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REVISÃO DE DIREITO DO

CONSUMIDOR

DOUTRINA TEMÁTICA
+
JULGADOS DO STF/STJ

Prof. Álvaro Veras


Prof. Filippe Augusto
Profa. Lara Teles

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DIREITO DO CONSUMIDOR
- 30 pontos mais importantes da Doutrina -

1) Definição de consumidor: Consoante o art. 2º, consumidor é definido


como sendo toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto
ou serviço como destinatário final. Duas teorias se digladiam para saber
o que seria esse tal destinatário final.

Teoria finalista - partindo de um conceito econômico de


consumidor, propõe que o consumidor seria apenas aquele
não profissional, que adquire ou utiliza um produto para uso
próprio ou de sua família. Não pode ser considerado
consumidor aquele que utiliza o bem para continuar a cadeia de
produção.

Teoria maximalista - partindo de um conceito jurídico de


consumidor, propõe que o destinatário final seria somente o
destinatário fático, pouco importando a destinação econômica
que lhe deva sofrer o bem. Assim, a definição de consumidor é
puramente objetiva, não importando a finalidade da aquisição
ou do uso do produto ou serviço, podendo ate mesmo haver
intenção de lucro.

O STJ, superando a discussão, entendeu que o CDC aplica a


teoria finalista para a definição de consumidor.

Ocorre que, tal Tribunal também aceitou uma espécie de


abrandamento dessa teoria quando se verificar uma vulnerabilidade no
caso concreto, seja ela técnica, jurídica ou econômica. Isso é o que se
chama de teoria finalista mitigada.

2) Espécies de vulnerabilidade, consoante Cláudia Lima Marques, e


adotada pelo STJ:

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- Técnica: aquela na qual o comprador não possui os conhecimentos
específicos sobre o produto ou o serviço, podendo, assim, ser mais
facilmente iludido no momento da compra;

- Jurídica ou científica: Própria falta de conhecimentos


jurídicos ou de outros pertinentes à relação, como
contabilidade, matemática, finanças etc.

- Econômica ou fática: o fornecedor possui um grande poderio


econômico, seja em razão de monopólio seja em razão da
essencialidade do produto que presta.

- Informacional: a professora Cláudia Lima Marques que a


indica bem. Aduz que as informações no mundo moderno estão
cada vez mais valorizadas e importantes e, em contrapartida, os
consumidores estão cada vez mais desinformados. Assim, de
modo a manter tal equilíbrio, deve sempre o fornecedor buscar
dar ao consumidor o máximo de informações possíveis.

Obs.: Não precisa haver cumulação destes três aspectos para a


caracterização da vulnerabilidade, bastando apenas um deles.

(GARCIA, Leonardo de Medeiros, Leis Especiais Comentadas - Direito


do Consumidor - Juspodivm, pag. 23).

3) Espécies de consumidor:

a) stricto sensu ou standard: é aquele do já mencionado acima


ou consumidor propriamente dito.

b) consumidor equiparado ou bystander: é o indivíduo


equiparado a consumidor, não comprou o produto ou serviço,
mas foi por ele afetado.

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Art. 2º, Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a
coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis,
que haja intervindo nas relações de consumo.

Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se


aos consumidores todas as vítimas do evento
também denominado de consumidor bystander.

Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte,


equiparam-se aos consumidores todas as pessoas
determináveis ou não, expostas às práticas nele
previstas.

Caso do avião que cai e atinge várias pessoas no solo (essas


pessoas em terra também serão consideradas consumidoras) - exemplo
MUITO cobrado em prova.

4) Espécies de fornecedor:

a) real - envolvendo o fabricante, produtor e construtor.

b) aparente - que compreende o detentor do nome, marca ou


signo aposto ao final do produto.

c) presumido - abrangendo o importador de produto


industrializado ou in natura e o comerciante de produto
anônimo.

5) Vulnerabilidade x Hipossuficiência.

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Vulnerabilidade - conceito de DIREITO MATERIAL, com
presunção absoluta pelo tão só fato de ser consumidor.

Hipossuficiência - conceito de DIREITO PROCESSUAL, que


deve ser analisado casuisticamente.

6) Principio do consentimento esclarecido - baseado no princípio da


informação, tal principio aduz que entre o paciente o médico deve haver
um diálogo recíproco, culminando em uma aquiescência expressa do
paciente para uma determinada intervenção cirurgia ou tratamento.

7) Violação positiva do contrato - Também denominada de violação aos


deveres anexos do contrato de consumo. Como se sabe, um dos grandes
princípios aplicáveis no âmbito do direito consumerista é o da boa-fé
objetiva.

Sobre o tema, cumpre observar o enunciado 26 da I Jornada de


Direito Civil do CJF:

“a cláusula geral contida no art. 422 do novo Código


Civil impõe ao juiz interpretar e, quando necessário,
suprir e corrigir o contrato segundo a boa-fé
objetiva, entendida como a exigência de
comportamento leal dos contratantes”.

A boa-objetiva possui três funções:

- Interpretativa - serve de orientação para o juiz, devendo este


sempre prestigiar, diante dos contratos consumeristas, a teoria
da confiança, segundo a qual as partes agem com lealdade
buscando o adimplemento contratual.

- Controle ou limitadora de direitos (art. 187 CC) – visa a


evitar o abuso de direito subjetivo, limitando as condutas e

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práticas comerciais abusivas, diminuindo de certo modo a
autonomia dos contratantes.

- Integrativa ou criadora de deveres anexos - Insere novos


deveres para as partes diante das relações de consumo, pois,
além da verificação do cumprimento da obrigação principal,
surgem novas condutas a serem também observadas. São os
assim denominados deveres anexos ou laterais. São exemplos
os deveres de proteção, informação, honestidade, cuidado. Em
caso de violação, a doutrina aduz que existe inadimplemento
contratual ou então adimplemento ruim.

8) Teoria do duty to mitigate the own loss

Encontra-se dentre os preceitos parcelares da boa-fé objetiva:


supressio, surrectio, venire contra factum proprium, tu quoque e duty to
mitigate the own loss.

O Enunciado 169 do CFJ/STJ na III Jornada de Direito Civil o


define bem:

“O princípio da boa-fé objetiva deve levar o credor a


evitar o agravamento do próprio prejuízo”.

Flavio Tartuce cita um exemplo:

A título de exemplo para os contratos de consumo, imagine-se


um contrato bancário ou financeiro em que há descumprimento por parte
do consumidor. Segundo a interpretação deste autor, já aplicada pela
jurisprudência, não pode a instituição financeira permanecer inerte,
aguardando que, diante da alta taxa de juros prevista no instrumento
contratual, a dívida atinja montantes astronômicos. Se assim agir, como
consequência da violação da boa-fé, os juros devem ser reduzidos.

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(TARTUCE, Flavio, AMORIM, Daniel. Manual de Direito do
Consumidor. Editora Método, 2014, pag. 303).

9) Contratos relacionais - são aqueles em que se desenvolvem relações


jurídicas complexas de longa duração, nas quais o consumidor se vê
dependente de sua manutenção. Podemos citar os contratos de plano de
saúde ou de previdência.

Nesses casos, o STJ vem entendendo que ofende o princípio da boa-fé


objetiva o aumento abrupto das mensalidades.

10) Teoria da quebra da base objetiva: diferentemente da teoria da


imprevisão do Código Civil, aqui não interessa se o fato superveniente
que alterou a base do contrato seja imprevisível ou não. Além disso,
também não exige a extrema vantagem para o credor.

Temos, então, que a onerosidade excessiva se divide em duas:

Teoria da quebra da base objetiva (adotada pelo CDC)

Teoria da imprevisão (adotada pelo CC)

11) Teoria da indenização por perda de tempo livre - Também chamada


de desvio produtivo do consumidor. Trata de situações intoleráveis, em
que há desídia e desrespeito aos consumidores, que, muitas vezes, veem-
se compelidos a sair de sua rotina e perder o seu tempo livre varias vezes
para solucionar problemas causados por atos ilícitos ou condutas
abusivas de fornecedores. Tais situações fogem do que usualmente se
aceita como normal, em se tratando de espera por parte do consumidor.
Pode-se citar como exemplo o caso em que se esperam horas para ser
atendido em calls centers. Gerar-se-ia, em tese, assim, danos morais.

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12) Teoria do dialogo das fontes - Consoante Leonardo de Medeiros
Garcia, o diálogo das fontes propiciara a conexão intersistemática
existente entre o CDC e outros diplomas legais, mais especificamente o
CC/2002, em decorrência da forte aproximação principiológica entre
ambos, buscando ampliar os benefícios e amparar melhor o consumidor.

Criação da teoria a partir de Erik Jayme, com introdução no


ordenamento jurídico brasileiro por meio dos ensinamentos de Claudia
Lima Marques. Antes, quando existiam duas normas que regiam um
dado tema, necessariamente um excluiria a aplicação da outra: assim, em
uma relação consumerista, por exemplo, a existência do CDC excluiria a
possibilidade de aplicação do Código Civil. Hoje, a visão é distinta a
partir da teoria do dialogo das fontes.

Três tipos de diálogos

a) Diálogo sistemático de coerência = aplicação simultânea de


duas leis, sendo que uma serve de base conceitual para outra (o
CC é a base do CDC). Para ela, o CDC não impede a aplicação
do CC, quando este trouxer regra mais favorável ao consumir,
como é o caso dos prazos prescricionais.

b) Diálogo sistemático de complementariedade e


subsidiariedade = consiste na aplicação coordenada de duas
leis, uma complementando a aplicação da outra ou sendo
aplicada de forma subsidiária. Ex.: Temas que constam no CC e
não no CDC e vice-versa.

c) Diálogo das influências recíprocas sistemáticas = influência


do sistema geral no especial e vice-versa.

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13) Tipos de periculosidade:

a) inerente: o produto não é considerado defeituoso, pois o seu


perigo está dentro da expectativa da normalidade e
previsibilidade do consumidor. Exemplo: cigarro foi
considerado como tendo periculosidade inerente pelo STJ, não
se devendo indenização aos consumidores.

b) adquirida: tornam-se perigosos em decorrência da existência


de um defeito que apresentam durante o seu uso. Podem ter
defeitos de fabricação, concepção (design ou projeto) ou
comercialização (também englobados os de informação ou de
instrução).

c) exagerada: são considerados defeituosos por ficção. São tão


defeituosos, tendo um potencial tão grande de causar danos aos
consumidores, que não se permite a sua comercialização.

14) Teoria do risco do desenvolvimento - é aquele risco que não pode ser
identificado quando da colocação do produto no mercado de consumo,
porém, em razão do avanço científico, posteriormente, descobre-se algum
risco que ele produz. Nesse caso, a maioria da doutrina consumerista
entende que mesmo assim deve o fornecedor responder, justamente por
ele ser responsável pelos riscos de seu negócio.

15) Teoria unitária da responsabilidade - no Direito do Consumidor, não


é importante a diferenciação entre responsabilidade contratual e
extracontratual (aquilina).

16) Fortuito interno x externo.

O interno é aquele que se liga à organização da empresa,


ligando-se aos riscos da atividade desenvolvida pelo fornecedor, não
podendo, assim, configurar-se como clausula excludente.

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O fortuito externo, por sua vez, é fato estranho à organização
do negócio, não guardando nenhuma ligação com a atividade negocial do
fornecedor.

18) Obsolescência programada - Leonardo de Medeiros Garcia cita


Hildeliza Lacerda e Maria Madalena de Oliveira Rodrigues: dentre as
práticas abusivas, vem merecendo especial atenção a denominada
obsolescência programada, uma prática consistente em os fornecedores
lançarem no mercado de consumo produtos com vida útil cada vez
menor, fazendo com que o consumidor adquira outros em intervalos
mínimos de tempo, incentivando a produção desenfreada de
descartáveis. Diante dessa prática abusiva que se encontra vedada pela
lei, uma vez que certos produtos atualmente são fabricados com um
mínimo padrão de qualidade que, transcorrido o prazo de garantia,
tornam-se obsoletos, estragados, impróprios ao uso a que se destinam.

Podemos verificar tal fenômeno no que ocorre a produção de


vários celulares hodiernamente. É impressionante como apenas apos
alguns anos de usos se tornam praticamente descartáveis, lentíssimos e
com bateria funcionado apenas por algumas horas.

19) Hipervulneráveis - em voto de lavra do Min. Herman Berjamin, no


RESP 586.316, tratando a respeito de publicidade e informação, trouxe tal
termo para descrever aqueles que apresentam uma deficiência ainda
maior do que os consumidores comuns (que por sua essência já o são
vulneráveis). É o caso dos idosos e das crianças.

20) Publicidade x propaganda - Leonardo Medeiros Garcia disserta que


para a maioria da doutrina consumerista, em que pese parecerem os
termos sinônimos, os trata como distintos. O termo publicidade expressa
o fato de tornar publico, divulgar, o produto ou serviço, com o intuito de
aproximar o consumidor do fornecedor, promovendo o lucro da

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atividade comercial. Já o termo propaganda refere-se à ideia de se
difundir uma ideia, promovendo a adesão a um dado sistema ideológico,
seja ele politico, filosófico, religioso ou econômico.

21) Publicidade institucional x promocional.

Enquanto a institucional tem por objeto anunciar a empresa em


si, e não um produto ou serviço seu, a promocional tem por objetivo
divulgar o publico a comprar o produto ou contratar o serviço anunciado.
Leonardo de Medeiros da o exemplo da campanha da Ford em que houve
publicidade institucional durante a Segunda Guerra Mundial: Ha um
Ford em seu futuro.

22) Superendividamento - Segundo Leonardo de Medeiros Garcia,


citando Claudia Lima Marques, superendividamento pode ser definido
como impossibilidade global do devedor pessoa física, consumidor leigo
de pagar todas as suas dividas atuais e futuras de consumo(excluídas as
dividas com Fisco, delitos e alimentos). Busca-se, assim, tal como no
Direito Empresarial existe o instituto da falência e da recuperação de
empresas, soluções para esse caso. Tais soluções podem passar por
controle da publicidade, direito de arrependimento para prevenir o
superendividamento, dentre outras.

Pode ser:

- Ativo - em que o consumidor se endivida voluntariamente,


iludido muitas vezes pelos marketings das empresas Esse
ativo divide-se em consciente, em que o consumidor de má-fé
sabendo que não vai pagar as divida consome ainda mais, ou
inconsciente, que ocorre quando o consumidor age
impulsivamente de maneira imprudente e sem malicia, e
acaba gastando mais do que deveria sem fiscalizar.

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- Passivo - aquele que ocorre em decorrente dos denominados
acidentes da vida, tais como desemprego e divorcio.

Classificação importante, pois a doutrina consumerista,


encampada pela jurisprudência do STJ, entende que apenas o
superendividamento ativo inconsciente e o passivo é que merecem a
tutela estatal para que o Poder Público ajude-o a solucionar as suas
dividas.

23) Cláusula de decaimento - Refere-se ao art. 53 do CDC, proibindo


cláusula que determine a perda total das prestações pagas nos contratos
de compra e venda de moveis ou imóveis mediante pagamento de
prestações ou então nos contratos de alienação fiduciária em garantia.
Atenção: apenas a perda total é considerada abusiva, sendo possível a
perda parcial.

24) Greenwashing - Torna-se uma prática cada vez mais comum entre as
empresas dissimulando e disfarçando uma atuação ambiental quando,
em verdade, muitas vezes já era obrigar a tomar uma dada atitude.
Cumpre observar os ensinamentos de Fabio Bazanelli sobre o tema:

“Greenwash não inclui apenas informações


enganosas, mas principalmente o ato malicioso de
aumentar a importância de fatos irrelevantes e
disfarçar uma fraca atuação ambiental […] vem
sendo usado por ambientalistas para nomear
práticas de „responsabilidade ambiental‟,
promovidas por empresas, que não passam de ações
de marketing não vinculadas à estratégia do
negócio. […] Em um mundo em que a „Economia
Verde‟ e as boas práticas de sustentabilidade
ganham importância na decisão dos consumidores, e
em que boa parte dos ativos das empresas é

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intangível, parecer „verde‟ é cada vez mais
importante”¹ (Fábio Bazanelli) BAZANELLI, Fábio.
Revista RI, n.º 128. Rio de Janeiro: IMF editora.
Dezembro de 2008.

Assim sendo, o Greenwashing poderia ser traduzido como uma


“lavagem verde”, ou seja, uma apropriação da noção de “lavagem de
capitais”, mas feita com a preocupação ambiental global atual, portanto,
na verdade, uma prática maliciosa de “vender” um discurso
ambientalista, quando, na verdade, o fim é meramente econômico!

25) Maquiagem dos produtos – Ultimamente, é fácil ver nos


supermercados e farmácias, produtos antes adquiridos com certa forma e
embalagem, modificados, tanto na questão estética como na sua
quantidade, fazendo com que o consumidor menos atento, acabe levando
um produto com menor quantidade que o habitual sem perceber,
acreditando apenas na mudança da embalagem. Essa prática é
denominada de maquiagem de produtos.
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A redução do produto não é ilegal, mas a falta de informação
clara da modificação, essa sim é considerada uma prática desleal, pois,
diversas marcas já consagradas são adquiridas pelo hábito de se comprar
sem qualquer verificação quanto sua quantidade.

O direito de informação do inciso III do artigo 6º CDC é o


principal direito básico do CDC, informação esta como um
dever/obrigação do fornecedor que deve ser entendível, interpretável
pelo consumidor de mais baixo nível de escolaridade, de intelectualidade,
aos consumidores providos dos mais altos níveis de inteligência e
conhecimentos.

O STJ já vem decidindo sistematicamente no sentido da


ilegalidade de se alterar a quantidade do produto sem que se informe
expressamente ao consumidor isso.

Podemos ver o julgado em que tal vedação foi aplicada:

ADMINISTRATIVO. CONSUMIDOR.
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. VÍCIO DE
QUANTIDADE. VENDA DE REFRIGERANTE EM
VOLUME MENOR QUE O HABITUAL. REDUÇÃO
DE CONTEÚDO INFORMADA NA PARTE
INFERIOR DO RÓTULO E EM LETRAS
REDUZIDAS. INOBSERVÂNCIA DO DEVER DE
INFORMAÇÃO. DEVER POSITIVO DO
FORNECEDOR DE INFORMAR. VIOLAÇÃO DO
PRINCÍPIO DA CONFIANÇA. PRODUTO
ANTIGO NO MERCADO. FRUSTRAÇÃO DAS
EXPECTATIVAS LEGÍTIMAS DO
CONSUMIDOR. MULTA APLICADA PELO
PROCON. POSSIBILIDADE. ÓRGÃO DETENTOR
DE ATIVIDADE ADMINISTRATIVA DE
ORDENAÇÃO. PROPORCIONALIDADE DA

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MULTA ADMINISTRATIVA. SÚMULA 7/STJ.
ANÁLISE DE LEI LOCAL, PORTARIA E
INSTRUÇÃO NORMATIVA. AUSÊNCIA DE
NATUREZA DE LEI FEDERAL. SÚMULA 280/STF.
DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA.
REDUÇÃO DO "QUANTUM" FIXADO A TÍTULO
DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SÚMULA
7/STJ. 1. No caso, o Procon estadual instaurou
processo administrativo contra a recorrente pela
prática da infração às relações de consumo
conhecida como "maquiagem de produto" e
"aumento disfarçado de preços", por alterar
quantitativamente o conteúdo dos refrigerantes
"Coca Cola", "Fanta", "Sprite" e "Kuat" de 600 ml
para 500 ml, sem informar clara e precisamente aos
consumidores, porquanto a informação foi aposta na
parte inferior do rótulo e em letras reduzidas. Na
ação anulatória ajuizada pela recorrente, o Tribunal
de origem, em apelação, confirmou a improcedência
do pedido de afastamento da multa administrativa,
atualizada para R$ 459.434,97, e majorou os
honorários advocatícios para R$ 25.000,00. 2.
Hipótese, no cível, de responsabilidade objetiva em
que o fornecedor (lato sensu) responde
solidariamente pelo vício de quantidade do produto.
3. O direito à informação, garantia fundamental da
pessoa humana expressa no art. 5º, inciso XIV, da
Constituição Federal, é gênero do qual é espécie
também previsto no Código de Defesa do
Consumidor. 4. A Lei n. 8.078/1990 traz, entre os
direitos básicos do consumidor, a "informação
adequada e clara sobre os diferentes produtos e
serviços, com especificação correta de quantidade,
características, composição, qualidade e preço, bem
como sobre os riscos que apresentam" (art. 6º, inciso
III). 5. Consoante o Código de Defesa do
Consumidor, "a oferta e a apresentação de produtos
ou serviços devem assegurar informações corretas,
claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa
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sobre suas características, qualidades, quantidade,
composição, preço, garantia, prazos de validade e
origem, entre outros dados, bem como sobre os
riscos que apresentam à saúde e segurança dos
consumidores" (art. 31), sendo vedada a publicidade
enganosa, "inteira ou parcialmente falsa, ou, por
qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de
induzir em erro o consumidor a respeito da
natureza, características, qualidade, quantidade,
propriedades, origem, preço e quaisquer outros
dados sobre produtos e serviços" (art. 37). 6. O dever
de informação positiva do fornecedor tem
importância direta no surgimento e na manutenção
da confiança por parte do consumidor. A informação
deficiente frustra as legítimas expectativas do
consumidor, maculando sua confiança. 7. A sanção
administrativa aplicada pelo Procon reveste-se de
legitimidade, em virtude de seu poder de polícia
(atividade administrativa de ordenação) para
cominar multas relacionadas à transgressão da Lei n.
8.078/1990, esbarrando o reexame da
proporcionalidade da pena fixada no enunciado da
Súmula 7/STJ. 8. Leis locais, portarias e instruções
normativas refogem ao conceito de lei federal, não
podendo ser analisadas por esta Corte, ante o óbice,
por analogia, da Súmula 280/STF. 9. Os honorários
advocatícios fixados pela instância ordinária
somente podem ser revistos em recurso especial se o
"quantum" se revelar exorbitante, em respeito ao
disposto na Súmula 7/STJ. Recurso especial a que se
nega provimento. (STJ, Relator: Ministro
HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento:
14/05/2013, T2 - SEGUNDA TURMA)

26) Cadastro positivo - Segundo Flavio Tartuce, o art. 43 do CDC em


nenhum momento faz menção expressa ao cadastro negativo. Ocorre que,
como no Brasil existe o arraigado costume de se interpretar as normas em
detrimento do direito dos consumidores, sempre existiram cadastros

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negativos, dos consumidores que estavam devendo. O Cadastro Positivo
surgiu com a recente Lei 12.414/2011, disciplinando a formação e a
consulta a banco de dados com informações de adimplemento de pessoas
naturais ou pessoas jurídicas para a formação de histórico de credito. A
premissa fundamental do cadastro é que ele seja composto por
informações prestadas pelos próprios consumidores que tenham interesse
na concessão de credito. O cadastro é, assim, facultativo e não
obrigatório, pois pessoas que tem interesse de adquirir bens de consumo
a vista não necessitam de tal cadastro.

27) Puffing - O art. 30 do CDC estabelece o principio da vinculação


contratual a oferta. Ocorre que simples exagero, também denominado de
puffing, em que o fornecedor emprega expressões exageradas para
descrever o produto, como o melhor saber ou mais bonito, não obrigam o
próprio fornecedor. Obviamente, tais exagerados são empregados em um
sentido genérico para atrair o consumidor, que não pode exigir que o
produto seja o melhor de todos do mundo, segundo o seu gosto pessoal.

28) Teaser - Consiste em uma prática adotada pelas empresas, não


proibida pelo CDC, em criar expectativa ou curiosidade em relação aos
produtos ou serviços que serão lançados, com o fito de dar um maior
impacto anuncio. Como, por exemplo, o emprego da expressão: Vem aí o
filme mais aguardado do ano!

(BIBLIOGRAFIA: GARCIA, Leonardo de Medeiros. Coleção Leis


Especiais para Concursos - Direito do Consumidor - volume 1. Editora
Juspodivm. 9ª edição, 2015).

29) Credit Scoring - É um método desenvolvido para avaliação do risco


de concessão de crédito, a partir de modelos estatísticos, considerando
diversas variáveis, com atribuição de uma pontuação ao consumidor
avaliado (nota do risco de crédito). Essa prática comercial é lícita.

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30) Dano Moral Coletivo - O dano moral coletivo é a lesão na esfera
moral de uma comunidade, isto é, a violação de direito transindividual
de ordem coletiva, valores de uma sociedade atingidos do ponto de vista
jurídico, de forma a envolver não apenas a dor psíquica, mas qualquer
abalo negativo à moral da coletividade, pois o dano é, na verdade, apenas
a consequência da lesão à esfera extrapatrimonial de uma pessoa.

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DIREITO DO CONSUMIDOR
- Julgados mais importantes de 2014 -

DECISÃO 01:

RECURSO ESPECIAL. DIREITO DO CONSUMIDOR.


AÇÃO DE COMPENSAÇÃO POR DANO MORAL.
AQUISIÇÃO DE GARRAFA DE REFRIGERANTE
CONTENDO CORPO ESTRANHO EM SEU CONTEÚDO.
NÃO INGESTÃO. EXPOSIÇÃO DO CONSUMIDOR A
RISCO CONCRETO DE LESÃO À SUA SAÚDE E
SEGURANÇA. FATO DO PRODUTO. EXISTÊNCIA DE
DANO MORAL. VIOLAÇÃO DO DEVER DE NÃO
ACARRETAR RISCOS AO CONSUMIDOR. OFENSA AO
DIREITO FUNDAMENTAL À ALIMENTAÇÃO
ADEQUADA. ARTIGOS ANALISADOS: 4º, 8º, 12 e 18, CDC
e 2º, Lei 11.346/2006. 1. Ação de compensação por dano moral,
ajuizada em 20/04/2007, da qual foi extraído o presente recurso
especial, concluso ao Gabinete em 10/06/2013. 2. Discute-se o
dever do fabricante de indenizar consumidor que adquire
garrafa de refrigerante com corpo estranho em seu conteúdo,
mas não chega a ingerir o produto. 3. A aquisição de produto
de gênero alimentício contendo em seu interior corpo
estranho, expondo o consumidor à risco concreto de lesão à
sua saúde e segurança, ainda que não ocorra a ingestão de seu
conteúdo, dá direito à compensação por dano moral, dada a
ofensa ao direito fundamental à alimentação adequada,
corolário do princípio da dignidade da pessoa humana. 4.
Hipótese em que se caracteriza defeito do produto (art. 12,
CDC), o qual expõe o consumidor à risco concreto de dano à
sua saúde e segurança, em clara infringência ao dever legal
dirigido ao fornecedor, previsto no art. 8º do CDC. 5. Recurso
especial não provido. (REsp 1.424.304-SP, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 11/3/2014).

COMENTÁRIO:
Dano moral devido à aquisição de produto de gênero alimentício
contendo em seu interior corpo estranho. O STJ entende que ainda que

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não ocorra à ingestão do conteúdo do produto, a presença do corpo
estranho, expõe o consumidor a risco concreto de lesão à sua saúde e
segurança, dando, portanto direito à indenização por dano moral. A
responsabilidade do fornecedor em reparar o dano extrapatrimonial
causado ao consumidor é fruto da exposição deste ao risco concreto, e
não ao dano concreto, ocasionado por defeito no produto fornecido. O
fato do produto/serviço gera um acidente de consumo causando dano à
pessoa do consumidor. No caso, em que pese o consumidor não ter
ingerido o refrigerante, o STJ considerou que houve fato do produto!
Desse modo, ante a infringência ao dever legal dirigido ao fornecedor,
previsto no art. 8º do CDC, exige-se a pronta responsabilidade pelos
danos morais ou extrapatrimoniais acarretados ao consumidor.

DECISÃO 02: IMPORTANTÍSSIMO!

AGRAVOS REGIMENTAIS NO RECURSO ESPECIAL.


CIVIL E PROCESSO CIVIL. DANO AMBIENTAL. PRAZO
PRESCRICIONAL. TERMO INICIAL. INCIDÊNCIA DO
CDC. 1. Contaminação do solo e do lençol freático,
ocasionado por produtos químicos utilizados no tratamento
de madeira destinada à fabricação de postes de luz, na região
metropolitana, nas proximidades da cidade de Triunfo, no
Estado do Rio Grande do Sul. 2. Por não haver como se
presumir da notificação pública ocorrida (2005) os efeitos
nocivos à saúde da população local em decorrência do
acidente ambiental, o termo inicial conta-se da ciência
inequívoca dos efeitos decorrentes do ato lesivo (REsp n.
346489⁄RS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA,
TERCEIRA TURMA, julgado em 11⁄06⁄2013, DJe 26⁄08⁄2013). 3.
Entendimento pessoal no sentido da incidência do regime
jurídico do CDC com aplicação do prazo prescricional de 5
anos, previsto no artigo 27 do CDC, por se tratar de acidente
de consumo que se enquadra, simultaneamente, nos artigos 12
(fato do produto) e 14 (fato do serviço) do CDC. 4. A regra do
art. 17 do CDC, ampliando o conceito básico de consumidor
do art. 2º, determina a aplicação do microssistema normativo
do consumidor a todas as vítimas do evento danoso,
protegendo os chamados “bystandars”, que são as vítimas

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inocentes de acidentes de consumo. 5. AGRAVOS
REGIMENTAIS DESPROVIDOS. (AgRg no REsp 1.365.277-
RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em
20/2/2014).

COMENTÁRIO:
Incidência do CDC em dano ambiental decorrente de contaminação do
solo e do lençol freático, ocasionado por produtos químicos utilizados
no tratamento de madeira destinada à fabricação de postes de luz. O
prazo prescricional da pretensão indenizatória de quem sofreu danos
pessoais decorrentes de dano ambiental originado por produtos com
efeitos nocivos à saúde, utilizados por empresas no exercício de sua
atividade, conta-se da data do conhecimento do dano e de sua autoria.
Ademais, o ato lesivo também é considerado como acidente de
consumo, se enquadra simultaneamente nos arts. 12 (fato do produto) e
14 (fato do serviço). Ademais, foi aplicado o conceito de consumidor
por equiparação do art. 2º, determina a aplicação do microssistema
normativo do consumidor a todas as vítimas do evento danoso,
protegendo os chamados bystanders - vítimas inocentes de acidentes de
consumo. Consequentemente, a prescrição é regulada pela norma do
art. 27, CDC, que estabelece um prazo de cinco anos.

DECISÃO 03:

DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. REGIME JURÍDICO


APLICÁVEL EM AÇÃO REGRESSIVA PROMOVIDA PELA
SEGURADORA CONTRA COMPANHIA AÉREA DE
TRANSPORTE CAUSADORA DO DANO. Quando não
incidir o CDC, mas, sim, a Convenção de Varsóvia, na relação
jurídica estabelecida entre a companhia aérea causadora de
dano à mercadoria por ela transportada e o segurado –
proprietário do bem danificado –, a norma consumerista,
também, não poderá ser aplicada em ação regressiva
promovida pela seguradora contra a transportadora. Isso
porque a subrogação transfere ao novo credor todos os
direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, em
relação à dívida, contra o devedor principal e os fiadores.
Nessa linha, tratando-se de ação regressiva promovida pela
seguradora contra o causador do dano, a jurisprudência do
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STJ confere àquela os mesmo direitos, ações e privilégios do
segurado a quem indenizou. Portanto, inexistindo relação de
consumo entre o segurado – proprietário do bem danificado –
e a transportadora, não incide as regras específicas do CDC,
mas, sim, a Convenção de Varsóvia na ação regressiva
ajuizada pela seguradora contra a companhia aérea causadora
do dano. Precedente citado: REsp 982.492-SP, Quarta Turma,
Dje 17/10/2011; e REsp 705.148-PR, Quarta Turma, DJe
1º/3/2011. (REsp 1.162.649-SP, Rel. originário Min. Luis Felipe
Salomão, Rel. para acórdão Min. Antonio Carlos Ferreira,
julgado em 13/5/2014).

COMENTÁRIO:
Inaplicabilidade do CDC ao contrato de transporte internacional de
mercadoria destinada a incrementar a atividade comercial da
contratante. Segundo o STJ, para este caso, o CDC não prevalece sobre a
Convenção de Varsóvia, visto que o contrato de transporte teve por
objeto equipamento adquirido no exterior para incrementar a atividade
comercial de sociedade empresária, que não se afigure vulnerável na
relação jurídico-obrigacional. Não há como considerar a importadora
destinatária final do ato complexo de importação nem dos atos e
contratos intermediários, entre eles o contrato de transporte, para o
propósito da tutela protetiva da legislação consumerista, sobretudo
porque a mercadoria importada irá integrar a cadeia produtiva dos
serviços prestados pela empresa contratante do transporte. Neste
contexto, aplica-se, no caso em análise, o mesmo entendimento adotado
pelo STJ nos casos de financiamento bancário ou de aplicação
financeira com o propósito de ampliar capital de giro e de fomentar a
atividade empresarial. O capital obtido da instituição financeira,
evidentemente, destina-se, apenas, a fomentar a atividade industrial,
comercial ou de serviços e, com isso, ampliar os negócios e o lucro. Daí
que nessas operações não se aplica o CDC, pela ausência da figura do
consumidor, definida no art. 2º do referido diploma.

DECISÃO 04:

RECURSO ESPECIAL. CONSUMIDOR.


RESPONSABILIDADE CIVIL. INSTITUIÇÃO

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FINANCEIRA. DANO MORAL. INSCRIÇÃO INDEVIDA
EM ÓRGÃO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO. EMISSÃO DE
CHEQUES SEM FUNDO. TALONÁRIO DE CHEQUES
INDEVIDAMENTE ENTREGUE A TERCEIRO, NÃO
CORRENTISTA. EMISSÃO DE VÁRIOS CHEQUES EM
NOME DA CONSUMIDORA. PRAZO PRESCRICIONAL.
FATO DO SERVIÇO. APLICAÇÃO DO ART. 27 DO CDC. 1.
Demanda indenizatória movida por correntista contra
instituição financeira em face da entrega talonário de cheques
a terceiro, com a emissão de várias cártulas devolvidas,
gerando a sua inscrição indevida em órgãos de proteção ao
crédito. 2. Caracterização do fato do serviço, disciplinado no
art. 14 do CDC, em face da defeituosa prestação de serviço
pela instituição bancária, não atendendo à segurança
legitimamente esperada pelo consumidor. 3. Aplicação do
prazo prescricional previsto no art. 27 do CDC. 4. Recurso
especial provido. (REsp 1.254.883-PR, Rel. Min. Paulo de
Tarso Sanseverino, julgado em 3/4/2014.)

COMENTÁRIO:
Incidência do art. 27 do CDC ante a caracterização de fato do serviço. O
STJ assevera que o serviço defeituoso da instituição financeira que não
forneceu a segurança legitimamente esperada pelo correntista é cabível
de reparação pelos danos causados, prescrevendo a pretensão do
consumidor lesado em cinco anos. Instituições financeiras respondem
objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes
e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias -
súmula 479. Ademais, a doutrina, analisando a falha no serviço de
banco de dados, tem interpretado o CDC de modo a enquadrá-la,
também, como fato do serviço. Ante o exposto, incidindo o art. 14, CDC,
deve ser aplicado, por consequência, o prazo prescricional previsto no
art. 27 do mesmo estatuto legal, segundo o qual prescreve em cinco
anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do serviço,
iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e
de sua autoria.

DECISÃO 05:

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PROCESSUAL CIVIL E CONSUMIDOR. TAXA DE
EMISSÃO DE BOLETO BANCÁRIO – TEB. COBRANÇA.
ILEGALIDADE. AÇÃO CIVIL PÚBLICA PARA
RESSARCIMENTO DOS VALORES. CABIMENTO.
SENTENÇA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA PARA DEFESA DE
DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS COM
EXPLICITAÇÃO DA FORMA DE LIQUIDAÇÃO E
ESTABELECIMENTO DE MEIOS TENDENTES A
CONFERIR MAIOR EFETIVIDADE AO JULGADO.
POSSIBILIDADE. JUROS DE MORA. DIES A QUO
CITAÇÃO NA AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LIMITES
SUBJETIVOS DA SENTENÇA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA.
COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO PROLATOR. PRESCRIÇÃO.
DECLARAÇÃO DE OFÍCIO PELO JUIZ. POSSIBILIDADE.
LIMITES. 1. Sendo os serviços prestados pela instituição
financeira remunerados pela tarifa interbancária, a cobrança
de taxa dos consumidores pelo pagamento mediante boleto
constitui enriquecimento sem causa, pois caracteriza dupla
remuneração pelo mesmo serviço, importando em vantagem
exagerada e abusiva em detrimento dos consumidores,.2. Em
sentido lato, os interesses individuais homogêneos não
deixam de ser também interesses coletivos. Porém, em se
tratando de direitos coletivos em sentido estrito, de natureza
indivisível, estabelece-se uma diferença essencial frente aos
direitos individuais homogêneos, que se caracterizam pela
sua divisibilidade. Isso porque, embora os direitos
individuais homogêneos se originem de uma mesma
circunstância de fato, esta compõe somente a causa de pedir
da ação, já que o pedido em si consiste na reparação do dano
(divisível) individualmente sofrido por cada prejudicado. 3. O
mero reconhecimento da ilegalidade na cobrança da taxa de
emissão de boleto caracteriza um interesse coletivo em
sentido estrito, mas a pretensão de restituição dos valores
indevidamente cobrados a esse título evidencia um interesse
individual homogêneo, perfeitamente tutelável pela via da
ação civil pública. 4. Nada impede que decisão de ação para
defesa de direitos individuais homogêneos contenha
determinações que explicitem a forma de liquidação e/ou
estabeleça meios tendentes a lhe conferir maior efetividade,
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desde que essas medidas se voltem uniformemente para todos
os interessados, mantendo o caráter indivisível do julgado,
com o que não haverá desvirtuamento da natureza genérica da
condenação, imposta pelo art. 95 do CDC. 5. Embora a
condenação imposta nas ações para tutela de direitos
individuais homogêneos deva ser genérica, não podendo
entrar no mérito dos prejuízos sofridos por cada interessado,
ela irá necessariamente versar sobre o ressarcimento dos
danos causados, reconhecendo o ato ilícito praticado pelo réu,
o que, por conseguinte, já o constitui em mora desde a citação
para responder aos termos da ação civil pública, nos termos
do art. 219 do CPC. 6. Nos termos da jurisprudência do STJ, a
sentença na ação civil pública faz coisa julgada erga omnes
nos limites da competência territorial do órgão prolator, nos
termos do art. 16 da Lei nº 7.347/85, Com a nova redação
conferida pela Lei nº 9.494/97. 7. Se o órgão prolator da
decisão é o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do
Sul, infere-se que o acórdão tem eficácia em toda a extensão
territorial daquela unidade da Federação. 8. A interpretação
lógico-sistemática do art. 219, § 5º, do CPC, permite inferir
que o julgador poderá, a qualquer tempo e grau de jurisdição,
declarar de ofício a prescrição, ou seja, reconhecer que
determinado direito, submetido ao crivo do Poder Judiciário,
se encontra prescrito, dando azo à extinção do processo com
resolução do mérito, nos termos do art. 269, IV, do CPC. O
interesse público que faculta o reconhecimento da prescrição
de ofício e a qualquer tempo deriva da inconveniência de se
prosseguir com processo em que haja perda do direito de
ação. Nesse caso, há violação direta do princípio da economia
processual. Mas esse mesmo interesse público não está
presente nas discussões em que se busca apenas uma
declaração incidental do prazo prescricional, cuja definição
não terá o condão de acarretar a extinção da ação. Nessa
hipótese, não se admitirá a intervenção de ofício do Juiz, de
modo que, inexistente recurso abordando o tema, será defeso
ao Tribunal manifestar-se, sob pena de violação do princípio
contido no art. 515 do CPC, que veda a reformatio in pejus 9.
Recurso especial parcialmente provido. (REsp 1.304.953-RS,
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/8/2014).
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COMENTÁRIO:
O STJ entende que a instituição financeira pode ser condenada a restituir
os valores indevidamente cobrados a título de Taxa de Emissão de Boleto
Bancário, TEB, dos usuários de seus serviços. Ademais, assevera o
reconhecimento da ilegalidade da TEB caracteriza um interesse coletivo
em sentido estrito, mas a pretensão de restituição dos valores
indevidamente cobrados a esse título evidencia um interesse individual
homogêneo, perfeitamente tutelável pela via da ação civil pública. Nada
impede que decisão de ação para defesa de direitos individuais
homogêneos contenha determinações que explicitem a forma de
liquidação e/ou estabeleça meios tendentes a lhe conferir maior
efetividade, desde que essas medidas se voltem uniformemente para
todos os consumidores interessados, mantendo o caráter indivisível do
julgado, com o que não haverá desvirtuamento da natureza genérica da
condenação, imposta pelo art. 95 do CDC.

DECISÃO 06:

EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL.


RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA. CONSTITUIÇÃO
FEDERAL. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.
CORREIOS. CARTA REGISTRADA. EXTRAVIO. DANOS
MORAIS. IN RE IPSA. 1. As empresas públicas prestadoras
de serviços públicos submetem-se ao regime de
responsabilidade civil objetiva, previsto no art. 37, § 6º, da
Constituição Federal e nos arts. 14 e 22 do Código de Defesa
do Consumidor. 2. No caso, a contratação de serviços postais
oferecidos pelos Correios, por meio de tarifa especial, para
envio de carta registrada, que permite o posterior
rastreamento pelo próprio órgão de postagem revela a
existência de contrato de consumo, devendo a fornecedora
responder objetivamente ao cliente por danos morais
advindos da falha do serviço quando não comprovada a
efetiva entrega. 3. É incontroverso que o embargado sofreu
danos morais decorrentes do extravio de sua correspondência,
motivo pelo qual o montante indenizatório fixado em R$
1.000,00 (mil reais) pelas instâncias ordinárias foi mantido

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pelo acórdão proferido pela Quarta Turma, porquanto
razoável, sob pena de enriquecimento sem causa. 4. Embargos
de divergência não providos. (EREsp 1.097.266-PB, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 10/12/2014, DJe
24/2/2015).

COMENTÁRIO:
Dano moral in re ipsa no caso de extravio de carta registrada. O STJ
entende que, se a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT não
comprova a efetiva entrega de carta registrada postada por consumidor
nem demonstra causa excludente de responsabilidade, há de se
reconhecer o direito a reparação por danos morais in re ipsa - que exonera
o consumidor do encargo de demonstrar o dano que, embora imaterial, é
de notória existência - desde que o consumidor comprove minimamente a
celebração do contrato de entrega da carta registrada.

DECISÃO 07: IMPORTANTÍSSIMO!

DIREITO COLETIVO E DIREITO DO CONSUMIDOR.


AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PLANO DE SAÚDE. CLÁUSULA
RESTRITIVA ABUSIVA. AÇÃO HÍBRIDA. DIREITOS
INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS, DIFUSOS E COLETIVOS.
DANOS INDIVIDUAIS. CONDENAÇÃO. APURAÇÃO EM
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. DANOS MORAIS
COLETIVOS. CONDENAÇÃO. POSSIBILIDADE, EM TESE.
NO CASO CONCRETO DANOS MORAIS COLETIVOS
INEXISTENTES. 1. As tutelas pleiteadas em ações civis
públicas não são necessariamente puras e estanques. Não é
preciso que se peça, de cada vez, uma tutela referente a direito
individual homogêneo, em outra ação uma de direitos
coletivos em sentido estrito e, em outra, uma de direitos
difusos, notadamente em se tratando de ação manejada pelo
Ministério Público, que detém legitimidade ampla no
processo coletivo. Isso porque embora determinado direito
não possa pertencer, a um só tempo, a mais de uma categoria,
isso não implica dizer que, no mesmo cenário fático ou
jurídico conflituoso, violações simultâneas de direitos de
mais de uma espécie não possam ocorrer. 2. No caso concreto,

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trata-se de ação civil pública de tutela híbrida. Percebe-se que:
(a) há direitos individuais homogêneos referentes aos
eventuais danos experimentados por aqueles contratantes que
tiveram tratamento de saúde embaraçado por força da
cláusula restritiva tida por ilegal; (b) há direitos coletivos
resultantes da ilegalidade em abstrato da cláusula contratual
em foco, a qual atinge igualmente e de forma indivisível o
grupo de contratantes atuais do plano de saúde; (c) há direitos
difusos, relacionados aos consumidores futuros do plano de
saúde, coletividade essa formada por pessoas indeterminadas
e indetermináveis. 3. A violação de direitos individuais
homogêneos não pode, ela própria, desencadear um dano que
também não seja de índole individual, porque essa separação
faz parte do próprio conceito dos institutos. Porém, coisa
diversa consiste em reconhecer situações jurídicas das quais
decorrem, simultaneamente, violação de direitos individuais
homogêneos, coletivos ou difusos. Havendo múltiplos fatos
ou múltiplos danos, nada impede que se reconheça, ao lado
do dano individual, também aquele de natureza coletiva. 4.
Assim, por violação a direitos transindividuais, é cabível, em
tese, a condenação por dano moral coletivo como categoria
autônoma de dano, a qual não se relaciona necessariamente
com aqueles tradicionais atributos da pessoa humana (dor,
sofrimento ou abalo psíquico). 5. Porém, na hipótese em
julgamento, não se vislumbram danos coletivos, difusos ou
sociais. Da ilegalidade constatada nos contratos de consumo
não decorreram consequências lesivas além daquelas
experimentadas por quem, concretamente, teve o tratamento
embaraçado ou por aquele que desembolsou os valores
ilicitamente sonegados pelo plano. Tais prejuízos, todavia,
dizem respeito a direitos individuais homogêneos, os quais só
rendem ensejo a condenações reversíveis a fundos públicos
na hipótese da fluid recovery , prevista no art. 100 do CDC.
Acórdão mantido por fundamentos distintos. 6. Recurso
especial não provido.(REsp 1.293.606-MG, Rel. Min. Luis
Felipe Salomão, julgado em 2/9/2014).

COMENTÁRIO:

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Hipótese de descabimento de condenação em indenização por dano
moral coletivo. O STJ assevera que não cabe condenação a reparar dano
moral coletivo quando, de cláusula de contrato de plano de saúde que
excluiu a cobertura de próteses cardíacas indispensáveis a procedimentos
cirúrgicos cobertos pelo plano, não tenham decorrido outros prejuízos
além daqueles experimentados por quem, concretamente, teve o
tratamento embaraçado ou teve de desembolsar os valores ilicitamente
sonegados pelo plano.

DECISÃO 08:

COMPANHIA AÉREA. CONTRATO DE TRANSPORTE.


OBRIGAÇÃO DE RESULTADO. RESPONSABILIDADE
OBJETIVA. DANOS MORAIS. ATRASO DE VOO.
SUPERIOR A QUATRO HORAS. PASSAGEIRO
DESAMPARADO. PERNOITE NO AEROPORTO. ABALO
PSÍQUICO. CONFIGURAÇÃO. CAOS AÉREO. FORTUITO
INTERNO. INDENIZAÇÃO DEVIDA. 1. Cuida-se de ação
por danos morais proposta por consumidor desamparado pela
companhia aérea transportadora que, ao atrasar
desarrazoadamente o voo, submeteu o passageiro a toda sorte
de humilhações e angústias em aeroporto, no qual ficou sem
assistência ou informação quanto às razões do atraso durante
toda a noite. 2. O contrato de transporte consiste em obrigação
de resultado, configurando o atraso manifesta prestação
inadequada. 3. A postergação da viagem superior a quatro
horas constitui falha no serviço de transporte aéreo contratado
e gera o direito à devida assistência material e informacional
ao consumidor lesado, independentemente da causa
originária do atraso. 4. O dano moral decorrente de atraso de
voo prescinde de prova e a responsabilidade de seu causador
opera-se in re ipsa em virtude do desconforto, da aflição e dos
transtornos suportados pelo passageiro. 5. Em virtude das
especificidades fáticas da demanda, afigura-se razoável a
fixação da verba indenizatória por danos morais no valor de
R$ 10.000,00 (dez mil reais). 6. Recurso especial provido.
(REsp 1.280.372-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 7/10/2014).

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COMENTÁRIO:
Hipótese de dano moral in re ipsa provocado por companhia aérea. O
contrato de transporte consiste em obrigação de resultado,
configurando o atraso manifesta prestação inadequada. O atraso
decorreu de fortuito interno! O STJ entende que, no caso em que
companhia aérea, além de atrasar desarrazoadamente o voo de
passageiro, deixe de atender aos apelos deste, furtando-se a fornecer
tanto informações claras acerca do prosseguimento da viagem, em
especial, relativamente ao novo horário de embarque e ao motivo do
atraso, quanto alimentação e hospedagem, obrigando-o a pernoitar no
próprio aeroporto, tem-se por configurado dano moral indenizável in re
ipsa.

DECISÃO 9:

INSCRIÇÃO DO NOME DO DEVEDOR EM CADASTRO


DE INADIMPLENTES. RECURSO ESPECIAL
REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. QUITAÇÃO DA
DÍVIDA. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DO
REGISTRO ARQUIVADO EM BANCO DE DADOS DE
ÓRGÃO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO. INCUMBÊNCIA
DO CREDOR. PRAZO. À MÍNGUA DE DISCIPLINA
LEGAL, SERÁ SEMPRE RAZOÁVEL SE EFETUADO NO
PRAZO DE 5 (CINCO) DIAS ÚTEIS, A CONTAR DO DIA
ÚTIL SUBSEQUENTE À QUITAÇÃO DO DÉBITO. 1. Para
fins do art. 543-C do Código de Processo Civil: "Diante das
regras previstas no Código de Defesa do Consumidor, mesmo
havendo regular inscrição do nome do devedor em cadastro
de órgão de proteção ao crédito, após o integral pagamento da
dívida, incumbe ao credor requerer a exclusão do registro
desabonador, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, a contar do
primeiro dia útil subsequente à completa disponibilização do
numerário necessário à quitação do débito vencido". 2.
Recurso especial não provido. (REsp 1.424.792-BA, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 10/9/2014).

COMENTÁRIO:

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O STJ entende que mesmo havendo regular inscrição do nome do
devedor em cadastro de órgão de proteção ao crédito, após o integral
adimplemento, incumbe ao credor requerer a exclusão do registro de
inadimplentes, no prazo de cinco dias úteis, a contar do primeiro dia
útil subsequente à completa disponibilização do numerário necessário
à quitação do débito vencido. A jurisprudência consolidada da Corte
adota o entendimento de que, quando se trata de inscrição em bancos de
dados restritivos de crédito, tem-se entendido ser do credor, e não do
devedor, o ônus da baixa da indicação do nome do consumidor, em
virtude do que dispõe o art. 43, § 3º que fixa o prazo e a atribuição do
arquivista, combinado com o art. 73, ambos do CDC. Podendo o
consumidor exigir a imediata alteração, constituindo crime o credor ou
terceiro responsável que “deixar de corrigir imediatamente informação
sobre consumidor constante de cadastro, banco de dados, fichas ou
registros que sabe ou deveria saber ser inexata”.

DECISÃO 10:

RECURSO ESPECIAL. CIVIL. SEGURO EMPRESARIAL.


VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA.
PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO DA PRÓPRIA PESSOA
JURÍDICA. DESTINATÁRIA FINAL DOS SERVIÇOS
SECURITÁRIOS. RELAÇÃO DE CONSUMO.
CARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DO CDC. COBERTURA
CONTRATUAL CONTRA ROUBO/FURTO QUALIFICADO.
OCORRÊNCIA DE FURTO SIMPLES. INDENIZAÇÃO
DEVIDA. CLÁUSULA CONTRATUAL ABUSIVA. FALHA
NO DEVER GERAL DE INFORMAÇÃO AO
CONSUMIDOR. 1. Não há falar em negativa de prestação
jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente
sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do
direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido
pretendido pela parte. 2. Consumidor é toda pessoa física ou
jurídica que adquire ou utiliza, como destinatário final,
produto ou serviço oriundo de um fornecedor. Por sua vez,
destinatário final, segundo a teoria subjetiva ou finalista,
adotada pela Segunda Seção desta Corte Superior, é aquele
que ultima a atividade econômica, ou seja, que retira de

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circulação do mercado o bem ou o serviço para consumi-lo,
suprindo uma necessidade ou satisfação própria, não
havendo, portanto, a reutilização ou o reingresso dele no
processo produtivo. Logo, a relação de consumo (consumidor
final) não pode ser confundida com relação de insumo
(consumidor intermediário). 3. Há relação de consumo no
seguro empresarial se a pessoa jurídica o firmar visando a
proteção do próprio patrimônio (destinação pessoal), sem o
integrar nos produtos ou serviços que oferece, mesmo que
seja para resguardar insumos utilizados em sua atividade
comercial, pois será a destinatária final dos serviços
securitários. Situação diversa seria se o seguro empresarial
fosse contratado para cobrir riscos dos clientes, ocasião em
que faria parte dos serviços prestados pela pessoa jurídica, o
que configuraria consumo intermediário, não protegido pelo
CDC. 4. A cláusula securitária a qual garante a proteção do
patrimônio do segurado apenas contra o furto qualificado,
sem esclarecer o significado e o alcance do termo
"qualificado", bem como a situação concernente ao furto
simples, está eivada de abusividade por falha no dever geral
de informação da seguradora e por sonegar ao consumidor o
conhecimento suficiente acerca do objeto contratado. Não
pode ser exigido do consumidor o conhecimento de termos
técnico-jurídicos específicos, ainda mais a diferença entre
tipos penais de mesmo gênero. 5. Recurso especial provido.
(REsp 1.352.419-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 19/8/2014).

COMENTÁRIO:
Aplicação do CDC a contrato de seguro empresarial: o STJ, adotando a
teoria subjetiva ou finalista, considera o destinatário final nas relações
de consumo aquele que retira de circulação do mercado o bem ou o
serviço para consumi-lo, suprindo uma necessidade ou satisfação
própria, não havendo a reutilização ou o reingresso dele no processo
produtivo, seja na revenda, no uso profissional, na transformação por
meio de beneficiamento ou montagem ou em outra forma indireta.
Assim, a relação de consumo - consumidor final, não pode ser
confundida com relação de insumo - consumidor intermediário. Existe

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relação de consumo entre a seguradora e a concessionária de veículos que
firmam seguro empresarial visando à proteção do patrimônio desta -
destinação pessoal, mesmo que seja para resguardar insumos utilizados
em sua atividade comercial, mas sem integrar o seguro nos produtos ou
serviços que oferece, haverá caracterização de relação de consumo, pois
será aquela destinatária final dos serviços securitários. Situação diversa
seria se o seguro empresarial fosse contratado para cobrir riscos dos
clientes, ocasião em que faria parte dos serviços prestados pela pessoa
jurídica, o que configuraria consumo intermediário, não protegido pelo
CDC.

DECISÃO 11:

AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL.CIVIL.


DIREITO DO CONSUMIDOR. COMPRA DE AERONAVE
POR EMPRESA ADMINISTRADORA DE IMÓVEIS.
AQUISIÇÃO COMO DESTINATÁRIA FINAL. EXISTÊNCIA
DE RELAÇÃO DE CONSUMO. 1. Controvérsia acerca da
existência de relação de consumo na aquisição de aeronave
por empresa administradora de imóveis. 2.Produto adquirido
para atender a uma necessidade própria da pessoa jurídica,
não se incorporando ao serviço prestado aos clientes. 3.
Existência de relação de consumo, à luz da teoria finalista
mitigada. Precedentes. 4. AGRAVO REGIMENTAL
DESPROVIDO. (AgRg no REsp 1.321.083-PR, Rel. Min. Paulo
de Tarso Sanseverino, julgado em 9/9/2014).

COMENTÁRIO:
Configuração de relação de consumo entre pessoas jurídicas: o STJ,
adotando o conceito de consumidor da teoria finalista mitigada,
considera que a pessoa jurídica pode ser consumidora quando adquirir
o produto ou serviço como destinatária final, utilizando-o para atender
a uma necessidade sua, não de seus clientes.

DECISÃO 12:

RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE


CONTROVÉRSIA (ART. 543-C DO CPC). TEMA 710/STJ.

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DIREITO DO CONSUMIDOR. ARQUIVOS DE CRÉDITO.
SISTEMA "CREDIT SCORING". COMPATIBILIDADE COM
O DIREITO BRASILEIRO. LIMITES. DANO MORAL. I -
TESES: 1) O sistema "credit scoring" é um método
desenvolvido para avaliação do risco de concessão de crédito,
a partir de modelos estatísticos, considerando diversas
variáveis, com atribuição de uma pontuação ao consumidor
avaliado (nota do risco de crédito). 2) Essa prática comercial é
lícita, estando autorizada pelo art. 5º, IV, e pelo art. 7º, I, da
Lei n. 12.414/2011 (lei do cadastro positivo). 3) Na avaliação do
risco de crédito, devem ser respeitados os limites
estabelecidos pelo sistema de proteção do consumidor no
sentido da tutela da privacidade e da máxima transparência
nas relações negociais, conforme previsão do CDC e da Lei n.
12.414/2011. 4) Apesar de desnecessário o consentimento do
consumidor consultado, devem ser a ele fornecidos
esclarecimentos, caso solicitados, acerca das fontes dos dados
considerados (histórico de crédito), bem como as informações
pessoais valoradas. 5) O desrespeito aos limites legais na
utilização do sistema "credit scoring", configurando abuso no
exercício desse direito (art. 187 do CC), pode ensejar a
responsabilidade objetiva e solidária do fornecedor do
serviço, do responsável pelo banco de dados, da fonte e do
consulente (art. 16 da Lei n. 12.414/2011) pela ocorrência de
danos morais nas hipóteses de utilização de informações
excessivas ou sensíveis (art. 3º, § 3º, I e II, da Lei n.
12.414/2011), bem como nos casos de comprovada recusa
indevida de crédito pelo uso de dados incorretos ou
desatualizados. II - CASO CONCRETO: 1) Não conhecimento
do agravo regimental e dos embargos declaratórios
interpostos no curso do processamento do presente recurso
representativo de controvérsia; 2) Inocorrência de violação ao
art. 535, II, do CPC. 3) Não reconhecimento de ofensa ao art.
267, VI, e ao art. 333, II, do CPC. 4) Acolhimento da alegação
de inocorrência de dano moral "in re ipsa". 5) Não
reconhecimento pelas instâncias ordinárias da comprovação
de recusa efetiva do crédito ao consumidor recorrido, não
sendo possível afirmar a ocorrência de dano moral na espécie.
6) Demanda indenizatória improcedente. III - NÃO
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CONHECIMENTO DO AGRAVO REGIMENTAL E DOS
EMBARGOS DECLARATÓRIOS, E RECURSO ESPECIAL
PARCIALMENTE PROVIDO. (REsp 1.419.697-RS, Rel. Min.
Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 12/11/2014).

COMENTÁRIO:
Legalidade do sistema credit scoring - método desenvolvido para
avaliação do risco de concessão de crédito, a partir de modelos
estatísticos, considerando diversas variáveis, com atribuição de uma
pontuação ao consumidor avaliado, nota do risco de crédito: é uma
prática comercial lícita, autorizada pela Lei 12.414/2011, Lei do Cadastro
Positivo. É desnecessário o consentimento do consumidor consultado,
entretanto, devem ser a ele fornecidos esclarecimentos, caso solicitados,
acerca das fontes dos dados considerados, histórico de crédito, bem como
as informações pessoais valoradas. Na avaliação devem ser respeitados
os limites estabelecidos pelo sistema de proteção do consumidor no
sentido da tutela da privacidade e da máxima transparência nas
relações negociais, conforme previsão do CDC e da Lei 12.414/2011. O
desrespeito a esses limites legais na utilização do sistema em questão,
configurando abuso no exercício desse direito, pode ensejar a
responsabilidade objetiva e solidária do fornecedor do serviço, do
responsável pelo banco de dados, da fonte e do consulente, pela
ocorrência de danos morais nas hipóteses de utilização de informações
excessivas ou sensíveis, bem como nos casos de comprovada recusa
indevida de crédito pelo uso de dados incorretos ou desatualizados.

DECISÃO 13:

RECURSO ESPECIAL. SECURITÁRIO. PLANO DE SAÚDE.


INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 10, I, E 12 DA LEI 9.656/98.
TRATAMENTO EXPERIMENTAL. EXCLUSÃO DE
COBERTURA. DESCABIMENTO. INEXISTÊNCIA DE
TRATAMENTO CONVENCIONAL. INDICAÇÃO MÉDICA.
INSTITUIÇÃO DE SAÚDE RECONHECIDA. RECURSO
PROVIDO. 1. A Lei 9.656/98 garante aos segurados e
beneficiários de seguros e planos de saúde a fruição, no
mínimo, de exames, medicamentos, anestésicos, gases
medicinais, transfusões e sessões de quimioterapia e

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radioterapia, conforme prescrição médica. Com isso, as
seguradoras e operadoras são obrigadas a cobrir os referidos
meios, tratamentos e serviços necessários à busca da cura ou
controle de doença apresentada pelo paciente e listada na
Classificação Estatística Internacional de Doenças e
Problemas Relacionados com a Saúde, da Organização
Mundial de Saúde. 2. A interpretação conjunta dos arts. 10 e
12 da Lei 9.656/98 conduz à compreensão de que, na hipótese
de existir tratamento convencional, com perspectiva de
resposta satisfatória, não pode o paciente, às custas da
seguradora ou operadora de plano de saúde, optar por
tratamento experimental. Por outro lado, nas situações em que
os tratamentos convencionais não forem suficientes ou
eficientes, fato atestado pelos médicos que acompanham o
caso, existindo, no País, tratamento experimental, em
instituição de reputação científica reconhecida, com indicação
para a doença, a seguradora ou operadora deve arcar com os
custos do tratamento, na medida em que este passa a ser o
único de real interesse para o contratante, configurando o
tratamento mínimo garantido pelo art. 12 da Lei. 3. Assim, a
restrição contida no art. 10, I, da Lei 9.656/98 somente deve ter
aplicação quando houver tratamento convencional eficaz para
o segurado. 4. Divergência de fundamentação na formação da
maioria. 5. Recurso especial provido. (REsp 1.279.241-SP, Rel.
Min. Raul Araújo, julgado em 16/9/2014).

COMENTÁRIO:
Possibilidade de seguradora ou operadora de plano de saúde custear
tratamento experimental: o art. 12 da Lei 9.656/1998 determina as
coberturas mínimas que devem ser garantidas aos segurados e
beneficiários dos planos de saúde e em seu art. 10, I, estabelece que as
seguradoras ou operadoras de plano de saúde podem excluir da
cobertura o tratamento clínico ou cirúrgico experimental. Tal restrição,
porém, não é absoluta. O STJ assevera que a referida restrição somente
deve ter aplicação nas hipóteses em que os tratamentos convencionais
mínimos garantidos pelo art. 12 sejam de fato úteis e eficazes para o
contratante segurado. Portanto, nas situações em que os tratamentos
convencionais não forem suficientes ou eficientes, fato atestado pelos

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médicos que acompanham o caso, existindo, no País, tratamento
experimental, em instituição de reputação científica reconhecida, com
indicação para a doença, a seguradora ou operadora deve arcar com os
custos do tratamento, na medida em que este passa a ser o único de real
interesse para o contratante, configurando o tratamento mínimo
garantido pelo art. 12 da Lei.

DECISÃO 14:

RECURSO ESPECIAL. CIVIL. AÇÃO REVISIONAL DE


CONTRATO DE COMPRA E VENDA. DÓLAR
AMERICANO. MAXIDESVALORIZAÇÃO DO REAL.
AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTO PARA ATIVIDADE
PROFISSIONAL. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DE
CONSUMO. TEORIAS DA IMPREVISÃO. TEORIA DA
ONEROSIDADE EXCESSIVA. TEORIA DA BASE
OBJETIVA. INAPLICABILIDADE. 1. Ação proposta com a
finalidade de, após a maxidesvalorização do real em face do
dólar americano, ocorrida a partir de janeiro de 1999,
modificar cláusula de contrato de compra e venda, com
reserva de domínio, de equipamento médico (ultrassom),
utilizado pelo autor no exercício da sua atividade profissional
de médico, para que, afastada a indexação prevista, fosse
observada a moeda nacional. 2. Consumidor é toda pessoa
física ou jurídica que adquire ou utiliza, como destinatário
final, produto ou serviço oriundo de um fornecedor. Por sua
vez, destinatário final, segundo a teoria subjetiva ou finalista,
adotada pela Segunda Seção desta Corte Superior, é aquele
que ultima a atividade econômica, ou seja, que retira de
circulação do mercado o bem ou o serviço para consumi-lo,
suprindo uma necessidade ou satisfação própria, não
havendo, portanto, a reutilização ou o reingresso dele no
processo produtivo. Logo, a relação de consumo (consumidor
final) não pode ser confundida com relação de insumo
(consumidor intermediário). Inaplicabilidade das regras
protetivas do Código de Defesa do Consumidor. 3. A
intervenção do Poder Judiciário nos contratos, à luz da teoria
da imprevisão ou da teoria da onerosidade excessiva, exige a
demonstração de mudanças supervenientes das circunstâncias
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iniciais vigentes à época da realização do negócio, oriundas de
evento imprevisível (teoria da imprevisão) e de evento
imprevisível e extraordinário (teoria da onerosidade
excessiva), que comprometa o valor da prestação,
demandando tutela jurisdicional específica. 4. O histórico
inflacionário e as sucessivas modificações no padrão
monetário experimentados pelo país desde longa data até
julho de 1994, quando sobreveio o Plano Real, seguido de
período de relativa estabilidade até a maxidesvalorização do
real em face do dólar americano, ocorrida a partir de janeiro
de 1999, não autorizam concluir pela imprevisibilidade desse
fato nos contratos firmados com base na cotação da moeda
norte-americana, em se tratando de relação contratual
paritária. 5. A teoria da base objetiva, que teria sido
introduzida em nosso ordenamento pelo art. 6º, inciso V, do
Código de Defesa do Consumidor - CDC, difere da teoria da
imprevisão por prescindir da previsibilidade de fato que
determine oneração excessiva de um dos contratantes. Tem
por pressuposto a premissa de que a celebração de um
contrato ocorre mediante consideração de determinadas
circunstâncias, as quais, se modificadas no curso da relação
contratual, determinam, por sua vez, consequências diversas
daquelas inicialmente estabelecidas, com repercussão direta
no equilíbrio das obrigações pactuadas. Nesse contexto, a
intervenção judicial se daria nos casos em que o contrato fosse
atingido por fatos que comprometessem as circunstâncias
intrínsecas à formulação do vínculo contratual, ou seja, sua
base objetiva. 6. Em que pese sua relevante inovação, tal
teoria, ao dispensar, em especial, o requisito de
imprevisibilidade, foi acolhida em nosso ordenamento
apenas para as relações de consumo, que demandam especial
proteção. Não se admite a aplicação da teoria do diálogo das
fontes para estender a todo direito das obrigações regra
incidente apenas no microssistema do direito do consumidor,
mormente com a finalidade de conferir amparo à revisão de
contrato livremente pactuado com observância da cotação de
moeda estrangeira. 7. Recurso especial não provido. (STJ,
Relator: Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, Data
de Julgamento: 16/12/2014, T3 - TERCEIRA TURMA).
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COMENTÁRIO:
Caso de inaplicabilidade do CDC: o STJ, adotando a teoria subjetiva ou
finalista, considera o destinatário final nas relações de consumo aquele
que retira de circulação do mercado o bem ou o serviço para consumi-lo,
suprindo uma necessidade ou satisfação própria, não havendo a
reutilização ou o reingresso dele no processo produtivo, seja na revenda,
no uso profissional, na transformação por meio de beneficiamento ou
montagem ou em outra forma indireta. Assim, a relação de consumo -
consumidor final, não pode ser confundida com relação de insumo -
consumidor intermediário. Dessa forma, concluiu o Superior Tribunal
de Justiça que não há relação de consumo, portanto não há amparo do
CDC, entre o fornecedor de equipamento médico-hospitatar e o médico
que firmam contrato de compra e venda de equipamento de ultrassom
com cláusula de reserva de domínio e de indexação ao dólar americano,
na hipótese em que o profissional de saúde tenha adquirido o objeto do
contrato para o desempenho de sua atividade econômica. Assim, ação
proposta com a finalidade de, após a maxidesvalorização do real em face
do dólar americano, modificar cláusula de contrato de compra e venda,
fato considerado previsível no contexto narrado, não teve o recurso
especial provido, tendo em vista que a teoria da base objetiva -
introduzida em nosso ordenamento pelo art. 6º, inciso V, CDC, e que
difere da teoria da imprevisão por dispensar o requisito da
imprevisibilidade de fato que determine oneração excessiva de um dos
contratantes - não pôde ser aplicada ao caso por não se tratar de relação
de consumo.

DECISÃO 15:

RECURSO ESPECIAL. CONSUMIDOR.


RESPONSABILIDADE POR VÍCIO DO PRODUTO.
VEÍCULO NOVO DEFEITUOSO. RESPONSABILIDADE
SOLIDÁRIA DO "BANCO DA MONTADORA"
INTEGRANTE DA CADEIA DE CONSUMO. APLICAÇÃO
DO ART. 18 DO CDC. VOTOS VENCIDOS. 1 - Demanda
movida por consumidor postulando a rescisão de contrato de
compra e venda de um automóvel (Golf) em razão de vício de
qualidade, bem como de arrendamento mercantil firmado
com o "banco da montadora" para financiamento do veículo. 2

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Venda Proibida!
- Responsabilidade solidária da instituição financeira
vinculada à concessionária do veículo ("banco da
montadora"), pois parte integrante da cadeia de consumo. 3 -
Distinção em relação às instituições financeiras que atuam
como "banco de varejo", apenas concedendo financiamento ao
consumidor para aquisição de um veículo novo ou usado sem
vinculação direta com o fabricante. 4 - Aplicação do art. 18 do
CDC. 5 - RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA
PROVIMENTO POR MAIORIA, COM DOIS VOTOS
VENCIDOS. (REsp 1.379.839-SP, Rel. originária Min. Nancy
Andrighi, Rel. para Acórdão Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 11/11/2014, DJe 15/12/2014).

COMENTÁRIO:
Possibilidade de rescisão de contrato de arrendamento mercantil
vinculado a contrato de compra e venda de automóvel, quando fora
firmado com instituição financeira pertencente ao mesmo grupo
econômico da montadora do veículo e não simplesmente “banco de
varejo”, que apenas concede financiamento ao consumidor para aquisição
de um veículo novo ou usado sem vinculação direta com o fabricante. O
CDC confere ao consumidor o direito de demandar contra quaisquer
dos integrantes da cadeia produtiva com o objetivo de alcançar a plena
reparação de prejuízos sofridos no curso da relação de consumo. Nesse
contexto, há uma ampliação do nexo de imputação para abranger
pessoas que, no sistema tradicional do Código Civil, não seriam
atingidas, como é o caso da instituição financeira integrante do mesmo
grupo econômico da montadora, também responsável pelos vícios ou
defeitos do veículo objeto da negociação.

DECISÃO 16:

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO


DO ART. 535 DO CPC. OMISSÃO INEXISTENTE. AÇÃO
CIVIL PÚBLICA. DIREITO DO CONSUMIDOR.
TELEFONIA. VENDA CASADA. SERVIÇO E APARELHO.
OCORRÊNCIA. DANO MORAL COLETIVO. CABIMENTO.
RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. 1. Trata-se de ação civil
pública apresentada ao fundamento de que a empresa de

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telefonia estaria efetuando venda casada, consistente em
impor a aquisição de aparelho telefônico aos consumidores
que demonstrassem interesse em adquirir o serviço de
telefonia. 2. Inexiste violação ao art. 535, II do CPC,
especialmente porque o Tribunal a quo apreciou a demanda
de forma clara e precisa e as questões de fato e de direito
invocadas foram expressamente abordadas, estando bem
delineados os motivos e fundamentos que a embasam,
notadamente no que concerne a alegação de falta de interesse
de agir do Ministério Público de Minas Gerais. 3. É cediço
que a marcha processual é orquestrada por uma cadeia
concatenada de atos dirigidos a um fim. Na distribuição da
atividade probatória, o julgador de primeiro grau procedeu à
instrução do feito de forma a garantir a ambos litigantes igual
paridade de armas. Contudo, apenas o autor da Ação Civil
Pública foi capaz de provar os fatos alegados na exordial. 4. O
art. 333 do Código de Processo Civil prevê uma distribuição
estática das regras inerentes à produção de prova. Cabe ao réu
o ônus da impugnação específica, não só da existência de
fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do
autor, como também da impropriedade dos elementos
probatórios carreados aos autos pela ex adversa. Nesse ponto,
mantendo-se silente o ora recorrido, correto o entendimento
de origem, no ponto em que determinou a incidência do art.
334, II, do CPC e por consequência, ter recebido os
documentos de provas do autor como incontroversos. 5. O fato
de ter as instâncias de origem desconsiderado a prova
testemunhal da recorrida - porquanto ouvida na qualidade de
informante - não está apto a configurar cerceamento de
defesa, pois a própria dicção do art. 405, § 4º, do CPC, permite
ao magistrado atribuir a esse testemunho o valor que possa
merecer, podendo, até mesmo, não lhe atribuir qualquer
valor. 6. Não tendo o autor sido capaz de trazer aos autos
provas concretas de sua escorreita conduta comercial, deve
suportar as consequências desfavoráveis à sua inércia. Fica,
pois, afastado possível violação aos arts. 267, VI, 333, II e 334,
II do CPC. 7. A possibilidade de indenização por dano moral
está prevista no art. 5º, inciso V, da Constituição Federal, não
havendo restrição da violação à esfera individual. A evolução
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da sociedade e da legislação têm levado a doutrina e a
jurisprudência a entender que, quando são atingidos valores e
interesses fundamentais de um grupo, não há como negar a
essa coletividade a defesa do seu patrimônio imaterial. 8. O
dano moral coletivo é a lesão na esfera moral de uma
comunidade, isto é, a violação de direito transindividual de
ordem coletiva, valores de uma sociedade atingidos do ponto
de vista jurídico, de forma a envolver não apenas a dor
psíquica, mas qualquer abalo negativo à moral da
coletividade, pois o dano é, na verdade, apenas a
consequência da lesão à esfera extrapatrimonial de uma
pessoa. 9. Há vários julgados desta Corte Superior de Justiça
no sentido do cabimento da condenação por danos morais
coletivos em sede de ação civil pública. Precedentes: EDcl no
AgRg no AgRg no REsp 1440847/RJ, Rel. Ministro MAURO
CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em
07/10/2014, DJe 15/10/2014, REsp 1269494/MG, Rel. Ministra
ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em
24/09/2013, DJe 01/10/2013; REsp 1367923/RJ, Rel. Ministro
HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em
27/08/2013, DJe 06/09/2013; REsp 1197654/MG, Rel. Ministro
HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em
01/03/2011, DJe 08/03/2012. 10. Esta Corte já se manifestou no
sentido de que "não é qualquer atentado aos interesses dos
consumidores que pode acarretar dano moral difuso, que dê
ensanchas à responsabilidade civil. Ou seja, nem todo ato
ilícito se revela como afronta aos valores de uma comunidade.
Nessa medida, é preciso que o fato transgressor seja de
razoável significância e desborde os limites da tolerabilidade.
Ele deve ser grave o suficiente para produzir verdadeiros
sofrimentos, intranquilidade social e alterações relevantes na
ordem extrapatrimonial coletiva. (REsp 1.221.756/RJ, Rel. Min.
MASSAMI UYEDA, DJe 10.02.2012). 11. A prática de venda
casada por parte de operadora de telefonia é capaz de romper
com os limites da tolerância. No momento em que oferece ao
consumidor produto com significativas vantagens - no caso, o
comércio de linha telefônica com valores mais interessantes
do que a de seus concorrentes - e de outro, impõe-lhe a
obrigação de aquisição de um aparelho telefônico por ela
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comercializado, realiza prática comercial apta a causar
sensação de repulsa coletiva a ato intolerável, tanto
intolerável que encontra proibição expressa em lei. 12.
Afastar, da espécie, o dano moral difuso, é fazer tabula rasa da
proibição elencada no art. 39, I, do CDC e, por via reflexa,
legitimar práticas comerciais que afrontem os mais basilares
direitos do consumidor. 13. Recurso especial a que se nega
provimento. (REsp 1.397.870-MG, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 2/12/2014, DJe 10/12/2014).

COMENTÁRIO:
Venda casada e dano moral in re ipsa: o art. 39, CDC, considera prática
abusiva o condicionamento do fornecimento de produto ou de serviço ao
fornecimento de outro produto ou serviço. Assim, considerou o STJ
configurado o dano moral coletivo in re ipsa - dano moral presumido,
que prescinde de prova da conduta, do dano e do nexo causal para a
configuração do dano moral - na realização de venda casada por
operadora de telefonia consistente na prática comercial de oferecer ao
consumidor produto com significativa vantagem - linha telefônica com
tarifas mais interessantes do que as outras ofertadas pelo mercado - e,
em contrapartida, condicionar a aquisição do referido produto à compra
de aparelho telefônico. Ademais, asseverou haver vários julgamentos da
Corte Superior de Justiça no sentido do cabimento da condenação por
danos morais coletivos em sede de ação civil pública nos casos em que o
ato ilícito se revela como afronta aos valores de uma comunidade, como
no caso em questão - prática de venda casada por parte de operadora de
telefonia, que causou sensação de repulsa coletiva a ato intolerável, tanto
intolerável que encontra proibição expressa em lei.

DECISÃO 17:

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO.


AGRAVO REGIMENTAL. PLANO DE SAÚDE. MUDANÇA
DE FAIXA ETÁRIA. PREVISÃO NO CONTRATO. ÍNDICE
QUE NÃO REVELA DESARRAZOADO. POSSIBILIDADE.
1. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental,
recurso cabível para modificar a decisão singular que deu
provimento ao recurso especial. 2. O reajuste de mensalidade

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e plano de saúde em razão da mudança de faixa é admitido,
desde que esteja previsto no contrato, não sejam aplicados
percentuais desarrazoados, com a finalidade de impossibilitar
a permanência da filiação do idoso, e seja observado o
princípio da boa-fé objetiva. 3. Hipótese em que a instância
ordinária, avaliando as circunstâncias de fato e as cláusulas
contratuais, entendeu não ser excessivo e nem desarrazoado o
reajuste. Incidência das Súmulas 5 e 7. 4. Embargos de
declaração recebidos como agravo regimental, ao qual se nega
provimento. (EDcl no AREsp 194.601/RJ, Rel. Ministra
MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em
26/08/2014, DJe 09/09/2014).

COMENTÁRIO:
Possibilidade de reajuste de mensalidade de plano de saúde em razão da
mudança de faixa: o STJ tem admitido o reajuste de mensalidade e
plano de saúde em razão da mudança de faixa, desde que esteja
previsto no contrato, não sejam aplicados percentuais desarrazoados,
com a finalidade de impossibilitar a permanência da filiação do idoso,
e seja observado o princípio da boa-fé objetiva.

DECISÃO 18:

REPRODUÇÃO FIEL EM BANCO DE DADOS DE ÓRGÃO


DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO DE REGISTRO
ATUALIZADO ORIUNDO DO CARTÓRIO DE PROTESTO.
RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA
CONTROVÉRSIA. REGISTROS DOS CARTÓRIOS
EXTRAJUDICIAIS DE PROTESTO. UTILIZAÇÃO SERVIL
DESSAS INFORMAÇÕES FIDEDIGNAS POR ÓRGÃO DE
PROTEÇÃO AO CRÉDITO. EXERCÍCIO REGULAR DE
DIREITO. HIPÓTESE QUE DISPENSA A COMUNICAÇÃO
AO CONSUMIDOR. 1. Para fins do art. 543-C do Código de
Processo Civil: "Diante da presunção legal de veracidade e
publicidade inerente aos registros do cartório de protesto, a
reprodução objetiva, fiel, atualizada e clara desses dados na
base de órgão de proteção ao crédito - ainda que sem a ciência
do consumidor - não tem o condão de ensejar obrigação de
reparação de danos." 2. Recurso especial provido.(REsp
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1444469/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO,
SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 12/11/2014,DJe16/12/2014).

COMENTÁRIO:
Dispensa de comunicação ao consumidor: o STJ tem o entendimento de
que nos casos em que há utilização fidedigna, por órgão de proteção ao
crédito, de informações oriundas de registros de cartórios extrajudiciais
de protesto, não é necessária a comunicação ao consumidor. Dessa
forma, referida reprodução de dados não tem o condão de ensejar
obrigação de reparação de danos. A inteligência do referido decorre do
entendimento da Corte de que os órgãos de proteção ao crédito exercem
atividade lícita e relevante ao divulgar informação que goza de fé e
domínio públicos. Portanto, não é o caso de incidência do artigo 43,
parágrafos 2º e 3º, do CDC, sob pena de violação ao princípio da
publicidade e mitigação da eficácia do artigo 1º da Lei dos Cartórios (Lei
8.935/94).

Em breve, os melhores julgados de 2015!

Equipe Ouse Saber

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