como um dos objetivos a garan- tende a proporcionar, deve ser ressaltada a
tia do direito previdenciário e trabalhista dos diminuição de entregas de declarações aces-
colaboradores, simplificando o cumprimento sórias mensais e anuais, como a Sefip, o Ca-
de obrigações para aprimorar a qualidade da ged, a Rais e a Dirf, as quais serão substituí-
informação prestada, pois até então são en- das unicamente pelo eSocial, após seu pleno
viadas para diferentes órgãos e entidades in- funcionamento.

34 REVISTA DO CRCRS
Em relação aos prazos de envio, os even- características de um estudo exploratório, o
tos “tabelas” seguiram o cronograma desen- qual tem por objetivo proceder ao reconheci-
volvido pelo Comitê Gestor do eSocial, e os mento de determinada realidade, que tenha
eventos “periódicos” devem ser transmitidos sido pouca ou deficientemente investigada,
até o dia 7 do mês seguinte, antecipando-se além de possibilitar o teste de hipóteses so-
o vencimento para o dia útil imediatamen- bre essa realidade. Beuren (2013) enfatiza
te anterior, em caso de não haver expediente que os estudos exploratórios permitem ao
bancário. Para os eventos “não periódicos” foi investigador aprofundar seus conhecimentos
criada uma tabela de prazos. em torno de um determinado problema. Tra-
Portanto, diante dessa nova exigência, ta-se do primeiro passo no campo científico e
observa-se que a cultura das organizações possibilita a realização de outros tipos de pes-
tende a mudar, além de isso resultar em um quisa acerca do mesmo tema – entre essas, a
contato mais estreito entre empregadores e pesquisa descritiva.
o profissional da contabilidade, visto que os Com relação aos objetivos, trata-se de
eventos ocorridos na esfera do eSocial resul- um estudo descritivo, caracterizado por expor
tarão na geração e na transmissão diária de com exatidão os fatos e fenômenos que cer-
informações aos órgãos interessados. cam determinada realidade. Estes, na visão de
Sousa e Baptista (2011), descrevem rigorosa e
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS claramente um dado objeto de estudo na sua
estrutura e funcionamento. Adicionalmente,
Este estudo, no contexto das ciências estudos descritivos permitem descrever esta-
sociais, classifica-se como sendo de natureza tisticamente, agregar e evidenciar as constru-
exploratória, descritiva e bibliográfica, com o ções de interesse ou de associações entre esses
uso do método qualitativo. Conforme Bhat- construtos (BHATTACHERJEE, 2012).
tacherjee (2012), a investigação que possui Quanto aos estudos bibliográficos, Beu-
enfoque quantitativo recolhe e analisa dados ren (2013) afirma que estes estão fortemente
com o objetivo de responder às questões de determinados pelos conhecimentos prévios
pesquisa e integra o paradigma positivista. que já existem sobre a problemática em análise.
No enfoque qualitativo comumente A população deste estudo envolve to-
ocorre a codificação ou análise e o refinamen- das as organizações contábeis pertencentes à
to das questões de pesquisa, mediante descri- delegacia do CRCRS de Frederico Westpha-
ções e observações não numéricas, ou seja, por len, em número de 36. A amostra está repre-
meio de textos (SILVA & FOSSÁ, 2015; BHAT- sentada por 24 questionários respondidos,
TACHERJEE, 2012). Além desses atributos, a e a coleta de dados foi realizada durante os
investigação qualitativa apresenta eficácia na meses de maio e junho de 2016, mediante o
análise e no estudo da subjetividade relaciona- uso do formulário eletrônico Google Docs.
da ao comportamento e à atividade das pes- Para inquirir os respondentes, foram utiliza-
soas e organizações, visto que se concentra na das questões fechadas, de múltipla escolha,
compreensão dos problemas e na análise de estruturadas no formato da escala de Likert
comportamentos, atitudes ou valores (SOUSA (1932). Ao final, os dados foram sistematiza-
& BAPTISTA, 2011). dos em gráficos e tabelas, visando a sua aná-
Esta investigação também apresenta lise e apresentação.

REVISTA DO CRCRS 35
4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Visto que empregadores pessoas físicas
também integram o rol dos entes obrigados à
O presente estudo teve como base as or- entrega do eSocial, os respondentes também
ganizações contábeis da região de abrangência foram inquiridos sobre o número de clientes
da delegacia do CRCRS de Frederico Westpha- enquadrados nessa categoria. As informações
len.1 A população está representada por 36 or- obtidas estão na tabela 2, a seguir.
ganizações registradas, e a amostra totaliza 24
questionários respondidos. A coleta de dados Tabela 2. Organizações contábeis e clientes PF obrigados
foi realizada a partir do envio de cinco rodadas ao eSocial
de e-mails, contato por telefone e visitas às or- Faixas Número Percentual
ganizações contábeis. Até 30 clientes 20 83
A partir das respostas obtidas, os respon- De 31 até 60
dentes, em maioria (92%), possuem a titulação 3 13
clientes
de contador e 63% são do gênero masculino.
De 61 até 100
Em relação ao número de clientes que estão 1 4
clientes
obrigados à entrega do eSocial, as informações
Total 24 100%
obtidas constam na tabela a seguir.
Fonte: dados do estudo.

Tabela 1. Organizações contábeis e clientes PJ obrigados


ao eSocial Nesse quesito, conforme a tabela 2, o nú-
Faixas Número Percentual mero de clientes obrigados à entrega do eSocial
Até 30 clientes 13 54 segue a mesma linha das pessoas jurídicas, e
nenhuma organização contábil possui mais de
De 31 até 60
6 25 cem clientes identificados como pessoas físicas
clientes
obrigadas à entrega das informações.
De 61 até 100
3 13 Ainda, no contexto do perfil das organi-
clientes
zações participantes do estudo, observou-se
Mais de 100 clientes 2 8
que 83% delas atuam na atividade com um
Total 24 100% quadro de até dez colaboradores. Quanto às
Fonte: dados do estudo. demais, 17% possuem de 11 a 20 funcionários
e somente 4% atuam com um quadro supe-
Da análise das informações elencadas rior a 20 colaboradores.
na tabela 1 infere-se que mais de 50% das Quanto ao tempo de atividade, 33% das
organizações contábeis participantes do estudo organizações atuam há mais de 20 anos. As
são de pequeno porte, visto que possuem até 30 demais (67%) foram constituídas há menos
clientes obrigados à entrega das informações. de 20 anos. Destas, 46% possuem menos de
Igualmente, observa-se que, de cada dez, uma dez anos. Tais informações permitem inferir
organização possui mais de cem clientes que que tem havido um aumento no número de
estão obrigados a entregar o eSocial. organizações contábeis nos últimos anos.
O conjunto de perguntas voltadas à
1
A referida delegacia tem jurisdição, além de Frederico Westpha-
len, em Caiçara, Rodeio Bonito, Palmitinho, Seberi, Taquaruçu do questão de partida deste estudo e estrutu-
Sul, Vista Alegre, Erval Seco, Ametista do Sul, Dois Irmãos das Mis- radas no formato da escala de Likert (1932)
sões, Vicente Dutra, Pinheirinho do Vale e Cristal do Sul.

36 REVISTA DO CRCRS
tem o primeiro questionamento voltado à às exigências do eSocial, há a necessidade de
estrutura da organização contábil e foi for- ampliar a estrutura informacional da orga-
mulada nos seguintes termos: para atender nização contábil?

Gráfico 1. Necessidade de ampliar a estrutura informacional

Grandes mudanças

Diversas mudanças

Mudanças básicas

Poucas mudanças

Nenhuma
0 2 4 6 8 10 12 14

Fonte: dados do estudo.

Observa-se, nas informações do gráfi- Gráfico 2. Necessidade de ampliar o quadro de colaboradores


co 1, que nenhum dos respondentes discorda
da necessidade de haver mudanças na estrutu- 14
ra informacional e, embora 50% deles tenham 12
marcado a opção "mudanças básicas", infere- 10

-se que, de alguma forma, visualizam a neces- 8

sidade de mudanças na estrutura informacio- 6


4
nal para atender às exigências do eSocial.
2
A questão seguinte foi direcionada ao
0
quadro de colaboradores e formulada da se-
3 - Indiferente

4 - Concordo
parcialmente

5 - Concordo
totalmente
1 - Discordo
totalmente

2 - Discordo
parcialmente

guinte forma: concorda que, para atender às


exigências do eSocial, houve a necessidade de
ampliar o quadro de colaboradores? As res-
postas obtidas estão no gráfico a seguir. Fonte: dados do estudo.

REVISTA DO CRCRS 37
De acordo com as respostas elencadas nova exigência.
no gráfico 2, há o entendimento dos respon- Na sequência, questionados se a im-
dentes de que, até o momento, os impac- plantação do eSocial tende a trazer benefícios
tos da implementação do eSocial ainda não e vantagens para a atividade contábil, 80%
resultaram, em boa parte, em aumento do dos respondentes manifestaram concordân-
quadro de colaboradores. A questão seguin- cia total e parcial. Os restantes 20% se mos-
te, conforme o gráfico 3, foi direcionada aos traram indiferentes. Igualmente, quanto à
aspectos relacionados à legislação do eSocial percepção de que as exigências contidas no
e assim formulada: concorda que sua orga- eSocial são compatíveis com os conhecimen-
nização contábil possui domínio de todos os tos dos profissionais da contabilidade, 42%
aspectos legais para gerar o eSocial? concordaram parcialmente e os outros 58%
manifestaram concordância total sobre o
Gráfico 3. Possui domínio de todos os aspectos legais para questionamento.
gerar o eSocial Obviamente, deve haver interação
entre profissionais de contabilidade e seus
14
clientes. Dessa forma, julgou-se oportuno
12
apresentar um questionamento direcionado
10
aos conhecimentos dos empresários em re-
8
6
lação às exigências contidas no eSocial. Essa
4 questão apresentou os seguintes resultados.
2
0 Gráfico 4. Conhecimentos dos clientes em relação às exi-
gências do eSocial
3 - Indiferente

4 - Concordo
parcialmente

5 - Concordo
totalmente
1 - Discordo
totalmente

2 - Discordo
parcialmente

Total conhecimento

Fonte: dados do estudo.


Bons conhecimentos

Conforme evidenciado no gráfico 3, os Conhecimentos básicos


proprietários de organizações contábeis, em
boa parte, afirmam ter o domínio dos aspec- Poucos conhecimentos
tos normativos que regem essa nova obriga-
ção. Poucos, no entanto, alegaram desconhe- Nenhum conhecimento

cimento da legislação.
Fonte: dados do estudo. 0 2 4 6 8 10 12 14
Em relação à preparação dos colabora-
dores para o cumprimento das exigências do
eSocial, os respondentes foram questionados Com base nas informações do gráfico 4,
quanto à realização de treinamentos para esse infere-se que, na percepção dos respondentes,
fim. As respostas obtidas demonstram que 54% em boa parte, seus clientes possuem poucos
concordam parcialmente e 46% concordam to- conhecimentos ou nenhum em relação às
talmente. Dessa forma, fica evidente a preocu- mudanças advindas do eSocial. Somente
pação das organizações contábeis diante dessa uma pequena parcela, inferior a 20%, possui

38 REVISTA DO CRCRS
conhecimentos sobre o assunto. tão atuando sob a direção de um profissional
Visando a conhecer o estágio atual de contador, com domínio do gênero masculino
preparação das organizações contábeis deste (mais de 60%). Quanto à estrutura de atua-
estudo, foi formulada uma última questão, ção, a amostra contempla organizações de pe-
nos seguintes termos: em termos percentuais, queno porte, com uma média de até 30 clien-
qual o atual estágio de preparação da sua tes. Em relação ao quadro de colaboradores,
organização em relação às exigências do a média é de menos de dez funcionários.
eSocial? Em maioria, os respondentes têm a
percepção de que o eSocial trará benefícios
Tabela 3. Atual estágio de preparação frente ao eSocial e vantagens para as organizações contábeis.
Faixas/ Entende-se que isso deve ocorrer de forma
Número Percentual
Percentuais gradativa, haja vista a necessidade de adap-
Até 20% 0 0 tação. Como ponto em que cabe um olhar di-
De 21% até 40% 4 17 ferenciado, o fato de que o conhecimento dos
clientes a respeito das mudanças que estão
De 41% até 60% 3 12
por vir mostra-se incipiente. Cabe ressaltar
De 61% até 80% 13 54 que o estudo não teve como objetivo conhe-
Acima de 80% 4 17 cer o motivo desse desconhecimento.
Total 24 100%
Mesmo aquelas organizações contá-
Fonte: dados do estudo.
beis que estão em um grau de preparação
elevado deverão empreender uma revisão
no departamento responsável, pois contra-
O estágio de preparação das organiza- tações antigas devem ser atualizadas, e os
ções contábeis, conforme a tabela 3, levando próprios sistemas contábeis deverão passar
em conta as percepções dos respondentes, por ajustes, em linha com as informações
pode ser considerado satisfatório, visto que exigidas no eSocial. Apesar da última pror-
os maiores percentuais estão acima de 60% rogação, os prazos para implantação pros-
e as novas exigências ainda terão um prazo seguem, e logo adiante, essa nova exigência
razoável até sua efetiva implantação. será uma realidade para todos.
Cabe ressaltar que o conjunto de
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS questões apresentadas aos respondentes
foi elaborado exclusivamente para esta in-
O estudo teve como objetivo geral co- vestigação. No entanto, face à atualidade do
nhecer o estágio de preparação das organiza- tema, entende-se que as respostas obtidas
ções contábeis da região de abrangência da abrem a possibilidade de novos estudos,
delegacia do CRCRS de Frederico Westpha- com população maior e voltados, por exem-
len frente ao eSocial. A população contem- plo, a saber sobre o conhecimento dos em-
plou 36 organizações e a amostra está repre- presários a respeito das últimas exigências
sentada por 24 questionários respondidos. de informações digitais, obrigações contra-
A partir das respostas obtidas, obser- tuais com os profissionais da contabilidade,
va-se que, em boa parte, as organizações es- entre outras.

REVISTA DO CRCRS 39
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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41-53, maio-ago. 2017.

REVISTA DO CRCRS 41
A ESTRUTURA DE APRESENTAÇÃO
DE UM LAUDO PERICIAL SOB
A LUZ DO NCPC
Paulo Duval da Silva Lamego
Contador. Bacharel em
Ciências Contábeis pela UCPEL.
Especialista em Auditoria e RESUMO
Perícia Contábil pela FAEL.
Tendo em vista o advento do Novo Código de Processo Civil (NCPC) no ano de
2015 e a Norma Brasileira de Contabilidade que criou o Cadastro Nacional de Peritos
Contábeis (CNPC), este artigo objetiva auxiliar os profissionais contadores que se dedicam
às perícias judiciais e extrajudiciais a adequarem-se às novas regulamentações legais e,
também, a não perderem o foco na educação continuada, sendo esta conquistada por
leituras e pesquisas pertinentes ao labor exercido, a bem de estarem sempre atualizados
para poderem prestar seus serviços de forma translúcida e de acordo com a legislação
vigente. Cuida, também, informar de forma didática como proceder para a elaboração de
um laudo pericial ou parecer técnico-contábil de modo claro e de fácil entendimento das
partes e da instância decisória.

PALAVRAS-CHAVE: Perícias contábeis. Novo Código de


Processo Civil. Cadastro Nacional de Peritos Contábeis.

THE STRUCTURE OF PRESENTATION OF


AN EXPERT REPORT IN THE LIGHT OF
THE NCPC

RESUMO
In view of the advent of the New Civil Code in the year of 2015 and the Brazilian
Accountig Standar that created the National Registry of Accounting Experts, this article
aims to clarify the pros counters that are dedicated to judicial and extrajudicial expertise to
suit the new legal regulations, and also not lose focus on Continuing Education, this being
conquered by readings and research relevant to the work carried out in the interest of
being always updated, in order to provide their services in a translucent and according to
the laws in force. Take care,too, inform didactic form how to proceed for the establishment
of an Expert Report or Accounting Technical Advice, so dear and easy understanding of the
partie and decision making instance.

KEY WORDS: Accounting skills. New Code of Civil Procedure. Na-


tional Accounting Experts.

REVISTA DO CRCRS 43
1 INTRODUÇÃO ritos. Para maior clareza, transcreve-se a se-
guir o referido artigo:
A Contabilidade está presente em
São auxiliares da Justiça, além de
grande parte das atividades humanas, regis-
outros cujas atribuições sejam deter-
trando fatos que ocorrem no dia a dia tan-
minadas pelas normas de organiza-
to das pessoas físicas como das jurídicas,
ção judiciária, o escrivão, o chefe de
notadamente quando envolvem transações
secretaria, o oficial de Justiça, o pe-
monetárias ou patrimoniais. Independe do
rito, o depositário, o administrador,
ramo de atividade, pois o patrimônio de uma
o intérprete, o tradutor, o mediador,
pessoa jurídica é demonstrado a qualquer
o conciliador judicial, o partidor, o
tempo. O mesmo se dá com as instituições
distribuidor, o contabilista e o regu-
sem fins lucrativos, os clubes ou associações
lador de avarias.
de qualquer natureza.
Quanto às pessoas físicas, estas têm seus
Por outra banda, o artigo 156 assim reza:
patrimônios registrados em documentos que
podem ser pesquisados, os quais podem ser
O juiz será assistido por perito quan-
analisados objetivando a formação de provas
do a prova do fato depender de co-
para deslindes de demandas tanto em tribu-
nhecimento técnico ou científico.
nais judiciais como administrativamente.
§ 1º Os peritos serão nomeados entre
No caso de uma ação judicial, é vital
os profissionais legalmente habilita-
a prova de um direito violado com a devida
dos e os órgãos técnicos ou científi-
fundamentação probante. Se a ação objetivar
cos devidamente inscritos em cadas-
uma reparação que envolva valores e cálcu-
tro mantido pelo tribunal ao qual o
los, se faz necessário um parecer técnico-con-
juiz está vinculado.
tábil, pois legitimará o interesse de demandar
§ 2º Para formação do cadastro, os
o Poder Judiciário.
tribunais devem realizar consul-
Resumindo, o parecer técnico-contá-
ta pública, por meio de divulgação
bil servirá para embasar o pedido e apontar
na rede mundial de computadores
claramente a espécie e o alcance do dano que
ou em jornais de grande circulação,
fundamenta o pedido de indenização.
além de consulta direta a universida-
Analogamente, se o perito for nomeado
des, a conselhos de classe, ao Minis-
pelo juízo, tanto o laudo como o parecer são
tério Público, à Defensoria Pública e
orientados por ele e pelo perito-assistente,
à Ordem dos Advogados do Brasil,
conforme estabelece a Norma Brasileira de
para a indicação de profissionais ou
Contabilidade TP 01.
de órgãos técnicos interessados.
O NCPC instalado pela Lei
§ 3º Os tribunais realizarão avalia-
nº 13.105-2015 estabelece normas para a no-
ções e reavaliações periódicas para
meação do perito, assim como ele deve proce-
manutenção do cadastro, conside-
der profissionalmente.
rando a formação profissional, a
Note-se que o artigo 149 prevê que o
atualização do conhecimento e a ex-
juízo tenha auxiliares. Entre eles estão os pe-
periência dos peritos interessados.

44 REVISTA DO CRCRS
§ 4º Para verificação de eventual im- meio de exames, avaliações e vistorias. Ela
pedimento ou motivo de suspeição, obrigatoriamente é realizada por um profis-
nos termos dos arts. 148 e 467, o sional devidamente habilitado e que possua
órgão técnico ou científico nomeado fartos conhecimentos técnico-científicos.
para realização da perícia informará Pode ser:
ao juiz os nomes e os dados de quali- a) perícia judicial: é quando o perito é
ficação dos profissionais que partici- nomeado pelo juiz;
parão da atividade. b) perícia extrajudicial: é realizada por
§ 5º Na localidade onde não houver vontade das partes, objetivando demonstrar
inscrito no cadastro disponibiliza- a veracidade ou não do fato em litígio; e
do pelo tribunal, a nomeação do c) perícia arbitral: ocorre quando não
perito é de livre escolha pelo juiz é judicialmente determinada, pois, embora
e deverá recair sobre profissional seja de natureza extrajudicial, tem validade
ou órgão técnico ou científico com- no Judiciário em virtude de as partes litigan-
provadamente detentor do conhe- tes terem escolhido as regras que serão utili-
cimento necessário à realização da zadas na arbitragem.
perícia. A grande e principal diferença entre
perícia e auditoria é que a segunda opera
O objetivo deste artigo é aprofundar a por meio de amostragens normatizadas pelo
importância da educação continuada e escla- Conselho Federal de Contabilidade (CFC) nas
recer aos profissionais contadores como pro- Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs)
ceder em face das modificações que houve, e a perícia trabalha sobre um determinado
tendo em vista que ainda se encontram lau- fato ou ato ligado ao patrimônio das entida-
dos confusos que aplicam métodos baseados des físicas ou jurídicas, o que levará à elabo-
no antigo Código de Processo Civil. ração de um laudo ou parecer técnico, mas, se
A educação continuada é fundamental for necessário, ela poderá utilizar elementos
na maioria das profissões, visto que a tecno- normatizados da auditoria.
logia avança rapidamente e traz em seu bojo Sendo assim, a auditoria é tarefa co-
novas ferramentas que possibilitam a facili- mum realizada de modo constante por meio
dade de diagnóstico para questões anterior- de amostragens, ou seja, tem um papel de re-
mente de difíceis soluções. Especificamente, visão dos procedimentos contábeis adotados.
a Contabilidade se vê quase que diariamente Já a perícia contábil tem um aspecto mais ob-
com problemas de mudanças na legislação jetivo, pois deve elucidar e esclarecer o fato
fiscal e, para quem trabalha como perito do ou os fatos que lhe foram propostos.
juízo, com novas jurisprudências. Em 15 de março de 2015, pela Lei
nº 13.105-2015, foi instituído o NCPC, o qual
substituiu o datado de 1973. O NCPC trouxe
2 O LAUDO E O PARECER TÉCNICO-CONTÁBIL em seu conteúdo, entre outras, algumas mo-

dificações referentes à atuação dos profissio-
A perícia é uma ferramenta eficaz que nais que se dedicam às perícias. No caso do
proporciona informações e dados relevantes presente artigo, aos contadores que exercem
para serem levados à instância decisória por os labores periciais.

REVISTA DO CRCRS 45
Por sua vez, sempre atento, o CFC ade- pectativa do juízo e contemplar o artigo 466
quou os profissionais, por meio das Normas do NCPC, o qual assim dispõe:
Brasileiras de Contabilidade, a exercerem a
profissão. O perito cumprirá escrupulosamente
O CFC emitiu a NBC TP 01, datada de o encargo que lhe foi cometido, in-
27 de fevereiro de 2015, em que, em seus arti- dependentemente de termo de com-
gos 2º, 3º, 4º e 5º, leem-se: promisso.
§ 1º Os assistentes técnicos são de
2º A perícia contábil constitui o confiança da parte e não estão sujei-
conjunto de procedimentos técnico- tos a impedimento ou suspeição.
-científicos destinados a levar à ins- § 2º O perito deve assegurar aos
tância decisória elementos de prova assistentes das partes o acesso e o
necessários a subsidiar a justa solu- acompanhamento das diligências e
ção do litígio ou constatação de fato, dos exames que realizar, com prévia
mediante laudo pericial contábil e/ comunicação, comprovada nos au-
ou parecer técnico-contábil, em con- tos, com antecedência mínima de 5
formidade com as normas jurídicas e (cinco) dias.
profissionais e com a legislação espe-
cífica no que for pertinente. O profissional deverá apresentar o re-
3º O laudo pericial contábil e o pare- sultado de seu labor de acordo com as nor-
cer técnico-contábil têm por limite o mais legais, atendendo ao NCPC e às NBCs.
próprio objeto da perícia deferida ou No artigo 65 da NBC TP 01, já citada,
contratada. lê-se que o laudo pericial contábil deve con-
4º A perícia contábil é de competên- ter, no mínimo, os seguintes itens:
cia exclusiva de contador em situação
regular perante o Conselho Regional a) Identificação do processo e das
de Contabilidade de sua jurisdição. partes;
5º A perícia judicial é exercida sob b) Síntese do objeto da perícia;
a tutela do Poder Judiciário. A pe- c) Resumo dos autos;
rícia extrajudicial é exercida no âm- d) Metodologia adotada para os tra-
bito arbitral, estatal ou voluntário. balhos periciais e esclarecimentos;
A perícia arbitral é exercida sob o e) Relato das diligências realizadas;
controle da lei de arbitragem. Perí- f) Transcrição dos quesitos e suas
cias oficial e estatal são executadas respectivas respostas para o laudo
sob o controle de órgãos de Esta- pericial contábil;
do. Perícia voluntária é contratada, g) Transcrição dos quesitos e suas
espontaneamente, pelo interessado respectivas respostas para o parecer
ou de comum acordo entre as partes. técnico-contábil, onde houver di-
vergência das respostas formuladas
É fundamental que o laudo pericial seja pelo perito do juízo;
apresentado de forma estruturada e com vi- h) Conclusão;
sualização agradável, a bem de atender à ex- i) Termo de encerramento, constan-

46 REVISTA DO CRCRS
do a relação de anexos e apêndices; da parte, de terceiros ou em repar-
j) Assinatura do perito: deve constar tições públicas, bem como instruir o
sua categoria profissional de conta- laudo com planilhas, mapas, plantas,
dor, seu número de registro, com- desenhos, fotografias ou outros ele-
provado mediante Certidão de Regu- mentos necessários ao esclarecimen-
laridade Profissional, e sua função; to do objeto da perícia.
k) Para elaboração do parecer, apli-
ca-se o disposto nas alíneas acima, Com a leitura do artigo 473 do NCPC,
no que couber. constata-se a assertividade da NBC TP 01,
mas sem olvidar o que rezam a NBC PP 01,
que dispõe sobre a atuação dos peritos, e a
Já o artigo 473 do NCPC assim exara: PG 100, que trata dos princípios éticos da
profissão, os quais se transcrevem em parte:
O laudo pericial deverá conter:
I – a exposição do objeto da perícia; Princípios éticos
II – a análise técnica ou científica rea- 100.5 O profissional da contabilida-
lizada pelo perito; de deve cumprir os seguintes princí-
III – a indicação do método utiliza- pios éticos:
do, esclarecendo-o e demonstrando (a) Integridade – ser franco e hones-
ser predominantemente aceito pelos to em todos os relacionamentos pro-
especialistas da área do conhecimen- fissionais e comerciais.
to da qual se originou; (b) Objetividade – não permitir que
IV – a resposta conclusiva a todos os comportamento tendencioso, confli-
quesitos apresentados pelo juiz, pe- to de interesse ou influência indevida
las partes e pelo órgão do Ministério de outros afetem o julgamento pro-
Público. fissional ou de negócio.
§ 1º No laudo, o perito deve apresen- (c) Competência profissional e de-
tar sua fundamentação em lingua- vido zelo – manter o conhecimento
gem simples e com coerência lógica, e a habilidade profissionais no nível
indicando como alcançou suas con- adequado para assegurar que clien-
clusões. tes e/ou empregador recebam servi-
§ 2º É vedado ao perito ultrapassar ços profissionais competentes com
os limites de sua designação, bem base em desenvolvimentos atuais da
como emitir opiniões pessoais que prática, legislação e técnicas, e agir
excedam o exame técnico ou cientí- diligentemente e de acordo com as
fico do objeto da perícia. normas técnicas e profissionais apli-
§ 3º Para o desempenho de sua fun- cáveis.
ção, o perito e os assistentes técnicos (d) Sigilo profissional – respeitar o
podem valer-se de todos os meios sigilo das informações obtidas em
necessários, ouvindo testemunhas, decorrência de relacionamentos pro-
obtendo informações, solicitando fissionais e comerciais e, portanto,
documentos que estejam em poder não divulgar nenhuma dessas infor-

REVISTA DO CRCRS 47
mações a terceiros, a menos que haja sentação do laudo pericial contábil de acordo
algum direito ou dever legal ou pro- com as normas legais.
fissional de divulgação, nem usar as
informações para obtenção de van-
tagem pessoal pelo profissional da
Identificação do processo (obrigatória)
contabilidade ou por terceiros.
(e) Comportamento profissional – Identificação do processo:
cumprir as leis e os regulamentos Processo nº 0000000 – 9ª Vara Cível da Co-
pertinentes e evitar qualquer ação marca de Pelotas
que desacredite a profissão. Autor: João da Silva & Cia. Ltda. ME
Réu: Carlos Roberto da Silva
Perito: Robson Silveira – contador CRCRS
Não há um modelo preestabelecido
00000
para ser utilizado. O profissional dedicado à
Rua dos Cataventos, nº 000
perícia contábil pode apresentar seu trabalho
E-mail: rb@gmail.com
do modo que lhe convier, desde que contem-
CEP 90000-000 – Pelotas – RS
ple os ditames do NCPC e das NBCs. Todavia,
apraz que divida em campos nomeados e nu-
Síntese (obrigatória)
merados, que inclua outros itens não obriga-
Síntese do objeto da perícia:
tórios e que adote uma sequência lógica, pois,
Apurar o valor atualizado, se houver,
assim fazendo, facilitará a leitura e a compre-
do saldo do contrato nº 000 de acordo com
ensão tanto da instância decisória como das
a sentença.
partes em litígio.
Metodologia utilizada (obrigatória)
Passa-se a seguir a esclarecer a apre-

1. Metodologia e subsídios utilizados:


3.1. Data da inicial 20-5-2014 – folha 02
3.2. Data da citação 16-6-2014
NCPC – Artigos 466, 473 e 474
NBC TP 01
3.3. Critérios utilizados NBC PP 01
NBC PG 100
NBC T 11
- apurar possível saldo remanescente do contrato
firmado em 3-3-2010;
- caso haja saldo remanescente atualizar monetariamente pelo valor
Tópicos da sentença
3.4. da CUB;
Folha 124
- juros de 1% a.m. a partir da citação;
- multa contratual;
- honorários advocatícios de 15%
3.5. Valor do contrato R$ 36.653,37 correspondendo a 96,4018 CUBs

48 REVISTA DO CRCRS
- sinal no valor de R$ 1.451,68 correspondendo a
3,4220 CUBs
- saldo em parcelas mensais e sucessivas de 0,82418
3.6. Forma de pagamento
CUBs, acrescidas de juros de 1% a.m., sendo que a
12ª e a 24ª parcelas serão acrescidas de “balões”
3,4220 CUBs

Relato das diligências (obrigatório)

2. Diligências e providências efetuadas:


Envio de expediente ao sr. procurador do autor informando o
4.1. 2-4-2017
início do labor

Envio de expediente ao sr. procurador do réu informando o


4.2. 2-4-2017
início do labor

Envio de expediente à sra. assistente técnica do autor


4.3. 2-4-2017
informando o início do labor

Comparecimento ao registro de imóveis para solicitar certidão


4.4. 5-4-2017
do imóvel em litígio

Visita ao escritório do autor para solicitar esclarecimentos sobre


4.5. 7-4-2017
o contrato em questão, acompanhado da sra. assistente técnica

Comparecimento ao escritório do sr. procurador do réu para


4.6. 7-4-2017 solicitar recibos de pagamentos que não se encontram nos autos,
acompanhado pela sra. assistente técnica

E-mail enviado ao sr. procurador do réu informando que não


4.7. 12-4-2017
recebeu os documentos solicitados em 7-4-2017

Comparecimento ao escritório da sra. assistente técnica para


4.8. 2-5-2017
apresentar o laudo pericial e esclarecer possíveis dúvidas

Transcrição e respostas aos que- Quesito 3: “Encontram-se nos autos todos os


sitos (obrigatórias) recibos dos...”
Respostas aos quesitos: Resposta: ........................................................
a) Quesitos do autor: folha 121
b) Quesitos do réu: não foram formulados 1. Considerações do perito:
Quesito 1: “Diga o senhor perito se...” a) Não foram fornecidos pelo réu os recibos
Resposta: ....................................................... solicitados no termo de diligência datado de
Quesito 2: “Informe se o contrato foi...” 7-4-2017;
Resposta: ........................................................

REVISTA DO CRCRS 49
b) O contrato apresenta-se confuso nas cláu- cessários, seguindo os ditames da digna sen-
sulas 3ª e 4ª; tença (vide item 3.3. deste laudo), este perito
c) Faltam nos autos cópias de recibos de conclui que foram pagas 64 (sessenta e quatro
pagamento compreendidos no período de parcelas) contratuais e, de acordo com as pla-
setembro até dezembro de 2010, inclusive. nilhas de cálculos que se encontram a seguir,
d) As planilhas de cálculos encontram-se nas há um saldo a favor do autor de R$ ..........., de-
folhas... vidamente atualizados até esta data.

Conclusão (obrigatória) Termo de encerramento (obrigatório)


Conclusão: Termo de encerramento:
Após o estudo dos autos e demais docu- Este laudo contém ... folhas numera-
mentos e esclarecimentos que se fizeram ne- das de 1 a ... e estão anexos os documentos
abaixo listados:

8.1. Certidão de Regularidade Profissional deste perito junto ao CRCRS


8.2. Certidão de Inscrição no CNPC deste perito junto ao CFC
Cópia do expediente remetido ao sr. procurador do autor comunicando
8.3.
o início do labor
Cópia do expediente remetido ao sr. procurador do réu comunicando
8.4.
o início do labor
Cópia do expediente remetido à sra. assistente técnica do autor comunicando
8.5.
o início do labor
8.6. Certidão do imóvel em questão fornecida pelo registro de imóveis
Cópia do termo de diligência efetuada junto ao escritório do autor,
8.7.
datado de 7-4-2017

Assinatura do perito (obrigatória) abaixo da planilha, coloca-se a fonte que deu


Data e assinatura: origem aos dados.
Pelotas, 2 de maio de 2017 Quanto à estrutura do parecer contábil,
devem-se seguir as normas preconizadas pela
Alberto Silva NBC TP 01, no que couber.
Contador CRCRS 0000 – CNPC 000 O parecer contábil é feito pelo assistente
técnico indicado pela parte do processo, o qual
Para dar credibilidade às planilhas pode, tão logo tenha conhecimento da perícia,
de cálculos, quando houver, é importante re- manter contato com o perito nomeado pelo
gistrar os chamados subsídios para cálculos, juízo para pôr-se à disposição para o planeja-
os quais compreendem o período, o índice mento, para o fornecimento de documentos
de atualização monetária, a taxa de juros e o em poder da parte que o contratou e, ainda,
seu período, que, geralmente, é diferente da para a execução conjunta da perícia. Uma vez
data do início da atualização monetária. Logo recusada a participação, o perito-contador

50 REVISTA DO CRCRS
pode permitir ao assistente técnico acesso aos valores é viável em casos de apuração
autos e aos elementos de prova arrecadados de haveres, liquidação de sentença,
durante a perícia, indicando local e hora para inclusive em processos trabalhistas;
exame pelo assistente técnico. resolução de sociedade; avaliação
O perito-contador assistente, ao apor patrimonial, entre outros;
a assinatura, em conjunto com o perito-con- c) pode ocorrer que, na conclusão,
tador, em laudo pericial contábil, não pode seja necessária a apresentação de
emitir parecer pericial contábil contrário ao alternativas, condicionada às teses
laudo. apresentadas pelas partes, casos em
O perito deve documentar os elementos que cada uma apresenta uma versão
relevantes que serviram de suporte à conclu- para a causa. O perito deve apresen-
são formalizada no laudo pericial contábil e no tar as alternativas condicionadas às
parecer pericial contábil, por meio de papéis teses apresentadas, devendo, neces-
de trabalho que forem considerados relevan- sariamente, ser identificados os crité-
tes, visando a fundamentar o laudo ou pare- rios técnicos que lhes deem respaldo;
cer e comprovar que a perícia foi executada de d) a conclusão pode ainda reportar-
acordo com os despachos e decisões judiciais, -se às respostas apresentadas nos
bem como com as normas legais e NBCs. quesitos;
Entende-se por papéis de trabalho a e) a conclusão pode ser, simplesmen-
documentação preparada pelo perito para a te, elucidativa quanto ao objeto da pe-
execução da perícia. Eles integram um pro- rícia, não envolvendo, necessariamen-
cesso organizado de registro de provas, por te, quantificação de valores.
intermédio de termos de diligência, infor-
mações em papel, meios eletrônicos, plantas, Há casos de o perito nomeado pelo juízo
desenhos, fotografias, correspondências, de- necessitar do trabalho de especialistas de ou-
poimentos, notificações, declarações, comu- tras áreas, o que é previsto no NCPC. Toda-
nicações ou outros quaisquer meios de prova via, o perito nomeado também é responsável
fornecidos e peças que assegurem o objetivo pelo laudo do outro perito. A NBC TP 01, em
da execução pericial. seu item nº 15, assim prevê:
É interessante enfatizar que, na conclu-
A execução da perícia,
são do laudo e do parecer, diz o item 64 da
quando incluir a utiliza-
NBC TP 01, é preciso considerar as formas ção de equipe técnica,
explicitadas nos itens seguintes: deve ser realizada sob a
orientação e supervisão
a) omissão de fatos: o perito do juí- do perito-contador e/ou do
perito-contador assistente,
zo não pode omitir nenhum fato re- que assumem a responsa-
levante encontrado no decorrer de bilidade pelos trabalhos,
suas pesquisas ou diligências, mes- devendo assegurar-se que
mo que não tenha sido objeto de as pessoas contratadas es-
tejam profissionalmente
quesitação e desde que esteja rela- capacitadas à execução.
cionado ao objeto da perícia;
b) a conclusão com quantificação de E, no item 38 da mesma NBC, lê-se:

REVISTA DO CRCRS 51
Quando a perícia exigir a necessi- bém ocorre, no caso de cálculos e exames
dade de utilização de trabalho de mais complexos, principalmente no exame
terceiros (equipe de apoio, trabalho de livros contábeis e fiscais de empresas, de
de especialistas ou profissionais de a parte requerer a nomeação de um perito-
outras áreas de conhecimento), o -contador que esteja regularmente inscrito
planejamento deve prever a orien- no Instituto dos Auditores Independentes do
tação e a supervisão do perito, que Brasil (Ibracon).
responderá pelos trabalhos executa- Tanto o perito-contador nomeado
dos, exclusivamente, por sua equipe como o perito-contador assistente têm a obri-
de apoio. gação de primar e zelar por suas independên-
cias, não admitindo, sob nenhuma hipótese,
Quando a perícia exigir a utilização subordinar sua apreciação a qualquer situa-
de perícias interdisciplinares ou trabalho de ção, fato ou pessoas que possam comprome-
especialistas, estes devem estar devidamente ter sua liberdade laboral. A documentação
registrados em seus conselhos profissionais, a ser apresentada ao juízo necessariamente
quando aplicável, e cabe ao perito-contador deve estar embasada em provas, em verdades
verificar e exigir esse dado. fáticas e documentos, observados os limites
É na conclusão que o perito coloca- da demanda, pois, como ensina Gildo dos
rá outras informações que não foram objeto Santos, em seu livro A Prova no Processo Ci-
de quesitação, porém, as encontrou na busca vil, ao exercer o direito de requerer a prova, a
dos elementos de prova inerentes ao objeto parte busca confirmar as alegações apresen-
da perícia e que, de alguma forma, servirão tadas, pois provar é representar fatos passa-
de apoio para a opinião ou o julgamento pela dos, é provar a verdade sobre o que se discu-
instância decisória. te, é levar à certeza como um fato aconteceu,
é dar ao juiz elementos para que se forme sua
3 CONCLUSÃO convicção.
É de suma importância atentar para o
Conclui-se que um laudo pericial deva artigo 156 do NCPC sobre a nomeação dos
apresentar informações corretas, objetivas e chamados experts pelos juízos. O CFC insti-
de visualização simples e clara, seguindo, obri- tuiu, pela Resolução nº 1.502, o CNPC. Em
gatoriamente, as normas do NCPC e do CFC, seu artigo 2º, lê-se: “Os contadores que exer-
pois isso valorizará o trabalho e o profissional. cem atividades de perícia contábil terão até
Todavia, cada um deve eleger a forma de apre- 31-12-16 para se cadastrarem no CNPC do
sentação sem descuidar-se das normas legais e CFC, por meio dos portais dos CRCs e do
de modo que facilite a leitura e a compreensão CFC” (esse prazo posteriormente foi pror-
da instância julgadora e das partes. rogado para 31-12-2017). A partir de 1º de
No caso de perícias judiciais, quando janeiro de 2018, o ingresso no CNPC estará
uma das partes é empresa de seguros e capi- condicionado à aprovação em exame especí-
talização, previdência privada ou social, não fico, e a permanência no CNPC estará condi-
raro requer ao juízo a nomeação de um perito cionada à obrigatoriedade do cumprimento
que, além de contador, esteja cadastrado no do Programa de Educação Profissional Con-
Instituto Brasileiro de Atuária (IBA). Tam- tinuada (PEPC).

52 REVISTA DO CRCRS
No artigo 8º da Resolução 1.502, lê-se: cionou a exemplificação de modo didático da
“Serão baixados do CNPC os profissionais estrutura de um laudo pericial, notadamente
que não atingirem, anualmente, a pontuação para o caso de perito nomeado pelo juízo, e
mínima exigida no Programa de Educação isso proporcionará aos profissionais da área
Profissional Continuada”. Assim, dá-se con- específica um guia prático a ser seguido.
ta claramente da preocupação acentuada do Entende-se, também, que o presente
CFC quanto à qualificação profissional dos artigo não possui o condão de esgotar o tema,
componentes da classe. mas, sim, esboçar um avanço para o profissio-
Foram apresentados no texto os refe- nal apresentar o seu trabalho de forma clara e
renciais do NCPC e das NBCs, o que propor- precisa, como espera a instância decisória.

REVISTA DO CRCRS 53
REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de HOOG, Wilson Alberto. Perícia Contábil e


2015. Código de Processo Civil. Disponível a Aferição da Dependência Econômica e
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_ a Razão de Concentração. Disponível em:
Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm>. Acesso <http://www.zappahoog.com.br/artigos/10%20
em: 14 ago. 2018. Depend%C3%AAncia%20Econ%C3%B4mi-
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CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. tra%C3%A7%C3%A3o.pdf>. Acesso em: 14 ago.
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SANTOS, Gildo dos. A Prova no Processo Ci-
______. Normas Brasileiras de Conta- vil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009.
bilidade. Disponível em: <https://cfc.org.br/
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Acesso em: 14 ago. 2018. Peritos e A Estrutura do Trabalho Pericial.
Disponível em: <http://www.crcrs.org.br/arqui-
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DO RIO GRANDE DO SUL. Manual de Perí- 14 ago. 2018.
cias. Disponível em: <www.crcrs.org.br>. Acesso
em 14 ago. 2018.

54 REVISTA DO CRCRS
REVISTA DO CRCRS 55
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56 REVISTA DO CRCRS
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em anais de eventos científicos, como loc. cit. e assemelhadas, ou notas de re-
congressos, convenções, seminários, ferência e de rodapé; sendo admitidas
simpósios. notas no final do texto.

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ou Profissão Contábil e poderá ser ela- nhas, utilizar recuo de 4 cm da margem
borado por mais de um profissional da esquerda, espaço simples e fonte 10.
Contabilidade, com registro em CRC, li-
mitado a um máximo de quatro autores. 12. Para citações dentro do texto deve ser
utilizado o formato autor/data, por
3. O artigo, sob hipótese alguma, pode es- exemplo: Beulke e Bertó (2008, p. 78); se
tar identificado, seja no corpo do origi- entre parênteses, apresentar como se-
nal ou em propriedades do arquivo. gue: (BEULKE; BERTÓ, 2008, p. 78).

4. A formatação do texto deve seguir o ta- 13. As referências bibliográficas devem ser
manho A4 (29,7cm x 21cm), com 3 cm apresentadas em ordem alfabética, de
de margens superior e esquerda, e 2 cm acordo com as normas da ABNT (NBR-
de margens inferior e direita. 6023).

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e-mail, com dois arquivos anexados na mes-
ma mensagem: um com o trabalho em si e ou-
6. A fonte utilizada no texto deve ser Times tro com a folha de identificação, na qual deve
New Roman, tamanho 12, espaçamento constar o título do trabalho, nome completo
simples e alinhamento justificado. do(s) autor(es), n° de registro em CRC, ende-
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